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A checagem da porra | #ID 7

Até que ponto podemos chegar por ciúme e paranoia?

"Pessoal do PdH, namoro há 4 anos, sou considerada bonita pelos homens e muito gostosa pelo meu namorado. Mas há uns 3 meses ele começou a não fazer mais questão de transar comigo, sendo que até então ele era bem tarado.

Agora sinto um desinteresse dele em relação ao sexo. Ele não é gay e sempre foi do tipo pegador. Eu malho, sou toda durinha, tenho peitão, bundão e por onde passo mexem comigo.

Acredito que ele não esteja me traindo, pois esse fim de semana, quando rolou um sexo meia boca, saiu uma porra igual iogurte. E se a porra não tá rala, é porque ele não tá comendo ninguém e nem tocando punheta.

O que pode estar acontecendo? Obrigada!"

* * *

Querida X, seu relato e questionamento é valioso, pois muitos homens tem curiosidade em conhecer o que se passa nos bastidores da mente feminina. No entanto, gostaria de ajudar você mesma a olhar pelos bastidores a fim de entender a lógica do seu desejo, muito mais do que o desejo do seu namorado.

Tentar adivinhar todas as possíveis causas do desânimo sexual dele seria criar uma lista de infinitas possibilidades. Afinal, o motivo que faz um homem perder o desejo – ocasional ou duradouro – pode ser desde uma unha encravada ao julgamento do mensalão.

O que me chamou a atenção foi o método de avaliação que usou para perceber a oscilação do desejo dele.

A nossa eterna mania de fazer checagens

Talvez não seja o seu caso, mas fico um pouco espantado como tentamos descobrir o que se passa com a pessoa que amamos de forma inusitada. Acesso ao celular, tentativa de descobrir a senha do email, pente-fino no carro, fungada no cangote para chegar o cheiro de traição, testes sexuais e checagem de porra.

"Quem era ao telefone? E no Facebook? E no Twitter? E..."

Acho que começamos do jeito errado essa história, afinal, esses métodos não revelam amor, mas uma certa fixação obsessiva que não pode deixar nenhum rastro ou ponta solta.

Imagine alguém avaliando quantos mililítros de lubrificação você produz para atestar sua excitação. Seria no mínimo indiscreto, além de estranho. Será que você se sente realmente insegura do seu papel na vida dele a ponto de não poder confiar numa simples conversa acolhedora?

A medida do amor

Curiosamente vejo muitas pessoas expressamente aflitas quanto à quantidade de amor que recebem de seus parceiros. Como se vivêssemos uma obsessão por validação de nossa capacidade de converter o parceiro em um ser convicto e nada hesitante quanto ao que sente.

Cada passo do parceiro é rastreado e medido para reafirmar nosso ego, ou seja, se ele não titubeia é sinal de que o amor é inabalável. Caso se mostre fechado, calado ou alheio imediatamente somos lançados num mar de desconfiança, paranoia e perseguição velada.

Minha querida leitora, o fato de você ter um corpo invejável e delicioso não blindará você de qualquer incômodo em matéria de amor. Realmente imaginou que o único parâmetro do tesão era garantir curvas picantes? Lembre-se que todas as divas e mulheres absurdamente deliciosas também passam por desilusões amorosas.

Nem dinheiro, corpo esculpido, fama ou simpatia garantem irrecusabilidade. Você, como qualquer pessoa, está no mesmo patamar e em última consequência também vai morrer, como qualquer um.

Pressão por estar tudo bem

Os casais que se consideram estáveis, saudáveis e complementares passam por um tipo de tortura sutil por sustentar o clima da relação sempre em alta.

Sabe aquela pessoa ansiosa que quer nos agradar a todo custo a ponto de causar constrangimento? Imagine duas pessoas dessas numa relação. É um pouco constrangedor. Eles medem cada palavra, atitude e estão sempre se provocando para manter a vida sexual e social agitada. Os feriados, fins-de-semana e tempos livres devem ser preenchidos religiosamente com múltiplas possibilidades de divertimento e alegria sem o qual se atestam entediados.

Nesses relacionamentos não pode haver contratempo, indisposição, tempo ruim ou desagrado. E tudo precisa seguir uma constância imaginária que habilita o casal para a felicidade. É asfixiante sentir que não podem fraquejar ou passar por um dia comum sem ser vistos como alguém que já não "investe na relação".

O sexo como medidor

É verdade que o sexo fica abalado numa relação amorosa da parte de homens e mulheres por inúmeros motivos. Mas até que ponto colocamos uma pressão exagerada no desempenho e frequência sexual?

Como bons brasileiros nos imaginamos mestres na arte da sedução e no prazer sexual e sequer imaginamos como essa imagem mítica do povo latino é falsa. Oscilamos como qualquer pessoa do mundo, mas com um agravante, não podemos revelar isso sem passar por um olhar estranho.

Os homens estão especialmente presos a essa obrigatoriedade do sexo, o machismo milenar se volta contra ele quando não consegue assumir para si e para a parceira que a libido baixou. Ele não consegue controlar suas emoções, sua mente flutua sem rumo, a vida parece apagada e o pinto não sobe.

Como abrir o jogo se sempre posou de comedor?

Olhar viciado

Nessas horas eu penso como é problemático o nosso vício mental em enxergar as pessoas apenas dentro de nosso interesse. O namorado já não é uma pessoa, mas apenas o namorado. Qualquer resposta que não satisfaça o critério do namoro perfeito.

Você seria capaz de olhá-lo como ser humano e tirar as expectativas que depositou sobre ele na cama e fora dela? Talvez se ele percebesse o seu interesse genuíno, para além do papel que cumpre em sua vida, seria possível uma abertura real e definitiva. Se estiver de coração realmente aberto, desprendida da quantidade de sexo ou porra que ele produz, é capaz que algo aconteça.

Em essência, eu imagino que suas emoções estejam carregadas de aflição e nem entendeu que está sentindo falta de real intimidade, daquelas que vão muito além de sexo e beijo na boca.

Se a traição dele for o único agravante nessa história é porque outros contratempos devem ter surgido no meio do caminho enquanto você media a frequência sexual.

Fique tranquila e se abra sem reservas, talvez ele faça o mesmo.

* * *

Nota do editor:  O trabalho da coluna ID é levar nossos leitores em suas jornadas de amadurecimento e desenvolvimento pessoal.

Para isso, vale utilizar esse espaço também para debater outros âmbitos da vida que estão além de amor e relacionamento, como família, angústias da solidão, da própria convivência consigo mesmo. 

Continuem mandando suas dúvidas, vamos cavar mais fundo e explorar mais sobre nós mesmos. id@papodehomem.com.br


publicado em 23 de Janeiro de 2013, 07:07
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Frederico Mattos

Sonhador, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, oferece treinamentos online em A Mente Humana e escreve no blog Sobre a vida.


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