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4 pilares para uma paternidade mais presente e saudável

Como atuar positivamente nas dificuldades dos homens com a paternidade para gerar transformações reais?

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Desde que mergulhei no universo da paternidade e comecei a auxiliar homens durante as grandes transformações existenciais da gestação, parto e puerpério, percebi que grande parte dos desequilíbrios individuais e desalinhamentos entre os casais, poderiam ser minimizados e até mesmo evitados se houvesse a consciência e uma atenção prioritária para quatro pontos, quatro pilares: o amor, o conhecimento, a empatia e a comunicação.

1. Amor

Ahh, o amor... a base de tudo e o elo entre os demais pilares. Independente da configuração familiar, condição financeira e estado civil, o amor tem que estar presente, tem que ser presente. Sem amor, nada se constrói.

Costumo dizer que homem e sentimento são palavras que historicamente não se comunicam muito bem, infelizmente. Temos uma cultura onde o sentir está relacionado diretamente com o feminino e falar sobre sentimentos é sinônimo de fraqueza.

Nesse sentido, acredito que a paternidade realmente seja a melhor oportunidade que a vida nos dá para revermos e ressignificarmos esses padrões.

Permitir-se sentir. Permitir-se cuidar e ser cuidado. Permitir-se amar e ser amado.

O amor une, sensibiliza, revitaliza e transforma... permita-se.

Foto de Clara Fernandes - Iluminar Partos

2. Conhecimento

De forma prática, talvez esse pilar seja um dos mais importantes.

Existe uma crença muito forte em que os homens só se tornam pais após o nascimento de seus filhos, o que até faz sentido, afinal, é o momento da materialização visual do nosso êxito como reprodutores.

Porém, ao acreditarmos nisso, nos acomodamos, e de forma inconsciente ou por ignorância (falta de conhecimento mesmo), acabamos perdendo um tempo valioso de aprendizado, além de negligenciarmos e delegarmos responsabilidades que são nossas enquanto homens, enquanto pais.

Quando falo em conhecimento, quero dizer estudar, pesquisar e debater sobre todos os tipos de assuntos relacionados à paternidade e à maternidade. Sim, também sobre maternidade. Saber o que acontece com a mulher em cada uma das fases gestacionais.

Saber o que fazer e não fazer durante o parto. Saber que o parto é sinônimo de vida, mas que pode ser de luto também. Saber o que é puerpério e suas complexas possibilidades. Saber que cada uma dessas fases trazem transformações tanto fisiológicas quanto psicológicas,  e que podem vir acompanhadas de todos os tipos de sentimentos, desde os mais positivos aos mais negativos.

De forma cíclica o conhecimento gera segurança, confiança, encorajamento e principalmente, gera empatia.

3. Empatia

Ser verdadeiramente empático talvez seja uma das coisas mais difíceis dentro das relações humanas. Requer altruísmo, interesse pelo próximo, capacidade de ouvir sem julgamentos, capacidade de ajudar e  muita inteligência emocional.

Etimologicamente, o termo advém do grego EMPATHEIA, formado por EN-, “em”, mais PATHOS, “emoção, sentimento”.

Carl Rogers, psicólogo do qual me identifico muito, traz que a empatia pressupõe uma compreensão afetiva ou  empática:

“Compreensão empática é a [...] capacidade de se imergir no mundo subjetivo do outro e de participar na sua experiência, na extensão em que a comunicação verbal ou não verbal o permite. É a capacidade de se colocar verdadeiramente no lugar do outro, de ver o mundo como ele o vê.”

De forma objetiva, empatia é se colocar no lugar outro.

Mas se historicamente, homem e sentimento/emoção não combinam, como conseguir ser empático? Como podemos dizer “eu te entendo” e “imergir no mundo subjetivo” de Carl, quando não temos conhecimento algum sobre o que realmente está acontecendo? Como ver o mundo como o outro vê, se biologicamente não temos a possibilidade de estar no lugar do outro em nenhum momento da vida?

Talvez soe um pouco estranho mas, por melhor que seja a intenção, empatia sem conhecimento é apenas um “tapinha no ombro” ou um “te entendo” vazio.

Homem e bebê melancia. Exercício de empatia no Curso Gestação e Parto para Homens.

4. Comunicação

Saber falar e ouvir, teoricamente é fácil. Mas na prática é muito difícil. E como já dizia Chacrinha, “quem não se comunica, se trumbica”.

A comunicação de forma empática é um pilar fundamental em todos os processos da paternidade, seja com a parceira, seja com a criança, seja com a família, seja consigo mesmo.

Um padrão muito comum durante a gestação, parto e puerpério, é a existência de uma grande projeção de expectativas, associada a uma relevante dificuldade de se comunicar. Como consequência... frustrações.

De um lado está a mulher, com todos suas transformações existenciais e fisiológicas, medos, dúvidas e anseios, precisando de força psicológica e física para encarar os desafios desse novo ciclo, querendo ouvir e ser ouvida.

Do outro lado está o homem, sem transformações fisiológicas, com seus medos, dúvidas e anseios, mas focado em manter sua “obrigação de provedor”, papel/armadura que lhe foi entregue no dia seu nascimento. Além, é claro, de uma extrema dificuldade em ouvir e falar, ainda mais sobre assuntos tão profundos.

Essa “armadura” que ganhamos na infância, nos deixa rígidos e pesados, e com o passar do tempo, tapa nossos ouvidos e nossa boca, e não nos permite ver e nem sermos vistos. Então como podemos nos comunicar? Como iremos falar com e para os outros, se não falamos o que sentimos nem para nós mesmos? Difícil, mas possível.

Devemos nos despir dessa armadura e ressignificar a palavra “prover”.  Sim, devemos ser provedores, mas provedores de amor, de cuidado, de escuta e acolhimento. Devemos aprender a nos comunicar de forma verbal e não verbal. Precisamos saber ouvir com o coração e falar com e sobre emoção.

Quando temos o amor como base, o conhecimento como fundamento e a empatia como caminho, provavelmente, a comunicação fluirá de forma harmoniosa e assertiva, tornando-se uma comunicação empática.

Esses pilares são a base de todo meu trabalho, desde cursos, palestras, rodas e interações. E indo mais além, é uma forma de enxergar a vida.

Será difícil, mas quem disse que ser Pai é fácil?

Forte abraço, marujo!


publicado em 31 de Maio de 2019, 12:31
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Tiago Koch

Idealizador do Instagram @homempaterno, homem, pai e marido. Formado em Naturologia, desenvolve trabalhos individuais e em grupos oferecendo suporte e acompanhamento para homens durante o período gestacional e puerpério.


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