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22 quadrinistas nacionais que irão te divertir, e que você poderá conhecer na CCXP deste ano

Dos menos conhecidos aos mais consagrados, o Bruno Passos separou só coisa fina por aqui

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Sim, já não era sem tempo! Mais uma vez é chegada a hora de hastear o bastião da sabedoria nas pilastras da galhofa!

Você se julga um nerd Tipo A só por chamar Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha de “Trindade”? Ou então porque adora dizer que o melhor Quarteto era o do Byrne? Enche a boca pra dizer que a coleção da Salvat é juvenil e que verdadeiros manjadores já tem os formatinhos? Pois saiba, nobre amigo, ser nerd exige mais do que uma opinião sombria e realista, houve um tempo distante - quando a Internet era só mato - que ser nerd ia muito além de vociferar nas redes sociais, se tratava, sobretudo, de amar o conhecimento.

 

Sim, buscar se aprofundar ao máximo nos temas que mexiam com a gente, podia ser física quântica ou X-Men, não importava, era uma paixão incontrolável pelo saber, compartilhada pelos socialmente inaptos e puros (mas nem tanto) de coração!

E o que isso tem a ver com esta lista?

Que vem surgindo no Brasil um sem número de quadrinistas já é um fato, mas que tenhamos um panteão vasto de grandes mestres ainda é somente uma expectativa. Não se engane, mais do que o nascimento  de outras centenas de artistas, o que se faz necessário é que criemos um ambiente favorável para o crescimento dos (muitos) já existentes. Aos boleiros, lembrem-se, não fosse um tratamento intenso ainda na infância, nunca teríamos ouvido falar de um tal de Messi.

Nerds, Uni-vos!

Abaixo, alguns nomes que já vêm se solidificando no cenário e outros que mal chegaram e já estão metendo o pé na porta, todos eles estarão na CCXP, melhor evento anual de São Paulo (depois do Festival do Churros)!

Apoiar os artistas brasileiros nada tem com patriotismo ou altruísmo, se trata apenas de um voto de confiança naqueles que poderão levar nossas mentes por caminhos ainda mais incríveis e emocionantes, que nos mostram que a vida cotidiana já é aventura suficiente ou, então, que mutantes radioativos também tem um coração.

A lista:

1. Alexandre Lourenço

 

 

Se em 2016  o álbum Você É Um Babaca, Bernardo era uma promessa, neste ano ele já foi até indicado na estreia da categoria “Quadrinhos”, na competição literária de maior prestígio do Brasil, o Prêmio Jabuti.

E o que isso importa para você? Nada. Só compre logo esse gibi e se divirta com o incrível ritmo entre uma cena e outra deste épico cotidiano.

2. Aline Zouvi

Em alguns momentos, Aline nos faz lembrar o fantástico Frederik Peeters. Sua sensibilidade é delicada, porém crua. Seus trabalhos buscam sinceridade sem que seja necessário apelar para indulgência, agora resta saber se o álbum Síncope entregará tudo que promete!

3. André Diniz

Roteirista e desenhista, acima de tudo, André é um observador da natureza humana. Não importa quais sejam suas histórias, seus personagens serão sempre uma fiel representação de uma situação, mas, paradoxalmente, nunca se tornam estereótipos.

André busca sempre ser banalmente bom, assim como o foi Nelson Rodrigues.

4. Bianca Pinheiro

 

 

 

Se tem algo que mostra que o autor é zika é vê-lo poder permear por gêneros diferentes e, ainda assim, ser consistente. Bianca vai do fofuchismo extremo em Bear, até a construção cabulosa do terror psicológico Meu pai é um homem da montanha. Eu vou querer ler até se ela adaptar o Velho Testamento.

Imagina as treta, pai?

5. Braziliano

 

Uma aposta deste que vos fala.

Braziliano é autodidata e vem do grafite. Seus traços têm a liberdade de um interessado e a ebulição da juventude. Se for capaz de canalizar sua energia e transformá-la em ritmo seqüencial, promete ser uma concorrência bruta aos melhores artistas psicodélicos.

6. Bruno Soares

 

 

Eis aqui outro palpite. Prestes a lançar seu primeiro quadrinho autoral, Pile Up, Bruno é daqueles que tem o bico de pena musical, que naturalmente nos faz acompanhar tudo deslizando de traço em traço.

7. Bruno Seelig

 

Eu poderia falar um monte de coisas sobre o Seelig, mas a imagem acima já fez tudo isso muito melhor do que eu.

Market Garden será lançado na CCXP e só nos resta torcer pra este climão de Sessão da Tarde ser verdade. Não sei se Market Garden é o gibi que merecemos, mas com certeza é o que gibi precisamos!

8. Canato

Pintor multipremiado, Canato tem em seu trabalho a objetividade de poucos. É do tipo de artista que pode ilustrar a Divina Comédia para crianças de modo acessível, mas nunca ingênuo.

Pincéis sutis e, ao mesmo tempo, didáticos, o tornam um mestre da clareza.

9. Davi Calil

Monstro ninja das cores,  depois de Uma noite em L´Enfer, Davi segue queimando tudo e agora lança sua nova obra Kung Fu Ganja. Leve, mas nunca inócua, Ganja é descompromissada na medida.

Calil nos mostra que ter recursos técnicos é importante, mas que saber escolher os essenciais é ainda mais.

10. Denis Mello

O que aconteceria se o país fosse governado por um movimento religioso? Em sua obra atual, Teocrasília, Mello nos apresenta sua versão deste destino um tanto quanto assustador.

Nossa curiosidade ele já conseguiu. Resta saber se ele será capaz de fugir dos estereótipos que uma história como esta pode apresentar. Não resta dúvida que traço pra isto ele tem!

11. Gabriel Picolo

Tal qual o original, nosso Picolo da vida real segue em constante evolução.

Seu estilo fluído é marcante, mas sua particularidade se encontra exatamente nas nuances. O Gabriel realmente tem compromisso com o sentimento dos personagens e isso transparece. Mais do que desenhos grandiosos, estamos diante de alguém que deseja nos contar a história nos pequenos gestos.

12. George Schall

Jesus Cristo.

Você viu a página aí em cima? Quê é isso, papai.

Na arte dos quadrinhos, sequências complexas são algo dificílimo, mas as simples são quase impossíveis. Palmas pro Georgão!

Já conhecido, mas, nem de longe, estourado como se deve. Ano que vem tem projeto novo e, garanto, ainda ouviremos falar muito seu nome.

13. Gidalti Jr

Mais uma aposta feita aqui no ano anterior que, felizmente, estourou!

Gidalti acaba de levar o Prêmio Jabuti deste ano, com o primoroso e amargo álbum Castanha do Pará, em que conta as desventuras de um menino de rua pela cidade de Belém.

E, senhores, estamos falando apenas do seu gibi de estreia. Agora confiram logo e depois imaginem o que ainda está por vir!

14. Guilherme Petreca

 

Dominando cada vez mais os ângulos e movimentos de seus personagens, estamos diante de um dos grandes em formação.

Guilherme tem a honestidade no traço, desenha como quem sonha. Não vejo a hora dele ter um pesadelo!

15. João Silveira

 

João Silveira, capista jovem, mas com estilo old school, é outro que seria muito mais reconhecido se morasse noutras bandas (ou utilizasse mais a Internet ao seu favor).

Sua pintura está numa crescente, cada vez mais se afasta do fotorrealismo para pisar em um, extremamente bem vindo, território desconhecido de sua imaginação.

16. Julia Bax

 

Os anos passaram e Julia se firmou com uma das melhores ilustradoras nacionais.

É chegada a hora de botar o pé na chuva e dar o próximo passo rumo à consolidação também na área de quadrinhos; e parece que ela virá com seu novo álbum, Nina e Tomas. Ansiosamente, à conferir.

17. Juscelino Neco

 

No melhor estilo Cinema em Casa do SBT. Se você ficou empolgado com Meu amigo Dahmer, saiba que se divertirá ainda mais com Matadouro de Unicórnios, que - embora tenha uma capa lamentável - é gore até a medula e tem traços que contrastam lindamente com seu tema.

Prepare-se para saciar sua sede por sangue sem peso algum na consciência.

18. Magenta King

 

 

Quando papai do céu disse “Matsumoto tomou doce e subiu no triciclo do Godzilla”, ele apontou pro Magenta.

Eu sei e você sabe, Magenta tem um Pacto. Só Pode. Não à toa o cara tem nome de troféu de designer e isso é a última coisa que a gente lembra quando pensa nele. Fantástico.

19. Pedro Cobiaco

 

Pedro tem tudo para se tornar um dos maiores quadrinistas do Brasil.

Seu maior desafio, sem sombra de dúvida, é ser capaz de conter sua própria criatividade. Seu primeiro grande álbum, Aventuras na Ilha do Tesouro é de uma atmosfera raríssima e inebriante mas, ao mesmo tempo, tem o ritmo recortado e um enredo que insiste em tornar o simples algo difícil. Se conseguir eliminar os excessos, criará algo realmente poderoso.

20. Roger Cruz

 

 

Se você conhece um pouco de quadrinhos, saberá que estamos falando de uma lenda viva da nona arte brasileira.

Roger explodiu com os quadrinhos muita treta dos anos noventa na Marvel, mas não é que ele se reinventou ao lançar os volumes da série Xampu?

Pequena grande história do cotidiano de paixões, altos e baixos da vida real de um jovem. Não deve existir respeito maior do que aquele que se tem por quem consegue abandonar-se para se tornar outro.

Primoroso.

21. Sapo Lendário

 

 

O casal Natália Lima e Júnior Ramos, embora não seja de quadrinistas, enche nossos corações de acalento. Suas criações de tipos esquisitos e perigosos são cativantes e hipnóticas.  

E eu sei e você sabe, do fundo de nossos corações, que eles hão de cessar a resistência e fazer um gibi inesquecível.

Pode dar o print.

22. Wagner William

 

Favorito deste que vos fala. 

Wagner já se destacava, e muito, na pintura quando resolveu se embrenhar mais pelos quadrinhos. O que antes era promessa, hoje se tornou expoentes. Seu último álbum, Bulldogma é arriscado, flerta com o Nouvelle Vague, mas extrai dele somente o que há de melhor, o frescor do cotidiano banal, sem nunca soar pretensioso. Seus recursos narrativos seguem se anabolizando a olhos vistos e seu novo gibi, O Maestro, O Cuco E A Lenda, já nos deixa babando de ansiedade.

E encerramos aqui nossa brevíssima lista que poderia contar com mais de uma dezena de outros nomes consagrados como, Greg Tocchini, Rafael Coutinho, Pedro Mauro, Rafael Albuquerque, Felipe Massafera, ou futuros incendiários tais quais, Mika Takahashi, Felipe Parucci, João Azeitona, Luciano Salles e segue o barco, para o infinito e além!

Tem algum nome que eu não coloquei? Mas é claro que tem. Só no Artists Alley deste ano serão mais de 400 artistas!

Com certeza eu não me enquadro como público alvo de boa parte deles, portanto, antes que entremos nas guerras sem fim das tretas malignas de lista pessoais, sugiro que deixem aqui nos comentários outros nomes, não resta dúvida que o objetivo deste artigo é ver nomes se proliferando e tornando-se mais fortes!

Ah, e embora não como quadrinista, este que vos escreve também se arrisca nas artes!

Aqui uma pintura que orgulhosamente tenta representar o Brasil em uma competição internacional online através do voto popular.

Fui selecionado pela segunda vez seguida para o concurso Internacional do World Wide Kitsch, organizado pelo Nerdrum Museum!!!!

O Brasil é um meio hostil para a pintura? Com certeza! Mas tenho pintado sete dias por semana, dez horas por dia, e fico extremamente feliz em ver que a ignorância (inclusive a minha muitas vezes) não poderá parar quem tenha como objetivo a busca por excelência.

A competição se dará por voto popular e por júri técnico. O voto popular é bem simples, basta clicar aqui no link e, se você gostou da minha pintura, deixar seu like.

Como sempre, espero ter sido útil ou, ao menos, divertido!


publicado em 09 de Novembro de 2017, 00:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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