[PESQUISA] Sendo sincero, como anda sua relação com a bebida? Queremos escutar todos e todas, dos beberrões aos abstêmios.

[18+] Bom Dia, Lua Menezes

A Lua Menezes foi fotografada pela Ruzia Padilha

Como a grande maioria das mulheres, fui bombardeada de nóias e inseguranças em relação ao meu próprio corpo. Nasci em Fortaleza, mas na adolescência eu nunca ia à praia com meus amigos. Morria de vergonha. Também não usava saia nem short. O teatro e o tempo foram ajudando a me libertar, mas ainda achava pouco de mim. Quando a Ruzia Padilha, do projeto Intimité, me convidou pra fotografar a primeira vez, fiquei emocionada.  Já seguia o projeto, mas não me achava “bonita o suficiente” para estar nele. A fotografia, a delicadeza da Ruzia, me fizeram me enxergar de uma maneira como eu nunca havia enxergado.

De repente, fui fotografando com várias fotógrafas e fotógrafos e me vi com um material fotográfico lindo acumulado em pastas no meu computador. Então juntar isso com meus escritos eróticos e nasceu o projeto Lasciva Lua – e me vieram muitas dúvidas sobre essa decisão, pois não queria ser objetificada. É sufocante viver numa sociedade em que a mulher é ainda vista como objeto, como algo que pode ser tomado, no paradoxo de uma lógica que sexualiza o corpo da mulher, mas que reprime e se revolta quando ela assume a sua sexualidade, seus desejos, sua liberdade. O corpo da mulher é sexualizado para o bel-prazer dos homens, e não em prol da mulher como ser integral, sexual, completo - afinal, o sexo, a sensualidade, a lascívia fazem parte de nós, sim.

Foi quando entendi que podemos usar a arte como arma ao nosso favor. Um dos motivos de eu amar ensaios de nu, além da beleza em si do corpo que se desnuda, que se entrega ao olhar do outro, é porque acredito que os projetos de nu podem ensinar (quando junto de reflexões críticas) a admirar o corpo sem desrespeitá-lo. Podem servir como ferramenta de transgressão ao senso comum, servir à naturalização do corpo, da nudez, da sexualidade inerente a nós, seres humanos, mulheres, homens ou não-binários. E minha esperança é que um dia vamos deixar de ver tudo isso como tabu, em que uma foto sem roupa terá a mesma naturalidade de uma foto com, no fim das contas são apenas ângulos e momentos distintos de quem somos, não é?

Acredito que podemos reeducar nosso olhar para sermos capazes de ver além das fotos: ver o ser humano por trás delas, em sua nudez de roupa e de alma, com seus medos e amores, dores e delícias; e que isso nos gere mais empatia e admiração, e menos um mero desejo de posse.

As fotos são da Ruzia Padilha.

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado em 04 de Fevereiro de 2019, 00:00
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Lua Menezes

É escritora, atriz, terapeuta e criadora do projeto de literatura erótica Lasciva Lua. Siga-a no Instagram.


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