Abrimos as inscrições para a edição 2019 do PAI, nosso evento anual de paternidade! Vem encontrar a gente e outros pais da comunidade em um dia cheio de conversas e palestras. Reserve o seu ingresso antes que esgote! Clique aqui!

[18+] Bom dia, Carolina Maia

Da paixão pela fotografia ao desafio de se deixar fotografar

O nu, pra mim, sempre foi algo muito natural. Em casa, desde bem criança, isso nunca foi tratado como um tabu, mas à medida em que fui crescendo, não cresci tanto quanto gostaria. (rs) Via minhas colegas de colégio ja desenvolvendo seus corpos de mulher e eu... bem, eu continuava sendo a magrela moleca mesmo.

Comecei a me envolver com design e fotografia bem cedo. Aos 14 anos já trabalhava e, fazendo "rolo", câmeras comprei minha primeira Sony Cybershot. Os anos passavam, troquei de câmeras e fotografava muitas bandas de amigos, shows, etc.

Na minha intimidade, sempre me dizia que tinha vontade de fazer ensaios intimistas. O corpo humano me encantava. As silhuetas, seu desenho e formas. Mas e a vergonha? E meu corpo? Eu ainda parecia uma menina (e de, certa forma, ainda era uma). Era super insegura e tive um relacionamento que não colaborou muito pra que isso mudasse. Aos 19 fui morar em outro país, mas só voltando pro Brasil em 2010 e com o término do meu relacionamento, comecei a perder a vergonha de usar shorts lá pelos 22 anos, quando eu comecei a parecer uma mulherzinha – essa tal insegurança é uma bosta mesmo.

Pois bem, vida que segue.

A fotografia estava sempre muito presente. Aos 24, namorando com quem hoje me casei e sempre me apoiou, comecei a soltar minhas amarras psicológicas e me envolver com a parte da fotografia que sempre gostei. Participei do meu primeiro workshop de retratos femininos. Eu ainda era e sou MUITO tímida e, até a intimidade chegar, sou muito quieta.

No primeiro almoço, o Ju me chamou de canto:

"Guria, você é fantástica, vamos fazer umas fotos amanhã de manha, antes do pessoal chegar pro workshop?"

Sério, eu gelei. Foi um mix de sentimentos, de alegrias, de todas as minhas inseguranças. Em milésimos de segundos tudo veio à tona, mas a boca respondeu ainda mais rápido: "CLARO!"

Assim, na manhã seguinte lá estávamos lá. O Juliano, bem, é um ser fantástico e que te faz sentir "coooomoo uma deeeeusaaaaa..."

Senti vergonha? MUITA!

Insegura? Claro!

Foi fácil? A principio não, era muita vergonha envolvida.

Valeu a pena? Demais!

Eu amei tanto a experiência que passei a dizer a todas mulheres que conheço o quão bem isso faz pra gente, o quanto você aprende a se aceitar nas suas imperfeições, a se amar, a se achar linda, etc. 

Hoje, a fotografia é uma paixão. Passou a ser um hobby. Fotografo muito meus cachorros, mas sempre que surge a oportunidade, faço um novo ensaio íntimo. Pra que em cada fase que passe, que meu corpo mude, eu nunca deixe de aceitá-lo como ele é. E recomendo a todxs que o façam também. É libertador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado em 10 de Setembro de 2018, 10:24
Carolina maia jpg

Carolina Maia

Designer e colorista no Estudio Miopia. Professora de espanhol. Mãe de cachorro. E modelo sempre que dá.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura