Zappos: quando a cultura da empresa vale um bilhão de dólares

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por Victor Lee
em 22/02/2010 às 10:19 | Dinheiro


Eu sou daqueles que costumava bocejar quando algum pedante do RH vinha querendo doutrinar sobre os “valores, visão e missão” da empresa. Sempre me pareceu uma perda de tempo institucionalizada.

Mudei de ideia ao conhecer a Zappos. Explico: esses tais “valores da empresa” serviram para a sua venda para a Amazon. Por quase U$ 1.000.000.000.

A Zappos vende sapatos, online.

A minha bronca com a tríade “missão, visão e valores”

Já trabalhei em diferentes empresas em distintos estágios de maturidade: vi desde corporações jovens que queriam definir a sua identidade às anacrônicas que precisavam se reinventar para sobreviver.

Para essa difícil missão, geralmente o diretor presidente (o “chefe”, “dono” ou “CEO”) procurava o encarregado de recursos humanos interno ou contratava uma empresa externa de consultoria para o trabalho. Seja qual fosse o contexto, o resultado para mim e diversos outros funcionários era sempre o mesmo: cedo ou tarde todos éramos convocados para a sala principal de reuniões, onde PowerPoints chatos pra burro eram exibidos.


Link YouTube | Se o seu objetivo é adicionar forma inadequada a um conteúdo sem propósito, siga as dicas acima.

Acho que a maioria dos leitores do PdH já viveu a experiência de ter que invocar paciência budista em situações semelhantes.

É um grande faz-de-conta:

  • os diretores fingem que realmente pretendem mudar sua pegada empresarial, que estaria refletida nos valores da empresa;
  • os consultores fingem que fizeram um trabalho “customizado” (sic) após uma longa pesquisa (que justifica as horas trabalhadas) e criam uma lista com jargões como “foco no cliente”, “valorização dos integrantes da instituição”, “ética e transparência interna e externa” e outras expressões torpes;
  • os funcionários fingem que prestaram atenção, e os mais puxa-sacos aproveitam o final da apresentação para apertar a mão do chefe, parabenizando pela modernização e profissionalização alcançada.

Todos retornam para suas mesas e a realidade permanece a mesma. Por que é que profissionais inteligentes se submetem a esses rituais? Eu me perguntava se os diretores dessas diferentes empresas realmente acreditavam no que estavam fazendo.

Os valores da Zappos

A maneira errada de definir a Zappos é “um site que vende sapatos”. Mas vamos nos manter a essa descrição por enquanto. Na página que fala sobre os valores dessa empresa, temos o seguinte decálogo:

1. Entregue um “UAU” através dos serviços
2. Abrace e conduza mudanças
3. Crie diversão e um pouco de maluquice
4. Seja aventureiro, criativo e cabeça aberta
5. Procure sempre por crescimento e aprendizagem
6. Crie relacionamentos abertos e honestos através da comunicação
7. Crie um time positivo e um espírito de família
8. Faça mais, usando menos
9. Seja apaixonado e determinado
10. Seja humilde

Quando li esses princípios, novamente me recordei de experiências negativas de má implementação de valores e missão de empresa. E torci o nariz. Mas continuei investigando mais sobre essa empresa que é mencionada por Guy Kawasaki como “o ponto de partida” para entender como usar social media para resultados. Não é por acaso que eles tem 1.684.155 de seguidores no Twitter @zappos e 32.000 pessoas em sua comunidade no Facebook.

Quem me deu as pistas do sucesso da Zappos foi novamente o guru Seth Godin, o mesmo careca que me ajudou a imaginar os motivos da Playboy ter colocado ao mesmo tempo a Marge Simpson e a Fernanda Young na capa. Esse sucesso se resume em uma palavra: tribos.

Como as regras do jogo mudam com o boca-a-boca da Internet

Essa ideia é simples e óbvia. Mas para quem ainda não entendeu a relevância que o Twitter, comentários em blogs e o botão “share this” no Facebook exercem nos negócios, lá vai a minha versão resumida….

Na época da TV, as empresas faturavam ao reduzir os custos de produção, fazendo produtos baratos, qualidade de entrega e suporte mínimo e bom investimento em propaganda. Um produto mediano anunciado por uma agência de talento e divulgado no horário nobre era sucesso garantido. Era.

Hoje, assim como no caso do tráfego por pornografia digital ficar pulverizado, o entretenimento é consumido nos infinitos novos espaços da Internet. O reinado da TV Globo tem prazo de extinção (sim, sou otimista).

Ainda tem e haverá milhões diante da telinha por muito tempo – mas são do tipo de consumidor de menor interesse. São crianças que veem Chaves. Aposentados que assistem ao Jornal Nacional e ficam assustados e comovidos com o terremoto do Haiti – e nada fazem, como bons espectadores dos dramas alheios.

O bom consumidor é aquele que é engajado e entusiasta. É o fortão da academia que fala para todo mundo que mudou para a nova marca de suplemento. É a mãe que tem um filho alérgico a glúten e passa o dia catalogando produtos e receitas. É a compradora fanática que usa fóruns de discussão sobre bolsas. Essas são as novas tribos.


Link YouTube | Seth Godin no TED Talks falando sobre as tribos que nós lideramos todos os dias

Entusiastas como os descritos por Seth não procuram suas informações na Revista Veja ou no Fantástico. Os meios de comunicação de massa sofrem o peso de sua grandeza: para comunicar para todos, precisam ser superficiais o suficiente para ter uma aceitação geral.

(Nota do autor: vejam que nesse texto eu estou criticando consultores que fazem trabalhos perfunctórios de “avaliar a missão da empresa”. Sei que posso ofender muita gente, mas é só assim que eu consigo me comunicar de forma genuína e passar minha mensagem. Uma rede de TV nacional não pode se dar esse luxo.)

É na mídia social que pessoas e ideias se conectam. Os grupos de interesses ganham vida com a Internet pois agora a localização física não mais importa. E aqui é que vem a correta definição do que é a Zappos. Uma definição que deve ser considerada por qualquer empresa hoje que não queira entrar na armadilha do faz-de-conta.

Zappos é um local onde entusiastas podem se encontrar e falar sobre suas paixões

É assim que o Seth Godin define essa empresa que foi comprada por 928 milhões de dólares pela Amazon (depois Tony disse que o valor final da transação ficou em 1,2 bilhões). A Zappos não é uma loja de sapatos. É onde entusiastas por sapatos podem encontrar mais gente interessada em seguir essa paixão.

E isso é unido pelo decálogo com muita maestria pelo seu líder, Tony Hsieh. Ele é o cara que me fez mudar completamente de opinião sobre a importância dos valores da empresa, que são usados por ele como alavanca para resultados diretos em lucratividade e inovação.

Eu vejo os valores corporativos como um dos três pilares de seu sucesso. Os outros dois são o relacionamento com o cliente e o uso de tecnologia, pois só falar bonito não adianta.

Existe uma tecnologia de ponta que inclui setenta robôs em seu armazém, permitindo empacotamentos prontos para entrega em oito minutos. O sistema de itens recomendados da Zappos também ajuda, mas não é nada que a gente não tenha visto nas vitrines virtuais da Amazon.

Além da tecnologia, nos tempos de glória a Zappos oferecia envio no mesmo dia de graça e também uma garantia de 110%: se um concorrente anunciasse um preço menor, a Zappos cobria o valor, mais impostos e despesas de envio, além de oferecer um desconto adicional de 10%. Isso sim é “foco no cliente”.

Mas de tudo, o que mais me chamou a atenção é como Tony Hsieh usa técnicas de dinâmica social, psicologia e administração para criar uma equipe que é diferente de tudo o que existe. Uma das ideias listadas em seu novo livro Delivering Happiness: A path to profits, passion and purpose (com lançamento previsto para junho) é oferecer dois mil dólares para os novos empregados pedirem demissão. Ao final do post eu conto como isso é lucrativo para a empresa.


Tony Hsieh e seu primeiro livro no TED de Long Beach (fonte)

Como a clareza dos valores da empresa se traduz em resultados

Uma coisa que eu sempre notei é que realmente a cultura da empresa se perpetua. Antes da Ambev, a Brahma sempre foi um lugar bastante competitivo, tal como o Citibank. Outros, como o Banco Votorantim, eram claramente contra a política de competição interna excessiva.

Mas a cultura empresarial sempre me pareceu ser algo complexo demais para ser construído como elemento de design consciente. Parece que a Zappos é um exemplo de que eu estava enganado.

Primeiro, seu co-fundador é um cara que adora livros de desenvolvimento pessoal. Ele diz ter o The Happiness Hypotesis, de Jonathan Haidt, como um de seus livros preferidos no tema de busca de uma fórmula ótima de maximização de felicidade.

É assim que Tony traduz a abstrata sequência de valores da empresa em ações específicas. Tudo o que ele faz em termos de gerenciamento da Zappos é cuidadosamente pensado para atender à felicidade dos empregados e dos clientes.

Exemplo: mudou a sede da empresa de San Francisco para Las Vegas. O motivo, além dos custos reduzidos, é que Vegas possui restaurantes e entretenimento 24 horas, diferente da California. Isso melhoraria a qualidade de vida da equipe que faz o turno noturno.


O escritório da Zappos é tão legal que merece um blog próprio: Inside Zappos. Um ambiente de trabalho agradável tem muitos benefícios. Alguém lembrou do Googleplex?

A ideia não é nova. David Ogilvy conta que a esposa do publicitário Stanley Resor insistiu que os escritórios dessa agência do começo do século passado fosse ricamente decorada com móveis luxuosos antigos. Ao tornar o ambiente de trabalho mais agradável que a própria casa dos funcionários, haveria a tendência de se trabalhar mais horas.

A Zappos levou essa ideia para o próximo nível. Não estamos mais falando apenas de uma mobília de design. Estamos falando em um nível profundo de identidade.

Diga-me onde trabalhas e te direi quem és

Repare como no vídeo abaixo os funcionários repetem com felicidade o decálogo da empresa. Esse é um belo exemplo de um conjunto de valores implementado com eficiência.


Link YouTube | O decálogo de valores da empresa Zappos.com. Muito mais que um faz-de-conta: os caras realmente vivem esses princípios

Como essa engenharia de identidade funciona? Anualmente, todos os funcionários, tanto novos como antigos, escrevem pequenos artigos refletindo sobre a experiência de trabalho e os valores da empresa. O resultado é um livro de capa dura com cerca de 400 páginas. À venda, claro.

Essa prática me lembrou um pouco das lições do Robert Cialdini, especialista na arte da persuasão. Uma das táticas de manipulação mental usadas pelos chineses era fazer com que seus prisioneiros de guerra escrevessem artigos apontando as falhas dos Estados Unidos, e como o sistema americano não era perfeito. Essa inocente atividade de passatempo tinha como recompensa um cigarro para o melhor artigo.

O simples ato de colocar em palavras ideias com as quais não se concorda necessariamente é um reforço de uma crença. Por coincidência ou não, a prática de Tony Hsieh faz com que os verdadeiros fiéis se tornem ainda mais firmes em participar da família Zappos. Esse é exatamente o papel do líder da tribo descrita pelo Seth Godin.

A integração da equipe é outro fator cuidadosamente implementado. Atividades sociais fazem parte oficial do emprego. O cara com quem você se diverte tomando umas na festa é o mesmo que vai ficar o dia inteiro dividindo escritório no computador ao lado. Por que não fazer com que a fronteira entre o público e o privado se misturem, para gerar maior união?

“Amigo, eis aqui U$ 2.000 para você se retirar do recinto”

Entretanto, não é qualquer maluco baladeiro que é contratado para a Zappos. Todo o processo de criação da tribo envolve desde o primeiro passo no recrutamento. Além das perguntas seletivas, os finalistas recebem um treinamento de duas semanas para aprender como atender os clientes ao estilo Zappos. No final, eles recebem dois mil dólares para desistirem, além da remuneração pelo tempo trabalhado.

O motivo é que durante o treinamento ficava claro quem é que vestiria a camisa da empresa e quem cedo ou tarde sairia de qualquer modo. Oferecer os dois mil é uma maneira para facilitar o processo e evitar as maçãs podres de contaminar o resto. E ainda serve para outro princípio de persuasão do Cialdini: os que ficam e rejeitam a proposta dos dois mil estão investindo na empresa, mais inclinados a valorizar o trabalho. Genial.

Acho uma pena que por enquanto a maior parte das firmas que eu conheço ainda continuarem brincando de faz-de-conta com valores abstratos que não são efetivamente implementados. Como estou pesquisando o assunto, receberei com muita gratidão outros exemplos que vocês conheçam.

*Crédito da foto de topo: Scott Beale.

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Victor Lee

É o embaixador europeu da PapodeHomem e está sempre de malas prontas para ir onde tem mulher bonita. É autor do "From Victor With Love - Diário".


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  • Marcílio Nascimento
    A minha sensação em muitas situações que fui exposto a tríade de empresas, ou as frase prontas, era de ânsia de vômito. Um discurso muito artificial e, na maioria das vezes, quem expunha o tripé nem sabia o que estava falando. Já começava errado...

    Quando as empresas de consultoria/qualidade criam esse tríade para seus clientes apenas para conseguir certificado X ou Y, é trabalho jogado fora. E entra na situação exposta no início do texto. Talvez seja uma das causas de encontrarmos poucas Zappos espalhadas pelo mundo.

    Essa cultura, antes, deve ser entendida, escrita e "transpirada" pelos dirigentes da empresa (sócios, presidentes ou qualquer outro papel incumbido desta função).

    Me pareceu que o decálogo incorpora o padrão tríade focado na realidade e totalmente prático. Será?

    Certa vez li que em um confronto, quem tiver a missão mais forte ganha. Tenho usado isso para avaliar a qualidade de produtos/serviços de algumas empresas. E não encontrei ainda excessão a esta regra.
  • Aprendi muito
  • Freelancer
    excelente texto!
    eu particularmente gosto de ver novas formas de trabalho em equipe e administração!
    Como produtor só esse texto já deu uma força!
    valeu!
  • Marcel
    Parabéns pelo artigo. como o johnny mandei para o meu professor também.

    Vlw por compartilhar seu conhecimento cara.
  • Johnny
    Demais até mandei para meu professor de marketing que tinha falado sobre isso mesmo, espero que ele reflita o mesmo que estou refletindo sobre esse texto.

    Há estou fazendo TCC e irei criar uma empresa etc... E um ponto tenho que fazer isso, mas o problema central é que somos educados a fazer tudo igual e nada diferente, ainda bem que sou sempre do contra! =D
  • mechrod
    sugiro a leitura do livro Riqueza Revolucionario, de Alvin Toffler.
    Ele fala exatamente sobre as mudanças de mercado e explica que estamos saindo da "era industrial" para a "era do conhecimento".......ótimo livro relacionado com o assunto do artigo......se o autor ainda não leu, leia assim q puder.....

    abraço!
  • Ótimo post. Ainda estou absorvendo tudo.

    Parabéns!
  • Pedro
    Realmente muito bom teu artigo. Conheci a Zappos no ano passado, no Digital Age 2.0. Fiquei impressionado com a política dos caras e com o que efetivamente conseguem fazer com sua "Cultura". Empresa sensacional! Deveria servir de benchmark para muitas empresas grandes que conhecemos...
    Abraços!
    Pedro
  • Wescley Alexandre Jacob
    Eu até entendo as palestras motivacionais, mas o que eu nao aceito é no final da palestra, quando um chefe desgraçado enche a boca pra falar que os "colaboradores sao o maior patrimonio da empresa". Esse sim é um papinho rela-bosta...
  • Ricardo Coelho
    Excelente artigo!
  • Czech Hunter
    A arte da guerra...

    ;)
  • Carol Souza
    #21 - Marcos,
    Não é fácil mesmo...

    Às vezes o tipo de abordagem no anúncio da oferta de emprego pode estar atraindo um perfil "ruim". Ou a maneira da condução dos testes...

    Quando me falam que a área "trabalha sob pressão", por exemplo, eu já imagino algumas áreas que eu trabalhei que o mais importante era ficar até meia noite (mesmo sem nada para fazer) ou uma outra experiência que o chefe não sabia priorizar nada, e ficávamos fazendo um monte de coisas que no final não serviam para nada (ou a tal reunião importante nem acontecia).

    Por outro lado, uma das entrevistas mais legais que eu fiz foi uma simulação da área, em que me deram uma folha com um monte de especificações de peixes (quanto cada um come, espaço necessário, aproveitamento da carne) e o problema que era decidir quais tipos usar (considerando limitadores como custos e espaço máximo) para um novo projeto de ração de animais a base de peixe. Tinha que decidir e montar uma apresentação para um comitê de gerentes. Engraçado é que eles levavam a sério mesmo, fazendo perguntas, pedindo explicações, fazendo comentários. Isso porque era uma entrevista de ESTÁGIO... Foi muito bacana porque me deu noção do que a área fazia e deu a eles a noção de como eu estruturava o raciocínio, o que eu considerava importante e o quanto eu conseguia me envolver nesse tipo de atividade.

    Talvez seja legal estruturar os pilares que vc quer na sua empresa e direcionar toda comunicação nesse sentido.


    #22 - Julio Meneghini,

    A maior parte das fusões acaba não mantendo a cultura "boa" (apesar dos maravilhosos discursos iniciais)... Já vi isso em fusões, aquisições, JVs, etc etc etc. Acaba prevalecendo a cultura do mais "forte", que nem sempre é a melhor. Quem perde são os clientes que voltam a ter só aquele servicinho pasteurizado e os funcionários que voltam a trabalhar em empresinhas "bate-ponto".

    É uma das coisas que mais desestimula funcionários...


    #24 - Gabriel Vinicius,

    Procura que tem... rssss

    Empresas como a 3M, a DuPont e mesmo o Google tem áreas muito bacanas e incentivos legais.

    Empresas como as farmaceuticas tem coisas legais como sair sexta-feira mais cedo e duas férias por ano (a coletiva e a sua).

    Outras são reconhecidas pela pressão e algumas até por assédio moral.

    Apesar de você ser escolhido em um processo seletivo, é muito importante que você também escolha onde quer trabalhar... É onde vc vai passar a maior parte do seu dia durante cinco dias da semana...
  • Arregaçou Victor!

    Muito bom artigo que pena que em quase 5 anos de experiência profissional nunca vi uma empresa pondo em prática tais valores até como formas de melhorarem o incentivo dos funcionários em trabalhar na empresa.

    Parabéns Pelo Artigo!

    Com certeza esse artigo fará com muitos analistas de rh e diretores de empresa reflitam sobre valores em empresa.
  • Dr Health
    Lendo posts assim eu faço coro com o Henrique e me pergunto por que escolhi um treco tão sem graça quanto a medicina...

    Saída pela esquerda, vou largar enquanto é tempo!
  • Julio Meneghini
    Bacana o texto. Muito bem escrito.

    Uma dúvida. Na Amazon a cultura é a mesma? Não achei nenhum indicio sobre a visão/missão na curta pesquisa que fiz.

    A cultura da Zaapos vai sobreviver (e ser inserida na Amazon) ou o que os novos donos queriam mesmo era entrar nesse ramo?

    Alexandre, o Grande, ao conquistar uma nova região respeitava as culturas locais e seus valores. Por isso seu império foi grande e duradouro - bem, é o que diz a história.

    Muitas fusões e aquisições se perdem por ai. Não?
  • Marcos
    Carol , gostei do seu cometario,

    Eu tenho uma pequena empresa na internet onde sou o meu unico funcionario exatamente porque não achei ninguem que vestisse a camisa da minha empresa com entusiasmo, apesar de muitos terem se candidatado e na avaliação que fiz achei eles muito descomprometidos.

    Eu acredito que é por conta de algo que o Hitler fala no livro dele e que ele copiou de alguem , que é muito dificil achar pessoas com coragem para arriscar-se pela ideologia da organização , geralmente esses soldados querem fazer pouco para depois ficar com os espolios das suas conquistas.

    Pelo menos minha empresa vem dando certo depois de muito esforço que eu tive que fazer , persistencia e envolvimento com a ideologia da empresa.
  • #19 - Valeu Thaís! De fato, ao escrever o artigo, não associei o faz-de-conta dentro do contexto de obtenção do ISO de qualidade. Muito verdade!!!

    E isso abre portas para abaixar ainda mais o nível né? O comprador que faz-de-conta que está fazendo bons contratos pois o fornecedor tem ISO 9000 quando no fundo está rolando uma comissão camarada e por aí vai...

    ... melhor a gente focar a atenção nos bons exemplos mesmo, como a Zappos!
  • Olá, Victor!

    Seu texto está genial! Mas gostaria de fazer um comentário a respeito da motivação das empresas em seguir a tríade "missão-visão-valores".

    Essa é uma exigência dos mais variados sistemas de gestão da qualidade (o que era somente ISO 9000 a alguns anos, hoje se multiplicou em centenas de siglas e números que, para leigos, não apresentam muito significado). Mas o fato é que o mercado globalizado cada vez mais exige certificação em qualidade (seja qual for o ramo de atuação da empresa) e é essa motivação pelo papel, ou seja, pela aquisição do certificado do sistema de gestão qualificado, é que faz com que a empresa não se envolva de fato com a sua cultura.

    A motivação da maioria das empresas e seus gestores está completamente equivocada! E é exatamente aí que observamos organizações apáticas em seu dia-a-dia, mas "certificadas" e "legalmente atestadas" para sobreviver em meio à competição. É um mundo líquido e de aparências... Infelizmente!

    Mas tomando conhecimento sobre o que acontece dentro da Zappos (eu mesma não sabia até ler seu texto), é que realmente podemos pensar que somos sim capazes de alterar a realidade. E isso é bem bonito!

    Parabéns mais uma vez!

    Thaís
  • #10 - Bruno Biscaia, que honra receber um elogio seu! Obrigado - fico contente em saber que o texto agradou quem manda bem na área. Pessoal, recomendo a todos os leitores que gostaram desse post que confiram o que o Bruno escreve aqui: http://dinheirama.com/blog/category/empreendedo...

    #1 - Henrique, quem sabe não dá para aplicar indiretamente algumas idéias no seu business? Certa vez conheci um advogado de empresas que era bastante ligado nessas tendências e as traduzia em cláusulas bastante específicas em diferentes contratos de seus clientes com bons resultados.
  • #16 Beleza, Victor? Eu queria mencionar o Us Now mas o post já estava comprido demais. Gosto muito das idéias do Clay Shirky e prometo abordar o tema em post futuro. Valeu por compartilhar! O contraponto dessa idéia de participação direta é um risco de fragmentação da cola social, especialização demasiada e turfes por demandas de visão de curto prazo. Veja o que o Cass Sunstein escreve a respeito que é bem legal.

    #15 Carol Souza, a gente tá aqui na Equipe PdH conspirando uns temas BASTANTE interessantes de textos que pelo que eu acompanho dos seus comentários sei que vai gostar bastante. Assim como agradeci ao Victor, sua participação e de leitores de qualidade é fundamental para a gente continuar com o nível de debates bacanas aqui.

    Obrigado tb por compartilhar o "Fish", que é um vídeo por si bastante rico. Porém no meu caso eu já vi empresas usando o vídeo sem fazer a ponte de implementação que vc comentou no #8 - tudo volta ao normal.

    Pessoal, fazendo justiça aqui: a idéia desse post partiu nada menos do que do nosso amigo Gitti. Ele me escreveu no fim de semana a respeito do livro da Zappos e eu me animei para escrever.

    Lembrem-se que nosso formulário de Contato http://papodehomem.com.br/contato/ está sempre aberto para receber sugestões de pauta de vocês. É assim que usamos o poder da colaboração para alimentar o conhecimento coletivo que é o PdH. Abraços!!
  • Victor
    Fala ai chará! Estava vendo um documentário ontem e um dos assuntos aboradados era exatamente a Zappos, puta coincidência! O nome do documentários é "Us Now" e fala do poder que o cliente/cidadão/consumidor tem com o advento da internet. O documentário fala muito de tribos também, de gente que se junta em torno de um interesse comum e como isso terá impacto até agora não calculado na organização política e das corporações. Exemplo: será que não seria absolutamente democrático que todos os cidadãos de uma cidade votassem as leis municipais? Por que que eu não posso decidir onde vai ser gasto o dinheiro que eu pago em impostos? Por que eu preciso trabalhar numa empresa convencional se e eu outros interessados não podemos abrir uma empresa e cada um trabalhar em sua própria casa? Por que que os torcedores de um time não podem escalar o mesmo? (este exemplo está no documentário, muito, muito, muito foda mesmo!!!).

    A hipócrisia corporativa atual é só uma das grandes baboseiras que está com os dias contados, tem muita coisa nova e ainda insuspeita pra acontecer em muito pouco tempo. Quem viver verá...
  • Carol Souza
    Victor, desculpa a intromissão no seu post, mas adoro o mundo corporativo... hehehehe

    Poderia ter mais posts sobre isso, inclusive...
  • Bom, um emprego continua sendo um emprego. No final o empregado vai ajudar alguém a ficar muito mais rico do que ele. E não é novidade que um funcionário feliz e que "vista a camisa" trabalhe muito melhor do que um que só cumpre o horário. O que me deixa confuso é ver como isso não é aplicado. Normalmente as empresas tratam as pessoas apenas como... Recursos Humanos. E palmas para os que conseguem levar isso na prática.

    Legal esse trem de vestir a camisa, o duro é quando uma empresa quer funcionários que vistam a camisa e sejam leais mas não oferecem nada em troca: salário de merda, tratamento ridículo, horas intermináveis, pressão para atingir metas e afins. No final a primeira chance de um salário melhor a pessoa pula fora.
  • Carol Souza
    Marcos,

    Achar esses "soldados" não é difícil... Tem muitos casos de pessoas que realmente não querem nada com nada. Mas tem muitos outros casos de pessoas que estão na área errada, na empresa errada, com o chefe errado, quando não tudo ao mesmo tempo.

    Eu mesma já trabalhei em lugares de bater-cartão, vulgo aquelas empresas que vc não tem o menor tesão em ficar um segundo a mais do que o exigido. E já trabalhei em lugares fazendo hora-extra de graça, inclusive aos finais de semana. O curioso é que numa delas foi um caso de amor pelo que eu fazia, cheguei a trabalhar de graça para conseguir entrar naquele mercado. Na outra eu já trabalhava com outra coisa, que por si só não me motivava, mas pelas pessoas, ambiente de trabalho, oportunidades e desafios, eu ficava, ficava, ficava e quando via já tinha virado a noite...

    Já liderei um projeto nessas bases, onde contava com quarenta e poucas pessoas espalhadas no Brasil, sem o menor controle pessoal e o projeto era tão bacana, e nossa relação tão boa que o povo GOSTAVA de me ligar para contar como tinha sido o dia... (e eles não ganhavam nada a mais por esse "relatório").

    Generais são difíceis de achar, bons soldados não. Exatamente porque os primeiros tem que se auto-motivar, enquanto os segundos dependem um pouco da personalidade e MUITO da motivação do general...

    Abrs!!!
  • Marcos
    Interessante Victor. Pelo que pude entender essa empresa emprega tecnicas semelhantes as de Hitler, narradas no seu livro main kempf (minha luta), a de ter soldados que defendem a ideologia da organização com unhas e dentes, e não apenas empregados que fingem que trabalham e o chefe finge que paga.

    o unico problema é achar esses soldados ja que a maioria das pessoas leva tudo nas coxa.

    eu só não entendi o que afinal eles fazem? empresa que vende calçados e bolsas ?
  • Guilherme
    Ótimo post. Sem dúvida, essa atitude de funcionários da Zappos não começou do nada, e deve ter levado um tempo para se concretizar e todos perceberem que de fato tem vantagens.

    Não deve ser nada fácil conseguir atingir esse nível de profissionalismo, e muitas empresas não vão conseguir. Assim como aquele estudante, que prometeu que estudaria todo dia e não estudou. Não basta prometer para si mesmo, tem que fazer.
  • Victor, esse post ficou demais.

    Juntar as ideias do Seth Godin com Guy Kawasaki e explicar a Zappos foi realmente uma ótima ideia. Parabéns.
  • Alex
    O modo o qual a empresa se comunica e impõe diante do funcionário é realmente surpreendente.
  • Carol Souza
    Celso, eu tb acho um saco esse treco de RH "normal". Um monte de gente "brincando" de desenhar casinha, montar boneco e jogar escravos-de-jó para no final perguntarem "o que vcs entenderam?" e um mané pela-saco responder que "temos que trabalhar em equipe", "atingir maiores resultados trabalhando em prol de um objetivo comum" e coisas bonitas assim...

    Todo mundo vai embora e no dia seguinte continua o mesmo chefe-tirano, o mesmo colega puxa-tapete, os mesmos horários insanos e as mesmas metas imbatíveis...

    Felizmente tem lugar que leva a cultura a sério. E tenho um pensamento positivista de que essas empresas farão as tradicionais "queremos-seu-corpo, não-sua-alma" pastarem um bocado... rssss

    Abrs!!!
  • Carol Souza
    Este é um vídeo bem legal sobre valores levados a sério (e que leva a resultados financeiros e mudanças no foco da empresa - muitas inesperadas):

    http://www.charthouse.com/productdetail.aspx?no...

    "The FISH! Philosophy® emerged in 1998 from the film, FISH! Catch the Energy, Release the Potential, produced by John Christensen — current CEO aka: Playground Director at ChartHouse Learning — this film is about the Seattle's world-famous Pike Place Fish Market. What John captured and translated into film was that even in a workplace where fishmongers spent stinky, grueling 12-hour shifts stocking, selling and packing fish, remarkable results can occur when people accept the invitation to: 1) Be There for their coworkers and customers; 2) Play; 3) Make someone's day, and; 4) Choose their attitude about how they show up for work. As a result, the FISH! film, now has now been translated into 17 languages. Next came FISH! the book, currently translated into 34 languages. Other book titles include FISH! Sticks, FISH! Tales, FISH! For Life, and recently, Schools of FISH!. Our newest products, FISH! Culture and LeaderFISH! will help organizations take FISH! into a deeper level. "
  • Celso
    Sempre achei que aquelas maldições de palestras motivacionais das empresas e de demonstração de resultados pra aumentar a produtividade eram pura idiotice.

    Todo mundo querendo mostrar serviço sem realmente querer ver um resultado.

    Isso é o que acontece na maioria das empresas. Supervisores e Gerentes tem como principal papel fazer coisas desse tipo, sem necessariamente apresentar verdadeiros resultados. Simplesmente a empresa tira o dela da reta e diz que a falta de qualidade é problema exclusivo dos funcionários.
  • Isso aí Gustavo. Lendo outros artigos agora estou sacando como funciona e é uma visão que tenho de atendimento, tentar de qualquer maneira ajudar o cliente a encontrar o produto ideal para ele. Mas ainda não sei se posso comprar o que vi no site. Me responde isso. :D
  • Victor, artigo sensacional! Obrigado.

    Assim como você, sempre tive aversão aos tais "valores" de uma empresa. Eu até já escrevi esses textos de "missão" para mais de uma empresa e sei bem que a grande maioria fica apenas num discurso sem sal, mais do mesmo.

    Assim que soube desse livro do Hsieh fiquei MUITO feliz. Admiro muito quem já sacou que o lance é brincar com a própria vida e estimular sorrisos e felicidade em todos ao redor, usando qualquer meio para isso. Uma loja de sapatos, por exemplo. ;-)

    Criar esse ambiente de desafios e liberdade, de autêntica valorização humana, não é fácil, mas é muito mais descomplicado do que sustentar os ambientes sérios e restritos de muitas organizações.

    Vou comprar o livro, com certeza.

    Abraço!
  • Não conhecia o Zappos. O texto está muito bom, mas faltou falar o que a empresa faz. No começo fiquei meio perdido sem saber o ramo em que a empresa atua e como atua.
    Como faço para comprar? Tem ótimos preços. :D
  • Woldermacdowell,

    Você ficou confuso exatamente porque a Zappos é um novo tipo de empresa. Você acha que é uma loja virtual de calçados (que depois começou a vender outras coisas), depois percebe que é uma empresa de serviço e bom atendimento, até que se toca que é mais até do que isso. É essa a graça da coisa.

    A gente pode causar a mesma confusão nas pessoas, dependendo de nossa ação no mundo. Se você começa a USAR sua profissão, sua posição no mundo, para fazer algo além de sua função, então é ESSA a sua verdadeira profissão, não seu cargo, sacou?
  • Cara, esse artigo está muito bom! Parabéns! Às vezes me pergunto porque escolhi ser advogado, minha profissão não dá muito espaço para assuntos tão bacanas :D!
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