Apertem os cintos. Em tempos de crise, cortes de custos, abandono de patrocinadores, e até mesmo de uma equipe importante, esse ano promete uma das mais emocionantes temporadas de Fórmula 1 dos últimos tempos.
Ao final da temporada de 2008 os maus ventos trazidos pela crise financeira internacional já provocavam certa instabilidade nos alicerces do modelo de negócios da maior categoria do automobilismo mundial. Os dirigentes da Fórmula 1 manobravam-se entre patrocinadores, fornecedores e clientes para aperfeiçoar seu modelo de negócios e resguardar a viabilidade dessa cara competição. Durante o final do ano pipocavam notícias com idéias estapafúrdias, outras nem tanto, à respeito de mudanças que pudessem atrair público e patrocinadores. Bernie Ecclestone chegou a sugerir a adoção de medalhas como sistema de premiação!
Bernie Ecclestone e Ross Brawn, os dois chefões da F1. Não devem ser subestimados, nunca.
Isso soa como F1 para você?
Finalmente, quando todos já estavam suficiente assustados, uma estarrecedora notícia colocou em xeque a credibilidade da F1 para com seus patrocinadores. A Honda F1 Racing Team decide vender sua infraestrutura completa e abandonar a competição. As notícias que seguiram a partir desse momento não eram boas. A saída de diversas equipes de outras categorias do automobilismo mundo afora fomentava rumores à respeito do fim dessa grandiosamente ostentadora competição chamada F1.
Enquanto os dirigentes corriam o mundo para atrair novos patrocionadores, outra batalha era travada nos bastidores. A Honda ainda precisava de um comprador ou Rubens Barrichello e Jenson Button perderiam seus empregos. A carreira do Rubinho era dada como encerrada por muitos já que a agora finada Honda cogitava substituí-lo por Bruno Senna. Barrichello parece delirante ao afirmar que seu trabalho na F1 ainda não estava concluído.
Em meio à isso, visando aumentar a competitividade dos carros, proporcionar mais ultrapassagens, emoção e aumentar a visibilidade da F1, a categoria trouxe diversas “inovações” tais como os pneus Slick. Mas a melhor delas seria o KERS, sigla para Kinetic Energy Recovery Systems, que é um sistema que capta a energia cinética dos freios, a converte em eletricidade através de um gerador armazenado na bateria do carro. Ao apertar um botão no volante, durante 6,5 segundos por volta, o piloto poderá reutilizar essa energia na forma de 82 cavalos adicionais!
httpv://www.youtube.com/watch?v=zTkVKPdyWs0
A energia pode ser totalmente utilizada uma única vez possibilitando uma grande arrancada do automóvel. Caso o piloto julgue mais adequado também poderá utilizá-la parcialmente para, por exemplo, bloquear a ultrapassagem de adversários. Entretanto, nem tudo são flores. Pressionar o botão na hora errada sem grip suficiente fará o carro destracionar e rodar no meio da pista.
Como diz Sebatian Vettel “nesse ano os pilotos influenciam mais, precisam fazer a coisa certa na hora certa”.
Para afugentar de vez os maus agouros e as nuvens que encobriam o futuro da F1, nada seria melhor que a concretização de venda da Honda. Ross Brawn, antigo diretor do time de F1 da Honda decidiu comprar a equipe com outros três ex-funcionários. Apostaram na experiência e reassinaram o contrato com a dupla que mais GPs correu dentre os atuais pilotos, Rubens Barrichello e Jenson Button. Bruno Senna ficou de fora por hora, mas já recebeu convite para participar do campeonato alemão DTM nesse ano.

Os pneus "slick" estão de volta depois de 11 anos longe das pistas.
Quando a maioria das equipes já treinava em Jerez realizando os testes de pré-temporada, surgiram os automóveis da nova equipe de Brown, a Brawn GP. Sem patrocínio, os ainda brancos BGP001 tiveram seu desenvolvimento iniciado após todas as outras equipes. Foram tarde para os testes. É natural que busquem por resultados entre as últimas colocações especialmente quando consideramos que a Honda não vinha sendo competitiva. Mas não foi isso que aconteceu.
No primeiro dia de testes o BGP001 de Jenson Button foi o mais rápido de Jerez durante boa parte da tarde treinos. No final do dia acabava em 4º e essa era apenas a estréia. No segundo dia Button cravava o melhor tempo da tarde superando todos os adversários. Para quem ainda não acreditava que a Brawn GP é uma nova força na F1, chegava a vez de Rubens Barrichello estrear.
Com o tempo de 1min18s926, Rubinho é o piloto mais rápido da temporada de testes.
A temporada do KERS vai começar. Se aceitarem a dica, apostem “no azarão”. Brawn GP começa a escrever sua história e, ao que tudo indica, não será de derrotas não.
Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, nostálgico entusiasta de muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.
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