Transporte Público no Brasil: é possível resolver?

Felipe Velloso

por
em às | Artigos e ensaios, Debates, Mundo


Estas últimas semanas de protestos no Brasil têm sido um pouco duras para aqueles que, como eu, se veem longe do país em um momento político tão importante. O transporte público é um tema essencial para qualquer grande cidade e seu bom funcionamento influencia diretamente a qualidade de vida dos seus cidadãos.

Se neste momento eu não posso ajudar com a minha presença nas passeatas, acredito que posso contribuir com ideias, muitas delas construídas durante minhas visitas a outros lugares, onde tive a oportunidade de conhecer sistemas eficientes e baratos de transporte público.

Onde existe e como funcionaria o Passe Livre no Brasil?

Ônibus de graça em Libourne, França. Mas não serve de exemplo para nossas Metrópoles. A cidade não chega a ter 25 mil habitantes

Ônibus de graça em Libourne, França. Mas não serve de exemplo para nossas Metrópoles. A cidade não chega a ter 25 mil habitantes

Não podemos tratar do tema sem mencionar o Passe livre, modelo adotado em poucas cidades do mundo, como Colomiers e Liborune, aqui na França. Existe um motivo para o sistema ser incomum até em grandes países de regimes social-democráticos: ele exige um gasto muito grande de recursos do Estado que, particularmente, no caso do Brasil, poderia ser melhor aplicado em outras de nossas áreas deficientes.

Apesar da minha crença em soluções menos drásticas capazes de resolver o problema do transporte público, não poderia escrever um artigo sobre o tema sem mencioná-lo e até mesmo concordar que ele não chega a ser uma reivindicação completamente desprovida de sentido.

Cada cidade possui sua própria maneira de lidar com esta conta, mas usarei aqui o Rio de Janeiro (por familiaridade) como exemplo principal. Nesta cidade, graças a um grave problema de políticas públicas, não sabemos dizer quanto efetivamente do custo do transporte é pago pela empresa de ônibus, quanto é subsidiado pelo governo e o quanto é coberto pela venda de bilhetes para os seus passageiros.

De acordo com a Fetranspor e as autoridades locais, o custo é dividido igualmente entre os três fatores, ou seja, no sistema atual os cofres públicos seriam responsáveis por cerca de 33% do custo operacional do transporte na cidade.

É importante lembrar que, visando conter o aumento das passagens no Brasil, o Governo Federal decidiu zerar os impostos do PIS/Cofins para o setor e, no caso carioca, temos Eduardo Paes, que reduziu o ISS de 2% para 0,01%. Trocando em miúdos, empresas de ônibus no Brasil praticamente não pagam impostos e mesmo assim têm ajustado os preços das passagens acima da inflação.

O dado importante aqui é que o Estado não recebe nenhum dinheiro no modelo atual e mantém o seu gasto de 33%.

A cobrança dos passageiros é responsável por cerca de 10% a 20% das despesas totais, já que isso implica em contratar cobradores, instalar catracas, confecções de cartões, perde-se tempo e gasolina em esperas longas para que todos os passageiros embarquem, e etc.

Ou seja, o Passe Livre reduziria – em parte – o custo total do transporte público.

Considerando todos esses dados, se o Passe Livre fosse aplicado, o Estado teria de arcar com um valor mais ou menos equivalente a um pouco mais de o dobro do que o faz hoje. Se atualmente ele paga 33% do custo total, considerando o fim dos mecanismos de cobrança (que tem um custo em torno de 15% em uma cidade grande) e a perda da parceria com uma empresa privada, restariam ainda um adicional de 52% de custo para os cofres públicos.

Como recuperar este dinheiro?

Uma alternativa interessante seria criar pedágios nos pontos centrais da cidade, desencorajando o transporte privado e incentivando o uso massivo do transporte público. Outra boa opção é cobrar por serviços nos trens, ônibus e metrôs da cidade, oferecendo pacotes de wi-fi e outras comodidades para os passageiros interessados em pagar.

Por fim, com um sistema de transporte urbano tão utilizado, certamente será possível arrecadar bastante dinheiro com propaganda.

Espaço e possibilidades para propaganda não faltam

Espaço e possibilidades para propaganda não faltam

É claro que, para tornar uma cidade tão funcional em termos de transporte público, será necessário um investimento colossal. Nem mesmo as frotas atuais são decentes o suficiente para aguentar toda esta demanda e, no fim, me parece uma opção muito cara para o Estado.

Modelo europeu do “provar que pagou”

O continente Europeu costuma utilizar um sistema distinto do Brasileiro, no qual os passageiros compram seus tickets antes de embarcar, podendo encontrá-los em máquinas no ponto de ônibus ou em bilheterias específicas (a maioria das pessoas tem um cartão automático do serviço que você paga todo mês).

Ao entrar no seu ônibus ou trem, você passa seu bilhete ou cartão em um dos muitos pequenos terminais dentro dos veículos. Sem atraso, sem catraca, sem tumulto. Uns até entram sem pagar, mas arriscam encontrar alguns dos muitos fiscais que transitam entre os ônibus e trens em busca de fraudes.

Estou convencido que este é o melhor sistema de cobrança, sendo bem mais econômico para todos. Não é incomum, no Brasil, um ônibus ficar horas no ponto porque tem uma longa fila de passageiros para entrar e pagar seu bilhete. Estudos na cidade de Nova York estimam que, graças a essa forma de cobrança, perde-se cerca de 20 minutos por trajeto completo de uma linha de ônibus. Nas grandes cidades brasileiras, com tráfego absurdo, esse atraso deve ser ainda maior, representando um gasto enorme de tempo para os passageiros e de gasolina para os motores ligados.

 O modelo londrino do OysterCard

Londres tem um dos transportes público mais caro do planeta, graças ao exorbitante custo de seu metrô: £4.50 Libras (15,20 Reais pela cotação atual). Mas apenas turistas e visitantes costumam pagar este preço.

Na capital inglesa, praticamente todos viajam com o OysterCard, um cartão que assegura preços muito melhores para seus viajantes. Munidos deste cartão, o preço das tarifas do transporte público londrino é diminuído por mais que a metade: o metrô cai para £2,10, os ônibus vão de £2,40 para £1,40, além de inúmeras reduções de acordo com sua classe social ou trabalho (estudantes até 18 anos pagam £0,70 para usar um ônibus).

6a0120a88be3a5970b01348055c505970c-800wi

Para funcionar no Brasil, o cartão deveria exigir um número mínimo de cargas relativamente altas (como 15 ou 20 reais) além de um preço módico pela sua confecção (5 reais reembolsáveis se você devolver o cartão). A barreira de 25 reais garantiria que apenas usuários frequentes da cidade (quem usa transporte público pelo menos duas vezes na semana) comprem o cartão.

O sistema londrino parece se adequar perfeitamente para grandes cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, que recebem milhões de visitantes todos os anos. Desta forma, temos um preço baixo e justo para a população local que o utiliza sempre, e outro bem maior para turistas e passageiros eventuais.

No momento atual, a passagem de ônibus/metrô (bilhete único não entra nem em discussão) poderia custar R$4,50, mas todos aqueles munidos de cartão de transporte poderiam pagar cerca de R$1,90.

O modelo francês

A França é conhecida por ter o sistema de transporte público mais eficiente do mundo.

São dezenas de opções diferentes, mesmo nas cidades pequenas, que incluem metrôs, ônibus, tramways e trens interurbanos. Ainda que algumas especificidades locais existam (incluindo o Passe Livre em mais de dez cidades), o básico é sempre semelhante:

  • bilhete único entre todos os transportes (que funciona por uma hora, ainda que o Parisiense não possa ser reutilizado, como em Lyon ou Marseille),
  • cartão mensal para residentes com um grande desconto de tarifas,
  • modelo “provar que pagou”
  • e uma ampla rede de linhas que dá suporte à cidade inteira.

Na cidade de Lyon, segunda maior área urbana do país, o bilhete único custa €1,70. No entanto, você possui várias opções mais baratas de pagamento para quem é residente. A mais utilizada é o cartão TCL, que abrange toda área urbana da cidade (incluindo os municípios nas periferias) e que custa apenas €53 euros (€28 para estudantes) para lhe dar transporte ilimitado, isto é, qualquer tipo de veículo quantas vezes ao dia você desejar, por um mês inteiro.

Se as principais cidades do Brasil oferecessem um serviço de acesso automático a qualquer transporte público, por cerca de 50 ou 60 Reais e mantivessem as tarifas atuais elevadas, certamente teríamos a solução para o problema.

O lucro das empresas de transporte seria ridiculamente diminuído, mas o que importa é o bem estar da população. Se o Estado arcasse com os custos, creio que com usuários pagando este preço sugerido, os governos pagariam muito pouco mais do que já o fazem hoje.

Tramway em Lyon

Tramway em Lyon

Conclusão

O que temos de manter em mente é que transporte público é algo vital para o funcionamento das grandes cidades. Certas privatizações foram importantes no Brasil, como o caso do setor de telefonia, mas esta é uma área que não deve visar o lucro. Muito pelo contrário, é um absurdo que prefeitos como Eduardo Paes declarem que irão subsidiar a redução das passagens com dinheiro dos nossos impostos.

O que todos querem é que se reduza o lucro das gigantes do transporte ou, melhor ainda, que repensemos nosso modelo atual, trocando-o por outros que efetivamente funcionam, que respeitem o orçamento dos brasileiros e se adequem às nossas necessidades reais.

Qual a opinião de vocês?

Felipe Velloso

Carioca erradicado na França, Felipe Velloso se formou em História, mas largou os tomos empoeirados e os arquivos para viver a vida de redator e escritor. Apaixonado por quadrinhos, games, literatura e cinema, Felipe hoje se prostitui de maneira literária pelo velho continente.


Outros artigos escritos por


SEPARAMOS MAIS TEXTOS PARA VOCÊ CONTINUAR LENDO




O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Conheça a visão e a essência por trás do que fazemos. Queremos uma discussão de alto nível. Antes de comentar, leia nossas boas práticas. Caso deseje enviar um texto e se tornar um autor, venha por aqui.


  • Ruan

    Bom, concordo com a maioria das ideias e me acusem de não acreditar nas pessoas, mas o sistema ‘prove que pagou’ não daria, na minha opinião, nem um pouco certo no Brasil.
    Em época de manifestações contra políticos, contra a corrupção, as pessoas se esqueceram (mais do que a habitual negligência) que o brasileiro é corrupto por natureza e que a maior corrupção é o ‘jeitinho brasileiro’ (que inclui, mas não se limita à: indicação de parentes, furar filas, propina, não devolver o troco errado que recebeu na padaria, querer ser “O esperto”).
    É o que eu sempre digo: políticos não saem das profundezas do inferno pra governar o Brasil, saem do meio do povo, e um povo que não é honesto não pode cobrar que seus representantes difiram dele e sejam baluartes da honestidade.

    Fornecida a base para o meu argumento, exponho-o:

    O brasileiro iria pegar ônibus sem pagar nenhuma vez, mesmo correndo o risco de pagar uma multa. Eu fiquei 35 dias na Europa e, nos lugares onde não tinham catracas, como Alemanha e Holanda, só me cobraram o bilhete uma vez, porque era um trem regional. Paguei a passagem na maioria das vezes (hey, eu sou brasileiro e reconheço que também sou corrupto, mesmo julgando todos os outros como fiz e me incluindo no mau julgamento, apesar de evitar e procurar ao máximo ser honesto) e em só uma viagem conferiram.
    A questão, então, é que, se nesse período de tempo ninguém cobrasse do brasileiro, ele simplesmente passaria a nunca pagar, porque a coerção não é iminente. Mesmo que pagasse a multa, ele provavelmente se gabaria de como “andei de ônibus 2 meses e só paguei uma multa, no final das contas andei um mês de graça”.
    Para dar certo, teria que ter um fiscal por ônibus (também conhecido como “cobrador”). Portanto, vejo a implantação do sistemas de cartões eletrônicos que agilizem o processo de cobrança como uma técnica melhor.

    Uma outra questão que nunca foi levantada nem nos protestos é que os ônibus do Brasil não são ônibus, pelo menos não aqui em Belo Horizonte.
    Os ônibus daqui nada mais são que caminhões com uma roupagem de ônibus. Isso faz com que os ônibus sejam extremamente desconfortaveis (compare um ônibus municipal com um intermunicipal, que é ônibus de verdade), já que a suspensão não é preparada para carregar gente; e a presença do motor na parte dianteira faz com que ele tenha que ser elevado (http://www.bhtrans.pbh.gov.br/portal/pls/portal/docs/1/2094209.JPG), o que causa uma demora grande no embarque. Em alguns lugares os ônibus chegam inclusive a abaixar a lateral para aproximar o acesso do nível do chão.

    • cjacchus

      Em primeiro lugar, você disse que ficou 35 dias na Europa. E realmente não percebeu que não é só brasileiros que não pagam? Já vi MUITO europeu mesmo dizendo “relaxa que eles [os fiscais] nunca aparecem”.
      Sim, concordo que é um tipo de corrupção, é uma atitude condenável, mas é uma questão de comparar prejuízos. O não-pagante, embora deixe de contribuir com o valor da passagem, pelo menos não contribuirá com o atraso (esse sim gerando prejuízos maiores, não só financeiros). E sinceramente, acho que dependendo da multa que você colocar, muita gente vai pagar sim.

    • Felipe Velloso

      É como o Cjacchus mencionou, mesmo aqui na Europa muita gente não paga, no entanto, o cartão mensal é usado pela maioria, porque ele é barato e justo. Eu acredito que no Brasil muitos preços não são pagos por estarem a cima do que as pessoas podem pagar, por isso é necessário fazer uma revisão no orçamento dos mesmos. Você acha mesmo que um brasileiro ia ficar tranquilo em fazer uma viagem de uma hora todos os dias com o risco de um fiscal aparecer e lhe cobrar uma multa de 100 reais? Ofereça um preço justo e eles irão pagar.

  • cjacchus

    Eu não acho que a vantagem do Oyster seja uma exclusividade dele para locais. Pelo contrário, no meu primeiro dia em Londres tive que pegar um ônibus e o cobrador não cobrou minha passagem pois eu não tinha um Oyster, e ele disse “Você desperdiça dinheiro assim, vai, entra de graça e faça um logo que der!”. Desde então, realmente, recomendei o cartão para todos que vieram me visitar aqui.
    Pois não faz sentido não tê-lo. É absurdamente mais caro no dinheiro (Pois outra coisa não mencionada é que à partir de um certo valor gasto no mesmo dia, o Oyster para de cobrar) e fazê-lo é extremamente simples – Um depósito reembolsável de £5 mais o crédito que você deseja colocar nele. Existe inclusive uma versão para turistas que você encomenda pela internet e retira no aeroporto, chegando (Eu ainda não entendi a razão dessa versão, visto que são os mesmos preços e etc). Ou seja, definitivamente não buscam lucrar em cima de quem paga em dinheiro.

    Acho que as grandes vantagens são o tempo ganho e a possibilidade de estudo do usuário do metrô. Você evita filas gigantescas em bilheterias com um cartão desse (Quem usa o metrô frequentemente tem passe mensal). Além disso, o sistema de cobranças de Londres é muito complicado em um primeiro momento (Para quem quiser conferir a pequena tabela, http://www.tfl.gov.uk/tickets/14416.aspx ), mas depois você percebe que é uma tentativa de distribuir melhor os preços. Se você utiliza a região central na direção do maior fluxo no horário de pico, você vai pagar mais. Se você faz a mesma viagem fora do horário de pico, ou evitando a região central, o preço é bem diferente. Isso em uma cidade que só pra circular de carro no centro você paga um pedágio de £10 por dia.

    Não vejo razão para não funcionar no Brasil, e também não vejo razão da quantidade mínima de créditos.

    • Rafael Cormack

      É, tô há 1 mês em Londres, e só me locomovo usando o Oyster. Não é exclusividade dos Londrinos não.

      E esse lance do pedágio cobrado pra rodar de carro no Centro da cidade é sensacional. Fora que pra estacionar também é bem caro, o que acaba sendo mais um incentivo pra você não usar o carro.

    • Felipe Velloso

      Claro que não é exclusividade, mas em meus primeiros dias em Londres eu paguei o transporte completo por falta de informação. Mas creio que se a barreira para adquirir um Oyster Card fosse um pouco maior, ele se tornaria uma exclusividade dos cidadãos, o que ajudaria a reduzir um pouco o custo de um transporte público de qualidade. Não dá para querer ser igual a Londres de um dia para o outro. ;)

      • cjacchus

        Talvez eu tenha me expressado mal – Sim, não é exclusividade e ambos sabemos disso. Mas será que a barreira ajudaria?
        Pensando em eventos como a Copa, será que compensaria que os turistas que se aventurassem a andar de ônibus pagassem um preço maior, levando em conta o tempo que eles iam perder nas bilheterias, nas catracas, etc? Talvez uma maior fluidez no transporte público gerada pelos cartões inclusive incentivasse mais turistas a usá-lo!

        E sim, estou cansado de repetir sua frase para todos aqui, dia após dia, hahaha.

      • Felipe Velloso

        Eu particularmente concordo com você, mas sei que isso geraria um gasto imenso para os cofres públicos que muitos talvez não concordassem. Idealmente teríamos um sistema como esse ou como o passe livre, mas acreditando que temos um orçamento que deve ser bem distribuído em todas as áreas, acho que a proposta poderia ser mais viável desta forma, ainda que você tenha um bom ponto. O acesso barato a visitantes poderia incentivar o turismo local. :)

        Qual frase? Ser igual a Londres?

      • cjacchus

        Isso. É muito fácil vir pra cá e achar que de uma hora pra outra qualquer cidade no Brasil poderia ter o transporte do mesmo nível..

      • Anonimo

        Na verdade poderia sim, das ideias apresentadas no texto, nenhuma é mirabolante de executar, basta vontade.

      • Felipe

        acredito que a ideia do oyster nao seja cobrar mais de quem nao vive em londres ou so esteja a passeio, para dessa forma melhorar a arrecadao do transporte publico acredito que o oyster seja so um meio de incentivar a voce ter um cartao para diminuir o as filas na entrada do onibus … porque se nao , nao faria sentido dar o cartao na entrada de aeroportos para turistas … a ideia nao e cobrar mais … mas sim usar mais o cartao evitando dessa forma filas.

  • Caio Azevedo

    Acho que nesse contexto é importante explicar qual é o princípio básico do funcionamento do transporte público brasileiro, principalmente dos ônibus do Rio de Janeiro, onde vivo.

    O sistema, por incrível que pareça, é o de licitação para concessão de serviço público. Trocando em miúdos, é assim: o serviço de transporte é de natureza pública. Em princípio, seria o próprio Estado (trem, metrô…) ou Município (ônibus) que forneceria o serviço. Mas como ele acha melhor não fazê-lo, ele abre licitação para empresas concorrerem ao direito de explorar o serviço durante X anos (tem sido 20 anos!!!)

    Quando uma empresa de ônibus no Rio de Janeiro ganha a licitação, estabelece-se um contrato administrativo. Nele está previsto uma tarifa que serve para cobrir os custos do transporte e dar um lucro Y para a empresa.

    Com o passar do tempo, fatos vão acontecendo de maneira que elevam o custo operacional da empresa. Daí, periodicamente, a empresa faz um pedido à prefeitura, apresentando seus argumentos, a fim de que a prefeitura faça ou autorize o reajuste da tarifa, mantendo os lucros (em tese justos) e não dando prejuízos.

    Preste atenção: a empresa PEDE o aumento à prefeitura; que o CONCEDE.

    Quando a Dilma diminui os impostos para não aumentar as tarifas, é o Prefeito quem deve VETAR o aumento das passagens. A Dilma diminui os impostos esperando que os PREFEITOS desse Brasil varonil não AUTORIZEM o aumento das passagens.

    Nesse contexto, os prefeitos são, de fato, os únicos culpados pelo aumento da passagem, pois nem ao legislativo local eles precisam consultar. Gente, o prefeito é o administrador da cidade. Apesar de ele ocupar um cargo político, ele pertence ao Executivo. O ato de autorizar o aumento da passagem nada mais é que uma CANETADA no papel.

    E mais: pra mim, isso é uma máfia. Em 2010 no município do Rio de Janeiro foi feita licitação e eu não vi uma linha de ônibus sequer mudar de empresa. E para nossa alegria os contratos vão até 2030 (http://oglobo.globo.com/rio/consorcios-cariocas-sao-os-vencedores-da-licitacao-dos-onibus-do-rio-2958389).

    • Felipe Velloso

      Concordo plenamente com você, me desculpe se isso não ficou tão claro no texto. Não acredito que o governo federal tenha qualquer coisa a ver com o problema atual.

      • Caio Azevedo

        Felipe, eu nem havia reparado que meu comentário poderia soar como crítica a essa parte do texto. O que me motivou a escrever são os comentários das rodas de conversas com que tive contato. Quando ouço alguém falar sobre esse assunto, me apresso em direcionar: vá em cima do prefeito. Ótimo texto, sem ressalvas.

      • André Martins

        Metrô e trem são de responsabilidade do governador, ou nem sempre?

      • Pedro

        Acho que é do governador em todos os estados que dispõe de malha ferroviária/metroviária.

        Só que essa competência é feita a margem legal, porque a Constituição diz que é competência primária dos municípios (art. 30)

      • Caio Azevedo

        Fico com a resposta do Pedro. Não tenho profundo conhecimento sobre competência do serviço de transporte público. No RJ os trens e o metrô são administrados pelo Governo do Estado. O município gerencia os ônibus e dá permissão às vans (abomináveis) e aos táxis. O “comando” gerencia os “cabritinhos”.

      • Ruan

        Aqui em BH (e em outras cidades) é administrado pela CBTU, que é federal

      • Caio Azevedo

        CBTU, ainda? Uau!! A CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) acabou aqui no RJ na década de 80, se não me engano. Ou seja, para reclamar do transporte de trem em BH temos que encher o saco da Dilma!!

      • Ruan

        Pois é, o governo do estado já criou uma empresa pra administrar o metrô (Metrominas), mas acho que está aguardando o GF entregar formalmente.

  • André Martins

    E quanto à qualidade dos ônibus? Aqui são chassis de caminhão toco com suspensão por feixe de mola (chacoalha muito mais que os trucados com suspensão a ar), motor dianteiro coberto por uma tampa que não isola adequadamente o barulho, e mesmo assim custam pequenas fortunas (como qualquer automóvel).

    • Amanda

      Engraçado, aqui em São Gonçalo, cidade do estado do Rio de Janeiro, são assim. Mas um ônibus na cidade do Rio de Janeiro tem até TV.
      É algo que não entendi nesses protestos, tão reclamando do quê?

  • Tiago Xavier

    Acho que no experimento sobre o passe livre, teria que ser considerada ainda a explosão de demanda que viria com a tarifa zero, não?

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Excelente ponto, Tiago. É algo que também me deixa bastante curioso quando escuto falar sobre passe livre no Brasil. Já leu algum artigo levando isso em conta?

      Felipe, que pensa sobre?

      • Felipe Velloso

        Eu me referi de forma leve a isso no texto: ” para tornar uma cidade tão funcional em termos de transporte público, será necessário um investimento colossal, afinal, nem mesmo as frotas atuais são decentes o suficiente para aguentar toda esta demanda e, no fim, me parece uma opção muito cara para o Estado.”

        Falando um pouco mais profundamente, acredito que é possível fazê-lo apenas se todos nós aceitarmos que será necessário um investimento hercúleo do estado para isso. Eu não creio que nossas redes de transporte estão preparadas para isso e podemos esperar que a demanda seja facilmente triplicada.

        Por esse tipo de problema que eu não vejo o passe livre como melhor solução, acho que as outras idéias expostas parecem ser meios melhores e mais responsáveis dentro de um ponto de vista fiscal para os transportes urbanos.

      • André Martins

        Tem que considerar a redução de gastos com a expansão da malha viária para os carros. Expansão que, dada nossa crônica falta de planejamento, tende a ter custos cada vez mais proibitivos.

    • André Martins

      Cada ônibus tem potencial para retirar uns 30 carros das ruas, o mais problemático seria lidar com os horários de pico, dado o elevado custo dos ônibus que iriam ficar ociosos nos demais períodos.

  • Thomas

    Utilizador dos serviços não pagou a passagem? Será abordado por fiscais e deverá pagar o dobro dela. Se recusou? Pagará uma multa maior (dez vezes o preço da passagem). Método de expedição de um novo bilhete? Fiscal possui uma maquininha de mão que expede bilhetes somente no preço superior. Fiscal é corrupto/preguiçoso? Trabalhará com uma bonificação em seu salário. Para cada bilhete vendido, terá direito a 10% do lucro sobre o preço dobrado. Fiscalização do fiscal e dos usuários? Instalação de câmeras em alguns locais.

  • Nélio Oliveira

    Neste texto (http://papodehomem.com.br/solucoes-para-o-transito-transporte-publico-gratuito-a-loucura-que-ja-existe/) fizemos um debate muito interessante sobre transporte de massa, com ênfase no passe livre. Convido o autor a dar uma lida.

    Gostei bastante deste texto, que apresenta ideias muito boas, e que aparentemente nem passam pelas cabeças dos gestores dos vários modais de transporte estaduais e municipais. A mobilidade urbana parece ter uma importância maior do que os próprios governantes conseguem dimensionar. A verdade é que o modelo que está aí não satisfaz as necessidades da população. Eu não tenho a solução (embora teça sugestões no texto que eu mencionei), mas sei que o que vemos hoje não é nem de longe adequado.

    Por fim, não tem nada a ver com o texto, mas eu torço de coração pra que o autor não tenha sido “erradicado na França”, como está sob seu nome. Se foi, meus pêsames à família… rs…

    • Felipe Velloso

      Eu escrevi essa bio de maneira “engraçadinha”, mas confesso que tantos já me fizeram essa pergunta que penso em mudá-la. Erradicado significa também “arrancar pela raiz” ou algo que foi “arrancado da terra” e é assim que me senti quando me mudei para a França, como uma planta sem raiz.

  • http://levelmais.com/ Rubens Cavalheiro

    Estava lendo algo parecido agora mesmo, o prefeito de Curitiba vai sugerir propostas semelhantes ao Governo.

    http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/fruet-propoe-universalizacao-do-vale-transporte-para-reduzir-as-tarifas-em-todo-o-pais/29929

  • Nathalia

    Londres também oferece um sistema mensal ilimitado. E o preço é definido pelo número de zonas que você vai usar . Quanto mais zonas você cruza, mais caro fica. Zona 1,2,3 (isso abrange a grande Londres) custa 34 libras/semana. Mas dá direito a qualquer ônibus e metrô , em qualquer horário.
    Em Paris o sistema é eficiente e mais barato, mas é sujo, é feio, pichado …. acaba que não ocorre o fenômeno maravilhoso que se vê em Londres: O CEO e a faxineira de uma multinacional utilizando o mesmo transporte para ir ao trabalho. Estações em sua maioria, eficientes, limpas, bonitas, são um bom diferencial.

  • Pedro

    Discordo fortemente dessa ideia de um transporte público sem barreiras.

    Em primeiro lugar, acho generalização demais querer dizer que o sistema adotado na Alemanha, dentre outros, onde não há catracas, seria o “continente europeu como um todo”.

    Ora, o próprio país que o articulista mora não é assim. Há “catracas” (na falta de palavras melhores para descrever aquelas portas robôticas do metro parisiense) em Paris. Facilmente evitáveis por quem não deseja pagar, sim, podendo-se passar pelo lado, por cima, por baixo, enfim, mas isso não muda o fato de que a companhia exige a prova do pagamento antes do acesso ao trem.

    Assim também o é em Portugal, Espanha, Inglaterra, República Theca, dentre outros. Eu só conheço, como turista, a Alemanha como um país que adota esta liberalidade. Imagino que outros, como os escandinavos, devam adotar também. Mas daí a dizer que é a “Europa num todo” vão milhas de distância.

    Há toda uma questão cultural por detrás dessa prática. Um cidadão alemão, de modo geral, respeita mais as leis que o brasileiro. Seu senso de coletividade e de respeito ao bem público é infinitamente maior que o do nosso cidadão nacional.

    Um sistema desses não funciona se o dinheiro gasto em roletas é substituído pelo gasto em fiscalizações. Qual a lógica? Se implantado no Brasil, teríamos que ter fiscais a cada esquina, a cada ponto, porque francamente, achar que a população não iria se aproveitar disto – o jeitinho brasileiro – é ingenuidade demais.

    Na Alemanha, onde fiquei por 10 dias, usando por diversas vezes o metrô e os bondes, só vi uma única vez um fiscal. Usava facilmente o transporte público 4, 5, 6 vezes por dias, o que significa que fiz, por baixo, umas 50 viagens. Um único fiscal nesse lapso temporal todo.

    Obviamente porque há um respeito da população local, que entende que o preço pago é revertido em seu próprio benefício. Economiza-se tirando as catracas e colocando nas ruas um número ínfimo de fiscais, porque ínfimo o número de malfeitores. Se, ao contrário, a economia com a retiradas dessas barreiras for para a formação de um órgão inteiro de fiscalização, perdeu-se todo o sentido da coisa.

    Vou discordar também da questão do Oyster, que é atrativo a qualquer turista que vá ficar pelo menos 3 dias em Londres (e todos os guias sobre a capital inglesa reforçam este ponto), mas já falaram acerca disso. Acho este ponto uma das maiores falhas do transporte brasileiro, mormente o carioca, que é a minha realidade.

    É um ABSURDO não haver qualquer plano semanal, mensal, etc., para os moradores. O sistema de “pague-viaje” já está ultrapassado em qualquer grande cidade mundial. Em qualquer grande aglomeração do globo, o usuário que usa do transporte de forma regular, por um período regular, obtém descontos por isso.

    Para piorar, aqui no Rio, o projeto de lei que integra o metrô ao bilhete único se encontra emperrado na Câmara. É muita falta de respeito com o utente. Lembrando que é obrigação legal o serviço adequado (art. 6º, Lei nº 8.987), o que inclui, dentre outras características, a “modicidade das tarifas” (art. 6º, § 1º). Resumindo-se, é lei morta.

    Ademais, só agora, com a explosão dos protestos, é que o Eduardo Paes divulgou as planilhas dos custos das passagens de ônibus. O que é um ultraje. Contratos públicos devem ser acessíveis a população, para a correta fiscalização do mesmos. Daqui a pouco a lei de informação (12.527/2011) faz dois anos. A mesma diz que a publicidade é “preceito geral” e o sigilo “exceção” (art. 3º, I). Outra lei morta.

    Até mesmo quem é fiscal da lei (MP) a desrespeita. Ora, tentem ter acesso a algum contrato de alguma procuradoria do MPF, por exemplo. Boa sorte. O que é disponibilizado é o extrato, um mero resumo da matéria abordada no acordo. O documento na íntegra? Não existe fora do órgão.

    E o mesmo ainda vem, despeitado, falar mal do prefeito, por ter guardado os custos do transporte a sete chaves. É o sujo criticando o mal lavado. Farinha do mesmo saco.

    Falta vontade política, isso. Meios legais para um serviço decente já existem há anos.

    • Felipe Velloso

      Me referi a catracas no embarque, a velha roleta no ônibus. Isso não existe por aqui, o único lugar onde temos catracas é justamente no metrô, se você pega um ônibus ou um tramway na França, na Itália, na Espanha, na Alemanha e etc você não que passar por nenhuma catraca. É tudo fiscalização. E você também parece ter confundido o argumento de redução de custos com a extinção de catracas está somente na sessão dedicada a falar do Passe Livre. Claro que o modelo “Provar que pagou” tem custos, eu nunca disse o contrário, disse que ele poupa tempo e gasolina dos veículos em espera por todos pagarem e receberem troco na roleta.

      • Pedro

        Mas eu não comentei do passe livre.

        A questão é exatamente essa, retirar catracas exigem um custo de fiscalização. O exemplo de trens não me parece válido, pois um fiscal tem tempo de averiguar todo o comboio durante a viagem.O custo é mínimo.

        Ao passo que o metrô, que tem estações a cada dois minutos, no mínimo, exige um aparato muito maior de fiscalização. O que importa em maiores gastos.

        O x da questão é que a retirada de catracas me parece funcionar em países onde há senso de respeito ao coletivo, porque há uma efetiva economia. O acesso é livre, as pessoas pagam porque sabem que isto é o certo, o que significa menores gastos, tanto na retirada da catraca, quanto nos custos do controle dos usuários.

        A lógica de um transporte público onde não se precise provar o pagamento prévio reside na, basicamente, na confiabilidade do concessionário no utente.

        Eu, sinceramente, não consigo ver a questão de outra maneira.

      • André Martins

        Creio que já se tenha tecnologia capaz de permitir fazer um monitoramento eletrônico.

      • Felipe Velloso

        Sim um bilhete magnético que vc atualiza dento do ônibus. É assim que funciona aqui.

      • André Martins

        E não só isso, câmeras para registrar o focinho de quem não passou o cartão.

      • Ruan

        Mas então a questão não é eliminar as catracas, é torná-las mais ágeis através do estímulo do uso do cartão.
        Aqui em BH todos os ônibus tem a máquina de cartão, mas ele é difícil de ser comprado/carregado. Até onde eu saiba, só vendiam nos terminais de ônibus e metrô e acho que começaram a vender/carregar dentro de determinados ônibus.

        Eu ando muito pouco de ônibus, então prefiro pagar com dinheiro que procurar o cartão, mas se ele fosse vendido em bancas de revista, em shoppings ou lojas que estejam mais espalhadas pela cidade, com um número único que pudesse ser recarregado pela internet, valeria a pena deixar um cartão em casa pra quando for usar.

      • WMM

        Felipe. Se eu não me engano , esse sistema já funciona aqui em Brasília. A catrata continua, mas se usa um cartão magnético recarregável no lugar do dinheiro.

      • Felipe Velloso

        Pedro me referia as catracas que atrasam os transportes, como as roletas de ônibus e etc. Por exemplo, hoje temos que pagar um trocador em todos os ônibus, que a cada passo do caminho tem que receber dinheiro, dar troco e etc para uma multidão de pessoas (tem certos pontos em certos horários que sobem mais de 30 passageiros diferentes), o que representa um atraso imenso e uma grande perca de gasolina e tempo quando somarmos os minutos. E se no lugar disso tivéssemos 1/3 desses cobradores agora funcionando como fiscais: eles entram em um ponto, verificam a todos e saltam no ponto seguinte indo para o próximo ônibus. Você não acha que esse sistema seria mais eficiente tanto em termos de custo quanto em termos de tempo?

      • Joel

        É interessante também o forma usada em Curitiba, em que parte dos pontos são “Bolhas” nas quais você paga e espera o ônibus dentro dela.

  • Realista

    Tem que ser muito imbecil pra acreditar em passe livre, bem coisa de esquerdista iludido que acha que recursos podem surgir do nada desse jeito. Não existe almoço grátis, e TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO o que o Estado se mete a prestar ele faz de maneira muito, mas muito atrasada em relação à iniciativa privada. Ele acaba sendo obrigado a RACIONAR recursos para atender a todos, basta ver a saúde pública, a educação pública e a previdência social.

    A VERDADEIRA saída para o transporte público é a abertura do mercado para a iniciativa privada. Se eu quero transportar indivíduos por um real o Estado me proíbe e ainda me chama de bandido. Bandido é o Estado que sustenta oligopólios só para que os empresários conluiados com isso possam ficar sustentando as eleições.

    Isso é uma piada! Não tem cabimento. E vocês que defendem o passe-livre, pensem bem, mas pensem MUITO BEM na PIADA HOMÉRICA que defendem. Qualquer economista de verdade caga o intestino de tanto rir ou de tanto sentir vergonha dessa UTOPIA.

    • André Martins

      Está falando dos perueiros? E como faz para regular e fiscalizar? Ou deixa a lei da selva resolver as pendências?

    • Pedro

      Piada homérica é defender a auto-regulação de um serviço essencial.

      Basta dizer que, com a regulamentação atual, o que impera são os lucros abusivos, imagine então com a mera regulamentação do mercado.

      Tá atrasado algumas décadas com esse teu liberalismo, hein.

      • Rafael

        Essa porra de Estado já não cumpre com competência nem as suas atribuições básicas,pra quê sobrecarregá-lo ainda mais?

      • Pedro

        E quem disse que fiscalizar sobrecarrega ainda mais o Estado?

        O que sobrecarrega o Estado são 39 ministérios, um quinquilhão de cargos comissionados, leis burocráticas, etc.

        Não se fiscaliza bem por falta de interesse político. O órgão fiscalizador de contas, o Tribunal de Contas, é cabide de empregos políticos. As empresas de ônibus são doadoras dos partidos e fazem parte do círculo social íntimo dos prefeitos.

        Não se fiscaliza por conveniência, não porque o Estado se encontra inchado demais (o que ninguém ousa discordar),

      • André Martins

        O que sobrecarrega o estado é um trevinho numa merreca de cidade custar 100 milhões de reais. E por que? Por que não houve planejamento adequado, a cidade cresceu errado, desapropriações e obras adicionais inflacionaram o preço? Por que tem político ladrão levando uma parte? Por que na licitação ninguém se dispôs a fazer mais barato e o estado não tem capacidade para fazer sozinho? Por que a falta de escala econômica torna tudo mais caro no Brasil? Por que nosso maquinário custa muito mais que o justo? Por que falta de planejamento e mão-de-obra qualificada implica em maquinário ocioso e serviços que tem que ser refeitos que geram despesas mas não geram receitas? Por tudo isso junto?

      • Rafael

        Vc citou outro excelente motivo,o da corrupção endêmica que assola o pais.O Brasil que funciona é o da iniciativa privada.

      • Pedro

        E quem disse que a corrupção não é endêmica na iniciativa privada? rs

        Lei do mercado é uma loucura, ninguém mais acredita nisso. Concessão de transporte público exige uma quantia monumental, o que naturalemente atrai, pela concentração de dinheiro, monopólios/oligopólios.

        Só para lembrar, denúncia do Globo dessa semana mostrou que um dono de uma das empresas de ônibus do Rio é sócio minoritário de outras 7.

        Isso com lei.

        Se não houver regulamentação, na prática vira clube do bolinha, com pequenos grupos dominando o setor, e acertando entre si o preço. A ideia de que o mercado vai regularizar a concorrência é linda na teoria. Na prática…

      • Rafael

        Mas a meritocracia é maior no setor privado;a maior prova disso é a cultura brasileira de passar num concurso pra ter “estabilidade”.

      • Realista

        Atrasado está a mania do brasileiro de achar que o Estado tem que ser um paizão. Transporte público ser regulado é uma coisa, ser controlado única e exclusivamente por oligopólios é outra. Não ataco a auto-regulação, ataco o mercado fechado, só isso. Saúde e educação são serviços essenciais e não são fechados, qualquer um pode trabalhar nas áreas, por que diabos não é assim com transportes?

    • Rafael

      Esse tal de Movimento Passe Livre é financiado por ONG´s que mamam no dinheiro público.A premissa inicial das manifestações foi enfraquecer o governo do PSDB em São Paulo.

      • André Martins

        Por isso as manifestações centraram fogo no Haddad e na Dilma mesmo quando a crítica era sobre metrô, trem e violência da PM? Se duvida veja as fotos das manifestações e avalie a queda de popularidade de prefeito, governador e presidenta.

      • Rafael

        Rapaz.o que ocorreu é que a coisa fugiu do escopo inicial,portanto essas manifestações anti-governo se originaram de gente não comprometida com a causa inicial.

  • Bruno Santos

    Claro que a qualidade dos serviços prestados não é excelente, mas se
    estou doente, por exemplo, posso ser atendido por um médico do SUS. O
    serviço é público, não é preciso pagar nada por isso e quem banca todos
    os gastos é o governo. Se pais precisam dar educação aos filhos, essas
    crianças podem ser levadas a escolas públicas. O serviço é público, não é
    preciso pagar nada por isso e quem banca todos os gastos é o governo.
    Agora, por que com o transporte PÚBLICO tem de ser diferente?

    • Felipe Velloso

      Bruno, o dinheiro do governo não é infinito. Eu sou super a favor de ter todos os principais serviços básicos de maneira gratuita e de qualidade, mas existem limites de quanto ainda podemos pagar com nossos impostos. Manter um transporte público, gratuito e de qualidade em todas as cidades do Brasil é uma tarefa muito difícil e muito complicada em termos de orçamento. Se você me provasse hoje que é possível com o que já pagamos de imposto, ter alta qualidade em todas essas áreas consideradas básicas e além de tudo ter um transporte gratuito funcional eu seria super a favor. Por enquanto me mantenho cético.

    • André Martins

      Em termos relativos pagamos impostos medianamente elevados, mas em termos absolutos pagamos pouco imposto porque nossa renda per capita é baixa. Isso somado às ineficiências inerentes do setor público não permite esperar serviços públicos de país rico, mas creio que dá pra fazer melhor do que o que temos hoje. Tem que pressionar os prefeitos, passe livre é um aumento de gasto que permite a redução quase que imediata de outros gastos.

    • Pedro

      Na teoria não deveria ser diferente. Na prática isso transformaria os serviços que já são públicos num verdadeiro inferno (ou mais inferno ainda, porque já são de qualidade infernal, pejorativamente falando).

      Sim, você pode ser atendido por um médido do SUS, mas quem garante a qualidade? E o tempo para que essa consulta venha a ocorrer?

      E quem disse que há escolas públicas suficientes? Não há problemas apenas com a péssima qualidade do ensino público, mas também com a insuficiência dele para que englobe toda a população carente.

      Hoje já é moda nos tribunais ações judiciais pedindo a matrícula em colégios públicos. É o que resta aos pais que não tem condições de arcar com o ensino privado, mas ao mesmo tempo, não conseguem vaga para seus filhos na rede pública.

      Antes de discutir um transporte público gratuito, o país deveria se concentrar num saúde e educação gratuita de qualidade.

    • Rafael

      “Claro que a qualidade dos serviços prestados não é excelente, mas se
      estou doente, por exemplo, posso ser atendido por um médico do SUS. O
      serviço é público, não é preciso pagar nada por isso e quem banca todos
      os gastos é o governo. Se pais precisam dar educação aos filhos, essas
      crianças podem ser levadas a escolas públicas.”

      Só no Brasil Maravilha dos marqueteiros do PT a coisa e assim tão fácil.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Felipe, artigo instigante.

    Me deixou com algumas questões. Por exemplo, ao fazer o exercício hipotético do passe livre no Brasil, você diz que:

    Como recuperar este dinheiro?

    Uma alternativa interessante seria criar pedágios nos pontos centrais da cidade, desencorajando o transporte privado e incentivando o uso massivo do transporte público. Outra boa opção é cobrar por serviços nos trens, ônibus e metrôs da cidade, oferecendo pacotes de wi-fi e outras comodidades para os passageiros interessados em pagar.

    Por fim, com um sistema de transporte urbano tão utilizado, certamente será possível arrecadar bastante dinheiro com propaganda.

    Você acredita que o Estado brasileiro seria capaz de estruturar uma proposta tão eficiente? Isso me parece o mundo ideal, mas bem distante do possível.

    Acho que um bom caminho seria alguma cidade isolada e menor começar a testar alternativas, como teste, e esse experimento começar a pavimentar opções para as cidades maiores.

    grande abraço

    • Pedro

      Criar pedágios me parece fora da realidade não porque o governo é competente ou incompente, mas sim porque é uma medida extramente impopular.

      Tenho a impressão de ser a medida mais correta e antenada com os novos tempos (onde passamos do foco do transporte individual para o transporte coletivo), mas vai querer explicar isso a população.

      Ainda mais no Brasil, com o surgimento, nos últimos anos, de uma nova classe média, que até a pouco tempo não tinha condições de ter seu próprio carro. Vai explicar para o cidadão, que passou a vida inteira sofrendo, naquele vai e vem infernal de ônibus, que ele não deveria comprar um carro, agora que tem condições financeiras para tal, porque a malha urbana não comporta mais automovéis. Que deveria usar o ônibus que tanto odeia.

      • Ruan

        O problema é esse: o desconforto, a ineficiência do transporte público.
        Muita gente sugere que os carros devem ter impostos altos, limitação de trânsito, pedágios, etc., etc. Concordo em partes.
        O transporte público é ruim e não se pode exigir das pessoas que troquem de modal pelo bem coletivo sem oferecer nenhuma vantagem. Você vai ficar parado uma hora no trânsito, prefere ficar:
        a) no seu carro, sentado, as vezes no ar condicionado, ouvindo suas músicas
        Ou
        b) no ônibus, em pé, apertado, no calor, com o barulho infernal do motor?

        Não é uma escolha muito difícil e que a classe média faz simplesmente porque é egoísta e ostentadora.

        A solução não vai vir do dia pra noite. Primeiro é necessário que se invista em qualidade, para que as pessoas vejam que, se decidirem trocar o carro pelo ônibus, não vão ficar numa situação tão pior.

      • Pedro

        Sim, claro. A qualidade é essencial.

        Considero mais importante, contudo, para se quebrar esse paradigma de ’1 pessoa = 1 carro’, a regularidade do transporte público, bem como sua extensão.

        O metrô de Londres tem quase 70km de um ponto ao outro, se não me engano. Você pode ir a qualquer lugar da grande Londres por meio de um transporte de qualidade, rápido e mais barato que o carro. Automóvel para quê?

        Compare essa malha metroviária a do Rio, por exemplo. É de rir. São duas linhas (Londres tem, salvo engano, 14). Qualquer pessoa fora desse eixo linha 1/linha 2 acaba optando pelo carro. Exatamente porque como você disse, se for para ficar parado no trânsito, em pé, com calor, que se vá no conforto do carro.

        Imagine o quanto você poderia desafogar a malha se a galera de Niterói (ponte engarrafada todo santo dia, oi?), de São Gongalo (ponte de novo), enfim, do grande Rio (av. brasil manda um alôu) pudesse pegar um metrô e descer no centro carioca?

        Isso só para citar o exemplo do Rio, que eu conheço. Certamente o mesmo se aplica a São Paulo e outras capitais.

        Outro fator é a regularidade. De nada adianta uma linha de ônibus que alcance até “onde judas perdeu as botas”, se o transporte só passa de hora em hora. A extensão fica só para inglês ver. Novamente se obriga ao particular o uso do carro.

        Considero essas duas características mais primordiais que a qualidade do serviço. Não que este não tenha importância. Mas me parece ser necessário ampliar a malha pública antes de dotá-la de excelência.

        Afinal, melhor ter 1000 ônibus circulando, ainda que de qualidade duvidosa, do que 50 de luxo.

      • Rafael

        Pedágio é o governo assumindo a sua incapacidade gerencial.

        O problema é que no Brasil já nos acostumamos a pagar tudo 2 vezes:Mesmo com escola e educação gratuitas,temos que recorrer á iniciativa privada para termos serviços de boa qualidade.

      • Pedro

        Não vejo assim. No caso de pedágio para majorar os custos do transporte individual, entendo como uma política pública, voltada para o maior incentivo ao transporte público.

        Claro que esta medida, tomada em solitário, sem a melhoria de ônibus, metrô, etc., não só é absurda, como inócua. Mas se tomada em conjunto, não vejo maiores problemas.

        De cabeça não saberia te citar exemplos, mas esse tipo de pedágio já foi implantado em diversas cidades da Europa.

      • Rafael

        Ora,se é pra incentivar o uso de transporte público que melhorem as condições de uso do mesmo.Pedágio é desnecessário pra isso.

        O meu ponto é,se as condições de transporte fossem dignas,muita gente deixaria seu carro em casa e iria se locomover boa parte do tempo de onibus/metrô.

    • Felipe Velloso

      Certamente o caminho seria seguir das cidades menores para as maiores. Aqui na França, apenas algumas cidades tem passe livre, todas elas de porte pequeno ou médio (para os padrões locais). Ainda sim é difícil acreditar que o Estado Brasileiro seja capaz de estruturar tal reforma. Como já foi mencionado aqui, o primeiro passo é tornar o transporte público desejável, com conforto e comodidade. Depois disso as outras medidas de estímulo contra o transporte pessoal vem para reforçar a necessidade de se usar o transporte coletivo. Mas reforço que sou igualmente cético quanto a aplicabilidade do Passe Livre, creio que temos muitos passos menores a dar para melhorar o nosso sistema até chegarmos a um ponto onde essa opção será viável.

  • Manuela Ullup

    Você tocou em um ponto que eu acho importantíssimo: O transporte PÚBLICO não deve visar o LUCRO das empresas que o fornecem. Deve sim pagar os seus custos, mas os caras podem lucrar com outros tipos de serviços.

    Eu nunca tive acesso à nenhuma tabela de custos, portanto não tenho dado algum pra afirmar isso, mas eu DUVIDO MUITO que no Rio de Janeiro o custo das passagens seja 33,3% subsidiado pelas empresas, 33,3% pelo governo e 33,3% pelos usuários. Gostaria até de saber onde você conseguiu essa informação. Isso significaria que no Rio o ônibus tenha um custo de R$8,25 por passageiro (considerando o preço atual de R$2,75). Me parece meio errado, né?

    • Neo

      Eu já acho que a prioridade tem que a de prestar um serviço de ótima qualidade sem dúvidas, nem que você tiver que pagar um pouco mais por isso, agora sobre a parte de que não tem que visar o lucro é de uma mediocridade imensa, aí é que as coisas são feitas da forma errada, licitações infelizes e outras discricionariedade. O que tem que ser feito é um controle de qualidade descente e a total transparência do reinvestimento do lucro no setor em outros.

      Meu post explica minha experiencia em relação aos ônibus no Paraná. Não acho ruim não, não quero tem um transporte de Frankfurt em um país terceiro mundista mesmo, então para mim já serve (e a população, acredito) as necessidades.

      • Neo

        Por outro lado parece que as grandes metrópoles estão inchadas, mas aí é difícil.

        Ás vezes eu acho que deveria erguer é uma muralha no Paraná e pronto 30 milhões de pessoas já é demais. No Rio e São Paulo consiguiram a proeza de amontoar 32 milhões de pessoas em um espaço de 4 Curitibas, infelicidade total.

    • Pedro

      O Estado não pode ter como objetivo primordial o lucro.
      Só que no momento em que passa a exploração de uma atividade a um particular, não pode exigir deste a mesma mentalidade.

      Eu não vejo problema na modalidade de concessão, desde que com regras bem definidas e um efetivo controle por meio dos órgãos públicos.

      Esse aparato legal existe, mas não é aplicado.

      • Neo

        Eu já acho que deve visar o lucro e a ótima qualidade, claro a boa qualidade bem primeiro, mas se você quer ótima qualidade tem que pagar por isso sim, e toda a organização deve visar o lucro sim, fazer o caixa e reinvestir a grana em outros serviços ou no melhoria contínua do mesmo.

    • Felipe Velloso

      Manuela, o que eu quis dizer é que o custo é repartido em 3, em um ingresso de 2,75 eu acredito que com cerca de um real se pague uma parte do custo, o resto é lucro da empresa. Ninguém tem acesso a essas tabelas de custo no Rio de Janeiro, por isso é especulação e por isso as pessoas tentam fazer a CPI em cima dos Transportes. Esta teoria da divisão de custos é o que tem sido assumido nas discussões acerca do transporte, inclusive por vereadores como o Eliomar (que está tentando presidir a CPI), mas por enquanto é especulação baseada em como esses preços normalmente funcionam.

  • Neo

    O foda é que o brasileiro quer tudo de graça aí é foda, em Curitiba com coisa de 2,90 ou 3,00 você anda de onibus por todos os lugares a vida inteira, e Londrina com 2,40 você faz todas as integrações a que você tem direito inclusive saindo do onibus por até uma hora quantas vezes você quiser, isso já não esta de bom tamanho. Passe livre é foda, não dá muito caro, bancar isso para 195 milhões de pessoas, é um peso gigantesco.

    Dito isso, tem outras preocupações mais importantes, as reformas constitucionais, economicas, políticas, penais e principalmente educacionais são “de lejos” as mais importantes.

    Outro assunto, a Universidade Pública não deveria ser grátis, e, antes de me apredejarem leem um pouco sobre o assunto, abraços.

  • Caio Azevedo

    Com base nos comentários, gostaria de destacar um assunto: o lucro. O tempo todo estamos falando do lucro das empresas privadas e do governo. É necessário haver lucro numa área tão crítica como essa? Acho que não. Não acho nem um pouco razoável alguém lucrar, ou seja, enriquecer explorando transporte público, nem o próprio governo. Vejam: a CBTU ainda existe. É, a grosso modo, uma empresa do governo. Persegue o lucro. Por que? POR QUE?

    Existem algumas empresas do governo que perseguem o lucro e eu não faço objeções, pelo menos não totalmente; como é o caso da CAIXA, Banco do Brasil e Petrobrás. Outras instituições (tecnicamente chamadas de autarquias e fundações públicas), pela natureza de seus serviços, não perseguem o lucro: Universidades Federais, escolas públicas e hospitais públicos.

    Reparem que os transportes públicos se assemelham muito mais aos hospitais e universidades do que aos bancos e à Petrobrás.

    A partir deste ponto é que eu critico o lucro. De maneira geral o lucro é importante nas nossas vidas pois ele dá fôlego para continuarmos trabalhando. Mas não nos transportes. Deve-se tão somente repor os custos e os tributos devem ser módicos.

    • Ruan

      Eu não uso o metrô de BH, que é administrado pela CBTU, mas não acho que ela seja com fins lucrativos, porque aqui a passagem é, se não me engano, R$1,40. Por esse preço, é mais uma ajuda de custo que o usuário dá que financiamento do transporte em si. O problema é que o valor é tão baixo que não permite uma expansão sustentável do sistema.
      Aí ficamos dependendo da enrolação dos Governos Federal, Estadual e Municipal, que sempre jogam a culpa um pro outro: “ah, o governo federal não entregou a verba”, “ah, o governo municiapal não fez o projeto executivo”, “ah, o governo estadual não liberou verba pro projeto executivo”.

  • Caio Azevedo

    Gente, gostaria de destacar um ponto com base nos comentários: o lucro. Tanto empresas de transporte privadas quanto do governo perseguem o lucro. Será que num serviço tão essencial como esse deveria haver lucro? Não ignoro que vivemos numa sociedade capitalista, mas acho que neste setor não deveria haver lucro, e os impostos deveriam ser módicos. Como bem disse Felipe Velloso, os investimentos na melhora do setor serão exorbitantes, que sairão do bolso da população. Lucro, neste caso, é razoável? Acho que seria semelhante a cobrar uma pequena taxa de R$ 5,00 para aplicar vacina contra rubéola no posto de saúde.

  • JoaoBeno

    Cara, texto muito bom! Abordagem excelente, sem pender pra um ou outro lado.

    Acho interessante notar o fato que todos concordam que não dá pro governo bancar, seria simplesmente muito caro. Pagar apenas os custos de manutenção no valor da passagem e deixar o governo investir na substituição da frota, reforma e construção de pontos e terminais, aquisição de novos ônibus conforme a demanda cresce, readequação da estrutura e dos modais disponíveis, tudo isso, também é coisa demais pra um governo que mal faz o básico direito.

    Acredito que a solução está em dados, cada cidade é uma, então demanda soluções exclusivas pra sua realidade.

    Pegue Goiânia, você pode pegar ônibus aqui e andar sentado tranquilo no domingo, sábado de tarde, e fim de noite/madrugada. Pode também andar sem ter sua cidadania violada durante as manhãs das ~9 ás 11 e das ~13 até as ~17. Agora nos horários de entrada e saída do trabalho/colégio/faculdade, prepara o espirito de sardinha! O nosso problema aqui é só um pra mim, a concentração da demanda em horários específicos, e nesses horários, enche tudo, o ônibus, a rua, a padaria, a lanchonete, tudo! Só dá pra resolver direito com um sistema que seja fácil de pagar e manter na demanda alta e na baixa (Pensa ter o triplo de ônibus pra dois terços deles só rodarem 3 horas por dia, puro desperdício).

    Enfim, cada cidade é como seus moradores, única, e tem que ter soluções únicas, ao invés de uma “Politica Nacional de Transportes”.

    • Caio Azevedo

      Justamente por conta da variação de demanda durante o dia é que não devemos sonhar que um dia andaremos de ônibus com apenas 40 pessoas, todos sentados em pleno horário de pico. De modo geral, parte do problema é os sistema deficitário. Parte do problema é o excesso de gente. Esse modelo de metrópole realmente concentra muita gente no mesmo lugar. Não que eu queira virar Jeca Tatu, mas a concentração de gente é um fato irrefutável.

      Outra coisa: a questão do lucro é muito mais entremeada do que parece. Imaginemos que consigamos transporte público eficiente e a preços (tarifas) módicos (desprovidos totalmente ou em grande parte de lucro). O lucro ainda persistirá: quem vende os ônibus tem lucro, quem vende o diesel tem lucro, quem conserta os ônibus têm lucro, quem vende as peças de reposição tem lucro… É isso. Vivemos numa sociedade capitalista, onde os preços se regulam por conta de pressão de oferta e procura.

      Consideramos o investimento em transporte algo caro porque, de modo geral, a procura por transporte (óbvio) é sempre alta em qualquer lugar do mundo. Num mundo de Alice poderia ser que o transporte fosse barato, e aí teríamos já meio caminho andado rumo ao sucesso.

      Minha opinião (Brasil – não vá pra Europa neste momento): 1) Temos gente demais;

      2) O sistema capitalista, pela lei da oferta e da procura, faz com que os custos de transporte sejam sempre altos;

      3) Quando não há lucro (governo) ou quando o lucro é certo (empresas de ônibus) não há estímulo para se fazer a coisa funcionar direito = sistema deficitário.

      4) Tentar forçar os preços do transporte para baixo em nome de um bem maior da população, a fim de facilitar a implementação de transportes mais eficientes é impossível num sistema capitalista. Mesmo que fosse possível, os prejudicados não trabalhariam direito = sistema deficitário.

      Conclusão:

      Acredito que o caminho da solução está em se aceitar que o transporte é e sempre será caro. A partir daí, é preciso pressionar o governo a implantar um sistema cada vez mais eficiente, seja num projeto do próprio governo, seja com a iniciativa privada.

      Concomitantemente, outro problema que existe é que, pior do que o transporte ser caro, é ter uma população que sofre para arcar com despesas de transporte. Aí estamos falando de um problema muito mais geral de concentração de riqueza: ser pobre não é ruim. Ruim é ser muito pobre, enquanto uma minoria é muito rica (desnecessariamente). Trabalhar por uma melhor distribuição de renda refletiria indiretamente, mas de maneira muito importante, na disposição que a população teria para arcar com um transporte de qualidade.

      Lembrem-se, meus caros: dinheiro não é capim. Mesmo que o transporte fosse de graça, quem o paga é a própria população, pois o governo não fabrica dinheiro: ele tira da gente pra pagar as contas do que ele oferece “de graça”.

  • Renato

    Aqui em Moscow, o sistema de metro funciona com um fiscal por entrada de estacao, o que pode ser traduzido em um numero infimo de fiscais. O usuario compra seu bilhete (que varia de R$ 2,00 a R$ 3,00) e viaja para qualquer destino (que abrange grande parte da cidade). Nao ha catracas no metro. Se voce tentar entrar sem passar seu bilhete, imagino que a catraca informe ao fiscal (que monitora o sistema por cameras), que sabera que voce nao pagou. Nos onibus e diferente, ha catracas e o proprio motorista vende os bilhetes, o que acaba gerando alguma fila, mas os onibus estao limitados a periferia da cidade. Metro e a unica solucao para as grandes cidades (acima de 2 milhoes de habitantes).

  • Rafael Sousa

    Eu desconfiaria fortemente desses cálculos de custo que os governos do Brasil apresentam.

Papo de homem recomenda

Assine o Papo de homem

Curta o PdH no Facebook
  • 5348 artigos
  • 653725 comentários
  • leitores online