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Transparência na política é irreal

Juliana Fratini

por
em às | Artigos e ensaios, Debates, Ladies Room


A demanda por transparência na política parece irreversível. Governantes e demais agentes públicos são cobrados, cada vez mais, a prestar contas de suas ações.  A transparência, afinal, é um procedimento que pressupõe a existência de ética, uma suposta conduta republicana que dispensa contestações. E quando não há transparência, a leitura que normalmente se faz a este respeito é maniqueísta: de um lado há o sujeito “bom” e, de outro, o “mau”.

Mas o que haveria de novo numa abordagem deste tipo? Terminaria em mais uma dessas críticas sobre a má ou boa conduta de um governante, o que, talvez, tenha-se convencionado fazer de uma maneira que, em vez de lançar luz sobre os acontecimentos que envolvam a falta de transparência, nos leva a somente fazer julgamentos binários – o que empobrece o debate.

"O político é bom" ou "o político é mau": maniqueísmo que enfraquece o diálogo

O tema é mais complexo: na prática, aqueles que detêm poder (a competência para decidir sobre interesses coletivos) jamais devem expor, de maneira rigorosa, as falhas de sua própria ação/gestão se assim quiserem se manter no poder. Deste modo, políticos podem ser até transparentes em alguns aspectos, mas dificilmente serão em todos.

Política, como se sabe, não se faz apenas com vistas para a realização de interesses coletivos, mas também com vistas para a manutenção do poder. Seja em primeira ou última análise (o que depende apenas de um ponto de vista), a manutenção do poder é essencial para  garantir a legitimidade (ainda que forçada) de determinado sujeito político enquanto político (investido na função pública). Encaremos os fatos: não ser transparente (ou ser discreto, reativo, omisso) sobre determinados assuntos para não se prejudicar politicamente, ou frente à opinião pública, é uma escolha possível.

Conjunturas políticas mudam, e a depender de um contexto que não favoreça o detentor de poder, este poderá mudar sua ação e comunicação; ou seja, ação e comunicação poderão ser realizadas nos bastidores como uma estratégia de preservação. Políticos precavidos não são, contudo, desonestos ou antiéticos; estão fazendo uso de alguma esperteza (isto sim necessário) para evitar situações de crise – tanto de seus postos quanto de governos, o que poderia gerar situações caóticas.

Portanto, numa situação em que o político (detentor do poder) entenda que é preciso agir com cautela – seja para garantir um programa de governo, para garantir a sua posição, ou a sustentação de um governo –, o mais provável é que ele não aja com absoluta transparência.

Para os governantes, prestar ou não contas sobre a conduta é algo que geralmente acontece por uma questão estratégica, embora a sociedade clame por total transparência. Uma maneira de ver a questão é que na dimensão da politics (do jogo político na busca pela obtenção ou manutenção poder) o maquiavelismo (a ideia de manter o poder quase que a qualquer custo) nunca estará apartada da vida de um homem público, pelo simples fato de que ele depende do poder para se manter no jogo. E manter-se no jogo é uma obrigação que o político possui em relação aos eleitores que representa – o que, nesta linha, a omissão chega a ser justificada.

Os limites da transparência

A transparência não é, contudo, impossível. Ocorre que ela possui limitações – e não por falta de ética, mas pela necessidade que os políticos têm de serem bons estrategistas. Ainda que seja possível os políticos melhorarem a sua comunicação, sendo claros em relação a algumas de suas atividades e prestando contas a respeito de questões mais objetivas (como a divulgação de estágios de projetos, orçamento, despesas, ações que pretendem realizar etc.), jamais divulgarão quaisquer informações que lhes coloquem em situação de vulnerabilidade.

Transparência plena pode ser prejudicial à governabilidade

Informações que possam comprometer o poder de um político serão sempre divulgadas por um terceiro, seja este a imprensa, uma instituição fiscalizadora, um opositor, um ativista, alguém que descobriu algo que não gostou ou alguém que se achou “injustiçado” por não receber o que merecia por “estar guardando um segredo”.

Alguns destes “terceiros”, capacitados a apontar falhas na gestão ou na conduta do homem público, tentarão derrubá-lo por possuírem o compromisso com a verdade e esclarecimento de fatos; outros, por discordarem de seus métodos de atuação; outros farão isso porque desejam assumir o seu lugar; outros, porque fazem parte de uma oposição que deseja desestabilizar o governo; outros, porque não concordam com a maneira em como a política muitas vezes funciona… Haverá inúmeras razões para um político ser questionado sobre as suas ações, ainda que ele não tenha praticado nenhuma atividade que se configure ilícita.

É claro que não se pode eliminar a existência de normas que regulam a conduta de homens públicos; entretanto, é sabido que muitas delas possuem brechas para manobras, e que certamente serão utilizadas quando uma (possível) situação de crise acontecer. A lei, afinal, possui margens para diversas interpretações, e também é assim que são criadas novas jurisprudências para casos outrora inexistentes ou sem solução imediata.

Mas exigir transparência absoluta de um político é algo irreal e, talvez, o questionamento mais pertinente a ser feito é do por que em determinadas circunstâncias existe tanta pressão social por transparência quando, na realidade, está posto que a discrição e a omissão são condutas esperadas de um homem público e ferramentas necessárias para a sua própria sobrevivência enquanto governante.

Decerto algumas pessoas podem dizer que, investidos em cargos públicos e sob o status de representantes do povo, os políticos têm a obrigação de serem totalmente transparentes. Não seria uma afirmação errada; apenas ideal. Do mesmo modo, tampouco seria errado assumir que o “esconde-esconde”, para um político, também faz parte da defesa de interesses sociais, haja vista que os políticos são, conforme mencionado, justamente os representantes do povo – povo este que está longe de ser formado por pessoas com o mesmo interesse. É preciso sempre levar em conta que a política é uma arena, e esconder agora pode significar melhores barganhas no futuro. 

Juliana Fratini

Juliana Fratini é cientista política por interesse e comunicadora por destino.


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  • Paulo

    Nossa sem ironia, mas esse texto mudou minha visão de mundo. Nunca tinha pensado por esse prisma. Vou imprimir e guardar esse texto. Muito bom!

  • wesley

    Não sei porquê. Mas me lembrou o livro do Italo Calvino. o cavaleiro inexistente

  • http://profiles.google.com/1bertorc Humberto Ramos Costa

    Avaliar o que é bom ou mau não tem relação direta com transparência. Eu posso considerar o voto de um deputado algo bom (por exemplo se o deputado votar a favor do direito da mãe abortar e eu achar isso correto), mas não posso dizer que ele não foi transparente se a votação foi fechada. Por outro lado eu posso considerar a votação ruim (se negarem o direito ao aborto seguindo o mesmo exemplo) e  transparente se a votação for aberta. Apesar de considerar o resultado da votação em si um avanço eu acharia ela injusta por que a população foi tolhida de sua representatividade. Transparência é algo complexo mas o princípio é de saber o que estão fazendo com o mandato do eleitor não de que os eleitores precisam considerar tudo que o deputado faz como algo certo.
    Não há transparência absoluta? Claro que não mas isso não diz nada sobre o debate e acho que ninguém está preocupado em ter isso, todos estamos interessados no  quanto podemos avançar na pratica? Quer dicas? Que tal olhar como isso funciona nos outros países…
    Em muitos países a correspondência é pública, eu defendo que contas correntes e telefonia também fossem enquanto houvesse mandato.
    Pode inclusive haver uma quarentena, certos documentos públicos depois de 1 ano, 2.
    Continuam existindo possibilidade de corrupção? Claro que sim, mas reduzidas.
    Claro que as minhas sugestões e outras boas que há nos comentários só seriam factíveis com outras mudanças anteriores. Para mim por exemplo o critério atual de (des) representatividade dos mandatos de deputados federais é um verdadeiro atentado a democracia. Para mim nossa democracia só vai existir de verdade quando as pessoas souberem o peso real que votos e partidos tem.Outra questão que precisa avançar é o federalismo. Uma boa idéia a meu ver seria um plebiscito sobre esses temas (fizemos plebiscitos sobre coisas a meu ver menos importantes como os 50 portes de arma que o governo emite por ano e sobre a monarquia e parlamentarismo). Não por que o plebiscito vá sair com uma solução ‘absolutamente boa’ mas por que as pessoas antes de votarem irão se informar sobre os temas e saberão o que está ‘acontecendo’ o que para mim é o aspecto fundamental da transparência.

    • Juliana Fratini

      Humberto
      Acho que foi essa a ideia mesmo: não ficar apenas na discussão do que é bom ou mau, mas antes disso, fazer uma reflexão sobre processos que envolvem a política, e as estrategias possíveis na dimensão da disputa. 
      Sobre a questão do voto, existe uma grande discussão a respeito; acho que o artigo do Humberto Dantas pode te interessar: http://dadospoliticos.blogspot.com/2012/02/o-voto-distrital-majoritario-contra.html  
      Abços

  • http://profiles.google.com/1bertorc Humberto Ramos Costa

    Eu acho que cada povo tem o governo que merece, mas acho que em primeiro lugar o povo precisa saber como funciona seu sistema eleitoral, pelo menos minimamente. Pessoas MUITO esclarecidas não fazem idéia do motivo que justifica Tiririca eleger junto 6 outros deputados federais :0 Ou o vice presidente não ter tido votos suficientes para ser deputado federal. Além da confusão existente entre as funções do legislativo e do executivo. É difícil explicar isso para uma parcela considerável da população? Eu não acho. E se for impossível… Então essas regras tem q simplesmente deixar de existir e manter um sistema político que uma parcela pelo menos razoável da população possa entender.

  • Adm Eduardosanches

    Juliana, seu texto está ótimo, li todos os comentários e gostaria que você analisasse a situação vivida aqui na minha cidade, no link abaixo você consegue um apanhado geral, mas resumidamente o que acontece, o Prefeito atual primeiro teve dificuldades para aprovar a LOA de 2012 no final de 2011 porque os vereadores da oposição saiam da sessão quando constatavam que o quorum aprovaria o PL sem as emendas que eles queriam colocar, até que um vereador mudou de lado e a situação venceu por 5 x 4. Todos foram surpreendidos com uma sessão extraordinária em 31/01/2012 para apreciação de um PL de autoria do Prefeito criando 04 novas secretarias e 141 cargos comissionados, lembrando que um forte grupo político da cidade havia também se posicionado a favor do governo poucos dias antes.

    http://emfocojornal.com/?p=1262 

    • Juliana Fratini

      Eduardo

      Sobre o primeiro caso, não posso julgar o mérito da questão porque desconheço o conteúdo, as emendas, e as necessidades/demandas da sua cidade.  Por cima, acho que não vou dizer nada de novo: trancar a pauta de votação;  votar (ou não) x a favor de y; ou mudar de lado são ações possíveis e que não fogem à normalidade. São recursos estratégicos que os grupos de poder (situação/oposição) podem utilizar em defesa de interesses divergentes. Já sobre o segundo caso, que se refere a criação das secretarias e novos postos, tampouco posso julgar pela falta de mais conhecimento sobre a conjuntura política (além de outros elementos) da sua cidade. Pode ser que a criação destas secretarias e postos de trabalho sejam, de fato, uma necessidade administrativa, ou pode ser que seja uma necessidade política, ou pode ser, ainda, as duas coisas. O fato é que aqueles que são contrários a criação destas secretarias e cargos já apareceram…. Agora é esperar para ver quem é mais forte, quem consegue estabelecer a sua vontade. Toda vitória tem um desdobramento, e no caso de o executivo ganhar, ninguém garante que isto seja de fato favorável para ele no futuro… Pode ser que sim, pode ser que não…  

  • Juliana Fratini

    Daniel
    Sinceramente desconheço qualquer estudo comparativo mais aprofundado sobre a questão da transparência na dimensão do jogo político (ou processos eleitorais) de países desenvolvidos e/ou democracias mais avançadas. Conforme mencionei diversas vezes, a omissão faz parte do jogo, da disputa, e não sei até que ponto isto tem a ver com a qualidade de políticos, bem como de democracias na perspectiva do eleitor (o debate aqui ocorre para isso). Em diversas situações não há regra que impeça a omissão, e isto, muitas vezes, pode se fazer importante para garantir não apenas a manutenção do poder, mas a possibilidade de barganhar, e a governabilidade. Não leve para o lado “pessoal”: estamos falando de política, e isto não tem nada a ver somente com o fato de como os brasileiros se comportam em relação a ela. Tem a ver com uma discussão sobre conduta e processos gerais, tendo a estrategia política como pano de fundo.
    Abços       

  • http://www.facebook.com/daniel.p.dearaujo Daniel Pinheiro de Araújo

    Juliana,

    Eu também não levo para o lado pessoal. Não tenho nada contra você, tenho contra seus textos. Como aquele também das questões políticas de 2011 (http://papodehomem.com.br/questoes-politicas-de-2011). Você sabe escrever e argumentar bem, o que estimula o debate, mas são discussões sobre coisas indiscutíveis. Foi daí que disse que não temos respeito próprio. Seus textos, aprovados nos comentários pela maioria dos leitores, infelizmente, defendem um ponto de vista que contribui para essa “cultura de aceitação” do brasileiro, e é por isso que não vamos pra frente. Sempre nos nivelamos por baixo, engalobamos todos os erros, não somos capazes de suportar uma comparação com países mais desenvolvidos para melhorarmos, sempre temos desculpas pra tudo. Todos os países têm seus defeitos, todos estão sujeitos à corrupção e à farra com o dinheiro público, só que uns (como nós), aceitam, outros não. E os que não aceitam estão muito à frente. Eu não aceito, mas quem não aceita a falta de transparência é minoria absoluta nesse debate e nesse país. É contra isso que luto, e penso que esse é o nosso câncer, a cultura da aceitação.

    • Juliana Fratini

      Daniel 
      Em um dado momento, o mais provável é que ficaria aborrecida em ser considerada “conformista”. E de algum modo, tentaria defender as ideias postas por meio de mais argumentos; não vou pelo seguinte: há coisas perceptíveis somente na prática ou com o tempo de atuação com tais questões. Nada do que escrevo são verdades absolutas, e o esforço, na realidade, é o de ponderar questões complexas. Podemos sim querer e lutar por algo melhor, mas encarando aspectos da realidade que podem não ser tão positivos assim, segundo o ponto de vista de diversas pessoas… Sobre o nivelar-se por baixo: veja a Europa em crise…. compare com a nossa atual economia e perspectiva de crescimento. Pergunto: devemos mesmo olhar para fora?  

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Não sei se estou certo, mas creio que se olhar para fora e ver bons exemplos para serem bem aplicados aqui, seria uma boa.

        Não é porque a Europa tem um problema de finanças que signifique que um ou outro país do continente não tenha boas idéias para aproveitar um pouco da essência e jogar na nossa política brasileira.Como no caso que citam os países que os políticos andam de trem e acabam sendo mais “servidores públicos” do que “políticos de carreira” em si. Tascam uma matéria na mídia, repercute em muitos lugares e a população se pergunta: por que um político não pode andar de trem? Existem motivos que não podem ser transparecidos para falar que “o político não pode andar de trem por motivo X Y?”

  • http://www.facebook.com/daniel.p.dearaujo Daniel Pinheiro de Araújo

    Juliana,

    como eu disse anteriormente, você argumenta muito bem e esse espaço aqui é uma excelente oportunidade pra abrir a cabeça e conscientizar muita gente. O que vejo, e me entristece, é que seus textos acabam tendo esse resultado sim, conformista, de que “as coisas estão assim porque são assim mesmo”. Mas você sabe que podem mudar, se a gente quiser e fizer por onde. A sociedade precisa enxergar o que está errado, se indignar e mudar. Você tem uma grande ferramenta. Acredito que pode e gostaria de ter os seus textos nesse propósito, de levantar o brasileiro do sofá, e não no contrário. Esse texto acima defende a ideia de que transparência não é possível, seu outro texto minimizou as manifestações contra a corrupção em 2011
    aqui, dizendo que não se aproximavam da grandeza da Primavera Árabe, mas vai
    ver eu estou enganado e o que precisamos no Brasil mesmo é minimizar o que tem
    de bom e defender o que tem de ruim. 

    obs: Respondendo á sua pergunta, devemos olhar para fora sim. Mas não para quem é igual ou pior que a gente, mas para quem é mais desenvolvido. Eu não citei a Europa em crise, a corrupta, Itália, Espanha, Portugal, Grécia, França.. citei a desenvolvida, Suíça, Dinamarca, Noruega, Suécia.. São duas Europas completamente diferentes, quando no inverno (deles) passado os aeroportos europeus pararam, os da Escandinávia não, e não paravam já fazia 7 anos, produto de muito investimento e trabalho correto, de países realmente desenvolvidos, transparentes, nos quais sugiro nos espelharmos.
     

  • Erick Santana

    O sistema politico (da forma como é realizado no brasil), como qualquer outro sistema, é passivel de se tornar obsoleto, ou de já ter sido criado obsoleto, haja visto que o nosso sistema foi herdado.

    Eu acredito sim, que poderiamos sim, fazer uma analise da governabilidade em outros paises, mais bem sucedidos, e tentar adaptar as condições em que nos encontramos de acordo com o resultado desta analise.

    Infelizmente isso não pode acontecer enquanto houver conformismo, pois é obvio que com o sistema atual, onde os politicos estão em enorme vantagem em relação ao povo, esta reforma não irá iniciar por eles.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Se transparência na política é irreal, por que somos obrigados a ser “transparente” aos governos e a sociedade em si? Porque toda vez que alguém mais “comum” ganha algo a mais, o bicho é investigado a fundo sobre a origem do dinheiro e tudo… e pessoas que já lidam com os jogos do poder é “ignorado” (vide Maluf).
    Acho que o conceito de “transparência na política” que realmente se busca não é o que o político faz na vida pessoal. E sim justamente nas alianças e trabalho político que ele faz. Se ele não pode falar tudo o que faz, então o que se faz? A política é para atender TODOS ou POUCOS? Se for para atender POUCOS, então por favor, matem o TODOS.

    Se é então para todos “cometerem erros” e agirem por conta, por favor. Não precisamos de regulação ética mesmo não. Acabem-se com as leis. Acabe-se com tudo. Já que é um jogo a ser jogado e o que importa é o poder que se tem…

    Tem horas que juro que queria ter uma metralhadora para assassinar político…

  • Marconde Alves dos Santos

     Juliana ! Gostei do texto ! Faz sentido tudo o que você disse acho que o
    comportamento e as atitudes do ” Homem Público ” em relação a politica e
    aceitável. Agora o que entristece

    e que não temos esse tal de ” Homem Público ” aqui na nossa terra.

  • Carvalho

     Rodrigo

    Seu exemplo é demasiado simplista mas correto em princípio. Você diz que se fossem transparentes eu não iria aceitar. Você não tem como saber isso, você não me conhece, e meu ponto de qualquer forma não é esse. Essa é a parte da política que detalhei no meu comentário, são as negociações necessárias para um determinado fim. Eu não preciso saber dos detalhes, ficaria feliz em ter a escola e pronto.

    Mas a vida real não é simples assim.Quer um exemplo banal? Os cartões corporativos do governo. É uma fortuna gasta corriqueiramente e mantida em conveniente sigilo. Há inclusive muitos saques em dinheiro. Nós, reles mortais, sacamos no cartão de crédito para depois pagar juros? Exceto emergências é claro que não, mas como no caso dos cartões do governo quem paga a conta somos nós não tem problema…

    É dessa tranparência que falo. Já tinha explicado no meu comentário. Valeu pelo seu aparte.

  • Carvalho

     Oi Juliana

    Legal você ter se dado ao trabalho de replicar. Acho que a confusão que vi no texto vem da mistura entre os dois papéis de um político em um cargo público.

    1 – Conquistar e manter o poder
    2- Trabalhar em prol do interesse coletivo

    Em teoria se o político focar no item 2 ele estaria também buscando o objetivo do item 1, pois o eleitor votaria nele, mas nem sempre é verdade, que é o ponto do seu texto no meu entender. Inclusive o trabalho de Maquiavel é praticamente somente sobre o item 1.

    Só que nós do povo ( pobre povo) nem sempre nos beneficiaremos se os políticos mais habilidosos no item 1 ganhem sejam eleitos. Aliás, os melhores no item 2 seriam os governantes mais benéficos, não?

    A maioria deles faria tudo pelo pode, sso é verdade, não sou idealista. Mas aceitar passivamente que mintam na minha cara e pensar ” ah, tudo bem, é do jogo, é da política” e votar de novo no cara? Aí já acho burrice. E pra mim é o que seu texto acaba passando, um conformismo com a situação.

    É sim obrigação de um governante ser transparente. Se ele vai ser é outra história, mas se a sociedade parar de exigir aí é certeza que ele vai se esbaldar com a nossa grana.

    E com isso respondo ao comentário do Rodolfo. Sabe porque não coloco meu salário aqui? Por que quem paga meu salário não é você nem ninguém que está lendo. Já quem paga o salário da Dilma, do Sarney, do Collor sou eu e o povo (pobre)….portanto tem que dar satisfação sim, se não gostar vai abrir uma padoca e pronto. E esbravejo o quanto quiser meu amigo, você não é dono da verdade…abraços

  • Carvalho

    Bixo, ela tá fazendo faxina mas quem fez a sujeira foi ela mesma…quem nomeou todos foi ela. Ela é a presidente desde 01 de Janeiro de 2011…então tem que viver com o mérito da limpeza mas com o ônus de ter emporcalhado em primeiro lugar não?

  • Carvalho

     Maquiavel lida somente com a luta pelo poder. Como manter e conquistar o poder. Embora tenhamos que aceitar isso como parte ( ruim) da democracia ainda podemos tentar escolher aqueles que ponderam melhor seus próprios interesses com os nossos não?

  • Carvalho

    Caramba Rodolfo, você realmente é um cara que estimula o debate. Impressiona sua capacidade de lidar com opiniões diferentes da sua. E sua foto é a prova de que uma imagem vale por mil palavras, aliás é só colocar a foto ali que já saberemos sua resposta a todos nossos comentários…

    Eu se pudesse me mudava mesmo. Países onde o povo tem o poder de reduzir o salário dos governantes merecem meu respeito.

  • http://www.facebook.com/matheus.oliveira.silva Matheus Oliveira Silva

    Vamos fazer uma discussão sobre o Brasil. O cara vai e compara com Suíça ou Escandinávia? Então compara o Brasil com a Somália ou Bósnia e Herzegovina e faz um parâmetro entre os dois. Comparar com o melhor e apontar os defeitos do mais fraco é facil, além de ser um argumentinho podre para dizer que se isso ou aquilo mudasse melhoraria nisso ou naquilo. As areas citadas não foram colônias de extração e não tiveram seus pilares economicos fixados em dividas exteriores. As Areas citadas não são subdesenvolvidas, não tem altas taxas de analfabetismo, não tem altas taxas de desemprego, etc.

     
    Faz assim, muda para lá e depois quando o Brasil estiver igual você volta(ou não).

  • Rodolfo Viana

    É pura cretinice querer dizer que X país é isso e Y é aquilo. Vivemos realidades diferentes, meu caro. É muito pobre qualquer comparação deste tipo. Porque foge da questão real (neste caso, o Brasil). É muito cômodo dizer que a Escandinávia faz isso e é aquilo… Quero ver aplicar isso no Brasil.

    E não, eu não tenho saco para discussões pobres como essa que você propõe. Por isso, reitero: se você ama tanto a Escandinávia e a Suíça, escolha um dos dois e mude-se pra lá.

    PS: A foto não é nada, amigo. Precisa me ver argumentar algo pessoalmente…

  • Rodolfo Viana

    Não é questão de opinião, mas de detectar quem tenta escapar pela tangente.

    É pura cretinice querer dizer que X país é isso e Y é aquilo. Vivemos realidades diferentes, meu caro. É muito pobre qualquer comparação deste tipo. Porque foge da questão real (neste caso, o Brasil). É muito cômodo dizer que a Escandinávia faz isso e é aquilo. Porra, a questão não é a Escandinávia!

    E não, eu não tenho saco para discussões pobres como essa que o Daniel propõe. Por isso, reitero: se Daniel ou você ama tanto a Escandinávia e a Suíça, que escolha um dos dois e se mude pra lá.

    PS: A foto não é nada, amigo. Precisa me ver debater pessoalmente…

  • Rodolfo Viana

    Não é questão de opinião, mas de detectar quem tenta escapar pela tangente.

    É pura cretinice querer dizer que X país é isso e Y é aquilo. Vivemos realidades diferentes, meu caro. É muito pobre qualquer comparação deste tipo. Porque foge da questão real (neste caso, o Brasil). É muito cômodo dizer que a Escandinávia faz isso e é aquilo. Porra, a questão não é a Escandinávia!

    E não, eu não tenho saco para discussões pobres como essa que o Daniel propõe. Por isso, reitero: se Daniel ou você ama tanto a Escandinávia e a Suíça, que escolha um dos dois e se mude pra lá.

    PS: A foto não é nada, amigo. Precisa me ver debater pessoalmente…

  • Juliana Fratini

    Fábio
    Boa lembrança!  Sem ideal, não há motivação para prosseguir…. Só acho que uma coisa não inviabiliza a outra. O ideal motiva, o pragmatismo realiza. 

  • André Tamura

    Eduardo Galeano é bom!
    Achei o artigo da Juliana muito bom mesmo, aliás tive uma professora de Ciência Política chamada Juliana…tivemos contato com alguns autores…Gramsci, Bobbio..etc..Como foi dito no inicio dos comentários, o cargo publico politico exige estrategias que não podem ser confundidas com mentiras ou roubalheiras…
    Na sociedade de consumo vende-se o “ideal dinheiro” isso esta implícito desde nosso nascimento, inconscientemente avaliamos que tudo tem um preço, até mesmo um ideal. Um novo cenário utópico é muito difícil de acontecer, mas pequenas manifestações com interesses transparentes declarados (não algum “sem-terra” com casa e carro fazenda bagunça), movidas por um ideal funcionam, o ideal do MST é louvável, funcionou e funciona em alguns assentamentos, até que alguém vê ali uma oportunidade de se fazer política, ganhar poder e dinheiro, claro. As pessoas que exercem o poder tem suas falhas, um sistema só prevalece a partir do momento em que a maioria concorda com ele admitindo que alguém vai resolver seus problemas ou vive na sensação (medo, repressão, $$) de que nada pode ser feito e tanto faz…tinha um autor que falava das manifestações de apoio e indignação quando por exemplo um filho mata a mãe, vários movimentos sociais tentam sempre, a luta de estudantes pelo preço do transporte por exemplo…Se existisse uma torcida de futebol pra cada partido político…mas ai a discussão já é outra.

  • André Tamura

    A argumentação está perfeita e clara mesmo Rodrigo.

    Mas repare que baseou toda sua visão com foco na escassez?? Pra alguém ganhar, o outro tem que perder? Esse é a história que está sendo vendida pra nós e reforçada com o sistema econômico dominante, com embasamento cientifico e tudo (ver ótimo de pareto), em outras épocas quando se formavam as estruturas de governo, realmente havia escassez de recursos…mas a produção capitalista e o sistema monetário financeiro moderno (keynes, pós-keynes), acabaram com a essa “escassez”. Não tem dinheiro pra fazer a ponte e a escola, mas pode surgir dinheiro para salvar um banco?!? Ou pra emprestar pro Eike Batista?? Portanto, os interesses próprios dos políticos ainda se sobressaem sobre os da população (ou pobre povo)… mesmo que o politico queira construir uma escola ou uma ponte.

  • http://www.facebook.com/murilo.azevedo Murilo Azevedo

    Guilherme, 

    talvez tenha me expressado de maneira errada. Não foi nesse sentido que disse.

    Mas em questão da omissão. Você pode contar algumas mentiras dizendo só a verdade, omitindo fatos.

    “A questão passa por como lidar com a exposição das informações, não por distorcê-las. ”
    Exato. Ás vezes essas coisas se confundem e aí é que entra o que foi descrito no texto.

  • http://lekkerding.com.br/ Lekkerding

    Depende. Porque omitir que na sua gestão, sua família levou bilhões dos cofres públicos enquanto você fazia os pinguins de Madagascar vira uma mentira legal. Você tinha o dever de falar, e ao calar, mentiu. 

  • Danilo Freire

    Nossa senhora, ‘tava empolgado lendo a discussão quando me apaixonei pela Camila T.

    abs

    ps. liberem responder em mais níveis de comentários no disqus.

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