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Todas as relações são abertas

Alessandra Marcuzzi

por
em às | Artigos e ensaios, Debates, Ladies Room, PdH Shots, Sexo


"Bond of Union" | M.C. Escher

Há tempos ouço debates sobre qual será o modelo de relação mais comum no futuro. Entre defensores da monogamia e da poligamia, costumo brincar que fechada, aberta e de carne são esfihas; relação é outra coisa. Já que o que realmente nos une ou separa de uma pessoa não é um acordo pré-fixado, nem uma instituição, nem um papel, nem um título, na prática todas a relações são abertas.

A abertura, mesmo em uma relação monogâmica convencional, é uma qualidade inalienável, irrevogável. Não há tranca que segure os deslocamentos da vida.

O que nos mantém ligados uns aos outros é a conexão estabelecida, que independe, inclusive, de estar ou não fisicamente com a pessoa. Podemos estar disponíveis para outros estando com um parceiro, como podemos estar menos disponíveis a outros apenas pela ligação com alguém com quem sequer namoramos. Podemos estar disponíveis mas não chegarmos às vias de fato, como podemos chegar às vias de fato estando com outro parceiro sem que isso afete essa conexão afetiva. As variações são tantas que podemos dizer que vivemos em constante suruba e monogamia ao mesmo tempo, por liberdade original, e mudar o rumo e a forma de se relacionar a qualquer momento, mesmo que tenhamos feitos acordos, contratos, promessas.

Alain de Botton, no brilhante livro Religião para ateus, diz que os ateus perdem muito tempo querendo provar a não-existência de Deus e se esquecem do que fazer diante da não-existência de Deus. Então investem muita energia contra aqueles que praticam seus rituais religiosos perdendo a grande oportunidade de ter algumas experiências para além dos dogmas. Botton mostra como as religiões se apropriam de rituais pagãos. O Natal, por exemplo: o que realmente faz as pessoas aderirem não é o significado religioso em si, mas a experiência de distribuir presentes, compartilhar uma ceia, se reunir para celebrar. O verdadeiro sentido do Natal é a prática do seu significado, não o contrário. O mesmo acontece a qualquer tipo de relação.

O valor de um relacionamento é dado pelo que ela efetivamente é em experiência, sendo inútil achar que um rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa. Na hora H, tudo isso é absolutamente ineficiente, exatamente como pensar em fazer dieta e colocar um aviso na porta da geladeira pra lembrar, mas assaltar a geladeira um pouco a cada dia. Fazemos efetivamente dieta quando não precisamos mais lembrar que estamos em dieta, paramos de fumar quando já não lembramos bem porque fumávamos.

O rótulo só faz sentido quando a relação vivida o dispensa – interessante paradoxo.

O que ocorre a maior parte do tempo é uma burocratização dos relacionamentos, não apenas em formato mas principalmente em conduta. Precisamos de uma definição para nos certificarmos de que tudo vai dar certo, não podemos deixar margem para erro e reclamações posteriores. Montamos um projeto e tratamos o outro como um de seus objetos. Em vez desfrutar a relação, apenas mantemos uma relação e posicionamos o outro como uma meta de um projeto.

A realidade é bem mais caricata

Fazemos esforços para evitar o que possa ser desagradável, nos preocupamos demais em acertar e muito pouco em vivenciar com nossos próprios olhos, tato, escuta, paladar e corpo, desperdiçando a parte mais saborosa das relações, que é explorá-las, desbravá-las. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações, fazendo com que fiquem apáticas, anêmicas, sem fluidez.

Não percebemos que o comprometimento vem antes da promessa, que o amor vem antes do pedido de casamento, que a conexão vem antes da razão. Na ânsia de controlar, colocamos o carro na frente dos bois e definimos formatos de relações para garantir segurança, enquanto ironicamente evitamos nos expor ao contato pra valer, sem garantias. Abertos.

Em minha própria experiência constato cada vez mais que os verdadeiros vínculos são mantidos por pura naturalidade e relaxamento, quando a promessa já está acontecendo e não precisamos oficializá-la, quando o sexo é praticado e não investigado, quando a disposição existe mesmo diante de condições externas desfavoráveis.

“There’s nothing to decide. There’s just walking forward.”
Miranda July

Então a “fidelidade” pode ser estar na relação 100% com tudo que faz parte dela, independentemente de exclusividade, pois a conexão estabelecida tem um sentido mais amplo e profundo. A “infidelidade” é justamente o oposto: não é um caso extraconjugal ou não, é uma manobra do desejo, uma artificialidade, é oferecer seus pedaços, é mentir descaradamente, para você mesmo.

Os enganos que mascaramos são como fingir um orgasmo: nós mesmos recebemos de volta aquilo que nos insatisfaz enquanto tentamos fazer o outro acreditar que nos contenta.

Se olharmos as relações como parcerias, em que estamos compartilhando com o outro nosso caminho, espaço, ideias, sentimentos e momentos, não como burocracia, onde temos de cumprir um roteiro pré-estabelecido, podemos vivê-las com mais leveza. Precisamos entender que o outro anda pelo mesmo espaço de liberdade que temos sozinhos, e que juntos esses espaços deveriam se ampliar ainda mais e não se restringir para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda nossas pequenas expectativas de controle. Quanto mais relaxados estivermos diante das surpresas e aventuras do terreno de se relacionar com alguém, mais abertos estaremos ao que vier pela frente.

Da próxima vez em que tiver dúvidas sobre qual tipo de relação está vivendo, parta do seguinte ponto: todas.

Alessandra Marcuzzi

Formada em Comunição pela Faap e em Decoração na EPA. Já trabalhou com TV e fotografia. Hoje é florista de coração. Escreve no blog Transmutando. Pratica trekking e trampolim acrobático. Pode ser encontrada imersa em algum lugar com natureza e silêncio, ou em alguma pista de dança do circuito indie rock de SP.


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  • http://www.facebook.com/patricia.souza.710 Patricia Souza

    O texto é bacana. Na prática? Não funciona….simplesmente porque, hoje em dia, o que existe é excesso de individualidade e escassez de parceria…em todo e qualquer tipo de relacionamento. A individualidade deve ser exercitada em todos os momentos de nossas vidas mas a parceria, também. Vivemos em grupo!. As pessoas estão caminhando para o outro extremo…aquele onde, ao invés de estabelecermos que estamos “namorando” ou algo assim…..determinamos que “não temos nada”…esta postura não seria outro tipo de “burocratização”? Qual a vantagem de sair de um enquadramento ou formato e entrar em outro? Isso não é deixar “fluir” e ver “o que acontece”…..é determinar de antemão como devemos ou não agir….chato demais!!!!!!! O dito “relaxamento” é para aqueles que estão DE FATO ABERTOS para a vida e suas surpresas….difícil….o medo e a insegurança imperam!

    • Cristiano Calvelhe

      E um mundo sem hipocrisia, é um mundo utópico, de contos de fadas. O individualismo tomou conta de todos realmente, Patrícia. 

    • Eduarda Vassanezzi

      Falou tudo Patrícia !!  Os valores vem mudando e não é pra melhor…

      Falando mais vulgarmente:  antes o interesse era “consertar”, hoje em dia as pessoas só pensam em “trocar” 

      • luciano

        Valores sempre foram iguais. É ser humano. Antes as pessoas eram restringidas a trocar, e nada se consertava , só piorava. 

      • Cristina

        Colocação perfeita, Eduarda! Concordo inteiramente com você.

        E não adianta vi como o Luciano usando o argumento fácil de que “as pessoas erram restritas a trocar”. Não é bem assim. E não havia nada de pior, casais investiam na relação, se apoiavam, namoros eram levados a serio, se queria descobrir quem era o outro e se investia em uma pessoa por vez (se não desse certo, beleza, aí sim passava-se para outra). Infelizmente hoje com a quantidade de “oferta”, ‘ninguém é de ninguém’, e não se investe mais, não foca, as pessoas (sobretudo os homens) agem como se estivessem em um supermercado escolhendo o produto mais fresco. Passa-se de um a outro sem nenhum aprofundamento, já que e sexo é “permitido”, fácil, e afinal, existem tantos…

        Uma pena. As relações estão rasas e piores. Muito triste.

    • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

      “O dito “relaxamento” é para aqueles que estão DE FATO ABERTOS para a vida e suas surpresas….difícil….o medo e a insegurança imperam! ”

      Patrícia, sentimentos não imperam sobre seres humanos sem que isso seja de sua própria vontade. Se isso acontece é pq nós deixamos. Sim, é difícil deixar de lado quando acontece, mas a partir do momento que você abandona a desculpinha do “Ah, mas é tão difícil…” e passa pro “É difícil, mas que se foda, eu sei que consigo”, a coisa avança de uma maneira inacreditável.

    • http://www.facebook.com/julio.c.proenca.1 Júlio Cesar Proença

      Patricia é uma verdade relativa!!! Visto que em momentos estamos propícios a nos socializar, já noutros queremos privacidade. Eu adoro a companhia de uma mulher agradável, para namorar, ver um filme junto, viajar… é bom ter isso, mas também gosto de ter meu AP e ficar sozinhos as vezes, jogar vídeo game, curtir um som alto, ou ficar com amigos. Não necessariamente só com namorada, porque enjoa!!! Einstein dizia que as relações seriam melhores e satisfatórias se os casais não vivessem junto. Essa dentre outras coisas deve ser analisada. E acredito que encontrando alguém que pense parecido, há mais harmonia e vantagens mutuas, sendo assim ninguém fica no prejuízo. TODO MUNDO FELIZ FINALMENTE!!! ;) 

      • http://twitter.com/tico20timao2 Luiz Eduardo MGC

         pode cre, falou tudo cara, só com a namorada enjoa e perde a liberdade.

    • Cristina

      Perfeito, Patrícia!!!
      Disse tudo!!!

  • ThiagoOhara

    Texto muito bom, Ale!

    Nos relacionarmos com a liberdade dos outros é realmente muito melhor do que repartir/dividir/categorizar o que temos de melhor para oferecer.

    Por sinal, seu blog também é bem interessante. Dei uma olhada outro dia, e recomendo pros próximos leitores desavisados.

  • http://www.facebook.com/wgrasel William Grasel

    Texto absurdamente foda! Parabéns!

    Nos preocupamos demais com rótulos, com o que os outros vão pensar ou como as coisas “tinham de ser”, perdemos assim completamente a naturalidade e as diversas experiencias que a vida nos proporciona nos fechando em um casulo, pois todo o resto esta errado…

    Quando é para dar um rotulo por diversas vezes eu prefiro algo lúdico, e era por isso mesmo que meu antigo status do facebook estava como “amizade-colorida”, porem algum sem graça lá da equipe deles aparentemente não tinha muito censo de humor e tiraram essa opção. Em conversa com a minha parceira nós até pensamos em colocar um simples “namorando”, mas não é possível… os nossos senhores do facebook devem acreditar que todos os relacionamentos são sem graça e a unica opção é “relacionamento sério”, pqp! Deixamos como relacionamento aberto mesmo, afinal, pelo menos entre eu e ela, não queremos nem um nem outro, mas melhor um que da abertura a duvida do que outro que faz minha cara amarrar! rs

  • http://about.me/roh Rodrigo Santos

    Você não está errada. E é disso que eu gosto.

    Mais interessante ainda é ver que as pessoas querem provar a si mesmas que podem manter um namorado(a) por mais tempo, sem que hajam discussões ou brigas. As discussões vem justamente da falta de parceiragem, visões erradas sobre o caso e desentendimentos, pois cada um quer manter essa prova intacta.

    Parabéns!

  • Natacha

    Clap, clap, clap. Saiu do binarismo monogamia x poligamia de forma genial. Porque não importa ficar defendendo um ou outro tipo de relacionamento, esse enfoque separa as pessoas e não leva ninguém a lugar nenhum.

    Quanto a mim, acho que nasci poligâmica e sempre me frustrei com “relacionamentos fechados”. Um tempinho atrás (bem pouco) resolvi me ~assumir~, ouvir a minha verdade e acabei me definindo como poliamorista. Então comecei a namorar, com a condição de que eu e ele não nos limitaríamos a  um casal “comum de dois” se tivéssemos com vontade de um terceiro ou quarto indivíduo no relacionamento (ou fora dele).

    O que eu não ia imaginar é que eu posso ser tão verdadeira com o que penso e sinto ao lado dele, e a conexão que temos é tão real e intensa em diversas áreas – arte, sexo, profissão – que isso me deixou sem vontade de tocar e ser tocada (não apenas fisicamente) por outra pessoa.

    Ou seja: rótulo realmente não significa nada. Quando eu me sentia obrigada a ter um ~relacionamento fechado~, sonhava com um aberto, em que eu pudesse me sentir inteira, sem que eu precisasse ficar me escondendo. Agora que tenho um explicitamente aberto, me sinto monogâmica. Claro que eu não sei até quando essa sensação de monogamia vai durar em mim, mas é uma experiência totalmente nova.

    Não vou me limitar. Não vou dizer que sou monogâmica. Que sou poliamorista. Eu sou o que eu tiver vontade na hora e sorte a minha que tenho alguém ao meu lado que incentiva cada pequena verdade que existe dentro de mim.

    • Breno Tiki

      Lacan tá sorrindo nesse momento

    • Armando

      Você disse tudo, Natacha. É simples assim: quando se está realmente inteiro na relação outras eventuais possibilidades passam a ser naturalmente ignoradas. Independentemente de rótulos e acordos previamente estabelecidos. 

  • Deni Galdeano

    Puxa Alê!é isso mesmo: “o comprometimento vem antes da promessa, o amor vem antes do pedido de casamento, a conexão vem antes da razão. Na ânsia de controlar, colocamos o carro na frente dos bois e definimos formatos de relações para garantir segurança”
    a raiz sempre a mesma…MEDO!
    e para saná-lo, buscamos segurança antes mesmo de que a coisa “realmente aconteça” criando com isso superficialidade e artificialidade que vão até mesmo além das relações amorosas…mas em todas as outras…

    Grato
    Deni

    • Shi

      A partir do momento em que superamos esse medo, podemos nos considerar mais homens e mulheres.
      Preparados para então, uma verdadeira parceria.

  • Arildo Dias

    Parabéns pelo texto genial Alessandra.
    Compreender e visualizar todos esses argumentos não é difícil, o problema é que invariavelmente acabamos nos esquecendo disso tudo ao longo do caminho.
    Além disso, o que eu tenho me perguntado é como estabelecer esse tipo de relação, principalmente quando a outra pessoa não tem esse olhar, não compreende a relação assim. Como criar, estabelecer essa conexão?
    O que vc acha disso Alessandra?

  • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

    Patrícia, o ponto do texto é tentar mostra uma visão mais ampliada sobre a verdadeira essência dos relacionamentos que é vivê-los, experimentá-los com tudo que contêm quando o que mais ouço é um debate sobre idéias, rótulos. De forma alguma quero dizer que os rótulos não devem ser dados mas eles fazem super sentido, quando a relação fala por si, ao contrário é querer controlar, obter segurança.

    Natasha, é isso mesmo. Esse texto nasceu enquanto eu tava numa roda de gente defendendo as relações abertas e qdo eu soltei que todas são abertas o mais curioso é o quanto as pessoas de fecharam pra defender essa abertura! hahhahaha

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002099644480 Dario Lima

    Como diria Emicida: “Pra mim só rola se o sentimento te fizer o meu porto seguro.”

  • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

    Complementando um pouco o comentário da Patrícia e respondendo ao seu Arildo, o que meu texto propõe não é um novo formato de relação mas um olhar mais ampliado sobre os relacionamentos. Não importa como o mundo se comporte, ou as pessoas não tenham esse olhar, as relações são feitas de pessoas antes de ser um “projeto”, então cabe a cada um exercitar sua própria abertura, relaxamento,  para que isso se transforme numa visão maior que permita se relacionar de forma menos burocrática, no sentido de determinar demais antes o que devemos experienciar. E se você naturalmente estiver com esse tipo de conexão, naturalmente o outro vai sentir e caminhar contigo, sem que precise de um contrato a cada passo entende? Consegui responder a sua pergunta?

    • Arildo Dias

      Sim, Alê.
      Exercitar essa abertura e relaxamento, explorando e experienciando, mas do que se preocupando em rotular ou esperar por um resultado certo no futuro, como no caso de um “projeto”, é uma postura que podemos adotar, e na qual acredito muito.
      Entretanto, nem sempre, e isso pelos mais diversoso motivos, mesmo você adotando esse tipo de postura o outro sente e caminha contigo. Acontece uma sintonia. Foi nesse sentido que eu me referi.
      Não pensei num contrato a cada passo, mas numa forma de manter os olhos abertos para ver que o outro pode realmente não querer caminhar conosco.
      Agora te respondendo (a coisa fez outro sentido pra mim, rs), pensei que a questão não é só criar a conexão, mas sim não acreditar que só essa conexão garante que o outro vai querer caminhar com a gente. Assim, mesmo que o outro não queira caminhar conosco, já vamos estar experimentando uma abertura a ponto de conseguirmos nos manter presentes para experimentar todas as relações possíveis, inclusive a não relação ;)
      Valeu!

      • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

        Isso aí Arildo, pegou o espírito da coisa ;-)

    • Eduarda Vassanezzi

      Alê 

      Nem sempre o outro que caminhar contigo mesmo não tendo um “contrato” estabelecido.

  • myla fonseca

    Texto delicioso, Alê!
    Delicioso!!

    Uma delícia d ler do início ao fim! :)

    Já tô recomendando a td mundo.

    Muito obrigada, querida.

     

  • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

    Obrigada pelos comentários  :-)

  • Anderson

    Realmente um texto ótimo e uma visão bem realista de relacionamentos, rótulos não dizem nada, se não as atitudes dentro do relacionamento não é a mesma, vivemos momentos diferentes a todo tempo e não podemos fixar “projetos de relacionamentos” acabados e definidos. 

    Parabéns pelo texto!

  • Vander Leal

    A vida não é em preto e branco… Só entende quem aprecia todos os tons de cinza.

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

      né? ;-)

  • Patricia

    um dia a gente chega lá!

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

      hoje pode ser um bom dia e ainda tá em tempo ;-)

  • rafael santos

    A maioria dos homens aqui elogiam e acham legal, desde que o relacionamento seja aberto para eles. Relacionamento aberto é extremamente dificil, precisei de muito tempo pra consgeuir levar um de boa.

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

       Oi Rafael, o ponto aqui não é levantar bandeira de relacionamentos abertos, que no final é a mesma coisa que os fechados etc. É sugerir olhar mais amplamente a abertura natural que já existe nos relacionamentos partindo do pressuposto que eles já são abertos por liberdade já de cara. Portanto se tiverem uma base bacana qualquer rótulo é possível pq não faz mais tanta diferença ;-)

    • Eduarda Vassanezzi

      Verdade!! 

      Tb acho que todos os relacionamentos são abertos mas nas vias de fato isso é mais difícil.
      Nem sempre o parceiro está na mesma sintonia, né?!

      • http://www.queropensar.com.br/ Cleyton Bruno

        Se você acha que o texto é sobre relacionamentos abertos, leia novamente ;)

      • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

        A ironia é que nas vias de fato já é assim Eduarda, o mais difícil é só achar ;-)
        Outra ironia é que pra ter uma postura aberta numa relação e acolher a abertura que já existe em todas as relações não precisamos de alguém na sintonia, apenas sintonizar, faz sentido? ;-)

      • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

        Eduarda a grande ironia é que nas vias de fato os relacionamentos são aberto mas o mais difícil é quando só achamos ;-)
        Outra ironia é que não precisamos de um parceiro na mesma sintonia para termos mais abertura como postura interna, precisamos apenas sintonizar, faz sentido?

      • Eduarda Vassanezzi

        Ficou claro sim Alê!!

        É que para a maioria é mais fácil dar nome aos bois, isso tenta passar algo mais seguro o que na verdade não é.

  • http://www.facebook.com/people/Mariana-Magalhaes-Ferreira/1081607315 Mariana Magalhaes Ferreira

    Onde eu posso assinar?

    Sério, muito obrigada por esse texto. Você conseguiu por em palavras meus pensamentos, que eu mesma nunca consegui articular. Texto maravilhoso de sair enviando pra pessoas por aí.Escreva mais vários, por favor!

  • Anônimo

    O texto está bem escrito, mas discordo dele porque ele para um pouco antes do ponto em que deveria parar: ok, não podemos ficar nos vigiando pelos rótulos que aplicamos para nossas relações, pelos planos que fazemos, pois tais coisas não determinam o valor de tais relações. 

    Enfim, é a experiência que determina o valor da relação e, de acordo com o texto, a conversa de monogamia e de poligamia não estaria no “manual” que poderia garantir a qualidade da experiência. O problema é que todo o texto acaba soando também como um manual, como um pensamento que também pretende chegar antes da experiência, mesmo que fosse o pensamento de que “a experiência é o que importa”. O texto se trai.

    As coisas começam na experiência. Nós simplesmente não temos como saber de antemão se o interessante é planejar e ser monogâmico ou se é não fazer nada disso, e esta é a graça da coisa. Pode ser que em certa situação as experiências sejam mais significativas se encaramos a relação de maneira aberta, pode ser que em outras situações ocorra o contrário. No momento em que se assume que o que pensamos sobre a relação não determina a qualidade da experiência que valoriza a mesma, não importará o que pensamos, se pensamos que monogamia é importante ou que não é. Na verdade é o contrário: teremos certas experiências que racionalizaremos dizendo que foram marcantes por causa da nossa “abertura para elas” ou, em outros casos, por causa de nossa fidelidade tradicional, em todo caso o que é difícil aceitar é que só estamos tentando entender porque somos felizes (ou infelizes) e nunca conseguimos fazê-lo, nunca conseguimos deixar de pensar que podemos estar sendo felizes (ou infelizes) por pura sorte (ou azar), precisamos encontrar alguém para exaltar (nós mesmos e nossa postura aberta) ou para culpar (frequentemente o parceiro). Mas, no fim das contas, haverão pessoas infelizes pensando exatamente a mesma coisa que nós e pessoas felizes pensando o oposto. Não entender realmente o que nos faz feliz, principalmente quando parece tão óbvio, é o que nos enlouquece.

    O valor de um relacionamento não é redutível ao que se pode pensar sobre ele da mesma forma que a sensação provocada por uma obra de arte não é redutível à interpretação que damos para ela. 

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

      O ponto é que não há manuais, anônimo. E o texto tem a proposta de gerar reflexão, mostrar outras visões com um ponto de vista um tantinho mais amplo vindo de minhas próprias experiências e de observações. Ele nasceu um dia em que estava entre pessoas defendendo as relações abertas e quando disse que todas eram abertas, gerou a maior polêmica. Ali percebi que realmente por mais que discursemos muito bem sobre tipos de relações, na real estamos nos relacionando na vida bem mais aquém do que realmente desejamos, e do meu ponto de vista, essa atitude de querer enquadrar tudo num “projeto” antes de se abrir e viver o que se aprensenta tem trazido muita infelicidade, ironicamente gera justo o contrário do que se busca.
      Então para me expressar tenho que colocar pontos, fazer comparações, talvez o texto tenha que parecer um manual pra que as pessoas entendam que ele não é também, pode ser. Talvez desse ponto de vista que você coloca meu texto não se traia, mas seja metalinguístico, sendo exemplo do que ele mesmo expressa, o que acha? Algumas pessoas estão levando o texto  muito para uma discussão de poligamia x monogamia ou uma apologia ao poliamor mas é exatamente o contrário. Minha intenção é ampliar essas discussões de formatos e irmos direto ao ponto do que constitui de verdade uma relação e isso só é possível através da experiência, e não começam na experiência, sempre será uma experiência a diferença será nossa abertura ou não abertura pra ver o que já é.

      “No momento em que se assume que o que pensamos sobre a relação não
      determina a qualidade da experiência que valoriza a mesma, não importará
      o que pensamos, se pensamos que monogamia é importante ou que não é.” – Isso, importa viver a relação e aí vc põe o rótulo que quiser, e isso não tem um antes nem um depois, tudo acontece junto mas mentalmente temos a tendência de colocar o carro na frente dos bois como exemplifiquei no texto.

      “Não entender realmente o que nos faz feliz, principalmente quando parece tão óbvio, é o que nos enlouquece.” – Vc sacou todo o ponto do texto, é essa a essência, o que te faz feliz?

      “O valor de um relacionamento não é redutível ao que se pode pensar sobre
      ele da mesma forma que a sensação provocada por uma obra de arte não é
      redutível à interpretação que damos para ela.” – Exato, excelente exemplo. A obra de arte já existe antes de ser passada pra tela. Passada pra tela ela continua sendo aquela obra de arte que estava expressa em mim internamente, mas pode ter muitas formas diferentes inclusive do que eu tinha idéia de pintar. Posso descobrir pintando que uma outra cor, por acaso, ficou mais harmoniosa, mas na experiência da pintura é que tudo será descortinado e o mais mágico é que mesmo depois de pronta ainda assim ela nunca será sempre a mesma, pois meu próprio olhar pra ela vai mudando conforme meu repertório interno muda também assim como os diversos olhares verão cada um o que quiser e puder ver.
      Mas a essência daquela obra continuará apesar disso,  e é exatamente isso que faz possível eu chamá-la de surrealista, abstrata, impressionista ou o que quer que seja ;-) O que você acha?

      E essa questão de fidelidade ou infidelidade a meu ver é mais ampla, conforme descrevi. Ser mais aberto nas relações como uma postura interna não tem nada a ver com ser fiel a algo ou alguém ou não, mas mais inteiro com você e com o outro, na medida em que há disposição pra se olhar e olhar o outro como é e como está e não apenas conforme uma expectativa de controlá-lo para garantir/conseguir algo, entende?

      Obrigada pelo comentário, gerou mais reflexão pra mim sobre minhas próprias idéias, muito bom isso.

  • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

    Gente o texto não é apologia a relações abertas mas uma reflexão sobre a abertura natural das relações e a abertura como postura numa relação ;-)

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

    Meu Deus do céu, publicar um texto aqui e depois ler o do Jader e agora esse me faz sentir um macaco tocando tambor abrindo show dos Beatles.

    “O rótulo só faz sentido quando a relação vivida o dispensa ” – pqp, tem riqueza demais nessa frase.

    E cliquem no link da citação da Miranda July, leva a um vídeo foda!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001125192600 Raphael Turquette Maciel

    Tudo isso é exatamente o que eu penso, mas não conseguia me expressar.
    Meus parabéns pelo texto!

  • http://www.facebook.com/andreicolli Andrei Colli

    demais … demais…. demais…..
    BOM DEMAIS!!!!!

  • Spy vs Spy

    Sinceramente não consigo pensar assim. Aceitar de boa que a pessoa que amo e está comigo vai dar, trepar, sair, beijar e etc com outros caras. É muito modernismo pra mim. SOu a favor não dos rótulos mas sim do respeito. Estar com uma pessoa que te trai, tem outros parceiros e etc não funciona pra mim. Então bicho, sem relacionamento. Vai dar pra quem vc quiser e n assuma compromisso.

    • Eduarda Vassanezzi

      Sim!! 
      Concordo com a autora que todos as relações são abertas mas na prática isso não acontece.

      Se a pessoa quiser trair (namorando, casado, ficando…), vai trair na sua frente e você não vai ficar sabendo.

      Porém para mulher é diferente… nós mulheres nos envolvemos. E se não há sintonia, respeito da outra parte por que manter a relação, não é mesmo?! 

      • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

        “Porém para mulher é diferente… nós mulheres nos envolvemos. E se não há sintonia, respeito da outra parte por que manter a relação, não é mesmo?! ”

        Então homem não se envolve, é isso?

        E concordo com vocês, em um relacionamento deve haver acima de qualquer coisa, parceria e respeito! Mas o que é falta de respeito pra ti, pode não ser pra mim e vice-versa. Isso é uma variável, não uma constante ;)

      • http://www.queropensar.com.br/ Cleyton Bruno

        Pelo comentário de vocês, fico com a impressão de que estão dizendo que não acreditam em relações abertas. Na minha opinião, a Alê falou de outra coisa usando relações abertas apenas para ilustrar.

        //Se a pessoa quiser trair (namorando, casado, ficando…), vai trair na sua frente e você não vai ficar //sabendo.

        //Estar com uma pessoa que te trai, tem outros parceiros e etc não funciona pra mim. Então bicho, sem //relacionamento.

        Recomendo de coração que dialoguem com este texto:

        http://papodehomem.com.br/onde-comeca-a-traicao/ 

      • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

        Gente mais uma vez o texto não faz apologia a nenhum tipo de relação específica, o título não se refere as relações abertas no sentido de poliamor, mas no sentido da natureza das relações ;-) Traição também não é abordada no sentido “comum” de extraconjugal, mas em relação a cada um consigo ;-)

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

      Spy a idéia do texto não é uma apologia a dar, trepar e sair com outros caras e sim que todos somos já livres pra fazer tudo isso se assim quisermos ou para não fazê-lo se isso não fizer sentido para nós, mas o que mais importa é como se faz e não o que se faz, faz sentido pra você?
      Na prática há várias nuances, por isso sugiro a abertura para vê-las ao invés de manter o foco apenas no preto ou no branco, sabe?

      E na real, se você for perceber todo mundo pode dar pra quem quiser, se
      relacionando ou não, a diferença é o que faz realmente sentido pra cada
      um pois não temos como amarrar o sentimento dos outros, temos apenas
      como cuidar bem dos nossos para que nossas relações sejam o mais
      positivas possíveis, não só pra
      gente mas pra quem se relaciona com a gente também. Isso pra mim é o significado mais profundo de respeito, e pra você o que é o respeito além dos rótulos?

    • http://twitter.com/tico20timao2 Luiz Eduardo MGC

       sem duvida cara, concordo com vc, pra mim isso não funciona, namorei com uma mulher que sempre falava que queria beijar outras mulheres e tal, isso não funciona pra mim, prefiro ficar solteiro e ficar com quem eu quero, ate achar alguem que fique na mesma sintonia que a minha, de namorar e ter respeito pelo outro, mas sim se divertir com amigos e tal, mas sem trair o parceiro, eu ja quis trair e não fiz nada por respeito ao que prometi antes de namorar ‘-’…

  • Fábio Farias

    Espetacular.

    É exatamente a mesma reflexão que tenho sobre o sentido dos relacionamentos. Perde-se muito tempo tentando rotular algo, ao invés de vivê-lo. É como se as pessoas precisassem de uma definição sobre aquilo que vivem. É como se, de fato, houvesse uma definição sobre aquilo que vivemos. É muito mais vantajoso viver, do que procurar rotular isso ou aquilo e se prender nessas mesquinharias.

    Os relacionamentos, muitas vezes, se pautam por relações de dominação/consumo. Como se o outro fosse um objeto sobre o qual temos uma série de direitos a revindicar. E acho que aí, nesta percepção errada, é que mora 90% das relações infelizes. Viver, sem perder tempo em rotular, e sentir na sua plenitude. Eis um desafio :) 

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

      Essa é a reflexão que proponho Fábio, o que chamo de burocratizção é isso mesmo, objetificar o outro. E no fim das contas, a gente pode rotular o que quiser também porque os rótulos têm sua função assim como os rituais, mas quando o sentido deles já está sendo vivido na prática é bem mais fascinante né? :-)

  • Cleyton Bruno

    É isso Alê!

    Não arrisco acrescentar mais nada.

    MUITO OBRIGADO!

    • http://www.facebook.com/alessandra.marcuzzi Alê Marcuzzi

      Ah arrisque sim! :-)

      Obrigada!

  • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

    São só pessoas querendo ser felizes, nada mais, não importa como ou quantas ;)

    Parabéns pelo texto, Alê

    • http://twitter.com/tico20timao2 Luiz Eduardo MGC

       agora que me toquei, eh o Vaz, iae mano =)

  • Karla

    A grande maioria que leu a expressão “relação aberta”, pensou logo em relacionamentos paralelos. Embora a própria Alessandra tenha falado em monogamia e poligamia, o texto não se resume a isso. Ela fala em ser fiel a si mesmo e ao outro dentro de uma relação (monogâmica ou poligâmica). Não necessariamente em trair no sentido carnal da coisa.
    Você pode ser monogâmico/a, estar numa relação com alguém e não ser fiel. Como? Simples: está na relação por comodismo, para não ficar sozinho, porque está com a unha encravada e quer um ombro amigo pra chorar, sabe-se lá deus porquê, mas por qualquer outro motivo que não o que deveria: querer estar com aquela pessoa. Se esse é o caso, parabéns, você é um monogâmico infiel! E nem precisou ficar com outra pessoa para isso. Apenas não está, de fato, comprometido com a pessoa que está ao seu lado. Acha isso menos feio e irresponsável do que transar com outra pessoa?
    O texto fala de relações abertas para a vida, para a experiência, para a honestidade consigo e com o outro.
    O rótulo dispensável a que ela se refere é o que antecede a experiência. A necessidade de dizer que fulano ou beltrano “é” isso ou aquilo seu, ou que lhe pertence. Pessoas não são uma coisa só e não pertencem a ninguém. Elas estão. Dizer o contrário não muda isso.
    Dizer que você namora fulano, não torna o namoro real. Ainda que vocês estejam juntos e sejam monogâmicos. Para que o namoro exista, é necessário amor, companheirismo, vontade de estar juntos. Um “quer namorar comigo?” seguido de “sim” não faz um relacionamento. A experiência, a convivência, sim. E, para isso, é preciso estar aberto. Saber que pessoas não se encaixam perfeitamente em padrões e estereótipos, que elas acertam, que elas erram, que nos surpreendem, que não as conhecemos tão bem como julgamos, que nem elas se conhecem tão bem assim.
    E se um relacionamento é feito de pessoas, óbvio, para que funcione precisa, igualmente, ser aberto. A outras pessoas, de repente? Talvez, se isso funcionar para o relacionamento, para as pessoas envolvidas, se houver honestidade, acordo.
    O que é preciso é que pessoas e relacionamentos sejam abertos para a vida e todas as suas pequenas e grandes surpresas e mudanças.

    • Shi

      Obrigado pela explicação!
      Espero que muitos desses que interpretaram a “relação aberta” como “relacionamentos paralelos”, de fato, entendam o que você deixou mais claro através de seu comentário!

      Abraços, Shi!

  • http://marciosarge.blogspot.com.br/ Marcio Sarge

     Acho que a ideia do texto é extremamente niilista, até mesmo para o niilista mais radical.

    “O que nos mantém ligados uns aos outros é a conexão estabelecida, que
    independe, inclusive, de estar ou não fisicamente com a pessoa.”

    É verdade. A conexão estabelecida vem antes das promessas, do casamento, vem antes mesmo do amor, as vezes das palavras e é ela, essa conexão que tacitamente define o que toleramos num relacionamento, até onde queremos ir com o outro. Sei de ante mão que não estou disponível para um relacionamento aberto então não teria uma conexão saudável com alguém que desejasse isso.
    Agora eu estar comprometido com alguém e ao mesmo tempo sentir desejo ou admirar outra ainda que eu não vá flertar de fato com essa pessoa não enquadra minha relação como aberta para todos os efeitos, sem mesmo se eu traísse minha parceira ela seria aberta, seria uma relação imoral mas não aberta.

    Entendo e concordo sobre a parte do relaxamento, ainda que não acredite na total ausência de controle nos relacionamentos, porque creio que é algo inerente ao ser humano, na maioria dos casos quem ama tem medo de perder. Mas seria muito melhor se vivêssemos com a rédia mais solta, respeitando a liberdade dos nossos conjugues, evitando neuras desnecessárias, fantasmas assim se materializam de fato e costumam assombra por anos.

    “Então a “fidelidade” pode ser estar na relação 100% com tudo que faz
    parte dela, independentemente de exclusividade, pois a conexão
    estabelecida tem um sentido mais amplo e profundo. A “infidelidade” é
    justamente o oposto: não é um caso extraconjugal ou não, é uma manobra
    do desejo, uma artificialidade, é oferecer seus pedaços, é mentir
    descaradamente, para você mesmo.”

    Não sei se entendi essa parte. A infidelidade em seu ponto de vista não existe a não ser como forma de enganar ou freiar nossos desejos?
    Se for assim não concordo. Nem sempre da pra sermos fieis como aquilo que desejamos, isso é vital pra vivermos em sociedade. E não digo isso contra nenhuma forma de relacionamento aberto, acredito que cada um deve viver da forma que ache melhor, mas falo no caso especifico daqueles que não tem a menor intenção de viver um relacionamento aberto e por ventura se sinta atraído sexualmente por outro, frear esse desejo não é traição, ceder a ele seria.

    • http://www.queropensar.com.br/ Cleyton Bruno

      //Agora eu estar comprometido com alguém e ao mesmo tempo sentir desejo ou admirar outra ainda que //eu não vá flertar de fato com essa pessoa não enquadra minha relação como aberta para todos os //efeitos, sem mesmo se eu traísse minha parceira ela seria aberta, seria uma relação imoral mas não //aberta.
      Penso que a Alê usou o título “Todas as relações são abertas” mais para ilustrar que o que a gente tanto teme já está aí do que para dizer que a gente tem que aceitar que a namorada fique com outros.

      //Entendo e concordo sobre a parte do relaxamento, ainda que não acredite na total ausência de controle //nos relacionamentos, porque creio que é algo inerente ao ser humano

      Como você chegou a essa conclusão?

      //A infidelidade em seu ponto de vista não existe a não ser como forma de enganar ou freiar nossos //desejos?

      Pelo que entendi, ela quis dizer que infidelidade é não estar mais 100% na relação. Aí, independe se tem ou não relações paralelas, você não está mais com a pessoa mas sustenta a relação como se estivesse.

      • http://marciosarge.blogspot.com.br/ Marcio Sarge

        “Como você chegou a essa conclusão?”

        Pela observação e experiência pessoal mesmo, nada datado e classificado em centro de pesquisas, por isso mesmo é só uma crença.
        Olhando para o lado vejo como somos controladores, o ser humano tem a tendência de querer esta no controle de todas as coisas seja no relacionamento, trabalho, amizade e por ai vai. Concorda?

        “Penso que a Alê usou o título “Todas as relações são abertas” mais para
        ilustrar que o que a gente tanto teme já está aí do que para dizer que a
        gente tem que aceitar que a namorada fique com outros.”

        Penso que ela tentou unificar todas a teorias sobre relacionamento enquadrando todas em “aberta até que se prove o contrário”. Mas o que é que agente tanto teme e está por ai? Alguns diriam que é a aceitação de que a namorada fique com outros.

         ”Pelo que entendi, ela quis dizer que infidelidade é não estar mais 100% na relação…”

        O que é estar 100% na relação?

      • http://www.queropensar.com.br/ Cleyton Bruno

        //Pela observação e experiência pessoal mesmo, nada datado e classificado em centro de pesquisas, por //isso mesmo é só uma crença. 
        Crença. Ok.
        //Olhando para o lado vejo como somos controladores, o ser humano tem a tendência de querer esta no //controle de todas as coisas seja no relacionamento, trabalho, amizade e por ai vai. Concorda?

        O ser humano não, você. Ou melhor, a posição em que você se encontra. Se é experiência pessoal, não tem como generalizar.

        //O que é estar 100% na relação?

        Imagine você numa guerra. Ficar 70% na guerra é certeza de morte. Você tem que estar 100% mente e corpo ali. Se ficar pensando na mãe, não vê o cara espreitando para te dar o tiro. É preciso estar presente, vivo, estável no presente momento. Então, para mim, ficar 100% na relação é, quando estiver com ela, realmente estar com ela.

      • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

        “Olhando para o lado vejo como somos controladores, o ser humano tem a tendência de querer esta no controle de todas as coisas seja no relacionamento, trabalho, amizade e por ai vai. Concorda?”

        Em algum nível essa tendencia realmente está presente no ser humano, mais no homem do que na mulher. Mas somos obrigados a seguir tendencias? Por mais que seja tendencia ou não, quem decide se ela vai ser seguida é você mesmo ;) Se não quiser ser controlador, você não vai ser controlador, que se foda se o papa é controlador, você não quer ser, então não será!

        Imagina só que loco se nos anos 80 todos saíssem na rua vestidos como glam-rockers? Ou então, sendo mais atual, imagina se todo mundo saísse na rua usando calças jeans coladinhas e verde-meleca? omfg…

      • http://marciosarge.blogspot.com.br/ Marcio Sarge

         Ao Cleyton Bruno

        Na verdade eu nem tanto, sou mais relaxado que controlador, bem mais.

        Relacionamentos não são guerras e mesmo em guerras deve ser dificil estar 100% atento, imagine nos relacionamentos.

      • LuizZamboni

        Bom, eu acho que ninguém fica 100% em nada, nem mesmo é saudável isso, pessoas com compromissos tem seus outros desejos sim , ninguém fica 100% do tempo pensando na namorada isso é hipocrisia, realizar esses desejos é outro ponto. Na verdado o que ocorre é que sempre há um pacto, mesmo nos relacionamentos abertos. E a fidelidade é obedecer a esse pacto.Simples assim, por isso não concordo com termos como estar 100% na relação, muito menos que isso seja parâmetro, pois isso não é “mensurável”. Atos e atitudes concretas sim.
        Não se deve confundir ser fiel aos seus sentimentos, com ser fiel a uma pessoa.Pode se ser fiel a uma pessoa sem ser fiel com os próprios sentimentos e desejos, e pode se ser fiel aos seus próprios sentimentos e desejos sem ser fiel ao outro (é o que acontece em casos extraconjugais).Mas dependendo do acordo que se vive, as pessoas podem ter casos extras, que não é traição, pois ninguém está sendo traído, no sentido mais abrangente da palavra,  enganado, passado pra trás.Por isso a autora usou o “PODE” 

      • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

        “Penso que a Alê usou o título “Todas as relações são abertas” mais para
        ilustrar que o que a gente tanto teme já está aí do que para dizer que a
        gente tem que aceitar que a namorada fique com outros.” – Sim é bem por aí mesmo. Mas não tinha pensado no temor! hahhahaha Mas faz sentido.

        E não, aberta até que prove o contrário não, aberta até que não haja nada a ser provado ;-)

        Estar 100% numa relação é vivê-la, acolher todas as nuances entre pretos e brancos, passar por cada etapa de uma maneira que você esteja inteiro com a outra pessoa, atento a você mesmo e ao outro, fazendo o que deve ser feito em respeito a tua felicidade e desejando que o outro seja feliz, mas não por controle, por liberdade. Ficou mais claro?

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Olá Marcio, o que quero dizer com “todas as relações são abertas” é que o que nos une, conecta uns aos outros é algo tão sutil que está muito além de grandes explicações e mais próximo em experiência sabe? Cada um tem em sua própria vida um exemplo disso, como estes que citei no texto. Então não vejo como niilismo (aliás gostaria de entender melhor onde vê o niilismo no texto) mas uma proposta de ampliar a forma como vemos e principalmente vivemos as relações. Não defendo nenhum tipo de relacionamento nesse texto, apenas proponho a reflexão sob o ponto de vista dos pressupostos que descrevo.

      Quanto a questão da infidelidade, ela pode ser um caso extraconjugal também, mas ela começa  nas manobras, nos pedaços que oferecemos para a manutenção as vezes de uma “fidelidade” a uma pessoa. Não quer dizer frear desejos também, mas estar 100% naquela relação com tudo que você tem, seja socialmente bacana ou não. Se você é honesto contigo, vai ser honesto com teu parceiro e essa honestidade tem um significado pra cada um, pra cada contexto. Na minha forma de olhar, a fidelidade é estar aberto, presente, 100% numa relação. Isso pode significar não se interessar por ninguém quanto ir as vias de fato com outro alguém, mas o que importa no fim das contas é bem mais a qualidade dos vínculos que seus formatos, pois na real é isso que nos move, fez sentido pra você?

      • LuizZamboni

        Há de concordar que “Todas as relações são abertas” NÃO foi um bom título a respeito do texto, pois o que se entendo por “Relação Aberta” já é uma instituição e tem outro significado , diferente do que vc quis dar. Foi muito mais para gerar cliques…rs

      • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

        hahahahaha Luiz esse título sempre foi o que imaginei e não queria abrir mão dele porque ele realmente representa o ponto do texto. Mas claro que eu sabia que iria gerar polêmica pelo duplo sentido, agora tô toda enroscada aqui tendo que explicar que não é a apologia que as pessoas tão pensando rsrsrs Mas tá valendo super a pena, não teria título melhor ;-)

      • LuizZamboni

        “Ao rotularmos uma relação, conseguimos acrescentar valores tangiveis que o nosso cérebro não obsreva tão facilmente.” (tirado de mais abaixo)

        Fato, um signo(palavra) encerra uma séria de significados já estabelecidos pela instituição, a palavra “namoro” encerra um nível de comprometimento além de vários outros aspectos associados a instituição,e quando rotulamos a relação com esse rótulo (namoro), estamos passando uma mensagem a nós mesmos , ao outro e aos outros sobre o quanto nos respeitamos e do quanto estamos dentro da relação.

        Não rotular e muito complicado e quase sempre ao se fazer assim se cria confusão, e falta de parâmetros para as partes se definirem, até de se sentirem valorizadas, veja, quando eu digo que sou namorado de uma mulher, ou quando digo que ela é minha namorada, eu estou admitindo que ela é uma pessoa muito importante para mim. Devemos levar em conta que as percepções são SUBJETIVAS, não sabemos nunca como o outro se sente realmente e devemos ter a noção que o outro também não pode ter certeza dos nossos sentimentos.
        Quando eu digo MINHA namorada NÃO quer dizer posse da pessoa , mas que tenho uma relação de namoro com ela…
        Então, chega um momento que os rótulos são necessários,  não fazer isso, abre margem para que se entenda que eu não quero compromisso, ela não é tão importante assim…se vc ama uma pessoa é bom que ela saiba disso.

        É claro que não é apenas este título que mantem as coisa no lugar, eu posso ser casado a 10 anos e num dia fazer as minhas malas e fugir para outra vida, LÓGICO, isso acontece, não somos objetos, o ser humano se move é instável (não é um trofél para por na estante), e não há o que se possa ser feito.

        Quanto ao Niilismo, pra mim o seu Niilismo foi em relação as instituições de relacionamento como , vc as dispensa. Não é tão simples e eu não preciso negar essas instituições para dar valor ao dia a dia do relacionamento e elas acrescentam coisas positivas se usadas quando devem ser usadas.

        Na minha opinião acho que vcs aqui do PDH, principalmente no “LADIES ROOM”, muitas vezes tropeçam na licença poética e complicam assuntos que são muito simples com o intuito de escrever belíssimas redações.

  • Eduarda Vassanezzi

    Muito bom texto Alê mas na prática não funciona.

    As relações realmente de modo amplo são abertas e a intenção de todos é vivê-las, experimentá-las sem rotulá-las NO INÍCIO.
    Já tive algumas relações sem rótulos mas chega uma hora que cansa. Porque não gosto de ouvir algum amigo meu dizer, que viu o fulano que fica comigo com outra mulher. 

    Eu não sou do tipo que fica com várias pessoas, pois me envolvo. E nem sempre a pessoa que está contigo está na mesma sintonia. 

    Algumas pessoas não valorizam o respeito ao próximo e eu acho, na minha humilde opinião, que a prudência em apreciar quem está ao seu lado é suficiente. 

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Eduarda o ponto não é ficar com várias pessoas e nem não usar nenhum rótulo. Tudo isso são formatos que cada um dá como quiser, o ponto é pra que e como você está se relacionando? A partir dessas respostas você vai ampliando um pouco mais o modo de ver os formatos e vai chegando ao que realmente interessa, viver a relação. Porque na prática o que não funciona bem são as tantas elocubrações que nos tomam tempo e energia ao invés de estar presente ali, naquele momento, com o que se apresenta, com o que está diante dos olhos, da pele, do coração, faz sentido pra você?

  • Marcela

    Texto simplesmente sensacional. E eu concordo em gênero, número e grau. Parabens também Natacha…. concordo com suas idéias e naturalidade em assumi-las. 

  • Rodrigo

    Bom texto. Desde que eu li aqui no pdh que “Sua namorada nunca foi ‘sua’.” comecei a rever meus conceitos de relacionamento.

  • HenriqueBarbosa

    O que eu vejo é que poligamia ou monogamia são
    pré-estabelecidos, os parceiros partem dessa matriz, no entanto ela é
    superficial. Os conceitos de relacionamento estão tão normativos que se
    pressupõe só existir essas possibilidades, o tertium non datur, o que limita experiências
    pessoais e restringe um conhecimento mais amplo do que os relacionamentos
    diversos realmente podem proporcionar. É bom ver gente que vê fora dessa caixa
    cheia de regras e convenções.
     

  • Breno Tiki

    Não se faz necessário o rótulo quando se compreensão do outro e de si

  • http://www.facebook.com/eduardogcorrea Eduardo Gonçalves Corrêa

    Este texto gerou uma ótima discussão no Facebook também. 

    Mesmo que seja possível tentar construir um relacionamento baseado em regras, as liberdades pessoais impedem isso. Entendo o termo “relacionamento aberto” usado no texto como uma forma de dizer que as partes podem e devem ser livres para amar ou desenvolver as coisas ao seu tempo. Talvez se o título fosse “Relacionamento baseado em Liberdades Individuais” seria mais claro  e menos controverso (E mais chato eheh).

    Uma coisa que ficou um pouco confusa na idéia geral é como lidar com as expectativas. 
    Todas as pessoas quando se envolvem emocionalmente acabam fazendo “micro planos”, esperar um telefonema para jantar, uma encontro no final de semana, acaba comparando hábitos, defeitos e compatibilidades. Em absoluto nunca existirá uma pessoa igual a outra e portanto sempre haverão os pontos individuais para serem absorvidos. Casais de tempos acabam adquirindo muito um do outro e isso torna-se um relacionamento, deem o nome que quiser, é um relacionamento. 
    Agora, parece que o “deixar rolar” que anda ocorrendo ultimamente mata muito disso. Mata o gostoso do início da relação que são estas expectativas, o frio na barriga, tentativas de encantamento e momentos especiais com uma dose de “sou especial para aquela pessoa e trato ela assim”. Percebo que existe  uma necessidade de multiplicar os parceiros sem a intenção real de conhecer e desenvolver absolutamente nada, manter contato pela simples satisfação pessoal. Isso não seria tornar-nos animais e remover nossa humanidade e sensibilidade?

    Existe forma de unir a liberdade para conhecer sem cobrança mas mantendo a expectativa? Percebo uma coisa gerando a outra. 

    Não deveriam existir regras, assim como não existe um parâmetro para definir promiscuidade de liberdade sexual. Mas existem os dois extremos e a tendência é impor um extremo de “tente, tente até dar certo” em vez de “da uma olhada geral, se não rolar parte pra outra”. Existe algo errado em tentar conquistar e construir alguma coisa? Percebo as pessoas cada vez mais solitárias, desistindo de criar laços. Eliminando a sensação do “especial” em um relacionamento. É como o “Desistir” se tornando o senso comum em vez da excessão. 

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Olá Eduardo, hahahaha é esse título tá dando o que falar, mas faz parte do ponto também ;-)

      Gosto muito de uma frase do Mark Epstein ” O problema não é o desejo, mas que seus desejos são muito pequenos”, acho que ela cabe bem aqui pra falar da questão que você levanta de liberdade e expectativa. Não é preciso negar expectativa, nem rótulos, regras, nem planos, nada disso. A proposta da minha reflexão é exatamente acolher tudo, esse é o aberto. Mas diante de tudo isso ter um olhar mais amplo sob o ponto de vista de uma expectativa um pouco maior, como por exemplo levar em considerção se aquele caminho vai gerar felicidade a um, a outro e aos dois, faz sentido?

      Deixar rolar pode ser estar relaxado como pode ser estar acomodado, sabe? Tudo que formos debater destas partes destrinchadas tem sempre vários lados, por isso insisto em sugerir que todo mundo que está interessado nesse debate amplie mais e mais o modo de ir vendo esses pontos.

      “Existe algo errado em tentar conquistar e construir alguma coisa?” Errado não diria, mas como disse acima que tal partir de construções mais amplas?  Esse trecho acho que tem muito a ver com as tuas duas perguntas, veja se te faz sentido também ;-)

      @font-face {
      font-family: “Times New Roman”;
      }p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0in 0in 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: “Times New Roman”; }table.MsoNormalTable { font-size: 10pt; font-family: “Times New Roman”; }div.Section1 { page: S; }”O sofrimento pode desvanecer-se no despertar, devido
      ao absurdo dos pressupostos que o sustentam. Sem reprimi-lo ou negá-lo, pode-se
      renunciar ao sofrimento do mesmo modo como uma criança renuncia a um castelo de
      areia: não reprimindo o desejo de construí-lo mas desviando-se de um esforço
      que já não desperta nenhum interesse.” Stephen Batchelor

  • http://www.paulovsk.com/ Paulo R. Ribeiro

    Show de bola, Alê. Parabéns pelo texto.
    Apareça mais por aqui ;)

    À galera da edição, nesse trecho aqui…

    >”O valor de um relacionamento é dado pelo que ela efetivamente é em experiência, sendo inútil achar que um rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa.”

    não seria “pelo que elE efetivamente é…”, se referindo a relacionamento?

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Obrigada Paulo! :-)

  • Marcos Augusto Nunes

    A coisa é simples: o que chamamos de fidelidade é uma mixórdia de equívocos baseados em legislações acerca da propriedade, pátrio poder, patrimônio e outras convenções consuetudinárias. O francês caolho já dizia que o ser humano tá condenado à liberdade; neste regime, tudo pode acontecer, principalmente a violação de todos os regimes.

  • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

    Ótimo texto.

    Independente das relações serem abertas ou fechadas. Acredito que as relações são entre pessoas. E, como foi citado, relação aberta não tem nada a ver com ser entre duas ou três pessoas.

    ***

    Não entendi muito bem a citação de Alain Botton sobre religião ali no meio.

    ***

    Em relação ao Natal, Ano Novo e outras datas comemorativas, eu acho que elas tem um poder de rótulo muito grande. Nós podemos nos reunir e nos presentear todos os dias, assim como podemos viver um carnaval o ano inteiro, então como não considerar o poder desse rótulos? É a representação de um ciclo, um lembrete daquilo que estamos fazendo de nossas vidas. Porque comemoramos aniversario de ano em ano, porque a semana tem 7 dias?

    Ao rotularmos uma relação, conseguimos acrescentar valores tangiveis que o nosso cérebro não obsreva tão facilmente. Sendo aberta ou fechada acho que ambas as partes estão no fundo buscando um relacionamento feliz, se acha que ficando com outras pessoas o fará mais feliz, vai fundo.

    Eu ainda não casei mas estou morando junto, minha relação é muito aberta, no sentido de exposição de expectativas, eu não preciso de um relação fechada para não ter vontade de me relacionar com outra mulher.

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Olá André, é bem por aí. Quanto a citação do Botton, foi para ilustrar que o que nos faz aderir a uma relação em primeiro lugar é o sentido. E isso não quer dizer que os rótulo são ruins, errados, desnecessários, muito pelo contrário, mas que a gente saiba que o que vai nos mover não são eles apenas, mas sim um sentido. Acho que é isso que buscamos na vida e que já está a disposição para vivermos, o sentido das coisas e não apenas seus conceitos. Um não anula o outro, ambos são necessários, mas é na experiência de cada um que os sentidos de Natal, Ano Novo e relações se revelam com frescor e vivacidade, faz sentido pra você?

      • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

        Faz sentido sim Alessandra, é assim mesmo que observo. Buscamos o sentido das coisas. Eu mesmo questiono, se faz sentido me casar. Praticamente não teria mudança alguma, mas ainda assim considero muito importante e quero. Tem pessoas que moram juntas e não pensam em casar, cada um deve avaliar em que bases está se sunstentando, que rótulos está mostrando ou quais pratos está equilibrando.
        ;)

      • Shi

        ”O rótulo só faz sentido quando a relação vivida
        o dispensa”, em prova viva.

  • http://www.facebook.com/este.campos Estefânia Campos

    Alê, sua linda!!

    Excelente texto!!
    É bem verdade que antes de namorar, casar… tem haver o amor, sintonia, cumplicidade na relação.

    O que compreendi e que costumo praticar, é que devemos cuidar do nosso próprio jardim para que ele sempre floresça, sem que dependa de algo pré-estabelecido.

  • Buffa

    Nos tempos de hoje, ninguém quer mais conhecer o outro em profundidade. Apenas contatos rasos, aqui e ali, ali e aqui, a pretexto de se estar vivendo a liberdade, “ditam” um novo padrão, que é aparentar não ter padrão… Como se pensar em projetos de vida a dois, fosse prisão. Como se projetar planos de vida a dois, fosse limitante. Limitante é não conseguir definir o que você vive com outra pessoa. Limitante é o prazer sem limites. Se a sua casa tem portas, o trabalho tem regras, e o jogo possui macetes, quando o paradigma de sem regras no relacionamento afetivo será superado? o limite, assim como o delimite é sinal de distinção e equilíbrio. Não delimite a relação e ela passa a ser algo comum, uma não relação, uma racionalização do que não se racionaliza.

  • BC

    Simplesmente completo! Muito orgulho de tudo isso! Parabéns Tiger, não tem o que por, nem o que tirar. (Não por agora!rs…tô bonzinho!rs…) beijos… 

  • http://fabiorocha.com.br/ Fabio Rocha

    Nossa, texto genial. Melhor que muita coisa que li sobre poliamor e amor livre (tema que me fascina).  Me inspirou um post futuro. ;) Abraço 

  • LuizZamboni

    Acabei entendendo o ponto, concordo no final,  mas preferia que tivesse sido um pouco mais direta .  Mas, aí não ia ter discussão também e os desdobramentos
    Somos homens, simplórios, gostamos de ir direto ao ponto…rsPara acrescentar sobre o assunto , acho interessante a reflexão de um filósofo chamado Jean Baudrillard faz em um de seus libros “O sistema dos objetos” é o apego que temos as coisas materiais, segundo o autor quase sempre colecionadores tem problemas de relacionamento e transferem a energia dos relacionamentos com pessoas para relacionamentos com objetos, que são coisas estáticas, “domesticadas” e previsíveis…gente é complicado mesmo, pois não temos domínio sobre o outro…É preciso saber lidar com isso…

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Obrigada pela participação Luiz, curioso citar o Baudrillard, estudei o cara na faculdade e o “A Transparência do Mal” foi um livro marcante na época, vou relê-lo :-)

  • Fabio de Abreu-e-Lima

    Fudidamente lúcido o seu texto, Alessandra!
    Fez-me lembrar de alguns excertos de poemas do Jalāl ad-Dīn Muḥammad Rūmī:
    “The minute I heard my first love story, I started looking for you, not knowing how blind that was. Lovers don’t finally meet somewhere. They are in each other all along.” “Out beyond ideas of wrongdoing and rightdoing, there is a field. I will meet you there.”

    E o último:

    “When I am with you, we stay up all night. When you’re not here, I can’t go to sleep. Praise God for those two insomnias! And the difference between them.”

    Como hoje minha esposa (que já o é há 25 anos…) está viajando, vou curtir uma de minhas insônias embalado pelas suas boas ideias. 

    ;) fabio

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Obrigada Fabio, que lindos esses trechos!!! Nossa dizem muito do que eu quis dizer mas quem vive ou já viveu sabe bem do que eu não estou falando hehehhehe ;-)

  • Lia.

    Bom se fosse verdade tudo isso, mas pra mim não passa de mais uma filosofia utópica …. Com o infinito de oportunidades para trair e com a desculpa de “curtir a vida” as coisas desandam e é difícil não colocar “amarras” num relacionamento pra que talvez dê certo….  Disposição para ser fiel sem assumir o status do relacionamento (casado/namorando) é bem menos improvável…..

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Lia, te convido a ler novamente o texto com calma e se ainda assim teu pensamento da utopia persistir, experimente algum trechinho que te fez sentido e veja se rola na vida real. Você tem razão no que diz do ponto de vista do que diz, mas te convido a ver um pouco diferente  ;-) De qq forma tudo aqui não é uma verdade, é só minha forma de ver baseada principalmente na minha experiência ;-)

  • http://www.facebook.com/people/Jéssica-Cibelly-Dos-Santos/100002655401009 Jéssica Cibelly Dos Santos

    Eu recentemente fiquei solteira, e tenho tirado um tempo refletir e amadurecer com o fim do relacionamento. Tenho pensando bastante em alguns pontos do seu texto (que é fantástico!). Eu acredito que a necessidade de rotular uma relação existe porquê culturalmente tal ato imediatamente estabelece certas regras de conduta. Se alguém e eu estabelecemos que estamos namorando, sem definir certos parâmetros ao relacionamento, instantaneamente isso significa que eu e o outro devemos renunciar a qualquer outra pessoa. Algumas pessoas sentem certa segurança nisso. Em contrapartida, quando temos a tal conversa sobre a causalidade do relacionamento (aliás, não existe nada menos casual do que ter uma conversa sobre a casualidade do relacionamento) isso naturalmente significa que nossos interesses podem se extender à outras pessoas. Pensando nisso, há alguns dias atrás me perguntei: “E o sentimento, onde fica?”. E claro, vai muito além de sentimento. Muito além dos rótulos de “monogâmica”, “aberta”, “fechada” está o desejo humano. Eu estava num relacionamento monogâmico, não traí, não fui traída, e um dia o amor fez as malas e foi embora, sem nem avisar ou dar tchau. Só agora eu estou entendendo o motivo pra isso ter acontecido, e claro, não foi da noite pro dia. Durante esse relacionamento, eu quis sim outras pessoas, e não agi. Mas não é isso que me incomoda, não agi e nem queria agir, eu queria apenas poder admitir que queria. Eu me coloquei numa situação que não era minha naturalmente, ela fez suas exigências e eu as cumpri, sem saber que eventualmente isso nos custaria o sentimento. Eu acabei percebendo que ela queria mais a minha fidelidade, e a falta de interesse em outras pessoas do que o meu amor por ela, mesmo que insconcientemente. Era como se caso eu admitisse que achava alguém gostoso ou interessante, meu amor fosse menor, e não era, até que foi. Não a culpo, era isso que era precisava de mim, e eu realmente achei que poderia dar e que não me custaria nada. Enfim, acho que tudo que quero dizer é que nos envolvemos sem nos enxergarmos e sem enxergarmos os outros, realmente enxergar, saber-se e saber o outro. Muitas vezes nos ajustamos, de boa fé, sem perceber que estamos tentando podar algo tão essencial que faz de nós o que somos. Talvez, apenas talvez, pra além dos rótulos, devamos nos olhar, nos ver, nos enxergar e realmente pensar se podemos, e investir num relacionamento limpo, fechado ou aberto, onde exista aceitação de si e do outro, para que o amor, que no fim é o mais importante, não vá embora.

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Bacana teu relato Jéssica.
      “Enfim, acho que tudo que quero dizer é que nos envolvemos sem nos
      enxergarmos e sem enxergarmos os outros, realmente enxergar, saber-se e
      saber o outro. Muitas vezes nos ajustamos, de boa fé, sem perceber que
      estamos tentando podar algo tão essencial que faz de nós o que somos.
      Talvez, apenas talvez, pra além dos rótulos, devamos nos olhar, nos ver,
      nos enxergar e realmente pensar se podemos, e investir num
      relacionamento limpo, fechado ou aberto, onde exista aceitação de si e
      do outro, para que o amor, que no fim é o mais importante, não vá
      embora”- É bem por aí, e nesse caminho a gente também descobre que as vezes o amor pode, precisa ir embora, e se está tudo certo com isso a grande pegadinha é que ele permanece ;-) (parece piegas mas experimente observar, acontece mesmo! rsrsrsrs há muitas formas de amar, de se conectar, de se relacionar além de apenas nos preocuparmos com os status: fechada, aberta, carnal, divorciado, enrolado, meu etc… a gente descobre que ama mesmo alguém quando é capaz de aceitar o que faz sentido como felicidade pra gente e pro outro. Isso não é fácil mas já aconteceu comigo, mesmo. ;-)

  • Maxx Estudio

    Para haver relação tem que relar. Relacionar uma coisa com outra, ou uma pessoa com outra é relativo. Relação que não rela é projeção, intensão, platão atônito. Platônico. Aberta ou fechada, prevalece o acordo estabelecido. Ter claro que se busca em si, no outro ou nos outros. A instabilidade do relacionamento vai sempre existir, porque somos instáveis emocionalmente e desejamos sempre aquilo que não temos. Fixar-se numa única pessoa é abrir mão do novo. Para não morrer o desejo interno, deve-se reinventar-se criando novos eus para você mesmo e para seu parceiro. Eus que se adaptem aos desejos efêmeros do seu parceito. Cabe a você também transferir o desejo externo para dentro do seu relacionamento. Ser um esperanto mutante de desejo para uma única pessoa ou optar pelo desejo fragmentado e homeopático para várias.

  • Luiz

    Ale, não sei escrever tão bem quanto vocês, mas digo o seguinte: elejam o amor de suas vidas através da intuição e da paciente espera pelo tempo se encarregar do resto. Você pode ter muitos parceiros, mas não há formulas. Há experiencias. SE alguém assim na sua vida merecer o posto de N01 , atenção!  Voce ganhou na loteria da vida! .. e deixe viver, (nada a ver sobre  deixe a vida me levar do pagodinho, odeio,!)
    Parece fácil, mas não tenho filhos para “atrapalhar” esse amor incondicional em relação ao outro. Senao meus filhos seriam minha prioridade na vida. Não minha “esposa” e amante.
    Portanto,me sinto privilegiado em amadurecer a idéia de que duas pessoas não podem viver sob o mesmo teto para se amarem e se respeitarem.
    Por quê? Porque o ser humano é muito complicado quando visto e vivido de perto!
    Só assim, no aconchego de cada casulo interpretado como private live é que se pode viver  o dia-a-dia com alguém de forma duradoura. Arrisco a dizer, “viver ” de mãos dadas pelo resto da vida. Sendo cumplices.
    Não haverá tédio para atrapalhar, cada um com os seus pobrema, segundo o sucesso no teatro. Mas ligados pelo coração e no que você pode preencher ao coração do seu ser amado.
    Acha utópico? sorry, não sou o cara pra dizer como isso aconteceu comigo, mas assim eu supero o medo da solidão , confiando na indole da cumplicidade .
    mas desculpem, sou muito ruim pra escrever, não prestem atenção. quero apenas contribuir com o auê do novo blog da minha amiga.
    Que aliás s, eu gosto muito quando sinto que a individualidade dela é preservada pela amizade, sem rodeios.
    beijos

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Ô Luiz, obrigada pela contribuição, adorei! Em primeiro lugar meu blog continua lá tá? rs Foi apenas uma participação aqui, e eu tô adorando esse auê ;-)

      Quanto ao que você compartilhou, acho essa parte de eleger pela intuição muito importante. Pq pra intuir mesmo a gente tem que estar bem conectado consigo e aberto ao mundo, e aí é impressionante como tudo flui com mais aceitação do que aparece no caminho, pq o referencial tá menos fora e mais no sentido pra cada um. Quanto aos formatos, a cumplicidade é bem positiva e ajuda em qq tipo. Eu particularmente adoro a intimidade e todas as complicações, rotinas e etc, isso numa relação de parceria é delicioso. Mas também gosto de uma solitude preservada.
      Enfim, acredito que seja positivo acolher tudo, tédio, aconchego, mãos dadas, espaços, private e comum, porque na real relacionar-se é uma oportunidade muito positiva de crescer junto, enquanto seguimos crescendo individualmente né? bjs!

  • Rodrigo

    “Fazemos esforços para evitar o que possa ser desagradável, nos preocupamos demais em acertar e muito pouco em vivenciar com nossos próprios olhos, tato, escuta, paladar e corpo, desperdiçando a parte mais saborosa das relações, que é explorá-las, desbravá-las. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações, fazendo com que fiquem apáticas, anêmicas, sem fluidez.”

    Fiquei encucado com a definição de explorar e desbravar a relação aqui. Oq seria isso na prática? sem filosofismos…
    “Precisamos entender que o outro anda pelo mesmo espaço de liberdade que temos sozinhos, e que juntos esses espaços deveriam se ampliar ainda mais e não se restringir para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda nossas pequenas expectativas de controle. ”Que pelo parágrafo… é desta forma que penso, porém… agindo desta maneira, corremos o risco, e já percebi isso, de sermos taxados como pessoas que não dão o devido valor ao relacionamento, pois a sociedade “vende” o relacionamento como prioridade absoluta em sua vida… como se o outro, tivesse que ser metade de você (fisicamente falando..hehehe), pois o comum é fechar o espaço a 2 e não ampliar como você mencionou.

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Olá Rodrigo,

      Explorar e desbravar uma relação é viver uma relação como ela é e não (apenas) como imagina que deveria ser. Para além dos filosofismos só a prática pode responder, por isso o ponto do texto é convidar a uma reflexão mais ampla e a experimentar, acredito que assim os sentidos das coisas vão se dando no decorrer do caminho… faz sentido pra você?

      A abertura é algo muito, muito sutil como também o significado de liberdade. Você tem razão, o senso comum leva mais ao fechamento a 2 , como se um encontro amoroso fosse o encontro de um porto seguro ou uma resposta. Esse foi um dos pontos de reflexão que me inspiraram a escrever sobre a abertura de que falo aqui. Acredito que independentemente do que um senso comum legitima, as relações são feitas de pessoas e se a gente começar a prestar mais atenção no nosso próprio caminho e no caminho das nossas relações podemos descobrir o que realmente nos faz felizes e nos traz sentido, e isso as vezes tange o que a “sociedade” preza e as vezes não. 

      Tudo o que formos debater por partes sobre comportamento, como por exemplo o que você disse: “agindo desta maneira, corremos o risco, e já percebi isso, de sermos
      taxados como pessoas que não dão o devido valor ao relacionamento”, vai levar a muitas ambiguidades implícitas, pois para cada um dentro de seu contexto pode significar coisas completamente diferentes. Por isso sugiro com o texto ampliarmos a partir desses pontos e trazermos para nossas próprias experiências aquilo que nos faz sentido ;-)

  • Paulo Bueno

    Eu vivo uma relação como a idealizada pelo texto e é +/- isso e é estranho as pessoas não conseguirem imaginar a que “estagios” a relação pode chegar com toda a liberdade, o companheirismo e cumplicidade acaba por aparecerem…
     
    “There’s nothing to decide. There’s just walking forward.”, Gostei dessa frase tambem, sintetiza boa parte da historia.

  • Patthylemos

    achei super interessante seria bom se todos ttivessem esse pensamento… assim sim existiria Verdadeiso AMOR””” O Verdadeiro Amor e Cumplicidade e O verdadeiro sentido da palavra FIDELIDADE se baseia em ser livre e deixar seu parceiro livre sem rotula nenhuma relaçao…… muito bom mesmo inclusive tenho uma pessoa ke vive comigo a 17 anos e temos um relacionamento super aberto deixo-o livre pois só assim sei se realmente tenho ele ao meio lado ………. patthylemos@hotmail.com

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  • asdfd

    Parabéns. Melhor texto de análise que já li sobre relacionamentos

  • Eduardo Marques

    Texto idiota e poser ‘tipicamente moderninho’. Eu sou totalmente monogâmico, já tentei, mas não consigo ter ‘fuckbuddies’, é estranho fazer isso com alguém com quem vc só tem amizade. Detesto essa coisa moderna de dizer que relacionamento monogâmico nunca dá certo, de ficar sempre colocando desconfiança na cabeça das pessoas com esses textos. Esse tipo de coisa corrói os sentimentos, deixa as pessoas amarguradas e banaliza relacionamentos, faz as pessoas parecerem descartáveis. Se a autora gosta de distribuir por aí, problema dela, não venha dizer que todos são assim.

    Enfim, só minha opinião. Pessoas ‘modernosas’ que acreditam em textos como este são como crentes, não acreditam porque têm motivos racionais, acreditam porque têm uma forte vontade de acreditar.

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Olá Eduardo,
      O texto não trata de monogamia nem poligamia, “modernices”, nem fuckbuddies, nem do que não dá certo, nem de colocar coisa na cabeça das pessoas ou de “se distribuir por aí”.
      Te convido a relê-lo de novo com calma para que possa compreender melhor seu sentido, e isso não significa tentar fazê-lo mudar de idéia, mas seria bem mais interessante que você o achasse “idiota” pelo que ele realmente trata ;-)
      Aqui nos comentários também debatemos bastante sobre as diversas interpretações, se quiser dar uma olhada recomendo. Em suma, todas essas idéias são um pouco da minha visão, apenas isso ;-)

  • http://www.facebook.com/RS.Robles Ricardo Robles

    Parabéns Alessandra, muito bom o texto.

    Patricia, as parcerias nascem das individualidades. Parceria entre duas metadas, se tudo correr bem, forma um inteiro. Parceria entre dois inteiros multiplicam as possibilidades. Dois seres humanos em busca de um único objetivo de cada vez…… bem diferente da busca desordenada de pessoas fragmentadas (metades perfeitas ou imperfeitas).

    O individualismo, perceba, não o egoismo, a auto estima, a aceitação de si mesmo formam a base para parcerias duradouras, fortes e com perspectivas. O que percebo hoje é que as parcerias são formadas por medo, insegurança, foco no externo ( o que os outros pensam, vão pensar…), pessoas fragmentas que apoiam-se nas tradições, tentando minimizar suas fraquezas, como se o outro em algum momento não precisasse de ajuda. E agora? Já estão juntos, a força que buscou para atenuar seus medos no inicio da relação, agora pede seu apoio…A outra metada, suplica atenção, coragem, a mesma força que ela doou sem saber no passado…mas nada receberá,  a “parceria” inicial foi pautada no medo, no conformismo, na metade. Mal se enxerga um inteiro.

    Discordo que as parcerias hoje são estabelecidas no individualismo, o que menos existe hoje é o individualismo. Se aceitar como metade e estabelecer vínculos por medo, por fraqueza, não é individualismo…é egoísmo, é condenar-se e pior, condenar o outro a ter que satisfazer suas próprias angústias. A pessoa que realmente vive seu individualismo, é uma pessoa que aceita seus defeitos, aceita-se como diferente e traça seus próprios caminhos…..Sabe que uma parceria com outra pessoa com a mesma proporção de individualismo, no sentido descrito aqui, multiplica suas chances de prosperar, conhecer novas formas, desenvolver-se como pessoa, experimentar a vida, sucessos e insucessos.

    A parceria hoje é escassa justamente pela falta de pessoas inteiras. Pessoas que acreditam em seus próprios sonhos e seguem a vida inteiras, buscando companhia e não apoio… As pessoas desejam o externo e perdem a oportunidade de conectarem-se consigo mesmo. Isto não é individualismo é coragem, para se enxergar como a única ferramenta capaz de lhe conduzir a felicidade – ela mesma. A parceria ajuda a locomover-se mais rápido, nos dá alguém para comemorar e chorar. De fato, quando se forma um inteiro, se adquire mais estabilidaade. O problema é que esta estabilidade um dia cobra as ausências de “individualidade”. Juntas são um inteiro, separadas, voltam a ser apenas metades. Não são raros os casais que deixam seus planos individuais de lado e ao fim da vida percebem que nenhum dos dois lados satisfezeram-se com a vida.

    O casamento formal é uma tradição, bem dita pela Alessandra, como o Natal, onde o socialmente correto costuma esconder as insuficiencias de relacionamento, ao invés de provêr soluções e liberdade para respirar,com coragem, a vida!

    Pactos em relacionamentos não funcionam. Amor é soma e não restrição. O amor de verdade não deve privar o outro da experiência, do prazer. Mas libertá-lo de forma intensa para tal….

    Não entendo alternativas de relacionamento abertos ou fechados como possibilidades negociáveis de relação. Eu os vejo como entrega, amor verdadeiro livre de posse e carregado de querer bem. Claro que é preciso segurança e auto estima para entender que o sentimento não se divide, mas momentos, a carne e tudo aquilo que de fato não nos pertence e portanto, não temos controle, faz parte da satisfação, da sede de prazer e aceitação do ser humano. Então, vamos nos concentrar em nos tornarmos inteiros, antes de partimos para “parcerias” frágeis, empurrando nossos medos para o lado de lá da cama.

    A fidelidade não é uma condição ou algo negociável. É a inexistencia de portas abertas. É a satisfação plena que só pode ser alcançada com a entrega e disposição de ambos os lados, primeiro para saber o que se quer e depois, externalizá-lo. Isto dá a oportunidade ao outro de escolher ou não agir sobre este desejo de satisfação. Devolve ao primeiro a possibilidade de escolha em aceitar ou não. Amor é proporcionar escolhas e não limitá-las. 

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Obrigada Ricardo! Muito interessante seu comentário e visão de parceria, inteireza e individualismo, obrigada pela contribuição. Um dos principais pontos do texto é mesmo essa inteireza de se caminhar num caminho próprio enquanto seguimos juntos um caminho em uma relação.

      Quanto as tradições acho muito bem vindas e válidas, principalmente quando há um sentido para quem as vive. Não acredito que as tradições e pactos não funcionem, mas que colocá-los a frente da “vida”, em minha experiência sempre atrapalharam mais do que contribuiram. Até que entendi um pouco melhor o que fazia sentido pra mim e não era negar pactos tradições, fidelidades, infidelidades, monogamia (sempre fui e aprecio muito a monogamia) ou poligamia, mas ir além disso que é se expor, viver, desbravar, percorrer, experimentar a relação a que se propõe nesse espaço amplo e aberto que inclui tantas coisas maiores que nossas expectativas e controles. Isto acontece quando incluimos o outro nos nossos desejos, e não apenas temos o outro ou os outros como uma meta dentro de um projeto ou o foco de segurança. Ou quando pensamos que liberdade é simplesmente fazer o que queremos de forma simplista. Penso que nessa perspectiva, podemos escolher qual formato nos faz sentido com mais clareza.

      O que você quis dizer com “A fidelidade não é uma condição ou algo negociável. É a inexistencia de portas abertas.”?

      Suas idéias nesse parágrafo final me lembraram uma frase de um filme: “O amor não é um sentimento, é uma habilidade” e disposição é uma habilidade muito importante pra quem quer viver uma relação como ela é, percebo cada vez mais isso também.

      • http://www.facebook.com/RS.Robles Ricardo Robles

        Oi Alessandra, legal que gostou e muito bom trocar ideias a respeito. 

        Acho que as duas frases se completam. A fidelidade não vem do acordo formal ou tácito de fidelidade, mas da habilidade em trocarmos amor, que sentimento ou não, é composto de uma série deles: como coragem, entrega, respeito, desapego, ausência de posse, querer bem – independente se ao nosso lado ou não – tudo isso pode parecer utopia. Na verdade é tão impossível quanto uma pessoa sedentária sair correndo e vencer uma são silvestre. Já pela ótica de quem treina e enxerga a são silvestre como parte de suas paixões, metas e vida, vence-la ou pelo menos completá-la, não é nada utópico ou impossível. Principalmente, porque dedicar-se a S. Silvestre tornou-se mais importante do que ouvir as opiniões negativas. É sempre uma questão de singularidade e sim, individualismo, no sentido de bastar-se, que nada tem a ver com arrogância.

        Fiquei curioso para assistir este filme……. (rs)

  • netiinho88

    Eu particularmente não gosto de comentar, mas reconheço a grandeza e relevância do que foi abordado.
    Inclusive me identifiquei bastante quando você citou Miranda July, por coincidência (?) ontem mesmo antes de ler o texto eu assisti o epsódio do Dr. House em que ele está internado e me deparei com ele tentanto (em vão) reparar as situações as quais estava envolvido, e o médico ( que acaba virando um amigo) o aconselha com a seguinte frase após um fracasso: ” O problema é que você está tentanto consertar quando deveria apenas seguir em frente, House.”

  • Danilo Chencinski

    Muito lúcido e corajoso o seu texto, Alessandra. Parabéns!

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Obrigada Danilo!

  • Danilo Chencinski

    Aliás, recomendo que procure em um sebo o livro: Alternativas de Relacionamento Afetivo, do DeRose. Ele aborda muito bem o tema. Beijinhos

  • Manual do Canalha Padrão

    Muito interessante o texto e passa um pouco do quão complexo e difícil é tudo isso nas nossas vidas.

  • http://www.facebook.com/giogigliozzi Giovanni Gigliozzi

    Texto preciso, maravilhoso, Ale. A relação precede qualquer construção. Aliás, a relação precede a nós mesmos, pois é nela que nos construímos e nascemos. Não “temos” relações; surgimos nelas. Por que insistimos em nos convencer do contrário? Por quê?

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      Obrigada querido! É isso, esse é o ponto :-) A gente tem essa mania de controle, sabe como é, aí usamos dos argumentos mais baixos e não é que nos convencemos de vez em quando? rsrsrsrs

  • http://www.facebook.com/raqueltorres Raquel

    Alessandra, apenas para dizer que acho que já li seu texto umas dez vezes. E já repassei para muita gente. Seu texto é sensacional, extremamente bem escrito e muito inovador. Merece demais ser publicado em livro, revista, sei lá. Muito obrigada por compartilhá-lo!

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      que beleza, obrigada! fico super contente que tenha contribuído pra várias reflexões, abraço!

  • http://www.facebook.com/raqueltorres Raquel

    ps: se eu gostasse de mulher, te pediria em casamento. É… Mas acho que você não aceitaria né? ahahahah! Abraço!

    • http://twitter.com/Alemarcuzzi Alessandra Marcuzzi

      hahahahahaha, raquel se eu gostasse de mulher e a nossa relação não precisasse que a gente casasse, mas é lógico que eu aceitaria!

  • http://www.facebook.com/mariwczassek Mariana Rotta Wczassek

    Fantástico super concordo!

  • Pingback: A monogamia como processo econômico-cultural | PapodeHomem

  • L.

    estamos acostumados a trocar felicidade por segurança.

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