Sonho de um Carnaval

Jader Pires

por
em às | Crônicas e contos


Ah, Chico, se o teu malandro não existe mais, imagine os nossos! Nesse carnaval seremos representados pelo ‘rebolation’. A abertura do carnaval da Bahia de Caymmi será feita, indiretamente, pela cantora americana Beyoncé.

E cadê nossas Carmens Mirandas e os nossos camarões e ensopadinhos com xuxu?

Não é saudosismo e nem reclamação à toa não senhor. Não vim para pedir o retorno das marchinhas dentro de salões calorentos, serpentina xexelenta caindo na língua e folião babão ingerindo lança-perfume a rodo. Como diria o grande carnavalesco (e filósofo alemão) Arthur Schopenhauer, “cada um com seu cada qual”, e a folia brasileira é única justamente pelo caldeirão de uma caralhada de festas em um único feriado desse mês magricela que é fevereiro.

Dos bois do norte aos inferninhos em Porto Alegre (com os festivais de rock pra quem não gosta de batucada nenhuma), eu sou mesmo é a favor do carnaval divertido, independente da diversão.

Mas o desabafo aqui é pelo resgate da alma, da essência daquele carnaval da mesma época do futebol arte, do futebol moleque, do futebol envolvente. Daquela folia toda mais intuitiva e menos ‘evento’. Sabe, colega, daquele carná do flamê e da terê!? É disso que eu tô falando!

Quero mesmo que o teu carnaval seja bem mais cerveja que marcas de. Que o calor seja infernal para que a mulherada desfile todos os quatro dias com todos os diminutivos a que se tem direito (sainhas, shortinhos, sandalhazinhas, alcinhas e piduricalhozinhos) e que todos os televisores caiam na mais temida pane nos momentos em que famigerados canais resolvam exibir infames programas de atrações bestiais em seus playbacks horrosoros. Que tudo nesse carnaval seja tão exagerado quanto essas últimas frases e que assim sempre sejam os próximos.

Ok. Eu sei que às vezes eu me saio um belo de um desmesurado. É que me caem suores de desejo de sentir um pingo sequer daquela alegria cantarolada nos bons sambas. Aquela paixão escancarada e cheia de dentes na cara do Cartola ao falar da Estação Primeira de Mangueira. O Carnaval, tão rechaçado por esse coração lá na meninice, agora virou objetivo de vida. Virou o derradeiro tijolo amarelo daquela estrada que todo mundo procura.

Ah, Chico, mas veja só. Enquanto tantos ficam procurando as emperiquitadas festanças com mais fotos que fatos, fiquemos aqui com a síntese de uma das tuas músicas: “Eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã”.


Link YouTube | “Samba e amor” (Chico Buarque)

Jader Pires

Jader Pires é editor do Papo de Homem. Publicitário por opção, jornalista por apego e escritor por maldição. Prometeu um dia que, se ganhasse na loteria, doaria cem reais para caridade (e não há cristo que o faça pensar o contrário). No Twitter, atende pela brilhante alcunha de @jaderpires.


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51 comentários

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  • Jorge

    Enfim é verdade, isso é a mesma coisa que acontece com o natal e os afins, banalização e “comercialização” de datas…
    É mais para turista ver, do que para brasileiro curtir.

  • Jorge

    Enfim é verdade, isso é a mesma coisa que acontece com o natal e os afins, banalização e “comercialização” de datas…
    É mais para turista ver, do que para brasileiro curtir.

  • Pingback: uberVU - social comments

  • http://www.kupper.com.br/ Küpper

    Excelente texto, e concordo, mesmo com suas desmensurísses (se é que a palavra existe) nesse sonho do carnaval.
    Parabéns.

  • http://www.kupper.com.br Küpper

    Excelente texto, e concordo, mesmo com suas desmensurísses (se é que a palavra existe) nesse sonho do carnaval.
    Parabéns.

  • http://www.isabellices.com/ Isabella

    Ah, demais!

  • http://www.isabellices.com Isabella

    Ah, demais!

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Jader, belíssimo texto, cara.

    Começou e finalizou bem com o mestre Chico.

    Valeu!

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Jader, belíssimo texto, cara.

    Começou e finalizou bem com o mestre Chico.

    Valeu!

  • http://www.andre.wideway.com.br/ Andre Mantovani

    Interessante, publicado no editorial da FSP hoje:
    ———
    “Carnavalescos, por favor, errem! – Por Leandro Narloch

    Caro carnavalesco , caro turista que vai desfilar neste Carnaval, eu gostaria de lhe fazer um pedido. Durante o desfile de sua escola de samba nos próximos dias, por favor, erre. Erre de propósito. Cometa bobagens imprevistas, saia do ritmo, embole a coreografia de seu grupo. Faça de tudo para que sua escola de samba ganhe notas péssimas dos jurados.

    É um pedido estranho, mas que não tem o objetivo de sabotar a festa. Pelo contrário. Para que a diversão volte a acontecer, para que ela seja de fato um Carnaval, é preciso urgentemente errar mais na avenida.

    O pedido se baseia na história. Por séculos e séculos, o Carnaval significou inversão de papéis, de julgamentos e de atitudes. Em outras palavras, significou fazer tudo ao contrário. Nas festas pagãs da Roma Antiga, que deram origem ao Carnaval cristão, escravos e seus senhores trocavam de posição: por um dia, eram os servos que mandavam. Já os europeus medievais faziam missas e procissões cômicas, desafiando a Igreja Católica, autoridade temerosa e indiscutível daquela época.

    Continue lendo:

    http://www.sigampost.com.br/profiles/blogs/carnavalescos-por-favor-errem

  • http://www.andre.wideway.com.br Andre Mantovani

    Interessante, publicado no editorial da FSP hoje:
    ———
    “Carnavalescos, por favor, errem! – Por Leandro Narloch

    Caro carnavalesco , caro turista que vai desfilar neste Carnaval, eu gostaria de lhe fazer um pedido. Durante o desfile de sua escola de samba nos próximos dias, por favor, erre. Erre de propósito. Cometa bobagens imprevistas, saia do ritmo, embole a coreografia de seu grupo. Faça de tudo para que sua escola de samba ganhe notas péssimas dos jurados.

    É um pedido estranho, mas que não tem o objetivo de sabotar a festa. Pelo contrário. Para que a diversão volte a acontecer, para que ela seja de fato um Carnaval, é preciso urgentemente errar mais na avenida.

    O pedido se baseia na história. Por séculos e séculos, o Carnaval significou inversão de papéis, de julgamentos e de atitudes. Em outras palavras, significou fazer tudo ao contrário. Nas festas pagãs da Roma Antiga, que deram origem ao Carnaval cristão, escravos e seus senhores trocavam de posição: por um dia, eram os servos que mandavam. Já os europeus medievais faziam missas e procissões cômicas, desafiando a Igreja Católica, autoridade temerosa e indiscutível daquela época.

    Continue lendo:

    http://www.sigampost.com.br/profiles/blogs/carnavalescos-por-favor-errem

  • Mariele

    Delícia de texto!

  • Mariele

    Delícia de texto!

  • WBM

    Não tenho toda essa pretensão tradicionalista do Jader. Pra mim, só de o carnaval ser visto por nós e pelos turistas como uma festa tipicamente brasileira e não como um evento sexual já estaria de bom tamanho.

  • WBM

    Não tenho toda essa pretensão tradicionalista do Jader. Pra mim, só de o carnaval ser visto por nós e pelos turistas como uma festa tipicamente brasileira e não como um evento sexual já estaria de bom tamanho.

  • Juce

    Como chato de carteirinha, odeio carnaval. Espero, mesmo, que afunde. Serve para apenas fazer barulho durante a madrugada e roubar-me o sono que muito mereço.

    Ok, valeu.

  • Juce

    Como chato de carteirinha, odeio carnaval. Espero, mesmo, que afunde. Serve para apenas fazer barulho durante a madrugada e roubar-me o sono que muito mereço.

    Ok, valeu.

  • Odirley Rioz

    Achei o texto pouco apropriado, discordo do autor pq não faltam opções de carnaval para brincar de qq jeito, como o folião quiser, com a música q lhe agrada, ou mesmo não agradando tanto ele se diverte do mesmo jeito. Em Salvador, no Rio e no Recife as pessoas estão livres para brincarem como quiserem, é q a TV só mostra o q ela acredita q lhe dará mais Ibope, mas além do q é mostrado, fotografado, gravado e dito, existem milhões de foliões brincando ao seu modo, ao seu tempo, com a sua fantasia…
    Não podemos desejar q tudo seja igual, as opções estão dadas, cada na sua e “cada qual com seu cada um”.
    Ao invés de ficarem vendo na TV o q ela quer mostrar, saiam e façam seus carnavais.

  • Odirley Rioz

    Achei o texto pouco apropriado, discordo do autor pq não faltam opções de carnaval para brincar de qq jeito, como o folião quiser, com a música q lhe agrada, ou mesmo não agradando tanto ele se diverte do mesmo jeito. Em Salvador, no Rio e no Recife as pessoas estão livres para brincarem como quiserem, é q a TV só mostra o q ela acredita q lhe dará mais Ibope, mas além do q é mostrado, fotografado, gravado e dito, existem milhões de foliões brincando ao seu modo, ao seu tempo, com a sua fantasia…
    Não podemos desejar q tudo seja igual, as opções estão dadas, cada na sua e “cada qual com seu cada um”.
    Ao invés de ficarem vendo na TV o q ela quer mostrar, saiam e façam seus carnavais.

  • http://helgacomh.blogspot.com/ Helga Maria

    Fantástico ver o vídeo do youtube do futebol-arte (ou moleque) do Brasil de 1970. Engraçado que era um bando de tiozão. Hoje qualquer 35 anos já fica todo mundo preocupado do jogador estar ficando velho.

    Não se faz mais samba como antigamente. Chico Buarque, claro, ADOURO!

    #6 – André, bom texto.

  • http://helgacomh.blogspot.com Helga Maria

    Fantástico ver o vídeo do youtube do futebol-arte (ou moleque) do Brasil de 1970. Engraçado que era um bando de tiozão. Hoje qualquer 35 anos já fica todo mundo preocupado do jogador estar ficando velho.

    Não se faz mais samba como antigamente. Chico Buarque, claro, ADOURO!

    #6 – André, bom texto.

  • Rodrigo Carlomagno

    Vendo as pessoas entrando e saindo do metrô aqui em Botafogo.

    Fantasiadas e blocos de rua por todos os lados. Traduz bem esse clima saudoso que você imprimiu no texto.

  • Rodrigo Carlomagno

    Vendo as pessoas entrando e saindo do metrô aqui em Botafogo.

    Fantasiadas e blocos de rua por todos os lados. Traduz bem esse clima saudoso que você imprimiu no texto.

  • Dr. Firmino Sabe Quase Tudo da

    CHUCHU!

  • Dr. Firmino Sabe Quase Tudo da Silva

    CHUCHU!

  • Jéssica

    Maravilhoso!

  • Jéssica

    Maravilhoso!

  • Gabriel Bolognani

    ótimo texto, muito bom

  • Gabriel Bolognani

    ótimo texto, muito bom

  • Pingback: O Me Tire Deste Ócio!!! indica links para o seu carnaval | Me Tire Deste Ócio!!!

  • http://home.myspace.com/ Eury Luna-filho

    O Melhor Carnaval do mundo … é o de Brasilia, não o importa o que digam.

    Se vc quer brincar, sai às ruas, parece que está fazendo uma visita ao Campo da Esperança.

    Vc gira, gira, gira e se depara com um desfile de carros alegóricos da PMDF em longa e lenta procissão.

    Alguém lhe enviou um aviso expresso de que em algum lugar na Asa Norte estava se formando um bloco de que vc nunca ouviu falar. Vai até lá. Deserta a entrequadra. Vc acha que se enganou de endereço e circula nas vizinhanças, tem uns carinhas fazendo jogging, mesmo. Ai vc lembra que o Galinho de Brasília iria desfilar na Asa Sul. Volta.

    Lá tem uma porrada de cones do DETRAN isolando a pista de rolamento. Vc imagina: vai rolar!!!

    Depois de longa espera, tendo pedido um acarajé da rosa que veio sem o camarão seco e sem pimenta (do jeito como vc não gosta …), “por um descuido nos suprimentos”, explica Geraldo, o garçom, e uma cervejinha Heineken 600 ml. vc pede a conta e se dá conta de uma aglomeração num canto da rua e vai até lá. Encontra meia dúzia de maluquetes, um tanto geniais, que vc já havia conhecido no ano passado: Ventoinha de Canudo, uma bandinha de pífaros em pleno Planalto Central. Um dos músicos lhe remete instantâneamente às memórias primordiais de quando vc desembarcara no cerrado. Liga-Tripa!!!! Jóia! Vc se anima e ensaia uns passinhos de frevo (e então lembra: o cardiologista recomendou perder uns 10 kg). A musiquinha empolga e, variando de repertório, tocam nas flautas de taquara ou bambu “O teu cabelo não nega”, ” Se a canoa não virar”, e vc lembra que é brasileiro e não desiste nunca e hoje é Carnaval! Aí repara que o líder do frevo de Brasília está com a camiseta de outra agremiação festeira e deduz: dissidência no Galinho! Com ele tem uns outros seis frevistas que seguram o lábaro! isto é, a sombrinha colorida e frevem, frevem, cada um empresta sua personalidade aos passos ensaiados. Quase vieram-me lágrimas aos olhos, como eu gosto de Carnaval, mesmo! e aqui em Brasília eu consigo brincar só comigo e minha alma carnavalesca.

  • http://home.myspace.com/ Eury Luna-filho

    O Melhor Carnaval do mundo … é o de Brasilia, não o importa o que digam.

    Se vc quer brincar, sai às ruas, parece que está fazendo uma visita ao Campo da Esperança.

    Vc gira, gira, gira e se depara com um desfile de carros alegóricos da PMDF em longa e lenta procissão.

    Alguém lhe enviou um aviso expresso de que em algum lugar na Asa Norte estava se formando um bloco de que vc nunca ouviu falar. Vai até lá. Deserta a entrequadra. Vc acha que se enganou de endereço e circula nas vizinhanças, tem uns carinhas fazendo jogging, mesmo. Ai vc lembra que o Galinho de Brasília iria desfilar na Asa Sul. Volta.

    Lá tem uma porrada de cones do DETRAN isolando a pista de rolamento. Vc imagina: vai rolar!!!

    Depois de longa espera, tendo pedido um acarajé da rosa que veio sem o camarão seco e sem pimenta (do jeito como vc não gosta …), “por um descuido nos suprimentos”, explica Geraldo, o garçom, e uma cervejinha Heineken 600 ml. vc pede a conta e se dá conta de uma aglomeração num canto da rua e vai até lá. Encontra meia dúzia de maluquetes, um tanto geniais, que vc já havia conhecido no ano passado: Ventoinha de Canudo, uma bandinha de pífaros em pleno Planalto Central. Um dos músicos lhe remete instantâneamente às memórias primordiais de quando vc desembarcara no cerrado. Liga-Tripa!!!! Jóia! Vc se anima e ensaia uns passinhos de frevo (e então lembra: o cardiologista recomendou perder uns 10 kg). A musiquinha empolga e, variando de repertório, tocam nas flautas de taquara ou bambu “O teu cabelo não nega”, ” Se a canoa não virar”, e vc lembra que é brasileiro e não desiste nunca e hoje é Carnaval! Aí repara que o líder do frevo de Brasília está com a camiseta de outra agremiação festeira e deduz: dissidência no Galinho! Com ele tem uns outros seis frevistas que seguram o lábaro! isto é, a sombrinha colorida e frevem, frevem, cada um empresta sua personalidade aos passos ensaiados. Quase vieram-me lágrimas aos olhos, como eu gosto de Carnaval, mesmo! e aqui em Brasília eu consigo brincar só comigo e minha alma carnavalesca.

  • Jão

    O ponto positivo do texto é justamente esse resgate às origens de tudo, isso é de mera importância. É conhecimento, não aceitar uma simples imposição daquilo que vivemos hoje, o carnaval do axé e rebolations mencionados são meras questões de época, que passa.

    Voltar ao real significado de tudo, encontrar força propulsora no conhecimento pra hoje curtir ainda mais o carna, independente do nicho que escolha, é o que fica, pelo menos pra mim. Por isso esse resgate de significados de outros carnavais e de qualquer outra coisa que tenha história é imprescindível.

    O texto poderia ter explorado isso muito mais, portanto ficou um pouco superficial pra mim. Mas a intenção é o que vale às vezes!

  • Jão

    O ponto positivo do texto é justamente esse resgate às origens de tudo, isso é de mera importância. É conhecimento, não aceitar uma simples imposição daquilo que vivemos hoje, o carnaval do axé e rebolations mencionados são meras questões de época, que passa.

    Voltar ao real significado de tudo, encontrar força propulsora no conhecimento pra hoje curtir ainda mais o carna, independente do nicho que escolha, é o que fica, pelo menos pra mim. Por isso esse resgate de significados de outros carnavais e de qualquer outra coisa que tenha história é imprescindível.

    O texto poderia ter explorado isso muito mais, portanto ficou um pouco superficial pra mim. Mas a intenção é o que vale às vezes!

  • http://inablumer.spaces.live.com/blog/ Inaiara

    O texto abaixo foi escrito há dois anos, mas só os hits musicais mudaram, e as sub-celebridades.
    As banalidades continuam.
    E a tradição, a cultura, ficam soterradas… e cada vez mais distantes.
    …………………………..
    Carnaval.
    Carnaval.
    Carnaval em todo lugar.
    Internet, TV, jornal, revista.
    Sei que é parte da nossa cultura, acho uma festa linda, magnífica, mas falo dela outra hora.
    Agora estou intoxicada. Carnaval podia ser como Copa, a cada quatro anos.
    Sabemos fazer festa como ninguém.
    Admiro isso.
    O problema é que tudo é festa.
    Só festa.
    Pior que se pararmos pra pensar, nem é a festa o destaque.
    O que todo mundo quer saber é das fofocas, dos bastidores, quem pegou quem, das bundas, novas e veteranas.
    Ok, ok, de musas maravilhosas.
    Mas é só isso…
    Mudei de canal e adivinha?
    A obcecada da mulher que fez mais de 40 plásticas.
    Inclusive uma de orientalização para desfilar na escola que homenageia a Imigração Japonesa.
    Ela não gosta de uma celulite ela vai lá e tira, e aumenta o lábio, e corta e estica e puxa.
    E é da anestesia geral que ela tem medo…
    Capa da Boa Forma no próximo mês.
    Manchete no jornal por entrar no livro dos recordes.
    Cirurgia até lá…
    É, naquele lugar mesmo, onde uma outra desvairada colocou um triângulo de 4 centímetros para “esconder”…
    Alguém me explica, esconder o quê em 4 centímetros???
    Mas olha que maravilha, outro RECORDE.
    Ela bateu o recorde de menor “tapa-sexo” do carnaval!!
    Capa da Veja na próxima semana.
    Pode até virar colunista na NOVA.
    E por falar nisso…
    Não posso deixar de comentar o HIT de 2008!
    CRÉU!
    CRÉU!
    CRÉU!

    Assim como na música, me faltam palavras.
    E enquanto isso são negociados os cargos públicos, os favores políticos são trocados, bandidos assumem cargos de poder.
    E o povo lá, cantando CRÉU!
    Esse é o tema correto para gente.
    Com tapa-sexo, sem tapa-sexo.
    CRÉU.
    E ainda tem instituição que quer proibir a distribuição de camisinhas… com tanta putaria… fica difícil, né?

  • http://inablumer.spaces.live.com/blog/ Inaiara

    O texto abaixo foi escrito há dois anos, mas só os hits musicais mudaram, e as sub-celebridades.
    As banalidades continuam.
    E a tradição, a cultura, ficam soterradas… e cada vez mais distantes.
    …………………………..
    Carnaval.
    Carnaval.
    Carnaval em todo lugar.
    Internet, TV, jornal, revista.
    Sei que é parte da nossa cultura, acho uma festa linda, magnífica, mas falo dela outra hora.
    Agora estou intoxicada. Carnaval podia ser como Copa, a cada quatro anos.
    Sabemos fazer festa como ninguém.
    Admiro isso.
    O problema é que tudo é festa.
    Só festa.
    Pior que se pararmos pra pensar, nem é a festa o destaque.
    O que todo mundo quer saber é das fofocas, dos bastidores, quem pegou quem, das bundas, novas e veteranas.
    Ok, ok, de musas maravilhosas.
    Mas é só isso…
    Mudei de canal e adivinha?
    A obcecada da mulher que fez mais de 40 plásticas.
    Inclusive uma de orientalização para desfilar na escola que homenageia a Imigração Japonesa.
    Ela não gosta de uma celulite ela vai lá e tira, e aumenta o lábio, e corta e estica e puxa.
    E é da anestesia geral que ela tem medo…
    Capa da Boa Forma no próximo mês.
    Manchete no jornal por entrar no livro dos recordes.
    Cirurgia até lá…
    É, naquele lugar mesmo, onde uma outra desvairada colocou um triângulo de 4 centímetros para “esconder”…
    Alguém me explica, esconder o quê em 4 centímetros???
    Mas olha que maravilha, outro RECORDE.
    Ela bateu o recorde de menor “tapa-sexo” do carnaval!!
    Capa da Veja na próxima semana.
    Pode até virar colunista na NOVA.
    E por falar nisso…
    Não posso deixar de comentar o HIT de 2008!
    CRÉU!
    CRÉU!
    CRÉU!

    Assim como na música, me faltam palavras.
    E enquanto isso são negociados os cargos públicos, os favores políticos são trocados, bandidos assumem cargos de poder.
    E o povo lá, cantando CRÉU!
    Esse é o tema correto para gente.
    Com tapa-sexo, sem tapa-sexo.
    CRÉU.
    E ainda tem instituição que quer proibir a distribuição de camisinhas… com tanta putaria… fica difícil, né?

  • WBM

    #17 – Eury Luna-filho – Putz, ficar aqui em BSB no carnaval é praticamente um castigo.

  • WBM

    #17 – Eury Luna-filho – Putz, ficar aqui em BSB no carnaval é praticamente um castigo.

  • André

    Aqui em Portugal o Carnaval são algumas máscaras, carros alegóricos satíricos, frio acima de tudo (este ano tem andado nos 10º), and it’s over.
    Quem me dera poder um dia vir a vivenciar o Carnaval brasileiro…

  • André

    Aqui em Portugal o Carnaval são algumas máscaras, carros alegóricos satíricos, frio acima de tudo (este ano tem andado nos 10º), and it’s over.
    Quem me dera poder um dia vir a vivenciar o Carnaval brasileiro…

  • Artur

    ótimo texto.

  • Artur

    ótimo texto.

  • Digão

    Acho que o autor precisar sair mais de casa no carnaval… Não sei onde o amigo reside, mas se estiver disposto a vir ao Rio, não faltam blocos de todos os tipos e gostos para “pular” o carnaval… Não falo somente de Banda de Ipanema (bloco preferido da galera GLS e outras letras) e Simpatia é quase amor, que arrastam multidões ou do monobloco que mistura tudo que é pop com a sua batucada e virou a moda entre a galera, digamos, mais chegada no estilo micareta. Estou falando de fanfarras tocando marchinhas, pequenos blocos improvisados mesmo ou até alguns com carro de som, bateria e samba próprio arrastando uma galera preocupada em curtir fantasiada a alegria dessa festa. Nos últimos 5 anos eu e minha esposa nos recusamos a sair do Rio no carnaval, num tem pq encarar engarrafamentos e afins se o melhor do carnaval está aqui mesmo, e de graça! Os blocos do rio estão resgatando as origens e este ano foi muito bom, não vi uma briga, uma confusão, ninguém desrespeitou minha mulher ou tentou beijá-la a força (como ocorre em micaretas e afins) não ouvi NADA de funk ou axé, somente sambas (antigos e atuais), marchinhas e maracatu (Rio-Maracatu). Os mijões foram punidos e apesar da fila e de algum mal cheiro nos banheiros químicos, deu pra se aliviar sem sujar a cidade e foi só alegria.
    Porém, como os blocos andam lotando, já tem uma galera querendo se dar bem e existem alguns blocos que estão vendendo camisetas para acesso a áreas reservadas. Acho que a galera daqui, que curte ir seguindo vários blocos não compra essa idéia fácil assim não. Foi legal ver a faixa estendida pela galera do Boi Tolo nas escadarias da Alerj que dizia “Não à baianização do carnaval carioca!” Nada contra o carnaval de salvador, ele tem os seus encantos, mas aqui é outro lugar e tem outras tradições, logo, por quê temos imitá-los? Em Recife que é lá pertinho o carnaval tem identidade própria e o seu jeito.
    Viva o carnaval genuinamente carioca!!! É ele a origem de tudo que se vê nas escolas de Samba que desfilam na TV. Por isso, muito embora se tente imitar, o carnaval do Rio é inigualável.
    Pra provar que tem bastante opção de blocos de rua na cidade, deem uma olhada na lista mapeada no google maps (destaque para os nomes dos blocos rsrsrsr):
    http://maps.google.com.br/maps/ms?f=q&source=embed&hl=pt-BR&geocode=&ie=UTF8&hq=Avenida%20Boulervad%2028%20de%20Setembro&hnear=&msa=0&msid=100971781051706942637.00047adb384bbf156d6b0&ll=-22.947587,-43.285285&spn=0.07599,0.234382

    Abs!

  • Digão

    Acho que o autor precisar sair mais de casa no carnaval… Não sei onde o amigo reside, mas se estiver disposto a vir ao Rio, não faltam blocos de todos os tipos e gostos para “pular” o carnaval… Não falo somente de Banda de Ipanema (bloco preferido da galera GLS e outras letras) e Simpatia é quase amor, que arrastam multidões ou do monobloco que mistura tudo que é pop com a sua batucada e virou a moda entre a galera, digamos, mais chegada no estilo micareta. Estou falando de fanfarras tocando marchinhas, pequenos blocos improvisados mesmo ou até alguns com carro de som, bateria e samba próprio arrastando uma galera preocupada em curtir fantasiada a alegria dessa festa. Nos últimos 5 anos eu e minha esposa nos recusamos a sair do Rio no carnaval, num tem pq encarar engarrafamentos e afins se o melhor do carnaval está aqui mesmo, e de graça! Os blocos do rio estão resgatando as origens e este ano foi muito bom, não vi uma briga, uma confusão, ninguém desrespeitou minha mulher ou tentou beijá-la a força (como ocorre em micaretas e afins) não ouvi NADA de funk ou axé, somente sambas (antigos e atuais), marchinhas e maracatu (Rio-Maracatu). Os mijões foram punidos e apesar da fila e de algum mal cheiro nos banheiros químicos, deu pra se aliviar sem sujar a cidade e foi só alegria.
    Porém, como os blocos andam lotando, já tem uma galera querendo se dar bem e existem alguns blocos que estão vendendo camisetas para acesso a áreas reservadas. Acho que a galera daqui, que curte ir seguindo vários blocos não compra essa idéia fácil assim não. Foi legal ver a faixa estendida pela galera do Boi Tolo nas escadarias da Alerj que dizia “Não à baianização do carnaval carioca!” Nada contra o carnaval de salvador, ele tem os seus encantos, mas aqui é outro lugar e tem outras tradições, logo, por quê temos imitá-los? Em Recife que é lá pertinho o carnaval tem identidade própria e o seu jeito.
    Viva o carnaval genuinamente carioca!!! É ele a origem de tudo que se vê nas escolas de Samba que desfilam na TV. Por isso, muito embora se tente imitar, o carnaval do Rio é inigualável.
    Pra provar que tem bastante opção de blocos de rua na cidade, deem uma olhada na lista mapeada no google maps (destaque para os nomes dos blocos rsrsrsr):
    http://maps.google.com.br/maps/ms?f=q&source=embed&hl=pt-BR&geocode=&ie=UTF8&hq=Avenida%20Boulervad%2028%20de%20Setembro&hnear=&msa=0&msid=100971781051706942637.00047adb384bbf156d6b0&ll=-22.947587,-43.285285&spn=0.07599,0.234382

    Abs!

  • Jader

    Galera, obigado por todos os comentários!
    Não vou especificar, porque é muita gente, mas creio que alguns não pegaram o espirito.

    Eu não disse que o carnaval bom morreu. Eu termino meu texto justamente dizendo que o carnaval bom é meu objetivo de vida.
    Nem quero viver de passado (também abro o texto dizendo que não estou pedindo a volta das marchinhas – e não que elas sejam ruins, eu as adoro).

    A crônica acima serve apenas como um pedido. Como se fosse uma prece para que o carnaval que passou fosse mais um otimo carnaval, sem as influencias que citei (do rebolation, das festas apertadas das marcas de cerveja, onde o ‘evento’ e as fotos são mais importantes que a folia em si.

    Não quero impor um forma de carnaval (como eu tbem citei, acho valida qualquer diversão genuína), apenas refleti sobre a delicia de se esperar um carnaval bom, carnaval gostoso, um carnaval digno d se lembrar.

    O meu foi assim.
    Espero que o de vocês também.

    Abraço!!!

  • Jader

    Galera, obigado por todos os comentários!
    Não vou especificar, porque é muita gente, mas creio que alguns não pegaram o espirito.

    Eu não disse que o carnaval bom morreu. Eu termino meu texto justamente dizendo que o carnaval bom é meu objetivo de vida.
    Nem quero viver de passado (também abro o texto dizendo que não estou pedindo a volta das marchinhas – e não que elas sejam ruins, eu as adoro).

    A crônica acima serve apenas como um pedido. Como se fosse uma prece para que o carnaval que passou fosse mais um otimo carnaval, sem as influencias que citei (do rebolation, das festas apertadas das marcas de cerveja, onde o ‘evento’ e as fotos são mais importantes que a folia em si.

    Não quero impor um forma de carnaval (como eu tbem citei, acho valida qualquer diversão genuína), apenas refleti sobre a delicia de se esperar um carnaval bom, carnaval gostoso, um carnaval digno d se lembrar.

    O meu foi assim.
    Espero que o de vocês também.

    Abraço!!!

  • Clon

    Ola,gostei do #17 sobre brasilia. Pior que é assim mesmo…Já morei lá e não tem nada pra se divertir, soh perde pro carnava daki do Japao que eh em julho junto com o matsuri(festival com carros alegoricos) e não tem muita graça! O texto do Andre foi muito saudoso mesmo, lembrei da minha vó cantando as marchinhas daquele tempo… Parabens!!

  • Clon

    Ola,gostei do #17 sobre brasilia. Pior que é assim mesmo…Já morei lá e não tem nada pra se divertir, soh perde pro carnava daki do Japao que eh em julho junto com o matsuri(festival com carros alegoricos) e não tem muita graça! O texto do Andre foi muito saudoso mesmo, lembrei da minha vó cantando as marchinhas daquele tempo… Parabens!!

  • Clon

    Desculpa pela falha…texto do Jader!!!Eu tenho a impressao que tudo que passou era mais gostoso!!!carnaval,futebol,familia,etc…hj eh mais isolado,solo.na minha epoca era pai,mae,os 3irmaos e a ford belinaII,picavamos papel pra confeti e serpentina,os 3 de camisa do havaii,minha mae fazia os colares, era tudo muito divertido..nw sei se vou conseguir passar essa uniao pros meus filhos…adoro esse post..leio tudo e todos!!!ja rodei tudo ak no jp e nw tem nenhuma loja vendendo o livro…minha mae tbm passa por aki,ela adora o Dr love..me prometeu mandar o livro!!!abracos pro6!!!

  • Clon

    Desculpa pela falha…texto do Jader!!!Eu tenho a impressao que tudo que passou era mais gostoso!!!carnaval,futebol,familia,etc…hj eh mais isolado,solo.na minha epoca era pai,mae,os 3irmaos e a ford belinaII,picavamos papel pra confeti e serpentina,os 3 de camisa do havaii,minha mae fazia os colares, era tudo muito divertido..nw sei se vou conseguir passar essa uniao pros meus filhos…adoro esse post..leio tudo e todos!!!ja rodei tudo ak no jp e nw tem nenhuma loja vendendo o livro…minha mae tbm passa por aki,ela adora o Dr love..me prometeu mandar o livro!!!abracos pro6!!!

  • LucindaMateus

    só pelo chico já tinha me conquistado…. mas o texto é sensacional.;.. adorei… estou apaixonada pelas tuas palavras kaka… bjoss

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