Slavoj Žižek: Velhacaria Hipster | WTF #9

Eduardo Pinheiro

por
em às | Artigos e ensaios, WTF


Notinha do editor: Segundo a Wikipedia, Slavoj Žižek (esloveno AFI[ˈslavoj ˈʒiʒɛk]Liubliana21 de Março de 1949) é um filósofo e teórico crítico esloveno. É professor da European Graduate School e pesquisador sénior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. É também professor visitante em várias universidades estadunidenses, entre as quais estão a Universidade de ColumbiaPrinceton, a New School for Social Research, de Nova Iorque, e a Universidade de Michigan.

Žižek é esse cara tranquilão aqui

Vamos começar repetindo o ad hominem do título: Slavoj não é muito mais do que um entertainer. Como filósofo, não passa de um aldrabão.

Porém a confluência de fatores que o levaram a fama envolvem não só seu carisma e prestidigitação emocional de plateias, mas uma permissividade generalizada no campo geral do que preferimos chamar “ciências humanas”, e que o escândalo Sokal bem revelou.

Lacan disse que seus “escritos” não deveriam ser entendidos racionalmente, mas sim lidos como se para produzir um efeito de iluminação semelhante a textos místicos. A estratégia obscurantista é, portanto, a da constante epifania através de apofenia e constante apresentação de dissonâncias cognitivas tentando produzir um simulacro de experiência religiosa.

O vazio existencial e expectativa espiritual do ouvinte são assim preenchidos de tagarelice infindável e circular sobre uma terminologia crepuscular (um duplofalar que muitas vezes busca significar exatamente o oposto do que explicitamente significa) e referências íntimas e próximas ao ouvinte: no passado o jargão da psicanálise ou da própria filosofia, a partir dos anos 90, da cultura pop.

O efeito é uma mistura de piada interna com nonsense ou falta de base epistemológica que, a princípio, parece liberador. O obscurantismo é essencialmente uma falsificação do que seria profundo – e isso explica tanto seu fascínio quanto sua tragédia.

O espírito divino e o malte dos deuses/a boca da sarjeta e a violência doméstica

O abuso da linguagem por Žižek e seus comparsas é como um “se-por-uísque”  (onde você não deixa claro se está defendendo ou atacando uma tese) somado a linguagem carregada e que poderíamos apropriadamente chamar de sensacionalismo filosófico.

A isso podemos adicionar aquela adorável mania pós-moderna, abusada por Camile Paglia em Personas Sexuais e David Foster Wallace em muitos de seus escritos (e que talvez tenha começado com Roland Barthes), e que felizmente foi tão usada que já está saindo de moda, já que afinal os anos 90 acabaram faz tempo, de apresentar cultura erudita no meio da mais rasa cultura pop, com um efeitinho geek supostamente divetido. É o 9gag em meio ao Jstor.

Não.

Os defensores­ de Žižek dizem que ele, como o profeta Lacan, não tem uma tese ou filosofia, mas quase que apenas um modo de ser e pensar em voz alta e em público. Isso justifica um pouco mais o ad hominem, não é mesmo? Criticar as ideias de Žižek é fazer o que ele mesmo sempre faz com elas: as deixa tão “livres” de qualquer lastro que o horror da violência étnica se torna o sagrado, e vice-versa – se choca, tá valendo.

Žižek brinca, numa palestra que ouvi, de comissário de um regime totalitário:

“Aquelas duas pessoas que saíram no meio da palestra, anote o nome delas, depois vamos interrogá-las, etc.”

E o maior regozijo que encontra é exatamente na quase sádica incerteza epistêmica que representa: ah, que irônico, mas será que … não, ele está brincando, mas brincando de brincar de estar brincando, no fundo, é só, como se diz em inglês smoke and mirrors – não tem nada ali senão o efeito de “cócega mental” que ele produz na plateia imatura.

Isso me dá um tique-tique nervoso

A maior parte das pessoas envolvidas com filosofia que conheci tem o que na medicina tibetana se costuma chamar “distúrbio de lung”, “ventos” internos desregulados. Aqui, uma questão de ovo e galinha: será que as pessoas se fascinam pela masturbação conceitual porque tem distúrbio de lung ou vice-versa? Na verdade as duas coisas se complementam e se reforçam.

Quando estudei filosofia um dos professores tinha moscas volantes que frequentemente confundia com moscas reais: então ele começava a dar aula e logo se encontrava espantando moscas com as mãos – daí lembrava, em voz alta:

“Ah, é mesmo, eu tenho essas moscas volantes no olho, sempre esqueço delas”

Isso numa aula de epistemologia te leva a pensar se ele não está fazendo um teatrinho para ilustrar um ponto: mas após acontecer uma dezena de vezes, você começa a ver que é simplesmente lung desordenado mesmo. Reagia automaticamente aos pontos, e levava alguns segundos para lembrar-se da própria condição médica! Žižek não fica um instante sem coçar o nariz, ou a orelha, ou limpar o suor da testa, ou ajustar a camisa: põe tique nervoso nisso.


Link YouTube | 2 minutos. Infinitos tiques e toques e tuques

Não sei que medicamentos ele toma, mas com aquelas olheiras profundas e esses tiques, ele devia repensar sua atividade filosófica. Não está fazendo bem para ele.

Menciono a medicina tibetana e a conexão entre a aparência física e maneirismos dele com sua “atividade filosófica” porque ele abriu a porta para isso, ao se meter com o budismo. De fato, eu o ignoraria completamente se eu mesmo não tivesse essa conexão e vez que outra me vendo tendo que lidar com pessoas que me perguntam “ei, e a crítica do Slavoj Žižek ao budismo, hein? Como vocês respondem?”.

Da mesma forma, não sou especialista em Lacan ou outros obscurantistas, porque – a maior parte da filosofia é assim, mas em particular isso é verdade com os mais obscurantistas, isto é, aqueles que não fazem nenhum esforço de falar claramente e ter teses claras, etc. – é como areia movediça: quando mais você se mexe ali dentro, mais impossível escapar.

Não existe propriamente um critério que possa ser usado para avaliar a… dá para usar várias palavras: validade, utilidade, coerência, aplicabilidade, funcionalidade, praticalidade, mas enfim “pra quê essa merda” é a ideia, por trás de toda a pataquada.

Aliás, toda essa alucinação verbal parece servir exatamente para evitar que a pessoa avalie tudo isso, e cada vez mais se volte ao discurso, ao texto, como um fim em si só. Daí inclusive ser tão comum chamar esse tipo de coisa de “masturbação”.

O Charlie Sheen da filosofia

O que é preciso que se diga é que, na civilização budista (não vou usar religião, filosofia ou ciência para me referir a esse fenômeno cultural), uma expressão pessoal como a de Žižek não seria respeitada. Você simplesmente não iria querer contratar um mendigo para fazer consultoria para sua vida financeira, não é mesmo? Então você, da mesma forma, não ouviria um balão de vento convulsivo sobre viver bem ou entender o mundo, que é o que se considera válido como expressão verbal no millieu budista.

Mesmo um charlatão, no escopo budista, consegue se portar elegantemente e suavemente – convincentemente nesse âmbito – não há lugar para um Charlie Sheen em pleno surto. Aliás, esse é um exemplo bom: porque há um fascínio na figura trágica de Sheen no seu momento mais público, e da mesma forma surge o fascínio pelo surto žižequiano. Há nos dois o fascínio pelo over the top, e pelo velho safado, bem como da decadência pela decadência.

É mais ou menos isso. Nada. É exatamente assim

Ademais, especificamente, entendo um pouco de budismo, e assim posso avaliar bastante precisamente o charlatanismo de Žižek com relação ao assunto. Muitas vezes, ao expressar uma ou outra ideia sobre a tradição, já começa se defendendo “eu ouvi isso de gente que sabe, gente que debateu comigo”.

Não tenho ideia de quão errado ele possa estar sobre seu mestre Lacan, ou sobre o marxismo ou sobre Gangnam Style, o filme “Projeto X – Uma Festa Fora de Controle” ou Justin Bieber — alguns de seus assuntos possíveis, e que já ocorreram em suas palestras, sempre precedidos por uma desculpa ao estilo “não estou só fazendo troça, não é o intelectual francês que vem aqui ridicularizar a cultura jeca norte-americana… não se trata disso” — mas, novamente, é e não é, simultaneamente e como melhor cair ao ouvido de quem ouve… “se por uísque…” Quanto a esses assuntos, não sei.

Porém tenho boa clareza sobre alguns erros específicos dele sobre o budismo, e mais do que isso, sobre uma ingenuidade geral com relação a vastidão e complexidade da tradição budista.

Budismo não é o que você pensa

O budismo é vasto (em quantidade de textos, tempo de existência e adaptação a culturas) e complexo, mas Žižek, pela falta de clareza, adiciona pelo menos uma outra dimensão de complexidade. Algumas das coisas que Žižek reprimenda no budismo (ou às vezes, sempre é bom reiterar, elogia com certa ironia sem determinação epistêmica: é uma ironia de um elogio que se torna um elogio maior porque é irônico ou trata-se efetivamente de um uso de sarcasmo, etc, ad infinitum: cócegas na plateia hipster) são, a bem da verdade,

1. Versões de entendimentos acadêmicos do budismo, com variáveis níveis de pertinência;

2. Versões populares de entendimentos do budismo, que o demonstram parcialmente em sua aplicação atual;

3. uma série de desentendimentos sobre o budismo, que são também comuns numa plateia de curiosos sobre o tema. Claro que as três coisas não são nem mesmo distinguidas, ele pode começar a frase com uma, e terminar com outra: e do que o budismo propriamente ensina, Žižek cala completamente em todos os casos.

Simplificar o mal, dessa maneira, só pode ser parte de uma comédia quase sem graça

Típico de Žižek: “o budismo antigo até tem seu valor, mas o mahayana… o mahayana é do mal”. Agora, lembre, caro leitor, que quando Žižek diz que algo é do mal, isso simultaneamente é um elogio e uma crítica, e ele se deleita em especificamente não deixar isso claro. Mas porque o budismo mahayana seria “do mal”? Por causa do ideal do bodisatva, alguém que abandona o ideal do nirvana para trabalhar pelo bem dos seres que não atingiram esse resultado.

E como Žižek interpreta isso? No viés psicanalítico dele, ele vê isso como uma espécie de “postergação” da recompensa, em detrimento de um idealismo romântico.

Porém o buraco do mahayana é bem mais embaixo, sr. Žižek.

Assim como o seu “do mal” pode ser uma glória do terror sagrado, nirvana não é um termo unívoco na tradição budista. Algumas escolas vão dizer que o nirvana é um objetivo de escolas inferiores, outras vão dizer que samsara (o sofrimento cíclico infindável a que os seres normalmente estão presos) e nirvana não são essencialmente diferentes. O nirvana que Žižek consegue entender, é fácil logo ver, é como uma heroína conceitual: é da mesma natureza das epifanias que gosta de criar e absorver, apenas talvez um pouco maior (ele se questiona se já não atingiu o nirvana, em determinado ponto de uma palestra).

Essa é uma visão popular comum do nirvana. Não há, por exemplo, um cuidado para examinar todas as miríades de coisas que as pessoas costumam confundir com nirvana e são descritas nos textos budistas. A explicação do nirvana é, comumente, uma via negativa, isto é, o que mais se faz é explicar o que ele não é. E ele não é um tipo de esclarecimento intelectual ou orgasmo diluído, como muitas vezes somos levados a pensar, até pelo uso corriqueiro do termo.

Querer sofrer é parte da definição de sofrimento

Mas quando Žižek fala do sofrimento, é aí que ele pisa mais feio na bola. Para os psicanalistas, em geral, há duas coisas muito problemáticas com o budismo: primeiro é o fato de que o Buda afirma a possibilidade de total libertação do sofrimento e da neurose. Mas tudo bem, digamos que essa seja uma visão de fé, uma perspectiva religiosa do budismo, essa crença no potencial máximo do ser humano ser a liberdade perante todas as formas de hábito aprisionante.

A segunda complicação que a psicanálise vê com o budismo é essa demonização do sofrimento: ora, Žižek afirma:

Tem gente que gosta de sofrer”

Créditos: http://www.malvados.com.br/

E mais que isso, volta e meia surge um psicanalista dizendo “sem o sofrimento, como o artista x teria criado a obra y? Numa cultura budista, não teríamos a arte z!”. Porém, o que toda essa gente equivoca é o uso peculiar do termo sofrimento no budismo. Devido a traduções antigas e ao hábito formado pelo uso dessas traduções, muitas vezes segue-se usando “sofrimento” para falar de duhkha, porém em geral qualquer palestra introdutória de budismo vai começar explicando que sofrimento não é bem apenas dor, mágoa, angústia.

E não é, também, apenas o fato de que nada realmente nos conforta, embora isso também seja verdade. Duhkha é, antes de tudo, o fato de que nossas expectativas e perspectivas, nossa visão do mundo e das coisas, nos trai vez após vez. Existe dor, angústia e falta de conforto nisso, insatisfatoriedade: mas o ponto é que, se você não reconhece, não muda nada. Nossa própria aparente satisfação, ou nosso masoquismo, ou nossa justificação de que o sofrimento é bom e nos é útil, são todas parte de duhkha.

Assim, quando Žižek diz que nem todo mundo quer deixar de sofrer, ele precisa reconhecer que, sim, há masoquistas no mundo, o budismo os reconhece. Mas… como dizia Nelson Rodrigues, sádico mesmo é aquele que não bate no masoquista. Não querer deixar de sofrer é um sofrimento muito comum bem reconhecido pelo budismo. É só uma ignorância um pouco maior.

Ademais, a primeira reflexão que se faz no budismo é sobre o sofrimento, o que é samsara, e assim por diante: porque nossa tendência usual é não reconhecê-lo e continuar indo atrás dele! Se não fosse assim, toda a parafernália inicial do budismo, nos recomendando refletir sobre isso e chegar a uma conclusão vivencial sobre isso seria redundante.

Quando o Dalai Lama fala que todos os seres querem deixar de sofrer e encontrar a felicidade — de onde vem a acusação de Žižek de que não seria bem assim — ele não repara que Sua Santidade está sendo, na perspectiva budista, bastante contraintuitivo!

Essa afirmação é bastante incomum no budismo. Com essa afirmação o Dalai Lama está dizendo três coisas: que os seres são basicamente iguais, ou iguais no que diz respeito a isso; que os seres sofrem, são insatisfeitos, tem problemas; e que no fundo, muito no fundo, essa ânsia é espiritual. Mas ele diz isso de uma forma extremamente neutra: ninguém vai negar que busca um copo d’água quando está com sede (mesmo um asceta tem e busca certas felicidades).

E, como disse logo acima, se trata-se de um masoquista, é exatamente no sofrimento físico que ele busca felicidade, nada de tão estranho nisso.

Autores irrelevantes

A seguir, o senhor Žižek cita D. T. Suzuki, no seu argumento clássico militarista, em que as pessoas treinadas no budismo matam muito melhor. O meditador não vê um assassinato: vê uma lâmina afiada passando por um pescoço macio, é uma visão meramente estética, uma “vacuidade” desse tipo.

Duas coisas aqui: sim, é verdade que, particularmente no Japão, o budismo e os métodos budistas foram abusados para a guerra e para a matança. A meditação é um método anterior ao budismo, a pessoa pode meditar para jogar videogames melhor, se ela não tem a motivação correta: e ela vai fazer tudo melhor se meditar, inclusive atirar para matar com muito mais precisão e sangue de barata.

Mas isso não é o que o budismo ensina, isso é uma distorção do budismo, e um método que o budismo usa para um fim sendo usado para outros fins. A segunda coisa é que D. T. Suzuki é datado e ninguém no budismo o respeita! Porque ele está lendo D. T. Suzuki sobre budismo?

A vacuidade e o capitalismo bombado de esteróides

Ainda assim, a crítica de Žižek, neste caso, é boa. É boa porque apresenta uma verdade histórica sobre o budismo (o militarismo budista, a ética e estética do samurai como incluída no millieu budista, etc.) e uma reflexão sobre o que significa “vacuidade”.

Ele menciona que nesses tempos de algoritmos controlando a bolsa de valores, onde tudo é tão virtual, o budismo é de fato a ontologia (a não-ontologia, ele diria melhor) que melhor funciona na mente do corretor da bolsa e homem de negócios que tem que lidar com essa volatilidade toda. Isso surge como uma crítica marxista, mas vem junto com um elogio, como sempre. A menção de Steve Jobs (cuja ligação com o budismo e a filosofia oriental são nada mais que uma breve curiosidade) é relevante para o viés que a população tem do budismo.

A crítica original de Žižek é que o budismo substituiu o socialismo como foco de engajamento para a baixa intelectualidade ou a alta classe-média: e de fato, enquanto religião, o marxismo é, aparentemente, inferior ao budismo. Ainda assim, o Dalai Lama, exilado por maoístas e defensor de um povo estuprado (culturalmente, economicamente, fisicamente) pelo confúcio-marxismo chinês, se diz, ele mesmo, socialista!

A competitividade é um dos 5 principais venenos ou aflições da mente para o budismo, pode haver miríades de benesses no capitalismo, mas o budismo nunca vai poder coadunar com o cerne conservador da exploração e da competitividade desmedidas, muito menos com o centramento absoluto na eficiência (da sociedade, dos mercados, etc).

Agora, dizer que o budismo não coaduna não quer dizer que o budismo não penetre em todos os âmbitos, em particular aqueles em que há grande potencial de transformação. O praticante budista é o tempo todo confrontado com a ideia de que os grandes bodisatvas (exatamente aqueles que Žižek considera totalmente errados) penetrem em âmbitos degradados para ajudar os seres naquelas condições. Assim, pode haver “agendes secretos” em todos os níveis: cripto-animais (animais que são na verdade bodisatvas), cripto-prostitutas, cripto-corretores-da-bolsa.

Acho até que Žižek ia achar ironia nisso também, mas o fato é que, entre uma ação as poucas ações viáveis e uma ação perfeita, o praticante budista segue o que se chama “meios hábeis”: uma coisa meio McGyver, onde o chiclete e a bomba a ser desarmada são um ou dois venenos na sua mente, ou um leve benefício para alguém, e a sua mesa de trabalho, onde quer que ela fique.

Há engajamento político e revolucionário nisso na medida em que uma miríade de ações desse tipo em rede produz mudanças efetivas nos muitos mundos em que os seres operam.

Pontinha do iceberg

Muito mais budismo do que julga a nossa vã filosofia

Há também o que Žižek, e o ocidente, desconhece sobre o budismo – e que é vasto. Temos menos de 5% das obras budistas traduzidas para línguas ocidentais: isso é muito generoso, alguns eruditos falam em menos de 1%. Entre algumas coisas que eu, que não leio em nenhuma língua asiática, percebo que Žižek perdeu completamente, é, por exemplo, algo como a tradição indiana dos mahasiddhas – cujos poderes mágicos não são o ponto mais interessante.

Žižek poderia ter visto um grande pluralismo nas diferentes apresentações sociais desses mestres budistas: um era gay, outro um rei, outro um monge, outro um pescador, etc. Até mesmo um filósofo de olheiras e tiques nervosos como Žižek poderia se identificar com algum deles. Porém, creio que pluralismo é uma noção que Žižek não particularmente defende: não dá ibope ou cócegas pós-modernas.

Também a questão da política e do budismo, bem como da linguagem e budismo, totalmente escapam a ele: consigo conceber inúmeros exemplos ótimos que ele poderia distorcer totalmente e fazer um discurso ainda mais cheio de entretenimento descuidado, mas que, felizmente, porque ele não fez o tema de casa, ele desconhece. O que ele pega para criticar são vacuidade e sofrimento muito mal compreendidos.

“O problema do mal” é incompatível com o “sistema operacional” budista

Curiosamente, ele fala muito do mal, que não é uma questão budista que se apresente: trata-se de uma neurose judaico-cristã: nunca vi budista tocando no assunto, senão para dizer que alguém que se comporte mal e prejudique os outros vai inevitavelmente e infelizmente sofrer também, e que faz isso como alguém que toma veneno sem olhar o rótulo.

O que nós chamamos de mal, coisas como o holocausto e outras tantas que não gostamos de trivializar, no fundo são apenas superestruturas coletivas construídas com base nas mesmas ignorâncias pessoais que nos levam as pequenas corrupções cotidianas de roubar material de escritório ou fazer um comentário irritado que magoa alguém.

Tente explicar a noção do mal para um professor budista pouco familiar com o ocidente. Verifique quantos dias você vai levar nessa empreitada: uma coisa que existe no mundo, na realidade, e externa a pessoa, e que pode até mesmo se tornar um bode-espiatório ou desculpa para as maiores atrocidades? Ou uma característica intrínseca da mente humana a que todos estamos sujeitos inevitavelmente?

“Heh… não entendi não. Me explica de novo”

Você vai passar dias tentando explicar essa noção, e, se você tiver muito conhecimento do assunto e muita paciência, é possível que os professores budistas tenham uma melhor ideia do grau de confusão filosófica da mente ocidental.

Uau, como ninguém tinha pensado nisso? Criticar o budismo, claro!

Žižek critica o budismo porque também isso, por si só, é inusitado. As relações públicas do budismo são excelentes: as únicas críticas que surgem são eventualmente estéticas (é meio massificado, é brega) ou com alguma ocorrência pontual (monges que caem na porrada uns com os outros).

Quando surge em conversa, e até isso é um pouco žižequiano, já todo mundo é um pouco assim, para manter conversa é preciso levantar uma oposiçãozinha, não é mesmo?

Como bom entertainer, ele vai exatamente atrás do que rende mais polêmica e é mais impensável.

(Este rant foi inspirado em parte pelo texto Zizek waxes on about Zionism, Sex, Gangnam Style, Justin Bieber, the Pope, and Buddhism)

Update: Nosso texto foi parar na gringa

Na última semana, um leitor gringo pediu uma versão em inglês desse texto do Pinheiro que, prontamente, fez essa versão mais completa ainda. Só entrar no texto “Slavoj Žižek: Hipster Quackery.

Eduardo Pinheiro

Diletante extraordinário, ganha a vida como tradutor e professor de inglês. É, quando possível, músico, programador e praticante budista. Amante do debate, se interessa especialmente por linguística, filosofia da mente, teoria do humor, economia da atenção, linguagem indireta, ficção científica e cripto-anarquia. Parte de sua produção pode ser encontrada em tzal.org.


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  • Justin Whitaker

    This is wonderful! Do you think you would be interested in making an English translation to post over on my blog (American Buddhist Perspective) as a guest-blog, linking back to this and any further conversations?

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Sure! Thanks. I’ll translate it and send it to you next week.

      • Justin Whitaker

        Great! Thank you! Looking forward to seeing what response it gets there. jw

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Hello Mr. Whitaker. http://tzal.org/slavoj-iek-hipster-quackery/ is a first draft, I would not ask you to proofread it, but anything you think I should change, please warn me. You can copy and post anywhere with due credits, or just make the link reference. I added a lot besides doing the English version. I will probably do a finer proofreading during the week.

  • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

    Ufa!

    Pinheiro, normalmente gosto dos seus textos. E gostei desse também, embora tenha me dado um pouco mais de trabalho pela pouca familiaridade com o tema. Mas nesse caso tenho uma observação, não sei se procede.

    Até a metade do texto estava extremamente curioso pra saber o que o tal Zizek tinha dito. Ao invés disso, você ficou no ad hominem. Bacana, você anunciou isso, como recurso estilístico é bacana.

    Ao final do texto, depois que entendi sua opinião sobre as besteiras que foram ditas, continuo saber quais foram elas exatamente (não tem um quote, um link?). Sinto que teria sido mais fácil escrever:

    -> olha, esse cara falou bobagens
    bobagem 1
    bobagem 2
    bobagem 3
    –> eis a razão de ser bobagem
    verdade 1
    verdade 2
    verdade 3
    -> qual a razão dele falar bobagem?
    charlie sheen da filosofia
    ninguém critica o budismo

    A parte toda do ad hominem, na minha opinião, serviu só para fazer cócegas mentais e, no fim das contas, foi uma etapa que eu tive que vencer pra chegar às boas partes do texto (que muito me acrescentaram, por sinal).

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      O video onde ele fala todas essas coisas está no link final. Eu me restringi aos pontos que ele mencionou. Eu não queria traduzí-lo.

      O meu texto aponta pelo menos 4 coisas sobre as quais ele está equivocado quanto ao budismo: entendimento da primeira nobre verdade, entendimento de vacuidade e “licensa” militarista da vacuidade, relevância de autores como D.T. Suzuki e a questão do “problema do mal” (e por extensão todos os comentários dele sobre o mal) como incompatível com o budismo.

      • http://www.facebook.com/marcus.telles.9 Marcus Telles

        Eduardo, também senti o mesmo que o Thiago. Por exemplo, não sabia que o Suzuki não era relevante. Imagino que outros leigos podem ter a mesma dificuldade.

        Duas coisas que eu queria ouvir de você:
        1. Por que o Suzuki não é mais respeitado?

        2. Como é possível dois monges brigarem? Digo: isso acontece pelo fato de eles estarem deixando algum princípio budista de lado, ou, na visão deles ao menos, é algo compatível com as práticas? Como os líderes (digamos, o Dalai Lama) enxergam esse tipo de situação?

        Abraço

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Suzuki apenaa, não. Há um grande mestre chamado Sunryu Suzuki Roshi. D. T. Suzuki é famoso, mas nunca foi respeitado pelos praticantes budistas, já que não é professor reconhecido, e nem sequer praticou o budismo. É um acadêmico cristão que sobre o budismo e que por algum motivo foi muito traduzido e publicado. Faz na verdade parte da história da distorção do budismo no ocidente.

        Creio que sua segunda pergunta vem dessa visão, cheia de expectativas, sobre o budismo. Monges não são seres iluminados, e ninguém em sã consciência pensa neles dessa forma. Alguns deles estão tentando praticar o que o buda ensinou e encontram dificuldades. Outros acabaram no mosteiro pelos mais diversos motivos, tais como pobreza e pressão familiar. Eles o mesmo tipo de confusões que as outras pessoas. Qualquer um pode se tornar monge, é fazer votos . Não precisa nenhuma qualificação, e se você vai os votos ou nãoo, no mais das vezes é com você. Em alguns casos graves pode ser que seja expulso ou perca a condição monástica.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        alias, queria te dizer. estudo zen há algum tempo, e só vejo elogios ao d. t. suzuki. me parece que quem não gosta dele são os budistas não-zen. :)

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Ouvi de três professores do Zen (dois japoneses e um do budismo coreano) que ele é um mero acadêmico cristão.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        mas ser um acadêmico cristão é ruim? usar isso pra dismiss ele não é a definição de ad hominem? de fato, ele nunca se afirmou mestre zen, nunca disse pertencer a nenhuma linhagem.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Eu acho que ele é um bom escritor, talvez um bom filósofo, mas que inventou um zen. Ao que consta ele fez quatro anos de prática, e não recebeu nenhuma autorização ou selo de professor, em qualquer nível.

        Uma pessoa querendo conhecer o zen, deveria ler Sunryu Suzuki, Kapleau Roshi, Red Pine, ou mesmo ir no Dogen, Hui Neng, sutras… e não alguém que era um acadêmico sem reconhecimento no mundo budista, nem no japão nem no resto da Ásia. Eu li algo dele, não me bateu como algo terrivelmente equivocado, mas com certeza possui um “sabor”, que é o sabor que muita gente ACHA que é o zen, mas que é bem peculiar de certos divulgadores — repito — não totalmente equivocados. Alan Watts e aquele alemão do arqueiro zen são outros dois. Acho legal, mas não tem o selo, sabe, para que se envolver com o que é duvidoso?

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Red Pine, em particular, é magnífico. O livro do Issan Dorsey é ótimo também, Street Zen. Quando eu praticava com o Lama Samten, a gente brincava que era Soto-nyingma, porque tinha muita coisa do zen… ler Lankavatara, Surangama, etc. Ele segue bastante zen, até onde sei. Samten é dhyana em tibetano, né… dhyana=zen… Eu ouvi da boca de Chagdud Rinpoche que ele havia reconhecido Lama Samten como um lama pela “sua realização na prática do Zen”.

        Uma vez, logo no início, eu tinha lido um D. T. Suzuki, falei pro lama, ele entendeu Sunryu, daí eu disse D. T., daí ele só disse…. “Sunryu Suzuki é um grande mestre!” Essa foi minha primeira indicação de que nem tudo estava límpido com D.T. Suzuki… depois eu tive breves contatos com Moriyama Roshi e M. Tokuda, e traduzi um retiro do Zen coreano (entrevistas de koan com todos os praticantes), e mantenho relação com vários zen-budistas… a gente vai se informando, hehehe.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        quando comecei a praticar, em nova orleans, o livro obrigatorio q tinhamos q ler antes de começar era o zen mind, do sukuzi. ele é ótimo.

        mas só o q acho estranho nesse seu dismissal tao forte do suzuki é que ele nunca disse q tinha linhagem, nunca disse que tinha selo de professor, nada disso. ele escreve sempre como um leigo. do jeito q vc fala, parece q ser academico nao-mestre é feio. lá nos eua, nas universidades, tem varios doutores em religioes asiaticas que escrevem coisas sensacionais e q nao tem selo, nem mestre, nem nada — somente o bom e velho estudo acadêmico…

        repara que claro que nao estou minimizando os mestres com linhagem. acho só que são dois tipos completamente diferentes de conhecimento,

        acho apenas que não dá pra descartar de cara um autor só pq ele é um academico que estudou isso academicamente a vida toda mas nao tem linhagem, nem selo, etc. :)

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Dado o pouco tempo disponível, e o fato de que hoje temos boas alternativas com selo, não tem porque. Vejo uma possibilidade bem boa de estudar o D.T. com gosto: o estudo da entrada do budismo no ocidente. Num outro caso, não vejo porque, realmente. 40 anos atrás não havia, mas hoje há, em inglês, muito mais material “quente” que a pessoa conseguiria ler.

        No caso do Zizek, me parece que o problema é justamente a visão acadêmica do budismo, que está cheia de distorções de Oxford à Califórnia. Estou para encontrar um acadêmico fidedigno fora do escopo de ser também um lineage holder. Você parece mais otimista, mas eu realmente não vejo, nem no zen, nem no theravada nem no budismo tibetano. E, de fato, isso se deve exatamente ao fato de que estudar o budismo “de fora” não existe. Os melhores trabalhos são cheíssimos de poréns.

        Veja esse porém do militarismo: o fato da cultura se utilizar do budismo para um fim espúrio não diz nada a respeito do budismo, diz a respeito da cultura. Mas na visão acadêmica, budismo e cultura não são separados jamais — daí todo o problema.

        No entanto há lineage holders dentro da academia, como Jeffrey Hopkins, Robert Thurman, Alan Wallace, e provavelmente outros no zen e no theravada que não conheço.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        mas então o mundo fica muito limitado, dorje. só pode escrever sobre a australia quem é australiano? sobre carpintaria quem é carpinteiro? eu estudei brasil nos eua muitos anos. conheci e trabalhei com muitos brazilianistas. claro que todos tinham lacunas fundamentais em sua formação sobre o brasil. coisas que para nós são óbvias para eles eram um mistério. mas, por outro lado, compensavam suas lacunas justamente com seu olhar externo, capaz de enxergar coisas que nos, nativos, nao conseguimos.

        só pra dar um exemplo: a primeira pessoa a levantar a possibilidade de capitu ser inocente do adulterio foi uma academica americana… 60 anos depois de Dom Casmurro ser escrito. :)

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Poder escrever, pode. Também qualquer um pode ler. Pode até ser interessante, assim como a ficção. Pode até ter algum benefício, como alguma auto-ajuda de boa qualidade. Pode até fazer sentido, etc.

        Porém, e esse é um gigantesco porém, se a pessoa está interessada no dharma, ela precisa — precisa, necessidade, não é contingente — buscar a linhagem do Buda, e não aqueles que fofocam e tagarelam a respeito do budismo. Ou você está no ônibus, ou está fora dele. Particularmente como iniciante. Depois, até para ter embasamento, entender a visão dos outros a respeito do budismo para viver no mundo, etc, tudo bem. Mas sem antes criar uma conexão direta com os ensinamentos como apresentados por quem tem a vivência, e não só isso, tem a vivência atestada pelos seus peers, é temerário, ou, no mínimo dos mínimos, perda de tempo.

        Então uma coisa é o budismo da academia e outra coisa é o budismo dos praticantes do budismo. E não é só o budismo que tem esse “fundamentalismo”: ele é praticamente igual dentro da academia, só que inverso! Se, dentro da academia, a pessoa fala “como um budista”, ela perdeu a isenção acadêmica. O mesmo acontece com o budismo: tudo que é falado sobre o budismo e não tem algo como um prefácio do Dalai Lama ou um selo equivalente, não merece nem o exame criterioso que você vai aplicar aos ensinamentos para ver se eles são fidedignos.

        Mas… isso vale para quem quer praticar. Para quem é curioso com relação ao budismo, para quem quer o budismo como um objeto de estudo — se é esse o máximo de conexão que a pessoa consegue estabelecer, tudo bem. Vai lá e estuda qualquer coisa que qualquer um escreveu, sem o uso de nenhum critério interno do budismo. Apenas para quem quer se engajar na prática budista, tomar refúgio, etc, nesse caso a pessoa usa os critérios de sua tradição. No budismo tibetano, texto é que nem remédio, e você não se automedica. Você lê o que foi recomendado. Há centenas de textos fidedignos de detentores de linhagens, da sua linhagem, que podem ser contraproducentes para você neste momento, você não vai lendo tudo aleatoriamente. Você segue a receita médica de um professor qualificado. Outras tradições, como o Theravada e o Zen, são mais brandas. Só se exige que venham de mestres reconhecidos, ou no mínimo, de alunos promissores reconhecidos.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        aliás, como é q vc separa budismo e cultura? budismo não é uma cultura? uma civilização? essa aliás foi a melhor definção de budismo q já li. q o budismo não é uma religião e sim uma cultura que permeia todos os aspectos da existência humana.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Se o budismo fosse uma cultura, precisaríamos ser aculturados… O que importa no budismo para quem pratica não é a cultura, a japonesidade ou tibetanidade da coisa, e sim o que o Buda ensinou e que está além da cultura.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        só deixando bem claro para alguém lendo que o suzuki do teu primeiro parágrafo é o Sunryu, e o do teu segundo parágrafo é o D.T. O Sunryu Suzuki é respeitado por todos, o D. T. não.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        e tenho quase certeza q ele não era cristão.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        eu primeiro respondi o lance abaixo do celular, daí tinha muitos erros, então corrigi e adicionei algumas coisas editando agora. só avisando.

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        Aproveitando, pinheiro, tenho grandes dúvidas sobre a relação do Budismo com a moral. Isso decorre do meu interesse na filosofia moral. Como posso me aprofundar? Anima de dar uma palhinha aqui nos comentários?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        eu ando tentando me informar mais sobre o tema também, tiago. acabei de ler esse livro aqui:

        “The Mind of Clover: Essays in Zen Buddhist Ethics”, do Aitken

        e agora vou começar “The Great Awakening: A Buddhist Social Theory”, do Loy, de quem já li grandes artigos.

        antes disso, li Socially Engaged Buddhism, da Sallie B. King.

        e estão na minha fila:

        Buddhist Ethics: A Very Short Introduction, do Keown, bem curto e introdutório, e

        An Introduction to Buddhist Ethics: Foundations, Values and Issues, do Harvey, que parece ser bem completo e interessante.

        enfim, estou tentando entender essa bagaça. ;) resta saber se o dorje vai me dizer que eles são prejudiciais pq são todos de autores “academicos ocidentais” :)

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Ah, não conheço o millieu zen a fundo pra dizer isso. Aitken… ela me soa de linhagem. Loy e budismo enajado acho meio bobo.

        O budismo tem uma moral prescritiva que está por todo lado nos escritos budistas. Isto é, votos. Essa ética é tanto natural quanto artificial, isto é, por prescrição artificial se fala em algo que não é bom por si só, mas que é bom no contexto do treinamento da mente. Por exemplo, o celibato no caso dos monges.

        Já em ética propriamente dita ou metaética, há pouca coisa. Facilmente se percebe que a não-ontologia ou nontologia budista é a base da ética (realidade e ética, ética e lógica e metafísica estão e são indissociáveis). Então é um tema que é difícil separar de todo o resto. Normalmente o treinamento budista é separado em sila, prajna e samadhi… conduta, conhecimento e meditação. Então o primeiro passo é levar uma vida ética, isso permite estudar e praticar o budismo. Levar uma vida ética sem estudar muito e sem praticar meditação (que é o que essencialmente vai permitir realmente que os impulsos mentais não sejam meramente seguidos, e que hábitos positivos, que criam ações positivas, sejam realizados) significa seguir prescrições ao estilo “não falar rudemente ou inutilmente”.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Acho o Loy bobo pq todo o budismo é engajado. É uma redundãncia.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        acho que o interesse ocidental em temas como etica e engajamento social budista é pq, a primeira vista, o budismo parece totalmente voltado pra dentro.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Sim, acho que faz parte das distorções e expectativas que acabaram se convencionando.

        Mas o budismo, em geral, é visto como algo focado em ética. Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche sempre diz que esse é o caso apenas do hinayana, as formas superiores se focam mais, respectivamente, em estudo e meditação. Sem abandonar a ética, né, claro. Mas é que em geral o valor final do budismo é visto como sendo em primeiro lugar a ética, não é.

        Mas a palavra sila é interessante. Alan Wallace gosta de traduzir como ética mesmo, mas a tradução mais comum é “disciplina”. Que diz mais a botar um pouco de coerência — no sentido de luz coerente nos lasers mesmo — em corpo, fala e mente. Isto é, diminuir os impactos.

        Quanto a política budista ou ativismo budista, a parrésia é, por exemplo, algo prezado no zen e em várias tradições budistas. E tudo, desde a estrutura da própria sanga, passando por reis dharmicos, a formação de universidades e outras instituições, etc… tudo ocorreu na “civilização budista”, e é natural da prática budista. Então foi apenas uma imagem que criamos com base em alguns exemplos distorcidos que nos leva a tomar o budismo como quietista, ensimesmado… isolado de um contexto social. Coisa que nunca aconteceu em nenhum momento da história, mesmo porque os budistas basicamente dependem da comunidade para sobreviver.

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        Haha, eu li algumas coisas do Loy achando sensacionais. Ainda tenho que estudar muito.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        eu tb acho o loy bom demais, tiago. e ainda tenho que estudar muito também. mas isso não quer dizer que o loy não seja sensacional. :)

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        Digo isso pq me escapam certas sutilezas. Depois, quando me dizem, por exemplo, “que todo budismo é engajado”, me parece tão óbvio que eu vejo que ainda falta muito.

        Isso não significa dizer que não vejo valor no que li do Loy. Ele fez a melhor defesa da justiça restaurativa que já li.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      (Este rant foi inspirado em parte pelo texto Zizek waxes on about Zionism, Sex, Gangnam Style, Justin Bieber, the Pope, and Buddhism): o link aí tem uma critica em ingles de algumas coisas que ele falou, e o video do youtube com ele mesmo explicitando suas ideias. http://www.patheos.com/blogs/americanbuddhist/2012/11/zizek-waxes-on-about-zionism-sex-gangam-style-justin-bieber-the-pope-and-buddhism.html

    • Luciana

      Concordo em parte com o comentário acima. Não consegui ler o texto todo. Justamente porque metade dele é ad hominem. E agora falácia vira “recurso estilístico”? Não sou entusiasta do Zizek, mas você não se decide a criticar seriamente e com rigor o autor ou a dizer gracejos para supostamente entreter a plateia. Os dois momentos talvez devessem estar separados, caso você pretenda que suas críticas sejam levadas a sério. Abraço de uma estudante de Filosofia para outro.

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        Acho que o comentário é mais dirigido ao Pinheiro do que a mim. Mas:

        E agora falácia vira “recurso estilístico”?

        Uai, pode ser, como uma forma sutil de ironia (viram o que estou fazendo aqui. É assim que o Zizek fez!).

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        As falácias não são uma prescrição rígida. É claro que, num tribunal, se você está acusando alguém, que a reputação dessa pessoa é um testemunho válido. Da mesma forma, isso é o que afirmo, se há um abuso de linguagem sendo cometido, e qualquer coisa dita pode ser cooptada/distorcida, precisamos começar declarando que esse abuso de linguagem está sendo cometido, o que, naturalmente, leva a vilipendiar diretamente o caráter daquele que o profere.

        Outro caso onde um ad hominem pode ser adequado é numa discussão sobre ética onde seu ponto de vista seja de um tipo meio holista: dependendo da sua tese, você pode sim dizer “o que esse sujeito cafajeste que assassinou a própria esposa, lavou dinheiro do tráfico e vendeu leite com DDT para crianças pode falar sobre amor, justiça ou amizade?” Entende?

        Da mesma forma, no momento que o Zizek passou a dialogar com o budismo, seus maneirismos viraram uma fraqueza em sua *argumentação*, e até em sua capacidade de argumentar adequadamente. Sabendo o que você sabe dentro do budismo, você não pode deixar de mencionar isso só por um viés meio politicamente correto ou uma ideia meio limitada do que alguém chama de ad hominem. E sim, eu usei de ironia ao apresentar isso… Porque? Porque esse é um uso válido e bonito da ironia, é pena eu ter que explicar.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        O ad hominen é explicado no texto como o único recurso contra quem usa um “se por uísque”, porque gente como o Zizek já ironizou o próprio discurso de tal forma que qualquer ataque se torna ridículo.

  • Nélio Oliveira

    É um exercício deveras interessante ler o texto, até o tópico “Isso me dá um tique-tique nervoso”, substituindo o nome do filósofo por “Alex Castro”. O que eu espero que eles (Alex Castro e Slavoj Žižek) tomem como um elogio…

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Bom, nunca vi o Alex Castro em pessoa, mas… se ele pratica meditação, uma hora o lung dele se pacifica…

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        oi padma. o nélio também não me conhece, mas ele tem uma obsessão por mim, comenta em todos os meus textos, fala de mim nos textos dos outros, é muito estranho. gostei do seu texto, mas acho que vc caiu no jogo do zizek. não se deixe provocar pelo provocador. :)

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Puxa, tu tem um stalker? Um dia eu chego lá.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        tento não dar muita trela pra ele. não entendo muito pq as pessoas leem e comentam textos de autores de quem sabem que discordam. deve ser algum tipo de masoquismo. :)

      • Eduardo Amuri

        Não entendi, Alex.

        Acho “ok” (mais ou menos) você se sentir perseguido, divulgar no facebook que tem um leitor obcecado por você, etc, etc.

        Mas sobre os comentários… você esperava receber comentários apenas do que concordam com você?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        ué, amuri, claro que não. escrevo sobre temas polêmicos em blogs há dez anos e sempre tive muitos leitores que concordam e que discordam. isso é normal. onde foi que vc viu eu dizendo que esperava só receber comentários positivos? aliás, se eu só recebesse comentários positivos seria horrível, significaria que a mensagem não está batendo, reverberando, impactando em ninguém. o nélio é um caso especial. o comentário enorme q ele acabou de postar aqui fala por si só. abração, alex

      • Eduardo Amuri

        é que você comentou o fato de que não entendia muito bem o porque as pessoas que não concordavam com a visão comentavam. não acho que seja masoquismo… acho que é vontade de se manifestar, apenas.

        por isso estranhei a colocação ;)

        grande abraço

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        bem, aí vc misturou duas coisas, amuri.

        eu acho muito estranho alguém ler algo q nao concorda e ir lá cutucar o autor e dizer, oi, discordo de vc. sei lá, nunca faria isso. quando leio algo que discordo, eu vou embora. se alguém fala coisas que discordo varias vezes, eu deixo de ler. não entendo muito o que leva a alguém a ficar lendo e comentando em textos que discorda.

        vc pergunto: “você esperava receber comentários apenas do que concordam com você?”

        mas, ué, nada, nada, nada no meu comentário acima sugere que eu só espero receber comentários positivos. o fato de eu não entender um certo comportamento não quer dizer que eu não acho que ele vá acontecer, ainda mais quando eu sei por experiência própria q ele acontece…

        são duas coisas bem diferentes. :)

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Alex eu leio muitas coisas suas. Até vi o seu manual de política de comentários. E respeito a sua opinião sobre não debater, só não concordo com seu ponto de vista. O papo de homem é um espaço para debates sim, para autoconhecimento coletivo, se é que isso faz sentido. É um caminho para jornada ao mesmo tempo conjunta e solitária para formar homens e mulheres melhores, que critica, que tem opinião, pespectiva.

        É claro que você já fez a sua parte lançando o texto, é a sua maneira de conversar. É claro que lançar um texto não implica ter que impor esse texto para as outras pessoas. Entretanto muitos leitores sentem-se provocados ( no bom sentido) pelos textos e querem sim testar suas próprias convicções em uma reflexão em voz alta que envolve outro lado que sabe pensar e argumentar. Ver de outras perspectivas.

        Enfim, acho que é humamente impossível responder tudo, ou mesmo entrar em um empreendimento gigantesco na tentativa de “converter” as pessoas. Se esse for o seu objetivo , e não descobrir novos argumentos e fatos sobre o tema, é pura perda de tempo. Mas não acho que seja absurdo que alguns leitores esperem essa postura de debate.

        Tendo em vista que a sua opinião sobre debater é um exercício da sua liberdade e que é completamente racional se esperar que os leitores queiram o debate, o melhor que você pode fazer é deixar isso claro em um texto só pra isso, como você fez. Assim tanto a sua liberdade quanto o respeito com os leitores são preservados.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        dorje,

        eu acho lindo que os leitores queiram manifestar suas opiniões e conversar, etc.

        mas vc acha que eu tenho obrigação de falar com quem quer falar comigo? ao ponto de que, se alguém vier falar comigo, me provocar, me chamar pro debate, e eu não responder… que é falta de respeito? ou que vai contra a liberdade de expressão deles?

        meio estranho isso. eu acho que todos tem liberdade: liberdade de escrever textos, liberdade de ler textos, liberdade de nao ler textos, liberdade de comentar, liberdade de debater, liberdade inclusive de NÃO debater e de silenciar.

        essas sao todas facetas da mesma liberdade de expressão.

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        haha calma, acho sim que você tem liberdade. Só disse que a ideia de um debate em um lugar próprio para debate cumpre uma justa expectativa; não é algo fantasioso desprovido de nexo.
        O autor quando escreve de certa forma se abre para as críticas e isso é completamente normal e saudável .Como você já pontuou que não curte isso quando desemboca para uma provocação que toca nos orgulhos, ótimo. Por isso que comecei dizendo que respeito a sua posição, só não tenho o mesmo ponto de vista. A propósito, ótimos textos sobre as cotas e sobre o feminismo. Se o sua opinião sobre não “perder tempo” com debates contribui para que você consiga fazer mais textos assim ótimo, gaste suas energias com isso e deixe que nós nos degladiamos aqui nos comentários :P.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Acho que ninguém tem obrigação moral de entrar em debate. Normalmente eu respondo o que acho que vale a pena.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        hahahha. eu tb. mas qs sempre eu acho que nada vale a pena. :)

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Se nada vale a pena, tem aí um extremo. Provavelmente é o veneno básico da indiferença… a gente tem que depurar. Tenho muito também, e sempre me esforço na direção do ENGAJAMENTO. ;)

      • Nélio Oliveira

        Desculpas sinceras se soou como “perseguição”. Não era essa a intenção. Tenho gostado demais dos seus textos, embora não comente em todos. Não há “obsessão”; antes o reconhecimento da sua qualidade como escritor. Eu comento muito mais nos textos do Amuri, p. ex., e acho que ele não me considera obcecado por ele.

        Novamente, sinceras desculpas. Às vezes o que a gente escreve é o que a gente pensa mesmo, o que foi o caso.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Acho que é só tempo livre demais, e falta de um “get a life” bem levado a sério.

      • Nélio Oliveira

        O que ” é só tempo livre demais”? E pra quem seria dirigido o “get a life”?

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Tempo que sobra para contribuições frívolas, sem nenhum impacto que não na pessoa do autor, irrelevantes para o assunto tratado. De fato usa o próprio tempo de sobra para tirar o pouco tempo que os outros porventura tenham. E o get a life é para quem servir o chapéu.

      • Nélio Oliveira

        Alex, me perdoe retornar ao assunto, mas é que esse seu comentário me incomodou um pouco. Me senti injustiçado e por isso perdi alguns minutos pesquisando o quão “obsessivo” sou com a sua figura.

        Reportando-me aos últimos meses, mais precisamente desde 30 de outubro último, constatei que você escreveu 14 textos pro PdH.

        Neles houve 1912 comentários, somados os 14 textos.

        Comentei em 4 textos, um total de 9 comentários.

        4 textos em 14 são 28,5%, bem diferente de comentar “em todos os seus textos”.

        9 comentários em 1912 é 0,47% (é isso mesmo: menos de meio porcento), bem longe de parecer um comportamento “obsessivo” relacionado à sua figura.

        Não se preocupe em me responder. Só quis reparar uma injustiça de você para comigo. Deixo abaixo pra você conferir a relação dos textos e dos meus comentários em cada um deles.

        Um feliz Natal e um 2013 pleno de realizações pra você!

        VOCÊ NÃO TEM TEMPO (70 comentários)

        Meu comentário: http://papodehomem.com.br/voce-nao-tem-tempo/#comment-696205682.

        UMA CIGARRILHA APAGADA (31 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        NASCE UM HOMEM (38 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        A NUDEZ NÃO PRECISA SER SEXUAL (76 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        O BRASIL DAS MUITAS E ESCURAS MINORIAS (74 comentários)

        6 comentários meus, todos concordando com o texto, nenhum
        direcionado especificamente a você, e todos num debate com um tal “Puto!”.

        JINETEIRAS: AMOR, SEXO & DINHEIRO NAS RUAS DE CUBA (63 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        SÃO JUDAS TADEU, OBRIGADO POR ME DAR ASSUNTO PARA MAIS UM POST E ASSIM MANTER MEU EMPREGO NO PAPODEHOMEM (63 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        DUAS HISTÓRIAS DA PÓS-SEPARAÇÃO (35 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        SEXO: O QUE É, COMO DEFINIR (77 comentários)

        Um comentário de minha autoria, que me permito transcrever:

        Texto muito bom e, acima de tudo, muito corajoso. E ler logo em seguida o “Onde começa a traição?”, sugerido nos comentários, só deixou mais questionamentos… rs…

        UMA QUESTÃO DE FÉ, CONTO (29 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        CARTA ABERTA AOS HUMORISTAS DO BRASIL (876 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        AÇÕES TÊM CONSEQUÊNCIAS (58 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

        RITUAL DE FIM-DE-ANO: CONFERIR SE NÃO SOU UM MONOLITO (60 comentários)

        Meu comentário: http://papodehomem.com.br/ritual-de-fim-de-ano-conferir-se-nao-sou-um-monolito/#comment-733104386.

        SENZALAS & CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO (362 comentários)

        Nenhum comentário de minha autoria.

      • http://www.facebook.com/cristhyano.depaula Cristhyano de Paula

        Se isso não é ser obsessivo, não sei de mais nada.

      • Nélio Oliveira

        É perfeitamente aceitável não saber de nada, fique tranquilo.

  • everton maciel

    tem tanto budista de apartamento andando na redenção em poa que eu me matriculo num curso de tiro após o outro.

    • observador

      e daí?

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      To vasculhando aqui na minha memória se eu lembro de alguma frase mais nonsense que essa.

      • everton maciel

        usa teu rico tempo pra salvar o mundo. Mais útil que se preocupar comigo.

    • Dom

      Exato. Texto repleto de ofensas gratuitas de um budista de apartamento.

  • Alexandre

    Gostei muito do seu texto! Eu mesmo sou simpático ao budismo e gostaria de aproveitar a chance pra pedir indicações de livros, sites ou qualquer outro material que ajude a aprofundar um pouco mais no assunto. Venho de uma cidade onde não existe uma comunidade budista formada e todo meu aprendizado vem sendo via internet e livros de autores como o próprio D.T. Suzuki, cuja obra é de mais fácil acesso, infelizmente.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      No meu site, tzal.org há muito conteúdo sobre budismo.

  • Flavio

    Concordo que Zizek é um charlatão, mas ele não sabe nada de Lacan, autor sim, denso, complexo( infelizmente) porém real. Comparo-o com Hegel, poucos autores que de fato compensa debruçar-se para entender as obras.

    Zizek é apenas um esquerdinha superficial, vi videos atras de videos, e não há uma UNICA referencia a Lacan que de fato esteja correta ou tenha algum nexo. O próprio Lacan era contra pegar o instrumento da clinica e fazer analsies sociologicas/filosoficas profundas.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Ok, mas Hegel é outro que para mim não faz sentido nenhum. Mas é bom saber que Zizek não faz referências corretas nem mesmo a Lacan.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Faria/1132579103 Gustavo Faria

    Não consegui ler o resto do texto, parei em disturbios de lung? onde posso saber mais sobre isso e continuar lendo o texto eheheheh os algoritimos do google me levaram a varias paginas sobre problema de cancer de pulmão(lung em ingles), e até a este post ehehhe

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Com algum médico ou lama tibetano. rlung é a palavra em tibetano, prana em sanscrito.

      • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Faria/1132579103 Gustavo Faria

        Muito obrigado!

  • http://www.facebook.com/felipe.ponzio.9 Felipe Ponzio

    Acho que a crítica a Lacan está baseada em um argumento positivista e autoritário. Tratar a psicanálise como misticismo é exatamente o que faz o discurso psiquiátrico e seus DSMs que multiplicam doenças a cada dia, fortalecendo uma industria extremamente lucrativa e fomentando uma ciência puramente ideológica. Acho que Foucault e Deleuze poderiam ajudar neste debate, muito mais que Descartes( Neste caso enlatado nas normas da sociedade de consumo). Conseguiríamos um outro olhar às críticas à psiquiatria e também ao discurso psicanalítico…

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Oi Felipe,

      Normalmente eu critico o espiritismo como positivista. Acho que é a única doutrina positivista atualmente em voga.

      Pessoalmente eu acho que combater o triste estado dos DSMs, como você fala, com um retorno ao obscurantismo (que felizmente não está tão em moda), é contraproducente. Como praticante budista creio que não precisamos de nenhum desses pensadores, e podemos nos aliar aos pesquisadores científicos para reduzir sua dependência a ideologia capitalista.

      Ademais, também não curto Descartes. Fiz filosofia, mas acho que a filosofia em geral não tem capacidade de lidar com esses problemas. Simpatizo com Wittgenstein, que fez uma boa crítica da psicanálise também (e foi cooptado pelos positivistas lógicos, que desprezava), mas acho que o estudo dele só é eficaz para livrar algo do apego pela filosofia, não para estas questões práticas de vida boa e saúde mental. Para isso, a tradição de 2600 anos do budismo, tem servido bem melhor.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Ah, e então você também acha que o Zizek está falando bobagem sobre o Lacan? Por exemplo ao dizer que Lacan mesmo dizia que o que escrevia ERA místico.

      • http://www.facebook.com/felipe.ponzio.9 Felipe Ponzio

        Acho sim! Lacan só foi possível pq Saussere na linguística e Levi-Strauss na antropologia fundaram o estruturalismo nas ciências humanas. A psicanálise lacaliana é este misto de estruturalismo(muito enraizado na frança na época) e uma atualização do discurso freudiano…

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Me parece algo que ele falaria, sabe, porque é tudo uma questão de efeito e carisma com esses caras.

      • Dom

        Não é uma questão de efeito e carisma nos seus estudos de Budismo?

        “Não precisamos de nenhuma desses pensadores”. É um bom argumento conservador… Afinal, perder tento fazendo o criticismo da sociedade não é importante. Basta resignação e nulidade.

        Não.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        É curioso que um argumento ser dito “conservador” diga qualquer respeito ao conteúdo do argumento. Ora, antes de avaliá-lo, ele já é “do outro lado”? É isso mesmo? Onde está o conservadorismo agora?

        Mas, de fato, é difícil chamar essa turma de “pensadores”, não há efetivamente um crritério independente a partir do qual suas erupções possam ser consideradas um “arrazoado” ou digam, efetivamente, respeito a um uso comum, público, do discurso.

        Que isso seja associado a (boa) crítica a sociedade e ao que quer que se oponha ao conservadorismo é o mais triste. Acima de tudo parece que a crítica precisa ser feita de acordo com o uso comum do discurso, não com um jargão próprio e afirmações escorregadias que servem para qualquer fim.

        Quanto ao carisma no budismo, budismo é uma religião auto-declarada como tal. Esperamos carisma de políticos e religiosos, que temos toda liberdade de respeitar ou não, de ser engambelados ou fascinados, ou não. Mas em filosofia e ciência, carisma não é respeitado. Se critico Lacan e Zizek pelo uso do efeito e do carisma é porque eles pretendem algo mais do que ideólogos, religosos e políticos… ou não pretendem? Se não pretendem, de fato, como é um de meus argumentos no texto, o ad hominem é perfeitamente aceitável.

      • Dom

        “Afirmações escorregadias que servem para qualquer fim”

        Um pensamento coeso só funciona em alguma superestrutura, é isso? É um modo prosaico de entender as coisas.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        O objetivo precisa ser comunicar, e principalmente, algo autêntico e relevante. Usar a linguagem para mistificar é, por si só, canalhice.

  • paulo

    cara, eu venho lendo sua coluna aqui e deixando passar, mas agora preciso comentar:

    PUTA QUE PARIU, TU SABE DEMAIS, CARA!

  • aquiles

    saudade do papo de homem de antes

  • Roger Moreira

    Pelo pouco que li no texto e comentários, você me parece bem ortodoxo (sem ofensa). Um mestre Zen provavelmente diria que você lê demais. hehehe
    Compreendo o querer entender e praticar algo em sua raiz e forma pura, mas geralmente não me apego a isso. São raras as situações em que algo me satisfaz da forma que vem. Para mim a forma pura, em tudo, é sempre apenas um ponto de partida. Depois que entendo, começo a me perguntar – e agora? Concordo? Discordo? Dá pra misturar com outra coisa e ficar melhor para mim? Posso criar algo em cima?
    Esse modo de ser me fez desinteressar do Direito logo que saquei do que se tratava. De quebra, odiar Kant até o fundo dos ossos. Por incrível que pareça vivo disso até hoje. Mas isso é outra história.
    O fato é que tenho muito interesse pelo Zen, ao passo que o budismo tibetano e outros me causam certo desconforto. Explico: Se tivesse que me definir como algo, seria materialista. Não tenho nenhuma afinidade, interesse ou crença metafísica (pelo menos consciente, hehehe). Vejo ética e moral como criações humanas (sacou o desprezo por Kant?). De fato, não tenho nada contra nenhuma criação humana, só que não dá pra acreditar nelas. Mas as pessoas acreditam…. Levam a sério…. Acham que existem essas verdades sagradas e tudo o mais.
    Bom, vejo muita moral implícita no budismo em geral, que, na prática, não é tão presente no Zen. Além, claro, da metafísica explícita na tradição, o que o Zen permite deixar pra lá se quiser. Entende?
    O Zen não contesta a cosmologia budista tradicional e outras coisas, só não se apega. Não é importante. Ele meio que se descola para além e acima de tudo isso. Além e acima dessa mesma cultura que o gerou. Isso é que é transcendência na imanência. hehehehe Gosto disso.
    Vejo essas críticas ao Zen dos samurais e juro que não entendo. Cortar cabeças e admirar flores de cerejeira, o que mais poderia querer? Acho que isso casa bem com o meu zen-materialismo. Já que, budista, não ousaria dizer que sou. hehehe

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Eu realmente sou mais ortodoxo que rótulo de Maizena, como dizia o Analista de Bagé.

      Porém o problema que vejo com suas afirmações é que… me parece que você não conhece o zen. Acho que várias (todas?) essas suas afirmações são de fato comuns nos interessados do zen, é a imagem que o zen projeta. E algumas dessas coisas são confirmadas num encontro superficial com a sangha, principalmente se esta for uma sangha particularmente ocidental e moderna. No entanto, não é o que se vê nos mestres.

      Ademais, o budismo é muito mais vasto do que “tibetano” ou “zen”. Existem miríades de outras formas, mas mesmo estas duas coisas contém muuuuita diversidade. A gente pode usar nomes grandes como nyingma ou soto, ou rinzai… mas esses nomes não representam bem a diversidade. Mestres de “budismo tiebtano” vão desde os escolásticos até os extremamente selvagens, e a selvageria e o iconoclasmo são ORTODOXOS no budismo.

      Meus mestres favoritos (como escritores) são Dzongsar Khyentse Rinpoche e Chögyam Trungpa Rinpoche… ambos não tem nada do ranço (e racismo) usual dos tibetanos com o zen — DKR fez retiros no japão, incógnito, em 2009. Trungpa Rinpoche admirava muito Sunryu Suzuki, e caiu em lágrimas desesperadas em seu funeral (totalmente quebrando o comportamento sisudo que a sangha estava apresentando até aquele momento). Esses mestres são ao mesmo tempo ortodoxos e de extrema vanguarda. Difícil qualificar.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Agora, uma coisa que é bastante comum é as pessoas criarem esse tipo de concepção sobre o zen. Enquanto mestres pediram desculpas publicamente pelas ações militaristas do budismo, vem alguns curiosos fãs de artes marciais e regozijam nas maiores vergonhas do budismo.

      • Roger Moreira

        Bom, achei que tinha sido claro no meu comentário (fiz uma ressalva enorme), mas vale esclarecer: meu interesse é sempre a partir de… e nunca limitado a…

        Acho que sua avaliação do meu comentário seria válida no segundo caso. Mas não se aplica no primeiro, vez que meu direcionamento – a partir de – é sempre personalíssimo, como de fato afirmei que era.

        À propósito, a referência ao zen samurai, foi bem mais ampla do que a estrita concepção militarista. Do questionamento mesmo da compaixão e outras…. tão caras ao budismo.

        Pessoalmente já acho magnífico o – a partir de – que levou ao nascimento do Zen (não dá pra negar a originalidade do zen em relação as tradições budistas anteriores). Mas acho mais incríveis ainda as possibilidades a partir do zen que vislumbro.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        O Zen surgiu na China, né… e não é tão original assim não. É apenas um enfoque maior na prática de dhyana.

        A escola “instantaneaísta” participou de uma “licitação pública” para entrar no tibete, mas perdeu um debate, por isso não há zen no tibete. Algumas pessoas argumentam que o debatedor, Ha Shang Mahayana, fosse um mau debatedor — afirmando coisas como “pensamentos virtuosos e não-virtuosos não produzem consequencias”. Outros dizem que isso foi mal entendido.

        Os praticantes do zen tomam boto de bodisatva, e inclusive uma das posturas de meditação utilizadas no zen é semelhante a postura de um samurai sentado. Se diz que eles meditam assim para se levantar prontamente para ajudar um ser, assim como um samurai precisava estar pronto para enfrentar um inimigo.

        A questão do zen e o militarismo vem desde as artes marciais (isto é, a origem estaria lá em bodhidharma) e acaba com a segunda guerra mundial. A questão de guerra e budismo é interessante, e mesmo a questão de compaixão irada, e da necessidade de eventualmente matar por compaixão. Porém, budismo sem compaixão é uma ideia tão idiota quanto budismo sem engajamento.

      • Roger Moreira

        Eu acho que o direcionamento dado por Dogen e seus seguidores tem sutilezas que acabam sendo bem originais e fazem diferença em relação ao Ch’an chinês e ao que era praticado no continente. Além do que, o budismo japonês, na prática, no dia a dia, é bem diferente. Pode-se dizer que houve uma institucionalização do budismo, assim como do xintoísmo. Um esfriamento, esvaziamento de sentido, ou o que seja. Mas eu não vejo assim, de forma tão negativa. Vejo com bons olhos, por exemplo, que muitos dos japoneses considerem um não-assunto, ou até mesmo simplesmente descartem, a cosmologia budista, reencarnação, bodisatvas (personificados), etc. Isso é do dia a dia, não da teoria.

        Concordo com você que não existe budismo sem compaixão. Mas, como eu disse, não sou budista. Meu interesse é a partir de…

        Vou tentar ser objetivo, enfase na prática, no shikantaza zazen. Se você pegar práticas de meditação tibetanas (que certamente conhece infinitamente melhor que eu), por exemplo um direcionamento à compaixão, isso é muito diferente do zazen.

        Olha, eu até vejo como o zen chega na compaixão, afinal está inserido no budismo, e se você passa a ver o outro (o mundo), ele faz parte de você, ou é reconhecido como parte de você. Mas é a intencionalidade que me incomoda, é isso que digo ao falar da moral budista, e que o Zen – pelo menos na minha visão – permite deixar de lado.

        - Basicamente, sendo muito reducionista e objetivo, o que me interessa na prática do Zen, além de aquietar os ruídos da mente, é a conexão com o real, a espontaneidade no sentir, pensar, agir, e todas as possibilidades advindas disso, que me parecem incríveis. –

        Você vai querer me bater (já me preparo pras pedradas), por misturar ocidente e oriente, mas na minha cabecinha isso é a prática que faltava pra Nietzsche atingir seu “grande estilo”. Consigo fazer uma conexão incrível entre zen e materialismo, basta não ser ortodoxo, nem fiel a tudo, pensar a partir de… que é o que me interessa.

        Não quero um direcionamento moral, uma visão metafísica da vida ou outras coisas que fazem parte do universo budista. Apesar de ser tudo muito interessante, fundamental para entender a coisa em si, e de me interessarem muito nesse aspecto. Mas aqui, a enfase fica no entender, não no tomar para si.

        Okay, mande as pedras. hehehehe Não irei devolvê-las, só não garanto que ficarei com elas.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Acho que repito o que disse antes: isso que você idealiza não existe senão nas mentes de uns acadêmicos não muito praticantes do zen.

        E, ademais, não há como separar. Se alguma “seita” que se autointitule zen negar algo como o canone pali ou sutras mahayana comuns com o budismo tibetano, como o Vajraccheddika, o Hridaya, e assim por diante, vai simplesmente ser dita uma invenção espúria. É claro que você pode misturar o que você quiser e chamar de budismo — mas existe um critério budista para definir o que é budismo, e esse é o único critério que vale. O resto são ideias que as pessoas misturam, e podem misturar o quanto quiserem: só não podem confundir com o que está muito bem assentado sob critérios muito claros, e peer review dentro da tradição budista.

        Nietzsche is a bitchE. Que relevância ele tem? Os anos 90 já passaram, e eu acho que você não tem mais 15 anos de idade.

        Quanto ao materialismo, não é um tópico simples. Mas é fácil de demolir as concepções do que as pessoas mais propriamente deveriam chamar de fisicalismo. Materialismo é aquilo que a Madona canta na música dela, que ela gosta de homens ricos, sabe. Isso que você quer dizer é fisicalismo. Mas isso não tem muitos defensores vivos, entre quem pensa no assunto, claro. Entre quem toma como credo e religião, tá cheio. Mas entre quem faz filosofia ou começa a fazer filosofia, é extremamente raro.

        E o zen não é nem um pouco fisicalista nem materialista. Isso é só uma invenção de uns catedráticos sem prática. O zen algumas vezes é mais indireto em suas afirmações, e isso permite todo tipo de interpretação e cooptação por quem não vive o dia a dia da prática.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Eu diria que esses três elementos que você citou bodisatvas, renascimento e “cosmologia” não são bem compreendidos por você, talvez se você lesse Trungpa Rinpoche…

        Pegue algo como Transcending Madness, que fala dos bardos.

        O seu tipo de perspectiva é tão, mas tão comum nas salas de prática, que é difícil até saber por onde começar, com relação a toda a montanha de perguntas que eu já ouvi respondidas a respeito do assunto. Acho que eu não participei de nenhum evento budista, ao longo de dezenas, talvez mais de uma centena, em que um ou outro iniciante não viesse com esse tipo de questionamento. É, como se diz, a tradição dominante nessa terra. Todo mundo fala exatamente isso, e muita gente, talvez 80% dos que falam isso, tem o zen como mais “limpinho”, e dai criam todo tipo de expectativas com relação a isso ou aquilo. É uma piada.

  • Pedro Turbay

    Que texto foda! Parece que eu já havia pensado em vários desses aspectos de alguma forma mas nunca consegui organizar tão bem. Vários conceitos novos e uma nova forma de entender como adotar qualquer tipo de discurso na vida. Na boa, valeu um livro.

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    dorje, vc tem algum link de alguém que faça um critique do d. t. suzuki, porque ele está superado, quais são os problemas com a obra dele, etc?

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Sim, vc acha algumas críticas, como esta http://www.westernbuddhistreview.com/vol5/suzuki-gentium.html

      No entanto, o que você precisa fazer é perguntar para um professor autêntico, e não em público. Os budistas em geral evitam criticar em público, mesmo figuras altamente criticáveis, por vários motivos, o mais óbvio o de evitar atrito — mas também há um desejo quase político de não alienar alguém logo de cara. Assim, uma pessoa chega tri emocionada num centro de dharma “ah, eu li tudo do lobsang rampa”… eu já me encontrei nessa posição, sabe o que eu disse para a pessoa? “Bom, Sua Santidade o Dalai Lama disse que ele não é 100% confiável” — Alan Wallace me contou que a primeira vez que o Dalai Lama falou no ocidenta, na primeira pergunta falaram sobre Lobsang Rampa, e essa foi a resposta dele… hahahaha

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Por exemplo, eu ouvi algumas críticas diretas do D. T. Suzuki de monges que receberam selo na Soto Zen, mas do Lama Samten eu só ouvi aquele “Ah, Sunryu Suzuki é um grande mestre”. haha, é um jeito muito indireto de dizer “D. T. Suzuki? Pra que? presta atenção no Sunryu.”

        E na verdade eu insisti umas quatro vezes com o Lama Samten, e só obtive aquele tipo de não-resposta… tipo… que naturalmente, com o tempo, você sabe que o lama está se segurando para não fazer uma crítica.

        Pro Alan Wallace também eu critiquei um pouco as traduções meio teosóficas do W. Y. Evans-Wentz…. pra que… ele disse “é, tá meio datado, mas sem o livro da grande liberação (uma das quatro traduções) eu não teria ido para a ásia estudar”… então MESMO D.T. Suzuki sendo bem problemático, como W. Y. Evans-Wentz, a gente tá tocando num assunto que diz respeito a primeiras conexões e que é naturalmente delicado. Agora… Zizek não é um budista… se valos falar de acadêmicos do budismo, vamos usar os grandes. Ele nem menciona Conze, que é outro que acho relativamente problemático, mas melhor que Suzuki. Ele poderia, vindo da tradição “continental” mencionar alguém como Herbert Guenther, por exemplo. Faria muito mais sentido. (embora um dos problemas do Suzuki seja exatamente o “romantismo” que tá na raiz do Hegelianismo que tá na raiz dos continentais, que tá na raiz dos pós-modernos… né… então tem uma linhagem que, no meu ver, já tá meio envenenada de cara)…

        Por outro lado, Suzuki? nos anos 00? Ele não é o Jack Kerouac e o Alen Ginsberg que só tinham isso para ler, e que perderam uma palestra de D. T. Suzuki em São Francisco por estarem, sei lá, chapados.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Ah, os primeiros comentários ruins sobre D.T. Suzuki que ouvi ocorreram em 97, e o praticante do zen que me falou pareceu meio exasperado “tu não sabe que esse cara é só um intelectual, não sabe nada de prática do zen?” hahaha 15 anos depois, imaginei que essa visão já estivesse mais generalizada… mas temos poucos… nenhum? mestre japones vivendo entre nós hoje… bah, é isso mesmo?

        Não que os ocidentais não possam ser tão grandes mestres quanto, mas… nesse momento ainda acho que o grosso da realização zen tá no cerne étnico da coisa, e gradualmente se transplantando pra cá.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        dorje, excelente artigo. agora sim estou entendo o que vc quer dizer. :)

        sem o dt suzuki, eu não teria começado a praticar zen, mas, de fato, não leio nada dele há mais de 4 anos, estou lendo outras coisas.

        e do conze só li um livro, que achei bastante problemático.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Achei interessante o comentário da japonesisse. Veja que o Jung fez prefácio para o D. T. Suzuki e ele sempre, nesses prefácios de orientalismos que ele fez, diz “isso não é pra gente galera”. É tipo turf war misturada com racismo dos dois lados. O Jung tem dessas, práticas orientais são para orientais, a gente tem outra disposição. E o D. T. Suzuki, por esse texto, no fim faz um elogio maior da japonesidade do que de qualquer outra coisa. O zen vira quase um judaísmo, tradição e etnia, e você pode se aculturar na etnia e se tornar um japônico, e então … enfim… Só lembrando que o problema maior do Jung é também esse. O Jung liga o D. T. Suzuki com o W. Y. Evans-Wentz… (prefácio pros dois)… Tudo antes dos 60, quando os mestres zen e tibetanos, e theravada, passaram a aprender inglês e trabalhar com as distorções estabelecidas desde os “orientalistas” do sec XIX.

  • Pedro Henrique Lima

    Padma, sei das suas restrições acerca do estudo por conta própria. Frequento o CEBB, mas gostaria de ampliar minhas leituras. Até hoje li muito pouco sobre budismo. Li apenas:

    Shambala – Chogyam Trungpa
    Alegria de Viver – Mingyur Rinpoche
    Start where you are – Pema Chodron
    The places that scare you – Pema Chodron
    A arte da felicidade – Dalai Lama

    Posso ler tanto em portugues como inglês. Voce teria alguma recomendação? De preferencia algo que consigo baixar de graça na internet. Obrigado!

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Vou lhe dizer os livros que vi o lama samten recomendar ao longo dos poucos anos que pratiquei a seu lado: cutting through spiritual materialism, zen mind beginners mind, buddhist bible, ethics for the new millenium, illuminating the path, buddhadharma, choosing reality, meditation transformation dream yoga (ancient wisdom), alguns textos de dogen, mas acho que pode ler qq coisa, transcending madness, sutra de hui neng, 118o discurso… assim é o que lembro de cabeça.

  • iloverafzan

    Dolorem ipsum dolor sit amet – uma das frases mais famosas do mundo – “ninguém procura a dor pela dor”.

  • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

    I made an English translation of this text. I added lot of material and made lots of corrections. It is on http://tzal.org/slavoj-iek-hipster-quackery/

  • http://www.facebook.com/wgrasel William Grasel

    Hey Eduardo, existe algum bom texto ou artigo na internet contendo explicações sobre o que não é o ‘nirvana’, indo nessa linha que você citou?

  • Ethan Wolfmeyer

    Bem fraco o texto e a reflexão. Seu texto mostra você como um budista invejoso (nada zen, hein!), desesperado para manter seus credos perante quem lê, através da dequalificação sistemática de Zizek como filósofo, psicanalista, ser humano, pensador. Um blogueiro bacharel criticar – sem argumentos – um autor PhD internacionalmente aclamado, dá a entender que você se escora de que se for bem sucedido em destruir a fama dele – revelando “verdades” – irá tanto mais purgar as dúvidade, fazer cair as máscaras e atrair para si os séquitos que deseja, conseguindo se auto-afirmar. Afinal, se nem você teve acesso ao conhecimento budista, como pode rechaçar a reflexão de um outro tão deseinformado quanto você?

    • Thiago

      Grande merda ele ser um PhD… vc já leu a obra dele? Uma nota de rodapé de platão varre todo o lixo q ele escreveu.

  • Guilherme Z.

    Olá Eduardo,

    Em primeiro lugar, parabéns por mais um texto. Confesso que não conhecia o Zizek, quanto menos suas críticas ao budismo. Este comentário é suscitado pela menção ao “distúrbio de lung”, sobre o qual busquei mais informações no google que, logo nos primeiros resultados, forneceu esta página:

    http://br.dir.groups.yahoo.com/group/bodisatva/message/5701

    na qual é dito que

    “Tsogniy Rinpoche comentou nos ensinamentos sobre o Estágio doDesenvolvimento que em geral as pessoas que não tem muito lung, embora
    não encontrem esses problemas, também não são particularmente
    brilhantes, não são capazes de fazer coisas grandiosas. Já se as
    pessoas que tem lung conseguirem deixar esse fluxo de energia
    coerente, aí surge uma pessoa brilhante e capaz de grandes ações.”

    então, minha pergunta é: esse mesmo Zizek, se treinar a mente, meditar (ou alguma forma equivalente de treinamento – nem sei se há, exatamente por isso estou perguntando), seria capaz de se transformar de um velhaco hipster em autor de feitos grandiosos? Se sim, (e visto que ele ja está com mais de 60 anos) seria possível obter isto ainda nesta vida, ou isso não seria viável?

    No mais, aprecio seus textos, inclusive comecei a ler alguns de seu site e, embora não seja muito familiarizado com o budismo, estou gostando bastante :)

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Com certeza alguma coisa ele pode mudar para melhor. Ele já tem grande carisma, e é uma pessoa que trabalha bastante, não é… se ele encontrasse mais florescimento pessoal, ele poderia levar isso aos outros. É claro que aos 60 anos isso é mais difícil do que quando mais jovem, mas alguma coisa sempre pode melhorar.

      • Guilherme Z.

        Tens razão, faz sentido. Obrigado pelo esclarecimento

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