Senzalas & campos de concentração

Alex Castro

por
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O Brasil se considera uma nação boa e pacífica. Mas é só porque esqueceu ter sido a maior economia escravocrata de todos os tempos.

Muitas vezes, o sono tranquilo não é consciência limpa: é falta de memória.

“O melhor bife batido da cidade está na Lanchonete DOI-CODI!”

Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?

Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?

No coração do centro histórico de Paraty, cidade colonial construída com o sangue e o suor de milhares de pessoas escravizadas, em pleno mês da consciência negra de 2012, acaba de ser inaugurado um novo restaurante:

Senzala Churrascaria Rodízio.

Não deveria me chocar mas ainda me choco. Afinal, o que não falta, em todo Brasil, são estabelecimentos chamados Senzala.

Na Alemanha, pelo menos, não existe nenhum restaurante Auschwitz: as pessoas teriam vergonha.

As maravilhas do tráfico humano

Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!

Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!

Em 2009, Portugal promoveu um concurso para escolher as “7 maravilhas de origem portuguesa do mundo”.

Dentre os vinte e sete indicados, muitos eram locais fortemente identificados com a escravidão, com a compra e com a venda, com a morte e com a tortura, com o desterro e com o desenraizamento de milhões de pessoas. Pessoas como eu e como você. Pessoas cujo sofrimento não deveria ser esquecido, minimizado, estilizado, folclorizado.

Nas palavras da historiadora Ana Lúcia Araujo, especializada em história da diáspora africana:

“O Forte Elmina foi construído em 1482 para fazer ali o comércio de escravos, hoje abriga um museu onde os visitantes são convidados a visitar as celas onde os africanos ficavam confinados antes de serem enviados para as Américas. No sítio da votação, encontra-se uma longa descrição do forte e nem sequer uma linha, uma palavra mencionando o tráfico de africanos escravizados. …

É como se Auschwitz participasse em uma eleição das sete maravilhas alemãs no mundo.

(Confira a lista dos vencedores.)

A feliz união das raças da maior democracia racial do mundo!!

Todos são iguais... mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?

Todos são iguais… mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?

Ninguém realmente deveria ficar surpreso. No mundo lusófono, o apagamento da memória da escravidão sempre foi a regra.

No Brasil, aprendemos na escola que nosso lindo país foi construído por pessoas brancas, negras e índias, todas felizes, de mãos dadas e ajudando umas às outras. (A colonização da América portuguesa foi um grande comercial da Benetton)

Para manter a mentira primordial no cerne do nosso mito de origem (e, assim, preservar o nosso sono tranquilo), a escravidão nunca é mostrada em seu verdadeiro horror:

“Sim, lá no passado longínquo, algumas pessoas escravizaram outras pessoas. Vai ver meu avô escravizou, vai ver meu avô foi escravizado, que diferença faz isso hoje em dia, não é? O nosso sangue já não está todo misturado? Pelo menos, olha só, nunca tivemos as leis racistas dos Estados Unidos e nossos escravos eram muito bem tratados, com amor e carinho! No Brasil, país tão bondoso e tão generoso, até a escravidão era a melhor do mundo!”

Naturalmente, sem querer entrar no mérito de qual era a “melhor escravidão”, um debate que não faria sentido algum, cabe um matiz:

Dentre todas as grandes economias escravistas modernas, somente nos Estados Unidos a população escrava tinha crescimento vegetativo, ou seja, aumentava e se reproduzia. No resto das Américas, a mortalidade era tão alta que, mesmo com os nascimentos, era preciso sempre escravizar e importar novas pessoas. O Brasil foi o maior importador de pessoas escravas de todos os tempos porque aqui, nessa terra tão bondosa e tão pacífica, era onde elas mais rapidamente morriam.

(Sobre as diferenças de mortalidade entre a escravidão no Brasil e nos EUA, recomendo o artigo de Herbert Klein, “Novas interpretações do tráfico de escravos do Atlântico“.)

Somos tão legais hoje que nem parece que éramos tão escravistas ano retrasado!

Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século... (pra nós, brancos, claro!)

Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século… (pra nós, brancos, claro!)

Um trecho do Hino à Proclamação da República, escrito em 1890:

Nós nem cremos que escravos outrora

Tenha havido em tão nobre País…

Hoje o rubro lampejo da aurora

Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro

Saberemos, unidos, levar

Nosso augusto estandarte que, puro,

Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Somente um ano e meio depois de abolida, a escravidão já começava a ser sistematicamente lavada da memória nacional.

Escravidão e Holocausto, ensinados lado a lado

Por Emory Douglas. Mais aqui: http://www.babylonfalling.com/Emory/Emory_Slideshow.html

“Eu, Barack Obama, o 44º presidente eleito dos Estados Unidos, peço desculpas pela escravidão.”

Para muitas pessoas brasileiras, o bicho-papão racial são os Estados Unidos. Não podemos implementar cotas raciais, pois senão “nos tornaríamos um Estados Unidos”; “temos muitos defeitos mas pelo menos não somos os Estados Unidos”, etc etc.

Pois eu morei lá e morei aqui, e estudei a fundo a história da escravidão nos dois países. Somos ambos profundamente racistas, sim, mas no Brasil, ainda por cima, costumamos pensar que o não-falar sobre o racismo e a escravidão vai resolver por si só o problema.

Enquanto isso, o presidente norte-americano, em visita a Gana, um dos principais portos exportadores de pessoas escravizadas, afirmou que a escravidão, como o Holocausto, é daquelas coisas que não pode ser esquecida.

Para Obama, a visita aos calabouços da escravidão lhe remeteu à sua viagem ao campo de concentração Büchenwald: ambos sublinham a capacidade humana para cometer o mal.

E completou afirmando:

“A escravidão e o Holocausto deveriam ser ensinados nas escolas de modo a conectar a crueldade passada aos eventos atuais.”

Homens que não entendem porque tanto alarde pelo câncer de útero

Get over it!

“Nunca esqueça! Nunca esqueça! Sai dessa, pô!”

Desconfio sempre da pessoa que fala “sai dessa” quando o “essa” é algo que ela nunca experimentou.

Afinal, do ponto de vista de quem está bem acomodado e seco no convés do barco, não há motivo pra se debater tanto lá embaixo no mar só porque tem água entrando nos seus pulmões… Sai dessa!

“Por que essas cadeirantes preguiçosas não deixam de se fazer de vítima e sobem as escadas como todo mundo, hein?”

A meritocracia do Brasil, em uma charge.

A meritocracia do Brasil, em uma charge.

Pior ainda são aquelas pessoas (muitas negras) que são contra as cotas (e similares) argumentando que “nunca precisaram delas”.

E eu faço uma cara pensativa e respondo:

Concordo, claro, como não? E tem mais, também sou contra esse negócio de diálise em hospitais públicos e rampas para cadeirantes nos prédios.

Oras, se passei a vida inteira sem precisar de nenhuma dessas coisas, é porque não são tão importantes assim, certo?

Afinal, dado que eu sou o centro do universo e a medida de todas as coisas, as pessoas só deveriam receber o que eu recebi e as únicas necessidades válidas são as que eu também tenho!

(Sobre isso, leia meu texto O assunto não é você.)

Somos os melhores em esquecer nossos crimes

Durante sete anos, morei em Nova Orleans, principal porto escravista norte-americano. Assim como o Rio de Janeiro onde nasci, Nova Orleans é uma linda cidade, sexy e musical, turística e carismática, construída nas costas de pessoas escravizadas, desesperadas, agonizantes.

Um dia, enquanto passeava com meu cachorro pelo bairro universitário, uma soccer mom enfiava cuidadosamente suas quatro crianças, todas brancas e roliças, em seu jipão utilitário de luxo, também branco e roliço. Era uma senhora baixinha e gorducha, bochechas rosadas e orelhas de abano, carregando mochilas e merendeiras, parecendo dotada daquela infinita paciência que só uma mãe de quatro crianças pode ter. E, em seu para-choque traseiro, discretamente, estava o adesivo:

“The South will rise again” (“O Sul se reerguerá“)

Como não se sentir ameaçado? Não conheço o contexto dessas palavras. Por tudo que sei, é um inocente desejo de revitalizar a economia local. Mas, ainda assim, nenhuma racionalização poderia apagar o meu calafrio ao ler aquela frase; nenhuma explicação lógica faria aquele adesivo soar menos sinistro. De certo modo, era como se o ressurgimento do Sul fosse indistinguível e indissociável do reescravizamento de toda uma raça.

E pensei: o Brasil foi tão ou mais escravista do que o Sul dos Estados Unidos, e resistiu por muito mais tempo até a Abolição. Ainda mais doloroso pra mim, dos nove únicos deputados que tiveram a cara-de-pau e a temeridade de votar contra a Lei Áurea em pleno maio de 1888, já na véspera do século XX e na contra-mão de todos os ventos filosóficos do XIX, oito eram do Rio de Janeiro. legítimos representantes eleitos do meu estado.

(Ao contrário do que muita gente pensa, a Abolição não foi um “presente da monarquia”, mas uma lei disputada voto a voto no Parlamento, que foi somente sancionada pelo Poder Executivo, naquele momento representado pela Princesa Isabel.)

Entretanto, não ficamos nem o Rio e nem o Brasil maculados por essa nódoa. Um adesivo “O Brasil se reerguerá” despertaria calafrios? Claro que não. Nem o Paraguai tem medo do Brasil. E concluí, aliviado: ainda bem que pelo menos o bom nome do meu país e do meu estado não estão ligados à escravidão.

Um segundo depois, bateu o estranhamento: mas… por que não?

A falta de calafrios não corresponde à falta de crimes. O Sul dos EUA teve, no Norte, um vizinho incômodo que manteve viva a memória de seus crimes. Já em nosso caso, simplesmente varremos nossos crimes para debaixo do tapete.

Não somos mais virtuosos: somos melhores em esconder o corpo.

“Shoah”, um documentário impossível

"Shoah", o fim da viagem.

“Shoah”, o fim da viagem.

Shoah é uma palavra iídiche que significa “calamidade”. Para muitas pessoas, é um termo preferível a Holocausto – que, afinal, significa “oferenda aos deuses”.

Shoah também dá título a uma das grandes obras de arte, de qualquer arte, do século XX, realizado pelo boy-toy de Simone de Bouvoir, Claude Lanzmann.

São nove horas de filme, sem nenhuma imagem de arquivo: são somente depoimentos, e depoimentos, e depoimentos. Lanzmann entrevista três tipos de pessoa: sobreviventes, algozes (oficiais de campos de concentração) e testemunhas (pessoas polonesas que moravam perto dos campos).

Entrevistando sobreviventes, Lanzmann é implacável. Ele praticamente as obriga a falar:

“Não foi uma crueldade fazê-las reviver, através da fala, tudo o que sofreram, no caso dos judeus. Era absolutamente necessário. Não acho que tenha sido sádico, mas fraternal. Durante as entrevistas, eu toco suas mãos, seus ombros, seus braços. Uma forma de dizer ‘eu estou com você’. Não faço interrogatórios para que alguém se diga culpado. Eles sofrem. Mas eu também sofro. Eu não os torturei. Eles se sentiram liberados. Eu não estava falando com uma pessoa qualquer, mas com um grupo muito especial de sobreviventes – e não há mais do que um punhado deles no mundo”. (grifos meus)

Abaixo, talvez a cena mais emocionante no filme. O barbeiro não consegue falar, mas Lanzmann pressiona (em inglês):

Link YouTube | “Shoah”, e a impossibilidade de lembrar

Shoah é um filme de insuportáveis silêncios: das nove horas de filme, cinco horas e meia são de puro silêncio. Diz Lanzmann:

“Não é uma reconstituição, não é uma ficção, não é um documentário. O filme é uma ressurreição, uma reencarnação, tem uma arquitetura, uma construção em torno de uma obsessão pessoal. Eu fazia sempre as mesmas perguntas, geralmente referentes à primeira vez. E não tinha nenhuma intenção de acusar, denunciar, culpar. Nada disso, isso não me interessava.” (grifos meus)

Houve uma decisão consciente de fazer um filme sobre o presente, e não sobre o passado:

“O pior dos crimes, ao mesmo tempo de ordem moral e artística, quando se quer consagrar uma obra ao Holocausto, é considerá-lo como passado. Meu filme é uma anti-lenda, um contra-mito, vale dizer, uma investigação sobre o presente do Holocausto ou, ao menos, sobre um passado cujas cicatrizes estão ainda tão fresca e vivamente inscritas nos lugares e nas consciências que ele se dá a ver numa alucinante intemporalidade. … Os homens e as mulheres que falam diante da câmera dão sempre a impressão de não estarem contando lembranças, mas de as viverem mesmo, com força e clareza, no presente. … Enquanto fazia o filme, a distância entre o presente e o passado foi totalmente abolida. Em Treblinka só havia pedras, filmei as pedras como um louco, por todos os lados. Quando o espectador vê as pedras de Treblinka, ele vê os judeus sendo mortos. Da mesma maneira que quando o trem chega a Treblinka o espectador vê a tabuleta com o nome do campo exatamente como os judeus que iam para morte deviam ver. É um ato de cinema muito violento. Por isso o filme é fundamentalmente uma invenção, não uma lembrança. … O filme é sobretudo uma ressurreição, as pessoas entrevistadas revivem aquele tempo de tal maneira que, quando falam, até alternam os tempos dos verbos – presente e passado. … No filme, quando as pessoas falam, confundem presente e passado. Na mesma fala, dizem: eu estava lá e pouco depois: eu estou lá.” (grifos meus)

Mais do que tudo, é um filme sobre a impossibilidade de recordar, de conceber, de articular o mal:

“Comecei precisamente com a impossibilidade de recontar essa história. Situei essa impossibilidade bem no início do meu trabalho. Quando comecei o filme, tive que lidar, por um lado, com o desaparecimento dos vestígios: não havia coisa alguma, absolutamente nada, e eu tinha que fazer um filme a partir desse nada. E por outro lado tive que lidar com a impossibilidade, até mesmo dos próprios sobreviventes, de contar essa história; a impossibilidade de falar, a dificuldade que pode ser vista ao longo do filme de trazer luz e a impossibilidade de nomear: seu caráter inominável.” (grifos meus)

Para celebrar os 30 anos de sua estréia, Shoah foi lançado em DVD pelo Instituto Moreira Salles. Recomendo nos mais enfáticos termos.

Mas não assista sozinho. É muito duro.

(Sobre “Shoah”, leia também: A dificuldade de falar de “Shoah” e It’s a beautiful thing.)

O Holocausto foi terrível mas não foi único

Estudo raça e racismo há muitos anos. Um dos meus livros preferidos sobre o tema é The Racial Contract, de Charles W. Mills.

Segundo Mills, o racismo seria um sistema político e uma estrutura de poder baseados em um contrato social (na verdade, um contrato racial) no qual as pessoas da raça dominante formariam um acordo tácito de, ao mesmo tempo em que garantem para si a maior parte das riquezas/oportunidades/etc da sociedade, também consentem em não ver o próprio sistema, criando assim a “alucinação consensual” de um mundo sem raças, meritocrático e igualitário, que passa a mediar sua interpretação da realidade.

Como essas pessoas estruturam o mundo em função de si mesmas, elas se instituem como a norma em oposição à qual todas as pessoas de outras raças serão medidas: “essas outras têm raça, não eu!” Assim como o peixe não vê a água, as pessoas da raça dominante não veem o racismo.

Mills também embarca em uma comparação perigosa, mas praticamente inevitável, entre o racismo e o Holocausto.

Visto de fora por pessoas não-europeias, que sabem na pele que a civilização europeia se baseia em praticar o barbarismo fora da Europa, o Holocausto não representaria “uma anomalia transcendental no desenvolvimento do Ocidente”, mas, pelo contrário, sua singularidade estaria apenas na aplicação do contrato racial contra europeus.

Ao colocar o Holocausto no contínuo cultural de outras políticas exterminatórias colonialistas europeias, Mills não deseja negar o seu horror, mas somente sua singularidade histórica.

Tudo o que o nazismo tinha de operacional já vinha sendo aplicado, legitimado, tolerado, negado e esquecido pelas potências europeias há muitos séculos: a maior transgressão de Hitler, portanto, teria sido aplicar “em casa”, na Europa, contra pessoas brancas e europeias, métodos que antes eram aplicados exclusivamente contra pessoas árabes, negras, indígenas.

A própria percepção do Holocausto, visto como um horror completamente fora de escala e colocado num plano moral muito diferente de todos os outros massacres de pessoas não-europeias ao longo da História, seria evidência da força ideológica do contrato racial.

Além disso, ao narrar o racismo nazista como uma invenção aberrante de figuras bizarras e extremas como Gobineau e Goebbels, o Holocausto presta à intelligentsia europeia do pós-guerra um importante serviço: sanitiza seu passado. O Holocausto torna-se culpa de um punhado de psicopatas cruéis, e não mais uma política sistemática e constitutiva da civilização ocidental.


Link YouTube | “Nação do Medo”, legendado, completo, um filmaço de ficção científica.

Por fim, Mills cita o romance de ficção científica Pátria Amada, que mostra um futuro alternativo onde o nazismo ganhou a guerra e nunca existiu a memória do Holocausto.

Na verdade, aponta Mills, nós já vivemos nesse mundo não-alternativo: a única diferença é que o lado vencedor foi outro, mas ele também apagou a memória dos seus massacres, esvaziando sua importância e subtraindo seu ultraje.

Daí o esquecimento dos horrores da escravidão.

(O livro Fatherland (1992), de Robert Harris, foi lançado no Brasil pela editora Record, com o nome Pátria Amada. O filme Fatherland (1994), com Rutger Hauer, saiu no Brasil como Nação do Medo. Pode ser encontrado inteiro no YouTube.)

O Epcot da escravidão nos Estados Unidos

Em Williamsburg, escravo é perseguido.

Em Williamsburg, escravo é perseguido.

Mas se devemos lembrar sempre a escravidão… como?

Nos Estados Unidos, a cidade de Williamsburg oferece uma janela ao passado. Em troca do passe diário de US$36, o visitante passa o dia em uma “autêntica” vila colonial, onde tudo é como antigamente (menos os banheiros!), Todos estão vestidos a caráter, em roupas de época, falando em vocabulário antigo, essas coisas. É um dos destinos turísticos e educacionais mais famosos do país.

Entretanto, sempre foi criticado por apresentar uma versão muito fácil, sanitizada e maniqueísta da História. Mais do que tudo, cadê as pessoas escravizadas? Afinal, na época da colônia, os Estados Unidos tinham escravidão e metade da população de Williamburg era negra.

Hoje em dia, o parque faz um esforço consciente (e polêmico, claro) para retratar a escravidão: além de incluir mais atores e atrizes negras, criou-se também um “passeio” chamado Enslaving Virginia (“Escravizando a Virgínia”) especificamente sobre os horrores da escravidão.

Deve ser horrível mesmo: vários atores e atrizes negras já se recusaram a interpretar as pessoas escravizadas (por considerar muito humilhante); as crianças choram tanto que foram criadas sessões explicativas posteriores para enfatizar que era tudo faz-de-conta; e já aconteceu de visitantes interromperem o passeio para “salvar” as vítimas da escravidão.

Melhor assim. Preferível ser repelido por um simulacro do horror que nos gerou do que fingir que o horror nunca existiu.

Encenação da escravidão à brasileira

O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.

O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.

E no Brasil?

Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, já foi uma das cidades mais ricas do país, no centro da região que produzia a mais importante riqueza nacional: café. Hoje, é uma cidadezinha de vinte mil habitantes, que vive dos turistas que atrai com seus palacetes e fazendas coloniais – algumas com polêmicas encenações históricas.

Na fazenda São João da Prosperidade, há cinco gerações com a mesma família, a proprietária recebe turistas vestida de sinhá e suas empregadas, de escravas:

Da janela, aponta a senzala: “Tenho 300 escravos” orgulha-se, voz impostada e dedo em riste. De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina, de apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. “Não vê que estou com visitas?” – esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados. (fonte)

Em uma fazenda próxima, Cachoeira Grande, que visitei em novembro de 2012, são só as empregadas que estão vestidas a caráter: o casal de proprietários se veste e fala como se estivessem no século XXI.

Mais para o norte, na zona da mata de Pernambuco, o Engenho Uruaé também encena a escravidão:

Vestido como “escravo da casa”, o jovem guia mostra o “quarto da sinhazinha” e explica a genealogia da família proprietária do engenho através dos retratos na parede. Na senzala, que chegou a ter 300 escravos de uma vez, ele coloca uma peça de ferro no pescoço e anuncia, sorridente: “Quem era moreno como eu era aqui”. O mais constrangedor vem depois, do lado de fora: o guia se amarra no tronco e pede que um voluntário simule açoitá-lo. Foi difícil arranjar alguém disposto a interpretar o papel. (fonte)

O engenho Uruaé também está na mesma família há sete gerações. Durante a visita, a proprietária afirma:

“A gente tem mais é que se orgulhar dos nossos que vieram antes. Nós ainda não fizemos nada.”

Fui só eu que achei esse “ainda” um pouco sinistro? O que essa senhora ainda está planejando fazer? Reescravizar todo mundo?

Mas isso é implicância minha. A raiz filosófica do problema é outra:

Como retratar os horrores do passado?

Qual é a medida certa do horror?

As encenações históricas da escravidão nas fazendas coloniais parecem não agradar ninguém.

Por um lado, argumenta-se que elas não são horríveis o suficiente. Que encenam somente os aspectos mais, digamos, reprodutíveis da escravidão, aqueles por definição mais doces e inofensivos. Que perpetuam a ideia de que a escravidão era somente uma forma de trabalho entre tantas outras.

Afinal, se a escravidão é algo que uma doméstica contemporânea pode reproduzir, se a escravidão se resumia a se vestir de branco e trazer café pra uma mulher que você chama de “sinhá”, bem, então não era tão ruim assim, né? (Ou talvez ser empregada doméstica é que é horrível demais, mas não entremos nisso.)

Por outro lado, argumenta-se que são horríveis demais. Que mesmo doces e meigas, ainda mais quando encenadas por descendentes das vítimas, são sempre humilhantes:

“Outros, no entanto, não sabem como reagir diante da interação realista dos ‘escravos’, que circulam vestidos em pobre algodão e, não raro, se curvam para obedecer às ordens da sinhazinha. “Será que esta criança tem idéia do que está fazendo? Ela ainda não tem idade para entender e pode ficar com a idéia de que deve se comportar como escrava, de que isso é normal” – indigna-se uma visitante paulistana, depois de recusar um copo d’água servido pela ‘mucama’.”

Já o historiador Milton Teixeira, que trabalha como guia de turismo nas fazendas do café, defende a prática:

“Não é degradante representar um escravo. Se o turista se sente incomodado, muito bem. O passado de escravidão tem de incomodar bastante, e não deve ser esquecido. … Ora, representações são feitas em toda parte do mundo. Na Europa, tem famílias pré-históricas; nos Estados Unidos, há simulação das batalhas da Guerra de Secessão, e, aqui no Brasil, é natural que haja uma encenação com escravos. Muito pior seria querer mostrar que não houve escravidão.” (fonte)

Não deixa de ser simbólico que muitas dessas fazendas ainda estejam nas mãos das mesmas famílias. Ontem, lucraram com o café ou com a cana plantada pelas pessoas que escravizaram. Hoje, a mesma família continua lucrando, nos ombros das descendentes dessas mesmas pessoas escravizadas, agora reduzidas a guias de turismo que reproduzem para turistas insaciáveis o (pseudo) horror da vida de suas avós.

Como escreveu o historiador e jornalista Fabiano Maisonnave, para a Folha:

“De forma explícita ou não, as visitas aos engenhos transformam esses verdadeiros campos de concentração numa bufonaria, diluindo um dos piores crimes da humanidade, principal responsável pela imenso fosso social brasileiro, em um exemplo acabado do “racismo cordial”. A escravidão é exaltada, a casa-grande, absolvida, e a cana-de-açúcar, revalorizada como “energia renovável”, se torna bênção econômica do passado e do presente.”

Mas como reproduzir de forma correta e didática o verdadeiro horror da escravidão? Como mostrar os corpos jovens mas enfraquecidos e fragilizados pelo criminoso excesso de trabalho? Como mostrar as marcas da tortura? Como mostrar as frequentes mutilações causadas pelo machete durante o corte da cana ou pelas engrenagens dos engenhos durante a moagem? Como mostrar as feridas emocionais de famílias desfeitas e de vidas sem esperança? Como mostrar as pessoas rebeldes que matavam e morriam para não voltarem ao cativeiro?

Será possível mesmo começar a quantificar esse horror? Quem dirá reproduzi-lo?

Existem encenações históricas em Auchwitz? O que o mundo pensaria de ver sorridentes atores e atrizes descendentes de nazistas brincando de depositar chorosas descendentes de pessoas judias dentro dos fornos?

“É só mentirinha, gente! É educacional!”

(Na verdade, como o instinto humano da burrice é inesgotável, já houve tentativas desastradas de encenar o Holocausto em escolas. Uma vez, na Perryton High School, no Texas, um aluno chegou a processar a escola.)

Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.

Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.

Escravidão: essa pica é nossa!

A escravidão africana nas Américas foi talvez a maior tragédia da Era Moderna.

Estima-se que cerca de 11 milhões de pessoas tenham sido transportadas à força da África para as Américas.

(Outras estimativas mais agressivas calculam que cerca de 40 a 75 milhões de vidas africanas tenham sido perdidas por causa do tráfico, entre mortas em guerras para obter pessoas escravizadas, em emboscadas para capturar essas pessoas, ou em marchas forçadas para os portos exportadores no litoral.)

Dentre as muitas nações responsáveis por esse lucrativo e criminoso tráfico, a maior culpada é Portugal.

(Principais transportadores de pessoas escravizadas para as Américas: Portugal, 4,6 milhões; Reino Unido, 2,6 milhões; Espanha, 1,6 milhão.)

Dentre as muitas nações que compraram essas pessoas e que construíram sua riqueza em suas costas, a maior culpada é o Brasil.

(Principais destinos de pessoas escravizadas nas Américas: Brasil, 4 milhões; América Hispânica, 2,5 milhões; Índias Ocidentais Britânicas, 2 milhões.)

Reparem no tamanho da seta que nos cabe.

Reparem no tamanho da seta que nos cabe.

Dentre os muitos portos brasileiros que receberam essa massa humana desgraçada, o principal foi o Rio de Janeiro. (Dos nove deputados que votaram contra a Lei Áurea, vamos lembrar, oito eram da província do Rio.)

Além disso, quem inventou esse lucrativo e terrível modelo de negócios foi Portugal – não por acaso, os primeiros homens brancos a explorar sistematicamente a África. Em 1441, Antão Gonçalves teve a dúbia honra de se tornar o primeiro europeu a comprar e trazer para casa pessoas africanas escravizadas.

Depois desse ato inaugural de horror, a a História se desenrolou rapidamente, comprovando o tino comercial da coroa portuguesa: já em 1452, arrancou do Papa uma bula autorizando a escravização de infiéis; em meados de 1470, estava comercializando pessoas escravizadas no Golfo do Benim e no delta do rio Níger; e, finalmente, em 1482, institucionalizando o tráfico, construiu a fortaleza de São Jorge da Mina, em Gana, que em 2009 seria indicada candidata a “maravilha de origem portuguesa do mundo”.

(Por si só, a escravidão é mais antiga que andar pra frente. Todos os povos de todos os continentes de todas as épocas já tiveram algum tipo de escravidão, mas quase sempre cerimonial e economicamente insignificante. A escravidão africana nas Américas é um novo tipo de fenômeno humano porque, pela primeira vez, temos nações economicamente dependentes de milhões de pessoas escravizadas que compõem muitas vezes a maior parte de suas populações. Só o Império Romano chegou perto. Sobre a escravidão antiga e moderna, recomendo Escravidão Antiga e Ideologia Moderna, de Moses Finley. Sobre a escravidão como fenômeno global, recomendo Escravidão e Morte Social, de Orlando Patterson.)

Por fim, muitos e muitos séculos depois, no outro extremo dessa triste história, a última nação das Américas a abolir essa escravidão africana inventada por Portugal, a nação que mais teimosamente se agarrou às suas pessoas escravizadas até o último minuto possível, foi justamente a nação gerada do ventre português: o Brasil. Tristemente, nós.

De um modo bem real e doloroso, é difícil evitar a conclusão que esse enorme crime contra a humanidade é, em grande parte, uma responsabilidade lusófona e, dentro disso, brasileira. (E, mais especificamente ainda, e não que os outros estados sejam inocentes, carioca e fluminense.)

Passei seis meses na Alemanha durante a década de noventa. Mesmo cinquenta anos depois da Segunda Guerra, mesmo entre adolescentes cujos pais e mães nem eram nascidos durante a guerra, basta uma menção a nazismo, Holocausto ou Auschwitz para fazê-las abaixar a cabeça em silêncio, envergonhados, culpados, tristes.

Nós, no Brasil, se tivéssemos vergonha na cara, se tivéssemos um pouco mais de memória, faríamos a mesma coisa ao ouvir menções a senzala, navio-negreiro, escravidão.

Essa pica é nossa.

Cais do Valongo, o elevador de serviço do século XIX

Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.

Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.

No Rio de Janeiro, o principal porto de desembarque de pessoas escravizadas foi o Cais do Valongo. Estima-se que, entre 1758 e 1843, tenham chegado por ele quase um milhão de pessoas. (897.748, segundo o The Transatlantic Slave Trade Database.)

Provando que não foi de repente que nos tornamos o povo que faz subir pelo elevador de serviço a doméstica que faz o nosso serviço sujo, em 1770 o desembarque de pessoas escravizadas é proibido no porto principal da cidade (onde hoje fica a Praça XV e o Paço Imperial) e transferido exclusivamente para o distante e discreto Valongo.

Afinal, quando se está chegando de um grand tour pela Europa, a última coisa que se quer ver é uma pessoa negra, nua e escravizada, agonizando no cais perto de você! Pelo amor, né!

Por fim, em 1843, com cada vez mais vergonha da escravidão que lhe pagava as contas, o Império desativa e aterra o Cais do Valongo, construindo por cima dele o elegante Cais da Imperatriz.

E fim de história. Assim, esqueceu-se o Valongo. Afinal, como canta o Hino de República, “nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país!”

Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.

Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.

Fast-forward para o presente. Em meio a um frenesi de obras para preparar o Rio de Janeiro para a Copa e para os Jogos Olímpicos, a prefeitura acabou de descobrir e desencavar o Cais do Valongo em pleno centro da cidade.

Agora reformado e reembalado para turistas (“são nossas ruínas romanas!“, disse o empolgado prefeito), o Cais do Valongo foi inserido norecém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, ao lado de outras atrações como a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos (onde eram enterradas as vítimas da travessia atlântica) e os Jardins Suspensos do Valongo, esses últimos uma das coisas mais lindas e surpreendentes que já vi nessa cidade. (Veja o mapinha abaixo.)

O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.

O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.

Mas que não seja só um espaço para turista tirar fotos.

O que falta ao Brasil e ao Rio de Janeiro, e o que esse circuito histórico pode começar a timidamente fornecer, é uma verdadeira compreensão dos horrores que engendramos, um pálido retrato do terror que aconteceu (e ainda acontece) debaixo dos nossos olhos, nesse nosso chão, na nossa senzala, no nosso quartinho de empregadas.

O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.

O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.

É possível quantificar o horror?

O Holocausto perpetrado pela Alemanha durante as décadas de 1930 e 1940 matou cerca de seis milhões de pessoas judias, um terço da população judaica mundial. Além de incontáveis milhões de outras pessoas.

Não é minha intenção negar nem suavizar esse horror.

Mas não foi nem de longe o único horror perpetrado pela civilização europeia em sua longa história de horrores.

É impossível visitar lugares de tortura e morte como Auschwitz, Treblinka, Sobibor sem uma atitude de respeito e reflexão, sem pensar na memória das centenas de milhares de pessoas que sofreram ali.

Mas por que nós, brasileiros e brasileiras, não temos a mesma atitude ao visitar uma senzala, um engenho, um pelourinho (onde as pessoas escravizadas eram castigadas publicamente) ou o Cais do Valongo?

Auschwitz matou 1,1 milhão de pessoas, Treblinka, 900 mil, Sobibor, 200 mil.

Enquanto isso, o Brasil recebeu 4 milhões de pessoas escravizadas, sendo que um milhão só pelo Cais do Valongo, logo ali, no centro do Rio.

Quem consegue compreender a enormidade desses números? Quem consegue quantificar tamanho sofrimento?

O passado é presente

Por isso, ali de pé diante do Cais do Valongo, um dia depois de assistir Shoah, eu tentei esquecer os números e somente imaginar como teria sido a experiência individual, una, indivisível, de pisar em terra firme ali, naquelas pedras, naquele chão.

Imagino que fui arrancado de minha família e de tudo que conheci; que atravessei o oceano cercado de pessoas agonizantes em um navio infecto; que não pude trazer uma roupa, um livro, nenhum objeto pessoal; que não sabia se jamais veria minha terra; que estava condenado a um castigo literalmente e potencialmente infinito, pois a escravidão não seria apenas minha, mas sim herdada por toda a minha descendência até o fim dos tempos.

Imagino que o Rio de Janeiro, para mim, escravo recém-chegado, era um lugar desconhecido e cheio de horrores. Era o porto onde colegas de viagem mais fracos vinham morrer. Era o chão onde começava a escravidão do meu corpo. Era minha primeira experiência nesse novo mundo onde seria cativo e explorado.

Imagino então que hoje o Rio de Janeiro continua sendo um lugar de horror para as pessoas que descendem de mim e dos meus, para as pessoas que têm o meu sangue e a minha cor, que são ao mesmo tempo a maior parte das vítimas de assassinato e também a maior parte da população carcerária, e ainda têm que ouvir que racismo não existe no Brasil.

Tudo isso aconteceu ontem, e continua acontecendo hoje. O passado, como uma pedra jogada no lago, cria ondas concêntricas na água e repercute no presente. O passado é o presente.

A Polícia Militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.

O que fica claro é que não dá pra pensar nesses fenômenos como se pertencessem a universos tão diferentes assim. Não faz sentido chorar assistindo A Lista de Schindler e depois ir espairecer tomando o milkshake do Senzala.

A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.

A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.

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* * *

Esse texto foi reescrito e republicado em janeiro de 2014, para melhorar a argumentação, excluir trechos fracos e tornar a linguagem menos sexista. Confira aqui minhas dicas pessoais sobre como escrever de forma menos sexista.

Alex Castro

alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // esse é um texto de ficção. // se gostou, venha aos meus encontros ou receba meus novos textos por email.


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  • HenriqueBarbosa

    Genial

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    bem vindos aos comentários.

    vou responder comentários que:

    1. sejam bem-educados;

    (“huahaha mais um texto babaca do alex castro!”)

    2. demonstrem que o comentarista leu e entendeu o texto;

    (“parei de ler na hora que…”)

    3. não coloquem palavras na minhas boca.

    (“quer dizer que você acha que todo brasileiro tem que se suicidar de vergonha da escravidão? q absurdo!”)

    ou seja, se você já chegar na maior grosseria e ainda demonstrar que não entendeu nada do texto, não tem como rolar diálogo.

    se você quiser dialogar comigo ou discordar de mim, é simples: seja educado. aliás, seja educado sempre, com todo mundo.

    beijos em todos

    • Anonimo

      Dispenso os beijos.

      • aiaiai

        “ai, eu sou macho, dispenso beijo de outro macho”. Nossa, quanta segurança, só que não.

      • Guilherme

        O cara não tem o direito de dispensar os beijos? tem que aceitar ?
        hahahaahaha, comentário ridículo!
        dispenso os beijos tbm Alex,

        no mais ótimo texto, muito bom mesmo, só um adendo que não li no texto, ou passou batido, vi você citar muito os brancos, brancos, brancos, mas a escravidão já existia antes dos brancos chegaram a áfrica, entre os próprios negros ocorria, uns escravizando outros da mesma ‘raça’, se assim podemos dizer, (algo que não acredito, diferenças de ‘raças’) somos da mesma raça, humanos, homo sapiens como preferir !
        Abraços!

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        o texto diz que todas as civilizaçoes de todas as epocas (fica implicito o “de todas as cores e raças”) tiveram escravidao… ai ai…

      • guilherme

        Perdão, como disse o texto é bem longo, e muito bem escrito, poderia ter pulado qualquer parte, mas não foi a intenção !
        Só quis deixar essa ressalva, pois como disse a escravidão não se deu apenas de brancos/negros, existia entre indios/indios, negros/negros, etc,etc .. Mas com certeza a brancos/negros foi a mais devastadora para muitas sociedades/populaçoes em geral.
        Abraços!

      • João

        Bom texto, mas dispenso o beijo cara. rs.’

      • Diego Barrionuevo

        Vc nao pode ter certeza disso. Analize por um instante a colonizacao espanhola na America hispana. Milhoes de indigenas escravizados, torturados e assassinados.

      • http://www.facebook.com/jucelio.jucelio Jucelio Jr

        Pq quando escreves “todas as civilizações” as pessoas imediatamente associam aos brancos, europeus. Por isso o apelo acima… ai… ai…

      • Diego Barrionuevo

        Nao generalaize, meu amigo. Qndo ele disse todas as civilizacoes eu entendi que eram TODAS as civilizacoes. Em td caso vc interpretou errado.

      • archibaldo

        da onde surgiu essa de falar só que não…deve ser coisa importada.

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000169026699 Michel Colombo

        kkkkkkkkk! só pode!

      • aiaiai²

        Putz, não sabe brincar não desce para o play!

        vc deve ser beija cu! aposto!

      • http://www.facebook.com/jullyanlessa Jullyan Lessa

        Amigo se pegar essa tua linha de pensamento, QUALQUER UM que dispensar os beijos de um Gay, seria um “enrustido e inseguro”, não creio, Gay nasce Gay, não vira Gay do nada não escolhe ser Gay, ele simplesmente é… não existem Enrustidos pois cedo ou tarde ele ira demonstrar sua verdade interior, não me sinto a vontade no meio de um bando de Drag-Queens, e recuso com Veemência ir numa parada Gay e nem por isso quero assassinar cada gay que vejo e MUITO MENOS tenho qualquer duvida acerca de minha opção sexual sendo 100% seguro dela, e MESMO assim dispenso os beijos, e ainda assim faço votos de que eles sejam aceitos pela sociedade e que possam viver suas vidas em segurança com suas famílias…

      • http://www.facebook.com/dennymarcels Denny Marcel

        O Alex não é gay.
        (como diabos a discussão do texto foi parar única e simplesmente na ÚLTIMA FRASE que não tem NADA A VER com TODO O RESTO?)

      • Huan Icaro Piran

        Boa aiaiai :D

    • Milena

      Eu gostei do texto. Não sabia que tinha gente encenando por aí, negro na senzala. Sabe, tive um professora de direito internacional privado que me disse que no âmbito da adoção de crianças, nós brasileiros temos bastante restrição quanto as características fisicas das crianças, não gostamos de adotar os negrinhos… Mas sabe quem não tem o menor problema com isso? Os alemães! Acho que hoje em dia, eles estão fazendo o possível para tirar esta imagem de nazistas em razão deste acontecimento recente (comparado a história da humanidade é bem recente!), acho que a midia, o cinema, a literatura contribuiram muito para que eles se envergonhassem profundamente do que aconteceu. O mesmo não acontece aqui, nossa propaganda é do carnaval, da negrada que sabe dançar que está sempre sorrindo… E a maioria já está tão acostumada a se sentir num degrau abaixo da hierarquia que não sabe nem mais o que contestar, mesmo a galera que tem estudo. Ignorando o fato de que eles também contribuiram muito pra escravidão, acho que o Estado contribuiu para esta etnia se odiar enfim.
      Sou branca e loira. Posso dizer que poucas vezes uma pessoa da etinia negra olhou para mim como se sentisse igual a mim. Em geral, ou olham pra mim com respeito demais ou agem com desprezo e agressividade. Eu nem fiz nada. Uma vez um garotinho jogou areia em cima de mim na praia e olhou com raiva, noutra uma garota jogou um copo cheio de gelo na minha cara enquanto eu andava de bike. Por ultimo, uma garota puxou o meu cabelo.

      • sandro

        “..a maioria já está tão acostumada a se sentir num degrau abaixo da hierarquia…” cuidado milena… isso passa perto do raciocínio q já escutei por ai: “eles mesmo tem preconceito entre eles” como se a culpa do construção cultural do racismo fosse da vítima… e outra: “Em geral, ou olham pra mim com respeito demais ou agem com desprezo e agressividade.” olhares e “avaliação de olhares” são vias de mão dupla ‘contaminadas’ das histórias pessoais, então qdo vc “avalia/pressupõe” olhares eles são avaliados pelos seus filtros de “conceitos pré-definidos” que vc assimilou durante sua vida…

      • Stephanie

        Infelizmente sua pré-suposição foi bastante infeliz. Dizer que “olham pra mim com respeito demais ou agem com desprezo e agressividade” é reafirmar um raciocínio que realça ainda mais esse conceito de classe dominante. Os exemplos usados por você refletem mais a “birra” de uma criança/jovem do que a um preconceito propriamente dito.

    • http://www.facebook.com/ruda.prestes Rudá Prestes

      Passando só pra deixar claro que depois de um texto desse se uma pessoa como essa me oferece afeto, eu nunca negarei. Pq com certeza, é muito afeto.

      Grato pelo ótimo texto.

    • Cabron

      Muito bom. Parabens pelo belo texto.

    • Paulo Abimael

      Faltou você falar que os EUA também possuem um Aushwitz na ilha de guantanamo onde ninguém sabe o que acontece , e também que a CIA treinou as ditaduras da américa do sul a torturarem brutalmente as pessoas , simular suicidios e até esconder corpos , não é porque fazem isso de forma disfarçada que eles são santos.

      Vejam aqui algumas imagens: https://www.google.com.br/search?hl=en&safe=off&q=guantanamo%20bay%20abuse&psj=1&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_qf.&bvm=bv.1354675689,d.eWU&bpcl=39650382&biw=1024&bih=612&um=1&ie=UTF-8&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi&ei=2U_IUNTiOI3C9gT7goGAAg

      • Diego Barrionuevo

        Mais um adepto das teorias de conspiracao.
        Como pode ter tanta certeza de tudo? Onde vc ficou sabendo disso, cara? Nos arquivos X?
        Acho que vc esta confundido o assunto. Guantanamo eh uma prisao e como em qq prisao do mundo deve (leia-se bem “deve”) ter pessoas que estao la injustamente, mas se vc acha que la so tem pessoas lindas e maravilhosas, faz um abaixo assinado e pede pra mandar tds elas pra ca…o q acha?

      • Paulo Abimael

        Mais um alienado querendo defender torturas e assassinatos , veja as torturas nas fotos, ultimamente alguns ja foram soltos por serem inocentes , fora todas as provas e documentos vazados da CIA, que dizem que sim eles treinaram pesoas da ditadura para torturar e esconder corpos , veja Vladimir Erzog ….a questão não é quem esta lá injustamente , é o que se faz lá de desumano . pobre do homem que não sabe nada sobre as coisas e quer opinar , pesquise um pouco antes de falar besteira.Ou então pode acabar lá e e não vai saber o que te espera.

      • Diego Barrionuevo

        hahaha….eu nao sei mesmo, mas vc deve saber. Vc parece saber td, ne? No final das contas vc pesquisa no google images!

      • http://www.facebook.com/tiago.bosque Tiago Bosquê

        Sobre esta “teoria de conspiração” dos EUA em relação às ditaduras, tem um montão de documentos, e recentemente foram encontradas diversas correspondências entre Nixon e Geisel, entre outros, além do apoio formal dos EUA à ditadura… Houve apoio sim, e ajuda em vários níveis.

        Sobre Guantánamo, não posso dizer, mas vale lembrar que Bush defendeu a tortura quando acharam o Saddam, e existe um apelo para a prática no país já há tempos, isto sem contar as torturas de guerra no Iraque e no Afeganistão. Qualquer espaço onde um militar está acima da lei deve ser abolido.

      • http://www.facebook.com/guilherme.daflon.3 Guilherme Daflon

        Conspiração ? pergunte a qualquer professor de história,a ditadura na America Latina foi financiada e ensinada pelo EUA.Não é porque existem pessoas com conspirações malucas,que você tem que desmentir fatos históricos sem ao menos pesquisar.

      • Huan Icaro Piran

        Muito bem pontuado :D

  • http://www.facebook.com/people/Marks-Viny-Vulgo-Chumbo/100001165696541 Marks Viny Vulgo Chumbo

    MuITO BEM COLOCADO , PARABENS

  • André Vinícius

    As táticas dos reacionários estão cada vez mais sutis e muitos acabam não percebendo o jogo sujo deles e por isso precisamos ficar alertas. Geralmente são os seguintes:

    1. Jogar tudo no mesmo balaio.
    Ex: “Sou contra o machismo e o feminismo, sou a favor da igualdade do homem e da mulher”. Como classificar quem profere essa frase? Cínico, hipócrita, ignorante, desonesto, o quê?

    Qualquer pessoa de bom senso sabe que a semelhança entre machismo e feminismo é somente o sufixo, pois de resto são diametralmente opostos. O feminismo prega a igualdade das mulheres e homens, mas uns propositalmente ignoram isso.

    2. Criação de paradoxos.
    Ex: “Então você é intolerante com os intolerantes?”, Ridículo, né?!

    Se queremos criar uma sociedade tolerante nada mais lógico que não permitir que a intolerância grasse nela, ou como eles preferem dizer, não devemos tolerar o intolerante, pois o contrário seria ilógico. É a mesma coisa de permitirmos que os instrumentos democráticos sejam usados contra democracia, fazer um referendo para aboli-la. Nenhum sistema pode se auto-destruir.

    3. Guerra da desinformação
    A:”As estatísticas dizem que X homossexuais morrem vítimas de homofobia”.
    B:”Morrem muito mais héteros”.

    A pessoa ignora propositalmente as motivações dos crimes para fazer discursos idiotas. Enquanto gay morre por ser gay, héteros morrem por qualquer outro motivo.

    4. Apelo a ditadura da minorias
    “Cuidado que agora não pode olhar feio pros animais senão você vai preso” (diante da notícia sobre espancamento de animais)
    “Se não transarmos com os gays seremos presos” (diante da matéria sobre a agressão de um gay)

    Eles estão constantemente com uma sensação de perseguição pelas minorias. Tem delírios sobre exércitos de gays armados com pênis de borracha instalando uma ditadura gay no Brasil.

    5. Respeite minha liberdade de expressão calando sua boca.
    Ex:” Ele critica o texto que fala sobre racismo, xinga o autor e os negros, quando você critica a fala dele ele diz que você é a patrulha ideológica, ditadura do politicamente correta, que não se pode falar de negros, etc.”

    A liberdade de expressão só existe para ele, quando ele critica um texto é liberdade de expressão quando você critica ele é patrulha ideológica. Ele pode chamar os gays de viados, bichas, etc., mas ai se você chamar ele de homofóbico, ele dirá que é ditadura, cadê a liberdade de expressão, etc. A liberdade de expressão dele é falar e para você é calar a boca.

    6. Distorça o texto do autor
    Ex:A: “Acho que a piada dele foi preconceituosa”
    B:”Se não gostou da piada não ri, agora mandar prender ele é demais, esse país é uma porcaria, não se pode contar piadas.”

    Você só disse que a piada foi sem graça, mas ele insinua que você mandou prender o humorista e começa a debater em cima do que ele inventou e não do que estava escrito.

    7. Curinga: critique o politicamente correto.
    “Não gostei da cor do cabelo dela”
    “Que porcaria de politicamente correto, não pode pintar o cabelo que já reclama.”

    Não importa o assunto e a sua opinião, ele sempre citará o politicamente correto, você só expressou sua opinião, mas ele falará do politicamente correto. Receitas, horóscopo, política, esporte, sexo, classificados? Sempre alguém protestará contra o politicamente correto.

    8. Tudo ou nada
    “Apiada foi sem graça devemos repensar o humor”
    “Nossa, manda matar os humoristas de uma vez…”

    Tudo para ele é um drama, tudo ou nada, preto e branco, sim e não. O cérebro só funciona com opções binárias.

    9. Cite a esquerda ou o PT
    “Achei um preço abusivo”
    “Esquerdopata detected” ou “É um peteba”

    Você pode odiar o PT, a esquerda, mas qualquer crítica ao sistema por mais banal que seja eles vão citar a esquerda e o PT.

    10 Críticas sofisticadas
    “Qualquer texto sobre preconceito”
    “Pior texto público”; “Texto sensacionalista”

    Xinga o texto sem maiores explicações.

    Entre outros, a baixarias são inúmeras e a falta de argumento também.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Como saber se os 260 gays mortos por ano no Brasil morrem por serem gays?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        vc viu alguém falando que eles morreram POR serem gays? antes de reclamar, por que vc não vai à fonte e descobre de onde veio esse número e como morreram essas pessoas?

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Sim! Se você não percebeu, esse foi um comentário em resposta a outro, não ao seu texto. Bastava um pouco de atenção para entender.

        O comentarista que respondi escreveu: “Enquanto gay morre por ser gay, héteros morrem por qualquer outro motivo.” Minha pergunta foi como saber que morrem por serem gays? É algo complicado, pessoas matam pessoas por N motivos e me recuso a acreditar que alguém que não seja doente (minoria) mate outra pessoa somente por esta ser gay.

        Estranho mesmo é você se irritar com uma pergunta, e insinuar que estou reclamando. A forma como morreram pode ser um indicativo de ter sido crime de ódio, mas somente pode, como não pode. Realmente acredito que sem dado concreto, não dá para saber. Fulano foi morto por 15 facadas, de forma violenta. Isso indica ódio, raiva, mataram com vontade, mas quem garante que não foi ódio de algo que a pessoa fez, ou uma briga de “casal”, deu deixou o outro com raiva, ou sei lá o que. Mais uma vez, é algo bem complexo.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        não insinuei nada não. leia a resposta do andré vinicius. abraço.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Não insinuou mesmo não, fez pior, afirmou. Para um escritor, sua interpretação tá bem ruim. Através de uma pergunta afirmou que eu estava reclamando. Li a resposta do André e comentei já, ótimo. Um bom papo.

        Abraços!

      • Tatiana

        Você fez uma pergunta retórica. Sua pergunta não é o tipo de pergunta de quem quer saber realmente como, e sim afirmando que não é possível.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Engano seu. A pergunta foi uma provocação, isso é óbvio, mas não afirmei nada. E queria sim, caso algum topasse argumentar, como toparam, a resposta.

      • Tatiana

        Mas cara. Uma reflexão de alguns segundos te revelaria a resposta. Mas ok. :P

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Não, na verdade não. Se essa explicação óbvia não me convence, ou se eu não acredito nela. Foi o que comentei na resposta do cara – que foi hiper atencioso na resposta, show de bola -, é uma situação difícil de mensurar, subjetiva demais. No meu entender, só com fatos muito concretos mesmo. Tipo, o requinte da violência não seria explicação exata, apesar de tender para isso.

      • André Vinícius

        Da mesma forma que se descobre a motivação dos outros crimes. Se tem testemunhas, se algo foi roubado, o tipo de ferimento, entre outros. Da mesma forma que sabemos com bastante certeza que as agressões na Paulista, por exemplo, tiveram em sua maioria motivação homofóbica. Mas também devemos lembrar que as vítimas de preconceitos geralmente são marginalizadas e por isso se tornam mais vulneráveis socialmente e os crimes que as acometem indiretamente é devido ao preconceito.

        É a mesma coisa quando dizemos que negros tem mais probabilidade de ser assassinado do que um branco, mas isso não ocorre por ele ser negro e sim pelos negros viverem nos bairros mais pobres, com menos segurança e isso é um efeito colateral do racismo.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Ok, show de bola sua resposta. Atenciosa, valeu. O segundo parágrafo é como penso, a não ser pelo “efeito colateral do racismo”. Pra mim não é um efeito de um racismo de hoje, que não tem vez, é crime, mas do histórico. No mais, valeu mesmo, apesar de achar que é difícil qualificar um crime de ódio, o caminho deve ser esse mesmo.

        Abraços!

      • André Vinícius

        Verdade, é difícil qualificar um crime de ódio, é que nem a questão dos discursos, até onde é liberdade de expressão e quando começa incitação ao ódio.

        Abraços!

      • http://www.outro-eden.blogspot.com/ Éden Amorim

        Fernando, o Relatório sobre Violência Homofóbica, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos no ano passado, tem a estatística completa sobre mortes de homossexuais, explicando metodologia, estudo dos casos, avaliação das causas, etc. O texto é grande, mas dando uma passadinha rápida dá pra ter uma ideia do que está sendo contado: não são números que indicam simplesmente ‘gays mortos’, mas ‘gays mortos por serem gays’, além do ‘efeito colateral’ citado. Deixo o link aqui, se interessar ;)
        http://www.sedh.gov.br/clientes/sedh/sedh/brasilsem/relatorio-sobre-violencia-homofobica-no-brasil-o-ano-de-2011

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Valeu, vou tentar ler assim que tiver um tempinho.

      • 2012

        quantos homossexuais vivem no Brasil hoje?

      • http://www.outro-eden.blogspot.com/ Éden Amorim

        “2012″, não conheço estatísticas precisas (o censo 2010 levou isso em conta? só lembro que ele reconheceu 60mil casais homossexuais no brasil, mas não sei quanto a pesquisa de orientação sexual individual). Já ouvi números gerais em torno de 10% da população (e que essa porcentagem seria ‘bem distribuída’ ao longo do globo).
        Não sei qual a intenção da pergunta, mas já que a levanta, aproveito para colocar um ponto. Independente desse número, o fato de uma pessoa poder ser morta por ser gay já deve ser considerado no mínimo um ‘qualificante’ ao homicídio. Além do mais, esse comportamento (matar ou justificar a morte de um homossexual por ele ser homossexual) em si já é socialmente patológico e deve ser questionado.

    • Juliana Machado

      Cara! Depois desse comentário eu não preciso dizer mais nada! Perfeito. Você conseguiu resumir toda a atitude imediatista preconceituosa ou galgada em preconceito em um post.

      Parabenizo aos leitores éticos que vão até o fim e topam essa discussão, que é muito mais um caráter de luta pela retirada dessas ideias da sociedade, e parabenizo ao Alex Castro por essa maravilha que foi postada aqui.

    • Camila

      Cara, que comentário ridículo, já percebeu como ser reacionário hoje é o mesmo que ser revolucionário? O PT, seu governo revolucionário, já controla quase todas as instituições da sociedade. Você tá reclamando de que? Táticas dos reacionários? Sério, de que mundo vc veio?

  • http://www.facebook.com/people/Paulo-Costa/1406472615 Paulo Costa

    Estava lendo o texto, e pensei: “Esse texto é muito ruim!” Faz umas comparações forçadas. É tacanho.

    Pensei. Será que é ‘daquele cara chato’ que sempre escreve abobrinha? Bingo!

    Alex, é complicado cara, seus textos são sempre muito esquisitos (pra não dizer ruins), e olha que eu comecei a ler sem saber que era você. Conforme fui vendo que era ruim já imaginei quem fosse o autor.

    Tenta trocar o disco, respirar outros ares. Samba de uma nota só não.

    • Lucas

      Talvez você que seja um mal leitor.

    • André Vinícius

      Tá, o que está ruim no texto? E daí que é o Alex? E se fosse outra pessoa que tivesse escrito? O que é um texto esquisito?

      “Samba de uma nota só não.”

      Verdade, os comentários de você nunca acrescentam nada.

      • Ich

        É que é difícil para o Senhor Paulo Costa Racista se declarar como tal. Para ele é mais fácil atacar a pessoa do blogueiro do que debater ideias.

    • Lu Alves

      Talvez você devesse se informar mais ao ponto de PELO MENOS fazer uma crítica através de argumentos com mais conteúdo.

    • Ich

      Outro que nao admite que é racista. E você, com esses argumentos paupérrimos? Se você se acha tao bom assim, por que entao nao escreve uma resposta a altura? Porque deve ser adepto do ctrl+c crtl+v.

  • http://www.facebook.com/wancharle Wancharle Sebastiao Quirino

    Só vou dizer duas coisas:

    1- Esqueçam o holocausto!

    2 – Esqueçam o racismo!

    Vejam o que morgan freeman fala sobre o dia conscienca negra.
    http://www.youtube.com/watch?v=tNEoIo3XMws

    Acho que devemos esquecer SIM!
    Pois recordar é viver… recordar o nazismo e racismo é trazer eles de volta.

    Se pararmos de falar no assunto e SEGUIR/Fazer valer as leis do nosso pais não teremos problemas.

    Recordar o holocausto e criar medidas para remediar o que aconteceu fezum estrago enorme na regiao em volta de israel… basta isso para ver que isso é um erro.

    • André Vinícius

      Recordar a escravidão não é trazer o racismo de volta porque ele nunca esteve longe de nós. Parar de falar do racismo não mudará a realidade que brancos ganham mais que os negros e tem os melhores empregos, que negros são a maioria dos pobres e miseráveis, que os negros tem mais chances de serem assassinados, etc.

      Não adianta ignorar o elefante no meio da sala. Temos que falar sobre a escravidão, o racismo, pois é a única forma de se resolver o problema. Se você não reconhece as dificuldades como espera resolvê-las?

      • http://www.facebook.com/wancharle Wancharle Sebastiao Quirino

        brancos não ganham mais do que negros… isso é desculpa. Capitalismo é assim as pessoas recebem o que elas querem. Existe a mesma desculpa entre as feministas… pura enganção… quem trabalha em servico publico vai receber o mesmo salario, quem trabalha em servico particular vai receber a promoção de acordo com as suas qualidades… se achar que é pouco basta reclamar. Mas isso é dificl e preferem botar a culpa no racismo/feminismo…

        Will smith é o ator mais bem pago de holywood… ja comeca ai… ai vao falar que ele é excessão… nao é … ele tem TALENTO e recebe por isso… talento é valorizado.

        No texto dao exemplo da educacao e sistema de cotas… pra mim isso é um estrago enorme na nossa sociedade… esquecem de quem quer realmente estudar consegue, mesmo nas dificuldades… olhem o exemplo do ministro joaquim barbosa…

      • André Vinícius

        Então apresente suas estatísticas, pois as governamentais apontam que negros ganham menos que brancos e mulheres menos que homens.

        Isso porque esses grupos sempre recebem os serviços menos valorizados.

        “Capitalismo é assim as pessoas recebem o que elas querem.”

        Onde??? No capitalismo você recebe o que seu patrão quer, se reclamar do salário ele dirá para você procurar outro.

        “quem trabalha em servico publico vai receber o mesmo salario, quem trabalha em servico particular vai receber a promoção de acordo com as suas qualidades”

        Sou um empresário racista e decido não contratar negros, digo que não achei nenhum preparado, prove que estou mentindo?!
        Quer dizer que mulheres recebem menos do que homem porque não tem competência? Mesmo elas sendo a maioria da população, não conseguem achar nenhuma competente?

        Qualquer um sabe que mulheres não recebem grandes oportunidades porque elas podem engravidar e nenhuma empresa gosta de ter funcionárias grávidas por causa das licenças, etc. Consequentemente elas são privadas de subir ao alto escalão.

        Existe um claro preconceito nas grandes empresas.

        O JB é exceção e não regra, não é porque um conseguiu que todos conseguirão. Não sabemos exatamente o grau de dificuldades que ele enfrentou para subir na vida comparado com outros que não tiveram tanta sorte, e o próprio ministro é a favor das cotas.

      • Richard Andeol

        O pensamento neo-liberal é foda, consegue negar a desigualdade de oportunidades e manutenção de privilégios com o mesmo cinismo que os propaga, e ilustra-se toda a panacéia com exemplos de exceção.

        Esquecem-se que toda exceção confirma a regra.

      • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

        Se nao fosse o “Affirmative Action”, – o sistema de cotas norte-americano – duvido muito que o Will Smith fosse o ator mais bem pago de Holywood, mesmo porque ninguem saberia quem eh Will Smith.

      • himmelblau

        Nossa, como você é analfabeto hein? Está com medo dos negros tomarem o teu lugar é, seu racistazinho enrustido?

    • Tatiana

      De onde, pelo amor de Deus (se ele existir), você tirou que parar de falar sobre racismo vai acabar com o racismo? Olha aí você fazendo o que Alex alerta sempre: O MUNDO NÃO È VOCÊ! Você acha que não existem, neste momento, famílias propagando o racismo para seus filhos? Se não houver discussão como iremos propagar a verdade? Sério, pensa bem antes de digitar essas coisas cara. pensa bem.

      • http://www.facebook.com/tassoevan Tasso Evangelista

        Acho que nunca houve tanta repulsa aos movimentos sociais das minorias como hoje em dia. E quando digo repulsa, falo das próprias minorias se fragmentando. Isso é uma prova de como falar demais acaba virando forçação de barra.

      • André Vinícius

        Não, na verdade foi uma tática dos reacionários. Antes eles batiam de frente, viram que perderam o poder com isso se juntaram as minorias para semear a discórdia.
        E os movimentos sociais nunca tiveram “tanta repulsa” porque eles nunca tiveram tanta participação no poder, nunca tiveram tanta voz, nunca reivindicaram seus direitos como antes. Essa repulsa longe de mostrar debilidade mostra a força do movimento.

        Pois a repulsa ocorre mais na internet, pois as políticas públicas tem sido implementadas, se houvesse essa repulsa que você diz, todas as medidas políticas teriam sido abortadas.

      • http://www.facebook.com/tassoevan Tasso Evangelista

        “se houvesse essa repulsa que você diz, todas as medidas políticas teriam sido abortadas”
        Mas cara, o atual governo é assistencialista.

      • André Vinícius

        Ele era assistencialista com a classe mais abastada, pois só se pensava em construir estradas, ajudar bancos, etc. Agora que os menos favorecidos entraram na agenda política todo mundo reclama?

      • Raul

        Não é reclamação, é um pensamento lógico. A elaboração dos programas sociais no inicio foi uma maravilha como por exemplo o fome zero. A idéia era ótima e tinha começo, meio e fim. Hoje, serve como uma arma eleitoral e uma forma de estratificação social, pois não sabermos onde isso vai parar e para quem irá sobrar. Acredito que os programas poderiam ser mais profundos em vez de fornecer somente dinheiro para as pessoas.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        sempre que alguem fala em lógica, vc já sabe que a pessoa está tentando te enrolar.

      • Raul

        Você acha? Eu acredito que dependerá do conteúdo do argumento. Acho a ideia dos programas sociais excelente, mas não da forma que está sendo conduzida.

      • Richard Andeol

        Seu segundo parágrafo é perfeito!

      • http://www.facebook.com/wancharle Wancharle Sebastiao Quirino

        tirei do video que postei no comentario de um negro muito bem sucedido na vida que provavelmente sofreu racismo durante toda ela…

        Falar não resolve os problemas… agir sim.

        Seguir as leis, e fazer elas valerem é muito mais dificil que simplesmente falar e botar a culpa nos outros….

        Falar sobre o assunto não vai resolver, mas vai divulgar o pensamento dos racistas/preconceituosos…

        O ser humano é hipocrita por natureza, alguns em niveis mais elevados e outros em niveis bem baixos mas todos são. Alguns vão entender o ridiculo do comportomento racista, mas outros não vão e vão concordar com o pensamento, mas perante a sociedade vão fingir que não.
        Dessa forma acredtio que discurso contra o racismo cria mais preconceituosos do que elimina.

        E lembrem é facil falar do racismo, dificil mesmo é fazer as nossas leis valerem… mas quem quer fazer a parte mais dificil né?

        Resumindo é pura hipocrisia achar que falar sobre o assunto melhora alguma coisa. Falar sobre o assunto é o caminho do preguiçoso, o caminho de quem quer posar como “intelectual/bem entendido/correto” mas não é isso que esse comportamento representa.

      • Tatiana

        Exato. Você baseou sua opinião em meia duzia de palavras. Mesmo o Alex fazendo um texto tão completo e cheio de história, tsc tsc tsc.

        “Falar sobre o assunto é o caminho do preguiçoso” – Na verdade o preguiçoso é quem NÃO quer falar sobre o assunto. Por favor, use a lógica.

        Vou usar as palavras do Alex: O racismo não brotou do nada. Não vai brotar na cabeça das pessoas por conta das cotas ou pq estamos discutindo assunto. O racismo começou desde o primeiro negro escravizado.

        Você acha que não falar sobre o assunto resolve pq o assunto te incomoda, não de uma forma que te revolte, mas sim porque a verdade é cruel e você não quer falar sobre o assunto. Entenda uma coisa: A verdade é necessária. Sem a verdade, sem os fatos expostos, aí sim o “erro” se propaga.

    • Tatiana

      Engraçado que eu ia postar esse vídeo do Morgan Freeman como ótimo exemplo de gente aparentemente gente boa que não pensou no que estava falando.

      • http://www.facebook.com/wancharle Wancharle Sebastiao Quirino

        acho que vc que não pensou direito no que ele disse…

      • S.

        Realmente, numa fala editada, muito provavelmente tirada de contexto, e com duração de 40 segundos dá pra tirar alguma conclusão sobre o assunto.

      • TatieleGiacomin

        Antes de falar que a fala está fora do contexto é preciso assistir a entrevista. Você assistiu?

    • Demétrio Main Horse

      “Esqueçam o holocausto’. Bem, diga isso aos Alemães, que ainda mantem Auschwitz de pé. Porque será?

      • http://www.facebook.com/wancharle Wancharle Sebastiao Quirino

        Porque? imagine qual a noticia sairia na midia se eles derrubam…
        Patrula do politicamente correto!

        Pura manipulação. A divulgação de uma minoria é uma forma de fortalecer ela sobre as demais…

        Todo mundo tem pena de israel. Hoje israel tem as maiores mentes de engenharia. Só um exemplo: Apple e intel estão brigando para contratar engeneiros israelenses…
        http://exameinformatica.sapo.pt/noticias/hardware/2012/12/06/apple-e-intel-concorrem-por-engenheiros-da-texas-instruments

        O holocausto foi algo muito triste! Mas temos que adicionar um fator que todo mundo esquece devido a divulgacao apenas do holocausto…
        Era periodo de guerra! E não sejam hipócrita em guerra vale tudo! Por isso guerra é o cancer de uma sociedade.

        Todos abominam o holocausto praticados pelos Alemães mas poucos lembram o holocausto praticado pelos Americanos em hiroshima e nagasaki…
        Por que? por que os EUA são os vencedores da guerra… E são eles que contam a historia.

    • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

      Se nao fosse o “Affirmative Action”, – o sistema de cotas norte-americano – duvido muito que o Morgan Freeman estivesse nesse video, mesmo porque ninguem saberia quem eh Morgan Freeman.

  • aiaiai

    Putz, Alex, já tuitei e vou repassar esse texto para todo mundo!!!

    E, pessoas q acham melhor esquecer a história, eu também acharia se fosse possível esquecer tudo. Por exemplo: que tal esquecer q a sinhazinha dona da fazenda em vassouras tem um documento q lhe garante a propriedade da tal fazenda? Esse documento faz parte dessa história de exploração que o Alex descreveu. Então, vambora esquecer esse documento. Ou você só quer lembrar da parte da história que sempre lhe garantiu privilégios???

  • André Vinícius

    Alex, porque você não faz um artigo só com imagens, tratando desses temas polêmicos sem nada escrito? Pois escrever as vezes parece perda de tempo, pois o povo não lê, distorce o que está escrito, mostra péssima compreensão de texto e acha que está arrasando nos comentários. Quem sabe desenhando a compreensão não é facilitada…

    Sobre a charge dos animais tendo que subir a árvore mostra bem o que é “meritocracia”, um sistema injusto, na verdade um passar a perna dos outros e depois na maior cara de pau a pessoa diz que tudo foi por “esforço”. Todos sabem que a maioria que estuda nas universidades públicas estão lá mais pela exclusão de um monte de gente do que propriamente por mérito. A prova PISA é um exemplo de como aquilo que acho que é a nata da sociedade nos outros países não passa de mediano.

    Sobre as cotas raciais as pessoas acham que pobre é tudo igual seja branco ou negro as dificuldades são as mesmas, mas não são. As mulheres sofrem preconceito só por ser mulheres, certo? Mas o sofrimento de uma mulher heterossexual e de uma lésbica são os mesmos? De uma mulher rica e pobre? De uma mulher negra e branca? De uma mulher ocidental e oriental? Obviamente que cada uma dessas mulheres compartilham sofrimentos ao mesmo tempo que tem experiências bem diferentes uma das outras.

    A mesma coisa são os pobres e um exemplo disso foi o “mendigo gato” que só recebeu ajuda por ser bonito e consequentemente por ser branco, já que no nosso país beleza está ligado a cabelos lisos, pele clara, traços finos, olhos claros, etc. Quantos negros e pardos existem morando na rua? Porque ninguém olha para eles? Porque sempre dizem que esse povo deve ser preso, morto pela polícia? Mas e porque nesse caso específico o cara foi julgado com certa bondade pelas pessoas?

    E sim, a escravidão deve ser reparada, não com indenizações já que as vítimas morreram e o caso não é pessoal, mas sim coletivo. E essa indenização se dará por meio de políticas públicas voltadas a população negra para ajudar a diminuir o abismo social que as separa dos brancos. E sim, a dívida é nossa, pois a dívida é do Estado brasileiro e não houve nenhum rompimento de continuidade do governo escravocrata para o não-escravocrata, a identidade é a mesma. E como somos nós que sustentamos o governo, somos nós que honraremos as dívidas dele. Se o Brasil tivesse dívidas internacionais, mesmo que o tipo de governo muda-se, segundo o direito internacional público, ele seria obrigado a cumprir todos os compromissos independente de ter sido o governo atual ou não que as tenha contraído.

    E ironicamente o que atrasou a abolição da escravatura foi a discussão se os fazendeiros deveriam ser indenizados, ou seja, como sempre os vilões sendo considerados os mocinhos. E quando finalmente os negros foram libertos foram jogados na sarjeta e não na liberdade e não houve nenhum tipo de ajuda do governo.

    Antes que falem das imigrações, elas foram fenômenos diferentes. Os imigrantes não foram separados da família e compatriotas, receberam alguns benefícios do governo como terra (coisa que os negros nunca receberam), eram alfabetizados, etc.

    E uma outra evidência que o Brasil é extremamente racista é o fato de as estatísticas sobre os crimes contra a propriedade privada serem feitos por raça, sabemos a proporção da participação de negros e brancos em roubos, assassinatos e outros delitos, mas nos crimes contra o patrimônio público, a corrupção de todas as formas (lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc.) não sabemos a proporção da participação de cada raça, porque será? Os crimes contra o patrimônio público é menos importante? Será que é menos violento (lembre-se da associação com o crime organizado)? Ou será que não convém nesse caso dar nomes aos bois?

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      oi. é pq ler se aprende lendo. como vc vê, tem mts malucos simplesmente incapazes de ler. mas tb tem mt gente q lê, reflete, muda de ideia. é um trabalho grande, um passinho de cada vez. :)

    • Camila

      “Sobre a charge dos animais tendo que subir a árvore mostra bem o que é
      “meritocracia”, um sistema injusto, na verdade um passar a perna dos
      outros e depois na maior cara de pau a pessoa diz que tudo foi por
      “esforço”" Sério? Você estudou em uma universidade particular porque não se esforçou para entrar em uma pública e agora vem me dizer que “mérito” não existe por causa do nosso sistema de educação que é desigual? Ok

  • Fernando Cezar Bernardelli

    É bom relembrar, Alex? Relembremos então.

    Só os negros foram escravos? Não, não foram. Roma também foi construída com escravos, e nem por isso a Itália dá cotas pra espanhóis e gauleses. “Ah, mas o volume foi menor…”, sim foi, mas por um período bem maior, e lá aconteceu genocídio. Não dá pra eles pagarem a dívida que tem com os cartagineses simplesmente por que eles não existem mais.

    No meio do seu texto, você diz: “[...] o primeiro europeu a comprar e trazer para casa escravos africanos”. Mas e aí, comprou de quem? Opções:

    a) Darth Vader
    b) Mao Tse Tung
    c) Outro africano, igualmente negro, que já os mantinha como escravos

    Sim, os primeiros comerciantes de negros eram também negros. Ou você acha que na África não teve escravidão? Se podemos comparar o escravismo brasileiro com o holocausto, onde estão os privilégios que os alemães oferecem aos judeus? Cadê as cotas?

    Escravos tivemos durante toda a história, ainda temos e vários lugares e não são limitados por tons de pele. Sim, é horrível, é algo para se arrepender. Mas pessoalmente eu nunca chicoteei ninguém. Não empurre para mim uma dívida que não é minha.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Boas colocações, não há como negar a validade deste comentário.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        há sim. :)

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Negue então.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        claro! aliás, eu escrevi um texto justamente negando isso tudo. está aqui: http://papodehomem.com.br/senzalas-campos-de-concentracao/

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Escreveu um texto negando a validade de um comentário nesse próprio texto? #ParadoxoTemporal

        Alex, querido, entenda, eu só disse que é válido ter esse comentário na discussão. Vale a pena, sabe, um olhar diferente do autor, essas coisas. Interpretação é uma coisa complicada mesma, rs.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      como o texto já afirma, todas as civilizações em todas as épocas tiveram escravidão, inclusive as civilizações africanas. mas… e daí? estou falando da NOSSA.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Exato, mas não custa ter um olhar mais amplo, por isso foi um comentário válido.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        oi. custa sim. pq num texto sobre a história do rio, vc não pode falar sobre a história da china. pq em um texto sobre a escravidão no brasil, não faz sentido tratar sobre a escravidão global.

        o texto já diz que todas as sociedades tiveram escravidão. o texto já dá números e estatísticas de quantos escravos outras nações receberam e transportaram — ou seja, deixando claro que não é um problema exclusivo do brasil.

        o que EXATAMENTE vc queria?

        o texto é sobre X. se vc acha que deveria se falar de Y, escreva um texto sobre Y e a gente publica. abraço

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Cara, sinceramente não entendo a sua agressividade nas respostas. Como pode ver, não estou avacalhando nada, só comentando o que gosto, não gosto, tentando não causar balbúrdia.

        Em que momento disse que você deveria ter um olhar mais amplo? Lendo só o último comentário pode parecer isso, mas como está numa linha de falas não tem justificativa. Primeiro eu disse que tem validade o comentário do cidadão, daí tu disse que não, dizendo que falava somente da nossa civilização. Aí eu disse que “não custa ter um olhar mais ampla” da questão, para enriquecer o debate, sacou?

        Seu texto levantou um papo/debate, onde o comentário do chará acima apareceu e foi válido sim. Nem tudo é seu, pra você ou por você, ainda que seja uma discussão embaixo do seu texto.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        fernando, vc comentou q “nao custa ter um olhar mais amplo” e eu respondi, diretamente a vc, q custa sim. esse seu argumento é uma falácia antiga. tudo o que se fala, sempre alguém pode falar: “ah, mas vc não falou de X”.

        então, sim, não dá. tem um custo. um texto sobre Y é um texto sobre Y. não dá pra falar de tudo em um texto, apesar da facilidade que é tentar desautorizar um texto reclamando de tudo o que ele não falou.

        abração.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Alex, mais uma vez, porque sou um cara bem paciente.

        Eu comentei que “não custa ter um olhar mais amplo” me referindo a questão como um todo, ao debate em curso, não a seu belo e completo texto, que aborda X e não Y, segundo você mesmo diz. Não discordo disso, se fala de X, que fique com ele, ou não, o autor pe você. Apenas disse ser válido ter um comentário com uma visão diferente, ainda que ampla. Não cometi falácia lógica alguma, não usei o “ah, mas você não falou de X”; você está me imputando uma ação que não cometi.

        Estás estigmatizando outros comentaristas nos meus comentários, se olhar bem, verá que não fiz isso que tu dizes que eu fiz. Porém isso pouco importa, você não debate, fiquemos entre nós. Ou não, fiquem entre si, concordantes de Alex Castro, ele ama vocês.

      • Mark

        Entendi seu ponto Fernando Henriques. O texto usa todos os argumentos para tentar justificar a necessidade de cotas. Concordo que jamais devemos esquecer o que aconteceu, mas beneficiar um grupo com se hoje tivéssemos uma dívida é um absurdo. Probeza se acaba com políticas para os pobres, ou não existem inúmeros pobres brancos, amarelos, etc.?

        Alex Castro, quando você comparou a escravidão no Brasil com o Holocausto, você permitiu esse “olhar mais amplo”. Outra coisa, você já conheceu os escravos de hoje? Já foi em alguma fazenda onde eles estão alojados? Já viu as condições em que vivem? Já vi isso e afirmo que nesses lugares não há predominância de negros, mas há todas as raças.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Obrigado pela compreensão, rs.

      • Fernando Cezar Bernardelli

        Valeu Mark. Pessoalmente só vi esses novos escravos em documentários, é bom ter alguém por aqui que vivenciou pessoalmente.

        E Alex, seu texto não fala só sobre escravos no Rio de Janeiro. Fala sobre o Rio, os portugueses, os alemães, os campos de concentração… Isso pra mim é um convite a um olhar mais amplo.

        Então sim, dado esse convite, é válido puxar pra conversa outros exemplos. Ou só podemos falar de campos de concentração quando eles favorecem o seu argumento?

        Lembrando que esses comentários são em resposta ao seu texto. Não dá pra responder de volta com o mesmo texto, senão começamos a andar em círculos.

      • eu mesmo

        Olá vi seus post sobre o assunto e tive que retrucar. Sobre a relevância da escravidão dos negros no mundo e no Brasil e o impacto da escravidão na vida dos outros povos escravos durante a história… Gostaria que vc citasse se possível os problemas e impecílios que por exemplo, os Gauleses ou Cartaginenses sofrem hoje em dia por terem sido escravos no passado, e em comparação eu poderia citar “alguns” problemas que os negros sofrem hoje… Acho que isso por si só já ajuda a esclarecer porque o assunto é tão relevante para todos nós…

      • André Vinícius

        Você fala que não devemos ajudar os negros como se tivéssemos uma dívida, mas eu também não tenho dívida nenhuma com a pobreza extrema alheia, por isso devo protestar contra políticas públicas voltadas para os pobres?
        Essa história de “não ter dívidas” não está em discussão, ninguém vai assumir nenhuma dívida social como sua. E outra, culpados são buscados nos tribunais, no executivo se procura problemas para resolvê-los e é isso que está em discussão.
        A dívida é do Estado e quem sustenta o Estado? A população, então ela indiretamente deve arcar com as dívidas sociais.

        Existem pobres de todas as cores, mas a predominância é de pobres negros. Pobre não é um grupo homogêneo.

      • são bernado

        quer dizer que se vc resolve o problema dos pobres negros, está bom. e o resto que se foda.
        porque não tentar resolver o problema de todos? simplesmente por serem negros e terem sidos injustiçados no passado?
        Minha familia é pobre, mas tive acesso a escola, hospital, agua, rede de esgoto e tudo que o estado oferece, Meu colega negro de infancia tb… Eu estudei, me tornei engenheiro, melhorei minha classe social. Meu colega aos 17 anos resolveu entrar para o crime, roubou, traficou, matou e hoje esta preso. vc acha que ele teve menos oportunidade do que eu? eu tenho 1 filho, ele tem 5.
        seinceramente a cota não vai resolver nada. os negros que vao entrar pela cota na faculdade ou nos concursos, vão ser na maioria os que tem mais dinheiro!

      • André Vinícius

        “quer dizer que se vc resolve o problema dos pobres negros, está bom. e o resto que se foda.”

        Onde disse que quero que os outros se fodam? Porque vocês em vez de ficarem colocando palavras em nossa boca não se limitam a discutir o que foi realmente dito?

        Sobre o seu amigo bandido, eu por acaso disse em ajudar bandidos? Acredito que se uma pessoa se propõe a se inscrever para um vestibular no mínimo ela não pensa em partir pro crime e é dessas pessoas que estamos falando. Nenhum momento citei pessoas que decidiram pelo caminho da criminalidade.

        Estamos falando que existe um abismo social entre brancos e negros, brancos ganham mais, tem os melhores empregos, moram em bairros mais seguros, etc. E isso não ocorre porque os negros optam pelo crime como deu a entender pelo testemunho de seu amigo criminoso e sim por um sistema racista herdeiro de uma sociedade escravocrata.

        E sobre os negros com dinheiro para mim é uma coisa meio que óbvia excluí-los desses tipos de política pública, pois elas são voltadas para os negros com menos condições, já que negro rico já conquistou seu lugar junto ao sol.

        E para finalizar, se dizemos que os negros estão sub-representados nas universidades e devemos aumentar a participação deles, alguém vai ter que sair para as representações serem mais justas e quem será que vai sair?

        É injusto um branco pobre não poder ter acesso a universidade? Sim, muito injusto da mesma forma que é injusto os negros serem excluídas dela e serem sub-representados nela, porque ninguém nunca reclamou da exclusão dos negros e agora que vamos corrigir as distorções todos reclamam da exclusão do branco?

        Então pode ficar tranquilo que os objetivos da políticas públicas não é excluir os brancos esforçados que querem ser engenheiros enquanto busca incluir os negros que querem ser traficantes e matar as pessoas. O objetivo é alcançar uma justiça social onde negros que querem ser engenheiros possam ter mais chances de alcançar isso, já que no geral a vida para o branco é menos cruel que para o negro, pelo menos segundo as estatísticas.

      • Mastiff

        parabens, para mim foi o melhor comentario.
        “beneficiar um grupo com se hoje tivéssemos uma dívida é um absurdo.” Exato.

      • Luka

        Então vale falar do holocausto num texto sobre escravidão no Brasil, sobre os portugueses e seu comercio, mas não vale lembrar quem vendeu primeiro os escravos para os portugueses (o que não invalida o erro dos europeus) – o que por acaso, também faz parte da história da escravidão no Brasil (afinal eles não se tornaram escravos ao pisarem no Brasil, mas muitos antes disso).

        Entendi.

        E só para constar, ele esta falando sim sobre X. Esse fato faz parte da história dos povos escravos que por acaso vieram para o Brasil. Afinal para ser escravo você precisa ser antes capturado – e para chegar aos navios portugueses, muitas vezes vendido.

    • André Vinícius

      “Só os negros foram escravos?”
      Um erro mais um erro são dois erros.

      “Roma também foi construída com escravo…”
      E daí, torna o crime menos grave?

      “Não dá pra eles pagarem a dívida que tem com os cartagineses simplesmente por que eles não existem mais.”
      Não me diga que os negros entraram em extinção e não me avisaram?

      “Sim, os primeiros comerciantes de negros eram também negros. Ou você acha que na África não teve escravidão?”

      A revolução na historiografia, você que descobriu isso? Pois apreendi isso na escola. E outra, a escravidão africana teve outros motivos, como guerras tribais, as pessoas acham que por todos serem negros lá são todos iguais e não não são. Existem tribos bem diferentes uma das outras que não se consideram com qualquer tipo de parentesco.

      “onde estão os privilégios que os alemães oferecem aos judeus?”

      Não sei dizer se as famílias tem indenizações, mas sei que é crime que dá prisão negar o Holocausto. Mesmo assim a semelhança entre os dois episódios é a perseguição e mortes, mas no resto são muito diferentes uma das outras. Tempo, tipo de castigos, números de mortos, etc.

      “Escravos tivemos durante toda a história, ainda temos e vários lugares e não são limitados por tons de pele.”

      Um erro mais um erro são dois erros. As condições de escravidão hoje são diferentes de ontem, a começar que hoje é crime e naquela época era direito de propriedade privada.

      ” Não empurre para mim uma dívida que não é minha.”

      No dia que chegar a fatura na sua casa gente a gente discute isso, pois nem dinheiro para indenizar todos os negros você tem. “Mas eu pago imposto” não só você como milhares de brasileiros, incluindo os negros, e mesmo assim dinheiro de imposto não é seu, é público.

      • Fernando Cezar Bernardelli

        Meu ponto principal com o olhar mais amplo aqui é: tivemos muitos povos escravos. Por que os negros são os mais importantes dentre eles? Por que só eles merecem tratamento exclusivo como pedido de desculpas?

        E a conta já chegou aqui em casa faz tempo. Tem cotas em universidades públicas, em editais de concursos públicos, em partidos políticos. Dá pra fazer piada de argentino, italiano, português, mas a menos que se fale do quão “bem dotado” eles são, piada de negro é proibido.

        Sim, um erro mais um erro são dois erros. Mas tentar cobrar isso de quem não fez nada são 3 erros.

      • André Vinícius

        “Por que os negros são os mais importantes dentre eles?”

        Mas quem disse isso? Você que afirmou e você que tem que responder. Estamos discutindo a escravidão negra porque foi essa que ocorreu no Brasil, não parece óbvio para você?

        “Por que só eles merecem tratamento exclusivo como pedido de desculpas?”

        Quem disse isso? Novamente você que afirmou e você que tem que responder. A Austrália pediu desculpa para os Aborígenes, viu, não foi só para os negros que pedimos desculpas.

        “E a conta já chegou aqui em casa faz tempo. Tem cotas em universidades públicas, em editais de concursos públicos, em partidos políticos.”

        Engraçado que você disse que a conta chegou na sua casa, mas citou várias vezes a palavra PÚBLICO. Se é público, então não é sua conta, já que o que é seu é PRIVADO, ou você acha que as vagas nas universidades, partidos políticos, concursos é sua por direito?

        “Dá pra fazer piada de argentino, italiano, português, mas a menos que se fale do quão “bem dotado” eles são, piada de negro é proibido.”

        No mínimo você é hipócrita, pois qualquer pessoa sabe que continuam fazendo piadas sobre negros e piadas pesadas e ninguém foi preso e nem foi baixada lei proibindo isso, conhece Rafael Bastos, Danilo Gentilli e companhia limitada? Joga no Google piadas sobre negros e verá um monte para se fartar.

        De resto, não adianta ficar inventando cenários apocalípticos para tentar comover alguém que não cola. Se você tem medo de falar a palavra negro, de fazer piadas sobre negros, se acha que os negros estão com privilégios, etc., o problema está em você e não nos negros ou na sociedade.

        Não precisa pesquisar muito para achar várias manifestações racistas internet afora para ver que tudo o que você disse não passa de desculpas para desviar o assunto.

        A escravidão no Brasil foi primeiramente de índios e depois de negros, o autor escolheu um tema específico para discutir, pois não dá para discutir todos os assuntos num texto só. Isso não significa que existe desprezo ou insensibilidade pela causa alheia, somente falta de espaço para tratar todos juntos.

      • Fernando Cezar Bernardelli

        André, a resposta pras suas perguntas estão logo mais abaixo no seu próprio comentário.

        Os negros tem direito a vagas exclusivas só pra eles em várias coisas. Isso não é privilégio? Então está aí a primeira resposta, que foi de onde eu tirei que eles tem privilégios.

        E como assim “Se é público, então não é sua conta”? Só eu que percebi que tem alguma coisa errada nessa colocação? Mas só pra colocar num ponto mais direto: eles tem vagas exclusivas em algo que deveria ser igual para todos.

      • André Vinícius

        Então, veja a proporção de brancos e negros nos órgão públicos e universidades, para você existe igualdade de oportunidades? Um exemplo o STF, de 11 ministro temos um negro e 10 brancos, cada a igualdade? Num país que conforme o último censo a proporção de negros e pardos chega a quase metade da população, cade a representatividade.

        Privilégio é o branco ganhar 3 vezes mais que o negro, ocupar os cargos do alto escalão, os melhores empregos, etc. Terem rendas maiores, serem menos vítimas de violência (o negro tem uma probabilidade 2 vezes maior do que o branco de ser assassinado).

        As medidas como as ações afirmativas utiliza o conceito de equidade, dar a cada um segundo sua necessidade para alcançar a igualdade de fato entre as etnias,gêneros etc. Igualdade formal não é igualdade de fato.

      • Raul

        O nosso regime constitucional busca a igualdade material ou Aristotélica e não a igualdade formal. “Tratar os iguais de forma igual e os desiguais dentro de suas desigualdades” eis o conceito de igualdade de acordo com a nossa Constituição. Quanto ao STF, devemos levar em conta que é uma Corte Constitucional, não são todos que chegam nesse patamar independente de serem negros, brancos, pardos, amarelos e etc. As escolhas são técnicas geralmente, apesar que nos últimos tempos vem mudando como é o caso do Ministro Dias Toffoli. Portanto, não haverá paridade racial nessa corte mesmo que a maioria da população fosse negra, afinal são 11 ministros.

      • Lais

        Escolhas técnicas, baseadas no princípio da impessoalidade (min. Marco Aurélio, indicado por seu primo Collor), etc.

      • Raul

        Você precisa dar uma olhada no currículo do Marco Aurélio Mello (Procurador do Trabalho, Juiz do Tribunal Regional do Trabalho, Corregedor-geral da Justiça do Trabalho e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho). É um excelente jurista e sua indicação pelo seu primo não diminui seu mérito. O acerto na sua escolha e sua impessoalidade como homem da lei foi provada no processo de impeachment do seu próprio primo no qual se declarou impedido de votar. Coisa que o Ministro Dias Toffoli não fez no processo do mensalão.

      • 222

        “veja a proporção de brancos e negros nos órgão públicos e universidades, para você existe igualdade de oportunidades?” A desigualdade não é porque são negros, e sim poque não tiveram educação descente. se vc pesquisar quantos brancos de baixa renda ocupam estas mesma posições vai chegar a mesma situação do negro. existem outras cotas que são justificadas. mas a de negros, sinceramente não faz sentido.

      • André Vinícius

        Indiretamente é por eles serem negros. Negros são preteridos em empregos, brancos ganham 3 vezes mais que negros, estão nos altos escalões das empresas, nas melhores empresas e nos melhores empregos. E na nossa sociedade para você ter educação, saúde, segurança, lazer de qualidade você precisa ter dinheiro.
        A questão não é a proporção de brancos de baixa renda nessas condições e sim a proporção de pessoas brancas nessas condições e de longe chegamos a conclusão que a pobreza tem cor e ela é negra.
        Pobre não é tudo igual, tem uns que possuem mais oportunidades, qualidade de vida, facilidade que outros. Da mesma forma que as mulheres sofrem preconceitos, mas existem aquelas que são mais vulneráveis que as outras como as lésbicas, pobres, negras, moradoras de países muçulmanos, etc.

      • Raul

        Bem, leis existem! O crime de Injúria racial está tipificado
        no artigo 140 do Código Penal, além disso, temos a Constituição que afirma ser crime inafiançável o crime de racismo e imprescritível.

      • André Vinícius

        Mas as pessoas não estão dispostas a correr atrás da lei, pois é demorado e a indenização pode ser mais baixa que os custos processuais. Geralmente as leis do racismo só são mobilizadas contra as empresas. E o artigo constitucional se refere a discriminação, por exemplo, em locais públicos que acredito que deva ser algo raro de acontecer.

      • Raul

        Esse é o problema, as pessoas devem utilizar-se das leis. Existem meios para as pessoas fazerem valer os seus direitos. Existe Juizado Especial Criminal por exemplo, onde o processo é mais rápido do que nas instâncias ordinárias. Concordo que no nosso país as coisas são mais lentas, todavia quanto vale o preço da ofensa? A pessoa deve pesar isso. A questão não tem que ser pecuniária, mas sim de honra, afinal o crime de racismo é isso. Ainda, o Estado tem como obrigação socorrer os hipossuficientes, basta que a pessoa busque os meios corretos para fazer valer a assistência jurídica gratuita.

      • cjchase

        Típica resposta de quem não conhece a área. “É só fazer igualzinho como tá no livro que no final todos serão felizes.” Na prática não é assim.

      • Raul

        Não é porque as coisas não funcionam da forma que devem funcionar que devemos deixar de fazê-las. Imaginou se as pessoas começassem a usar a desculpa da impunidade para fazer justiça com as próprias mãos? A realidade nunca será como a teoria, mas cabe a nós termos noção das duas para construirmos algo melhor. São os realistas que fazem o mundo funcionar, mas são os idealistas que os mudam.

    • André Vinícius

      Sim, os judeus receberam indenizações, acabei de pesquisar. Então para o senhor, já podemos indenizar os negros? Pois se a Alemanha fez devemos imitar, certo?

  • Mariana

    Mais um excelente texto, Alex. O nível de chorume dos comentários será altíssimo, então boa sorte.

    Para ilustrar, tem uma fala do Louis CK muito bacana sobre isso: http://www.youtube.com/watch?v=MD6Rjyo77NY&feature=youtu.be&t=9m57s

  • http://profiles.google.com/diegomatias85 Diego Matias

    Excelente.
    O Brasil esquece por que é mais fácil. Ignorar é mais fácil, deixar pra lá é mais simples que se esforçar pra ter essa lembrança incômoda.

    Muito obrigado por ajudar a lembrar.
    Esses são os melhores textos do PdH.

  • André Vinícius

    Alguns precisam entender que o argumento “eu não tive escravos”, logo não tenho nenhuma dívida, não tem lógica.
    Primeiro porque o imposto que você paga não cobre o salário de um professor (e olha que eles ganham mal) quem dirá então indenizar um grupo.
    Segundo que mesmo que você pagasse um valor super alto em impostos, prove que sua contribuição foi para políticas de igualdade social e não para outros projetos?
    Terceiro, eu também não tenho culpa de existir extrema pobreza, de pessoas não terem empregos e o que comer. Não fui eu que desalojei os desabrigados. Nem por isso acho injusto políticas pública voltadas para eles porque como eu disse o imposto que eu pago não cobre o aluguel de um mês de uma família, segundo eu não tive culpa pela pobreza deles, mas eles também não tem culpa por viverem em condições subumana (em sua maioria) e terceiro eu não sei se meus impostos foram para ajudar eles.
    Quarto, a dívidas sociais não são minhas, mas são do Estado por ação ou omissão. E como eu sou representado por esse Estado, então indiretamente eu participo da quitação das dívidas.

    • cjchase

      Esse argumento realmente é imbecil demais. Gostei da sua contra-argumentação. Abs, cjchase.

  • Caue

    Excelente texto. Parabéns.

    • t

      vvvvvvvvvvv

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Nardini/100000743000021 Gustavo Nardini

    Genial, parabéns pelo texto, Alex.

  • José

    “Nós temos as chagas da culpa, mas damos as costas ao passado para que possamos dormir à noite sem no entanto, nos reconciliarmos com nossos próprios atos”.

    Aléx, humildemente, obrigado pelo texto. É impossível descrever a gratidão que estou sentindo agora por tal qualidade e clareza de valores humanos intrínsecos textualmente. Mostrar como o passado mancha nosso presente a título do seu exemplo, é fantástico.

    Não quero adicionar nada, muito menos escrever uma quase dissertação, mas só queria pedir licença para copiar seu texto e guardar, óbvio com a identificação do ser brilhante que o fez, pq será um belo complemento à minha dissertação no curso de Direito.

    Obrigado mesmo, parabéns pelo tema levantado, afinal, homens papo de homem são agentes de mudança social, e me sinto feliz por ter a sorte de acompanhar vc’s.

    Desejo tudo de bom.

    José Paiva Leitão

  • http://www.facebook.com/people/Júlivan-Arantes-da-Silva/100001032282778 Júlivan Arantes da Silva

    Ótimo texto Alex. Acredito que a crítica deva ser direcionada ao seu verdadeiro cerne, ao contrário do que você fez no seu último post.

  • André Martins

    A escravidão foi um horror, e a negação de que deixou sequelas até hoje também é. Mas os crimes do comunismo e nazismo tinham um objetivo mais social (de aniquilamento) e ocorreram num período de tempo mais reduzido que a escravidão, que tinha um objetivo mais comercial e se diluiu por um período de tempo maior.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Seria legal ler um texto aqui comentando os crimes do comunismo, no Brasil pouco falam sobre isso. Até porque, a escravidão foi mais “viva” para nós.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        fernando, estamos abertos ao seu post sobre os crimes do comunismo.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Obrigado pela abertura, mas tenho já tenho um projeto para aportar meus textos. Caso escreva sobre, não conseguirei não postar por lá.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        poxa, e eu aqui aguardando ansioso a obra prima.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        E eu ainda respondendo você com seriedade. Quando escrever, te mando o link de alguma forma, pode deixar. Daí terá a oportunidade de seguir com a ironia.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        não precisa não. não vou ler. era ironia, vc tem razão. eu não te conheço e, pelos comentários que fez aqui, não tenho interesse em ler o que tenha a escrever.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Ha! Impressionante como você fecha portas, mas o bom é que é sincero. Se seguir nessa linha, em breve só irão comentar no seu texto quem quiser fazer carinho no seu ego. Com tanta ironia, os descordantes sérios irão cansar. Abs!

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        repara só. não é complicado.

        eu não te conheço.

        se me disserem que o fulaninho da esquina escreveu um texto sobre qualquer assunto, eu não vou ficar interessado em ler. não sei quem é o cara, não sei se escreve bem, o tempo é curto, tenho mil coisas pra ler e escrever, etc.

        então, se não tenho interesse no potencial texto que vc nem escreveu (olha que horrível eu sou não querendo ler um texto que não existe não-escrito por um completo estranho) é porque não te conheço.

        aliás, depois de ver os seus comentários aqui, com certeza eu não leria mesmo.

        não entendo essas pessoas que vem ler e comentar textos de pessoas de quem discordam, ou que não gostam.

        estou aqui falando com você só porque você veio, sabe-se lá porque motivo, comentar no MEU texto, mas pode ficar certo q eu não vou lá comentar no seu.

        fica bem.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Nunca tinha parado para dialogar por aqui com você, apesar de ler diversas coisas suas, mas, é realmente complicado como alguns já disseram. Você não está interessado no debate ou coisas assim, direito seu, nada demais nisso, mas as pessoas em geral que acessam sites querem trocar opiniões. Nada mais natural que vir comentar em textos que discordam. Não há nada melhor do que discordar, assim a gente cresce, aprende.

        E veja bem, também não é complicado, não disse “fechar portas” em relação a ler meu texto ou recebê-lo em algum lugar, me referi aos comentários no seu próprio texto. Diferente dos demais aqui, você não agrega, pelo contrário, parece rechaçar os que contrariam com um chuva de ironia desproporcional.

        Fique bem, também.

      • André Martins

        Esse Guest é o Alex Castro? Caraca, o cara escreve textos bacanas, mas nos comentários é um verdadeiro troll.

    • Luís Carvalho

      O objetivo do “horror” era só ganhar dinheiro. Então beleza. Fora que durou mais tempo, ou seja, muito melhor. Oi?

      • André Martins

        Foi isso que você entendeu? Eu achei o texto bacana, bem fundamentado, só achei falta de contextualizar um pouco a diferença entre os crimes. Em momento algum eu disse que o caráter mais comercial da escravidão, ou que a gradatividade temporal, serviria de isenção de culpa ou como forma de esconder os seus efeitos nefastos nos dias atuais.

  • rafa

    Concordo com boa parte do texto, não devemos mascarar ou esquecer a crueldade da escravidão, mas coloco uma ressalva com a seguinte parte:

    <>

    Essa comparação assim como a da charge está longe de ser apropriada. Alguém que precise de diálise ou de rampas não tem condições por si mesmo de superar essas barreiras. Na questão das cotas não se aplica porque as minorias não ficaram com suas mentes atrofiadas ao longo dos anos de opressão. O que precisa sim é dar ensino basico de qualidade que permitam que todos sejam aptos a pleitear, por exemplo, vagas na universidade.

    Além disso cotas raciais tem problemas práticos, como por exemplo determinar se alguém é descendente de escravos ou não. Uma pessoa branca pode ser descendente de escravos enquanto um negro pode não ser.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      basta chamar um PM ou um porteiro: eles sabem na hora quem barrar ou revistar.

      • rafa

        nao entendi a relação da sua resposta com o que falei, desculpe a ignorancia, mas poderia ser mais explicito?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        porteiros e pms sempre sabe quem são os descendentes de escravos. aliás, descendentes de escravos somos todos nós. 100 anos depois, todo mundo tem o sangue de todo mundo. a questão não é essa.

      • rafa

        obrigado por responder.Boa parte dos argumentos que vi a esse respeito faz menção à reparação histórica, por isso da necessidade de saber quem vem de quem.
        Mas a questão do meu comentário não era bem essa parte final de ordem prática, mas a anterior que faz referencia à comparação entre negros e deficientes físicos como se fosse equivalentes.
        Sei que no contexto geral do seu texto a questão que levantei não é ponto principal, mas é um ponto onde achei que sua lógica falhou um pouco.

        PS: “porteiros e pms sempre sabe quem são os descendentes de escravos” — percebe o preconceito dessa frase? [não precisa reponder esse ps não se quiser]

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        se percebo o preconceito da frase? não, não percebo não.

        o que eu, e muitos dos meus colegas e companheiros q estudam e lutam contra o racismo, percebemos é o preconceito de policiais e porteiros (e da sociedade em geral, claro) em sempre tratar com mais severidade e desconfiança os indíviduos que eles consideram negro.

        abração.

      • rafa

        Disse em precoceito porque foi uma generalização bem grande. Tenho muitos policiais/militares no meu circulo de amizades e posso afirmar (nao cientificamente, é claro) que a proporção de racismo nesse grupo não é maior do que vejo em outros amigos não militares.
        A questão é que notícia é quando um PM transgride a lei (minoria dos casos) e não quando aplica a lei — por isso a impressao que muitos tem que todo PM é fdp.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        o racismo de pms e porteiros é o mesmo racismo de médicos e arquitetos, e da sociedade em geral. não há nenhum motivo pra achar que sejam mais racistas. mas isso só indica o racismo galopante e disseminado da sociedade como um todo.

      • Rogério Santos

        Mas a pergunta que fica é a seguinte: o PM transgride a lei contra quem? E aplica para quem?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        em momento algum, comparei negros com portadores de deficiência. a comparação é outra: a comparação é sobre pessoas dizendo que “ninguém precisa” das coisas que ELAS nunca precisaram. Seja isso o que for.

      • rafa

        Entendi seu ponto, dessa forma concordo contigo. Só não vejo as cotas como uma necessidade equivalente a rampas para cadeirantes. O meu ponto é que a ajuda deveria vir na educação de base e não em um projeto para simplesmente mudar estatística sem mudar a sociedade.

  • Angelo

    Podia ter falado no texto,pra deixar claro,que ainda existe sim trabalho escravo no Brasil,existem milhares de pessoas trabalhando em condições subumanas,inclusive crianças,e que isso pode ser reflexo do sistema escravista abolido.Não superamos a escravidão totalmente,nem mesmo na teoria,que seria o racismo,nem na prática.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      o texto diz:

      “Imagino então que hoje o Rio de Janeiro continua sendo um lugar de horror para os meus descendentes, que são ao mesmo tempo a maior parte das vítimas de assassinato e também a maior parte da população carcerária, e ainda têm que ouvir que racismo não existe no Brasil.

      Tudo isso aconteceu ontem, e continua acontecendo hoje. O passado, como uma pedra jogada no lago, cria ondas concêntricas na água e repercute no presente. O passado é o presente.

      As cotas raciais são necessárias hoje não para corrigir as injustiças históricas do passado, mas para corrigir as injustiças cotidianas de hoje. As cotas raciais são necessárias porque hoje a Polícia Militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.”

      difícil entrar em mais detalhes sem escrever um outro texto. mas, como sempre digo, se vc leu um texto sobre X e acha que deveria ter falado de Y, escreva sobre Y e mande pra gente. :)

      valeu.

      • Angelo

        Não cara nada contra seu texto,achei muito esclarecedor,mas é porque como vc já está falando sobre escravidão caberia colocar pelo menos um dado que mostre que ainda não superamos a escravidão em si,porque muita gente pensa que só sobrou o racismo para combater,e que escravidão seria só uma lembrança,e não uma realidade.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        sempre dava pra ter falado mais coisas. mas, em algum ponto, temos que parar de escrever e publicar o texto. :) mas sim, é importante.

  • rafa

    nao consigo editar meu comentario. Nao sabia que o campo aceitava tag HTML por isso ficou uma bosta, se o adm puder arrumar agradeço.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      eu nao tenho como editar seu comentário.

  • André Latorre

    Muitas besteiras, muitas verdades. O problema é que quando se escreve besteira, invalida todo o texto. Não me leva a mal por favor.

    Vocês querem oq? Demolição de algumas das maravilhas portuguesas por associação com trabalho escravo? Auschwitz não foi demolida.
    Para construir um futuro, deve-se aprender a conviver com o passado e não varre-lo para baixo do tapete.

    Seu texto é até bom, levanta a questão de que o nosso Holocausto foi muito pior que o de lá. Mas cuidado para não escrever sobre oq não domina por completo.

    E esse papo de jogar para as pessoas de hoje a culpa pelos de ontem não está com nada. O povo alemão é um povo maravilhoso, não é mais aquele o do Holocausto, manipulado pela propaganda. Os brasileiros de hoje não são os que escravizaram… Vamos parar com isso, né? Até dias atras bolivianos eram escravizados no bairro do Braz, em São Paulo. A culpa é tua? Não sejamos moralistas né?

    Espero que tome isso como uma critica construtiva, para escrever um texto melhor mais pra frente, e não faça comentarios mal educados como os que vem fazendo para os que lêem seu texto. Liberdade de expressão e respeito para todos os lados.

    Att.
    Amadeu

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      se vc quer saber o q eu queria, eu queria que o material publicitário sobre elmina FALASSE que a fortaleza foi construída para traficar escravos. ela existe POR ISSO. esse fato não pode ser omitido.

      não acho que nada deve ser derrubado. acho que a história deve ser LEMBRADA.

      não houve, no texto inteiro, nenhuma sugestão de derrubar nada. pelo contrário, o texto fala sempre em levantar, trazer à vida, lembrar.

      o fato de eu fazer ou não comentários mal-educados não afeta a sua liberdade de expressão, colega. uma coisa não tem nada a ver com a outra. mas ao falar livremente, vc se abre para a resposta. que pode ser no tom que vier. inclusive no mesmo.

      ah, e não. vamos parar com isso não.

      abraços.

  • Anonimo

    Tirando o fato de a cada 3 links no texto apontar pro blog do próprio autor, Qual o sentido em no final do texto “Leia mais textos meus” se tem uma box logo ali no fundo de textos relacionados?

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      conte os links de novo. abraço.

      • Anonimo

        São 47 links no texto, 11 apontam pra algum material do próprio autor. Logo, são a cada 4,27 links mencionando a si mesmo. Clap clap. Mesmo assim não me respondeu o porquê do “Leia mais sobre mim mesmo”…

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        conta os links de novo. mais uma vez.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000299459505 Arthur Gonçalves Lima

    O texto é bom, mas comparar cotas raciais com uma rampa para um cadeirante não faz sentido algum, pelo menos não para mim.

  • http://www.facebook.com/lucila.debrito Lucila de Brito

    Parabéns pelo texto. Ainda não o li todo, porque é muito grande, muito, denso, muito emotivo. Mas, resolvi comentar, assim, com o meu perfil do facebook. Quem sabe, algum dos muitos dos meus contatos contra as cotas com recorte racial, contra a discussão do racismo, contra a ideia de existência de percepção de raças, a ideia de existência de dominação de raças e a ideia de inexistência de cidadania para a maior parte da população de pretos e pardos deste país cheguem aqui, através deste comentário. E queiram vivenciar esse desconforto que é pensar sobre isso. Ao invés de empurrar para debaixo do tapete e praticar um racismo camuflado, tão camuflado que, acredito, nem sabe que praticam, porque é natural. A imagem do Min. Joaquim Barbosa dizendo contra as cotas, porque havia estudado, foi a gota d’água no facebook para mim. Não por ser uma mentira. Mas, porque estorou na época em que muitas universidades públicas realizavam seus exames vestibulares, já atendendo a Lei de Cotas. Pensei em um estudante pobre, preto e pardo, em um lan-house, prestes a prestar o vestibular, feliz pela oportunidade de se educar com qualidade de vida, lendo aquilo. E, mais uma vez, sentindo-se diminuído pelo senso-comum, muitas vezes disseminado por pretos e pardos, como ele. Espero que leiam e queiram, para início de conversar, ter um papo de homem.

  • http://www.facebook.com/carlosraffaeli Carlos Raffaeli

    Oi Alex, gosto muito dos seus textos e admito que quando vejo que um é assinado por voce, paro e leio com mais atenção. Com esse nao foi diferente. A cultura africana sempre me despertou muito interesse acadêmico, mas é provável que eu nao tenha 0,1% do conhecimento e experiência que voce adquiriu. No entanto, nao me sinto desqualificado para o debate e por isso estou aqui.
    Longe de mim tirar dos europeus a responsabilidade no trafico de escravos entra África e o Novo Mundo. Tampouco a dos colonos no Novo Mundo (se tem gente vendendo, é porque tem gente que quer comprar).
    No entanto, senti falta no seu texto da abordagem que mostre o africano como igual participante (e talvez culpado) nesse trafico. Nao estou dizendo o negro que entrou nas galeras e que, que por sorte ou azar, chegou vivo para sofrer todo tipo de horror. Me refiro à organização social que os europeus encontraram JÁ constituída no continente africano muito antes de sua chegada.

    As colônias, ate o século XVII nao adentraram o continente e, de fato, os colonos nao iam buscar escravos assim como os bandeirante foram buscar índios e pedras. A estrutura que os europeus ali encontraram era de uma escravidão intranegra (se é que essa palavra existe), onde haviam chefes negros no interior da África que transacionavam seus escravos por produtos produzidos por suas tribos.

    Alias, essa organização social é que foi desmantelada quando os europeus retalharam o continente entre as potências, colocando tribos rivais disputando o poder no mesmo território.

    • http://www.facebook.com/carlosraffaeli Carlos Raffaeli

      Corrigindo, “transacionavam seus escravos e produtos por bens trazidos pelos europeus”

    • Guest

      Continuando… Então, se é para relembrar a escravidão com a exatidão que voce sugere, talvez seja plausível nao esquecer da parcela negra da culpa (e isso vai soar horrível pelo fato de eu ser branco). Por favor, considere que eu estou apenas analisando o lado negro da história, e que nao estou diminuindo a culpa dos colonos, senhores, brancos etc..

      Do mais, quanto a parte que voce trata do sistema de cotas raciais, concordo em parte com você e com o sistema. Isso vai novamente soar ruim vindo de alguém que é branco e classe media (e nunca “precisou usar a rampa”, como voce disse), mas o sistema de cotas racial tenta corrigir o passado com uma medida de curto prazo para um problema que exige soluções de longo prazo. Ou seja, pode ser um pouco idealista demais e óbvio, mas se todas as crianças tivessem um acesso igualitário a educação, o sistema de cotas seria desnecessário. Eu disse que isso parece obvio, mas onde eu quero chegar é que, a escola publica em que devemos pensar nao é aquela que deseja competir com a escola privada (que, sabemos, nao é sinônimo de qualidade), mas sim uma escola que seja boa o suficiente que atraia todos.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        “o sistema de cotas racial tenta corrigir o passado com uma medida de curto prazo para um problema que exige soluções de longo prazo.”

        o sistema de cotas raciais nao tenta corrigir o passado. o passado acabou, passou. o sistema é para corrigir as injustiças do presente, de hoje.

      • http://www.facebook.com/carlosraffaeli Carlos Raffaeli

        O passado nao acabou se temos que lidar com os problemas dele no presente. E é voce mesmo quem sugere nao esquecer do passado. O problema de desigualdade ao acesso ao ensino tem raiz histórica, cultural etc. O sistema de cotas tenta trazer um equilíbrio a esse desnível. Nao da melhor forma, mas da menos pior, eu diria.

        Concordo que superar o passado escravocrata nao esta em nega-lo ou esquece-lo. Mas sim, em oferecer às suas vitimas do presente o que elas nao tiveram e que as trouxeram ao estado em que estão: acesso. Nao APENAS por meio de oferta fácil, mas qualificando-as para que possam conquistar por si próprias.

        Na minha opinião o sistema de cotas é bom, mas ineficiente no longo prazo.

      • http://www.facebook.com/carlosraffaeli Carlos Raffaeli

        Enfim, fico feliz por ter participado de uma discussão com voce. Como lhe disse, admiro seus textos.

        Um abraço.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      Oi Carlos.

      O texto é sobre a culpa brasileira na escravidão. Não dá pra falar sobre a escravidão em todos os outros países.

      Mas eu digo e afirmo categoricamente que todos as culturas em todas as épocas tiveram escravos. Inclusive a africana. Inclusive a europeia. A asiática. Todas. A diferença é que eles não eram a base da economia, não eram a maioria da população e, em grande parte dos casos, não transmitiam sua escravidão aos filhos.

      Não conheço nenhum historiador que diga que os europeus entrava África adentro caçando negros escravos de rede na mão. Os escravos que vieram para o Brasil foram quase todos comprados de reis e poderosos africanos.

      Mas… e daí? Meu texto é sobre o Brasil, nossos horrores e nossas culpas.

      Eu só não consigo entender porque isso é relevante para a discussão. Em que isso muda a responsabilidade dos brasileiros? Em que isso afeta a discussão das cotas?

      Alex

      • http://www.facebook.com/carlosraffaeli Carlos Raffaeli

        Sim, comcordo que nao afeta a discussão das cotas, mas voce sugere que a escravidão por completo nao seja esquecida e que todos os seus traços sejam retratados, e buscou as raízes europeias para justificar seu ponto. Se voce inclui a raiz europeia e brasileira do problema, nao tem porque deixar de incluir a africana.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        eu tb não falei da escravidão chinesa. tb não falei da escravidão moura urbana em portugal. a lista de coisas sobre as quais eu não falei nesse texto é infinita. e isso é pq ele tem um recorte, um assunto… não dá pra falar de tudo.

      • http://www.facebook.com/carlosraffaeli Carlos Raffaeli

        Entendo o recorte. Mas deixar de mencionar a organização social africana que fez parte do trafico é perpetuar o mito do africano vitimizado.

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

        Não interessa se compramos os escravos na mão dos africanos ou os trouxemos todos a pauladas. Isso é um dado irrelevante porque em ambos os casos a nossa culpa é igual. Não fomos obrigados por africanos malvados a comprar escravos, fomos?

        Se sabemos que existe um sistema perverso por trás da comercialização e mesmo assim fechamos negócio, isso nos torna menos culpados do que se fossemos os próprios a acorrentá-los?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        exato, ayran. o povo fica falando dos “escravistas africanos” como se isso exculpasse a gente. parece o cara que é pego roubando e diz, ah, mas todo mundo rouba, pô!

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        o que é esse “mito do africano vitimizado”? onde vc viu isso? quem defende isso? em qual livre? eu nunca vi nenhum pensador sério falando isso.

        esse é mais um dos falso espantalhos da direita. eles inventam um mito que não faz nenhum sentido, dizem que o outro lado defende isso (quem? em qual livro? onde?) e então argumentam contra uma posição que ninguém tem.

        truque velho. vide narloch e cia.

      • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

        Voce quer dizer entao que se o carrasco tambem era africano, entao nao houve vitimas? (Ps. Alex, por que cono eu nao consigo acentuar quando comento aqui?)

  • Cassis

    Assunto polêmico

    Escravidão existiu, e não há como negar isso.

    Ficar relembrando o assunto vai remediar tanto quanto esquece-lo.
    Foi um erro irreparável na humanidade, mas nenhuma civilização cresceu imaculada.
    O racismo está presente ainda no Brasil e no mundo, bem mais sutil que antigamente, e a tendencia é ir melhorando com o passar dos tempos, porém as mudanças não acontecem de uma hora para outra. Principalmente esse sentimento de inferioridade/superioridade que já nasceu comigo, com você e com qualquer um que está comentando esse artigo.

    Acredito que qualquer tipo de preconceito é uma questão mais individual do que social, temos que nos reeducarmos, aprender a aceitar o diferente e identificar os pequenos sinais de preconceito existentes no dia a dia e optarmos por não nos “beneficiarmos” deles!!

    Simples?? Longe disso…..mas talvez é o melhor (único) jeito que pagarmos essa dívida impagável.
    As cotas raciais são medidas paliativas e na minha opinião só vai aumentar o preconceito já existente.

    Se eu fosse negra, me sentiria ofendida com as cotas raciais, eles são tão ou mais capazes de fazer as mesmas coisas que nós caucasianos e nem é necessário citar pessoas negras de destaque que chegaram onde estão sem precisar de critérios que os beneficiem.

  • Breno Tiki

    Ótimo texto! De fato relembrar o passado é discutir o presente:

    - Ainda exista uma euronormativo, tem uma ong a aqui de são paulo chamada Casa do Zezinho, e ouço direto relatos de crianças negras que ao se auto retratarem pegam o lápis bege… e dá um trabalho para resgatar a auto imagem dessa criança.

    - Só para não passar batido o erro histórico: Não só o Imperio Portugues que era altamente escravagista, o Império romano também o era. Aliás o sistema de criadagem Inglesa era tão absurdo quanto a escravidão!

    - E existe o nosso equivalente ao South will Rise again! – Chama-se Republica do Cruzeiro do Sul e é igualmente vergonhoso!

    - Embora ainda esteja acessa a vergonha alemã, já ouvi muitos “get over with” dos jovens de lá…

    For fim, não consigo pensar diferente de o sistemas de cotas seja falho, é a aquela história de uma idéia ruim criada por boas intenções. Sim, TEM que ser feito algo e se só tiver essa idéia, ok, viveremos suas repercursões e continuaremos a discussão a partir deste segundo cenário

  • Manuela

    Alex, de verdade, o seu texto me fez refletir. Vou tentar expor os porquês – ou o porquê.

    Não li nada muito novo, conheço essas discussões de perto – apesar de não ser militante, tenho amigos do peito que discutem e preenchem muitas lacunas nessa vida. Faço parte de uma parcela privilegiada da nação que, descendente direta, mestiça, vivem da soberba classe média, com boas escolas e perspectivas para o mais tarde, e tenho total consciência de que a maioria dos cidadãos – nascentes e descendentes da mesma pátria – não tiveram, não tem e não terão a mesmas oportunidade que tive, tenho e terei. A perspectiva história ajuda na existência dessa dicotomia – a mistura de cores dos meus ascendentes, de lugares sociais, a minha pele mestiça (o parda que se expõe na minha certidão de nascimento). Por outro lado, a realidade social também ratifica essa desigualdade gritante entre pessoas de origem “iguais”.

    Uma fração do seu texto me colocou sob a pele negra daqueles que se foram. Um gravura, arrancou-me frações de carne. Tremo um pouco ao escrever, mas é que essa dinâmica de colocar-se no lugar do outro é dolorida. E foi esse o grande diferencial, para mim, do quanto ao escrito aqui. Porque, pela primeira vez, coloquei-me, de fato, nesse lugar – nesse complexo lugar do passado, em ânsia de vômito, tonta pela viagem hostil, diante de uma terra que não era minha (subjugada, sujeita, um item).

    Outra ponderação me tomou e tentei recapitular todas as imagens de minha vivência. Vejo, na minha Salvador, “legiões de homens negros como a noite”, em diferentes lugares dessa cidade, mas quantos deles estão presentes no meu dia-a-dia? Na rotina dos afazeres? Não estavam na escola. Não estavam na faculdade. Não se encontram, hoje, no trabalho. A exceção de figuras pontuais. Quando os vejo (e me retiro desse lugar pela cor, não pela descendência) estão realizando sub-empregos. É a moça da faxina, da copa, o rapaz que é “faz tudo”, é a empregada doméstica, o motorista, o gari, o flanelinha, o vendedor de picolé. Óbvio que não são apenas os negros que exercem tais atividades – e entenda, não estou minimizando tais serviços (não almejo diminuí-los de nenhuma forma) – mas os outros são figuras contadas, exceção à realidade brutal: são os negros os “nossos” escravos.

    Espero que tenha conseguido me fazer entender. Ainda trêmula, o nervosismo de me ver, de permitir-me olhar essa realidade, talvez não me deixa refletir com a ponderação madura suficiente para escrever. Mas precisava expor e me expor.

    Beijos e até a próxima.

  • Hellen

    Excelente

  • http://www.facebook.com/bibi.org Bianca Bueno

    Adicione aos horrores cometidos pela humanidade e que tentam pagar o genocídio Armênio. Morreram mais de um milhão de armênios e até hoje a Turquia, e alguns outros países não admitem os horrores que fizeram. Aliás, o resto do mundo dá pouca importância também.
    Eu tenho vergonha da escravidão que foi praticada aqui, das matanças dos índios e de mais algumas coisas. E eu rio da cara de quem fala que não há preconceito aqui… não… imagina…só na sua cabeça é que não há. Ou pior, em alguns casos há e a pessoa se faz de inocente. Apesar disso eu sou contra cotas raciais, mas eu acho que deveriam sim existir cotas por poder aquisitivo. Muita gente vai dizer que dá no mesmo, pode até dar, mas eu acho mais justo separar vagas pra quem nunca teve condições de pagar ensino particular, porque o público foi deixado de lado infelizmente, e por isso não tem condições mínimas para entrar em uma universidade pública.
    O meu grande problema em discussões com pessoas, é sobre como se esquece do passado, esquece-se do que a Igreja fez, do que diversos povos fizeram. Não é querer reviver e culpar para sempre, é questão de lembrar para não acontecer mais. Lembrar e se arrepender do que os antepassados fizeram. O problema de esquecer é o perigo de cair na mesma armadilha, e cometer os mesmos erros.

  • Tiago Canuto

    Alex,

    Li com emoção o texto. Verdades duras que nossa falta de memória não deixa perceber.

    Parabéns.

  • Paula Libence

    Nossa nossa! Creio que, de fato, você deve ter
    buscado uma imensa bagagem literária por conta da quantidade de referências
    citadas aqui. Foi de tirar o fôlego, de verdade, tanto que parei no meio do
    texto para beber uma água enquanto que o maridão deu continuidade à leitura da
    obra.

    Sou leitora assídua das suas publicações, costumo repassar e indicar a leitura
    dos seus textos, e venho mais uma vez parabenizá-lo pela maestria com que
    conduz as palavras e o fundamenta criticamente.

    Falar de racismo e regime escravista vividos no Brasil não é tão fácil quanto
    se parece, ao menos, para os idiotas que se atrevem a dizer entendidos do
    assunto quando sua única leitura possa ter sido Casa Grande e Senzala. PQP!

    E fácil também é o fato de querer comparar atitudes racistas no âmbito
    Brasil-USA, como se ambos vivessem o racismo baseado na mesma conjuntura.
    Quando na verdade não é.

    As relações escravistas que compuseram o cenário político, econômico e social
    no Brasil deixaram marcas presentes no “imaginário popular” até hoje,
    assim nos diz Ali Kamel, com Não Somos Racistas. Mas só quem viveu e ainda vive
    as consequências desse regime é que bem sabe o estrago que fizera.

    Folclorizar o regime escravista hoje é muito mais conveniente do que se parece.
    Afinal de contas, fez parte da história e já se passou mais de anos. E põe anos
    nisso, viu. Sendo assim, é melhor deixar pra lá. Esquece isso, ora bolas!

    Se não fosse trágico, penso que seria cômico. E ouvimos isso todos os dias
    quando somos chacoteados pelo poder público, pela mídia e pelo Estado, quando
    constitui leis, projetos e regulamentos que reverbera mais do que qualquer eco
    resguardado na garganta de uma elite que nos diz a todo o tempo que temos o que
    merecemos e devemos nos confortar com esse modelo de sociedade que nos achaca
    diuturnamente. Ataca nossos lares, nossa família, nossa vida, nosso íntimo. E
    que assim devemos seguir. Ignorando os aspectos do nosso contemporâneo que se
    firmaram no nosso passado, e que se renova.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Faria/1132579103 Gustavo Faria

    Acho que o ideal era que a educação abundasse, que todos tivessem amplo acesso a educação de qualidade e esta fosse a prioridade dos nossos governantes.

  • deo

    Não deu para chegar até o fim. Parei a leitura. Superficial, comparções esdrúxulas,etc.

  • http://www.facebook.com/silmargeremia Silmar Adriano Geremia

    Achei o texto todo muito inspirador. Realmente fica difícil mencionar as minhas passagens preferidas, mas postei todas no Facebook.

    Enfim, muito importante a discussão. Mas, acho que faltou mencionar, que no Brasil (pelo menos como eu vejo) existe muito mais preconceito social contra os menos favorecidos, independente da raça do que o contrário.

    Talvez em um próximo artigo? :-)

    Parabéns e continue com o bom trabalho.

  • Alexandre Gravem

    “Mas é só porque esqueceu ter sido a maior economia escravocrata de todos os tempos.”

    Na verdade Roma foi a maior economia escravocrata de todos os tempos. A não ser que na tua conta só entrem escravos negros. Se tu focar em origem africana, talvez seja o Egito, uma vez que nem todo africano é negro.

    Enfim, um pouco de pesquisa histórica nunca vai mal quando se quer fazer frases de efeito como esta.

    • Demétrio Main Horse

      Há uma confusão. No escravismo romano, não havia o direcionamento religioso propagado no ocorrido no período pós-renascentista. Calvino carimbou no negro o selo da danação humana. A ICAR não ficou atrás, dando salvo conduto para ações mercantilistas de seres humanos dentro desse processo. O período da escravização de negros foi de uma economia ascendentes, onde a burguesia tentava se estabelecer e atiçava os mercados produtores de commodities como as américas.

      No escravismo romano, muitos dos escravos eram gregos, e que foram fomentadores do processo do ‘plágio’ cultural idealizado pelos romanos. A cultura romana não tem originalidade a priori, e o escravismo de gregos por aqueles foi importante.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      existem muitas controvérsias sobre isso. roma e o egito possuíam escravidão, mas não eram dependentes dela como o Brasil nem tinham um percentual tão grande de suas populações escravizados…

      • Stalingrado, mano?

        Como assim Roma não era dependente da escravidão? Você fez faculdade de História mesmo? Hahahahaha filho, a crise romana do século III foi causada justamente pela falta de escravos, como eles não eram dependentes? O próprio Marx que você deve amar mais que sua própria vida classificou aquilo como modo de produção escravista.

    • André Martins

      Por isso, entre outras coisas, que eu achei falta do componente econômico nas comparações feitas no texto.

  • ET

    Alex.
    Sua falta de flexibilidade e abertura para opinião alheia faz com que você perca muitos militantes na sua causa….

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      acho bonito que agora ser flexível com argumentos racistas, machistas, homofóbicos virou qualidade.

      • TatieleGiacomin

        Tu foste grosseiro, ou irônico em todas os comentários onde as pessoas discordaram de algum ponto do teu texto.

        A maioria não te ofendeu, não foi agressivo, ou racista. Tu realmente achas que por não concordar com o sistema de cotas, ou por discordar do teu texto, essas pessoas estão sendo racistas, machistas, ou homofóbicas? Achei alguns argumentos nos comentários bem elaborados e tu se quer deu a devida atenção a eles, simplesmente se mostrou inflexível e prepotente.
        Concordo com o ET, a tua falta de abertura só enfrequece a causa, o que é triste, pois ela é nobre.

      • Tiago

        Concordo contigo Tatiele.

  • Demétrio Main Horse

    Vejam o trecho abaixo. Mesmo sob a ótica de abolicionistas – Joaquim
    Nabuco, (1849-1910), há uma tendência de amortização do processo
    histórico, com uma leitura sentimental das relações escravagistas
    ocorridas no Brasil desde seus primórdios. Esse é o cerne da questão – alguns autores que já li, afirmam que esse aspecto
    do apelo sentimental era utilizado por senhores de escravos. ‘Seu
    ingrato!’ , eram argumentos de um substrato moral, para com o escravo
    rebelado que, mesmo em sua condição alienada (agregada) ao sistema
    escravista, tinha o sentimento de culpabilidade para com seu infortúnio,
    pois talvez nunca teria condições de se remir da condição de
    infortúnio.

    ” Tornei a visitar doze anno depois a capellinha de São Matheus,
    onde minha madrinha D Anna Rosa Falcão de Carvalho, jaz na parede ao
    lado do altar e pela pequena sacristia abandonada penetrei no cercado
    onde eram enterrados os escravos…Cruzes, que talvez não existam mais,
    sobre montes de pedra escondidas pelas ortigas, era tudo que restava da
    opilenta fabrica, como se chavama o quadro da escravatura…Em
    baixo, na planicie, brilhavam , como outr’ora, as manchas verdes dos
    grandes cannaviaes, mas a usina agora fumegava e assobiava com um vapor
    agudo, annuinciando uma vida nova. (…)

    Foi assim qu o problema moral da escravidão se desenhou pela primeira
    vez aos meus olhos em sua nitidez perfeita e com sua solução
    obrigatoria. Não só esses escravos não se tinham queixado de sua
    senhora, como a tinham até o fim abençoado…A gratidão estava do lado
    de quem dava. Elle morreram acreditando-se os devedores…Seu carinho
    não teria deixado germinar a mais leve suspeita de que o senhor pudesse
    ter uma obrigação para com elles, que lhe pertenciam.

    Deus conservára ali o coração do escravo, como o do animal
    fiel, longe do contacto com tudo que o pudesse revoltar contra a sua
    dedicação. Este perdão espontaneo da divida do senhor pelos escravos
    figurou-se-me a amnistia para os paizes, que cresceram pela escravidão, o
    meio de escaparem a um deos peiores taliões da historia…Oh! os santos
    pretos! seiram elles os intercesores pela nossa infeliz terra, que
    regarm com seu sangue, mas abençoaram com seu amor!(…)”

    Joaquim Nabuco, Minha formação in BARRETO, Fausto; DE LAET, Carlos, Anthologia Nacional ou collecção de excerptos dos Principaes escriptores da lingua Portuguesa do 19ºao 16º seculo, Francisco Alves & Cia- Aillaud, Alves & Cia, Rio De Janeiro, Paris. 1913

  • Demétrio Main Horse

    Eu acredito que esse despropósito da ‘disneylização’ ocorrida em
    países como EUA e outros na tentativa de resgate histórico das situações
    de opressão humana como o escravismo ou anti-semitismo, é visto no
    Brasil através nas narrativas de produtos culturais – leia-se novelas
    da Globo, algo que já ocorreu na literatura (a Escrava Isaura se redimiu
    por uma ‘falha no controle de qualidade do DNA…).
    Mas esse
    despropósito é mais suave, mais brando, mais emotivo. Até mesmo na
    música, existem citações ao pelourinho de forma quase que poética. Alguém
    cantaria uma música sobre Auschwitz?

    Veja a letra de ‘Madagscar’ do grupo Olodum:

    “E viva Pelô Pelourinho, patrimônio da humanidade é

    Pelourinho, Pelourinho: palco da vida e das negras verdades”

  • Leon Santiago

    Cara, no topo da minha ignorância, eu apenas queria que houvessem oportunidades sociais que diminuissem o abismo racial que rola. Sei lá, espero não ofender ninguém, mas me parece que o preconceito e a merda hoje é mais social que racial. Não vejo muito preconceito com os negros de terno e macbook que trampam na empresa que eu trampo (muito menos negros que brancos, claro). Mas na rua vejo a galera subindo vidro pra pivetinho de qualquer cor quee tiver de havaiana e camiseta de surf (muito mais negros que brancos). Estou sendo muito simplista?

    • Demétrio Main Horse

      Na questão linguística sim. Verbos impessais não são flexionados. Não é ‘houvesssem’, e sim ‘houvesse oportunidades’. Claro que isso é irrelevante, pois você deve ser branco, e todo branco tem o DNA da excelência humana intrínseco em suas ações. Já o negro é que tem que mostrar serviço…

      • Raul

        Imaginei que a importância estava em compartilhar a opinião e não em verificações sobre a utilização adequada do vernáculo.

    • Raul

      Não, não está. O preconceito mais latente hoje é o social do
      que o racial em comparação com antigamente, porém isso não muda a nossa
      história que foi exposta no texto. Além disso, o próprio preconceito racial
      condenou muitos ao preconceito social também. Todavia, a sociedade brasileira
      deve analisar como agirá daqui para frente, ela poderá trabalhar com a hipótese
      de olhar para o passado e o presente procurando amparar os marginalizados pela
      sociedade passada e recente ou olhar tão-somente para o presente e amparar o marginalizados de agora que não são com certeza somente os negros.

    • Milena

      Acho que sim deo. Me responde uma coisa: você está andando, voce é branco. Do seu lado ocorre um assalto a um açogue feito por três negros. Há muvuca, e gente correndo você ouve um disparo e sai correndo também. A policia chega rápido, e vê você correndo. Eles prendem você?
      Isso aconteceu com o cliente de um colega meu, ele era negro. Ele foi preso e por falta de provas que o defendessem e acabou 8 meses na cadeia e era inocente. Ele era dançarino, tinha emprego e tudo, mesmo assim…
      Coicidência? Acho meio ingênuo pensar assim. Mas você pode pensar! Você pode pensar o que quiser.
      Você sabia que o treinamento de tiro dos policiais é feito em bonecos pretos? Na OAB tem uma parte de estudos afros, eu nem sabia disso até que eu conheci um rapaz e foi ele quem me contou isso.

      Leia um pouco sobre o assunto sob o ponto de vista deles. Há uma frase indigena, dos norte-americanos que diz assim: “grande espírito por favor não permita que eu critique meu vizinho sem antes andar por uma milha eu seus mocassins”.

      • Raul

        Acho que a questão dos bonecos de tiros não tem relação com o assunto. E qual o problema da OAB ter um setor que estuda sobre isso? Não entendi a conexão entre isso e o assunto.

        Quanto ao seu amigo, é um erro judiciário. O problema não está no fato dele ser negro, mas sim na nossa justiça que comete muitos erros. Acredite que ele não foi o primeiro e nem será o último, infelizmente.

  • Raul

    Bem, tratemos da realidade brasileira.

    Sim, há preconceito! O preconceito não é formado pelo
    individualismo do ser humano, quem tiver estudado um pouco de Sociologia
    perceberá que existe uma coisa chamada “consciência coletiva” e isso influencia
    boa parte do nosso comportamento e essa influência será maior quanto menor for
    o nível de instrução da própria sociedade. Existe preconceito racial, de classe
    social, sexual, em relação à mulher, xenofobia, ou seja, o que não falta em
    nossa sociedade é isso que é inerente ao homem.

    Esqueçamos o lado pejorativo da palavra preconceito e
    lembremos que ela denota um conceito que todos nós formamos sobre as coisas que
    pode se confirmar ou não a partir do sistema de referências que possuímos.
    Então, esse preconceito é produzido por nós e confirmado pela sociedade a
    depender do tipo de sociedade na qual você está inserido, então vamos esquecer
    essa idéia que o preconceito depende de cada pessoa, porque não é verdade.

    Assim, a única forma que entendo ser possível regular esse
    preconceito é por meio de normas ou leis, pois essas são instrumentos da
    consciência coletiva para regular a sociedade e são respeitadas por ela. As cotas raciais foram criadas por lei e por isso, representam o pensamento da coletividade, afinal foi aprovada e publicada por representantes legitimados por nós. A sociedade brasileira está muito aquém de suprir todas as mazelas de sua história, começamos uma democracia faz apenas 22 anos enquanto outros países já são professores nessa matéria. O preconceito sempre existirá da mesma forma que o passado do regime escravista brasileiro também, porém avanços estão ocorrendo e um grande exemplo foi à eleição do Joaquim Barbosa para presidente do STF. Ouvi criticas nos comentários expostos sobre o fato do Joaquim Barbosa ser contra as cotas, todavia isso não o torna menos negro ou menos participante desse passado brasileiro, além disso, essa crítica não torna nenhum cidadão brasileiro menos participante dessa história. A maioria da população brasileira é da classe média que ascenderam a essa nos últimos 7 anos, ou seja, em 2005, a maioria era da classe D e E que de acordo
    com nossa história brasileira e os comentários de muitos é representada por
    negros também.

    Em suma, avanços estão ocorrendo. Lembremos do passado para
    não repetir no futuro, lembremos do passado como NOSSA história e não como a
    história das pessoas de pele negra, pois, antigamente, você só tinha direito se
    fosse branco algo oposto a isso era escravo independente de ser ou não ser
    negro. Lembremos sem revanchismo, ódio, rancor, sejamos justos e diferentes dos
    nossos antepassados, mas não esqueçamos que a história é nossa e não dos negros e teve seus capítulos ruins, porém ainda não acabou.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Joaquim Barbosa não deve ser contra as cotas, votou a favor da constitucionalidade das mesmas.

      • Raul

        Não estou informado sobre isso, mas em comentários abaixo vi uma pessoa argumentando que ele era contrário. Bem, valeu o esclarecimento.

      • http://www.facebook.com/lucila.debrito Lucila de Brito

        Se leu em meu comentário, por rapidez na digitação, engoli uma palavra e corrigo. Quiz dizer: não só por ser uma mentira (o Min. Joaquim Barbosa ser contra as cotas com recorte racial). No caso do julgamento sobre a inconstitucionalidade das cotas raciais na UNB, o Min. Joaquim Barbosa votou a favor da constitucionalidade destas. Mesmo assim, quando foi colocado como herói, pela la grande mídia, no julgamento do mensalão, foi usado largamente como caricatura da meritocracia no acesso a Educação Superior Pública, justamente no período de exames vestibulares. Isso,para mim, foi a digitalização do racismo velado do brasileiro que oprime sem, no entanto, jamais usar uma injúria, como “crioulo burro” ou “nêgo preguiçoso”.

      • Raul

        Entendi Lucila. A mídia não é referência para muita coisa. Os jovens devem se concentrar na biografia da pessoa, muitos só conheceram o Joaquim Barbosa agora- ele é Ministro do STF desde a era Lula. Além disso, essa espécie de caricatura só é usada por aqueles que não desejam ou não precisam estudar. Note que até nesses pontos negativos há mudanças, pois muito tempo atrás a caricatura era outra.

    • Vinicius

      Apenas um adendo. Nos Tribunais, inclusive no STF, respeita-se uma ordem cronológica para a eleição de seus dirigentes. É uma tradição. Elege-se aquele membro mais antigo que ainda não assumiu a presidência. Nos últimos anos, alguns tribunais passaram a superar este costume. Não é o caso do STF. No Supremo, não há propriamente uma disputa. A eleição é mera formalidade. Depois do Min. Joaquim Barbosa, assumirá a presidência o atual Vice, Min. Ricardo Lewandowski. Talvez o marco a que você queira se referir seja a nomeação de Joaquim Barbosa para o cargo de ministro da mais alta Corte do país. A indicação foi feita pelo ex-presidente Lula. Para finalizar, o Supremo julgou constitucional a política de cotas da UnB. A decisão foi unânime.

      • Raul

        Não, refiro-me a eleição do Joaquim Barbosa para Presidência da Suprema Corte do país. Eu sei da força dos costumes em nossa Corte Maior, porém o termo adequado para ascensão do Ministro a presidência é eleição mesmo existindo essa questão costumeira.

  • may

    dá gosto ser sua mecenas (das antigas), alex.

  • Pedro Henrique Ribeiro

    Alex, de que adiantam as cotas para ensino superior, se os acadêmicos, presume-se, vêm de um ensino fundamental e médio vergonhosamente defasado. Além disso, as cotas nao exacerbariam o preconceito contra profissionais negros ou de origem mais pobre, independente da qualidade dos serviços oferecidos posteriormente?

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      pedro, ninguém nunca disse que cotas resolvem a vida. elas são apenas uma pequena parte da solução.

      e sobre a sua última pergunta, não entendi bem qual é o sentido de negar uma ajuda concreta hoje a quem precisa em nome de um potencial malefício que nunca se verificou em nenhum lugar… vc já viu ou ouviu falar de isso ter acontecido? eu nunca…

      • http://www.facebook.com/people/Pedro-Henrique-Ribeiro/100002223961275 Pedro Henrique Ribeiro

        O problema é que cotas não parecem uma ajuda concreta, ainda que alunos de escolas públicas (independente de raça) sejam diligentes e dedicados aos estudos, há uma falha gigante no ensino de base e no futuro isso vai comprometer o desenvolvimento acadêmico deles. As cotas só fariam sentido se a baixa qualidade de ensino não começasse no fundamental, que é onde o governo hoje deveria melhorar, ou na hipótese absurda de as faculdades rejeitarem candidatos pelo critério da raça.

        Outra coisa sobre as cotas que me vem à tona: não parece que elas são um atestado de fracasso de governos e das escolas públicas?

    • André Vinícius

      “…vêm de um ensino fundamental e médio vergonhosamente defasado”

      Com o apoio necessário eles conseguem se ajustar a turma e todos sabem que o vestibular cobra conhecimentos que você não usará muito na profissão desejada. E as pessoas acham que entrará alunos nota zero na universidade, o que não é verdade. Só de a pessoa estar atrás de um ensino superior público mostra o mínimo de interesse dela.

      “…cotas nao exacerbariam o preconceito contra profissionais negros ou de origem mais pobre, independente da qualidade dos serviços oferecidos posteriormente?”

      Não porque o Brasil está com apagão de mãos de obras especializadas, consequentemente os empresários não terão tanto luxo para ficar escolhendo muito os profissionais. Fez os testes e o cara passou já era.

      • Raul

        André, o problema das cotas não são elas em si, mas sim a forma de enquadramento dos estudantes nelas. O governo teve uma boa idéia, porém não a regulamentou como deveria. Os critérios são obscuros para sabermos se uma pessoa teria direito ou não a elas e isso gera situações complicadas e inexplicáveis como por exemplo irmãos que um foi enquadrado como negro e o outro como branco. Além disso, essas situações complicadas provocam a revolta de outros estudantes que não utilizam a mesma.

      • André Vinícius

        Isso eu concordo. O Estado deveria dizer durante quanto tempo iria utilizar a cota e depois desse prazo fazer uma revisão dos objetivos alcançados para ver se seria renovado o prazo de vigência dessa política, se seria alterada, etc. E conjuntamente apresentar um plano de reforma educacional para as cotas não serem uma desculpa para fugir da responsabilidade do ensino.

      • Raul

        Você falou tudo. Politica pública é assim: Tem inicio, meio e fim. Não é eterna, afinal se fosse não eliminaríamos a causa de sua existência. Afinal, as cotas existem para diminuir o abismo racial, correto? Então, esperamos que ela gere efeitos e elimine esse problema e por consequência o próprio programa. O problema das políticas públicas hoje é o desvio da sua finalidade, algumas estão sendo utilizadas para fins eleitorais e assim, ela perde sua razão de existir.

  • Guest

    Fico triste me ver pessoas utilizando o argumento” os africanos também tinha escravos” ou similares. Burrice ou desonesdidade intelectual? Entendo o sarcasmo do Alex nos comentários porque chega uma hora que discutir com o nada não rola.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      exato. se o cara acha que “africanos tinham escravos” é argumento, ou minimiza a nossa culpa, fica dificil o diálogo…

      • André

        “minimiza a NOSSA culpa” – OK, não quero ser agressivo mas que culpa tem uma pessoa que nasceu depois que a coisa já aconteceu ?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        “nossa” culpa quis dizer a culpa nacional do brasil enquanto instituição, não nossa culpa individual enquanto pessoas. o brasil sim tem culpa. pq o brasil existia naquela época e existe hoje. eu, vc, individualmente, nao.

      • Raul

        O problema está ai, o Brasil instituição que poderia fazer algo a respeito surgiu recentemente. Os anteriores não podiam e até uma certa parte da história nem existia Brasil como instituição. Nesse lapso de inexistência institucional, ficará a cargo de quem?

      • S.

        Acho q vc está confundido instituição com república.

      • Raul

        Não, só não me fiz mais claro. Estava me referindo ao Brasil como instituição política que não existia até a independência.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        lapso? qual lapso? nao existe lapso. o brasil, enquanto organismo politico, existe há quase 200 anos. ou mais, se vc considerar a colonia, o que eu consideraria. as obrigações e contratos e acordos que essa instituição assinou há 300 anos ainda são validos. ela tem existencia concreta e real.

      • Raul

        O Brasil não existia como instituição antes da independência. Instituições são organizações ou mecanismos sociais que controlam o funcionamento da sociedade e dos indivíduos. Portanto, o Brasil como instituição política não existia, ele não controlava a sua sociedade, na realidade, a sociedade nem brasileira era, podemos afirmar que era portuguesa. Nesse sentido que me refiro.

      • Albert

        Imagine a seguinte situação. Um homem de habilidades ímpares descobre um equipamento de uso militar que é um bom recurso em ataques aéreos com pouco impacto ao redor – leia-se perdas de vidas humanas. ?Esse mesmo homem consegue, por meio da venda da patente para o departamento de guerra de um país importante, o enriquecimento que deixará regalada até a sua descendência na quarta geração. Imagine também que um de seus descendentes, na segunda geração, recuse a herança que lhe é cabida, pois imagina que o dinheiro herdado é maldito, vindo dos vencimentos que a patente de equipamento de guerra lhe proporcionou. É justificável que esse neto recuse, mesmo não tendo sido parte importante na confecção, utilização do equipamento?

      • Vítor Moreira Barreto

        Acho que não é bem culpa, é responsabilidade, não?

      • http://www.facebook.com/thiago.chonchu Thiago Chonchu

        Pq esse cara tá reproduzindo a minha fala?

  • Abobrino

    Se a atitude de maquiar conflitos internos e simular uma igualdade falsa é algo reprovável a culpabilização compulsória e automática também é. Muitas lutas de minorias (ou supostas minorias) são justas, mas por vezes tenho uma certa impressão que querem que eu me sinta minimamente culpado por algo. Não vai rolar.

    De qualquer modo, precisamos ser justos: Não existe maior poder nesse mundo do que o de ter a prerrogativa de ser vítima. O holocausto por exemplo foi algo terrível, abominável, mas só para quem viveu ele. Muitos judeus hoje fazem questão de manter essa memória bem viva apenas para ganhar um certo respeito instantâneo, sem falar de privilégios. O mesmo para a escravidão, ou vocês acham que se voltarem na sua própria história os seus antepassados tinham vida boa? Certamente todo mundo aqui é descendente de pessoas que em alguma época da história eram escravos ou quase isso.

  • http://www.facebook.com/thiago.chonchu Thiago Chonchu

    Fico triste em ver pessoas utilizando o argumento ultra manjado na historiografia “os africanos também tinha escravos” logo a culpa não é minha ou similares. Burrice ou desonestidade intelectual?( a comparação com o comunismo então, tenho nem palavras) Entendo o sarcasmo do Alex nos comentários porque chega uma hora que discutir com o nada não rola. Não que o texto seja isento de crítica, mas que seja ao texto e seus argumentos e não desculpa para se propagar preconceitos enrustidos.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      exato. se o cara acha que “africanos tinham escravos” é argumento, ou minimiza a nossa culpa, fica dificil o diálogo…

      • Abobrino

        Esse “nossa” é que é meio difícil de digerir. Nossa quem? Muita gente aqui (senão a maioria) descende de famílias que vieram no período pós-escravidão, e mesmo se não fosse, culpa não é algo que passa como herança. E antes que digam besteira, deixo claro que não estou falando nada de esquecer o passado e tal, nem negando fatos ou tentando maquiar a história, mas argumentos que tentam jogar a responsabilidade no ventilador pra ver se pega em todo mundo não me afetam nem um pouco. Culpa branca, culpa hétero, culpa masculina, culpa classe média e afins só pegam em quem possui a autoestima fragilizada e que precisa desesperadamente se sentir aceito – sabe-se lá por quem.

    • André Martins

      Pense um pouco que as palavras aparecem. Eu sou meio esquerdoso com alguma simpatia pelo comunismo. Mas por que esconder os crimes do comunismo seria mais digno que esconder os crimes do nazismo ou da escravidão?

      • http://www.facebook.com/thiago.chonchu Thiago Chonchu

        eu não sou nada simpático com o comunismo, mas o que diabos o comunismo tem a ver com o texto? Quem disse em esconder crimes do comunismo? Aja neurose!

      • André Martins

        A mesma coisa que o nazismo tem a ver com a escravidão. São crimes contra a humanidade que vitimaram milhões de pessoas. Não pedi que a comparação fosse feito com o comuinismo e não com o nazismo, falei que a comparação poderia ter sido feita com um ou com outro, mas que algumas diferenças poderiam ter sido realçadas. Não entendi essa postura defensiva.

  • André

    Alex:

    Achei seu texto muito bom, concordo com alguns pontos e discoddo de outros porém respeito tudo oque foi apresentado.
    Oque vou escrever abaixo não é pra dizer que você está errado ou certo – só quero oferecer uma outra visão
    (acho que isso ajuda a desenvolver outras idéias ou até mesmo reforçar algo que já pensávamos… não quero mudar a opinião de ninguém, mas apenas fazer mais pessoas pensarem um pouco e sairem de sua zona de conforto onde todos nos sentimos com razão – de qualer forma acho bem válido)
    Gostaria falar de VALORES SOCIAIS e não só sobre o ponto étnico do problema – e quando chegar a hora você as coisas se encontram
    Hoje se você nasce branco é automaticamente taxado como rascista, se nasce homem é automaticamente taxado de machista, se nasce sem nenhum deficiência automaticamente é taxado como preconceituoso contra quem tem alguma, ao se desenvolver, se a pessoa se torna hétero é automaticamente taxada como preconceituosa contra homosexuais e se alguém tem sorte o suficiente pra nascer numa família com dinheiro, automaticamente passam a pensar que o sujeito é desonesto e não merece o patrimônio que tem
    Então hoje se você é branco, homem , hétero, não tem deficiências e rico você automaticamente se torna o DEMÔNIO da sociedade e todo o mal que assola o mundo foi causado por vc!!!
    A essa altura você já deve estar pensando “o cara que escreveu isso com certeza é tudo isso acima” – e eu digo QUASE – só não sou de classe alta, mas para o resto me enquandro em tudo
    Todo mundo deve achar (pelo menos é oque parece) que esse esteriótipo acima é apenas o CAUSADOR de preconceitos e nunca sofre nenhuma discriminação mas não é verdade
    Minha intenção aqui não é comparar pra ver quem sofre mais e merce o título de coitado pra sociedade. A intenção é só mostrar algo que eu acho que poucos vêem – SÓ ISSO
    Acredito que pra alguns (repito – ALGUNS não todos) essas palestras que temos em escolas, faculdaes e na TV sobre o dia das mulheres, consciência negra ou de inclusão de deficientes causam um efeito em que o esteriótipo que mencionei acima se encaixa no papel de vilão sempre, e acaba realmente assumindo esse papel
    Nunca coloquei negro nenhum no tronco, nunca bati ou desrespeitei alguém por ser mulher mulher… etc etc…
    Agora eu pergunto – Se meus tataravós possívelmente fizeram isso porque EU tenho que ouvir sobre tudo isso de uma forma a me cobrarem pra ter um atitude de respeito (coisa que eu já tenho) ?????
    E tenho sorte não ter nascido alemão caso contrário aí existiria mais uma falsa culpa que iam jogar sobre mim – o nazismo
    Sinceramente já parei pra pensar a respeito da seguinte forma – “será que se os MEUS antepassados tivessem sido escravizados, torturados de maneira crue,l injusta etc, eu teria orgulho deles?
    será que eu teria mais orgulho de quem eu sou hoje se por exemplo meu tataravô meu tivesse sido escravo ?
    As vezes acho que sim, outras vezes não (tenho razões pras duas respostas) – o fato é que eu NUNCA vou saber – só sabe quem realmente é. Da mesma forma que somente um negro sabe o preconceito sofrido pelos negros e só uma mulher sabe o preconceito que existe contra elas, mas acho oque deveria dar orgulho as pessoas é o fato de seus antepassado terem lutado por causas justas (como liberdade) e não apenas ter orgulho por ter uma pela escura – dessa forma qualquer raça, gênero sexual, credo poderia se orgulhar das mesmas coisas e da mesma forma – e não ter um orgulho, negro, um orgulho gay , um orgulho feminino etc…
    Da mesma forma que alguém não pode ser culpado por cometer um crime devido a cor da sua pele, acredito que ninguém poderia receber um mérito apenas pela cor de sua pele (pra mim faz sentido)
    Minha família é de origem italiana e pobre – vieram para o Brasil em porões de navio e muitos desses imigrantes italianos trabalharam em fazendas de café em regime escravo – (é cláro que não se compara a brutalidade da escrvidão negra), mas não deixa de ser um passado sofrível.. muitos italianos também foram mortos por nazistas – porém nenhum desses fatos me torna mais ou menos orgulhoso da minha origem
    Quando você menciona em seu texto – “A grande maioria dos brasileiros aprende na escola que nosso lindo país foi construído por brancos, negros e índios, todos felizes” – me surpreende muito
    Sinceramente não tenho base sobre oque está sendo ensinado atualmente nas escolas – tenho 25 anos mas me lembro muito bem de aprender que índios e negros foram dizimados pra construir esse país, aliás não só isso! Aprendi que todo império civilização de uma forma ou de outra acaba sendo constroido nas custas do sofrimento de outros povos – veja, não estou dizendo que isso é certo só estou dizendo que é FATO
    Acho engraçado o fato de poucos mencionarem que parte do tráfico de negros vindos da áfrica acontecia com ajuda dos próprios negros africanos que entregavam tribos vizinhas, em benefício da sua própria tribo
    Será que os africanos sempre foram extremamente pacíficos e nunca quiseram se beneficiar de nada, nunca?
    Um negro é capaz de ser tão injusto/mal/desonesto quanto um branco – ou vice versa – somo todos humanos!
    No império grego/romano a esvravidão era tão brutal quando na época das grandes navegações – escravidão é escravidão oras!
    Porém hoje conheço ninguém que fala dos ancestrais que foram escravos na grécia, roma, ou dos povos que Gengis Kan escravisou e devastou durante suas conquistas na asia etc…
    Já imaginou se todos tivessem um feriado pelo sofrimento de seus antepassados ?
    A pouco tempo vi um trecho de uma entrevista do Morgan Freeman falando sobre a semana da consciência negra onde ele diz: “vamos para de nos chamar de brancos e negros – Você me conhece por Morgan Freeman e eu te conheço por fulano de tal… fim de papo” – E é claro que se um branco tivesse dito isso seria acusado de racismo na hora
    Caso não tenha visto aqui está o link
    - http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/morgan-freeman-e-o-%E2%80%9Cmes-da-consciencia-negra%E2%80%9D/
    Eu concordo com ele – acho que o racismo vai acabar quando pararmos de falar sobre isso. E o “parar de falar” não é parar de pronunciar palavras – é parar de considerar isso como algo em tomada de decisões. É uma mudança de paradigma !
    O fato é que não é tão fácil para algumas pessoas abrir mão de uma identidade que algumas vezes é maior doque sua própria personalidade
    Quero dizer muitas pessoas levam o fato de serem negras, judeus, mulheres ou gays antes de do fato de serem elas mesmas – João, José, Maria etc….
    Conseguem ver a diferença ?? alguém que socialmente em seus atos quer dizer – “SOU NEGRO e meu nome é JOsé” ao invés de dizer – “sou José e sou negro” ou “Sou Gay e meu nome é JOsé” ao invés de dizer – “sou José e sou gay” e assim por diante
    As pessoas que tem esse tipo de atitude jamais vão “largar o osso”, jamais vão abrir mão de algo é motivo de orgulho e supre umas necessidade de realização – e que provavelmente seus feitos pessoas não atendem
    Enquanto esse tipo de pessoas assumir o lugar de vítimas e continuarem achando que merecem algo só pela sua cor, sexo, religião, orientação sexual etc e não pelas suas realizações PESSOAIS – vão existir pessoas pra se colocarem no lugar de ofensores e intolerantes

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      oi. perdão. eu parei de ler no seguinte parágrafo.

      “Hoje se você nasce branco é automaticamente taxado como rascista, se nasce homem é automaticamente taxado de machista, se nasce sem nenhum deficiência automaticamente é taxado como preconceituoso contra quem tem alguma, ao se desenvolver, se a pessoa se torna hétero é automaticamente taxada como preconceituosa contra homosexuais e se alguém tem sorte o suficiente pra nascer numa família com dinheiro, automaticamente passam a pensar que o sujeito é desonesto e não merece o patrimônio que tem”

      se vc realmente, de verdade, de fato, acredita que isso é verdade no brasil de hoje, não tem como ter diálogo com vc. talvez outra pessoa possa te ajudar mais que eu. sinto muito.

      • Andre

        bem conciso vc hein!!!

        olha la em cima seu comentario logo baixo do texto:

        2. demonstrem que o comentarista leu e entendeu o texto;

        (“parei de ler na hora que…”)

        e olha sua resposta pra mim – quer dizer que vc impoe regras que vc mesmo nem segue….

        do que adianta coloca um texto desse na internet se em poucas linhas pra resopnder um questionamento vc se contradiz…

        sinto muito por tomar o seu tempo – e sinto mais ainda por gastar o meu

    • André Vinícius

      Primeiro que ser homem, branco, heterossexual e cristão não torna ninguém automaticamente machista, racista, homofóbico e intolerante religioso. Você fez a afirmação e você deveria provar porque você acha isso. Isso é coisa da sua cabeça.

      Mas a sociedade, o sistema é machista, racista, homofóbico e intolerante religioso e nós cidadão incorporamos em maior ou menor garu o preconceitos de nossa época. Acho que a maioria das pessoas não é machista, por exemplo, mas sim tem algumas atitudes machistas.

      Se a solução para o racismo é parar de falar nele, então vamos parar de falar em corrupção, pedofilia, violência urbana,e entre outros temas, para eles se resolverem magicamente. Parar de falar é jogar a sujeira para debaixo do tapete.

      “EU tenho que ouvir sobre tudo isso de uma forma a me cobrarem pra ter um atitude de respeito”

      Se eu fizer uma palestra na escola sobre o mal do tabagismo quem não fuma não vai se sentir incomodado e nem vai ligar, mas quem fuma talvez sim. Se você não é preconceituoso as críticas não são para você.

      Todos sabem que existia escravidão na África, mas o que isso muda na nossa discussão? Um erro não justifica o outro e nós moramos no Brasil e não na África.

      Um negro, gay, mulher, etc., fala que tem orgulho de ser quem é porque antigamente era feio, desonroso, inferior ser negro, mulher ou gay. Então como uma reação a esse pensamento ele diziam ter orgulho de quem eram. Temos que levar em consideração o contexto histórico.

  • Paula

    Então, Alex, adorei você ter tocado no tema, principalmente depois daquele vídeo do Morgan Freeman ter circulado tanto. Acho ótimo reacender a discussão, especialmente num blog, que tem uma visibilidade infinitamente maior do que um artiguinho acadêmico que só serve pra constar no Lattes (frustrações minhas, hahaha). Mas vamos ao texto em si.
    Seu engajamento na causa é louvável, sério mesmo. Mas há de se ter alguns cuidados, especialmente pela visibilidade e algumas pessoas tomarem como verdade absoluta. O ponto é: Escravidão é um tema tão terrível quanto o Holocausto, não há dúvidas, mas não tem como só demonizar os portugueses. Escravidão não foi invenção deles, e tem que ser colocado em seu próprio contexto. Você mesmo alertou sobre isso, mas achei muito infeliz ter sido colocado entre parênteses e o desmerecimento que você deu. Na Idade Média escravos eram comuns, havia praças de compra e venda, e não era só escravidão doméstica. Assim, quando os portugueses transformaram a escravidão como sistema, não estavam criando nada de realmente novo no mundo, e sim expandindo uma lógica que já existia. Foi uma solução para o problema de se articular o Império que haviam criado. Falando em impérios, também não são uma invenção européia. Uma olhada na história asiática já serve para colocar os pingos nos ii.
    Por ser uma uma lógica que já existia, a gente tem que lembrar também que era o sistema que estava dentro do universo mental dos homens da época Moderna. Eles não tinham peninha dos escravos porque, pura e simplesmente, eles não eram gente (para os europeus. Aliás, etnocentrismo é algo recorrente entre todos as sociedades). A gente não pode supor que já existia a ideia de igualdade entre os povos, os Direitos Humanos foram construídos só muito recentemente. Daí o problema de se julgar o passado a partir de nossos valores atuais. Não esquecer o horror também não pode significar uma incompreensão do passado, porque aí acabamos caindo em esquemas de “bom” e “mau”. Significa impedir quaisquer atos de intolerância no presente e no futuro.
    Outra coisa: não dá pra abordar o tema somente com números e estatísticas. Sim, o Brasil recebeu o maior número de escravos, mas veja só, já parou pra dar uma olhada no Brasil? É gigantemente enorme. Mas proporcionalmente falando, nem se compara ao fluxo do tráfico que existia no Haiti, que era metade de uma ilha. Aliás, o crescimento da população de negros nos EUA era vegetativo porque havia verdadeiras fazendas de procriação de negros. Pois é, negros tratados como se fossem vacas (não que seja legal fazer isso com as vacas, mas enfim). Então acho que tem que relativizar um pouco a forma como você expôs o assunto. Expor o horror, mas o horror na sua época,.

    Enfim, fiz um texto enorme que ninguém vai ler, rs. Critiquei bastante, mas mesmo assim, adorei. Faz pensar. Espero ler outros textos seus, polêmicos como devem ser.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      “não tem como só demonizar os portugueses. ”

      pra começar, não houve demonização de portugueses. ninguém foi demonizado. são todos humanos, agentes históricos, pessoas como eu e vc. e não houve “só” pq o texto inclusive cita quantos escravos foram transportados e recebidos por outras nações escravocratas. mas sim, o texto é sobre o mundo lusófono.

      é meio tedioso escrever um texto sobre a escravidão no brasil, e o texto ainda se dar ao trabalho de dizer que houve escravidão em todos os povos e países, e o povo vir repetir isso infinitamente nos comentários.

      é como escrever um texto sobre história da austrália, e o povo vir lembrar que o egito também tem história, a bélgica tb tem história, porque não falei da história do equador, hein??

      • Paula

        Do jeito que você expôs o texto, você colocou os portugueses como os criadores de uma besta-fera, os únicos culpados, por isso que eu falei que tinha que se considerar outros lugares onde houve escravidão. Sim, foram eles que implementaram o sistema aqui, mas você mesmo usou estatísticas de outros lugares para afirmar o seu argumento, então acho que essas realidades têm que ser minimamente consideradas. O que eu achei engraçado é que você faz um texto fazendo comparações como Holocausto, que é um outro contexto, mas não aceita comparações com realidades do mesmo período. Não é um texto só sobre escravidão no Brasil, você só tá dizendo isso agora para se esquivar da crítica.

        O que me decepciona não foi seu texto, já disse que é ótimo. Mas você pega só um trecho da crítica e responde com um ar cansado, como de má-vontade mesmo. Não dá espaço pra construir nada. Sinceramente.

      • Leitor desde 2007

        Deixo meu apoio à Paula, por uma prática triste e recorrente de um autor inteligente, mas que tem muito o que aprender quando exposto a idéias opostas ou questionamentos.

      • http://www.facebook.com/fecalijorne Frederico Calijorne

        Paula, compartilho das suas opiniões e dei o mesmo toque ao Alex hoje no face sobre essa abordagem, ao nosso ver, enviesada. É um tema que ele pretende colocar num livro.

      • Luka

        Porque o texto não fala apenas de escravidão no Brasil e embasa a importância de não esquecer o que aconteceu em outros fatos históricos.

        Buscar apoio para argumentos fora do tema principal, como você mesmo fez., para contestar o seu ponto. Não da pra negar a escravidão. Nem o horror.

        Mas você defende uma opinião em cima de fatos históricos. Usar fatos históricos, mesmo que não Brasileiros, para embasar uma argumentação é justo. Mas enfim, tédio é tédio.

    • Raul

      Perfeita a colocação, isto que está gerando os conflitos nos comentários: A falta de contextualização.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        o texto é repleto de links e explicações histórias e números e referências a artigos… difícil contextualizar mais…

      • Raul

        Bem, algumas informações faltaram. Não é possível resumir tudo em um texto e o assunto é delicado.

    • Demétrio Main Horse

      Eu posso ser chato. Eu perdi o interesse da leitura sistêmica quando li o trecho ‘Na Idade Média escravos eram comuns, havia praças de compra e venda, e não era só escravidão doméstica.’ Eu acho que tenho que queimar meus livros de História em praça pública. Confundir o sistema feudal, onde o servo casava (claro que com conscentimento dos senhores), tinha direito à vida, recebia uma miséria, mas recebia, com a escravidão antiga – ou do mundo contemporâneo pós renascentista é algo que não dá para conceber. Como argumentar com conceitos equivocados assim

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        demetrio, na europa da idade media, existiam as duas coisas, filho. a escravidão, à moda antiga e romana, que nunca acabou, e também o sistema feudal… é claro que variava mt de pais e pais e epoca e epoca, mas a escravidao na europa só acaba mesmo durante o renascimento…

      • Demétrio Main Horse

        Eu me referi, tendo como pressuposto o referencial escolástico, eurocêntrico, não o escravismo sarraceno – Eurico o Presbítero – (argumento utilizado pelo Olavo de Carvalho para o que ele chama de ‘escravização europeia’), ou aquele que era concomitante com a queda do império Romano, ainda no século 5

      • Camila

        Alex Castro, na Idade Média a escravidão não existia na Europa, vá se informar, filho.

      • Paula

        Pode queimar mesmo, rs. A existência de um sistema feudal não impede a existência do escravismo, de outras formas de exploração. Mesmo que escravos e servos vivessem em condições muitíssimo parecidas, havia um estatuto jurídico que os diferenciava, o que legitimava uma maior exploração dos escravos que dos servos. E com tanta guerra, quê que cê acha que eles faziam com os prisioneiros?

      • Demétrio Main Horse

        Alguém falou que feudalismo impede escravismo, filho de Deus? E que idade média teve tanta guerra assim, hein? Tirando Cruzadas. Digo isso no sentido ‘romano’ de guerra, com a redefinição de territórios por meio da guerra. Ah, sim, também tem tudo a ver as conquistas romanas (que geravam dominação dos povos) com a escravidão negra. Em Roma, um gaulês foi César, mas no Brasil, nenhum negro foi imperador ou presidente.

      • Paula

        Sério, acho que você tem que rever algumas coisas sobre Idade Média, mais senso comum equivocado que isso não existe. Se você analisar o período sob um paradigma romano, de fato, não existia esse tipo de guerra, mas como também não foram os romanos que inventaram a guerra, não dá pra usá-los como se fossem parâmetro pra tudo. E, pelamordedeus, QUEM disse que as conquistas romanas tem alguma coisa a ver com a escravidão negra? O que eu disse é que não teve um “buraco” temporal onde os escravos deixaram de existir, que havia uma continuidade na existência do escravismo, mas não nas mesmas proporções, não como sistema.

        O que é meio louco é discutir Idade Média quando o tema do texto do Alex é a tragédia da escravidão negra.

      • Guest

        Na verdade na idade média existiam escravos mas não em regiões onde a cultura era cristã – mesmo que a escravidão fosse “disfarçada”, não era oficial. Contudo, outras religiões permitiam a escravidão. Se não me engano entre islamicos havia escravidão, mas ela não era herdada.

  • aiaiai

    pra quem tá com aquele velho papo de “preconceito é social, ñ racial”, um texto esclarecedor: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/11/queda-na-desigualdade-reflete-situacoes-de-discriminacao-racial

  • http://www.facebook.com/wancharle Wancharle Sebastiao Quirino

    o maior evento escravista está acontecendo HOJE na china…
    TODAS as empresas de tecnologias possuem suas fabricas lá para explorar a mão de obra barata….

    Falar do problema não resolve, acoes sim.
    Muitos falam, mas duvido que esses mesmos deixem de comprar seus notebooks, galaxys, e iphones como protesto!

    Pura hipocrisia!

    • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

      E você, incomodado como está a respeito, com certeza conhece cada processo de produção necessário para conceber o dispositivo de onde está escrevendo isto e NADA está relacionado à exploração de mão-de-obra barata na China, correto? Porque você parece muito incomodado a respeito. Então deve estar AGINDO. Ou entendi errado?
      Eu acho incrível quando vem alguém reclamando “ah, mas vc fica aí reclamando de X mas e Z que acontece na Zoelândia? Vc não faz nada a respeito?”

      Tenho vários motivos que posso te mostrar pra não demonstrar indignação com o fato Z:
      -Desconhecer o fato Z.

      -Desconhecer o contexto em que ocorre Z.

      -Conhecer Z e seu contexto e por isso não acreditar que possa ser comparado a X de maneira a contribuir com a minha linha de argumentação.
      -Só me importar com X, porque Z não me afeta suficientemente.

      Entre muitas outras possibilidades.

      No exemplo que deste pode ser por um motivo simples: qualquer um que tenha o mínimo de leitura de Marx sabe que o abuso que relataste na China é um sintoma do nosso sistema econômico, portanto o exemplo caberia num texto anti-capitalista, não neste.
      Você tem certeza que sabe qual o conceito de escravidão?

  • Alex Rodrigues

    Gostaria de convidar a todos para um debate que vai falar sobre um pequeno pedaço desse grande tema (brilhantemente descrito nesse post). Ele vai acontecer no dia 13 dez,
    2012 – 09:00 PM BRT com o Tema “As cotas sociais e raciais devem
    existir?” nesse endereço:

    http://meevsu.com/confrontation/1115/As-cotas-sociais-e-raciais-devem-existir

    O debate é aberto a votação de todos e a página do pré-debate (para
    votação prévia) já está online.

  • bruno

    rapaz, isso dá pano para manga. Acho a questão antiga. Não me importo em comer num restaurante sensazala mas tb nao me incomodaria de comer em um chamado aushwitz ou treblinka. No fundo acho que é porque socialmente os dois estao superados. Me incomoda mais entrar numa loja de brinquedos e comprar um forte apache cuja a introjeccao é que soldados podem atirar em indios de arco e flecha. Me incomoda pq no fundo ainda não superamos essa ideia. Achamos justos que uma aldeia de indios seja removida do predio da funai para fazer um estacionamento para a copa. Ou que guaranis kaiowas morram no interior do pais, assassinados por jagunços. Ou que negros e brancos sejam presos, torturados e mortos por comprarem ou venderem droga. Ou que palestinos fiquem sem agua, remedio, moradia, por serem mulçumanos e nao judeus. Sempre me dá a sensação que supervalorizar questões superadas é um modo de desviarmos a atenção das questões atuais.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      olha, nao sei como é a situação na alemanha, mas no brasil de hoje a escravidão negra não é coisa superada não…

    • André Vinícius

      Acho que a partir do momento que você está falando de racismo mesmo focado em uma etnia isso se estende para as outras. Se falo que negros não devem ser oprimidos, então não tem sentido eu apoiar a opressão dos palestinos, índios, etc.

      O racismo não está superado no Brasil, a prova é a reação exagerada de certos leitores aqui.

      • Raul

        Concordo, não está mesmo e nem estará tão cedo. Mas, temos que entrar em um acordo em como ocorrerá a superação disso. Será por meio do enfrentamento das questões ou a deixando quieta, apagada até que o tempo cure.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        raul, o brasil está adotando a opção “deixar quieto e nao falar nisso” há centenas de anos e a situação não se resolveu sozinha. quando vamos poder trocar de estratégia?

      • Raul

        Entendo o questionamento. Acredito que optar por deixar cair no esquecimento é um processo muito lento e a situação irá demorar um tempo para se resolver da mesma forma que demorou um tempo para acabar com a instituição escravocrata. Para quem sofre com essas consequências deixadas pelo regime escravista é preferível o enfrentamento, pois a solução pode ser mais rápida em tese. Todavia, não é uma garantia de solução. A solução para esse problema pode demorar independente da estratégia adotada para abordar a questão, afinal estamos falando de algo histórico e tudo que é histórico sempre foi lento e gradual.

  • Lucas Ribeiro

    http://www.youtube.com/watch?v=5eCRc4HJUDw

    ”Morgan Freeman ensina o que é racismo de verdade em 40 segundos.”

    • André Vinícius

      Essa fala dele é extremamente infeliz, ele acha que o racismo vai desaparecer num passe de mágica se pararmos de falar nele. Então vamos para de falar da corrupção, pedofilia, violência urbana, fome, guerras e tudo desaparecerá num passe de mágica.

      • Raul

        É uma ideia de como tratar a questão e tem o seu valor, eu acredito que ele não desmereceu a questão, mas deu objetivo a ela. Não adianta falar do racismo por falar, preciso de medidas concretas para combater a sua existência e ele afirmou que dando um tratamento igualitário (tratando cada um pelo seu devido nome e não pela cor, afinal é isso que o identifica como cidadão na sociedade) a cada individuo e respeitando as leis, essa questão será superada com o tempo. Assim, compreendi.

      • Richard Andeol

        Exatamente como entendi, Raul. Acho que Morgan se põe contra a racialização da sociedade. Temo que as cotas baseadas em conceito de raça tenham exatamente este resultado final.

      • Raul

        O problema não são as cotas, mas o processo de enquadramento. Neste país a subjetividade caminha de mãos dadas com a injustiça e uma ideia que visa produzir justiça acaba causando o oposto, é algo que eu não gostaria de ver.

      • André Martins

        Eu não conheço a realidade social americana em geral, e a do Morgam Freeman em particular. Mas pode ser que no contexto deles, ou dele, já seja hora de parar de dividir as pessoas em brancas e negras. Mesmo porque, é injusto jogar nos ombros de uma pessoa o peso de ser representante de toda uma etnia.

  • Milena

    Alex, certamente você deve partilhar que as cotas não são o caminho para solucionar o problema da educação no Brasil não é?
    Olha, tenho um conhecido que é professor. Não sei se você sabe como funciona o sistema de aprovação automática nas escolas públicas, vou explicar. O professor tem uma meta de aprovação, isto significa que ele até pode reprovar muitos alunos no entanto, se ele aprovar todo mundo ou quase todo mundo ele ganha um adicional no saláriozinho dele. Mas se não aprovar isso vai constar no cadastro do governo e a escola, tem um lugar a manter no ranking das escolas públicas. Essa reprovação vai piorar a situação no ranking e a escola vai deixar de receber alguns benefícios por conta disso. Fora que pessoas serão demitidas e a situação do professor correto, vai ficar muito ruim por lá. Este professor diz que a maioria dos alunos certamente é negra e que pinga gente dentro de sala. Tem uma turminha que passa o dia dançando passinho de funk. Pois é.
    Essa galera semi-analfabeta ingressa na universidade pública pelas cotas. Meu sogro é professor de odontologia e faz parte do comitê de avaliação dos cotistas, a maioria dos professores fazem. Ele me disse que quase nenhum cotista chega a metade da faculdade, teve ano que nenhum chegou. Os motivos são variados mas a grande maioria não fica por que não consegue acompanhar as aulas.
    Digamos que em uma sala entre 50% de cotistas e o resto normal. Daqui um tempo o governo vai ver que essa galera não fica na universidade ou esta sendo massacrada pela reprovação, haverá poucos formandos e pouca gente capacitada. Então o nível da universidade vai cair e com ela os restante dos alunos, professores e etc.
    Veja bem, você sabia que nosso país está importando pilotos? E geólogos também? Algumas carreiras científicas estão ávidas por alunos capazes, mas matemática, certamente não é a cara do Brasil. As cotas vão rebaixar as universidades ao nível dos alunos ruins que entrarem nelas nós não vamos conseguir competir com a galera lá de fora, vamos viver de importação de profissionais por que os daqui são uma droga. Pense nisso. Inclusão social é com responsabilidade e não nas coxas como está fazendo o sistema de cotas. Este é o mundo capitalista em que vivemos, é bom aprender suas regras crueis antes de tentar mudá-las.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      o fim de texto deixa claro que eu sou a favor das cotas…

      • João

        Uma pergunta, Alex: tendo em vista a constituição das “camadas sociais” brasileiras, o que acha sobre as cotas que se baseiam em critérios como escola pública ou renda?

        Um argumento sempre frequente quando este é o assunto segue o seguinte raciocínio: “as classes sociais mais baixas possuem a maior parte da população brasileira parda/preta, porém, não se resumem a elas, sendo também formadas por brancos, índios e etc. Deste modo, seria mais justo o estabelecimento de cotas sociais pois, ainda que indiretamente, atingiriam a maior parte dos pretos e pardos sem excluir os demais.”

        Gostaria de saber sua opinião sobre isso. Abraços.

      • João

        “segue o seguinte” doeu, desconsidere-o.

    • Raul

      Não acredito que os cotistas irão diminuir o nível das universidades, afinal é uma parcela de alunos e não sua totalidade. Não tenho informações sobre a desistência dos cotistas nas universidades, porém acredito que não deve ser baixa. Todavia, o erro está no processo de implementação das cotas, criaram o direito, mas não explicaram de forma correta como faremos para exercê-lo da forma justa. Afinal, lembremos que nem todos os cotistas são negros, pois muitos estão utilizando esse caminho para entrar na universidade e tirando a vaga de outro que teria o direito em tese.

      • Luka

        Na verdade, quando uma parcela de alunos na sala não sabe determinado ponto, o professor, pra não ser o sacana mor, tem de oferecer conteúdo, e fazer com que toda a sala acompanhe e desenvolva. Eu estudei em colégios públicos, e eu SEI qual é a dificuldade de acompanhar certas coisas porque você simplesmente não viu aquilo em sala de aula. Não é o seu QI, sua vontade ou capacidade, é a informação que você possui simplesmente. E absolutamente, não tem graça ser retido porque você não sabe o suficiente. Acredito que os professores sequer façam isso. Mas pense em um aluno do ensino público tendo calculo.

        Contudo isso não deve impedir programas de assistência O que o governo tem de fazer é um PROGRAMA para dar assistência a esses alunos antes deles ingressarem na faculdade.

        E eu não acredito que um grupo separado por origem deva receber cotas, mas sim o grupo CARENTE. Quem não teve condições e oportunidades e quer estudar. Comprovadamente. Essas pessoas merecem a chance de ir a uma universidade.

  • http://www.facebook.com/akemi.mitsueda Akemi Mitsueda

    Um documentário interessantíssimo que ilustra muito bem este texto é “Olhos Azuis”, que retrata um workshop feito pela Profa. Jane Elliot. Ela faz com que as pessoas de olhos azuis realmente sintam como é serem discriminadas, e faz várias pontes com o Holocausto ao longo do filme. Recomendo a todos. http://www.youtube.com/watch?v=Tnrh7KRMiU8

  • André

    Alex, concordo que a escravidão seja sim algo terrível como o próprio holocausto, mas um adendo: não foram só os negros a serem escrevizados ao longo da história da humanidade. O problema vai muito além disso e permeia toda a nossa história.
    Quando você afirma que nossos avós se escravizaram, procede, porém o avô do branco escravizou outros povos brancos e o avô do negro, escravizou povos negros derrotados.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      andre, hoje em dia, os avós de todos escravizaram os avós de todos, pq todo mundo tem sangue de todo mundo…

      • André

        Usei como metáfora obviamente, mas é justamente essa a questão.
        Um ponto que eu particularmante não consigo entender, é esse tal orgulho de ser negro, não seria isso também racismo?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        não acho não. racismo é um sistema estrutural de dominação. como é que poderia um dos grupos mais subalternos da sociedade “ter racismo”? o racismo deles é contra quem? prejudica quem? tem qual impacto social? isso não é racismo. racismo é outra coisa…

      • André Rodrigues

        Interessante Alex e obrigado pela resposta,
        O meu conceito leigo de racismo consiste na diferenciação de raças, basicamente como se houvesse um Homo Sapiens Negro e um Homo Sapiens Branco.

        Sou adepto do “todos somos seres humanos”. Por isso quando penso que a escravidão foi horrível, não penso que foi horrível com os negros, mas sim com seres humanos.

        Ainda sobre o orgulho de ser negro: sem generalizar, mas se eu disser por ai aos sete ventos que tenho orgulho de ser branco tenho certeza que instantaneamente a polícia do politicamente correto vai aparecer na minha porta.

      • Richard Andeol

        Se eu ver um negro com uma camiseta 100% negro, posso achá-lo inseguro como primeira impressão, já que penso que quem se orgulha de fato de sua herança e a tem bem resolvida não precisa de um slogam, mas não vou me sentir agredido.
        Se eu te ver propagando aos 7 ventos que tem orgulho de ser branco, ou usando uma camiseta com esses dizeres, vou achá-lo racista e agressivo.

        Acho que o Alex já deixou bem clara a óbvia diferença entre se vangloriar de pertencer a um grupo historicamente opressor, ou se orgulhar por pertencer a outro historicamente oprimido. O resto é chover no molhado.

      • Richard Andeol

        #Se eu vir….

      • André Rodrigues

        Só pra constar: Eu não tenho orgulho nenhum em ser branco (ou vergonha…)

      • André Martins

        Idem, para marrom claro.

      • André Martins

        Eu não acho que seja racismo. Assim como usar camista 100% branco não é racismo, desde que os portadores da camiseta não façam o que geralmente fazem quem usa tais camisetas.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        andré,

        talvez te pareça paradoxal mas…

        usar uma camiseta 100% branco é um ato racista e de profundo mau-gosto. é um membro do grupo que sempre esteve por cima reafirmando e celebrando sua superioridade e sua hegemonia. é feio. é rude. é insensível.

        já uma camiseta 100% negro é uma coisa linda. é um grupo que sempre foi vilipendiado e explorado, que nunca foi o padrão de beleza, que tem que ouvir que o seu cabelo é ruim, finalmente se juntando e se unindo e tendo orgulho de ser quem é. é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema.

        existe um enorme fosso entre essas duas atitudes. são duas camisetas 100% diferentes.

      • André Martins

        Não acho paradoxal. Acho camiseta 100% branco uma coisa ridícula, eu teria vergonha de usar. Mas o ato em si, de apenas usar a camiseta, não acho racista.

      • Priscila

        Então, André, o problema é que primeiro vem a mentalidade, depois a camiseta…

      • André Martins

        Mas como saber o que vai na cabeça da pessoa?

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        oi andré. estou começando a achar q vc está zoando de nós… se uma pessoa veste uma camisa do flamengo, dá pra saber quase com certeza que essa pessoa é flamenguista, torce, apóia o flamengo.

        se vc veste uma camisa associada a um grupo que, como vc mesmo disse, “geralmente faz coisas”, vc está sim dando seu apoio, aliás, afirmando pra todo mundo ver o seu apoio por esse grupo.

        é por isso que temos, em portugues, a expressao “vestir a camisa”…

        é pq vestir a camisa, qualquer camisa, é um ato q tem mt significado.

        entao, se vc veste uma camisa assoaciada a um movimento, eu sei o que está passando na cabeça dessa pessoa: está passando que ela apoia ou é simpática ao movimento…

      • André Martins

        De forma alguma, posso não estar conseguindo me fazer entender. Concordo com sua análise, mas ainda assim prefiro dar o benefício da dúvida, porque em algum momento teremos de fazê-lo. Mas, se atrás da camiseta 100% branco estiver escrito 0% macaco, ou se o cara da camiseta ofender algum negro, então não tem conversa.
        E sabe o que seria lindo, no dia da passeata do orgulho branco/hétero o pessoal do orgulho negro/gay aparecer para dar o seu apoio.

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

        Cara, acho que vc ainda não entendeu. Não existe porque ocorrer uma parada do orgulho branco/hetero porque nenhum desses dois grupos foi maltratado pela sociedade simplesmente por ser o que é. Lindo vai ser quando não precisarmos de passeatas nem feriados pra trabalhar o orgulho e a união de nenhuma minoria porque todas elas são respeitadas.

      • André Martins

        Eu entendi. Só faz sentido se orgulhar de algo que conquistamos, no caso do negro ele superou a lavagem cerebral que diz que ele é menos gente, então ele se orgulha disso, não do fato de ser negro. O que eu não concordo é em rotular de racista um cara com camiseta 100% branco sem nenhum indicativo adicional de racismo (embora devamos ficar prevenidos contra um cara desses), também não concordo com tentativas de obstruir o direito de manifestação sem que essa manifestação objetivamente pregue contra o direito de alguém ou de algum grupo.

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

        Todos somos racistas em maior ou menor escala pq crescemos num ambiente que o é. Por isso a palavra em si não significa que devamos ser todos legalmente e individualmente punidos, o Alex usou-a indicando que quem usa a camisa está perpetuando o racismo que temos em nós, não que esta pessoa deva ser enquadrada na lei Afonso Arinos.
        Mas entendo quando vc fica confuso ao chamarem de racista qualquer um que use a camisa 100% branco afinal, se 100% negro pode e somos todos iguais em direitos e deveres não deveria ter grilo.

        Só que analisando mais um pouco podemos entender porque esta camisa perpetua uma idéia racista:
        Se a camisa 100% negro puder ser considerada uma forma de expressão que demonstra o que vc mesmo disse, que o negro “ele superou a lavagem cerebral que diz que ele é menos gente, então ele se orgulha disso” e se o branco não tem ng o chamando de “menos gente” unicamente pelo fato dele ter a pele branca , a afirmação de ser 100% branco só demonstra que ele tem orgulho de fato e apenas… de ser branco, então ao usá-la no contexto em que vivemos apenas estamos sendo ingênuos (no caso de quem realmente acredita que há equivalencia à camisa 100% negro), ou maldosos (a pessoa acredita que a bracos são superiores e fim).

        E concordo com vc que não se deve obstruir direitos de manifestação no contexto que citou, então atualmente todos devem ter assegurada a liberdade de usar qualquer camisa, mas é bom deixar claro qual a mensagem que cada uma passa ideologicamente.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        andre, nao entendi bem qual é a estratégia de usar uma camiseta q te idenfica com um grupo que faz X, e então, não fazer X. o que vc quer é só a fama de ser alguém que faz X, é isso?

      • André Martins

        Não. Mas pra mim vale o mesmo princípio da Marcha da Maconha, eu posso apoiar a idéia, ir na marcha e nunca ter posto um baseado na boca. O problema é quando alguém diz que eu não posso fazer uma Marcha da Maconha.

  • Pedro

    Elogiar os Estados Unidos não foi uma das coisas mais inteligentes na minha opinião, basta olhar para o dia de ação de graças e você verá a verdade mascarada e pintada de cores alegres e comemorativas, sendo que a real história é um massacre.

    Mas fora as citações, gostei do texto achei bastante informativo e interessante, bacana conhecer um pouco mais e ser lembrado do passado pútrido deste país jovem que ainda tem muito que melhorar.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      o texto diz que os estados unidos são um país profundamente racista. onde vc viu elogio?

      “Pois eu morei lá e morei aqui, e estudei a fundo a história da escravidão nos dois países. Somos ambos profundamente racistas, mas o Brasil é pior por um motivo:”

      • http://www.facebook.com/andre.kaminski.75 André Kaminski

        Por mais que você diga que “racismo velado é terrível”, ele é ainda menos pior do que ter leis obrigando a você ser um sujeito inferior e de segunda linha, como houve nos Estados Unidos até meados do século XX.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        cara, se vc acha isso, beleza, respeito, sei que deve estar baseando isso na sua vivencia e no seu conhecimento de ambos os países. abraços.

      • http://www.facebook.com/andre.kaminski.75 André Kaminski

        Tanto quanto você. Abraços.

      • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

        hahahahahahaha

  • Tiaraju Mesquita

    Um discurso de verdade sobre um tema tão complexo!

  • David

    “…mas para corrigir as injustiças cotidianas de hoje. As cotas raciais são necessárias porque hoje a Polícia Militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.” E quem te garante que as cotas irão mudar isso? Um diploma não vale por si só. O diploma é antes de tudo uma declaração ao mercado de trabalho: Eu tenho essas características, pode me contratar. Com as cotas o que irá acontecer é que os sinalizadores ao mercado de trabalho irão mudar, mas a desigualdade irá permanecer. A charge sobre o acesso ao ensino superior é verdadeira, porém seguindo na analogia, a faculdade consiste em caminhar na árvore. Não adianta alguém colocar o elefante e o peixe na árvore se eles não conseguem se locomover nela. A mesma coisa vale para a Faculdade. não dá pra jogar fora a diferença do ensino de 9 anos no lixo, como se desse para suprir isso nos 4 anos de uma faculdade.

    O foco tem que ser outro: a educação de base. Garanta que todos tenho ensino de qualidade e iremos ver a desigualdade, tanto racial quanto social cairem. Há sim racismo forte, porém velado no Brasil, mas as cotas não irão fazer nem cócegas nele, caso não tenha efeito contrário, de exarcebá-lo.

    Além disso, cabe ressaltar um outro ponto: o racismo não se tornou o crime deplorável que é nos últimos 500 anos e não era economicamente negligente ou religioso anteriormente. Foi a base do império romano, era amplamente praticado na África antes dos europeus chegarem; era economicamente relevante no Oriente médio e sempre foi. Tinha importância na sociedade Helenica e a origem da palavra “escravo” ou em inglês “slave” está na prática dos Vikings de atacarem as regiões do norte da Rússia para a captura de cativos eslavicos e sua venda no Império Bizantino e no restante da Europa, inclusive na Inglaterra. Era uma prática deplorável no passado distante como no recente, mas não podemos culpar os Europeus e não culpar os demais praticantes do ato. Sempre me causou estranheza esse hábito de culpar membros de uma certa etnia como se o restante da humanidade não fosse capaz de atos tão deploráveis quanto. Os alemães mataram milhões por questões raciais? Os turcos também, assim como boa parte da Europa na idade média. Os Mongóis varreram a Ásia, as vezes matando 100k pessoas de uma só cidade, apenas para ensinar lições. Os russos e os chineses mataram bem mais, baseados em uma ideologia. E aí? Vamos esquecer? Todos esses atos são prova de nossa capacidade para o mal e devem sim ser lembrados e não varridos para debaixo do tapete da história.

    • Demétrio Main Horse

      Você mistura racismo (pautado em critérios científicos (sic), muito divulgado no fim do século 19, início do 20 tendo fomentadores gente como Silvio Romero, Nina Rodrigues, etc,com o pensamento escravocrata. O escravista no século 16 não era ‘racista’ DIGO ISSO NO SENTINO ESTRITO DA EXPRESSÂO – letras garrafais para os que tem ‘miopia’. O escravo negro era ‘não gente’, isso era uma prerrogativa Montesquieu dizia:

      CAPÍTULO V

      Da escravidão do negros

      Se eu tivesse que defender o direito que tivemos de escravizar os negros, eis o que diria:

      Tendo os povos da Europa exterminado os da América, tiveram que
      escravizar os da África, a fim de utilizá-los no desbravamento de tantas
      terras.

      (…)

      Aqueles a que nos referimos são negros da cabeça aos pés e têm o nariz tão achatado que é quase impossível lamentá-los.

      Não podemos aceitar a idéias de que Deus, que é um ser muito
      sábio, tenha introduzido uma alma, sobretudo uma alma boa, num corpo
      completamente negro.

      (…)

      Uma prova
      que os negros não têm senso comum é que dão mais importância a um colar
      de vidro do que ao ouro, fato que, entre as nações policiadas, é de tão
      grande consequência.

      É impossível supormos que tais gentes sejam homens, pois, se os
      considerássemos homens, começaríamos a acreditar que nós próprios não
      somos cristãos.

      (Montesquieu, Do Espírito das Leis, Livro Décimo Quinto – Como as leis da escravidão civil relacionam-se à natureza do clima, Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1962)

      • ggg

        nnnnnn

      • David

        Quando coloquei racismo, lê-se escravidão, por favor, Eu coloquei a palavra errada. O racismo conforme conhecemos é de fato recente, embora sempre tenha havido preconceito e ódio aos estrangeiros durante a história.

    • Demétrio Main Horse

      E dizer que a escravidão foi ‘importante’ na Grécia, nos permite a análise da ‘importância’ do nazismo para a sociedade alemã de Hitler. O escravo helênico era ‘não cidadão’, ser inferior, talvez sem alma (Aristóteles), mas nada que se compare com a escravidão negra.

  • bruno

    Qual é a questão por tras das cotas?

    Sou de esquerda e sou militantemente a favor das cotas. Não
    poderia ser diferente. Toda organização de esquerda é a favor e como bom
    militante me centro pelas posições coletivas dos grupos de que participo. Mas as
    cotas são imorais. São imorais por serem racistas. E não importa a razão,
    distinções por raça, sexo, questões religiosas ou políticas é errado.

    Quando eu digo que alguém pode entrar na universidade
    pública porque é negro, estou cometendo um erro tão grave quanto dizer que não
    pode entrar porque é negro. Toda a argumentação sobre os erros históricos do
    passado recai em erro quando resolvo aplicar um solução por um meio errado.
    Dizer que é a favor das cotas é um argumento maquiavélico. Ele se baseia na
    premissa de que os fins justificam os meios. Ora, para corrigir um erro
    racista, eu tomo uma atitude racista. Se ela resolver as questões racistas da
    desigualdade o racismo que cometo agora é perdoado.

    Na prática, continua sendo uma injustiça. Dois amigos de
    infância da comunidade da maré podem se separar na universidade por questões
    raciais. Um, por ter tido um pai ou mãe negros, terá direito a uma vaga na
    UFRJ. Outro, por ter tido pais e mães brancos não poderá ascender socialmente.
    A barreira dada ao branco é racial, não obstante nem seu pai, nem sua mãe, nem
    avó nem tataravó terem feito parte da diminuta elite escravocrata do país em
    1850.

    Os senhores de escravo eram brancos sim, mas os brancos não
    eram senhores de escravos. A presunção de que estávamos racialmente divididos
    entre escravos e donos de escravo é equivocada. Tampouco aqueles que são
    descentes dos brancos senhores de escravos serão os que perderam acesso as
    universidades públicas. Ledo engano. A esses continua garantido o acesso as
    melhores instituição de ensino do país. Quem paga o pato desta medida são os
    que foram explorados por todos esses séculos e o continuam sendo. Também não
    pensemos que os negros finalmente terão a tão almejada chance de ascender.
    Claro que não. Das duas, uma: ou não completarão seus estudos pq a pressão
    dentro das universidades será para que abandonem o curso, ou bem receberão
    diplomas sem valor, pois na entrevista de emprego serão sempre olhados como
    cotistas (mesmo que não o sejam).

    Sou a favor das cotas nos Estados Unidos, claro, mas porque
    lá a entrada na universidade se dá não por nota, mas também por entrevista. Aqui, as cotas escondem o fato
    das políticas públicas educacionais serem pífias. Os negros continuarão a não
    ter base educacional e assim não terão condições de acompanhar o ensino
    superior. Não se resolve o problema. Seria mais útil retirar a riqueza de
    metade da elite branca e redestribuí-la aleatoriamente entre negros (adoraria ver
    o eike batista perder todos os seus bens para o meu faxineiro. Razão: a riqueza
    dos brancos milionários foi feita em cima de um sistema econômico baseado na
    escravidção). Isso sim seria excelente.

    • André Vinícius

      Racismo é submeter uma raça a outra. Cotas raciais não são racistas, pois não impedem a entrada de brancos somente facilita a entrada de negros. E ninguém está dizendo que um negro pode entrar na universidade por ser negro e sim que os negros são minorias na universidade levando em comparação sua participação na constituição da sociedade brasileira e que deve haver representatividade dentro da universidade.
      Maquiavélico é separar o mundo em bom e ruim, nem sempre é clara a linha que separa os dois. Tratar as pessoas de formas diferentes nem sempre é injusto. Sobre essas visão que cotistas são pessoas tapadas que entrarão na universidade e não aguentarão o ritmo não passa de preconceito. Se a pessoa se propõe a buscar uma vaga nas universidades públicas um mínimo de interesse ela tem e o fato de ela não ter passado não significa que ela não tem conhecimentos para o ensino superior. O vestibular é uma maneira ruim de selecionar alunos e deveria ser abolido das universidades.
      E as empresas vão absorver os cotistas sim, o Brasil tem apagão de mão de obras.

    • Raul

      Seu raciocínio é muito bom. Eu não discordo da ideia das cotas, mas sim da forma que está sendo implementada sem critérios objetivos, método de enquadramento inadequado causando situações absurdas. As cotas são uma pequena parte, não irá causar uma ruptura racial entre o branco e o negro que vivem juntos. Além disso, o que impede o negro de abdicar das cotas? A ideia é garantir o direito, porém se a pessoa vai exercê-lo ou não ficará a critério dela. O intuito é amenizar uma mazela causada pela própria história do nosso país. Não há coitados ou vitimas, não está sendo roubada a vaga de ninguém, são vagas criadas e destinadas ao negros como poderíamos criar as cotas de indígenas que acho uma ótima ideia. Se começarmos a pensar em uma igualdade tão-somente formal, não vejo a necessidade de existir reservas indígenas enormes, pois muitas estão em lugares com riquezas naturais que poderiam ser exploradas pelos cidadãos gerando riqueza, emprego, renda e tributos para o país investir na própria coletividade, terras que poderiam ser usadas na reforma agrária por exemplo. Entendeu? Vamos esquecer um pouco o Estado Liberal, onde impera a igualdade formal e vamos lembrar do Estado Social. Quanto ao Eike Batista, ele construiu a fortuna dele com ajuda da familia, sorte e pela própria competência. Não é possível resumir o sucesso de um homem utilizando somente um fator, são vários fatores. Distribuição de renda se faz com o trabalho e não com o confisco.

      • bruno

        Raul,
        primeiro: não foram criadas vagas para atender as cotas. Na prática há excassez de vagas e os 20% finais (aquela parte que possui maior número de socialmente excluídosm os filhos de porteiros, mães solteirasm etc) é que está sendo reservadas para negros. Na prática retira-se um excluído por outro. Para esta seleção, cria-se um crivo racial. O problema de criar um crivo racial é que justifica-se o racismo. A imoralidade do racismo perde força. Esse tipo de argumento legitima postura racistas, ainda que no caso estejamos sendo integralistas e valorizando a raça oprimida e não a opressora. Mas as ideologias Skinheads e os antisemitas ganham status. O racismo valer para uma raça e não para outra se torna divergência de ideia e não imoralidade.

        segundo: o direito a cota não passa a ser ou não usado a critério do beneficiario. A partir de agora todo negro universitário é taxado de cotista ainda que subjetivamente. Fiz uma entrevista (eu estava entre os selecionadores) de uma vaga em uma empresa. Surgiu um negro candidato. Todos nós automaticamente o consideramos coitista. Ele foi selecionado (em parte por ser negro, confesso) e depois que nos tornamos colegas confirmamos a suspeita. Ele era de fato cotista. Mas mesmo que não fosse, ele seria considerado como. Antes um negro chegar na universidade era um dado de mérito. Hoje não é mais. A cota criou novo preconceito. Mas esse mal se justifica com a vantagem de estatisticamente os negros ocuparem mais espaço nas universidades.

        Claro que há outros problemas. Na setença do supremo que deu parecer favoravel as cotas, um indio foi retirado a força da plenaria. Ele gritava que sua gente foi mais injustiçada e é mais excluida socialmente que os negros. Até porque, para ele, este país a eles pertencem. Nós os invadimos. E, embora o Alex não cite no texto deles, antes dos negros tentamos escravizar os indios que (segundo os portugueses) não se prestaram ao trabalho. Faremos uma lei de cotas aos índios? Ou nos contentaremos em expúlsá-los da plenária? Se criarmos será uma cota de 20%?

      • Raul

        Bruno,

        Quanto ao primeiro argumento, compreendo a sua preocupação,
        mas acredito que por ser uma quantidade pequena de vagas e por isso, chamam-se cotas não provocará a exclusão de outros candidatos. Todavia, concordo totalmente com você que beneficiar uma raça em relação a outras promoverão posturas racistas que não é benéfico para nenhum dos lados e é por causa disso que condeno a forma de enquadramento que está sendo utilizada ou a prática mencionada por você. Creio que poderia ser elaborada outra forma para aplicar essa idéia, inclusive utilizando critérios mais objetivos como renda ou histórico familiar para que a pessoa tenha direito a entrar nas cotas. Afinal, a questão não é só racial, mas também social e não se beneficia uma em detrimento da outra.

        Quanto ao segundo argumento, eu ainda entendo que é uma
        questão de garantir o direito e caberá ao seu detentor usá-lo ou não. Estereótipos são muito utilizados na sociedade e com ou sem as cotas, eles existiram para negros, para índios, para os brancos, para os estrangeiros, afinal é da natureza humana pré-conceber ou rotular as coisas a espera da confirmação dos seus conceitos. Por exemplo, foi o que aconteceu com você na seleção, pois você criou um preconceito sobre o rapaz e esperou a confirmação do seu conceito que se confirmou, porém se não houvesse a confirmação, será que você não pensaria diferente? Além disso, essa questão de analisar o mérito do negro por concluir o curso superior ocorre por não ser comum e é isso que as cotas visam mudar. Quando mais negros concluírem o seu curso superior ao ponto de ser algo corriqueiro, os pensamentos de mérito na conclusão do curso de nível superior por um negro deixará de ser tão somente uma questão de mérito e se tornará obrigação como o é para todos que desejam uma boa qualificação no mercado de trabalho.

        Quanto ao terceiro argumento, concordo plenamente com você.
        Os índios são marginalizados e devem receber maior atenção do Estado. Acredito que cotas para os índios não seria má idéia ou a formação de professores universitários voltados para ministrar cursos de nível superior para eles caso não se crie as cotas. Existem aldeias indígenas na Amazônia que possuem escolas para alfabetizar os índios, onde os professores são treinados para ministrar aulas somente para índios tomando o cuidado de não afetar muito a sua cultura.As aulas são ministradas na língua indígena por exemplo, evitando a morte desses dialetos. Creio que é um modelo que pode ser estudado e aplicado para os cursos universitários em suas devidas proporções.

        Para cada problema, há uma solução diferente Bruno. Provavelmente, as cotas não serviriam para os índios, mas isso não isenta o Estado de suas obrigações. A cada dia as relações sociais se tornam mais complexas e caberá uma maior participação estatal para regulá-las e tentar garantir o direito de todos. Não é à-toa que nossa Constituição é Analítica versando sobre os mais variados assuntos que nem sempre são de importância nacional.

      • Lucila

        Você, realmente, não entendeu a Lei de Cotas… Por favor, informa-se: http://portal.mec.gov.br/cotas/legislacao.html
        E, depois, critique.

    • Lucila

      Querido, com todo respeito:

      1. Você fez uma sub-leitura de Maquiavel. Vale a pena ler de novo;

      2. Você aparenta não ter entendido a Lei de Cotas. Observe:
      http://portal.mec.gov.br/cotas/sobre-sistema.html

      3. Mas, se tiver entendido, já parou para pensar porque lhe incomoda tanto que menos de 1/4 das vagas de um curso sejam reservadas aos pretos e, ainda, pobres, de um estado?

      4. É de esquerda, mesmo? Então, pense no homem, não no mercado. O homem que irá sair dessa universidade terá muito mais bagagem para encarar qualquer dificuldade no mercado. Sem ter de se matar para alcançar uma formação que uma pequena parcela privilegiada da população toma posse, mesmo sendo pública. Isso é democracia.

    • aquiles

      ora eu sou negro e entrei na faculdade federal sem cotas, nasci em bairro pobre
      a cor da pele e a pobreza não é desculpa para incompetencia, bibliotecas estão por aí, ao menos aqui em sampa, quando uma pessoa da minha cor diz ser a favor de cotas de cor eu fico pensando em todo discurso falacioso com intuito de sensibilizar feito por essas pessoas de esquerda…

      • João

        o famigerado “selfmade man”.

    • David

      Seria mais útil retirar a riqueza de
      metade da elite branca e redestribuí-la aleatoriamente entre negros (adoraria ver
      o eike batista perder todos os seus bens para o meu faxineiro. Razão: a riqueza
      dos brancos milionários foi feita em cima de um sistema econômico baseado na
      escravidção). Isso sim seria excelente. Caso isso acontecesse, em uma geração as coisas voltavam ao que era antes. A maioria das pessoas ricas não é rica por acaso e o mesmo vale para as pessoas pobres. Ser rico não é ter dinheiro, mas saber gerar riqueza. O seu texto valida exatamente essa visão, ao citar que as cotas não vão ajudar na acensão do negro ou pobre, mas erra ao dar a alternativa. A alternativa é uma só: dar chances iguais para todo mundo se capacitar.

  • mauricio miele

    a paciência é uma virtude. de repente um racista, que se sabia racista lê seu texto, e refletindo pode chegar a deixar de ser racista. o normal é os idiotas continuarem a ser racistas. haja paciência

  • aquiles

    ok todos estamos com as mãos sujas de sangue

    e eu achando que não existiam culpados físicos para as pessoas da minha cor terem sido escravas

  • B Makonnen

    well done mr. castro. well researched, well thought out and well presented. you have opened a dialogue that needs to be more common among those who consider themselves educated and informed. in the twelve years I have lived here, it is the first time i have encountered an article such as the one you have written. thank you for a great read. B Makonnen, Rio de Janeiro

  • Tiago

    Falar sobre dívida e algo estranho. E não tenho culpa do escravidão, isso foi cometido em outros tempos. Temos que criar políticas públicas que estejam direcionadas para reduzir a desigualdade em termos de renda. Se as pessoas com cor da pele negra estiverem inclusas, e provavelmente estão devido ao fator histórico serão beneficiadas. Este lance de pagar dívidas históricas não funciona, pois a história humana sempre foi de guerras e servidão dos povos vencidos. O argumento é racional, mas é como pedir para contar nos dedos todos os habitantes do planeta. É impraticável. Devemos ensinar a história e que as novas gerações saibam que estas atrocidades são erradas e não devem ser nunca mais cometidas.

    • aiaiai

      Tiago, leia essa reportagem e veja q sua ideia, na prática, não está funcionando http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/11/queda-na-desigualdade-reflete-situacoes-de-discriminacao-racial

    • André Vinícius

      O fato de algo sempre ter acontecido no passado não significa que deverá ocorrer no futuro. A mentalidade está mudando e os povos estão tentando compensar de alguma forma aqueles que foram oprimidos.
      Os pobres não são iguais, cada um tem sua história e dificuldade e as estatísticas, estudos mostram que o pobre negro é diferente do pobre branco sendo os negros mais vulneráveis.
      Essa história de que não tive escravos logo não tenho dívidas não tem sentido. Também não tenho culpa da pobreza alheia e nem por isso sou contra políticas públicas voltadas a elas.
      E sim, a dívida indiretamente é nossa, pois o Estado nos representa e nós que mantemos ele, então as dívidas dele são nossas.

  • Andre Trindade

    A frase: “Muitas vezes, o sono tranquilo não é consciência limpa: é falta de memória.”

    Mais atual do que nunca, quando estamos a discutir no país os crimes horrendos cometidos durante a ditadura militar, que muitos negam ter existido e outros ousam a chamar de “ditabranda”, perpetuando a tradição do esquecimento. Aliás, sobre o esquecimento,lembrei agora de Kundera.

    Sensacional !! Repleto de referências, contextualizado. CARA ! Você é bom !

    O maior mérito do texto (se é que se pode eleger um) foi a questão de trazer o leitor para o exercício de se colocar no lugar do outro.

    A frase: “Muitas vezes, o sono tranquilo não é consciência limpa: é falta de memória.”

  • Leitor do PdH

    Eu acabo de ter a certeza de que o Alex Fidel Castro, não passa de um religioso fanático. Os “argumentos” dele partem de uma premissa tão irracional, numa interpretação dos fatos tão extremista, veja bem, ele diz que “temos culpa pela escravidão”, que “a raça branca é historicamente opressora”, que os “portugueses foram os maiores culpados pela escravidão dos negros” (sendo que até um desinformado que nem ele deve saber que sem o sistema escravista que vigorava entre os reinos africanos na época seria impossível aos escravistas europeus escravizar africanos em larga escala). Diz ainda que vestir a camisa “100% branco é racismo por si só”, e, a camisa “100% negro é coisa linda”, a mentalidade dele está tão infectada por fanatismo que ele não vê contradição nisso. Ele coloca o ser humano branco como um demônio que só vai se livrar de tal condição sendo submisso aos mandamentos da ideologia dele e reconhecendo os negros, gays e feministas como o povo escolhido a quem devemos nos curvar. É impressionante como o Alex Castro se presta a vir neste site espalhar textos de desinformação e, portanto, cheios de falácias, demonizações de bodes expiatórios, apelo ao medo, meias verdades, revisionismos. Quem estudou o que é desinformação reconhece de cara tal intuito nas primeiras frases de qualquer texto do Alex Castro, pois ele não quer “leitores”, mas sim “militantes”. Fiquem espertas, pessoas! Parem de perder tempo tentando argumentar com ele e vão estudar o que é desinformação para se defenderem de vigaristas desse tipo! Vão ler um “Crente Verdadeiro” de Eric Hoffer para entenderem como as mentalidades desses tipos funcionam!
    E, por fim, não tem o que argumentar com o Alex. Não se argumenta com zelotes. É impossível não notar que esse é sempre o tipo de pessoa que constrói gulags, Auschwitz, paredões, e sempre têm os mesmos problemas psiquiátricos, a mesma forma de argumentar – que apela para o irracionalismo, para o falso-moralismo, para o coletivismo, e para a identificação de “povos culpados”. Esse tipo de pessoa nunca trouxe nada de bom para a Humanidade.

    • Rudy

      Faltou o “Acorda Brasil”

    • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

      Claro, mas o tipo de pessoa que comenta na anonimidade com argumentos estapafurdios de origem obviamente covarde certamente trazem um bem enorme para a humanidade.

      • Leitor do PdH

        Não gostou, Fernanda de Capua? Problema é seu! O mundo não gira em torno do seu umbigo e da sua ideologia. E eu sou leitor do PdH das antigas, eu não sou que nem você que veio lá do blogueiras feministas fazer proselitismo aqui, junto com o seu “pastor” Alex Castro. Agora levanta a tua mão esquerda e siga o teu “líder”: “Heil Alex Fidel Castro”!
        Mas vai fazer isso fora daqui do PdH. Aqui não é espaço para vocês!

      • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

        Oi?

  • Luciana

    Ótimo material didático para trabalhar principalmente em formação de professores.

  • rafael

    Li esse texto, e fiz uma reflexão o quanto a escravidão repercute até hoje em nossas relações sociais e, especialmente, nas trabalhistas, a forma como patrões tratam seus empregados, como os direitos arduamente conquistados pelos trabalhadores ao longo de décadas, senão séculos, são tratados como encargos e entraves ao desenvolvimento economico nacional! No mimimi a respeito dos feriados e dias de descanso, e claro, tudo isso sem contar o salário- mínimo, porque, dizem o que disserem, mas uma pessoa limpar, lavar, passar, construir uma casa, fazer jornadas duplas, e no fim receber um montante insuficiente até mesmo para a alimentação é sim um trabalho escravo.Creio eu que a escravidão continuou, só forma suprimidas as torturas físicas(se bem que duas horas de ônibus…)

  • JX

    Alex mata a pau o assunto. Me arrepiei em algumas partes e até senti vontade de chorar; lembranças que não são minhas, mas da minha pele que tantos outros tem. E não é só lembrança, mas um fato que já foi muito pior.

    É foda esse tema. Parabéns, Alex.

  • Augustus

    Aquele que considera o Brasil bom såo os filhos dos ex donos de escravos! Brasil é o pais do Apartheid invisível. Por que invisível? O negro foi cegado com péssima educação escolar, chicote e hoje em dia balas e tortura da policia ! O índio foi feito impotente! e o branco racista brasileiro que continua tento uma mentalidade colonial e brutal finge que racismo nåo existe, desde de que o negro continue tocando samba na favela e o indio fique onde esta quieto sem reivindicar seus direitos. Agora se qualquer negro ou indio tenta acordar deste pesadelo, o branco racista brasileiro tem um remedio perfeito para eles: A Policia! A Rota! A tropa de elite e todos os outros grupos de extermínio que vem massacrando indios e negros por mais de 500 anos. Este é o bom racista e colorido Brasil! o resto é comercial de TV para idiotas acreditarem!

    • TatieleGiacomin

      O Brasil é um país bom, o povo que é ruim. Não vou generalizar, existem muitas pessoas boas, muita gente descente, porém, o fato é que muitas outras ainda pensam que a cor da pele, religião, opção sexual são motivos suficientes para diminuir um ser humano.

      Os governantes, pessoas com poder para mudar esse cenário, são movidos pelo dinheiro, o “olho grande” é o que os faz tomarem providencias, não o bem estar do povo, assim sendo, não investem a fundo em um planejamento econômico e social para mudar a situação atual, só em campanhas imediatistas que arrecadam votos.

      • http://www.facebook.com/people/Matheus-Milane/1494909748 Matheus Milane

        e quando há algo para mudar, ir em frente, tentar quebrar o paradigma torpe, como as cotas raciais, acontecem bombardeios justamente de quem prega o discurso contrário – a ausência de racismo – que quem defende é quem está empoderado o bastante para não acordar todo dia pensando na etnia que tem, pois não sofre em decorrência dela.

  • Péricles

    “(…) pela primeira vez, temos nações economicamente dependentes de milhões de
    escravos(…)” Esqueceu das bases da civilização ocidental, filhote? Grécia e Roma

  • A.C

    E quantos do assassinatos de negros são causados por racismo? Existe louco pra tudo (skinhead), é claro, mas a maioria dos negros que morre estava envolvida em atividades criminosas, o que só é ratificado pelo dado que você mesmo deu, que eles são a maioria da população carcerária. Quer que façam o que? Libertem um negro que matou 8 e estuprou 3 só porque os ascendentes dele foram escravizados? Poupe-se.

    • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

      O seu nível de argumentação é tão ridículo e rasteiro que não dá pra se animar a argumentar porque a minha impressão é de que vc não vai entender. Vc não leu o texto completo, né? Diz que não, por favor.

      • A.C

        E o que eu falei de mentira?

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

        Ok, vamos lá.
        - “mas a maioria dos negros que morre estava envolvida em atividades criminosas”
        Ninguém negou isso. A questão é o porquê de existirem tantos negros ligados a essas atividades. É pq é a única realidade que foi apontada erroneamente como a melhor a muitos deles, sobre as condições sociais em que viveram.

        - “Quer que façam o que? Libertem um negro que matou 8 e estuprou 3 só porque os ascendentes dele foram escravizados? Poupe-se.”
        Não, ninguém nunca nem jamais sugeriu isso. O que se pretende é que sejam dadas mais oportunidades de modo que negros possam ter uma vida disassociada do crime.

    • Raul

      Você está olhando em uma perspectiva que o nosso sistema judiciário é perfeito e não comete erros. A maioria da nossa população carcerária é formada por presos provisórios, ou seja, muitos não tiveram o direito a ampla defesa ou ao contraditório e por isso, não poderiam ser considerados culpados. Em suma, sem o transito em julgado do processo, ele nada deve a sociedade. Então, esses sem sentença condenatória deveriam ser soltos e responder o processo em liberdade, não por serem descendentes de escravos, mas sim por terem o direito constitucional da presunção de inocência que é legitimado a você e a ele também.

  • Lucas Silva

    Muito legal a abordagem histórica fazendo a comparação entre o holocausto e o tráfico negreiro, realmente um costuma ganhar mais atenção do que o outro.

    Mas isso não serve de modo algum pra justificar cotas, a impressão ao ler seu texto é de que você tenta justificar as cotas por causa da escravidão. É o mesmo que dizer que judeus precisam de cotas sociais por causa do nazismo.

    Em primeiro lugar, as faculdades existem para criar conhecimento pra nação, é muito melhor ter brancos católicos vindos da escola particular mais capazes do que cotistas sociais com pouca capacidade. Afinal quanto mais conhecimento for criado, maior será o desenvolvimento da nação, e por consequência das classes menos abastadas (embora o tamanho dessa relação seja discutível, mas é outro. Em suma: faculdade é pra criar conhecimento, não pra ser mosaico de pessoas.

    Negros não são menos ou mais inteligentes que brancos, a influência genética do fator cor de pele não tem absolutamente nada a ver com capacidade intelectual. Um negro concorre de igual pra igual com um branco de mesma condição social, porque ele deve ser favorecido? Por que o bisavô dele era escravo e o do branco pobre era um trabalhador livre? Isso não faz sentido algum. Há desigualdade sim, mas está se dá em camadas sociais, principalmente de escola pública x escola privada.

    Sou a favor de bônus na nota para pessoas de escola público, por mérito. Um aluno que estuda numa escola pública, filho de pais que mal terminaram o ensino fundamental, e que acerta 70 numa FUVEST tem muito mais mérito e é mais capaz de aprender e enfrentar uma faculdade do que um aluno de escola particular que faz um cursinho de 500 reais e acertou 75. É claro que o vestibular está longe de ser um bom meio de avaliação, mas esse também é outro assunto bastante longo, estou assumindo hipoteticamente que ele é justo.

    O modelo de bônus é o ideal, pois este mantém o nível da faculdade fazendo justiça social. Já o modelo que dá cadeiras cativas a certos grupos é ridículo, pois numa situação em que a demanda é pequena pessoas sem a capacidade necessária abaixam o nível da universidade e ainda mal conseguem acompanhar o curso, quando em outra de menor nível se encaixariam melhor e poderiam ser mais úteis dentro de seus limites.

    • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

      Vc abrangeu demais seu comentário e fica difícil discutir isso com base no texto.
      Só tenho alguns pontos pra comentar a respeito:

      1. Não vou entrar no mérito de cotas pra escolas públicas, mas das cotas raciais. Se o percentual de vagas garantidas é baseado em dados do IBGE de cada região qual é mesmo o seu problema quanto a isso? Garantir uma proporção na universidade parecida com a distribuição da população lhe parece errado?

      2. Sobre “é muito melhor ter brancos católicos vindos da escola particular
      mais capazes do que cotistas sociais com pouca capacidade.” com a desculpa de que “Afinal quanto mais conhecimento for criado, maior será o desenvolvimento
      da nação, e por consequência das classes menos abastadas (embora o
      tamanho dessa relação seja discutível, mas é outro” Ainda bem que vc assume que essa relação é discutível, e não garante retorno pra os mais necessitados. CRESCIMENTO econômico NÃO garante DESENVOLVIMENTO econômico.

      3. De onde você encontrou dados de que o desempenho de cotistas na universidade é inferior ao dos outros?

      • Lucas Silva

        1.Não faz sentido garantir vagas de acordo com as proporções raciais, o objetivo da existência das universidades públicas é criar conhecimento e gerar profissionais para o país.

        2. A relação é discutível, mas o conhecimento forma uma sociedade capaz de fazer com que o desenvolvimento econômico aconteça.

        3. Só tenho essa tabela aqui da UFABC: http://i.imgur.com/h5Bmd.jpg?1, repare que o nível mais dispare da média é exatamente o dos cotistas raciais. Mas é óbvio que alunos de menor capacidade (julgada pelo vestibular) vão abaixar o nível acadêmico.

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

        Mas isso foi o que aconteceu em uma faculdade, correto? Não existem pesquisas mais gerais não?

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa

        1. Nem vou entrar no mérito do papel da universidade na sociedade pq claramente a sua visão é bem mais simplista que a minha.

        2. É por isso que as pessoas tem usado o conhecimento pra defender ações afirmativas, direitos de minorias e etc.

        Pq de outra maneira não tem como o conhecimento, esta entidade sagrada, fazer todo o trabalho sozinha, coitada.

        Eu achei esse link do estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,desempenho-de-cotistas-fica-acima-da-media,582324,0.htm
        que mostra o desempenho na Unicamp e da UERJ.

        Essa que vc mostrou, a UFABC, se enquadraria como uma faculdade que é “outra de menor nível”

        onde os ‘tadinhos’ dos cotistas sociais poderiam:

        ” ser mais úteis dentro de seus limites.” ?

        Como é que vc vem argumentar com uma imagem furreca e nada conclusiva de faculdade pouco conhecida? Uma tabela pura e simples sem nenhum adendo, nenhuma informação que permita contextualizações?

      • Lucas Silva

        1. Então qual o papel de uma universidade na sua visão?

        2. Enquanto maior o conhecimento produzido, melhores serão os efeitos na sociedade, você tem alguma duvida disso? Acadêmicos melhores = mais conhecimento gerado, melhores métodos de ensino e pesquisa,

      • http://www.facebook.com/ayrancruz Ayran Costa
      • Lucas Silva

        Não basta um candidato ser inteligente, ele precisa ter um mínimo de conhecimento prévio do assunto se não ele simplesmente não vai conseguir acompanhar o curso. No modelo de vestibular atual o candidato precisa no mínimo chegar a uma certa pontuação que deve ser calculada visando o necessário.

        Uma proposta interessante nesse contexto é o projeto do governo paulista de criar um cursinho pré-faculdade para os cotistas, mas já tem fortes críticas por parte de alguns dos próprios defensores das cotas.

        Mas o que venho percebendo aqui nessa discussão é que a gênese dela parte da pergunta: como selecionar os melhores para a faculdade? Um método de seleção pra ser justo precisa julgar fatores como criatividade, ações, facilidade de aprendizagem e conhecimento prévio. Nosso vestibular só julga o último.

  • Tiago

    Pagar dívida histórica é impraticável. Se quiser deverá ser através de políticas econômicas e sociais que promovam da diminuição da desigualdade de renda. Quanto a diminuir o preconceito somente com o tempo e a ampla divulgação ao longo das diversas gerações a respeito das atrocidades cometidas no passado e que cor de pele não é fator para tratarmos uma pessoa com diferença. Preconceito é um comportamento individual, se minimiza com disseminação de conhecimento.

    • Raul

      Preconceito é um comportamento individual e coletivo. Não vamos isentar a sociedade. A sociedade regula coercitivamente o comportamento individual. Experimente agir contra as regras e normas imposta pela sociedade para ver se não sofrerá uma sanção por meio do controle social.

      • Tiago

        O coletivo é composto por individualidades, não percebi lógica no seu argumento. Não estou isentando a sociedade, pois ela é composta por indivíduos. Logo a mudança social está na mudança de comportamento individual. Leis não impedem ninguém de fazer nada se fosse assim não teríamos tráfico de drogas nem crime algum. Leis não impedem o preconceito…somente anos e anos de ampla disseminação de conhecimento.

      • André Vinícius

        “Leis não impedem o preconceito…”

        O preconceito em si não, mas a manifestação dele sim e isso é o que a lei procura, impedir que certos discursos preconceituosos circulem livremente pela sociedade.
        Uma prova do que eu digo, compare notícias que falam de negros e de gays, as que se referem aos gays as pessoas são muito mais hostis do que as dos negros, pois enquanto racismo é crime a homofobia ainda não. E a maioria das ofensas aos negros são sutis, alfinetadas diferente da dos gays que são bem diretas. Dificilmente você verá alguém dizendo que ser negro é aberração, mas ser gay é o que você mais lê.

        “Leis não impedem ninguém de fazer nada…”

        Impedem sim, os criminosos sempre são minorias, as pessoas que tem um potencial para cometer um crime é muito maior do que as que vão lá e cometem. Se sexo em locais público não fosse proibido o número de pessoas transando na rua seria muito maior, tem as que fazem, sim, mas são bem menos das que gostariam de fazer, mas não tem coragem por causa da lei.

      • Tiago

        Não foi no sentido que eu disse que a lei não impede o preconceito. O preconceito está na cabeça das pessoas. A lei impede você de pensar? Pode ter mil leis contra preconceito e ainda sim serei preconceituoso…. não questionei a eficiência das leis mas sua eficácia…Talvez se você tivesse nascido no tempo da escravidão apoiaria a escravidão sacou? Não tem nada haver com leis e sim com o pensamento das pessoas. E quem pensa que o tráfico negreiro terminou por bondade das pessoas está enganado!!

      • Raul

        A lógica é a seguinte: Nenhuma mudança começa do indivíduo para sociedade, mas sim da sociedade para o indivíduo. A sociedade é uma instituição separada do indivíduo por mais que esse pertença a ela, entendeu? Observe as mudanças históricas que ocorreu no decorrer dos séculos e diga uma que ocorreu de um indivíduo para sociedade. Não há. Assim, as mudanças históricas levam tempo e são graduais, lentas e não de imediato, porque ela não depende do indivíduo, mas sim de uma mudança das regras e normas da sociedade. Observe o regime escravista brasileiro, ele acabou devido a uma mudança dos pensamentos individuais? Quantos não lutaram nesse país para manter o sistema escravista, pois era de seu interesse? Caso fosse necessário uma mudança de comportamento individual estaríamos na escravidão legalizada até hoje. Foi necessário uma mudança das normas e regras da sociedade que ocorreu por meio de acontecimentos, fatores econômicos entre outros. Compreendeu? O indivíduo é produto da sociedade. No caso da escravidão, a mudança das regras e normas da sociedade ocorreu por vários fatores que culminou na promulgação da Lei Áurea. Você acredita que os traficantes de escravos se conscientizaram e por isso resolveram abandonar o negócio lucrativo? Não, são a criação e a exclusão de instituições na sociedade que moldam o comportamento do indivíduo o coagindo a obedecê-las e o conjunto dessas instituições é a sociedade e dentro dessas instituições estamos nós, indivíduos .Caso queria conhecer mais um pouco sobre essa questão, sugiro que consulte as ideias de Emile Durkheim que é o pai da Sociologia.

  • http://www.facebook.com/alexandre.zacarias.56 Alexandre Zacarias

    Excelente… com toda certeza o melhor texto sobre racismo que ja li!

  • Luka

    Bem, foi uma ótima analise história. Veja bem, eu nasci branca. Poderia não ter nascido. Poderia ter mais traços indígenas em mim que só traços na estrutura corporal. Eu sou descendente de índios (Um dos troncos de Bororos que por acaso, não existe mais).

    Eu não vou fazer todo o caminho que você fez até aqui, e embasar todo o argumento com a batelada de fatos históricos que estão ai. Mas a população Brasileira simplesmente não liga para os índios, nosso governo faz o que quer deles, e muitos simplesmente os consideram inferiores, conquistados, e se acham mais no direito de aqui viver do que eles. “Cagando para os índios” como já ouvi por ai. Eles não tem mais direito ao próprio chão, são ameaçados, hoje ainda. Vamos falar um pouco de barbarie, ouvi comentários terríveis sobre uma índia que foi estuprada e não queria sair de onde estava porque aquela era a casa dela. Estuprada por quem queria explorar a terra. Nas regiões do interior do Brasil, a briga com produtores de gado é ferrenha, porque eles acham que tem direito a terra. Ou com os extratores de madeira. Ou com mineradores. Ou com qualquer idiota que se acha melhor por ter nascido isto ou aquilo. E que não respeita um modo de vida diferente. Falo disso porque a maioria vai dizer que imagina, não há racismo. Isso choradeira.

    Então concordo. O Brasil é um pais onde há sim racismo, um racismo hipócrita. E é carregado de preconceitos a regiões, ideais, sexo, raça, religiões, orientações sexuais e o cacete. Mas gostamos de dizer que não. Gostamos de falar que “ah, mas não é bem assim”. E com historiadores que se amarram em mudar os fatos.

    O que não é bem assim é a seriedade com que o Brasileiro enxerga o próximo, porque não é no rabo dele que a pimenta vai.

    Agora, eu concordo com a cotas como são oferecidas hoje? Não.

    Primeiro que eu acredito que cotas tem de existir segundo a situação financeira, porque eu já vi muita gente abusando de cota. Já vi muita gente usando subsidio do governo (pro uni) para estudar, sem precisar (aka trabalhando e ganhando mais que o suficiente pra pagar a faculdade e viver. Mesmo.) ou seja, tirando a oportunidade de quem precisa. Foi um belo embasamento histórico para apoiar as cotas, sério.

    Mas eu creio que cotas e assistências tem de ser medida caso a caso, segundo a situação atual da pessoa, as oportunidades que ela teve e não teve, o meio em que vive e não a história da sua raça. Ou seja, temos de ajudar quem precisa sem olhar o registro de nascimento.

    Não podemos fazer justiça aos que sofreram lá atrás. Não podemos punir os alemães e poloneses por aqueles que morreram, não podemos punir os ingleses de hoje pelos indianos de ontem, ou os espanhois e portugueses por índios e mulçumanos de outrora. Não podemos afogar os italianos de hoje pelos romanos de ontem, nem dar cabo de quem vendeu a própria gente (E isso aconteceu em milhares de lugares, inclusive na africa, e aqui nas américas. Africanos vendiam africanos. Indios que ajudavam Bandeirantes). E isso não é uma desculpa. Eu não acredito que um erro seja diminuído ou desculpado no outro. E eu acredito que não podemos esquecer JAMAIS a historia, porque esquecer de um erro é correr o risco de comete-lo de novo, e é um erro grande demais. Alias cometemos não. Escravidão é uma falta grave recorrente no histórico da humanidade.

    Temos de nos sentir mal sim. Nos envergonhar sim do que aconteceu e de onde podemos chegar achando que somos melhores (sou paulista e morro de vergonha quando vejo certos paulistanos falando abobrinhas de outros estados). Eu tenho ASCO de preconceito, porque meu nascimento foi um acidente, como o dos demais também foi. Ele não me fez melhor, nem pior. Ele me deu sim algumas oportunidades, e me bloqueou outras, e isso é verdade para todas as pessoas. Algumas pessoas tem de pagar um preço mais pesado para alcançar um lugar maior ao sol. Outras não pagam nada. Algumas pessoas passam a vida pagando, e é isso que tem de mudar. Somos pessoas e eu acho que politicas que dividam o povo só pioram a situação. Se somos um povo, dentro de uma nação, temos de dar oportunidades iguais ao povo. Ajudar quem mais precisa. E quem mais precisa?

    Ainda que eu seja contra as cotas da forma como são hoje, eu também acho que simplesmente a cota não ajuda. Colocar um aluno despreparado dentro de uma sala de aula – ou em qualquer outro lugar – não nivela a sociedade. Pois o professor tem de exigir menos, tem de dar mais voltas, e para ser justo, tem que procurar fazer toda a turma estar no mesmo ponto. Toda cota tem que ter um programa de apoio. Tem que colocar o aluno no ponto que ele deveria estar se tivesse tido um ensino de maior qualidade, por exemplo. Hoje, o ensino público básico é um horror, mas o ensino superior público é bom. Só que, se uma cacetada de alunos despreparados, e veja bem, não por culpa deles, entrarem lá, em alguns anos vai acontecer com as faculdades o que aconteceu com as escolas, ou seja, a excelência vai estar no particular e não no público. Tanto pior porque a politica de cotas para ensino público vai influenciar a de ensino privado certamente. Veja bem, em nenhum momento eu estou dizendo que a chance não deva ser dada. Ela deve. É direito do POVO ter a chance de estudar. Mas o governo tem que ser responsável completamente. Não basta dar a vaga. Tem que dar a base. E pra falar a verdade, nosso ensino tinha de melhorar. Porque cotas para a educação sequer seriam um assunto tão urgente.

    Eu acredito que quem quer estudar, deva. Mesmo. E eu acredito que o correto seja preparar melhor esse aluno quando ele é cotista se for necessário. E eu imagino que normalmente seja.

    Mas para arrematar, esquecer não é o caminho. O Brasileiro cultiva a memória fraca e a falta de respeito pela figura diferente e isso sim é de dar um frio na espinha. Temos de manter isso na memória para que o próximo que tiver a grande idéia de discriminar um grupo por qualquer que seja o motivo, seja afogado antes que uma alguém concorde e apoie. Ou simplesmente não faça nada (tipo a população da época alemã, que via o tratamento desigual dispensado aos Judeus, e não fazia nada. Se eu bem me lembro Treblinka foi o primeiro campo a começar a eliminar em massa os prisioneiros. Mas nesse ponto eles já haviam sido presos. PRESOS. Pelo que além de não serem arianos?). Dividir também não é. Eu acho o dia da mulher uma piada de mau gosto, apesar que entendo o simbolo. Cara, eu não preciso de um dia pra lembrar que eu sou humana e tenho os mesmos direitos que todos – e que todos merecem respeito, considerações e oportunidades iguais. Mas isso é o que eu penso.

    E fico feliz que alguém tenha pensado nas costas, no fim, porque alguém resolveu fazer alguma coisa. Não creio que no caminho ideal, mas alguma coisa. Muito melhor do que fechar os olhos, como a humanidade já fez muitas vezes, e não fazer nada.

    • TatieleGiacomin

      Concordo plenamente contigo, não poderia me expressar melhor. Não devemos esquecer a história da escravidão, mas não temos como pagar essa dívida para com os negros e se tivéssemos como, também, teríamos que pagar aos índios (pois essa terra foi tirada deles através de uma guerra desigual). Podemos sim tentar equilibrar essa desigualdade, mas cotas não são nem de perto a melhor solução.

      O racismo não pertence a toda massa “não negra”, é individual, não pode ser tratado como se fosse um pensamento coletivo. Disseminar a cultura através de uma educação de base faria esse trabalho muito melhor, óbvio que é um trabalho a longo prazo, mas problemas como esse – o racismo – só podem ser minimizados com o tempo. Tentar minimizá-lo com cotas é uma tentativa esdrúxula de tapar o sol com a peneira.

      • Luka

        Tatiele, eu acredito que qualquer tipo de ação política discriminatória seja um erro, por melhor que seja a intenção. Brancos, amarelos, vermelhos, negros e todos os que estão no meio do caminho podem nascer com mais oportunidades ou não. Mas fazer cotas apenas para uma porção da população é dizer “ok, esse pessoal tem uma causa… e o resto de vocês, bem que azar né? Seus ancestrais pisaram na bola, foi mal.”. Isso se trata de pessoas.
        Quanto ao racismo, algumas pessoas são simplesmente doentes e adotam esse tipo de pensamento como se uma característica “de nascimento” fosse te fazer melhor ou pior. O que é um absurdo, porque ninguém escolheu nada disso.

      • TatieleGiacomin

        Penso da mesma forma, pois de fato somos da mesma raça, somos humanos, os Homo sapiens sapiens, deveríamos ter direitos e deveres iguais. Desmembrar o “grande grupo” em raças, para mim, é fortificar uma divisão que não deveria existir.

        Penso na seguinte situação: De um lado o “Pedro”, um cara que nasceu em uma família com o mínimo de condições financeiras. O “Pedro” não pode se dedicar aos estudos tanto quanto gostaria, pois teve que trabalhar em tempo integral e ir à escola à noite já cansada. Ao findar a escola, o “Pedro” não tem como pagar o cursinho do pré-vestibular, ele precisa desse dinheiro para coisas básicas e a família dele não pode abrir mão dessa grana. Bom, o Pedro tem um vizinho negro, o nome dele é João e o João se encontra na mesma situação que o Pedro, porém, para o João é mais fácil ingressar na faculdade, já as chances do Pedro são bem menores. Isso é justo? Eles não deveriam ter exatamente as mesmas chances? O Pedro sentiu na pele uma forma de preconceito, ele não tem culpa dos ancestrais deles terem sido brancos.

        Concordaria com as cotas só se elas fossem destinadas de acordo com a situação FINANCEIRA e mesmo assim, seria de certa forma discriminatória, porém, mais justa. Se for para beneficiar alguém que seja os que não possuem condições financeiras. Ok tem poucos negros na faculdade, poucos em cargos públicos, mas também poucos pobres. Cadê a justiça das cotas? EU não consigo enxergar.

      • http://www.facebook.com/maycon.reis.585 Maycon Reis

        Cadê a justiça das cotas? EU não consigo enxergar.

        Eu consigo. Eu
        enxergo. Eu entrei na Universidade Estadual de Londrina para trabalhar
        como técnico administrativo inscrito por cotas para negros, três vagas
        universais e 2 para cotas (uma para afro-descendentes e uma para pessoa
        com deficiência física). Não deve ser fácil conseguir um emprego sem ter
        um braço ou sem ao menos 1,40m já sendo adulto. Também não foi fácil
        para mim, trabalhei em tantos lugares quanto me foi possível, e, deixa
        pra lá.
        Eu fui o terceiro colocado, talvez me dessem uma vaga sem
        cota (dita universal), não foi assim, como me inscrevi para cotas ocupei
        a vaga de cota, o quarto da universal que foi chamado e o segundo
        colocado da lista de negros não foi chamado, eu tirei a oportunidade
        dele (juro que foi sem querer, como saber que conseguiria ficar entre os
        três primeiros com mais de mil candidatos?).
        Tentei falar sobre isso
        na universidade, ouvi muitos “deixa pra lá”. Estou na lista de pessoas
        que fazem uso de cotas sem precisar?
        Tentei também o vestibular, não
        consegui, por cotas novamente. Não foi a falta de uma vaga, foi
        despreparo, reprovado em questões discursivas – acreditando que entraria
        sem a necessidade de cotas quando vi o resultado da redação e das
        assertivas. Não citei ‘não foi a falta de uma vaga’ por único sentido,
        sombram vagas.

        Então, se tu que estás a ler não gosta de negros
        cotistas, tenha esperança, nós não ocupamos todas as vagas que são
        concedidas, as vagas que não são preenchidas, dentre as destinadas aos
        afro-descendentes são destinadas aos oriundos de escola pública e se
        eles também não preencherem então são preenchidas pelo sistema
        universal. Alegrem-se pois ainda estamos do lado de fora. E no caso do
        concurso, acalmem-se, concorremos apenas conosco, ficou claro que o
        mínimo (um negro) seria também o máximo.

        Então a justiça está ai,
        é tudo um faz-de-conta, assim como meu plano de carreira: Que diz que
        vou ganhar o dobro do que ganho agora se trabalhar uns 25 anos, terminar
        faculdade e estudar um pouco nas horas vagas, sem direito a FGTS e
        abrindo mão da minha contribuição para aposentadoria se resolver deixar o
        emprego.
        Os negros não vão invadir as universidades, não serão 25%
        dos alunos da UEL (assim como o censo diz que eles o são 29% da
        população do Paraná). Não irão disputar a compra de um apartamento de
        dois andares contigo nem receber um carro importado antes da tua vez, se
        e somente se acontecer então leia Não vai dar tudo certo – Pedrucc,
        Lucas disponível em http://papodehomem.com.br/nao-vai-dar-tudo-certo/
        acessado em 11/12/2012.

        A egemonia vai continuar, no emprego que
        estou e em outros eu vou continuar sendo o
        faz-tudo-geral-carregador-de-coisas-pesadas-e-afins, pagando contas no
        banco ou buscando a marmita de alguém umas hierarquias acima. Se as
        contas apertarem eu sei quem é demitido, não é aquele que gosta de sair
        10 ou 15 minutos antes sem avisar e não conhece tão bem a própria função
        como deveria, mas, deixa pra lá.
        Segunda-feiras virão e vou
        continuar a buscar o café, o medo do
        desemprego/exoneração/aluguel-atrasado vai me conter a reclamação nos
        dentes, o processo contra o empregador que não paga sequer o salário
        mínimo mas conhece metade da cidade. Um suspiro e esqueça.

        Se
        usei muitas vezes a primeira pessoa neste texto é por ter tido sorte, os
        mil reais que ganho por mês são melhores que alguns conhecidos ganham e
        não fico muito tempo sem ouvir alguém me dizer que gostaria de estar no
        meu lugar. Estamos enxergando um pouco mais de justiça agora?

      • TatieleGiacomin

        Você leu meu último comentário? Melhor, leu todos meus comentários?
        Ao contrário do que tu falaste, eu não sou uma pessoa que “não gosta de negros cotistas”. Veja bem, tenho amigos negros, alguns cotistas e se tu ler direito vai perceber que não sou “contra negros”, sou a favor de uma reformulação no programa de cotas.

        “Não deve ser fácil conseguir um emprego sem ter um braço ou sem ao menos 1,40m já sendo adulto”, não tenho nada contra cotas para pessoas com condições físicas especias, assim como, para pessoas com menos condições financeiras, bem pelo contrário

      • Luka

        Cara, o problema não é o negro cotista, ou o branco cotista, ou qualquer um que seja cotista.
        O problema não é ocupar as vagas. Nunca foi nem deve ser.

        O problema é como separam essas cotas. Se negro não impediu você de ralar e ir bem e ser classificado, na colocação que você precisava.

        Mas ser pobre, independente de raça, sexo, orientação sexual, de portar deficiência ou não te coloca numa posição cachorra: você não vai ter estudo de qualidade para passar em uma boa faculdade.

        É esse o problema que tem que ser resolvido. O ser humano – porque se você descascar somos todos iguais – que não tem uma chance por acidente de seu nascimento.

        Agora, quanto a cota para a pessoa deficiente, isso é uma forçada que o governo dá porque empresa nenhuma quer pagar toda a grana que precisa ser paga para disponibilizar equipamento para a maioria dos deficientes. Por favor, essa comparação é bem triste.

  • Alex

    Assista “How Racist Are You?” – Jane Elliott’s Brown Eye-Blue Eye Experiment

    http://www.youtube.com/watch?v=XAv8JA_9uKI&feature=related

  • http://www.facebook.com/gabriel.guimaraes Gabriel B. Guimarães

    Tenho sérias restrições com esse lance de elencar “meus autores preferidos”, principalmente se ainda vivos. Mas porra, @alexcastrolll:disqus, com essa sequência de textos fica difícil.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      então compra meus livros ou faz uma doação, vai? esse natal as coisas estão difíceis. :) mas se não puder, só o elogio está bom. muito muito obrigado mesmo. http://www.alexcastro.com.br/mecenato

  • http://www.facebook.com/fabiosimple Fabio Sestrem Goulart

    Porra! Parei de ler na hora que, vc comenta que é a favor da escravidão.

  • Chicko

    Me surpreenderam…

  • Vitor S

    caraca véi to impressionado como o povo é uma anta, o artigo foi perfeito, e muito bem explicado, querer que ele fale do Egito, Espanha, Cuba… não é o caso, esse povo que quer provar que é inteligente de qualquer forma, só fala m****. É Alex a próxima vez que vc escrever um artigo, fale sobre o bigbang também, ou quem sabe sobrequem veio primeiro o ovo ou a galinha, ah claro vc também esqueceu de falar sobre a vida que existiu em marte né, francamente….

    muito sucesso a você, e esses comentarios, bem ou mal, é só reflexo da seriedade do seu trabalho

  • http://twitter.com/quartopateta dean paradise

    mais um texto esquerdoide do papo de homem

    estão deixando de ser um portal de informação para homens, e estao se tornando, um antro de coitadismo e explicações furadas

    se ganham mais dinheiro dessa forma, bom para o papodehomem, estão trocando de publico de alvo e a qualidade despenca em ritmo acelerado para agradar o brasileiro médio

    • André Vinícius

      “… qualidade despenca em ritmo acelerado para agradar o brasileiro médio”

      De qualidade foi esse seu comentário super sofisticado, de bom gosto, ponderado, bem embasado e afrente do próprio tempo, né?!

  • Thiago Melo

    Estou terminando de ler o artigo, mas percebo que você é a favor das cotas, correto? Mas, o certo seria que todo o sistema educacional proporcionasse qualidade de ensino de alto nível para todos. Por isso sou contra as cotas direcionada para pessoas com melanina escura … SIM, no meu conceito somos humanos e essa separação por “raça” não deveria existir.

  • paulo

    Alex, mas os assassinatos dos negros não são, ao invés de racismo, uma herança da escravidão, visto que a maioria dos pobres são negros? Isso faz eles se envolverem mais em questões de violência impelidos pelas pressões sociais, não?

    Abraço

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      oi paulo. o nome desse sistema é “racismo”. abraços.

  • Lucila

    Fico abismada como as discussões na internet são obtusas, no tópico de cotas, cara. Há mais de dez anos, quando discuti isso pela primeira vez, as pessoas tinham os mesmos argumentos, hora simplistas, hora confusos. E são pessoas que se dizem de esquerda, progressistas. Cansei de conversar com gente esclarecida, que luta pelos direitos dos animais, dos índios, dos idosos… Mas, cota, cota não! Cota é complicado, porque é afirmação do racismo, é instituicionalização deste… Ainda é o mesmo discurso. Na época, ainda que vá se discutir… Foi uma legislação que passou cerca de quinze anos para ser apreciada. Onde vocês estavam esse tempo todo?
    Porque, hoje, hoje, meus queridos, não tem mais o que discutir. É lei, cumpra-se.
    Meus amigos, vocês sabem o que é estigma? Estigma é uma criança, na década de 50, apanhar todos os dias da mãe para não ir pelo caminho da malandragem, do crime, mesmo, e estudar. Mesmo que o pai achasse que essa criança deveria trabalhar, primeiro e, só depois estudar. Sabe o que a criança faz? Estuda e trabalha. E, na escola de elite (porque escola, mesmo pública, era sempre de elite), essa criança ainda é questionada pelo porteito, amigo do pai, se ele não tinha vergonha de estar ali, com tanta filho de gente distinta. E, quando, já adulto, finalmente passa no vestibular, não aguenta a pressão de ser um único negro no curso de engenharia. Não julguem essa criança por não ter continuado, pouquissímos de vocês conseguiriam. Essa criança vira pai, dá tudo de formação que pode dar aos filhos, sem nunca bater neles, mas nunca chegou ver seus filhos compartilharem com outros negros, na mesma proporção de brancos, os benefícios que pode lhes dá.
    Desculpem, mais vocês são todos idiotas se acham que um jovem pobre, preto, que passou toda a adolênscia na escola pública vai se sentir diminuído por entrar em uma universidade por cotas. Não vai, porque, dificilmente ele chegaria ali, se não fossem sacríficios que vocês sequer conseguem imaginar. Desculpem-me, mas o mérito que vocês tanto ovacionam é grilagem da eleite nos bancos das univerisidades universidads públicas.
    Então, esse jovem preto, pobre, de escola pública, não tem porque se sentir diminuido. E se um empregador achar que ele não tem capacidade por ser cotista, ele terá de responder legalmente por isso. E eu, pessoalmente, farei questão de fiscalizar isso. E muitas pessoas organizadas tambem o farão.
    E, também de dizer, pra qualquer jovem negro que, como qualquer ser humano, vier a fraquejar, que não desista. As coisas estão muito melhor para eles agora.
    No mais, leiam a Lei de Cotas. É social, com recorte racial para PRETOS, PARDOS e INDÍGENAS.

  • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

    Uma das coisas que me deixa feliz em ter cursado história é isso. Lendo e estudando pude ver claramente, quanta coisa em nossa história precisa ser reescrita. O quanto as escolas precisam ensinar certos temas de forma diferente. A escravidão de fato é um deles. Faz mais de 100 anos que vem sendo descaracterizada e varrida para debaixo do tapete.

    O que me dói é ver descendentes de escravocratas,de ricos e livres. Enquanto a esmagadora maioria dos descendentes de escravos, ainda “escravos e pobres”. E vai perdurar por muito tempo ainda.

  • Tiago

    Cara, concordo que a escravidão foi tão grave quanto o holocausto e que nenhum dos dois pode ser esquecido. Mas usar isso para favorecer essa ideia ridícula do movimento negro de que cotas são necessárias? Você mesmo frisou o quanto a escravidão pode ser considerada ao holocausto, você vê a necessidade da criação de medidas para compensar o sofrimento histórico dos judeus? Existem cotas para judeus na Alemanha?

    Admiro muito o movimento judáico pelo não coitadismo.

    O que aconteceu é horrível mas passou sim. Os negros que sofreram com a escravidão não são os mesmos de hoje. É justo receber vantagens porque há 200 anos atrás um cara com a mesma cor da pele que você foi maltratado?

    Igualdade não é um conceito relativo. Igualdade independe de raça, cor, religião e origem. Um branco e um negro têm que ser iguais perante a própria lei a partir do momento em que o primeiro é um ser humano e o segundo também.

    A escravidão de seus antepassados não impede o negro de estudar. (aliás, eu inclusive sou moreno, devo ter tido antepassados escravos, a escravidão deles não diminuiu minha capacidade de passar no vestibular para um curso muito concorrido em uma instituição federal).

    Lembrar sempre, lamentar sempre, mas conceder vantagens por causa do que aconteceu com outras pessoas em outros tempos? É absurdo.

    • Lucila

      Querido, os judeus ganharam, como “cota”, a Palestina toda…

      • Lucila

        Na verdade, foi uma parte. Mas, foi tão absurdo o que você disse, que não me contive…

    • André Vinícius

      Em vez de falar besteiras nas internet deveria se informar melhor, na Alemanha é crime negar o Holocausto e foi dado indenizações aos judeus. Então já que devemos imitar a Alemanha porque você está reclamando das cotas? Prefere indenização em dinheiro?

    • http://www.facebook.com/nandaland Fernanda De Capua

      “Admiro muito o movimento judáico pelo não coitadismo”

      Existem “museus do holocausto” espalhados por capitais ao redor do mundo inteiro. Em Washington DC ha um, inclusive, patrocinado pelo Steven Spielberg, que eh uma verdadeira Disneylandia, tem reconstruçao cenografica dos vagoes dos trens e das camaras de gas, uma coisa bizarrissima.

      Alem disso, a industria do entretenimento (aka Hollywood), que eh controlada por judeus (preste atencao nos sobrenomes de todos os produtores que voce ve em creditos de filmes) ja explorou esse tema a exaustao, criando um zeitgeist cultural de escala mundial no qual eles sao as vitimas.

      Agora, veja bem, nao coloco isso como uma critica – eles estao mais do que no direito deles – e foram, de fato, vitima. Faço essa colocaçao porque a palavra “coitadismo”, ao meu ver, esconde justamente um julgamento infantilizado sobre o modo com o qual uma classe (negra, judaica, indigena, hare krishna) contextualiza sua historia. Como se o sistema de cotas fosse “mimimi, coitadinho de mim” e “A Lista de Schindler” nao fosse parte de uma maior campanha “zionista” (ui. me atrevi.)

      E sobre “conceder vantagens por causa do que aconteceu”, bom, eles ganharam um PAIS e uma bolada de dinheiro para construi-lo. Acho engraçado que em toda essa discussao que compara o Holocausto com a escravidao, na qual pessoas foram pesquisar se houve ou nao reparacao por parte da Alemanha (que houve, e segue existindo) ninguem tenha sequer mencionado um pequeno presentinho chamado Israel.

      (perdao, nao consigo acentuar nesse negocio)

  • http://www.facebook.com/people/Guilherme-Gabriel/100002425025681 Guilherme Gabriel

    Alex, não seria incorreto dizer economia escravocrata? Não seria mais coerente colocar escravista ou são termos semelhantes?

    Abraços

  • Richard Andeol

    Ótimo texto, pertinente como sempre, mas também sou obrigado a discordar da questão das cotas raciais.
    Raça é um conceito cultural antes de tudo, e não genético. No Brasil a mistura dos descendentes africanos, europeus e indígenas é tanta que são pouquíssimos os brasileiros que podem afirmar pertencerem apenas a uma destas origens.
    Sem negar o preconceito contra os descendentes dos grupos africanos e indígenas, o regime de cotas raciais promove mais uma racialização da sociedade, contribuindo de novo para uma divisão social baseada em um falso conceito pseudo genético, e aprofundando o próprio racismo como rebote.
    Além do mais, nos estados americanos onde as cotas raciais são utilizadas, não se verificou melhoria significativa na diminuição do preconceito ou das condições de vida dos afro-descendentes.
    Compensação histórica é outro conceito de difícil aplicabilidade, já que não há como qualificar ou quantificar essa compensação nem como compensar todos os grupos atingidos, e isto porque a História é dinâmica e para cada ação uma reação é gerada. Por estes motivos também é que dificilmente se encontra uma compensação que não provoque outro desequilíbrio, outro prejuízo, às vezes maior ainda que o anterior.
    Um bom exemplo disto é a Palestina, citada em uma resposta a outro cometário. O impacto do Holocausto propiciou uma oportunidade histórica para o povo judeu ganhar a Palestina, só que ela não estava despovoada, e sabemos os problemas que este “presente” gerou.
    As leis de cotas raciais brasileiras assim cometem uma triste injustiça deixando de fora grupos que são igualmente discriminados, que sofrem por gerações na miséria, mas não são identificados como descendentes de indígenas ou negros. Nordestinos e descendentes de imigrantes pobres de outros países (até de Portugal) por exemplo.
    Boa parte (e não todos) dos defensores das cotas raciais se encontram entre brancos de classes sociais mais privilegiadas que querem, mesmo que inconscientemente, expiar seu próprio racismo e liberar sua culpa para continuar a fazer suas empregadas subirem pelo elevador dos fundos.
    Me pergunto se alguns afro-descendentes que as apóiam também não internalizaram o preconceito racial a ponto de achar que precisam da paternalização do Estado mais que outros. Digo isto por uma cena que me chamou muita atenção: O presidente da Câmara à época, Alindo Chinaglia, que havia se aplicado pela aprovação do regime de cotas, ao anunciar satisfeito em sua sala para um grupo de ativistas do movimento negro que a lei havia sido aceito, provocou uma alvoroço entre estes. Chinaglia, sem tentar esconder sua irritação com o “abuso” dos convidados (?), levantou a voz, gritando que não ia “tolerar este tipo de coisa em seu gabinete”, que aquilo “não era local para algazarra”(?) e que se aquilo continuasse ele expulsaria a todos dali. O tom era de quem falava a um escravo desobediente, e isto ao vivo pela TV! Mas o que mais me impressionou foi a atitude dos ativistas, que se calaram imediatamente e baixaram as cabeças, sem nem ao menos tentar explicar que estavam apenas felizes com o resultado.
    Cotas raciais também são uma ótima forma de liberar o Estado dos investimentos urgentes na educação pública, e ainda parecer que estão fazendo alguma coisa.
    Se a ideia é propiciar o acesso ao ensino superior aos menos favorecidos, justamente como estratégia de mudança desta realidade de poucos investimentos, as cotas sociais são bem mais justas, democráticas e inclusivas, não corroborando para o aprofundamento de divisões sociais e raciais.

  • Flávio

    Apenas um adendo, espero que alguem já o tenha feito mas faço mesmo assim – o Império Romano já dependia há muito de escravos pra manutenção de sua economia, em conjunto do estado belicista. E é só. (especialmente a cidade de Roma)

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      oi. tem vários livros sobre a escravidão como fenômeno global que explicam essa questão muito bem (exemplo, slavery & social death, do orlando patterson) e demonstram a unicidade da escravidao africana nas americanas dentro do continuum de economias escravocratas em todas as civilizações e em todas as épocas. me passa o livro que vc leu pra embasar a sua opinião, eu quero dar uma olhada, afinal, estou fazendo pesquisa sobre isso e é importante ter todas as fontes. abraços.

  • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

    Comecei a ler o texto já fiquei com vontade de fazer uma pergunta, mas se segurei pensei vai que acontece o milagre de estar no texto também, bom não estava, então para as pessoas de bem que repudiam a escravidão e especialmente para você Alex:

    Você usa algum produto da China? Se a resposta é sim parabéns você é hipócrita, ou talvez apenas nada questionador.

    Qual a diferença entre a escravidão de antes e a atual? espero que atualmente não se faça o uso de violência física como antigamente, mas sim a escravidão ta ai apenas com uma nova roupagem, pegando o exemplo do próprio texto o peixe continua não vendo a aguá.

    Agora voltando a alguns pontos sobre racismo e escravidão

    A exploração de um ser humano por outro é algo natural na nossa historia e não e relacionado necessariamente com raça, apenas com ela é mais fácil criar uma separação entre nós e eles, e assim insensibilizar para o sofrimento alheio. Uma outra coisa que funciona é esconder a sofrimento dos olhos, como no caso da fome na Africa, niguem vê logo não fica mal por isso.

    EX-escravos se utilizavam de escravos, capitães do mato eram negros, o problema é da essência humana, sem essa de homem branco mal, eu não sou culpado nem pelo que meu pai faz imagina por coisas que aconteceram a 1000 anos atras. Em nenhum momento digo que não devemos ajudar as pessoas que devido ao passado estão em condições desfavoráveis agora, mas sem culpa cristã por favor. ( Eu sei que não está no texto homem branco mal, mas essa visão é sempre presente, e a culpa cristã mais ainda)

    A escravidão aqui era no minimo diferente da dos EUA, as crianças de senhores de escravos eram criadas por negros, existia muito mais contato entre branco e negro no Brasil, tanto que existia uma maior ascensão social aqui, eu imagino que muitos escravos tinham uma vida boa aqui sim, melhor pelo menos do que a um trabalhador assalariado. (minha conclusão depois de ler as Raízes do Brasil)

    SOBRE COTAS: Alex veja esse video e me diga o que acha por favor, http://www.youtube.com/watch?v=hMRZk2D8psk
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    No mais:

    Não faz sentido concordar com esse texto e ta ai no made in china

    • André Vinícius

      “Qual a diferença entre a escravidão de antes e a atual? ”

      Apesar de ambas repugnantes são bem diferentes. Começando que a escravidão moderna é crime punido pelo direito internacional e a escravidão antiga era considerada direito de propriedade privada.

      Os castigos, as formas de obtenção de escravos, as torturas, etc., são diferentes.

      “Você usa algum produto da China? Se a resposta é sim parabéns você é hipócrita, ou talvez apenas nada questionador.”

      Não são todas as empresas chineses que utilizam trabalho escravo. Mas mesmo que fosse então as empresas ocidentais são cúmplices da escravidão e por isso o certo seria não usar o produto de nenhuma empresa que se utilize de trabalho escravo. Típico preconceito de quem acha que o ocidente é o ápice da civilização e as outras nações os povos bárbaros. A Zara recentemente foi acusada de utilizar trabalho análogos a escravidão, empresas brasileiras também, etc.

      O fato de ele falar de um tipo de escravidão não significa que ele despreze os outros tipos e mesmo que ele utilize produtos chineses a argumentação dele continua vaga, pois a vida é dele e ela não está em discussão aqui. As pessoas precisam parar de atacar a vida do autor e se focar nos argumentos do texto.

      “A exploração de um ser humano por outro é algo natural na nossa historia e não e relacionado necessariamente com raça…”

      Tá, e daí? O fato de algo ter sido feito com naturalidade no passado não significa que ele foi menos grave, pedofilia, torturas, estupros, etc., foram permitidos em certos casos como natural e nem por isso eram ações morais ou menos repugnantes.

      A escravidão em outros ovos podem não ter sido por critérios raciais, mas a escravidão europeia foi com critérios raciais exclusivamente, então não entendi onde você quis chegar. Um branco não poderia ser escravizado aqui, pois escravos não eram considerados pessoas.

      “EX-escravos se utilizavam de escravos, capitães do mato eram negros, o problema é da essência humana, sem essa de homem branco mal…”

      Ninguém disse e ninguém diz que os brancos são maus, o problema de vocês é que você criam um argumento atribuem ele a outros e começam contra-argumentar o que vocês mesmos criaram.

      O fato de na África também ter escravidão, de ex-escravos terem escravos não torna a situação menos grave, ou mais justificada. Na Europa e nas Américas o governo era branco e ele institucionalizou a escravidão, se vivêssemos na África questionaríamos a escravidão que ocorreu por lá, mas não moramos lá.

      E outro erro é vocês acharem que negros são tudo iguais e não são. Na África existem várias tribos e povos que não tinham nenhum laço de parentesco, mesmo tendo a pele negra e por isso eles viviam e vivem em conflitos.

      “existia muito mais contato entre branco e negro no Brasil”

      Mas o Brasil continua sendo um país extremamente racista tão ou mais que os americanos.

      “eu imagino que muitos escravos tinham uma vida boa aqui sim, melhor pelo menos do que a um trabalhador assalariado.”

      Não, não era mesmo. É só ler as falas dos abolicionistas, parlamentares da época, as fotos (como a última) que verá que a escravidão era imoral.

      • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

        “Mas mesmo que fosse então as empresas ocidentais são cúmplices da “escravidão e por isso o certo seria não usar o produto de nenhuma empresa que se utilize de trabalho escravo. ”

        é basicamente isso que eu quis dizer…, o governo chines ta cagando para sua população, as leis trabalhistas de la são ridiculas, e quando a fome esta presente se sujeita a tudo, muita gente vive apenas para trabalhar, seria uma escravidão baseada na subsistência dos necessitados.

        “E outro erro é vocês acharem que negros são tudo iguais e não são. Na África existem várias tribos e povos que não tinham nenhum laço de parentesco, mesmo tendo a pele negra e por isso eles viviam e vivem em conflitos.”

        Vocês quem cara palida? não lembro de ter vindo falar em nome de um grupo, generalização bem triste essa, eu sou o que um neonazista estuprador? E sim eu sei que são diferentes, e nem precisa muito esforço pra isso só olhar um pigmeu. E graças a essas guerras de tribos que foi tão facil escravizar do jeito que foi, como por exemplo ser natural o uso de escravos de tribos derrotadas.

        “Ninguém disse e ninguém diz que os brancos são maus, o problema de vocês é que você criam um argumento atribuem ele a outros e começam contra-argumentar o que vocês mesmos criaram.”

        Primeiramente eu deixei explicito que isso não está no texto, e eu falei isso porque o texto é pura culpa cristã:, meu antepassados foderam com alguém e eu também sou culpado, ou tenho que me envergonhar por isso. Olha e eu nenhum momento falo que não devemos ajudar os negros, eu sou a favor de ajudar a pessoas em dificuldades, e se os negros estão nesse grupo bora ajudar eles, mas não ajudar por que um dia eles foram explorados pela população antiga do país onde vivo.

        “”eu imagino que muitos escravos tinham uma vida boa aqui sim, melhor pelo menos do que a um trabalhador assalariado.”

        Não, não era mesmo. É só ler as falas dos abolicionistas, parlamentares da época, as fotos (como a última) que verá que a escravidão era imoral.”

        De fato aqui falei merda bonito, trocar muitos por alguns, muitos da entender que era mais da metade o que realmente não é, e escravos por negros, nem todo negro era escravo, e ainda assim tinham escravos que não eram necessariamente muito explorados, mas isso é em qualquer cultura escravocrata não só no Brasil, e sim a maioria se fodia.

      • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

        Falei que o texto é culpa cristã, mas isso não significa necessariamente que ele é ruim

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        nao sei vc, mas eu sou bem ateu.

      • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

        e eu gosto de bacon

      • André Vinícius

        “Vocês quem cara palida? não lembro de ter vindo falar em nome de um grupo, generalização bem triste essa, eu sou o que um neonazista estuprador?”

        Onde insinuei que você é um neonazista?

        “…e escravos por negros, nem todo negro era escravo, e ainda assim tinham escravos que não eram necessariamente muito explorados…”

        Nem todo negro era escravo, mas todo escravo era negro e todos em algum momento da sua vida foram.

      • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

        “Onde insinuei que você é um neonazista?”

        auauhahuahu, referencia a um post de uma mulher no outro texto do alex, pode desconsiderar isso

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      minha opinião sobre o vídeo é a mais baixa possível.

      • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

        Desconsiderando a piração do cara sobre cota em colegio particular, mais por ser inviavel, do que por funcionar ou não, Nos concordamos em discordar…

  • rudy

    Porque você não citou o bigodinho do Hitler no texto Alex? Não sabe a importância dele na contextualização do Holocausto? E a Rainha de Sabá? Você não sabia que ela tinha escravos?Logo não se pode culpar os portugueses que “apenas” sistematizaram e lucraram com uma instituição que já existia, assim como temos logo de libertar o Fernandinho Beira – Mar afinal ele não inventou o tráfico de drogas, o Pablo Escobar, coitado, um injustiçado histórico!

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    coisas q se aprende nas caixas de comentários: meu artigo longo e elaborado sobre memória da escravidão no brasil não vale nada porque eu não falei sobre as condições de trabalho na china contemporânea, sobre a escravidão no brasil de hoje, sobre a escravidão de roma antiga, sobre a escravidão interna na áfrica antes dos portugueses. é isso, ou esqueci mais alguma coisa?

    • Nena

      Vc fez um paralelo com o holocausto, até mesmo no título. Então vc isolou um fato, usou outro para se embasar, e as pessoas estão se valendo da mesma ferramenta. Parece justo.

  • Leitor do PdH

    “(Por si só, a escravidão é mais antiga que andar pra frente. Todos os povos de todos os continentes de todas as épocas já tiveram algum tipo de escravidão, mas quase sempre cerimonial e economicamente insignificante.)”
    Isso é um papo de vigarista intelectual. Quer dizer que a escravidão na Grécia, em Roma, no mundo árabe, na África era apenas “cerimonial e insignificante”? Você está brincando com o sofrimento dos milhões de pessoas que viveram aquela realidade?Você sabe do que viviam os reinos africanos? O Ashanti, os Oyo, o império Songhai, o Dahomey, o Imbangala, isso só para citar alguns. E só para te avisar, porque é patente que o seu conhecimento sobre história parou em alguns séculos, há estimativas de historiadores consagrados provando que o comércio de escravos africanos no mundo árabe foi consideravelmente maior do que o praticado pelos europeus.
    Não é que você “não falou” sobre X (escravidão nos outros países, escravidão árabe, povos, etnias, genocídios praticados pelos governos comunistas – que aliás mataram um número maior de gente do que o escravismo na África e é um assunto beeeeeem recente).
    Você nunca falou sobre isso! Em nenhum dos seus panfletos você falou A ou B sobre tais assuntos, e não vai falar, porque não convém aos teus objetivos ideológicos manter a memória das pessoas bem atenta a esses fatos. Isso você acha melhor que nem saibam, e se souberem, que esqueçam logo. Você pensa que está enganando a quem? Você pensa que todos os leitores aqui do PdH são aqueles crentes fanáticos leitores de Lola, que dizem amém a tudo que ela escreve?
    Você pensa que todo leitor daqui do PdH é um potencial militante do PCO, PSTU e afins?

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      ai q meda.

  • Leitor do PdH

    “A escravidão africana nas Américas é um novo tipo de fenômeno humano porque, pela primeira vez, temos nações economicamente dependentes de milhões de escravos que compõem muitas vezes a maior parte de suas populações.)
    Pela primeira vez? O seu diploma de “história” veio na paçoca? Comprou na 25 de Março? Quer dizer então que o escravismo em larga escala foi uma “invenção” dos europeus da Idade Moderna? Legal, ao longo das gerações, Roma teve uma variação entre 25 e 40% da população total na condição de escravos, mas isso é perfumaria, né, a economia de Roma não dependia em nada dos escravos, especialmente depois das Guerras Púnicas… Os reinos africanos de 1100 a 1900 d.C. tinham uma taxa que variava entre 10 a 90% da população total na condição de escravos, isso sem contar os que eram vendidos aos escravistas europeus e aos árabes. Imagina, 90% da população de algum reino africano era escrava, mas a economia de tal reino não dependia da escravidão, é só a economia do homem branco mau que fazia isso…
    Você realmente cita muita coisa verdadeira em seus textos, mas apenas para reforçar o ponto de vista mentiroso que você vai colocar logo depois, a interpretação radical, a desinformação e seus métodos, como o apontamento de “culpados”, a estereotipagem, o apelo ao medo… Você veio aqui para o PdH com o óbvio intuito de fazer deste site um canal para espalhar os seus textos com propósitos desinformativos, talvez para “aparecer mais” e ganhar tweets de militantes de esquerda, que pagam aí de engajados contra o capitalismo, mas estão todos de bobeira no tweeter, no facebook, no note que o papai pagou.
    “Mas não foi nem de longe o único horror perpetrado por europeus em sua longa história de horrores.”
    Aqui você se caguetou, você é um racista enrustido! E não vem com papo furado dizendo que não, que não foi isso que você quis dizer, que eu pus palavras no seu texto, que eu interpretei errado o que você quis dizer e blablablá. Aqui você demonizou a história dos europeus e resumiu a história desse povo a “uma longa história de horrores”. Como se os outros povos fossem mais humanos, como se os africanos fossem melhores pessoas, como se o mau da Humanidade fosse o homem branco. Pode falar que acredita nisso, muita gente da sua ideologia de extrema-esquerda já o disse antes, e ao menos foram mais sinceros, não ficaram se escondendo em joguinhos de palavras. Muito correligionário seu já disse que era melhor para o mundo que o homem branco fosse exterminado, que as crianças brancas deveriam redigir redações com o tema “eu sou culpado(a) por ter nascido branco.”, já falaram que a raça branca era o câncer da Humanidade, que a raça branca deveria ser destruída, que as mulheres brancas deveriam ser estupradas.
    Você “vestiu a camisa” desse pessoal! Agora está mais do que provado o seu objetivo aqui neste site e todo mundo deveria parar de perder tempo tentando argumentar contigo. Você só está com esse lero lero hoje, querendo se passar por bem intencionado, porque você e seus cupinchas já foram refutados 500 mil vezes antes quando dizia que a “raça branca é opressora, tem culpa por X ou Y, deveriam pagar indenizações, deveria ter vergonha de ter nascido”. E militante de esquerda é que nem bactéria patogênica, esta recebe uma dose de antibióticos, sofre mutação e depois volta a causar transtornos mas de outras formas, ficando imune ao antibiótico anterior. Vocês, de esquerda, botam uma idéia-fixa na cabeça e passam a defendê-la primeiro dos modos mais baixos possíveis, recebem uma dose de argumentos contra, são refutados e mudam o discurso, mas o objetivo permanece o mesmo.

    Com as cotas foi exatamente assim, começaram dizendo que a raça branca tinha uma dívida histórica com o povo negro, depois mudaram dizendo que era uma dívida dos ricos com os pobres, e como a maioria das pessoas em condição de pobreza é negra, era também uma dívida do branco com o negro, agora estão dizendo que é uma dívida do Estado brasileiro com o povo negro…

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      gente.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      o sujeito diz q é perda de tempo argumentar comigo e escreve dois comentários que demoraram duas horas pra ser escritos…

      • Leitor do PdH

        Duas horas? Eu levei menos de 20 minutos para escrever essa lauda inteira. Essa sua forma de “argumentar” é manjada demais, então é fácil redigir a ela uma réplica rapidamente. Por isso não me preocupei em fazer citações, apontar bibliografia e corrigir eventuais erros gramaticais, afinal, como não há nenhum intelectual aqui presente, eu não me preocupei em deixar o meu texto conforme esses rigores.

    • http://www.facebook.com/kindlein Acauã Kindlein

      Eu dei positivo pro teu comentario, massssssssss

      “E militante de esquerda é que nem bactéria patogênica”

      “muita gente da sua ideologia de extrema-esquerda já o disse antes”

      velho nesse tipo de coisa que se perde a credibilidade, pré supostos assim

      • Leitor do PdH

        Eu sei que radicalismo não é coisa apenas da esquerda, mas, no caso, eu estou me referindo, e isso está pressuposto no meu texto, à extrema-esquerda. Corrente ideológica, aliás, que fez o pensamento do Alex Fidel Castro, o “digníssimo” autor do panfleto que estamos comentando.
        Não tenho problemas em apontar fontes as citações odiosas às quais eu me referi foram proferidas por gente que nem Susan Sontag, Kamau Kambon, Noel Ignatiev, membros dos Black Panthers. E vai me desculpar, mas essa gente não é nem centrista, muito menos de direita… Ao menos foram mais sinceros e coerentes dizendo, sem fazer rodeios, o que pensavam, que eram racistas mesmo e não ficavam se escondendo em joguinhos de palavras covardes no intuito de disfarçar o ódio que sentiam pela raça branca como fazem alguns…
        Mas, para citar, pude observar que, em suas ilações, você captou muito bem um dos recursos do Alex, ele age mesmo como um religioso praticamente dizendo que “os nossos antepassados” foram uns pecadores malditos e hoje devemos expiar as culpas deles nos ajoelhando perante o “povo escolhido” pelo Alex Castro. E tem gente batendo palmas para isso…

    • http://www.facebook.com/gustavoducka Gustavo Augusto R. Abreu

      O pobrema dos textos do Alex Castro é esta constante vitimização das mazelas sociais na costa dos outros. È algo que chega a dar nojo, e que ainda perdura em paises que tiverem forte influência de regimes totálitarios

  • Diego Barrionuevo

    Pois eu não dispenso os beijos, cara. Não dispenso os beijos, não dispenso os abraços Dispenso os preconceitos, a falta de educação, a falta de empatia.

    Nossa! O texto eh fenomenal! Eh longo e cada novo paragrafo eh um tapa na nossa letargia.
    Eu só queria fazer um comentário Sou equatoriano e meu pais, como praticamente o resto da America do Sul foi colonizado pelos espanhóis No seu texto vc cita uma fonte que calcula em 1, 6 milhões os escravos que a Espanha trouxe pra cá, porem, isso não faz com que ela tenha sido de fato, diferente de Portugal. A colonização espanhola foi cruel e barbara e as suas marcas estão presentes ate hoje principalmente nos filhos e nos filhos dos filhos daqueles que outrora foram donos da terra. Eles escravizaram o povo americano. Milhões de indígenas arrancados das suas tribos e deslocados através dos Andes e das selvas a regiões distantes para ai serem engajados em trabalhos desumanos, exaustivos e eternos. Não raro a gente se topa com relatos antigos de suicídios bebendo um liquido preparado a base da raiz e folhas da macaxeira, de pais matando filhos para não terem que suportar o jugo da escravidão e dos mais diversos e inimagináveis jeitos de torturar, quebrar e destruir o corpo e a alma de um povo tao altivo e orgulhoso.

    Em resumo, acredito que todo o período colonial da America lusa ou hispana foi uma sucessão de sadismo e maldade alem da necessidade e da compreensão.
    Recomendo que faca uma viagem a Quito, primeira cidade a ser declarada Patrimônio Cultural da Humanidade e visite seus museus e analise, se for do seu interesse, como a Espanha sustentou um Império a base do trabalho escravo. Quem sabe e vc se inspira e nos presenteia com outro texto primoroso a altura desse aqui. Um texto que faca que meus irmãos brasileiros conheçam também as coisas que aconteceram alem do seu quintal.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000169026699 Michel Colombo

    DEMAIS! Curti pra caralho!

    Me peguei pensando durante o texto se realmente o escravismo foi igualmente semelhante ao holocausto. Bom, isso não é mensurável acho eu… mas a última foto, do escravo com as costas dilaceradas e a foto que postaram no Facebook (barco negreiro) me faz pensar que no mínimo foi igual.

    O mais foda é que nunca chegamos a compara-los. Sempre nos impressionamos com o Nazismo e suas atrocidades, mas não chegamos nem perto desse sentimento quando falamos sobre a escravidão

  • Ney Gomes

    Parabéns pelas reflexões… há incorreções históricas pontuais, mas é um texto muito bom.

    No Brasil o racismo está tão internalizado, tão arraigado no “ser brasileiro”, que tem produzido um fenômeno desgraçado. Muitos negros hoje são impingidos a ter vergonha de serem negros… têm vergonha de usar o direito cidadão das cotas. Há uma camada da população que quer culpar os negros pobres deste país por serem “cotistas” e ser “cotista” passou uma ofensa.

    Já ouvi alguém dizendo: “seu cotista de merda”, pra um aluno de ascendência negra e me pergunto, de onde vem isso.

    Há coisa que tenho dificuldade de entender: pobre contrário a contas (e essa “culpa” tem produzido esse fenômeno), mulher que apanha pela segunda vez do mesmo cara (quando a sociedade vai entender que não se pode perdoar a primeira agressão, pois a segunda pode ser fatal) e gay de direita (um gay que vota no PFL ou no PSDB pra mim é um paradoxo).

  • Ney Gomes

    só um P.S.: Eu não dispenso o beijo… rssss

  • Ney Gomes

    mais um P.S.: Eu sou arqueólogo e conheço a arqueóloga que coordenou as escavações na área do porto do Rio e no centro histórico. Caso queiras o contato, podes dar sugestões relacionadas à expografia.

    A Arqueologia tem dado contribuições significativas à história da escravidão no Brasil, à medida que tem contado o que os documentos esconderam. A cultura material tem revelado aspectos interessantíssimos deste nosso passado e têm-se discutido muito e produzido muito também. Já li outros textos teus onde te defines um estudioso do tema, mas nunca vi nenhuma referência a trabalhos arqueológicos, acho que seria uma maravilhosa contribuição à tua pesquisa.

  • Rafael Sousa

    A uns dez anos estava dirigindo rumo à delegacia mais próxima para dar queixa do roubo do carro do meu irmão. Na ocasião tinha acabado de completar 20 anos. Estávamos eu, ele e um amigo dele de faculdade, que eu não conhecia e que, por sinal, era negro. No meio dos comentários sobre o assalto eu soltei um “neguinho roubou por que queria…”. Percebi na hora o constrangimento do rapaz com meu comentário e até hoje me sinto envergonhado e incomodado por não ter pedido desculpas. Fiquei pensando em quantas vezes ele deve ter se sentido da mesma forma com expressões como aquela em todo tipo de ambiente. Ser negro nesse país não deve ser fácil não.

  • http://www.facebook.com/Paulosteffano Paulo Stéffano

    A verdadeira cura para essa desigualdade, a cura mais justa e incondenavel seria a igualdade de acesso a educação, quando branco rico e o negro pobre tiverem semelhante qualidade de ensino, independente da escola ser publica ou particular, estaremos indo de encontro ao objetivo feliz.

  • http://www.facebook.com/gustavoducka Gustavo Augusto R. Abreu

    Espero o dia que as injustiças sociais no Brasil possam ser resolvidas com a reforma da educação, cotas sempre foi e sempre serão medidas paliativas de curto prazo. Não tenho nada contra quem defende cotas, mas negar a responsabilidade do estado em oferecer educação de qualidade pra todos, em prol de medidas “tapa-buraco” é muita burrice.

    A escravidão foi terrivel, mas este texto aí tá cheio de equivos, a escravidao foi um lado negro de toda a humanidade até o Séc XIX em muitos paises, inclusive de maiorias não caucasianas.

    Um belo texto pra se sentir vitima da mazela dos outros e não atrair pra si as suas responsabiidades, coisa que brasileira folgado adora.

  • renato

    muito bom. apesar de extenso, é um dos melhores textos que li do alex.
    interessante que nunca tinha parado pra pensar nessa maneira tão irrefletida com que a gente fala da escravidão. holocausto a gente já associa a sofrimento, mas escravidão não é bem assim. por algum motivo a gente não se coloca no lugar do cara que foi arrancado à força da áfrica. não vê como algo horrendo, mas como algo que passou.

  • Júlio Reis

    Bom, interessante o texto, porém penso que algumas comparações não tem fundamento. O holocausto em sua época, era considerado uma barbaridade para qualquer cidadão comum, senso médio. A escravidão em sua época era um costume, costume este que já exisitia em épocas romanas, gregas. Então fica bem complicado colocar os 2 no mesmo saco. Ambas são horríveis hoje, é fato, mas precisa-se contestualizar. Outro ponto que me causou estranheza. Um forte português é um monumento bonito, um campo de concentração não. Então a beleza está na construção e não para que ela serviu. Sendo assim, qualquer beleza natural brasileira remeteria ao massacre dos índios que tiveram suas terras invadidas e foram massacrados ( olha aí outro problema além da escravidão). O mais importante que me alarmou foi comparar o Brasil aos EUA quanto ao racismo. Fortemente acredito que no Brasil existe muito mais um preconceito social ( ricos e pobres) do que racial. Enfim para terminar e contrapor o texto cito Morgan Freeman um americano negro, “Acabar com o racismo parando de falar sobre ele” http://www.youtube.com/watch?v=tNEoIo3XMws

  • Pedro

    alex, tem referências sobre como funcionava a escravidão africana? Você falou do Orlando Patterson em algum lugar, teria alguma em português? Um argumento implícito em quem fala da escravidão africana é a de que pros africanos já era natural. As pessoas não entendem, ou não querem entender, que era outro sistema e que a procura portuguesa acirrou o comércio de escravos na própria África. Ajudaria muito, obrigado.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      cara, o alberto costa e silva tem varios livros lindos sobre historia da africa. pode ler sem medo.

  • nelson dos santos

    Parabéns. Adorei! Este país é onde a hipocrisia impera.

  • Juliano Cangussú

    Alex, concordo com você que há a obrigação de reconhecer e tentar curar a enorme discrepância entre os brancos e os não-brancos no Brasil, herança do nosso lamentável passado escravagista . Mas as cotas raciais não seriam apenas paliativas? Continuar, assim como nossos antepassados escravistas, dividindo a sociedade em raças e tratando de maneira claramente desiguais? Não vejo um futuro promissor para as cotas raciais, só a emergência de uma opinião, ao meu ponto de vista ignorante, que algumas raças são mais capacitadas e tem mais mérito em suas realizações que as outras.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      tentar resolver as desigualdades e injustiças dos nossos antepassados escravistas não é ser como eles, não… é justamente tentar ser melhor que eles. tentar superá-los. não existe “raça mais capacitada”. biologicamente falando, não existem nem mesmo raças.

  • http://twitter.com/melank_s Sideshow Bob ~(˘▾˘~)

    Sensacional o texto!

    • Leitor do PdH

      Olha aí mais uma vítima de desinformação querendo se vender como a pessoa mais sabichona e informada da face da Terra…
      Você se surpreendeu com os citados comentários? E não se surpreendeu com a sua flagrante falta de conhecimento sobre o assunto, que fica provada quando você diz “fora que se algumas etnias africanas já se escravizavam”…
      Não é “se”, mas sim AS TRIBOS AFRICANAS JÁ SE ESCRAVIZAVAM! Na África já havia um sistema escravista firmado nos reinos e isso recrudesceu com a expansão do Islamismo na África e depois com o tráfico transatlântico. Somente lesados pensam que isso “é coisa do homem branco mau”. Podem bater os pés você e o Alex Fidel Castro, chorarem, chamarem as respectivas mamães, mas NÃO VÃO MUDAR OS FATOS! Contra fatos não há argumentos!
      Você também precisa ser mais honesta no seu pensamento, primeiro você desacredita um fato lançando dúvidas sobre ele “se as etnias já se escravizavam”, depois você o relativiza “eram por motivos completamente diferentes”. Você sabe definir o quanto eram realmente diferentes esses “motivos”? Faça isso, já que se acha tão esperta a ponto de dizer que o resto da sociedade, excluindo você e o Alex Fidel Castro, é hipócrita e preguiçosa. E fora que os “motivos” da escravidão praticadas pelos africanos também não a legitimam, você deveria saber disso, e você deveria saber o porquê de tanta gente citar a escravidão africana aqui. Eu por exemplo não comungo do pensamento religioso do Alex Fidel de que a raça branca é “opressora”, ele fala como se fosse um pastor dizendo que os nossos antepassados foram pecadores amaldiçoados e nós precisamos “expiar essas culpas” sendo devotos do pensamento Alex Fidel Castrista e jamais questioná-lo. Também recomendo cautela ao sair definindo a sociedade como preguiçosa e hipócrita, na maior parte dos casos, é o próprio acusador o preguiçoso e hipócrita…

      Sem mais.

      • http://twitter.com/melank_s Sideshow Bob ~(˘▾˘~)

        blablablá whiskas sachê

  • Régis
  • Valongo

    huahaha mais um texto babaca do alex castro!

  • Michel Pereira

    Tenho feito pesquisas sobre o passado da minha família e quanto mais eu leio, mais entendo o quanto o Brasil não conhece seu passado e até mesmo os negros não sabem como chegaram aqui.

    Se todos entendessem um pouco mais como que chegaram aqui ficariam chocados e envergonhados de querer manter esse padrão europeu tão admirado pelos brasileiros.

  • Gabriel Rubens

    São muios textos bons aqui no PDH, mas esse foi o melhor que já li.

    Muito legal ver uma opinião com fatos, links, filmes, videos, matérias, imagens e tudo mais.
    Impressionante, é o tipo de texto que eu deveria ter visto nas aulas de história que nem de perto mostram como foi o nosso passado.

    Cara, sem palavras!

    Parabéns.

  • Welington Leal

    O racismo ainda existe no Brasil no pensamento de muitas pessoas que se imagina superiores e melhores que todos a sua volta. Que suas vontades e expectativas são primordiais em relação aos outros.

    O brasileiro esquece tudo de quinze em quinze anos, como disse Ivan Lessa. Nas aulas de história o fato é citado, contextualizado e acabou.

    Quando as escolas da periferia são esquecidas e a policia é a unica representante do estado nas localidades pobres, é o racismo brasileiro.

    Mas Alex, qual a sua idéia para mudar essa situação. Vc só analisa e coloca luz nos fatos.

  • Steffani Lungs

    Belo texto, Alex, a comparação da escravidão com Auschwitz faz pensar muito, realmente…

    Obrigada por essa reflexão, a imagem final, então, dá um nó no estômago, a escravidão no Brasil é algo assustadoramente recente para ser tratada como se “nunca tivesse existido”…

    Ou como atração turística…

    E como os outros recusaram os beijos, fico com eles!

    Beijo pra você também!

  • Rodrigo D.Gouth

    Quando surgiram as cotas em algumas universidades eu estava exatamente no 3º ano do Ensino Médio. Todo mundo desaprovava minha decisão de não querer usar as cotas. Ou minha chamava de burro, como colegas de classe, ou diziam “ah, acho que você tem que pedir sim”, “pode ser errado, mas é seu direito, não é um crime usar”, como alguns professores. Eu estudei minha vida inteira em colégio particular. Se não tivesse bolsa, não teria como pagar, mas graças à ela eu tive a condição de ter um nível escolar que me capacitasse a passar à faculdade pública. Por mais que minha cor revele uma descendência de um povo injustiçado, eu, como indivíduo, felizmente, em relação à escola – apesar de não participar de alguns programas externos pagos com os meus amigos – não fiz parte dessa grande parcela da sociedade que ainda sofre as consequências da época escravidão. Além de não concordar com as cotas raciais, o que eu percebia é que grande parte das pessoas (ao menos ao meu redor) não refletiam sobre a importância ética dessa medida, mas queriam se aproveitar dela e, de repente, todo mundo queria ser negro. Eu, moreno escuro, filho de negro, era inadmissível aos outros não “aproveitar a chance”. Apesar da relevância em ter uma população negra com nível superior empregada em grande quantidade e do racismo ainda existir nas mais sutis relações do cotidiano – que só quem é negro, mulato, pardo sabe -, não deveria hoje haver cotas para negros ou índios, mas para famílias de baixa renda.

    Sobre a questão da escravidão ser esquecida, e ainda mais em comparação ao nazismo, acho que as pessoas realmente não são ensinadas como deveriam. Como você falou, a escravidão é passada na escola como empregados que não ganhavam salário e apanhavam de vez em quando. É realmente passado de forma muito superficial. Somado a isso, hoje vemos notícias de pessoas que são mortas das mais brutais formas todos os dias. Porém, são tantas e passadas tão rapidamente pelos jornais, que acabamos esquecendo e reclamando um pouco mais ou um pouco menos, conforme o impacto delas. É o imediatismo. Logo, acho que isso torna a compreensão e a vontade de refletir sobre a escravidão mais difícil.

    Se você quiser fazer um teste social, pergunte às pessoas quais palavras causam maior impacto (por menor que seja) ao serem faladas: primeiro, escravidão, depois, sequestro. Em geral, respondem sequestro, porque faz parte das notícias do cotidiano.

  • Pingback: Babás e empregadas domésticas: relações que perpetuam racismo e machismo

  • Cesario

    “Não faz sentido chorar assistindo A Lista de Schindler e depois ir espairecer tomando o milkshake do Senzala.”

    Bravo!
    Excelente texto!
    A abolição da escravatura data de 1888, apenas 51 antes do início da Segunda Guerra Mundial, o auge do Nazismo, nossa memória não pode ser mais viva de uma história que não nos pertence do que aquela que vivemos por nossos antepassados, pois grande parte de nós descendemos desse povo que foi escravizado e também do que escravizou.

  • Lola Trentin

    Sim os americanos pedem desculpas pela escravidão dos africanos mas esqueceram de pedir desculpas pelos campos de concentração para japoneses ,aliás qualquer descendente japonês naquela época (2ª guerra mundial) era colocado nos campos de concentração americanos ,tão horríveis quanto os campos alemães,eles colocaram milhares de seus próprios cidadães neles ,bastava ter um olhinho puxado ,só que essa parte eles esqueceram ,para seu próprio conforto eles esqueceram.Então não acho que qualquer americano possa abrir a boca para falar de holocausto ,já que que eles também fizeram parte disso .

  • Pedreira

    A sutileza dos carrascos escravagistas brasileiros é querer buscar em outras pragas justificativas para seus crimes. O autor narrou sobre a escravidão brasileira, logo devemos opinar sobre a nossa vergonhosa escravidão e nao fugir do assunto.

    A escravidão deveria ser julgada como crime contra a humanidade…me revolta ver os brancos tomarem posse na maior, da nossa cultura, religião, etc, causa-me espanto quando vejo “mãe de santo” loira, feias quanto as bruxas imitando as nossas santidades…enfim é por ai…

  • Damaris

    Auschwitz fica na Polônia!!!

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      e…?

  • nick belane

    mais um textinho esquerdopata dos esquerdoides do papodhomem

    esse portal virou um lixo

    só babaca ignorante ainda acredita em teorias furadas de teóricos e sociólogos lunáticos

  • henry chinaski

    no dia dos escravos não esquecer de falar sobre os milhões de escravos brancos que existiram durante grande parte da história humana e por que eles conseguiram progredir em sociedades muito mais ingratas que a atual sem nenhuma cota racial

    acho que o governo deveria dar cotas pros brancos também, pois estes também já foram escravos, e além disso ainda criaram as civilizações mais avançadas de todos

    sem esquecer dos asiáticos q tiveram um número bem maior de escravizados só na mão de Mao Tse Tung, eles também precisam de bolsas!@@@@!!!!!!!!!!!!

  • Thuane

    Obrigada, Alex!
    Este texto me fez repensar sobre muitos conceitos enraizados na minha cabeça.

    Ao terminar de ler, estava com os olhos marejados, mas com uma certeza de que há uma esperança, que há pessoas que ‘dispensam’ o tempo para abrir a mente de outras.

  • Jonathan

    Interessante o texto, embora não concorde com algumas partes, principalmente no que se refere as cotas raciais… Não discordo que ainda há racismo e que os horrores da escravidão (e não só dela, mas de tantos outros horrores do mundo) foram apagados da memória popular.

    Porém não creio que a criação de cotas raciais seja a solução dos problemas (cotas sociais, a meu ver são necessárias). Além de uma possível discussão sobre o real papel das cotas, passado e presente, em uma disputa de importância entre o fenótipo e genótipo. Sinceramente não gosto de nosso sistema de ingresso em universidades atual, porém não consigo pensar em outro.

  • http://www.facebook.com/vininic Vinicius Nicolau

    Texto sensacional, tapa na cara mesmo.

  • Maira

    um dos melhores textos q já li! Parabéns!

  • Max

    Sempre leio os textos de vocês. Estou pasmo com a qualidade deste! Muito bom, mesmo!

  • http://www.facebook.com/pcloppez Paulo Cezar Lopes

    Parabéns Alex, sua sobriedade para falar sobre o assunto, me inspirou. Sou formado em historia e estudante de direito, e assíduo leitor de seus textos.

    Alem de concordar plenamente com sua visão, desenvolvi um artigo acadêmico explicitando o tema das cotas, mas muito alem disso, apoiando em um contexto de omissão jurídica, onde alem de não combater toda a situação, reforça o racismo pré-existente.

    Obrigado pela Inspiração.

    Abs!

  • Eduardo

    Só mais um aproveitador. Mas tudo bem, porque a elite mais suja e corrupta do mundo merece ser contraposta por aproveitadores mesmo, e quem chora no final são os descendentes de alemães, italianos e japoneses que embalam essa terra com uma eficiência três vezes maior e tem de aturar ela ser disputada por aproveitadores da linhagem histórica.

  • Eric Justino

    .Em Recife há Motel Senzala, Edificio de Luxo no Bairro de Casa Forte também chamado Senzala, em SP há um restaurante na Pça Panamericana de nome Senzala…
    É o fetiche da elite brasileira por um dos tempos mais trágicos do povo negro. Gostaria de perguntar a quem frequenta essas “senzalas” se lhe agradariam fazer um estágio de um século nas originais.

  • http://www.facebook.com/alessandro.campos.73 Alessandro Campos

    Excelente texto!

  • RICARDO DE SOUZA

    TODO ESSE TIPO DE MATÉRIA DOI NA ALMA….TROCARIA TUDO QUE TENHO POR UMA TARDE DE CONVERSA COM SOCRATES… E SABER QUE A ESCRAVIDÃO É AINDA HOJE ENRAIZADA EM ALGUMAS PESSOAS…

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  • Nanda

    Muitíssimo obrigada!

  • Bárbara Nór

    Nessa linha de restaurantes chamados Senzala, penso no “Divino Fogão”, que busca evocar a velha fazenda paulista, e coloca sempre mulheres negras vestidas à la Tia Nastácia servindo ali na frente… não tem nada de mais explícito além disso, mas algo sempre me perturba nesse lugar…

  • Gabriel Melo Mizrahi

    Acho que não se pode confundir duas coisas diferentes, o que comumente se faz. A história precisa ser sempre contada e recontada nos mínimos detalhes. Lembrar sempre para não repetir, e com o respeito necessário, é claro. O nojo é o único sentimento aceitável para qualquer manifestação que trata tanto sofrimento com indiferença para alguém minimamente civilizado. Entretanto, a questão do preconceito, apesar ter suas raízes históricas, deve ser vista de maneira um pouco mais pragmática. O preconceito racial existe no Brasil e precisa ser combatido. O que eu não concordo é em querer dividir a sociedade em castas, entre oprimidos e opressores. Isso é que gera mais preconceito e mais rancor, não ajuda em nada. Se existem mesmo raças, e eu acho que existe, o Brasil é o país com mais vira-latas do mundo. Pensar diferente disso pode gerar ainda mais distanciamento entre elas.

  • Julia

    Que texto brilhante. Por coincidência eu só ouvi falar de Shoah há poucos dias e hoje leio esse texto seu. Obrigada, Alex.

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  • Fabiana Santos

    Prezado Alex Castro, amei encontrar seu texto, estava refletindo exatamente nisso e decidi pesquisar algum texto que fizesse essa relação. Por que não se trata com o mesmo horror a escravidão no Brasil como se trata os campos de concentração? São fatos históricos distintos, mas ambos cruéis. Não escravizei ninguém, mas me envergonho profundamente disso e das suas graves consequências. Critica-se com fundamento algumas políticas públicas, como o bolsa família e o sistema de cotas, de fato precisa melhorar muito os processos organizacionais. Mas não fazer nada é pior ainda. Eu não posso querer ensinar a uma pessoa com fome, em situação de miséria, a pescar, justificando que é melhor dá a vara do que o peixe. Eu preciso também dá as mínimas condições de aprendizagem a ela, como, inicialmente, alimentá-la. Na educação formal da mesma forma, precisamos dá condição para que as pessoas que ingressem no sistema de cotas tenham condições para dá continuidade, mas o fato de muitos ou alguns não conseguirem, não justifica não se oportunizar. Conheço pessoas que ingressaram no sistema de cotas, que não conseguiriam entrar na Universidade nem tão cedo se não desta forma, e que hoje estão formadas e são excelentes profissionais, a final nota boa no vestibular não é indicador suficiente que, ao final do curso, teremos um profissional de excelência. Enquanto um outro amigo, por não ter dinheiro pra pagar a passagem do ônibus e o almoço (o curso era integral), não deu continuidade. Todo o sistema educacional precisa ser melhorado. O ideal é que se começasse pela base, nas creches, no ensino fundamental, mas não fazer nada, por enquanto se discute como fazer o IDEAL, é pior ainda! Eu acredito ser mais válido que, ao invés de desprezarmos ferramentas de inclusão social tão importantes para a nossa população, as pessoas se mobilizem como sociedade civil para criar meios que apoiem o fortalecimento das pessoas e para propor melhoras e novos modus operandis destas políticas públicas. Pior do que a falta de memória, mas também resultado dela, é o sentimento de não pertencimento que a maioria dos brasileiros tem em relação ao Brasil. É óbvio que não estou dizendo que as pessoas se tornem esquizofrênicas e saiam por aí dizendo que fez o que não fez, mas que de forma empática e sensata se proponham a construir. Alex, infelizmente as suas palavras é o pensamento de muitos brasileiros: “Oras, se passei a vida inteira sem precisar de nenhuma dessas coisas, é porque não são tão importantes assim, certo? Afinal, dado que eu sou o centro do universo e a medida de todas as coisas, as pessoas só deveriam receber o que eu recebi e as únicas necessidades válidas são as que eu também tenho!”. Pensar desta forma é contribuir de forma indireta para a continuidade das injustiças sociais. Nunca passei fome e tive a oportunidade de ter uma boa educação formal, mas, graças a Deus, esses confortos nunca tamparam os meus olhos e nem congelaram o meu senso crítico e a minha afetividade. O Brasil tem uma dívida histórica muito grande com a população pobre, que é formada em sua maioria por negros e afro-descendentes, e negá-la é crueldade demais.

  • Lucas Corato

    Obrigado pelo texto, abriu-me os olhos e me arrepiou, o que demonstra um pouco, na minha opinião, o grau de complexidade do problema e da profundidade de suas raízes tortas: se eu, que me considerava educado e esclarecido a respeito, ainda me redescubro todos os dias como racista, como posso mudar a sociedade da qual faço parte? Sou também um peixe que não vê a água e acha que está em terra firme?

  • Corvino

    Pra inicio de conversa a escravidão não foi crime uma vez que era um sistema econômico da época e os escravos não eram torturados e espancados como pintam por aí, há relatos de escravos que tinham seus netos e filhos batizados por seus senhores e apadrinhados pelos mesmos. A família do senhor era tratada pelo escravo como a “sua família branca”, ou seja, havia de fato uma relação parental ao menos no que se trata de consideração. Quando os filhos ou netos de escravos ou ex escravos estavam na infância eram enviados para a “sua família branca” para estreitar esses laços e eram tratados em pé de igualdade com os parentes de fato do senhor. Outro ponto a ser levantado é o fato do senhor agredir o escravo fisicamente afim de castiga-lo. Ora meu caro, o escravo era força de trabalho e patrimônio, diga-se de passagem, muito custoso, você realmente acredita que o senhor puniria o escravo e faria defasagem de seu lucro ? Pois um escravo fisicamente debilitado produziria menos e consequentemente seria menos útil como força de trabalho. É a mesma coisa que um empresário ou um industrial sair quebrando suas máquina e afins, simplesmente é um contra senso. Levando agora para o lado econômico do escravo, o próprio não tinha nenhuma intenção de sair do sistema da escravidão, uma vez que ele tinha comida, moradia e vestimenta concedidas pelo senhor, pois era obrigação dele oferecer o minimo de condição de vida ao seu escravo. Além disso o senhor através de acordos com seus escravos os dava liberdade de se inserirem no comércio e acumularem dinheiro, Como os escravos acumulavam dinheiro ? Prestando serviços a terceiros ou trabalhando com oficios de barbeiro, sapateiro, pedreiros….
    E quanto a sua comparação com os campos de concentração da Alemanha e os crimes feitos é pura anacronismo histórico, o contexto era completamente diferente e como dito acima há inúmeros equívocos gritantes em seu texto.

  • José

    Nunca esquecer que os fornecedores de escravos no continente Africano eram “negros”. Já havia uma tradição de escravidão lá muitos séculos antes dos brancos chegarem. Os brancos deram “volume ao negócio”.

  • Kenia

    Alex, parabéns pelo texto, é magnifico!

  • Pedro Aguiar

    Que porrada bem sentida. Valeu a pela ler tudo do início ao fim, sem pular nenhuma linha ou palavra.

    • Pedro Aguiar

      a *pena

  • Mike

    Nunca li tanta palhaçada na minha vida!

  • Paulo Henrique

    Concordo em gênero número e grau com quase tudo que você apresentou, exceto cotas, cotas para estudantes de colegios publicos vindos de educação defasada são validas, mas acho que o sistema de cotas RACIAIS é o maior estandarte camuflado do racismo.
    Ao julgar que um negro precisa de cota, pra conseguir entrar numa faculdade, trabalho, etc, você está automaticamente julgando que:

    Brancos são mais inteligentes então temos que dar uma chance deles terem uma vaga, estudar, se dedicar, e seguir um objetivo com afinco não vale de nada porque ser negro ja praticamente garante uma vaga, com isso estimulamos o subconsciente social de que negros são coitados, e que temos que ter pena deles, e favelados estão apenas reproduzindo a condição que lhes foi dada, quando na verdade, eu que moro no rio de janeiro, cercado de favelas, vejo a maioria dos favelados como acomodados, porque não procuram forma de melhorar, apenas esperam que algo aconteça, tenho amigos negros que se decidiram por estudar, trabalhar e ser alguém na vida, e hoje em dia são mais bem sucedidos do que eu consigo imaginar que vou ser um dia, tudo vai da questão da consciência, se não queremos discriminar, se não queremos oprimir, se queremos igualdade, como colocar um abismo de inferioridade dessa magnitude, tirando a vaga de alguém qualificado, para garantir uma vaga a alguém que nasceu com uma cor diferente? Os horrores da escravidão não podem ser apagados com regalias, e com ‘colheres-de-chá’ ou realmente achamos que nos privar de nossos direitos de ser iguais vai consertar a cagada que foi feita no passado? Não me acho um ícone anti-racismo quando perco minha vaga pra alguém que entra por cota racial, e sinceramente não conheço um de meus amigos negros, que se sinta menos escravizado, menos vitima de racismo, por tirar essa vaga de alguém que realmente estudou pra isso, com todo respeito, negros que se sentem bem entrando em vagas por cota, estão automaticamente se segregando, se julgando burros demais pra competir de igual pra igual, o cérebro humano trabalha igual pra todos, e nao é a cor da pele que define quem é mais inteligente, todos temos o mesmo potencial, desde que decidamos explorá-lo, não podemos abrir brechas para complexos de inferioridade.

    Belo artigo que você construiu, meus parabéns, exceto essa parte de cotas, achei muito interessante todo o material que você apresentou, super bem embasado e as referencias bibliográficas e a filmográficas também são geniais!

  • nicolle

    contra racismo compartilhe…

  • Roberta

    Muito bom. Pequeno detalhe, Auschwitz fica na Polônia e não na Alemanha.

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  • http://www.embricolagem.blogspot.com/ Francisco V. Sampaio Neto

    Cara, você teve aula com o José Antonio Pasta Junior? Conforme fui lendo seu texto fui relembrando aquela que foi a aula mais dura que tive na vida, que falava exatamente do tamanho da dívida que temos com os negros por causa da escravidão.

    Bom o Pasta foi uma lenda na graduação de Letras na USP, uma referência em literatura brasileira e deu uma excelente aula sobre o Romantismo. Já deixo a recomendação.

    E seu texto é uma ótima referência para a questão do negro no Brasil e no mundo para quem interessar. Vou recomendar aos quatro ventos. Muito obrigado.

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