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	<title>Papo de Homem &#187; Principal</title>
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		<title>Humilhação na TV: por que isso ainda acontece?</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 17:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Xavier</dc:creator>
				<category><![CDATA[Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>&#8220;Eu me senti humilhado, porque ela ficou rindo de mim o tempo todo. Eu chorei porque sabia que ali eu iria pagar por algo que não fiz, e que minha mãe, meus parentes e amigos iriam me ver na TV como estuprador, e eu sou inocente.&#8221; –Paulo Sérgio Deve ser de conhecimento geral que, dias [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;Eu me senti humilhado, porque ela ficou rindo de mim o tempo todo. Eu chorei porque sabia que ali eu iria pagar por algo que não fiz, e que minha mãe, meus parentes e amigos iriam me ver na TV como estuprador, e eu sou inocente.&#8221;<br />
–<a href="http://www.defensoria.ba.gov.br/portal/index.php?site=1&amp;modulo=eva_conteudo&amp;co_cod=7387" target="_blank">Paulo Sérgio</a></p></blockquote>
<p><span id="more-58872"></span></p>
<p>Deve ser de conhecimento geral que, dias atrás, a Rede Bandeirantes de Televisão exibiu uma reportagem em que um rapaz, acusado de furtar uma mulher, foi &#8220;quebrado no pau&#8221; e levado à delegacia. Lá, foi objeto de uma figura muito comum no jornalismo atual: o jornalista-inquisidor, que está ali para fazer, ao vivo e a cores, o julgamento e a condenação daquele que servirá para a <a href="http://www.sobreavida.com.br/2012/04/07/malhar-o-judas/" target="_blank">malhação de judas</a> daquela tarde.</p>
<p>Não vamos reproduzir o vídeo. <a href="http://youtu.be/F6VCbJHtzdc" target="_blank">Você já o viu</a>. Mesmo que não tenha visto esse vídeo em questão, viu outro, em que outro acusado foi humilhado, com a complacência da polícia local. Sim, acusado preso também tem direito à intimidade e à proteção à honra.</p>
<div id="attachment_58884" class="wp-caption alignnone" style="width: 601px"><a href="http://malvados.com.br/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-58884" title="tv-internet" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/tv-internet.jpg?95884c" alt="" width="591" height="188" /></a><p class="wp-caption-text">André Dahmer</p></div>
<p>A reação foi forte. Já rendeu uma <a href="http://www.bahianoticias.com.br/holofote/noticia/24336-jornalistas-repudiam-atitude-da-reporter-mirella-cunha-em-carta-aberta.html" target="_blank">carta aberta de repúdio</a> dos jornalistas baianos e, segundo consta, vai render a aplicação de &#8220;medidas disciplinares&#8221; <a href="http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/49971/reporter+da+band+ba+debocha+de+entrevistado+e+e+acusada+de+racismo+na+web" target="_blank">contra a repórter</a>. As análises do vídeo, pelo que vejo, são unânimes. Não há nada a dizer além <a href="http://www.unegro.org.br/site/colunista.noticia.php?id=57&amp;id_colunista=10&amp;id_content=86" target="_blank">do que já foi apontado sobre o racismo</a>, o preconceito, a humilhação e até a homofobia da repórter.</p>
<p>Mas, então, por que esse tipo de coisa ainda acontece?</p>
<h3>O cálculo da utilidade</h3>
<p>Seja quem for que tenha criado essa vertente de jornalismo, seja quem autorize que esse tipo de coisa lamentável vá ao ar, aposto que são pessoas que sabem que ali está retratada a violação de Direitos Humanos. Podem até não possuir a sensibilidade moral de que expor uma pessoa – sim, mesmo um acusado – ao ridículo não deveria ser objeto de matéria jornalística. Mas esse tipo de consideração entra em um cálculo muito comum na análise de risco das empresas em geral.</p>
<p>Para entender esse cálculo, é preciso partir das premissas do Utilitarismo, doutrina ética inaugurada por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeremy_Bentham" target="_blank">Jeremy Bentham</a> no final do século XVIII. O Utilitarismo, principalmente na versão de Bentham, apoia-se em uma moral consequencialista, ou seja, analisa o valor de uma ação não por suas características intrínsecas, mas pelo resultado que ela provoca no mundo.</p>
<p>Essa moral é estruturada em torno do princípio da utilidade, que costuma ser resumido na frase &#8220;Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar&#8221;. Ocorre que, como o cálculo leva apenas a consequência e não a natureza da ação em si, ao avaliar os resultados com base em um denominador comum – frequentemente o dinheiro – o resultado costuma apresentar distorções.</p>
<p>Um exemplo é o cálculo que foi feito pela Philip Morris, fabricante das marcas de cigarro mais conhecidas, apresentado à República Tcheca como argumento contra a adoção de medidas contra o fumo, principalmente o aumento de impostos. A empresa chegou à conclusão curiosa de que, dificultando-se o hábito de fumar, as pessoas viveriam mais, o que aumentaria os custos do governo com a manutenção da saúde pública, com moradias para idosos e com o pagamento de aposentadorias. E que esse aumento seria inferior ao ganho com os impostos. <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/1443098.stm" target="_blank">Afirmaram também</a> que o país economizou U$ 147.000.000 em 1997 em razão da morte de fumantes.</p>
<div id="attachment_58885" class="wp-caption alignnone" style="width: 601px"><a href="http://malvados.com.br/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-58885" title="tirinha1508" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/tirinha1508.jpg?95884c" alt="" width="591" height="188" /></a><p class="wp-caption-text">André Dahmer</p></div>
<p>Raciocínio semelhante costuma ser feito por montadoras de veículos. Quando a Ford descobriu que uma falha estrutural fazia um de seus carros explodir quando fosse atingido por trás, efetuou cálculos para determinar qual seria o custo de resolver o problema e qual seria o custo das indenizações que teria que pagar pelas mortes de seus consumidores. Quando terminaram, viram que consertar os carros seria mais caro do que se submeter às indenizações. Então <a href="http://www.calbaptist.edu/dskubik/pinto.htm" target="_blank">deixaram por isso mesmo</a>. Afinal, arcar com os reparos poderia levar a empresa à falência, prejudicando os empregos de inúmeras pessoas. Seguindo esse raciocínio, tolerar as mortes de alguns consumidores parece ser a melhor coisa a fazer.</p>
<p>A aplicação do cálculo utilitarista, com a desculpa de permitir a tomada de decisões que levem ao bem comum, acaba promovendo o sacrifício de direitos individuais, pois não leva em conta a natureza ou conteúdo do ato, apenas suas consequências finais.</p>
<h3>Como você vê a TV e como ela te vê</h3>
<p>Uma pesquisa rápida nos sites dos nossos Tribunais revela que esse tipo de reportagem humilhante não é novidade no jornalismo nacional. Diversas vezes se decidiu que o direito de liberdade de informação não abrange manifestações que ultrapassam o teor jornalístico para cair na vala comum do jornalismo marrom. Reconhecido o caráter ilícito, as indenizações costumam girar na casa dos <a href="https://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/getArquivo.do?cdAcordao=4005183&amp;vlCaptcha=uzszz" target="_blank">R$ 70.000,00</a>.</p>
<p>Se não se discute que isso é errado e se há punição, por que continua acontecendo? A razão está no cálculo utilitarista e ele revela como esse tipo de jornalismo vê você, o consumidor.</p>
<p>No momento de tomar a decisão moral de colocar esse tipo de reportagem no ar, tenho certeza que o diretor leva em conta a possível e provável condenação. Não acharia estranho que a consultoria jurídica da emissora deve ter sido chamada a opinar e emitir parecer sobre as repercussões da reportagem. Estimado um valor, ele foi incluído numa planilha de custos, junto com o salário da repórter, o custo da energia elétrica e o lanche da produção.</p>
<p>Na outra coluna, que listava as receitas, entrava algum valor relacionado com a audiência que a reportagem geraria. Simples assim: violação de direitos humanos x audiência. <em>Just business</em>.</p>
<p>Vamos parar por um momento de detonar a repórter e a emissora e pensar sobre o que isso revela sobre nós ou, pelo menos, sobre o que isso revela sobre a visão da emissora sobre nós.</p>
<p>Somos mesmo consumidores desse tipo de jornalismo/entretenimento? Não caberia um juízo sobre a qualidade, em si, de se humilhar uma pessoa em rede de televisão? Lembro que, na Roma antiga, era costume jogar os cristãos aos leões, para delírio coletivo. Claro que, pelo cálculo utilitário, a felicidade dos romanos supera em muito o sofrimento dos cristãos. E como vemos essa plateia hoje? Qual o juízo que fazemos hoje dessa atividade?</p>
<div id="attachment_58886" class="wp-caption alignnone" style="width: 601px"><a href="http://malvados.com.br/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-58886" title="tirinha1502" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/tirinha1502.jpg?95884c" alt="" width="591" height="188" /></a><p class="wp-caption-text">André Dahmer</p></div>
<h3>A função punitiva do dano moral</h3>
<p>Enquanto a sociedade não avança nessas questões, os juristas discutem a função do dano moral, se seria apenas de ressarcir o dano ou de punir aquele que perpetrou a ofensa.</p>
<p>Aqueles que defendem a função ressarcitória alegam que existe uma &#8220;indústria do dano moral&#8221; – formada por pessoas que criam as situações de humilhação para depois se beneficiarem – e que uma indenização excessiva acaba gerando enriquecimento sem causa do ofendido.</p>
<p>Embora esse raciocínio tenha lá a sua razão, penso que em casos como esse a função punitiva tem que preponderar. A indenização fixada em valor &#8220;razoável&#8221; – R$ 70.000,00 é uma pechincha, na minha opinião –, acaba permitindo o cálculo utilitarista. Assim, o respeito e a violação de direitos vira apenas mais um dos custos que a empresa tem que lidar, longe de representar uma diretriz na missão empresarial.</p>
<p>É só pensar nos últimos problemas que você teve com empresas no seu cotidiano. Acha que elas agiram certo por alguma convicção moral? Ou, se agiram errado, você não suspeita de que o custo de fazer certo deve ser maior do que as punições que receberiam?</p>
<div id="attachment_58887" class="wp-caption alignnone" style="width: 601px"><a href="http://malvados.com.br/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-58887" title="tirinha1491" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/tirinha1491.jpg?95884c" alt="" width="591" height="188" /></a><p class="wp-caption-text">André Dahmer</p></div>
<h3>Empatia e o seu valor</h3>
<p>Pode ser que alguém não sinta <a href="http://papodehomem.com.br/empatia-compaixao-e-generosidade-no-ted/" target="_blank">empatia</a> pelo jovem que foi humilhado. Pode ser que tenha até achado engraçado a dificuldade dele articular as palavras, vibrado com o fato dele ter sido &#8220;quebrado no pau&#8221;, se deliciado com a ignorância acerca do exame de próstata. Tudo bem, não estou aqui esperando uma resposta moral que revele empatia. As decisões estratégicas da emissora já mostram que esse tipo de coisa é raridade.</p>
<p>Mesmo sabendo que a discussão sobre o fim desse tipo de reportagem não passa pelo que o destinatário dela pensa, ofereço a essa pessoa as seguintes perguntas: não incomoda ser um elemento num cálculo utilitarista? Não lhe parece estranho ser usado como fundamento para uma prática que se sabe ilícita? Não é o caso de você se dar mais valor?</p>
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		<title>Tesão não é movido a gasolina</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/tesao-nao-e-movido-a-gasolina/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 13:42:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Autor Anônimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Carro]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O texto a seguir, um pequeno desabafo pessoal, pode parecer completamente sem contexto. Não é. Sou promoter de festas há 30 anos, é virtualmente incontável a quantidade de pessoas próximas a mim que perderam a vida – seja a própria ou a de um amigo – no caminho de volta para casa após uma noite de [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto a seguir, um pequeno desabafo pessoal, pode parecer completamente sem contexto. Não é. Sou <em><a href="http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/campus/profissoes/101002-promoter.shtm">promoter</a></em> de festas há 30 anos, é virtualmente incontável a quantidade de pessoas próximas a mim que perderam a vida – seja a própria ou a de um amigo – no caminho de volta para casa após uma noite de diversão. <strong>Convivo constantemente com essa realidade</strong>.<span id="more-58612"></span></p>
<p>Quantas vezes você já viu algum conhecido em uma balada ou barzinho vangloriar-se de saber onde estão as blitz da volta para casa, <a title="Álcool, direção, Lei Seca e falta de bom senso" href="http://papodehomem.com.br/alcool-direcao-lei-seca-e-falta-de-bom-senso/">sentindo-se esperto e fodão</a> com a garantia de que verá o sol nascer sem ser submetido ao bafômetro? Eu mesmo já fui esse cara. Não me orgulho disso.</p>
<p>É pobreza de espírito.</p>
<p>Graças à irresponsabilidade de alguns, pais, irmãos, namorados e amigos convivem com a possibilidade real de perder uma pessoa querida no próximo fim de semana. Isso é sério. Mais do que sério, é desesperador.</p>
<p>A Lei Seca está aí para tentar coibir isso (apesar da <a href="http://jus.com.br/revista/texto/16883/promotor-pede-arquivamento-de-inquerito-por-considerar-lei-seca-inconstitucional">sua</a> <a href="http://oglobo.globo.com/ece_incoming/a-lei-seca-no-transito-inconstitucional-4005574">constitucionalidade</a> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3NGpb8Zynl8">discutível</a>), mas para nós, apaixonados por festas, interessa mesmo falar sobre o fato: pessoas estão morrendo pela nossa própria irresponsabilidade alcoólica enquanto motoristas. Não é hora de se buscar culpados, mas de encararmos nossa burrice, nossa pouca civilidade, nosso provincianismo.</p>
<p>Se não estamos dispostos a parar de beber nas festas, ao menos sejamos mais espertos com o outro aspecto da equação álcool + direção = merda.</p>
<p>Playboys e gatinhas de plantão, entendam-se. Estabeleçam um novo roteiro de conquista e insinuação. Vocês são igualmente bonitos, charmosos, lindas e gostosas mesmo sentados em táxis. Deixem de buscar autoafirmação em carros importados ou motores potentes. Tesão não é movido à gasolina.</p>
<p><img class="size-full wp-image-58753 alignnone" title="Fusca de pau grande" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/paugrande-fusca.jpg?95884c" alt="Fusca de pau grande" width="620" height="451" /></p>
<p>Se tiverem vergonha de chegar nos lugares guiando um Uno Mille branco, paguem o taxista pra dirigir seu carro ou contratem um motorista para aquela noite em que você quiser &#8220;quebrar tudo&#8221;. Vá de carona com seu amigo ou amiga que não bebe. Ou não saia de casa, porra, porque se é assim, você não está realmente preparado pra conviver em comunidade e se reproduzir.</p>
<p>Por tudo que é sagrado, parem de morrer nas baladas.</p>
<p>Repito: basta vocês esquecerem esses critérios idiotas de atração física e de interesse sexual. Mulheres lindas e maravilhosas, por favor: declarem publicamente que vocês não têm nada contra beijar os caras que andam de táxi. Digam abertamente que a atração não passa pela potência do motor e que você admite a possibilidade de sair com ele da festa se pegando no banco de trás de um carro com placa vermelha.</p>
<p>Quanto a você, meu caro, acredite: <strong>o tamanho do seu pênis não é proporcional à potência ou preço do seu carro</strong>. Organize um “esquenta” na sua casa, contrate uma van, chame e rache alguns táxis, organize a segurança de todos e faça o bonito papel do cara responsável e seguro de si o suficiente para se preocupar com a segurança dos outros. Ao menos para as gatas mais inteligentes, você vai parecer muito mais interessante. E tudo bem, já que as burras, por mais que sejam lindas, você não quer.</p>
<p>Assim como você não quer morrer. Certo?</p>
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		<title>Como fotografar uma mulher nua (e leitores podem participar)</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/como-fotografar-uma-mulher-nua-e-leitores-podem-participar/</link>
		<comments>http://papodehomem.com.br/como-fotografar-uma-mulher-nua-e-leitores-podem-participar/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 May 2012 03:03:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Munhoz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Listas e guias]]></category>
		<category><![CDATA[Mecenas]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Já vi a cena antes. No meio do calor da pegação, o cara vira para a moça e diz: “Tenho uma Polaroid.” Vi mesmo. Essa cena está em Lúcia e o Sexo, do diretor espanhol Julio Medem. Link YouTube &#124; Quantas outras pessoas já não fizeram o mesmo? Por ter trabalhado um tempo para algumas [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já vi a cena antes. No meio do calor da pegação, o cara vira para a moça e diz:</p>
<blockquote><p>“Tenho uma Polaroid.”</p></blockquote>
<p>Vi mesmo. Essa cena está em <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0254455/" target="_blank">Lúcia e o Sexo</a></em>, do diretor espanhol <a href="http://www.imdb.com/name/nm0575523/" target="_blank">Julio Medem</a>.<span id="more-58342"></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/zaksSSfdaew?rel=0" frameborder="0" width="619" height="315"></iframe><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zaksSSfdaew" target="_blank">Link YouTube</a> |</em></p>
<p>Quantas outras pessoas já não fizeram o mesmo?</p>
<p>Por ter trabalhado um tempo para algumas revistas conhecidas (como <em><a href="http://vip.abril.com.br/" target="_blank">VIP</a></em>, <em><a href="http://revistaalfa.abril.com.br/" target="_blank">Alfa</a> e Revista Up!</em>), fotografando mulheres nuas e seminuas, me perguntam muito sobre os segredos de como fazer uma bela foto de nu. Fotografar a Gisele Bündchen deve ser muito fácil, com sua beleza tida como perfeita. Mas, na maior parte do tempo, minhas fotografadas eram modelos não tão famosas ou mesmo mulheres normais, com suas belezas características.</p>
<p>Uma tinha o nariz um pouco maior.</p>
<p>Outra estava um pouco acima do peso.</p>
<p>Outra tinha os pés grandes.</p>
<p>Uma ficava nervosa com tanta gente vendo-a com pouca roupa a ponto de não conseguir passar sensualidade alguma nas fotos.</p>
<p>E tudo isso é normal. E fica menos complicado com a prática. Com o tempo fui pegando algumas manhas que vou tentar compartilhar com vocês. Só não espere uma receita pronta e infalível porque não há: se você quer realmente fazer fotos de nu que tenham alguma relevância, é preciso estudar muito, se dedicar realmente à fotografia e à arte, conhecer os mestres do passado e do presente. <strong>Se fosse fácil e tivesse um manual para isso, todo mundo estaria fazendo as capas da <em><a href="http://playboy.abril.com.br/" target="_blank">Playboy</a></em>.</strong></p>
<h3>Passo a passo</h3>
<p>Não vou entrar no mérito do convencimento, pois isso é com vocês. Mas digamos que já convenceu sua namorada, esposa ou amiga a tirar a roupa para suas lentes. E digamos que você realmente está interessado em fazer uma bela imagem, com um pouco de arte e bom gosto.</p>
<p><strong>Escolha o tom da foto: </strong>ou seja, o clima que o ensaio terá. Se é uma imagem mais naturalista, com luz natural, tudo muito suave, sem aparentar muita produção; ou se é em local fechado, como uma casa ou uma locação. Ou então se vão partir para uma boa pornografia (com estilo). Existem grandes pornógrafos cujos trabalhos são hoje elevados ao nível de arte, muitas vezes ilustrando revistas de moda, museus e até caríssimas campanhas publicitárias. Procure no Google por <a href="http://www.terrysdiary.com/" target="_blank">Terry Richardson</a>, <a href="http://www.arakinobuyoshi.com/" target="_blank">Nobuyoshi Araki</a> ou mesmo <a href="http://www.helmutnewton.com/" target="_blank">Helmut Newton</a>, que bradava com orgulho ser um pornógrafo antes de se considerar fotógrafo.</p>
<div id="attachment_58761" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58761" title="Como fotografar uma mulher nua" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11.jpg?95884c" alt="Como fotografar uma mulher nua" width="620" height="203" /><p class="wp-caption-text">O clima da foto é a primeira coisa a se pensar. Mais natural, outdoor e com luz ambiente ou algo mais safado, indoor e com toda uma produção? Cada caso é um caso (Créditos: imagem 1 - Terry Richardson; imagem 2 - Mauricio Nahas/Revista Playboy)</p></div>
<p><strong>Pense na produção: </strong>com o clima definido, você parte para a produção e a escolha da locação. Lingeries, peças de roupas que podem ficar sensuais na menina, acessórios (ou nenhuma das anteriores, afinal estamos falando sobre fotografia de nu). Diga a ela para levar peças do próprio guarda-roupa: calcinhas legais, peças sensuais, camisetas. Uma ideia bacana é você convidar aquela sua amiga que entende de moda para ajudar nisso e cuidar da escolha das peças. Você ainda pode investir um pouco e comprar alguma lingerie mais sexy.</p>
<div id="attachment_58762" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58762" title="Como fotografar uma mulher nua" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto2.jpg?95884c" alt="Como fotografar uma mulher nua" width="620" height="203" /><p class="wp-caption-text">Parece estranho dizer isso, mas antes de tirar a roupa da menina na frente da câmera, você deve vesti-la. Escolha as roupas e os acessórios que combinam mais com o clima: pode ser um suspensório ou um pirulito (Créditos: imagem 1 - Luciano Munhoz/Revista VIP; imagem 2 - Terry Richardson/GQ)</p></div>
<p><strong>Saiba que mais importante que uma boa câmera é um bom olhar: </strong>talvez você não saiba, mas Terry Richardson fotografa grandes campanhas com uma compacta automática. Eu sei que muitos vão dizer: “Ok, ele fotografa com uma compacta, mas a modelo é a Kate Moss!” Na verdade, o importante é o estilo. Se é isso que você quer, se tem a ver com a linguagem proposta e você acha que pode ficar bom, manda a ver, sem medo de ser feliz!</p>
<p>Os celulares de hoje em dia possuem câmeras de boa qualidade e estão sempre à mão. Vai que surge uma ocasião como a de <em>Lucia e o Sexo </em>e, na hora, resolvem fazer umas fotos mais quentes e tudo o que você tem na mão é o celular. Dá para fazer alguma coisa boa? Claro que dá! Vai do seu olhar. <strong>Seu olhar é o que vai fazer toda a diferença e não o equipamento.</strong></p>
<p>Além disso, existem centenas de aplicativos de smartphones que têm os mais variados filtros para usar nas fotos e fazem com que elas percam aquela cara de videocassete antigo, ganhem uma roupagem mais vintage ou mais moderna. Brinque à vontade com isso.</p>
<div id="attachment_58765" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58765" title="Como fotografar uma mulher nua" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto3.jpg?95884c" alt="Como fotografar uma mulher nua" width="620" height="203" /><p class="wp-caption-text">O perfil de instagram @el_temo_ coleciona belas imagens de nudez (algumas feitas por ele, outras garimpadas por aí). Você também pode conseguir bons resultados com a câmera do seu celular</p></div>
<p><strong>Se optar por câmeras manuais, seja um profundo conhecedor de seus recursos: </strong>um belo recurso para usar é o desfoque. Ao contrário do que muitos pensam, a falta de foco não é um problema, mas sim uma linguagem quando bem empregada. Use grandes aberturas de lente para garantir que terá mais desfoque. Isso fará com que o fundo fique mais borrado, num caso mais clássico, ou então irá disfarçar aquela celulitezinha no bumbum da moça, num caso mais específico. Só não desfoque o olho! Desfocar o olho é pecado.</p>
<div id="attachment_58772" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58772" title="Como fotografar uma mulher nua" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto5.jpg?95884c" alt="Como fotografar uma mulher nua" width="620" height="203" /><p class="wp-caption-text">Caso opte por uma câmera semi ou profissional, conheça-a a fundo. Assim, entre outros, conseguirá desfocar apenas o que interessa. Na primeira imagem, o fotógrafo privilegiou o quadro em vez da mulher; na segunda, o rosto ganhou destaque, ao invés do corpo (Créditos: imagem 1 - Ralf Roletschek; imagem 2 - SuicideGirls)</p></div>
<p><strong>Pense na luz: </strong>qual luz é a melhor? Como falamos antes, vai do clima da foto.</p>
<p>Para algo mais cru e selvagem, o flash da sua compacta é a luz. Ela é cruel, dura, chapada de frente, dá brilhos na testa e em outras convexidades do corpo, e todos os defeitos, detalhes e cores virão de forma muito nítida.</p>
<p>Se a ideia é algo mais suave e sublime, procure uma luz indireta vinda de uma janela. Essa é uma luz suave, cheia de nuances e faz muito bem para a pele de uma mulher. Quanto maior a janela, mais bonita e clássica é a luz.</p>
<p>Mas ainda temos a possibilidade de uma luz do sol,  muito viva numa praia, ou entrando recortada por uma veneziana. Tem a luz baixa de uma abajur que pode revelar apenas a silhueta dela e esconder seus defeitos na penumbra. Lembre-se sempre do clima e não queira fazer uma foto de biquíni com um abajur, ou algo vai ficar fora do ponto.</p>
<div id="attachment_58768" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58768" title="Como fotografar uma mulher nua" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto4.jpg?95884c" alt="Como fotografar uma mulher nua" width="620" height="455" /><p class="wp-caption-text">Luz e sombra servem para ressaltar bons atributos (e, em contrapartida, esconder aquilo que não interessa, como uma celulite ou objetos de fundo) (Crédito: imagens - Luciano Munhoz/Revista VIP)</p></div>
<p><strong>Tenha bom senso nas poses: </strong>vale empinar a bundinha? Vale pôr o dedinho na boca? Vale tudo? Não vou dizer que vale tudo. Mas vou repetir mais uma vez: &#8220;pense no clima&#8221;. Se o clima é suave, não coloque-a em poses mais vulgares.</p>
<div id="attachment_58778" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58778" title="Como fotografar uma mulher nua" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto6.jpg?95884c" alt="Como fotografar uma mulher nua" width="620" height="407" /><p class="wp-caption-text">Vale chupar gelinho? Vale. Vale rasgar ursinho? Vale. Tudo depende do clima (Créditos: imagem 1 - Terry Richardson/GQ; imagem 2 - Steven White/FHM)</p></div>
<h3>Um dia de fotógrafo</h3>
<p>Tá legal, eu dei um monte de dica e você vai me perguntar: &#8220;Como é que você faz no seu trabalho, com alguém que não é sua namorada? Como é o processo todo?&#8221;</p>
<p>Geralmente, eu chego numa locação com a produção que foi toda armada pelo pessoal da revista. Muitas vezes eu não conheço pessoalmente a fotografada e não há o mínimo de  intimidade. Aí, não resta nada às meninas a não ser confiarem em mim.</p>
<p>Após um breve reconhecimento da locação, já começo a imaginar qual clima é possível criar – se uso uma janela, se faço no jardim, na piscina ou na cama do quarto. Em seguida, vamos conversando sobre as ideias com a produtora de moda da revista e com o maquiador. Nesse tempo, eu procuro ir conversando com a modelo, tentando descontrair o ambiente, mas sempre com muito respeito, fazendo com que ela confie cada vez mais em mim. <strong>Por mais que tenha uma mulher bonita de lingerie na minha frente, é inadimissível para mim agir como eu agiria se fosse minha namorada nua na minha frente.</strong> Eu sou um profissional e é assim que eu tenho que me comportar. Já pensou se um ginecologista se deslumbrasse com cada paciente que atendesse? Sua carreira acabaria na primeira semana.</p>
<p>Enquanto tudo isso vai acontecendo, ao mesmo tempo eu já passo as coordenadas para o meu assistente de como iluminar a cena. Assim que a modelo fica pronta, eu já fiz uma análise dos seus atributos físicos (sem que ela notasse) e são esses pontos que eu vou favorecer ou disfarçar – seja com um ângulo de câmera, seja com a luz (ou sombra) ou até mesmo com uma peça de roupa. Dessa maneira, já começamos bem, sem que os defeitos dela sejam ressaltados.</p>
<p>E eu começo devagar, falando baixo, um pouco mais afastado, elogiando-a a todo momento. E conforme ela ganha confiança em mim e fica mais descontraída, aí sim eu parto para coisas mais ousadas como pedir para tirar mais uma peça de roupa ou tentar uma pose diferente. <strong>Se ela topa, ótimo; se não topa, ok.</strong> Nunca forço a barra e sempre trabalho bem dentro dos limites de cada pessoa.</p>
<p>Isso é o mais importante num ensaio de nu: o respeito mútuo. E respeito é o mínimo que qualquer homem pode dar a uma mulher que se despe em sua frente.</p>
<h3>Mecenas: <a href="http://pdh.co/uniquefotos" target="_blank">Unique</a></h3>
<p><a href="http://pdh.co/uniquefotos" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-58755" title="Unique" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/unique01.jpg?95884c" alt="Unique" width="620" height="320" /></a></p>
<p><em>Ok, agora você já sabe fazer fotos de mulher nua até com um simples smartphone. <strong>É hora de botar mãos à obra!</strong></em></p>
<p><em>A <a href="http://pdh.co/uniquefotos" target="_blank">Unique</a> está com uma promoção especial para os leitores que querem testar os ensinamentos desse artigo com suas amigas ou namoradas. Funciona assim: você faz fotos sexy de uma gata com Unique escrito no corpo, numa folha de papel ou mesmo com a embalagem na foto&#8230; Ah, melhor do que eu falar é você ver as deliciosas @galantini, Larissa Coelho, @brogiatto e <em>@mari_graciolli </em>dando o bom exemplo:</em></p>
<p><em><a href="http://pdh.co/uniquefotos" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-58756" title="Unique" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/uniquefotos.jpg?95884c" alt="Unique" width="620" height="1294" /></a></em></p>
<p><em>Depois de fazer as fotos, <strong>mande-as para <a href="mailto:apimentadas@papodehomem.com.br" target="_blank">apimentadas@papodehomem.com.br</a> até o dia 31 de maio</strong>. Os autores das 50 primeiras fotos que recebermos ganham um kit da Unique. Simples assim: fez foto, mandou pra gente, ganhou.</em></p>
<p><em>As melhores fotos entram aqui no post do PapodeHomem e a melhor ganha também um <a href="http://www.taschen.com/pages/en/catalogue/sex/all/04408/facts.the_new_erotic_photography.htm" target="_blank">livro de fotografia de nu fodão</a>.</em></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Escrever, em 19 máximas</title>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2012 21:59:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Nascimento Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Listas e guias]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A visão mira alto, além do estádio. Queremos tornar o PdH um celeiro da boa escrita, uma fornalha de inovações na seara do publishing e da contação de histórias &#8211; sejam quais forem os meios utilizados. Haja pompa. No entanto, nossa dieta necessita bastante feijão antes de batermos no peito, assumindo a alcunha de escritores. [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A visão mira alto, além do estádio. Queremos tornar o PdH um celeiro da boa escrita, uma fornalha de inovações na seara do <em>publishing </em>e da contação de histórias &#8211; sejam quais forem os meios utilizados.</p>
<p>Haja pompa.</p>
<p><span id="more-58824"></span>No entanto, nossa dieta necessita <span style="text-decoration: underline;">bastante</span> feijão antes de batermos no peito, assumindo a alcunha de escritores. A estrada rumo a tais ambições é longa pra caraleo. Dos bastidores da labuta, vamos oferecer alguns <em>insights</em>. Ora úteis, ora bestas. Peço crédito, no canto de cá somos todos aprendizes em fase de crescimento, quando muito.</p>
<p>Compartilho flerte com essa ideia, ilustrado por <a href="http://papodehomem.com.br/author/felipefranco/" target="_blank">Felipe Franco</a> e com agradecimentos ao <a href="https://twitter.com/#!/gustavogitti" target="_blank">Gitti</a> pela ajuda.</p>
<p>Usem à vontade.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58828" title="Escrever é..." src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/escrever-1.jpg?95884c" alt="" width="620" height="1682" /></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Vivemos numa geração meio mariquinha</title>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2012 13:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jader Pires</dc:creator>
				<category><![CDATA[Debates]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O Alexandre Matias pinçou, lá no Trabalho Sujo, um teco do texto escrito pelo Clint Eastwood que foi publicado na Piauí desse mês. “Vivemos numa geração meio mariquinha, todo mundo diz: “Vamos lidar psicologicamente com isso?” Naquela época, você simplesmente sentava o pau e resolvia na porrada. Mesmo que o cara fosse mais velho e [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Alexandre Matias pinçou, <a href="http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2012/05/21/clint-eastwood-e-a-geracao-mariquinha.htm" target="_blank">lá no Trabalho Sujo</a>, um teco do texto escrito pelo Clint Eastwood que foi publicado <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-68/o-que-aprendi/se-eu-fosse-mais-disciplinado-poderia-ter-sido-musico" target="_blank">na Piauí</a> desse mês.</p>
<blockquote><p>“Vivemos numa geração meio mariquinha, todo mundo diz: “Vamos lidar psicologicamente com isso?” Naquela época, você simplesmente sentava o pau e resolvia na porrada. Mesmo que o cara fosse mais velho e fortão, pelo menos você era respeitado por encarar a briga, e te deixavam em paz.</p>
<p>Não sei se dá para dizer exatamente quando começou essa geração mariquinha. Talvez tenha sido quando as pessoas começaram a se perguntar sobre o sentido da vida.”<span id="more-58708"></span></p></blockquote>
<p>Definitivamente o Clint Eastwood é um cara fodão. <a href="http://papodehomem.com.br/80-anos-de-clint-eastwood-nossa-homenagem/" target="_blank">A gente já falou</a> sobre ele <a href="http://papodehomem.com.br/como-voce-se-imagina-com-81-anos-parabens-pro-clint-eastwood/" target="_blank">mais de uma vez</a> e já refletimos sobre as <a href="http://papodehomem.com.br/clint-eastwood-e-os-baitolas/" target="_blank">afirmações grosseiras</a> e completamente pertinentes que ele lança, já na fase passada dos 80 anos.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/vivemos-numa-geracao-meio-mariquinha/ah1335994826x5676/" rel="attachment wp-att-58743"><img class="alignnone size-large wp-image-58743" title="clint-eastwood" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/AH1335994826x5676-620x526.jpg?95884c" alt="" width="620" height="526" /></a></p>
<p>Aqui no PapodeHomem, o Guilherme já afirmou que, em matéria de embate profissional, um murro na cara não dá demissão. Por aqui, amigo não acostumado com uma boa briga entre lenhadores, a chapa esquenta, o bicho pega, a giripoca pia, a casa cai, a porra fica séria.</p>
<p>Num mundo normal, corporativo, ideias seriam debatidas como quem come <a href="http://papodehomem.com.br/o-sentido-da-vida/" target="_blank">um sorvete de melancia</a>, cheio de meandros, de cuidados para não escorrer, de como seria a forma mais perfeita de comer um gelado, como  obter a tal explosão de sabores. Ao final, uma nova reunião seria marcada para decidir o que foi apresentado na reunião anterior. Um papo mariquinha, feito por mariquinhas com o intuito de ter um trabalho tranquilo e marica.</p>
<p>Que? Você não gosta de sorvete de melancia? Acho que esse texto não é pra você. Tenta <a href="http://papodehomem.com.br/a-nova-geracao-de-homens-mimados/" target="_blank">esse aqui</a> do Gitti.</p>
<p>O lance é que, hoje, a violência é rechaçada pela sociedade. Não que devêssemos agir de modo contrário e fazer to nosso entorno um verdadeiro <a href="http://www.imdb.com/title/tt0079501/" target="_blank">Mad Max</a>. Mas, aparentemente, parece que ultrapassamos o limite de negar a violência e adentramos numa linha de pensamento anestesiada, em que qualquer ruptura do equilíbrio emocional é caracterizado como bruto, selvagem, retrógrado, bestial. <a href="http://papodehomem.com.br/uma-geracao-de-homens-criados-pelas-maes/" target="_blank">Fomos criados por mulheres</a> e esquecemos como pode ser útil e produtivo levantar a voz, mandar alguém tomar no cu, bater o pau na mesa e defender uma opinião, um sentimento, uma ideologia.</p>
<p>Temos que ser delicados, temos que debater em ordem, com parcimônia, deixar o outro falar, ouvir calado e transformar um revés em algo positivo. Nos instruíram, basicamente, a fazer da nossa vida e de todos a nossa volta um cobertozinho quentinho, fofinho e confortável. Tudo é uma <em><a href="http://translate.google.com.br/" target="_blank">white fluffy cloud</a> </em>esperando bundas macias e afáveis para aconchegar-se. Tudo errado.</p>
<p>Não tô defendendo a ogrice gratuita. &#8220;Há que endurecer, mas sem perder a ternura&#8221; (ou algo que valha).</p>
<p>Pensar é justo. Digo, é obrigatório. Mas pensar demais cansa e agir de menos engorda, amolece. Eu pensei e pensei por anos a fio enquanto mofava num cargo de banco. Quando parei de pensar e comecei a agir, <a href="http://papodehomem.com.br/boas-vindas-aos-reforcos-do-elenco-pdh/" target="_blank">virei editor</a> do PapodeHomem e abri um hostel, o <a href="http://santamaloca.com.br/" target="_blank">Santa Maloca</a>.</p>
<p>Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Dizem também que ler é mais &#8220;inteligente&#8221; que ver apenas uma figura.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/vivemos-numa-geracao-meio-mariquinha/homem-1024x768/" rel="attachment wp-att-58714"><img class="alignnone size-large wp-image-58714" title="homem 1024x768" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/homem-1024x768-620x465.jpg?95884c" alt="" width="620" height="465" /></a></p>
<p>Eu acho que tem gente que fala demais e, claro, faz de menos. O Clint Eastwood fala pra caralho e faz pra caralho. Taí algo de grande valor.</p>
<p>E cê acha que o mundo está mesmo dominado por &#8220;mariquinhas&#8221;? Ou temos, hoje, a maior quantidade da história de homens de respeito?</p>
<p><em>Obs: O texto publicado na Piauí foi, originalmente faz parte de uma entrevista dada à revista Esquire, em 2008, com o título de <a href="http://www.esquire.com/features/what-ive-learned/clint-eastwood-quotes-0109" target="_blank">What i&#8217;ve Learned</a> (ou, em bom portuga, &#8220;o que aprendi&#8221;).</em></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ditadura da eterna juventude</title>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2012 03:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian Gilioti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Debates]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Tanto as crianças quanto os adultos e os idosos tornaram-se reféns da utopia jovem, uma miragem de beleza e felicidade inatingíveis, produzida e vendida em escala industrial. Alguns domingos atrás, descobri a existência de Julie Lourenço, a garotinha de quatro anos que estourou no YouTube ensinando &#8220;técnicas&#8221; de maquiagem para festa (em poucos dias, quatro [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Tanto as crianças quanto os adultos e os idosos tornaram-se reféns da utopia jovem, uma miragem de beleza e felicidade inatingíveis, produzida e vendida em escala industrial.<span id="more-58590"></span></em></p>
<div id="attachment_58701" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-large wp-image-58701" title="Banksy Old Skool" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/banksy-620x465.jpg?95884c" alt="" width="620" height="465" /><p class="wp-caption-text">Banksy | Old Skool - Clerkenwell Road, Londres (já removido)</p></div>
<p>Alguns domingos atrás, descobri a existência de <a href="http://beleza.terra.com.br/maquiagem/julie-fala-sobre-make-para-criancas-veja-cuidados,c708aa7f9bd37310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html" target="_blank">Julie Lourenço</a>, a garotinha de quatro anos que estourou no YouTube ensinando &#8220;técnicas&#8221; de maquiagem para festa (em poucos dias, quatro milhões de acessos). O que era para ser apenas um momento de descontração acabou se transformando numa experiência intelectual interessante.</p>
<p>Por trás da aparente simplicidade, o vídeo de Julie é um valioso exemplo da sinuca de bico em que, culturalmente, estamos todos metidos.</p>
<p>Intolerantes com o envelhecimento e brutalmente insensíveis com a experiência infantil, vivemos um processo de <strong>jovialização da cultura</strong>, no qual o ideal de juventude predomina socialmente como modelo, algo como um patamar a ser atingido e sustentado, indefinidamente, custe o que custar.</p>
<h3>Maquiagem infantil</h3>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/4nh1RaIVLcg" frameborder="0" width="620" height="450"></iframe><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4nh1RaIVLcg" target="_blank"> Link YouTube</a> | &#8220;Eu treinei bastante essa maquiagem na minha Barbie&#8230;&#8221;</em></p>
<p>Conversando com outras pessoas a respeito do vídeo, colhi opiniões diversas. Afinal, seria motivo de orgulho a exposição de uma criança que, aos quatro anos de idade, já se mostra contaminada pelo imaginário “fashionista” que pertence (ou, ao menos, deveria pertencer) exclusivamente aos adultos?</p>
<p>Por outro lado, não é da natureza da criança eleger os mais velhos como espelho? O que seria mais preocupante, o fato de Julie maquiar-se como um adulto ou o valor excessivo que os próprios adultos atribuíram para a atitude de Julie? (Curiosamente, quase ninguém questionou a veracidade do vídeo).</p>
<p>Não é raro toparmos com adultos pouco habilidosos quando o assunto é criança. O excesso de proteção assim como a completa falta de discernimento diante das peculiaridades e limitações infantis são erros bastante recorrentes – por vezes, até constrangedores. A infância deve ser vista sem moralismos, longe dos “lugares comuns” que cercam o debate em torno das diferenças que separam crianças, adolescentes e adultos. Aliás, é justamente essa distinção que vem se tornando, ao longo dos anos, cada vez mais difícil de ser identificada. <strong>É como se os limites entre uma fase e outra, do ponto de vista comportamental – não etário –, estivessem ficando diluídos.</strong></p>
<p>Talvez seja a uniformização dos comportamentos e sua consequente diluição das diferenças uma das chaves para compreendermos o processo de jovialização da cultura. O simples fato de Julie maquiar-se, por si só, já configura isso. A maquiagem específica para festas é um recurso de sedução, pertencente ao “mundo adulto”, que se realiza como técnica de jovialização e erotização. No momento em que uma criança incorpora tal recurso, inevitavelmente perde parte de sua identidade.</p>
<p>Entretanto, o estereótipo de <em>femme fatale</em> não se concretiza no rosto de Julie. Ao contrário, a maquiagem imperfeita produz uma metáfora sutil, cômica e singela da liberdade infantil. Tal delicadeza teria ressonância dentro de nós, adultos, e seria capaz de conduzir-nos à inocência perdida, nostalgia de um tempo que não volta mais? Seria possível que a imagem de Julie borrada nos olhos e nas bochechas, inconscientemente, nos recordasse a figura lúdica, levemente grotesca e repleta de simpatia dos palhaços? Admirar Julie corresponderia ao desejo de revisitar a própria infância?</p>
<p>Do ponto de vista formal, há fortes indícios de que o vídeo pode não passar de uma grande farsa. É notável, por exemplo, o processo de edição ao qual foi submetido antes de cair na rede. Não faltam interrupções no andamento da narrativa de Julie que, curiosamente, aparece a cada corte com os olhos cada vez mais borrados. Estaria a criança sendo dirigida e maquiada durante a filmagem? Seria apenas uma jogada de marketing na qual a mãe – maquiadora profissional – usaria a filha para indiretamente divulgar o próprio trabalho?</p>
<p>É preocupante, mas a imensa maioria de internautas que se sensibilizou com o vídeo sequer desconfiou da espontaneidade de Julie. Este é um dos pontos principais. Quem garante que o motivo da repercussão não seja a maneira aparentemente ingênua e espontânea com que a garotinha investe-se da posição não somente de adulta, mas, sobretudo, de especialista em maquiagem (evidentemente sem sucesso, levando-se em conta parâmetros profissionais)?</p>
<p>As possibilidades são muitas. Na tentativa de ser adulta, Julie reforça ainda mais sua condição de criança? Ao contrário, na tentativa de manifestar-se como criança, revela sua adesão à mentalidade adulta? Nem uma coisa nem outra, mas apenas manifestação de espontaneidade? Ou melhor, não seria o rosto infantil de Julie extravagantemente borrado uma espécie de escudo, frágil tentativa de proteção contra a erotização exacerbada e juvenil que aflige tanto os adultos?</p>
<h3>Infância na História</h3>
<div id="attachment_58693" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58693" title="Crianças: ditadura da eterna juventude" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/criancas.jpg?95884c" alt="" width="620" height="422" /><p class="wp-caption-text">Foto: Lewis H. Wine</p></div>
<p>Um pouco de psicanálise e história talvez sejam úteis para a compreensão do que pode estar em jogo no vídeo de Julie. Para Freud, a pessoa é o que é porque, embora constantemente retocável, teve o desenho de sua personalidade forjado durante a infância, sobretudo em seus traços principais. Em outras palavras, pelo menos parcialmente, o olhar psicanalítico reconhece no comportamento adulto expressões da infância, em geral inconscientes e enigmáticas, desenvolvidas a partir de um penoso processo, no qual desejo e repressão, impulso e limite, conflitam entre si.</p>
<p>No entanto, entre o fim do século 19 e o início do 20, quando o mesmo Freud inventava a psicanálise, os tempos eram outros. A começar pela imagem e o papel social exercido pelas crianças. Na época, pelo menos no chamado mundo ocidental, tínhamos na figura do adulto o paradigma do pleno desenvolvimento humano. As noções de indivíduo, normalidade, retidão, liberdade, autonomia, maturidade, enfim, tudo aquilo que era reconhecido como elemento constitutivo de um sujeito pleno concentrava-se na figura discreta, sóbria e disciplinada do adulto.</p>
<p>Essa mesma figura atingia sua suposta perfeição quando alcançava posição social elitizada. Ideologicamente, a imagem do bom burguês operava socialmente como modelo. Ser homem, rico e adulto significava ser respeitável. Não por acaso o mundo proletário, assim como o mundo infantil e o mundo feminino, era visto como inferior.</p>
<p>(Coincidentemente, no quadro das relações econômicas, sociais e políticas que predominam até a segunda metade do século 20, é notável que tanto a “classe-média” quanto a “adolescência” permaneciam ainda como categorias incipientes. Isso indica que o processo de jovialização da cultura pode estar intimamente vinculado ao crescimento das camadas sociais medianas impulsionado pelo Welfare State. Essa questão será retomada mais adiante, entretanto, na perspectiva do desenvolvimento da sociedade de consumo).</p>
<p>Nem sempre a correspondência entre faixa etária, sistema econômico e imaginário social é devidamente dimensionada. No fundo, até o fim da 2ª Guerra Mundial – culturalmente falando – <strong>não existiam exatamente &#8220;crianças&#8221;, e sim &#8220;não-adultos&#8221;</strong>.</p>
<p>A passagem de um estágio para outro era abrupta e violenta, mas, ao mesmo tempo, gradativa e natural. Essa ambiguidade é visível, por exemplo, nas roupas que as crianças, tanto burguesas quanto proletárias, usavam: rotas ou engomadas, não passavam de cópias diminutas da vestimenta dos mais velhos. Em contrapartida, mesmo similares na aparência, homens e infantes eram socialmente reconhecidos como opostos. Quem controlava o mundo eram os adultos. Portanto a diferenciação era nítida, capaz de atravessar desde a importância atribuída às escolhas e desejos dos pequenos, ignorados ou rejeitados sem maiores dificuldades, até o valor da mão-de-obra.</p>
<h3>Em nome da liberdade</h3>
<p>Com o advento da “sociedade de consumo”, quando os países capitalistas desenvolvidos viviam o auge do Estado de bem estar social, a classe média cresce consideravelmente – sobretudo a partir da década de 50. A infância passa então a ser reconhecida como nicho de mercado, assim como os adultos e idosos. Entretanto, <strong>é na figuração radiante e explosiva do jovem que a indústria apostará a maior parte de suas fichas</strong>. Preconizada durante o Romantismo, retomada pelas vanguardas e consolidada pelo movimento beat, a juventude como símbolo da plenitude humana atinge dimensões mercadológicas e globalizadas através da contracultura, com a explosão do rock’n’roll.</p>
<div id="attachment_58643" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58643" title="ditadura-eterna-juventude-richard-hamilton" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/ditadura-eterna-juventude-richard-hamilton.jpg?95884c" alt="" width="620" height="651" /><p class="wp-caption-text">Richard Hamilton, 1956 | O que exatamente torna os lares de hoje em dia tão diferentes, tão atraentes?</p></div>
<p>Muito da rebeldia juvenil que vigorou nesse período colocava em ameaça algumas das principais bases do sistema capitalista. Seja no desapego aos bens materiais e na assimilação de formas de religiosidade e socialização orientais característica dos hippies, seja no esquerdismo romântico e libertário do movimento estudantil, a juventude protagonizava, com criatividade ingênua, uma tentativa revolucionária de transformação do mundo.</p>
<p>Mas em pouquíssimo tempo o sonho acabou. Reduzida apenas à condição de mercadoria, a rebeldia juvenil tornou-se um estereótipo da liberdade. Na década de 70, a indústria cultural já adquiria seu poder mágico de espalhar-se pelo mundo e invadir as mais variadas culturas manifestando-se como um estilo de vida consumível, um jeito de se expressar e se vestir com prazo de validade, a saber, a fase da juventude – o breve espaço de tempo que separa a criança do adulto – ou o curto intervalo entre uma tendência e outra que, desde então, passa a caracterizar a moda voltada para as massas.</p>
<p>É exatamente este o marco inaugural do processo de jovialização da cultura. A partir daí, a vitalidade, a coragem, a beleza, a impulsividade, enfim, tudo aquilo que foi condensado na figura juvenil desde o Romantismo, passa a ser cuidadosamente explorado pelo marketing. Dos yuppies dos anos 80 aos hipsters do século 21, toda a energia supostamente ameaçadora da juventude é convertida numa pseudo-originalidade inteiramente articulada às demandas de mercado.</p>
<h3>A ditadura do novo</h3>
<p>Na essência, essa padronização dos comportamentos não deixa de ser um tipo de ditadura cultural – até porque, embora as ditaduras não sejam unânimes, elas se consolidam trucidando tudo aquilo que lhes aparece como obstáculo ou empecilho.</p>
<p>Basta analisarmos o arco de possibilidades de satisfação pessoal oferecidos em massa para qualquer um tenha acesso à televisão e internet. Em primeiro lugar, devemos ser ricos: a partir daí, teremos condições de lutar para permanecermos jovens por tempo indeterminado. Afinal, quanto custa uma alimentação orgânica e saudável incrementada por vitaminas e suplementos, uma lipoaspiração combinada com algumas aplicações de botox, um carro novo e potente, uma viagem que contemple a prática de esportes radicais, a mensalidade de uma boa academia de ginástica, uma noitada numa balada repleta de “gente bonita”?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58692" title="roberto-justus" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/roberto-justus.jpg?95884c" alt="" width="620" height="620" /></p>
<p><strong>A eternização da juventude é praticamente uma religião.</strong> Pode até ser fascinante e, evidentemente, produtora de muito prazer e euforia. Ocorre que nosso admirável mundo novo – high tech, clean e virtual – ainda não se despiu totalmente da sua velha roupagem. Competição, sofrimento, injustiça, frustração, tudo isso ainda existe, permeia a vida em sociedade e está longe de desaparecer.</p>
<p>O próprio avanço tecnológico que ampliou as possibilidades de comunicação e socialização também trouxe como consequência o aumento significativo da carga de trabalho. A qualquer momento, via iphone, tablet, notebook etc, estamos sujeitos às solicitações profissionais – o que significa que disciplina, discrição e sobriedade continuam sendo características indispensáveis para a sobrevivência no mundo real.</p>
<p>A situação se agrava se levarmos em conta que, tanto na produção artificial da juventude quanto na “guerra de todos contra todos” em busca do pão de cada dia, muita gente se encontra controlada e oprimida por uma dose excessiva de cobranças – no caso, não apenas as impostas pelo jogo social, mas também as que brotam da própria consciência.</p>
<p>Diferentemente de épocas passadas, a formação subjetiva não mais se realiza tendo como fundamento principal a repressão. Antigamente, suportar a frustração do desejo imediato significava superar impulsos, e, portanto, conquistar autonomia.</p>
<p>O problema é que boa parte de nossas crianças vive hoje numa espécie de ilha da fantasia e do terror. Desconhece limites, pois, aqueles que deveriam encarregar-se da tarefa repressora, os adultos, não conseguem sequer libertar-se de seus sonhos – e pesadelos – juvenis. Assim, o curto-circuito está armado: tanto crianças quanto adultos tornaram-se reféns da utopia jovem, uma miragem de beleza e felicidade inatingíveis, produzida e vendida em escala industrial.</p>
<p>Pode não ser mero acaso o fato de que, nos últimos anos, <strong>analgésicos, antidepressivos e estimulantes sexuais</strong> estejam liderando o ranking dos remédios mais vendidos no Brasil. Neste mundo de feição esquizofrênica, no qual a fixação do estilo de vida aventureiro tipicamente juvenil e as severas exigências de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo ocupam o mesmo espaço, o vídeo de Julie – mesmo com cheiro de farsa – também não deixaria de ser, romanticamente, uma espécie de monumento de resistência, capaz de manter viva na memória a certeza de que alguma espontaneidade, livre das pressões socialmente estabelecidas, merece ainda existir?</p>
<p>Resta saber se nós, adoradores da “estátua infantil”, e também as próximas gerações, teremos condições de superar ao longo de nossas vidas o maior de todos os dilemas da existência. O processo de jovialização da cultura alimenta-se vorazmente do humano – demasiado humano! – medo da morte. É no terror provocado pelo fim que encontramos as raízes da aversão que temos pelo envelhecimento hoje em dia. Enquanto isso, a ideia de amadurecimento pode estar prestes de ser abolida da humanidade.</p>
<p>E é justamente essa desconexão com a vida real, esse absoluto desprezo pelo tempo, o maior engodo que o vídeo de Julie pode nos oferecer. Afinal, como pensou uma vez Montaigne, &#8220;quem ensinasse os homens a morrer, os ensinaria a viver&#8221;.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Nossos 50 mil homens e mulheres</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/nossos-50-mil-homens-e-mulheres/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 18:08:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodolfo Viana</dc:creator>
				<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>
		<category><![CDATA[QG]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Temos uma lousa na sala de conteúdo do PdH. Nela, há muitos rabiscos, desenhos, palavras soltas que um dia fizeram parte de brainstorms&#8230; Como fomos &#8220;espertos&#8221; o bastante para escrever com um marcador inapropriado, esses rabiscos, desenhos e palavras nunca mais sairão de lá. No meio de confusão há uma data e um número: 02/08 [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Temos uma lousa na sala de conteúdo do PdH. Nela, há muitos rabiscos, desenhos, palavras soltas que um dia fizeram parte de brainstorms&#8230; Como fomos &#8220;espertos&#8221; o bastante para escrever com um marcador inapropriado, esses rabiscos, desenhos e palavras nunca mais sairão de lá.</p>
<p>No meio de confusão há uma data e um número: 02/08 &#8211; 13.000. Significa que <strong>no dia 2 de agosto de 2011, a <a href="http://pdh.co/pdh50mil" target="_blank">fanpage do PdH</a> chegou a 13 mil fãs.<span id="more-58696"></span></strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58700" title="Nossos 50 mil homens e mulheres" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/lousa1.jpg?95884c" alt="Nossos 50 mil homens e mulheres" width="620" height="429" /></p>
<p><strong>Hoje, pouco mais de nove meses depois, estamos chegando a 50 mil.</strong></p>
<p>São 50 mil pessoas que nos leem lá no Facebook, que curtem nossas postagens, que compartilham o que escrevemos.</p>
<p>Seria injusto não celebrar esta marca com vocês.</p>
<p>Por isso, <strong>pensamos em presentear um dos fãs, desde que ele presenteie seus amigos de Facebook com um post nosso</strong>. Funciona assim:</p>
<p style="padding-left: 60px;">1. Curta a fanpage do PdH (<a href="http://pdh.co/pdh50mil" target="_blank">facebook.com/papodehomem</a>) caso ainda não faça parte dos quase 50 mil.</p>
<p style="padding-left: 60px;">2. Escolha dentre os mais de 3 mil artigos do PdH aquele que você mais gosta.</p>
<p style="padding-left: 60px;">3. Compartilhe no seu mural de Facebook com uma mensagem que informe os seus amigos por que você acha este determinado artigo foda ou por que eles deveriam lê-lo. Segue um exemplo:</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58697" title="Nossos 50 mil homens e mulheres" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/face.jpg?95884c" alt="Nossos 50 mil homens e mulheres" width="620" height="307" /></p>
<p style="padding-left: 60px;">3. Copie o link da sua postagem e a justificativa postada lá no Facebook e cole aqui nos comentários.</p>
<p>Simples assim.</p>
<p>Quando a <a href="http://pdh.co/pdh50mil" target="_blank">fanpage do PdH</a> chegar a 50 mil, vamos sortear pelo <a href="http://www.random.org/" target="_blank">Random</a> um <strong>kit fodão</strong>, contendo:</p>
<p style="padding-left: 60px;">1. Camiseta do PdH que não está à venda;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58707" title="Nossos 50 mil homens e mulheres" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/camiseta.jpg?95884c" alt="Nossos 50 mil homens e mulheres" width="620" height="348" /></p>
<p style="padding-left: 60px;">2. Um <a href="http://pdh.co/facebookchivas" target="_blank">Chivas</a> 18 anos;</p>
<p style="padding-left: 60px;">3. Uma cesta de produtos eróticos da <a href="http://pdh.co/todaformadeamar" target="_blank">Loja do Prazer</a>.</p>
<p>O resultado será publicado aqui na forma de update e postado lá no Facebook.</p>
<p>É apenas um kit e é apenas um vencedor (sinceramente gostaríamos de presentear cada um de vocês), mas é nossa forma simbólica de agradecer a todos pela companhia constante, pelas palavras nos comentários, pelas ideias, pela ajuda na construção de um PdH mais foda&#8230;</p>
<p>Agradecimentos também às marcas que nos ajudam a deixar os leitores mais felizes, <a href="http://pdh.co/todaformadeamar" target="_blank">Loja do Prazer</a> e <a href="http://pdh.co/facebookchivas" target="_blank">Chivas</a>.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58718" title="Nossos 50 mil homens e mulheres" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Untitled-22.jpg?95884c" alt="Nossos 50 mil homens e mulheres" width="620" height="207" /></p>
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	</ol>
<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Como identificar um psicopata</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 03:02:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Frederico Mattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Listas e guias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A cena do Hannibal Lecter degustando o rosto do policial na prisão, ainda que muito atraente e instigante, não faz juz ao psicopata clássico. Há uma variação enorme de tipos de psicopata na matriz do diagnóstico de personalidade antissocial levantada pela APA (Associação de Psiquiatria Americana). Link YouTube &#124; Ok, a gente já botou o [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=He1MTYvyUes" target="_blank">A cena do Hannibal Lecter</a> degustando o rosto do policial na prisão, ainda que muito atraente e instigante, não faz juz ao psicopata clássico. Há uma variação enorme de tipos de psicopata na matriz do diagnóstico de personalidade antissocial levantada pela <a href="http://www.apa.org/" target="_blank">APA</a> (Associação de Psiquiatria Americana).<span id="more-58597"></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/He1MTYvyUes" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/He1MTYvyUes" target="_blank">Link YouTube</a> | Ok, a gente já botou o link logo no abre to texto, mas essa cena é boa demais pra ser só um link</em></p>
<p>A ideia de que existam pessoas sem coração, <a href="http://noticias.r7.com/internacional/noticias/homem-que-matou-e-comeu-vitima-e-solto-no-canada-20120519.html" target="_blank">aptas a nos matar num piscar de olhos</a>, nos amedronta a tal ponto que gostamos de saber tudo sobre elas. Como se vestem, comem, pensam e agem?</p>
<p><strong>Nutrir tal noção do mal distante também tranquiliza o nosso senso moral</strong>, confortável em saber do perigo bem longe de nós, enjaulado na mente de um sujeito sádico, perverso. Quase não-humano. O cinema americano adora retratar os psicopatas como seres que matam indiscriminadamente, com QI acima da média, sagazes e capazes de dar grandes bailes nos competentes agentes do FBI.</p>
<p>Nem sempre. Eles apenas têm um prejuízo na capacidade de processar emoções de simpatia, carinho e compaixão. Por essa razão, sua cognição fica liberada de culpa, vergonha, medo e receio. Sem tais filtros, agem de maneira muitas vezes imprevisível.</p>
<p><a href="http://www.portalhomem.com.br/artigos/todos-os-nossos-psicopatas" target="_blank">Quem não gostaria de se sentir assim</a> por alguns dias e resolver alguns problemas práticos sem tanta interferência dos impulsos do coração?</p>
<p>Existem 3 fatores que influenciam diretamente na gênese de um psicopata:</p>
<ul>
<li>Uma condição cerebral deficitária;</li>
<li>Fatores ambientais tóxicos, como uma família desajustada;</li>
<li>O traço psicológico desses comportamentos incitadas por um impulso emocional que carece de empatia.</li>
</ul>
<p><strong>Como falei, a ausência de culpa ou compaixão é a marca essencial do psicopata.</strong> Isso o leva a cometer inúmeros atos que atentam contra os outros.</p>
<h3>Por quê?</h3>
<p>O psicopata, tão temido e tido como a culpa de todos os males do mundo, <strong>anda entre nós e pode muito bem ser o seu amigo de infância</strong>, seu irmão, sua tia ou namorada.</p>
<p>Esse tipo de pessoa não vem com tarja preta na cara e nem com código de barras danificado. É bem possível que adore o seu amigo psicopata e, às vezes, até entre em roubadas por influência dele. É aquele cara que faz trapalhadas, exagera e perde a mão, quase como você. Ou melhor, pode ser você.</p>
<p>Para fins de exercício e pensando nos tipos com quais lidamos em nosso dia-a-dia, podemos dividir esse transtorno em 5 hipotéticos tipos. Não é uma escala oficial. Quero falar daquelas pessoas que nos deixam com uma pulga atrás da orelha. Nosso amigo de bar, o cara mais porra-loca da sala ou aquele que desistimos de esperar que devolva o dinheiro emprestado.</p>
<p>Vou descrevê-los em ordem de periculosidade, quase uma escala de maldade mesmo. Isso não quer dizer que todos esses perfis indicam pessoas prontas para cometer algum tipo de assassinato brutal no próximo final de semana.</p>
<h3>O conquistador</h3>
<div id="attachment_58613" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/como-identificar-um-psicopata/wallpaper-265187/" rel="attachment wp-att-58613"><img class="size-large wp-image-58613" title="American-Psycho" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/wallpaper-265187-620x348.jpg?95884c" alt="Como identificar um psicopata" width="620" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">Patrick Bateman, de &quot;American Psycho&quot;</p></div>
<p>Imagine que você acorda com o coração inquieto, uma angústia estranha e logo te vem uma garota linda na cabeça. Você sabe que precisa ligar para ela e combinar de sair. Nem vê que horas são e manda um torpedinho safado e cheio de amor para dar.</p>
<p>Ela responde ansiosa, com algumas gracinhas e você sente que ganhou o mundo. Mas até a noite chegar, vai demorar demais para aquele comichão passar e já que aquela vizinha gostosa te deu mole ontem não ia custar nada bater na porta dela pedindo um favor. Ela te vê pelo olho mágico demora mais um pouco e abre a porta de calcinha com carinha de &#8220;me pega com força&#8221;. E assim a brincadeira vai pelo resto do dia e das semanas. Só que toda a delícia começa a virar uma &#8220;perturbação&#8221;.</p>
<p><strong>O perfil:</strong> Esse é o tipo odiado e adorado por todas as mulheres. É capaz de falar com grande facilidade tudo aquilo que uma mulher gostaria de ouvir. Ele fareja boas oportunidades sexuais explorando aquela menina que acha que pode mudar o caráter do homem. Ele adora sentir aquele cheiro de vitória no ar.</p>
<p><strong>Não é necessariamente de sexo que ele gosta, mas sim da sensação de poder ter o sexo</strong>, afinal, ele é do tipo que se entedia rápido, muito rápido. Esse é o motivo pelo qual vai tentar desaparecer do motel ou da casa da guria logo que terminar de gozar.</p>
<p>A caçada valida sua potência. Seu carisma é incomum e encantador. Qualquer um quer ter ao seu lado esse tipo de pessoa como amigo ou como amante.</p>
<p>Por trás das mil maravilhas, vive ciclos de autoengano que recusa a enxergar. Evita o próprio sofrimento a todo custo, costurando as narrativas mais mirabolantes para se convencer de nunca ser o causador da dor alheia.</p>
<p><strong>Sua habilidade principal:</strong> encantar, adocicar a vida e tornar tudo mais leve. Parece buscar por reais vínculos, mas em verdade, não os desenvolve. Apenas falseia doces melodias.</p>
<h3>O malandrão</h3>
<div id="attachment_58605" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/como-identificar-um-psicopata/a-clockwork-orange-original/" rel="attachment wp-att-58605"><img class="size-large wp-image-58605" title="laranja-mecânica-alex-delarge" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/a-clockwork-orange-original-620x348.jpg?95884c" alt="Como identificar um psicopata" width="620" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">Alex DeLarge, de &quot;A Laranja Mecânica&quot;</p></div>
<p>Sabe aquela manhã gelada que nem dá gosto sair da cama? Pense como seria poder desligar o soneca do despertador não por 10 minutos, mas por quanto tempo você quisesse. Seria como viver em férias permanentes, sem dor de cabeça, contas à pagar ou problemas para resolver. O paraíso na Terra, sempre com uma mulher jeitosa do seu lado pronta para resolver cada impasse chato da vida cotidiana.</p>
<p><strong>Ele quer gozar a vida, só gozar</strong>.</p>
<p><strong>O perfil:</strong> Imagine a figura mítica do malandro carioca ou da maria chuteira. Meio preguiçoso, acorda bem tarde, mesmo tendo dormido cedo. Parece que tem uma ginga na alma que faz as pessoas se deliciarem com sua presença. Tem sempre um agrado nos lábios e uma rosa na mão.</p>
<p>Não tem medo de tiro, de ameaça, de mulher na TPM, muito menos de marido bravo. <strong>Ele é capaz de convencer o cornudo mais enfurecido de que não fez nada demais</strong>. Se pego na cena do crime, transando com a mulher do sujeito, enquanto ele estiver usando meias, ainda conseguirá convencer o chifrudo que estava consertando o chuveiro e para isso precisava estar nu. E pior, será convincente.</p>
<p>Ele estará nos bares, rachando a cerveja (a coxinha, o cigarro, a balada) dos &#8220;amigos&#8221; e o seu triunfo será quando encontrar uma doce mulher que será o seu passaporte para a felicidade. Condoída pela situação dele, vai hospedá-lo em casa. Como uma sanguesssuga, esse malandro irá sorver cada coisa que puder com um sorriso e cinismo no rosto, até que ela acabe indo embora, atormentada.</p>
<p><strong>Sua habilidade principal:</strong> aproveitar a vida como ninguém, sem pudor ou medo do dia seguinte. No entanto, com traços egoístas, autocentrados. Ignora o bom senso social, fingindo não ter desconfiômetro.</p>
<h3>O invocado</h3>
<div id="attachment_58633" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/como-identificar-um-psicopata/bill-the-butcher-cutting/" rel="attachment wp-att-58633"><img class="size-full wp-image-58633" title="Bill-'the-Butcher'-Cutting" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Bill-the-Butcher-Cutting.jpg?95884c" alt="" width="620" height="388" /></a><p class="wp-caption-text">Bill &quot;the Butcher&quot; Cutting, de &quot;Gangues de Nova York&quot;</p></div>
<p>Quem gosta de levar desaforo para casa e passar de covarde na frente dos outros? Se o cara te fechou no trânsito e foi folgado, porque não avançar nele e tirar satisfação? Qual o problema de colocar gente folgada no seu devido lugar? Se o mundo é feito de gente malandra, porque não mostrar quem manda no galinheiro? Qual o problema de querer tudo certo e do seu jeito?</p>
<p><strong>O perfil:</strong> Sabe aquele cara que você tem medo de encontrar na calçada e que tem um tipo de vermelhidão nos olhos de dar medo? É dele que falamos. Pronto para resolver seus problemas no tapa, ele é sempre o esquentadinho da turma. Na dúvida ele está metendo a mão na cara de alguém, homem ou mulher.</p>
<p><strong>Sem perceber, está sempre procurando um meio de arranjar encrenca</strong>. Por essa razão, adora o trânsito das metrópoles. Afeito ao porte de arma, tem sempre uma prestes a ser engatilhada. Aliás, tem uma filosofia bélica para lidar com a vida: ou você é seu aliado ou seu inimigo. 8 ou 80, costuma ter uma lista de desafetos e nunca faz questão de aliviar a barra de ninguém.</p>
<p>Adora filmes de guerra ou violência e, se pudesse, seria da polícia ou do crime organizado. De alguma forma, gosta de se envolver com coisas ligadas ao Direito, seja para corromper ou exercer o poder.</p>
<p><strong>Sua habilidade principal:</strong> identificar riscos e perigos físicos antes de todos, de forma a se manter sempre próximo da &#8220;confusão&#8221; &#8211; seja para agredir ou para atacar em nome da suposta proteção de si mesmo ou daqueles à sua volta.</p>
<h3>O golpista</h3>
<div id="attachment_58607" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/como-identificar-um-psicopata/alison-lohman-matchstick-men-hq-production-stills-alison-lohman-8115917-1950-1300/" rel="attachment wp-att-58607"><img class="size-large wp-image-58607" title="os-vigasistas" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Alison-Lohman-Matchstick-Men-HQ-Production-Stills-alison-lohman-8115917-1950-1300-620x413.jpg?95884c" alt="Como identificar um psicopata" width="620" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Roy Waller e Angela, de &quot;Os Vigaristas&quot;</p></div>
<p>O mundo é muito chato, demorado e cheio de burocracias inúteis. Seria bem legal se você pudesse se ver livre de todas elas e se dar muito bem no final. Ninguém está vendo e se estiver não tem problema, afinal, quem paga suas contas?</p>
<p>Na hora de pagar a conta com os amigos, nunca paga a maior parte. Todo mundo se divertiu &#8220;às suas custas&#8221; e podem pagar mais, inclusive a parte dele. Isso sim é que é vida. A fila do banco está demorando, as pessoas estão desatentas e você pode dar aquela furadinha sem afetar ninguém. Por que não?</p>
<p>&#8220;Jeitinho brasileiro&#8221; é seu sobrenome. Trambiques e maracutaia são seus irmãos.</p>
<p>Se precisar, inventa uma desculpa, daquelas mentirinhas inofensivas que não prejudicam ninguém. Se passar por outra pessoa para conseguir entrar numa festa, badalada ou ganhar uma graninha, &#8220;ia ser bem divertido&#8221;. Se todo mundo brinca de faz-de-conta no carnaval, porque não expandir a farra no resto do ano todo? É proibido proibir.</p>
<p><strong>O perfil:</strong> Famoso 171, com ele o fio de bigode não vale um tostão. &#8220;Dinheiro na mão é vendaval&#8221; e, quem puder emprestar, terá o retorno merecido e bem breve, quase próximo da sua morte. Se precisar, ele inventa uma voz, um comportamento ou gesto novo para se dar bem na vida.</p>
<p>É um camaleão social, sempre pronto para surrupiar um objeto, um posto, um cargo ou pessoa. É dissimulado e mentiroso, compulsivo e talentoso, sabe dar nó em pingo d&#8217;água como ninguém. Se for preciso, ele chora ou ri para se livrar de alguma encrenca.</p>
<p>O tipo mais cético é capaz de ser enganado por ele, aliás, os mais certinhos costumam ser as vítimas favoritas deles. Afinal, ele sabe massagear bem o ego dos outros para conseguir o que quer. Seu lema é &#8220;quero me dar bem, aqui e agora!&#8221; e, para isso, se aproxima de grupos de boas posições para tirar proveito e até praticar atos de estelionato.</p>
<p><strong>Sua habilidade principal: </strong>entender as sutilezas humanas com presteza fora do comum, manifestando ilusões capazes de mover as pessoas nas direções exatas em que deseja. Bancos, cofres e mulheres não possuem segredos diante de seu dom. Criam confiança, vendem sonhos e evocam ambições desconhecidas até mesmo por seus alvos.</p>
<h3>O serial killer</h3>
<div id="attachment_58616" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/como-identificar-um-psicopata/large_seven_blu-ray_8/" rel="attachment wp-att-58616"><img class="size-large wp-image-58616" title="john-doe-seven" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/large_seven_blu-ray_8-620x348.jpg?95884c" alt="Como identificar um psicopata" width="620" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">John Doe, de &quot;Se7ven - Os sete crimes capitais&quot;</p></div>
<p>Você agora tem uma sensação de medo constante, muito medo de que alguém atrapalhe seus planos do fim-de-semana. Tudo está planejado para sair do melhor jeito possível, nada pode dar errado, afinal, nem sempre você pode fazer aquilo que gosta. A sensação é de um baile de formatura, a balada do ano, seu dia de aniversário, um momento mágico.</p>
<p>Imagine alguém entrando no meio do caminho e tentando impedir você de conhecer aquela pessoa que vai te trazer um prazer absurdo. A frustração seria inigualável! Então é melhor dar cada passo por vez, meticulosamente, sem contar nada pra ninguém. Aquela comida deliciosa, só parecida com o almoço de sua mãe e que você espera comer há tanto tempo estará ali, te esperando suculenta. O doce sabor da carne humana em decomposição. Humm, inesquecível.</p>
<p><strong>O perfil:</strong> Seria adorável permanecer por um tempo sem se sentir muito culpado com as próprias ações, apertar o botão do foda-se e sair fazendo o que tiver vontade. Assim se sente o tipo mais perigoso dos psicopatas, os criminosos seriais &#8211; que podem incluir os pedófilos, estupradores, assassinos ocasionais e os que matam em série.</p>
<p>Liberdade radical é seu lema e ninguém poderá se interpor no seu caminho (correndo o risco de morte). Quem tenta atrapalhar suas vontadse está correndo um sério risco para seu bem-estar. Como ele é incapacitado de se colocar no lugar dos outros ou ter compaixão, costuma ter grande dificuldade de se adaptar ao convívio social. Ele desenvolveu a técnica de copiar os comportamentos dos outros e reagir de forma mais automática.</p>
<p>Sua sede por poder e busca por alívio da ansiedade costumam terminar no esquartejamento cuidadoso de uma vítima escolhida a dedo.</p>
<p><strong>Habilidade principal:</strong> ser frio, calculista e agir da forma que julgar adequada &#8211; meticulosa, impiedosa, impulsiva&#8230; &#8211; para conseguir aquilo que deseja. Sem sentimento de culpa, sem rodeios e sem justificativas.</p>
<h3>Err&#8230; então, como diferenciar um &#8220;conquistador/malandro/invocado normal&#8221; de um psicopata?</h3>
<p>A frequência e a consistência das ações, bem como os danos provenientes, são variáveis centrais nessa resposta.</p>
<p>Se a pessoa exibe algum dos comportamentos explicados com alta frequência (entre diária e semanal) e regularidade ao longo do tempo (três ou mais meses), perigo. Se ainda tais ações tendem a gerar  prejuízos materiais, emocionais e/ou sociais observáveis em, digamos, duas ou mais pessoas, acenda o alerta vermelho.</p>
<p>Você pode estar diante de um psicopata. Um em cada cem de nós, é.</p>
<p>Isso salienta um ponto interessante. Crimes não são a única válvula de escape para um psicopata. <a href="http://papodehomem.com.br/pelo-direito-de-ser-um-homem-torto/" target="_blank">Nossa sociedade é capaz de absorver tais comportamentos em suas engrenagens</a>, por meio de profissões nas quais a psicopatia possa ser sublimada, percebida até mesmo como uma qualidade.</p>
<p>Vendedores, seguranças, advogados, lutadores, cirurgiões, políticos, marqueteiros, executivos de alto nível&#8230; Praticamente qualquer cargo que exija traços persuasivos, dominadores, impositivos pode acomodar um psicopata. Óbvio, isso não seria exclusividade das profissões citadas. São meros exemplos.</p>
<p><strong>A maldade é uma questão de contexto, acessível a todos nós.</strong> Não se engane, você já cometeu atos deliberadamente maus, ruins, prejudiciais e causadores de infelicidade ao longo da vida. E, mesmo com certa dificuldade em admitir, gostou disso.</p>
<p>Porém, nem tudo é cinza. <a href="http://www.ted.com/talks/lang/en/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html" target="_blank">Vivemos em tempos cada vez mais civilizados</a>.</p>
<p>Não saímos na esquina para matar um desafeto feito no almoço &#8211; ainda que o Datena possa querer nos convencer do contrário. A natureza colaborativa e compassiva do ser humano se faz cada vez mais presente, para o nosso bem. Em grupos, mesmos indíviduos desviantes tornam-se aptos a viver uma vida plena, cultivando relações minimamente estáveis e funcionais.</p>
<p>Mesmo os supostos normais têm muito a aprender com aqueles que condenam. Boas doses de leveza, jogo de cintura e capacidade de lutar sem medo ou pudor por aquilo que desejamos são habilidades essenciais em nossas trajetórias.</p>
<p>Um pouquinho de psicopatia do bem em nosso cotidiano teria seu espaço, não acham?</p>
<p>***</p>
<p>Para aprofundar seu conhecimento:</p>
<ul>
<li>Livro <a href="http://www.americanas.com.br/produto/6755770/livros/psicologia/cienciascognitivas/livro-mentes-perigosas-o-psicopata-mora-ao-lado" target="_blank">Mentes Perigosas &#8211; o Psicopata Mora ao Lado</a>, escrito por Ana Beatriz Barbosa Silva</li>
<li>Livro <a href="http://www.amazon.com/Without-Conscience-Disturbing-World-Psychopaths/dp/1572304510" target="_blank">Without Conscience</a>, de Robert Hare, psicólogo, professor e PhD</li>
<li>Livro <a href="http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?sid=1873817623405122011212609&amp;prod=5736&amp;kb=970" target="_blank">Por que fazemos o mal?</a>, de minha autoria</li>
<li>Site <a href="http://www.psiqweb.med.br/site/" target="_blank">PsiqWeb</a>, do médico e professor psiquiatra Geraldo José Ballone (não se engane pelo visual ruim, o conteúdo é excelente)</li>
<li>Artigo <a href="http://papodehomem.com.br/pelo-direito-de-ser-um-homem-torto/" target="_blank">Pelo direito de ser um homem torto</a>, de minha autoria</li>
<li>Artigo <a href="http://super.abril.com.br/ciencia/pena-nem-perdao-620209.shtml" target="_blank">Sem pena nem perdão</a>, por Mauricio Horta, na Superinteressante</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h2 class="page_title froxo">LEIA TAMBÉM...</h2>
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	</ol>
<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<slash:comments>83</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Journey: três horas de generosidade com um controle de videogame nas mãos</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/journey-ps3/</link>
		<comments>http://papodehomem.com.br/journey-ps3/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 May 2012 20:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Bracht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Um completo estranho, sentado ao mesmo tempo que eu em frente ao seu PlayStation 3 em algum outro lugar desse planeta chamado Terra, acabou de dedicar três horas da vida dele a me guiar por uma jornada e me ensinar a ser como ele. Nós não trocamos sequer uma palavra e não sabíamos nem mesmo [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um completo estranho, sentado ao mesmo tempo que eu em frente ao seu PlayStation 3 em algum outro lugar desse planeta chamado Terra, acabou de dedicar três horas da vida dele a me guiar por uma jornada e me ensinar a ser como ele.</p>
<p>Nós não trocamos sequer uma palavra e não sabíamos nem mesmo o nome um do outro durante todo esse tempo.<span id="more-58543"></span></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58565" title="Journey" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/journey1.jpg?95884c" alt="Journey" width="620" height="349" /></p>
<p>O estranho me ajudou. Me mostrou onde estavam as coisas. Teve paciência comigo quando errei. Esperou por mim quando fiquei para trás e ficou para trás nas partes em que eu precisava ver as coisas por mim mesmo. Preocupou-se em ter certeza que eu não deixaria de passar pelos locais importantes e visse as coisas interessantes.</p>
<p>Com genuína surpresa, concluí: foi a primeira vez que um &#8220;jogo de videogame&#8221; me fez experimentar, em vez de agressividade, competitividade ou rivalidade, o sentimento de generosidade.</p>
<p><iframe src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F39658804&amp;show_artwork=true" frameborder="no" scrolling="no" width="100%" height="166"></iframe><br />
<em><a style="font-family: sans-serif; text-decoration: none;" href="http://www.curatorscode.org" target="_blank">ᔥ</a> <a href="http://soundcloud.com/awintory/journey-apotheosis">Soundcloud</a> | Trilha sonora do jogo e deste texto</em></p>
<h3>Sozinhos, mas juntos</h3>
<p><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Journey_(2012_video_game)">Journey</a></em> é um software interativo para PlayStation 3. Você joga com um controle, olhando para a TV, mas, como pode ver pelas aspas acima, estou tendo muita dificuldade em chamá-lo simplesmente de <em>um jogo de videogame</em>. Me parece uma definição insuficiente. No entanto, vamos seguir com esse conceito.</p>
<p>Você controla um personagem sem nome e com vestes vermelhas esvoaçantes. O objetivo, que logo fica claro, é cruzar o deserto até chegar ao alto de uma montanha distante no horizonte.</p>
<div id="attachment_58566" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58566" title="Journey" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/journey2.jpg?95884c" alt="Journey" width="620" height="349" /><p class="wp-caption-text">Há bem mais do que só areia entre você e aquela montanha</p></div>
<p>Para chegar lá, você vai passar por diversas áreas diferentes, e aqui entra a alma de <em>Journey</em>, o que torna ele uma experiência tão incrível: <strong>você não estará necessariamente sozinho</strong>.</p>
<p>Em cada área, você encontra uma outra pessoa. Alguém como você, com um personagem idêntico ao seu, jogando o mesmo trecho do mesmo jogo, ao mesmo tempo. A respeito um do outro, vocês não sabem nada além do fato de ser outro ser humano, ali, controlando aquele personagem junto do seu. A única forma possível de comunicação é um pequeno som e uma pequena luz para chamar atenção do outro explorador.</p>
<p>Uma experiência de existência compartilhada, através de um videogame. O quão louco é isso?</p>
<p><a href="http://www.jenovachen.com/">Jenova Chen</a>, o diretor e maior mente criativa por trás de <em>Journey</em>, recentemente deu <a href="http://trendygamers.com/2012/04/18/jenova-chen-interview-journey-fortune-cookies-project/">uma entrevista curta e ótima</a>, na qual cita aspectos espirituais, fala da importância da trilha sonora orquestrada (ela foi composta durante três anos) e referencia <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monomito"><em>Jornada do Herói</em>, de Joseph Campbell</a>. Meu trecho favorito:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nós observamos os jogos online para consoles e vimos que existe muita competição&#8230; as pessoas têm imagens muito negativas umas das outras. <strong>Quando você está em um jogo online, sente que todo mundo é meio cuzão</strong>.</p>
<p>Quando nós observamos [isso], pensamos se poderíamos criar um jogo no qual as pessoas realmente gostassem umas das outras ou se sentissem bem a respeito de estar junto com outro ser humano. Acreditamos que, pela natureza humana, este é um sentimento de que precisamos, e que as pessoas iriam gostar disso.&#8221;</p></blockquote>
<h3>O treinamento</h3>
<p>Cheguei ao fim dessa jornada duas vezes, na verdade. A primeira, porém, foi do jeito &#8220;errado&#8221;: em três sessões curtas (o jogo não dura muito mais do que um filme, então o ideal é começar e terminar de uma vez), sempre dividindo atenção com conversas por Facebook ou SMS. Já achei o jogo sensacional nessa primeira experiência, dividindo o protagonismo com outros seres cambaleantes, mas somente na segunda vez eu tive a experiência motivadora desse texto.</p>
<p>Ao começar a minha segunda jornada, em vez de encontrar um personagem com as vestes vermelhas iguais às minhas, me deparei com um ser mais angelical, vestindo branco e dourado. Diferente dos seres vermelhos que encontrei da primeira vez, ele não parecia perdido. Não parecia compartilhar o meu objetivo, o meu esforço de chegar ao final. Parecia mais tranquilo.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-58570" title="Journey" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/journey4.jpg?95884c" alt="Journey" width="620" height="349" /></p>
<p>Tomando a frente, ele me guiou (chamando com repetidas sequências daquele som, a única forma de comunicação no jogo) até dar a volta em uma queda de areia, atrás da qual havia um item brilhante escondido. Não o percebi da primeira vez que passei ali, e certamente não perceberia de novo. Aquele foi o momento quando entendi: ali estava alguém que já havia chegado ao final, conhecia cada canto desse mundo, e tinha voltado para guiar outra pessoa.</p>
<p>Essa outra pessoa era eu.</p>
<p>A pessoa controlando o ser branco não tinha motivo algum para fazer aquilo. Ela já havia terminado a jornada. Mas teve a generosidade de voltar e gastar seu tempo guiando outro jogador, dedicando-se a melhorar a experiência de outra pessoa. Descobri vários locais incríveis e coisas bem escondidas, unicamente graças à generosidade dessa segunda pessoa. Uma pessoa real, que existe, fora desse videogame, no mesmo mundo que eu, mas que não sei quem é.</p>
<p>Passei as próximas três horas na companhia dessa pessoa, até chegar, mais uma vez, ao final da minha jornada.</p>
<p>E descobri que agora também poderia me vestir de branco e dourado. <strong>Eu havia sido treinado para ajudar outras pessoas.</strong></p>
<p><em><iframe src="http://www.youtube.com/embed/lNHtReya_p0?rel=0" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<a style="font-family: sans-serif; text-decoration: none;" href="http://www.curatorscode.org" target="_blank">ᔥ</a> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lNHtReya_p0">YouTube</a> | Tente não se emocionar com este trailer</em></p>
<p>A vontade de retribuir imediatamente aquela generosidade era grande no meu coração, mas eu não tinha muito tempo. No pouco que tinha, descobri que <strong>um dos micro-objetivos do jogo era sentar em meditação por 20 segundos com outra pessoa</strong>.</p>
<p>Há um botão para sentar, mas ele não é óbvio ou necessário em momento algum do jogo. Esperei um pouco até encontrar outro jogador. Quando ele, vermelho com a inexperiência, me viu de branco e dourado, deve ter sentido o mesmo que eu havia sentido três horas antes. Comecei a sentar e levantar repetidas vezes, até o outro jogador entender a sugestão de que ele fizesse o mesmo. Após alguns momentos de hesitação, deve ter descoberto o botão para fazer isso e sentou.</p>
<p>Ficamos ali, sentados juntos no meio do jogo. Havia um cenário incrivelmente bonito ao nosso redor. Uma linda música suave tocava. Vinte segundos depois, um com a ajuda do outro, completamos a nossa pequena meditação.</p>
<p><img class="size-full wp-image-58595 alignnone" title="Reflection" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/reflection1.jpg?95884c" alt="Reflection" width="471" height="63" /></p>
<p>Ele deve ter se sentido grato.</p>
<p>* * *</p>
<p>A grande novidade dos games neste maio de 2012 é <em><a href="http://us.battle.net/d3/pt/?-">Diablo III</a></em>, um jogo cujas principais mecânicas envolvem matar, amaldiçoar, roubar e revender tesouros. Não há absolutamente nada de errado com isso. Mas para mim é reconfortante saber que <em>Journey</em> <a href="http://www.computerandvideogames.com/341983/journey-becomes-fastest-selling-psn-game-ever/">bateu o recorde de vendas da PlayStation Store</a>, tanto nas Américas quanto na Europa, desbancando um jogo com sangue até no nome.</p>
<p>Fico feliz em ver que, assim como no cinema há, para cada <em>Os Vingadores</em>, um <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=LGKzXUWAjnI" target="_blank">Pina</a></em>, também há cada vez mais nos games espaços para experiências sublimes.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cinema pornô no centro de São Paulo, a Sodoma underground</title>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 03:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Morato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Não há vendedores de pipoca na porta, apenas um camelô vendendo óculos de sol. Largo Paysandú, centro de São Paulo, 34º, meio-dia. No calçadão da Avenida São João, transitam pessoas dos mais diversos tipos. Em grandes cidades como esta, imagina-se já ter visto de tudo, ou quase. Cinema Alvorada, tradicional sala que fazia parte da [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não há vendedores de pipoca na porta, apenas um camelô vendendo óculos de sol. Largo Paysandú, centro de São Paulo, 34º, meio-dia.</p>
<p>No calçadão da Avenida São João, transitam pessoas dos mais diversos tipos. Em grandes cidades como esta, imagina-se já ter visto de tudo, ou quase. Cinema Alvorada, tradicional sala que fazia parte da chamada “Broadway paulistana” até o início dos anos 80, quando foi desativada. Reinaugurada na década de 90, tornou-se uma das maiores casas paulistanas dedicadas à exibição de filmes pornográficos.<span id="more-58482"></span></p>
<div id="attachment_58492" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/cinema-porno-no-centro-de-sao-paulo-a-sodoma-underground/5004027006_bbe14541d4_z/" rel="attachment wp-att-58492"><img class="size-large wp-image-58492" title="av-são-joão-são-paulo" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/5004027006_bbe14541d4_z-620x502.jpg?95884c" alt="cinema pornô no centro de São Paulo" width="620" height="502" /></a><p class="wp-caption-text">Av. São João. No meio disso tudo, há a sodomia underground de São Paulo</p></div>
<p>Me aproximei da única bilheteria. O ingresso custou R$3,00. A vendedora é jovem, bonita assim como qualquer bilheteira dos cinemas dos principais shoppings da cidade. Ela me pergunta se sou maior de idade e me pede documento. Após a análise, entrega o ingresso, da sessão do meio-dia. O Alvorada funciona 24 horas. Os filmes em cartaz são: “O jardim do Éder”, “Paty” e “As abertas”, que são exibidos alternadamente na única sala de projeção, <strong>onde o espectador pode ficar o quanto tempo quiser</strong>.</p>
<p>Ultrapassei a roleta e dei de frente com uma grande cortina preta. Com algum receio, passei por ela e encontrei uma enorme escadaria, semelhante a de algumas igrejas. Paredes laterais brancas, degraus emborrachados. Subi o primeiro lance, com o banheiro do lado direito. Olhando de fora, pode-se ver um grande espelho quebrado.</p>
<p>Dentro, o piso é vermelho feito de lajotas picotadas, os azulejos das paredes são azuis e percebe-se claramente a sujeira impregnada entre eles. A luz é fraca e o cheiro dos boxes é evidente até para quem está ainda longe. Olhando do lado esquerdo da escadaria, vi uma sala enorme e escura, pintada de preto do chão ao teto, com bancos de cimento seguindo por toda a sua lateral, apenas uma pessoa está lá, sentada. Uma mulher, loira, de porte bem avantajado, vestindo uma micro saia e blusinha, ambas rosa claro, provavelmente a espera de algum cliente.</p>
<p>Subindo lentamente mais dois grandes lances da enorme escadaria, encontrei mais uma cortina preta. Abri, agora menos apreensivo, e enxerguei a mais pura escuridão. <strong>Meu nariz rapidamente sentiu o forte e enjoativo odor do local, uma mistura de esperma com cloro</strong> &#8211; esse segundo, utilizado provavelmente na tentativa sem sucesso de diminuir o cheiro do primeiro. Na tela, um pouco menor do que a de um cinema comum, um homem alto e forte apalpa uma morena magra e de poucas curvas, num sofá, ambos de roupa, ainda. Me guiei pelas pequenas luzes das laterais da escada, localizada no meio da plateia. Com dificuldade e tateando com as mãos para não trombar com alguém, sentei na quinta fileira, de cima para baixo.</p>
<p>Os olhos vão se adaptando a pouca luminosidade e comecei a enxergar a sombra de alguns dos espectadores. Na parte central da sala, um homem acaricia as partes íntimas de outro, que já está quase deitado. Duas garotas de programa circulam pela sala, aparentemente oferecendo-se para a minúscula plateia. Uma delas se aproxima, veste um top e uma saia do tamanho de uma toalha de rosto. A moça para e diz: “Quer fazer um programa?”. “Não, obrigado”. Ela segue para o próximo possível cliente. Enquanto isso, no filme, ator e atriz já estão completamente nus.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/cinema-porno-no-centro-de-sao-paulo-a-sodoma-underground/marc-dorcel-3d-porn/" rel="attachment wp-att-58495"><img class="alignnone size-large wp-image-58495" title="naked-porn-blur" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/marc-dorcel-3d-porn-620x426.jpg?95884c" alt="Cinema pornô no centro de São Paulo" width="620" height="426" /></a></p>
<p>Alguns minutos depois, outra mulher aproxima-se, vestida de espartilho e uma saia um pouco menor. Oferece, de forma chula, um sexo oral. Pergunto o preço: “dez reais”. Recuso e agradeço. Em poucos segundos ela retorna e pede para sentar ao meu lado. Acomodada, me faz uma oferta &#8211; mais uma vez com linguajar impublicável &#8211; uma promoção de duas chupadas por apenas quinze reais. Nego e lhe agradeço mais uma vez. A moça diz trabalhar somente no cinema e presta serviços a seus clientes ali mesmo.“Qualquer coisa é só chamar”. Levanta e vai embora.</p>
<p>O forte cheiro e o calor pela ausência do ar condicionado começam a embrulhar o estômago. <strong>O rangido das poltronas balançando é constante</strong>. Percebo a aproximação de um homem, ele para na minha frente. Franzino, moreno, de cabelos bem curtos, veste uma camisa social preta de manga comprida, calça marrom, sapato social e uma bolsa masculina, também preta; de joelhos levemente dobrados, com os pés virados um para o outro e roendo as unhas, solta uma voz fina, extremamente afeminada, quase infantil. Me oferece o mesmo tipo de habilidade que as outras duas garotas de programa. Minha resposta é o já repetitivo “não, obrigado”. Ele insiste, quase que implorando: “mas é de graça!”. Nego novamente, com veemência maior, e ele se vai.</p>
<p>O filme continua sem cortes e com a qualidade cinematográfica dos piores vídeos amadores que se possa encontrar na internet. O ator não diz uma palavra e a atriz emite gritos e pedidos de persistência dignos do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Framboesa_de_Ouro" target="_blank">Framboesa de Ouro</a>. Um senhor &#8211; cabelos brancos, camisa e calça social &#8211; entra timidamente na sala, senta-se nas fileiras da frente, rapidamente uma das garotas senta-se ao seu lado, conversam por alguns minutos &#8211; possivelmente negociando –, ela levanta e se vai, sozinha.</p>
<p>Mais uma vez, o tímido rapaz de camisa preta se aproxima de mim e, para a minha desconfiança, ele caminha lentamente rodeando a minha poltrona. De repente, de forma aflita, me implora para que eu aceite seus serviços, especificando que não cobrará por nada. Nego com certa estupidez e ele se vai.</p>
<p>Na tela, o ator chega ao final de seu trabalho, o único som que se escuta da platéia é o salto alto de uma das garotas de programa que caminham pela sala. O filme termina e, com um truque de computação gráfica típico da década de 70, dá-se início mais um filme.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/cinema-porno-no-centro-de-sao-paulo-a-sodoma-underground/wildcats/" rel="attachment wp-att-58498"><img class="alignnone size-large wp-image-58498" title="naked-sex-porn-blur" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/wildcats-620x469.jpg?95884c" alt="Cinema pornô no centro de São Paulo" width="620" height="469" /></a></p>
<p>Levanto-me, desço a escada em meio à platéia e caminho em direção as cortinas que cobrem a saída. Após abrí-la, já não sinto mais o forte cheiro da sala, apenas um forte calor pela pouca circulação de ar. Desço tranquilamente a longa escadaria, olhando novamente para o grande pátio escuro e vejo que não há mais ninguém.</p>
<p>Cruzo com a moça que me fez a oferta por irrisórios quinze reais. Ela se despede com um aceno e diz: “tchau, lindo”. Chegando ao pé da escada, abro a última cortina e a forte luz do Sol me cega por alguns pequenos segundos.</p>
<p>Sinto o ar puro e refrescante dos 34º do cinzento e poluído centro de São Paulo, o que é pouco para aliviar o ainda forte embrulho no estômago. <strong>A perversão sexual decadente no centro da cidade não é pra qualquer um não</strong>.</p>
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