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	<title>Papo de Homem &#187; Entrevistas e perfis</title>
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		<title>Eric Cantona &#124; Homens Que Você Deveria Conhecer #30</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 06:15:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fred Fagundes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[No Ângulo: textos PdH sobre futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Há alguns dias, no local mais clichê possível para uma discussão sobre futebol (daquelas em que encontramos soluções óbvias para o meio de campo da Seleção Brasileira, a economia da Argentina e a paz no Oriente Médio), um grande amigo fã de Lionel Messi e conhecedor da minha, digamos, inaptidão pelo futebol bailarino, provocou: – Mas [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns dias, <a href="http://maps.google.com.br/maps?q=S%C3%A3o+Crist%C3%B3v%C3%A3o+-+R.+Aspicuelta,+533+-+Vila+Madalena,+S%C3%A3o+Paulo,+05433-011&amp;hl=pt-BR&amp;ie=UTF8&amp;sll=-14.239424,-53.186502&amp;sspn=45.124209,86.572266&amp;t=h&amp;geocode=FQWImP4d5I83_Q&amp;hnear=S%C3%A3o+Crist%C3%B3v%C3%A3o+-+R.+Aspicuelta,+533+-+Vila+Madalena,+S%C3%A3o+Paulo,+05433-011&amp;z=15">no local mais clichê possível para uma discussão sobre futebol</a> (daquelas em que encontramos soluções óbvias para o meio de campo da Seleção Brasileira, a economia da Argentina e a paz no Oriente Médio), um grande amigo fã de Lionel Messi e conhecedor da minha, digamos, inaptidão pelo futebol bailarino, provocou:</p>
<p><span id="more-56972"></span></p>
<blockquote><p>– Mas vem cá, Fagundes. E o Messi? Ele já é mais jogador que o Maradona?</p></blockquote>
<p>Observem a essência do questionamento: “ele é mais jogador?”. Se a pergunta fosse <em>quem é mais importante para o seu time, quem é mais decisivo ou quem tem a melhor média de gols</em>, sem dúvida eu cravaria: Messi. Mas quando você precisa apontar alguém que será considerado <em>mais</em> jogador que os outros, é preciso ir além dos números e retrospecto. É preciso entender a importância dele para uma torcida.</p>
<p>O jogador <em>mais</em> do que os outros é aquele capaz de inspirar o conceito de futebol erguido pelo clube. Ou então, se as coisas não estão bem, introduzir uma nova escola de jogo. É aquele que representa um acréscimo não só durante os 90 minutos, mas para o futebol em si. Que vende, que orienta, que pauta, que inspira e que representa para o esporte e todos seus envolvidos.</p>
<p>Por isso eu respondi:</p>
<blockquote><p>– Maradona. Além de tudo que vou escrever no segundo parágrafo do post de quinta, ele ainda era craque.</p></blockquote>
<p>Entre os mortais, poucos se aproximaram de Maradona. Dessa genial relevância aliada a capacidade.</p>
<p>Eric Cantona foi – e ainda é – um deles.</p>
<div id="attachment_56973" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-56973 " title="Eric Cantona | Homens Que Você Deveria Conhecer #30" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Cantona-001.jpg?95884c" alt="" width="620" height="866" /><p class="wp-caption-text">Foto rara: o começo de Cantona no Auxerre</p></div>
<h3>Da volância para o ataque no Auxerre</h3>
<p>Eric Cantona ganhou o status de figura folclórica com o passar dos anos. Mas não como um Túlio, René Higuita ou Roger Milla. A personalidade forte, as frases de impacto e, especialmente, o temperamento transformaram o francês em um jogador caricato. Aliado a isso, claro, uma inigualável capacidade de crescimento em decisões e uma garra que destoava dos grupos de jogadores franceses.</p>
<p>Isso foi observado logo nos primeiros jogos pelo Auxerre, onde chegou com apenas 15 anos. O jogador demonstrava uma liderança típica de um atleta de meio de campo. Contudo, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VaK1_9yS1_g" target="_blank">a técnica era muito atraente para o francês ficar tão distante do gol adversário</a>. Foi esse o principal fator que fez com que Cantona ganhasse a posição de atacante.</p>
<p>Após uma temporada discreta no Auxerre, Cantona foi emprestado para Martigues, onde disputou a segunda divisão. De volta ao clube de origem, desencadeou as primeiras polêmicas. Agrediu o companheiro Bruno Martini e foi suspenso após <a href="http://www.youtube.com/watch?v=47hzr8bfz-8" target="_blank">expulsão por dura falta em Michel Der Zakarian</a>. No mesmo ano, conquistou o sul-americano sub-21 com a Seleção Francesa.</p>
<p>Mesmo demonstrando problemas disciplinares, o Marseille contratou o jogador pagando um valor recorde na época: U$3 milhões. Com o status de estrela, Cantona não mudou. Só piorou. No início do ano seguinte à sua contratação, num amistoso contra o Torpedo Moscou, chutou a bola contra a torcida e arrancou sua camisa após ser substituído. Acabou sendo suspenso do clube durante um mês, sendo afastado também da Seleção Francesa após insultar o treinador em um programa de televisão.</p>
<div id="attachment_56974" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-56974 " title="Eric Cantona | Homens Que Você Deveria Conhecer #30" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Cantona-002.jpg?95884c" alt="" width="620" height="408" /><p class="wp-caption-text">O estilo marrento e a personalidade forte estavam presentes desde o início</p></div>
<p>Cantona conseguiu um feito único quando foi emprestado ao até então modesto Montpellier: <strong>teve o pedido de demissão requisitado pelos colegas de equipe.</strong> Isso aconteceu após o francês jogar um par de chuteiras no companheiro de time. Um dos pedidos, inclusive, partiu de Valderrama, popular jogador da Seleção Colombiana. A atitude não teve efeito. Cantona seguiu no time e foi <a href="http://www.youtube.com/watch?v=nZ0g-PEDV34" target="_blank">importantíssimo para a conquista da Copa da Franca de 1989.</a></p>
<p>Com boas atuações, retornou ao Marseille. Acabou não se entendendo com o técnico. Foi negociado com o pequeno Nîmes, que pagou U$2,5 milhões. No Nîmes, adivinhe: voltou a ter problemas disciplinares. Numa partida na Liga Francesa em dezembro de 1991, Cantona, irritado com as decisões do árbitro, atirou a bola contra o mesmo. No julgamento sobre seu ato, o jogador xingou um dos os responsáveis pela punição.</p>
<p><strong>Resultado: dois meses extras de gancho.</strong></p>
<p>A atitude da Federação Francesa fez Cantona repensar a carreira. O jogador anunciou aposentadoria após a decisão do Supremo Tribunal Desportivo Frances. O ídolo nacional Michel Platini (que no ano seguinte levaria Cantona à Eurocopa 1992), juntamente com o então dirigente da Federação Francesa de Futebol, Gérard Houllier, o convenceram a mudar de ideia sobre a prematura desistência da carreira.</p>
<p>Valeu a pena. No ano seguinte Cantona assinou com o Leeds United, da Inglaterra. Lá, ao lado de Lee Champman, o atacante conquistou o último título nacional do clube e fez história ao dois hat-tricks contra Liverpool e Tottenham na primeira Premier League da história. As boas atuações abriram o olho do Manchester United.</p>
<p>E lá, enfim, Cantona se sentiu em casa.</p>
<div id="attachment_56975" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-56975 " title="Eric Cantona | Homens Que Você Deveria Conhecer #30" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Cantona-003.jpg?95884c" alt="" width="620" height="439" /><p class="wp-caption-text">A apresentação do jogador no gigante Manchester United</p></div>
<h3>História no Manchester</h3>
<p>Foi jogando no Manchester United que Cantona viveu os melhores anos de sua vida. O jogador foi responsável pelo ressurgimento do clube que dominou a Inglaterra na década de 70. Vestindo a mística camisa 7, foi duas vezes campeão nacional logo na sua chegada. As boas atuações o levaram ao posto de ídolo.</p>
<p>Porem, algumas coisas não mudam. Entre elas, o temperamento de Cantona. Os problemas disciplinares continuaram. E o jogador, para a felicidade dos sensacionalistas tabloides britânicos, caiu na graça dos torcedores. Virou um símbolo de revolta sem causa comum nos anos 90. Em 1994, após uma briga de bar, foi preso e algemado. <strong>Conseguiu se soltar e deferiu um soco no policial</strong>, resultando em vários processos que quase o tiraram da Premier League do anos seguinte.</p>
<p>Parecia ser o limite. Até que ocorreu a maior crise de sua carreira. Em 1995, durante uma partida contra o Crystal Palace, Cantona receber o cartão vermelho após uma falta violenta. Ao sair de campo, quando teve que passar próximo da torcida rival, o jogador foi xingado por diversos torcedores. Entre eles, Matthew Simmons, um hooligan que virou celebridade na Inglaterra. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HC7LTZcNCI0" target="_blank">Cantona deferiu uma voadora e vários socos em Simmons</a>, iniciando uma confusão entre jogadores e torcedores.</p>
<p>O saldo foi uma punição da FIFA de nove meses longe dos gramados.</p>
<div id="attachment_56976" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=HC7LTZcNCI0" target="_blank"><img class="size-full wp-image-56976 " title="Eric Cantona | Homens Que Você Deveria Conhecer #30" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Cantona-004.jpg?95884c" alt="" width="620" height="435" /></a><p class="wp-caption-text">A histórica voadora em Matthew Simmons. Clique na imagem para ver o vídeo</p></div>
<h3>A decepção na Copa de 98</h3>
<p>Ao contrário de todas as previsões, o Manchester renovou o contrato de Cantona mesmo com a punição. Porém, o jogador voltou a arrumar encrenca. Agrediu um repórter e perdeu sua vaga na Seleção Francesa, onde era titular e capitão antes da suspensão. O treinador Aimé Jacquet decidiu afastar o jogador e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CLddUfcfErg">deixa-lo fora da Copa do Mundo de 1998</a> e da<a href="http://www.youtube.com/watch?v=GwNekXYhacM" target="_blank"> Eurocopa de 2000</a>, onde a França de Zidane saiu com o título.</p>
<p>Foi o necessário para Cantona anunciar sua saída do futebol. Com 30 anos, o jogador que reergueu o Manchester United, que recriou a imagem do jogador de futebol com personalidade nos anos 90, que batia de frente com a FIFA e imprensa estava definindo sua aposentadoria.</p>
<p>O futebol percebeu que tratava-se de uma perda para a imagem do esporte. As marcas, principalmente. Foi o início de um trabalho conjunto de marketing que trouxe de volta a força da persuasão que Cantona tinha sobre os torcedores. Ou mais do que isso. Talvez a imagem do jogador problema, que não tinha um mundo perfeito, e refletia na realidade de todos os fãs do Manchester United.</p>
<div id="attachment_56977" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-56977 " title="Eric Cantona | Homens Que Você Deveria Conhecer #30" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/manchester_2104789b.jpg?95884c" alt="" width="620" height="388" /><p class="wp-caption-text">Cantona se despede do futebol em 1998: ele quase enfrentou o Brasil na Copa</p></div>
<h3>Garoto propaganda</h3>
<p>Assim, Cantona virou, antes de tudo, garoto propaganda da Nike. Sabe-se lá se ironicamente, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=P1pCJoTOPTM" target="_blank">estrelou a campanha Joga Bonito</a>. Era o apresentador de um programa fictício que chamava lances de dribles e pura plástica de Ronaldinho, Ronaldo e Drogba. Sucesso no mundo todo, foi sua primeira demonstração de volta ao <em>show business</em> depois de anos sem dar as caras na mídia.</p>
<p>Logo depois, em uma eleição realizada pelo Manchester United, foi escolhido o melhor jogador da história do clube, superando lendas como <a href="http://papodehomem.com.br/george-best-homens-que-voce-deveria-conhecer/" target="_blank">George Best</a> e Bobby Charlton. A eleição trouxe a tona um Eric mais calmo, mais comedido, que sabia que sua imagem de durão podia ser trabalhada para o bem. E foi isso o que ele fez no filme <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt1242545/" target="_blank">Looking for Eric</a></em>, de 2009.</p>
<p>No longa, Cantona interpreta ele mesmo. O filme fala sobre a fuga da aflição da vida moderna que o futebol e seus heróis proporcionam aos seus fãs. Cantona, na mente do personagem, o instrui por meio de treinamentos e orientações filosóficas a ter uma melhor visão e perspectiva de vida. E é um primor.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/GgmTRuWMyeI" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GgmTRuWMyeI" target="_blank">Link YouTube</a> | Um dos raros filmes bons sobre futebol</em></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=MX9R_Gsbu1s" target="_blank">O ex-jogador, hoje, é diretor de futebol do New York Cosmos</a>. Trabalha como um manager, onde administra treinamentos de times de base e opina sobre ações de marketing.</p>
<p>Toda essa experiência adquirida e vangloriada nos 30 anos dedicado ao futebol. Cantona, mesmo tendo jogado pouco, marcou uma geração pelos seus atos. Na maioria, nada correto. Mas de uma identificação inigualável com o torcedor. <strong>Não existiu jogador mais real dos que Eric Cantona na década de 90.</strong></p>
<p>É fácil explicar isso. Cantona, mesmo no auge, ídolo e famoso, demonstrava suas neuras. Era um homem vestindo a camisa do seu time. Um jogador que podia estar bem um dia, mas mal no outro. Não se tratava de carros importados ou mulheres. Mas de um estado de espírito. De quem, quando em fase ruim, não deixava de lutar para dar a volta por cima. Exatamente como é a rotina do torcedor comum.</p>
<p>Eric Cantona é um reflexo da vida.</p>
<p>E por isso ele é um jogador <em>mais</em>.</p>
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		<title>Sérgio Vieira de Mello &#124; Homens que você deveria conhecer #28</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 03:02:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Dubard</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Já tinha ouvido o nome de Sérgio Vieira de Mello na televisão, lido em jornais e revistas, mas foi em uma conversa de botequim que o nome passou do espectro distante ao real. Entre um copo e outro, Sérgio se tornou uma pessoa para mim. Naquele bar, uma grande amiga segurava lágrimas ao falar de [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Já tinha ouvido o nome de Sérgio Vieira de Mello na televisão, lido em jornais e revistas, mas foi em uma conversa de botequim que o nome passou do espectro distante ao real. <strong>Entre um copo e outro, Sérgio se tornou uma pessoa para mim</strong>. Naquele bar, uma grande amiga segurava lágrimas ao falar de um brasileiro que viveu e morreu por sua causa. Ele perdeu a vida dia 19 de agosto de 2003, em um atentado a bomba à sede da missão da ONU no hotel Canal, em Bagdá.<span id="more-55408"></span></p>
<div id="attachment_55438" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/sergio-vieira-de-mello-homens-que-voce-deveria-conhecer-28/iraqi-freedom/" rel="attachment wp-att-55438"><img class="size-large wp-image-55438" title="Sergio Vieira de Mello | Homens que você deveria conhecer #28" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/Sergio_Vieira_de_Mello_DF-SD-04-02189-620x413.jpg?95884c" alt="" width="620" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Todas as honrarias para uma vida promissora, parada antes do tempo certo</p></div>
<p>Filho de diplomata, Sérgio – ainda jovem – se tornou cidadão do mundo ao acompanhar o pai em Genova, Milão, Beirute e Roma. Na juventude, começou os estudos em filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas se formou pela <a href="http://www.english.paris-sorbonne.fr/" target="_blank">Sorbonne</a>. Em 1969, mudou-se para Genebra e passou a trabalhar junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (<a href="http://www.unhcr.org/cgi-bin/texis/vtx/home" target="_blank">ACNUR</a>).</p>
<p>Dentro da ONU, Sérgio trilhou um caminho que nenhum brasileiro tinha feito até então. Começou como editor de língua francesa, subiu de degrau em degrau. Foi diretor de projeto na independência do Paquistão Oriental (hoje Bangladesh), dirigiu o programa para refugiados no Sudão e em Chipre, foi representante do ACNUR em Moçambique e no Peru. Em 1999, foi nomeado pelo então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Anan, Administrador de Transição no Timor Leste. Em 2002, no cargo de Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Sérgio era um homem de destaque e importância globais.</p>
<p>O que tornou Sérgio Vieira de Mello mais do que um simples alto funcionário de um organismo internacional foi o seu caráter humanista, a defesa incessante da democracia e uma surpreendente capacidade de reconhecer pelo que se valia a pena lutar, mesmo dentro de uma organização fragilizada e cheia de mazelas como a ONU. Vieira de Mello apontava frequentemente a inoperância dos programas de refugiados e a incapacidade em garantir a segurança nessas regiões. Criticava decisões do Conselho de Segurança.</p>
<p>Mesmo dentro da estrutura de poder da ONU, Sérgio se mantinha conectado aos seus ideais humanistas. Ao se apresentar como Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, disse:</p>
<blockquote><p>“Nunca esqueçam que os verdadeiros desafios e as verdadeiras recompensas se encontram lá fora, no campo, onde as pessoas estão sofrendo, onde as pessoas precisam de vocês.”</p></blockquote>
</div>
<p>Ficou conhecido por sua coragem e por assumir riscos pessoais para se aproximar das populações que as ações das ONU deveriam auxiliar. Sérgio percorreu o Camboja para se encontrar com os líderes do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Khmer_Vermelho" target="_blank">Khmer Vermelho</a> e marcou reuniões repetidamente com os sérvios, apesar das evidências de chacinas que eles praticavam contra os bósnios. Aplicar de forma rigorosa a imparcialidade que a ONU precisa manter, sem cair em julgamentos e preconceitos, era uma das marcas registradas de Vieira de Mello.</p>
<div id="attachment_55445" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/sergio-vieira-de-mello-homens-que-voce-deveria-conhecer-28/sergio_filmstill5/" rel="attachment wp-att-55445"><img class="size-large wp-image-55445" title="Sérgio Vieira de Mello | Homens que você deveria conhecer #28" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/sergio_filmstill5-620x411.jpg?95884c" alt="" width="620" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">Mello era um homem de palavras e também de ações</p></div>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kofi_Annan" target="_blank">Kofi Annan</a>, secretário-geral da ONU, dizia que o diplomata “é uma das pessoas que eu imaginava que um dia faria o meu trabalho”. Ele conheceu Vieira de Mello em 1980 e, mesmo passados anos da perda do brasileiro, ainda se refere ao brasileiro no presente. “Eu perdi um amigo íntimo, um grande profissional para as Nações Unidas, mas eu também fui o responsável por mandá-lo para lá”, disse <a href="http://www.viddler.com/v/b47ec0c8" target="_blank">em entrevista</a> o ex-secretário.</p>
<p>As pessoas que viabilizavam a candidatura dele para a posição outrora de Kofi Annan acreditavam que Vieira de Mello pudesse alterar profundamente a estrutura da organização e a tornaria mais eficiente. “O homem para resolver qualquer problema”, já havia dito Annan. Hábil negociador, Sérgio foi muitas vezes convocado para solucionar crises.</p>
<p>Foi essa habilidade que o levou ao Iraque. Cerca de um mês antes do ataque que tirou sua vida, o diplomata falou sobre a presença da ONU no país: &#8220;A presença das Nações Unidas no Iraque permanece vulnerável para qualquer um que vise atacar a organização.&#8221;</p>
<p>Uma das maiores frustrações de Vieira de Mello foi fracassar em negociar um acordo entre o Hezbollah e Israel. Em 1982, Sérgio manteve longa negociação com os militantes, que poucos dias depois de se encontrarem com Vieira de Mello atacaram Israel com mísseis terra-ar, o que deu início à Guerra do Líbano.</p>
<p>Sérgio representou um ideal que é difícil de não ser admirado. Alguém que se sacrifica pelo que é certo, que não luta contra soldados inimigos, mas sim por aqueles que não podem lutar por si mesmos.</p>
<div id="attachment_55448" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/sergio-vieira-de-mello-homens-que-voce-deveria-conhecer-28/sergio-koni-anan/" rel="attachment wp-att-55448"><img class="size-full wp-image-55448" title="Sérgio Vieira de Mello | Homens que você deveria conhecer #28" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/Sergio-Koni-anan.jpg?95884c" alt="" width="620" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Sérgio Vieira de Mello e Kofi Annan: admiração mútua</p></div>
<p><strong>Vieira de Mello viveu pelo que acreditou. E por acreditar que podia salvar o mundo, se despediu dele.</strong></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Conversas com Mr. DOPS</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 14:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pública</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Por Marina Amaral, da agência Pública Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o “doutor Paulo”, delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, “o melhor departamento de polícia da América Latina”, não se cansa de repetir.“O DOPS era um órgão de inteligência policial, [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Marina Amaral, da agência <a href="http://apublica.org/" target="_blank">Pública</a></strong></em></p>
<p>Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o “doutor Paulo”, delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, “o melhor departamento de polícia da América Latina”, não se cansa de repetir.“O DOPS era um órgão de inteligência policial, fazíamos o levantamento de todo e qualquer cidadão que tivesse alguma coisa contra o governo, chegamos a ter fichas de 200 mil pessoas durante a revolução”, diz, referindo-se ao golpe militar de 1964, que deu origem aos 20 anos de ditadura no Brasil.<span id="more-55458"></span></p>
<p>Embora esteja aposentado há 27 anos, não há nada de senil em sua atitude ou aparência. Os olhos astutos de policial ainda dispensam os óculos para perscrutar o rosto do interlocutor, endurecendo quando o delegado acha que é hora de encerrar o assunto.</p>
<div id="attachment_55463" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-55463" title="Conversas com Mr. DOPS" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/5.-JFR_DrPaulo_012-427x380.jpg?95884c" alt="" width="620" height="504" /><p class="wp-caption-text">Dr Paulo Bonchristiano, ex-delegado do DOPS (Foto: Julia Rodrigues)</p></div>
<p>Bonchristiano gosta de dar entrevistas, mas não de responder a perguntas que lancem luz sobre os crimes cometidos pelo aparelho policial-militar da ditadura do qual participou entre 1964 e 1983: prisões ilegais, sequestros, torturas, lesões corporais, estupros e homicídios que, segundo estimativas da Procuradoria da República, vitimaram cerca de 30 mil cidadãos. Destes, 376 foram mortos, incluindo mais de 200 que continuam até hoje desaparecidos.</p>
<p>Os arquivos do DOPS se tornaram públicos em 1992, mas muitos documentos foram retirados pelos policiais quando estavam sob a guarda do então diretor da Polícia Federal e ex-diretor geral do DOPS, Romeu Tuma. Entre os remanescentes estão os laudos periciais falsos, produzidos no próprio DOPS, que transformavam homicídios cometidos pelos agentes do Estado em suicídios, atropelamentos, fugas. No caso dos desaparecidos, os corpos eram enterrados sob nomes falsos em valas de indigentes em cemitérios de periferia.</p>
<h3>Globo, Folha, Bradesco – e Niles Bond</h3>
<p>Bonchristiano é um dos poucos delegados ainda vivos que participaram desse período, mas ele evita falar sobre os crimes. Prefere soltar o vozeirão para contar casos do tempo em que os generais e empresários o tratavam pelo nome. Roberto Marinho, da Globo, diz, “passava no DOPS para conversar com a gente quando estava em São Paulo”, e ele podia telefonar a Octávio Frias, da Folha de S. Paulo “para pedir o que o DOPS precisasse”. Quando participou da montagem da Polícia Federal em São Paulo, conta, o fundador do Bradesco mobiliou a sede, em Higienópolis: “Nós do DOPS falamos com o Amador Aguiar ele mandou por tudo dentro da rua Piauí, até máquina de escrever”.</p>
<p>O “doutor Paulo” sorri enlevado ao lembrar dos momentos passados com o marechal Costa e Silva (o presidente que assinou o AI-5 em dezembro de 1968, suspendendo as garantias constitucionais da população). “O Costa e Silva, quando vinha a São Paulo, dizia: ‘Eu quero o doutor Paulo Bonchristiano’”, e imita a voz do marechal – ele adora representar os casos que conta.</p>
<p>“Eu fazia a escolta dele e ele me chamava para tomar um suco de laranja ou comer um sanduíche misto na padaria Miami, na rua Tutóia, vizinha ao quartel do II Exército. Todo mundo querendo saber onde estava o presidente da República, e eu ali”, delicia-se.</p>
<p>Gaba-se de ter sido enviado para “cursos de treinamento em Langley” nos Estados Unidos, pelo cônsul geral em São Paulo, Niles Bond, que admirava a “eficiência” da polícia política paulista. E o chamava de “Mr. Dops”.</p>
<p>Orgulha-se também de outro apelido – “Paulão, Cacete e Bala” – que diz ter saído da boca dos “tiras” quando “caçava bandidos” na RUDI (Rotas Unificadas da Delegacia de Investigação), no início da carreira, com um “tira valente” chamado Sérgio Fleury. Anos depois, os dois se reencontrariam na Rádio Patrulha, de onde saiu a turma do Esquadrão da Morte, levada para o DOPS em 1969, quando Fleury entrou no órgão.</p>
<p>“Polícia é polícia, bandido é bandido”, diz Bonchristiano. “Para vocês de fora é diferente, mas para nós, acabar com marginal é uma coisa positiva. O meu colega Fleury merecia um busto em praça pública”, afirma, sem corar.</p>
<div id="attachment_55460" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-55460" title="Conversas com Mr. DOPS" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/2.-JFR_DrPaulo_005.jpg?95884c" alt="" width="620" height="481" /><p class="wp-caption-text">O delegado Paulo Bonchristiano e o cantor Roberto Carlos; na época da Jovem Guarda, o DOPS fazia a segurança da TV Record (Foto: Julia Rodrigues)</p></div>
<p>O delegado Sérgio Fleury e sua turma de investigadores se celebrizaram por caçar, torturar e matar presos políticos no DOPS, enquanto continuavam a exterminar suspeitos de crimes comuns no Esquadrão da Morte.</p>
<h3>Conversas gravadas</h3>
<p>No decorrer de nove tardes passadas, entre junho de 2011 e janeiro deste ano, em seu apartamento no Brooklin, no 13º andar de um prédio de classe média alta, aprendi a escutar com paciência os “causos” que “doutor Paulo” narra com humor feroz, até extrair informações relevantes. Repetidas vezes eu as confrontava com livros e documentos e voltava a inquiri-lo; a proposta era que ele se responsabilizasse pelo que dizia.</p>
<p>De certo modo, meu embate com o “doutor Paulo” antecipava as dificuldades que serão enfrentadas pela Comissão da Verdade, <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12528.htm">a ser instalada em abril</a> para apurar fatos e responsáveis – sem punição penal prevista – pelas violações de direitos humanos cometidas pelo Estado entre 1946 e 1988, abrangendo o período da ditadura militar. O objetivo da comissão é devolver aos cidadãos brasileiros um passado que ainda não se encerrou, como provam os desaparecidos, e impedir que funcionários públicos sigam mantendo segredo sobre atos praticados a mando do Estado.</p>
<p>A fragilidade da lei em pontos cruciais, porém, provoca ceticismo nas organizações de direitos humanos, em especial ao permitir o sigilo de depoimentos – ferindo o direito à transparência pública –, e ao não prever punições aos responsáveis pelos crimes, nem mesmo medidas coercitivas para os que se recusarem a depor.</p>
<p>“Não vou depor. Acho bobagem”, diz Bonchristiano. “Nunca pratiquei irregularidades, mas não sou dedo duro e não vejo utilidade nessa comissão”, justifica o funcionário público, aposentado aos 53 anos, e que recebe hoje 11 mil reais por mês de pensão.</p>
<p>Minhas conversas com Mr. DOPS renderam 15 horas de gravação que revelam a mentalidade e as conexões políticas dos policiais que atuaram na repressão do governo militar. E provam que os detentores das informações estão por aí – embora continuem ocultando as circunstâncias exatas em que os crimes foram cometidos e os mandantes de cada um deles.</p>
<h3>Torturadores e repressores</h3>
<p>O nome de Bonchristiano – que significa “bom cristão” e veio de Salerno, Itália – não consta das principais listas de torturadores compiladas por organizações de direitos humanos.</p>
<p><a href="http://www.dhnet.org.br/memoria/nuncamais/bnm_tomo1_regime_militar.pdf">O Projeto Brasil Nunca Mais</a>, um extenso levantamento realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 com base nos IPMs (inquéritos policiais militares), é até hoje a principal referência, embora muitas vezes liste apenas os “nomes de guerra” dos torturadores, já que os reais eram desconhecidos das vítimas.</p>
<p><a href="http://www.dhnet.org.br/w3/bnm/tomo_ii_vol_3_os_funcionarios.pdf">No tomo II, volume 3</a>, “Os funcionários”, Paulo Bonchristiano é citado oito vezes em operações de repressão. Mas seu nome também não consta da chamada <a href="http://www.revistadehistoria.com.br/secao/na-rhbn/a-lista-de-prestes">Lista de Prestes</a>, de 1978, liberada recentemente pela viúva do líder comunista, que traz vários nomes completos e os cargos de 233 torturadores denunciados por presos políticos – entre eles 58 policiais do DOPS de São Paulo, 21 deles delegados.</p>
<p>As lacunas dessa história, porém, não permitem descartar a revelação de novos nomes. Entre 1968 e 1976 – o período mais duro da ditadura –, as torturas faziam parte do cotidiano de todos os policiais e militares envolvidos na repressão. O DOPS era “manejado pelos militares como um órgão federal”, como observa o jornalista Percival de Souza no livro “Autópsia do Medo”, do qual o Paulo Bonchristiano participa como fonte e personagem, qualificado como “um dos delegados mais conhecidos do DOPS”.</p>
<p>Nas entrevistas à Pública, o ex-delegado resistiu duas tardes inteiras antes de admitir que se torturava e matava no “melhor departamento de polícia da América Latina” – o que hoje qualquer cidadão pode constatar através dos depoimentos reunidos no “Memorial da Resistência”, museu que desde 2002 ocupa as antigas instalações do DOPS, no centro de São Paulo.</p>
<p>Nem mesmo o fato de Sérgio Fleury ter se celebrizado como torturador impediu Bonchristiano de tentar isentar o órgão: “O Fleury era do DOPS e não era do DOPS, era o homem de ligação do DOPS com os militares, era delegado das Forças Armadas, do Alto Comando. Não obedecia a ninguém, interrogava presos no DOPS, no DOI-CODI, em delegacias, sítios, no país inteiro. Todo o segundo andar do DOPS era dele, tinha que telefonar antes: ‘Fleury eu vou descer pra falar com você’. Se não, a gente não entrava. Ele tinha uma porta lá, todo misterioso”.</p>
<p>Bonchristiano ainda se lembra, e muito bem, das antigas desavenças com o ex-colega.</p>
<p>“O Fleury estava em todas, se metia em tudo, perdi muitos ‘tiras’ para ele porque lá eles ganhavam mais, tinha um ‘por fora’”, contou na segunda entrevista. “Uma vez prendi um cara em um aparelho no Tremembé, e quando estava chegando no DOPS, o Fleury pediu o preso emprestado, não lembro o nome dele. Depois de dois dias sem notícias do preso, fui perguntar para o Fleury, e ele me pediu desculpas, tinha matado o cara que eu nem ouvi”, relata, como se fosse um contratempo na repartição. “Chegou uma hora que só ele que dominava. Só se falava dele”.</p>
<p>“Graças a Deus só se fala no Fleury”, reagiu dona Vera, a elegante senhora com quem o ex-delegado é casado há 53 anos, que entrava na sala trazendo refrigerantes. E emendou: “Zé Paulo, essa entrevista já não está durando demais?”, frase que ela repetiria muitas vezes depois.</p>
<p>Foi na terceira entrevista – quando já acumulávamos seis horas de gravação – que o “doutor Paulo”, sem dona Vera na sala, finalmente confirmou que “sabia de tudo” o que acontecia no DOPS. E se “justificou”:  “Eu não podia fazer nada, isso era com o pessoal de lá de cima. Eu era delegado de segunda classe, respondia apenas ao diretor do DOPS, o resto era com eles”.</p>
<p>Bonchristiano tornou-se delegado de 2ª classe em 1969 e foi promovido “por merecimento” a delegado de 1ª classe em 1971.</p>
<p>Naquele mesmo dia, admitiu que frequentava os outros centros de tortura montados em São Paulo a partir de 1969, como a OBAN (Operação Bandeirante)  e o DOI-CODI, comandados pelo Exército e compostos de policiais civis e militares instruídos a torturar. Só no período de 1970 a 1974, a Arquidiocese de São Paulo reuniu 502 denúncias de tortura no DOI-CODI paulista, apelidado jocosamente pelos policiais de “Casa da Vovó”.</p>
<p>Bonchristiano disse então que “alguns da diretoria do DOPS” participaram da montagem da OBAN – “os militares não entendiam nada de polícia, depois aprenderam” – e que cederam três delegados no início das operações, todos incluídos entre os torturadores na Lista de Prestes: Otávio Medeiros, ligado ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e à TFP (Tradição, Família e Propriedade), assassinado em 1973 por militantes da resistência armada; Renato d’Andrea, colega de Bonchristiano na Faculdade de Direito da PUC; e Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, ex-investigador subordinado a Bonchristiano e ligado ao CCC, que se tornaria delegado depois.</p>
<p>Levaram também os métodos da polícia, incluindo o pau-de-arara – na origem um cabo de vassoura apoiado em duas mesas, onde os policiais deixavam o preso pendurado por pulsos e tornozelos até que a dor insuportável os fizesse “confessar”.</p>
<p>“O pau-de-arara não é, assim, uma tortura, vai tensionando os músculos, se o cara falar logo não fica nem marca, mas se o cara for macho e segurar…”, explicou-me ele certa vez. Diante de minha expressão escandalizada, concedeu: “choques, sim, dependendo”. E completou: “Naquela época foi diferente, o governo estava tentando melhorar o país. Aí nós tivemos que fazer essa luta. Nunca considerei os comunistas bandidos, considerava ideologicamente inimigos. Tanto que eu sempre falei, não poderia haver mortes”.</p>
<p>Bonchristiano disse que frequentava a OBAN e o DOI-CODI para “buscar presos, não para levar”, buscando distanciar-se das mal afamadas equipes de captura da OBAN, que realizavam prisões ilegais. Alguns eram soltos sem que sua passagem nos órgãos policiais fosse sequer registrada; outros eram enviados para os cárceres do DOPS, onde assinavam as “confissões” e tinham a “prisão preventiva” decretada.</p>
<h3>“Maçã Dourada”, os paramilitares e o DOPS</h3>
<p>Em seus primeiros anos no DOPS, Bonchristiano se especializou em infiltrações em movimentos sindicais, mas a partir de 1968 os estudantes se tornaram prioridade. “Quem faz revolução é estudante, operário faz revolução na Rússia”, costumava dizer.</p>
<p>Uma das operações das quais mais se orgulha, que o levou às páginas de revistas e jornais, foi o desmantelamento do Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, em 12 de outubro de 1968, comandado por ele. “Prendi 1263 estudantes sem disparar um tiro”, diz – embora os policiais do DOPS e da Força Pública de Sorocaba tenham comprovadamente anunciado sua chegada com rajadas de metralhadora para o ar. “Coloquei a garotada em 100 ônibus cedidos pela (viação) Cometa e levei todo mundo para o DOPS. Separei os líderes e liberei o resto para ir para casa. Não tínhamos vontade de matá-los, eram estudantes”, ironiza.</p>
<p>Entre os 11 líderes que Bonchristiano mandou para o Forte de Itaipu, em Santos, estão os ex-ministros Franklin Martins e José Dirceu, e o líder estudantil Luiz Travassos, já falecido.</p>
<p>“Eu sabia tudo o que o Dirceu fazia porque ele era metido a galã e eu coloquei uma agente nossa para seduzi-lo”, gaba-se o delegado. “Ela era muito bonita, a Maçã Dourada, e me contava todos os passos dele”, diz o delegado. A “estudante” Heloísa Helena Magalhães, uma das 40 moças contratadas pelo DOPS para esse tipo de serviço, segundo ele, chegou a ser secretária de Dirceu na UNE (na verdade, José Dirceu foi diretor da UEE).</p>
<p>Dias antes, havia acontecido o famoso embate entre estudantes de direita reunidos no Mackenzie e estudantes da Faculdade de Filosofia da USP, na rua Maria Antonia, base de resistência contra a ditadura. Pelo lado da direita, os conflitos foram publicamente liderados por João Marcos Flaquer, fundador do CCC, organização paramilitar idealizada por Luís Antonio Gama e Silva, o jurista que redigiu o AI-5 após se afastar da reitoria da USP para assumir o Ministério da Justiça de Costa e Silva.</p>
<p>Flaquer não era do Mackenzie – estava no último ano de Direito na USP – e dividia o comando dos combates com Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, “tira” do DOPS, subordinado a Bonchristiano. Oficialmente, a polícia só entrou no campus no segundo dia de conflitos, depois que um tiro, atribuído a um membro do CCC, Ricardo Osni, atingiu um estudante secundarista. Mas, segundo Bonchristiano, havia outras forças por trás dos conflitos:</p>
<p>“Foi o João Marcos que fundou o CCC e salvou os estudantes de passarem todos para o comunismo, por isso os americanos também gostavam dele”, diz o ex-delegado. “Ele tinha uma capacidade fabulosa, era forte demais, um cara fora de série, muito meu amigo. Eu o conhecia desde o segundo ano da faculdade, ele queria ser delegado mas a família dele era muito rica e não o queria metido com polícia, então ele vinha para o DOPS comigo. Ele dirigia toda essa parte de estudantes, infiltrava gente entre os esquerdistas. Se tinha alguma coisa que interessava ao DOPS, ele fazia. Mas só com minha anuência”, gaba-se o ex-delegado, que diz participado do planejamento do conflito.</p>
<p>O CCC começou com cerca de 400 membros e chegou a reunir 5 mil homens – boa parte deles militares e policiais. Andavam armados, espancavam estudantes e artistas que se opunham à ditadura e seus atentados mataram pelo menos duas pessoas.</p>
<p>João Marcos Flaquer, Ricardo Osni, João Parisi Filho e José Parisi, “estudantes” do CCC, eram colaboradores do DOI-CODI e constam da lista de torturadores do Brasil Nunca Mais.</p>
<p>Os dois primeiros, bem como o mentor Gama e Silva, também participavam de encontros que reuniam policiais da CIA e do DOPS. “A especialidade da CIA era fomentar organizações paramilitares como o CCC. Acho bem possível que eles recebessem, além de apoio, dinheiro”, diz a socióloga Martha Huggins, da Tulane University, New Orleans, pesquisadora de programas de treinamento de policiais estrangeiros pela CIA.</p>
<h3>Afinidades eletivas: o DOPS e a CIA</h3>
<p>Bacharel de Direito pela PUC-SP, filho de uma farmacêutica e um bancário, José Paulo Bonchristiano não entrou na polícia política por acaso. Ele e a turma de amigos da faculdade – seis deles futuros delegados do DOPS – eram anticomunistas viscerais e católicos conservadores, e representavam a direita no centro acadêmico 22 de agosto.</p>
<p>Esse perfil agradava ao experiente delegado Benedito de Carvalho Veras, que os recrutou em 1957 quando cursavam o último ano de Direito e faziam estágio na polícia. Veras, que se tornaria secretário de segurança do governador Jânio Quadros no ano seguinte, estava à procura de quadros para modernizar a polícia, sob orientação do Programa do Ponto IV – idealizado  pelo presidente americano, Harry Truman, com o objetivo de prevenir a “infiltração comunista”. Isso se traduzia na combinação de ajuda econômica e treinamento das forças policiais dos países da região.</p>
<p>A intenção era “profissionalizar” a polícia brasileira – sobretudo os que lidavam com crimes políticos e sociais – para que barrassem o comunismo sob qualquer governo.</p>
<p>No mesmo ano em que Veras assumia a secretaria de segurança e nomeava Bonchristiano como delegado substituto de polícia, uma deputada (Conceição da Costa Neves, do PTB, que fazia oposição ao então governador Jânio Quadros) denunciava publicamente ter sido vítima de um grampo telefônico. “Foi o primeiro grampo que se tem notícia em São Paulo”, conta o ex-delegado, que conheceu de perto o autor da “inovação tecnológica”, o escrivão Armando Gomide, futuro agente do Serviço Nacional de Informações (SNI). Gomide havia aprendido o “grampo” com os instrutores do Ponto IV, que também forneceram equipamentos para melhorar a qualidade das gravações.</p>
<p>Em 1962, o programa passou a ser dirigido pelo OPS – Office of Public Safety – uma “célula da CIA incrustrada dentro da AID (Agency for International Development, no Brasil, mais conhecida como USAID)”, nas palavras da professora Martha Huggins.</p>
<p>Além de treinar 100 mil policiais no Brasil, a OPS-CIA selecionava policiais e oficiais militares para estudar em suas escolas no Panamá (1962-1964); e nos Estados Unidos, depois que a Academia Internacional de Polícia (IPA) foi inaugurada em 1963 em Washington, funcionando até 1975. No Brasil, o OPS ficou até 1972, quando o Congresso americano começou a investigar as denúncias de que o programa patrocinava aulas de tortura.</p>
<div id="attachment_55461" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-55461" title="Conversas com Mr. DOPS" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/4.-IMAG0283-1-600x380.jpg?95884c" alt="" width="620" height="393" /><p class="wp-caption-text">Na sala de aula da IPA, a academia da CIA em Washington, antigos alunos assistem ao curso destinado a oficiais de alta patente; os militares usam as fardas de seus países de origem (National Archives, EUA)</p></div>
<p>A IPA foi um das “escolas” nos Estados Unidos que recebeu Bonchristiano antes mesmo do golpe militar. Dois anos antes – logo depois de ser aprovado no concurso para delegado de 5ª classe, o início da carreira, ele já frequentava a casa do diretor DOPS Ribeiro de Andrade, no Jardim Lusitânia, em São Paulo. “Ele estava sempre de portas abertas para nós, ficávamos lá conspirando”, ironiza.</p>
<p>Foi ali que Bonchristiano conheceu o policial americano Peter Costello, que veio para o Brasil em 1962 como instrutor da OPS depois de treinar 2.500 homens em técnicas de controle de distúrbios na Coréia. “Era um sujeito austero, falava português e entendia de polícia, deu curso de algemas, tiro rápido e outros para os policiais do DOPS, conta, completando: “Alguns meninos do CCC também participaram”.</p>
<p>Antes de 1964 os delegados do DOPS já contavam com a ajuda dos americanos para identificar os “comunistas”, muitos deles presos logo depois do golpe. “A ordem que a gente tinha desde o começo era identificar e prender todos os comunistas. Queríamos acabar com o Partido Comunista”, diz Bonchristiano.</p>
<p>Para contribuir com essa missão, “o Ponto IV nos contemplou com fotografias dos frequentadores (brasileiros) dos cursos de guerrilha na China”, relatou Renato d’Andrea, um dos delegados que foram da turma de Bonchristiano na PUC, ao jornalista Percival de Souza.</p>
<p>Na primeira operação importante que Bonchristiano realizou no DOPS, em abril de 1964, foi a vez de retribuir, entregando aos americanos as 19 cadernetas apreendidas na casa do líder comunista Luiz Carlos Prestes. As cadernetas foram xerocadas nos Estados Unidos (aqui ainda não existia o xerox) e retornaram 15 dias depois para o Brasil, servindo de base para a prisão de diversos militantes comunistas.</p>
<p>Só sobraram as cópias das cadernetas de Prestes, hoje nos arquivos do DOPS – os originais, segundo o “doutor” Paulo, desapareceram. Por aqui as cadernetas serviram de base a um dos maiores IPMs da primeira fase da ditadura, e foram usadas como justificativa para a prisão de diversos militantes comunistas como Carlos Marighella, que o próprio Bonchristiano foi encarregado de conduzir a São Paulo, depois que ele havia sido preso e baleado em um cinema no Rio, em 1964. Solto em 1965, Marighella foi assassinado em uma emboscada de policiais do DOPS em 1969.</p>
<p>“É uma bobagem danada dizer que a CIA mandava no DOPS, que nós éramos agentes da CIA, não era nada disso, nós éramos delegados do DOPS”, resmunga o doutor Paulo. “A América do Sul sempre foi o quintal dos Estados Unidos, e eles olhavam muito para nós, tinham medo do Brasil se tornar comunista. E notaram que tinha um departamento de polícia em São Paulo que trabalhava firme nisso. Porque o DOPS de São Paulo fazia todos os levantamentos que conduzissem a algum elemento do Partido Comunista em todo o Brasil, na América Latina inteira”.</p>
<h3>Mr. DOPS e Mr. Bond</h3>
<p>“Depois que o presidente Truman criou a CIA, era a CIA que acompanhava o movimento dos subversivos”, continua. “Então trabalhávamos juntos, viajávamos juntos em muitos casos, mas nossas reuniões eram fora do DOPS, na happy hour de bares de hotéis como o Jandaia e o Jaraguá, no centro de São Paulo. O Fleury também ia, o Flaquer, o Gama e Silva e até o Carlos Lacerda (ex-governador do Rio, que conspirou pelo golpe e acabou sendo cassado em 1968). O Niles Bond era chefe lá deles, sujeito bacana, conhecia bem o Brasil, e gostava muito de mim. Me chamava de Mr. Dops, porque eu sempre o atendia em tudo que precisava e era ele que me mandava para Langley”, frisa mais uma vez, mostrando uma foto sua com trajes de George Washington ao lado de um colega fantasiado de soldado federalista, tirada durante uma de suas estadas em Washington.</p>
<div id="attachment_55459" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-55459" title="Conversas com Mr. DOPS" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/washington.jpg?95884c" alt="" width="620" height="493" /><p class="wp-caption-text">O jovem Bonchristiano vestido de George Washington, ao lado do colega Júlio Cesar Silvestre Neto, em uma comemoração do 4 de julho nos Estados Unidos (arquivo pessoal)</p></div>
<p>“Não lembro quando foi tirada porque estive oito vezes em cursos de treinamento nos Estados Unidos (entre 1963 e 1970)”, diz ele. “Fiz cursos técnicos, de polígrafo, técnicas de inteligência, infiltração. E sobre o comunismo também, eles tinham verdadeira obsessão. Saí de lá convencido de que eles, sim, são duros, fazem o que for preciso para garantir seus princípios”.</p>
<p>Entre 1959 e 1969, Niles W. Bond foi adido da embaixada no Rio e cônsul geral em São Paulo, segundo seu currículo na Association for Diplomatic Studies and Training, que também aponta a ligação com a CIA desde 1956, quando era assessor político da embaixada italiana.</p>
<p>Langley, frequentemente usado como sinônimo de CIA nos Estados Unidos, é o nome dos arredores da pequena cidade de McLean, na Virginia, onde desde o início da década de 1960 ficam os “headquarters” da agência de inteligência americana, a alguns quilômetros de Washington.</p>
<p>Com o tempo, descobri que quando o doutor Paulo se referia a Langley, significava que estava em treinamento em instalações na CIA, não apenas na sede, mas “em muitos outros lugares, até na Flórida”, como confirmou depois.</p>
<p>As informações sobre a CIA foram reveladas por doutor Paulo quando o inquiri sobre sua transferência, em 1ª de setembro de 1964, para o Ministério da Guerra, lotado no II Exército – informação que obtive checando todas as suas nomeações, transferências e promoções no Diário Oficial (seu currículo oficial omite essa significativa passagem).</p>
<p>Ele diz que foi transferido porque havia sido encarregado (com mais três delegados) de montar um plano de estruturação da Polícia Federal pelo general Riograndino Kruel, irmão do comandante do II Exército, Amaury Kruel (ambos também treinados nos Estados Unidos): “O Edgar Hoover (fundador do FBI) é um cara que admiro muito, e os americanos achavam muito importante montar uma polícia como essa no Brasil – o DOPS paulista já atuava como polícia federal, mas era subordinado à secretaria de segurança estadual, o que atrapalhava nossos movimentos”, explicou.</p>
<p>Até hoje a Polícia Federal registra seus agradecimentos à “revolução de 1964” no site oficial da entidade: “Somente em 1964, com a mudança operada no pensamento político da Nação, a idéia da criação de um Departamento Federal de Segurança Pública, com capacidade de atuação em todo o território, prosperou e veio a tornar-se realidade”.</p>
<h3>O capitão americano e a guerrilheira</h3>
<p>“Felizmente aqui no Brasil não fizemos como em outros países, matanças. Não houve isso. Houve só morte de quem quis enfrentar a polícia. Isso em qualquer lugar do mundo. Quando uma guerrilha deles lá, um aparelho, matou o nosso colega lá em Copacabana, o Moreira, o que nós tinhamos que fazer? Descobrir os caras e matar também”, ri. “Polícia é assim”, avalia o “doutor” Paulo.</p>
<p>Dulce de Souza Maia, militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) sentiu na carne o peso dessa vingança, quando foi presa na madrugada do dia 25 de janeiro de 1969, enquanto dormia na casa da mãe.</p>
<p>Dois dias antes, vários líderes da VPR tinham sido presos e os repressores já sabiam que ela havia participado de um atentado a bomba no II Exército, que matou o sentinela Mario Kozel Filho. Também havia sido erroneamente apontada como uma das autoras do atentado que em 1968 matou o capitão do Exército americano, Charles Chandler, acusado pelos guerrilheiros de dar aulas de tortura no Brasil a serviço da CIA.</p>
<p>Dulce não sabe dizer se todos que a torturaram no quartel da Polícia do Exército eram militares, mas sua lembrança mais forte é a cara redonda do homem que a estuprou, depois de dar choques em sua vagina. “Eu aguentei 48 horas”, me disse, por telefone. “Depois acabei dando um endereço de um apartamento que eu conhecia porque tinho ido a uma feijoada, não era um aparelho”.</p>
<p>Foi então levada para o DOPS, metida em uma viatura com uma equipe de policiais dos quais não sabe o nome: “Nem lembro das caras, estava quase morta, sei que eles me levaram para a rua Fortunato e apontei o prédio que só reconheci porque tinha parado o meu carro na frente no dia da feijoada – eu não sabia que o João Leonardo, que inclusive era de outra organização (ALN), morava ali. Lembro só que o vi quando a porta abriu”, lamenta.</p>
<p>A versão do delegado Bonchristiano sobre o mesmo episódio omite detalhes significativos. “Nós estávamos atrás dos caras que mataram o Chandler, coitado, executado na porta da casa dele, no Sumaré. Em 36 horas, o Cara Feia, um tira excepcional que já morreu, sabia quem tinha feito. Aí, uma menina que nós prendemos, nos conta de uma reunião na Rua Fortunato, perto da Santa Casa da Misericórdia. Eu fui com a menina. Mandamos ela tocar a campainha. Peguei o professor que era o dono do apartamento, prendemos”, contou. “Voltamos para o DOPS, eu, Tiroteio, Cara Feia e a menina e deixei dois tiras, o Raul Careca e o Nicolino Caveira, para ver se acontecia mais alguma coisa. Telefone. ‘Doutor, o senhor tem que vir aqui, teve um problema’. ‘Muito problema?’ ‘Demais’, quando é demais é que houve morte. Quando cheguei lá, tinha sangue para todo lado. O Raul Careca, que era um ótimo atirador, tinha dado 18 tiros no Marquito (Marco Antonio Brás de Carvalho). Aí que eles me contaram o que tinha acontecido: esse que matou o Chandler tinha chegado e quando abriu a porta, falou assim: “Quem são vocês?” E os tiras: “Nós somos da família”. “Ah é?” E puxou a arma. Os tiras revidaram e ele morreu”.</p>
<p>Bonchristiano jamais mencionou que a “menina” estava quebrada pela tortura. Mas corrigiu a versão que consta do depoimento de Raul Careca em um processo movido pela família de Marquito. Ali ele dizia que foram dois os tiros disparados.</p>
<h3>Mano nera</h3>
<p>“O caso Chandler gerou consternação, mas, sobretudo preocupação entre o grupo de assessores policiais, pois estes poderiam tornar-se alvo também. Participaram das investigações e ajudaram a identificar as armas utilizadas, enviando o material para estudo em laboratórios de criminalística do FBI”, relata o professor Rodrigo Patto, da UFMG, que estuda a relação entre a USAID e a CIA.</p>
<p>Patto, porém, não sabe dizer se Chandler era de fato da CIA como acreditavam os militantes da ALN e da VPR que decidiram matá-lo. “Ele havia estado no Vietnã, e estava oficialmente em viagem de estudos no Brasil”, diz.</p>
<p>Em seguida ao assassinato de Chandler, um ex-instrutor americano de Bonchristiano, Peter Ellena, veio para o Brasil para acompanhar as investigações, o que melindrou o pessoal do DOPS. “Demos para ele a mano nera (símbolo da máfia), a mão negra ensaguentada”, diverte-se, contando que os policiais simularam um bilhete de ameaças dos guerrilheiros para assustar o “gringo”. “Ele ficou morrendo de medo”.</p>
<p>O jornalista Percival de Souza relata que o DOPS produzia relatórios confidenciais diários sobre o caso para o consulado americano, e que descobriram o fio da meada que os levaria a Marquito, “menos de um mês depois do fuzilamento”, registrando em seguida a versão que Bonchristiano continua a defender: um acidente ocorrido na BR-116 no dia 8 de novembro de 1968, na altura de Vassouras (RJ), teria matado Catarina e João Antonio Abi-Eçab que estava em um fusca.</p>
<p>Ao socorrer o casal, a polícia teria encontrado uma metralhadora INA calibre 35, como a que matou Chandler. O DOPS foi avisado, e Bonchristiano viajou imediatamente a Vassouras. Lá o delegado teria descoberto que o casal, militante da ALN, teria ido ao Rio de Janeiro para encontrar Marighella, e que a metralhadora era a mesma que matou Chandler. Tinha encontrado a arma do crime.</p>
<p>O “teatrinho”, como os policiais chamavam as versões criadas para encobrir seus crimes, foi desmontado a partir do relato de um ex-soldado do Exército ao jornalista Caco Barcellos, em 2001, em que reconheceu Catarina “como presa, torturada e morta em um sítio em São João do Meriti (município vizinho a Vassouras)” e afirmou que os órgãos de repressão, após a execução, teriam forjado o acidente.</p>
<p>Mais uma vez a “eficência” do DOPS veio da tortura. Bonchristiano, que insistiu até o fim na desmentida versão, diz que foi cumprimentado por Niles Bond pelo feito. “O Chandler era um dos nossos, frequentava nossas reuniões, o Bond sabia que eu ia resolver o caso”, gaba-se.</p>
<h3>Esticadinha no chão</h3>
<p>Em 1983, os ventos democratas extinguiram o DOPS e trouxeram um novo delegado geral, Maurício Henrique Pereira Guimarães, que despachou Bonchristiano para uma obscura seção da Secretaria de Justiça, encarregada das viúvas dos soldados mortos na II Guerra. “Preferi me aposentar, hoje não acredito mais em nada. Fiz o que o presidente queria, os militares queriam, e não ganhei nem aquelas medalhinhas que eles davam para todo mundo”, desdenha, referindo-se à Medalha do Pacificador, entregue pelos militares a torturadores famosos.</p>
<p>Mas o Mr. Dops não tem muito do que reclamar. Em seus primeiros oito anos de DOPS subiu da 5ª para a 1ª classe, como só acontecia aos que participavam da linha de frente da repressão. Ficou um tempo na “geladeira” quando um desafeto, o coronel Erasmo Dias, assumiu a secretaria de segurança (1974-1979). Mas conseguiu depois a promoção a delegado de classe especial e se aposentou no topo da carreira, em 1984.</p>
<p>A família, porém, ainda sofre com o passado do delegado. A filha, uma artista plástica, escolheu o prédio do antigo DOPS como cenário de uma performance acadêmica. No Facebook, comenta que o pai ficou “do lado dos algozes da ditadura”, enquanto uma de suas filhas – neta de Bonchristiano –  faz campanha pela Comissão da Verdade em seu perfil.</p>
<p>Dona Vera sente a distância dos netos e lembra com amargura do tempo em que o marido trabalhava no DOPS. Via-se sozinha dias a fio com três filhos pequenos: “Eu não podia falar com ele nem por telefone, ligava lá e me diziam ‘a senhora fica tranquila que ele está bem’”, conta. “E eu, apavorada com as ameaças que a gente recebia por telefone, meus filhos iam escoltados para a escola”, diz.</p>
<p>Ela traz ainda outra lembrança: “Uma vez, minha filha era pequenininha, e quando o Campão, que trabalhava para o Zé Paulo, veio buscá-la para escola, ela desatou a chorar ao ver aquele homão, parecia um índio, vestido de amarelo da cabeça aos pés”, diz.</p>
<p>“Era o meu motorista no DOPS, depois veio me pedir licença para trabalhar com o Fleury, ‘lá a gente ganha mais, né doutor?’ Já morreu, coitado”, interveio Bonchristiano.</p>
<p>José Campos Correia Filho, o Campão, era um conhecido torturador – dos mais cruéis – segundo Percival de Souza, e membro do Esquadrão da Morte. Além de motorista do “doutor”, ele conduzia cadáveres levados do DOPS na calada da noite para desová-los nos cemitérios de periferia, segundo o próprio Bonchristiano.</p>
<p>No final de novembro de 2011, o governador Geraldo Alckmin acatou o lobby da Associação de Delegados de São Paulo (cujo patrono é o falecido delegado Antonio Ribeiro de Andrade, o primeiro chefe de dr. Paulo no DOPS) e mandou para a Assembléia Legislativa um projeto de lei que equipara as carreiras de delegados de polícia, procuradores e promotores, sob o argumento de que a polícia civil é judiciária, e portanto deve ser ligada ao Poder Judiciário e não à Secretaria de Segurança Pública.</p>
<p>O projeto, que o “doutor” Paulo muitas vezes defendeu em nossas entrevistas, faria sua aposentadoria pular dos atuais 11 mil reais para cerca de 20 mil reais, de acordo com os cálculos que ele mesmo fez.</p>
<p>A partir do momento em que o acalentado projeto foi enviado para a Assembleia, o ex-delegado resolveu encerrar nossas conversas.</p>
<p>Retornei uma última vez a seu apartamento, em janeiro deste ano, para checar alguns dados e ele deixou escapar o trecho de uma conversa que tive com um dos meus filhos, por celular. Estava disposto a me assustar.</p>
<div id="attachment_55462" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-55462" title="Conversas com Mr. DOPS" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/03/1.-JFR_DrPaulo_007-600x380.jpg?95884c" alt="" width="620" height="393" /><p class="wp-caption-text">José Paulo Bonchristiano no sofá de seu apartamento no Brooklin, zona Sul de São Paulo (Foto: Julia Rodrigues)</p></div>
<p>Na despedida, preveniu-me mais uma vez sobre o “perigo” que “nós dois” estaríamos correndo se eu levasse adiante qualquer investigação sobre a localização dos corpos desaparecidos, advertência que fez desde a primeira entrevista. Perdi a paciência: “Mas, doutor, quase todo mundo que o senhor conheceu naquela época já morreu! Nós vivemos em uma democracia, ninguém vai matar assim um jornalista ou um delegado aposentado”.</p>
<p>“Isso é o que você pensa”, retrucou. “Os que hoje ocupam os cargos daqueles, antigos, também assumiram o compromisso de proteger o pacto”, afirmou. “Não tem isso de democracia, minha cara jornalista, eles fazem o que precisa ser feito. Se alguém é atropelado ou baleado no trânsito, é uma coisa que acontece, em São Paulo. Não quero ver você esticadinha no chão”.</p>
<p>Quando entrei no taxi para ir embora, refletindo sobre quem afinal estaria ameaçando quem, lembrei de uma ocasião em que nossas relações eram mais amistosas e pude lhe perguntar por que “eles” tinham enterrado os corpos, em vez de atirá-los ao mar ou incendiá-los para apagar definitivamente as provas.</p>
<p>De pé, na sala decorada com os estofados confortáveis, rodeados por mesinhas enfeitadas com fotos de família e bibelôs de inspiração religiosa, Bonchristiano reagiu: “Nós somos católicos, pô!”.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Jasper Benincasa &#124; Homens que você deveria conhecer #27</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 03:10:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Brandão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Nunca pensei em escrever um texto desses sobre Jasper, uma pessoa desconhecida em praticamente todos os meios. Mas esse homem é popular na minúscula comunidade do Bodyweight Training (treino com peso do corpo), que foi inspirada durante muitos anos pelos feitos dessa verdadeira lenda. Poucas coisas foram divulgadas sobre a vida pessoal de Jasper Benincasa, mas [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca pensei em escrever um texto desses sobre Jasper, uma pessoa desconhecida em praticamente todos os meios. Mas esse homem é popular na minúscula comunidade do <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bodyweight_exercise" target="_blank">Bodyweight Training</a></em> (treino com peso do corpo), que foi inspirada durante muitos anos pelos feitos dessa verdadeira lenda.</p>
<p>Poucas coisas foram divulgadas sobre a vida pessoal de Jasper Benincasa, mas o que podemos dizer é que o atleta teve todo o seu tempo inteiramente dedicado a fazer coisas que nenhum outro homem no mundo jamais conseguiu. Jasper morreu no dia 6 de Janeiro desse ano, aos 90 anos de idade, depois de lutar contra um câncer.<span id="more-53779"></span></p>
<div id="attachment_53780" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/jasper-benincasa-homens-que-voce-deveria-conhecer-27/backleverplustwo/" rel="attachment wp-att-53780"><img class="size-large wp-image-53780" title="Jasper benincasa" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/02/BackLeverPlusTwo-620x451.jpg?95884c" alt="" width="620" height="451" /></a><p class="wp-caption-text">O nome disso aqui é &quot;Back Lever com peso extra&quot;. Sussa, né?</p></div>
<p>O seu primeiro feito de força considerado como algo sobrenatural foi aos 17 anos, quando fez 130 barras seguidas. Depois disso, decidiu que não faria mais barras sem algum peso extra pendurado no corpo. <strong>Era entediante.</strong></p>
<p>Sua paixão era fazer barras com apenas um braço (&#8220;One Armed Chinup&#8221; ou OAC), era capaz de fazer 19 repetições seguidas com o braço direito e 18 com o esquerdo. Em 1948, fez um OAC enquanto segurava uma criança de 37kg com seu braço livre. Aos 40 anos fazia 50 OACs alternados. Muitos dizem ter visto ele fazendo mais de 3 series com 40 repetições, trocando entre um braço e outro a cada repetição. É quase impossível imaginar um alguém com toda essa força.</p>
<p>Era bem comum, pela similaridade, associarem seus feitos de força aos exercícios praticados por ginastas, mas ele era categórico:</p>
<blockquote><p>&#8220;Ginastas usam impulso, eu gosto de movimentos de força porque são puros&#8221;.</p></blockquote>
<p>Suas proezas absurdas não se limitam a barra fixa. Jasper subia cordas como ninguém. Antigamente, subir cordas era considerado um esporte como qualquer outro, com seu treinamento específico e suas próprias competições.</p>
<p>Em uma competição no YMCA (sem trocadilhos, senhores) em 1948, subiu uma corda de 6 metros em 2.4 segundos. Mas não venceu a competição. Jasper esqueceu de bater na marca indicada e sinalizar a vitória. O recorde na época era 2.8 segundos. Jasper também subiu uma corda com uma pessoa de 67kg amarrada em suas pernas.</p>
<p>Em um evento no Madison Square Garden, o atelta subiu uma corda na posição de <em><a href="http://beastskills.com/uploads/beastskills/image/JasperFrontLever.jpg">Front Lever</a></em>. Dezenas de pessoas também afirmam já terem visto Jasper subir uma corda utilizando apenas um braço, obviamente sem o auxilio das pernas.</p>
<p>Outros de seus feitos impressionantes foram uma <a href="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/04/28/28_PHG_esporte_ginastarusso.JPG" target="_blank">Cruz em argolas</a> de ginástica utilizando apenas um dedo de cada mão, e um front lever com apenas um dedo.</p>
<p>Mas foi outro mérito que eternizou Jasper Benicasa como sendo um dos homens mais fortes do mundo: o <em>Close to Impossible</em>, que provavelmente se chamava apenas Impossible, antes dele conseguir se sustentar por aproximadamente 3 segundos nessa posição:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_53781" class="wp-caption alignnone" style="width: 581px"><a href="http://papodehomem.com.br/jasper-benincasa-homens-que-voce-deveria-conhecer-27/closetoimpossible/" rel="attachment wp-att-53781"><img class="size-full wp-image-53781" title="Jasper Benincasa" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/02/closetoimpossible.jpg?95884c" alt="" width="571" height="800" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Hey, Joe. Acho que a gente vai ter que trocar o nome desse troço aí&quot;</p></div>
<p>Quando perguntado com que freqüência treinava, respondeu em sua simplicidade:</p>
<blockquote><p>&#8220;Eu treinava sempre que podia. Trabalhava como operário de construções e, quando estava cansado de trabalhar, fazia barras por toda extensão dos andaimes, alternando de um braço para o outro. Minha esposa nunca entendeu porque eu chegava tão cansado em casa&#8221;.</p></blockquote>
<p>Jasper Benincasa fez sua última barra com um único braço aos 89 anos, duas semanas antes de ser internado.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Dan Eldon &#124; Homens que você deveria conhecer #26</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 09:50:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Aventura]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O que você faz quando se depara com uma situação de caos? Ou então: como você se sente em relação ao lugar em que mora, com todas as dificuldades e problemas típicos? Quantas vezes por dia pensa em se mudar para um canto melhor? Tipo uma colina florida, para sentar e meditar em paz, observando [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O que você faz quando se depara com uma situação de caos?</strong></p>
<p><span id="more-50121"></span></p>
<p>Ou então: como você se sente em relação ao lugar em que mora, com todas as dificuldades e problemas típicos? Quantas vezes por dia pensa em se mudar para um canto melhor? Tipo uma colina florida, para sentar e meditar em paz, observando os pássaros e cultivando jardins?</p>
<p>Muitos de nós temos essa vontade de encontrar um lugar pacífico para viver. Um lugar tranquilo, sem fome, sem preocupações, sem agonia e sofrimento. Simplesmente não passa pela nossa cabeça nos aproximar de situações aflitivas, do tipo que permeia os piores pesadelos. Frente a uma guerra, a reação mais lógica é, obviamente, fugir o mais rápido possível. Não se discute sobre isso, a menos que você seja alguém como Dan Eldon.</p>
<div id="attachment_51338" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-51338" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/01/danwcheetah620x415.jpg?95884c" alt="" width="620" height="415" /><p class="wp-caption-text">Dan e seu bichinho. Tá bom pra você?</p></div>
<h3>Dan Eldon: A infância e a arte</h3>
<p>Nascido em Londres em 18 de setembro de 1970, mudou-se para o Quênia quando ainda era criança. Seus pais tinham muitos amigos interessantes que costumavam visitar a casa. Pesquisadores, cantores de ópera, repórteres e políticos eram alguns dos tipos que por ali passavam. Por influência disso ou não, o jovem Dan Eldon, desde muito cedo, já manifestava um interesse e um dom: a arte.</p>
<p>O fato de ele ser um dos menores da sua classe, o tornaram um alvo fácil para professores e alunos. Isso fez com que ele se recolhesse em suas atividades artísticas. Na escola, era comum vê-lo carregando lápis de cor e material de desenho para onde quer que fosse.</p>
<p>Com apenas 12 anos de idade <a href="http://www.thenation.com/">conseguiu publicar sua primeira fotografia no The Nation</a>. Mas, talvez, o seu feito mais marcante tenha sido uma <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Qu%C3%A9nia">viagem na qual a sua turma escalou o Monte Quênia</a>, quando foi possível observar o despertar de um Dan ligado à aventuras, incentivando seus amigos a irem cada vez mais longe e atingindo o topo.</p>
<h3>Lesharo: o guerreiro viajante</h3>
<p>Dan tinha uma verdadeira paixão pelo lugar que se acostumou a chamar de casa. Convivia com os diversos povos nativos da região, especialmente os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Masai">Masai</a>. E, assim, durante sua adolescência, os primeiros sinais de seu empenho apareciam.</p>
<p>Ao conhecer Kipinget, uma Masai que vivia nas colinas de Ngong, perto de Nairobi, Dan dedicou-se a vender o artesanato que ela confeccionava, com a finalidade de ajudá-la a manter sua pequena cabana e sustentar seus filhos.</p>
<p>Esta convivência fez com que ele absorvesse uma grande quantidade de conhecimento a respeito da cultura Masai. De dia ele trabalhava e brincava com as crianças e à noite, participava dos rituais, cantando e tocando. Por isso, foi aceito pela tribo, o que rendeu-lhe uma cerimônia simbólica de iniciação. Normalmente, este tipo de ritual inclui a circuncisão, mas neste caso ele apenas recebeu um novo nome, tornando-se um deles. À partir de então, foi chamado pela tribo de Lesharo, &#8220;aquele que ri&#8221;. <strong>Tudo isso com apenas 15 anos</strong>.</p>
<div id="attachment_51343" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-51343" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/01/masai.jpg?95884c" alt="" width="620" height="330" /><p class="wp-caption-text">Um Masai tem bons motivos para sorrir.</p></div>
<p>Ainda durante sua adolescência, uma colega de escola adoeceu do coração. Dan organizou uma série de festas no quintal de sua casa, motivando várias pessoas da sua idade a comparecerem. Conseguiu levantar dinheiro suficiente para pagar a cirurgia de sua amiga que infelizmente morreu no hospital por outras complicações.</p>
<p>Dan participou de várias atividades artísticas, viajou bastante neste período e terminou seus estudos na <a href="http://www.isk.ac.ke/">Escola Internacional do Quênia</a>. Decidiu tirar um ano de férias que para ele, na verdade, era um ano de atividades intensas. Viajou para Nova Iorque e internou-se durante quatro meses no departamento de arte da revista <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mademoiselle_(magazine)">Mademoiselle</a>.</p>
<p>Claro que a separação entre Dan e sua terra não demoraria muito. Ele queria voltar e faria isso de qualquer jeito.</p>
<h3>Em meio à guerra, fome e morte</h3>
<p>Os EUA não foram um bom lugar para Dan. O frio Nova Iorquino o fez sentir-se solitário, então, foi para um lugar com um clima mais quente, a Califórnia. Passou um tempo estudando na Pasadena Community College e imediatamente formulou um plano para retornar à África.</p>
<p>Sua idéia tomou a forma de um safari, uma expedição de Nairobi até Malaui. Dan pesquisou o roteiro, pegou seu carro, uma Land Rover antiga chamada Deziree &#8211; em homenagem a uma garota por quem foi apaixonado &#8211; e tomou rumo, atravessando cinco países e enfrentando guardas e ladrões pelo caminho, hospedando-se em cadeias para fugir do perigo de assaltos.</p>
<p>Dan atraiu a atenção da imprensa local e conseguiu levantar um fundo para esta viagem, juntamente com outros quinze estudantes de seis nacionalidades diferentes. Ao final da expedição, <strong>doaram um dos três veículos para a Save the Children Fund, bem como dinheiro para três poços, e cobertores para um hospital infantil.</strong></p>
<div id="attachment_51458" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-51458" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/01/daneldon.jpg?95884c" alt="" width="620" height="620" /><p class="wp-caption-text">Sendo recebido de volta em sua última visita a Nairobi.</p></div>
<p>A esta altura, Dan fez mais uma série de expedições por zonas bem perigosas da África. Estes eram os últimos anos do Apartheid. Logo, não era uma boa época para viajantes, principalmente se você fosse branco. Era muito fácil ser confundido com o inimigo. Ele se inseria nos protestos e manifestações e fotografava tudo o que presenciava.</p>
<p>Seus olhos viram Moçambique ser devastada pela guerra. E isto não passou despercebido pelas suas lentes. Dan organizou mais uma expedição, levantou fundos fazendo eventos, vendendo camisetas e braceletes e &#8211; com medo de que o dinheiro não fosse usado corretamente &#8211; foi ele mesmo entregá-lo. Na mesma época, <strong>financiou de seu próprio bolso</strong> a construção de dois poços extremamente necessários em Nairobi.</p>
<p>No começo de 1992, ele ouviu falar sobre a fome tomar grandes proporções e a guerra civil entre diferentes clãs na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Som%C3%A1lia">Somália</a>. Dan decidiu então reunir uma nova equipe e ir até um grupo de refugiados. O que ele viu, somado às conversas que teve com jornalistas experientes o fez perceber que algo estava para acontecer. Em seguida, rumou para Mogadishu, capital Somali e viu uma cidade completamente devastada.</p>
<p>Entre outras cenas, fotografou um garoto com uma arma semi-automatica fumando um cigarro, no que sobrou da catedral da cidade. Vendeu esta imagem para jornais locais e, com isso, conseguiu um emprego na Reuters.</p>
<blockquote><p>Eles tinham fome. Na maioria dos lugares onde você vai, as pessoas pedem por doces ou pedem que você faça coisas divertidas, mas aqui eles estavam pedindo apenas por comida. <strong>Nem mesmo dinheiro, apenas pão. </strong>(Dan Eldon)</p></blockquote>
<div id="attachment_51466" class="wp-caption alignnone" style="width: 522px"><a href="http://papodehomem.com.br/dan-eldon-homens-que-voce-deveria-conhecer-26/mulher-e-crianca-famintos/" rel="attachment wp-att-51466"><img class="size-full wp-image-51466" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/01/mulher-e-criança-famintos.jpg?95884c" alt="" width="512" height="512" /></a><p class="wp-caption-text">Guerra e fome, como viu Dan Eldon.</p></div>
<p>Dan, à partir deste momento, mergulhou naquele contexto dos pés à cabeça. Presenciou a chegada do exército americano, que apesar da ridícula e pomposa cobertura jornalística — com direito a espera dos soldados na praia, aguardando todos os repórteres estarem prontos para filmar e fotografar — trouxe uma preciosa e necessária ajuda, dando comida e reduzindo bastante a fome.</p>
<p>Seu empenho e sensibilidade, somados ao seu conhecimento da realidade local tornaram suas fotos muito conhecidas. Conseguiu capas na Time e na Newsweek, publicou um livro de fotografias da Somalia e chamou atenção internacional para o país.</p>
<p>Claro que em algum momento, Dan sentiria o peso de toda aquela tensão e violência. E, em junho de 1993, decidiu que já era hora de ir embora. Seus planos eram de visitar a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3snia_e_Herzegovina">Bósnia</a> (outro país que estava em guerra naquele momento) e fazer fotos por lá. Em quase um mês, já havia preparado seu substituto e estava pronto para sair da Somália.</p>
<p>Não muito longe do hotel onde estava hospedado, começou um bombardeio. Alguns somalis vieram avisar do que estava ocorrendo e pediram que os jornalistas fossem documentar o fato. Ao chegar no local, assustaram-se com a quantidade de sangue que havia sido derramado. Cerca de cinquenta somalis estavam mortos e havia vários outros feridos. Os jornalistas, incluindo Dan, permaneceram ali e documentaram a cena por alguns instantes quando a multidão em fúria se levantou contra eles.</p>
<p>Hos Maina, Anthony Macharia, Hansi Krauss e Dan Eldon <strong>morreram apedrejados</strong> neste dia, 12 de julho de 1993.</p>
<h3>O legado</h3>
<p>A história de Dan Eldon serve para mostrar que podemos causar um impacto com o que fazemos, não importa o quanto sejamos jovens. Em seu curto tempo de vida, ele fez tanto e ajudou tantas pessoas que este texto, apesar do tamanho, simplesmente não pode pontuar. Muitas ações memoráveis ficaram de fora.</p>
<p>Dan visitou 46 países, construiu poços, fez doações para hospitais, ajudou tribos de diversos povos a repensarem a maneira como tiravam seu sustento, fotografou, fez colagens, desenhou camisetas, fez festas, safaris e expedições, reuniu fundos para salvar uma amiga de uma doença e ainda achou tempo para namorar, cuidar de sua família e cultivar grandes amizades.</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/5590433?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0" frameborder="0" width="620" height="420"></iframe><br />
<em><a href="http://vimeo.com/5590433" target="_blank">Link Vimeo |</a> Documentário essencial para quem deseja conhecer mais sobre Dan Eldon</em></p>
<p>As consequências disso nós podemos ver hoje, de uma maneira bem clara, na <a href="http://www.creativevisions.org/">Creative Visions Foundation</a>, mantida por Kathy e Amy Eldon — respectivamente, mãe e irmã de Dan — para dar suporte a ativistas criativos, incentivando-os a gerar mudanças positivas ao redor do mundo por meio da mídia e da arte. Também na<a href="http://www.depotkenya.org/"> The Dan Eldon Place Of Tomorrow</a>, onde ensinam à centenas de crianças quenianas valores como criatividade, liderança e trabalho em equipe.</p>
<p>Além disso, deixou para trás 17 volumes de registros artísticos que documentam sua vida. E, mais recentemente, foi anunciado que Daniel Radcliff interpretará Dan no cinema, num filme que deverá se chamar <em>Journey</em>.</p>
<p>Dan acreditava que suas habilidades podiam fazer alguma diferença. Ele acreditava que o seu trabalho seria útil e poderia ajudar aquelas pessoas que estavam naquela situação terrível. Situação muito pior do que qualquer coisa que nós tenhamos experimentado no conforto da nossa cadeira em frente ao computador. Ele viu fome, viu guerra, viu a verdadeira face da miséria.</p>
<p>E, diferente do que muitos de nós costumamos fazer quando assistimos ao jornal, enfrentamos um engarrafamento ou uma fila na farmácia, ele não pensou em ir embora.</p>
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		<title>Roger Corman &#124; Homens que você deveria conhecer #25</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 11:09:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Caraça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Uma das gratas surpresas da última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi o documentário O Mundo de Corman: Aventuras de um Rebelde de Hollywood de Alex Stapleton, o qual narra a trajetória de Roger Corman. Chamado de rei dos filmes de baixo orçamento, produziu quase 400 obras (até o momento em que você [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
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<p><span id="more-50749"></span></p>
<div id="attachment_50766" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/roger-corman-homens-que-voce-deveria-conhecer-25/roger_corman/" rel="attachment wp-att-50766"><img class="size-large wp-image-50766" title="Roger Corman" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Roger_Corman-620x521.jpg?95884c" alt="" width="620" height="521" /></a><p class="wp-caption-text">Esse aqui é o Roger Corman, o homem por trás de muitas coisas boas de Hollywood</p></div>
<p>Roger William Corman nasceu em 1929 na cidade americana de Michigan e se formou em engenharia industrial na Universidade de Stanford. Mesmo com o diploma, ele começou a trabalhar como mensageiro na 20th Century-Fox e logo foi promovido a analista de roteiros. Decepcionado com o pouco crédito recebido, resolveu abandonar o emprego para estudar literatura na Universidade de Oxford. Voltou para Los Angeles em 1953 e deu início a sua longa carreira como roteirista, diretor e produtor.</p>
<h3>Os primeiros trabalhos</h3>
<p>Roger conseguiu vender seu primeiro <em>script</em> para a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Allied_Artists_Pictures_Corporation" target="_blank">Allied Artists</a>, uma empresa responsável por filmes baratos. O resultado foi o policial noir <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Highway_Dragnet" target="_blank">Highway Dragnet</a></em>, lançado em 1954 e com direção de Nathan Juran (de <em>Simbad e a Princesa</em>, 1958). Corman ficou muito insatisfeito com o produto final e, a partir daí, decidiu ele mesmo financiar os seus roteiros.</p>
<p>Produzido com apenas 12 mil dólares, <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Monster_from_the_Ocean_Floor" target="_blank">Monster from the Ocean Floor</a></em> (Wyott Ordung, 1954), terror sobre uma ameba gigante que aterroriza banhistas incautos em um vilarejo mexicano, foi vendido para os distribuidores por 100 mil dólares e, graças ao enorme sucesso nas bilheterias (rendeu dez vezes o que custou), estabeleceu o nome de Corman na indústria. Com <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Fast_and_the_Furious_(1955_film)" target="_blank">The Fast and the Furious</a> </em>(John Ireland e Edward Sampson, 1954), teve início um acordo de distribuição com a American Releasing, que depois mudaria seu nome para <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/American_International_Pictures" target="_blank">American International Pictures</a>. A parceria entre Roger Corman e a AIP se tornaria uma das mais celebradas na história do cinema fantástico.</p>
<p>Corman estreou como diretor com <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Swamp_Women" target="_blank">Mulheres do Pântano</a></em>, seguido pelos faroestes <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Five_Guns_West" target="_blank">Cinco Revólveres Mercenários</a></em> e <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Apache_Woman" target="_blank">Pistoleiro Solitário</a></em> (todos de 1955) e até o final daquela década manteria uma média de seis obras lançadas por ano, experimentando com diversos gêneros (faroestes, policiais, dramas de prisão, ficção científica, terror, etc). Apesar de produzidos com pouco dinheiro, esses filmes se distinguiam dos concorrentes, fosse por causa do roteiro bem acabado ou da criatividade de Corman na realização dessas histórias.</p>
<p>Sua capacidade de filmar rapidamente, enxugando custos e ainda assim conseguir produzir uma obra de qualidade se tornaria lendária ao longo dos anos. Não se deve generalizar, confundindo cinema barato com o cinema ruim, de pouco ou nenhum valor. Mesmo com o acabamento precário de alguns filmes, Corman nunca permitiu que isso anulasse as chances de entreter o público.</p>
<div id="attachment_50770" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/roger-corman-homens-que-voce-deveria-conhecer-25/swamp_women_poster_03/" rel="attachment wp-att-50770"><img class="size-large wp-image-50770" title="Roger Corman" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/swamp_women_poster_03-620x484.jpg?95884c" alt="" width="620" height="484" /></a><p class="wp-caption-text">Os cartazes dos filmes de Corman também são sempre ótimos. Esse aqui é o do &quot;Mulheres do Pântano&quot;</p></div>
<p>Décadas mais tarde, Corman lançaria a sua autobiografia chamada <em><a href="http://www.amazon.com/Made-Hundred-Movies-Hollywood-Never/dp/0306808749" target="_blank">How I Made A Hundred Movies In Hollywood And Never Lost A Dime</a> </em>(algo como &#8220;como eu fiz centenas de filmes em Hollywood e nunca perdi um centavo&#8221;). Pura enganação do título. Ele perdeu grana com <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Intruder_(1962_film)" target="_blank">The Intruder</a></em> (1962), que tinha William Shatner no papel de um personagem odioso, um agitador que incitava o ódio racial em uma pequena cidade sulista norte-americana. Com uma trama ao mesmo tempo complexa e corajosa para seu tempo, o filme não foi capaz de recuperar os 80 mil dólares investidos. Ainda assim, é a obra que Corman diz ter mais orgulho dentre todas de sua longa filmografia.</p>
<p>Ainda na década de 1950, o diretor realizaria uma série de filmes de ficção científica cultuados, como <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/It_Conquered_the_World" target="_blank">It Conquered the World</a></em> (1956) e <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Not_of_This_Earth_(1957_film)" target="_blank">Emissário de Outro Mundo</a></em> (1957). No primeiro, um alienígena vindo de Vênus tenta conquistar a Terra com a ajuda de um cientista terrestre. O roteiro de Corman é bem feito, mas o que ficou marcado mesmo foi o visual do invasor venusiano, semelhante a um vegetal. A atriz do filme, Beverly Garland, teve muita dificuldade em expressar medo durante as filmagens, uma vez que se encontrava ameaçada por uma grande alcachofra de borracha cheia de dentes.</p>
<p>Já o <em>Emissário de Outro Mundo</em> traz outra ameaça alienígena, dessa vez um habitante do planeta Davanna. Disfarçado como um terrestre, ele precisa verificar se o sangue dos seres humanos é compatível com o da sua espécie. Usando um par de óculos escuros para esconder seus olhos brancos, o nosso invasor usa a visão para matar, queimando os órgãos internos e o cérebro das vítimas. Ganhou uma refilmagem em 1988, estrelada pela ex-atriz pornô <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Traci_Lords" target="_blank">Traci Lords</a> e com produção executiva de Corman.</p>
<h3>Rápido no gatilho (com as câmeras)</h3>
<p>A rapidez de Roger Corman para filmar chegaria ao ponto máximo em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/A_Bucket_of_Blood" target="_blank">Um Balde de Sangue</a></em> (1959), que foi filmado em seis dias e conta a história de um artista maluco que passa a usar o sangue das vítimas para pintar quadros. Já em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Little_Shop_of_Horrors" target="_blank">A Loja dos Horrores</a></em> (1960), cujas filmagens demoraram apenas dois (!) dias, uma planta carnívora cresce sem parar e devora os clientes de uma floricultura para o desespero do pobre ajudante da loja.</p>
<p>Destaque para a presença de um jovem Jack Nicholson como um paciente masoquista que vai ao consultório dentário. Esta obra inspirou uma versão teatral musical em 1982, que por sua vez, se transformou em filme estrelado por Rick Moranis, Steve Martin e Bill Murray em 1986.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/RAli9a8bbys?rel=0" frameborder="0" width="620" height="450"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/RAli9a8bbys" target="_blank">Link YouTube</a> | Aqui está o jovem Jack Nicholson, com apenas 23 aninhos e uma cara de Jim Carrey. Apredejamentos em 3&#8230; 2&#8230;</em></p>
<p>A maioria dos filmes dirigidos por Corman fazem por merecer especial atenção, mas foi com as adaptações de obras escritas por Edgar Allan Poe que ele costuma ser mais lembrado. O ciclo é composto por oito filmes: <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/House_of_Usher_(film)" target="_blank">O Solar Maldito</a></em> (1960), <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Pit_and_the_Pendulum" target="_blank">A Mansão do Terror</a></em> (1961), <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Premature_Burial_(film)" target="_blank">Obsessão Macabra</a></em> (1962), <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Muralhas_do_Pavor" target="_blank">Muralhas do Pavor</a></em> (1962), <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Raven_(1963_film)" target="_blank">O Corvo</a></em> (1963), <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Haunted_Palace" target="_blank">O Castelo Assombrado</a></em> (1963), <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Masque_of_the_Red_Death" target="_blank">A Orgia da Morte</a></em> (1964) e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Tomb_of_Ligeia" target="_blank">O Túmulo Sinistro</a></em> (1964).</p>
<p>O magistral Vincent Price aparece como protagonista em todos eles, com exceção de <em>Obsessão Macabra</em>, enquanto que <em>O Castelo Assombrado</em> vende gato por lebre, já que é, na verdade, inspirado no livro <em>O Caso de Charles Dexter Ward</em> de H.P. Lovecraft. Com mais altos do que baixos, o ciclo costuma ser citado por críticos como a hora de avaliar o cinema de Roger Corman.</p>
<p>Tudo bem que se tratam de filmes famosos, mas os escribas deviam ter uma visão mais ampla da coisa e apreciar outras obras geniais como <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Machine-Gun_Kelly_(film)" target="_blank">Dominados Pelo Ódio</a></em> (1958) – com Charles Bronson como o gangster Machine Gun Kelly &#8211; e <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/X_(1963_film)" target="_blank">O Homem dos Olhos de Raio X</a></em> (1963), em que Ray Milland interpreta um trágico cientista que, ao fazer experimentos para ampliar a percepção da visão humana, acaba evoluindo tanto esse sentido que termina o filme contemplando no centro do universo o “olho que vê a todos nós”. Nos anos 90, circulou em Hollywood um projeto para uma nova versão do filme, que chegou a interessar Tim Burton.</p>
<h3>As crias de Corman</h3>
<p>Roger Corman gostava de agregar em sua equipe jovens dispostos a trabalhar muito e, geralmente, em diversas funções. Esses entusiastas até podiam não ganhar muito dinheiro, mas o valor era convertido em experiência. Um dos primeiros foi <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Ford_Coppola" target="_blank">Francis Ford Coppola</a>, responsável no futuro pela trilogia <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Godfather" target="_blank">O Poderoso Chefão</a></em> e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Conversation" target="_blank">A Conversação</a></em>, entre outras obras-primas.</p>
<p>Coppola já havia dirigido um filme softcore em 1962 (<em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tonight_for_Sure" target="_blank">Tonight for Sure</a></em>) e agora, contratado como assistente de Corman, tinha como tarefa dublar e reeditar uma produção soviética de ficção científica chamada <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0053103/" target="_blank">Nebo Zovyot</a></em> (Mikhail Karzhukov e Aleksandr Kozyr, 1962), que seria distribuída nos EUA por intermédio de Corman. Lançado como <em>Battle Beyond the Sun</em>, a versão remontada possuía o acréscimo de novas cenas dirigidas por Coppola, como aquelas que mostram dois monstros espaciais, que por meio de uma sugestão de Roger Corman, deveriam lembrar uma genitália masculina e uma feminina.</p>
<p>Os trabalhos seguintes de Coppola para Corman seriam <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dementia_13" target="_blank">Dementia 13</a></em> (1963) – um dos muitos filmes de suspense que surgiram na onda de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Psycho" target="_blank">Psicose</a></em> (Alfred Hitchcock, 1960) – e <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Terror_(1963_film)" target="_blank">Sombras do Terror</a></em> (1963), que foi, na verdade, um trabalho em conjunto de Roger Corman e vários de seus colaboradores. Decidido a reaproveitar os cenários de produções como <em>O Castelo Assombrado</em>, que ainda não haviam sido desmontados, ele filmou algumas cenas com Boris Karloff e outros atores andando pelos sets, sem ter propriamente um roteiro pronto.</p>
<p>O material foi depois entregue a Francis Coppola, Monte Hellman, Jack Hill, com cada um deles escrevendo novas linhas do roteiro e filmando mais cenas. Até Jack Nicholson, o protagonista da história, contribuiu com a tarefa tentando criar alguma coerência naquilo tudo.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/DlpZRQap6FQ?rel=0" frameborder="0" width="620" height="450"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/DlpZRQap6FQ" target="_blank">Link YouTube</a> | Vincent Price atuando uma obra de Edgar Allan Poe e uma trilha sonora inocente e brilhante. Precisa de mais?</em></p>
<h3>Importando filmes</h3>
<p>Novamente usando da tática de reedição de uma ficção produzida na URSS, Corman mandou Peter Bognadovich transformar <em>Planet Bur</em> (Pavel Klushantsev, 1962) em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Voyage_to_the_Planet_of_Prehistoric_Women" target="_blank">Voyage to the Planet of Prehistoric Women</a></em>, lançado em 1968. No mesmo ano, Bognadovich dirigiria <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Targets" target="_blank">Na Mira da Morte</a></em> para Corman que, na ocasião, ainda tinha Boris Karloff sob contrato por mais dois dias e precisava que alguém conseguisse criar um filme com o velho ator e não estourasse o orçamento. Pouco tempo depois, já distante do mentor, Bognadovich ganharia reconhecimento mundial com sucessos como <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Last_Picture_Show" target="_blank">A Última Sessão de Cinema</a> </em>(1971) e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/What's_Up,_Doc%3F" target="_blank">Essa Pequena É Uma Parada</a></em> (1972).</p>
<p>Após pegar uma carona na onda de filmes de motoqueiros (<em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Wild_Angels" target="_blank">Anjos Selvagens</a></em>, 1966) e psicodélicos (<em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0062395/" target="_blank">Viagem ao Mundo da Alucinação</a></em>, 1967, que tem o roteiro assinado por Jack Nicholson), ambos estrelados por Peter Fonda, foi então que Roger realizou seu sonho de dirigir um filme sobre aviões, pois ele havia servido a Força Aérea Americana durante a 2ª Guerra Mundial. <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Von_Richthofen_and_Brown" target="_blank">Águias em Duelo</a></em> (1971) seria um ponto de transição na carreira de Corman, e ele não dirigiria mais nada até 1990, quando fez <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Frankenstein_Unbound" target="_blank">Frankenstein, O Monstro das Trevas</a></em>, uma mirabolante versão do clássico de Mary Shelley, com um cientista do futuro e viajante do tempo (John Hurt) encontrando-se com o Barão Frankenstein (Raul Julia).</p>
<p>Ao descobrir que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ingmar_Bergman" target="_blank">Ingmar Bergman</a> estava com dificuldades em arrumar distribuição para <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Viskningar_och_rop" target="_blank">Gritos e Sussurros</a></em> (1972) nos EUA, Corman correu para ajudá-lo – admirador do cineasta sueco, ele havia homenageado <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_S%C3%A9timo_Selo_(filme)" target="_blank">O Sétimo Selo</a></em> (1957) em <em>A Orgia da Morte</em>. Corman resolveu a situação lançando <em>Gritos e Sussurros</em> junto de outro filme, em um programa duplo destinado aos cinemas drive-in. O mesmo esquema foi feito para <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amarcord" target="_blank">Amarcord</a></em> (1973) de Federico Fellini e outras produções europeias assinadas por diretores de renome e que Corman adquirira os direitos de exibição.</p>
<h3>Parando de dirigir, mas não de fazer filmes</h3>
<p>Mesmo abandonando a cadeira de diretor, Roger Corman continuou produzindo filmes através da sua empresa <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/New_World_Pictures" target="_blank">New World Pictures</a>, ajudando a deslanchar a carreira de nomes até então nada conhecidos. Martin Scorsese dirigiu <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Boxcar_Bertha" target="_blank">Sexy e Marginal</a> </em>(1972) e Jonathan Demme assinou <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Caged_Heat" target="_blank">Celas em Chamas</a></em> (1974), um legítimo exemplar do subgênero WIP (Woman in Prison). Curtis Hanson, ganhador do Oscar de melhor roteiro adaptado por <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L.A._Confidential" target="_blank">Los Angeles – Cidade Proibida</a></em> (1997) fez  <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sweet_Kill" target="_blank">Sweet Kill</a></em> (1973), enquanto que Ron Howard, de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_Mente_Brilhante_(filme)" target="_blank">Uma Mente Brilhante</a></em> (2001) e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_C%C3%B3digo_Da_Vinci_(filme)" target="_blank">O Código Da Vinci</a></em> (2006), estreou como diretor em 1977 com o longa <em>Grand Theft Auto</em>, que teve Roger Corman como produtor executivo<em>.</em></p>
<p>Entre outras produções de Corman nos anos 70, posso destacar ainda o divertido <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Death_Race_2000" target="_blank">Corrida da Morte – Ano 2000</a></em> (1975) de Paul Bartel. Aqui temos David Carradine e Sylvester Stallone (antes de Rocky Balboa) como dois corredores participantes de uma competição onde se pontua atropelando inocentes pedestres, algo como uma fusão do desenho <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wacky_Races" target="_blank">Corrida Maluca</a> com o game <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmageddon" target="_blank">Carmageddon</a>. Refeito recentemente como <em><a href="http://www.adorocinema.com/filmes/corrida-mortal/" target="_blank">Corrida Mortal</a></em> em 2008, a nova versão não teve culhões para manter todo aspecto subversivo e politicamente incorreto do original.</p>
<div id="attachment_50780" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/roger-corman-homens-que-voce-deveria-conhecer-25/death-race-2000/" rel="attachment wp-att-50780"><img class="size-large wp-image-50780" title="Roger Corman" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Death-Race-2000-620x471.jpg?95884c" alt="" width="620" height="471" /></a><p class="wp-caption-text">O nome disso aqui é culhão. Só quem tem faz um filme assim.</p></div>
<p>Roger Corman continuou se inspirando em sucessos alheios e criando obras como <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Piranha_(1978_film)" target="_blank">Piranha</a></em> (Joe Dante, 1978), sátira de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tubar%C3%A3o_(filme)" target="_blank">Tubarão</a></em> (Steven Spielberg, 1975) levada a sério e escrita por John Sayles (<em>Lone Star – A Estrela Solitária,</em> 1996), ou <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_Beyond_the_Stars" target="_blank">Mercenários da Galáxia</a></em> (Jimmy T. Murakami,1980), engenhosa ficção científica que copia <em>Guerra nas Estrelas</em> (George Lucas, 1977) e acrescenta elementos de <em>Os Sete Samurais</em> (Akira Kurosawa, 1954). A direção de arte e alguns dos efeitos visuais ficaram a cargo de James Cameron, futuro diretor de <em>Titanic</em> (1997) e <em>Avatar</em> (2009).</p>
<p>A inteligência de Corman o ajudou a perceber que as regras do jogo mudavam. Os pequenos cinemas e os drive-in estavam com os dias contados. Os mesmos tipos de filmes que ele produzia há mais de vinte anos com orçamento pequeno agora eram feitos por grandes estúdios que gastavam milhões de dólares. Roger Corman enxergou um futuro com blockbusters barulhentos e majors que controlavam redes de distribuição de cinema. Não que ele fosse contra, mas era claro que não pertencia a este mundo.</p>
<p>Vendeu a New World Pictures em 1983 para montar uma nova empresa, a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/New_Concorde" target="_blank">Concorde &#8211; New Horizons</a>, que se mantém na ativa até os dias de hoje, lançando principalmente filmes <em>direct-to-video </em>(filmes que não passam pelo cinema, saindo direto em DVD, no iTunes e etc). Comparadas ao período áureo de Corman, poucas foram suas produções nas últimas duas décadas que merecem algum destaque. Uma delas seria <em><a href="http://filmow.com/carnossauro-t17287/" target="_blank">Carnossauro</a></em> (Adam Simon e Darren Moloney, 1993), insana chupinhação de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jurassic_Park" target="_blank">Parque dos Dinossauros</a></em> (Steven Spielberg, 1993) que apresenta um vírus mutante que faz com que mulheres botem ovos de dinossauro!</p>
<h3>Ainda na ativa!</h3>
<p>Roger Corman continua trabalhando normalmente no alto de seus 85 anos de vida. Em 2006, quase dirigiu um episódio da série <em>Mestres do Horror</em>, mas se viu obrigado a desistir por causa de problemas de saúde. Por sorte, ele continua cheio de vitalidade, aproveitando todo o sucesso acumulado ao longo de décadas. Pode ainda viver para testemunhar seus pupilos e antigos associados se transformarem em astros e diretores famosos em Hollywood.</p>
<p>Reverências e homenagens a sua pessoa nunca param e de vez em quando, ele próprio costuma aparecer como ator em filmes, como em <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Looney_Tunes:_Back_in_Action" target="_blank">Looney Tunes &#8211; De Volta à Ação</a></em> (Joe Dante, 2003), onde é visto interpretando a si mesmo nos estúdios da Warner Bros, dirigindo um filme do Batman.</p>
<div id="attachment_51548" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/roger-corman-homens-que-voce-deveria-conhecer-25/2009-governors-awards/" rel="attachment wp-att-51548"><img class="size-large wp-image-51548" title="Roger Corman" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/01/roger-corman-620x411.jpg?95884c" alt="" width="620" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">Roger Corman, tiozão, sem dente, mas ainda correndo atrás de seus filmes</p></div>
<p>Tendo em vista como essas últimas aventuras do Homem-Morcego padecem de uma seriedade forçada, imagino se o velho Corman não seria de fato uma opção bem melhor.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Abílio Couto &#124; Homens que você deveria conhecer #24</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 10:08:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bauch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Qualquer pessoa que tenha acompanhado um pouco dos Jogos Pan-Americanos viu as conquistas emocionantes da natação brasileira em Guadalajara. Mas muito tempo antes das conquistas memoráveis de Cesar Cielo e companhia, o Brasil já tinha um herói no hall da fama da natação, mais precisamente no Hall da Fama Internacional de Maratonas Aquáticas. Abílio Couto [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qualquer pessoa que tenha acompanhado um pouco dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Pan-Americanos" target="_blank">Jogos Pan-Americanos</a> viu as conquistas emocionantes da natação brasileira em Guadalajara.</p>
<p>Mas muito tempo antes das conquistas memoráveis de Cesar Cielo e companhia, o Brasil já tinha um herói no hall da fama da natação, mais precisamente no Hall da Fama Internacional de <a href="http://www.maratonaaquatica.com.br/" target="_blank">Maratonas Aquáticas</a>.<span id="more-50461"></span></p>
<div id="attachment_50469" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/abilio-couto-homens-que-voce-deveria-conhecer-24/canal1/" rel="attachment wp-att-50469"><img class="size-full wp-image-50469" title="Abílio Couto" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/canal1.jpg?95884c" alt="" width="620" height="443" /></a><p class="wp-caption-text">Esse simpático sorridente encheu o nosso Brasil de orgulhos</p></div>
<p>Abílio Couto nasceu em Ribeirão Preto, na véspera de natal de 1924, e foi um dos maiores maratonistas aquáticos do Brasil, e foi homenageado como ‘pai’ das águas abertas pelos cronistas esportivos da época.</p>
<p>Começou a nadar com oito anos de idade e, sempre que podia, cabulava as aulas da escola para nadar na piscina da <a href="http://www.recra.com.br/" target="_blank">Sociedade Recreativa de Ribeirão Preto</a>. Aos 18 anos, ganhou seu primeiro titulo de campeão de nado costas e livre, dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Abertos_do_Interior" target="_blank">Jogos Abertos do Interior</a>, feito que repetiu mais cinco vezes em 1943,1944,1945,1946 e 1952.</p>
<p>Reza a lenda que depois de um acidente com uma aeronave na década de 1950, Abílio decidiu nadar longas distâncias e se dedicar às maratonas aquáticas. Isso numa época em que não existiam os suplementos alimentares, as roupas de borracha e os óculos de natação eram feitos de couro, à mão.</p>
<h3>Águas abertas</h3>
<p>Em 1955 ele foi participar da sua primeira prova de travessia, a Travessia Guarujá-São Vicente, com uma distância de 30km e chegou em quarto lugar. Não se conformou, entrou nessa mesma prova em 1956 levou o primeiro lugar e o bicampeonato no ano seguinte.</p>
<p>Animado pelos resultados em terras tupiniquins, vendeu seu carro e com a ajuda de João Havelange, que na época era o presidente da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_de_Desportos" target="_blank">Confederação Brasileira de Desportos</a>, foi participar de algumas provas na Europa. Competiu em 6 provas, com distancias entre 10 e 60 quilômetros, ficando em terceiro lugar em 3 dessas. E já que estava na Europa, tentou também, atravessar o Canal da Mancha quatro vezes, mas não conseguiu em nenhuma delas. Mas não desistiu.</p>
<p>Enquanto o Brasil ganhava o seu primeiro título mundial no futebol, Couto voltou à França e, no dia 10 de Agosto de 1958, completou a travessia de 32km, no sentido França – Inglaterra em 12 horas e 45 minutos.</p>
<p>Essa façanha fez dele o primeiro brasileiro e o primeiro sul-americano a completar essa travessia, que é considerada uma das mais tradicionais e mais difíceis do mundo.</p>
<p>Por causa disso, Abílio foi eleito o terceiro melhor atleta do país, pela imprensa brasileira, atrás apenas de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pel%C3%A9" target="_blank">Pelé</a> e da tenista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Esther_Bueno" target="_blank">Maria Esther Bueno</a>, e à frente de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Garrincha" target="_blank">Garricha</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bellini_(futebolista)" target="_blank">Bellini</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Valdir_Pereira" target="_blank">Didi</a> e do campeão de boxe,<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89der_Jofre" target="_blank"> Éder Jofre</a>.</p>
<div id="attachment_50472" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/abilio-couto-homens-que-voce-deveria-conhecer-24/eder_jofre/" rel="attachment wp-att-50472"><img class="size-full wp-image-50472" title="Abílio Couto" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/eder_jofre.jpg?95884c" alt="" width="620" height="439" /></a><p class="wp-caption-text">Nem o melhor boxeador brasileiro de todos os tempos foi páreo para o nadador Abílio Couto</p></div>
<p>Voltando pro Brasil, Abílio resolveu desbravar a travessia Ilha-Bela – Caraguatatuba, que na época era uma travessia envolta em lendas e, portanto, tida como impossível. Mas ele não só conseguiu chegar em Caraguatatuba como organizou, em 1959, juntamente com a antiga FPN (Federação Paulista de Natação) um torneio nesse percurso para acabar de vez com as lendas.</p>
<p>Mas ainda não estava satisfeito. Ainda nesse ano, ele voltou à Inglaterra e no dia 11 de setembro nadou de Donver ate Wissant, na França, completando sua segunda travessia do Canal da Mancha com um tempo de 12 horas e 39 minutos, quebrando o recorde mundial da prova. O recorde demorou um ano para ser batido.</p>
<p>Apenas 14 dias depois de quebrar o recorde mundial, ele voltou para as águas geladas do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estreito_de_Dover" target="_blank">Estreito de Dover</a> e, mesmo sofrendo de uma tendinite na mão direita, participou do Campeonato Mundial de Natação em Águas Abertas, e com isso fez a travessia pela terceira vez.</p>
<p>Nessa época, Abílio não era profissional e participou da prova como amador. Acontece que ele acabou chegando na frente de todos, inclusive dos profissionais e assim foi premiado como Campeão Mundial Profissional e Amador de Águas Abertas. Com isso, num só mês, ele se tornou recordista e Campeão Mundial do Canal da Mancha.</p>
<p>Depois disso ainda participou de outras 7 etapas do Campeonato Mundial em Águas Abertas (1961, 1963, 1965. 1967, 1969, 1971 e 1975), tornando-se tetracampeão na categoria profissional e octacampeão amador. Percebam que ele tinha 51 anos quando participou da ultima etapa e chegou em 3º lugar entre os profissionais.</p>
<p>Abílio ainda recebeu o titulo de Barão de Sorano em 1961 pelo príncipe Deolz, da família real inglesa, a Cruz do Mérito Desportivo das mãos do Presidente Castelo Branco e seu nome foi eternizado no Hall da Fama em 2002.</p>
<p>Aos 66 anos, Abílio foi nomeado técnico da seleção brasileira de natação pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) e treinava para tentar sua quarta travessia do Canal da Mancha, para se tornar o homem mais velho a cruzar o Estreito de Dover.</p>
<div id="attachment_50477" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/abilio-couto-homens-que-voce-deveria-conhecer-24/1490-1/" rel="attachment wp-att-50477"><img class="size-full wp-image-50477" title="Abílio Couto" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1490-1.jpg?95884c" alt="" width="620" height="774" /></a><p class="wp-caption-text">É diferente o sorriso de um homem obstinado que correu atrás de seus objetivos e teve uma vida de conquistas pessoais</p></div>
<p>Infelizmente, Abílio Couto faleceu aos 73 anos, vitima de um câncer de próstata, sem conseguir completar essa sua última façanha.</p>
<p>Mas dentre tantas outras, jamais considerarei essa, uma derrota.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Conheça Julia Johansen</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 10:08:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Brandão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Muitos de vocês estão sentados no sofá insatisfeitos com a forma com que vivem, com seu corpo e sua saúde. Provavelmente adiando, dia após dia, aquela tão prometida dieta. “Próxima segunda-feira eu começo”, é o que você diz todos os dias, inclusive nas segundas-feiras. Certamente possuem um grande conhecimento em entretenimento e cultura popular. Conhece [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos de vocês estão sentados no sofá insatisfeitos com a forma com que vivem, com seu corpo e sua saúde. Provavelmente adiando, dia após dia, aquela tão prometida dieta. <strong>“Próxima segunda-feira eu começo”</strong>, é o que você diz todos os dias, inclusive nas segundas-feiras. Certamente possuem um grande conhecimento em entretenimento e cultura popular. Conhece todos os seriados, já viu todos os memes que saíram na internet e se refere a ele em conversas casuais com seus amigos. Você sonha em ter uma vida mais agitada e diferente, você sabe exatamente o que precisa fazer, mas nunca faz.<span id="more-50041"></span></p>
<div id="attachment_50042" class="wp-caption alignnone" style="width: 619px"><a href="http://papodehomem.com.br/conheca-julia-johansen/photostream/" rel="attachment wp-att-50042"><img class="size-full wp-image-50042" title="Conheça Julia Johansen" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/photostream.jpg?95884c" alt="" width="609" height="640" /></a><p class="wp-caption-text">Isso aqui, amigão, é trabalho recompensado</p></div>
<p>Julia era assim, exatamente como você: viciada em séries de televisão e bem acima do peso que gostaria de estar. Tinha um amigo de escritório que treinava Judô e acabou combinando de experimentar uma aula. Morando na Coréia, seu amigo não queria que ela fosse sem ele. O professor não falava inglês e ele estava frequentemente adiando a visita dela por problemas pessoais. Foi então que ele recomendou uma escola onde tinham vários estrangeiros, mas era para ela treinar Jiu-Jitsu.</p>
<p>Naquele momento, ela tinha muito preconceito e vergonha. A única coisa que ela sabia sobre jiu-jitsu era que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Royce_Gracie" target="_blank">Royce Gracie</a> ganhou o UFC em 1993. Imaginava aquela academia cheia de testosterona, um lugar agressivo e sem garotas. E falando de UFC, não é isso que vem à sua cabeça?</p>
<p>Mas correu tudo bem. Ela conheceu algumas garotas nas aulas, os caras eram engraçados e gentis. Ela resolveu continuar. Havia dado o primeiro passo para mudança.</p>
<h3>Não foi simples</h3>
<p>O caminho não foi fácil. Inicialmente o único objetivo dela era perder peso. Tirar a bunda do sofá e fazer alguma coisa. Nesse ponto, absolutamente qualquer coisa que acontecesse era uma melhora, ela estava satisfeita com qualquer pequena mudança. Mas ela acabou melhorando muito mais do que poderia imaginar.</p>
<p>Quando começou, mal conseguia fazer todo o aquecimento porque não conseguia mexer o próprio corpo direito. Então ela começou a curtir as pequenas vitórias, usando-as de motivação. E qualquer dia ruim que ela tivesse, ela mudaria o foco para o objetivo principal. “Hoje foi um sucesso, eu levantei do sofá e movimentei meu corpo”, dessa forma, <strong>cada vez que ela treinava era uma vitória.</strong></p>
<p>Uma das coisas interessantes é ver como ela virou seu lado nerd para os treinos. Como todo bom jogador de RPG, seu objetivo era simplesmente subir de nível. Impressionante o formato usado para se motivar. Como ela mesma coloca:</p>
<blockquote><p>“Assim como nos jogos, você tem X pontos por nível. Estou atualmente no nível 8, com 815 pontos de experiência, dos 1750 necessários para alcançar o nível 9. Ganhei 489 pontos por fazer 500 agachamentos. Subir 3 lances de escadas, e fazer meus exercícios de fisioterapia. Ah! Mencionei que fiz 500 agachamentos? Há! Boo-Yah!” <strong></strong></p></blockquote>
<h3>Um Ano depois</h3>
<div id="attachment_50047" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/conheca-julia-johansen/weight-loss-pics/" rel="attachment wp-att-50047"><img class="size-full wp-image-50047" title="Conheça Julia Johansen" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/weight-loss-pics.jpg?95884c" alt="" width="620" height="452" /></a><p class="wp-caption-text">Antes e agora: 2009/2011</p></div>
<p>Agora, pouco mais de um ano depois que começou a treinar, ela é uma pessoa completamente diferente. Ela nunca se imaginou fazendo exercícios em casa, por conta própria. Agora fazia flexões para aumentar sua força nos treinos. Perder peso virou secundário perto de fazer algo que realmente gosta. Os resultados agora eram consequência de uma paixão.</p>
<p>Hoje em dia não parece mais aquela pessoa tímida no tatame, envergonhada com a sexualidade das posições do jiu-jitsu. Agora fala da academia como sua segunda casa. Recentemente viajou para os Estados Unidos e visitou as mais famosas academias de jiu-jitsu que existem por lá.  Uma paixão que cresce e vira um estilo de vida. Tudo muito distante da realidade que ficou perdida no espaço de um ano.</p>
<p><strong>Nesse intervalo ela perdeu 22 kg</strong>. Usou o jiu-jitsu brasileiro como principal atividade física e refez sua conduta alimentar. Basicamente diminuindo a quantidade de carboidratos, e parando de comer toda a comida. Deixou de assistir tanta televisão e passou a ter uma vida muito mais ativa. Julia está longe de ser a melhor faixa azul (agora) de jiu-jitsu que existe, mas ela não está nem aí pra isso. Ela aprendeu o valor da dedicação, da motivação, e de se juntar com outras que entendem o seu objetivo. Hoje ela é parte de uma enorme comunidade de lutadores de Jiu-Jitsu, aonde você nunca imaginou que encontraria uma gordinha tímida e nerd.</p>
<h3>A mudança inspira</h3>
<p>Há pouco mais de um ano, enquanto eu passeava buscando informações sobre artes marciais, mais especificamente jiu-jitsu, <a href="juliajohansen.wordpress.com" target="_blank">encontrei um blog simples</a>, mas com muita informação diferente sobre a prática da arte marcial. A dona do blog não estava apenas dizendo que treinava e como eram os treinos, mas fazendo análises sobre o processo de aprendizado e fazendo relação com seu emprego, professora de inglês como segunda língua (<a href="http://www.eslpod.com/website/index_new.html" target="_blank">ESL</a>) na Coréia do Sul. Julia estava fazendo análises sobre sua nova vida dentro dos tatames e aprendendo uma nova linguagem corporal, o<em> Brazilian Jiu-Jitsu</em>.</p>
<p>Li imediatamente todos os posts que existiam no blog, alguns mais engraçados, outros apenas desabafos de suas dificuldades. Tudo isso vindo de uma faixa-branca com poucos meses de jiu-jitsu. Eu, com quase cinco anos treinando, estava admirado com toda aquela informação. Começamos a conversar sobre tudo. A página de comentários do blog virou um verdadeiro fórum de discussão. Eu aprendia e era motivado a cada dia.</p>
<div id="attachment_50052" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/conheca-julia-johansen/tom-rust-evolution-mario-bros/" rel="attachment wp-att-50052"><img class="size-full wp-image-50052" title="Conheça Julia Johansen" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Tom-Rust-Evolution-Mario-Bros.jpg?95884c" alt="" width="620" height="310" /></a><p class="wp-caption-text">Mudança e evolução: Acho que a Julia iria gostar desse comparativo</p></div>
<p>Julia representa, para o mundo, a mudança. A coragem que a maioria das pessoas não tem. <strong>Ela me mostra todos os dias que qualquer pessoa pode encontrar uma atividade que gosta, e mudar sua vida</strong>. Mostra que qualquer coisa que não seja se mexer, é uma grande desculpa para se manter na zona de conforto. Julia mostra pra todos os marmanjos ai fora, que fez o que vocês não fizeram. Tomou uma atitude.</p>
<p>Mudanças como essas acontecem todos os dias com pessoas a nossa volta, nos inspiramos, mas deixamos o sentimento passar. Como insisto em dizer, devemos procurar algo que traga paixão, que dê um motivo extra para levantar e se mexer, e isso é importantíssimo em todo processo radical de mudança física.  Se envolver com o objetivo é importante, mas seu comprometimento deve ser com caminho, curtindo as mudanças e vivendo sua nova realidade.<strong></strong></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Bruce Lee &#124; Homens que você deveria conhecer #23</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 09:08:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Brandão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O nascimento do dragão. Vinha ao mundo, no dia 27 de Novembro de 1940, entre as 6h e 8h, no ano e na hora do dragão. O que, pela tradição chinesa, representaria uma vida prospera e de poder. Lee Jun Fan, como foi batizado, e ainda na maternidade, apelidado de Bruce por sua enfermeira, mas [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O nascimento do dragão.</p>
<p>Vinha ao mundo, no dia 27 de Novembro de 1940, entre as 6h e 8h, no ano e na hora do dragão. O que, pela tradição chinesa, representaria uma vida prospera e de poder. Lee Jun Fan, como foi batizado, e ainda na maternidade, apelidado de Bruce por sua enfermeira, mas que só passou a adotar o nome mais tarde, quando entrou para escola.<span id="more-50018"></span></p>
<p>Esse aí foi para a Hong Kong ainda criança. Como era filho de um famoso cantor de opera, rapidamente começou a fazer trabalhos no cinema. Em 1946, aos seis anos, Lee fez seu primeiro filme chamado<em> The beginning of a boy</em>. No mesmo ano, Lee participou de mais dois filmes. Ao assistir seus trabalhos mais antigos, podemos identificar os traços que o fariam famoso no futuro, como ator, e artista marcial. Bruce participou de apenas um filme em que não tinha cena de luta, chamado <em>O Órfão</em>.</p>
<div id="attachment_50019" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/bruce-lee-homens-que-voce-deveria-conhecer-23/ip-man-with-bruce-lee-002/" rel="attachment wp-att-50019"><img class="size-full wp-image-50019" title="Bruce Lee" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Ip-Man-with-Bruce-Lee-002.jpg?95884c" alt="" width="620" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Bruce e o Mestre Yip</p></div>
<p>Como praticamente todas as crianças que começam a praticar alguma arte marcial, Bruce Lee foi incentivado por uma briga de rua quando tinha apenas 13 anos. Lee caiu na provocação tomou uma grande surra. Essa seria a primeira e última vez que perderia uma luta. Começou então a treinar um estilo de Kung Fu chamado <em><a href="[http://pt.wikipedia.org/wiki/Wing_chun" target="_blank">Wing Chun</a></em> instruído pelo lendário mestre <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Yip_Man" target="_blank">Yip Man</a>, que tem <a href="[http://www.youtube.com/watch?v=yF6Jyxc16vU" target="_blank">alguns filmes</a> inspirados em sua trajetória. Bruce Lee treinou com Yip Man até os 18 anos.</p>
<h3>Um grande lutador</h3>
<p>Quando falamos em Bruce Lee, logo pensamos em seus <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000045/" target="_blank">vários filmes</a>. Não é raro encontrar pessoas que acreditam que Lee foi apenas um ator, desconhecendo completamente seus feitos e influencia para o mundo das artes marciais. Talvez nenhum homem tenha mudado tanto o mundo da luta como Bruce Lee fez.</p>
<p>Nunca se limitando ao universo do Kung Fu, demonstrava grande interesse em várias outras artes. Aos 18 anos entrou para um torneio de Boxe, derrotando o campeão que estava invicto por três anos. Bruce Lee foi o primeiro a agregar várias artes marciais, utilizando apenas o que era eficiente em cada uma, transformando-se em um lutador mais eficiente.</p>
<p>Lee desenvolveu o <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeet_kune_do" target="_blank">Jeet Kune Do</a></em>, um conceito de arte marcial, inicialmente sendo um ponto de partida filosófico para explicar o modo com que mesclava as artes marciais e catalogava os pontos mais eficientes de cada uma delas, mas longe de ser um sistema de combate engessado. O objetivo era mostrar que cada lutador é livre para mudar e se adaptar a novas técnicas sempre que necessário.</p>
<p>Pra ele, o <em>JKD</em> era simplificar, desprender-se de qualquer estilo e se moldar as necessidades. “A arte deve se moldar ao lutador e não o lutador a arte”. Defendia não se prender, nem mesmo ao próprio <em>Jeet Kune Do</em>. Não apenas sendo um lutador, Bruce se preocupava constantemente sobre o que estava praticando e como alcançar a maestria. Antes de organizar seu método, Bruce treinou pelo menos dez outros estilos, desde a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esgrima" target="_blank">esgrima</a>, até o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling" target="_blank">wrestling</a> e <a href=" http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiu-jitsu" target="_blank">jiu-jitsu</a> (tradicional).</p>
<h3>O Físico do Dragão</h3>
<p>Vários são os relatos sobre o físico de Bruce Lee. Alguns deles são assustadores de serem lidos atualmente, quando não temos como comprovar a veracidade, mas trazem um pouco do que podíamos esperar dele.</p>
<div id="attachment_50023" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/bruce-lee-homens-que-voce-deveria-conhecer-23/bruceetdlegraisebig/" rel="attachment wp-att-50023"><img class="size-large wp-image-50023" title="Bruce Lee" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/bruceetdlegraisebig-620x466.jpg?95884c" alt="" width="620" height="466" /></a><p class="wp-caption-text">“Bruce tirou a camiseta, e eu fiquei admirado de novo, como sempre acontecia quando via o físico dele; tinha músculos sobre músculos.” – Chuck Norris</p></div>
<p>Após um desafio em que ganhou do adversário em 3 minutos, Bruce se sentiu frustrado, achou que ficou muito cansado, e atribuiu seu cansaço a falta de condicionamento físico. Ele ficou sem folego após a luta.  Bruce resolveu então ampliar seus horizontes e pesquisar sobre as mais variadas formas de se exercitar. Como não havia muita informação sobre treinamento físico disponível, ele assinou todas as revistas de fisiculturismo que existiam. A fonte de informação mais comum naquela época. Lee também comprou dezenas de livros e cursos de fisiculturismo e musculação, testando tudo que lia no próprio corpo.</p>
<p>Bruce Lee não aceitava limitações. Um aluno conta que, enquanto corria uma distância que não estava acostumado, ele disse para Bruce: “acho que vou morrer, temos que parar”. Bruce calmamente respondeu “Então morra”. Isso o deixou tão nervoso que conseguiu concluir a corrida. Logo em seguida, foi perguntar sobre essa atitude. Bruce respondeu:</p>
<blockquote><p>“Porque é melhor mesmo que você morra. É sério, se sempre impuser limites ao que faz, fisicamente ou de qualquer outra maneira, isso vai se disseminar por todos os outros setores da sua vida. Vai atingir seu trabalho, sua moralidade, todo o seu ser. Não há limites. Há patamares, mas não podemos parar neles, precisamos ir além. Se morrer; Morreu. Todo homem precisa se exceder constantemente”</p></blockquote>
<h3>O Filósofo</h3>
<p>Bruce Lee entrou na universidade de Washington em 1961, aos 21 anos. A filosofia exerceu um impacto enorme em tudo que faria desde então. Seus livros são famosos por não abordarem o combate de uma forma direta, mas por tratar as artes marciais em pontos de vista filosóficos.</p>
<p>O próprio Bruce Lee afirmou que a luta servia apenas como uma metáfora para os seus ensinamentos. Frequentemente influenciado pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Budismo" target="_blank">Budismo</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Taoismo" target="_blank">Taoísmo</a>, e pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti" target="_blank">Krishnamurti</a>. Mesmo assim, Bruce Lee afirmava que não acreditava em Deus e nem possuía uma religião.</p>
<p>Não se limitando a qualquer linha especifica de filosofia, Bruce Lee leu centenas de livros, reunindo aspectos ocidentais, orientais, modernos e antigos em princípios que contribuíram para seu próprio crescimento espiritual. Nesse processo de aprendizado que se tornaria sua filosofia pessoal, focado na libertação do espírito por um autoconhecimento maior. As artes marciais foram apenas uma ferramenta para expandir seu potencial e compartilhar seu ideal com os outros.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/pqx9YIAITQo?rel=0" frameborder="0" width="620" height="450"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/pqx9YIAITQo" target="_blank">Link YouTube</a> | A entrevista perdida de Bruce Lee. Agora, claro, encontrada</em></p>
<p>Sua filosofia inspirou inúmeros praticantes de artes marciais a seguirem esse caminho, a refletirem mais sobre o que fazem, e a melhorar como seres humanos.</p>
<blockquote><p>“Ele era único, e foi um ídolo para muitos. O melhor em alguém como Bruce é que ele inspira milhões e milhões de jovens que querem seguir seus passos, tornarem-se lutadores, trabalhar no cinema. E passam horas e horas por dia praticando. Alguém como Bruce Lee proporciona uma tremenda inspiração, o que ajuda jovens do mundo inteiro. Ele deixou uma marca profunda em todo o planeta, e acho que, por isso, será admirado por muito tempo”. &#8211; Arnold Schwarzenegger</p></blockquote>
<h3>Morte de Bruce Lee</h3>
<p>Durante as filmagens de o <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0077594/" target="_blank">Jogo da Morte</a></em>, Bruce começou a dar sinais de que não estava bem. Chegou a ficar pálido e desmaiar em uma das salas de edição do filme. Levado ao hospital e se recuperou. Chegou a emagrecer 6 quilos nesse período. Para segurar o estresse das mais de 12 horas de gravação diária, e os treinos que insistia em manter, consumia haxixe e abusava de analgésicos.</p>
<p>Depois que decidiu encerrar seus trabalhos, Bruce recebeu permissão médica para fazer uma viagem mais longa, e foi procurar um neurologista em Los Angeles. O médico informou que estava com a saúde em dia, mas havia um acumulo de fluidos no cérebro, devido a uma convulsão que teve antes de entrar em coma. O médico receitou um medicamento para <a href="http://www.drugs.com/dilantin.html">epilepsia</a>.</p>
<p>Pouco tempo depois em Hong Kong, para finalmente concluir as filmagens de <em>Jogo da Morte</em>, Bruce estava no apartamento da Taiwan Betty Ting Pei, com quem diziam que Bruce tinha um caso. Segundo ela, Bruce Lee pediu um analgésico para as fortes dores de cabeça. Betty tentou acordá-lo algumas horas depois, mas sem sucesso. Bruce Lee foi levado ao hospital Rainha Elizabeth, mas morreu no caminho. Segundo os médicos, a causa da morte foi um edema cerebral, provocado por uma reação alérgica a um componente químico do remédio.</p>
<p>Sua morte reuniu várias especulações. Desde que ele teria morrido de overdose de remédios misturados com outras drogas como cocaína. Teoria de que ele teria forjado a própria morte para finalmente viver em paz. E a principal, de que teria sido assassinado pela máfia chinesa por ter se recusado a fazer parte dela.</p>
<p>Essa última, reforçada quando Brandon Lee, filho de Bruce e Linda Lee, morreu acidentalmente nas filmagens de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0109506/" target="_blank">O Corvo</a>. Brandon foi baleado acidentalmente pelo ator Michael Massee, que utilizava uma pistola calibre 44. As balas de festim foram substituídas por balas de verdade. O incidente ajudou a sustentar a teoria de que a máfia chinesa estava por trás da maldição da família Lee.</p>
<div id="attachment_50037" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/bruce-lee-homens-que-voce-deveria-conhecer-23/wallpaper-311480/" rel="attachment wp-att-50037"><img class="size-large wp-image-50037" title="Bruce Lee" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/12/wallpaper-311480-620x469.jpg?95884c" alt="" width="620" height="469" /></a><p class="wp-caption-text">Uma vida mesclada de momentos de iluminação e momentos bem obscuros</p></div>
<p>Mais de 50 mil pessoas estavam no funeral de um dos maiores lutadores de todos os tempos. Bruce Lee teve uma vida intensa. Treinou muito, foi dos melhores em tudo o que fez. Deixou filmes fantásticos, uma arte marcial poderosa, exemplos e mais exemplos de treinos e muita filosofia para expandir a mente e extrapolar todos os limites do corpo e dos pensamentos. Bruce Lee deixou muita coisa boa em uma vida rápida e maleável, como a água. &#8220;<a href="http://youtu.be/BJi7DNFMOfY" target="_blank">Seja a água, meu amigo</a>&#8220;.</p>
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		<title>Floyd Patterson &#124; Homens que você deveria conhecer #22</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 11:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Dubard</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas e perfis]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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<p>Patterson foi um campeão que oscilou entre vitórias contundentes e derrotas memoráveis, passando longe do ordinário. Negro, nascido em uma família de 11 irmãos, Floyd cresceu na pobreza. Garoto problemático, arrumava confusão na escola e cometia furtos. Os pequenos delitos fizeram Patterson ser internado na Wiltwyck School for Boys, onde passou dois anos e foi apresentado ao boxe.</p>
<h3>Das ruas para o pódio olímpico</h3>
<p>Patterson venceu as três lutas que disputou na escola até que voltou para casa. Tímido e reservado, encontrou no esporte uma forma de subir na vida. Floyd voltou à Nova Iorque e passou a treinar com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cus_D'Amato" target="_blank">Cuz D’Amato</a>, que mais tarde treinou Mike Tyson, e passou a aperfeiçoar o boxe que aprendeu em Wiltwyck. Sua primeira luta sob a tutela de D‘Amato, e a primeira derrota, foi sparring contra seu irmão, Frank. Floyd foi massacrado, mas não desistiu da luta, característica que marcaria a trajetória do pugilista.</p>
<p>Poucos meses depois, Floyd estreou no boxe amador com vitória e já desejava, aos 16 anos, tornar-se profissional, D’Amato não permitiu, tinha planos para Patterson.</p>
<p>Após 2 anos competindo amadoramente, Patterson largou a escola para se juntar a equipe olímpica dos Estados Unidos que participou das Olimpiadas de Helsinque em 1952. O boxe americano conquistou  5 ouros  naqueles Jogos Olímpicos, entre eles o de Floyd, campeão dos pesos médios com apenas 17 anos. Quando retornou de Helsinque, Floyd conquistou o Campeonato Nacional Amador e o torneio Luva de Ouro de Nova Iorque. Patterson se profissionalizou em 1952, aos 17 anos e venceu suas 13 primeiras lutas.</p>
<h3>O caminho para o cinturão</h3>
<p>Sua primeira grande luta profissional foi uma derrota por decisão dos árbitros para ex-campeão dos meio-pesados, Joey Maxim, em 1954. A derrota devastou o jovem Floyd, que reconheceu a vitória da experiência do ex-campeão, Floyd declarou, tempos depois, que Maxim venceu porque lutou de forma mais inteligente.</p>
<div id="attachment_46514" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/floyd-patterson-homens-que-voce-deveria-conhecer-22/68d232e3b7b50ad5_large/" rel="attachment wp-att-46514"><img class="size-large wp-image-46514" title="Floyd Patterson | Homens que você deveria conhecer #22" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/10/68d232e3b7b50ad5_large-620x412.jpg?95884c" alt="" width="620" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Cuz D’Amato depositava todos seus anseios no iniciante pugilista</p></div>
<p>Cuz D’Amato, entretanto, ainda tinha planos maiores para Floyd. Quando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rocky_Marciano" target="_blank">Rocky Marciano</a> se aposentou, invicto, e abandonou o cinturão dos peso pesados, Floyd surgiu como um dos postulantes ao cinturão vago.</p>
<p>Em 30 de novembro de 1956, Floyd Patterson subiu no ringue para nocautear o então campeão dos pesos meio-pesados Archie Moore, se tornando o mais jovem campeão mundial peso pesado de boxe, com 21 anos e 10 meses, só foi superado Mike Tyson , e o primeiro campeão olímpico a ostentar um cinturão de campeão mundial profissional de boxe. Patterson defendeu o cinturão 4 vezes.</p>
<h3>As sete quedas</h3>
<p>As três lutas entre Floyd Patterson e Ingemar Johansson estão entre as mais significativas do boxe. Em 1959, quando se enfrentaram pela primeira vez, Floyd era uma grande estrela dos pesos pesados com 31 vitórias e apenas uma derrota e Johansson, um azarão que pagava 5 para 1, vinha invicto, com 21 vitórias na carreira. Os dois primeiros rounds da luta forma mornos, com os lutadores marcando distância e estudando o adversário. O terceiro round é histórico, Johansson derrubou o campeão 7 vezes até o árbitro declarar nocaute técnico.</p>
<p>Alguns dias depois da luta, ao ser questionado sobre ser o campeão mundial peso que mais vezes sofreu knock downs, Patterson respondeu: &#8220;eles dizem que eu fui o lutador que mais foi derrubado, mas eu também fui o que mais se levantou&#8221;.</p>
<h3>A revanche</h3>
<p>Um ano depois, Johansson e Patterson se enfrentaram novamente, no Egito, pelo título mundial. Durante esse ano, Patterson sofreu com insônia e depressão, empenhou todas as suas energias em conseguir uma revanche com Johansson. No combate, Floyd derrubou o adversário no quinto assalto, Johansson precisou de cinco minutos para se levantar. A conquista do título transformou Patterson no primeiro lutador a ganhar duas vezes o título de campeão mundial de boxe.</p>
<div id="attachment_46517" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/floyd-patterson-homens-que-voce-deveria-conhecer-22/ingemar-johansson-and-floyd-pattersson-11/" rel="attachment wp-att-46517"><img class="size-large wp-image-46517" title="Floyd Patterson | Homens que você deveria conhecer #22" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Ingemar-Johansson-and-Floyd-Pattersson-11-620x559.jpg?95884c" alt="" width="620" height="559" /></a><p class="wp-caption-text">Floyd Patterson cai diante de Johansson na primeira luta,. As outras duas não seriam fáceis assim não</p></div>
<p>A motivação para a revanche, entretanto, não foi algo que Patterson se orgulhou, ódio. Em entrevista, a revista Sports Illustrated, Patterson disse: “eu estava cheio de ódio, e eu não gostaria de sentir isso novamente”.</p>
<p>Johansson e Patterson se enfrentaram mais uma vez, em 1961, com nova vitória de Patterson, por nocaute no sexto round. Essas derrotas foram as únicas da carreira de Johansson.</p>
<p>Patterson era um lutador mirrado na categoria peso pesado, com 1,83 de altura e por volta de 84 quilos, Floyd era pequeno perto da nova geração de pesos pesados.  Patterson perdeu novamente o título mundial, com uma derrota por nocaute para Sonny Liston. Liston, 10 quilos mais pesado, foi o primeiro lutador nocautear o campeão dos pesos pesados no primeiro assalto. Patterson pediu a revanche e novamente foi derrotado.</p>
<blockquote><p><em>Boxe é como estar apaixonado por uma mulher. Ela pode ser infiel, ela pode ser má, ela pode ser crual, mas isso não importa. Se você a  ama, você a quer, mesmo que ela posse te trazer todas as formas de sofrimento. É a mesma com o boxe. Ele pode me trazer todo tipo de sofrimento, mas eu o amo.</em></p></blockquote>
<h3>Disputas de cinturão</h3>
<p>Após as duas derrotas para Liston, muitos decretaram o fim da carreira de Patterson. Ser criticado e ter a competência posta a prova, e mostrar que estão todos errados parecia ser uma constante na vida do lutador.  Floyd venceu mais cinco lutas pelo direito de desafiar o jovem <a href="http://papodehomem.com.br/muhammad-ali-homens-que-voce-deveria-conhecer-16/" target="_blank">Muhammad Ali</a> em 65. Ali venceu por nocaute técnico no 12º assalto de 15 previstos.</p>
<p>Floyd foi derrotado em outras duas disputas de cinturão, para Jimmy Ellis, em 68, e novamente para Ali, última luta da carreira de Floyd Patterson, em 1972.</p>
<p>A carreira do pugilista foi marcada por vitórias e derrotas impressionates. O boxeador se aposentou com um cartel de 55 vitórias, sendo 40 por nocaute, 8 derrotas &#8211; seis deles em disputas de títulos mundiais e uma luta terminou empatada.</p>
<div id="attachment_46522" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/floyd-patterson-homens-que-voce-deveria-conhecer-22/voc_sport_box_1_pic_65_clay/" rel="attachment wp-att-46522"><img class="size-large wp-image-46522" title="Floyd Patterson | Homens que você deveria conhecer #22" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2011/10/voc_sport_box_1_pic_65_clay-620x374.jpg?95884c" alt="" width="620" height="374" /></a><p class="wp-caption-text">Floyd vs Ali: pela cara do Muhammad, não foi lá das lutas mais simples</p></div>
<blockquote><p><em>&#8220;É fácil fazer qualquer coisa na vitória, é na derrota que o homem se revela&#8221;.</em></p></blockquote>
<h3>Campeão, estrela e negro</h3>
<p>Uma das mais violentas lutas que Floyd Patterson travou fora do ringue.</p>
<p>O lutador acreditava estar no controle do seu destino no mundo do boxe. Entretanto, os Estados Unidos ainda vivia sobre forte influência do racismo e Patterson se deparou com várias dessas situações enquanto competia no circuito. Floyd, como outros negros, eram impedidos de comer nos restaurantes de Baltimore e Kansas City.</p>
<p>De saco cheio do racismo que o cercava, Patterson jurou que nunca mais lutaria para uma platéia segregada. Floyd insistia que os promotores impedissem a segregação de lugares nas suas lutas e não o colocassem em trens com lugares separados para negros e brancos. Patterson se tornou inimigo da separação por raças e lutou por seus direitos dentro e fora dos ringues.</p>
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