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	<title>Papo de Homem &#187; Colunas</title>
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		<title>Bagunçaram o meu sexo</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 13:10:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nayara Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ladies Room]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A ordem natural foi alterada, apesar de teimarmos em manter sua construção intacta para que nossos alicerces de certezas não sejam implodidos. Hoje em dia, colocam um pau num corpo de mulher. Ou colocam uma mulher num pau sem corpo. Ou colocam peitos em um corpo de homem que tinha um pau e virou mulher&#8230; Isso é [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ordem natural foi alterada, apesar de teimarmos em manter sua construção intacta para que nossos alicerces de certezas não sejam implodidos. Hoje em dia, colocam um pau num corpo de mulher. Ou colocam uma mulher num pau sem corpo. Ou colocam peitos em um corpo de homem que tinha um pau e virou mulher&#8230; Isso é confuso demais para o sistema binário que nos ensinaram. Ou é homem ou é mulher e pronto. Não há lugar para mais um, para o concomitante, para a ambivalência.</p>
<p><span id="more-58125"></span></p>
<p>Aprendemos assim a amar os dualismos que explicam tudo de forma tão calma e suficiente. Ninguém passa a fronteira do outro e estamos assim entendidos, certo?</p>
<p>Não.</p>
<p><object width="526" height="374" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="bgColor" value="#ffffff" /><param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talk/stream/2011X/Blank/AliceDreger_2011X-320k.mp4&amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/AliceDreger-2011X.embed_thumbnail.jpg&amp;vw=512&amp;vh=288&amp;ap=0&amp;ti=1166&amp;lang=pt-br&amp;introDuration=15330&amp;adDuration=4000&amp;postAdDuration=830&amp;adKeys=talk=alice_dreger_is_anatomy_destiny;year=2010;theme=unconventional_explanations;event=TEDxNorthwesternU;tag=culture;tag=gender;tag=politics;&amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;" /><param name="src" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" /><param name="pluginspace" value="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed width="526" height="374" type="application/x-shockwave-flash" src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" wmode="transparent" bgColor="#ffffff" flashvars="vu=http://video.ted.com/talk/stream/2011X/Blank/AliceDreger_2011X-320k.mp4&amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/AliceDreger-2011X.embed_thumbnail.jpg&amp;vw=512&amp;vh=288&amp;ap=0&amp;ti=1166&amp;lang=pt-br&amp;introDuration=15330&amp;adDuration=4000&amp;postAdDuration=830&amp;adKeys=talk=alice_dreger_is_anatomy_destiny;year=2010;theme=unconventional_explanations;event=TEDxNorthwesternU;tag=culture;tag=gender;tag=politics;&amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;" pluginspace="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" /></object><br />
<a href="http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/alice_dreger_is_anatomy_destiny.html" target="_blank">Link TED</a> | <em>No seu trabalho, a médica e pesquisadora Alice Dreger observa que a linha entre os gêneros é difusa. Então, por que nós deixamos nossa anatomia determinar o nosso destino?</em></p>
<p>Felizmente, tudo foi borrado e a vida se espalhou, trêmula e líquida, por milhares de arenas, de embates tortos entre sexos, de inquietudes, de transtornos e incertezas. Precisamos desconstruir, ampliar, desnaturalizar, pois o que é tido como dado nos acomete sem nem notarmos, e aí, quando vamos ver, estamos lá, repetindo que &#8220;isso tudo existe desde sempre&#8221;, &#8220;nasceu assim&#8221;, &#8220;é da natureza&#8221; e &#8220;é pra ser assim&#8221;.</p>
<p>Bem e mal definidos de maneira maniqueísta. Homem e mulher. Feminino e masculino. Tudo separado.</p>
<h3>Tudo separado?</h3>
<p>Afinal, o que são gênero, orientação sexual e identidade? O psicólogo e autor do PdH <a href="http://www.sobreavida.com.br/" target="_blank">Fred Mattos</a> sugere os significados:</p>
<ul>
<li><strong>Gênero:</strong> refere-se ao órgão sexual predominante (ou seja, nasceu com pau é masculino; nasceu com vagina é mulher).</li>
<li><strong>Orientação:</strong> onde o seu desejo transita (isto é, se gosta de meninas, de meninos, de ambos&#8230;).</li>
<li><strong>Identidade:</strong> como você se identifica (você pode ser gay, mas um mais masculinizado e outro efeminado, por exemplo).</li>
</ul>
<p>Uma aula ministrada pela acadêmica <a href="http://marilynroxie.com/" target="_blank">Marilyn Roxie</a> sobre <a href="http://genderqueerid.com/gq-terms" target="_blank">História LGBT Norte-Americana</a> põe em xeque alguns conceitos. Um extenso glossário aponta para as mais variadas terminologias para definir orientação e identidade sexuais (o que ficou cunhado como <strong>genderqueer</strong>). Seguem alguns que nos fazem ponderar: definir alguém exclusivamente com os termos atuais não é reducionismo demais?</p>
<ul>
<li><strong>Bigender:</strong> aqueles que se identificam com ambos os sexos, ou que se movem entre comportamentos de ambos os sexos dependendo do contexto, expressando distintas personas masculina e feminina.</li>
<li><strong>Crossdresser: </strong>pessoa que, ainda sem motivação, veste roupas e usa adornos que são considerados culturalmente apropriados ao gênero oposto. O comportamento de não-conformidade não deve ser confundido com homossexualidade, pois muitos crossdressers são heterossexuais.</li>
<li><strong>Semimulher (demigirl): </strong>termo usado para descrever alguém identificado como mulher no nascimento mas que não sente qualquer associação com tal indicação, embora não sinta dissociação significante para criar desconforto físico ou disforia; ou alguém indicado no nascimento como masculino, mas sem identificação total com o sistema binário homem-mulher, que se sente mais associado ao feminino que ao masculino tanto socialmente quando fisicamente.</li>
<li><strong>Semi-homem (demiguy): </strong>o mesmo que &#8220;semimulher&#8221;, mas com identificação ao masculino.</li>
<li><strong>Epiceno (epicene): </strong>o termo em si significa &#8220;comum a ambos os gêneros&#8221;. Refere-se a indivíduos que têm características de ambos os gêneros ou a alguém que não pode ser classificado como &#8220;masculino&#8221; ou &#8220;feminino&#8221;, simplesmente.</li>
<li><strong>Girlfag:</strong> mulher atraída por homens gays ou bissexuais. Ela pode ou não sentir-se um &#8220;homem gay no corpo de uma mulher&#8221;.</li>
<li><strong>Guydyke: </strong>homem atraído por mulheres lésbicas ou bissexuais. Ele pode ou não sentir-se uma &#8220;mulher lésbica no corpo de um homem&#8221;.</li>
<li><strong>Intergênero (intergender):</strong> uma pessoa cuja identidade sexual permeia ou está no meio dos gêneros.</li>
<li><strong>Neutro (neutrois):</strong> identidade usada por indivíduos que se sentem fora do contexto de gênero binário. Muitos acreditam que neutro é um terceiro gênero.</li>
<li><strong>Pangênero (pangender):</strong> uma pessoa cuja identidade sexual consiste em expressões de vários outros gêneros.</li>
<li><strong>Trigênero (trigender):</strong> pessoas que sentem que não são masculinas e nem femininas, tampouco andróginas, e criam seus próprios gêneros.</li>
</ul>
<p>Se fosse um gráfico, ficariam assim:</p>
<div id="attachment_58608" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58608" title="Bagunçaram o meu sexo" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Untitled-2.jpg?95884c" alt="Bagunçaram o meu sexo" width="620" height="600" /><p class="wp-caption-text">Gráfico extraído de genderqueer.tumblr.com</p></div>
<p>Leia mais terminologias <a href="http://genderqueerid.com/gq-terms" target="_blank">aqui</a> e <a href="http://genderqueercoalition.org/terms" target="_blank">aqui</a>. Acredite, elas são fascinantes e expandem o conceito binário.</p>
<p>E para ler mais sobre genderqueer, acesse <a href="http://artoftransliness.tumblr.com/" target="_blank">Art of Transliness</a> e <a href="http://genderqueer.tumblr.com/" target="_blank">Genderqueers: beyond the binaries</a>.</p>
<h3>Queremos a mesma coisa?</h3>
<p>Somos matéria e construímos realidades. A realidade só existe enquanto produção de sentido – se não existe um sentido para o signo, ele não é signo e a realidade nada mais é que morta. Assim, <strong>demos um sentido ao biológico, criamos os gêneros e tudo passou a ser natural</strong>, advindo da mais pura essência, com a mais tênue naturalidade.</p>
<p>Devemos ser civilizados e ter gêneros muito bem separados. Mas e a civilização sempre existiu? Não. Ela é datada e, no seu íntimo de ser calma, com seus mecanismos de controle, ainda assim ela transtorna. Depois dela, pudemos, como indivíduos, nos projetar. Não estávamos mais presos à introdireção, nos tornamos sujeitos alterdirigidos e a partir daí, pudemos mudar muita coisa. Abrimos as portas de nossas casas, nossa vida, buscamos incessantemente afirmação, identificação. Precisamos ser, desesperadamente.</p>
<p>Mas quem somos? O que somos? Aí então, alegremente, mudamos e misturamos os sexos, os gêneros.</p>
<p>Saímos às ruas e precisamos identificar as pessoas. Nos incomodamos quando não conseguimos dizer se é “ele” ou “ela”. Vestimos nossas filhas de rosa e nossos filhos de azul na esperança de que a realidade se construa para eles, assim, num mundo dicromático simples e fácil de se entender e aceitar. Então, posso dizer que nascemos biologicamente diferentes e definidos? O resto deu-se na construção: feminino e masculino. O que diferencia dois bebês nus? O sexo ou o gênero? São duas coisas completamente diferentes.</p>
<p>Hoje, o dicotômico, o híbrido, o sistema binário transtornado e desfeito, o ambíguo, o ambivalente, todos esses tomaram nossas cidades e nossas ruas. Carnavalizaram o lugar da saturação no cotidiano. <strong>Bagunçaram o nosso sexo.</strong></p>
<h3>Se não é homem e nem mulher, não dá!</h3>
<p>E por isso, “tudo que é sólido se desmancha no ar” ainda hoje, num outro patamar, numa outra esfera, numa outra lógica, num correlato de realidade líquida contemporânea. O que define uma mulher, biologicamente falando, por exemplo? Ter uma vagina? Então por que muitos transexuais não são considerados mulheres? Ah, preciso então <strong>nascer</strong> com uma vagina, mas o que seria do mundo se não vivêssemos de transmutações, evoluções, transformações, construções e desconstruções, seja pelo meio que for?</p>
<div id="attachment_58126" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58126" title="Bagunçaram o meu sexo" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/laerte.jpg?95884c" alt="Bagunçaram o meu sexo" width="620" height="186" /><p class="wp-caption-text">Tirinha de Laerte</p></div>
<p>Por que o homem não pode ousar mudar a sua natureza? Se assim o fizer, ele encontrará uma legião para expurgá-lo de suas realidades e de suas vidas calmas e binárias. Se não é homem e nem mulher, então não é nada!</p>
<p>A ideia do sistema binário foi explorada aqui no PdH por <a href="http://papodehomem.com.br/author/jeannecallegari/" target="_blank">Jeanne Callegari</a>, no artigo &#8220;<a href="http://papodehomem.com.br/o-que-e-um-homem-o-que-e-uma-mulher/" target="_blank">O que é um homem? O que é uma mulher?</a>&#8220;:</p>
<blockquote><p>Nossa sociedade decidiu, em algum momento, dividir as pessoas em dois tipos: homens e mulheres. <strong>São caixinhas.</strong> A divisão podia ser entre seres altos e baixos, sardentos e lisos, pessoas com manchinha de nascença no joelho e pessoas sem manchinha. A sexualidade seria definida entre quem gosta de pessoas com manchinha e pessoas que não gostam, por exemplo.</p></blockquote>
<p>Precisamos negar e criar algo. Mas insistimos em cantar em coro um mundo onde se vive sem se misturar, onde não há a subversão da ordem para carnavalizar o banal, não há a mistura de híbrido para atormentar. Assim, não conseguimos encarar as idiossincrasias e a alteridade do outro e nos trancamos.</p>
<p>Fechamo-nos na natureza segura que, por repetição, já entendemos e sabemos de cor e salteado. Memória e hábito que insistem em se atualizarem iguais todos os dias. Não percebemos; logo, não agimos. <strong>A nossa falta de percepção se configura numa não-ação possível sobre o mundo que não queremos mudar.</strong> Um mundo onde tudo é naturalizado, porque fica mais fácil. Assim, pronto, estamos seguros, nada muda e não há o caos. Mas não. Eu, você, nós não queremos isso.</p>
<p>Precisamos de mais do que isso. Não podemos e não queremos aceitar o binarismo. Queremos confundir, transtornar, enlouquecer, contradizer, instaurar o caos, a bagunça, a incerteza e o mal estar. A angústia boa dos questionamentos contínuos.</p>
<p>Somos tudo ao mesmo tempo, misturado, aglutinado, não sei onde começa um e nem onde termina outro. Somos nada intrínsecos. Somos a confusão visceral na plena alteração da ordem.</p>
<h2 class="page_title froxo">LEIA TAMBÉM...</h2>
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	</ol>
<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que os homens deveriam ler mais ficção?</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/literatura-de-ficcao/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2012 03:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brett McKay</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>É pela leitura que ganhamos novas perspectivas e aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre mundo que nos cerca. Eu acredito bastante no ditado que diz: “Leitores são líderes.” Enquanto estudava as vidas de grandes homens na história, um assunto comum que encontrei foi que a maioria deles eram bibliófilos que buscavam implacavelmente se educar [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É pela leitura que ganhamos novas perspectivas e aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre mundo que nos cerca. Eu acredito bastante no ditado que diz:</p>
<blockquote><p>“Leitores são líderes.”</p></blockquote>
<p>Enquanto estudava as vidas de grandes homens na história, um assunto comum que encontrei foi que a maioria deles eram bibliófilos que buscavam implacavelmente se educar durante a vida inteira.<span id="more-58401"></span></p>
<p>Embora muitos homens venham acumulando um monte de livros para ler, há chances de que essa pilha seja composta primariamente por tomos de não-ficção. Por volta dos últimos 20 anos, a indústria editorial observou um declínio acentuado no número de homens lendo ficção. Alguns relatórios mostram que, atualmente, homens constituem apenas 20% dos leitores do gênero nos EUA.</p>
<div id="attachment_58524" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58524" title="A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/5da0fc7187f94b8997fb5d7b4ddbc265_7.jpg?95884c" alt="A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe" width="620" height="620" /><p class="wp-caption-text">A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe</p></div>
<p>Há várias razões para homens não lerem ficção nos dias de hoje. Talvez eles tiveram uma má experiência com ficção no ensino médio e juraram que nunca mais leriam um romance novamente enquanto estivessem vivos. É possível que o cérebro masculino seja naturalmente mais propenso à natureza mais direta e factual da não-ficção. E há quem sugira que os homens estão compensando suas leituras de ficção nos muitos – e excelentes – livros narrativos que saíram na última década (como <em><a href="http://www.amazon.com/gp/product/0375756787/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=stucosuccess-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=0375756787">The Rise of Theodore Roosevelt</a></em> e <em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=10807" target="_blank">No Ar Rarefeito</a></em>).</p>
<p>Qualquer que seja a razão, estudos cognitivos começam a mostrar que os homens talvez estejam vacilando ao evitar a seção de ficção em livrarias e bibliotecas. Hoje nós mostraremos por que você deve largar esses livros de negócios de vez em quando para pegar uma cópia de Hemingway.</p>
<h3>Por que os homens deveriam ler mais ficção</h3>
<p>Na última década, vários cientistas cognitivos se debruçaram sobre a questão de como a ficção afeta nossas mentes. À frente desta pesquisa está o psicólogo cognitivo e escritor de ficção, <a href="https://sites.google.com/site/keithoatleyhomepage/" target="_blank">Dr. Keith Oatley</a>. Dr. Oatley e outros pesquisadores pelo mundo descobriram que ficção não somente ativa, mas também aprimora as funções cognitivas que nos permitem conviver melhor socialmente.</p>
<p>Em seu livro <em><a href="http://www.amazon.com/gp/product/0470974575/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=stucosuccess-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=0470974575">Such Stuff as Dreams: The Psychology of Fiction</a></em>,  ele afirma que a ficção se trata primariamente de “eus num mundo social”, e que o assunto principal da ficção é “o que as pessoas querem umas das outras”. Da mesma forma que o seu conhecimento em história ou finanças aumenta lendo vários livros desses assuntos,<strong> ler ficção aumenta sua compreensão de relações sociais</strong> – seu pensamento sobre o que outras pessoas estão pensando.</p>
<p>Na verdade, Dr. Oatley diz que a ficção é uma simulação do mundo social que nos permite experimentar (ao menos por meio da imaginação) uma variedade de circunstâncias sociais com diferentes tipos de pessoas que nós podemos encontrar no cotidiano.</p>
<div id="attachment_58525" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58525" title="Claraboia, de José Saramago" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/83ccbabc72ba11e19e4a12313813ffc0_7.jpg?95884c" alt="Claraboia, de José Saramago" width="620" height="620" /><p class="wp-caption-text">Claraboia, de José Saramago</p></div>
<p>A maior parte do seu sucesso como um homem, seja no amor ou no trabalho, depende da sua capacidade de socializar habilmente. Todos nós conhecemos a frase:</p>
<blockquote><p>“O sucesso depende não do que você conhece, mas de quem você conhece.”</p></blockquote>
<p>Por mais que você queira pensar que isso não seja verdade, é verdade sim. Você pode ser o mais habilidoso e talentoso em qualquer coisa no mundo, mas provavelmente vai se acabar de trabalhar na obscuridade se não souber como chegar a outras pessoas e dividir esse talento com elas.</p>
<p>Infelizmente, os homens escolheram o pior lado da evolução no que diz respeito à nossa habilidade de socializar. Estudos mostram que o cérebro masculino é geralmente inclinado a lidar com <strong>coisas</strong>, enquanto o cérebro femininino é geralmente inclinado a lidar com <strong>pessoas</strong>. Isso pode explicar por que mulheres frequentemente preferem ficção à não-ficção: o cérebro delas já são propensos a ler sobre “eus num mundo social”.</p>
<p>Assim, o homem tem muito a ganhar ao ler ficção. Em vez de ver ficção como uma grande invenção e perda de tempo, veja-a como um simulador que lhe permite exercitar e fortalecer os músculos cognitivos responsáveis pela socialização. Toda vez que você lê um romance você está se tornando um homem socialmente melhor e mais entendido.</p>
<p>Abaixo, mostramos o que as pesquisas dizem sobre como especificamente a ficção melhora nossas mentes.</p>
<h3>Ler ficção fortalece sua Teoria da Mente</h3>
<p>A <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Theory_of_mind" target="_blank">Teoria da Mente</a> é uma capacidade cognitiva que os humanos usam o tempo todo, mas não dá o devido valor. Basicamente, é a <strong>nossa capacidade de atribuir estados mentais (como pensamentos, sentimentos e crenças) a outras pessoas baseando-nos em uma série de impressões, a fim de predizer e explicar o que elas estão pensando</strong>.</p>
<p>Cientistas cognitivos chamam essa capacidade de Teoria da Mente porque quando nós interagimos com outras pessoas, é impossível sabermos exatamente o que elas estão pensando, sentindo, percebendo, então temos que construir uma teoria do que elas estão pensando, sentindo, percebendo na mente delas. Sem a Teoria da Mente, interações sociais seriam esquisitas, toscas e praticamente impossíveis.</p>
<div id="attachment_58526" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58526" title="Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/be6e3cb0f6884f06a07a0bd17181314e_7.jpg?95884c" alt="Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski" width="620" height="620" /><p class="wp-caption-text">Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski</p></div>
<p>Alguns exemplos da Teoria da Mente em ação:</p>
<ul>
<li>Nós usamos a Teoria da Mente quando vemos um vendedor ambulante sorridente e pensamos: “Tá, ele está sorrindo, mas eu acho que ele está na verdade tentando é me ferrar”. Você vê o sorriso, mas está atribuindo a ele um estado mental diferente por causa de outras informações que você sabe do cara.</li>
<li>A Teoria da Mente permeia relacionamentos românticos: “Eu acho que ela acha que eu gosto dela, mas eu não gosto. Como é que eu dou um fora nela?” Nesse caso, você está teorizando que uma garota sente algo por você e que ela acha que o sentimento é mútuo – embora não seja. Agora você tem que dar um jeito de resolver esta situação.</li>
<li>Nós usamos a Teoria da Mente para planejar estratégias e para confundir. A cena famosa do cálice envenenado em <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Princesa_Prometida" target="_blank">A princesa prometida</a></em> é um exemplo perfeito da Teoria da Mente em ação:</li>
</ul>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/9s0UURBihH8?rel=0" frameborder="0" width="619" height="315"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/9s0UURBihH8" target="_blank">Link YouTube</a> |</em></p>
<p>A Teoria da Mente não é algo que nós nascemos já sabendo como fazer. Crianças começam a desenvolvê-la por volta dos 3 ou 4 anos de idade.</p>
<p>Até lá, recém-nascidos e crianças pequenas pensam que o que quer que eles estejam pensando, sentindo, percebendo é também o que os outros estão pensando, sentindo, percebendo. É por isso que meu filho Gus, de 18 meses, “se esconde” simplesmente cobrindo seus olhos com as mãos. Ele pensa que porque ele não pode me ver, eu não posso vê-lo, embora ele esteja sentado bem na minha frente na sua cadeira. Ainda que isso seja bonitinho, é uma tremenda falha ante a Teoria da Mente.</p>
<p>Geralmente, <a href="http://digitalcommons.unl.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1053&amp;context=cehsdiss">garotas desenvolvem a Teoria da Mente antes dos garotos, e garotas adolescentes se dão melhor que garotos adolescentes em situações de Teoria da Mente</a>. <strong>A vantagem feminina na Teoria da Mente também se estende à idade adulta</strong>. A capacidade superior da mulher na Teoria da Mente é provavelmente um resultado de fatores tanto sociológicos quanto evolutivos.</p>
<p>O cientista cognitivo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Baron-Cohen" target="_blank">Simon Baron-Cohen</a> (ele é o primo de Borat. Sério!) afirma que o autismo afeta mais homens do que mulheres porque quem é autista possui uma “mente extremamente masculina”. Autistas normalmente não têm uma Teoria da Mente ou a tem de forma subdesenvolvida, o que explica por que eles frequentemente sofrem para interagir socialmente – eles não têm a capacidade de ler outras pessoas.</p>
<h3>Então o que a Teoria da Mente tem a ver com ficção?</h3>
<p>Bem, estudos mostram que quando nós lemos ficção, as partes do nosso cérebro responsáveis pela Teoria da Mente se acendem e são ostensivamente acionadas. Narrativas exigem que adivinhemos os desejos ocultos dos personagens, descubramos o que seus inimigos ou amantes podem ou não estar pensando (quando o autor não nos conta explicitamente), ao mesmo tempo que acompanhamos todas as interações sociais entre os personagens.</p>
<p>Ernest Hemingway é famoso por forçar seus leitores a adivinhar o estado mental de seus personagens substituindo palavras por ações. Por exemplo, no final supertriste de <em><a href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=23414" target="_blank">Adeus às Armas</a></em> (não leia se você estiver prestes a ser pai. Confie em mim), o personagem principal, Frederic Henry, não fala absolutamente nada – ele simplesmente caminha de volta para o hotel embaixo de chuva. Fim.</p>
<div id="attachment_58527" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58527" title="A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/d340a7ae7a8811e180c9123138016265_7.jpg?95884c" alt="A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro" width="620" height="620" /><p class="wp-caption-text">A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro</p></div>
<p>Romances de suspense exercitam ainda mais nossa capacidade de Teoria da Mente. Sempre que você estiver lendo um romance de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dashiell_Hammett" target="_blank">Dashiell Hammett</a>, você está adivinhando junto a Sam Spade o que os gestos sutis ou as palavras ditas por todos os personagens de fato significam. O suspeito ou a testemunha estão dizendo algo somente para tirar você e Sam Spade da pista? Equilibrar toda essa leitura mental é tão divertido quanto desafiador, e é por isso que a crítica literária Lisa Zunshine afirma que o exercício mental que você faz ao ler uma história de detetive é bem parecido com levantar pesos numa academia.</p>
<p>Além de ativar nossa Teoria da Mente, ler ficção pode fortalecê-la? Em estudos recentes do Dr. Oatley, a resposta parece ser &#8220;sim&#8221;. Em trabalhos publicados em 2006 e 2009, Dr. Oatley relata que indivíduos que leem ficção frequentemente se saem melhor em testes de Teoria da Mente, independente de gênero.</p>
<p>Um deles é o Teste do Olho da Mente, no qual participantes olham para fotos de olhos de pessoas – e nada mais que isso – e então têm de descrever o que essas pessoas estão sentindo. <a href="http://webpages.shepherd.edu/LBAKER/SUPHIL199/New_Scientist2008-07-18_11-58.pdf">Leitores de ficção se saíram melhor neste teste do que leitores de não-ficção</a>. E um <a href="http://www.yorku.ca/mar/mar%20et%20al%202010_CogDev_media%20exposure%20and%20child%20ToM.pdf">estudo de 2010</a> realizado em crianças em idade pré-escolar mostrou que quanto mais histórias foram lidas para elas nessa idade, mais fortes ficaram suas Teorias da Mente.</p>
<p>Leiam para os seus filhos, pais!</p>
<h3>Ler ficção deixa o leitor mais empático</h3>
<p>Para ter empatia, não basta perceber o que outra pessoa está sentindo (no que a Teoria da Mente pode ajudar): <strong>empatia exige que nós tenhamos a mesma reação emotiva que o outro indivíduo.</strong></p>
<p>Da mesma forma que com a Teoria da Mente, homens geralmente são menos empáticos que mulheres. Enquanto nós tendemos a pensar em empatia mais como um traço feminino, é essencial para os dois gêneros desenvolvê-la, pois ela é a cola que mantém unida a civilização e o que nos permite ter relacionamentos fortes e duradouros com nossos amigos e amantes.</p>
<p>Infelizmente, como enfatizamos em nosso artigo &#8220;<a href="http://artofmanliness.com/2010/07/25/our-disembodied-selves-and-the-decline-of-empathy/" target="_blank">Our disembodied selves and the decline of empathy</a>&#8221; (&#8220;Nossos eus desincorporados e o declínio da empatia&#8221;), a empatia vem diminuindo tanto entre homens quanto entre mulheres nas últimas décadas, e a comunicação on-line tem sido uma força propulsora por trás dessa queda. Ainda que encorajemos nossos leitores a contra-atacar o poder sugador-de-empatia das conversações on-line equilibrando-as com mais conversas cara a cara, estudos mostram que encarar um bom romance também pode ajudá-los a aumentar a empatia.</p>
<p>Em 2008, Dr. Oatley testou se a leitura de ficção nos faz mais empáticos. Ele deu a 166 participantes ou o conto de Chekhov &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Dama_do_Cachorrinho" target="_blank">A Dama e o Cachorrinho</a>&#8221; ou uma versão da mesma história em formato de documentário. Os traços subjetivos de personalidade e as emoções foram avaliados antes e depois da leitura. Embora os leitores do documentário chato não tenham mostrado empatia ou apego aos personagens, os que leram a história original de Chekhov apresentaram um aumento de empatia pelos personagens.</p>
<p><a href="http://www.guardian.co.uk/books/2011/sep/07/reading-fiction-empathy-study" target="_blank">Estudos similares realizados pela Universidade de Buffalo apontam a mesma coisa</a>. Dr. Oatley admite que as mudanças podem ter sido somente temporárias, mas prevê a hipótese de que ler ficção repetidamente pode causar mais efeitos duradouros à empatia.</p>
<h3 dir="ltr">Ler ficção aumenta a criatividade</h3>
<p>Cientistas cognitivos acreditam que a ficção tem origem nas brincadeiras. Assim como crianças se engajam em mundos imaginativos, adultos o fazem quando leem uma história. E assim como uma encenação com um final indefinido desenvolve a capacidade da criança de conceber e avaliar alternativas, uma peça de ficção bem escrita faz o mesmo com adultos. Ler ficção pode aumentar nossa criatividade nos expondo a histórias e narrativas fantásticas que de outro modo não vivenciaríamos lendo não-ficção.</p>
<div id="attachment_58528" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58528" title="A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/925a92e245f04dd5a4c3143dcd64f9a7_7.jpg?95884c" alt="A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera" width="620" height="620" /><p class="wp-caption-text">A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera</p></div>
<p>Mas talvez o maior aumento de criatividade da ficção seja o que o crítico literário <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Viktor_Shklovsky" target="_blank">Viktor Shklovsky</a> disse a respeito da ficção: <strong>tornar estranho o conhecido, de modo que olhamos para as coisas sob uma nova luz.</strong></p>
<p>A ficção nos permite comparar como funcionam as ideias e experiências humanas em um mundo de faz-de-conta para com o funcionamento delas na vida real. Dessas comparações, podemos começar a pensar em ideias de formas profundamente diferentes. Eu gosto de pensar que a ficção nos orienta para depois nos reorientar, e durante essa reorientação, novas ideias surgem em nossas mentes.</p>
<h3 dir="ltr">Que tipo de ficção eu devo ler?</h3>
<p>Numa entrevista por telefone, perguntei ao Dr. Oakley se há algum tipo de ficção que os homens devem ler em particular. Ele respondeu que devemos ler o que quer que nos interesse, sejam romances russos intelectuais ou folhetins superficiais. <strong>“Nossos estudos mostram que o efeito da ficção na mente independe da qualidade literária”</strong>, afirma.</p>
<p>Ele na verdade encoraja os homens a ler uma variedade extensa de ficção, de modo que “consigam conhecer mais pessoas em mais circunstâncias”. Então vá em frente. Leia aqueles romances de Louis L’Amour e Michael Crichton sem culpa nenhuma. Você está ajudando a si mesmo a  se tornar um carismático dínamo-social.</p>
<p dir="ltr">Como mencionamos antes, romances de suspense podem exercitar de forma mais precisa sua teoria da mente, pois exigem que adivinhemos intenções ocultas de um grupo de suspeitos baseados em pistas sutis deixadas pelo autor. Assim, meter a cara no seu Hammett, Chandler ou Christie possivelmente será benéfico e certamente será prazeroso.</p>
<p>E embora os romances de Jane Austen sejam repudiados por homens, eles também prestam um bom serviço ao trabalhar com a sua Teoria da Mente. Ficar ligado em quem está interessado em quem e o que realmente significam aqueles trejeitos vitorianos sutis vai fritar seu cérebro, mas vai torná-lo mais forte no quesito habilidades sociais. Confissão: eu li recentemente <em><a href="http://www.editoralandmark.com.br/obr-shw.asp?k=54">Razão e sensibilidade</a></em> e gostei de verdade.</p>
<p>Dr. Oatley sugere dois livros que ele leu recentemente e que achou que nós homens íriamos gostar: <em><a href="http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=725">Terras baixas</a></em> e <em><a href="http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=296">O fundamentalista relutante</a></em>.</p>
<p>Conclusão: Certifique-se de misturar leituras de ficção com suas preferências de não-ficção. Isso irá torná-lo um homem melhor e mais bem-sucedido.</p>
<p><strong>Nota do editor 1:</strong><em> o artigo acima é uma tradução do texto &#8220;<a href="http://artofmanliness.com/2012/04/29/why-men-should-read-more-fiction/" target="_blank">Why men should read more fiction</a>&#8220;, do <a href="http://artofmanliness.com/" target="_blank">Art of Manliness</a>, feita por Gustavo de Santana e revisada por <a href="http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/" target="_blank">Rodolfo Viana</a>. Imagens do <a href="http://grifeinumlivro.tumblr.com/" target="_blank">Grifei num livro</a>.</em></p>
<p><strong>Nota do editor 2:</strong> <em>O PdH tem bons artigos sobre literatura de ficção e não-ficção. Seguem seis deles:</em></p>
<ul>
<li><a title="Que tal uma reforma no jornalismo?" href="http://papodehomem.com.br/jornalismo-literario/" target="_blank">Que tal uma reforma no jornalismo?</a></li>
<li><a title="Poema em linha reta, de Fernando Pessoa | Poesia PapodeHomem" href="http://papodehomem.com.br/poema-em-linha-reta-de-fernando-pessoa-poesia-papodehomem/" target="_blank">Poema em linha reta, de Fernando Pessoa | Poesia PapodeHomem</a></li>
<li><a title="Os 8 livros favoritos de Steve Jobs" href="http://papodehomem.com.br/os-8-livros-favoritos-de-steve-jobs/" target="_blank">Os 8 livros favoritos de Steve Jobs</a></li>
<li><a title="Primeiros parágrafos fodões | Listas descaralhantes #2" href="http://papodehomem.com.br/listas-descaralhantes-2-primeiros-paragrafos-fodoes/" target="_blank">Primeiros parágrafos fodões | Listas descaralhantes #2</a></li>
<li><a title="Fabrício Corsaletti e a poesia que ainda vive" href="http://papodehomem.com.br/fabricio-corsaletti-e-a-poesia-que-ainda-vive/" target="_blank">Fabrício Corsaletti e a poesia que ainda vive</a></li>
<li><a title="Livros para ler cagando" href="http://papodehomem.com.br/livros-para-ler-cagando/" target="_blank">Livros para ler cagando</a></li>
</ul>
<h2 class="page_title froxo">LEIA TAMBÉM...</h2>
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	</ol>
<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>O método do Sr. Miyagi</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/o-metodo-do-sr-miyagi/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 08:57:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Enquanto pintava uma cerca, polia o chão e encerava o carro, Daniel San aprendeu golpes de caratê. E pelo caratê aprendeu um pouco mais de tudo. O método indireto do Sr. Miyagi não funciona romanticamente assim nas artes marciais, mas talvez possamos experimentar um processo parecido na vida. Se todos os microatos mais cotidianos (como escovar [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto pintava uma cerca, polia o chão e encerava o carro, Daniel San aprendeu golpes de caratê. E pelo caratê aprendeu um pouco mais de tudo.</p>
<p><span id="more-58445"></span></p>
<p>O método indireto do Sr. Miyagi não funciona romanticamente assim nas artes marciais, mas talvez possamos experimentar um processo parecido na vida. Se todos os microatos mais cotidianos (como escovar os dentes) expressam o estado de nossa mente, será que podemos estimular uma causalidade inversa, usando ações simples (como lavar um carro) para nos transformar?</p>
<div id="attachment_58450" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58450" title="karate-kid-mr-miyagi-carro" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/karate-kid-mr-miyagi-carro.jpg?95884c" alt="" width="620" height="337" /><p class="wp-caption-text">&quot;Não parece, mas você também está aprendendo a controlar a ejaculação – só depois isso fará sentido, Daniel San, agora respire de novo&quot;</p></div>
<h3>Bagunça de sapatos no templo zen</h3>
<p>Assim que comecei a cursar filosofia, com 18 anos, encontrei <em><a href="http://bodisatva.com.br/video-rarissimo-de-shunryu-suzuki/" target="_blank">Mente zen, mente de principiante</a></em> perdido na biblioteca da USP. Pirei e logo liguei para o templo Busshinji perguntando pelo horário dos iniciantes.</p>
<p>Entrei na sala de prática junto com outros novatos, todos nós ansiosos por receber instruções de zazen, com medo de não aguentar os 45 minutos de imobilidade. Antes de qualquer coisa, a professora apontou para a porta, onde havíamos tirado nossos sapatos no piloto automático, e disse: &#8220;É assim que deve estar a mente de vocês. É assim que deve estar a vida de vocês&#8221;.</p>
<h3>Ansiedade ao avançar um vídeo no YouTube</h3>
<p>Alguém recomenda uma longa entrevista com <a href="http://www.openculture.com/2012/02/david_foster_wallace_the_big_uncut_interview_2003.html" target="_blank">David Foster Wallace</a> e você clica para ver qual é. No <a href="http://www.youtube.com/watch?v=N5IDAnB_rns&amp;feature=related" target="_blank">primeiro de nove vídeos</a> ele começa citando Wittgenstein e você passa alguns milissegundos ponderando entre duas escolhas: 1) realmente parar tudo e ouvir com interesse; 2) clicar na barrinha, pular para 2:30, 4:58, avançar até o fim em busca de algo extraordinário que em poucos segundos capture sua atenção, sirva como entretenimento e o faça divulgar no Facebook como &#8220;foda&#8221; ou &#8220;genial&#8221;.</p>
<p>Ora, isso que esperamos encontrar pulando para o meio do vídeo, essa coisa incrível, isso não existe. Vamos morrer frustrados em modo forward.</p>
<p>Se fazemos isso com vários vídeos todo dia, como essa mesma mente está lidando com projetos, relacionamentos, viagens, grandes coisas? Provavelmente com a mesma ansiedade, com a mesma dependência de estímulos, olhando tudo como entretenimento, sem nunca se satisfazer, sempre querendo checar se vale a pena ou se tem coisa melhor na outra aba, sem conseguir parar e viver com interesse.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/eFK-GGG8JN0" frameborder="0" width="620" height="450"></iframe><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=eFK-GGG8JN0&amp;feature=related " target="_blank"> Link YouTube</a> | Todas as lições do Mr. Miyagi. <em>Você consegue assistir ao <a href="http://papodehomem.com.br/o-video-mais-incrivel-do-mundo/" target="_blank">vídeo mais incrível do mundo</a> sem clicar na barra de navegação?</em></em></p>
<h3>Desânimo ao escovar os dentes</h3>
<p>Quando minha vida começa a ficar zoneada ou o sentido das coisas se embaça, a primeira coisa que muda é o modo como escovo os dentes. Eu estou longe de me deprimir ou surtar, mas já começo a colocar a pasta de modo mais displicente e esfrego a escova sem tanto vigor, sem me dedicar nos ângulos mais profissionais, como se eu não confiasse mais no propósito da limpeza. Os dentes parecem mais amarelos, irreversivelmente sujos.</p>
<p>Ali, no micromundo do espelho do banheiro, acontece o que em breve acontecerá com todos os âmbitos da minha realidade. Ali eu posso observar minha mente começando a se perder, meu corpo começando a entortar. E ali mesmo eu posso redirecionar tudo com a escova. Aumento o vigor, corto a ilusão, sorrio. Se tivesse deixado a confusão crescer para além da boca, seria bem mais difícil encontrar algum objeto xamânico para retomar a sobriedade.</p>
<h3>Indisponibilidade com a caixa de almofadas</h3>
<p>Ano passado <a href="http://papodehomem.com.br/author/fabiorodrigues/" target="_blank">Fábio Rodrigues</a> chegou no QG com uma caixa cheia de <a href="http://loja.papodehomem.com.br/pd-1ef73-almofada-pdh-de-meditacao.html?locale=pt-br " target="_blank">almofadas de meditação</a>: &#8220;Gitti, dá uma olhada&#8221;. Eu abri por cima: &#8220;Legal&#8221;.</p>
<p>Ele se aproximou nervoso: &#8220;Abre direito, porra, assim ó&#8221;. Tirou as almofadas, me jogou algumas na mão. &#8220;É bem assim que você está vivendo, cara&#8221;. Eu concordei. Sempre com pressa, ocupado, tratando qualquer evento como interrupção, como se tudo e todos estivessem me atrapalhando. As coisas e pessoas e situações que surgiam eu não abria, só olhava por cima, sem adentrar, sem pegar na mão.</p>
<p>Até hoje, especialmente no QG, eu vivo meio de lado, passando, como se eu não quisesse parar a qualquer momento, conversar, entrar. Faço já indo fazer outra coisa. Sofro de indisponibilidade.</p>
<p><img title="mr-miyagi-smiling" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/mr-miyagi-smiling.jpg?95884c" alt="Karate Kid - Sr. Miyagi" width="620" height="350" /></p>
<h3>O método xamânico do Sr. Miyagi</h3>
<p>Alguns microprocessos servem apenas para nos ajudar a detectar travas e aflições, não para trabalhar com elas. Inviável se iluminar escovando os dentes, alinhando sapatos, abrindo malas ou assistindo a vídeos sem pular. Porém, é possível usar uma infinidade de ações banais para desenvolver qualidades corporais e mentais que serão utilizadas em muitos outros contextos.</p>
<p>No budismo <a href="http://papodehomem.com.br/ser-zen-ou-praticar-zen/" target="_blank">zen</a>, por exemplo, em paralelo ao estudo e à prática formal de sentar em silêncio, todos os trabalhos manuais são encarados como extensão do treinamento: cortar alimentos, cozinhar, limpar o banheiro, cortar a grama, cuidar da horta&#8230; Mais ainda, qualquer tipo de arte ou técnica é usada como suporte e meio hábil: ikebana, cerimônia do chá (sato), bonsai, arco e flecha (kyudo), haikai, sumi-ê, bushido, kabuki.</p>
<p>Numa fala rasa, podemos arriscar dizer que o princípio ativo é parecido com o método do Sr. Miyagi: cortar cenouras ou atirar uma flecha são jeitos de detectar onde está a nossa mente (estou distraído ou presente, sinto cansaço, orgulho, raiva?) e também mecanismos de cultivar, exercitar, desenvolver outro funcionamento, outros hábitos.</p>
<blockquote><p>&#8220;Todas essas coisas, o arco, a flecha, o alvo e eu estamos enredados de tal maneira que não consigo separá-las. E até o desejo de fazê-lo desapareceu. Porque, quando seguro o arco e disparo, tudo fica tão claro, tão unívoco, tão ridiculamente simples.&#8221;<br />
–Eugen Herrigel | <a href="http://www.ronin47.xpg.com.br/Herrigel_Eugen_-_A_Arte_Cavaleiresca_do_Arqueiro_Zen.pdf" target="_blank">A arte cavalheiresca do arqueiro zen</a></p></blockquote>
<p>Durante a formação de 3 anos para virar líder de <a href="http://www.taketina.com/o-que-e-taketina/" target="_blank">TaKeTiNa</a>, vi meu professor usar diversos instrumentos para trabalhar com as pessoas por meio do ritmo. Berimbau, caxixi, surdo, tschanggo, conga, cantos tribais&#8230; Enquanto a gente pensa que está aprendendo a usar a pedra no berimbau, na verdade estamos <a href="http://www.portalhomem.com.br/artigos/como-relaxar" target="_blank">aprendendo a relaxar</a> corpo e mente no meio do caos. Quando escrevo sobre isso agora, pode soar como uma metáfora ou abstração, mas é exatamente assim que acontece.</p>
<p>Do mesmo modo, em rodas de TaKeTiNa, as pessoas usam os pés, as mãos e a voz para explorar processos sutis que operam de modo quase invisível, pouco concreto, durante a vida cotidiana. No trabalho, ficamos estressados sem perceber. Nas relações, ficamos ciumentos, raivosos, ansiosos, sempre culpando elementos externos. Fazendo apenas ritmos crus, sem histórias e conteúdos para atrapalhar, fica mais evidente quando surgem as tensões, quais as estruturas que nos fodem. Além de nos observar, também conseguimos mexer diretamente com cada experiência, testar outros posicionamentos internos, descobrir outros jeitos de viver.</p>
<div id="attachment_58448" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58448" title="karate-kid-daniel-san" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/karate-kid-daniel-san.jpg?95884c" alt="" width="620" height="411" /><p class="wp-caption-text">A mente só aprende pelo corpo</p></div>
<p>Artes marciais, meditação, esportes, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Feldenkrais_Method" target="_blank">método Feldenkrais</a>, escrever para o PapodeHomem, qualquer trabalho ou atividade pode ser usada por alguém com essa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fPnx0U1MJwY" target="_blank">habilidade de xamã</a>. Quase todo xamã, aliás, adoece gravemente na infância ou adolescência e é curado por um tipo de mecanismo que depois vai usar para curar outros seres (música, ervas, toques, hipnose, <a href="http://papodehomem.com.br/xamanismo-magia-e-arte-na-paisagem-mental-de-alan-moore/" target="_blank">palavras</a>, rituais, qualquer coisa vira macumba).</p>
<p>Você pode fazer um chá e apenas fazer um chá, escrever um texto e apenas escrever um texto, dar uma palestra e apenas dar uma palestra, limpar sua casa e apenas limpar sua casa. Ou pode aproveitar cada ação para se engajar em algum treinamento, para desenvolver qualidades corporais e mentais que serão utilizadas em muitos outros contextos.</p>
<p>Melhor ainda se encontrar algum professor que saiba como usar alguma técnica para treiná-lo em outra coisa. Em vez de aprender a tocar somente guitarra, por exemplo, um bom professor xamazão é capaz de te ajudar a tocar sua vida inteira de outro modo. Ele vai vincular cada processo da guitarra com um desafio específico de proporção muito maior. Vai te encurralar de um modo que será necessário mudar boa parte da sua vida para conseguir fazer aquele solo, ou cortar cenoura sem hesitação, ou bater palmas no ritmo, ou produzir um sumi-ê verdadeiramente esportâneo&#8230;</p>
<p>Se bem usada, qualquer coisa pode servir para espelhar sua vida, como um mecanismo orgânico de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Biofeedback" target="_blank">biofeedback</a> e auto-regulação. Se você relaxa, o som do berimbau sai perfeito. Se você surta, o berimbau grita isso na sua cara e para os outros. É quase como se você começasse a enxergar nitidamente alguns monstros abstratos como medo e impaciência.</p>
<p>O resultado técnico é o de menos. O que importa é quanto o corpo aprendeu e como ele começou a se mover por trás, em paralelo, ao redor daquele aprendizado específico. Se começamos a fazer esse processo com várias coisas, nossa vida inteira pode se transformar em um treinamento incessante. Mas esse é um ponto que precisa de outro texto para ser detalhado. Entraremos nisso em breve.</p>
<p>Estou curioso para saber se vocês têm mais exemplos e relatos do primeiro tipo (momentos corriqueiros que evidenciam grandes dinâmicas da sua vida) e do segundo (processos comuns que nos possibilitam treinar outra coisa). Seguimos o papo nos comentários.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Treine por 10 mil horas</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 03:01:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafa Monteiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Lionel Messi tinha tudo para não ser um jogador de futebol. Talento nunca lhe faltou, decerto. Aos 4 anos, dava olé nos moleques com o dobro de sua idade. Foi assim no Abanderado Grandolie, pequeno time onde Messi jogou até o dia em que seus pais foram impedidos de acompanhar um dos jogos do filho [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lionel Messi tinha tudo para não ser um jogador de futebol.<br />
<span id="more-58065"></span></p>
<div id="attachment_58080" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58080" title="Lionel Messi" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/lionel-messi.jpg?95884c" alt="Lionel Messi" width="620" height="285" /><p class="wp-caption-text">Messi: infância no Newell&#39;s Old Boys e juventude no Barcelona</p></div>
<p>Talento nunca lhe faltou, decerto. Aos 4 anos, dava olé nos moleques com o dobro de sua idade. Foi assim no Abanderado Grandolie, pequeno time onde Messi jogou até o dia em que seus pais foram impedidos de acompanhar um dos jogos do filho porque não tinham dinheiro para o ingresso. Depois disso, os pais de Messi tiraram-no do clube.</p>
<p>A história do atual melhor jogador do mundo poderia ter parado aí.</p>
<p>Aos 7 anos, o jogador voltou a integrar uma equipe: o Newell&#8217;s Old Boys. Apesar da precoce intimidade com <em>la pelota</em>, Messi, aos 11, descobriu que sofria de uma doença óssea que lhe prejudicava o desenvolvimento físico. Durante mais de um ano e ao custo de 900 dólares por mês, teve de tomar injeções diárias. Sua família não dispunha de tanto dinheiro e seu clube, o Newell&#8217;s Old Boys, se recusou a custear o tratamento.</p>
<p>Novamente, uma rasteira da vida.</p>
<p>Foi então que Jorge Messi, pai de Lionel, teve uma ideia: e se o filho fosse oferecido a clubes internacionais? Afinal, eles não tinham o que perder – a Argentina toda estava em crise e, como milhares de compatriotas, a família Messi andava mal de dinheiro.</p>
<p>Aos 13, Lionel Messi foi morar com uma tia na Catalunha. Foi então que um olheiro do Barcelona viu o talento do jovem garoto de 1,40 metro e o incentivou a fazer um teste no clube.</p>
<p>O resto é história. É o vídeo abaixo.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/z8-VeCPF-M8?rel=0" frameborder="0" width="619" height="420"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/z8-VeCPF-M8" target="_blank">Link YouTube</a> |</em></p>
<h3>Você tem 10 mil horas para ser foda</h3>
<p>À parte o talento, Lionel Messi passou todo esse tempo (dos 4 aos 13 anos) batendo bola, independente se num time ou na pelada de rua. Esse treino – ora em um clube profissional, ora em brincadeira de molecada – colaborou para que ele fosse o que é hoje: o melhor do mundo.</p>
<p>Sem saber, Messi colocou em prática a teoria de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/K._Anders_Ericsson" target="_blank"><strong>K. Anders Ericsson</strong></a>, um importante psicólogo e pesquisador da cognição. Ericsson está começando a ficar conhecido do grande público graças a aos estudos que vem desenvolvendo para compreender como um ser humano comum adquire habilidades de nível épico.</p>
<p>Ele advoga que a diferença entre uma pessoa de desempenho mediano e um expert em uma determinada atividade é de 10 mil horas de prática. A regra serve para absolutamente qualquer atividade que precise de tempo para amadurecer: tocar piano, meditar, praticar tiro ao alvo, administrar empresas, investigar crimes, jogar Call of Duty, praticar cuspe à distância, dirigir etc.</p>
<p>Dez mil horas. É a diferença entre aprendiz e mestre.</p>
<p>Para quem não tem uma ideia muito nítida de um número tão grande, <strong>10 mil horas de treino são equivalentes a três anos e meio de estudo intensivo, oito horas por dia, sete dias por semana</strong>. Isso significa treinar inclusive aos sábados, domingos e feriados. E por estudo e prática, entenda-se um treino deliberado e focado, com o mínimo possível de distrações e esforços inúteis. Cada segundo conta.</p>
<p>Se você praticar algo quatro horas por semana, como um hobby, vai demorar 52 anos para acumular as 10 mil horas.</p>
<div id="attachment_58081" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-58081" title="Treine por 10 mil horas" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/healing-music-study.jpg?95884c" alt="Treine por 10 mil horas" width="620" height="400" /><p class="wp-caption-text">Tempo gasto treinando: uma vida</p></div>
<p>Esta transformação só é possível graças à nossa neuroplasticidade, que é a capacidade que temos de reorganizar estruturas nervosas e mentais em resposta a estímulos e necessidades. É um fenômeno fisiológico que tem uma relação muito forte com o aprendizado. <strong>Um exemplo clássico de neuroplasticidade está nos cegos: eles compensam a falta de visão desenvolvendo a audição, o olfato e o tato para níveis acima da média.</strong></p>
<p>Temos essa capacidade operando em todos os instantes de nossa vida, sempre pronta a nos transformar diante de problemas novos. Só que ela demora muito para gerar efeitos de longo prazo.</p>
<h3>Uma jornada de 10 mil horas começa com um único passo</h3>
<p>Ericsson explica que, para desenvolver expertise sobre algo, é preciso um investimento de tempo e prática para que nossos corpos e mentes desenvolvam processos cognitivos eficientes e rápidos, com base em redes de neurônios, músculos e esquemas mentais fortalecidos e aprimorados depois de um longo processo de trabalho. É preciso se submeter a uma determinada atividade por muito tempo, de forma regular e sistemática, para garantir que as estruturas fisiológicas e mentais que facilitam a prática nao se desfaçam.</p>
<p>Por um lado, 10 mil horas é uma eternidade. Significa que qualquer progresso visível só vai surgir depois de muito tempo de treino. É como se sentir eternamente na estaca zero depois de praticar uma escala de dó maior no piano por horas. A impressão que fica é que <strong>a primeira coisa a se treinar é a determinação e a motivação</strong> para não desistir durante uma prática tão longa.</p>
<p>Por outro lado, 10 mil horas é pouco tempo. Passa rápido. Se você duvida, pergunte pra qualquer pessoa com mais de 30 anos.</p>
<p>Se pensarmos bem, um treino de 10 mil horas é uma ideia maluca, de certa forma. É no mínimo insano fazer uma projeção de 10 anos tocando guitarra para se tornar um virtuose sabendo que a vida pode acabar de uma hora pra outra sem nenhum motivo. É planejar em cima de especulação pura.</p>
<p>Mas, perceba, esta teoria faz sentido pelos mesmos motivos. A vida é curta e pode acabar a qualquer momento. Sendo assim, por que não passar o pouco tempo que nos resta fazendo algo significativo?</p>
<h3>No pain, no gain</h3>
<p>Essa teoria reafirma algo que todos nós já estamos carecas de saber, mas que custamos a aceitar: para um desempenho de nível olímpico, é necessário treino, dedicação e investimento (tempo, dinheiro, relações etc.) de nível olímpico. Nada menos que isso.</p>
<p>E continuamos tocando nossas vidas acreditando que é possível burlar esta regra. Procuramos sempre o curso de inglês que se propõe a zerar o assunto em dois anos, ou o professor de guitarra com o método milagroso de um ano, e a academia de jiu-jítsu que sobe os alunos de faixa mais rapidamente.</p>
<p>Em nossas práticas, procuramos fazer aquilo que já fazemos com mais facilidade, e evitamos aqueles que dão mais trabalho e dor de cabeça. <strong><a href="http://papodehomem.com.br/sabemos-aproveitar-os-feriados/" target="_blank">Buscamos uma gratificação, uma sensação de recompensa</a> que nem sempre se traduz em desenvolvimento de uma habilidade.</strong></p>
<p>Faz todo sentido do mundo não querer perder tempo e fazer valer cada hora de estudo investida, mas não é isso que fazemos. Nos contentamos com medalhas e diplomas que nem sempre correspondem ao nosso progresso real. Supervalorizamos nossos diplomas para descobrir, recém formados, que não passamos de jovens crus que não entendem nada do próprio trabalho.</p>
<p><object width="620" height="345" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/LWG0OMEruJg?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="620" height="345" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/LWG0OMEruJg?version=3&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=LWG0OMEruJg" target="_blank">Link YouTube</a> | Clique em CC e escolha a opção para mostrar legendas em português</em></p>
<p>Ao colocar o treino continuado na base do aprendizado, Anders nos chama a atenção não somente para nossas próprias falhas, mas para os problemas dos modelos educacionais atuais. Temos hoje um modelo escolar que não tira proveito da capacidade neuroplástica de crianças, e nem sequer cogita educá-las visando esse grau de expertise.</p>
<p>Temos um modelo que tolhe muito mais do que estimula, numa perda progressiva que acompanha a idade da criança. Aos poucos, transformamos pequenos gênios em jovens de intelecto mediano e adultos medíocres.</p>
<p>Ericsson, com sua teoria, nos faz uma provocação sobre como levamos nossas vidas e sobre o que fazemos com o pouco tempo que nos é dado. Nos contentamos com a nossa zona de conforto ou buscamos aprimoramento? Nos distraímos em nossas atividades ou praticamos de forma focada? Buscamos nos conhecer e nos transformar ou viramos autômatos zumbis? Como administramos os custos de nosso treino?</p>
<p>Afinal, qual é a sua relação com seu próprio desenvolvimento?</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Nem toda Barbie prefere um Ken (Que tal um G.I. Joe?)</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 03:12:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Eugenia Ciconello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ladies Room]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Desde criança sou fanática por Barbies e sempre tive o privilégio de ganhar muitas. Eu tinha a Barbie negra (importada, que vinha com um cachorrinho de borracha), tinha também o Corvette rosa, o cavalo branco, o quarto da Barbie, a casa da Barbie e todos os móveis da boneca. Tinha todas as roupas, todos os [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde criança sou fanática por <a href="http://www.barbie.com/" target="_blank">Barbies</a> e sempre tive o privilégio de ganhar muitas. Eu tinha a Barbie negra (importada, que vinha com um cachorrinho de borracha), tinha também o Corvette rosa, o cavalo branco, o quarto da Barbie, a casa da Barbie e todos os móveis da boneca. Tinha todas as roupas, todos os sapatos diversos e as vidas das minhas Barbies eram bem agitadas. Só tinham um ponto negativo: <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ken_(doll)" target="_blank">o Ken</a></strong>.<span id="more-57701"></span></p>
<div id="attachment_57708" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/nem-toda-barbie-prefere-um-ken-que-tal-um-g-i-joe/ken_1024/" rel="attachment wp-att-57708"><img class="size-large wp-image-57708" title="Nem toda Barbie prefere um Ken (Que tal um G.I. Joe?)" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/ken_1024-620x465.jpg?95884c" alt="" width="620" height="465" /></a><p class="wp-caption-text">Limpinho, roupas combinando, cinto dourado e um tédio sem igual</p></div>
<p>Eu não gostava do Ken. Incomodava-me o fato dele ter cabelo de plástico e ter poucas versões com cabelos e olhos escuros. Também o achava extremamente afeminado, que nenhum deles combinavam com as minhas Barbies. Elas eram mulheres que trabalhavam em bons empregos, eram independentes, lindas, seguras e <em>fashion</em>.</p>
<p>Para mim, <strong>o Ken tinha uma imagem delicada demais</strong>. Mas como eu não tinha outra opção de namorado para a Barbie, tinha que ser ele mesmo. Até o dia em que fui na casa dos meus primos e vi dois bonecos <em>G.I.Joe</em>, os nossos <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G.I._Joe" target="_blank">Comandos em Ação</a></em>, que tinham quase o tamanho de uma régua de trinta centímetros:  <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Duke_(G.I._Joe)" target="_blank">Duke</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stalker_(G.I._Joe)" target="_blank">Stalker</a>. Esses sim tinham cara de que poderiam cuidar das coisas.</p>
<p>Duke é o “all american boy”, loiro, forte, alto e bonitão, com uma cicatriz no rosto para dar aquele charme. Ele parecia ser o cara ideal para namorar as minhas Barbies de vinte e poucos anos. Stalker é o negro fortão, com cara de bravo e ousado, mais velho que era o marido ideal para as Barbies que na minha cabeça tinham passado dos trinta anos.</p>
<p>Como os bonecos não eram meus, sempre dava um jeito de levar minhas Barbies quando ia na casa dos meus primos (que não gostavam nem um pouco quando viam os bonecos machões agarrados com Barbies peruas).  Esqueci a existência do Ken. <strong>Ele virou um consolo para a Barbie</strong>, quando não tinha um G.I. Joe por perto.</p>
<p>Conforme fui ficando mais velha, percebi que esse estilo de homem mais machão, com vaidade quase zero e que transmitia segurança e poder, sem ter cara de mocinho bobo, era também o tipo de homem que me atraia. Nunca fui muito convencional em relação a homens. Sempre gostei dos homens com cara de bravo, que jogam os vilões de penhascos antes de dar um beijo na mocinha. Mas se caso a mocinha fosse sem graça, eu torcia para que o herói desse um fora sensacional nela.</p>
<p>Esses homens geralmente me atraem e me fascinam ao ponto de eu ficar fã do ator só por ter feito aquele personagem.  Meus ídolos são G.I. Joes de carne e osso.  Lembro bem de quando descobri a existência de três deles: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Claude_Van_Damme" target="_blank">Jean-Claude Van Damme</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dolph_Lundgren" target="_blank">Dolph Lundgren</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vin_Diesel" target="_blank">Vin Diesel</a>. Considero os dois primeiros péssimos atores, mas não consigo evitar assistir a um filme deles quando passa na televisão.  Se eles forem os vilões então, esqueço-me do mundo durante o tempo do filme.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/LKOhZsr5LDk" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/LKOhZsr5LDk" target="_blank">Link YouTube</a> | O Vin Diesel protege o amigo, defende a Barbie e livra até a cara do próprio Ken, que não consegue nem se denfender</em></p>
<p>O Van Damme, em <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0092675/" target="_blank">O Último Dragão Branco</a></em>, é o mais influente personagem para a minha concepção de homem ideal, não fisicamente, mas pela coragem de entrar em um torneio de lutas clandestinas para honrar o seu mentor. Já o Dolph Lundgren é um cara que divide opiniões, principalmente as femininas: ele pode ser feio ou bonito, dependendo do ângulo que é visto. Alguns acham ele um astro de ação e, para outros, é só mais um fracasso que atua em filmes B. O que mais me atrai é que ele foge de estereótipos. É um cara versátil, que dirige, atua, escreve roteiros (ruins, mas pelo menos tenta), que dizem ter um Q.I. alto, campeão de karatê e que fala várias línguas. E nunca usa maquiagem em seus filmes.</p>
<p>O terceiro ator, o Vin Diesel, é o que consolidou o meu gosto por homens másculos e anti-heróis. Eu fiquei doida por aquele careca quando vi o <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0232500/" target="_blank">Velozes e Furiosos</a></em>. Quando o filme estreou, a expectativa era que lançasse ao estrelato o loiro sem graça <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Walker" target="_blank">Paul Walker</a>.  Muitas adolescentes da minha idade ficaram morrendo de amores por ele, que tinha um rostinho perfeito, cabelos claros e olhos azuis. Mulheres com mais de vinte e poucos anos sabem a sensação que a dupla Diesel-Walker causou há alguns anos: as certinhas queriam um Paul Walker e as mais doidinhas, o Vin Diesel.</p>
<h3>Anos fugindo dos “coxinhas”</h3>
<p>Passei os últimos dez anos da minha vida fugindo dos homens que possuem o &#8220;estilo do Ken&#8221;. O garoto bonitinho e popular do colégio não tinha jeito comigo, não me atraía em nada.  Mas se o cara que jogava rugby no time da escola viesse falar comigo com a cara toda arrebentada, minhas pernas ficavam bambas.</p>
<p>Esse tipo de cara geralmente era tão seguro e autoconfiante que nem se importava em estar todo machucado ao chegar em uma garota, assim como os personagens de filmes de ação sempre fizeram: beijavam apaixonadamente as mocinhas nos momentos em que estavam mais arrebentados. Não interessava a beleza estética, mas sim as ações de macho que os deixavam muito mais bonitos que qualquer coxinha de suéter nas costas.</p>
<p>Alguns homens devia deixar os cuidados com a pele e mirar naqueles brucutus : O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Predator_characters#Dutch" target="_blank">Dutch</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Rambo" target="_blank">John Rambo</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marv_(Sin_City)" target="_blank">Marv</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_McClane" target="_blank">John McCLane</a>. Nem tanto pelo físico, apesar de ser, claro, parte integrante do tesão. Mas o que eu quero dizer mesmo é sobre o espírito de macho e fortão, mas trazidos pra vida real.</p>
<div id="attachment_57714" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><a href="http://papodehomem.com.br/nem-toda-barbie-prefere-um-ken-que-tal-um-g-i-joe/untitled-1-47/" rel="attachment wp-att-57714"><img class="size-large wp-image-57714" title="Nem toda Barbie prefere um Ken (Que tal um G.I. Joe?)" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Untitled-1-620x496.jpg?95884c" alt="" width="620" height="496" /></a><p class="wp-caption-text">Um G.I Joe se preocupa em fazer o que deve ser feito, e não se o seu uniforme tá bem passado ou se o cabelo desarrumou</p></div>
<p><strong>Um homem confiante, que resolve problemas, que faz o que tem que ser feito</strong>. Assim como os G.I. Joes faziam com as minhas Barbies, sempre lindas, inteligentes e precisadas de um homem que esteja ali para resolver as coisas, enquanto os Kens ficavam de canto, admirando os cabelos uns dos outros, com sorrisos extremamente brancos e uma completa incapacidade de sujar as mãos, de carregar peso, de cuidar das minhas bonecas como elas deveriam ser cuidadas.</p>
<p>Homens feios e durões levam um estigma de determinados e com personalidade forte enquanto os &#8220;Kens&#8221; de verdade passam a vida emanando uma preguiça de conversar, um cansaço de olhar aquela aparente perfeição toda. Minhas Barbies sempre souberam que <strong>o</strong> <strong>Ken  tem toda aquela pinta de galã mas, na verdade, nem pinto ele tinha</strong>.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Eu sei o que esperar de homens com guarda-chuva</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 16:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Ladies Room]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Todos têm cismas. Homens e mulheres. Quem nunca viu “Seinfeld” e morreu de rir com as bobagens repudiantes que George Costanza descobria a cada namorada nova? Nariz grande demais, risada estranha, dedos tortos: destas pequenas exigências cotidianas eu acho graça; apenas vejo tolice ingênua nestas requisições todas. Em todas, exceto em uma. Você pode ser [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos têm cismas. Homens e mulheres. Quem nunca viu “Seinfeld” e morreu de rir com as bobagens repudiantes que <a href="http://www.youtube.com/results?search_query=george+costanza+legendado&amp;oq=George+Costanza+&amp;aq=1&amp;aqi=g2&amp;aql=&amp;gs_l=youtube-psuggest-reduced.3.1.0l2.54013.54564.0.56636.2.2.0.0.0.0.162.314.0j2.2.0.">George Costanza</a> descobria a cada namorada nova? Nariz grande demais, risada estranha, dedos tortos: destas pequenas exigências cotidianas eu acho graça; apenas vejo tolice ingênua nestas requisições todas. Em todas, exceto em uma.<span id="more-57448"></span></p>
<p>Você pode ser baixo. Você pode ser quieto. Você pode ter dentes esquisitos. Nada me abala mais do que a ideia de você, como meu possível pretendente, ter um guarda-chuva.</p>
<p>Eu sei que choveu em boa parte do Brasil neste feriado. Eu sei que para sair de casa você teve que se munir deste escudo do tempo instável. No entanto, minha teoria é a de que <strong>não há nada mais inofensivo do que um homem com guarda-chuva</strong>.</p>
<p>Num encontro, você pode aparecer com flores, bombons, um canivete ou um guarda-chuva. Flores a gente acha fofo, bombom a gente come, canivete mostra que você pode ter tendência a esquisitices. Mas o guarda-chuva demonstra uma coisa bem específica: que você pensou em quando vai voltar pra casa. Já vislumbrou que o encontro não vai durar <em>ad infinitum</em> e que nada de muito especial pode acontecer naquela noite. Você não vai levar a menina para Bora Bora assim, de repente, carregando uma sombrinha, certo?</p>
<div id="attachment_57449" class="wp-caption alignnone" style="width: 348px"><img class="size-full wp-image-57449" title="Homens com guarda-chuvas: inofensivos" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/TTIUD00Z.jpg?95884c" alt="" width="338" height="450" /><p class="wp-caption-text">Só chove se você carregar um</p></div>
<p>Um homem com guarda-chuva é um homem previsível. Não vai te convencer a fazer qualquer coisa inusitada, se já planejou o que pode acontecer até mesmo com o clima. Não vai te assaltar porque não há fúria num homem que tem paciência para carregar um guarda-chuva. Assim como ninguém assalta segurando uma sombrinha, ninguém tem medo de quem caminha segurando-a.</p>
<p>É este homem um precavido, tranquilo, previsível, que tem seu dinheiro aplicado na caderneta de poupança, que ainda usa o suéter vinho que a avó bordou em seu aniversário de 17 anos, que é tido como conservador pelas estatísticas do banco e pelas Isabellas preconceituosas que cruzam seu caminho em dias instáveis.</p>
<p>Homem com guarda-chuva tem medo de se molhar. E, ah, meu santo deus!, que coisa mais triste essa. Não para o homem, não para a mulher, mas para a tensão do primeiro encontro, do descabido, do desproposital, da possibilidade daquele ser te levar para perto de um momento <a href="http://papodehomem.com.br/wtf/">WTF</a>.</p>
<p>Sei que faço aqui um bem para a integridade masculina. Imaginem só, meus caros, quantos de vocês não sabiam desta aversão que tantas podem ter por aí? E saibam, pois, que são muitos os que já perceberam: suponho que cada vez que um homem compra um carro, sua real intenção é a de se livrar de vez dos guarda-chuvas, das sombrinhas, da amostra evidente de sua fragilidade perante a vida.</p>
<p><em>PS: Informo que este Gustavo Gitti que às vezes lhes escreve foi munido de um guarda-chuva em nosso primeiro encontro, há três anos. Confesso que foi um baque, mas superei. Seria isto amor verdadeiro ou a exceção que confirma a regra?</em></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>O que aprendi ao passar pela maior tragédia natural da história do Brasil</title>
		<link>http://papodehomem.com.br/o-que-aprendi-com-a-maior-tragedia-natural-da-historia-do-brasil/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 12:42:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vítor Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[PdH Shots]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Em janeiro de 2011, como muitos devem saber, Teresópolis e outras cidades da região serrana do RJ passaram pela maior tragédia natural da história do Brasil. E isso porque a pilantragem e a política diminuíram ao máximo as dimensões do evento. O que eu observei de mais interessante foram as reações das pessoas a essa [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em janeiro de 2011, como muitos devem saber, Teresópolis e outras cidades da região serrana do RJ passaram pela <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fg1.globo.com%2Frio-de-janeiro%2Fchuvas-no-rj%2Fnoticia%2F2011%2F01%2Fchuva-na-regiao-serrana-e-maior-tragedia-climatica-da-historia-do-pais.html&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNFI_Kn5I7UeAOp2_OicorZ0vHjqUg">maior tragédia natural da história do Brasil</a>. E isso porque a pilantragem e a política <em>diminuíram ao máximo as dimensões do evento</em>.</p>
<p>O que eu observei de mais interessante foram as reações das pessoas a essa realidade dura e inesperada.<span id="more-56503"></span></p>
<h3>Eu estava lá, no dia</h3>
<p>Chamo o evento apenas de &#8220;a tragédia&#8221;, e ela ocorreu durante a madrugada. Na manhã seguinte, pessoas enlameadas começaram a ser vistas pelas ruas, como zumbis. Elas buscavam alguma coisa. Qualquer coisa. Umas buscavam o hospital, outras buscavam água, outras simplesmente queriam sair de onde estavam, de qualquer forma que pudessem.</p>
<p>Começamos a ouvir rumores que bairros inteiros tinham sido destruídos, que nada havia sobrado. Tudo muito triste.</p>
<p>Ao longo do dia, a visão de dezenas de helicópteros (marinha, polícia de São Paulo, redes de TV etc) e ambulâncias circulando confirmaram a gravidade da situação.</p>
<p>Só se falava nisso. Em todo lugar víamos pessoas chorando. Quase todos tinham amigos perdidos ou que perderam alguém.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-56530" title="teresopolis1a" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/teresopolis1a2.jpg?95884c" alt="" width="620" height="465" /></p>
<p>Houve boatos de arrastões e assaltos. A Força Nacional veio para a cidade. Gente armada em todos os cantos. Carros correndo com policiais pendurados com metralhadoras em punho. Cena de filme. Filme de terror.</p>
<p>O IML de Teresópolis fica na delegacia. Comporta cerca de seis corpos.</p>
<p>Em frente à delegacia foi preciso ocupar um galpão vazio (onde era uma igreja evangélica) para se colocarem os mortos encontrados nos primeiros dias. A delegacia fica na avenida principal da cidade. Praticamente todo o trânsito de quem chega na cidade passa por ali. E é também meu caminho pra casa.</p>
<p>Em um ou dois dias, o cheiro podia ser sentido à distância. Eram dezenas de mortos. Mais alguns dias e eram centenas. Alugaram <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fultimosegundo.ig.com.br%2Fbrasil%2Frj%2Fenterros%2Bem%2Bteresopolis%2Bsao%2Brealizados%2Bmesmo%2Bde%2Bmadrugada%2Fn1237954886437.html&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNFpnLLs8JK5uPmQEa8NGgmK86sLXQ">caminhões frigoríficos</a> de transporte de pescados para se alojarem os corpos e restos mortais.</p>
<p>Os números oficiais alegam que foram cerca 380 mortos em Teresópolis. Amigos que foram voluntários (dentistas e advogados, por exemplo) que auxiliaram nos trabalhos de identificação e catalogação dos mortos perderam a conta em muito mais do que isso.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-56518" title="teresopolis2" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/teresopolis21.jpg?95884c" alt="" width="620" height="413" /></p>
<h3>Cães farejadores, orgulho e raiva</h3>
<p>Há poucos dias, as chuvas castigaram Teresópolis novamente. Foram 5 mortos e quase 1000 desalojados/desabrigados. Desta vez, a chuva atingiu outra parte da cidade (a região onde moro).</p>
<p>Nota-se, com muita facilidade, o desânimo e a tristeza da população. Relembrar aqueles dias de 2011 é horrível.</p>
<p>Em um livro do Chuck Palahniuk (<em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stranger_than_Fiction:_True_Stories">Mais Estranho que a Ficção</a></em>, uma coletânea de histórias reais) há um texto chamado <em>Bodhisatvas</em>. Nele, uma socorrista relata como os cães de resgate se sentem ao sentir o cheiro de sobreviventes ou o cheiro de morte. Ao sentir o cheiro de sobreviventes, os cães reagiam com euforia. Com o cheiro de morte, por outro lado, eles se abalavam, punham o rabo entre as pernas e ganiam. Na interpretação da socorrista, eles sentiam como se um deles (um membro da matilha) tivesse morrido.</p>
<p>Sinto como se aqui, dadas as devidas proporções de intimidade e contato, <strong>ocorresse o mesmo</strong>, mesmo que por um período curto de tempo, às vezes alguns instantes.</p>
<p>Tenho tentado perceber de que maneira sentimentos diferentes brotam e como eles se manifestam em situações como essa.<br />
Há uns dez anos li um ótimo livro da Susan Sontag (<em><a href="http://www.skoob.com.br/livro/23360">Diante da dor dos outros</a></em>) em que ela fala:</p>
<blockquote><p>“Nós” – esse “nós” é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram – não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos na verdade, imaginar como é isso. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. É isso o que todo soldado, todo jornalista, todo socorrista e todo observador independente que passou algum tempo sob o fogo da guerra e teve a sorte de driblar a morte que abatia outros, à sua volta, sente de forma obstinada. E eles têm razão.</p></blockquote>
<p>É estranho me imaginar na posição de alguém que observou isso ao mesmo tempo de perto (comparado ao resto do Brasil) e de longe (comparado às vítimas e socorristas).</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-56520" title="teresopolis3" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/teresopolis31.jpg?95884c" alt="" width="620" height="410" /></p>
<p>Percebi, em todo tipo de pessoa que, como eu, viveu de alguma forma aquela tragédia:</p>
<p><strong>1. Um orgulho estranho</strong> em saber, em primeira mão, as informações mais importantes ou as confirmações mais trágicas.</p>
<blockquote><p>&#8211; Minha empregada perdeu os pais, os irmãos, os filhos e ainda teve que ir reconhecer a prima, pela metade no IML.<br />
&#8211; Pior meu cunhado, que resgatou o corpo de três crianças, abraçadas, nuas e mortas debaixo de um carro&#8230;</p></blockquote>
<p><strong>2. Um sentimento competitivo</strong> quando os noticiários informavam o número de mortos.</p>
<p>&#8220;Friburgo tem 300 mortos?! Teresópolis já tem mais que isso, gente, que absurdo! Eles estão é escondendo as informações&#8230;&#8221;</p>
<p>(O pior é que acontece mesmo isso, de informações serem escondidas.)</p>
<p><strong>3. Raiva. </strong>O prefeito demorou a se pronunciar. As buscas foram suspensas quando ainda se sabia que havia mais corpos. O dinheiro da ajuda sumiu. Alguns donativos foram desviados. Comerciantes aumentaram o preço de velas, vassouras e água a números absurdos. Jornais inventaram novos dramas onde obviamente não era necessário&#8230;</p>
<p><strong>4. A compaixão. </strong>Pessoas que nem imaginávamos fazendo isso se enfiaram na lama para ajudar no resgate, outras na identificação de corpos, outras no recolhimento de doações. É difícil não se emocionar. Os jipeiros e trilheiros de moto também vieram no dia seguinte ajudar a levar mantimentos, enfermeiros, médicos, bombeiros a lugares onde ninguém chegava.</p>
<p><strong>5. A culpa. </strong>Muita gente parece que fica paralisada e não sabe como agir. Ao ver conhecidos relatando como ajudaram e o que fizeram (alguns com certo orgulho também), sentem-se culpados.</p>
<p>A culpa por seguir com sua vida enquanto assiste ao fim de outras.</p>
<p>(Após o trabalho, fui beber uma cerveja com um colega de trabalho. Passa um caminhão com cerca de 30 caixões com corpos. O cheiro permaneceu por algum tempo ainda. Nós estávamos bebendo cerveja.)</p>
<p><strong>6. A Pena.</strong> Ver pessoas brigando pelo reconhecimento de um morto. Assistir o desespero de famílias diferentes que precisam de um ponto final. Elas brigavam pela certeza de que aquela foto ou aquele corpo era de <em>seu</em> ente querido, e não do outro. Assim poderiam ter um novo ponto de partida.</p>
<p>Isso para não falar das dezenas de animais feridos e doentes.</p>
<p><strong>7. A humildade.</strong> Um homem perde tudo. Perde a casa, as coisas, a família. Em uma madrugada. É esse homem que, após dias sem socorro, enterra o próprio filho no quintal. E é esse homem que, num lampejo lúcido, diz: agora vou começar de novo.</p>
<p>* * *</p>
<p>O &#8220;dano&#8221; que eu, particularmente, sofri foi o de ter que subir a minha rua a pé (um buraco gigante tomou a rua inteira, impedindo o trânsito). E a minha empresa ficou sem telefone e internet por alguns dias. Só isso.</p>
<p>Não vivi o terror. Só o vi.</p>
<p>Dá para colocar nossa vida e nossos problemas em perspectiva.</p>
<p>* * *</p>
<p>Para muitos que viram e viveram essa experiência, ouvir qualquer helicóptero, ver qualquer caminhão de pescados, comboio de jipes ou motos de trilha dá arrepios.</p>
<p>Esse arrepio parece ser sinal de que existe uma sensação de coletividade que nos une. Que temos sentimentos em comum. Será que essa sensação só brota, assim forte, em situações de tragédias como essa?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-56521" title="teresopolis4" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/teresopolis41.jpg?95884c" alt="" width="620" height="414" /></p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Sabemos aproveitar os feriados?</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 19:34:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Debates]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Trabalhamos, trabalhamos e agora veio a recompensa: um feriadão, quatro dias, uma viagem, aquela coisa. Mas será que sabemos aproveitar? Os macacos, nós e a maldita dopamina Você sabe, a dopamina é aquela molécula que atua como um neurotransmissor responsável por boa parte da vida humana: prazer, motivação, ânimo, sono, memória, movimento, concentração. Quando estamos [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trabalhamos, trabalhamos e agora veio a recompensa: um feriadão, quatro dias, uma viagem, aquela coisa. Mas será que sabemos aproveitar?</p>
<p><span id="more-57412"></span></p>
<h3>Os macacos, nós e a maldita dopamina</h3>
<p>Você sabe, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dopamina" target="_blank">dopamina</a> é aquela molécula que atua como um neurotransmissor <a href="http://www.chemistryviews.org/details/ezine/1340629/Could_Dopamine_be_the_Most_Evil_Chemical_in_the_World.html" target="_blank">responsável por boa parte da vida humana</a>: prazer, motivação, ânimo, sono, memória, movimento, concentração. Quando estamos viciados em jogo, trabalho, esporte, poder, droga ou sexo, na verdade estamos viciados em dopamina, na sensação que surge como uma recompensa.</p>
<p>Tal explicação esperta, no entanto, talvez não seja precisa. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Sapolsky" target="_blank">Robert Sapolsky</a>, professor de biologia e neurologia de Stanford, ao comparar o funcionamento do corpo de macacos e humanos, descobriu que a dopamina não é exatamente relacionada ao prazer, mas à <strong>expectativa</strong> de sentir prazer, à incerteza da recompensa, o &#8220;talvez&#8221;.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/axrywDP9Ii0" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<em><a href="http://papodehomem.com.br/curators-code-como-dar-credito-na-internet/" target="_blank">↬</a> <a href="http://caosordenado.com/movidos-a-expectativa/" target="_blank">Caos Ordenado</a> | <a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;v=axrywDP9Ii0" target="_blank">Link YouTube</a> (<a href="http://fora.tv/2011/02/15/Robert_Sapolsky_Are_Humans_Just_Another_Primate" target="_blank">palestra completa</a>) | Robert Sapolsky sobre a ciência do prazer</em></p>
<h3>Desejamos mais a busca pelo prazer do que o próprio prazer</h3>
<p>A teoria de Sapolsky explicaria nossa constante insatisfação (<em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dukkha" target="_blank">dukkha</a></em>), antecipação, ansiedade, inquietude, experiência cíclica. Queremos muito o diploma, mas assim que o obtemos, já estamos com olho num emprego. Quando conseguimos o emprego, sua felicidade dura pouco, não conseguimos repousar ali, contentes, enfim. Quando estamos solteiros, queremos namorar. Quando estamos casados, às vezes sonhamos com a vida de solteiro.</p>
<p>A insatisfação se flagra até nas dinâmicas mais concretas, sempre presentes, como a respiração: precisamos muito puxar o ar, mas logo que inspiramos já surge a necessidade de soltar, o que imediatamente já nos obriga a inspirar novamente&#8230;</p>
<p>Mais do que o prazer, somos apegados, viciados em sua eterna busca, no esforço, na incerteza, na tentativa, na esperança de se satisfazer no próximo minuto. Daí nossa fascinação por cassinos, relacionamentos complicados, esportes, trabalhos diários exaustivos com férias anuais e até religiões, afinal criamos narrativas que nos fazem manter esforços por décadas, esperando por uma recompensa que talvez venha somente após a morte.</p>
<h3>Não sabemos o que fazer quando conseguimos o que queremos</h3>
<p>Será que estamos condenados a esse funcionamento da dopamina? Será que não há outro modo de viver? De acordo com pesquisas sobre <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neuroplasticity" target="_blank">neuroplasticidade</a>, toda essa química cerebral pode mudar.</p>
<p>Minha aposta é simples. Enquanto trabalhamos e nos entupimos de tarefas para ganhar os joguinhos nos quais nos metemos (faculdade, trabalho, relações), que processos mentais estamos exercitando, que movimentos do corpo estão sendo treinados? É essa mente, esse corpo que vamos usar durante as experiências do feriadão.</p>
<p>Se nossos pés passam 10 horas diárias inquietos, frenéticos, tremendo debaixo da mesa, é burrice esperar que esses mesmos pés consigam relaxar na praia. Se nossa mente passa 48 horas semanais distraída e ansiosa, como esperar que ela se alegre subitamente após algumas horas de viagem?</p>
<p>Ironicamente, muitos de nós trabalham de um modo que produz hábitos mentais e corporais bastante inadequados às experiências que sonhamos viver numa viagem de feriadão. Quem vive apenas de fim de semana não consegue sequer viver bem nos fins de semana.</p>
<div id="attachment_57416" class="wp-caption alignnone" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-57416" title="casamento" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/casamento.jpg?95884c" alt="" width="620" height="378" /><p class="wp-caption-text">160 horas de preocupação com o planejamento para 6 horas de preocupação com a execução (e muitas fotos de felicidade relaxada, claro)</p></div>
<h3>A arte do chá</h3>
<p>Há alguns meses, disse pelo Facebook:</p>
<blockquote><p>&#8220;O sexo é uma casa estranha: a maioria das pessoas faz fila para entrar e, quando consegue, se apressa em sair. Poucos sentam e tomam um chá.&#8221;</p></blockquote>
<p>É como se as filas nas quais entramos na vida (trabalhar para ganhar dinheiro é uma) durassem demais, tempo suficiente para criarmos hábitos que vão limitar nossa experiência dentro da casa. Talvez a descoberta de Sapolsky explique também nossa mania de criar e entrar em filas sem sentido, como as de aeroporto.</p>
<p>Como não aprendemos a repousar na satisfação obtida, logo somos levados a buscar por mais e mais. Não sabemos bem como ser feliz antes da felicidade esperada chegar. Pior: quando a satisfação chega, nosso corpo fica desajeitado, nossa mente não faz ideia de como aproveitá-la. Não estamos acostumados a <a href="http://www.portalhomem.com.br/especialistas/eduardo-pinheiro/artigos/time-is-money" target="_blank">não precisar de mais nada</a>.</p>
<p>Talvez agora seja o momento de usar as filas de espera para começar o que só faríamos quando chegasse a nossa vez.</p>
<p>Talvez o melhor modo de aproveitar os feriados seja trabalhar de modo a dispensá-los.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Então ninguém tem pau, nem grelo, nem tara e ninguém goza?</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 03:05:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nayara Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Ladies Room]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Link YouTube &#124; Mr. Catra com Vanessa Popozuda: &#8220;Mama. Pega no meu grelo e mama. Me chama de piranha na cama. Minha xota quer gozar, quero dar, quero te dar&#8221; No pensamento da sociedade ocidental, o sexo é tabu faz séculos. Vale lembrar que a scientia sexualis (salve Foucault) nos ensinou, em uma pedagogia bastante [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-57058"></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/xlroAaQaVdA" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/xlroAaQaVdA" target="_blank">Link YouTube</a> | Mr. Catra com Vanessa Popozuda: &#8220;Mama. Pega no meu grelo e mama. Me chama de piranha na cama. Minha xota quer gozar, quero dar, quero te dar&#8221;</em></p>
<p>No pensamento da sociedade ocidental, o sexo é tabu faz séculos. Vale lembrar que a <em>scientia sexualis </em>(salve <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault" target="_blank">Foucault</a>) nos ensinou, em uma pedagogia bastante eficaz, que<strong> falar de sexo era proibido</strong>, visando assegurar um vigor físico e uma pureza moral. Isso, para mulher, se instaurou de maneira muito mais marcante ainda no século XIX. Esse “tabu”, o entrave em relação à livre falácia sobre os prazeres sexuais foi construído culturalmente, bem como tudo que envolve produção de sentido em um dado estrato social.</p>
<p>Sabe aquele dado de que &#8220;a história é contada pelos que venceram&#8221;? Pois é, poderíamos dizer que a &#8220;alta cultura&#8221; venceu e, junto com ela, diversos preceitos morais advindos do projeto de modernidade, que ainda povoam, e muito, o juízo de valor feito pelo senso comum? A arte criou ares e lugares de distinção, discriminação.</p>
<p>Juntando a proibição de se falar de sexo (o que data do século XIX, meu amigo) com a cultura da periferia (dos funkeiros), mais a opressão que a mulher viveu durante muito tempo em relação ao seu corpo e sua própria sexualidade, vemos um massacre “culturocêntrico” e moralista que parece não precisar de argumento algum para fazer sentido. Simplesmente é feio falar de sexo explicitamente e isso corromperá profundamente nossos filhos. Sexo? Corromper? Ah, claro, o grande problema é a promiscuidade.</p>
<p>Os pais se perguntam, &#8220;que será dessa geração que tem tudo tão explícito, tão solto, tão líquido e fugaz? Não seria um correlato meio torto da geração que aprendeu que a masturbação era doença e falar de sexo era proibido?&#8221;. A grande questão é que também foi essa construção histórica que nos ensinou que existia o público e o privado e alguns assuntos não deveriam ser tratados assim, à vista de todos. Para isso, existiam os lugares adequados. No entanto, hoje, as fronteiras estão borradas entre essas duas instâncias, mas o julgamento continua o mesmo.</p>
<p>O sexo: fazemos, falamos (com grande dificuldade) e, no entanto, não podemos ousar colocá-lo em um lugar de produção de sentido e conformador da cultura. Aí ele é categorizado como perversão. E a liberdade de expressão esbarra no sexo, numa realidade onde ofender e bradar aos quatro ventos o seu preconceito contra homossexuais e negros é defendido por muitos como “direito de livre expressão”, contraditoriamente, falar de sexo explicitamente é motivo de “pouca vergonha” e, claro, se for mulher, é puta e não se dá valor.</p>
<p>No entanto, todos esses lugares comuns que insistem em <strong>manter a mulher como um ser inócuo e manter o assunto sexo entre quatro paredes</strong> (ou dentro de um consultório médico, assim como no século XIX), não se renovam para compreender que o movimento de empoderamento do corpo (e toda a problematização que esse conceito traz) é um dado muito mais complexo que uma moral pré estabelecida possa explicar ou definir.</p>
<p>Então, dá licença, prazer, sou mulher e, sim, eu tenho um grelo.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>What the fuck!?</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 03:42:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Cabana no PdH]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Falo agora de coração. Com aquela proximidade de três da manhã, após uma garrafa de Jack Daniels. Também não aguento mais um post do PapodeHomem. Mais um autor engraçadinho ou misticozinho ou preocupado com a sociedade ou dando sua opinião sobre algum filme, filosofia, comportamento, sei lá. Ou mais um texto do Gustavo Gitti – [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falo agora de coração. Com aquela proximidade de três da manhã, após uma garrafa de Jack Daniels.</p>
<p><span id="more-57012"></span></p>
<p>Também não aguento mais um post do PapodeHomem. Mais um autor engraçadinho ou misticozinho ou preocupado com a sociedade ou dando sua opinião sobre algum filme, filosofia, comportamento, sei lá. Ou mais um texto do Gustavo Gitti – nem eu quero isso. É como se a gente nunca conseguisse se comunicar completamente com alguém, então ficamos tentando e tentando, por chat, SMS, posts, comentários, conversas, bebedeiras, músicas, beijos, filmes, caminhadas…</p>
<p>Queremos passar algo 100%, sem nenhum joguinho ou estratégia nossa, sem nenhum desvio ou distorção ou mal entendido do outro, com todo o crédito, mente a mente, sem filtros, direto, transparente, pulmão a pulmão, num disparo elétrico, instantâneo, como dois músicos caindo na cabeça do tempo. Sensação de estar junto, completamente junto.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/ZWP4ycPT1rY" frameborder="0" width="620" height="345"></iframe><br />
<em><a href="http://youtu.be/ZWP4ycPT1rY" target="_blank">Link YouTube</a> | Eu quero ser o caxixi da morena (começando em 1:34)</em></p>
<p>Olho todos os dias para o perfil no Facebook: &#8220;É só isso que sou?&#8221;. Duvido, duvido que você também não desconfie do seu.</p>
<p>Mudar, radicalmente, subitamente, a matrix narrativa pela qual interpretamos tudo o que nos aparece. Encontrar um evento inexplicável, ser eletrocutado, não entender nada.</p>
<p>Queremos conhecer alguém sem expressão, que não exija nada, que não venha com nada, em quem possamos nos espelhar, sorrir e ver um sorriso, chorar e ver lágrimas, ficar em silêncio sem que nada disso signifique algo, tudo sem nada por trás, exposto, evento puro, nítido.</p>
<p>Alguém sem nenhuma tendência, pronto, disponível para pirar em qualquer direção. Alguém que também desistiu de ser romântico ou niilista, durão ou facinho, sério ou engraçado, cético ou crente, malicioso ou ingênuo. Alguém que desistiu por completo.</p>
<p>Alguém que parou de tentar.</p>
<p>Queremos pirar com pelo menos uma pessoa o tanto que nunca conseguimos pirar com as pessoas à nossa volta. Sua mulher não quer sexo ou orgasmo. Ela quer ser exaurida, chacoalhada, suar até não aguentar mais, deixar de ser, de se preocupar, cair, soltar, abrir tudo e enfim relaxar, respirar livremente, confiar. Voltar pra casa.</p>
<p>Você não quer um cafezinho ou caipirinha na praia ou Bora Bora ou pular de paraquedas ou 30 milhões de dólares ou um boquete: você quer relaxar completamente e não sentir que faltam coisas. Bocejar e nunca mais voltar. Entregar seu corpo e mente e recursos e energia e habilidades para a melhor corrente da vida, a melhor sabedoria, a melhor mágica disponível. Quer ser possuído sem saber ao certo pelo quê. Pirar.</p>
<div id="attachment_57015" class="wp-caption alignnone" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-57015" title="lebowski-boliche" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2012/04/lebowski-boliche.gif?95884c" alt="" width="450" height="254" /><p class="wp-caption-text">Um dia quero jogar boliche como o Dude</p></div>
<p>Estamos esperando algo acontecer. Maluco, absurdo, ridiculamente maior do que nós. A qualquer momento. Agora talvez.</p>
<p>A cidade tem bares, parques, restaurantes, escolas, ruas, cafés, padarias, casas, prédios, estacionamentos, academias… A gente quer um lugar WTF.</p>
<p>A gente come, bebe, trepa, trabalha, digita, pensa, viaja, palestra, anda, corre, arruma a casa, lê, dorme, estuda para o doutorado, se limpa, toca guitarra… Mas a gente quer fazer WTF.</p>
<p>A gente é perna, olho, dedo, pau, buceta, cabelo, orelha, testa, unha, ombro, barriga, parte de trás do joelho, sola do pé, osso, sangue, pele, catarro, merda, pelo, hormônio… A gente quer ser WTF.</p>
<p>Queremos encontrar um gigantesco what-the-fuck e bater um papo com ele, de vez em quando, com um certo receio inicial, até que aos poucos ele foda nossa vida inteira e nos transforme num WTF perambulando por aí.</p>
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