Se você joga sinuca por hobby, em barzinhos aleatórios com os amigos, provavelmente pega o primeiro taco que aparece e nem pensa a respeito. Mas há muita ciência naquela haste de madeira aparentemente tão simples. Vamos aprender?
(Antes, um lembrete: já falei aqui no PdH sobre a postura para jogar sinuca. Clique aqui para ver o infográfico.)
Tirando logo do caminho a parte mais técnica: o taco de sinuca é um instrumento cônico, com variações de comprimento e de peso, torneado, feito com um entre vários tipos de madeira. Pode ser de jacarandá, imbuia, pau-brasil, freijó, pinho-de-riga, pau-marfim, cedro ou freixo.

Tacos inteiriços – o melhor tipo, mas o menos prático
O mais importante é ficar atento ao peso – que varia de 280g (bem leves) até 650g (pesados), ao comprimento (que, geralmente, ficam entre 145/155cm) e à qualidade da madeira. Experimente com tacos mais leves e pesados até achar aquele com que você se sente mais confortável.
Quanto ao comprimento, num primeiro momento um taco mais curto pode amenizar os efeitos da oscilação da mão na empunhadura – na prática, melhorando a firmeza das jogadas. No entanto, alguns grandes atletas preferem tacos de comprimento maior, como é o caso do lendário campeão John Pulman – que conquistou 8 títulos mundiais com um taco de 1,55 m e sempre aconselhou que “o relevante é o jogador nunca trocar de taco”.
Pulman, em toda a sua carreira, usou somente um taco:
“O taco que uso é o mesmo que usei no campeonato juvenil, quando tinha 15 anos. E tem uma longa história. Fui de trem desde minha casa, em Exeter, até Burroughes Hall, em Londres, no dia 26 de dezembro de 1938. O trem deveria ser direto, e um tio meu iria me esperar na estação de Waterloo. Mas os horários foram alterados e tive de fazer baldeação em Basingstoke. Levantei-me, vesti o sobretudo, apanhei a mala e corri para o outro trem. Tive tanto medo de perdê-lo que só muito tempo depois do embarque, já em viagem, dei-me conta de que esquecera o taco no primeiro trem.
Apresentei-me ao campeonato, portanto, sem taco, e estava muito aflito. Mas o Sr. Coxon, diretor da Burroughes e Watts, disse que não me inquietasse por isso e levou-me uma peça onde havia centenas de tacos empilhados, dos mais baratos aos mais caros. Ele me autorizou a escolher qualquer um. Foi o que fiz.
Ao final da disputa, a empresa me deu o taco de presente e ainda hoje o uso. Tornou-se uma parte de mim mesmo e, sem ele, eu me sentiria perdido.”
A vantagem do taco inteiriço é absorver melhor o golpe na tacadeira, por não conter componentes metálicos na sua parte central. Esse é o seu grande “tchan”.
Por outro lado, o taco rosqueado, mesmo com toda a inconveniência da rosca – que não deve ser apertada demais para não danificar a articulação, e nem de menos para evitar tacadas em falso – oferece como vantagem uma melhor portabilidade. Basta desmontar, guardar adequadamente e carregar mundo afora.

Taco de rosca – menos estabilidade, mais mobilidade
Diz Tuzinho, nove vezes campeão gaúcho de sinuca:
“Particularmente, acredito que a melhor opção é o taco inteiriço, mas utilizo o taco de rosca ¾ devido à facilidade de transporte que o mesmo oferece, já que viajo muito em função do esporte e das competições.
E, claro, o que menos recomendo é o taco com rosca central porque acarreta uma oscilação muito grande durante a tacada.”
A virola é aquele pequeno reforço em forma de anel que recebe a sola e tem como objetivo proteger a madeira do taco de rachaduras. Pode ser encontrada tanto em fibra sintética quanto em latão.
O diâmetro da virola varia e determina o diâmetro da sola (que é geralmente de 10/11mm) – e esta medida depende da preferência de cada atleta.

Virola (parte branca) e sola (parte preta, a ponta que bate na bola)
A sola é uma esfera achatada aplicada à virola, na ponteira do taco. É o ponto que entrará diretamente em contato com a bola durante o jogo e, portanto, se desgasta e eventualmente precisa ser trocada.
Existe uma vasta gama de solas, que variam quanto ao tipo, composição, consistência e procedência. O mais indicado para uma boa escolha é que o atleta se proponha a experimentar tantas marcas quanto possível para, somente assim, efetivamente eleger a que mais se adapta ao seu estilo de jogo. Em outras palavras: as opiniões divergem muito em relação à qualidade das solas e, com isso, a regra é clara: “cada um por si”.
Outra fala do Tuzinho:
“Prefiro solas macias porque meu jogo é mais suave, de toque de bola. A sola mais dura facilita o tiro longo, enquanto a mais macia oportuniza o toque.”
Madeiras como jacarandá, imbuia e freijó oferecem como diferencial uma resistência mecânica considerada média e uma durabilidade natural alta. Por outro lado são difíceis de encontrar, e, portanto, caras. O freixo – material preferido dos atletas ingleses – tem tanto alta resistência quanto alta durabilidade.
Segundo Junika (coordenador de medidas e madeiras para a fabricação de tacos, atleta e instrutor), os tacos mais aceitos e usados pelos atletas brasileiros são feitos de marfim ou goiabão e jacarandá da bahia (madeira nacional) e ash e maple (madeiras importadas).
Os tacos de goiabão são muito facilmente encontrados e, geralmente estão disponíveis nas casas de jogos para os clientes. Trata-se de uma madeira pesada e de resistência média.
Os tacos de maple e ash, embora sejam de madeiras importadas, são de fácil acesso para fornecedores brasileiros. Ash é uma madeira muito tradicional quando falamos em tacos ingleses e é mais porosa que o Maple, que é uma medeira mais densa. Mas ambas têm boas propriedades de resistência – particularmente ao desgaste – o que torna o taco durável.
O giz é de fundamental importância para cada uma das tacadas, portanto deve ser testado e escolhido minuciosamente.
Não vou citar marcas aqui, mas é importante lembrar que cada uma tem uma gama de cores e, com isso, por incrível que pareça, uma dúvida é muito recorrente: a cor do giz representa alguma diferença no jogo?

As cores não influenciam; mas a marca, sim
A resposta é curta e grossa (e técnica): dentro de uma mesma marca, a eficácia do giz é a mesma para todas as cores. Definitivamente, não existe giz ruim em função da cor. Não existe cor ruim. O que existe são corantes e pigmentos ruins, assim como laboratórios e fabricantes menos confiáveis. (E aqui falo como química, e não tanto como atleta da sinuca.)
O que se observa muito é que alguns atletas optam por uma cor em relação a outra mais em função da possível ocorrência de manchas no taco, na roupa ou no pano da mesa. O que é mais relevante em relação ao giz é sua correta aplicação na sola.
Antes de explicar a forma correta de usar o giz, creio que seja indispensável informar que o giz deve ser aplicado antes de cada tacada – e não apenas “de vez em quando”. Sem giz na sola não é possível garantir que a tacada não vá falhar e, muito menos realizar algum efeito.
Recado dado, vamos a prática:
Lembre-se que o giz é um produto químico, sólido e que deve ser aplicado sobre a sola com o objetivo de evitar que a mesma escorregue ao tocar a bola. Assim, o giz não deve ser aplicado em demasia, mas sim “pintando” toda a sola através de movimentos horizontais – e não de movimentos circulares, como os que muitos jogadores ogrinhos aplicam.
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Algumas dicas:
Já aprendeu tudo sobre o taco? Agora só falta aprender algumas jogadas, senão é como saber tudo de violão e não conseguir tocar nada.
1. Puxadinha (fazer a bola branca recuar depois de bater)
Mire a ponta do taco não no centro da bola branca, mas sim um pouco mais para baixo. Não esqueça do giz. Bata a seco.
2. Seguir a bola (contrário da puxadinha)
Mire o taco mais para cima do centro da bola branca, dando a tacada como um empurrão bem rápido. Novamente, o giz facilita. É um efeito bem simples, mas estratégico.
3. Como sair de um “prego de bico”
Para esta jogada, útil para contornar uma bola e acertar outra, o vídeo acima oferece um passo a passo bem claro.
Alguma dúvida?
Gaúcha, 27 anos, atual vice-campeã estadual de sinuca, viciada em Sucrilhos, movida a café, faixa preta em taekwondo, química, praticante de poker e blogueira.
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