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Sabemos aproveitar os feriados?

Gustavo Gitti

por
em às | Cabana no PdH, Ciência e tecnologia, Debates, Mente e atitude


Trabalhamos, trabalhamos e agora veio a recompensa: um feriadão, quatro dias, uma viagem, aquela coisa. Mas será que sabemos aproveitar?

Os macacos, nós e a maldita dopamina

Você sabe, a dopamina é aquela molécula que atua como um neurotransmissor responsável por boa parte da vida humana: prazer, motivação, ânimo, sono, memória, movimento, concentração. Quando estamos viciados em jogo, trabalho, esporte, poder, droga ou sexo, na verdade estamos viciados em dopamina, na sensação que surge como uma recompensa.

Tal explicação esperta, no entanto, talvez não seja precisa. Robert Sapolsky, professor de biologia e neurologia de Stanford, ao comparar o funcionamento do corpo de macacos e humanos, descobriu que a dopamina não é exatamente relacionada ao prazer, mas à expectativa de sentir prazer, à incerteza da recompensa, o “talvez”.


Caos OrdenadoLink YouTube (palestra completa) | Robert Sapolsky sobre a ciência do prazer

Desejamos mais a busca pelo prazer do que o próprio prazer

A teoria de Sapolsky explicaria nossa constante insatisfação (dukkha), antecipação, ansiedade, inquietude, experiência cíclica. Queremos muito o diploma, mas assim que o obtemos, já estamos com olho num emprego. Quando conseguimos o emprego, sua felicidade dura pouco, não conseguimos repousar ali, contentes, enfim. Quando estamos solteiros, queremos namorar. Quando estamos casados, às vezes sonhamos com a vida de solteiro.

A insatisfação se flagra até nas dinâmicas mais concretas, sempre presentes, como a respiração: precisamos muito puxar o ar, mas logo que inspiramos já surge a necessidade de soltar, o que imediatamente já nos obriga a inspirar novamente…

Mais do que o prazer, somos apegados, viciados em sua eterna busca, no esforço, na incerteza, na tentativa, na esperança de se satisfazer no próximo minuto. Daí nossa fascinação por cassinos, relacionamentos complicados, esportes, trabalhos diários exaustivos com férias anuais e até religiões, afinal criamos narrativas que nos fazem manter esforços por décadas, esperando por uma recompensa que talvez venha somente após a morte.

Não sabemos o que fazer quando conseguimos o que queremos

Será que estamos condenados a esse funcionamento da dopamina? Será que não há outro modo de viver? De acordo com pesquisas sobre neuroplasticidade, toda essa química cerebral pode mudar.

Minha aposta é simples. Enquanto trabalhamos e nos entupimos de tarefas para ganhar os joguinhos nos quais nos metemos (faculdade, trabalho, relações), que processos mentais estamos exercitando, que movimentos do corpo estão sendo treinados? É essa mente, esse corpo que vamos usar durante as experiências do feriadão.

Se nossos pés passam 10 horas diárias inquietos, frenéticos, tremendo debaixo da mesa, é burrice esperar que esses mesmos pés consigam relaxar na praia. Se nossa mente passa 48 horas semanais distraída e ansiosa, como esperar que ela se alegre subitamente após algumas horas de viagem?

Ironicamente, muitos de nós trabalham de um modo que produz hábitos mentais e corporais bastante inadequados às experiências que sonhamos viver numa viagem de feriadão. Quem vive apenas de fim de semana não consegue sequer viver bem nos fins de semana.

160 horas de preocupação com o planejamento para 6 horas de preocupação com a execução (e muitas fotos de felicidade relaxada, claro)

A arte do chá

Há alguns meses, disse pelo Facebook:

“O sexo é uma casa estranha: a maioria das pessoas faz fila para entrar e, quando consegue, se apressa em sair. Poucos sentam e tomam um chá.”

É como se as filas nas quais entramos na vida (trabalhar para ganhar dinheiro é uma) durassem demais, tempo suficiente para criarmos hábitos que vão limitar nossa experiência dentro da casa. Talvez a descoberta de Sapolsky explique também nossa mania de criar e entrar em filas sem sentido, como as de aeroporto.

Como não aprendemos a repousar na satisfação obtida, logo somos levados a buscar por mais e mais. Não sabemos bem como ser feliz antes da felicidade esperada chegar. Pior: quando a satisfação chega, nosso corpo fica desajeitado, nossa mente não faz ideia de como aproveitá-la. Não estamos acostumados a não precisar de mais nada.

Talvez agora seja o momento de usar as filas de espera para começar o que só faríamos quando chegasse a nossa vez.

Talvez o melhor modo de aproveitar os feriados seja trabalhar de modo a dispensá-los.

Este post é resultado de nossas práticas, diálogos e treinamentos na Cabana PdH. Quer entrar no Dojo?
Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador dO LUGAR (ex-Cabana). Interessado na transformação causada pelo ritmo e pelo silêncio. | www.gustavogitti.com


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  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Texto muito bom, Gitti.

    Seguindo essa linha. Se hoje estruturamos nossas metas de vida e crenças para alcançar certos objetivos que hão de nos trazer felicidade, podemos trocar por um novo modelo.

    Estruturar a maneira como *caminhamos* pela vida, para que o próprio percurso encerre em si o treinamento e a recompensa. Desse modo, as novas recompensas serão todas bem-vindas, quase como se fossem um bônus, coadjuvantes.

    A estrutura social, como a percebo, é mais orientada para metas e grandes conquistas do que para caminho, percurso.

    Dá uma olhada nesse vídeo de um guerreiro urbano:http://kuro-obi.com.br/2012/04/27/o-caminho-do-guerreiro-urbano/

    //

    sobre neuroplasticidade, pra quem não manjar inglês:https://www.google.com.br/search?ix=sea&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=neuroplasticidade

    esse é um conceito *fascinante*, que merece atenção.

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      “A estrutura social, como a percebo, é mais orientada para metas e grandes conquistas do que para caminho, percurso.”

      Também vejo assim. Grandes histórias são contadas apenas quando há sucesso e realizações. Precisamos contar mais histórias só pelo prazer de acompanhar seres em suas jornadas, só isso.

      No fim das contas, vamos morrer, e nenhuma conquista vai fazer grande diferença. Os percursos, os seres impactados, isso sim fará toda diferença.

      • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto

        “No fim das contas, vamos morrer, e nenhuma conquista vai fazer grande diferença. Os percursos, os seres impactados, isso sim fará toda diferença.”

        Pode não parecer, mas vejo essa frase como contraditória.
        Por exemplo, o grande valor para a vida de algumas pessoas é o legado que elas deixam. Então, para elas, as conquistas fazem toda diferença.

        “Be Ashamed to Die, Until You Have Scored Some Victory for Humanity” Horace Mann

      • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

         Eu entendo que deixar um legado é de grande valor e importante e que de certa forma buscamos isso. Mas não pode ser em pontos específicos como, tendo um diploma, um emprego bem remunerado ou uma linda mulher que vamos automaticamente deixar um legado. São conquistas que dão muito prazer, mas se não aproveitarmos (a indagação do texto é essa) corremos o risco de entrar nessa busca pelas doses de dopamina e não deixar legado nenhum, apesar da sala estar cheia de troféus.

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    Pra quem ralou até o final da tarde, ler esse texto é como mergulhar num bálsamo suave. Assunto mais que bem vindo às discussões!

  • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

    “Talvez o melhor modo de aproveitar os feriados seja trabalhar de modo a dispensá-los.”
    Tu sabe que filosofasse pesado aí né Gitti?! Belo texto cara. Trouxe uma boa reflexão. 

  • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

    Boa pergunta Gitti!!

    No documentário Zeitgeist:Moving Foward o Dr. Robert Sapolsky falava um pouco sobre o mecanismo de recompensas no cerébro. Nesse mesmo documentário ele demonstra que de todos mecanismos que atuam no cérebro, poquíssimos são de ordem genética. A maioria desses mecanismos se desenvolvem devido ao ambiente (assim como os experimentos com macacos são controlados, repetidos e condicionados por humanos). Portanto, o meio social em que vivemos e desenvolvemos nossas cognições,é responsável por não sabermos aproveitar os feriados.

    ***
    Ultimamente tenho evitado entrar em joguinhos, parece ser mais proveitoso encarar como um único grande jogo (uma escola), envolvendo esses pequenos joguinhos (faculdade, trabalho, relações) que farão pouca diferença no fim do percurso.

    ***
    Se Karl Marx e Darwin tivessem dirigido um filme juntos, seria o “In Time”. Esse filme também retrata muito bem os riscos da aproximação público x privado.

    ***
    E não é que ontem ouvi um amigo dizendo: Quando vai ser o próximo feriado?!?!

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Pois é, André, eu também gosto mais dessa ideia de viver um grande percurso do que jogos diferentes. Para isso, me ajuda olhar a vida inteira como um treinamento: eu posso trabalhar ou eu posso trabalhar cultivando algo ali; eu posso apenas namorar ou namorar como prática, como exploração de várias coisas, e assim com tudo.

      Valeu pela indicação. Vou ver “In Time”.

    • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto

      André, tu podes linkar o filme aqui?
      Procurei e achei 3 com o mesmo nome.

  • http://www.facebook.com/carlosalberto.kano Carlos Alberto Kano

    “Quem vive apenas de fim de semana não consegue sequer viver bem nos fins de semana´´

  • http://www.facebook.com/people/Thiago-Corrêa/100002113158524 Thiago Corrêa

    Bom texto
    Andei lendo um estudo sobre vicio que fala exatamente disso que cita como exemplo o jogador compulsivo, o mais interessante é que ele não busca a vitoria ou o premio, o viciado em apostas necessita da ansiedade e da duvida em função do resultado dizem que se ele soubesse como vencer sempre largaria o vicio.

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      “se ele soubesse como vencer sempre largaria o vicio”
      Foda, né?

      Processo parecido acontecesse numa relação. No momento em que o outro se torna quase 100% previsível, se o alcançamos quase todas vezes, a tensão se vai, a conexão se enfraquece.

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        Saber como ganhar sempre é, literalmente, zerar um jogo: você já o conhece de cabo a rabo e não tem mais graça nenhuma joga-lo =/

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      “Necessidade da dúvida”

      Incrível. E passamos a vida inteira correndo atrás de certezas! =)

  • Sérgio Ricardo Braga

    “Talvez o melhor modo de aproveitar os feriados seja trabalhar de modo a dispensá-los”

    Pode explicar isso melhor, Gitti?

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Sérgio, se a gente conseguir viver do modo que desejamos todo dia, com satisfação e contentamento (incluindo nosso trabalho), isso fará com que cultivemos corpo e mente preparados para aproveitar um feriado, uma viagem, tempo livre.

      Logo, poder aproveitar um feriado nos leva ao ponto de dispensá-lo, de não precisar dele, já que estaremos vivendo “de férias” no próprio cotidiano.

      Do mesmo modo, como disse no texto, se não vivemos com satisfação, não será um feriado que vai nos proporcionar isso.

      E aqui não falo em parar de trabalhar, mas trabalhar de modo que isso não nos tire qualidade de vida (pra falar em termos simplistas). Isso às vezes significa trabalhar menos, mas às vezes significa trabalhar diferente. A necessidade por férias nos mostra que estamos fazendo algo errado.

      Conheço pessoas muito felizes que não tiram férias há séculos. Ainda assim, elas viajam e descansam e fazem trabalhos significativos, sem precisar tirar férias ou fazer isso apenas nos fins de semana. Eu mesmo estou nesse caminho.

      • http://www.facebook.com/edwinchagas Edwin Chagas

         Eu também estava meio confuso por esta última frase, Gitti. Mas agora está bem explicadinho.

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=570623170 Betina Dal Molin Juglair

        isso é kant. “universalize sua máxima” e “nao use o homem como um meio, mas como um fim em si mesmo”: é basicamente essa a ideia que o texto quer passar. usando o homem como um fim, pensando apenas no ato, no prazer que o próprio ato propicia (ou seja, trabalhando pelo prazer de trabalhar) e nao pensando nas consequencias que o ato trará (no caso, que trabalhar garante um salário, que sustenta as nossas necessidades e vícios), leva o homem a ser moralmente correto e livre, segundo kant.
        acho algo bonito de se imaginar, mas um pouco utópico, se formos analisar a nossa realidade concreta… afinal, querendo ou nao, tendo ciência disso ou nao, a maior parte das nossas ações sao pensadas a partir das consequencias que elas trarão, e nao da recompensa que tal ação traz em si. mas nao deixa de ser uma bela filosofia de vida, um ideal a ser buscado, uma máxima a ser universalizada.

      • janilson

        ao que me parece a idéia de não precisarmos de fim de semana seria buscarmos a completude da experiência de viver durante todos os dias da semana esteja voce no trabalho ou em casa ou na rua e não reservarmos apenas para os sábados e domingos a chance de sermos nós mesmos.talvez o hábito de “fugirmos” de nós durante os dias “úteis” da semana nos tenha tirado a capacidade de ser feliz.

  • http://www.facebook.com/crlsgeovanio.silva Carlos Geovanio

    “O maior prazer é esperar pelo prazer.”– Gotthold Lessing 

    :D

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001827291534 Mateus Karvat

    Genial!

  • http://www.facebook.com/people/Noemi-Jacques-Vieira/1468193414 Noemi Jacques Vieira

    Perfeito: ”
    Quem vive apenas de fim de semana não consegue sequer viver bem nos fins de semana”

  • Jean Lucas Monteiro Lima

    Ué, não foi por aqui que disseram (acho que o Alex?) que gostamos mais da fila do que do serviço?

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    É, eu sou uma viciada em “dopamina”

  • http://twitter.com/Lestahelin Letícia Stahelin

    Muito legal o texto! Muito boa a ideia dele!

  • http://www.facebook.com/miltondepaulo Milton de Paulo

    Muito bom artigo. Lembrou-me: http://i.imgur.com/kPDKd.jpg

  • Rodrigo

    A vida é aquilo o que passa enquanto fazemos planos para o futuro – John Lennon

  • http://www.facebook.com/terra.dus Bruno Terra

    “A Felicidade, Desesperadamente”, de André Comte-Sponville, aborda esse tema com maestria… vale a pena!

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Verdade, Bruno. Já li e recomendo pra caralho também.

  • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

     então o que a gente deveria fazer é parar de se focar nos objetivos (se formar, ganhar um tanto de dinheiro, ter mais férias no ano) e mudar o foco para o processo em si e para o que se pode retirar dele?

    • FIDEGA

      Ou mesmo trabalhar para que, um dia, possamos parar de trabalhar.
      É isso?

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Arthur, Fidega, fiz um primeiro comentário lá no alto bem sobre esse ponto. Vejam se faz sentido pra vocês.

      • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

        yes,sir! valeu pela luz

  • Dado Teles

    Gitti, interessante o seu ponto de vista. Mas, no meu caso, sou adepto da frase “um péssimo dia de férias é melhor do que um ótimo dia de trabalho”. Adoro o que faço, trabalho em minha área de formação, mas o que enche o saco é a rotina de acordar cedo todos os dias, trânsito, passar mais tempo na empresa do que em sua própria casa, etc. E fugir dessa rotina fica difícil, a menos que tenhas seu próprio negócio.

    • Samuel Santos

      acho que se essa a te faz infeliz, cara, fugir dela tem que ser seu objetivo de vida.

      • Samuel Santos

        *acho que se a rotina te faz infeliz, cara, fugir dela tem que ser seu objetivo de vida.

  • Chirulo

    Mais um texto esplêndido no PDH … No fim das contas, nossa vida é um eterno dilema.

  • http://www.facebook.com/vinicius.gasantos Vinícius Gonçalves

    Fala gustavo, curto muito seus textos e a ideia da Cabana(sera ela uma especia de cmm Pua ?? qlqr dia eu entro pra dar uma conferida)

    Quanto a esse texto, gostaria de deixar no ar uma pequena consideração. Nada do que esse Robert falou é muita novidade no estudo do comportamento humano, porem ele só esta tentando explicar isso de uma outra forma.Biologicamente no caso, quando na verdade esse assunto ja foi muito discutido (piscanliticamente talvez seja o melhor termo).

    Freud em “O mal estar na civilização” trabalha essa ideia de que a felicidade é inalcançavel na sociedade atual, e esse problema reside na propria constituição psiquica do ser (caso ainda nao conheça esse livro simplesmente sensacional, confira, sao 100 paginas de pura inspiração), e que tudo que fazemos é em uma busca pelo sentimento de felicidade, ou em evitamento do sentimente de sofrimento

    Mas a ideia de que os nossos habitos diarios nos condicionam é errada, nosso comportamento gera os habitos diarios, não o contrario. Somos impelidos na direção de nossas ações por nossas forças psiquicas inconscientes, aquilo que fazemos durante o dia-dia vem de nossos impulsos. Seria como dizer que nós podemos ser ‘adestrados’.

    Abraços

  • LunnaMiranda

    Eu me considero alguém livre e tranquila, penso que sei sim aproveitar a
    vida quando isso não tem nada a ver com relações amorosas. rss
    “Desejamos mais a busca pelo prazer do que o próprio prazer … Não sabemos o que fazer quando conseguimos o que queremos” É exatamente isso. Sempre me auto boicotei por causa desse vício em
    dopamina, naquela paixão passageira do início, que tudo ainda está
    distante demais pra existir defeitos. Eu não sei lidar com o depois, e
    fica tão desinteressante que nunca me dei ao trabalho de tentar
    aprender. Sei que é algo que preciso trabalhar e mudar, mas meditação
    não tem me ajudado muito nessa área, então prefiro me dedicar a outras coisas que me trazem mais felicidade e simplicidade, do que aventuras que acabam me detonando emocionalmente.
    Existem pessoas de sucesso que sempre criticam o “deixa a vida me levar”, não chego a erguer uma bandeira de protesto mas no meu intimo sempre me perguntei “Qual o problema em viver e ser feliz com o agora? Qual o problema em se sentir satisfeito com as pequenas coisas?” Acredito que pessoas que buscam muito algo são extremamente infelizes e pensam que conquistando isso ou aquilo se sentirá mais completo. Não sou louca por trabalho, claro que procuro fazer alguma diferença porque isso é da natureza humana, mas corro da rotina incessantemente e não me impotaria de passar pela vida e não ter feito nada grandioso se eu for lembrada como alguém que sorria muito. Sério…

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  • Valter Rodrigues

    Gitti isso não é um pouco Nietzscheano… a busca [pelo desejo] é mais importante que o próprio desejo… ou é exatamente o contrário?
    Não sei como explicar, mas vejo algo de filosofia budista percorrendo o texto, que é uma outra modo de enxergarmos a vida… e tbm de encarar o desejo

    Mas na boa véi uma caipirinha vai bem em qualquer feriado.
    Abraços

  • Rafhael Vaz

    Há muito tempo, escrevi um artigo num blog. Trocando o “ganhar” por, conhecer a verdade: http://refinandoideias.blogspot.com/2008/10/o-universo-das-incertezas-e-motivao.html

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  • Paulo Andraus

    Pensem na Loteria.

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