O lutador turco Yasin virá da Alemanha para conduzir mais um encontro em nossa jornada nas Artes Marciais. INSCRIÇÕES ABERTAS →
​​​​​

Reset no futebol brasileiro – Parte 2

Fred Fagundes

por
em às | Debates, Esportes, No ângulo


Deixe eu adivinhar. Nesse momento você tenta entender o que a Maitê Proença faz ilustrando um post sobre a CBF.

Eu explico. A atriz tem relevante participação num triste capítulo do futebol brasileiro.

Mais um deles.

O torcedor brasileiro estava calejado no final de 2006. A pífia campanha, a eliminação precoce e o modo displicente como os convocados encararam aquele mundial foi motivo de arrepios. Carlos Alberto Parreira não resistiu ao fracasso. Foi demitido poucos dias após o mundial. A Seleção, agora, buscava um novo comandante.

Os homens fortes da CBF trabalhavam com alguns possíveis nomes. Mas também tinham seus justíssimos momentos de entretenimento. Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF, organizou um jantar no apartamento e reuniu figuras como Luciano Huck, Angélica, Fátima Bernardes, Fernanda Torres, Aécio Neves e a discretíssima Ana Teixeira, primeira dama da CBF.

Após um belo cardápio e prováveis bons drinks, uma roda de mulheres formou-se e começou a inevitável discussão sobre a Seleção Brasileira. Tudo corria normalmente, com palpites sobre jogadores que seriam aproveitados nos Jogos Olímpicos de 2008 e os excessos cometidos por alguns atletas na concentração. Foi então que Maitê Proença, então namorada de Paiva, cantou a pedra:

A Seleção está muito mole. Precisamos de alguém de pulso firme. Acho que o Dunga seria um nome ótimo para técnico da Seleção Brasileira.

Todos concordaram.

Os olhos de Ana Teixeira brilharam.

E agora todo mundo sabe quem manda na Mansão Teixeira.

Dunga: um técnico escolhido por Maitê Proença

Esse artigo é a continuação da série sobre o reset no futebol brasileiro. Nossa meta é produzir um documento com os posts e os melhores comentários e disponibilizá-lo online. Além disso, vamos entregar esse aquivo aos principais veículos de comunicação do Brasil e também para os presidentes de federações estaduais de futebol.

No post passado falamos sobre categorias de base; a arbitragem brasileira e os programas de sócios. Aliás, os sócios têm grande importância no primeiro item de hoje: as eleições nos clubes.

Vote no seu clube

Parte dos clubes mais tradicionais brasileiros defende as eleições internas. Somente dirigentes majoritários e vitalícios, assim como os que mais injetam dinheiro no clube, têm o direito de voto. As chapas dividem-se em interesses próprios e, principalmente, políticos. Você pode até não acompanhar muito da movimentação política do seu clube, mas pode ter certeza: tem alguém lá dentro torcendo contra.

Essa chuva de interesses é horrível para os clubes e, automaticamente, para o futebol brasileiro. Isso atrasa a renovação necessária para modernização dos departamentos esportivos, impossibilita a aplicação de novas ideias e planos e, especialmente, motiva a corrupção e uso excessivo de poder dentro de clubes e federações.

O futebol de hoje não é o mesmo de 30 anos atrás. Administrar um time é muito diferente. E muitos dirigentes que estão há 15, 20 anos no comando não perceberam isso – ou se aproveitam da aparente inocência. Alguns clubes mantêm essa postura quase ditatorial dentro do conselho administrativo. Cabe ao torcedor tomar frente da situação e ir contra  o sistema. Como? Associando-se é o primeiro passo. Uma vez formalizada sua parte no clube, você tem todo direito de pedir reuniões e propor melhorias.

As eleições diretas, com participação dos sócios em dia do clube, seria um excelente início. Hoje a informação chega de maneira muito jogada ao torcedor, sendo que poucos sócios sabem se possuem o direito a voto nas eleições. As chapas precisam apresentar suas propostas e promover debates entre si.

Informe-se. Procure entender e conhecer as pessoas que fazem parte do conselho deliberativo do seu clube. Estude, questione e solicite informações e poder de participação. Mas antes, lembre-se: associe-se. É a melhor coisa que você faz.

Eurico Miranda é o maior exemplo de coronelismo na cartolagem dos anos 90

Mídia e publicidade

Pare por um minuto e pense comigo: estamos no Brasil. O “país do futebol”, penta campeão do mundo e terra de Pelé, Ronaldo e Romário. Temos todas as ferramentas nas mãos.

Então por que não conseguimos fazer uma porra de publicidade rentável e decente para o nosso futebol?

O Campeonato Brasileiro não existe para o resto do mundo. Isso se deve especialmente a incapacidade brasileira de vender o seu principal produto. A CBF aprendeu a viver mamando na teta da TV Globo, dona dos direitos de transmissão e responsável pelas campanhas e anúncio dos campeonatos nacionais. Pouco, muito pouco.

A CBF precisa ter um trabalho mais focado para manter a popularização do futebol. Se hoje não existe mais identificação da Seleção Brasileira com o torcedor, muito disso é devido a falta de conceito da nossa seleção. Qual foi a última grande campanha publicitária feita para divulgar a Seleção Brasileira? Provavelmente da Nike.

Essa posição da CBF, de não precisar investir em publicidade para divulgar seus campeonatos, seleções e títulos, tornou o nosso futebol uma grande bagunça de cores, sons e significado. Precisamos de um planejamento a longo prazo que tenha como meta a retomada do orgulho brasileiro de torcer pela Seleção. Esse planejamento precisa ser trabalhado sem a dependência dos veículos ou marcas para divulgar a grife CBF.

A Seleção Brasileira precisa se vender sozinha. Mas, para isso, é preciso um enorme esforço de mídia e dedicação. A começar arrumando a própria casa. Valorizando os campeonatos nacionais e fazendo eles cada vez mais rentáveis.

Pode parecer difícil. Mas não é. É trabalho, independência e tudo aquilo que sempre fez falta na CBF: planejamento.


Link YouTube | Craque do Brasileirão: um evento legal. Mas sempre tem alguém que avacalha

Calendário de competições

Essa discussão parece eterna. Campeonato de pontos corridos, unificação do calendário com a Europa, extinção dos campeonatos estaduais… Volta e meia esse asssunto é tratado com rispidez nos debates esportivos. E, na maioria das vezes, termina sem qualquer conclusão.

Não dá para adivinhar qual seria a mudança mais útil para o futebol brasileiro. Porém, também não dá para ficar assim. Tirando a Copa do Brasil, não existe primeiro semestre no futebol brasileiro. Os times focam na competição nacional e – os que disputam a Libertadores – no torneio sul-americano. Os campeonatos estaduais, charmosos, são meros meios de sobrevivência para os times do interior. E jogar campeonato estadual tem sido como dançar com a irmã.

Se não for para fazer valer a pena, que acabem com o campeonato estadual. Ou isso, ou vamos valorizá-lo. E eu prefiro essa segunda opção. O campeonato estadual é muito importante para regiões com clubes de menor expressão. E mais: não dá para imaginar um ano com clássicos só pelo Campeonato Brasileiro. Começa aí, na paixão e dependência do torcedor, a necessidade de jogos regionais.

O Campeonato Brasileiro com calendário atravessado ao europeu é péssimo por vários motivos. O maior deles é a debandada de atletas no meio da competição, quando é aberta a janela de transferências. Talvez fosse o momento de, finalmente, rever o campeonato brasileiro de maio até novembro. Isso implicaria, evidentemente, em toda uma reestruturação cultural de horários de jogos. Mas manteria o nível dos times com grupos e elencos mais concretos.

Precisamos apresentar ao torcedor brasileiro as possibilidades. Uma grande pesquisa ou até mesmo eleições sobre o calendário do futebol são opções totalmente plausíveis. Nós, consumidores de futebol, temos esse direito de decisão.

A torcida comemora e fica feliz com título estadual, só que ao contrário

Temas do próximo domingo:

  • Federações estaduais;
  • Os novos cartolas;
  • Qual a função do jogador de futebol?

Vamos fazer render esse diálogo.

Alô, Ricardo Teixeira.

Nos vemos em setembro.

Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


Outros artigos escritos por

Somos entusiastas do embate saudável

O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias. Conheça nossa visão e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.


EXPLODA SEU EMAIL

Enviamos um único email por dia, com nossos textos. Cuidado, ele é radioativo.


TEXTOS RELACIONADOS

Queremos uma discussão de alto nível, sem frescuras e bem humorada. Portanto, leia nossa porra de Política de Comentários.


  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Acho que a questão da “mídia e publicidade” do futebol brasileiro depende muito dos próprios clubes. Resistindo às ofertas dos clubes europeus (algo que é difícil), investindo nos bons jogadores e deixar os nosso craques aqui, torna o nosso campeonato ainda mais famoso internacionalmente. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Acho que a questão da “mídia e publicidade” do futebol brasileiro depende muito dos próprios clubes. Resistindo às ofertas dos clubes europeus (algo que é difícil), investindo nos bons jogadores e deixar os nosso craques aqui, torna o nosso campeonato ainda mais famoso internacionalmente. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Acho que a questão da “mídia e publicidade” do futebol brasileiro depende muito dos próprios clubes. Resistindo às ofertas dos clubes europeus (algo que é difícil), investindo nos bons jogadores e deixar os nosso craques aqui, torna o nosso campeonato ainda mais famoso internacionalmente. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Acho que a questão da “mídia e publicidade” do futebol brasileiro depende muito dos próprios clubes. Resistindo às ofertas dos clubes europeus (algo que é difícil), investindo nos bons jogadores e deixar os nosso craques aqui, torna o nosso campeonato ainda mais famoso internacionalmente. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Acho que a questão da “mídia e publicidade” do futebol brasileiro depende muito dos próprios clubes. Resistindo às ofertas dos clubes europeus (algo que é difícil), investindo nos bons jogadores e deixar os nosso craques aqui, torna o nosso campeonato ainda mais famoso internacionalmente. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Acho que a questão da “mídia e publicidade” do futebol brasileiro depende muito dos próprios clubes. Resistindo às ofertas dos clubes europeus (algo que é difícil), investindo nos bons jogadores e deixar os nosso craques aqui, torna o nosso campeonato ainda mais famoso internacionalmente. 

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Porra, Fred, que beleza, que BELEZA de post.

    Aguardo a parte 3 e quero muito ver a repercussão disso.

    Abração!

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Porra, Fred, que beleza, que BELEZA de post.

    Aguardo a parte 3 e quero muito ver a repercussão disso.

    Abração!

  • http://twitter.com/leandro_khaled Leandro Gomes

    Fred, mais um excelente post sobre o assunto. E sobre minhas considerações, vamos lá:

    - Dunga foi o nome errado no momento certo (pelo menos pros interesses da CBF de mostrar que Seleção não era zona como foi em 2006). Só acho que algumas coisas daquele trabalho poderiam ter sido melhores aproveitadas, principalmente a geração de Pequim, que poderia ser a base do trabalho do treinador seguinte e fazer a tão famosa transição e inserir os garotos prodígios (Lucas, Neymar e Ganso) aos poucos, numa base melhor estruturada, mas pedir longo prazo para esses dirigentes é exigir demais.

    - Associação em massa é o que oxigena os clubes, com novas pessoas e consequentes novas ideias. Não sou sócio do time que torço por não haver uma política de aproximação do torcedor de fora da capital, então não me traria muitos benefícios, além da preferência por ingressos (a jogos que nem sempre posso ir) e direito a voto (para administrar algo que não seria um usuário casual).

    - Investimentos em publicidade não são feitos por total arrogância e prepotência. Ainda tem como base aquela história de “Amor a pátria de chuteiras”, que amistoso após amistoso vai caindo por terra, pelo menos pra quem tem o mínimo de senso. Seleção não desperta interesse como antes, principalmente pra quem tem noção dos problemas. Não existir uma liga interessante, várias divisões bem organizadas, horários buscando atrair os clientes mais próximos, tem como reflexo esse distanciamento do povo da Seleção e também dos times (poucos são os que tem uma aceitável média de público durante todo o ano).

    - Mídia e publicidade e mudança de calendário ao meu ver andam paralelamente. Fica mais fácil vender quando se tem algo melhor organizado. Além da parte técnica de perder menos jogadores no meio da temporada, ainda seria facilitador na hora de inserir o campeonato ao mercado europeu. A ideia que eu tenho de um calendário mais próximo do ideal passa da CBF pela CONMEBOL. Estaduais com 10-12 clubes, mais divisões (movimentando mais clubes durante o ano inteiro), Copa do Brasil ao longo de toda a temporada e com todos os times, Brasileirão entre agosto e abril-maio sendo paralisado nas datas FIFA, distribuição de contratos mais igualitária, Libertadores e Sul-Americana paralelas, valorizando ainda mais a primeira e colocando a segunda como torneiro de segunda força (o que só acontece no Brasil).

    Nem tudo deve ser copiado, mas organização da Premier League e Bundesliga não é vergonha nenhuma dar uma olhada.

  • http://www.facebook.com/fredericofagundes Fred Fagundes

    Pessoal, só lembrando que todos os comentários estão sendo arquivados. Os melhores e mais relevantes vão fazer parte do documento final. To gostando muito das sugestões. Mandem bala.

  • Rodrigo Queluz

    O texto ficou um pouco grande, então separei por tópicos!

    Estaduais:
    Quanto aos estaduais, considero boa a fórmula do Caricoa. Poucos times, dois turnos e uma super final! Com isso você cria dois mini campeonatos, o que daria chances para pequenos times poderem falar que conquistaram algo. E é um campeonato rápido. O campeonato paulista é ridículo! 20 times, 19 rodadas! Ninguém aguenta isso! Os estaduais devem ser mantidos sim, para não criar uma elite do futebol brasileiro.

    Calendário:
    O calendário, ao meu ver, deveria ser da seguinte maneira: Libertadores e Copa Sulamericana ao mesmo tempo, no primeiro semestre, e Copa do Brasil com TODOS times no segundo semestre. Estamos carentes de uma competição mata-mata com os principais times do país. Não faz sentido copiarmos o futebol europeu. São climas totalmente diferentes, as férias são em épocas diferentes, o verão é em época diferente. Seria justo com o jogador brasileiro ter Dezembro e Janeiro bombando de jogos enquanto a família está de férias? E falar do poderio europeu já não faz mais tanto sentido. Atualmente comentamos mais a janela de inscrição de jogadores do exterior que a janela de saída!

    Sócio-Torcedor:
    Torcedores devem SIM, tentar se integrar a realidade do clube. Não ficar só cornetando. Associe-se. Mas também os clubes devem criar planos de sócios decentes! Modelos funcionais não faltam Brasil e mundo afora! Mas tem que existir pressão da arquibancada, senão fica do jeito que tá!

    Publicidade/Seleção CBF:
    E agora minha pergunta final: Publicidade pra que ??? Uma seleção tem que se fazer ser respeitada e admirada. O reconhecimento passar a ser uma consequência disso, e não a causa. A Seleção da CBF (recuso chamar de Brasileira) está em baixa por causa do baixo nível de comprometimento dos jogadores. Parece mais uma colônia de férias que uma seleção. Sem contar a (des)organização política. Nem o próprio Brasileiro se identifica, como querer que alguém no exterior o faça? Volta DUNGA !!!

  • Rodrigo Queluz

    Discordo em relação ao Dunga! Ao meu ver seu papel foi além do futebol. Dunga criou uma nova identificação dos jogadores com a seleção. Só jogava ali quem jogava com o coração, quem se entregasse totalmente! Não existia baderna nem badalação. Duas competições fracas?? Copa América é fraca? Argentina, Uruguai, Paraguai. O que é competição forte? Eurocopa? Onde até a Grécia é campeã ??? Copa das Confederações, onde só jogam os campeões continentais, é fraca também ??? A seleção de Dunga derrotou adversários como Uruguai, Portugal, Itália, Inglaterra. Sem contar no retrospecto contra a Argentina. 3 vitórias e 1 empate. 

    Discordo com a adaptação ao futebol europeu também!! Os argumentos estão no meu post.

    De resto, concordo plenamente. Principalmente em relação aos estaduais e copa do Brasil. 

  • http://www.facebook.com/carlos.vagetti Carlos Vagetti

    Que tal se os campeonatos estaduais fossem classificatórios para a Série D? Uma espécie de 1ª fase, regional, da última divisão do Brasileirão? É assim na Alemanha e na Inglaterra, por exemplo… Ainda, é inadmissível que a competição mais importante da América e a 2ª mais importante do Brasil acabem no meio do Campeonato Brasileiro. Isso prejudica a campanha no Brasileirão das equipes que vão bem, mas não conquistam o título (vide Coritiba, Avaí e Ceará este ano, bem como o Vitória ano passado), tira da disputa pelo título o campeão, que perde o interesse no campeonato (vide Santos ano passado e este ano), e ainda por cima bagunça todo o calendário. Por que a Copa do Brasil só tem 64 equipes? Não seria mais interessante uma competição com número ilimitado de equipes, disputada durante o ano inteiro, na qual as equipes da 1ª e 2ª divisão só entram nas fases finais? É assim na França, na Inglaterra; e acho que dá certo, já que são algumas das competições mais antigas do mundo.

    Pra mim, parece bem claro que o atual calendário brasileiro é mais uma engrenagem do jogo de poder no futebol brasileiro. O coronelismo é facilmente percebido, basta analisarmos as evidências:
    - Os campeonatos estaduais, à exceção do Paulista, são paupérrimos, sendo que vários clubes mal têm condições de manter as portas abertas.
    - Várias equipes precisam recorrer a empréstimos das Federações estaduais.
    - O dinheiro das Federações, por sua vez, vem quase exclusivamente de repasses da CBF.
    - Isso gera uma evidente dependência Clube-Federação e Federação-CBF.
    - Não à toa, as eleições são praticamente unânimes, em grande parte devido ao medo de retaliação.
    - Proliferam pelo Brasil os clubes-fantasma (aqueles que abrem por apenas 4 meses no ano), os clubes-itinerantes (que mudam de cidade como quem muda de roupa) e, o pior de tudo, os ex-clubes (clubes tradicionais que fecharam as portas por falta de condições financeiras; no meu estado, temos como exemplos o Londrina, o Grêmio Maringá e o Operário de Ponta Grossa, que ressurgiu recentemente, fazendo jus ao seu apelido de “Fantasma”).
    - O “país do futebol” (aspas gigantescas para essa expressão) não tem plano de desenvolvimento regional do esporte em praticamente metade do país. As equipes das regiões norte e centro-oeste (exceção feita ao Pará e a Goiás) praticamente não disputam as competições nacionais, e quando disputam não passam de sacos de pancada (como por exemplo o Naviraiense, que levou meros 10×0 do Santos ano passado pela Copa do Brasil). Os Estaduais desses estados têm de ser disputados durante o ano inteiro, sob pena de haver equipes disputando menos de 10 jogos oficiais por ano.

    Enfim, o tema “calendário do futebol brasileiro” renderia uma tese de doutorado. Especialmente se formos analisar as relações de poder que se evidenciam durante a análise.

  • http://www.facebook.com/carlos.vagetti Carlos Vagetti

    Que tal se os campeonatos estaduais fossem classificatórios para a Série D? Uma espécie de 1ª fase, regional, da última divisão do Brasileirão? É assim na Alemanha e na Inglaterra, por exemplo… Ainda, é inadmissível que a competição mais importante da América e a 2ª mais importante do Brasil acabem no meio do Campeonato Brasileiro. Isso prejudica a campanha no Brasileirão das equipes que vão bem, mas não conquistam o título (vide Coritiba, Avaí e Ceará este ano, bem como o Vitória ano passado), tira da disputa pelo título o campeão, que perde o interesse no campeonato (vide Santos ano passado e este ano), e ainda por cima bagunça todo o calendário. Por que a Copa do Brasil só tem 64 equipes? Não seria mais interessante uma competição com número ilimitado de equipes, disputada durante o ano inteiro, na qual as equipes da 1ª e 2ª divisão só entram nas fases finais? É assim na França, na Inglaterra; e acho que dá certo, já que são algumas das competições mais antigas do mundo.

    Pra mim, parece bem claro que o atual calendário brasileiro é mais uma engrenagem do jogo de poder no futebol brasileiro. O coronelismo é facilmente percebido, basta analisarmos as evidências:
    - Os campeonatos estaduais, à exceção do Paulista, são paupérrimos, sendo que vários clubes mal têm condições de manter as portas abertas.
    - Várias equipes precisam recorrer a empréstimos das Federações estaduais.
    - O dinheiro das Federações, por sua vez, vem quase exclusivamente de repasses da CBF.
    - Isso gera uma evidente dependência Clube-Federação e Federação-CBF.
    - Não à toa, as eleições são praticamente unânimes, em grande parte devido ao medo de retaliação.
    - Proliferam pelo Brasil os clubes-fantasma (aqueles que abrem por apenas 4 meses no ano), os clubes-itinerantes (que mudam de cidade como quem muda de roupa) e, o pior de tudo, os ex-clubes (clubes tradicionais que fecharam as portas por falta de condições financeiras; no meu estado, temos como exemplos o Londrina, o Grêmio Maringá e o Operário de Ponta Grossa, que ressurgiu recentemente, fazendo jus ao seu apelido de “Fantasma”).
    - O “país do futebol” (aspas gigantescas para essa expressão) não tem plano de desenvolvimento regional do esporte em praticamente metade do país. As equipes das regiões norte e centro-oeste (exceção feita ao Pará e a Goiás) praticamente não disputam as competições nacionais, e quando disputam não passam de sacos de pancada (como por exemplo o Naviraiense, que levou meros 10×0 do Santos ano passado pela Copa do Brasil). Os Estaduais desses estados têm de ser disputados durante o ano inteiro, sob pena de haver equipes disputando menos de 10 jogos oficiais por ano.

    Enfim, o tema “calendário do futebol brasileiro” renderia uma tese de doutorado. Especialmente se formos analisar as relações de poder que se evidenciam durante a análise.

  • Rodrigo Queluz

    Mas ae que ta. Acho injusto isso. A selecao com o Dunga fez excelentes jogos, com algumas goleadas, e alguns jogos pragmaticos!! Nao tem como generalizar nem para um lado, nem para o outro! Nem tanto ao ceu, nem tanto ao inferno! Foi um futebol de resultado, e so perdeu na copa por uma infelicidade, que acontece no futebol. O Brasil de Dunga era solido, constante. Podia nao ser bonito, concordo, mas rendia.

    Ainda acho que muita gente foi contra o Dunga por se deixar levar pela opiniao “profissional”. Nao digo todos, mas a grande maioria sim! Nao tem como negar que foi um trabalho bem feito, e tudo que foi conquistado foi jogado ao alto e vemos essa zona com o Mano. A selecao se transformou numa Colonia de Ferias, e um desfile de topetes! Estao todos os queridos do brasileiro: Neymar, Ganso, Lucas, mas a selecao esta pior que antes. Podem dizer que precisa de tempo, mas a questao eh a falta de comprometimento, e nao de entrosamento!!

    Torcedor brasileiro eh muito imediatista! Tudo tem que dar resultado instantaneamente, senao nao presta!! Nossa selecao existe a cada quatro anos. E depois troca tudo de novo. Depois nao sabem porque so ganhamos uma copa quando aparece algum jogador excepcional que carrega nas costas!!

  • Igor Marcel

    eh bom saber que a baianos lendo o pdh!
    BBMP!

  • http://www.facebook.com/vovozao Vicente Reis

    Boa tarde a todos os companheiros de leitura.

    Acho que os problemas do futebol brasileiro são comuns a diversos outros segmentos de nossa sociedade. O imediatismo é um, a falta de compromisso é outro e a falta de cidadania e noção de coletivo.

    Os clubes brasileiros se gabam de ter milhões de torcedores. Sim, e daí? Tem quantos sócios?

    Brasileiro (generalizando, ok?) não é fiel a seu clube. O Flamengo diz ter 30 milhões, o Vasco, uns 20, não sei quem mais, uns 25.. tudo na casa dos milhões. São números de população de pequenos países, meus amigos. Mas isso de forma alguma reverte em benefício para os clubes (e por tabela para o futebol nacional e por tabela, para a sua seleção).

    Se CADA um flamenguista (por exemplo) doasse a seu clube 1 mísero real todo mês, o Flamengo, no fim do ano, compraria o Messi a vista. Nem todo mundo pode doar 1 real? É verdade, tem gente realmente pobre.. mas tem torcedor que pode doar 10, tem quem pode doar 100.. tem até quem possa doar mil. Assim, haveria um sistema natural de compensação. Por volta de 20 a 30 milhões mês, entrando no caixa, já pensaram?

    Mas torcedor gosta muito é de bater boca com outros torcedores.. na hora “h”, não comparece. Por uma questão cultural, usa apenas produtos piratas (por um lado, o torcedor pirateia, por outro lado, os fabricantes querem nos assaltar cobrando 200 reais por uma camisa, que pode ser a mais foda do mundo, mas ainda é uma camisa, porra! E por outro lado, os clubes A TODO MOMENTO, modificam a porra da camisa, nem que seja um detalhezinho, fazendo vc nem ter terminado de pagar  - 6x no cartão – e ela já não ser mais a oficial. Esses caras não têm nem planejamento!)

    Enquadrar dirigentes nas penas da Lei, é um.. mas o eleitor do mal político também provavelmente será o eleitor do mal cartola (vide Euricão)

    Ixi! É tanto que nem cabe aqui.. mas seguindo a lógica das #ConversasInfinitas, é começar e ver onde vai dar, né? rs

    Abraços.
    ___________________________
    Vicente, Parauapebas (Pa)

Papo de homem recomenda

Assine o Papo de homem

Curta o PdH no Facebook
  • 4342 artigos
  • 589912 comentários
  • leitores online

Lifestyle Magazine