Requisitos básicos para ser homem
Como é de conhecimento de todos, Ronaldo, vulgo “O Gordo”, protagonizou um dos episódios mais patéticos da história das pessoas públicas futebolistas recentemente.
Na noite do dia 28/4, o (ex?) atacante do Milan foi a uma boate no Rio de Janeiro. Na saída, segundo a versão divulgada pela polícia, parou para contratar os serviços de uma prostituta. A contratada chamou outras duas amigas para uma festinha com o (ex?) craque. Na hora h, no entanto, Ronaldo percebeu, por diferenças substanciais em termos anatômicos, que se tratavam de travestis.
Pensa rápido, truta: mulher ou traveco?
Neste ponto, as versões de Ronaldo e do travesti André Albertino divergiam, pelo menos no primeiro depoimento do profissional da noite.
Ronaldo afirma ter dado R$ 1 mil para cada travesti, fora André, que teria exigido R$ 50 mil para não levar o caso à imprensa. O jogador teria se negado a ceder à extorsão e o caso parou na polícia. André sustentou inicialmente que Ronaldo ficou agressivo ao descobrir seu erro de avaliação e não quis pagar o programa.
Além disso, disse que havia drogas no quarto de Ronaldo, o que foi negado pelo jogador, segundo a polícia, com as seguintes palavras:
“Se falarem que eu bebo, até bebo um pouquinho. Mas achar que eu vou pedir para alguém ir buscar drogas na Cidade de Deus é um absurdo”.
Depois de alguns dias, em novo depoimento à polícia, André voltou atrás e inocentou o jogador milanês (o arrependimento gerou suspeitas no diabinho em meu ombro direito, mas o anjo à minha esquerda disse que foi apenas a dor na consciência).
Pergunto sinceramente: alguém entendeu a história?
O Gordo confundiu as bolas (sem trocadilhos) ou foi enganado por um assessor maldoso, como ouvi em algum lugar? Ou será ainda que Ronaldo, o Fenômeno, depois de tantas e tão belas mulheres, resolveu experimentar algo diferente?
Seja como for, a história me lembrou, por meio dessas tantas veredas que se bifurcam na memória, de uma tese exposta por um conhecido, uns cinco anos atrás, que relacionava, como no caso do Ronaldo, futebol e sexualidade. O cara era um carioca meio metido a malandro (pleonasmo?) amigo de uma amiga de uma namorada. A controversa teoria foi apresentada, se não me falha a memória, no fórum apropriado a discussões de tal nível: uma mesa de boteco.
A teoria
Dizia o rapaz que, para um ser humano ser considerado homem, com H e coisa e tal, um “macho” de verdade, deve gostar de dois dos três itens: futebol, mulher e cerveja. De bate-pronto, a polêmica tese provocou irritação na audiência feminina por seu inegável viés machista. No entanto, as moças ignoravam as implicações mais complexas da questão.
Pois vejam que, segundo a teoria, se um ser da espécie humana gostar de futebol e mulher, será considerado homem. O mesmo dar-se-a caso o suposto ser aprecie mulher e cerveja. Até aí, sem graves crises. Mas eis que surge o ponto polêmico: um indivíduo que gostar de cerveja e futebol cumpre o requisito básico da regra (dois em três) e passa, assim, a ser considerado como do gênero masculino.
A tese levou muitas amigas cachaceiras, boleiras e/ou torcedoras a questionarem suas opções de vida, seu eu interior, sua conexão real com uma verdade interna mais profunda. Uma delas, cujo nome prefiro preservar, declarou em alto e bom som após a exposição da controversa teoria comportamental:
“Bom, sou homem, mas sou gay”.
Retorno ao ídolo das multidões, que diz querer encerrar sua carreira no Flamengo (cujo manto, diga-se, vestia no momento de seu, digamos, embaraço), talvez prevendo as reações da equipe italiana, já que até um cardeal da Bota passou um pito público em Ronaldo.
Cadê as batata frita com Coca Zero? crédito
Analisando agora, percebo que as veredas de minha memória foram condescendentes com o Fenômeno, talvez saudosas de seus dribles , suas arrancadas, seus gols, que encheram de alegria a camisa amarela e que andam tão em falta por essas bandas, ainda mais no Flamengo de Obina, que é melhor que o Eto’o. A tese favorece o jogador.
Explico: como assume beber de vez em quando e sem dúvida é apreciador do futebol, Ronaldo cumpre o critério de dois quesitos em três. Poderia até, caso desejasse, deixar de lados as maravilhosas loiras e morenas que o acompanharam de caso em caso por estes anos todos e ainda assim manter intocado seu estatuto de macho.
Pela teoria do tal carioca, os torcedores podem parar de zombarias, que não há mais espaço para dúvidas sobre a maculinidade do Fenômeno, um atributo por ele deveras valorizado, uma vez que, feito o estrago de imagem, correu em anunciar a gravidez da namorada (coincidências, diz o bondoso anjo em meu ombro).
Tenha ou não errado na escolha de suas companhias pagas, Ronaldo mantém-se macho.
Nicolau é corintiano, não gosta de novela mexicana e integra a equipe do Futepoca, melhor blogue esportivo de 2007.
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