Questões políticas de 2011

Juliana Fratini

por
em às | Artigos e ensaios, Ladies Room


Viver em sociedade significa existir, simultaneamente, em esfera pública e privada, além de ter direitos e deveres para com estas categorias. Fazer uso aleatório, sem qualquer regulamentação, destas esferas (ou do que faz parte delas) causa danos a diversos arranjos que asseguram o bom funcionamento da vida individual e coletiva, além de danos à confiança nas instituições que existem para regulá-las.


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A apropriação do que é público para fins privados foi, no entanto, um dos principais temas políticos e sociais do ano. Por um lado, por causa dos escândalos protagonizados por homens públicos e, por outro, por causa das inúmeras manifestações sociais contra práticas consideradas corruptas ou amorais – isto é: nem tudo que é amoral pode ser considerado corrupto ou ilegal, segundo a lei.

Desta vez, vamos mudar o foco: desviemos o olhar de indignação dos chamados malfeitos do primeiro mandato do governo Dilma e dos sujeitos que protagonizaram os escândalos – os ministros –, para a arquitetura dos sistemas político e econômico e o comportamento social a fim de ampliar o entendimento de como é que estas coisas, de um modo geral, operaram. As considerações são ensaísticas e longe de serem exaustivas ou totalizantes.

Separando o joio do trigo: a arquitetura dos sistemas

Sobre a arquitetura dos sistemas, consideremos, em primeiro lugar, que a política possui três dimensões interdependentes:

  • a polity (regras do jogo político),
  • a politics (a competição política; o próprio jogo), e
  • a policy (políticas públicas; o resultado do jogo).

Portanto, boa parte do que se pensa sobre política precisa passar por este filtro classificatório. Atores políticos se comportam de maneira bastante diferente quando enquadrados em cada uma destas dimensões e, muitas vezes pela falta de esclarecimento a respeito da parte que não opera corretamente, corre-se o risco de se fazer avaliações equivocadas sobre os fatos.

Vamos utilizar o caso do primeiro ministro a cair, Antonio Palocci (Casa Civil, em junho), e o último “na linha de tiro”, Fernando Pimentel (Desenvolvimento, em dezembro). Os dois políticos foram criticados por exercerem, supostamente de maneira irregular, a atividade de consultor. “Irregular” aqui quer dizer que teriam realizado tráfico de influência, além do fato de não terem exibido os contratos feitos com as empresas para as quais prestaram serviço. Ora, a lei é clara: eles não poderiam realizar este tipo de trabalho apenas se estivessem exercendo função pública durante a execução do serviço – se estivessem, o caso seria de improbidade administrativa. Por não estarem exercendo cargo público, não há nada que configure o trabalho de consultor como crime, mesmo que estes homens tenham atuado politicamente antes ou depois da realização das consultorias.

Antonio Palocci: prestígio em favor do interesse particular não é crime

O conhecimento, prestígio e networking que estes homens acumularam durante o exercício de atividades públicas contribuem com a realização de atividades privadas. O mesmo ocorre com profissionais de outras áreas de atuação. Qualquer profissional pode utilizar o prestígio adquirido no exercício de uma função para realizar outra de interesse particular. O mercado captura prestígio e não faz distinção de categoria profissional. Segundo as regras de mercado, isto não se configura tráfico de influência. Deste modo, se os ministros não estavam exercendo função pública no momento da realização das consultorias, logo, o caso deve ser averiguado segundo a ótica do mercado, e não da ótica política. Quando a ótica é política, o assunto passa a operar no campo da politics (da competição), com adversários fazendo uso de recursos diversos, de maneira estratégica, para derrubar quem detém o poder – a estratégia é legítima, mas o argumento incorreto.

A pergunta que não quer calar, afinal, é a seguinte: se um empresário/consultor dotado de muito prestígio pode se tornar político, por que um (ex-) político, quando do não exercício de função pública, não pode se tornar um empresário/consultor?

Nesta linha, o problema não é, especificamente, a atuação de (ex-) políticos enquanto empresários/consultores, mas sim um problema de normatização – de regra. Se não é possível que (ex-) políticos realizem atividades empresariais/consultoria, então torna-se necessário regulamentar as atividades que estes (ex-) homens públicos podem e de que maneira devem realizar. Do contrário, casos como o de Palocci e Pimentel tendem a acontecer novamente. Mudar os políticos, contudo, parece mais fácil e conveniente do que mudar a regra (do ponto de vista político), uma vez que isto implicaria na diminuição dos direitos civis de (ex-) homens públicos.

Tampouco existem regras de mercado que obriguem a declaração pública de conteúdo produzido por consultorias. No entanto, há lei que obrigue a declaração de recursos obtidos por meio da execução de qualquer trabalho, mais especificamente a respeito do montante e o meio – o que também vale para qualquer profissional. E isto é impossível saber quando não há contratação de serviços pelas vias legais, ou em outras palavras, quando o trabalho é realizado de maneira informal.

Na prática, quando contratados e contratantes não informam pelas vias legais as transações realizadas, se colocam a margem da lei. E (ex-) políticos consultores envolvidos em transações privadas a margem da lei, que envolvam muito dinheiro, por meio do uso do prestígio que acumularam no exercício de cargos públicos, não podem esperar outra coisa da imprensa, da oposição, da opinião pública, além de profunda retaliação.

Fernando Pimentel: na linha de tiro

Seguindo esta linha de raciocínio, uma maneira de ver a questão é a seguinte: Palocci e Pimentel se complicaram não porque fizeram o uso de bens públicos para fins privados (neste sentido não foram corruptos), não porque praticaram (sobre as consultorias) tráfico de influência; se complicaram porque se colocaram acima da lei quando na defesa de interesses privados. Atuaram na ilegalidade e não fizeram o que qualquer outro profissional deveria ter feito: informar as transações realizadas. A conduta demonstra um sinal de desrespeito à polity, isto é, às regras do jogo, em relação aos direitos fundamentais operacionais, e também porque é dever dos governantes prestar contas à população.

Quanto aos demais ministros que deixaram seus postos, Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esportes) e Carlos Lupi (Trabalho), estiveram envolvidos em confusões relacionadas à suposta apropriação de recursos públicos para fins privados ou para favorecimento partidário – fatos estritamente relacionados a práticas de corrupção – também ferindo as regras do jogo e, de certo modo, a competição. Nelson Jobim (Defesa), por sua vez, saiu após críticas feitas às ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

Ninguém está acima da lei: a questão da confiança

No Estado Democrático de Direito, nenhum indivíduo pode estar acima da lei. No entanto, já dizia Marshall que, embora os homens sejam iguais em status – direitos e deveres –, jamais serão em poder. Este poder a que ele se refere é o propiciado pelo mérito, a ascensão social por meio do trabalho num contexto de livre mercado.

Mas uma coisa é a arregimentação de poder por meio de vias legais, outra é a arregimentação de poder por meio de conduta e práticas espúrias, o que acende discussões normativas e a respeito da manutenção de princípios éticos na política. Num contexto em que existe um relaxamento da responsabilização e das punições para aqueles que cometem infrações contra a ordem pública, seja no aspecto normativo ou moral, a política e suas instituições acabam por ficar desmoralizadas e desacreditadas.

Exemplos de fatos ocorridos durante o ano que contribuíram negativamente com o descrédito das instituições foram:

  • a desmoralização, pelo próprio governo, da Comissão de Ética Pública, que sugeriu a saída de Carlos Lupi do Ministério do Trabalho, mas não foi considerada;
  • a não cassação, pelo Parlamento, do mandato de Jaqueline Roriz, que recebeu dinheiro de Durval Barbosa. Jaqueline pediu a rejeição do parecer do Conselho de Ética sob o argumento que não exercia nenhum mandato quando o fato foi consumado; e
  • a não validação do Ficha Limpa.

Afirmar que a sociedade não se esforça para “não demonizar a política” seria um erro, posto que os cidadãos procuram, ao menos, aceitá-la como é – considerando as imperfeições das instituições e a realidade da arquitetura do sistema político, também uma arena em que vale “quase tudo” para se manter no poder ou difamar, sem um argumento verdadeiramente producente, aqueles que estão no poder.

A sociedade quer ver punição

O que a sociedade não aceita é ausência de responsabilização daqueles que ferem princípios democráticos e republicados, permanecendo sem qualquer punição. Os mais politizados se perguntam ainda, entre outras coisas, por que a “faxina ética” precisa ser realizada pela imprensa e por que a atuação do governo é reativa e não ostensiva contra o próprio mal que lhe corrói. A impressão que se tem é que os comandantes dos altos postos administrativos deste país alienaram seu compromisso com a transparência e com as punições.

Afora as considerações acima, pesquisas realizadas pelo cientista políticos José Alvaro Moisés (USP) apontam que o grau de confiança em pessoas do núcleo privado é muito maior do que em relações interpessoais do núcleo público, bem como em diversas instituições representativas do regime democrático. Apesar de os dados corresponderem ao ano de 2006, são válidos para a reflexão da conjuntura porque apontam para uma tendência do comportamento social.

Neste ano, em resposta à conduta dos homens públicos e o funcionamento das instituições públicas, foram realizados inúmeros protestos que levantaram a bandeira contra a corrupção e a impunidade, e que reclamaram um melhor funcionamento ou a extinção de determinadas instituições. Os grupos – muito deles organizados na internet –, supostamente sem qualquer vinculação partidária, reuniram-se em diversas regiões, ora com um grande número de participantes, ora com baixíssimo número.

Apesar das boas iniciativas, as manifestações ocorreram mais de maneira espasmódica. Em um novo modelo de organização, carente de lideranças bem definidas, os grupos apareceram um tanto dispersos, muitos deles sem uma plataforma de atuação ou projeto mais bem estruturado.  Em suma, apareceram com uma força muito menor do que aquela que originou a Primavera Árabe – a mobilização social iniciada na internet que desencadeou uma série de reformas políticas em países do Oriente Médio e da África.

Que venha 2012.

Juliana Fratini

Juliana Fratini é cientista política por interesse e comunicadora por destino.


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34 comentários

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  • Anônimo

    Deixa eu ver se entendi, pessoas sem nenhum conhecimento técnico e específico de nenhuma área viram ministros, fazem o que querem, saem e viram consultores ainda sem nenhum conhecimento, fica bem claro o tipo de consultoria que uma pessoa como Lula e Palocci dá, mas isso é correto? Não é ilegal nem nada? Alguém por favor me dê um tiro na cabeça.

    • Rodolfo Viana

      Pois é, Quim. É o velho embate entre “o que é legal” (ou seja, o que está na lei) e “o que é moral” (aquilo que julgamos correto, ainda que não seja contemplado pela lei).

      A questão é que consultorias são legais, desde que o consultor não esteja em cargo público. E, durante seu período como homem público, o consultor obviamente conhece pessoas, torna-se influente em alguns setores etc. Ao fim do seu trabalho na esfera pública, ele tem, se não expertise para dar consultorias, ao menos influência para parecer tê-la.Tudo isso, por mais sujo que pareça, é legal.

    • Juliana Fratini

      Quim, realmente não há qualquer norma que impossibilite a realização do trabalho de consultoria por políticos, desde que não estejam exercendo cargo público. Em outras palavras, não se trata de um trabalho ilegal. Se há algo realmente errado em relação ao exercício de tais atividades pelos sujeitos indicados (políticos), seria necessário mudar a norma, o que acho improvável acontecer, posto que feriria direitos civis destes homens públicos. No mais, o que ocorreu com Palocci e Pimentel pode ocorrer com qualquer outro político que deixe as atividades públicas e se empenhe na realização de atividades privadas de qualquer natureza. O que tem sido questionado é de que maneira estas consultorias ocorreram…. Aí sim, se não realizadas por meio de procedimentos corretos é que o trabalho se torna questionável. 
      Abços,
      Juliana

      • Anônimo

        Vender resultados de licitações, vender benefícios fiscais, informações privilegiadas e etc, porque é esse tipo de coisa que Lula e etc dá em palestras já que eles não tem formação alguma para ser consultor, isso não deveria ser pelo menos fiscalizado, para mim é inaceitável que isso não seja considerado ilegal, e não adianta comparar com o setor privado onde o assunto muda completamente de figura.

    • Carvalhosemv

      Não é ilegal e nem tem importância que seja. Ministros tem cargo de confiança, significa que a presidente ( que nós elegemos) deve confiar neles. Mas se o povo, que em última instância é quem é chefe da presidente, não confia no ministro a presidente e seus asseclas apelam para a lei para justificar sua permanência.

      Graças a nova safra de políticos no poder nós retrocedemos, e agora tudo que não é ilegal pode ser feito pelos poderosos.E o que for ilegal eles tornam legal se precisar. Antes que me digam que vale o mesmo para mim ( cidadão comum) explico que eu não tenho poder sobre ninguém, quem detém esse poder está sujeito a regras que eu não estou e nem quero estar.

      Houve época ( uns 2.000 anos atrás, na Roma antiga) onde quem ocupava cargos públicos deveria ser honesto e parecer honesto. Agora nada disso é importante para os nossos novos comandantes…basta ser amigo das pessoas certas…

    • Mauricio

      O Palocci é médico de formação. Quando eu falo aos quatro ventos que medicina não leva ninguém a lugar nenhum, muitos acham que sou fatalista. 

      Esperto foi ele, pq enquanto isso, presta consultoria sei lá de que, mas de saúde é que não é!!!

  • http://twitter.com/verossimil verossimil

    Segue o bem-estruturado texto e eis que me deparo com um maroto “que venha 2012″ concluindo-o. Faltou um parágrafo (ou mais de um) antes disso não?

    • Rodolfo Viana

      Não.

    • Juliana Fratini

      “Que venha 2012″ para ver se a gente consegue aprofundar o debate a respeito de assuntos importantes com discussões que sejam pautadas não apenas em aspectos morais, mas normativos e vice-versa. 
      Abços,
      Juliana   

      • http://twitter.com/verossimil verossimil

        Importante, importantíssimo aprofundar o debate. Valeu a resposta.

  • Aluisio

    Que venha o fim do mundo.

    • Juliana Fratini

      Minha opinião: não seja tão pessimista…. 

  • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

    Juliana, adorei o texto. Me fez pensar bastante aqui. Mas a parte sobre o descrédito da política sempre me deixou com uma pulga atrás da orelha. 

    Afinal é interessante para aqueles que gostam de estar no poder, que as pessoas não se interessem por política. Pois o que eu vejo é que grande parte do desinteresse das pessoas por política, vem justamente do descrédito atribuído a essa “área profissional”, se assim posso chamar.

    Vejo cada vez menos garotos, ultimamente não tenho visto nenhum, que tem o desejo de ser político ou sonham em ser presidentes. Isso só faz com que aquelas velhas famílias e aqueles sobrenomes que tanto conhecemos e dos quais não aguentamos mais ouvir falar, continuem lá em Brasília comandando nosso país. É uma idéia meio maluca, mas eu sempre pensei sobre isso… 

    • Juliana Fratini

      Diogo, interessante colocação a respeito da falta de interesse dos jovens para atuar com política, mais especificamente, como homens públicos. 

      Estudando cientificamente o comportamento da juventude, constatei que uma parcela muito pequena desta população se interessa pelo tema. Muitos jovens (sobretudo a partir da década de 1980) já nasceram sob uma democracia, ou seja, sob o resultado de uma luta realizada pela geração passada. Cresceram, portanto, numa atmosfera voltada mais para a estabilização do que para contestação, de modo a fazerem parte da construção de uma conquista realizada por outros… 

      Nossa geração de jovens se pauta mais por temas internacionais – novas tecnologias, globalização etc etc, deslocando o foco da atuação política para assuntos mais contemporâneos, e até mais fugazes em determinados sentidos… Sendo bem simplista na explicação, acredito que palavras como “construir” um modelo de Estado, bem como “liderar” este Estado, já não são tão atraentes quanto “expandir as fronteiras pessoais”…., além do fato de algumas instituições serem tão arcaicas em sua estrutura que não estimulam a participação de ninguém (que dirá de um jovem cheio de “coisas mais interessantes para fazer”).   

      Mas o maior problema, na minha opinião, é o fato de os jovens mais instruídos alienarem o compromisso de propor reformas de modo mais contundente, por meio de projetos bem elaborados e com lideranças mais bem definidas – ante fazer um barulho aqui e outro ali. Acho ótimas as iniciativas de protesto que ocorrem em diversos canais e localidades, mas elas precisam de amadurecimento, além de trabalho, trabalho e trabalho… E me diz, algum jovem, hoje em dia, está tão disposto a trabalhar tanto assim em prol de interesses coletivos?  

  • Juliana Fratini

    Marcelo
    A pesquisa é de 2006…., portanto, eu diria que a bomba relógio já estourou. O que se espera é que do caos surjam alternativas melhores; porque triste seria haver uma acomodação….

  • aldo

    A política brasileira nunca me interessou(podem jogar pedras em mim..)não, não joguem.

    Eu sempre me preocupei mais com a política externa do que com a interna.

    Pdh…2012. Abraços á todos.

    até breve…

  • http://twitter.com/daniel_dibranco Daniel Augusto

    Ao meu ver, os valores individuais pautam a forma como lidamos com a política e os demais aspectos da sociedade. O sucesso pessoal é almejado por boa parte das pessoas e, visando essa vitória, trabalhamos dia e noite e não podemos perder oportunidades.

    O problema é quando achamos que os fins justificam os meios, ou seja, a ética é relativizada e a falta dela justificada pela busca do sucesso pessoal.

    Em todas as esferas da sociedade encontramos corrupção, seja na hora de vender um carro por um preço maior do que ele vale ou ir embora do bar sabendo que o garçom não anotou todos as cervejas que você tomou. Na política não é diferente.

    A sociedade muda quando as pessoas mudam. Pergunto: se você fosse deputado abriria mão de receber um salário que ultrapassa os 20 mil reais? mesmo sabendo que a união gasta milhões para manter a máquina pública e que esse dinheiro poderia ser muito melhor aplicado?

    Como diz minha avó: todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer.

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Algumas vezes realmente é desestimulante, ver como certos manifestações realmente não dão resultado. Parece não haver uma vontade dos representantes públicos de ouvir a população, aliás me parece que a maioria das vezes a única coisa que se espera é que se legitime nas urnas uma das opções costuradas pelas grandes figuras dos grandes partidos. Eu sinto que falta até participação popular até na escolha dessas opções dentro dos partidos. Então para mim não é de se estranhar esse desinteresse.

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Juliana, bacana levantar essa pauta. Acho uma boa oportunidade conversar contigo, que tem autoridade no assunto.
    Tenho algumas pequenas dúvidas, poderia tirá-las por favor?

    a)No seu texto, não ficou muito claro pra mim sobre o contexto da expulsão dos ministros Palocci e Pimentel. As acusações se referíam a consultorias de épocas anteriores às suas posses? Se sim então concordo com as coisas que você expôs.
    b)A Jaqueline Roris alegou que a verba que ela recebeu foi antes da sua posse, e portanto não caracteriza quebra de decoro parlamentar. Por outro lado, ela se encaixa perfeitamente na descrição do artigo 317 do código penal, não?

    Corrupção passiva

    Art. 317 – Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
    que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
    aceitar promessa de tal vantagem:

    Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multac)Participei dessas manifestações nesse ano e até da organização de algumas. É o segundo texto seu que vejo a defesa de uma liderança para evitar essa dispersão toda, e vou deixar registrada aqui a minha opinião, baseada nas conversas que tive com os manifestantes. O que sinto é que falta maturidade política para as pessoas em geral. Eu mesmo acredito que é preciso sim de lideranças, mas as pessoas ainda não estão preparadas para associar mudanças com movimentos declaradamente políticos. Tendo isso em mente, senti certa melhora nessas manifestações todas, e o que penso é que naturalmente, quando for necessário, essas lideranças vão aparecer. Nesse ponto, ainda que torne o mofvimento confuso ou disperso, a falta de nomes e de partidos é até vantajosa, já que faz com que as pessoas associem o que está acontecendo à noção de mudança, à ideia de luta ao invés de depositar suas esperanças em uma proposta de solução, em um candidato, liderança ou partido. A questão aqui hoje é mais cultural – não vamos derrubar um governo ou criar reformas ´políticas ou sociais significativas em um ano. O importante aqui, nesse momento, é simplesmente fazer com que as pessoas saiam da zona de conforto e passem a entendem que podem sim exigir do Estado que respeite seus direitos – e essa mudança de hábito e perspectiva política tem muito mais vantagens a longo prazo do que curto.Sobre a primavera árabe, ela, assim como o Ocuppy Wall Street e os movimentos brasileiros não tivram lideranças significativas . Nossos amigos mundo afora souberam conduzir movimentos expontâneos que tiveram  seu acertos e seus erros. Podemos aproveitar a experiencia deles, que estão mais avançados nesse processo, para estudar sua trajetórias e seus tombos, a fim de evitarmos que caiamos nos mesmos buracos.Abraços,Eduardo

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Prova disso é ver a reação da opinião pública ao que aconteceu na USP sobre o conflito com a PM.
    Enquanto a Associação dos Juízes pela Democracia apoiou o movimento dos alunos, já que o considerou legítmo (http://www.viomundo.com.br/politica/ajd-e-preciso-solidarizar-se-mesmo-com-as-ovelhas-rebeldes.html), bem como vários outros renomados juristas por aí, além de jornalistas e o presidente da OAB do rio, a opinião pública limitou-se à fomentar a violência estatal: e nesse contexto se viam absurdos como “tem mais é que botar a PM pra bater nesses maconheiros mesmo”, ” poe a ROTA na USP”. Não preciso lembrar ninguém que o golpe de 64 foi apoiado pela marcha da família com deus pela liberdade e que o nazismo, a princípio, também tinha respaudo popular.

  • Juliana Fratini

    Oi Eduardo, bom dia. 

    Vamos lá: 

    1). Nem Palocci nem Pimentel foram expulsos….
    Palocci pediu demissão semanas depois de a imprensa supor que ele teria enriquecido de maneira ilícita por meio do trabalho de consultoria privada. Houve um grande aumento de patrimônio sem que ele informasse o trabalho prestado pelas empresas que contrataram-no. No momento em que realizou consultorias, não ocupava cargos públicos. 
    Pimentel, por sua vez, se mantém no cargo de ministro, apesar da pressão que vem sofrendo da imprensa. Também realizou trabalhos de consultoria quando não exercia atividades públicas, mas tampouco elaborou contratos formais de trabalho.
    Para resumir: o problema que se discute está no fato de estes dois homens públicos não terem esclarecido os procedimentos adotados quando da realização das consultorias, o que dá margem para o questionamento da “boa fé” na realização destes serviços.

    2). Sobre a Jaqueline Roriz, não posso afirmar se o caso dela se enquadra exatamente no Art. 317. O que deve acontecer, provavelmente, é que ela perca as prerrogativas de ser julgada enquanto uma pessoa pública, para então ser julgada como uma cidadã comum – mas isto para ela foi interessante, porque evitou a sua cassação. 

    3). Sobre os movimentos populares, acredito mesmo que eles devam amadurecer muito ainda, o que pode ser bastante positivo. Aliás, só o fato de nos preocuparmos em melhorar a qualidade do diálogo, já nos possibilita ver um novo horizonte.  

    Fiz um recorte da sua fala e gostaria de entender um pouco mais:

    Você escreveu:
    “Nesse ponto, ainda que torne o mofvimento confuso ou disperso, a falta de nomes e de partidos é até vantajosa, já que faz com que as pessoas associem o que está acontecendo à noção de mudança, à ideia de luta ao invés de depositar suas esperanças em uma proposta de solução, em um candidato, liderança ou partido”. 

    Eu pergunto:
    Vocês acham que não está bom, desejam que as instituições existentes funcionem melhor, mas não fazem, por ora, questão de liderá-las… e tampouco encontraram ainda uma terceira via para resolver a questão, é isso? 

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      hahaha, não juliana, não é por aí.
      A história está em construção e o presente é o mesmo para todos nós – você também é protagonista desse processo. Não há, portanto , “vocês”. O que existe, de fato, é “nós”.

      O que eu disse, Juliana, em outras palavras, é que apesar de pessoalmente acreditar que as mudanças sociais precisem sim, a principio, de organização e liderança, reconheço que não há preparo da sociedade(existe uma certa repulsa) para lidar com questões declaradamente políticas neste momento e isso atrapalha as lutas sociais.

      Sendo assim, acredito que essa mobilização popular, mesmo que sem a bandeira de um partido como está acontecendo, tem sua importância quando se observa o processo como um todo, porque a cultura de mobilização pode, no futuro, evoluir para mobilizações organizadas e partidárias. O estágio atual é como se fossem aquelas madeiras estruturais que os pedreiros colocam na construção: não as vemos quando o prédio está pronto, mas fizeram parte do processo e ajudaram a sua construção.

      Essa possibilidade de mobilzação partidária no futuro, contudo, não exclui outras novas: acredito que esse movimento tem suas particularidades, considerando que o cenário atual , com essa velocidade toda de fluxo de informações , capitais, ideias e possibilidades, não existia antes dessa revolução informacional, que se expressa nas redes sociais . Sendo assim, ainda que esse movimento difuso tenha suas desvantagens ( eu bem sei como é um inferno tentar mobilizar pessoas num contexto em que não se aceita lideranças), há também que considerar seus pontos fortes, característicos desse contexto: como se pode oprimir um movimento sem líderes? Pode parecer romântico, mas é muito mais difícil matar uma cultura ou uma ideia do que comprar deputados, lideranças sindicais ou jogar um partido subversivo na ilegalidade.

      Por fim, Juliana, acreditro nessa molecada. Vejo muita gente de seus 35 a 50 anos metendo o pau no que essa galera nova está fazendo. O que eu costumo responder é : vocês, e mesmo eu, não fomos capazes de resolver todos os problemas sociais que aflingem nossa nação – alguns até mesmo se intesificaram. Sendo assim, já que nossas ideias não muradam o mundo, porque não deixar que essa nova geração tente ao modo deles?

      Obrigado pela resposta, é um prazter conversas tão produtivas.
      Abraços

      • Juliana Fratini

        Ok, assino embaixo! 
        Estou ciente de que nós, incluindo eu mesma, vivemos o presente. Para quem escreve, colocar-se de fora da questão é necessário para que a análise contenha o mínimo de viés possível…. 
        Abços e bom ano! 
        Juliana

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        haha  eu sei, senti essa dificuldade  – de ter que me distanciar do assunto -quando fui escrever os textos aqui pro PdH. Por outro lado, também percebi que se incluir na análise crítica, desde que de maneira responsável e sincera, colabora para reforçar o argumento.
        Um ótimo ano, abraços

        Eduardo

  • Tiagofg

    Querem tornar as pessoas mais responsáveis/éticas/morais?

    Excluam/Proíbam o uso das palavras “É brincadeira” e “Eu não sabia” no vocabulário brasileiro, apenas isso. O AMBIENTE que irá surgir dessa mudança se encarregará de sombrear os incompetentes e valorizar/clarear os capacitados.

    Se você faz/fala algo “brincando” eu não tenho como saber. E se você “não sabia”, o problema não é meu, nem dos outros.

    O resultado seria pessoas mais sérias e o fim/término da “infantilização”.

    • Juliana Fratini

      Tiago…….
      Em alguns aspectos, não seria má ideia, no entanto, improvável de acontecer…. E para você ter chegado a esta conclusão, deve também saber o por quê de ser improvável de acontecer. 

  • Juliana Fratini

    Bruno, 
    é impressionante como eu (e os demais leitores) aprendem com o que vocês escrevem!
    Abços,
    Juliana

  • Tiagofg

    Sobre a questão da brincadeira: Bem, é impossível mudar o país com um povo que não pensa nas consequências do que fala ou faz sem o mínimo de seriedade. Pessoas assim adoram dar opiniões, argumentar que é bom… NADA!

    Infantilização é uma forma de dizer (adulto infantil). Qual foi a última vez que alguém foi visto se responsabilizando por algo aqui no Brasil? Pois é, ninguém nunca tem culpa de nada… quando surge algum problema, a hierarquia desaparece, os “chefes” fogem pela porta dos fundos…

    Por isso usei esse termo, “infantilização”, pois, para agir sem responsabilidades, apenas crianças, aliás, eternas crianças, uma síndrome de Peter Pan em escala nacional.

    Como mudar isso? Complicado, conseguiram implementar um sistema educacional medíocre no país, que impede as pessoas de pensarem por si próprias, alienando-as, não as tornando REALMENTE competitivas no mercado, fazendo-as preferir deixar o rumo de suas vidas serem decididas por “políticos bondosos”. Não se enganem, no Brasil não falta emprego/oportunidades/salários bons, falta QUALIFICAÇÃO.

    Realmente difícil, e a tendência é apenas piorar. Se vocês não gostam do sistema educacional de HOJE, esperem ver os próximos profissionais que irão surgir desse sistema, os professores de AMANHÃ. E enquanto isso, a vida contínua, com a população e os problemas crescendo cada vez mais.

    O tempo para resolver os problemas do Brasil de forma FÍSICA já passou, o trem da felicidade por problemas técnicos(éticos,morais) não parou e ao invés dos brasileiros correrem, pegarem seus filhos pelo pescoço e jogá-los com TODA a força contra as paredes internas dos vagões, não, era dia de final de copa/novela naquele dia…

    Acredito que, a solução está em usar a TECNOLOGIA para mudar essa situação, sendo a melhor delas, a internet.Todas as poucas células/pontos/sementes de informação útil (como PapodeHomem) estão contribuindo para que isso ocorra. Apenas precisamos de mais pessoas envolvidas nesse processo. É o futuro.

    REVOLUÇÃO DIGITAL JÁ!

    • Juliana Fratini

      Mediante tal explicação…. tá explicado! 

      Abços,
      Juliana 

  • Gustavo

    Meus parabéns, minha cara Juliana Fratini.Seu texto aqui foi muito bem elaborado e redigido, mas faltou uma conclusão melhor… o que coincide com o momento social-político: não conclusivo.
    Irei sugerí-lo (o texto) no Face.
    Obrigado

    • Juliana Fratini

      Leitores atentos vocês! 
      De fato, o texto original continha outros dois blocos, que só foram cortados poque supomos que a leitura ficaria exaustiva. De todo modo, você está certo: vivemos em um momento não conclusivo; e isto é muito bom, porque assim podemos construir aquilo que acharmos melhor. 

      Vou publicar a continuação abaixo se o editor permitir. 

      :) 
      Juliana

  • Juliana Fratini

    Eduardo

    Maravilha que você esteja associando o uso das novas tecnologias com ações presenciais. Isto certamente é uma maneira de contribuir para o enriquecimento do debate político e da ampliação da cidadania. Sobre a questão das consultorias/empresas/lobby, recomendo a leitura de um texto já publicado aqui, sobre a regulamentação do lobby no Brasil, o que também rende uma discussão boa: http://papodehomem.com.br/em-defesa-da-regulamentacao-do-lobby/ (nele, há versões interessantes sobre a questão). 

    Abços e bom ano!
    Juliana 

  • Juliana Fratini

    Não é só a juventude não Diogo, nos também somos em diversos aspectos….

  • Juliana Fratini

    A TODOS QUE COMENTARAM, OBRIGADA PELA CONTRIBUIÇÃO! 

     

    É fantástico debater política sem paixonites partidárias (embora cada um
    possua a sua) e sem xingamentos (apesar das críticas)! 

     

    Muitos perceberam a ausência de um final mais bem elaborado…. Na verdade, o texto original continha outros dois blocos, que cortamos para não deixar a leitura exaustiva. Esta versão, vale dizer, foi escrita antes de a revista Time eleger “o manifestante” como a principal personalidade de 2011, por isso não foi mencionado no texto. De todo modo, façam a avaliação de vocês, considerando também este fato. *Em destaque, as ações positivas do governo para ampliar a transparência (o que contribui para a responsabilização), apesar das falhas institucionais a respeito. BOM ANO A TODOS!Juliana 

    Faltam ideias ou informações?

    Em artigo intitulado
    “Muito conhecimento e poucas ideias”, o cientista político Murillo de Aragão
    sugere que “Combinando o grau de educação e de conscientização política com a
    qualidade do fluxo de informação e o bom ambiente econômico, não existe terreno
    fértil para que a indignação com a corrupção germine grandes manifestações”.

    Mais especificamente, Aragão
    toma como base as perspectivas do jornalista Neal Gabler, do The New York
    Times, que sugere que “a desvalorização das ideias está ligada à valorização do
    conhecimento que tem utilidade imediata” – rápido e aplicável –, o que seria
    uma demanda do mercado.

    Aragão, entre outras
    coisas, sugere como obstáculo “o pragmatismo fisiológico, que faz com que os
    interesses se sobreponham aos ideais e o debate político se realize sem sonhos
    ou utopias. Com as ideias e a ideologia sendo usadas para justificar movimentos
    táticos e a luta do poder pelo poder”.

    Mais uma vez, o que há
    de ser considerado é em qual dimensão política se encaixa as considerações
    acima. Neste caso, a dimensão é, novamente, da politics, o jogo político que muitas vezes ocorre por meio da
    instrumentalização de meios de comunicação como meios de disputa por poder
    político.

    Em 2011, a imprensa
    seriamente informou e até executou funções que podem não ser propriamente dela
    (caso da faxina), mas em determinadas circunstâncias perdeu a chance de ter
    investido mais na qualidade da informação crítica. Explico: são exemplos
    artigos escritos por formadores de opinião, bem como comentários postados por
    indivíduos que defenderam ou criticaram ações política por meio de argumentos
    frágeis, sem qualquer fundamentação mais bem elaborada – o que apesar de fazer
    parte do jogo, representou uma perda muito grande para a construção de um
    pensamento capaz de esclarecer os problemas políticos que o país enfrentava.

    E assim, foi possível
    perceber durante o ano a necessidade de esclarecimento político por parte da
    população. E não apenas pela via das instituições da sociedade civil – meios de
    comunicação em geral –, mas também pela via das instituições públicas.          

    Informou Fernando
    Rodrigues (UOL/Folha) em seu blog que, no dia 09 de dezembro, quando se
    comemorava o dia internacional contra a corrupção (instituído pela ONU), era
    também lançado o estudo da Controladoria Geral da União (CGU) a respeito das
    informações disponibilizadas pelas instituições públicas.

    O estudo apontou que 70,9
    % dos órgãos públicos não sabem como dar acesso a informações – 17,7% dos
    profissionais atuantes em instituições públicas não souberam responder à
    questão “No órgão em que o(a) sr.(a) trabalha, qual unidade está a cargo de
    responder às solicitações de acesso à informação pública formuladas pelo
    cidadão?”, e outros 53,2% disseram não haver unidade de atendimento e processamento
    de dados para o público na respectiva instituição de trabalho.

    Analiticamente, é
    possível dizer que a falta de informação por parte das instituições públicas comprometeu
    a transparência e dificultou a compreensão dos cidadãos a respeito da maneira
    em como elas operam.

    O lado positivo é que a
    Lei de Acesso a Informações Públicas (Lei 15.527) foi sancionada pela
    presidente, e entra em vigor em 2012, de modo a contribuir, em geral, com o
    aumento da transparência das instituições, inclusive por meio do diálogo entre
    os órgãos públicos e os cidadãos – seja pela necessidade de se pedir
    informações ou pelo desejo de fazerem reclamações ou de enviarem sugestões. Trata-se,
    sem dúvidas, de uma grande vitória deste governo.

    Maior transparência deveria
    ocorrer também nos votos parlamentares. Quanto a isso, cabe lembrar que voltou
    a tramitar no Congresso Nacional a PEC 349/2001, que determina o voto aberto
    para todas as decisões tomadas pelo Congresso Nacional. Aprovada em primeiro
    turno há cinco anos, a PEC voltou à pauta depois da absolvição de Jaqueline
    Roriz.

     

    O futuro a nós pertence

    Talvez não faltem
    ideias ou informações. Talvez o maior desafio político do Brasil no próximo ano
    seja ter cidadãos com mais traquejo e confiança política, além de políticos
    mais humildes e com menos medo de fazer o que é razoável para a manutenção da democracia
    – num ambiente em que todos possam competir sem que haja desrespeito às regras
    do jogo. Antes de bombardear políticos e/ou instituições com críticas e
    julgamentos, averiguar o que de fato está acontecendo. Cumprir a lei e punir
    atitudes espúrias vale para todos. Melhorar a qualidade dos debates também, e
    sem fazer conta sobre quem vai ganhar ou perder, mas para elevar o nível das
    discussões a respeito do que aspiramos no futuro para nossa vida privada e
    coletiva.    

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