“Quero, mas não consigo” | Autópsia filosófica #2

Frederico Mattos

por
em às | Artigos e ensaios, Autópsia filosófica, Mente e atitude


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“Quero fazer tal coisa, mas não consigo!”

Quando um paciente senta na minha frente na terapia e diz essa frase, sinto nitidamente que estou falando com duas pessoas dentro de uma.

De fato é assim que interajo com as pessoas no consultório, como se fossem um feixe de personalidades que muitos chamam de “eu”. Com base na minha experiência clínica, digo que o “eu” sempre é um “nós” bem complexo.

Eu quero, mas não consigo

Vejo a personalidade como uma embarcação de tripulação imensa, em que cada um gostaria de assumir o leme do navio e o levar para a direção que ele quiser, excluindo os outros presentes. Muitas vezes nossa identidade central se torna refém de um grupo mais forte de vozes que se apropria do leme e muda o rumo do navio para onde quer, por ser mais gostoso.

Vamos tomar uma situação típica de desilusão amorosa: o sujeito se encanta pela garota, se apaixona, mas o caminhar da situação não desemboca no destino que ele queria. Ele não passa de algumas ficadas. Ele quer se desapegar daquela menina pela qual se apaixonou, mas não consegue.

Houve uma divisão de vontades na embarcação. Uma parte acha que ele deve deixar a garota de lado, mas a outra adora devanear em sonhos e planos encantados onde tudo ali é perfeito: transas, conversas, celebrações, ideais e planos. Tudo imaginação megalomaníaca, mas quem liga para isso?

Eis o impasse. Se as duas partes querem e as duas têm propriedade no que falam, qual delas será ouvida pelo capitão do navio?

Vai depender do nível de maturidade geral de todos tripulantes. Se for interessante que toda a tripulação faça um esforço extra para remar com mais empenho até chegar à praia do desapego, ele vai conseguir direcionar gradualmente seus esforços para sua própria vida e seguir em frente.

No entanto, se for uma tripulação preguiçosa, (mal-)acostumada a receber tudo de bandeja, crente que a felicidade é resultado do acaso ou de atos mágicos, tudo será mais difícil. Essa tripulação orgulhosa de si não aceitará sair por baixo da situação e, para reaver o senso de masculinidade do garoto, irá ancorar toda inação futura numa fantasia muito distante.

Enquanto ele sonha com o ideal da mulher perfeita que gostaria de ter nos braços, sua vida ficou parada e exigiu pouco de todos os navegantes. É menos trabalhoso acusar a má sorte, o destino ou o nariz empinado da menina do que assumir que ele simplesmente não foi o eleito da vez e não há nada de errado ou mesmo de incomum nisso. Se quiser algo de verdade, precisará negociar com a voz orgulhosa de sua tripulação e pedir para que o libere de sair por cima.

Ele ficará paralisado enquanto enxergar uma vantagem no aparente sofrimento passivo do rapaz, especialmente em contraponto ao sacrificio de seguir em frente para novos desafios e potenciais novas frustrações.

Ou seja, quando ele diz “não consigo”, na realidade ele não quer abrir mão das vantagens de permanecer passivo naquele suposto sofrimento.

Eu quero, mas não consigo

"Mas eu QUERO!"

“QUERO emagrecer”, “QUERO satisfação profissional”, “QUERO um novo amor, mas não consigo!”

Besteira! Bobagem! Balela!

Você não quer deixar de comer bobagens, não quer se aperfeiçoar, ousar e brigar pela carreira desejada e não quer se aprimorar, se tornar companhia agradável e proporcionar boas experiências para a candidata.

Ou seja, não quer fazer o trabalho duro, silencioso, que dá resultados a longo prazo, sem alardes, sem recompensas imediatas, sem prazer sem fim e sem aplausos constantes. Em essência, não quer sair da infância emocional.

Há muitos marmanjos crescidos por aí brigando com suas vontades imperativas de crianças mal-acostumadas a comer só o que gostam, acordar na hora que quiserem e conviver com puxa-sacos que idolatram seus resultados medíocres. Vivem sem contrariedades em berço esplêndido.

O escritor Rubem Alves bem definiu a personalidade humana, dizendo que ela mais parece uma pensão. Consenso interno nunca existirá em um lugar assim.

Entre o querer e a concretização existem alguns anos de prática em negociação interna confrontada com uma realidade que não barganha com pequenos príncipes.

Esses imperadores sem reino vão passar a vida inteira querendo, querendo, querendo, mas não conseguindo nada, iludidos, dançando em uma festa imaginária ao som de uma música que só toca na cabeça deles.

* * *

Autópsia Filosófica é uma nova série do PapodeHomem, que vai dissecar frases que soltamos quase sem perceber e que nos mostram que existem visões por trás dos nossos olhos, pressuposições, afirmações subentendidas das quais nem sempre nos damos conta.

Frederico Mattos

Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, medita, oferece treinamentos de maturidade emocional no Treino Sobre a Vida escreve no blog Sobre a vida. No twitter é @fredmattos.


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  • http://www.facebook.com/danivcmonteiro Dan Valle

    Fresquinho o post!

    E bacana demais.

    Tinha acabado de ler o #Autópsia Filosófica parte 1 e estava lendo os comentários, quando atualizei já estava aqui!

    E sim, eu tenho uma criança mimada dentro de mim, e aos 32 anos ainda digo com frequência essa frase de efeito destrutivo “Quero, mas não consigo”. Mesmo insatisfeita.

    • Frederico Mattos

      Que bom que gostou.

      Essa frase é passiva e pressupõe que não queremos sair de um estado de reclamação inativa. Vale à pena entender com profundidade o que as vozes contrárias estão reivindicando para poder seguir em frente ou pelo menos admitir que no fundo NÃO QUER fazer o esforço para a mudança, mas não ficar se convencendo que quer, quando não quer.

      • http://www.facebook.com/danivcmonteiro Dan Valle

        Nossa!
        Esse convencimento mentiroso que me corrói. Por mais que eu queira, escute as vozes e saiba que elas tem razão em reivindicar mudanças, eu simplesmente paraliso, quase que em posição fetal.
        Mas vejo esperança, acho que mais perturbador é admitir que se vive em estado passivo.

      • Frederico Mattos

        Para sair da inércia precisa oferecer vantagens reais para o “partido oposto”. Como na política brasileira temos governantes internos mimados, vorazes e exigentes!

      • http://www.facebook.com/danivcmonteiro Dan Valle

        Vou começar a prática da barganha.

  • Felipe Celline

    Eu sinto esses embates quase todos os dias, quando vou para o cursinho (pois quero passar em uma faculdade pública). O meu Eu menino, cabeludo rebelde fica caçoando do outro Eu estudante, falando que é tudo besteira, etc e etc. Junto deles, chega o meu Eu-doente-do-olho (tive um sério problema aí, descolamento de retina) e a confusão se forma.
    Eu gostaria de saber como podemos lidar com essa tripulação, Fred. Diálogos? Descer o cacete neles? Me identifiquei assombrosamente com o texto, a tripulação até entrou em motim quando li. Haha
    Belo texto, parabéns.

    • Frederico Mattos

      Negociação, negociação e mais negociação. Vale colocar no papel os argumentos de cada um e criar um plano realista e gradual para tirar você lentamente da zona de conforto sem criar grandes alardes e ressentimentos das outras vozes.

      O acordo dificilmente é consensual, portanto, não espere condições ideais para continuar agindo. Comece mesmo com olho doente. :)

      • Braulio Langer Fernandes

        E quando a tripulação é tão agitada que ela começa a fazer a gente ficar discutindo com elas na rua? É sério, eu fico parecendo um doido varrido. Eu tô tentando fazer uma força grande pra acalmar essas vozinhas internas mas as vezes eu chego no extremo de ficar falando sozinho na rua, discutindo comigo mesmo (ou com a tripulação da minha cabeça, como queira). Já tô ficando neurado com isso. Fred, será que eu tô ficando maluco? às vezes eu tento sentar em silêncio pra ver se elas param mas quase sempre as vozes me mandam ficar de pé e sair pra fazer algo ‘mais útil’ e agitado, como assistir uma série, ler, tocar violão, entrar no facebook…

      • Daniel Monteiro

        Malucos não Cara, somos excepcionais, devemos agradecer por sermos assim!! eu passo muito por isso, daqui a pouco, sem saber como, você consegue lidar com esses fantasmas, porque são fantasmas.Fale pra eles que eles são uma farsa.

      • http://www.facebook.com/pedromiotto Pedro Miotto Federico

        “não espere condições ideias”

        porra, é isso cara. é isso.

  • Silvana Dias

    Fred, vc me fez lembrar do livro vencendo a batalha interior! Nossa, eu estava precisando ouvir isso hje! adorei!!!

    • Frederico Mattos

      Eu particularmente não gosto da abordagem desse livro porque soa meio simplista apenas fazer com que as vozes desapareçam, sendo que elas constituem forças invisíveis da nossa personalidade.
      Nessa entrevista eu falo um pouco sobre a sombra e como lidar com ela sem ter que sacrificá-la.
      http://www.youtube.com/watch?v=4L3BN3MQJ4Q

  • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

    Valeu muito aí a citação do Rubem Alves, gênio como poucos…

  • Rodrigo Cambiaghi

    Fred,

    Eu li algo sobre “Negociação interna” que consistia em literalmente fazer um exercício mega esquizofrênico:
    Coloca-se 2 (ou mais) cadeiras numa sala:

    - Em uma você incorpora a sua persona que quer e verbaliza todos os motivos e benefícios.
    - Na outra, você incorpora a persona que não quer e verbaliza os motivos.

    é isso mesmo Fred? ou tem outros métodos menos esquizofrênicos? hahaha

    • Frederico Mattos

      Esse método (que não é desse jeito exatamente) é um dos muitos que uso no consultório (entre outros), mas não recomendo esse tipo de prática sem orientação, pode ser bem aflitivo e potencializar a angústia.

      Um mais simples é colocar num papel e começar a identificar as várias vozes que habitam você, dar nome, idade e deixar que escreva os argumentos de cada uma diante de um dilema e depois analise e tente encontrar caminhos para criar acordos internos.
      A esquizofrenia é outra coisa… rsrs
      Isso é bem interessante para organizações e líderes de empresa, pois ajuda a delinear caminhos já que uma decisão complexa sempre implica uma dose de sacrifício de alguma faceta da personalidade.

      • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

        E quais os tipos de problemas que podem surgir por meio dessa potencialização da angústia?

      • Frederico Mattos

        Imprevisível, pois depende de muitas variáveis, se a pessoa tiver problemas de personalidade mais graves pode simplesmente aumentar a angústia, criar confusão e não resolver a questão. A pessoa precisa de um preparo prévio ou pelo menos não estar em fase emocional de risco extremo para fazer isso. Por isso não é irrestritamente recomendável.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001217844665 Felipe Matsunaga

    Otimo post onde o autor, Frederico Matos, expõe uma das situações conflitantes da psique da maior parcela da população.. É como se parte das pessoas estivessem acomodadas em um mundo utópico de esperanças embasadas em fatos inconcretos.
    Há um mês atraz acabei assistindo, a força, “500 of summer” e acabei me deparando com meu reflexo… O filme mostra claramente o personagem criando uma mulher perfeita (assim como o autor retrata no texto…), e aquele que via aquela mulher como uma utópia, acaba a desconstruindo para tentar odia-la e esquece-la…
    Obrigado pelo belo post e por me fazer refletir sobre o fato de estarmos acomodados em iluzões, que acabam fazendo de nós crianças mimadas..

    • Frederico Mattos

      A palavra é essa ilusão, passamos a vida inteira patinando nessa masturbação passiva de uma vida feliz.

  • everton maciel

    Eu quero aprender a bordar. Mas não consigo. É muito difícil e não tenho habilidades manuais. Logo, preciso fazer terapia.

    • Frederico Mattos

      Corrigindo:

      Quero aprender a bordar, não tenho habilidades manuais, fico insistindo que sou muito infeliz porque não tenho habilidade e nem quero fazer um curso para treinar exaustivamente e culpo todo mundo, Deus, minha mãe, preciso fazer terapia.

      • everton maciel

        Teu trabalho serve muito bem para outras pessoas. Não para homens. Homens não fazem o que querem. Fazem o que DEVE ser feito. Teu princípio está errado. Teu raciocínio é raso demais até para você se afogar nele. E: precisa nascer outra vez para coloca palavras no meu teclado, Kiko.

      • Rodrigo Cambiaghi

        Não entendi seu “pití” Everton.
        quer um abraço cara?

      • everton maciel

        Autoajuda não é filosofia. O resultado de abraço demais tá aí.

      • Rodrigo Cambiaghi

        Cara, acho que você interpretou de um jeito literal de mais aquela frase:

        “O homem muda de vida quando deixa de fazer o que tem vontade e começa a fazer o que tem que tem que ser feito.”

        Ninguém é homem de menos por ter ambições ou planos.
        Um abraço.

      • Frederico Mattos

        @evertonmaciel:disqus Acho que o texto também fala sobre o que DEVE ser feito sim. A ideia dele é a superação dos mimos pelo sacrifício, só proponho um caminho menos longo. Não faço apologia de terapia em momento nenhum, mas de negociação interna para seguir no que deve ser feito.
        De qualquer modo não precisamos fazer o que deve ser feito sempre, pois esse DEVE pode vir de lugares psicológicos ou sociais perversos e sádicos. Por exemplo, “você deve seguir a carreira do seu pai”, eu diria “não, não devo”
        Faço minhas as palavras do @jubareba:disqus “Não entendi seu “pití”".
        Mas fica em paz, meu caro, nada pessoal.

      • http://www.facebook.com/gustavoducka Gustavo Augusto R. Abreu

        Hahaha.
        Não existe nada mais decadente que um homem se afunda na proprío estupidez, agindo como uma criança de 6 anos de idades porque o amiguinho tem um pau maior, isso ai amigão continua mostrando que vc é sarcastico e auto-suficiente.

  • http://www.facebook.com/people/Marcio-Piovezani-Duarte/1096875548 Marcio Piovezani Duarte

    Muito muito bom o texto Fred.
    Por falar nisso, onde é teu consultório?
    Indica algum colega em Porto Alegre para uma consulta.
    Tenho muitos motins internos para resolver. hahaha

    Abraços!

  • everton maciel

    Filosofia não é autoajuda.

    • Frederico Mattos

      Deveria ler Alain de Botton, acho que ele pensa um pouco diferente de você no livro “As consolações da filosofia”. Agora se você refere a autoajuda barata, me explique onde viu superficialidade no texto. Ficarei feliz em rever minhas ideias.

      • Frederico Mattos

        Continua sem argumento @b3cdc0f51eaad6508d8ffbe6bb2a22e6:disqus ?

  • http://www.facebook.com/people/Bruno-Alcântara/100002339187896 Bruno Alcântara

    Porra, Fred! Vc escreve MUITO BEM cara! Mesmo! Sempre no ponto, e sempre com uma idéia muito forte atrás do texto. Obrigado, por esse texto-presente!

    • Frederico Mattos

      Eu que agradeço. O que chamou sua especial atenção @facebook-100002339187896:disqus ?
      Abraço

      • http://www.facebook.com/people/Bruno-Alcântara/100002339187896 Bruno Alcântara

        Nesse em específico o fato de vc abrir o jogo da negociação interna que rola com todos nós. Pra quem adora mentir pra si mesmo(e não sou poucas pessoas) esse texto arranca as mentiras da pessoa, ao tomar consciência da idéia ela é obrigada a enfrentar suas múltiplas vontades e “oficializar” tudo o que estava rolando dentro dela mas que funcionava por baixo dos panos. E quando digo a pessoa, me incluo no exemplo.

  • Temístocles d’Anunciação

    É aquela velha história das pessoas que pensam apenas na recompensa. Dizem “eu quero mudar” mas na verdade o que querem dizer é “eu quero que isso mude”. Se me permitem frisar o óbvio, esquecem completamente que a frase “Eu quero mudar” diz respeito ao esforço da pessoa, e não ao passo final ao resultado. É como jogar mario e salvar a princesa sem nem colocar o cartucho no console… isso não existe. Pra todo resultado tem um processo (jogar na loteria não conta muito) e pular esse processo é praticamente ilógico.

    • Frederico Mattos

      Exatamente @google-38f968a1aca2366e4975e3003a5b0bb4:disqus , e o grande problema da maior parte das pessoas é afirmar essa frase usando de um pensamento mágico em que basta a vontade (dissociada da ação) para que um resultado apareça.

  • Elisa S

    Muito bom o texto, parabéns. É muito especial a sua colocação do eu como um feixe de personalidades, essa ideia é bastante acolhedora. Não faria mal se pensássemos o eu para além da personalidade, com todas as suas ramificações. Para mim, na análise, reconhecer minha não-coerência interior foi o primeiro passo pra sair da infância emocional.

    • Frederico Mattos

      Sim, pois nos compomos de múltiplas tendências que se contrapõe e atendem necessidades irracionais sendo que estamos um mundo que não atende a esses anseios primitivos com muita facilidade.
      Obrigado. :)

  • Carlos

    Excelente texto. Nos vemos diariamente neste embate mental. Damos muita importância a nosso “eu”, e acreditamos ser donos do conhecimento e da razão, quando na realidade não passamos de crianças mimadas, de barba na cara e com um emprego.
    A proposito, ao ler o texto, parece que ouvia a voz da minha psicóloga dizendo estas palavras. Impressionante.

    • Frederico Mattos

      Sim, a maior parte das pessoas se engana com o próprio tamanho e pensa que já amadureceu. Pelo contrário, só deixou mais sofisticados os seus brinquedos…

  • Alisson

    Excelente texto.Mesmo com independência em vários pontos, algumas fraldas permanecem, outro contraponto a ser levantado é quanto mais conquistas se acumulam, mais o mundo tende a mimá-lo; e rejeitar esses mimos precisa partir desta convicção pessoal, tão bem sugerida aqui.

  • Jaqueline

    Ótimo texto, parabéns! Sabe, nunca tinha pensado desse jeito. Será que tudo que não terminei na vida foi culpa do meu “eu criança”?! Hoje passo por uma crise no relacionamento e, o “eu criança” acha que devo insistir já o outro que devo cair fora. Não é fácil lutar contra minhas dúvidas. Como resolvo isso?? Não quero ser uma imperadora sem reino com música que só toca na minha cabeça! =(

    • Frederico Mattos

      Acho valioso pensar com calma e ver para que lado cada voz puxa você. Assuntos complexos como uma separação demandam uma capacidade de não ser tendencioso para nenhuma saída fácil.

      As vezes ficar é infantil e as vezes sair é infantil, não há regras absolutas.

  • Johnny Becker

    É muito complexo entender essas tais “vozes” interiores…
    A coisa ta tão confusa na minha cabeça ultimamente que compreendi o texto e consigo ver as ações necessárias pra que a mudança ocorra de fato mas o desânimo e a minha mente psicopata que insiste em tentar prever todos os possíveis erros e obstáculos me fazem desistir de dar o primeiro passo por “ter certeza” que não vai dar certo…

    • Frederico Mattos

      @google-4fc4f90f8f322de47fdb93854fee76a5:disqus , esta voz só está mascarada de protetora, na realidade ela só quer manter você onde está, por medo, nada mais.

      Desânimo é só mais um jogo da sua mente quando precisa fazer algo que dá mais trabalho e manter a gente num lugar gostosinho, sem esforço, mas sem resultado.

      • Johnny Becker

        E como se livrar dessa auto sabotagem?

      • Frederico Mattos

        Acão. Quando eu caio nisso penso que devo começar aos poucos, dosando meu empenho com as expectativas e a capacidade de seguir por muito tempo sem grandes reforços. Imagino sempre que vou entrar numa trilha longa, atravessar um deserto sem aplausos, vou me sentir cansado e, no entanto, tenho que seguir em frente pois meu objetivo é maior que minha necessidade de ser autoproclamado majestoso. O perfeccionismo que você citou na realidade se baseia em uma fantasia irreal de ter um desempenho impecável e com resultados unanimes. Entende @google-4fc4f90f8f322de47fdb93854fee76a5:disqus ?

      • Johnny Becker

        Entendo Frederico, preciso refletir sobre o assunto…

      • Renan Bock

        Caro, Johnny, em vez de refletir, aja. E uma dica: procure saber mais sobre a meditação shamata (de preferência com um mestre instrutor). Aos poucos essa “mente que tenta prever” (uma vozinha chata dizendo que você vai se fuder) vai se acalmar, e não te atrapalhará tanto. Abs.

      • Frederico Mattos

        Obrigado pela dica valiosa @75cb3fb01a93335c820134b5e6ff6cbf:disqus !

      • Renan Bock

        Sempre às ordens, (ex) colega de Cabana e futuro de profissão. Abs.

      • Gutierrez Rodrigues Reis

        Então, resumindo, precisamos traduzir essa voz “perfeccionista” e “protetora” como apenas preguiçosa, né..

      • Fabiana Martins

        Ahm o texto citou a autossabotagem? ( acho que mudou né por causa da mudança ortográfica) não me lembro mas eu sim falei ali em cima..

    • Stephanie Biah

      Acontece o mesmo comigo Johnny… E SEMPRE acabo me auto-sabotando, porque tenho a “certeza” que aquilo que almejo, em algum ponto, não funcionará. Como mudar? Como calar as vozes e tomar o timão que conduzirá a felicidade? Ainda não aprendi fazer isso…

      • Johnny Becker

        Se eu te falar Stephanie que eu vivi um tempo da minha vida em que não deixava nada externo afetar minha paz, não deixava os comentários negativos das outras pessoas me desanimarem, não deixava as noticias sobre economia ou mercado, as previsões e números, nada, nem meus próprios momentos de incerteza me faziam recuar ou adiar meus planos, tudo na minha cabeça e nos meus planos dariam certo e eu fazia tudo dar certo, me esforçava o máximo até tudo acontecer. Hoje, quem dera hoje eu ter a metade desta determinação que eu tinha a alguns anos atrás…

    • Nélio Oliveira

      Muito interessante o seu comentário, e eu acho que sofro do mesmo problema, embora ele me acometa numa frente diferente, a da procrastinação. Uso do mesmo subterfúgio que você pra justificar pra mim mesmo a omissão em fazer algumas coisas que eu TENHO que fazer.

      Gostei também do comentário do Renan Bock, e vou procurar ver do que se trata essa meditação Shamata.

      Aliás, esse texto é um belo alívio em termos de qualidade aqui no PdH. Muito instigante, inteligente e provocador, sem ser hermético nem prolixo.

      • Frederico Mattos

        Valeu @NelioOliveira:disqus! A Shamata é bem interessante mesmo.

    • gilberto

      concordo, não da pra ser só otimista e ter coragem de dar o passo e pisar na merda, tem que ter cautela pra fazer bem feito, mas as vezes é bom dar um passo as escuras e pisar em algo que ajude

  • Pingback: “Quero, mas não consigo” | Autópsia filosófica #2 | Mugango

  • Leandro

    Eu me identifiquei com o texto também. Esse conceito impera na minha mente. O que mais me perturba é o orgulho que carrego comigo. O pior é que não vejo ser algo tão simples como dizer: vá lá e faça, mude.

    • Frederico Mattos

      Ouça seu orgulho. Se ele considera você tão grande e inviolável a ponto de sustentar tamanha grandeza tente ver o que ele tem a dizer…

  • http://pulse.yahoo.com/_P6PTEZOSK7E3CKE2QZYVX2ZYRE Kenji

    Gostei muito do texto!
    Se puder, em algum próximo disserte mais sobre essa negociação interna. Não sei qual o tamanho de minha hospedaria interna, mas acho que ela se chama babel.

    • Frederico Mattos

      Somos somos uma babel @yahoo-P6PTEZOSK7E3CKE2QZYVX2ZYRE:disqus . O ponto é identificar se essa diversidade é uma anarquia saudável ou apenas uma distração sem sentido.

  • http://www.facebook.com/gustavoducka Gustavo Augusto R. Abreu

    Otímo texto Frederico, basicamente toda a psique humana, pode ser fragmentada em varias têndencias e impulsos cada uma com uma voz e personalidade propria, o problema que nossa mente não consegue lidar direito com esse conflito e com esse fluxo, ela tem que ter sempre um “centro” que domina e impera e confere valor as coisas, mas na verdade é ela mesma senhor e escravo, é apenas um fragmento do nosso eu em luta com outros fragmentos, e essa luta basicamente é sobrevivencia, ela não quer ter experiencias novas pois isso implica a morte dessa pequena parcela do nosso universo mental , não permitindo se abrir a novas experiências enriquecedoras, porque assume como vc mesmo disse o leme do nosso eu.

    • Frederico Mattos

      Captou a ideia. ;)

  • http://www.facebook.com/leonardopessoa Leonardo Pessoa

    Já que tocou no assunto da desilusão, vamos lá… Entendam como opinião de quem anda refletindo muito sobre o assunto ultimamente.Aí, no meio dessa tripulação toda, vejo 3 na briga: a carência, querendo se fazer de saudade mas que não passa do “querer” ter alguém ali do lado pra compartilhar um momento, assistir um filme ou apenas te fazer um cafuné; a saudade, aquela que insiste em te cutucar e te fazer lembrar de coisas que um dia já te fizeram bem e hoje estão muito distantes; e o amor próprio, brigando feio com os as duas aí e que é quem deveria ser o capitão e mandar as outras duas calarem a boca.
    Eu ia dizer que a saudade faz bem, ajuda a lembrarmos o que o outro significa pra gente… Mas aí vem o amor próprio e te põe na parede com a seguinte pergunta: e você? O que você significa/significou pro outro? Não interessa! Pelo menos, não mais. Aprender a ser feliz sem depender de outro alguém pode parecer difícil mas aí é que entra a auto-estima: ter a consciência do seu próprio valor e saber que o seu lugar é exatamente aonde você sabe que merece estar. É muito mais fácil sentar na sua zona de conforto e querer pensar que o que não existe mais ainda vai voltar, ao invés de largar o passado e começar a traçar sua felicidade com suas próprias mãos. Quem quiser compartilhar, que seja muito bem vinda mas que mostre antes que é digna de segurar o lápis e compartilhar o papel com você.

    • Frederico Mattos

      Sim, @facebook-666012716:disqus tem muita gente nessa tripulação, eu me detive a duas, pois se seguisse a lista seria imensa. Destrinchar nossa mente é uma arte. :)

      • http://www.facebook.com/leonardopessoa Leonardo Pessoa

        Entendo perfeitamente, @fredericomattos:disqus. Quis citar as que me cutucaram mais durante a leitura do texto. Aliás, muito bom texto e ótimo tema para iniciar discussões por aqui. Gostei da visão sem rodeios de um profissional em um tema tão comum na mente de todo mundo.

    • Johnny Becker

      Estou numa situação muito parecida Leonardo, a saudade ou a carência, os arrependimentos, as dúvidas, os medos, e tudo isso se transformando em sofrimento… A falta de esperanças e o sentimento de estar sem rumo, sem saber pra onde ir, por onde começar, depois de fazer uma auto analise e ver que estou chegando aos 30 e não fiz nada de bom na minha vida.
      Aí vem o que o Frederico citou abaixo, esse desejo de fazer tudo correto, impecável, se reinventar de um modo perfeito, que cause inveja a todos… e querendo todas as soluções para ontem… Fadado ao fracasso com todas essas M’s na cabeça.

      • http://www.facebook.com/leonardopessoa Leonardo Pessoa

        Você não está sem rumo porque quem faz o rumo é você, apenas. Já dizia o poema Invictus: “It matters not how strait the gate, How charged with the punishment scroll. I am the master of my fate: I am the captain of my soul.” Como eu disse no comentário acima, se alguém quiser te ajudar, te apoiar quando cair ou te acompanhar e te incentivar a continuar andando, é sempre bem vindo, mas se for pra te atirar pedras e passar a banda nas suas canelas, aí, meu caro, é a hora que você tem que soltar a mão e não olhar pra trás mais, a não ser que seja para uma reflexão que tenha como objetivo o seu crescimento. Não adianta ficar procurando aonde você errou e o que você poderia ter feito melhor. Isso não é saudável. Eu sei porque já fiz demais.
        Ninguém é tão miserável que nunca fez nada de bom nada vida. Você é que não consegue reconhecer isso, daí entra a auto-estima de novo e o desenvolvimento da capacidade de se sentir bem sozinho.
        Ninguém é perfeito e nunca será. Perfeição pode ser apenas um ponto de vista ou um senso comum. Você não precisa causar inveja a ninguém, apenas busque a felicidade e se esforce DE VERDADE.
        Eu falo isso tudo mas eu mesmo estou no meio de uma pancadaria interna tentando fazer isso tudo funcionar mas juro que dessa vez eu estou me esforçando!

      • Fabiana Martins

        Nossa estou assim também, inclusive ando com um cansaço extremo e por medo de falhar fujo de tentar ás vezes!!!

  • Lucas Aragão

    Belo texto, me identifiquei bastante com ele e com alguns dos comentários de outras pessoas. O interessante disso tudo pra mim é que percebi que pra tudo aquilo tudo que não faço como deveria ser feito, ou melhor, querendo mais não conseguindo, eu crio uma justificativa ou simplesmente finjo que não vejo, e acabo não saindo do lugar ou até mesmo retrocedendo. Putz vei, esse texto criou uma puta confusão na minha cabeça e isso é terrivelmente bom. Continue escrevendo.

    • Frederico Mattos

      Valeu, farei isso.

  • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

    Todo mundo tem disso né? Eu vivo em negociação com os vários “quereres” tentando alcançar e incorporar os “consigos”. A atual é a de dormir/acordar cedo, pense num negócio que parece impossível! :)

    Gostei do texto e da imagem (pdh.co/quero).

    • Frederico Mattos

      @facebook-100000444578553:disqus Sei bem como é, mas quando tenho que acordar cedo eu entro no modus “sem negociação” e acordo sem pensar muito, pois se eu abrir uma concessão e fico na cama.

      • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

        É por aí mesmo. Eu também entro no modo sem negociação, mas só por situações especiais (uma viagem, uma reunião importante, etc). É necessário definir o dia-a-dia como “situação especial”.

  • Dennis T.

    Ótimo texto…
    Sou músico e minha vaidade de artista as vezes me faz um mal enorme.

    Os conflitos por aqui andam super intensos…No princípio dos meus vinte anos,sofrendo por aquilo que eu julgo ser muita carência misturada com uma baixa auto-estima (depois de pensar e refletir durante vários banhos!rs) sendo as duas coisas,jogadas dentro de uma panela de pressão,feita de especulações,expectativas e receio… E agora talvez um pouco dessa “síndrome do berço esplêndido” ou talvez do pequeno príncipe…se é que me entendem,rs.
    Venho perguntando,a mim mesmo : O que fazer pra sair dessa situação e,não deixar que ela me consuma a ponto de se tornar algo de fato mais,digamos…depressivo?
    O texto me clareou um pouco a mente,mas não consigo pensar em algo concreto,que me dê a real vontade que preciso para sair dessa zona de conforto e realmente fazer as coisas acontecerem…Espero encontrar isso logo e,que seja só uma fase.

    • Frederico Mattos

      @b10c9d6be37663ab9659f823d218fd0b:disqus sua vaidade de músico é o que está atrapalhando pois entre você e a fama de rock star ( ou qualquer coisa star) existe muito empenho anônimo. Essa fase desértica e sem garantias que os músicos não querem atravessar. O que acha?

  • http://www.facebook.com/polyana.galligani Polyana Galligani

    Fantástico, como sempre Frederico!! Eu diria que esta zona de conforto e este medo do desconhecido se dá pelo instinto de sobrevivência: se não reconheço algo, não sei se é seguro, portanto é melhor ficar onde estou. Criamos apego até mesmo a coisas negativas, preferimos o demônio que conhecemos ao que não conhecemos. É um conforto que nos envenena lentamente. E acredito que isto seja um dos motivos que faz, em muitos casos, o rapaz não esquecer a ex e a mulher a voltar com o rapaz (pq não tentar mais um pouco?). O conforto, o medo, a ilusão se dá nos dois casos!! No entando, particularmente acho que no fundo sabemos que nos autosabotamos, no fundo sabemos que não vamos fazer regime, que não vamos procurar um emprego melhor – afinal de contas melhor ficar por aqui mesmo, onde conheço toda a rotina de trabalho, no fundo sabemos que não queremos um novo amor, pois o medo e a insegurança fala mais alto e sendo assim é melhor ficar com o conhecido, que eu já conheço a familia, que já somos cúmplices, que a nossa rotina se encaixa…no entanto falar que gostaria é uma forma de me convencer e convencer o outro que não sou fraco, só não consigo…mas quero!! Nos enganamos e sabemos que estamos nos enganando, o tempo inteiro…basta olharmos cuidadosamente e com honestidade para nós mesmos, ao inves de ficarmos só analisando o mundo. Eita tarefa dificil heim?! Estamos em construção sempre…e acho que não são anos de prática, mas uma vida inteira!!

    • Frederico Mattos

      Pegou o espírito do texto @facebook-1742126318:disqus ! ;)

  • http://www.facebook.com/henrique.menarin Henrique Augusto Menarin

    Às vezes percebo esses eus tão ocupados que não dão espaço nem para notar a necessidade de sair da zona de conforto. Como se apenas um enorme banho de água fria fosse capaz de gerar algum alinhamento.

    Muitas pessoas se sentem sinceramente atacadas em frente a qualquer menção do apego que têm a estas identidades. Chegam mesmo a evitar o contato novamente.

    Normalmente, quando alguém lhe procura, o que você percebe que faz gerar essa busca? Como poderíamos continuamente tentar abrir o horizonte de tantos eus (nossos inclusive)?

  • Katz

    Pra quem se sensibiliza com vídeos motivacionais, daqueles com música dramática, atletas suando, frases de efeito, câmera lenta… Certamente, nunca leram um texto como esse. Um verdadeiro fatality na consciência.

    Agora, uma dúvida:

    Aqui a gente fica sabendo que a explicação para o paciente na clínica do Fred começa assim:

    “De fato é assim que interajo com as pessoas no consultório, como se fossem um feixe de personalidades que muitos chamam de “eu”. Com base na minha experiência clínica, digo que o “eu” sempre é um “nós” bem complexo. ”

    O que eu quero saber é se termina assim:

    “Esses imperadores sem reino vão passar a vida inteira querendo, querendo, querendo, mas não conseguindo nada, iludidos, dançando em uma festa imaginária ao som de uma música que só toca na cabeça deles. “

    • Frederico Mattos

      @4a230d29d04f578b81b91f9943b853d3:disqus a ideia do fechamento é para alguns que nem tem consciência e talvez passem a vida inteira sem se questionar. Os que buscam ajuda passam por mudanças e a ficha vai caindo. Não sei se entendi bem sua pergunta, mas acho que é isso.

  • Katz

    E por que autópsia? Biópsia filosófica, cairia melhor. :D

    • Frederico Mattos

      Acho que autópsia porque é sempre uma ideia que já nasceu morta. :p

  • http://twitter.com/rafaelcgo Rafael Oliveira

    Só porque falaram mal de vídeos motivacionais eu vou recomendar esse clássico:

    How Bad Do You Want Success:
    http://www.youtube.com/watch?v=JRfoFGGyRvU&list=PL5BCE99D5B2C6BC29&index=5&feature=plpp_video

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Lameira/100000120735004 Lucas Lameira

    O “Eu quero mudar, mas não consigo”, me fez pensar nesta semana que quando digo “eu quero” e assumo isso como a paixão que me move, eu não sou realmente o sujeito que obterá o seu objeto de desejo por via de seus esforços, mas sim “aquele-que-quer-aquilo”. O apaixonado é puro desejo, não realiza ação – se sabota sempre que tem para continuar sempre a querer. Sua recompensa não é obter nada. É desejar ainda mais. Ele tem exatamente o que ele quer: continuar querendo.

    • Frederico Mattos

      Sim, bem isso. Sempre que alguém diz que quer alguma coisa e evidencio “você quer querer, ainda não quer de fato”

      • http://www.facebook.com/pedromiotto Pedro Miotto Federico

        Fred, esse lance do sujeito querer querer alguma coisa esconde o quê?

        Às vezes eu sinto algo parecido com isso, eu digo que quero ser de alguma forma ou fazer algo, mas me pego pensando que às vezes eu só quero ser o cara que faria aquilo e não de fato o cara que está fazendo. Entende?

  • Felipe

    Obrigado pelo tapa na cara. rs

    Essa coisa de identificar as vozes dentro da minha mente é super perturbador. Quero ser seu paciente, cara.

    • Frederico Mattos

      É perturbador no começo, depois você se acostuma e elas fluem sem que você fique identificando uma a uma. É só uma estratégia inicial para perceber essa correnteza de múltiplas vozes.

  • s.

    Psicólog@s são pessoas boas – já dizia um amigo.

    Frederico, você tocou em vários dos nós do meu atual estágio de terapia. O desejo de realizações megalomaníacas, perfeitas, brilhantes, acabam por me deixar inerte e exponencialmente sofredora. Sofro, sofro e sofro pelas minhas ausências (muitas das quais só eu enxergo), esqueço do que construo e o círculo vicioso acaba por sugar todas as minhas energias pra agir mais, sem tanto pensar. Aprendo também, a cada sessão, a ver quão mal lidei com frustrações em toda a minha vida. No discurso, detesto o pensamento cartesiano, mas meu agir é povoado de maniqueísmos, de tudo-ou-nada. Um dos meus grandes esforços tem sido viver o processo, as nuances e, por que não, as frustrações. Vivê-las plenamente, incorporando o vazio também como um constitutivo meu. Mas sair da zona de conforto do sofrimento passivo, como você coloca, é custoso, se faz com muita auto-reflexão e esforço constante.
    “Entre o querer e a concretização existem alguns anos de prática em negociação internaconfrontada com uma realidade que não barganha com pequenos príncipes”. Brilhante.
    Obrigada pela terapia anônima e coletiva.

    • s.

      Também acho legal compartilhar com @s leitor@s uma das elaborações que minha terapeuta e eu fizemos: a de que a dúvida protege. Com medo, receio ou peguiça, não importa, de dar o primeiro passo, nos mantemos na gloriosa zona de conforto demarcada pela dúvida. É muito menos doloroso, claro, mas diz de uma imaturidade grande em lidar com as frustrações. E ajuda a construir a festa imaginária de imperadores sem reino, como bem escreve o @fredericomattos:disqus. Ao longo dos anos, dançar sozinho é que pode virar o grande fracasso – e para os ainda adeptos do tudo-ou-nada, como eu, vai ser um “tudo” ainda mais doloroso. Que venham as pequenas frustrações, então!

    • Frederico Mattos

      Sim, é prática de criar um caminho que sabemos sempre nebuloso. A vida não tem um google maps, por isso a grande aflição que temos ao caminhar sem garantias e mesmo assim continuar em frente.
      Obrigado por compartilhar suas experiências valiosas. :)

  • https://twitter.com/#!/Gabrielbarros42 Gabriel Barros

    Olá! Gostaria de saber se o texto deve ser tratado como metáfora ou como fatos, pois não consigo aceitar de que nossas ações são controladas pelas nossas vontades. Não acho balela querer coisas opostas, mas sempre escolhemos o que somos moldados a escolher, e isso não diminui necessariamente a vontade de ter o que deixamos de escolher.
    Não gosto também de pensar em uma negociação interna, vários “eu” interiores e nem de truques da mente para explicar comportamento humano. Acredito que história de vida, práticas culturais e fatores genéticos são suficientes para explicar qualquer coisa, e não uma força interior.
    Abraços! =)

    • Frederico Mattos

      As tais forças interiores tem bases biológicas e outras influencias culturais o interno e externo são uma coisa só e paradoxalmente distintas. É uma metáfora claro e uma maneira didática de entender a mente. Também não acho balela querer coisas opostas, no entanto, em certos momentos não conseguimos tirar dois coelhos da cartola.

      • https://twitter.com/#!/Gabrielbarros42 Gabriel Barros

        Concordo com você! =)
        Obrigado!

    • Sidney Sinésio

      “Sempre escolhemos o que somos moldados a escolher”. Esta afirmativa vem ao encontro do que eu penso a respeito do tema tratado no texto. Nem sempre nossas escolhas são fruto de nossa vontade, estão, no mais das vezes, atreladas àquilo a que fomos expostos, às experiências que vivenciamos no decorrer da vida. Creio ser este o fator desencadeador das indecisões, das “disputas” interiores.

      • Frederico Mattos

        @sidneysinsio:disqus o ponto então é poder identificar o que é de fato nosso e o que não é e então negociar as condições internas para realizar o que é nosso.

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    Fred, costumo conseguir a maior parte das coisas que quero, mas sei bem que essa história de negociar com a galera da “pensão” é barra! Tenho encontrado dificuldades de perder uns quilinhos acumulados no prazeroiso aconchego do inverno, mas meu capitão acabou de resolver que vai depor o tirano do reino! Simples e genial!

    • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

      Pra esse negócio de exercício eu sempre fui muito preguiçoso. Uma solução que me ajudou muito foi traçar objetivo simples e ínfimo. Fazer, pelo menos, 30 minutos de caminhada diários. É simples, fácil e até um pouco “ineficiente”, a questão aqui era somente adquirir o hábito de sair para me exercitar. Uma semana depois eu já estava correndo e caminhando por mais de 1h todo dia. Agora comecei a andar de bicicleta também. Melhor são os pequenos passos realizados, do que saltos gigantes (por exemplo estipular 1h de academia todo dia) que serão de difícil concretização.

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        @facebook-1116246372:disqus , obrigada pelas dicas!

      • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

        De nada (:
        Às vezes exercício repetitivo (corrida, malhação, bicicleta) pode ser realmente insuportável pra você, talvez aula de dança seja uma melhor opção, além do que aprende uma nova habilidade para o seu arsenal da sedução.

      • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

        “Melhor são os pequenos passos realizados, do que saltos gigantes (…) que serão de difícil concretização.”

        Isso ficou na minha cabeça e é bem o que estou percebendo. Eu deixo muita coisa na pilha do “para fazer” por não ter meios de dar um passo, mas depois percebo que tou querendo sempre dar passo grandes e que se eu executasse em passos menores algo saíria.

      • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

        Exatamente, sempre que estou correndo fico contando por postes a distância que percorro, quando já estou no meu limite falo para mim mesmo “só mais este”, chego e já penso no próximo “só mais este”, “só mais este”, “só mais este” [...] Acabo correndo mais 4 ou 5 postes que antes eu acreditava não conseguir.

        O mesmo vale para minha vida profissional, que acabou de começar. Estou, aos poucos, implementando toda minha rede de marketing, começando pelo básico: aqueles que já conheço.

        Se você pensar em fazer, você cria o hábito de “pensar em fazer”. Se você faz, nem que seja o mínimo, então você cria o hábito de “fazer pelo menos o mínimo” e o mínimo sempre vai depender da sua própria visão de mundo (imagine o que é o mínimo para o Eike Batista, rs).

    • Frederico Mattos

      Coisa boa, espero que consiga o intento, o começo costuma ser mais fácil que o meio e o fim do objetivo. Boa sorte! :)

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        Obrigada!!!!! :D

  • http://www.facebook.com/people/Wallace-Souza/100000228470771 Wallace Souza

    “Quero mais não consigo”, eu achava que esse era um mantra na minha vida, mas lendo este texto e alguns comentários, eu tô percebendo que eu estou querendo querer alguma coisa.
    Ultimamente estou numa fase que fica alternando em momentos de motivação total. Vontade de abraçar o mundo!
    E momentos de desânimo total. De achar que nada vai dar certo!
    Um amigo me disse que motivação é tipo banho, tem que ser diário. Mas tem dias que acordo e não consigo renovar esta motivação. Como proceder?

    • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

      Assim como felicidade e tristeza, sonolência e atenção, fome e saciedade, também sofremos de desânimo e motivação. São duas faces da mesma moeda. A diferença está em fazer aquilo que você traçou como objetivo, APESAR do desânimo, cansaço ou tristeza. Motivado tudo é mais fácil, o verdadeiro desafio é fazer o que tem de ser feito, até naqueles dias que você preferiria ficar em casa.

    • Frederico Mattos

      @facebook-100000228470771:disqus Pare de querer salvar o mundo, comece arrumando sua cama. Grandes motivações levam ao fracasso pois são muito grandes, divida em pequenas tarefas e cumpra o básico. Quando sair da fase junior siga até a fase senior e aí então o mundo não vai parecer tão grande. Que acha?

  • Danty

    Texto muito bom e pessoalmente também passei a pouco por situação muito complicada, amando e convivendo por seis longos anos com alguém que usava sempre isso como argumento para sua falta de atitude “Eu quero, mas eu não consigo”, principalmente quando se tratava de ter que tomar decisões realmente significativas para a própria vida e não apenas como parte do casal!
    E é duro deixar toda uma história de planos e sonhos para trás, justamente porque o outro está engessado por um conjunto de crenças e acomodado no conforto de uma vida medíocre, mas também sem muitos desafios ou problemas. Viver assim pra mim é um grande problema, porque estátua fica parada vendo a vida passar, só serve para enfeitar ou ser cagada por passarinho! É uma pena mas sendo um passarinho, eu quero alguém como eu pra compartilhar os voos e as quedas da vida, e não uma estátua em quem eu pouse de vez em quando, em busca de estabilidade. Tentei de várias formas ajudar, mas tem muita gente que vive ou sei lá, sobrevive nessas condições!

    • Johnny Becker

      Minha Ex detected….

    • Frederico Mattos

      Belo relato @77a59cd47c787a75757fa9922ad5c460:disqus que bom que escolheu o desafio mais ousado. Parabéns mesmo, ainda que doloroso. :)

  • mr.y

    Tenho 19 anos. Há 3 anos estou de férias na vida. Com 16, fui aprovado num instituto federal (30 por vaga), e lá era pura liberdade como numa faculdade. Pra quem vinha de uma particular (pedir ao professor para ir ao banheiro) era um paraíso. Reprovei dois semestres e tranquei o curso (por pura falta de interesse na área). Resumindo, minha vida era – e continua – dota, cs, futebol, balada, pré-vest. Não sei o que quero da vida, invejo quem tem um sonho de ser tal coisa e luta por isso. Jogo bem futebol, sempre quis ser jogador, mas parece que falta alguma motivação. Eu sou do tipo que sonha com tudo mas nada faz pra realizar. Só espero que algum dia ter forças para mudar.

    • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

      “esperar pra ter força” já começa com a atitude errada. É fazer mesmo sem a vontade, é se levantar 7h da manhã mesmo querendo dormir até o meio dia. Viver a vida que você quer viver, seja jogando futebol ou fazendo alguma faculdade, sem desculpas, sem vergonha.

    • Juan Carlos

      Leite com pêra detected

      • mr.y

        algum momento eu me achei o foda por estar nessa situação, senhor pedreiro?

    • Frederico Mattos

      Talvez @ff54c6b2e2fd0bdbc2b68ea2ff8f1c0c:disqus @disqus_emoQzWtRIx:disqus O que falte é a superação do medo de não ser um jogador bem sucedido. Isso é bem comum, afinal é sempre melhor alimentar uma possibilidade nunca cumprida do que um fracasso atestado pela realidade difícil. Posso ser honesto? Do fracasso nos recuperamos, mas do sonho paralisante dificilmente…

  • mr.y

    Tenho 19 anos. Há 3 anos estou de férias na vida. Com 16, fui aprovado num instituto federal (30 por vaga), e lá era pura liberdade como numa faculdade. Pra quem vinha de uma particular (pedir ao professor para ir ao banheiro) era um paraíso. Reprovei dois semestres e tranquei o curso (por pura falta de interesse na área). Resumindo, minha vida era – e continua – dota, cs, futebol, balada, pré-vest. Não sei o que quero da vida, invejo quem tem um sonho de ser tal coisa e luta por isso. Jogo bem futebol, sempre quis ser jogador, mas parece que falta alguma motivação. Eu sou do tipo que sonha com tudo mas nada faz pra realizar. Só espero que algum dia ter forças para mudar.

  • http://twitter.com/cinthia_zem Cinthia Zem

    vc me fez chorar :P

    • Frederico Mattos

      Que bom, choros são libertadores (não aqueles escandalosos que incitam mal-estar nos outros). :)

  • Matheus

    Comigo o caso é parecido, me apeguei demais com uma menina. Conhecia tanto o passado e sua personalidade que achava que poderia prever seus comportamentos pro resto da vida. Acabou que quando ela terminou fiquei perdido, como se algo faltasse à logica.

    Realmente são muitos feixes de personalidade que existem dentro de nós e , totalmente desiludido,foi foda para mim aceitar que eu que conseguiria um dia esquecer ela

    • Frederico Mattos

      Esquecer é mais difícil a não ser nos casos de perda de memória e Mal de Alzheimer, de resto é ressignificação da importância de alguém em nossas vidas.
      Já superou?

  • Flávia

    Gostei bastante do texto e sinto que tô passando pelo mesmo problema, mas por um motivo diferente. Em 20 anos, acho que posso dizer que nunca passei mais de um ano com estabilidade financeira: assim que meu pai ou minha mãe entravam em um emprego bom, logo a situação ficava complicada e, ou eles eram demitidos ou se demitiam. Sempre fui bem esforçada, participei de um programa que dava bolsas de estudos e cursos para bons alunos de escolas públicas, e realmente sempre quis ter algo que os meus pais não puderam me dar e dar a eles tudo o que eles não puderam ter. Mas, desde janeiro, voltamos a passar pela mesma situação de sempre, e eu sinto que não tenho mais forças pra tentar sair disso, por mais dramático que isso possa parecer. Tenho 20 anos, uma vida pela frente, mas tudo o que eu quero é ficar dormindo, e eu nunca fui assim. Estou no final da faculdade e sinto que o curso não é pra mim, tenho várias tarefas pendentes, que eu tinha que ter terminado há tempos, mas nada vai pra frente. Tento falar pra mim mesma que isso é horrível, que eu não posso desistir, mas como é complicado fazer com que haja um consenso entre essas vozes. hehehe

    • Flávia

      Nossa, que enorme que ficou esse texto. Esqueçam o drama e considerem só o “eu não consigo”. hahaha

      • Frederico Mattos

        Acho que você está carregando pesos que não são seus, por isso a vontade de dormir. Será que estamos dispostos para enfrentar a guerra gigantesca do vizinho? São seus pais, você é a filha, só a filha, nada mais. A vida deles teve o curso que eles deram, a sua terá a que você der. Assuma com maestria as suas finanças, a deles deixe com eles. Que tal assim?

  • http://twitter.com/JackCostaD Jack Costa

    Fred,
    eu encaro essas travas e bloqueios como um peso natural das nossas memórias e limitações que são impostas por crenças de uma vida inteira: medos, dúvidas, pecados, desilusões, traumas. É como se a cada dia aumentássemos essas limitações, acrescentando mais dificuldade ao que já parece tão difícil.
    E isso tudo sabendo que a liberdade existe, que ela é possível!!
    É como se quando desejássemos “um trabalho que seja prazeroso, que dê alegrias, segurança” as crenças viesses no pacote sussurrando: “não mereço…” “vou perder minha liberdade” … “medo de não dar conta”…

    • Frederico Mattos

      Exatamente @twitter-123133102:disqus e nessa hora nós paramos por acreditar que essas vozes nos definem completamente quando são apenas fragmentos de quem já não somos. Para garantir que tudo continue funcionando como sempre funcionou (mesmo que mal) sustentamos o sistema do mesmo jeito.

  • Santiago Queiroz

    Ultimamente, também fiz essa comparação.
    Sendo o meu corpo meu navio, a personalidade justamente a tripulação e eu, sem saber muito por onde ir, capitão deste barco, levando o timão de um lado para o outro…
    O que também acaba nos segurando é o medo do fracasso. Só quando entendermos que o fracasso não é essa coisa terrível, conseguimos agir melhor.
    Acho pertinente trazer esse poema, Invictus:

    “Fora da noite que me encobre,
    Negro como o poço de polo a polo,
    Agradeço ao que os deuses possam ser.
    Pela minha alma inconquistável.

    Nas garras das circunstâncias.
    Eu não recuei e nem gritei.
    Sob os golpes do acaso.
    Minha cabeça está sangrando, mas não abaixada.

    Além deste lugar de ira e lágrimas.
    Só surge o horror da sombra,
    E ainda a ameaça dos anos
    Encontra e me encontrará sem medo.

    Não importa o quão estreito seja o portão,
    quão repleta de castigos seja a sentença,
    eu sou o dono do meu destino,
    eu sou o capitão da minha alma”

    William Ernst Henley (1849-1903)

    • Frederico Mattos

      Belo texto @0963f2c5028fa1b201cc43d7d6463246:disqus , obrigado por compartilhar. :)

  • Marcelo

    Muito bom!

  • Rodolfo Goud

    Consequências da sociedade hedonista, cada vez mais controladora e em realtime!!!Parabéns pelo texto!!!

    • Frederico Mattos

      @f399c277abf01a47f9f57b4813dc71b9:disqus Não conheço alguma fase da humanidade em que ela foi menos hedonista que é hoje, a diferença que tudo é mais rápido e explícito. :)

  • Beka

    Amo esses textos que no faz pensar sobre como viver…
    Muito bom.

  • Karina Bessa

    O Lobo da estepe. Hermann Hesse.
    As várias personalidades de um homem…
    Adorei o questionamento da personalidade “pequeo príncipe” kkk
    muito bom texto, quero seguir a série…

  • http://www.facebook.com/1brunorodrigues Bruno Rodrigues

    Ótimas reflexões!
    Pensando ainda no “não consigo” é interessante como as vezes o não consigo deixa de existir diante de uma necessidade muito grande (tomada de consciência) como no caso de doença, ameaça de abandono, ou quando algo muito importante está em risco. A pessoa não tem tempo para fazer caminhada, mas após um enfarto a pessoa arruma tempo, motivação, força. Ou a pessoa que estava morna no relacionamento e ao perceber que a pessoa abandonada vai “cair fora” começa a se movimentar, tentar sair da rotina. Quantas pessoas que tentaram a vida toda parar de fumar e diante de um problema pulmonar “arrumam forças” e param.
    O ideal seria não precisar chegar a esses limites, e fazer o trabalho constante como recomendado no texto, o trabalho duro do resultado a longo prazo, saindo da preguiça atual. Porque as vezes pode ser tarde demais…

  • Acauã Kindlein

    E quando não se quer nada?

    Quando digo que não quero nada é porque não tenho nenhum objetivo de vida, nenhum plano traçado. Não faço questão ter família ( mulher ou filhos), também não existe um determinado tipo de carreira que almeje, não desejo deixar minha marca no mundo ( ou qualquer tipo de legado), nem ter uma aposentadoria confortável ( por mim viver até os 55 ta bom), não tenho nenhuma paixão… Gosto de muitas coisas sim, mas eu diria que são como bens substitutos e há o agravante de eu me entediar facilmente, logo mudo constantemente de mulheres, opções lazer e trabalho( já troquei de faculdade 3 vezes, inclusive pelo mesmo curso, mudando apenas de cidade).
    Fazendo a analogia aos eus, é como se eu não tivesse um capitão, ou ele ta dormindo com ressaca no convés, assim se um fala “olha a loira” e o outro “nossa que ruiva” a sorte é acaba decidindo, como a que passar pela frente antes. Isso acarreta em eu sempre optar pelo mais fácil, não pela mas por não fazer grande diferença entre uma coisa e outra ( pelo menos é o que eu digo pra mim mesmo), nas poucas vezes que acontece de eu realmente querer algo, eu me esforço, mas da 2 horas ou 2 dias o tesão passa e a coisa fica normalmente inacabada.

    Alguém pode dizer: escolha algo e mantenha-se nisso até o fim. Bom é o que eu to tentando, mas não duvido que me forme trabalhe dois anos e pense po virar hippe deve ser melhor.

    Alguém numa situação similar?
    Ps: Quem sabe eu seja uma das crianças mal acostumadas, mas já escrevi mesmo fica ai pra vergonha futura talvez. E outra é extremamente difícil ter anos de prática e fazer planejamento a longo prazo para uma pessoa hedonista, ateia, que não vê sentido na vida e que não tem nenhuma responsabilidade real.
    Ps2: Espero não ter divagado muito.

    • Walter Kovacs

      Depois de ler a matéria, a pergunta que me veio a mente foi exatamente essa: “E quando não se quer nada?”

      Os colegas da medicina sempre me disseram que isso é indício e sintoma de depressão, mas eu tenho lá minhas dúvidas. A ideia é que ainda temos uma profunda crença que a felicidade provem do desejo, e bem todo o texto se baseou nisso. Não é realizar seus desejos que o torna feliz, ou seja tomar a liderança do seu navio, como o autor colocou. Quando você chega à praia tão esperada, a tripulação começa a perceber que ela não é tão ensolarada quanto toda a expectativa criada sobre ela, a realidade substitui o sonho e rapidamente achamos que a solução é navegar para outra praia. O que ocorre é que vivemos um grande ciclo de frustração por não termos o que desejamos, e decepção por atingir o que almejamos. Parece um beco sem saída, a tarefa é realmente desafiadora, mas há meios de se lidar com isso. Para melhor esclarecer esse assunto, recomendo um livro do Comte-Sponville “A Felicidade Desesperadamente”. Embora o nome não seja agradável, fica mais fácil entender de onde vêm nossa concepção de felicidade e ele chega a se propositivo em alguns momentos.

      PS.: Divague muito.

    • ;;;

      TDAH

    • Frederico Mattos

      @acaukindlein:disqus Belo e sincero relato.

      “o agravante de eu me entediar facilmente”
      Isso me chamou a atenção. O tédio e a dificuldade de chegar até o fim costuma ser próprio de pessoas mai narcísicas. Não posso afirmar que esse seja o seu caso, afinal não te conheço.

      Mas é muito comum os narcisistas terem objetivos frouxos na vida e trocar de interesse como mosquito muda de montinho de lixo.

      Hedonismo, colocou bem, criança mal acostumada, é por aí.

      A vontade de não passar dos 55 costuma ser para não encarar a decrepitude natural da vitalidade. Não ter responsabilidades é uma forma de não se frustrar por nada… Para o narcisista é tão difícil ser ferido que ele prefere nem se mover, qualquer ação afronta seu ego frágil e despreparado.

      Faz algum sentido isso?

      • Guest

        Faz total sentido Fred, concordo com tudo que você disse. Deu até vontade de ir num psicologo ver como é que é.

        Não vou tentar justificar ou racionalizar essas características, agora o meu nível de narcisismo é uma coisa que fiquei curioso. Apenas gostaria de conseguir conciliar elas com uma saudável saúde financeira, logo um bom trabalho, isso é a unica coisa que realmente me preocupa ( imagino que a todos) atualmente, de resto não tenho nada a reclamar da vida. Ah e eu faço administração, super sensato da minha parte escolher uma profissão que planejamento a longo prazo é essencial HUAHUAHUAHUAUH.

        Sobre o que o Walter falou, tive uma faze a uns 5 anos atras que achava q tinha depressão, provavelmente era só frescurite aguda. Atualmente não me sinto nem um pouco deprimido, mas acho que o texto dar a entender isso.

        E em relação ao TDAH, impulsivo eu definitivamente sou, mas é complicado fazer auto analise pelo google no final se acaba gravida e com câncer.

        De resto se alguém tiver alguma dica de como se dedicar a alguma coisa por DEVER e não por querer, to aceitando.

      • Acauã Kindlein

        Faz total sentido Fred, concordo com tudo que você disse. Deu até vontade de ir num psicologo ver como é que é.
        Não vou tentar justificar ou racionalizar essas características, agora o meu nível de narcisismo é uma coisa que fiquei curioso. Apenas gostaria de conseguir conciliar elas com uma saudável saúde financeira, logo um bom trabalho, isso é a unica coisa que realmente me preocupa atualmente ( imagino que a todos), de resto não tenho nada a reclamar da vida. Ah e eu faço administração, super sensato da minha parte escolher uma profissão que planejamento a longo prazo é essencial HUAHUAHUAHUAUH.
        Sobre o que o Walter falou, tive uma fase a uns 5 anos atrás que achava que tinha depressão, provavelmente era só frescurite aguda. Atualmente não me sinto nem um pouco deprimido, mas acho que o texto dar a entender isso.
        E em relação ao TDAH, impulsivo eu definitivamente sou, mas é complicado fazer auto analise pelo google no final se acaba gravida e com câncer.
        De resto se alguém tiver alguma dica de como se dedicar a alguma coisa por DEVER e não por querer, to aceitando.

      • Fabiana Martins

        Cara você é um Einstein da psicologia, é muito bom… quando custa uma consulta einh? Frederico Mattos. Algum grau de parentesco com Freud? kkkk responde por favor.

    • Daniel Monteiro

      Com certeza, concordo plenamente e sim, eu passo por uma situação similar. e é horrível, as vezes fico doido em busca do autoconhecimento, as vezes fico em busca do que realmente fui trazido à Terra para fazer! Mudei de curso na Faculdade e mesmo assim as vezes penso será que é o certo?
      É Desesperador!!

    • http://www.facebook.com/junia.malzkisviskc Junia Malzkisviskc

      Faça uma análise,kkkkkkkkkkk

    • Marilza Freitas

      Meus Parabéns !!!!

    • Gutierrez Rodrigues Reis

      Eu não entendo muito, mas acho que é relacionado com não achar algo que realmente te interesse.. Sei lá, nunca deve desistir de encontrar algo que te prenda e te faça querer ser bom naquilo..

      Com esse comportamento vc provavelmente já deve ter escutado algo ruim de alguma pessoa e se sentiu mal.. Ou vc mesmo por estar pedindo uma análise se sente mal sem que precisem te dizer..

      Então, não é questão de querer ser grande e marcante na vida e sim de encontrar algo que te faça querer continuar..

      Fazer uma listinha bem CRIATIVA sobre o que vc é bom e do que vc gosta ajuda bastante.. hehe

  • José

    @5c0ac5074282df3ff73694c6044fd369:disqus
    Eu já me senti assim, e sinto cada vez menos. Na verdade, sempre busquei ser feliz, apenas viver bem comigo mesmo sabe… me aceitar como sou, e ser como sou.
    Vivi anos de intensa depressão, não foi nada fácil, não via sentido na vida, tanto fazia dormir ou fazer qualquer outra coisa. Só fazia jogar vídeo game como um modo de escapar das próprias tristezas.
    Isso se arrastou dos meus 14 anos até meus 21 anos. Não foi fácil ver a vida passar, não ter vontade de fazer nada, muito menos para namorar pq me achava um grande lixo.
    Não sei a sua idade… mas Isso tbm passa. Pq ao invéz de vc gastar dinheiro na facul, não investe em vc? viaja, vai se auto conhecer… eu fiz uma terapia chamada Shiatsu, atravéz dela, eu ganhei um pequeno impurrãozinho e pela primeira vez na minha vida, eu olhei para mim com respeito e algum sentido.
    Sei como é angustiante acordar todos os dias e ser como um zumbi. Morto, sem vida, sem perspectiva, pq nem eu mesmo me suportava, cá com meus botões…
    Tbm era um descrente, mas depois vi que era muito importante parar de ser tão preconceituoso com religião e ver o pq que eu era assim, vi o porquê, não suportava a idéia de ir à igreja católica (meu pai foi padre antes de conhecer minha mãe e eu era obrigado a ir à igreja qdo pequeno) e isso se estendeu à uma parte importante da minha vida, que talvez seja a base de um homem ou qualquer pessoa. Foi justamente uma Religião/ Doutrina / Filosofia (prefiro não dizer qual, pq sou contra apologia e esse não é um comentário incentivador de crenças) que eu aderi, e me deu várias respostas às quais eu procurava incessantemente. Se for possível, ache a sua.
    Eu realmente, não quero nada. Só quero ser feliz com quem sou, descobri que quanto mais servimos ao próximo mais preenchemos esse vazio existencial. Isso demanda muita auto-reflexão e paciência. Não é fácil, pq o mundo não é para amadores, ou vc aprende a viver sem medo, aprendendo todos os dias seja na dor, seja no amor ou vai sentir um vazio enorme por não fazer nada.

    Boa sorte amigo!. Todos temos um caminho. Vc achará o seu mais cedo ou mais tarde. Apenas ocupe-se com vc mesmo, e qdo estiver seguro de si, procure estender boas ações, pois o mundo precisa disso.

    Motive-se:
    http://www.youtube.com/watch?v=gRE5A6TNqw0

    http://www.youtube.com/watch?v=IAnzAWt5tCI&feature=related

  • Knox

    Piores são os que se odeiam e vivem se auto punindo com fracasso.

    • Frederico Mattos

      Outro ponto importante levantado, @275ec618c8ed6ac7b455cb3731874147:disqus !

  • Jefferson

    Muito bom seu texto. Aliás, acho que estou precisando me consultar com você. Tenho a sensação de que vc poderia me ajudar muito no problema que venho vivendo. Tem algum contato por e-mail que poderia me passar? Não quero falar disso aqui nos comentários.

  • Dennis Braga

    Poucas vezes li um tetxto tão foda… tenho nem nada pra acrescentar!

    • Frederico Mattos

      Valeu!

  • http://www.facebook.com/nicolle.zanon Nicolle Nogari Zanon

    Revelador! Very good

  • jow

    esse texto foi um tapa na minha cara, mas nao que eu queira ficar desse jeito mas por estar acomodado com essa situação… minha familia me banca com tudo, faculdade, saidas, carro , tudo.. meu conciente briga comigo mesmo.. “porque arrumar um emprego sendo que nao vou ganhar nen o que ganho com meus pais” “porque sair dessa vida de acordar quando quer, comer o que quer..” , nao sei se é medo de encarar a realidade da vida ou comodismo mesmo… mais que eu quero estar aqui , isto esta errado!

    • pedro arruda

      to no mesmo navio que você brt.

  • Mauro

    “Ou seja, não quer fazer o trabalho duro, silencioso, que dá resultados a longo prazo, sem alardes, sem recompensas imediatas, sem prazer sem fim e sem aplausos constantes. Em essência, não quer sair da infância emocional.”
    Um verdadeiro tapa na cara. A realidade . Eu , nos ultimos tempos “quero” recomeçar. Faço uma faculdade mas nao sou feliz com o que estudo.Desejo mudar de curso, mas não é algo tão simples. Quero estudar medicina, o que demanda dedicação, empenho, paciencia, disciplina e persistencia. E eu sempre adotei essa postura de “me auto-mimar” , alimentando pensamentos de autopiedade, ou algo como “Oh, pobre rapaz, situação tao dificil, blablabla!
    Nos ultimos tempos tenho mudado minha atitude mental. Tomei nojo dessa minha situação atual, de esperar as coisas acontecerem num passe de magica.
    Acho que a melhor forma de mudar um comportamento é reconhecer que está sendo um mimado, um fraco, indolente, em suma,tentar ser aquela pessoa que te daria um tapa na cara e te chamaria de mimado, ao inves de alimentar pensamentos como “força, coragem, quem acredita sempre alcança”, sempre estereis

    • Frederico Mattos

      “quem espera sempre alcança” é o hino dos mimados. Bem lembrado

  • Felipe Renan

    nossa, isso foi “tão eu”, depois dessa vou pegar meus fones de ouvido, me trancar no quarto e fantasiar ser uma pessoa melhor. Quem sabe isso acontece um dia, pelo menos fico mais tranquilo sabendo q não sou o único.

  • João

    A propósito, excelente texto. Me identifiquei em partes com o que foi dito. Atualmente estou interessado em uma colega minha de universidade e simplesmente não acho uma forma de manifestar isso, ainda que a gente tenha o mesmo círculo de amigos e se conheça a algum tempo. Aí entro na expressão “quero, mas não consigo” e, a partir daí, é exatamente como se houvesse uma embarcação em que várias vontades desejam tomar o leme. A partir daí acho que consigo distinguir essas vontades da seguinte forma: quando não estou próximo dela penso:”ah, vc tem que falar”, “não vai perder nada”. Já quando estou com ela é como se houvesse uma revolução no navio e ele mudasse de comando, mandando dizer “fala semana que vem”, “numa outra oportunidade”, “hj não tem como”. Sei lá, e aí é como vc falou, é mais fácil achar milhões de razões para não se falar aquilo que quer do que encarar a situação de frente, deixar o orgulho de lado. Enfim, a passividade acaba sempre prevalecendo.

  • http://www.facebook.com/pedrodkp Pedro Dos Santos Pereira

    To curtindo a série ‘Autópsia filosófica’, as vezes os raciocínios batem e as vezes levo um tapa na cara das minhas idéias más isso também é legal.

  • Gustavo

    @google-4fc4f90f8f322de47fdb93854fee76a5:disqus http://www.youtube.com/watch?v=NLsIduszWx0

  • Lucia Ramos

    Lucia Ramos – Quero entrar nesta discussão, que me parece só de macho…gostei deste papo. Veja eu que sempre vivi no precipício e nunca me permiti a frase “não consigo “, agora estou no reverso: quero ano sábatico, repensar posturas e experimentar, mas não posso. A querra agora é exatamente este não poder. Quero férias do frenesi de ir e fazer acontecer. Então pergunto e o contrário deste papo como resolvemos? Sempre vivi o impossivel e agora quero férias destes esforços enormes e que consome energia e muita tenacidade. O que preciso é encontrar equilibrio e sair para refrescar e encontrar outro interesse que não seja desbravar…estou na fase de aprender o que o tempo de luta paralisou esta inquietação…o que você acha???

  • Rodka

    Texto provocativo, rude, revoltante e… Perfeito… Agora há pouco, depois de ler esse aqui, li um outro que falava sobre morar com os pais… Bom… Aí, sim, não faltou mais nada… Tenho 26 anos, moro com meus pais, quero fazer muitas coisas, mas não consigo… Quero sair de casa, quero arranjar um outro emprego, quero cursar uma faculdade, quero uma vida nova, mas não consigo… A sensação que tenho é a de que, em algum momento, lá atrás, eu me perdi, deixei de ser quem e como eu sempre fui… Eu já nem sei mais se meus motivos são motivos, mesmo, ou desculpas para acobertar minha apatia… Sinto-me cansado da vida (literalmente), e não me importaria em sumir, desaparecer, morrer agora, mesmo… Sinto-me frustrado por ter esperado tanto de mim e perceber que não sou, sequer, 10% daquilo que imaginei que seria… Minhas vontades vão e voltam, aparecem e somem… Tenho uma sede gigantesca por conhecimento, mas uma preguiça igualmente grandiosa para obtê-lo… Não me considero “mimado”. Já passei por poucas e boas, tanto no aspecto emocional como no físico. Tudo bem que minha própria opinião sobre mim é, com certeza, a mais imparcial de todas, mas eu sei que não é isso… Sei que não sou um “boa vida”, como dizem. Longe disso… Ralei pra conseguir o que tenho, mas esse sentimento de vazio é algo incompreensível… Eu quero, eu preciso ser, ter e fazer mais, embora eu nem mesmo saiba o que ser, ter ou fazer… Loucura, eu sei, mas sinto falta daquela “mão” que te aponta a direção, que te aconselha… Eu não sou mais criança… Pôxa, eu tenho 26 anos! Eu quero ser “jogado ao mundo”, mas não sei por onde começar… Parece brincadeira, mas é muito, muito sério… Eu quero tanta coisa, que acabo não sabendo o que querer… E acabo não querendo nada… Agora estou melhor, mas foram dias, meses e anos atirado na cama, dormindo o máximo que eu conseguia, apenas para que o tempo passasse logo e eu desaparecesse de vez… É, acho que estou melhor agora… Estou trabalhando, e as vozes na minha cabeça já não gritam tanto… Na verdade, agora, o que incomoda é o silêncio… Enfim… No fundo, acho que isso não passou de um desabafo… De qualquer maneira, foi bom saber que há mais gente como eu, passando pelas mesmas situações, sentindo as mesmas sensações… Vou ler e reler esse texto, na esperança de “acordar” desse marasmo. Parabéns pela postagem, Frederico.

  • Iana

    Chega a ser estranho como uma nova visão/opinião surge na nossa mente dentro de tão pouco tempo. Agora há pouco, li e me identifiquei com o texto… Disse, inclusive, que o releria para tentar extrair algo mais… Mas vejam só… Após reler o texto e ler algumas respostas do autor, minha visão se alterou… O texto aborda a questão de maneira generalizada e simplória, ignorando particularidades e peculiaridades dos mais diversos casos… Basicamente, a ideia passada é a de que todo e qualquer sentimento de impotência é “frescura” quando, na verdade, não é… Se o simples ato de querer pudesse ser facilmente transformado em fazer, não haveria um número tão grande de pessoas com problemas desse tipo… Parece que o autor esquece-se de que existem, sim, traumas, bloqueios, motivos reais para que as pessoas sofram dessa “incapacidade” de agir. Não o conheço, tampouco sei algo sobre a vida do autor, mas a impressão que tenho é a de que se trata de alguém com pouca ou nenhuma experiência de vida, ou, então, alguém que tenta ignorar as próprias experiências, tentando mostrar que há uma explicação simples e rápida para tudo. Não considerem isso como uma ofensa pessoal, por favor. É apenas a “análise” de uma pessoa comum.

  • Augusto

    E quando é o contrário? Quando criamos, planejamos, sonhamos, e o principal, ACREDITAMOS que podemos chegar lá, que merecemos, que temos uma carta na manga que é só colocar no jogo pra vencer, e mesmo assim, não conseguimos continuar o “jogo”? Minha mente é um turbilhão de projetos, ideias, histórias, porém não consigo colocar nada em prática. Tudo necessita de tempo de dedicação, ou aprendizado extra, ou dinheiro ( muito), enfim. Acredito que tenho um papel nessa vida, tenho meu lugar nesse mundo, porém qualquer tentativa minha não passa de um passo dado, um centímetro percorrido. Paro, distraio, mudo o foco, sem perceber, ou, sem explicação, fico diante o pc tentanto passar tudo pra ele e não sai nada. Eu acredito em mim, porém existe não uma voz, e sim uma força que me coloca pra baixo. Não sei o que seria isso. =/
    OBS: Adorei o texto. Obrigado. :)

  • W. santos

    O que me chamou a atenção no primeiro momento foi a imagem do filme clube da luta, o mais engraçado é que eu me sinto assim, nada na minha vida que eu desejo eu consigo porque eu não dou conta, por que só uma péssima tripulante desse navio chamado vida, cara é muito torturante você olhar pra fora da janela e se sentir um verme (como cornellius) mas é extremamente incontrolável, não consigo focar me dedicar ou me esfoçar.. Felicidade na minha concepção é o “deixar rolar” felicidade, momentos felizes são sempre momentos inesperados, assim como cornellius apanhou muito pra descobrir que ele e tyler eram a mesma pessoa, preciso apanhar muito pra perceber que existe um lado bom em olhar pra fora da janela e não me sentir um verme.

  • http://www.facebook.com/fetosoni Fernanda Tosoni

    Considero um dos melhores textos do PDH.
    Que venham mais autópsias filosóficas!

  • HIMA

    Melhor texto que já li aqui, excelente!

  • Arthur Vinícius

    Lindo texto, é através de muito trabalho que se conquista (e se mantém) uma vida feliz. Ode aos remadores esforçados, compaixão para com os preguiçosos.

  • DiegoSouza

    Não é bem assim, existem situações e situações. As vezes vc simplesmente n consegue achar formas de conseguir o que vc quer, esse texto parte da premissa que vc sempre pode conseguir oq vc quer, não é verdade, simplesmente não é.

  • Dan

    Putz, tive uma epifania. Percebi que meu grupo de ‘eu’s é um bando de nobres sem reino, mal acostumados com a vida.

    Descobri também finalmente por que me identifico tanto com filmes onde mostra grupos de jovens rebeldes sendo treinados por alguém e evoluindo como um grupo. Nunca entendi porque, já que eu não gosto muito de ter minha identidade definida por um grupo. Mas a identificação é interna, o grupo que precisa de treinamento é o EU (ou seria o NÓS?).

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  • Thalita Trindade

    Eu digo essa mesma frase para mim mesma quase todos os dias.
    “Eu quero estudar, mas não consigo estudar”. E não é questão de não ter vontade porque não gosto, muito ao contrário, eu gosto muito de estudar. Adoro escrever, mas quando eu me levanto para fazer qualquer coisa que eu goste, até mesmo comer, eu fico com “preguiça”. (Essa é a palavra que mais se encaixa no que eu quero dizer, entretanto não é exatamente assim que eu me sinto).
    Já li em sites disso e daquilo que isso pode ser um sintoma de depressão, e, normalmente, nesses meus momentos de “preguiça”, uma frase que sempre volta a me assombrar é: “Seria mais fácil se eu simplesmente me matasse”.
    Eu estou tentando procurar ajuda para acabar com essa minha falta de vontade de fazer tudo, mas a única consulta que eu tive com uma quase-psicóloga, ela se concentrou na minha falta de habilidade de conversar com outros que está afetando muito minha vida particular e deixou essa questão da possível depressão de lado.
    Vou colocar num exemplo que eu estou me vendo muito frequentemente:
    Quero estudar, mas não tenho vontade, por diversos motivos. Se eu estudar e passar, eu vou entrar na faculdade e isso me assusta, porque posso não me sair bem como eu já fiz anteriormente. Posso perder a vontade de ir para a faculdade e não conseguir terminá-la como eu já fiz anteriormente. Tenho medo só de pensar em ir para a universidade, pois lá estão muitos dos meus ex-colegas com quem eu uma vez conheci e que me consideraram como amigos, eles irão me perguntar porque eu decidi sair da faculdade.
    Eu sei que esse é um comentário longo e comprido, mas só estou contando isso porque tenho 18 anos, passei na faculdade de primeira, logo no começo do ano, e depois de dois meses desisti porque não tinha vontade de estudar e me via super nervosa só de pensar em ir para a faculdade cheia de pessoas que podem me ver dar um passo em falso. Eu também não gosto de falar sobre isso porque sou reprimida diariamente pela minha mãe em relação à minha falta de vontade. Quando ela fala que eu não estudo, eu penso “é porque eu não quero, não tenho vontade, não quero voltar para aquele lugar hostil cheio de pessoas” e então começo a chorar de nervosismo e frustração. Tenho medo até mesmo de dizer esse tipo de coisa para minha mãe.
    Tenho medo até mesmo de clicar em postar e revelar esse comentário envergonhoso.

  • Romulo Dias

    cara, eu sofro de infancia emocional, e tenho magoado muitas pessoas…. em especial a pessoa que mais amo nesse mundo. minha mulher, tenho magoado a Deus…. por não se libertar desta infancia emocional…. preciso muito me livrar disto, parar de MENTIR, parar de fazer o que é errado…. é problema pessoal meu que eu preciso dar um fim nisso. ME AJUDA

  • rodrigo cruvinel

    No meu caso to querendo dizer o que sinto para uma pessoa mas pelo outro lado também não quero, porque tenho medo de descobrir a verdade e na situação em que me encontro e como no texto citado e preferível ficar no conforto na ilusão do que encarar a realidade. “Tenho que falar mas não consigo”. Obrigado pelo texto agora consegui compreender o que estou sentindo e o porque de não conseguir ir em frente e resolver tudo de uma vez.

  • Marcelo

    Quanto mais eu leio este site, mais fica claro que é uma mídia feita por e para filhos de famílias estáveis de classe média-alta criados a leite com pêra. Nada do que o Dr. disse nesse artigo se aplica a quem “quer fazer mas não consegue” por simplesmente lhe faltar energia vital, roubada dele por algum tipo de abuso sofrido nas mãos dos pais.

    Quando você passa por certas experiências, percebe que a realidade só não barganha com pequenos príncipes FALSOS. Os verdadeiros, que têm poder real e condizente com o título, podem fazer o que quiserem, e a realidade não só vai aceitar como vai recompensar esses sugadores de energia alheia, não sei se por medo de contrariá-los ou por algum tipo de admiração/inveja. Mesmo o comunista mais militante rejeita a ideia de comunismo energético – de a humanidade inteira abrir mão ao mesmo tempo de querer vencer a corrida evolucionária, ou seja, de espalhar os seus genes com mais sucesso do que os demais organismos. Se um determinado competidor teve o azar de ter parte do seu estoque energético roubado logo na largada, azar o dele e sorte a nossa: um a menos que eu tenho de vencer.

    E tudo bem, se o mundo é assim, o mundo é assim. Mas é meio irritante quando os vencedores ficam tentando esconder a verdadeira natureza do jogo, alegando que a vitória é uma mera questão de pensamento e ação corretas. Pode até ser, mas ninguém explicita o que a palavra “correta” significa nesse contexto.

  • Michaell Reis Gasparini

    Em grande parte concordo com o que foi dito e que os grandes sabotadores somos nós mesmos.
    Uma coisa que eu percebo pelo menos em meu comportamento é que após você sempre buscar a fazer as coisas da maneira correta, é que após um tempo que isso repete-se, você acaba cansando dos mesmos resultados.
    Eu tenho uma facilidade tremenda de me “apaixonar” e após vários resultados completamente idênticos, cheguei a um ponto onde antes de iniciar, a própria tripulação já diz que não terá futuro.
    Outra coisa é na parte profissional, onde cada vez o mundo está mais competitivo e parece que está sempre um passo atrás dos outros, isso pelo menos pra mim se torna desconfortável e mais uma vez a tripulação já não cria expectativas em cima do futuro.
    Talvez no quesito amor um dos grandes problemas seja a nossa família e a maneira que somos criados onde acreditamos que existirá a tampa da panela.Bom, estou beirando meus 23 anos e cada vez mais acredito que ficarei para tio.
    O grande problema do ser humano sempre foi e sempre será ele mesmo. Somos a única espécie capaz de ser do jeito que quiser e nem sempre essa maneira é a verdadeira…

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  • Izanami

    O texto tem sua verdade, mas também sua “inverdade”. Se de fato existem inúmeras “vozes” (desejos, idéias, sentimentos) contraditórios, quase autônomos, como se pode dizer que o “não consigo” é mera “infantilidade”? É um critério muito burguês. E se de fato não for possível conseguir determinadas coisas? A idéia é: centrar no indivíduo e responsabilizá-lo por seus feitos e não-feitos. Mas existe realmente essa “onipotência”?
    Além disso, há uma série de motivos para que uma voz X seja mais forte que uma voz Y. Há também vozes que não se originam no próprio indivíduo (advém das exigências externas como amigos, família, instituições). Como você pode simplesmente reduzir a uma questão de “escolha” uma série de contradições “reais”?
    Eu entendo que o texto dê conta de uma série de problemas reais e subjetivos. Mas as pessoas não podem ler o texto como um dogma e acreditar que todos os “não consigo” são fruto da “preguiça e leviandade”.
    Além do mais, o “não consigo” é mais um lamento do que uma sentença. Quando alguém diz “não consigo” não é apenas para mascarar a má vontade e ainda assim manter o bom senso… existe também o “não consigo” daqueles que foram privados (ou seja, não puderam nem escolher!) de uma série de processos de maturidade, de crescimento, de maioridade, de emancipação.
    O mais narcisista queria ser tão independente quanto quem de fato é, embora seja apenas em sua cabeça, afinal, está apenas especulando seu potencial, não sua efetivação…
    mas como ignorar o fato de que somos sujeitos e que estivemos destinados a viver entre outros humanos, a sermos educados, a seguirmos inúmeras obrigações?
    Não duvido de que sejamos “capazes de muito mais do que atualmente podemos”, e que esse potencial exige uma série de esforços. Mas é exatamente isso. Para alguns, a liberdade vem através da guerra bárbara consigo mesmo e com suas condições de existência… para outros, a liberdade vem “naturalmente” por ter sido um felizardo e desfrutado de condições favoráveis e necessárias no devido tempo, no devido encadeamento…
    me lembro de um filósofo, Adorno, que se preocupava muito com a questão da emancipação dos indivíduos. Em parte, concordaria contigo. Noutra parte, Ele diria, como de fato disse, “não há vida correta na falsa”.
    Em um mundo contraditório, cheio de processos estranhos ao amadurecimento e à emancipação das pessoas, é dificílimo imaginar que nós possamos realmente nos libertar…
    afinal, é possível que uma pessoa seja livre em um mundo não livre?
    é possível que amanhã possamos “requisitar” todo nosso potencial por vontade, esforço?
    É realmente verdade de que podemos tanto mesmo que a tendência do mundo seja o contrário?
    Eu não quero dizer às pessoas que o texto está errado, nem que elas não são culpadas, ou cúmplices dessa “menoridade”.
    Mas tudo isto começa afinal em quem?
    Na vozes (que são nossas) ou nas vozes que nos invadem, de fora?
    Eu não acredito que eu seja, por mais diferente que eu possa me imaginar, diferente do destino de minha “época”.
    É um conformismo? É. Mas nós somos humanos e, feliz ou infelizmente, não somos de fato seres onipotentes. Não somos.

  • Fabiana Martins

    Cara amei isso que eu acabei de ler estou muito passiva, esta tem sido minha frase “quero mas não consigo” Você é muito inteligente além de bonito, se puder me indicar alguma leitura neste rumo ficaria muito grata! Obrigada mesmo!!!

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  • Dani Bri

    Perfeito!
    Geralmente quem tem esse discurso ainda poe a culpa nos outros, na sorte, em um sem fim de coisas, para justificar o “não sair do lugar”. Ainda tem outra frase tipica:
    “O tempo ajeita as coisas” .
    - Não amigo, o tempo não ajeita nada se vc não quiser ajeitar. Nem mesmo um luto passa, se vc não quiser que passe. O tempo vai é te engolir vivo!

    A preguiça de viver (que ja citei em um outro comentário q fiz, em outro texto).
    A zona de conforto, q as vezes nem é tão confortável assim… ainda é melhor do que se mexer e se arriscar. Romper vínculos, romper paredes de pensamentos quadrados e descoloridos.

    “…mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira…”(Legião Urbana).

    Uma coleção de mentirinhas.

    Com certa convivência com essas pessoas, quem está de fora e ligado, vai percebendo esse estagio meio “esquizofrênico” que algumas pessoas escolhem para viver, ou melhor não viver. rs
    Qse que acreditando que são reais essas coleções de mentirinhas.

    Acredito que essa forma de levar a vida pode realmente ter um fundo depressivo, porem, acredito firmemente q na maior parte dos casos, é uma questão que começa la na infância, e foi se desenvolvendo e se firmando através de Pais(cuidadores) pouco incentivadores, pais(cuidadores) extremamente castradores, pais(cuidadores) negligentes, pais(cuidadores) super protetores (que facilitam demais a vida do sujeito, evitando ate que ele pense por si mesmo).

    Esse “ser” não foi pra vida. Não se descobriu. Não sabe quem é, e do que é ou não é capaz. Tudo lhe causa desconforto… lhe parece impossível… pouco atrativo…
    Deparar com essas personalidades de forma profissional já é complicado. Qto mais velhos , mais complicado.

    Na vida pessoal é frustrante demais!
    :/

  • Tiago Maleico

    bah.

  • IzaiasCF

    O melhor texto do tipo “se tocar e vai crescer, cara!” que eu já li.

    Estranhamente, o processo de conscientização do brasileiro como indivíduo político e livre do estigma de massa de manobra, também passa por esse processo.

    É uma escolha pessoal querer crescer intelectual e emocionalmente.

  • Verônica Stivanim

    Estou lendo esse texto em 2014..Eu quero,mas não consigo…Poxa, realmente, eu quero continuar querendo? Eu quero me sacrificar para conseguir? Eu sofri por 10 anos basicamente pelos mesmos motivos…Esse texto me ajudou a pensar sobre isso.Vou identificar as vozes, e elas vão negociar, pq eu não quero querer,eu quero ser.

  • Verônica Stivanim

    Sempre se quer alguma coisa, e ao não escolher nada, já fizemos uma escolha….ficar na mesma.

  • Rafaela

    Lendo os cometários me surgiu uma dúvida…Autoestima e narcisismo caminham juntos? Ou é possível ser narcisista e não ter autoestima?

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