Quando o bom senso prevalece

Já é noite e as ruas estão vazias. Um local perfeito para mais uma noite de diversão e adrenalina. Os carros se encontram no sinal “por acaso”, um gesto de ambos os motoristas já é o bastante para marcar a disputa. O sinal abre. Eles partem. E, em alta velocidade, disputam metro a metro a liderança de mais um racha.
Naquele instante nada mais interessa para eles, apenas sentir e aproveitar cada momento daquela louca aventura. O barulho do motor vira uma sinfonia, a troca de marchas é algo milimetricamente medido, nada pode dar errado.
Mas dá.
Por um descuido, por um sinal que abriu na hora errada, ou por uma furada de sinal voluntaria tudo acontece. Toda a adrenalina se transforma em tensão, medo, desespero.
E é a partir daqui que levo o meu texto adiante.
Antes, no Brasil, o motorista que praticava racha e provocava mortes era indiciado por homicídio culposo (sem a intenção de matar). Logo, não era levado à júri popular.
Porém, isso tem mudado. Já tem se tornado crescente o entendimento no meio jurídico de que, ao participar de um racha, o motorista tem consciência de todos os atos e prejuízos que pode causar. Com isso, passa-se a indiciá-lo por homicídio doloso (com intenção de matar), podendo nesses casos ser levado a júri popular.

Resultado de mais uma racha em ruas brasileiras
Foi num desses júris que saiu a primeira condenação para esse tipo de crime no Brasil. Na cidade de Colatina, interior do Espírito Santo, o comerciante Erick Zanotti Zaché foi condenado a 15 anos e 7 meses de prisão em regime fechado.
Conduzido pelo Juiz Carlos Alexandre Gutmann, o julgamento teve mais de 8 horas de duração. A defesa tentou de todas as maneiras fazer o seu cliente ser julgado de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o qual define que as mortes causadas no trânsito são crimes culposos.
Mas prevaleceu o bom senso e a alegação do Ministério Público (MP). O MP afirmou que o acusado assumiu a responsabilidade pelas mortes, atitude que caracteriza o dolo.
O ‘pega’ aconteceu em 2005. Erick Zanotti apostava corrida com Márcio Rabello (também já condenado a 15 anos de prisão) quando bateu de frente a um veículo e matou três pessoas da mesma família: Maria Rosa Mauri de Souza (44) e Meirielen de Souza (20 anos), mãe e filha, e José Marcelo Húngaro (27), primo das duas.
Resta agora que a atitude do júri de Colatina-ES se espalhe. E tantos outros criminosos que estão usando seus carros como armas possam ser condenados.
Estudante de publicidade, vive a vida da melhor forma. Quer estar ao lado de bons amigos, de uma boa mulher e sair em busca de seus sonhos e vontades loucas
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