Se você passou mais de 10 anos na escola e agora pretende ser ou já é pai/mãe, esse vídeo e esse encontro é para você →
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Quando eu quase fui para o brejo

Rafael Puzzilli

por
em às | Aventuras e celebrações, Na estrada


A Guerra dos Tronos está acontecendo!

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Lembro até hoje do Natal dos meus 10 anos, mas tudo pelo ângulo de um adulto de joelhos. O sol ficava mais longe de mim na época, mas já rachava cocos no Sítio Bem-te-vi. Acompanhado de meu pai, cabelos brancos e um chapéu, meu avô fazia papel de avô: iria mostrar o novo bezerro para a netarada.

Meu vô, eu e onde tudo aconteceu

O sorriso quase me escapava do rosto. Conheceríamos um animal que era como a gente, uma vaca criança. Ela ia brincar com a gente e ser mais alegre que uma vaca adulta. Vacas velhas parecem que sempre foram velhas – coincidências com a vida humana nunca serão coincidências.

Logo chegamos ao curral e meu avô foi separar o bezerro de sua mãe, uma vaca enorme com tetas inchadas e cara de poucos bovinos. E começa o processo bucólico: abre a porteira, passa o gado, o bezerro fica aqui, a vaca mãe vai para lá, fecha a porteira, os netos ficam para o lado do bezerro e eu para o lado da vaca.

Isso mesmo. De tão ansioso para conhecer a vaca criança, acabei sobrando para brincar com a vaca mãe. E ela não queria brincar. Não sei se por ser chifruda ou se por estar acima do peso (uns 400 quilos), mas aquela senhora tomada por um ódio profundo começou a bufar como quem tem o filho arrancado das tetas maternais.

“Olha que bezerro lindo, vamos lá trocar uma ideia com ele”

Eu não estava com o bezerro, não adianta me chifrar, dona vaca. Não importava. Antes que o menino mirrado pudesse argumentar, a correria já estava instaurada. Ela veio para cima sem piedade, com toda a inércia do seu corpanzil e chifres apontada no alvo. Virei às costas para tentar a corrida e já estava no ar: voando por cima da cerca e me perguntando por que diabos uma chifrada não dói. Mas aterrissar dói. De cara no chão do outro lado da cerca, quase entendi o que aconteceu.

Meu pai vira o fim do processo bucólico e, sem dar razão para a senhora bufando, também disparou a correr. Ultrapassou a vaca, me alcançou antes dos chifres e arremessou para a segurança do curral ao lado. Ele era o novo alvo do ódio. Um pouco maior que o anterior, um pouco mais fácil de acertar.

Até hoje ninguém sabe como, mas costumamos culpar a adrenalina pelo o que aconteceu a seguir. De costas para a cerca e de frente para 400 quilos de mugido, ele pulou 1,60 metro de madeira com uma pirueta para trás, se jogando para a mesma segurança em que havia me jogado.

Sobrou uma plateia de netos e avô impressionada, um moleque de rosto ralado mas brilho nos olhos e um homem sem acreditar no que ele próprio tinha feito. Tudo se olhou parado por um tempo. Só a vaca reclamava seus direitos contra a madeira da cerca.

Se vocês não vêem o herói sem máscara e uniforme é porque não estão vendo do ângulo que eu via

E assim como meu avô tinha feito papel de avô no começo do dia, meu pai também fez seu papel: de herói.

*   *   *

Resultado concurso cultural Dia dos Pais PdH + Nordweg

Rafael Puzilli é o vencedor do concurso cultural PapodeHomem Nordweg lançado no último dia 27 de julho. O relato dele destacou-se entre os vários artigos que chegaram ao nosso e-mail. Puzilli é o ganhador de duas mochilas da Nordweg (R$729 cada) como presente, por conta do Dia dos Pais.

Já os leitores Victor Lima e Vinícius Orsini, autores do segundo e o terceiro melhor relato, levam uma dupla de carteiras de couro exclusivas também fabricadas pela Nordweg. Cada um de vocês receberá um email nosso em breve.

E a série “Na estrada” não para por aqui – estamos ruminando a ideia de publicar quinzenalmente.

Continue mandando relatos fodas para o PdH, se inspirem aqui. Aventura não é só se meter na Europa com os brothers, contem das montanhas que enfrentaram, dos oceanos indomáveis, das matas fechadas. Buscamos relatos de expedições, malas extraviadas, braços quebrados, tempestades, animais selvagens, natureza enfurecida, locações exóticas e por aí vai.

Se você tem alguma boa pra compartilhar, o e-mail é novosautores@papodehomem.com.br. Coloque “Na estrada” no assunto do email.

Leiam as orientações para novos autores antes, ok?  Não esqueça de incluir belas fotos e, se possível, um vídeo.

Rafael Puzzilli


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  • http://www.facebook.com/polyana.galligani Polyana Galligani

    Cara, só vc não sacou…ele era o Clark Kent – com direito a óculos e a fazenda em Smallville. Boa história!

    • http://www.facebook.com/rafael.puzzilli Rafael Puzzilli

      hahaha
      Pô, tava na cara! Agora eu entendo como o super homem enganava todo mundo.

  • Anita

    Parabéns!! Lindas fotos;) também tenho avô fazendeiro, sei como é correr de bode valente e vaca parida. kkkk

    • http://www.facebook.com/rafael.puzzilli Rafael Puzzilli

      valeu, Anita! Foto assim vira raridade depois das digitais. Essas aí são quase hipsters haha

  • http://profiles.google.com/scuzziato Fabiano Scuzziato

    este é o melhor conto?? ahh, fala sério?!?! imaginem os piores!! muito ruim para ter levado as mochilas. não era para ser algo “foda”, “distinto”, que “mexesse com nossos colhões”??

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fabiano, temos outros belos relatos – que decidimos também guardar para publicação futura.

      O do Rafael nos tocou pela beleza de voltar no tempo, nos colocar nos pés do moleque de meros 10 anos. Ali, nessas lentes, foi uma aventura e tanto.

      Não foi o mais testosterona. Fizemos a escolha cientes disso. Porém, a série NA ESTRADA é para também nos arrepiar de medo e outras emoções.

      Que acha de publicarmos o segundo e o terceiro colocados já no final de semana?

      grande abraço,

      • http://profiles.google.com/scuzziato Fabiano Scuzziato

        Porém, muito longe do que vocês disseram que queriam ler. Estranho, pois vocês semeiam um pensamento e escolhem outro. Total falta de coerência com o tema proposto.

  • Marcelo

    O melhor conto é esse?? Não era pra ser um relato “Na Estrada”? Achei que esse ia ser um concurso sério já que tinha um prêmio em jogo.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fala, Marcelo.

      Respondi algo parecido logo abaixo, para o Fabiano.

      Temos outros belos relatos (muitos!) – que decidimos também guardar para publicação futura.
      O do Rafael nos tocou pela beleza de voltar no tempo, nos colocar nos pés do moleque de meros 10 anos. Ali, nessas lentes, foi uma aventura e tanto.

      Não foi o mais testosterona. Fizemos a escolha cientes disso. Porém, a série NA ESTRADA é para também nos arrepiar de medo e outras emoções.

      Que acha de publicarmos o segundo e o terceiro colocados já no final de semana?

      E se de alguma forma a coisa toda não soou séria, te afirmo ser o total contrário. Gastamos horas lendo e debatendo cada linha do que nos foi enviado.

      grande abraço,

  • Ruben C Anacleto

    Tenho muito orgulho do meu filho Rafael. Rafa, você é mesmo talentoso e principalmente um filho amoroso. Te amo muito. Você é o meu melhor presente.

  • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

    meu caro, pode falar que teve de trocar de cuecas depois. você e seu pai, certamente! ahaha

  • Jucal

    Dizem que vaca só ameaça, ela não chifra quando ta amamentando o filhote, muitos não irão acreditar, mas boa historia.

  • http://www.facebook.com/people/Fernando-Carmo/1342674538 Fernando Carmo

    Adorei a história, ainda porque passei por uma situação parecida quando eu tinha 7 anos, e foi no sitio do avô também, a vaca correndo atrás de mim mas consegui atravessar a cerca rsrsrs. Parabéns!!!

  • Rodrigo H. Ferreira

    É uma bela história, sem dúvida. Só concordo em que não bate tanto com o tema da estrada.

  • http://www.facebook.com/vinicius.orsini Vinicius Orsini

    Ducaraleooo o texto!

  • http://www.twitter.com/quelmt Raquel

    Lindo relato, Rafael! E parabéns também ao paizão!

  • gabriela

    Eu nunca corri de vaca, fui sim, litaralmente arremecada por cima de uma cerca pelo meu irmao de 10 anos (tambem me pergundo de onde saiu a forca pra isso), e de lembranca nenhuma foto apenas uma bela cicatriz na minha barriga por causa do arrame farpado da cerca. Mas foi divertido!

  • Ícaro R.

    Rafael, antes de tudo: meus parabéns.

    Comecei a ler sem nenhuma pretensão, e adorei o texto. Bastante simples mas conseguiu despertar em mim grande nostalgia. Me recordo agora de pequenas atitudes de meu pai, que me fazem ter a certeza que tenho um herói só pra mim.
    Linda história e mais uma vez, meus parabéns!

    • http://www.facebook.com/rafael.puzzilli Rafael Puzzilli

      Obrigadão, Ícaro. A intenção era bem essa, que bom que tu curtiu.

  • Thiago Gomes da Silva

    Saudações Guilherme

    Bem … por mais que esta seja uma história legal e nostálgica
    penso que, frente a expectativa levantada pelo dito ‘edital’ (‘visceralidade, fator “putaqueopariu”, riqueza de detalhes,
    boa escrita e belas fotos ou vídeos pra enriquecer’) a escolha deixou
    a desejar. Mesmo com os esclarecimentos em relação ao desígnio a comissão
    avaliadora parece ter sido um pouco incoerente. De qualquer forma continuo aqui
    acompanhando o site.

    Força e Honra a todos /|

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