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Proibir o funk nas favelas não vai melhorar a segurança do Rio de Janeiro

Jader Pires

por
em às | Cultura e arte, Debates, PdH Shots


Primeiro, a resolução. O atual Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, assinou a chamada Resolução 13, em 2007, que consiste na “atuação conjunta de órgãos de segurança pública, na realização de eventos artísticos, sociais e desportivos, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro”.


Cá está a resolução completa, em PDF. É só clicar para ver em tela cheia e, se preferir, dá pra ver aqui

Em resumo, a tal resolução dá ao poder público o poder de meter o bedelho em qualquer evento dessas características, dentro do Estado do Rio de Janeiro. A medida seria tomada, em tese, para tentar minar a atuação criminosa desses eventos, muitas vezes organizados por chefes de tráfico de drogas ou de qualquer outro tipo de crime organizado, bem como a própria venda de drogas, prostituição etc.

O outro lado

Para as pessoas que vivem em comunidades pobres do Rio, a resolução 13 afeta diretamente o cotidiano local, que se vê privado de organizar, por menor que seja, qualquer tipo de evento que trabalharia suas culturas e todo o tipo de lazer.

Há, hoje, um pedido em forma de abaixo-assinado, para que a resolução seja revogada e que o Estado não interfira mais no que seria de interesse da comunidade, seja um campeonato de futebol de várzea, um sarau dentro de um boteco qualquer, ou os grandes bailes funk que tanto sofrem preconceito por parte de grande parte da sociedade brasileira. O abaixo-assinado está no site do Movimento Meu Rio.


Link YouTube

E eu com isso?

Apesar de muitas pessoas não gostarem do funk carioca como estilo musical (eu, inclusive, nunca gostei. Não que a batida não seja interessante e que as letras não tenham lá sua relevância. Apenas não é pra mim), isso nunca impediu que o estilo se desenvolvesse, ficasse cada vez mais forte e fosse, hoje, o tipo de música mais ouvido e consumido no Rio de Janeiro.

Não posso ver as músicas como agressivas, relaxadas, que influenciam pessoas ao sexo desenfreado, ao consumo de drogas e ao crime. Isso é balela. O que leva alguém a isso tudo nada mais é do que a desinformação e a falta de estrutura básica em quase todos os sentidos – em suas casas, suas escolas (ou a falta delas), a dificuldade de encontrar um trabalho que valha, as ruas por onde andam e, claro, os eventos culturais tão raros nas partes mais pobres de qualquer estado daqui do Brasil.

E aí que, em meio a tudo isso, temos a cultura brasileira (não só de nossos políticos) de sempre encontrar medidas paliativas para qualquer problema. Nunca houve por essas terras medidas preventivas, com intuito a longo prazo, para que as coisas se desenvolvessem.

Se a criminalidade toma conta desses eventos dentro de favelas e comunidades pobres, é porque o Estado nunca lá se preocupou em desenvolver o lugar, desenvolver a cultura e a educação dessas pessoas. Sempre há de se achar uma medida paliativa para os buracos que nunca são preenchidos porque, claro, esse tipo de ação leva mais de quatro anos e assim, nenhum político vai dar crédito de algo finalizado para seu antecessor de outro partido.

O problema não é o funk. O problema não são os eventos organizados por criminosos. O problema não é a ignorância do povo. O problema é tentar fechar uma rachadura com o dedo, e não com cimento.

“Porra, Jader, o cimento tá caro pra cacete. Deixa que eu fico com o dedo aqui até o próximo eleito e, daí, ele que se vire”.

Por favor, autoridades quaisquer que sentem empatia por lenhadores e, com isso, acompanham as traquinagens desse site saco-roxo. Deixem a molecada jogar bola, deixem a meninada rebolar, larguem mão de descarregar nessa galera toda a frustração de não conseguirem dar conta da bandidagem e não receberem qualquer apoio a longo prazo dos que estão acima, mamando gostoso nas tetas.

Jader Pires

Jader Pires é editor do Papo de Homem e escritor. No Twitter, atende pela brilhante alcunha de @jaderpires.


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  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

     Não conhecia sobre a resolução 13 e sinceramente me solidarizei com a causa, concordo com quase tudo que disse Jader, pois esta claro que isso é só um remendo no rasgo, não querem de fato ir a fundo no problema.

    Só em um ponto não sou de acordo, exatamente quando diz :” Não posso ver as músicas como agressivas, relaxadas, que influenciam
    pessoas ao sexo desenfreado, ao consumo de drogas e ao crime. Isso é
    balela”

    A música como qualquer outro meio de experessão é sim formador de idéias, comportamentos e atitudes, pode sim ser tão revolucionária quanto um livro do Rousseau. Tendo isso em vista ela pode  influênciar ao uso de drogas, a promiscuidade ou mesmo a defesa de um facção criminosa e ao meu ver esse último é o mais preocupante, ja ouvi funks defendendo tais facções, conclamando jovens a guerra contra policiais e platéias de jovens influênciaveis e inflamados cantando com orgulho as babaries nas letras.

    Claro, como disse acima, a resolução 13 não é uma medida eficaz, mas tem que se encontrar um balanço nessa equação, cultura e funk podem andar de mãos dadas se subtrairmos a violência e o patrocinio do tráfico fica ainda melhor.

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    bravo, mestre jader.

  • http://www.facebook.com/people/Pedro-Brasil/100000507453002 Pedro Brasil

     Funk é cultura real do morro e de boa parte do Brasil, rapaziada. Não importa se não é bonitinho, reprimir não é a solução, gostemos ou não

  • http://www.facebook.com/people/Vicente-Lo-Duca/100000327132630 Vicente Lo Duca

    Existe essa instrução porque historicamente onde existiam bailes funk ser onde mais se vendiam drogas e quem mora no Rj sabe que o tráfico não acabou apenas não há o domínio territorial. A intenção portanto é  ter um controle sobre o eventos para evitar, que neste primeiro momento da instalação das UPP’s os bailes funks ou outras grandes festas sejam um terreno para a venda de entorpecentes.

    • jaderpires

      Engraçado quem nas festas aqui da Vila Olímpia, em SP, paga-se 300 reais pra entrar e a polícia não proíbe a festa no meio, não entra no clube pra revistar quem pagou pra entrar.

      Agora me fala. Cê acha que eles tomam o que nessas baladas? Ponche?Dois pesos, amigo. Duas medidas.

      • http://www.facebook.com/people/Vicente-Lo-Duca/100000327132630 Vicente Lo Duca

        Teoricamente num lugar privado a revista deve ser feita pela empresa que organiza o evento, o sair do evento é que a responsabilidade passa a ser da autoridade policial.

        E pra mim não são dois pesos e duas medidas, deveria enquadrar todos que infringem a lei, seja com 5 ou 100 gamas de maconha ou cocaína.

      • jaderpires

        Teoricamente.

        Encerro meu caso. Na teoria é tudo lindo, Vicente.

        Na prática, vende-se e consome-se muito mais drogas na festa da Vila olímpia que na favela do Rio.

        A polícia fecha o baile funk e faz escolta na balada de 300 mangos.Parece panfletagem, e não gosto disso. Mas é o que é.

      • Chinobi

         Agora sai dessa poker bola e va ver o mundo =)

        Aqui no rj se quiser a policia tem controle disso tudo , porem algum capitão , tenente , sargento soldado , ta levando um dinheirinho pra rolaro baile funk de sexta feira , de sabado e assim vai e ai de alguma viatura ficar rodando na hora do baile  e ficar revistando quem entra e sai da favela , vai ser bicado.

        E ai de alguma viatura querer acabar com o baile , vai ser bicado por ter tirado os 20 , 30 mil por semana de algum tenente.

        Vamos acordar pra vida.

  • http://www.facebook.com/people/Vicente-Lo-Duca/100000327132630 Vicente Lo Duca

    Outra coisa, os moradores reclamam que os policiais acabam com a festa, mas existe uma coisa chamada lei do silêncio e deve ser respeitada no asfalto ou na favela.

    • jaderpires

      Tô contigo.

      E quanto aos eventos realizados no meio da tarde?Um sambão as 16hs.

      Cara…não se atente a teoria. Vai na prática porque tem um abismo entre um e outro.

      • http://www.facebook.com/people/Vicente-Lo-Duca/100000327132630 Vicente Lo Duca

        ás 16 horas? Qual o problema? Não entendi a conexão com a lei do silêncio.

      • jaderpires

        Porque a UPP está fechando diversos eventos que ocorrem a tarde.

        Quando a eventos barulhentos a noite, vale a regra da lei. Mas estão fazendo mais que isso.

      • thyadipaula

        Na prática, a lei do silêncio também limita a emissão de decibéis às 16h.

        Na prática, dificilmente o volume regularmente praticado na quadra é aquele que utilizaram no momento da filmagem do vídeo.
        Na prática, funk, pagode, samba, apesar de passarem longe do meu gosto, são manifestações culturais, sim. O texto cita especificamente os bailes funk, então aqui eu comento e opino com base no que foi defendido: enquanto não tiverem a capacidade de promover seus eventos/reuniões/whatever sem ofensa aos direitos de quem opta por deles não participar, alguma coisa está muito errada.
        Mas nem posso ficar feliz com a resolução (bem antiga, por sinal): onde não tem UPP tanto ela quanto a lei do silêncio são letra morta.

  • Rafael Dorcel de Souza

    “atuação conjunta de órgãos de segurança pública, na realização de eventos artísticos, sociais e desportivos, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro”
    Onde esta o funk aí em cima?

    • jaderpires

      Você pode negar pro resto da tua vida, chamar de música ruim, coisa do capeta, de pobre, de gente sem vergonha, de rima pobre, oscambau.

      Mas o funk é parte integrante da cultura brasileira e nada do que você possa chamar vai fazer com que mais de 100 milhões de brasileiros ouçam o estilo e chacoalhem a bunda pra lá e pra cá.

      Se você gosta ou não, se eu gosto ou não, é um assunto pra outro post. Não pra esse.

  • Breno Tiki

    É a história do samba sendo reescrita… para mudar isso tem as três soluções:

    a) um presidente populista que obrigue os funkeiros se reunirem em agremiações (insitucionalizar o bonde heheh) e criar um pseudo feriado e exigir criações artísticas militarizadas com direito a concurso

    b) um grupo de músicos com afinidade com a música eletronica norte americana que comece a criar um estilo conhecido como funk novo

    c) Na dúvida é só colocar um branquelo de classe média bem estudado que cante um funk popular brasileiro, ou um funk rock, que seja inofensivo e bunitinho

    o último é tiro e queda!

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      O último já ocorreu. Teve um americano que mora em favelas e virou cantou de funk. Esqueci o nome dele.

      • Valeria

        MC Blanquito. Mas não adiantou nada,no caso.

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    proibir a cultura do pobre, do negro, do outro, é, por si só, uma tradição cultural brasileira. já fizemos isso com quase todas as manifestações de cultura popular. excelente o texto do jader. meus pitacos estão aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/10/a_cultura_do_outro_o_funk_como_patrimoni/

    • jaderpires

      a história do mundo é um grande espiral. Ano vai, ano vem, geração vai, geração vem, e tudo se repete.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Para cada geração, sempre tem aqueles estilos musicais que todos implicam.

  • http://www.facebook.com/people/Trevor-Belmont/100000246012414 Trevor Belmont

    Pelo que eu entendi do artigo, isso não veta a realização de bailes funk no RJ. A medida está regularizando esses eventos para que a polícia tenha ciência dos mesmos.

    Ninguém precisa se ver privado de realizar tais eventos, desde que não tenha nada contra em preencher o requerimento e enviar à Secretaria de Estado de Segurança.

    • jaderpires

      Se o mundo fosse tranquilo e respeitoso assim, Trevor, eu estaria de pleno acordo contigo.

      Veja o vídeo acima e vai ver que eles pedem, simplesmente porque querem ou não vão com cara, mais do que está no documento. Eles são arbitrários e fecham eventos no meio da tarde.
      Não, não é simples assim.E falo do funk porque esse é o alvo principal e o principal evento das comunidades.

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Texto manero, Jader

    Sabe o que é mais surreal? O funk já é protegido por lei ha uns quatro anos:

    http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1315346-5606,00-LEI+QUE+LIBERA+BAILES+FUNK+EM+COMUNIDADES+DO+RIO+E+SANCIONADA.html

    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI3992356-EI8139,00-Lei+que+eleva+funk+a+movimento+cultural+e+sancionada+no+Rio.html

    http://zequinhabarreto.org.br/blog/?p=5890

    Olha, entendo muito pouco de leis, mas acho que o estado não pode fazer isso que ele está fazendo

    Na verdade, me parece uma solução de fachada, que serve para passar a ideia de que algo está sendo feito pela segurança pública, quando na verdade não está.

  • y C

    Grande problema de se deixar a realização do baile funk a boi bambu é como experiência própria é o número de menores de idade que é franqueado a entrada(tenho um primo menor morador de area favelizada) e consequentemente o uso de drogas, o uso de drogas acontece em todo local, mas o uso por menores boa parte se concentra em torno de bailes funk. Sem falar que não tem porque revogar algo que não é posto em prática pelo governo, esta lei só funciona para as áreas de UPP, logo mais que certo ter o controle dos bailes funk devido a recente ainda convivencia da polícia com a comunidade e também o maior controle sobre o quê os marginais fazem.Nas
    áreas sem UPP todos sabem que desce o arrego e nada é feito.Pior coisa desses artigos sobre o Rio sao paulistas e etc querendo se meter na história do Rio.
    Desculpe os erros ortograficos comentários feitos de um smartphone.

  • jaderpires

    Na verdade eles podem, Rafa, porque atingem o evento não o estilo musical. Pegam o todo pela parte.

    E certamente é, sim, uma solução de fachada, paliativa. Em vez de atingirem os tais “criminosos”, atrapalham toda a comunidade. A parte pelo todo.

  • http://www.facebook.com/people/Mateus-Diniz/100001515284620 Mateus Diniz

     Me fez lembrar um filmeco chamado “Footloose”…

  • http://www.facebook.com/andreserafim André Serafim

    Discordo.
    Como evitar o consumo de doce das crianças? Fechando a doceria.

    Todos os criadores de eventos tem de cumprir algumas regras. Leis e regras visam proteger a vida dos cidadãos.

    O que realmente bloqueia a cultura é levar armas de fogo e drogas para esses eventos. E todos sabemos que isso acontece. TEM que ser vistoriado, pois algumas pessoas sãs estão lá para curtir, para ter acesso à cultura.
    Eu sei que se eu cheirar 3 pinos eu posso sair dando tiro (de arma) pro alto, logo, não posso levar minha 38. Deveria ser simples.
    Por que o Chico Buarque faria um show na minha casa, quando ele sabe que alguém sempre sai daqui com um buraco de bala no corpo? Estou bloqueando a cultura na minha casa? Acho que sim. Quem virá fazer um show na minha casa? Adivinhem.

    • http://www.facebook.com/andreserafim André Serafim

      A mesma coisa aconteceu com o rap. Mas hoje em dia os rappers querem mais respeito. Querem passar a mensagem pra quem quer ouvir, e não pra quem quer fazer zona.
      O Funk também quer passar a mensagem dele mas, no ritmo que está, quando o funk vai ser respeitado?

  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

    Proibir resolve sim.

    Aqui em Fortaleza o “Baile-Funk” é  proibido há uns 10 anos + ou -, e ninguem mais sente falta.

    Nada de construtivo saia dali, só violência e lucros para produtores desses eventos de baixissimo custo.

    A Polícia Civil do Ceará decidiu proibir bailes funks e shows de grupos que toquem esse estilo musical em casas noturnas de Fortaleza, que passa a ser a única capital do país a não permitir os bailes. Alvarás não serão concedidos.

    A proibição aconteceu na semana em que iria se apresentar na cidade o Bonde do Tigrão, um dos grupos mais famosos do momento.

    Assim estava na estampada essa manchete em primeira página de um renomado jornal da capital alencarina, isso em setembro de 2001, caiu como uma bomba para muitos adolescentes que não tinham opção de lazer na cidade. Houve debates, audiências públicas, mas estava realmente concretizada a proibição, o funk em Fortaleza estava proibido, não se poderia mais em hipótese alguma realizar os bailes. http://www.portalmessejana.com.br/noticias.php?exibir=rock&id_noticia=2361

    De todo jeito a história do baile-funk na cidade é curiosa. Se eu não fosse tão preguiçoso…

  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

    ..
    O mais curioso é o seguinte: praticamente desapareceu do mapa quem “escuta funk” só por “escutar”, a música era no fundo mero pano de fundo para a coisa toda.

    Aqui quase não há eventos de rock, mas há muitos roqueiros e afins gente que escuta tal tipo de música em casa, ocorre algo parecido com todos os outros estilos musicais, exceto o funk. Desaparecendo o contexto “social” da violência, curiosamente desapacere a música, bizarro!

  • http://www.facebook.com/people/Daniel-Augusto/100000559571953 Daniel Augusto

    O artigo do Jader fala de um problema específico, entretanto, evidencia uma característica presente em todo Brasil: soluções paliativas. Operação tapa-buraco, proibição de sacolinha plástica, toque de recolher para menores, etc.

    O pior de todos foi um projeto de lei, se não me engano em SP, de um perspicaz político que, visando diminuir o índice de assaltos realizados por motoqueiros e seus caronas, queria proibir motoqueiros de andar com passageiro em seu veículo.
    Realmente é mais fácil deixar o problema para o próximo do que tentar resolvê-lo.

  • Fredufrj

    Mas já é um começo! Com certeza! Abs.

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Fonseca-Lage/1076838765 Lucas Fonseca Lage

    E depois vão impedir Flamengo e Corinthians de jogar é?

  • L.A

    Equívocos…

     Cidadania é o gozo de direitos do indivíduo na “polis” ou “civita”; todos nós – cidadãos – temos direitos que devem ser respeitados, tanto pelo Estado, quanto por outro cidadão. Contudo, cidadania é também o cumprimento dos DEVERES desse mesmo indivíduo. Usufruímos dos direitos na “Pólis”, mas somos responsáveis também pela sua manutenção. Na nossa Constituição, fala-se que  a Segurança Pública é um dever do Estado, e também responsabilidade de todos nós.

     Mas, o quê que isso tem a ver? Bem, tem tudo a ver.

     Primeiro, a Resolução fala de abacaxi e muitos estão falando de maçã. Ou seja, a Resolução diz que em determinados eventos, os organizadores deverão comuicar as autoridades competentes num prazo de 20 dias (comunicar à PMERJ, PCERJ, CBMERJ etc). Os organizadores devem se enquadrar em parâmetros pré-estabelecidos (determinada quantidade de saídas de emergência, de extintores de incêndio, segurança, banheiros, estacionamento etc).

    Mas, por quê isso? `Para não prejudicar o trânsito (direito constitucional de ir e vir), para evitar tragédias em caso de acidentes (inclusive, o CBMERJ deve inspecionar o local fechado), não incomodar outras pessoas (principalmente com som alto, não importa o horário), proporcionar a Segurança Pública ( há casos que em determinado evento há o cometimento de condutas criminosas), em fim para proporcionar a Ordem Pública.

    Ah! Essaa é uma norma draconiana. Não! È o princípio da Supremacia do Interesse Público. Ou seja, o Estado deve restringir certos interesses privados, beneficiando, assim, a coletividade.
    A citada norma não se restringe às favelas cariocas.

    O funk é um fenômeno cultural e deve ser respeitado. O lazer é um direito do cidadão, mas não pode ser pago a qualquer preço. Se no evento há menores de idade consumindo álcool, o responsável poderá ser responsabilizado; se houver algum descumprimento das normas e uma pessoa morrer em decorrência dela, quem será o responsável. Por isso o Estado sempre restringe direitos, para proporcionar outros direitos. Se há um samba às 16:00h, e o barulho perturba alheiosos, então estamos falando de uma contravenção penal; logo a Polícia DEVE intervir.

    continua…

  • L.A

    Equívocos, continuação…

    Rousseau estabeleceu uma ficção interessante: o “contrato social”. A sociedade dá parte de sua autonomia, força e poder ao Estado, e o mesmo deve protegê-la, alimentá-la, dar sáude, emprego etc. Por isso que o monopólio da violência é do Estado.

    Sabemos também que frequentemente o Estado descumpre com o “contrato”. A segurana Pública é ineficiente, a saúde pública precária, educação ridícula (principalmente no  Rio de Janeiro). Mas, isso não significa que o particular (mesmo um determinado grupo) pode realizar eventos a seu bel prazer. Povo evoluído é povo disciplinado, portador de direitos e côncio de deveres.

    Me parece que um grupo de pessoas estão realizando essa CONTRAINFORMAÇÂO porque está tendo algum interesse econômico contrariado, mesmo um evento aberto ao público. Senhores!!!  Eu não posso pôr 2000 pessoas em um local sem dar-lhes segurança e acesso ao pronto-socorro!

    Sou a favor do FUNK, da CULTURA DA PERIFERIA, do DIREITO DE LAZER, mas com responsabilidade.

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      É bacana seu comentário pois realmente fala uma verdade: grande partes dos eventos tem que ter regras de execução. Isso existe em lei. Só que a grande maioria dos eventos, seja com Funk, Sertanejo, seja musical, circense ou de qualquer outro tipo, não tem tanta fiscalização e regulação assim. Fica mais a cargo dos organizadores de ter algo disponível para manutenção perfeita do evento do que o aguardo da inspeção pública para saber se o evento pode ser liberado ao público ou não. Só acontece mais fiscalização em eventos de grande porte ou repercussão.

      Porém, eventos de rua muitas vezes acontecem sem fiscalização nenhuma. Pode ser que de fato eles estejam colocando estas regras em público para “assustar” um pouco o pessoal e não ficar muita algazarra. Porém, é sabido também que muitos não seguem regras.

      • L.A

         Você tem razão Vagner!

        Mas, impor tais regras também não são uma forma de eximir a responsabilidade do Poder Público e tranportá-la para o organizador?
        De qualquer forma, o Poder Público DEVE estar presente.
        Parabéns pela análise.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Quanto mais jogamos a responsabilidade no “Poder Público”, pior é. Sou do pensamento que é melhor todos terem consciência de seus atos do que jogar nas costas alheia o poder de punição.

  • Guilherme Z.

    Nenhuma solução honesta pode ser baseada na proibição da população exercer seus direitos – desde que não ataquem as outras pessoas, claro.

    Proibir as pessoas de fazerem o que quiserem com seus corpos, proibir o consumo de funk (!), para mim parece bastante claro que são medidas cerceadoras da liberdade individual e que, na prática, não resolvem nada. Penso que o jader foi muito feliz na escolha do título do texto “proibir o funk nas favelas não vai melhorar a segurança do rio de janeiro”, uma vez que só com o título já se pode perceber o quão desconexas são essas duas coisas. Gostei muito do texto

    • L.A

      Com a devida vênia, Guilherme Z.Onde está escrito que a Resolução 13 proibe o “consumo do funk”? As mesmas normas que são impostas no morro, são também impostas no asfalto. Tente você organizar um evento em um clube sem “nada opor” (documento emitido pelas autoridades competentes), não vai acontecer.De acordo com sua tese, então poderei fechar a rua onde moro, botar caixas de som e que se dane o resto: a festa é o exercício dos direito daqueles que estão alí. Claro que não.A Norma fala em abacaxi, e vocês estão falando em maçã.Por favor, dê-se o trabalho de lê-la, e você entenderá.

  • Marcos Augusto Nunes

    Vejo uma saudade da ditadura militar nas pessoas; elas urram a favor da truculência, anseiam pelas restrições à liberdade, fazem passeatas em defesa do porte de armas, da pena de morte, contra a comissão da verdade e a favor das missas de domingo… Não gosto do que chamam agora de funk, ou funk carioca, tanto faz, aliás detesto, mas proibir bailes, mesmo por suposta ligação de patrocínio com traficantes (como se os bicheiros não patrocinassem escolas de samba…), mas isso é evidente extrapolação contra as liberdades civis da “gente diferenciada”, que, além de todas as restrições de ir e vir, também sofrem restrições a se divertir no próprio ambiente doméstico, na quadra de casa, na rua…

    • Valeria

      Bravo!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000169026699 Michel Colombo

    Concordo que fechar não resolve e é injusto. Mas que deve ser visto com olhos mais apurados, isso sim acredito que há extrema urgência em ser feito.

    Cultura? Bom, não é só porque intitulamos” cultural” que somos obrigados a não mais se importar se as 14:00hs de uma quarta feira ouvimos um carro no último volume berrando “VEM FODER, VEM FODER”. Eu sei, todo mundo fode ou quer foder, mas esse super liberaismo, que os defensores nomeiam como “cultura” ou “liberdade de expressão” ou ainda “divertimento do povo” beira a falta de respeito à aqueles que não fazem parte desse meio. 

    Pessoas mais velhas se incomodam, crianças, mesmo com sua sexualidade (disse Froid) não deveriam ser expostas a sexo explicito (não em nossa sociedade atual) e claro, as pessoas que não gostam, ué!

    Já virou piada, mas e os arque inimigos Fones e Funk no transporte publico? Pra que mostrar a todos que você faz sexo, ou é ladrão ou quer matar policiais?

    Na boa, quem diz que o funk é uma cultura inofensiva fecha os olhos pra realidade. A grande maioria dos grupos (não todos, claro)  fazem associações a facções, ameaçam a policia e criam símbolos entre os criminosos e seus “paga paus”. É muito comum ver Boyzinho classe C ouvindo funk pra pagar de ladrão.
     
    Se isso não for nocivo, não sei o que mais é!

  • Rafael

    Teve uma reportagem no Fantástico ontem sobre a morte de cantores de funk no litoral paulista… Realmente, isso tem acontecido bastante por aqui… Logo vão começar a falar que é perseguição do Estado contra a liberdade de expressão… Mas vai reparar o que esses caras cantavam…

    • jaderpires

      A culpa pela morte de cantores de funk são as letras que eles cantavam?
      A culpa é de quem organiza o baile? A culpa é de quem está dançando no baile?

      Vamos apontar a coisa certa pros responsáveis certos. Se não, daqui a pouco estamos culpando mulheres estupradas pelo tamanho curto da saia e não porque um cara cometeu o crime de estuprá-la. OH, WAIT! a gente já faz isso!

  • http://www.facebook.com/people/José-Guilherme-Pessoa-Trindade/100002064904942 José Guilherme Pessoa Trindade

    Proibir não é solução, mas vamos lá, letras abusivas tmb não devem ser incentivadas.

    Dou aula em uma escola pública aqui no interior de São Paulo, e em sala de 5° série os alunos conhecem todas as letras desses funks “proibidões”.

    Em uma aula um aluno me perguntou se ser traficante era ruim, disse que sim, e que á qualquer momento ele poderia ser morto, fora prejudicar as pessoas para o seu beneficio, a réplica do garoto para mim me deixou em choque “Professor, eu prefiro viver 5 anos que nem rei, comendo um monte de biscate e cheirando farinha do que viver 30 e ter q trabalhar para viver num barraquinho qualquer”.

    Um aluno de 11 anos de idade, e aí?

    Liberdade não é libertinagem, tem que existir um freio, o estado é esse freio, não precisa proibir, mas deve orientar, e os pais devem fazer o seu papel em casa.Cultura por cultura em Roma era perfeitamente normal orgias realizadas para deus Baco, mas criança alguma poderia participar, Kama Sutra é um livro sagrado para os indianos, mas nem por isso á uma banalização do sexo.Não se deve relevar tudo pela cultura, nem se deve proibir, tem que existir um bom senso.E o mesmo vai para qualquer outro tipo de musica que aborde a sexualidade/criminalidade de forma explícita.

  • http://www.cafecomamigos.com.br Cristiano Vieira

    O velho preconceito… é som de preto, de favelado…
    Queria ver se numa boate chique onde playboys e patricinhas consomem bebidas a duzentos reais a taça  teriam interferência do estado. Ainda que nessas boates também “rolem” drogas, sexo, putaria da brava e da boa… mas o dinheiro compra a pureza da alma e do corpo e os traficantes não ficam com o lucro da venda de drogas para pessoas de bom poder aquisitivo. (Tenho que dizer que isso foi uma ironia?)

  • Ana

    É sempre a mesma coisa de culpar a janela pela paisagem, e, no caso, emparedar a janela…

    Vendo os comentários acho incrivel como as pessoas querem que o estado tutele a vida das pessoas, das outras pessoas, não as suas. Afinal as outras pessoas, o povo, não são capazes de cuidar das próprias vidas, só eles, cidadãos de bem, é que são.

  • http://www.facebook.com/people/Rodrigo-Lafaete/100000307395509 Rodrigo Lafaete

    O problema da violência no Rio não está relacionada a cultura do funk, e sim na má distribuição de renda, na corrupção da polícia, na falta de oportunidade e no preconceito com os cidadão que ali moram, assim como acontece em toda periferia do Brasil, falta educação, oportunidade de trabalho, e boa vontade dos governantes em fazer alguma coisa!

  • Pingback: ((( TRETA ))) › Bom dia!

  • Arthur_thuio

    “trabalharia suas culturas e todo o tipo de lazer.”

    cheirar cocaina, rebolar semi nu, atirar com armas de fogo ilegais pra cima e propagar a poluição sonora no mundo é cultura ?

    é por causa de ‘super-heróis’ como esses que o mundo está uma merda, tu acha que na hora que um desses funkeiros for te assaltar ou te sequestrar(e sem preconceito, todo mundo sabe da oned eles vem) eles vão ter o mesmo respeit por ti ?

    Apesar de criticar uma conduta extrema positivista, de certa forma, se o direito foi ‘frouxo’ assim o povo domina e para de respeitar. O governo tem mais que usar seu poder de coação para reprimir todo o tipo de violencia vindo desses marginais e deixar ed lado toda aquela babaquice que os policias fazem de usar o poder quando lhes convem e quando o assunto fere a eles não a população, qual é sua obrigação defender.

    Talvez alguns interpretem mal, mas eu acredito que bandido tem que ser tratado como bandido, nem uma boa conduta com pessoas assim receberá na troca algo bom. Eles só querem foder com você!

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  • nice

    P orque o secretario de segurança não instala um baile fank onde ele mora? seria otimo o que ele ia ver e tambem não dormir, eu vivi feliz até o dia que voltou esta desgraça, agora pergunto . Aparece policia lá?

  • Frederico

    Não há caridade (preocupação
    verdadeira ou consideração) para com os jovens que estão sendo destruídos neste
    tipo de evento.

    O baile funck representa a
    antítese do Belo, da Verdade, do Amor, da Pureza, da Castidade, da Prudência,
    da Temperança, da Disciplina, da Fortaleza, da Moral, da Reta Razão e dos
    valores Culturais. Trata-se do horror que surge dos escombros da civilização
    que um dia foi Cristã.

    Sinceramente, me esforço para
    tentar escavar algo de positivo neste fenômeno, mas…diante de tamanha
    perplexidade, estou certo de que abordar uma tal questão sem a perspectiva da
    fé é, como se diz, “andar em círculos”, posto que, por mais que queiramos e
    desejemos, não se pode, mudar a verdade em mentira, ou um quadrado em círculo,
    o feio em belo, etc.

    Na verdade, ele é o produto
    último e acabado da revolução da Sorbone, que emergiu das trevas em maio de
    1968, na cidade de Nanterre, periferia de Paris, cujo lema era o sofisma:
    “É proibido proibir, pois fere a liberdade da pessoa humana”. Nenhuma
    sociedade, nem mesmo as que floresceram sob a égide do antigo paganismo,
    experimentou tamanha degenerescência moral como a sociedade da pós-modernidade.
    Esta constatação não é fruto de minhas opiniões, é uma constatação óbvia que é
    compartilhada por muitos, pois não estou sozinho nesta posição. Graças a Deus!
    De fato, é esta a bandeira da Santa Igreja Católica e, por via de consequência,
    a de Bento XVI, o sucessor de São Pedro, a Rocha.

    O Senhor Jesus previu estes
    fenômenos sociais quando disse que “o amor esfriaria cauterizando as
    consciências e inteligências de muitos”. É interessante notar que essa ruptura
    com a moral judaico-cristã, evidente em nossos dias, está na raiz dos sérios problemas
    que vivenciamos, ou seja, ela produz seus frutos, sendo desnecessária discorrer
    sobre os mesmos aqui, pois é pelos frutos que se pode inferir com absoluta
    certeza sobre a saúde da árvore e/ ou sua natureza.

    Atualmente, os sete vícios
    capitais (gula, inveja, preguiça,
    ira, soberba, avareza), dentro dessa mentalidade
    atualmente reinante, plasmada até o âmago de suas fibras mais íntimas pelo
    relativismo e o agnosticismo (que desagua no ateísmo mais radical), são tidos como
    virtudes.

    Há evidentemente um paralelo
    entre a Lei da Entropia, aplicada a tudo o que existe (até nós mesmos, pois
    estamos envelhecendo e morrendo) e a degenerescência moral, posto que todo e
    qualquer sistema entregue a si mesmo tende a passar da ordem para a desordem.
    No caso, nossa sociedade, entregue ao relativismo de matriz existencialista
    tende a desembocar no caos. Resultado: o fenômeno funck.

    Por isto disse anteriormente que
    não é a solução final ao problema moral que nos assola, mas já é um começo, ou
    seja, parte da solução! O problema de fundo – e estou convencido de que a polêmica
    se instaurará – é que nós somos avessos à disciplina, posto que não estamos
    dispostos a abrir nossas mentes a sua verdadeira finalidade e benefícios,
    tampouco nos passa pela cabeça suportar o ônus de abraça-la, dada nossa
    natureza rebelde. Felizmente, não estamos totalmente deturpados (segundo
    algumas doutrinas perversas que grassam por aí), para muitos ainda há
    esperança…

    O Senhor Jesus declarou ser Ele o
    Caminho a Verdade e a Vida. Não há outro que nos possa salvar da “Morte Ontológica”,
    da instauração em definitivo do “Reino do Não Ser”.

  • fredufrj

    Marcos Augusto disse “ Vejo uma saudade da ditadura militar nas
    pessoas; elas urram a favor da truculência, anseiam pelas restrições à
    liberdade, fazem passeatas em defesa do porte de armas, da pena de morte,
    contra a comissão da verdade e a favor das missas de domingo… Não gosto do
    que chamam agora de funk, ou funk carioca, tanto faz, aliás detesto, mas proibir
    bailes, mesmo por suposta ligação de patrocínio com traficantes (como se os
    bicheiros não patrocinassem escolas de samba…), mas isso é evidente
    extrapolação contra as liberdades civis da “gente diferenciada”, que,
    além de todas as restrições de ir e vir, também sofrem restrições a se divertir
    no próprio ambiente doméstico, na quadra de casa, na rua…”

    Você já percebe que quanto mais liberdade se
    dá às pessoas, mais intervenção estatal é necessária (leis, regulamentos,
    etc.). É de notar-se, todavia, que essa tendência ao descaso para com o outro e
    uma aversão inata do homem à alteridade sempre foi algo recorrente na história
    do homem. Daí a necessidade do exercício do poder coercitivo ser monopolizado
    nas mãos de certos grupos. Hodiernamente isto é função dos Estados modernos.

    A sobrevivência e a convivência na polis
    requer um conhecimento ético, associado à introjeção, por parte dos indivíduos
    que nela vivem, sobrevivem e se desenvolvem, de certos valores civilizacionais
    mínimos, de modo a permitir o devir dessa mesma polis em direção ao acolhimento
    das novas gerações.

    Do jeito que decaímos, do ponto de vista
    civilizacional e moral – alguns entendem ética, o que para mim é diferente,
    dada as matrizes distintas de uma e outra – não creio que o Estado, tampouco a
    sociedade dita “organizada”, poderão levar a termo tão significativa e
    importante missão. Com efeito, o problema não está fora, mas dentro do homem,
    ou seja, há uma espécie de plano inclinado para nós no caminho que nos conduz
    às virtudes. São estas que garantem a sobrevivência da polis.

    Por isso, com todas as vênias, o atual paradigma
    cultural não se harmoniza com o ideal de liberdade. Ou seja, queremos
    liberdade, mas sem responsabilidades. Parece que estamos nos equivocando quando
    suprimimos dos fatos observáveis todas as considerações acerca das relações de
    causa e efeito que subjazem aos fenômenos.

    Na verdade, não somos pessoas educadas e,
    arrisco a sustentar que não estamos preparados para o exercício da cidadania
    plena. Somos egoístas e, no mais das vezes cínicos: não nos importamos
    realmente!

    O funk em si, nada mais é do que um fenômeno
    totalmente harmonizado com o ideário de uma sociedade que pensa a vida, a
    existência e o devir a partir de premissas materialistas e hedonistas, onde o
    transcendental parece ter recebido o “tiro de misericórdia”. As consequências,
    pessoais e civilizacionais? As piores possíveis!

    Sendo assim, por essas razões, e outras, sou
    extremamente cético em relação a discursos libertários politicamente corretos,
    uma vez que vejo, isto sim, a exumação de um niilismo irresponsável – e muito mais
    antigo do que a própria teoria original, diga-se de passagem – que nega a verdade de Deus Nosso Senhor e o
    princípio da não contradição, em relação ao qual nos tornamos indiferentes, ou
    mesmo cegos.

    Portanto, a proibição é um tratamento pontual
    e necessário que se deve dispensar a um organismo debilitado por um sem número
    de focos infecciosos, sem prejuízo de ouras intervenções, sobretudo do ponto de
    vista educacional, religioso e moral, cujo alvo primário são as crianças e os
    jovens, posto que mais vulneráveis.

    O homem sem Deus é qualquer coisa, menos
    homem! Façamos, pois, a nossa parte colocando Jesus Cristo em primeiro lugar em
    nossas vidas e, tudo o resto (inclusive nossa liberdade) virá por acréscimo!
    Abs…

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