Poros no látex, a furada

Mauricio Garcia

por
em às | Artigos e ensaios, Dr. Health, Saúde


Após longo e tenebroso inverno, volto a falar do assunto que mais rendeu Ibope em minha coluna na PdH.

Faço isso após discussão com colegas médicos sobre a possibilidade da existência de poros no látex do qual são feitos os preservativos.

Que permitiriam a passagem de partículas como o vírus HIV e assim, tornariam a camisinha falha.


Sim! Estamos falando delas, suas velhas conhecidas | Foto

Com todo o respeito, uma tremenda furada (não resisti ao trocadilho), e algo que vem bem a favor das intenções de entidades que são contra o uso do preservativo.

Permitam-me então refutar essa balela de “poros na camisinha”.

Uma consideração aqui: Seria burrice de minha parte dizer que a camisinha é 100% garantida na prevenção da AIDS e outras DSTs. Não é.

Mas posso afirmar que quando o contágio ocorre, é porque houve falha no uso do método, seja por contato íntimo antes ou depois ou ruptura do preservativo. Se utilizada corretamente sem falhas, o indivíduo não contrairá doenças.

E da mesma forma que você nunca morrerá de falha na abertura do seu paraquedas, se jamais saltar de paraquedas, você nunca pegará AIDS por via sexual se for abstinente. E quando eu falo abstinência, isso inclui sexo com o cônjuge, mesmo que ache que este é fiel.

Algo que vi muito em minha época de internato foi mulher achando que o marido era fiel e depois descobrindo ser portadora do HIV.

Realidade nua e crua: Você não tem como saber! Abstinência só é 100% garantido se você realmente não transar. Com ninguém!

Como os preservativos são testados

Após o processo de fabricação, todas as unidades são colocadas num bastão de metal que fica debaixo d´água, e uma corrente elétrica é lançada. Pois bem, se existirem poros no látex, que é um isolante elétrico, a corrente elétrica vai passar. Nesse caso, o preservativo é descartado. A não passagem da corrente implica em uma coisa: Ausência de poros. Afinal, os elétrons são muito menores que o HIV, e se eles não passam, que dirá o vírus.

Outro teste que se faz com as camisinhas é pegar amostras de determinados lotes e enchê-las com uma espécie de “sopa viral”. Se apenas uma das camisinhas deixar algum vírus passar, todo o lote é descartado.

Com essa testagem toda, fica inviável a afirmativa que a camisinha tem poros. Mas continuemos…


Link YouTube | Essa não é a maneira correta de se testar

Estudos

Já em 1993, em um estudo conduzido pelo National Institute of Health (NIH) / Estados Unidos, utilizou-se um microscópio eletrônico para ampliar os preservativos duas mil vezes e nenhum poro foi encontrado, mesmo quando os preservativos foram esticados.

Outro estudo, datado de 1989 pelo The Consumers Union, demonstrou que nenhuma das marcas de preservativos mais utilizadas no mundo apresentavam poros (mais de 40 foram testadas). Neste estudo, a microscopia eletrônica também foi utilizada nos preservativos esticados, mas com a magnificação de X 30.000, na qual é possível observar partículas do tamanho do HIV, e novamente não houve confirmação de poros.

Ou seja, há pelo menos 17 anos já se sabe que os preservativos não apresentam poros…

Em condições de testagem laboratorial, o HIV não consegue atravessar a camisinha, então como explicar a eficácia desta não atingindo os 100% (fica em 90-95%) na vida real? Ora, os estudos epidemiológicos são feitos em larga escala, e por mais que se instrua e confie no indivíduo quando este responde: “Você utilizou o preservativo corretamente?”, o que a pessoa chama de “utilizar corretamente” pode não corresponder ao conceito de utilização correta. Pode ter havido contato íntimo antes. Pode ter havido uma pequena ruptura (acontece).

O uso de lubrificante à base de petróleo é capaz de criar poros. Uma infinidade de fatores que causam esse viés.

Até porque a taxa de infecção pelo HIV é dependente da quantidade de vírus inoculado. Mesmo que os tais poros existissem, a quantidade de vírus que por ali passaria dificilmente seria capaz de causar uma infecção. Quer uma prova disso? Existem relatos de casais soro divergentes, especialmente no caso do marido soronegativo e da mulher soropositiva, onde simplesmente houve sexo desprotegido e o marido não pegou o vírus. Imagine se existisse uma barreira parcial? E na verdade a barreira é total.

Isso sem contar que o látex não é o único material usado na fabricação de preservativos. As camisinhas femininas são feitas de poliuretano, também impermeável. E agora já está disponível uma versão masculina, feita de resina de polietileno, que promete 3 vezes mais sensibilidade e 3 vezes mais resistência. Quem quiser testar, fica aqui a dica: http://www.naturalsensation.com.br (Não, não estou fazendo propaganda, foi indicação de um amigo)

Finalizando, uma exortação (caso eu esteja errado)


As famosas luvas de látex | Link

Estou longe de ser o dono da verdade, e mesmo achando que não, dadas as evidências acima, posso estar enganado.

Neste caso, faço uma exortação à comunidade científica, sobre uma grande amiga dos profissionais de saúde: a luva de látex.

Se eu estiver errado, por muitos e muitos anos nós profissionais de saúde fomos ENGANADOS, por achar que as luvas são seguras. No meu caso, estou praticamente todo dia em contato com sangue e secreções, e os “poros do látex” me deixaram em risco por todos estes anos. Sem contar que as luvas são bem menos resistentes que os preservativos. Meu HIV é negativo por pura sorte, provavelmente.

Aí fica a pergunta para pensar: Por que nunca as entidades que combatem a camisinha se levantaram a favor dos pobres profissionais de saúde usuários de luvas de látex, se já sabiam da presença de poros?

Nos defendam, criem movimentos para que nunca mais participemos de cirurgias e outros procedimentos arriscados! “Abstinência” já!

Acho que não vai acontecer… Os interesses são outros.

Dr Health, esclarecendo que as luvas de látex não têm poros.

Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.


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53 comentários

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  • Dr Health

    Só uma coisa que eu esqueci de falar: Luva de látex arrebenta toda hora. Impressionante como são frágeis. Mais que a camisinha.

    • Bombeiro Socorrista

      Dr Health e amigos, o latex é naturalmente poroso, o que ocorre é que a expessura do latex usado nos presevativos é maior que o das luvas, sendo assim a porosidade não chega a transpassar todo o manto do latex. Quanto às luvas, realmente são um risco, a solução é o uso das luvas nitrilicas que não possuem poros (por não ser latex), possuem uma resistência maior à abrasão, perfuração e também tem mais elasticidade em comparadas com as tradicionais… mantendo o mesmo tato e o mesmo peso.

      A desvantagem é que cada par custa o dobro…

  • http://www.facebook.com/people/Danilo-Dias/1270178150 Danilo Dias

    Haha' verdade, luvas de latex são mais frágeis que bexiga de festa infantil, rsrs.
    mas valeu o Post, o site da “Nova camisinha” é bem bacana também,
    mais uma do Dr. Health, educando macacos novos e velhos no ramo sexualmente ativo.
    Abraços Doutor!

  • Rafael

    mas se a camisinha estourar… aaa ai a porca torce o rabo

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Kobayashi-Wilson/526092378 Lucas Kobayashi Wilson

    Você poderia ser o pioneiro em usar camisinhas em cirurgias, assim elas n arrebentam!

    Bom saber disso! Eu não sabia que camisinhas não possuíam poros, até fico com uma pulga atrás da orelha pra usar a sensitive. As vezes dá até um tesão à mais, “será que vai estourar?”. Mas já saber que não existem poros ajuda a despreocupar. E também já me tranquiliza saber que luvas são mais frágeis.

    Apesar da pulga atrás na orelha, sempre usei e confiei ;]

  • http://papodehomem.com.br/ Gus Fune

    Doutor, as camisinhas feitas de tecido animal apresentam poros? Ou também acabam na mesma das de látex?

  • Dr Health

    As camisinhas de tecido animal tem poros sim, Gus. Por isso elas nunca foram recomendadas para a prevenção de DSTs, simplesmente porque não funcionam.

  • http://www.facebook.com/people/Claudio-Pedroso/1799344240 Cláudio Pedroso

    Ótimo post, Dr. Legal também a dica das camisinhas diferentes.
    Vou testar e ver a diferença!

  • http://www.facebook.com/pdcgomes Pedro De Carvalho Gomes

    Dúvida: mesmo que houvesse poros microscópicos, que apenas o vírus do HIV fosse pequeno o suficiente pra atravessar, não seria altamente improvável a contaminação, dado que o vírus está embebido numa solução como o sêmen ou secreção vaginal e esta solução tem uma tensão superficial que não permite sua passagem pelo poro? Afinal, não acredito que o vírus do HIV saia voando por aí.

  • http://politicaspublicasecidadania.wordpress.com/ Wagner Menke

    A verdade é que tem que ter muita FÉ para acreditar em poros na camisinha. Pra mim não passa de mais um desculpa religiosa para assustar os féis e fazê-los cumprir os dogmas.

    Pra quem estiver cabreiro com estouro de camisinha e outros, consulte um Centro de Aconselhamento e Testagem (CTA). Mais informações nesse link (inclusive os locais onde os Centros são encontrados):
    http://www.aids.gov.br/main.asp?Team={FABAF838-…

  • lucasbarbosa

    Muito esclarecedor! Ótimos argumentos hehe…

  • Camoes

    Uma pequena correção: no teste usando o dito bastão de metal recoberto pelo preservativo e inserido em uma solução aquosa, são os íons presentes nesta solução (e não os elétrons) que a camisinha impede de transitar (evitando o estabelecimento de uma corrente de condução). Apesar de um íon ser muito maior do que um elétron, ele ainda é significativamente menor do que um vírus.

  • MrBerlitz

    Uma coisa que nunca entendi …

    * existem camisinhas “sensitive” … que são mais finas e dão mais prazer com a mesma resistência …
    * existem camisinhas com espermicida … que é uma proteção interna para acabar com os espermatozoides …
    * existem camisinhas lubrificadas .. que tem uma lubrificação externa maior …

    Então por que não existe uma camisinha que tenha tudo isso ao mesmo tempo, levando em conta que uma propriedade é diferente da outra ????????

  • http://www.facebook.com/people/Carlos-Henrique-Spineli/757243356 Carlos Henrique Spineli

    Excelente post Dr. Health.

  • VdeV

    E isso ainda é ensinado nas escolas.. me recordo do meu professor de biologia no 2/3º ano do ensino médio, metendo medo na garotada falando que o esperma podia passar pelos poros da camisinha e que consequentemente outras doenças também, que existia num sei quantos % de chance.. babaquice! Eu já sabia desses métodos para testar a camisinha nos tubos de metais e tal, mas não sabia das pesquisas sobre os poros! Valeu!

  • L. Leite

    Esse post foi Foda! o Health mandou muito bem nessa!

  • rubenssampaio

    Melhor colunista da PdH. Sem sombra de dúvida.

  • http://queropegartodas.com El Guerrero

    Muito bom post ! Espero que em um futuro próximo inventem camisinhas que sejam mais perto do 100%…. aí a gente dormiria mais tranquilo.. ;)

  • slaship

    Health como sempre fazendo ótimos posts, gostei , sempre me preocupo sobre esses determinados assuntos .

  • GeorgeIV

    Isso aí você não coloca em lugar público. Pode ser sua idéia milionária…

  • MrBerlitz

    Muitas tecnologias já desenvolvidas não foram colocadas em práticas pro ser menos rentáveis que os sistemas atuais menos desenvolvidos!
    Fato !

  • radamanto

    Avalizaria, integralmente, o texto se não fosse por um pequeno detalhe chamado África.

    Milhões com base nessa tese foram para o ralo. Com certeza se os governos daquele continente miserável tivessem investido na educação do povo, para uma sexualidade responsável, os resultados seriam bem melhores.

    A evolução mastodôntica dos casos de HIV é proporcional ao declínio moral da sociedade em termos gerais. Mas, tocar nesse assunto diante de uma classe em que boa parte dos envolvidos na “luta” são gays e/ou congêneres (materialista, neo-ateus, neo-marxistas, ongueiros, liberais, e toda sorte de desconstrutivistas e relativistas morais…) é pedir para ser apedrejado, ser taxado de carola, de filhote da ditadura, de homofóbico, de religioso, de moralista, enfim, de responsável por jogar um balde de água fria no estilo folião e pirotécnico de se viver…

    Se a promiscuidade (ou se preferirem o eufemismo de “vida sexualmente ativa”) é um comportamento de risco, pregar que o preservativo é infalível seria, em outras palavras, estimular irresponsavelmente as pessoas a se exporem cada vez mais a uma situação de perigo, seria, na verdade, um contra-senso. Todos sabem que não existe nada de 100% seguro. O sujeito que cai na margem de 1% que seja, torna-se 100% para ele.

    Enfim, o HIV antes de ser um vírus, é um cabide empregos e ninguém dos envolvidos deseja cortar o próprio galho em que está sentado. É uma teta que ninguém deseja largar, pois um establishment imenso foi construído em cima deste vírus e do alarme social (sócio-nóia).

    • Rafa

      amigo, você mostrou que sabe escrever bem, mas seria interessante escrever para ser entendido e não admirado ;)

  • Hiago

    Maurício, creio nem a própria abstinência é 100% segura, hoje não ocorre com frequência, mas no início, quando a síndrome do HIV era chamada de GRID(Do inglês imunodeficiência relacionada a gays) muitos hemofílicos e pessoas que recebiam bolsas de sangue se contagiaram.
    Salvo engano o HIV só foi descoberto e isolado em 1982 e não havia o teste até 1983 ou 1984.

  • João Henrique Araujo

    Cara, no curso de noivos que eu fiz, a palestrante insistiu que a camisinha não era segura por conta desses “poros” existentes no látex e que inclusive, o vírus HIV era tão pequeno, que passava por esses poros e te infectava. Eu achei aquilo um absurdo! Santa ignorância!

  • Dr Health

    A camisinha não funcionou muito bem na África, verdade. Aliás, como ousaram crer numa “sexualidade responsável” num continente onde a poligamia é institucionalizada? Seja fiel, para boa parte dos africanos, é comer apenas suas 4 esposas. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que o diga.

    Vale ressaltar que a camisinha foi EXTREMAMENTE eficiente no caso das prostitutas da Tailândia. Quem está com a razão??

    E quem está pregando que o preservativo é infalível??? Ele não é e nunca foi. Mas diminui SIM o risco de contágio. No mais, é que nem paraquedismo, pula quem quer.

  • Dr Health

    A camisinha não é 100% segura. Pq ela pode arrebentar.

    Mas as pessoas tem que parar de querer garantias absolutas. Saiba dos riscos e avalie se vale a pena.

  • Dr Health

    Bom questionamento. Confesso que não pensei nisso

  • Gustavo Villeth

    “Meu vizinho saiu de casa e foi assaltado. Dessa forma, o mais lógico a fazer é não sair mais de casa.”Pois mais bobo q pareça o exemplo, esse tipo de falácia ainda é repetido da náuseas por aí, das mais diversas formas. Sexualidade responsável se trata, essencialmente, de conhecimento acerca dos risco envolvidos e dos métodos disponíveis para a redução desse risco.Dessa forma, se um cidadão recebe educação sexual apropriada, mas acredita que os riscos de uma “vida sexualmente ativa” são aceitáveis, isso é imoral por si só? Qual o argumento religioso exato para isso? Que enorme mal é esse que uma relação sexual consensual entre indivíduos sadios pode causar a esses indivíduos ou a qualquer outra pessoa? Sendo curto e grosso: qual a justificativa para me censurarem por transar com outra pessoa adulta, quem quer que seja que também o queira?! Eu tenho menos chances de ter família e filhos? ou mais chances de me tornar um depravado? Que mal meu “estilo folião e pirotécnico de se viver” causa à sociedade, uma vez que eu o faça de maneira responsável?E se a verdade for que nosso país é dominado por uma ideal religioso “homofóbico e moralista”, e que logo você deva ser de fato “apedrejado”?No mais, meus humildes parabéns ao Dr. Health, que ele sempre esteja disposto a desfazer mais mitos enganosos no futuro…

  • Julio

    Sexo é esporte radical agora! É igual pular de bugjump!

  • Dr Health

    Excelente comentário, Gustavo.

  • http://profiles.yahoo.com/u/YXFIBIY5KCUYGDIBMXJ7MZLKRA Harokell

    Caro radamanto, me sinto enormemente comovido com sua boa vontade de construir nossa sociedade baseando-se na moral e nos bons costumes. Mas sinto lhe dizer, que é muita hipocrisia da sua parte não querer ser taxado, já rotulando os bons cidadãos envolvidos no grande cabide. Mas já que o HIV gera tanto empregos por qual razão tem toda essa gente desempregada e passando fome na África? Engraçado não ?
    Mas me diga, o que tem em sua mente brilhante? Por acaso não seria catequizar nossa frívola sociedade com sua doutrina fundada com o melhor do levianismo?
    No mais, boa sorte com seu idealismo sem pátria, enquanto isso o caos vai tomar conta da sociedade, o que não mais que natural.

  • Herbert

    “Meu HIV é negativo por pura sorte, provavelmente.”
    Se fosse assim, a incidência de HIV em cirurgiões seria altíssima!

    Mesmo que o HIV atravesse a luva, ainda teria que atravessar a pele para infectar o individuo. Basta que esteja íntegra.

    E de onde vem essa história de que existem poros em luvas? Naquelas luvas vagabundas de procedimentos pode até ser, mas as luvas estéreis usadas em cirurgias certamente não. Você deve usar eletrocautério em suas cirurgias, já deve ter entrado em contato direto com a corrente… quantas vezes levou um choque com a luva íntegra?

  • radamanto

    “Mas sinto lhe dizer, que é muita hipocrisia da sua parte não querer ser taxado, já rotulando os bons cidadãos envolvidos no grande cabide”

    Quando eu disse que eu era um exemplo de moralidade? Portanto, não meça a hipocrisia dos outros usando a sua própria como parâmetro.

    “Mas já que o HIV gera tanto empregos por qual razão tem toda essa gente desempregada e passando fome na África?”

    Não confunda alhos com bugalhos. Uma coisa é você ser um doente pobre e desempregado na fila esperando um medicozinho te passar uma sentença de morte (o senhor é soropositivo positivo), e que, portanto, não possui relação alguma com o establishment da Aids. Outra são os sujeitos engajados na luta, com suas entidades embevecidas em verbas públicas e dinheiro de entidades internacionais, e que possuem interesse direto no “status quo”. Ou você acha que alguém que vende ventiladores vai desejar que o calor acabe? Ou você é tão ingênuo para acreditar na imanente bondade humana e que todos os envolvidos, fora os idiotas manipulados e sem espírito crítico que estão ali por acidente, fazem o melhor que podem para descobrir a cura, indo, assim, contra seus próprios interesses, acabando com o oba-oba?

    Convenhamos, são mais de 25 anos de alarme sem nada de esperança de cura, tudo fulcrado na premissa do super-vírus-metafísico, infinitamente mutável e assassino, o qual está à solta na sociedade; sendo que as desculpas científicas se tornam cada vez mais ridículas, até para os leigos, quanto mais o tempo passa, ou seja, quanto mais esta estória se estende.

    “No mais, boa sorte com seu idealismo sem pátria, enquanto isso o caos vai tomar conta da sociedade, o que não mais que natural.”

    Bom, não sei o que é idealismo pra você, porque em nenhum momento, no conceito filosófico da palavra, fui idealista. Bom, agora se isso implica em dizer que educar moralmente as pessoas para o combate à AIDS, é um puritanismo, é uma hipocrisia, é uma homofobia (porque assim vou ter que parar de dar bunda), isso é um problema somente no ponto em que as massas já foram contaminadas pelos ideologismos relativistas de quinta categoria, típicos da época em que vivemos, os quais acabam produzindo, em escala industrial, indivíduos como você que não sabem nem o próprio conceito de idealismo, no entanto, sentem-se escolhidos pelo destino para darem pitacos distorcidos sobre valores morais, chamando os outros de hipócritas.

  • Dr Health

    É claro que ninguém nunca ouviu falar em furos em luvas de látex. Porque o látex não tem poros. Como isso não tem o menor interesse para entidades que querem denegrir a eficiência da camisinha nesse aspecto, nunca foi questionado. Se um negócio muito menos resistente não tem poros, imagina um mais???

    Percebeu onde eu queria chegar? Isso se chama analogia.

    Ademais, eu como nas horas vagas sou baterista de uma banda de hardcore, ou seja, desço a lenha sem dó, vivo me machucando, se não é ferida na pele, é bolha, que depois estoura. Ontem mesmo, numa pegada mais forte no surdo, a mão bateu no aro e me arrancou um pedaço de pele. Só percebi quando olhei para a pele do surdo, totalmente salpicada de vermelho.

    Viva as luvas de látex, a salvação dos cirurgiões-bateras!!!

  • Fucker

    Bom…
    Algum tempo atras eu havia trabalhado em uma empresa que faz o controle da qualidade de varios produtos. Bem diversos mesmo.
    E eu trabalhava no setor de elastômeros, e um desses produtos que eu fazia o teste de qualidade era exatamente os preservativos.
    Olha posso dizer tanto como usuario como controlador da qualidade que os preservativos naum suportam um asopro sequer (exagero).
    Eu fazia os testes e muitas delas eram reprovadas. O foda é que somente eram feitos testes em uma quantidades de um lote, ou seja, CONCERTEZA existem muitas e muitas camisinhas espladas por ai que estão em más condições de uso.
    Complicado…

  • João Henrique Araujo

    Eu sei que não é 100% segura.
    A questão toda é, a tal palestrante tentar imbutir na cabeça de várias pessoas que a camisinha possui poros por onde até um vírus do HIV pode passar. Isso sim achei um absurdo!

  • http://www.facebook.com/villeth Gustavo Almawi Villeth

    Fucker, o q era feito com os lotes reprovados, eles eram mandados de volta? Destruídos? E a empresa, é multada? Há marcas de grande porte com lotes reprovados?

    Confesso que fiquei meio tenso…rs

  • olavo

    acho que cada um tem um direito de escolher se deve ter sexo ou não,se quer viver uma vida inteira de celibato que mal nisso? o grande problema é que a religião em sua grande maioria é algo imposto e por isso acreditam que todos que acreditam nela fazem a base de pressão e não no exercício de sua individualidade,mesmo aquele que não acredita em nada pode ser celibatário

    quantos cientistas conhecidos não prepararam isso? simplesmente para se concentrarem deixando tudo de lado para seu desenvolvimento

    eu não acredito no celibato ou em qualquer forma como cobrança,acredito que todos devem escolher como devem fazer

    outra coisa que deviam falar aqui é do sexo oral que também pode transmitir,nos EUA existem preservativos para o sexo oral mas porque aqui não são vendidos?

    e porque não abaixam o custo da camisinha feminina? seria uma maneira melhor de proteger a mulher e até dar uma independência sexual a ela…

    sou protestante e por esse mesmo modo a favor de tudo que possa proteger o ser humano seja camisinha e tudo mais,mas sou a favor também do direito de livre arbítrio individual de cada um de escolher o que deve fazer e arcar com as consequências

    abraços para todos

  • Eugênio Bruno

    Porque não é comercialmente vantajoso. É melhor abrir várias linhas de tipos de camisinha, vendendo para diferentes tipos de público, que simplesmente concentrar tudo numa linha de produtos somente.

  • Eugênio

    Uganda teve um programa de sucesso em combate à Aids ao fazer campanhas incentivando os jovens à abstinência sexual até o casamento e a não saírem com múltiplos parceiros.

    Foi uma “vacina social” que deu bastante certo para a queda dos índices de contaminação, em conjunto, claro, com a promoção de métodos preservativos. É um caso amplamente estudado por acadêmicos até hoje.

    Googlem mais informações.

  • Callas Alice

    Guys, esta não é uma resposta ao Dr. Health, mas como eu queria entrar exatamente neste lugar na conversa sem replicar a ninguém em específico, utilizei a réplica ao Dr.
    Não concordo com os vieses de um tipo de moral explícito na resposta do Radamanto, no entanto o leitor aponta p/ um certo establishment da Aids. Acho importante separarmos as várias instâncias de um problema para, talvez, melhor enxergá-lo.
    Num nível macro, eu acredito em estratégias p/ manutenção e pulverização de certas epidemias, ou mesmo a “produção”, manipulação e experimentação de certas bactérias e vírus etc. Neste mesmo caminho, há lugares que funcionam como laboratórios, como o continente africano, no que tange a Aids – sim, alguém pode lembrar que viu isto no Jardineiro Fiel, apesar de não ser minha fonte de informação.
    É claro que a medicina tbém pode estar a serviço de interesses econômicos e políticos, porque ninguém acredita ainda que cientista é neutro, certo? Por outro lado o Dr. Health fala de uma questão cultural, como a poligamia, por exemplo. Neste sentido, queria lembrar, da mesma forma, que uma das crenças mais fortes na cura da Aids passa pela idéia de transar com virgens.
    Ou seja, quero dizer que podemos ter múltiplos fatores imbricados ao tentarmos esboçar uma explicação em relação à proliferação da epidemia no continente africano. Isso sem falar na pressão da indústria de medicamentos que impede a distribuição do “coquetel” aos portadores. Neste aspecto o Brasil merece elogios.
    Num nível micro, o artigo do Dr. Health é um serviço de utilidade pública aos que querem ou mesmo aos que não querem ter uma “vida sexualmente ativa”. Vale lembrar que, ao contrário do que se falava inicialmente, hoje o aumento de casos está relacionado mais aos heterossexuais e, dentre estes, às mulheres com parceiros fixos. Aliás, as chances de nós, mulheres, adquirirmos o vírus é maior numa relação sexual, do que o nosso parceiro.
    O livre arbítrio, para mim, está acima de tudo. Portanto transa quem quer, com quem quiser, onde e quando tiver vontade e possibilidade. Afinal, a revolução sexual e a liberação feminina não podem ser jogadas no ralo da história.
    Mas também concordo c/ quem queira ser celibatário ou abstinente até o casamento etc. As opções tem de ser respeitadas, mas a ignorância não.
    Por fim, fico feliz de ver os caras discutindo a importância do uso do preservativo. Isto pode significar um relativo avanço nas relações sexuais e amorosas.
    Só não dá p/ ficar pedindo p/ garota não usar camisinha como prova de amor. Ou achar que ela é “profissional”, pq tem uma na bolsa.
    Junto com os avanços técnicos e tecnológicos, os comportamentos também devem mudar. Isto sim, nos aprimora como seres humanos, verdadeiramente dignos do lugar que ocupamos numa escala evolutiva.

  • Dr Health

    http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=…

    O link acima mostra que um estudo em Uganda, no distrito de Rakai, mostrou que a abstinência e a fidelidade caíram no período entre 95 e 2001, e não houve aumento da taxa de infecção pelo HIV, o que seria esperado pelos proponentes da falha da camisinha.

    Também no link mostra-se um dado importante: Muito da queda dos índices de HIV em Rakai se deve à mortalidade precoce daqueles infectados pelo HIV no final da década de 90, e associado às condições precárias em Uganda devido a uma guerra civil. Com a diminuição da população infectada (devido às mortes), naturalmente a porcentagem dos que permaneceram infectados ou dos novos infectados durante os anos 90. Ou seja, superestimou-se o papel da abstinência/fidelidade.

  • victordamasceno

    Legal, ver este tipo de cometário aqui….
    Sou infectologista e diariamente atendo pacientes com doenças altamente contagiosas. Já sabia desta história das luvas de látex há muito tempo, porém infelizmente o SUS não cobre a compra de luvas nitrílicas que são comprovadamente mais seguras e eficazes que as de látex.
    Discuti essa situação sobre a exposição de profissionais da área da saúde ainda esta semana com um colega. Se há tanta importancia por parte do governo na prevenção do HIV, por que não começar a tratar os profissionais da área da saúde com pouco mais de rigor? Afinal somos gente igual aos demais. Graças a Deus e também por pura sorte, minha sorologia para HIV, e HCV foram negativas. Enfim riscos diante de riscos…..

    Abraços

  • Renato

    Isso aqui demonstra o que o Fucker falou:

    http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/9223-p…

    Grato.

  • pedro12

    sobre o link acima. poderia perder páginas descreditando.
    mas vou resumir pessoal que acessa a internet precisa aprender a olhar as referencias
    esse site aí tem referencias que datam de VINTE anos atrás. As melhores datam de 10 anos atrás.

    fora a quantidade de referencias que citam sites de internet como fonte segura http://www.zenit.org, aquilo é sério?

  • Dr Health

    Religiões se baseiam em dogmas e doutrinas. Você acha mesmo que sites ligados a alguma religião iriam falar alguma coisa contra suas próprias pregações, mesmo que sejam verdade?

    Nem perco mais tempo refutando. Melhor ignorar.

  • Stifler

    Todo mundo não diz que o sexo perigoso é mais legal?Relaxa e goza galera….kkkk

  • Eduardo

    Olá! Sempre leio os comentários e acho muito interessante a construção do conhecimento.
    Dr. pergunto: a janela com os exames atuais é de 90 dias? Ainda vejo muito desencontro e insegurança por parte da classe médica! 60 dias já é seguro, com os métodos atuais?
    O PCR, utilizado atualmente, exemplo TaqMan – Roche – Ampliprep – 48, que faz quantificação, em tese, de 47 a 10000000 de cópias pode ser utilizado para reduzir o período de janela, que imagino ser de 90 dias?
    Os exames evoluem mas alguns médicos continuam reticentes ou em se atualizar, ou em confiar nos parâmetros expostos pelos fabricantes dos aparelhos!
    Muito se fala dos exames de anticorpos e pouco dos de biologia molecular, por que isso?

    Forte abraço!
    Desculpe a avalanche mas estou lendo sobre o tema e há muito desencontro! Acredito em vossa competência!
    Também sou profissional de saúde e não sinto muita segurança no que tange às luvas que praticamente se esfacelam durante os procedimentos.

  • Pablon

    “Se utilizada corretamente sem falhas, o indivíduo não contrairá doenças.”

    HPV? Não?

    Tendi!

  • Fucker

    Gustavo Almawi Villeth

    Respondendo ás suas perguntas

    Os lotes de preservativos que eram reprovados eram totalmente destruídos. PORÉM, as empresas nunca, jamais eram multadas. O que acontece é o seguinte, nós dizemos a empresa que os lotes forma reprovados, elas incineram o lote e mandam outro.SOMENTE ISSO. O que é uma vergonha do caramba. E sim TODAS AS MARCAS INCLUSIVE AS GRANDES JÁ FORMA REPROVADAS.

    abraços

  • DraPri

    Isso que me preocupa… as luvas de látex. Eu tb as uso todos os dias, com vários pacientes e com muita secreção… e realmente elas rompem muito facilmente. Mas então tb estou a 10 anos dando sorte de ser HIV negativa…

  • Luisaaamatos

    Nossa, desculpa… mas como alguém que escreve “CONCERTEZA” trabalhou no controle de qualidade de uma empresa desse tipo? Vc realmente viu isso acontecer, ou alguém que falou pra alguém que falou pra alguém te contou? E pelo que eu saiba é o inmetro que controla a qualidade dos preservativos, é possível que esse lugar aí nem tivesse o selo do inmetro! Olha, é muito fácil colocar coisas na internet e sair por aí dizendo um monte de mentiras que parecem verdade! Nesse caso, dizer que os preservartivos “naum” suportam nem um sopro?? é muito duvidoso….

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