por
em às | Ciência e tecnologia, Mente e atitude, PdH Shots
E pra comemorar 230 anos, um visual novo também.
Schweppes Music & Drinks. Escolha um evento e um clima, que nós damos o drink e a música perfeita pra você. Clique aqui.
Você está parado, no seu canto, de boa na lagoa, fazendo suas coisas. Ninguém está nem te percebendo. Mesmo assim, subitamente você não sabe onde enfia a cara, de tanta vergonha. Ou então você está em casa, sozinho, completamente isolado de qualquer situação social, e assiste algo que te faz enterrar o rosto nas mãos.
Você não fez nada. Isso tudo é vergonha alheia, por algo que você viu alguém fazer.
Não é estranho? Deve existir algum motivo pra gente sentir isso.
Mesmo quem nunca foi fortemente golpeado na região escrotal faz cara de dor quando vê alguém tomando uma bica nas bolas. Isso se chama empatia. É uma das coisas que nos caracteriza como humanos e nos diferencia dos psicopatas.
Uma pesquisa feita em 1987 definiu o termo acima como o “constrangimento sentido com outra pessoa mesmo que a identidade social de alguém não esteja sob ameaça”.
Voltando ao exemplo acima, nós sentimos uma espécie de “dor de mentira” porque a nossa mente aproveita a oportunidade para aprender que aquilo não é nem um pouco legal. Ela cria uma pequena realidade virtual no qual nós recebemos aquele golpe, para evitar que a gente tenha que passar por aquilo de forma mais real.
Talvez um exemplo melhor seja o de ver alguém se queimando, ou levando um choque (ou batendo a cabeça no armário do quarto durante uma dança). Nós imaginamos claramente a dor da outra pessoa, mesmo que não a estejamos sentindo, com o propósito de não precisarmos nós mesmos nos queimar ou levar um choque para entender que aquilo não é prazeroso.
Sentir-se constrangido pelo constrangimento de outro ser humano muito provavelmente é uma maneira de aprendermos o que não fazer, e como não agir. Diminui a chance de cometermos os mesmos erros.
E por que essa capacidade de aprendizado por observação é importante?
O vídeo acima é uma curta palestra do neurocientista Vilayanur Ramachandran, legendada em português. Em menos de dez minutos, ele explica uma descoberta recente da neurociência, os mirror neurons – neurônios espelho.
Resumidamente: existe um grupo de neurônios de movimento que entra em atividade quando realizamos alguma ação com o corpo, como por exemplo pegar algum objeto na mesa. São os chamados neurônios de comando motor. A descoberta é que uma parte desses neurônios, cerca de 20% deles, também entra em atividade quando vemos outra pessoa realizando a mesma ação.
Eles criam uma espécie de simulação do movimento da outra pessoa, nos colocando no lugar dela. Dessa forma, somos capazes de aprender pela imitação ou emulação.
Outras espécies evoluem de forma darwiniana, adotando características verticalmente ao longo de muitas gerações. Graças a esses neurônios espelho, a humanidade conseguiu aprender coisas horizontalmente, absorvendo em pouco tempo uma nova capacidade que, em outras espécies, levaria diversas gerações de seleção natural para se estabelecer.
…e é por isso que ficamos tão sem graça quando vemos coisas tipo essa:
Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal. [Facebook | Twitter]
O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias. Conheça nossa visão e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.
Enviamos um único email por dia, com nossos textos. Cuidado, ele é radioativo.
Queremos uma discussão de alto nível, sem frescuras e bem humorada. Portanto, leia nossa porra de Política de Comentários.
Lifestyle Magazine
Pingback: Como sair da areia movediça social? | Id #1 | Mugango