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Por que sentimos vergonha alheia?

Fabio Bracht

por
em às | Ciência e tecnologia, Mente e atitude, PdH Shots


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Você está parado, no seu canto, de boa na lagoa, fazendo suas coisas. Ninguém está nem te percebendo. Mesmo assim, subitamente você não sabe onde enfia a cara, de tanta vergonha. Ou então você está em casa, sozinho, completamente isolado de qualquer situação social, e assiste algo que te faz enterrar o rosto nas mãos.

Você não fez nada. Isso tudo é vergonha alheia, por algo que você viu alguém fazer.


YouTube

Não é estranho? Deve existir algum motivo pra gente sentir isso.

Constrangimento empático

Mesmo quem nunca foi fortemente golpeado na região escrotal faz cara de dor quando vê alguém tomando uma bica nas bolas. Isso se chama empatia. É uma das coisas que nos caracteriza como humanos e nos diferencia dos psicopatas.

Uma pesquisa feita em 1987 definiu o termo acima como o “constrangimento sentido com outra pessoa mesmo que a identidade social de alguém não esteja sob ameaça”.

Voltando ao exemplo acima, nós sentimos uma espécie de “dor de mentira” porque a nossa mente aproveita a oportunidade para aprender que aquilo não é nem um pouco legal. Ela cria uma pequena realidade virtual no qual nós recebemos aquele golpe, para evitar que a gente tenha que passar por aquilo de forma mais real.


YouTube

Talvez um exemplo melhor seja o de ver alguém se queimando, ou levando um choque (ou batendo a cabeça no armário do quarto durante uma dança). Nós imaginamos claramente a dor da outra pessoa, mesmo que não a estejamos sentindo, com o propósito de não precisarmos nós mesmos nos queimar ou levar um choque para entender que aquilo não é prazeroso.

Sentir-se constrangido pelo constrangimento de outro ser humano muito provavelmente é uma maneira de aprendermos o que não fazer, e como não agir. Diminui a chance de cometermos os mesmos erros.

E por que essa capacidade de aprendizado por observação é importante?

Neurônios espelho


TED

O vídeo acima é uma curta palestra do neurocientista Vilayanur Ramachandran, legendada em português. Em menos de dez minutos, ele explica uma descoberta recente da neurociência, os mirror neurons – neurônios espelho.

Resumidamente: existe um grupo de neurônios de movimento que entra em atividade quando realizamos alguma ação com o corpo, como por exemplo pegar algum objeto na mesa. São os chamados neurônios de comando motor. A descoberta é que uma parte desses neurônios, cerca de 20% deles, também entra em atividade quando vemos outra pessoa realizando a mesma ação.

Eles criam uma espécie de simulação do movimento da outra pessoa, nos colocando no lugar dela. Dessa forma, somos capazes de aprender pela imitação ou emulação.

Outras espécies evoluem de forma darwiniana, adotando características verticalmente ao longo de muitas gerações. Graças a esses neurônios espelho, a humanidade conseguiu aprender coisas horizontalmente, absorvendo em pouco tempo uma nova capacidade que, em outras espécies, levaria diversas gerações de seleção natural para se estabelecer.

…e é por isso que ficamos tão sem graça quando vemos coisas tipo essa:


YouTube | “Entendeu?”

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal. [Facebook | Twitter]


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  • Luciana_Marques

    Logo no início do texto eu lembrei-me desse vídeo sobre neurônios espelhos…
    A coisa funciona tão bem, que “sentimos” dor com o outro, vergonha alheia, vontade de comer ao ver alguém comendo com tanta vontade, tesão alheio (a pornografia descobriu isso há mais tempo – rsrs)

    Enfim, mecanismo natural fantástico de aprendizagem por observação ;)

  • Gustavo Esquive

    Eu me senti tão mal vendo o vídeo da piadinha do “Bem Estar” ontem que foi o único vídeo que vocês colocaram no texto que eu não dei o play. É muito constrangimento o rapaz tentando explicar a piada, perguntando se todo mundo entendeu… Meus neurônios espelhos fizeram um bom trabalho neste caso.

    • Leandro

      kkkkkkk….verdade. Eu também.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000568223163 Jefferson Pereira

      Muito interessante, coisas quem parecem acontecer “despercebidamente” por nosso cérebro são levados à mostra aqui. Senti na pele o encômodo das outras pessoas no vídeo do Bem Estar por terem forçado a risada e rirem do constragimento alheio, e do “humorista” por ter sido tão constragedor para ele.

  • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

    Engraçado, sempre vi a vergonha alheia como uma forma de julgamento, condenação e escrotização dos outros diante de algum episódio inusitado envolvendo terceiros.

    Nunca vi alguem sofrendo de vergonha alheia estendendo a mão ou sendo generoso com quem era motivo de piada. Alias, quem sente vergonha alheia é incapaz de se imaginar na mesma situação.
    .

    • Gustavo

      Acredito que sentir vergonha alheia, é justamente, sentir-se no lugar da outra pessoa. Mas como a natureza humana é egoísta, nós nos sentimos mal por nós mesmo e não pela outra pessoa. Somente se simpatizarmos com a pessoa em questão que iremos nos solidarizar, se não for o caso, aí sim vira “uma forma de julgamento, condenação e escrotização dos outros…”.

    • Jânio

      Pois é cara, senti dificuldade em associar “vergonha alheia” com empatia, como parece ser a intenção do texto. Acho que o sentimento de vergonha alheia não sinaliza aprendizado, e sim condenação, talvez auto-afirmação através do julgamento de uma atitude que você acredita ser incapaz de fazer, por supostamente ter um melhor entendimento das regras e expectativas sociais que a “vítima”. Daí o escárnio.

      A empatia sim, está associada ao aprendizado. É algo como “putz, poderia ter sido eu!”. Dá vontade de estender a mão, e a situação serve como exemplo.

      Enfim, para mim empatia e vergonha alheia são coisas distintas. Ainda mais nos tempos da internet, quando é tão fácil ver vídeos de fails apenas pelo prazer sarcástico, ou vergonha alheia, e não para sentir empatia.

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        Mesmo para escrotizar, você precisa se imaginar no lugar da pessoa. Já rola uma “empatia do mal”.

      • Juca Caetano

        Concordo com vc Jânio!
        E adorei a “empatia do mal” do Fábio! hauhau

    • http://www.facebook.com/people/Francisco-De-Assis-Rosa/568548135 Francisco De Assis Rosa

      Velho, pra rolar uma “vergonha alheia”, pelo menos no meu caso, tem que rolar no mínimo uma simpatia.
      Se eu não gosto da pessoa, me poco de rir.

  • felipehk

    É impressionante como isso existe. Eu sempre fiquei com vergonha em filmes, séries, novelas quando acontecem situações onde os outros passam vergonha. Seja uma mulher descobrindo o seu marido com uma amante ou outro tipo de situação embaraçada.

    Nunca tinha me dado conta que esse sentimento impacta tantas pessoas. Juro que achava que era uma coisa minha que não via nas outras pessoas.

    Bom saber que mais gente sofre desse mal.

    • Frederico Mattos

      @e762eef80f0ef2dc9cf78ab1abf97ed2:disqus Esse sentimento é mais comum do que você pensa. :)

      • Nélio Oliveira

        Ô…

  • amauri.braz

    QUE DESELEGANTE, ele foi com a Sandra Annenberg.

  • http://www.facebook.com/valsortiz Valquíria Sampaio Ortiz

    Nossa, eu sou uma das que sentem frequentemente vergonha alheia! O pior é quando a pessoa não se dá conta e todo mundo na volta sim…

  • http://www.cafecomamigos.com.br Cristiano Vieira

    Sei.

  • http://www.facebook.com/people/Paola-Proêza/100000233701959 Paola Proêza

    Isso é pura ciência gente ! Nosso cérebro usa isso não só nesses casos, mas em todo tipo de aprendizado… Muito bom esse texto!

  • http://www.facebook.com/groove.chill Tiago Chill

    Eu estava vendo o Bem estar com minha mãe na hora que ele soltou essa piada, a nossa reação foi igual a de todos no programa. Eu acho que a Sandra pensou,”já não basta o Evaristo”?
    Agora, existem casos que a vergonha pelo outro vai além, no caso do reporter ele fez sem querer, mas quando a pessoa faz uma coisa achando que é legal e na verdade está pagando o maior mico, aí sim é muito constrangedor.
    Esse é um exemplo:http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=vWT1FBM94ac

    • Dani

      Tiago, demais esse vídeo, “novo fenômeno”! Estou em licença médica devido à um aborto, ótimo momento pra não fazer nada e descobrir porcarias na net. Pois bem, juro que o produto do meu aborto foi mais bonitinho que isso aí.

  • verossimil

    Não rola empatia (ou “schadenfreude”) quando a “vergonhalheia” é explicitamente FAKE, como no primeiro vídeo.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Engraçado, pra mim rola. O primeiro é o vídeo que mais me deu aquela coisa de querer botar a mão na frente dos olhos pra não ver, sabe? Não é real, mas é perfeitamente possível na realidade, e isso pra muita gente já é suficiente pra engatilhar o mecanismo.

      Ah, e “schadenfreude” não tem NADA a ver com empatia ou mesmo com vergonha alheia. Na verdade seria o contrário de uma vergonha alheia. Schadenfreude tá bem mais puxado pro sadismo, já que é uma sensação de prazer que surge ao ver alguém se dando muito mal.

      • http://twitter.com/AndreTamura André Tamura

        Cara, eu senti que era fake na hora também e perdi um pouco a “vergonha alheia”, no video do apresentador também não senti muito.
        O auge da vergonha alheia é no trabalho ou restaurantes.
        Quando seu chefe manda um “Seje” pro cliente, erra no português etc.
        Quando alguém derruba alguma coisa na mesa.

        *****

        Existem algumas síndromes em que os neurônios espelho ocupam o papel dos neurônios motores, pessoas amputadas chegam acreditar que tem os membros! Cegos tem certeza que enxergam também.

        Mas, “filosofando a ciência” dos neurônios espelhos. As emoções são assim mesmo.

        “Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba.” Hermann Hesse

      • verossimil

        É “schadenfreude” mesmo. Ênfase no “ou”, após “empatia”.

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        “empatia (ou ‘schadenfreude’)” implica claramente que você só está oferecendo outra palavra pra dizer a mesma coisa.

        Tipo: “aviões (ou ‘aeronaves’)”

      • R Principe

        eu entendi o que verossimil falou mais ou menos como no exemplo:”não sinto amor (ou ódio) por você.”

        vale?

      • R Principe

        Ah, mas acho que rola, sim, empatia (ou shadenfreude) mesmo quando a situação é ‘fake’, vide filmes, novelas, pegadinhas, teste de fidelidade do joão kleber…
        A vergonha alheia me incomoda tanto que adoto o mantra “não é de verdade, é ficção, são atores…” pra conseguir encarar.

    • Gustavo Esquive

      Sério que o vídeo da torre é fake? Caraca, mas ai eu fico imaginando: quem montou aquilo só pra alguem derrubar? Deve dar um baita trabalho…

      • pedro

        Uma hora teriam que desmontar mesmo, não ficaria lá para sempre…

      • http://www.facebook.com/erickdeoliveiraleal Erick De Oliveira Leal

        Com computação gráfica é mais fácil fazer isso ;)

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-de-Santana/1784635557 Gustavo de Santana

    Eu evito ver grandes eventos ao vivo (Oscar, Grammy, Troféu Imprensa etc) justamente por causa da vergonha alheia. Não que o evento em si seja motivo de vergonha alheia, tenho medo é de que alguém faça alguma besteira e eu acabe ficando constrangido.

    Ou então numa roda de amigos, se alguém faz uma piada claramente ruim e ninguém consegue nem forçar a risada, eu costumo ser o primeiro a emendar um assunto novo ou a fazer um comentário sorridente, de tanta vergonha que eu sinto da pessoa passar vergonha.

    Isso deve dizer bastante a respeito do meu próprio medo de passar ridículo. Agora eu pelo menos sei que tem empatia no meio também, me sinto menos mal.

  • http://www.facebook.com/breno.zaccaro Breno Zaccaro

    E eu achei boa a piada….

  • Daniel Faleiro

    Fabio, excelente post!
    Parabéns!

  • Guilherme

    Eu achei legal o texto porque finalmente entendi porque isso acontece. Antes eu acha que eu que era muito tímido, e o fulano passando pela situação desconfortável muito extrovertido, cara de pau. hauhauahua

  • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

    Eu tenho um problema sério com isso. Esse é um dos motivos aliás, de eu não ser um entusiasta dos vídeos de nego se ferrando no Youtube. Esse do Bem Estar eu só assisti porque nutro um ódio descomunal por esse “apresentador”. Assisti na boa.

    E isso me traz um pensamento, se a gente tem algo contra aquela pessoa que está se ferrando, a vergonha alheia é superada pelo sentimento de “IAUUU”?

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Sim. Aí vira Schadenfreude.

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Schadenfreude

      A nossa mente é muito du carraille, né?

      • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

        Ahahahah pute que parrìl demais!!

  • Thiago Calazans

    Às vezes eu paro pra pensar: “Caráleo, o cérebro humano é muito foda!” Toda essa questão de psicologia realmente me fascina…

  • http://www.facebook.com/adriana.fayadcampos Adriana Fayad Campos

    Nossa, o video do repórter que derruba a torre é de doer!!! Dava pra ver que o fio do microfone ia encostar ali e desestabilizar a estrutura toda…. e o cara tinha acabado de falar que o pessoal do Guiness de recordes ia lá na próxima semana pra avaliar, putz!!!! Como é que se pede desculpa por uma coisa dessas?! “Foi mal aí”…. dá dó dos dois, por motivos diferentes…. Muito legal o texto, a empatia realmente é parte do que nos humaniza e é bom mesmo que não fiquemos totalmente indiferentes à dor alheia. Sofremos por compaixão, pque poderia ter sido conosco, e ao mesmo tempo sentimos um alíviozinho modestamente sádico por não ter sido. No video da piada realmente fiquei com pena dele, pque piada não se explica, a não ser para criança, e mesmo assim… perde a graça, ou como diz o pessoal por aqui, é como soltar um pombo sem asa…. O video da moça batendo a cabeça foi o que menos me afetou, não sei pque… talvez pque desastres físicos são mais difíceis de se evitar, já os sociais, um pouco mais de cautela poderia ter poupado o infeliz da gafe. No caso do repórter, por exemplo, como lido com coisas delicadas no meu hobby, sou extremamente cuidadosa qdo tem algo por perto que é frágil e não me vejo cometendo aquilo tão facilmente. Lido com público toda semana e aprendi por ver os outros tentarem, que tentar fazer graça qdo não se tem intimidade com sua plateia é pra comediantes profissionais. Ou pra quem não se importa de virar a piada, ao invés de contá-la. Bacana sua escolha de tema, Fábio.

    • http://www.facebook.com/erickdeoliveiraleal Erick De Oliveira Leal

      Dizem nos comentários deste vídeo que a torre é feita em CG – Computação Gráfica.

  • victor

    a piada do tempo seco não foi ruim, ficou embaraçoso pro cara pq os outros 3 ali são lerdos.

  • victor

    e a questão da vergonha alheia eu sinto geralmente quando assisto o programa do jô, quando o convidado se atrapalha na hora de cumprimentar, isso me deixa muito nervoso kk

  • Helga Maria

    Motivo nr. 1 para eu não assistir video-cassetadas do Faustão e afins. Detesto aqueles vídeos de gente se lascando e todo mundo apontando e rindo.

  • http://www.facebook.com/people/Tainan-Machado-SIlva/100002430906327 Tainan Machado SIlva

    Eu sempre senti isso,como algumas pessoas ja falaram aqui pensava que era so comigo,foi na internet que descobri não so um nome para essa “vergonha” que sentia pelos outros como tambem que era um entre muitos que sofria dela.Eu sou muito timido e geralmente sinto vergonha alheia das pessoas em situações onde eu sentiria no luga dela,como fala para plateias.Com o tempo ate ja consegui trabalha muito a minha vergonha alheia,mais ela pode não está tão forte como ela mais ainda assim continua forte.Agora tenho uma explicação cientifica para fala para as pessoas quando me virem sofrendo dela(oque geralmente me faz passa vergonha tambem).

  • neurocientista

    “neurosciência” é foda

  • http://facebook.com/pedravellar Ravell

    Sempre sentia qnd criança vendo desenho, naquele momento meloso… não sabi onde me enfiar…

  • Matheus

    Acredito que ela tenha pensado em se matar depois…http://www.youtube.com/watch?v=I9Y3ZznN2rA

  • http://www.facebook.com/people/Álvaro-Ferreira/100001626649544 Álvaro Ferreira

    Aprendi essa assistindo uma palestra sobre roteiro, que exemplificava a sensação de emoções que sentimos nos filmes e não são nossas, incluindo os pornôs.

  • http://www.facebook.com/matheusvalelage Matheus Vale Lage

    Paz, amor e empatia

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