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Pelo direito de ser um homem torto

Frederico Mattos

por
em às | Artigos e ensaios


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Por mais que pareça estranho – e às vezes parece até pra mim –, eu sempre defendi os desajustados. Quando via filmes ou desenhos, sempre tive facilidade em olhar as coisas sob a perspectiva dos vilões das histórias e me compadecia por eles. Por que será que o Esqueleto não tinha o direito de morar no Castelo de Grayskull (mesmo que enjaulasse a Feiticeira)? Qual problema haveria no Vingador manter os garotos na terra perdida da Caverna do Dragão ou o Capitão Gancho fazer a desforra com o Peter Pan?

O tempo passou e minha curiosidade infantil se transformou em interesse profissional. Me formei psicólogo e sempre tive vontade de trabalhar no sistema penitenciário. Tive experiências curtas, mas bem produtivas, nessa área, ao mesmo tempo que me fixei em um consultório.

O fato assustador é que as características com as quais nos espantamos nos bandidos mais famosos não estão muito distantes de nós. Digo mais: estão em nossas próprias mãos. Foi a necessidade de entender essa relação sombria que me levou a pesquisar a vida de grandes criminosos históricos como Adolf Hitler, Charles Manson e o Maníaco do Parque para escrever o livro “Por que fazemos o mal?“. Nada do que se observa na personalidade deles difere radicalmente de uma pessoa comum.

Você tem todo o necessário pra ser o Baltazar da novela, batendo na mulher

De alguma forma, qualquer um percebe, por intuição, esse tipo de conexão obscura em si mesmo quando me pergunta ao final do relato de primeira sessão: “sou normal, doutor?”

Sem admitir, sabemos que temos um monstro contido dentro de nós, pronto para atacar, submeter ou subverter a ordem vigente, ainda que seja para pisar na grama ou beliscar o irmão mais novo. No trânsito metropolitano, nos revelamos verdadeiros sociopatas. Na empresa, assediamos moralmente sob pretexto de gracinhas entre colegas de trabalho. Esquecemos o troco, atrasamos nos compromissos, falamos indevidamente com os amigos e submetemos nossas namoradas e esposas a situações humilhantes. O que há de generoso nisso tudo?

O álibi está pronto e sempre temos uma explicação brilhante na ponta da língua. Eu, você e o Fernandinho Beira-Mar, todos somos santos.

O que seria normal, afinal? Essa é uma palavra estranha no meu vocabulário, pois pode significar comum, saudável, razoável, digno, moral ou dentro do esperado. Mas qual seria o orgão regulador que carimba o atestado de sanidade ou normalidade para alguém?

As pessoas procuram um psicólogo como se ele fosse um auditor de suas vidas, alguém pra responder a clássica pergunta “onde foi que eu errei?”. Nesses casos, eu me recuso a dar um parecer, afinal, sou um defensor da vida torta – ou melhor, do direito existencial pela vida torta em cada pessoa.

Nada me surpreende e fascina tanto quanto uma vida dita degenerada, fracassada ou cheia de hospício. Naquilo que as pessoas chamam de desvirtuamento existe algo também de genuíno e honesto; às vezes mais do que numa vida morna e regrada. Grandes caras que conheci são efeitos colaterais ambulantes, pois são homens que andaram na contramão, mesmo que involuntariamente, e descobriram beleza em lugares inóspitos e totalmente áridos da existência humana.

Quando usamos métricas matemáticas no quesito humano, asfixiamos a nossa natureza porque reivindicamos direitos morais que são inalcançáveis. O erro me soa muito mais um ato comum que se tivesse o resultado esperado seria chamado acerto, mas que, como foi um tiro n’água, chamamos de erro após uma autópsia emocional tendenciosa. O amor “fracassado” foi tão válido como aquele que “perdurou”.

Dexter: luz e sombra em um mesmo rosto

Gostaria de compartilhar três casos em especial me marcaram no consultório pela linha totalmente fora da curva.

Pedófilo arrependido

Ele vinha de um processo de reinserção social após anos em regime prisional. Havia molestado sua enteada dos 7 aos 16 anos. Depois de sofrer as represálias conhecidas aos pedófilos na cadeia, aquele homem era uma sombra distante do vigor que possuía na juventude. Em seu relato ele dizia com a honestidade de um leão que segura o cervo entre os dentes: “eu a amava, de um jeito estranho, mas eu a amava!”

As sequelas visíveis da menina (depressão e magreza anoréxica) não eram um alerta para aquele homem que “amava” crianças com o coração de um menino. Seu senso estético era pouco evoluído e, apesar de não haver presença de algum retardo, ele guardava consigo a autoimagem de uma criança de 7 anos. Para ele, até ser preso, não havia “pecado” em “namorar” pela internet com uma menina de 8 anos.

Colecionador de sexo bizarro

Ele amava amarrilhos, algemas, punhos, chicotes e animais exóticos. Todos na sua cama super king. Para as pessoas de hábitos sexuais tradicionais (que se aventuram nos orifícios conhecidos) aquele homem soaria bizarro. Mas era tão curioso ouvir o carinho que existia entre ele e sua boneca inflável num ménage a trois com uma porquinha (literalmente) que vinha do interior de SP especialmente para o deleite daquele casal querido.

Se tirássemos as palavras “boneca inflável” e “porquinha” qualquer um conseguiria ouvir um homem relatando seu amor por duas irmãs gêmeas que o correspondiam em pé de igualdade. Excrementos eram usuais em suas transas e, sem o menor pudor, dizia que ingeria fezes como quem comia um brigadeiro de panela.

Assassino não-declarado

Aquele homem era considerado um perigoso “ex”-traficante. Foi para terapia sob intimação da esposa para tratar de seu estranho hábito de afastar quem ele pudesse do caminho dela. Nunca ficou claro o método que aquele espanhol utilizava para afastar as pessoas do convívio de sua amada. Mas ele era de uma fineza no trato de dar inveja. Cumprimentava a todos com extrema gentileza e classe e nunca deixava alguém sem ajuda. De sua boca homicida (nunca revelada) jamais se via uma deselegância ou estupidez. Seu carisma podia convercer qualquer um a permanecer num papo agradável por horas sem fim.

* * *

Com essas histórias, não estou querendo legitimar a prática de crimes, muito menos incentivar ou fazer vista grossa com histórias de abuso. Com consequências, claro, mas apenas retratar vidas possíveis, como a sua e a minha.

Quando um caso de violência doméstica surge nos jornais, ouço a opinião pública inflamada atrás do culpado, execrando cada atitude ao mesmo tempo que cria um perfil psicológico monstruoso do criminoso.

A questão é que não gosto de seguir o caminho comum de julgar, condenar, executar, empacotar a ideia num plástico bolha e mandar para bem longe de mim como se eu fosse a emanação da pureza humana. Nossos descaminhos também compõem aquilo que somos.

De Anakin bonzinho a Lord Vader, em um descaminho só

Existem qualidades impessoais por trás da fachada de perversidade que não podemos negar que possuímos. A mesma inveja que nos consome está presente na admiração irrestrita a um ídolo inspirador que tentamos alcançar de alguma forma. O territorialismo do marido que sufoca a mulher com ciúme também a protege de paqueradores inoportunos. A intensidade das brigas desastrosas está presente nos arroubos apaixonados do mesmo jovem casal de pombinhos. A esperteza disfarçada do estelionatário é semelhante àquela que nos encanta em Morgan Freeman. A presunção que angaria desafetos está embutida na autoconfiança que fecha um negócio milionário.

Justificados ou não, os atos perversos estão intimamente ligados ao bem e à paz que se almeja para um mundo melhor. De um jeito estranho, toleramos a crueldade ao nosso redor como parte da nossa engrenagem sócio-psico-biológica e que ainda alimenta a presença do que chamamos de “mal” entre nós. Como num zoológico psicológico, olhamos o perigoso animal que nos habita enjaulado do lado de fora, “seguro e distanciado” da nossa percepção. É de Clarice Lispector o pensamento que “é preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência. É amor também.”

Isso tudo me levou a pensar que He-Man ao usar seu truque sujo (com a espada mágica) de deixar de ser o fracote Adam contra o Esqueleto não o torna muito diferente daquela malévola pilha de ossos falante. Assim como você, eu e nossos inimigos prediletos.

Para concluir, provoco vocês com o psicanalista Anthony Storr quando diz: “O fato sombrio é que somos a espécie mais cruel e implacável que jamais pisou sobre a Terra e que, embora possamos ficar horrorizados quando lemos, no jornal ou nos livros, histórias sobre atrocidades cometidas pelo homem contra o homem, sabemos, intimamente, que cada um de nós abriga dentro de si os mesmos impulsos selvagens que levam ao assassínio, à tortura e à guerra.”

Frederico Mattos

Sonhador nato, psicólogo provocador, autor do livro "Mães que amam demais" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão, lava pratos e escreve no blog Sobre a vida. No twitter é @fredmattos.


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  • http://www.facebook.com/people/Patricia-Marques/716341860 Patricia Marques

    Ufaaaaa, me sinto mais normal e mais querida também! rs
    Quem nunca quis matar alguém?
    Quem nunca pensou em se jogar da ponte por não poder matar alguém? rs
    Quem? Quem nuncaaaaa? rs

    • Frederico Mattos

      Creio que ignorar esses impulsos é exatamente o que nos leva a agir sob o comando deles. Mantê-los na consciência, sem ignorar nada nos faz ter ações mais lúcidas e menos “corrompidas”.

      Bem-vinda ao mundo dos normais! :)

      • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto


        Todo mundo carrega uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do indivíduo, mais negra e densa ela é. Se uma inferioridade é consciente, sempre se tem uma oportunidade de corrigi-la. Além do mais, ela está constantemente em contato com outros interesses, de modo que está continuamente sujeita a modificações. Porém, se é reprimida e isolada da consciência, jamais é corrigida, e pode irromper subitamente em um momento de inconsciência. De qualquer modo, forma um obstáculo inconsciente, impedindo nossos mais bem-intencionado propósitos”

        Carl Jung

      • Guilherme Z.

        Perfeito! Temos de desenvolver e “diferenciar” nossa sombra, para que ela possa realmente estar inserida no todo que somos… ignorar não é a solução

  • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

    O que é “certo” e “errado” não é a psicologia que responde, se sempre teve curiosidade procurou no campo errado…

    Eu tenho medo de textos assim, as pessoas começam a justificar muitas coisas que não podem ser justificadas.

    • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

      para mim, o verbo correto não é “justificar”, mas sim “elucidar”.
      leio textos assim não para seguir ao pé da letra, mas para compreender melhor a mim e ao mundo que me cerca. ainda que o tema cause repulsa — como pode ser o caso deste texto aqui –, é importante para o homem esmiuçar o que há de belo e de podre em sua natureza. fazer isso é levar a sério o aforismo “conhece-te a ti mesmo”. mas concordo contigo: a psicologia não “responde” o que é certo ou errado. nem se presta a isso, mas sim a averiguar naturezas que estão além de convenções como “certo” e “errado”.

    • Frederico Mattos

      Gabriel, seu temor é compreensível, já tive ele. A Psicologia me ajudou a entender a natureza de certos comportamentos, a ética em relação a eles eu mesmo busquei em outras fontes e no meu coração.

      Você pode me dar 10 mil justificativas para qualquer coisa que ache hedionda, a escolha de cometê-la ainda é minha. 

      Se alguém comete algo em função de alguma explicação psicológica é sinal que aquilo só estava latente esperando um evento disparador, que pode ser qualquer coisa, de um texto à um beijo na boca. 

      A crueldade humana, que nos pertence a todos, está bem mais perto (e dentro) de nós do que imaginamos. Conhecê-la frontalmente (e não ignorar o fato) ao contrário de instigá-la é um bom preventivo para que ela não seja concretizada.

      • Luciana Marques

        Put@quePariu Esse comentário deveria fazer parte do texto! FANTÁSTICO

      • Thiago Calazans

        É isso, todos nós temos as mesmas capacidades (e vontades) para fazer o mal, mas não o fazemos, seja porque sabemos que é errado, e temos o caráter para não permití-lo, ou porque a reação do mal pode sair bem pior para nós. 

        Não matamos, por exemplo, porque sabemos que é a vida de outra pessoa, isso é errado e você não queria o mesmo; ou porque se matarmos podemos ser condenados pela lei ou por algum deus.

        Sendo que o mal para alguém ou algo pode ser o bem para outro sujeito e vice-versa. Não existe o lado bom e o lado mau, existem ações que podem refletir boas e más ações.

        Isso é o que penso… 
        A propósito, ótimo artigo! Adoro artigos que envolvam estudo sobre a mente humana.

      • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

        Interessante notar que quando se faz algo contra a sua moral, seu caráter, nós não o fazemos porque a culpa é bem pior do que o ganho na ação.

        Pode resumir o comportamento ai a uma analise de custo x beneficio.

      • Thiago Calazans

        É quando a consciência fica pesada, rs.

        Mas temos que pensar em outra coisa: o psicopata é uma pessoa com uma mente sem consciência, como podemos ‘saber o mal’ de uma pessoa assim @fredericomattos:disqus?

      • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

        Não tenho medo pelo fato de saber que existe o “lado mal”, nesse ponto concordo com o Rodolfo Viana que a Ciência deve elucidar, mas sim pelo pessoal que passa a defender vairas especies de crimes usando dessa posição sua ai no texto, os direitos humanos liga. Ai se justifica e defende um monte de coisas que não podem ser defendidas.
        Meu “medo” é justamente essa argumentação na boca de certas pessoas. O fato de elas quererem criar uma ética a partir disso e apenas disso. De ninguém poder ser culpado pois todo mundo carrega o mal dentro de si. 

        Você também falou que a escolha é sua, e falou sobre evento disparador. Existe “real” escolha se um evento é que dispara o comportamento? Como ficaria a ética assumindo que os eventos disparam os comportamentos (determinismo)?

        A titulo de curiosidade, qual sua abordagem da psicologia?

        (Muito bom o texto por sinal, deixa o caminho para um debate sobre ética e moral fantástico)

      • Frederico Mattos

        Sabe Gabriel, quando leio o que você diz sinto uma falas repetidas sobre “certas pessoas” como nessas  ”as pessoas começam a justificar” ou ”pelo pessoal que passa a defender ” ou ”
        se justifica e defende” ou “na boca de certas pessoas” ou “elas quererem criar uma ética” ou “ninguém poder ser culpado”.

        Isso soa bem teoria da conspiração, entende? Sobre quem você realmente fala? Quando algo assim acontece no meio de uma sessão de terapia eu sempre me pergunto se a pessoa fala “das pessoas” como um marionete de si mesma ou peço para especificar sobre quem fala. Acho estranho partir de uma conversa onde não sei quem são “as pessoas”… Entende?

        Quando falo de evento disparador, eu falo de um evento que disparou, não criou nem a arma, nem a raiva e nem o projétil atirado. O que dispara não é a causa, mas um dos elementos, portanto nada determinista. Portanto, há escolha SEMPRE.
        Sobre minha abordagem: http://www.sobreavida.com.br/o-autor/

      • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

        Respondendo ao Frederico, 

        Usei muito mesmo as expressões que você citou, nesse sentido minha ideia é simplesmente isso, existem pessoas, tentei cassar algum caso onde os direitos humanos fazem uma defesa baseada nisso e não consegui, mas você deve conhecer alguém que defende penas menores, tratamento e coisas desse tipo para criminosos, em hipótese alguma pensei algo como teoria da conspiração… tem o post do delegado ai no phd mostrando meu ponto de vista.

      • http://www.facebook.com/rafael.allegretti Rafael Allegretti

        Concordo contigo. Todos nós temos uma pré-disposição para cometermos atrocidades. Como diria o Coringa “A insanidade é como a gravidade, tudo o que se precisa é de um empurrãozinho.”

        Não podemos nunca nos esquecer que somos animais, temos instintos e a selvageria contida dentro de nós mesmos sob uma sensação de falsa consciência. A maioria das pessoas que cometem assassinatos, por exemplo, tem motivos perfeitamente racionais para isso, são capazes de enumerá-los e explicar perfeitamente. Todos nós temos isso, e acho que são justamente os nossos defeitos que nos definem!

        Fica um trecho de uma música do Jay Vaquer, “Formidável Mundo Cão”

        “Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
        Tirar das costas esse peso
        No corre-corre de doidos e animais
        Ninguém será capaz de apontar quem tava preso”

  • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

    eu leio seus textos e penso “queria ter escrito isso”.

    eu te odeio, fred mattos. rs…

    • Frederico Mattos

      Pois eu penso o mesmo dos seus textos! Que faremos? 
      Tão bom odiar quem a gente admira! ;)

    • http://twitter.com/lucianoandolini Luciano Andolini

      Somos dois.

  • http://www.facebook.com/gumorelli Gustavo Morelli

    Sensacional texto Fred!
    Trabalho diariamente contra o crime, e tbm procuro e consigo ver perfeitamente o lado dos criminosos. No direito, tem surgido teorias que visam, inclusive, considerar diretamente a personalidade do autor, tanto de forma favorável como desfavorável.
    A propósito, John Locke sempre afirmou nossa natureza do mal. Eu concordo, somos, no fundo, pessoas más. O exemplo que enxergo mais claro td isso é a pessoa que, durante o sono, descobre o parceiro para se cobrir sem se importar com tal situação.
    Sobre is criminosos Fred, caso não conheça. Existe o livro “Mentes criminosas” de uma psiquiatra chama Ana Carolina Barbosa (salvo engano). Recomendo.
    Forte abraço.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001827291534 Mateus Karvat

    Fantástico!

  • Leandro

    …..somos almas e criações…..muito mais que seres selvagens….e tb ninguém sabe o que é o certo e o errado…..    

    • Frederico Mattos

      …….Não entendi sua colocação…….

  • Pedro Nunes

    E aquele momento em que as “atrocidades” que as pessoas normais leem nos jornais e ficam chocadas não são nada mais do que coisas normais que acontecem a todo momento? Aos poucos vamos nos tornando insensíveis…

    Abrace você também seu amigo sociopata :3

    • Frederico Mattos

      O ponto é manter o olhar desperto, para dentro ou para fora, anestesia em qualquer sentido é tóxico…

  • http://ulisses.tenorio.zip.net Ulisses Tenório da Silva

    Quero com este comentário tecer elogios não a apenas este, que de tão bom me inspirou a fazê-lo, mas à grande maioria dos artigos publicados neste blog. São textos inteligentes, e que nos fazem pensar, questionar o mundo e o senso comum. Adoro isso. Desde que conheci este lugar vídeo leitor assíduo. Espero que o nível dos artigos continue assim, lá bem no alto. Obrigado!

  • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

    “Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba.” Hermann Hesse.

    ****
    Muito legal o texto! Lembro de uma palestra em que um dos tópicos abordava modelos mentais: na tríade – Neuróticos, Perversos e Psicóticos. O cenário usado foi um gramado no meio do caminho com a placa: “Não pise na Grama”. Os neuróticos (a maioria de nós) dão a volta e não pisam na grama, os perversos observam se ninguem esta vendo e passam pela grama, já para aos psicóticos a placa nem está lá!

    ****
    Eu achei as histórias bizarras!!  Espero não me apaixonar por uma criança, não matar pessoas, transar com porquinhos ou comer merda.

    Fred, qual o primeiro pensamento / sensação que brota quando ouve esse tipo de relato direto do autor?

    Valeu pelo conteúdo!

    • Frederico Mattos

      O pensamento que me vem é de assombro, então me lembro que não há nada de distante entre eu e ele, então o assombro dá lugar à minha sombra projetada nele e aquilo me deixa tranquilo

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Texto manero, Fred.

    Essa linha tenue entre insanidade e imoralidade é foda. Eu sempre fico na dúvida se certos atos são escolhas pessoais – e portanto passíveis de julgamento moral – ou impulsos incontroláveis, das quais o agressor também é vítima.

    Como você enxerga isso, já que você é psicólogo?

    • Frederico Mattos

      Que bom que gostou, Rafa.

      Seja fruto de impulso ou escolha consciente a consequencia quem lida é você. Mas de forma geral o crivo é sempre da consciência, mesmo uma explosão de raiva é uma escolha fruto de outra micro-escolhas anteriores que fizemos ou deixamos de fazer. mesmo a não escolha é uma escolha.

  • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

    tô me sentindo muito mais lúcido da minha loucura
    and it feels good

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Depois desse texto a normalidade me pareceu tão abstrata quanto um quadro de Wassily Kandinsky, ou seja, desejada mas difícil de entender.

    Mas o  padrão é o que normaliza e gerencia a sociedade sem o qual não teríamos um norte, o que fazer então com aquela faixa da população que se acha normal ao seu jeito como o amante de crianças?

    Em tempo, eu sempre me revoltei com o Lion e seus amigos felinos, nunca achei justo eles socaram o Mun-Ha ou sei lá como se escreve, só porque ele queria ficar com a terra dele só para ele.

    E quem nunca quis ferrar com papa-léguas também?

    • Frederico Mattos

      Não há nada no meu entender que deva isso ou aquilo, cada vida e escolha tem um desdobramento que a pessoa vai assumir ou alguém vai assumir por ela. Do amante de crianças ao amante de adultos.

      E o papa-léguas é bem tentador, podia ser o ser irmão mais novo.

      • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

        Então qual é o papel da psicologia se tudo que vemos é desdobramento do “normal”? Por que tentamos entender e normatizar comportamentos?

      • Frederico Mattos

        Em momento nenhum eu disse que a Psicologia clínica normatiza as coisas, é a Associação de Psiquiatria Americana que estabelece critérios diagnósticos para transtornos mentais. Na prática de consultório não tem muita normatização não.

  • Dado Teles

    Excelente texto, Fred!

    Quantas e quantas vezes não pensei na pena de morte para assassinos e políticos corruptos…
    Quantas e quantas vezes não desejei fazer picadinho de um pedófilo que molestou uma inocente criança…

    E por aí vai… “quem não tem pecado que atire a primeira pedra!”

    • Frederico Mattos

      Valeu!

      Embalamos essas imagens num pacote e mandamos elas bem longe de nós…

  • http://twitter.com/LeLawyer Alexandre Nunes

    Fred, mandou benzaço. Você me conhece e sabe que eu não sou dos mais retos…
    Publiquei no PdH um texto seguindo mais ou menos essa linha, dizendo que, em alguma escala, somos todos fundamentalistas.
    Entretanto, você abordou o tema com maestria e de forma muito mais competente que eu. Parabéns!

    • Frederico Mattos

      Alexandre

      Você pode se considerar um “não sou dos mais retos”, mas acho que tem uma característica essencial que é admitir e fazer algo com isso. 

      Você tem abertura para mudar e tem sensibilidade para isso.

      Tá no caminho! :)

  • Polygall

    Mto bom Fred, parabéns! Acredito que o nosso julgamento seja um apelo insconciente de nos sentirmos melhores e menos pecadores….e tb de desviar nossa atenção e a atenção de terceiros para a nossa sombra….tentando esconde-la. Alias, recomendo a leitura do livro “O Efeito Sombra”. O desafio é o autoconhecimento identificando esse lado animal, impulsivo, instintivo para direciona-lo, domestica-lo…talvez.

    • Frederico Mattos

      Polygall

      Sim, o julgamento é uma forma de distanciar os nossos impulsos de nossos olhos e deixar a ferida purgar menos… maneira bem pobre de amadurecer tudo aquilo que podemos ser.

  • Beatriz

    Esse texto me lembrou uma frase que não sei de quem é, mas que já ouvi muito da minha mãe: Dentro de todos nós existem dois cachorros numa luta eterna, o Bem e o Mal. Vence aquele que eu alimento.
    Texto para refletir, Frederico. Parabéns!

    • Frederico Mattos

      Obrigado, Beatriz, e o que refletiu concretamente?

  • Marcos Augusto Nunes

    A única coisa que me interessa em arte não é seu equilíbrio, mas seu desequilíbrio; não a perfeição, mas a imperfeição; não a busca da beleza, mas o encontro com o real sem absoluto, com todas as suas possibilidades. Em suma, a expressão artística do chamado mal-estar da civilização; o atrito entre o sujeito e a própria construção de si mesmo com base em todas as informações que lhe são exteriores, mesmo porque sem percepção do mundo exterior para formar o ser ele nada é além de um vegetal.

    Então não é bem gostar do desajustado, mas repetir a ancestral fórmula “nada do que é humano me é estranho”: somos todos desajustados; em cada um de nós há tudo o que há, sendo nossas supostas escolhas nada além de problemas encobertos pelas fórmulas “isso eu amo”, “isso eu odeio”.

    Dito isso, bem, consulta:

    Tenho uma irmã completamente esquizofrênica e paranoica, mas que não aceita qualquer orientação, além de refutar tratamento de qualquer tipo. O que fazer? Deixar que ela surte, o que pode levá-la, entre extremos, a se matar ou matar alguém? Alguma ideia?

    • Frederico Mattos

      Sim, somos todos desajustados e existe beleza nisso! ;)

      Me mande um email, fica mais fácil orientar: fasom1 @ yahoo.com.br 

  • http://www.facebook.com/people/Junior-De-Vecchi/100002212790955 Junior De Vecchi

    Fred, parabéns novamente, ótimo texto

    • Frederico Mattos

      Valeu!

  • http://www.facebook.com/people/Edmo-Carlos-de-Freitas/100000900459725 Edmo Carlos de Freitas

    Vc é foda Fred! Como disse o Rodolfo Viana, tudo que vc escreve me bate uma inveja!rsrs
    Sempre pensei dessa maneira, e nunca fui compreendido por quem quer que seja. E pela 1º vez vi alguem pensando como eu (que alegria!).
    Esse texto e esses pensamentos, sempre me lembram a frase de Terêncio “Nada do que é humano me é estranho”. Acho que julgar os outros é exatamente uma atitude de auto defesa da sociedade, é um fechar de olhos pra essência humana, somos mais bichos e temos mais instinto do que raciocínio lógico. E uma das coisas que mais nos atrasa nessa evolução de pensamento é a moral(que em regra é cristã), que já está tão enraizada em nossa sociedade que chega a ser difícil desvincular.
    E por último, assim como o Rafa também quero saber a visão da psicologia sobre quando termina as escolhas pessoais e onde começam os impulsos incontroláveis, se é que existe essa linha tênue, ou se toda escolha pessoal é um impulso!rs
    Bem, excelentes textos, todos que vc escreveu no PdH até agora eu bato palma e agradeço por nos mostrar e elucidar idéias tão interessantes.

    • Frederico Mattos

      Que bom, tenho muita inveja também, relaxa!

      Como disse a ele, tudo é escolha, ninguem é possuido por um alienígena maluco, são impulsos que negamos e que vem à tona na hora que fazemos concessões.

  • http://www.facebook.com/renato.toso Renato Gonçalves Toso

    Parabéns, cara. Texto grandioso.

  • http://www.facebook.com/people/Rodrigo-Morais/530616897 Rodrigo Morais

    Do ponto de vista psicanalitico, até que faz sentido. Esses impulsos são originados de verdades primitivas que existem nos seres humanos, que ficam impressas em eventos traumáticos e que se justificam tais comportamentos.

    Mas e se for considerar o ponto comportamental, por exemplo? Um campo aonde não existe, de certa forma, o desejo, e diretamente o inconsciente? Deixa-se o campo do justificável e nos faz pensar em no máximo, compreensão, por que tais impulsos nasceram de comportamentos reforçadores e ao longo do tempo, foram se modificando, levando a um ser humano a comer fezes, como relatado no texto.

    Ora, contrapoe-se a visão da psicanalise, do aceitável, mas abre-se margem para perguntar como diabos uma atitude dessa aconteceu e por que. Não, não é normal alguém comer fezes. O problema da psicanalise é a aceitação quase que grotesca do primitivo. Tudo é bacana e tudo é permitido? Calma ai. Justificar ações por conta de motivações inconscientes se chama racionalização, não ajuda e não resolve em nada.

    Me interessa, na verdade, se alguém esta no consultório, relatando esses problemas é a própria solução destes problemas. 

    O que aconteceu?

    • Frederico Mattos

      A Psicanálise nunca pregou, porque não prega, não é uma verdade incontestável. 
      Em segundo, ela nunca disse que foi aberta ou fechada a liberação de nada. Ela retrata o inconsciente e suas relações com a consciencia, só issoTerceiro, explicações não são justificativas ou legitimações. Explicar o holocausto não é justificá-lo, é apenas olhar como tudo se desdobrou, por exemplo.A Psicologia comportamental é uma das visões da psicologia e entende que temos comportamentos condicionados mais e menos explícitos. E é uma curva de 1o grau a esquerda que chega bem longe, nada mágico.

  • Felipe Cardoso

    ótimo texto, parabéns! É exatamente o que eu gosto de encontrar no PDH!

  • http://twitter.com/_Croco Adriano C.

    Me identifiquei muito com a parte de: “ser fascinado por pessoas tortas”. A diferença entre o autor e eu, é que eu – assumo – não sei lidar com isso. Por isso até hoje não cursei psicologia.

    Esse texto me faz lembrar uma frase, que norteia meus atos, e é muito pertinente a esse assunto:

    “Ninguém se perdeu, é tudo verdade e caminho. ” (Fernando Pessoa)

    Ou seja, por mais que achamos que não, todos tem um lado “Broken”. Mas, Mesmo sabendo disso, minha energia interna se contorce quando escuto alguns relatos bizarros, preciso aprender a praticar a tolerância… ahahahaha

    No final, só espero que mesmo andando de forma meia torta, todos consigam evoluir. Seja agora ou depois.

    • Frederico Mattos

      Adriano

      Evoluir pressupõe uma moralidade ou linha padrão de comportamento, acho o olhar do Fernando Pessoa mais parecido com o que chamo de olhar contemplativo, admirar tudo, inclusivo o chanco que existe em nós…

  • Rodrigo

    Me interessei em ler o livro depois desse texto

    • Frederico Mattos

      O link está no meio do texto! :)

  • http://twitter.com/ddubard Diego Dubard

    Um dos mestres do Quadrinhos, Allan Moore, usou o Coringa para criticar a homogeinização do “normal”.

    “Senhoras e senhores!!! Vocês já o conhecem pelas manchetes dos
    jornais!! Agora tremam ao ver com seus próprios olhos o mais raro e
    trágico dos mistérios da natureza!! Apresento… O HOMEM COMUM!!!
    Fisicamente ridículo, ele possui, por outro lado, uma visão deturpada de
    valores. Observem o seu repugnante senso de humanidade, a disforme
    consciência social e o asqueroso otimismo. É mesmo de dar náuseas, não??
    O mais repulsivo de tudo são suas frágeis e inúteis noções de ordem e
    sanidade. Se for submetido a muita pressão… ele QUEBRA!! Então, como ele
    faz para viver?? Como esse pobre e patético espécime sobrevive ao mundo
    cruel e irracional de hoje? A triste resposta é… “NÃO MUITO BEM!”
    Frente ao inegável fato de que a existência humana é louca, casual e sem
    finalidade, um em cada oito deles fica piradinho!! E quem pode
    culpá-los? Num mundo psicótico como esse… qualquer outra reação seria
    LOUCURA!!”

  • Tom Silveira

    Como sempre digo e ainda me dizem que sou doido: Temos a mesma semente do mal do estuprador, do ladrao, do sociopata, do corrupto, de tudo quanto é qualidade ruim que vemos nos outros. Afinal só se pode reconhecer no outro o que já temos em nós, só vemos que o outro ama pq reconhecemos esse sentimento em nós, já está lá assim como os sentimentos “não bons”.

    Mas então… um pai que tem uma filha estuprada, ou a esposa que é trocada pela porquinha ou boneca inflável vai ter essa lucidez no olhar e percepção?! as coisas são bem complicadas na experiência direta.

    • Frederico Mattos

      Sobre a primeira parte, sim só reconhecemos o que possuímos em nós.

      Na prática não digo que seja simples ou tranquilo isso, por isso o texto fala de noções gerais, mas para lidar com um fato direto é importante entender a singularidade dele.

  • Vinicius Lima

    Fred, onde você fez faculdade de psicologia?

  • http://profiles.yahoo.com/u/GKFMTD3TXJGM4KSDM4RN4HP444 Osmar

    Me foi muito prazeroso ler esse texto. Realmente vivemos um mondo do politicamente correto que me dá nojo. Parece que todos somos perfeitos e que além de não fazer nada antissocial não temos o direito sequer de pensar nada antissocial.

    Também tenho a mania de tentar entender a cabeça dos criminosos. Invariavelmente eles se dão mau por suas práticas, sabem que vão se dar mau e continuam fazendo. Vai ter convicção assim na pqp.

    P.: Não sei porque mas o olhar do autor na foto me dá medo!

    • Frederico Mattos


      o olhar do autor na foto me dá medo! ”

      kkkkkkkkkkkkkkk, fica com medo não! Sou inofensivo, ou talvez não! ~_OMas discordo nem todo criminoso se dá mal, alguns sobrevivem bem e morrem velhos.

  • http://twitter.com/lucianoandolini Luciano Andolini

    Fred,

    Você colocou uns exemplos bem hardcore aí, hein? Achei bem interessante.

    Mas fiquei pensando cá com meus botões que, talvez, estes casos mais extremos não sejam o que mais nos perturba, já que a impressão que tenho é que eles nos soam muito distantes, quase fantasiosos. Nós preferimos jogar eles num hospício, numa cadeia ou sei-lá-o-que e pronto. O que eu acabei esperando do seu texto quando vi o título e, de certa forma, não veio, era algo mais relacionado ao homem torto do dia-a-dia.

    No fundo, acredito que alguns de nós têm uma mania de super-herói, uma busca meio maluca por uma perfeição e uma honra que acaba nos deixando… malucos! Sabe aquele cara que fuma maconha e toma umas cervejas e depois fica se culpando? Ou então aquele que reprime sua raiva, seus ciúmes, suas desconfianças, só para ser legal? E aquele que agrada todo mundo, com medo de ser o vilão?

    Então, tenho a impressão de que esses caras vivem numa zona de conflito interno bem complicada de lidar. E isso se transforma num drama silencioso. Diferente dos caras que você mencionou que acabam indo até o fim, esses que vivem no silêncio perdem um determinado sabor da vida por pura repressão.

    Quando vi o título do texto, juro que pensei que você vinha em defesa desses caras, aqueles que bem poderiam ter um toque a mais de lado negro e, com isso, talvez, se aliar a algo que pudesse lhes ser útil em algum momento.

    • Frederico Mattos

      Luciano

      Mas o que eu disse é que eles e nós não estamos distantes, só na aparência. E que o chamado “homem bom” precisa resgatar algo de sua primitividade para poder deslanchar, pois por temer descer a ladeira ele se contêm o tempo todo.Todos tem o direito a ser o homem torto em alguma medida e ainda que negue isso há um homem torto dentro de si, que alfineta as demais pessoas, agride, prejudica.

  • Favarao

    Sabia que não poderia ser o único a gostar viloes!

  • Clara

    Gabriel, todos temos medo dessa exploração da natureza humana. Acontence que não é do intuito da psicologia justificar a violência, mas compreendê-la e, assim, não deixar que ela se perpetue e esse ciclo nunca tenha fim.
    Ter medo ou praticar o ato violento, essas são ações estritamente emparelhadas. Prova disso são as atrocidades que queremos fazer com os vilões sociais. A violência deve ser compreendida em todos os seus atos, para que a extirpemos do ciclo social e evitemos o sofrimento de um algoz. Consequentemente, evitemos o sofrimento que ele pode trazer para suas vitimas.
    O Fred não me parece ser condescendente às violências expostas, mas o que eu compreendi é que excecrar o sujeito que tem a mesma estrutura que a nossa não é eficaz, mas sim entender o que das nossas práticas relacionais selvagens podem corroborar para a disseminação da agressividade.

  • http://www.facebook.com/people/Arthur-Magno-Souza/1801804566 Arthur Magno Souza

    Um dos melhores textos que eu já li no Papo de homem

  • http://euterpe.blog.br/ Leonardo

    Acho que existe nesse texto a tal glamourização da “originalidade” dos marginalizados. E acho que ela não deveria se justificar nem mesmo como retórica para revelar que o mal surge do mesmo impulso que também pode gerar coisas toleráveis quando dentro de um limite, porque isso pode ser tomado como óbvio: como sociedade nós criamos direitos coletivos que não toleram a transgressão de certos limites, e para proteger esses direitos coletivos criamos leis que proíbem e punem a violência que não toleramos – é tudo uma chave do mesmo eixo de direito individual e coletivo, só que com uma definição negativa nos tolhimentos dados pela lei, e não positiva. Já glamourizar esses abusos e tentar dissolver o sentimento de revolta diante da injustiça dentro desse direito coletivo acaba lembrando justamente uma criança diante das personagens de desenhos, cuja empatia leva a afinidades eletivas com bases puramente estéticas. A diferença é que nesses casos dados como exemplos se trata da “vida real” e que à parte da simplicidade do direito – que dá os limites do bem e do mal por definição negativa, marginalizando os criminosos que ultrapassam o limite do crime -, o sentimento de injustiça da nossa parte é sempre mais complexo, porque é positivo, tem suas razões de ser anteriores ao limite do crime. E quando o texto retrata a revolta com um ato de abuso como uma pobreza de espírito, como a mera caricatura feita desse mal glamourizado, ele não está reforçando o entendimento do mal (que não revela muito mais do que o óbvio): ele está transformando é o sentimento básico de injustiça em uma caricatura. O que eu sugiro é que se pense se o sentimento de injustiça não pode estar fundado muito mais do que na empatia pela beleza poética dos marginalizados, mas em uma civilidade que não deve ser confundida com a lei: ninguém se revolta simplesmente porque uma lei (definição negativa) é transgredida (casos como infrações de trânsito, pirataria, sonegação de impostos), mas sim quando uma dignidade muito mais essencial é transgredida, o que aqui parte de uma definição positiva que não é a hipocrisia que tolhe os marginalizados, é apenas os laços que nos tornam humanos e fazem com que nos importemos com as coisas. A lei só vem depois, pra tornar a convivência um pouco mais possível.

    • Frederico Mattos

      Você seguiu uma linha jurídica que acho bem razoável, mas não foi meu ponto. Não digo em nenhum momento que se deva abolir leis ou incentivar a criminalidade.

      Também não incito passividade ou injustiça pelo uso da empatia. O que eu coloco no texto é a diminuição do abismo imaginário que existe na figura do criminoso monstruoso e a pessoa “comum”.
      Não acho que exista algo de original e fantástico na vida torta, mas algo de impetuoso, que o cidadão comum renega.

      Não falo com os agentes do Direito nesse texto, mas com o leitor que se afeta por tudo achando que ele é algo distante ou diferente do ponto de vista EMOCIONAL e não necessariamente ideológico.

      • http://www.facebook.com/people/Edmo-Carlos-de-Freitas/100000900459725 Edmo Carlos de Freitas

        A parte jurídica se justifica exatamente em ter uma maneira de mantermos a sociedade em ordem. É exatamente a busca do Estado Civil de Locke, pois caso contrário, nos manteríamos em um eterno Estado de Natureza. O texto, ao meu ver, não busca o retorno ao ser primitivo, e sim um melhor intendimento do individuo moderno, pra que ele esteja melhor preparado para essa sociedade que vivemos, é um auto conhecimento necessário e que muitas vezes é esquecido.
        Quem sabe se isso fosse alcançado, um dia nós consigamos viver sem leis, apenas com base no respeito aos direitos dos outros, quem sabe conseguiríamos atingir esse nível que os filósofos gregos buscavam.

      • http://euterpe.blog.br/ Leonardo

        Sim, entendo que a sugestão de autoconhecimento seja nobre e que o tema seja mesmo MUITO instigante, mas estou representando esse outro lado chamado de “afetação” quando se reage diante de algo que é sentido como injusto.

        É que pode parecer que o bem e o mal são meras convenções suspensas, um aparato quase arbitrário de valores que não toca a realidade univocamente. E que por isso estamos para o mal como para uma convenção que se ajusta melhor para alguns e pior para outros – daí a nossa proximidade, por debaixo da artificialidade das convenções, com os “malfeitores” quando examinamos a via direta da realidade. Mas pensando nos exemplos que você deu, eu acho mal-acabado deixar de complementar essa conclusão com uma outra: também existe, sim, uma diferença entre o homem que transforma o bem em caráter e o que falha nesse sentido – e a importância de se fazer constar essa outra conclusão explicitamente é justamente não ficarmos apenas com esse primeiro niilismo na mão, do bem e o mal como convenções.

        Tentando resumir, os dados que entram nessa conclusão que diferencia o homem que age bem e o que age mal são a escolha e a natureza. A escolha por ser a base de qualquer doutrina ética, e a natureza por ser o parâmetro pelo qual algo pode se atualizar plenamente. Na ética aristotélica, o conceito de bem e de virtude passa justamente pelo conceito de excelência, e excelente é aquilo que é perfeito, realizado. Assim, só é excelente o ser singular que realiza plenamente a natureza da espécie da qual ele é um exemplo, uma instância. No caso do homem, por exemplo, seguindo a definição aristotélica, o homem é um animal racional. Essa é sua essência, sua natureza. Isso significa que a excelência humana é realizar plenamente essa essência, a “humanidade”, dentro das limitações materiais do ser singular. Um homem singular qualquer só é plenamente homem, só realiza a perfeição humana, se ele age de acordo com a sua natureza, ou seja, de acordo com a “razão”.

        Mas isso não significa que ele vai conseguir fazer isso sempre. Por vezes ele vai se deixar guiar por instintos baixos, prazeres imediatos, emoções fortes e arrebatadoras. E é aqui que se diferencia a construção do caráter: o que lhe resta fazer é criar um “habitus” – diriam os medievais – ou seja, treinar, a cada situação, agindo de forma a realizar sua natureza humana plenamente. Com o tempo, essa ação contínua cria um caráter. Por isso não será um único ato mau ou um único ato bom que tornará alguém mau e nem bom respectivamente.

        Muitos de nós pode agir de maneira má e encontrar espaço para agir contra aquilo que é razoável – e daí talvez possamos um dia reconhecer que essas atitudes foram contra uma outra possibilidade melhor. Mas quando isso é patológico ou habitual, isso se torna a afecção da chamada acrasia, ou seja, a incapacidade de agir de acordo com o bom. É isso o que eu vejo nos exemplos que você trouxe, o que acho que em uma escala maior se diferencia (pelas mais diversas razões, mas pelas quais passam os dados da escolha e da natureza) de pessoas que encontram um hábito mais compatível com um bom caráter, e isso não é pouca coisa.

        (Me baseei um tanto no que este indivíduo escreve só pra tentar ser sintético com a questão: http://oleniski.blogspot.com.br/).

  • Lucas Franco

    Acredito que a normalidade tem muito a ver com a publicidade dos atos. Todos sabem que o que é normal é uma coisa artifical, social, uma série de convenções para impedir que as pessoas se matem a todo instante, e não exatamente o que a maioria faz a todo o momento. O exemplo mais trivial é que a maioria dos homens que conhece uma mulher na balada quer sair de lá direto para um motel, mas praticamente nenhum quer essa mulher para casar. A maioria dos homens quer que sua mulher seja uma máquina de fazer sexo, mas nenhum quer que a SUA mulher seja reconhecida por isso. É complicado demais. A diferença entre o certo e o errado está em quantas pessoas estão vendo o seu ato.

    sabe aquela coisa: “o que foi feito na eurotrip fica lá”?

    em tempo: toda regra tem exceções e 50% + 1 é maioria.

    • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

      Exatamente como vejo.

  • http://www.facebook.com/flavio.kaue ‘Flavio Fiuza

    Frederico, já leu “As cronicas de gelo e fogo”? Parece muito um livro de fantasia no estilo “O senhor dos anéis” mas vai muito além, se tornando um livro sobre perversão, corrupção, maldade e sobre como tudo isso pode passar a ser visto como virtude de acordo com a mudança no ponto de vista. Enfim, um livro sobre humanos. Eu indico.

    • Frederico Mattos

      Não acho que são virtudes e nem que são construtivas, mas possuem elementos impessoais presentes no homem “correto” ou santo.
      Obrigado pela indicação! :)

  • http://www.facebook.com/people/Patricia-Oliveira/100000738582937 Patricia Oliveira

    Todos temos nosso passageiro sombrio, nosso lado negro etc. Podemos negar ou não ter consciência de sua existência, podemos admitir e conviver com ele. Até fazendo o que julgamos ser o bem e o certo de acordo com a índole, moral e a ética vigente, esse passageiro sombrio pode ser externado. Ele estará sempre dentro de nós.

  • Geovane Marques

    Sempre me vi com esse lado escuro as claras..

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001781035344 Gabriel Aquino

    Se esse texto pode ser usado para justificar atrocidades cometidas, segundo Gabriel Moraes, imagine a religião.

  • Nathália

    Os critérios de normalidade são muito abrangentes. Quem pode definir se você é normal ou não? O quanto devemos fingir quem somos simplesmente para sermos rotulados como pessoas boas e normais?

  • http://twitter.com/arthur_gonlima Arthur Gonçalves

    Mas que texto do caralho, só falando assim. É tudo que eu queria escrever. E sim, fica a indicação pra tu ler as Cronicas de Gelo e Fogo. Parabéns Fred, continue me incentivando a fazer psicologia :D

    • Frederico Mattos

      Incentivo feito ,precisamos de bons profissionais! :)

  • Ceci

    Compreendo esse fenômeno como uma escala que vai de – 10 a 10 com todos os tipos possíveis de graduações das nossas ações/reações/ações. O mesmo sentimento (por ex:. apego) em posições diferentes: ódio -10 /indiferença 0/ amor 10. 
    kkkkkk vou continuar aqui fazendo a listinha e depois encaixar as pessoas, coisas e os fatos kkkkkkkk 

  • Pedro Chagas

    Por vezes já iniciei certos comportamentos repugnantes que desencadeariam consequências desastrosas. Particularmente, tenho impulsos que não consigo guardar, embora saiba que são moralmente errados eu os cultivo. Fred, acho que você quis dizer que a raiva e a paixão precedem de um mesmo grupo de sentimentos. É como dizer que do mesmo grupo muscular que sai chute na cara, sai o gol. O marido penalizar a esposa por um comportamento infiel é normal (na perspectiva dele). Em muitos casos a intenção é tão somente punir, para que ela permaneça ao seu lado. É a paixão e sua parte avessa, hora manifestado por sexo selvagem, hora por socos e puxões de cabelo, mas com a mesma intensidade.

    Ciente de minhas perverções, eu as aproximo ao máximo da realidade. Meu impulsos violentos param no meu treino de Jiu-jitsu e Muay-thai. Minha vontade de ser mal para quando roubo o chocolate da minha namorada, guardado para a TPM. Por fim, cometo a atrocidade de me sentir drogado e satanista quando escuto Raul Seixas
    Puts, como eu sou vilão. Dá até medo!

    Execelente texto Fred. E concordo que quando alguém fala sempre “nas pessoas”, é um indício de projeção de conteúdos.

    Abraço

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Sou um homem torto
    numa casinha torta
    com uma vida torta
    e que para mim, no final, todos os outros são tortos…Achei interessante o caso do “Assassino não declarado”.  A implicância do Gabriel e do Leonardo em relação a “dar sentido a crimes com estas definições” tem lá seu sentido. Vejo que as pessoas temem ver o outro lado da situação, pois justamente as definições de “bem” e “mal” são do grupo ético ou pessoal. De fato, queremos a preservação de vida nossa. Imaginando uma situação: um criminoso me ameaça de morte. Eu reajo de forma que o mato. A reação é fria e não sinto nada de arrependimento devido a morte do meu “algoz”. No final, eu estou sendo “bom” ou “mau”? Se eu impusesse minha razão e “bondade” na hora, será que eu seria morto no final ao invés de matar?

  • Marcelo Ferreira

    Realmente este texto/assunto é intrigante e nos força a repensar certos conceitos, especialmente aqueles inseridos dentro de uma sociedade (educação, cultura, religião,etc)
    Esta leitura me remeteu ao filme matrix e ao livro “admiravel” mundo novo
    O que eu vejo aqui é que somos forçado a viver uma vida na qual não decidimos, levando a gente ficar um adulto torto pensando que estamos certo. 
    É obvio que não é tão simples assim, mas deveríamos ter alguns pre-conceitos que liderasse nossa vida para onde desejamos (respeito, coragem, honestidade, etc). Note que falo algo bem primário, honestidade aqui não é se dei uma volta no outro, mas sim, sou honesto na minha vida e com a vida dos outros?
    Acho que temos pouco tempo de vida para gastar com certas “luxúrias” ou “cosméticas”
    Vejo a internet como uma ferramenta para achar a tribo correta. Exemplo, aquele advogado que por questões culturais e familiares virou um advogado, mas esta pessoa gosta de viver nu e cuidar de plantas….Hoje este advogado participa na internet de sites de naturalismo, nudismo e paisagismo, ele não precisa radicalmente romper com a “vida” atual, no qual está ligado fortemente a outras e outros valores e provavelmente sustenta a vida dele e de outros e assim ele suavemente vai encontrando sua verdadeira vida “certa”
    [ ]s 
    MF

  • SABRINA

    Isso é ridiculo !!!! vc percebe oq esta fazendo ? esta colocando como se o mal fosse normal ou bom,
    e nao é !! todos nos temos assassinos ,estupradores ,ladroes ou qualquer personalidade que uma mente doentia construa MAS cabe a NÒS decidirmos se seremos ou nao ,afinal, alem de primitivos somos seres evoluidos e racionais OU vc acha realmente q  nao tem pessoas que vc ama ?!!!

     Que podem sofrer as consequencia da má escolha dos outros ou a sua mesma… existe a lei do retorno  e NINGUEM ESTA SALVO DELA PODE TER CERTEZA !!!

    SERA QUE SE SEU FILHO OU FILHA FOR ESTUPRA VC VERA O ESTUPRADOR COM ESSES OLHOS !!!

  • Filipe Cifali

    Interessante no mínimo, afinal, somos um amontoado de memórias que nos levam a tomar certas decissões. Sempre inclinados a nossa real vontade, todos protegemos o ego conforme a vontade de se satisfazer, seja se martirizando ou trepando.

    O fato de chamar o homem de torto me intrigou muito, afinal, um homem torto é aquele que tem a possibilidade de “falhar”(falhar para com a sociedade, segundo ela, não mantendo uma postura adequada ao “ser humano”, o que seria um “ser humano” na sociedade?)? Então o menino de 6 anos que pega uma bala do mercado a mais ao comprar 2 delas é torto. Então o motorista ao não deixar o pedestre passar na faixa é torto. Então eu sou torto por não entender completamente as outras pessoas. Pelo que entendi, são todos pontos de vista humanos e válidos, porque, para o pedófilo, ele amava a criança e não fazia nada de errado. Para a sociedade ele abusava da criança indefesa e inapta a escolher.

    Existem inclinações humanas para todos os lados, o moralismo de bem e mal é muito parcial para que pudesse ser aplicado a natureza humana a olhos primários ou secundários. Inclusive, na hipótesie de uma briga entre duas pessoas, uma terceira pessoa não poderia opinar validamente porque, a primeira pessoa tem uma visão sobre a situação, a segunda pessoa tem outra visão, quem poderia julgar que cada visão está errada? A sociedade faz isso de maneira radical com leis, mas seria isso mesmo a solução cabível?

    Todos possuem todas as variáveis que compõem criminisos, mas não somos todos criminosos porque? Por medidas diferentes, pois cada pessoa é diferente, mesmo tendo determinados padrões adotados que facilitem a leitura de cada pessoa, cada personalidade. Cada sentimento é e pensamento é único.

    Justificativas? São passíveis de interpretação alheia, assim,  como cada visão é única, nem sempre são “compreendidas”.

    Agora lhe pergunto, quantas vezes tu já decidiu fazer o “mal” porque te fazia “bem”?

  • http://psicologiacomvida.blogspot.com.br/ Adailton Junior

    Também acredito que temos nossos desejos e que nem sempre sabemos que o danado está lá, e é interessante realmente entender que fazemos o que estamos com vontade sem saber que aquilo vai contra o que achamos que acreditamos. Mas não acho que temos de aceitar esses comportamentos que invadem o espaço do outro e o prejudica. Viver em comunidade tem esses entraves mesmo, e concordo com o Pedro Chagas quando ele fala que sublima essa agressividade através das artes marciais por exemplo, e nem todo mundo faz isso!

  • http://www.otravezagain.blogspot.com/ Larissa Lyra

    Parabéns! Pois é… quem ama às vezes também machuca. Explica-se, mas não justifica-se. E concordo com vc, é melhor aceitarmos nossas condições, reconhecermos nossos limites, do que nos envolvermos com um mito de eternar bondade e amor. Acho até que essa compreensão nos facilita a aprender a amar.

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  • Juka

    Cara…eu AMEI esse post. Penso de uma forma MUITO parecida com a tua e por coincidência(ou não) estudo Psicologia. Queria saber se tem como trocarmos ideia qualquer hora de algum jeito. Fiquei muito interessado também no livro que vc escreveu ‘Porque fazemos o mal?’ . Enfim, meus parabéns.

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