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Parkour sem firulas

Alberto Brandão

por
em às | Esportes



Vimeo | Pule direto para 0:41

O vídeo acima apresenta movimentos velozes, efetuados com uma precisão sobre-humana. Saltos arriscados, de alturas que amedrontam até os mais corajosos. Acrobacias executadas sem nenhuma proteção, ao ar livre. Se algo der errado, já era.

Esse é o parkour que acabou se tornando mais conhecido, mais pop, e também é a imagem que seduz interessados e curiosos de todo o mundo. Era também a visão que eu tinha quando comecei a treinar, após assistir pela primeira vez a um vídeo sobre a coisa na internet.

Isso é sensacional, mas não é parkour.

Por que nos movemos?

Me pego sempre questionando o tamanho da incoerência, da loucura, que é perguntar por que alguém se move. Será que nos perguntaríamos isso ao ver um macaco transitando livre por entre as árvores?

No entanto, é uma pergunta que frequentemente aparece quando alguém toma contato com o parkour.

Temos braços, pernas e uma capacidade incrível. Podemos subir em quase qualquer árvore e atravessar quase qualquer muro. Nós, os praticantes de parkour, utilizamos essa capacidade para nos sentir livres, expressar nosso corpo e criar um laço com nós mesmos. Nos tornamos autossuficientes.

Podemos nadar para não nos afogar, ou saltar um muro caso fiquemos presos. Auxiliar alguém que está passando mal e precisa ser carregado, ou simplesmente chegar mais rápido a um lugar de difícil acesso. Por meio dos treinos e da superação de situações adversas buscamos, de diversas formas, aprender mais sobre nós mesmos.

Para nós, a pergunta que faz mais sentido, e que surge quando vemos as outras pessoas, é “Por que eles não se movem?”

Parkour é isso:


YouTube | Parkour, literalmente

Parkour é treinar o corpo com o objetivo de ultrapassar qualquer obstáculo em um caminho, negociando sua movimentação entre os obstáculos da maneira mais eficiente possível. É uma disciplina física não-competitiva na qual os participantes correm por um percurso, adaptando os movimentos à situação.

Quanto tempo você demora para ir de casa ao trabalho? Quanto desse tempo você gasta respeitando as limitações impostas por muros, esperando que portas se abram, dando voltas geograficamente desnecessárias?

Em cinco minutos, o quanto você consegue se movimentar pela sua cidade?

Se você assistiu ao vídeo acima, viu o quão longe dá para ir em cinco minutos, se fizer isso com eficiência. Substituímos nosso habitat por selvas de concreto, e agora queremos aprender a nos movimentar por elas com a mesma liberdade que nossos antepassados tinham.

Isso é parkour.

Parkour

Não é algo exatamente fácil de entender para muitas pessoas que cresceram com a mentalidade moderna em relação a esportes. “Uma atividade física muito intensa, mas não competitiva? Como assim?” E só piora quando afirmo que nosso principal objetivo é ajudar as pessoas.

Filosofia em movimento

O parkour não tem um livro de regras ou código de conduta que devemos seguir. Não há nada parecido com uma bíblia, que deva ser seguido por todos. O que temos é um consenso entre os praticantes mais experientes do mundo inteiro: já que estamos passando uma disciplina adiante, os ganhos podem ser ainda maiores para todos os envolvidos se pudermos transmitir algo positivo em conjunto.

Não queremos ser atletas, apenas pessoas melhores.

Como na origem temos o Método Natural de educação física (sobre o qual falei neste texto aqui mesmo no PdH), foi algo automático transmitir os mesmos valores do método para o que praticamos agora. Aplicamos o altruísmo e o movimento funcional como pontos focais dos nossos treinos, que podem ser representados no lema do Método:

“Ser forte para ser útil.”

Existem muitos motivos para praticarmos uma atividade tão divertida e plástica como o parkour, e muitos deles não condizem com o objetivo, mas procuramos criar uma sólida base de treinamento onde nenhum dos pilares seja negligenciado. A ideia é conseguirmos treinar com foco em ajudar a nós mesmos para ajudar o próximo e, não menos importante, nos divertir e ganhar qualidade de vida.

O criador

Este é o francês David Belle, criador do parkour, explicando a sua criatura:


YouTube

David BelleBelle, nascido em 1973, tem a atividade física correndo no sangue. Assim como seu pai e seu avô, foi bombeiro militar da França, especializado em resgates.

Porém, diferente deles, David sempre teve uma predileção maior por aventura e liberdade, o que fez com que ele não suportasse muito tempo a vida militar.

Mais tarde, enquanto treinava o que viria a ser conhecido como parkour, ele teve vários empregos comuns, realizou-se como ginasta, passou três meses treinando Kung Fu na Índia e, por fim, começou uma carreira no cinema.

Entre os filmes que participou, seja como ator ou coreógrafo de cenas acrobáticas, o mais famoso é provavelmente Prince of Persia: The Sands of Time, no qual coordenou as cenas de parkour do personagem principal.

Acrobacias não servem a propósito algum

Dentro do rígido treinamento que é incorporado, existe uma procura pelo desafio, pelo domínio do corpo. Queremos sempre ir além.

Existem na internet inúmeros vídeos como o que abre este texto, que acabam vinculando o parkour a movimentos estéticos, “firulas”. São artifícios para tornar os vídeos mais atraentes, além de relatos de progresso daqueles praticantes, que treinam coisas consideradas inúteis pelo parkour em sua definição clássica. Eles buscam uma forma de aumentar sua consciência corporal, e isso não é de modo algum condenável.

Porém, não é algo que pertença ao parkour, como podemos ver analisando o seu próprio nome: David Belle, quando batizou a disciplina, usou a palavra Parcours (“percurso”, em francês), alterando dois detalhes importantes:

  • O “C” foi trocado pelo “K”, com o objetivo de demonstrar a agressividade dos treinos.
  • O “S” do fim foi removido, já que não é pronunciado no francês, representando a remoção do que não for útil.

Movimentos estéticos não fazem parte do parkour. Eles podem servir como uma forma de inovar o treino e se divertir, adquirir novas habilidades e entender melhor o corpo, mas, obviamente, nunca seriam utilizados em situações de emergência.


YouTube | Saltos mortais também ajudam a produzir vídeos sensacionais

Como posso treinar?

Os treinos são muito práticos e, até determinado ponto, exigem pouca ou quase nenhuma teoria. É uma arte de experimentação e adaptação. Nenhuma aula teórica ou lição pode dizer ao seu corpo a melhor maneira de se movimentar. Ele precisa se adaptar aos poucos até adquirir sua própria forma.

Você e seu corpo devem se entender muito bem nesse processo. Tenham em mente que não nos adaptamos aos movimentos, os movimentos é que se adaptam a nós.

Se quiser começar, fortaleça seu corpo e sua capacidade aeróbica. A força proporciona segurança para executar os movimentos, tornando tudo mais fácil. Se observar qualquer vídeo, vai reconhecer que correr é começo de tudo. Sem saber correr, não se pode concluir um percurso.

Aprenda como relaxar mais, como respirar melhor. Entenda como evitar lesões, se fortalecer e se alimentar melhor.


YouTube | Fortalecendo a casca num treino para poucos

Procure grupos que já treinem em sua cidade. Todos os grupos que já conheci são muito receptivos e nunca ouvi falar de algum que cobrasse dos seus membros (logo, se não estiver treinando em um local especializado que forneça segurança, desconfie se pedirem dinheiro).

Em termos de academia, existe apenas uma reconhecida no Brasil: a Tracer, em São Paulo.

Parkour x Freerunning

Há supostas competições sendo transmitidas recentemente, muitas vezes se apropriando do nome do parkour, mas a isso damos outro nome. Como você já sabe, o parkour é não-competitivo em sua essência.

Estas competições são o que chamamos de Freerunning, uma interpretação do parkour que deixa de lado a busca pela eficiência e incorpora elementos de criatividade e expressão corporal através de diferentes variações dos movimentos.

Existem várias franquias organizando competições de freerunning, muitas delas com praticantes de parkour, embora a categoria também atraia naturalmente ginastas, artistas marciais, b-boys e todo tipo de pessoa que pratica acrobacias em algum tipo de trabalho com movimento corporal.


YouTube | Este é o parkour, simples e eficiente


YouTube | Este, apesar de ter movimentos parecidos, é freerunning. Toda diferenciação pode ser feita a partir do objetivo

Dúvidas?

Sou praticante de parkour há 8 anos, fundador da Associação Brasileira de Parkour e mantenho o blog DeCimaDoMuro.com, sobre a prática. Quero que este texto que você acabou de ler seja uma das melhores referências em português sobre o assunto, por isso me disponho aqui a responder, ou ao menos tentar, qualquer dúvida que surgir nos comentários. As melhores podem se tornar atualizações no texto.

Alberto Brandão Parkour Gap

Prazer, esse sou eu

No mais, estamos todos no mesmo corre. Com eficiência.

Alberto Brandão

Escreve no Kuro-Obi sobre artes marciais e no Decimadomuro sobre Parkour. Faixa preta de Taekwondo, azul de Jiu-Jitsu e praticante de MMA e Parkour. Fala sobre treinos em seu blog. Curiosamente, trabalha como analista de sistemas.


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  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    Palmas para a edição de conteúdo, nego ta sinistro demais!

  • http://www.facebook.com/alfarichard Michael Richard

    Ótimo texto Alberto. 

    Por incrível que pareça, embora eu nunca tenha praticado parkour, foi ele que me motivou a dar início a outras práticas voltadas à eficiência, como: Krav-Maga, treinamento físico com calistenia e barefoot running. 
    E ainda tenho mais coisas que eu vou aprender, como: Mecânica de motores, primeiros socorros e a mexer com eletricidade. 

    O objetivo é ser auto-suficiente e o mais completo possível como é descrito no Método Natural. Se não me engano dentro do método natural há uma ideia mais ou menos assim: Se você consegue resgatar uma pessoa de um acidente, mas para salvar a sua vida você precisa levá-la ao hospital de carro, e você não sabe dirigir, você falhou na sua missão. Essa é ideia que descreve a importância das habilidades secundárias. (Por favor, corrija-me se eu estiver enganado Alberto)

    Mudando de assunto, um dia desses foi lançado um documentário sobre Parkour / Freerunning financiado  no KickStarter, o People in Motion: http://bit.ly/LCeejU
    Ele explora justamente o que você comentou no texto: Porque as pessoas não se movem? E o que as que se movem pensam e sentem?
    O documentário tem ótimas imagens e trilha sonora, e principalmente, uma mensagem foda. Recomendo.  

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=1683053821 Rafael Torquato

       Amigo, onde você treina Krav Maga, qual o vlaor e se é insano como dizem?

      Forte Abraço. Rafael

    • Thiago Atanazio

      quem pratica, uma curiosidade sobre o barefoot running, qual beneficio alem de corrigir a passada? ao que parece a longo prazo causa mais lesões nos joelhos e calcanhar, ja que não tem o amortecimento do impacto dos tênis, ao meu ver so eh interessante até educar o corredor a pisar corretamente, depois deve adotar tênis

  • Arlington Oliveira

    Eu sou de Brasília. Existe algum bom grupo para treinar Parkour em Brasília Alberto?

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Existe sim, Arlington!

      A Movimente da treinos livres todo domingo as 16h na 308 sul. Na pracinha do centro, ao lado da caixa de luz.

      • Arlington Oliveira

        Show de bola. Vou aparecer por lá.

  • Murilo

    3 meses sem entrar no pdh, quando entro, adalberto ainda batendo na tecla do le parkour, vamos conhecer novas modalidades aí, campeão, abraço sincero

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Da uma sugestão, quem sabe não passo um tempo treinando e gera um artigo matador pro PdH?

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001489208358 Pedro Rodrigues Loureiro

         Porra, ia ser animal ver um artigo sobre a pratica de futebol americano um dos esportes que mais cresce no brasil! vou ficar na espera desse artigo matador! ;) gostei mt desse sopre parkour. abraço.

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Pedrão, sou FASCINADO por futebol americano. Não apenas pelo esporte em si mas pela cultura em volta do esporte, tanto nas pequenas ligas estudantis como na gigantesca NFL, é o esporte que para um país inteiro.

        Vou pensar em como bolar uma pauta que não saiu ainda aqui (existiram textos sobre o FA aqui já) e ver se rola de produzir algo.

      • RAFAEL

        aproveita que vc é faixa preta de tkd e faz um texto sobre a modalidade! abraço

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Seria bem legal, mas preciso encontrar uma abordagem que não transforme o texto em um explicativo que dê pra ser encontrado na wikipedia. Tenho que fazer algo que some valor para outras pessoas.

        Sugere alguma coisa?

      • Wellington

        Fiquei um tempão longe do site, estou vendo com calma os artigos. Mas ainda não vi nenhum aqui no site sobre skate. Tirei a poeira do meu e fui no Ibira e me assustei em como o movimento tá forte, principalmente entre as garotas de long. 

    • Rafael

      Pelo visto, terá que bater na tecla do parkour denovo, especialmente no backspace, já que ainda não aprendeu que é parkour e não le parkour.

  • JJofparkour

    Belo texto Beto! sempre me amarro nas suas idéias, e neste caso, na perfeita descrição do parkour!

    Att JJ.

  • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

    Fala, Brandão.
    PUTA artigo, cara. Valeu.

    Tenho 31 anos, 1,83m e 94/96Kg. Você acha que rola? ;-)

    Vejo sempre o Parkour sendo praticado nas cidades. Existe algum tipo/modalidade para costões de mar, rios de pedra, trilhas em montanhas, etc? Aqui em Joinville somos muito bem servidos disso.

    Pessoal de Joinville e região, sabem se tem algum grupo treinando por aqui? Se não, quem se anima de experimentar a coisa? ;-)

    • Tatiana

      Bem, a idade não é um problema para começar a treinar parkour. Aqui no Rio, quando comecei a treinar, conheci a Angélica, uma chilena que atualmente tem 52 anos.

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      31? Ta novo! 

      O pessoal em floripa treinava muito em pedreiras, saltando de uma pedra para outra e fazendo percursos rápidos. Montanhas e seguem a mesma ideia, tem um vídeo muito bonito dos russos treinando em locais assim. 

      a partir de 2:40
      http://www.youtube.com/watch?v=Yq0BFg9oe4U 

      Todo lugar tem obstáculos e forma de cruza-los eficientemente é só botar a imaginação!

      Abraços

  • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

    Ah, lembrando pra galera que neste próximo final de semana vamos treinar Parkour e outras coisas na Tracer, que o Brandão indicou aí no artigo ;-)

    http://papodehomem.com.br/chamado-para-o-2-cabana-do/

  • Eduardo Amuri

    Se algum dia eu resolver assaltar algum estabelecimento, antes mesmo de comprar a arma me tornarei proeficiente em parkour.

    Me interesso também. 1,93, 106 kilos, meio menisco a menos e sérias dificuldades para subir cordas e fazer flexões sem roubar.

  • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

    Amuri, será que rola um grupo em SP? Começando do começo, com a galera da Cabana, talvez? (Se bem que duvido, porque andam mais parados do que nunca.)

    Eu participaria fácil 1x por mês aí ;-)

  • Hugo Cardoso

    Achei a forma sem firulas muito mais bonita de se ver do que a acrobática. Da pra entender o objetivo da prática logo de cara nesse vídeo literal, enquanto a maioria dos videos de “parkour” famosos são mais cheios de exibicionismo do que qualquer outra coisa, o que faz até uma galera criar um desdem com o parkour. 

    E nunca tinha visto abdominais sendo feitas como nesse vídeo do “cabra macho”. Vou tentar depois, desse jeito fica mais efetivo do que o “tradicional”?

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      As duas formas apresentadas no vídeo acabam trabalhando a parte inferior do abdome, que normalmente é pouco exigido na tradicional.

      Eu também aprecio uma movimentação bem feita e rápida, bem mais que as firulas. Para mim, é mais fácil dar mortais ou fazer firulas do que um parkour efetivo. 

  • Tatiana

    Eu gostei do texto, Alberto! Dia desses eu fiquei pensando como eu me aproximei do parkour. Não foi pela “plasticidade” dos vídeos que a galera postava no Youtube. Aliás, até hoje não sou fã, nem acho graça dos populares que lançam vídeos firulando por aí. Acredito que a culpa de ser assim foi pelas referência que tive quando comecei a treinar. Treinava com JJ, JC, Raxa e Angélica. Nos treinos não falávamos dos vídeos ou dos populares. Pensávamos em como melhorar em alguma coisa para ajudar uns aos outros.  Obrigada, por me trazer essas lembranças.

    PS: Algumas pessoas perguntaram sobre grupos de treino… Vale procurar no Facebook (ou até mesmo no quase esquecido Orkut) para ter contato com alguns praticantes.

  • http://www.facebook.com/alexsanderab Alexsander Alves Barbosa

    Existe algum grupo em Belo horizonte?

  • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto

    Beto, animal!

    Tenho muito respeito com quem pratica e desejo, nos próximos anos, organizar minha vida de modo que possa dedicar tempo a essa atividade.

    Por curiosidade, qual a taxa de acidentes sérios no grupo que você costuma(va) praticar?
    Você ouviu falar de alguém que se machucou severamente (algo como paraplergia) praticando parkour?

    • Bruno Alexandre

      Cara, você pode estar andando de boa na rua, tropeçar na calçada, bater a cabeça num poste e ficar paraplégico ou até mesmo morrer. Não vejo motivo pra ficar analisando esses riscos em qualquer coisa que seja.

      Apenas treine com consciência. Aprende qual o seu limite físico/psicológico atual e trabalhe dentro disso, com o tempo você evolui. Pequenos acidentes acontecem, mas estando atento ao que você faz e respeitando seu corpo você nunca se machucará seriamente.

      • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto

        Eu tenho ciência. Mas você tem que convir que, se já há a possibilidade de eu cair,bater a cabeça e ficar paraplérgico andando de boa na rua, imagina saltando muro e pulando telhado? Aumenta drasticamente (ainda que, absolutamente, seja pequena).

        Não estou falando que sou avesso a risco, mas quero saber qual é a taxa normal de ocorrência desses acidentes. A única fonte que eu tenho é a quantidade de vídeo do youtube, que é viesada (as pessoas geralmente gravam mais acidentes do que treinos normais).

      • Tatiana

        Depende da sua fonte de vídeos. 
        Aqui no Rio, tirando alguns arranhões e alguns poucos cortes por imprudência, não me lembro de casos de gente que tenha se machucado gravemente. E eu normalmente sou a pessoa que cuida dos machucados dos encontros no Rio.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Não sou praticante de parkour, mas entendi mais ou menos o que ele quis dizer. 

        Se prestar atenção, muitos movimentos do parkour servem para amortecer a queda ou o movimento, como “girar no chão após uma queda “. Não noto movimentos violentos ou agitados, apenas acelerados no máximo. Porém em quedas ou transposições, noto que eles agem com uma certa cautela, não com agressividade.

         Não duvido que exista acidentes também, mas creio que os verdadeiros praticantes, que agem com consciência sobre seus movimentos, evitam acidentes.

    • http://www.facebook.com/danilo.b.rosado Danilo Brustolini Rosado

       No Parkour ou na maioria das atividades físicas, o principal responsável pelo risco de uma queda é o praticante, pois para que alguém tentaria saltar de telhado em telhado se não consegue saltar nem no chão de um ponto ao outro, o praticante escolhe o risco que vai se submeter, então já deve estar preparado para o que possa ocorrer, e a maioria dos acidentes ocorrem quando a pessoa não esta concentrada no que esta fazendo, como alguém que tropeça na rua, ele não estava esperando tropeçar por isso cai, ou quando quer se exibir fazendo algo que não esta preparado para fazer ainda, e por falta de treino não consegue reagir a tempo de evitar a queda.
       

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Paulo,

      Meus amigos nunca se lesionaram com seriedade. Normalmente acontecem torções de tornozelo ou raladinhos, calos que saem e essas coisas, mas nada agressivo.

      Único caso que poderia ter acontecido foi o Santigas, um grande amigo que saltou de uma pedra para outra, e não chegou direito do outro lado, escorregando e caindo quase 10 metros. Mas caiu na água e ficou tudo tranquilo.

      O risco no parkour depende muito da pessoa e do que ela está disposta. É um fator muito fácil de se controlar.

      Abraços!

  • Aldair

    eae beto blz?

    eu leio o de cima do muro, e acho bem interessante.vc tem msn?
    se tiver posta aqui que eu mando o convite. 
    valeu!!!

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      soilwork@gmail:disqus .com

  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

    Texto fantástico, direto e é claro “sem firulas”.

    Invejo quem pratica Parkour.

    Será o Prince of Persia, o padroeiro do Parkour? hahaha

    Lembrei agora de alguns jogos que criavam modalidades, que seriam fantásticas se existissem na vida real. Alguém lembra do Jet Moto?

    http://www.youtube.com/watch?v=WxcOkTe9NXM

  • http://www.facebook.com/icristinna Iris Cristinna

    Adoro Parkour e sempre tive vontade de conhecer melhor. Gostei bastante do texto :)
    Só tive uma dúvida, se percebi corretamente nos vídeos, muitas vezes vocês são obrigados a adentrar em varandas de casas alheias. Caso isso realmente ocorra, como que isso é lidado? Tanto em relação aos praticantes quanto aos moradores. Espero não estar viajando muito, foi só algo que notei e surgiu a pergunta. 

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Iris

      Isso é algo que tem que ser relevado sim, com muito cuidado. Eu sempre que falo sobre parkour, até mesmo quando ensino para alguém, deixo bastante claro: Não se entra em propriedade privada sem autorização.

      Primeiro, ninguém sabe que você é alguém treinando parkour, podem facilmente achar que você está tentando roubar alguma coisa. Depois porque não gostaríamos que isso acontecesse na nossa própria casa, encontrar um desconhecido na nossa sacada.

      É muito fácil perder um pouco desse horizonte quando os muros não representam mais uma barreira para você, quando passar ou não para o lado de lá é apenas uma escolha. Mas devemos considerar sempre que precisamos obedecer as leis e convenções sociais. Mesmo quando a policia nos proíbe de treinar em algum lugar público, sem nem um motivo aparente, temos que entender que nós somos diferentes e eles não veem as coisas como nós.

  • http://www.facebook.com/rafaelsoteroginez Rafael Sotero Ginez

    Feliz em ler este artigo, Beto =)

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=724414377 Danny Tiemy

    Alberto mandou zilhões ! Parabéns ! E obrigada por compartilhar esse texto lindo !
    Bons treinos !

  • Nathalia

    Alberto, o texto ficou bacana, não é o primeiro post que leio de autoria sua sobre Parkour. Mas uma passagem me incomodou bastante e que me fez postar este comentário. Segue abaixo:

    “Procure grupos que já treinem em sua cidade. Todos os grupos que já
    conheci são muito receptivos e nunca ouvi falar de algum que cobrasse
    dos seus membros (logo, se não estiver treinando em um local
    especializado que forneça segurança, desconfie se pedirem dinheiro).

    Em termos de academia, existe apenas uma reconhecida no Brasil: a Tracer, em São Paulo”

    A maioria das pessoas que conheço que praticam Parkour, não aprendeu em academia, aprendeu na rua, com obstáculos da rua. Acredito que na academia possa haver mais segurança, colchão e sei lá mais o que. Mais na rua também pode haver instrutores capacitados, utilizando o espaço urbano como local de trabalho. Enada mais justo do que cobrar por um curso, se este pososui uma metodologia. O que é bem diferente de treinar em “grupos que cobram”. E digo isso tudo, porque sou corredora há 6 anos, sempre treinei com assessoria esportiva e TODAS treinam na rua, e espaço público. Dizer que treinar na PK na academia é mais seguro que treinar na rua é o mesmo que dizer que é bem mais garantido enfiar toda galera de assessoria esportiva em um ginásio cheio de esteiras. Acho que existe um público que prefere treinar ao ar livre, tem um público que prefere o conforto e segurança de uma academia e uma coisa não exclui a outra. Acho que vc deveria ser mais claro nesse ponto, ao invés de ficar puxando sardinha pra uma única academia, uma única metodologia.

    Abraços

    • Nathalia

      e desculpa os inúmeros erros de digitação, mas escrevi correndo pq daqui a pouco estou saindo pra treinar… na rua
      :)

    • http://www.facebook.com/wainer Jean Wainer

      Nathalia: Eu sou proprietário da Tracer, e deixe-me responder sua questão sobre treinar na rua vs academia.
      Não tem nada contra treinar, aprender ou ter aula na rua. Nem pagar por isso. Embora a Tracer seja conhecida por abrir a primeira academia do Parkour, o nosso foco não é trazer o parkour para o indoor, e sim buscar a excelência no ensino de parkour. E isso não é só objetivo da Tracer, é de uma comunidade grande de praticantes ao redor do país: A Tracer, o GAP, o Alberto, a Movimente, e vários outros grupos por aí.

      Dito isso, o que o Alberto disse não é que simplesmente pagar pra treinar na rua é ruim. É pra desconfiar de pessoas desqualificadas, o que é bem comum acontecer. Vc disse algo muito certo: Uma metodologia vale sim dinheiro. Mas procure por uma metodologia qualificada, não aceite qualquer coisa que aparece.

      E estão todos convidados a fazer uma semana de aula experimental de parkour gratuita aqui na Tracer. É só falar que viu no Papo de Homem. :)

  • http://contraargumento.com Felipe Oliveira

    Sabe o que é foda? Toda vez que leio Parkour lembro disso 
    http://www.youtube.com/watch?v=ksd04r6v6RE HAHAHA Bom texto Alberto. Na verdade, bom conteúdo, pela escolha dos vídeos também.

  • Bruno Alexandre

    Esta é a minha pergunta também, por que as pessoas não se movimentam? Nós somos macacos adaptados ao chão, podemos correr fluentemente e escalar praticamente qualquer coisa, me deixa triste saber que a maioria das pessoas não utiliza o corpo para aquilo que ele foi projetado. Murinhos de 1m de altura não deveriam ser obstáculos…

    O parkour me trouxe outra modo de me relacionar com meu corpo e de ver a cidade, só falta treinar pra valer, comecei em 2005 mas sempre parando por uns tempos, mas é legal que sempre que volto o corpo ainda lembra os movimentos.

    Como disse pra um aluno meu hoje: “quem pratica parkour é macaco urbano”. Huhauahuah

  • http://www.facebook.com/people/Rafael-Sousa/100000900563494 Rafael Sousa

    belo texto alberto!
    mais uma vez trazendo essa arte q tanto nos encanta. o parkour mudou minha vida para mto melhor nesses 6 anos d pratica.
    é uma jornada d auto conhecimento incrivel q vc entra, espero q esse texto ajude mais e mais pessoas a adentrarem nessa jornada tb.

  • http://donluidi.wordpress.com/ don luidi

    Adrenalina pura, bora deixar de lado o sedentarismo e começar a treinar…

  • Bruno Rabello

    Pra quem curte Parkour e games, existe o excelente Mirror’s Edge.

    Alberto, já jogou?

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Joguei MUITO! Foi meu primeiro jogo do PS3, e já zerei umas 10 vezes, eu realmente me realizo jogando aquilo!

  • http://twitter.com/zyfez Daniel Ferreira

    Quando as pessoas me perguntam eu costumo falar que Parkour é a forma de chegar do ponto A ao ponto B o mais rápido e eficiente possivel, sem gastar energia desnecessária nos movimentos, enquanto o Freerunning é mais para exibição, colocando manobras e tricks no meio do seu percurso. Sempre gostei mais de parkour, mas seria idiotice não dar os méritos ao freerunning, que por sua característica mais exibicionista foi quem acabou divulgando a arte do parkour, que pros leigos é bem mais sem graça. E visibilidade, pra qualquer esporte, é sempre algo positivo.

  • http://www.facebook.com/v1n1akabozo Vinicius Ciappina Pereira

    Algum grupo de parkour em SP? De preferência de sábado de manhã?

  • http://www.facebook.com/v1n1akabozo Vinicius Ciappina Pereira

    Algum grupo de parkour em SP de sábado de manhã?

  • Laurent W. Broering

    Tb gostaria de saber de um grupo de Parkour em SP!

  • Cabral

    Boa Beto!
    Quero treinar com você de novo brother. Eu te aviso quando eu for pra BSB ;).

    Abração.

  • Rodrigues

    Parkour versus Free running??? De novo essa guerra? Deus do céu! Parece que isso nunca vai acabar…ahueuehuaehe…XD

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Guerra? alguém atacou alguém?

  • Matheuscogli

    bolei com esse site, parabens para os colaboradores

  • Guile

    cara preciso muito saber o nome da musica do primeiro video a partir do 0:41, alguem pode me ajudar, outra duvida com 1.90 cm da pra treinar parkour ou fica dificil?

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