Quando ser criativo é um erro

Evandro Cruz

por
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Percebi algo na Universidade Federal de São Carlos, onde estudo: do grande número de produções científicas publicadas, a maioria é composta por revisões de trabalhos antigos e reforços para bases já estabelecidas. Esta realidade se repete na maioria das universidades do mundo e, por isso, chego à parte deprimente da minha observação: nosso sistema de ensino é falho.

Mais um tijolo na parede?

O “nosso sistema de ensino” não se refere exclusivamente ao Brasil ou a alguma região isolada. O “nosso” em questão alude a todo o mundo conhecido como civilizado. Reparem que o sistema educacional do planeta segue algumas regras básicas como a hierarquização de ciências – colocando no topo as ciências exatas e na base as artes e a educação física –, o culto à meritocracia, além da especificação extremada. Estas regras básicas coincidem com o início desta tentativa de  padronização educacional. Ele está baseado nos moldes franceses de pedagogia e datam do fim do século XIX e início do século XX. Expor a origem cronológica destas bases educacionais é fundamental para entender como elas surgiram, pois a época de sua gênese – a Segunda Revolução Industrial – estava no seu auge e milhares de pessoas se apressavam para trazer ao mundo maravilhas movidas pelo novo combustível do planeta.

Hoje, passados quase dois séculos do seu nascimento, percebemos que a Academia não fez mais do que aperfeiçoar este velho modelo de ensino; em contrapartida, o mundo em 2011 não é uma versão atualizada do mundo de 1850. Pelo contrário, o século XXI nos trouxe um caminhão de novas perguntas.

O fim do “certo” e “errado”

O erro inicial do nosso sistema de educação é a hierarquização de matérias. No início do século, esta valorização das ciências exatas em relação às outras encontrava algum sentido, pois a tecnologia de ponta daquela época se baseava em criar máquinas. Atualmente, as pesquisas e descobertas mostram cada vez mais que os conceitos de “máquina”, “psicológico”, “sociológico” e “orgânico” se relacionam muito mais do que pensávamos outrora. Neste cenário em que próteses são controladas pelo pensamento e arte se mistura com biologia não há mais espaço para formar crianças que acreditem em um futuro em que quem tem mais habilidade com matemática é mais valorizado do que alguém que tem facilidade com artes. Esta mistura de matérias só pode ser possível em um sistema de ensino de grande flexibilidade, onde conceitos como “certo” e “errado”, caso não desapareçam, tenham menos valor do que no atual.

Um aluno falho segundo as regras atuais.

Outro aspecto sobre a falência do sistema de educação, e este corresponde mais à visível escassez de criatividade que abrange nossos tempos, é a chamada meritocracia. Ou seja, aquela pessoa que faz certo deve ser mais valorizada do que aquele que erra. Contudo, seguindo este raciocínio, errar aparece como pior resultado possível de uma experiência e muitas vezes é encarado como pior do que não tentar, quando já é comprovado pelo tempo que as maiores ideias e invenções vieram de sucessivos erros. A intenção aqui não é afirmar que ser criativo é ser errado, mas admitir que conviver de forma cordial com a possibilidade do erro é o primeiro passo para uma nova ideia. Mexer com o desconhecido é primordial para a criatividade. Ora, não é óbvio que ninguém sabe mexer com um invento antes que ele seja inventado?

Este culto pela correção, pela por do que é “certo”, tem uma intrínseca relação com outra característica retrógrada da forma como as pessoas são educadas: a especialização.

Cada vez mais os cursos acadêmicos assumem uma atitude autista em relação ao mundo e focam seus esforços apenas na formação do aluno em determinadas fontes de um conhecimento especifico. A lógica deste erro é básica: se alguém só aprende uma coisa e esse conhecimento deriva de fontes mais velhas que ele, a probabilidade de repetição é muito maior do que a de invenção. Em um mundo repleto de informações e acessos, a coerção acadêmica para que nós nos tornemos especialistas é extremamente descabida. Estamos em uma época de diversidade e é a hora de criar novas profissões, novas formas de melhorar o mundo, de repetir menos e inventar mais.

Ao observar os erros cometidos pelo nosso sistema de educação, percebemos que a maioria deles se dão por uma inversão de valores. A educação que deveria gerar criatividade e, por consequência, renovar a si mesma constantemente, hoje trabalha para se manter intacta. Vivemos numa época em que o mundo passa por revoluções culturais e tecnológicas a cada semana, modificando estruturas que até então eram consideradas inabaláveis. O planeta precisa de pessoas que acompanhem este ritmo, com novos conceitos e atitudes, e o principal agente na formação dessa nova geração é a Academia, que ainda parece descompassada em relação ao ritmo dos novos tempos.

Evandro Cruz

Sarcástico, calado e nerd. Já foi de carregador de móveis a editor-chefe de revista digital. Escreve desde os 14 anos, é apaixonado por basquete, livros e cinema. Hoje divide seu tempo entre o curso de Ciências Sociais e a criação de textos para internet. Twitter: @evandronash


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  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Valadão/100000750306322 Lucas Valadão

    Excelente texto, Evandro!
    Engraçado é saber que penso nisso desde o ensino médio, em que temos inúmeras aulas de matemática; e, muitas vezes, nenhuma de sociologia.
    Adicionaria apenas, a uma certa parte do seu escrito, uma citação: “O homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível” (M. Weber). Creio que deve conhecer muito bem Weber, já que, assim como eu, tá no curso de ciências sociais.

    Parabéns!
    abraço.

  • Rodolfo Viana

    Eu ia colocar uma nota enquanto editava este post, mas achei conveniente mencioná-la aqui nos comentários.

    O post me lembrou um livro bem bacana (que não fala de educação, mas que propõe um outro olhar sobre conceitos estabelecidos) chamado “Everything bad is good for you”. Nele, Steven Johnson subverte a ideia de que nossa cultura atual de internet e games é prejudicial à sociedade.

    Por exemplo, a internet nos torna mais burros? Afinal comemos palavras, abreviamos tudo, nos informamos por canais duvidosos… Johnson explica que este comportamento atua de maneira contrária: a caralhada de informações faz com que nossa percepção do mundo seja mais ágil. Assim, ficamos mais espertos.

    É uma boa leitura: http://www.amazon.com/Everything-Bad-Good-You-Actually/dp/1573223077

    Sobre o post, eu confesso que senti isso na pele. Durante a faculdade de jornalismo tive de implorar algumas vezes para não bombar por falta. Afinal eu ficava o tempo da aula no boteco, com os amigos. Apesar de não frequentar as aulas, saí da faculdade com uma nota média final excepcional. Não digo que eu seja inteligente, mas sim que tive boas influências, amigos com quem eu bebia e que despertavam, entre um copo e outro, minha criatividade.

    Conselho que darei a meu filho: cabule aulas.

    Curti de verdade o texto, Evandro. Parabéns.

  • Deyvid

    Concordo plenamente com o texto, e acredito que isso esteja diretamente relacionado com a política de nosso país, afinal, quanto mais aberta a mente das pessoas (principalmente dos jovens), mas risco os políticos correm de serem questionados sobre seus atos. Logo, é muito mais conveniente manter todos numa linha de raciocínio inerte ou extremamente focada, colaborando com as manobras de manipulação da “massa”.

  • http://twitter.com/evandronash evandro

    Lucas, sim sim, Webber é um dos padrinhos do nosso curso, não?  Sobre o que você falou do EM, vou lhe contar meu caso :  Eu estudei em uma escola estadual da periferia do litoral de SP e no periodo da noite, a escola era bem pobre e para reduzir os custos a quadra e a biblioteca não funcionavam a noite, resultado : Sem aulas de Ed. Fisica e sem consultas a biblioteca. Para “reparar o dano” como o diretor da época se expressou, nós ganhamos mais uma aula de matemática e uma de geografia.

    Rodolfo, cabular aulas pra ficar no bar já é uma tradição rsrsr. Acontece que mesmo quando a gente compreende a matéria, escreve bem e tenta criar algo signficativo nossos professores exigem mais, e esse “mais” é o decoro, a disciplina, por isso que é tão importante pra eles que nós frequentemos as aulas : quantos mais aulas assistirmos, mais próximo da forma “certa” de produzir conhecimento estaremos.

  • http://www.facebook.com/people/Rogerio-Carvalho/1037560926 Rogerio Carvalho

    Rodolfo, concondo que o nosso sistema educacional e nossas universidades precisam urgentemente de renovaçao, talvez até de reinvençao em alguns casos.
    Mas dizer que um dos males é a meritocracia? Lamento que voce pense assim. Li o que voce considera meritocracia e percebo que o problema esta no entendimento do que é meritocracia. E nao é a valorizaçao do que é certo ou errado, mas a valorizaçao de quem  tem mais merito, e isto depende dos parametros de cada um. No meu caso, considero o esforço e o envolvimento como parametros. E acho que as universidades so tem a ganhar ao adotar mais e mais a meritocracia.

    Um abraço,
    Rogerio.

    • Likapaar

      Rogério,a cho que um dos maiores males da meritocracia é que não incentiva o aluno a aprender e  sim decorar um bocado de coisa pra tirar uma nota boa, mais nada. Por isso a ciência brasileira é tão medíocre: incentiva-se o publicar muito porque isto demonstra trabalho, mas não é bem assim que as coisas funcionam. A teoria da ecolução de Darwin não saiu em seis meses, com uma meia dúzia de análises.

      Um exemplo prático é você perguntar à maioria dos alunos de uma faculdade o que eles aprenderam no semestre passado. Apesar de terem tirado notas boas e passado traquinlamente, uma boa parcela dos alunos nem se lembra do conteúdo estudado. Nesse sentido não sei como a meritocradia ajuda, mas é claro que não devemos pensar que só há defeitos. O que temos fazer é buscar um modo de ensino menos hierarquizado e mais interdisciplinar.

    • Rodolfo Viana

      O texto não é meu. rs…

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Rogério : Minha linha de meritocracia vai muito de encontro com o que a Likapaar disse :  Hoje o mérito é tirar boas notas, fazer grande numero de acertos no vestibular, publicar trabalhos. Todos esses objetivos vão de encontro com a afirmação de que decorar é extremamente importante.

  • http://www.facebook.com/people/Guilherme-Marques/100001893909668 Guilherme Marques

    Boa reflexão.

    A Academia não é só descompasssada, mas é conservadora: age no intuito de manter o sistema da maneira que está, onde a produção de conhecimento não é avaliado pela qualidade, mas sim, em termos de quantidade, além de estar sempre visando “podar”, formatar mesmo os alunos e desincentivar o questionamento e o senso crítico. Fora a questão que a Academia, enquanto instituição promovedora de conhecimento e que deveria incentivar uma atuação mais livre e criativa, condiciona os alunos a trabalharem em uma “grande empresa” como se o salário fosse o objetivo fim da vida humana. É óbvio que a questão do “trabalhar” é fundamental nos dias de hoje, mas é estritamente necessário ter em mente a noção de agir no mundo com uma finalidade mais engrandecedora do que meramente ganhar dinheiro.

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    Sou o exemplo vivo de que seguir pelos meios tradicionais pode não ser o melhor caminho.

    No primeiro ano do ensino médio, eu levei bomba. 6 meses depois eu fui convidado a me retirar da escola, por motivos que não me convém citar aqui. Acabei desistindo terminatemente de concluir o ensino médio dessa forma.

    Entrei em um cursinho onde o aprendizado era descompromissado. Nada de provas, exames ou todo o blablabla repetitivo da escola. Cada um aprendia no seu próprio ritmo, com auxílio de professores muito mais preparados do que aqueles que tinha no colégio. Quer coisa melhor?

    Resultado: Um ano mais tarde eu passei em todos os vestibulares que muitos dos meus amigos, que permaneceram na escola, bombaram. Não pude ingressar nas universidades por não ter o diploma de ensino médio, mas rapidamente resolvi a burocracia com um supletivo de um mês.

    Por desistir do ensino médio, acabei tendo o diploma em mãos ANTES de meus colegas de classe e ainda passei em vestibulares que os mesmos não foram capazes de conseguir aprovação.

    Comigo sempre foi assim: Um fracasso acadêmico completo. Um moleque reprovou até na alfabetização, Ainda assim, as vezes meu domínio sobre alguns assuntos/matérias é superior até mesmo àqueles que vivem da coisa.

    Tudo pode ser aprendido. Com ou sem escola.

    • http://www.facebook.com/people/Rosana-Rogeri/100000284466237 Rosana Rogeri

      Ai, Sandro, que tudo, importante fazer direitinho um texto e contar isso pra todo mundo!! Fico lá na escola tentando convencer o povo que as coisas mudam e que nem tudo é pra sempre e que alguns alunos tem capacidade acima e não abaixo e que tem de ser legal ir pra escola, mas você contar isso aí acho muito mais legal, afinal, aos trancos e barrancos eu fiz tudo direito (apesar de quase ter reprovado pro falta todos os anos sempre).

      Segundo texto que tá devendo, hein?? Um de um conto e agora esse relato…

      • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

        Um dia, quando minha escrita estiver mais polida e minha cabeça mais no lugar, eu arranjo um espaço para pagar essas dívidas hahaah

      • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

        Um dia, quando minha escrita estiver mais polida e minha cabeça mais no lugar, eu arranjo um espaço para pagar essas dívidas hahaah

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu andei lendo um pouco sobre gestão da inovação e o livro falava justamente dessa questão de ser tolerante com o erro, mas também sobre o ponto de se saber abandonar rapidamente uma projeto que está mostrando que não será uma solução viável ou um produto interessante com a mesma agilidade.
    E eu acho interessante essa crítica que você faz a especialização. Até certo ponto ela é válida, mas algumas vezes chega a um ponto que não conseguimos mais fazer com que esses especialistas colaborem entre si para fazer algo maior.

  • Cesar Nic

    Cara, muito boa a discussão, o mundo precisa de uma visão mais holística e interdisciplinar mesmo, não estou falando só na Academia, tanto no trabalho quanto na visão pessoal, até pq o mundo não é assim? 

  • Likapaar

    Gostei do texto, mas só tenho um pormenor a fazer: acho que chegar e
    dizer que o modelo de ensino está falido em todo mundo sem citar
    exemplos é deveras perigoso. Tem exemplos, como a Alemanha, que o foco
    tem se voltado muito para as ciências ambientais e biológicas, e
    diferente do que a maioria das pessoas pensam estas ciências estudam
    muita matemática e física. O que não podemos confundir é falha da
    educação acadêmica com a demanda tecnológica da sociedade: as ciências
    exatas são valorizadas porque temos toda uma política desenvolvimentista
    que valoriza esssas ciências em detrimento das outras ciências. A
    universidade como parte da sociedade responde a este reflexo.

    Em relação a especialização concordo com você que ela acaba deixando as
    pessoas muito fechadinhas nos seus quadradinhos, mas de uma certa forma
    essas pessoas fechadas em seus quadradinhos geram um conhecimento
    inestimável. O que temos que fazer é parar de ter a atitude de olhar
    apenas o micro e voltar o nosso foco para o macro, pensar na importância
    que nossa pesquisa especializada tem para o restante da ciência, o que
    nós brasileiros não fazemos. Ainda insistimos em estudar o fungo da pata
    da formiga sem saber o retorno que isto vai ter pra sociedade.

    Eu recomendo fortemente os livros do Gilson Volpato pra quem quer pensar
    nos rumos da ciência brasileira. Assisti um curso de dois dias e me
    apaixonei pelas reflexões dele.

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Otimo comentário, você me mostrou alguns pontos falhos do texto que eu realmente não consegui ver, obrigado mesmo.

      Sobre a especialização, eu concordo em parte : Sim, o conhecimento gerado pode ter valor inestimável, mas por outro lado, a especialização está chegando a um ponto que a visão da ciência está “micro demais” e estuda detalhes infimos em pesquisas que não trazem nenhum reflexo a sociedade

  • Rodolfo Viana

    Hedger, cite um artigo que você considera modelo de qualidade no PdH e nos esforçaremos para elevar o nível.

    Abraços, cara.

  • http://twitter.com/evandronash evandro

    Fábio, sim. Eu escrevi o texto depois de ter visto esta palestra, e também mais duas do TEDx, a da autora  do Comer, Rezar e Amar sobre criatividade, e a palestra da onde foi tirado o video que o Daniel postou sobre de onde vem as boas idéias. 

    Links :

    Palestra da Elizabeth Gilbert : http://www.youtube.com/watch?v=86x-u-tz0MA

    Palestra do Steven Johnson : http://www.youtube.com/watch?v=0af00UcTO-c

    São duas otimas fontes para continuar a reflexão sobre o papel da criatividade. 

    Recomendadissimo

  • http://www.facebook.com/danielbenderr Daniel Bender

    Achei o texto genérico demais e, por consequência, contraditório. Visto que a generalização é algo que ele mesmo condena.

    Outra coisa, inovação incremental é muito relevante e isso é desconsiderado pelo texto.

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Você poderia me mandar algumas fontes sobre Inovação Incremental? Realmente não conheço e o que achei no google parece ser vago.

      Abraço!

  • http://www.facebook.com/people/Vinicius-Maciel-Hoff/100000354632046 Vinícius Maciel Hoff

    O texto mistura idéias diferentes em pontos que não tem relação.
    Em primeiro lugar, é mais do que natural as produções ciêntificas serem “compostas por revisões de trabalhos antigos e reforços para bases já estabelecidas”. É assim que a ciência funciona e é assim que deve ser. Não se pode criar tudo novo toda hora, é preciso ir avançando a partir de bases já estabelecidas. Da mesma forma o ensino deve prover toda essa base para que um dia os alunos possam aumentar a fronteira do conhecimento. Não tem como fugir disso, o ensino deve fornecer conhecimento, sem invenções.
    Claro que se pode mudar alguns aspectos, muitas universidades já estão aproximando cursos diferentes, como computação e biologia, para que os alunos tenham visões de diferentes áreas e não apenas daquela que se está cursando.
    Concordo que existe uma certa hierarquia, desfavorecendo áreas como artes, mas isso não tem a ver com a idéia de problemas no sistema de ensino que o autor quer passar. Todas as artes devem ser valorizadas e tem importância, mas elas também seguem caminhos diferentes para criação. 
    Um sistema como o autor propõem, que se baseia mais na criatividade e menos no conhecimento, gera idéias como as de moto-contínuos, muito legais, mas inúteis para a humanidade.

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Concordo em partes. Discordo que “tenha que ser assim” de um modo geral, trabalhos de revisão são fundamentais, mas o problema estar no fato de que hoje eles são a maioria dominante hoje e ai a ciência que também tem o papel de estabelecer bases quando necessário, não cumpre com o seu segundo papel que é trazer uma visão nova da realidade, uma descoberta, algo novo e util a humanidade.

      Não penso que não tenha como fugir deste modelo. Para criar algo novo é imprescindivel aprender com os clássicos, mas a questão que levanto é que no nosso sistema educacional atual a idéia de “certo” está mais próxima da repetição dos clássicos do que da criação

      Concordo que a valorização das Artes denota um ambito cultural muito maior do que simplesmente as aulas, mas que já seria de grande utilidade a valorização das artes na própria sala de aula, isso seria.

      Abraços. Otimo comentário,  complementou bem a discussão :)

      • Likapaar

        Só fazer uma citação do Gilson Volpato, no seu livro “Pérolas da Redação Científica”:

        “…os estudos de revisão da literatura devem incluir conclusões novas e não apenas reportar o que se tem feito em determinado assunto. Este é um dos principais motivos de negação de trabalho de revisão em revistas especializadas nesse tema.”

        Partindo de uma visão “macro”, penso que o problema não é apenas da universidade: temos todo um contexto social onde a universidade é vista como geradora de mão de obra técnica. O incentivo à ciência no Brasil é uma piada comparada a outros países, que estimulam as universidades à geração de conhecimento revelante para a sociedade. Não sou muito fã do governo do Lula e da Dilma, mas tenho q reconhecer que os investimentos dados à educação técnica e à pesquisa científica aumentaram bastante e isto estimula as universidades a focarem na geração de conhecimento e os alunos da graduação cogitarem a carreira acadêmica.

      • http://www.facebook.com/tassoevan Tasso Evangelista

        “a universidade é vista como geradora de mão de obra técnica”
        Isso fecha certinho com o que vejo no meu curso de Engenharia. Tem muitos caras bons em diversas áreas do conhecimento que são simplesmente obrigados a decorar, decorar e decorar. E quanto aos governos Lula e Dilma, há uma grana absurda sendo investida em institutos de Química para geração de tecnologia na área de biocombustíveis. Um trabalho socialmente relevante, mas cientificamente… raso. Muitos artigos na área se baseiam mais em testes de técnicas utilizadas com outros combustíveis ou otimizações de métodos já empregados na indústria.

  • http://www.facebook.com/vitor.e.lourenco Vitor Emanuel Lourenço

    “A lógica deste erro é básica: se alguém só aprende uma coisa e esse conhecimento deriva de fontes mais velhas que ele, a probabilidade de repetição é muito maior do que a de invenção.”

    Se eu ensinar uma criança a comer uma maçã, ela repete e aprende.
    Se eu não ensinar, ela aprende sozinha. Vão chamar isso de invenção?
    -Menina de 3 anos inventa um jeito de comer maçã.
    O aprendizado de coisas antigas e a especialização são exatamente o que nos salvam de ficar por aí reinventando a roda.
    A criatividade e a interdisciplinaridade são muito bonitas. Mas exatas e humanas são coisas diferentes. A ciência não se baseia em criatividade e saber história ou geografia não ajudou Gauss a desenvolver seus teoremas em eletromagnetismo.
    Ela se baseia na observação e compreensão daquilo que já existe, das tais ‘ coisas antigas ‘.

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Entendo Vitor, mas a minha critica não está exatamente no fato de existir o estudo de clássicos, claro, isso eu compreendo que é bem importante. O fato que eu quero apontar é que muitas vezes este estudo se torna o objetivo final de uma graduação,quando, penso eu, deveria ser o a base inicial dela

      • http://www.facebook.com/vitor.e.lourenco Vitor Emanuel Lourenço

        Eu fui criado na cultura que garantiu ao português o sinônimo de burro, então é preciso um pouco de paciência comigo.Se me dizem A, eu entendo A e vou assumir que A é o que ele quer dizer. Não faço de propósito, fui criado assim.Então eu não poderia ouvir:” se alguém só aprende uma coisa e esse conhecimento deriva de fontes mais velhas que ele, a probabilidade de repetição é muito maior do que a de invenção. “e entender:” quero apontar é que muitas vezes este estudo se torna o objetivo final
        de uma graduação,quando, penso eu, deveria ser o a base inicial dela
        “São coisas bastante diferentes né? É verdade que eu também discordo da sua resposta.Mas a minha crítica é somente à citação que foi feita no meu primeiro comentário , somente àquele exato conjunto de palavras. E já que sobre aquele exato conjunto de palavras a resposta foi apenas “entendo”, eu não tenho como fechar esse assunto né? Por isso não respondi o porquê de discordar da segunda citação.

    • http://www.facebook.com/tassoevan Tasso Evangelista

      Ou seja, é impossível “ser criativo e desenvolver algo novo” sem ter ao menos uma base do que já foi feito. Mas isso é até óbvio. O problema mesmo é saber quando e como pensar fora da caixa, quando necessário.

  • http://www.facebook.com/people/Vinicius-Maciel-Hoff/100000354632046 Vinícius Maciel Hoff

    O Vitor Emanuel exemplificou bem.
    Eu também acho que tem falhas no sistema de ensino, mas acredito que a solução não é focar na criatividade. O que eu quis dizer com “tem que ser assim” é que o ensino deve focar e ter como base sempre o conhecimento. A partir disso pode-se mudar muitas coisas, pode-se incentivar a criatividade, incentivar uma visão mais global do mundo, pode-se incentivar a iniciativa.
    Quero deixar claro que focar no conhecimento não significa apenas decorar um monte de coisas, pelo contrário. Significa, por exemplo, mostrar o que foi feito e fazer com que os alunos consigam pensar a partir disso.
    Para mim, a primeira mudança é fazer com que alunos das exatas leiam livros e revistas das humanas e alunos das humanas leia textos das exatas, isso é fazer com que os alunos pensem além do que aprendem.
    Sobre a questão do “certo”, acredito que o problema está no método científico, ele é muito importante, mas também tem algumas limitações, seria bom uma revisão de conceitos. Outro problema está na pressão por publicações, é preciso se libertar dessa idéia. Claro que tudo isso é difícil e leva tempo.

  • http://www.facebook.com/people/Rosana-Rogeri/100000284466237 Rosana Rogeri

    Ai, queria ler todos os comentários, Evandro, mas por agora não posso.

    Você conhece o trabalho da Zenita Guenter? http://super.abril.com.br/cotidiano/brilhantes-natureza-443880.shtml ou da Maria Mantoan? http://www.bancodeescola.com/memnon.htm

    Elas citam esses problemas lutando pela inclusão de alunos “diferentes”, tanto os superdotados quanto os com dificuldades na escola.

    Acho muito legal pensar essas coisas… pois fica sempre a impressão que os alunos são errados, quando o sistema de ensino muitas vezes aprisiona. Equilíbrio é fundamental, né? Bom texto, parabéns!!

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Opa Rosana. Lerei. Obrigado!

  • http://www.facebook.com/people/Rosana-Rogeri/100000284466237 Rosana Rogeri

    Ai, queria ler todos os comentários, Evandro, mas por agora não posso.

    Você conhece o trabalho da Zenita Guenter? http://super.abril.com.br/cotidiano/brilhantes-natureza-443880.shtml ou da Maria Mantoan? http://www.bancodeescola.com/memnon.htm

    Elas citam esses problemas lutando pela inclusão de alunos “diferentes”, tanto os superdotados quanto os com dificuldades na escola.

    Acho muito legal pensar essas coisas… pois fica sempre a impressão que os alunos são errados, quando o sistema de ensino muitas vezes aprisiona. Equilíbrio é fundamental, né? Bom texto, parabéns!!

  • Rafael Dorcel de Souza

    É impressão sua.

  • Daniel

    Gostei do texto, só que essa admiração toda pela criatividade é superestimada. A maioria do conhecimento humano vem do aperfeiçoamento de métodos antigos, até porque eles se tornam eficientes e mais facilmente superados quando exauridos.

  • Johncker

    Pois eu concordo totalmente com o Deyvid, eles podem até receber o mesmo ensino, mas pode ter certeza que pensam assim como nós, sabem que o ensino que receberam foi pouco e como tem aquela veia má e são dominados pela ganância se aproveitaram disso e se esforçaram ao máximo para ocupar os cargos que lhes rendem milhares de verdinhas. Eles mais do que nós, sabem que o modelo do sistema educacional é realmente uma M e sabem também que os poucos que pensam e questionam tem muita dificuldade para fazer a maioria pensar igual, ou seja, essa minoria pensante praticamente não tem forças para dobrar a maioria, assim eles continuam a ditar as regras do jogo.

  • Johncker

    Pois eu concordo totalmente com o Deyvid, eles podem até receber o mesmo ensino, mas pode ter certeza que pensam assim como nós, sabem que o ensino que receberam foi pouco e como tem aquela veia má e são dominados pela ganância se aproveitaram disso e se esforçaram ao máximo para ocupar os cargos que lhes rendem milhares de verdinhas. Eles mais do que nós, sabem que o modelo do sistema educacional é realmente uma M e sabem também que os poucos que pensam e questionam tem muita dificuldade para fazer a maioria pensar igual, ou seja, essa minoria pensante praticamente não tem forças para dobrar a maioria, assim eles continuam a ditar as regras do jogo.

  • Cabff

    Isso é coisa da área sul…

    • http://twitter.com/evandronash evandro

      Achei um ufscariano AhAHAhahaha

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001161060209 Matheus Lima Vital

    Parebéns pelo texto, me lembrou um livro que li ano passado, Sociologia Crítica, que indaga se Leonardo Da Vinci fosse contratado por uma grande empresa, será que teria espasso para outros horizontes de conhecimento?, será que seria aceito se colocasse no curriculum vitae que é arquiteto, inventor e pintor? muito boa reflexão, para quem ainda tem duvida se é realmente necessário viver com cabrestos que só focam para uma direção.
    Abraços.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001161060209 Matheus Lima Vital

    Parebéns pelo texto, me lembrou um livro que li ano passado, Sociologia
    Crítica, que indaga se Leonardo Da Vinci fosse contratado por uma
    grande empresa, será que teria espasso para outros horizontes de
    conhecimento?, será que seria aceito se colocasse no curriculum vitae
    que é arquiteto, inventor e pintor? muito boa reflexão, para quem ainda
    tem duvida se é realmente necessário viver com cabrestos que só focam
    para uma direção.

    Abraços. 

  • Henrique

    Nunca o PdH teve tanto conteúdo bom produzido em tão pouco tempo.

  • Felipe

    eu to cansado de pessoas que acham que ser inteligente é ser uma calculadora, uma máquina, uma engrenagem do sistema. Nao existe só ciencias exatas no mundo…

  • http://www.facebook.com/raffael.silvado Raffael Silvado

    Texto de altíssimo nivel! awesome!

    Fui lendo e me recordando de quando tinha 13 anos e me perguntava pra que a matemática me serviria no futuro.
    Lembro que ao longo de todo o meu processo educacional eu sempre me senti desconfortavel, sentia como se eu estivesse sendo conduzido para uma competição que eu não queria participar.

    Durante a minha faculdade meu professor de Redes nos ensinou a questionar esse tipo de pensamento, ele dava exemplos práticos de como meritocrácia pode ser retrograda, dois desses exemplos estão bem na frente de vocês agora, os icones do seu computador e seu mouse.
    Ambos quando inventados foram descartados pelas “pessoas mais qualificadas”, pois quem iria querer trabalhar com desenhos e um ponteiro quando já haviam as eficientes linhas de comando?? pra que abandonar o tradicional?
    Só foram incorporados mais tarde por outras empresas, o mouse com a sua petente já vencida…

  • http://www.facebook.com/raffael.silvado Raffael Silvado

    Texto de altíssimo nivel! awesome!

    Fui lendo e me recordando de quando tinha 13 anos e me perguntava pra que a matemática me serviria no futuro.
    Lembro que ao longo de todo o meu processo educacional eu sempre me senti desconfortavel, sentia como se eu estivesse sendo conduzido para uma competição que eu não queria participar.

    Durante a minha faculdade meu professor de Redes nos ensinou a questionar esse tipo de pensamento, ele dava exemplos práticos de como meritocrácia pode ser retrograda, dois desses exemplos estão bem na frente de vocês agora, os icones do seu computador e seu mouse.
    Ambos quando inventados foram descartados pelas “pessoas mais qualificadas”, pois quem iria querer trabalhar com desenhos e um ponteiro quando já haviam as eficientes linhas de comando?? pra que abandonar o tradicional?
    Só foram incorporados mais tarde por outras empresas, o mouse com a sua petente já vencida…

  • http://twitter.com/formagio Alexandre Formagio

    A escola começa errada a partir do momento de que educa seus alunos a irem pelo caminho seguro da vida, faculdade, pós, trabalhar em multinacional e alcançar um cargo alto com boas bonificações.

    Sinto falta na educação de provocações, de incentivo a inovar, errar, procurar o SEU caminho e não o caminho “seguro”que TODOS irão fazer igual e a cada dia este caminho seguro existe menor, o que acho ótimo, pois obriga as pessoas a pensarem e agirem diferente do modelo tradicional de vida imposta pla sociedade.

    Excelente texto :)

  • http://twitter.com/formagio Alexandre Formagio

    A escola começa errada a partir do momento de que educa seus alunos a irem pelo caminho seguro da vida, faculdade, pós, trabalhar em multinacional e alcançar um cargo alto com boas bonificações.

    Sinto falta na educação de provocações, de incentivo a inovar, errar, procurar o SEU caminho e não o caminho “seguro”que TODOS irão fazer igual e a cada dia este caminho seguro existe menor, o que acho ótimo, pois obriga as pessoas a pensarem e agirem diferente do modelo tradicional de vida imposta pla sociedade.

    Excelente texto :)

  • Zsamoff

    Há que se salutar o texto. Entretanto, isso não faz com que, mesmo reconhecendo mérito no texto, eu assine embaixo. Há coisinhas que devem ser ditas, ao menos sob minha ótica.

    Não vou fugir do lugar comum, apontar fontes ou caminhos. Esse não é um tópico que muito aparece em mesas de bar, mas porventura. aparece. Ficarei tão só nesse nível.
    Vou tentar ir ponto à ponto.

    Primeiro, “nosso sistema de ensino é falho”. Se é falho, não atende ao seu objetivo. Pergunta boba, qual o objetivo do ensino? Se for treinar mão-de-obra ou permitir que alguém desenhe seu nome, bem, ele está meio tosco, mas acaba dando. Mas se falarmos em formar seres humanos, teremos muita coisa a repensar. Claro que não vou tratar disso por aqui.^^Segundo, não há como querer debater algo no mundo sem conhecer seu contexto.”Texto fora do contexto é pretexto”. Além de se ver a questão econômica (e política, afinal é difícil pensar ambas isoladamente, ao menos depois das Revoluções Industriais) há que se pensar um pouco de Epistemologia. Até mil-novecentos-e-uns-quebrados, se tinha uma visão do que é ciência. Dualismo Sujeito-Objeto, Neutralidade. Esse padrão condiz com o pensamento adotado nas ciências naturais e que vinha dando inegável sucesso. Tentaram adequar às “ciências do espírito” a esse método. (Falar em ciência do espírito sem se ter método é meio complicado, mas por caráter de praticidade mantenho).
    Contudo, tal padrão veio a sofrer alguns reveses. A Neutralidade do cientista é colocada em xeque, o dualismo mostra que não é tão isolado quanto se quer. Nisso, um novo fôlego se é dado ao pensar ciência quando se fala de ciências humanas. Se o método anterior é problemático, um espaço se abre.

    Terceiro, 2011 não é um “update” de 1850. Irretocável. Mas alguns pensam que sim. Nosso sistema educacional parece que sim (Ele sofreu mudanças e tudo mais, mas a concepção básica é a mesma. O Núcleo Duro não foi afetado diretamente). Isolamento autista entre matérias (eu aceito alguém da Geografia se esquivar de responder como se faz, de modo pormenorizado, as pesquisas de alguma das milhões de estatísticas presentes na sua área, mas algum professor de física fugir de relacionar funções com alguns pontos das matérias é algo problemático) é algo bem presente ainda. Bem como o posicionamento passivo do aluno. O próprio aluno acaba isolando o que não deve. Não fica o problema no corte da criatividade, mas também na autonomia. O sistema tem uma boa ajuda dos que dele reclamam…

    Quarto, hierarquização de matérias. Aqui fico base e defendo. As matérias tem uma hierarquia. Claro que não sou estulto de achar que a mesma é absoluta. Problemas que lidam com números de modo mais aprofundado, não há que se consultar um sociólogo. Mas pouco ajuda um matemático a resolver a remodelagem de um plano de estudos, quando comparado com um pedagogo. (pegando personagens-clichê, ok?). Bem como há hierarquia entre conhecimentos da mesma área. Darei, a priori, mais créditos a um especialista que  um “comum”. Repito, a priori.

    Quinto. Puxando do “Quarto”. A priori colocarei a opinião de um especialista em relação a um “generalista”. Quer dizer que o especialista sempre está certo? Claro que não. Como um meritocrata, não  meço competência em quantidade ou em títulos, mas em trabalho, eficiência. O caráter não deve ser formal ou quantitativo, mas qualitativo. Meritocracia não é repetição dos antigos. Mas que anda mui junta da repetição, não nego.

    Sexto, para que repetimos então o que foi feito? Simples, deu certo e vem dando. Conhecimento e repetição e hábito, já dizia o velho barrigudo. É um ponto de onde se começar. Para isso que serve as revisões e reforços. Ficar nisso, claro, é medíocre.  É como fazer uma casa e se contentar ficar só com o alicerce. E uma porta.

    Sobre o texto, isso é o mais imediato que me veio.

    Agora para os comentários. (Juro que não farei tópico a tópico  =D)Quanto a supervalorização das exatas, fecho com o Felipe Matos Mendes, não vejo. Vejo fuga e mistificação. E sinto dizer, mas para mim aprender matemática NÃO é decorar fórmula. Isso é saber usar. Quem aprende entende. Alguém que aplica sem entender, bem, macacos o fazem também.

    Não veio dos comentários, mas tem relação. Existe o certo e o errado sim. O problema que há muitos métodos (trocadilho engatilhado) para se chegar a ambos. Normalmente só se descobre quando se foi investido um esforço em alguma opção. 

    Falaram, mas não aprofundaram (Não é uma crítica não, ouquei. Guardem o login do Twitter para outro) sobre a interdisciplinariedade e a necessidade de visão holística. Sim, sem dúvidas.

    Sobre o Titio Leonardo (o da Renascença), bem, ele tinha tempo/faltava matéria. Ele não tinha como se especializar como hoje. Quando se traz o exemplo dele é bom se ter em mente isso. O mundo de hoje não é a versão mais atual do que ele viveu.

    E por fim, já que a digressão embota o objetivo do texto, sobre o mouse e os ícones. Sério, isso não se relaciona como meritocracia. É pensamento sobre a finalidade de algo. Mouse e ícone, acaram ajudando mais áreas que na época não eram focadas. Com elas se abriram novos nichos. O exemplo fica torto.

    Enfim, está bem longo. Deve ter erros imperdoáveis. E a digressão, falta de foco etc. dominam. Encerro por aqui. Quem leu tudo, agradeço. =D

    • http://pulse.yahoo.com/_FUT4DR7VSKHTTZ747SN6WDNKRM Vinícius Policarpo Quintão

      Concordo contigo Zsamoff.

      Sobre o sistema de ensino, criticar e dizer que é falho é uma observação das mais óbvias, afinal de contas sempre será falho (perfeição é algo impossível). Argumentar que a meritocracia é algo ruim é deveras péssimo, desta forma você cria um sistema caótico, sem regras. Levante a mão quem consegue viver sem regras? Se alguém alegar que sim abra mão de tudo que controla sua vida, relógio, moral, tudo o mais.

      Sobre a seguinte passagem:
      “Outro aspecto sobre a falência do sistema de educação, e este
      corresponde mais à visível escassez de criatividade que abrange nossos
      tempos, é a chamada meritocracia. Ou seja, aquela
      pessoa que faz certo deve ser mais valorizada do que aquele que erra.
      Contudo, seguindo este raciocínio, errar aparece como pior resultado
      possível de uma experiência e muitas vezes é encarado como pior do que
      não tentar, quando já é comprovado pelo tempo que as maiores ideias e
      invenções vieram de sucessivos erros.”

      Errar totalmente é o pior resultado possível, isto é indiscutível, perde pro acerto parcial (erro parcial) e pro acerto completo (não vou discutir formas de auferir um acerto perfeito), se formos analisar friamente. O fato é que um erro é estímulo ao acerto e não desestímulo à tentativa, quem se sente desestimulado é que deve mudar seu modo de pensar, e não o sistema que premia acertos. Se errar não fosse o pior resultado quem acertou depois de muitos erros teria se contentado em não estar certo.

      Sobre a especialização eu ressalto: se não a empregarmos a ciência avança lentamente (quando avança) e os problemas demorariam muito mais tempo para serem solucionados. Exemplo: Imaginem um engenheiro civil tentando solucionar um problema de eletrônica em um mecanismo de um ônibus espacial (a engenharia civil e a militar são as matrizes da engenharia). Extrapole o exemplo para todas as áreas que conhece, aposto que no fim vai pensar em um clínico geral tentando resolver um problema de medicina ultra complexo que um especialista tem de pesquisar por anos a fio para alcançar uma alternativa.

      Quanto à supervalorização das exatas, sinto muito mas é de lá que vem os métodos utilizados em estudos quantitativos, enquanto a maioria dos métodos qualitativos é discutível (sou formado na área de Ciências Sociais Aplicadas e vi muito disso). Não estou dizendo que cursos da área de exatas são mais importantes, mas os métodos quantitativos são sim indispensáveis. Como dizem, estatísticas são recurso pra tudo. Claro que se forem analisadas coerentemente.

      O exemplo do mouse é totalmente desconexo, ele sugere que quem é mais “qualificado” nunca erra, e não faz crítica à meritocracia. Se você reprova o mérito você destrói toda e qualquer justificativa pela continuidade de um bom trabalho, afinal de contas, ninguém vive feliz/realizado com a indiferença e a não recompensa.

      Por fim, sobre a repetição eu cito Sir Isaac Newton:
      “If I have seen further it is only by standing on the shoulders of giants”. Ele é um dos ícones da ciência, da criatividade, da pesquisa e etc. E foi muito feliz, a meu ver, a declarar que o mérito não é todo dele.

    • http://pulse.yahoo.com/_FUT4DR7VSKHTTZ747SN6WDNKRM Vinícius Policarpo Quintão

      Concordo contigo Zsamoff.

      Sobre o sistema de ensino, criticar e dizer que é falho é uma observação das mais óbvias, afinal de contas sempre será falho (perfeição é algo impossível). Argumentar que a meritocracia é algo ruim é deveras péssimo, desta forma você cria um sistema caótico, sem regras. Levante a mão quem consegue viver sem regras? Se alguém alegar que sim abra mão de tudo que controla sua vida, relógio, moral, tudo o mais.

      Sobre a seguinte passagem:
      “Outro aspecto sobre a falência do sistema de educação, e este
      corresponde mais à visível escassez de criatividade que abrange nossos
      tempos, é a chamada meritocracia. Ou seja, aquela
      pessoa que faz certo deve ser mais valorizada do que aquele que erra.
      Contudo, seguindo este raciocínio, errar aparece como pior resultado
      possível de uma experiência e muitas vezes é encarado como pior do que
      não tentar, quando já é comprovado pelo tempo que as maiores ideias e
      invenções vieram de sucessivos erros.”

      Errar totalmente é o pior resultado possível, isto é indiscutível, perde pro acerto parcial (erro parcial) e pro acerto completo (não vou discutir formas de auferir um acerto perfeito), se formos analisar friamente. O fato é que um erro é estímulo ao acerto e não desestímulo à tentativa, quem se sente desestimulado é que deve mudar seu modo de pensar, e não o sistema que premia acertos. Se errar não fosse o pior resultado quem acertou depois de muitos erros teria se contentado em não estar certo.

      Sobre a especialização eu ressalto: se não a empregarmos a ciência avança lentamente (quando avança) e os problemas demorariam muito mais tempo para serem solucionados. Exemplo: Imaginem um engenheiro civil tentando solucionar um problema de eletrônica em um mecanismo de um ônibus espacial (a engenharia civil e a militar são as matrizes da engenharia). Extrapole o exemplo para todas as áreas que conhece, aposto que no fim vai pensar em um clínico geral tentando resolver um problema de medicina ultra complexo que um especialista tem de pesquisar por anos a fio para alcançar uma alternativa.

      Quanto à supervalorização das exatas, sinto muito mas é de lá que vem os métodos utilizados em estudos quantitativos, enquanto a maioria dos métodos qualitativos é discutível (sou formado na área de Ciências Sociais Aplicadas e vi muito disso). Não estou dizendo que cursos da área de exatas são mais importantes, mas os métodos quantitativos são sim indispensáveis. Como dizem, estatísticas são recurso pra tudo. Claro que se forem analisadas coerentemente.

      O exemplo do mouse é totalmente desconexo, ele sugere que quem é mais “qualificado” nunca erra, e não faz crítica à meritocracia. Se você reprova o mérito você destrói toda e qualquer justificativa pela continuidade de um bom trabalho, afinal de contas, ninguém vive feliz/realizado com a indiferença e a não recompensa.

      Por fim, sobre a repetição eu cito Sir Isaac Newton:
      “If I have seen further it is only by standing on the shoulders of giants”. Ele é um dos ícones da ciência, da criatividade, da pesquisa e etc. E foi muito feliz, a meu ver, a declarar que o mérito não é todo dele.

  • http://donluidi.wordpress.com don luidi

    Fantástico post!!! Eu tenho dois sobrinhos, uma princesinha de seis aninhos que já vai na escolinha e um campeão de dois aninhos… Eu tento fazê-los entender que a meritocracia exagerada apenas mata nossa criatividade, que não existe certo ou errado… Daqui uns 15 anos espero que minhas atitudes ajude-os a tornarem-se cidadãos responsáveis e fazendo o que gostam…

  • http://www.facebook.com/people/Sílvia-Lopes/1802462448 Sílvia Lopes

    Uma parte da minha dissertação abordava este disparate educacional. Ser da área das humanas me fez aceitar o desafio de aprender a pensar como o pessoal da área das exatas e esta foi a parte legal, porque pude perceber que não há área do conhecimento com superioridade sobre as outras! Há uma interdisciplinariedade que não possibilita desmisturar, ou desfazer saberes e se concentrar num único nicho quando se faz pesquisa. Ter foco é diferente de ser bitolado e ser falsamente superior sem considerar qualquer outro conhecimento já existente sobre a matéria, ainda que de outra área. Isto sim seria um erro craço.

  • Danilo Rocha Sampaio Gomes

    Ao fim da leitura duas palavras me vieram a cabeça: especialista e generalista.

    Não acredito que um seja mais importante que outro. Acredito que devem existir os dois tipos em qualquer ambiente. Vejo que no meio profissional é fundamental ter equipes mistas.

    O generalista tem o poder de realizar conexões, de relacionar assuntos variados, de enxergar problemas com uma visão macro.

    O especialista, por sua vez, consegue esmiuçar tarefas, entender os pormenores e resolver problemas que requerem um conhecimento mais focado.

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