por
em às | Colunas, Dr. Health, Relatos, Saúde
Atendendo a alguns pedidos, visto que a receptividade do 1º artigo foi bem maior do que eu esperava, trago aqui orgulhosamente a parte 2, com mais alguns causos vividos por mim, ou notórios do meio hospitalar. Dessa vez, a putaria ficou meio de lado, mas como putaria dá Ibope, ela nunca será totalmente esquecida.
Começo relembrando a história de um colega meu, baladeiro de 1ª categoria e mulherengo até dizer chega.
Pediatra, Pedófilo ou Pederasta? A medicina e seus mistérios.
Mas ele havia saído com uma outra médica, certinha, toda meiguinha, dessas para casar. Vamos chamá-la de Patrícia. As coisas entre ele e a Patrícia estavam rolando bem, clima de namoro. Mas quando ele estava sozinho, era putaria total. Numa dessas noitadas, ele pegou uma outra mulher e a “bagunçou”. Fizeram de tudo.
Na noite seguinte, ele está bebendo com os amigos, contando vantagem do que fizera na noite anterior e já doidão, o celular toca. E ele lê: Patrícia.
Nada demais, não fossem dois pequenos detalhes:
1 – Ele estava trêbado
2 – A mulher que ele havia comido no dia anterior se chamava… Patrícia!
A mistura foi explosiva, e achando que era a Patrícia “bagunçada”, ele já atende cheio de graça pra impressionar os amigos:
- E aí, gostou do jeito que comi teu cuzinho ontem? Porra, tu chupa muito gostoso, temos que meter daquele jeito de novo.
Um doce se vocês adivinharem qual Patrícia havia ligado. Dica: Uma que nunca mais olhou na cara dele…
__________________________________
Eu já conheci muito médico figura, mas esse que vou falar agora, era louco de pedra.
Era meu staff quando fui residente. Reza a lenda que uma vez havia uma auxiliar de enfermagem novinha, toda fresquinha, que estava na sala onde esse staff operava um paciente do sexo masculino.
Em cirurgias muito longas, é comum termos que colocar uma sonda vesical (a grosso modo, um tubo que entra pela uretra) no paciente, para controlar a diurese e ter noção do quanto de líquido ele está perdendo e deve ser reposto. Mas em cirurgias mais curtas, não é necessário.
Porém, nessa cirurgia, houve uma complicação e o tempo se estendeu. Foi necessária a sondagem do paciente. Com os campos operatórios já colocados na mesa, a pessoa que fosse proceder a sondagem teria que entrar por baixo da mesa, procurar a genitália do paciente, e aí realizar o procedimento. E sobrou para a enfermeira fresquinha.
Pois bem, na hora que ela entra por baixo do campo (onde a visibilidade é ruim), e mete a mão no pinto do paciente, esse meu staff, que estava encostado nos campos, grita:
- “NÃOOOOO! ESSE É O MEU!!!!!”
Não era o dele. A pobre coitada dá um grito de pavor, sai debaixo da mesa, e sai correndo.
Chamaram outra pessoa pra sondar o paciente.
__________________________________
Já falei desse cara aqui na PdH, mas não custa repetir. Devia ser o cara mais medroso da face da Terra. Medroso é pouco. Cito algumas pérolas e proezas do indivíduo.
Sua frase clássica é:
“Isso é perigosíssimo, risco de vida”
- Depois que leu sobre a possibilidade de a bexiga estourar, se estiver cheia, após um trauma abdominal, simplesmente não entra no carro sem ir ao banheiro antes. Perigosíssimo.
- O hospital onde fiz residência fica num local ermo e perigoso à noite. Mas a direção permitia que os staffs de plantão ficassem de sobreaviso em casa, o que quase todos faziam, pois dificilmente eram chamados. Mas ele não, ele ia todo plantão.
Segundo ele: “Se me chamam de noite para vir pra cá, é risco de vida! Então eu prefiro ficar aqui.”
- Uma vez eu saía de um plantão noturno já uniformizado para ir jogar bola domingo de manhã. Esbarrei com ele na lanchonete do hospital, e ele: “Bicho, tu vai jogar bola?? Com essas canelas de fora? Perigosíssimo, vai voltar pra cá com fratura de tíbia!!!”
- Eu e minha equipe estávamos internando um paciente com fratura de fêmur, e o levamos ao Raio-x. Nisso o cara chega para dar uma mão, e vendo um bebedouro ali, toma um gole de água. Um colega pisca para mim e comenta: “Cara, não foi esse bebedouro que estava com água contaminada?”. Eu respondo: “É sim, tinha coliforme fecal e tudo”.
O cara ficou branco, e começou a cuspir o que havia bebido.
- Essa eu nunca pensei que ouviria, mas foi a melhor. No dia 11 de setembro de 2002, um ano após os atentados terroristas de Nova York, eu encontro com ele de manhã. O hospital fica próximo ao Aeroporto do Galeão e ele solta algo que valeu a minha passagem na Terra:
“Bicho, 11 de setembro… Esses aviões passando aqui pertinho… Perigosíssimo, risco de vida!”
É, acho que a Al Qaeda queria destruir o SUS mesmo.
__________________________________
Uma vez eu estava dentro do consultório em uma clínica ortopédica chique daqui do Rio, quando ouço um bafafá na recepção. Era uma senhora bem idosa, reclamando da música ambiente da clínica.
Porque a música que tocava era “Amor e sexo”, da Rita Lee, e ela reclamava que aquilo era uma indecência, uma música falando de sexo, um absurdo! E ela estava transtornada.
Devia ser de saudade.
__________________________________
Nessa clinica passei alguns perrengues, como um hipocondríaco que atendi uma vez e engarrafou todo o atendimento. Isso porque o cara produzia uma queixa a cada 3 segundos e queria explicação para todas. Enquanto isso, a fila bombava.
Nesses casos, temos algumas táticas para administrar fila.
Uma delas é pedir radiografia, você desvia a fila para o raio-x e dá vazão ao atendimento. Mas um colega se superou nisso. Era uma segunda-feira, dia internacional do malandro que vai fazer migué na emergência pública, e pede atestado. A fila bombava, e as reclamações começavam. Minutos depois, fila mínima.
Eis o que aconteceu:
Ele chamava o 1º da fila, colocava dentro da sala, e fechava a porta. Pedia para o paciente fazer silêncio e começava a gritar que nem um louco, simulando uma dor forte e falando:
“Aaaaaaaaaai, para, Doutor, tá doendo muito!!”.
Terminava o atendimento, liberava o cara, e chamava o seguinte. Repetia o procedimento, e dessa vez, era um outro colega que gritava.
Ao abrir a porta, milagrosamente, a fila diminuira 90%. Duvido que o malandro ficaria ali depois dessa.
__________________________________
Malandragem também faziam alguns pacientes indigentes que não tinham onde morar, então arrumavam um jeito de serem internados, pois ali teriam cama e comida. E pior, se recusavam a ter alta. Afinal de contas, ali era mordomia gratuita. Mas era sacanagem ocupar o leito de alguém que precisava. Nem os assistentes sociais davam jeito.
Um colega meu encontrou a solução. Pegou a prescrição de um paciente desses, e alterou a dieta, colocando:
Comentário do “paciente” antes de se mandar do hospital: “Dotô, que caldinho ralo, hein?”
__________________________________
Um paciente uma vez resolveu se mandar também. Mas para o outro mundo. Abriu a janela do hospital e pulou. Caiu um cima de um carro no estacionamento.
Nisso chamaram meu pai, ortopedista daquele hospital:
“Doutor, o senhor é o dono daquele Corcel branco? Um paciente saltou e caiu em cima dele.”
E realmente o cara destruiu a lataria do Corcel. Eu tinha uns 7 anos naquela época e lembro vagamente do carro com a parte traseira toda amassada.
Mas não parou por aí. Daqui a pouco chamam meu pai de novo:
“Doutor, o cara teve fratura exposta.”
E meu pai ainda teve que operá-lo, não bastando estar puto por causa do carro amassado.
Alguns dias depois, o cara veio a falecer das lesões. Duro pro meu velho foi agüentar as piadinhas do tipo:
“Tu matou ele, né? Que cara vingativo!”
__________________________________
Quando eu era estagiário num hospital desses da vida, um colega precisava fazer um exame de sangue. Como ele estava ocupado, ele me pediu para preencher o pedido.
Não agüentei e no campo onde dizia “Indicação”, escrevi: Pré-operatório de mudança de sexo.
Logo após, eu colhi o sangue dele, entreguei o pedido dobrado, e ele foi ao laboratório.
Gostaria de ter visto a cara do técnico do laboratório ao ler aquilo.
__________________________________
Por falar em colher exames, nesse mesmo hospital, uma clínica veio perguntar quem queria colher uma gasometria arterial, que significa tirar sangue de uma artéria para medir a oxigenação. Eu me ofereci, e só depois ela me diz que o paciente estava com AIDS terminal. Boa tática.
Bom, já era, calcei uma segunda luva e vamos nessa. Quando olho para o paciente, era um travesti com pneumonia. Então primeiro tentei a artéria radial, no punho. Na hora que eu espeto a agulha, o traveco grita, com todos os trejeitos possíveis: “Uuuuuuuuuiiiiiiii”.
Eu queria rir, mas não podia. Havia o risco de me furar com aquela agulha agora contaminada.
Então decidi tentar na artéria femoral, na virilha. Quando começo a tirar a calça, o traveco diz: “Cuidado, tem silicone aí”.
Eu queria rir, mas não podia. Um colega meu já se virava de costas para rir.
Pois bem, quando eu desabotôo a calça do traveco, ele está usando uma singela CALCINHA DE RENDINHA PRETA hiper-cavada. Eu já não agüentando mais, e o meu colega vira e sai da sala, para poder gargalhar em paz.
Culminando, o traveco ainda me pergunta: “O que houve com o seu amigo, ficou com vergonha?”
Desisti. E pedi para outra pessoa fazer o procedimento. Agora eu podia rir.
__________________________________
Trabalhando em hospital público, volta e meia você esbarra com um travesti. Mas no meu caso foi peculiar. Era meu primeiro dia de residência, e me deram uma ficha. Fui chamar o paciente, o primeiro de minha carreira médica:
- Ricardo!
Nada.
- Ricardo!
Xongas.
- Sr. Ricardooooooo!
Nisso estou reparando que uma mulher vai chegando perto de mim, e quando a vejo, ela diz, com voz suave:
“Sou eu.”
Passei a residência inteira sendo sacaneado por causa disso. Me chamavam de predestinado.
Ah sim, isso sem contar que a primeira paciente que eu operei era mais macho que eu!
__________________________________
Pensando melhor, isso foi fichinha perto do que aconteceu com um parceiro de residência. Esse sim se deu mal.
A equipe dele ficou responsável por um paciente do sexo masculino, com um membro inferior encurtado, que fazia um tratamento de alongamento. Como era o mais novato da equipe, o tal colega ficava responsável pelos cuidados e curativos quando o cara ficou internado. Então ele recebeu alta, e houve um rodízio das equipes, portanto, as consultas ambulatoriais não seriam mais com o referido e azarado colega.
Azarado mesmo, porque o paciente, em uma consulta, pediu para um outro colega (o mais sacana de todos), entregar um envelope para ele.
O sacana não agüentou e abriu o envelope.
Qual não foi a surpresa ao ver o conteúdo:
A sessão clínica do dia seguinte, consistiu da divulgação da carta, e todos nós sacaneando o cara, dizendo que ele havia não só trocado o curativo como comido o paciente e tal…
E ainda houve uma segunda carta! Conteúdo semelhante, mas um poema só: “Tristeza”. Cheio de coraçõezinhos.
Detalhe é que o paciente precisou reinternar, ou seja, ele iria reencontrar seu grande amor. Meu colega, enquanto o cara esteve internado, não participava da visita.
__________________________________
Talvez isso tenha acontecido depois de mais uma visita da Pfizer, laboratório que faz o anti-inflamatório Celebra. Que, aliás,tinha uma estratégia inusitada de marketing, pois quando os representantes vinham falar com a gente, falavam do Celebra e tal, e depois nos davam amostras deste… e de um certo outro comprimido azul em forma de diamante fabricado pelo mesmo laboratório.
Gênios do marketing!
__________________________________
Por fim, já que o papo caiu no Viagra, uma lenda urbana que corre solta no hospital onde servi o Exército.
Dizem que havia um tenente anestesista pra lá de maluco.
Coisa muito comum no meio militar, diga-se de passagem
E que em um determinado plantão, ele arruma uma mulher para dar umazinha.
Instrui um soldado parceiro dizendo que, se precisarem dele, estará num quarto do serviço dele, e é só ir lá chamá-lo.
Pois bem, como a lei de Murphy não perdoa, precisaram dele, e ninguém o encontrava. Comunicaram ao comandante do dia, e ele sai à cata do tenente. Vendo que ia dar m…, o soldado chega na porta onde o tenente está mandando bala, e o chama. Tempo suficiente para que o comandante o flagre, e descubra o paradeiro do tenente.
Então o comandante dá a ordem para o tenente sair e se apresentar.
Então a porta se abre, e o tenente aparece. Peladão, de pau duro, e ainda presta continência, gritando: “Pronto, senhor!”. Dupla continência, diria eu.
Diz a lenda que ele foi jubilado do Exército.
Eu, que queria sair naquela época, senti considerável inveja.
Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.
O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias e entusiasta do embate saudável. Conheça nossa orientação editorial e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.
Enviamos apenas um email por dia com todos os textos e shots que selecionamos a dedo para os leitores não perderem tempo.
Dê vida ao PapodeHomem, para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou. Leva 2 minutos.
Queremos uma discussão de alto nível, sem frescuras e bem humorada. Portanto, leia nossa porra de Política de Comentários.
Lifestyle Magazine