Nessa semana jogaram pela Libertadores, no Brasil, Santos, São Paulo, Fluminense e Cruzeiro. Todos ganharam seus jogos e lideram seus grupos. A despeito da semelhança nas vitórias e liderança, há uma significativa diferença entre as equipes: a presença do público.
Fluminense e Cruzeiro tiveram mais de 35 mil pagantes em seus jogos. O São Paulo reuniu 28 mil. E o Santos, apenas 7 mil gatos pingados.
Cadê a torcida?
A diferença entre o tricolor paulista, seu similar carioca e a raposa pode não ser tão grande assim, se olhada em números absolutos. Mas numa perspectiva relativa ganha contornos maiores.
A torcida do São Paulo, como Galvão Bueno repete a cada cinco minutos quando está narrando um jogo do time, “tem uma relação especial com a Libertadores”. Realmente os são-paulinos são amarrados no torneio continental. A ponto de desprezar o Paulistão: os dois últimos jogos do tricolor pelo estadual antes do duelo contra o Audax não tiveram, somados, mais de 15 mil pagantes.
Uma torcida que se reserva para a Libertadores, e sendo tão numerosa quanto a do São Paulo, deveria colocar mais do que 28 mil pessoas num jogo tão aguardado.
Já a do Santos… essa encuca qualquer um. Antes que alguém se apresse a falar da má qualidade do time de Émerson Leão – coisa que esse colunista, torcedor declarado do Peixe, sabe muito bem e por conta disso sofre diariamente – é preciso atentar que o baixo público na Vila não é coisa nova.
No biênio 2006/2007, de títulos paulistas e boas campanhas no Brasileiro, os jogadores santistas cansaram de atuar numa Vila às moscas. E mesmo o time de Diego e Robinho, o melhor do Santos desde 1969, entrou em campo várias vezes para menos de cinco mil pagantes no estádio.
Os motivos disso? Não sei, e nem arrisco resposta.
O futebol português tem seus recursos pra atrair mais público, como demonstram eloquentemente as animadoras da Carlsberg Cup
Claro que a saída mais fácil é colocar a culpa na trinca violência, preços altos e transmissão pela TV. Esses fatores existem, indiscutivelmente; mas estão presentes em todo o país, em todos os estados.
Ou seja: se servem de justificativa para os paulistas deixarem seus estádios em branco, serviriam também para que mineiros, gaúchos, cariocas e nordestinos fizessem o mesmo. Mas não é o que ocorre.
Acredito que o fenômeno pode ser explicado, em parte, por algo tão simples quanto intangível: a paixão pelo futebol. Estamos acostumados a ver inúmeras demonstrações de amor pelo futebol em todo o Brasil, mas em São Paulo elas são cada vez mais raras. Lembramos de um ou outro exemplo – a torcida do Palmeiras enchendo o Palestra na Série B de 2003, talvez – mas são apenas casos esporádicos.
Entre os pequenos e médios também o fenômeno se verifica. A Portuguesa teve uma temporada ótima em 2007, subindo de divisão no Paulista e Brasileiro, e o Canindé continua vazio. O Guarani, eterno campeão brasileiro de 1978, também subiu o ano passado, precisa de apoio de sua torcida e tem jogado num Brinco de Ouro sem público.
Isso pra não falar de São Caetano e Ituano, que tornaram-se exemplos nacionalmente conhecidos de falta de torcedores.
Não sei se a culpa para isso são as tão faladas milhões de atrações de São Paulo, que vão desde uma gastronomia fortíssima a opções noturnas e culturais ilimitadas. Mas o estado com o maior PIB e renda per capita do Brasil poderia mostrar um pouquinho mais de amor ao futebol.
Olavo Soares, 27 anos, é jornalista, santista e morador de São Bernardo - com muito orgulho dessas duas últimas qualidades, da primeira nem tanto. É mais um dos integrantes da equipe do Futepoca, o melhor blog de esportes de 2007.
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