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Os Jetsons se tornaram símbolo de um futuro conectado, em que a tecnologia auxiliava tanto a vida profissional quanto a doméstica. Porém, aquelas sofisticadas residências, onde robôs e dispositivos eletrônicos se encarregavam das tarefas domésticas, executadas por um simples botão, hoje já não são mais um devaneio de ficção científica.
Na verdade, muitas das comodidades das quais a família Jetson desfrutava já estão à nossa disposição a um custo não tão assustador.
Os vidros fechados e a música relaxante são nossa última defesa contra a guerra lá fora. Entre primeiras e segundas marchas, buzinas e luzes de freios, o final do dia nas grandes metrópoles costuma ser nossa sessão diária de tortura contemporânea.
Cada um com sua estratégia, tentamos passar emocionalmente ilesos por aquele interminável período que separa o fim de mais uma rotina de trabalho e o conforto de nosso lar. Naqueles instantes, fantasiamos com o mágico momento quando chegamos ao nosso oásis de tranquilidade em meio ao mar do caos urbano.
Entretanto, apesar de furiosamente desejarmos repousar em nosso confortável sofá bebendo algo refrescante e assistindo nosso programa de TV favorito, sempre restam aqueles afazeres domésticos que não podem esperar pelo dia seguinte. Durante aquelas poucas horas sagradas que deveríamos reservar para o descanso, é comum termos de lidar com a roupa suja, com o rancho no supermercado, a cozinha e a organização dos compromissos do dia seguinte.
Algumas tarefas podem ser delegadas para empregadas domésticas ou governantas, mas muitas de nossas obrigações em casa são realizadas por nós mesmos.

“Não posso, querida. To tirando o lixo. O sofá fica pra depois.”
Em 1962, Os Jetsons encontraram a solução para esse dilema. A célebre série de televisão introduziu no imaginário das pessoas exercícios conceituais sobre o futuro da humanidade.
Entre carros e cidades voadoras, os Jetsons contavam com escritórios comerciais e residências completamente automatizadas. Vislumbrando um futuro tão longínquo que beirava o inalcançável, os autores da trama não imaginariam que, apenas 50 anos depois, as residências inteligentes poderiam assumir a maioria de nossas tarefas domésticas cotidianas.
Ao contrário da família Jetson, que utilizava os serviços da robô-governanta Rosie, é o próprio ambiente residencial que se encarregou de nos assistir com os afazeres dentro de casa. Embora nunca concretizado no mundo real, sistemas como S.A.R.A.H. (por que dar nome de mulher, me diz?) se afastaram da ficção científica futurista e nos mostraram as possibilidades da automação residencial nos dias de hoje.
Sendo mais realista, é perfeitamente possível concebermos uma M.A.R.I.A. (sugiram outros nomes menos machistas, por favor), um sistema de automação capaz de se antecipar as nossas necessidades e tomar decisões que tornem nosso dia-a-dia mais eficiente, agradável e confortável.
“Sarah, I think this is the beginning of a beautiful friendship…”
Imagine um ambiente capaz de prever seus desejos e movimentos. Imagine luzes que se acendem diante da sua aproximação, portas que se abrem, dormitórios que se aquecem ou até mesmo pães que se torram sozinhos justamente quando você sente fome.
Sua residência pode acessar relatórios climáticos, feeds de notícias e fazer download da última partida do brasileiro (ou da novela das 8, vai saber). A água do banho pode estar sempre na temperatura ideal e até mesmo as toalhas podem lhe aguardar aquecidas. A música ambiente se desloca junto com o morador, a água do banho é reaproveitada para lavar o quintal e o aspirador de pó é esquecido, já que o sistema de aspiração central pode cuidar da sujeira de forma autônoma.
Sistemas como M.A.R.I.A. são capaz de lhe proporcionar isso tudo a um custo muito inferior do que imaginávamos graças ao conceito de domótica, a recente tecnologia responsável por gerenciar os recursos habitacionais de forma inteligente.
O crescente interesse da sociedade nos benefícios trazidos pela automação residencial resultou na massificação de dispositivos eletrônicos que permitiu aos fabricantes reduzir custos de forma significativa. Hoje, construtoras entregam prédios inteligentes desde o seu rascunho na planta. Os apartamentos nascem com funcionalidades de causar inveja à família Jetson.
Aqueles que não possuem os recursos financeiros necessários para adquirir um imóvel inteligente, podem optar pelo retrofiting de suas residências. O retrofiting consiste em utilizar a infraestrutura elétrica e hidráulica existente como base para a instalação do sistema de automação, priorizando o mínimo possível de modificações na estrutura física de seu imóvel. Em vez de quebrar paredes, a solução de automação poderá utilizar como malha de comunicação a rede elétrica já instalada, cabos aéreos ou redes sem-fio.

Em 2004, muitas coisas já eram possíveis. E aqui no Brasil. (clique para ampliar)
Existem kits prontos que nos permitem automatizar tarefas básicas, tais como dimerização de lâmpadas, gerenciamento dos sistemas de entretenimento e acionamento remoto de eletrodomésticos.
Com um pequeno adaptador colocado entre a tomada convencional de luz e sua torradeira, é possível programar o PC para enviar um sinal às 7:00 da manhã, através da rede elétrica, que acione o equipamento resultando em uma torrada quentinha quando você sair da cama.
Para quem não quer adquirir uma solução de automação cara e sofisticada, basta ler alguns manuais e pesquisar bastante na Internet. Com um investimento relativamente baixo, você mesmo pode transformar seu apartamento em um ambiente inteligente.
No entanto, acionar as luzes ao pronunciar as palavras “acender luzes” não representa mais desafio algum para a indústria da automação residencial. A exemplo de sistemas como S.A.R.A.H e M.A.R.I.A, a verdadeira casa do futuro será capaz de naturalmente tomar decisões que lhe auxiliem no dia-a-dia sem sequer ser percebida. Este é o conceito de computação pervasiva, sistemas computacionais que operam praticamente invisíveis, sem interação, passando despercebidos.
O avanço da tecnologia de identificação por rádio freqüência (RFID) indica que absolutamente todos os produtos que adquirimos serão rastreados através de uma etiqueta eletrônica.
Dessa forma, ao se aproximar da sua porta, as etiquetas eletrônicas de suas roupas, relógio, sua pele, servirão como chave de acesso à sua casa. Ao caminhar pelos corredores, leitores de RFID serão capaz de identificar sua posição precisa, acender as luzes ou preparar a água de seu banho.
Mais ainda, ao se desfazer de uma determinada embalagem eletronicamente rastreada, sua lixeira informará para a residência que uma unidade daquele produto em estoque foi descartada. Automaticamente, seu ambiente poderá se autenticar em um supermercado online e debitar em sua conta corrente o valor daquele produto que você tanto gosta, conforme seu padrão de compra já identificado anteriormente.
Tão importante quanto sistemas como M.A.R.I.A., o cérebro de uma solução de automação, é a malha de comunicação com que dispositivos controlados remotamente conversam entre si. Diferentes equipamentos, com distintas funcionalidades, que conversam através do mais variados protocolos tendem a ser integrados em uma única interface.
A tendência de utilização de uma única infra-estrutura de tecnologia para prover serviços que, anteriormente, requeriam equipamentos, canais de comunicação, protocolos e padrões independentes chama-se convergência tecnológica.
Diante dessa realidade, em uma casa totalmente inteligente, facilmente esquecemos que também existem… pessoas. E que tanta tecnologia certamente vai influenciar nosso comportamento.
Mas isso é assunto para o próximo post.
Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, nostálgico entusiasta de muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.
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