Os homens do Mossad, a CIA de Israel

Thyago Ferreira

por
em às | Mundo, Relatos, Trabalho e negócios


Em uma de minhas viagens a serviço visitei as Forças de Segurança de Israel. Já tinha ouvido muita coisa sobre os agentes secretos israelenses, porém a coisa que mais sabia era que, na verdade, não sabia quase nada.

Isso é justificável quando estamos falando de uma das forças de inteligência mais “famosas” do mundo – entre aspas, já que esta fama se dá justamente pelo fato de que pouco se sabe sobre essa agência de inteligência. Ouvimos muita coisa sobre a CIA, Interpol ou a MI-6, mas quase nada sobre o Mossad – Instituto para Inteligência e Operações Especiais.

A malinha deles vem até com o manual do silenciador.

Uma operação mal feita em Dubai

Chegamos em Tel Aviv poucos dias após os jornais de todo o mundo noticiarem que os homens do Mossad teriam sido identificados durante uma operação, que deveria ter sido sigilosa, em Dubai (Emirados Árabes) que resultou na morte de um dos líderes do Hamas, Mahmoud al-Mabhouh. O que todos comentavam era que a tão famosa agência de inteligência israelense teria cometido uma série de equívocos, deixando pistas sobre sua ação e colocando em xeque sua capacidade.

De fato, ficou evidente que os agentes secretos usaram passaportes falsos para entrar em Dubai, bem como deixaram ser filmados colocando seus disfarces no banheiro do hotel. Mahmoud al-Mabhouh, principal fornecedor de armas do Hamas, foi morto por envenenamento em seu próprio quarto.

Lembro que no primeiro café da manhã perguntei sobre o fracasso da missão em Dubai, e nosso anfitrião, um empresário israelense do ramo de armas eletrônicas cujo o principal cliente é o próprio Exército de Israel, sorriu e perguntou em tom irônico:

“Mas de que fracasso você está falando?”

Eu já conhecia muito bem este amigo para entender exatamente seu ponto de vista. Realmente, a missão foi cumprida e o alvo foi eliminado.

Durante toda a viagem estivemos em contato com tudo aquilo que existe de mais moderno em guerra eletrônica, ou pelo menos aquilo que o governo de Israel nos deixou ver. Mas sempre que tínhamos a oportunidade perguntávamos se o Mossad utilizava o mesmo tipo de tecnologia, e a resposta era sempre a mesma, “Mossad? Do que vocês estão falando?”, seguida de inúmeras gargalhadas de ambas as partes.

O Mossad, durante toda sua história, esteve envolvido em inúmeras operações que envolvem sequestros, assassinatos, conspiração e todo tipo de BlackOps (operações secretas negadas pelo próprio governo).


Link YouTube | Documentário sobre a história do Mossad

Conversa com um ex-agente do Mossad

Sabendo de nosso enorme interesse na área de inteligência, o nosso anfitrião conseguiu uma reunião, em um hotel de Tel Aviv, com um ex-agente do serviço secreto israelense.

Ao chegar no hotel me senti exatamente como em um filme de James Bond. Aguardávamos pelo nosso convidado no bar do hotel, quando o garçom se aproximou e entregou um bilhete e um cartão-chave do hotel.

O bilhete, em inglês, dizia:

“Se vamos nos conhecer, venham até meu quarto à meia-noite.”

E isso é o tipo de coisa que, pelo menos para nós, era inédito.

O encontro foi realmente excepcional. Estivemos a noite inteira conversando sobre fatos históricos de Israel. O ex-agente nos explicou a diferença entre o Mossad e o Shin Bet, agência de inteligência que atua internamente em Israel. Disse que o Mossad foi fundado em 49 e está ligado diretamente ao Primeiro-Ministro de Israel. Revelou que, em geral, os agentes secretos infiltrados de Israel não são israelenses. Segundo ele é muito difícil infiltrar alguém estranho nas células do terrorismo.

Vimos desde escutas super avançadas, até aparelhos disfarçados, de relógios a galhos de árvore.

Relógío e cinto com câmera escondida. Isso não é nada!

Quando perguntamos sobre o treinamento dos agentes secretos sentimos que nosso convidado mudou o semblante. Ele olhou para nós e perguntou se no nosso exército havia algum curso de operações especiais. Eu respondi que sim. E ele então sorriu e disse: “Então você sabe como é”. Quando falamos em Operações Especiais, existe um certo padrão de qualidade mundialmente conhecido que mais tarde explicarei melhor, mas isso inclui privação de sono, fome, exaustão total, técnicas avançadas de combate, dentre outras disciplinas pouco usuais para agentes convencionais.

Uma das ações que renderam ao Mossad toda sua fama foi a operação Cólera de Deus, que tinha como objetivo eliminar os responsáveis pelo massacre nos Jogos Olímpicos de Munique. Existem muitas informações contraditórias sobre esta operação que pode ter durado mais de vinte anos. Dentre as quais o assassinato por engano de um inocente em Lillehammer, na Noruega. A operação marcou também o início de uma série de atentados do grupo terrorista palestino Setembro Negro, em represália às ações do Mossad.

Atualmente o Mossad foi acusado de tentar assassinar o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e teve um dos seus agentes, Yuri Brodsky, preso no aeroporto de Varsóvia, na Polônia, a pedido do Ministério Público Federal Alemão, acusado de ter participado do assassinato de Mahmoud al-Mabhouh, em Dubai.

Quanto a mim, deixei Israel com a impressão de que nem tudo é o que parece, e que muitas vezes acreditamos naquilo que o nosso oponente quer.

Até o momento não foi realmente comprovado o envolvimento do governo israelense no assassinato de al-Mabhouh. E o Mossad segue como uma das agências de inteligência mais atuantes, e polêmicas, do mundo.

Thyago Ferreira

Oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Amante de armas, explosivos, operações de inteligência, guerra eletrônica e coisas do gênero. Carioca, flamenguista, sonhador e escritor nas horas vagas. No Twitter, @ferreirinha_rj.


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  • http://www.facebook.com/people/Diego-Cascelli/1500236116 Diego Cascelli

    Fantástico. Muito mais denso e interessante quando vivido, tenho certeza. Parabéns pela clareza. Volto a comentar em breve, quando me aprofundar mais. Grande abraço, Diego Cascelli.

  • Victor Mantovani

    First

    Esse caras são zica mesmo
    eu ja tinha ouvido falar em Mossad tem até um filme, que eu esqueci o nome

  • Gabrielsantana1

    Tu foi até lá por trabalho?
    tu trabalha com o que ai na pm do rj?

  • João Vitor

    Bacana, tambem nunca tinha ouvido falar sobre essa força de inteligencia israelense!

    Otimo texto.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Oi Gabriel. Estive lá a trabalho. Sou responsável pela área de tecnologia na Polícia Militar, que integra Tecnologia da Informação, Comunicações Críticas e Guerra Eletrônica. É uma área bem nova na Corporação, mas que motivada pelos Jogos Internacionais (Copa do Mundo e Olimpíadas) está recebendo bastante atenção e recursos do Comando da Corporação e do Governo Estadual.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Oi Gabriel. Estive lá a trabalho. Eu sou responsável por toda a área de tecnologia da Polícia Militar do Rio, que inclui Tecnologia da Informação, Comunicações Críticas e Guerra Eletrônica. É uma área relativamente nova na Corporação, mas que devido aos jogos internacionais (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016) está recebendo bastante apoio do Comando da Polícia Militar e do Governo do Estado.

    Abraços.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Aviso rápido, Mantovani. Não cultivamos essa besteira de “first” no PdH.

    http://www.collegehumor.com/video:1903752

  • http://www.hynd.com.br/ Jorge Maluf

    Esse tipo de experiência que você teve, com agentes ao estilo James Bond, é um grande sonho de muita gente. Deve ser bem legal ter conhecido, e ter a possibilidade de conhecer ainda mais, todo esse mundo disfarçado.

    Reles mortais como nós vamos viver a vida inteira sem, provavelmente, conhecer NADA e nem METADE do que realmente existe no mundo. O mais perto que vamos chegar é nos filmes e histórias escritas por pessoas como você.

    Espero ler mais a respeito! Adoro esses assuntos :)

    Abraços! ^^

  • Scr1pt

    sou mais o 007 m/

  • Eleovan

    Tenho uma visão romantica do trabalho de todas estas agencias, Mossad, MI6, CIA, sem duvida adquirida dos tantos filmes assistidos. Mas a verdade é que todas elas tiveram interferencia direta na condução e formação da história moderna, pelo menos politica. Tema interessante Thyago, parabéns.

  • Jairoqueiroz

    Realmente existe um grande mistério em tudo que envolve o Mossad. e muitas lendas, uma delas é a de que o Krav Magá, arte marcial muito usada e disseminada como defesa pessoal foi criada pelo Mossad. Até onde eu sei é uma técnica muito eficaz, que visa a imobilização do oponente com poucos golpes, atingindo pontos vitais.

  • Bruno Cavalcanti

    Post muito bom.

    O Mossad é um dos melhores institutos de inteligência e operações especiais que existe. Pelo fato de ser tão “secreto”, alimenta sempre a imaginação dos que são fissurados em assuntos de espionagem, sabotagem, e por aí vai.

    Inclusive, existe um filme muito bom, chamado Munich (2005), que retrata sobre a Operação Cólera de Deus, um das muitas realizadas pelo Mossad.

  • Rodrigo Almeida

    Thyago,
    uma pequena correção se me permite, o Shin Bet é uma unidade de inteligência da IDF. É exatamente a mesma coisa que nossas Companias de Inteligência (SiEx) e suas 2a sessões de unidades militares do Exército Brasileiro.

    Muito bom o artigo. E na verdade, existem inúmeras operações do Mossad de conhecimento comum tal como recon pré bombardeio em possíveis instalações nucleares no Iran e a minha favorita, um assalto a um Aeroporto africano com blindados desembarcando em movimento de um avião durante um pouco noturno no aeroporto sitiado heheheh

    Os caras são foda mesmo.

    Todavia, em termos de Operações Especiais, também temos algumas para nos orgulhar como obviamente o desmantelamento da quadrilha do Mariguela, Ximbioá e represália pelo assalto à Tucuruí.

    Abraço!

  • http://twitter.com/fabioloezer Fabio Loezer

    Thyago.

    Interressantíssimo o artigo sobre a Mossad, a respeito da área de inteligência para a Copa do Mundo e Olimpíadas, conte-nos mais sobre a preparação que está rolando.

    Abraços.

    • Balbinamaria Pinto

      o engraçado e que tem tanta gente a dizer que pertence a mossad e nem sabe o que é enfim

  • http://twitter.com/RafaAllegretti Rafael Allegretti

    Nossa, excelente matéria…

    Pois é, a Mossad, assim como a extinta KGB tem umas histórias bem obscuras e interessantes… deve ter sido uma experiência incrível conhecer alguém da Mossad, senti uma pitada de inveja benigna agora.

  • http://twitter.com/Gersoncamisa10 Gerson Lucena

    Interessante Thyago. Você teve contato com Krav Magá também ou se ateve apenas às tecnologias de espionagem/contra-espionagem ? Parabens pelo artigo.

  • Julia Liers

    Muito bom, Ferreira! Vou acompanhar sempre. Mt interessante!

  • Dalit_KBG

    Tyago,

    Como vc esta disposto a colaborar com o PdH com artigos relacionados a sua area, sugiro artigos sobre esses aparelhos de espionagem que não são tão ultra-secretos assim, e que ao mesmo tempo não sejam tão conhecidos pelo publico em geral.

    Algo do tipo que eu vi a muito tempo atras na Santa Ifigenia, SP. Era uma loja de artigos de espionagem (para detevives, acho) com diversos tipos de aparelhos para filmagem escondida. Com certeza hoje tevem existir novos aparelhos de espionagem que contribuiriam para a nossa imaginação de “Agente X” ou “James Bond”

    Exemplos leigos: Lembro que era possivel comprar cameras de alguns centimetros de largura e altura. (Mas a loja exigia cadastro prévio do comprador e etc)

    Ou voce pode contribuir com artigos de coisas que são triviais na area mas não tanto para o público leigo, como esse lance de privação de sono (para que serve, como é feito, efeitos colaterais e etc), tecnicas de interrogatório (conheço vagamente de algumas utilizadas em guerras), pontos vitais que as tecnicas de “auto-defesa” tentam atingir e por ai vai.

    Abraços

    • LEOPARDO

      thyago Ferreira acho estás a falar de mais tem cuidado (COE PORTUGAL)

  • http://www.twitter.com/mflesch Michell

    grande post!

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Caro amigo Fábio o que posso lhe dizer é que estamos trabalhando muito. Além de cursos na área de inteligência estamos desenvolvendo um grande banco de dados integrado com todos os órgãos de segurança pública do estado e municípios. Estamos também desenvolvendo um trabalho com o FBI, utilizando alguns de seus recursos. Nesse último caso sou um dos gestores de integração da Secretaria de Segurança Pública e o FBI.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Boa idéia, Dalit_KGB! Com certeza vou falar um pouco sobre isso. Em Israel visitei empresas que produzem esses tipos de equipamento. Fiquei muito impressionado com o que vi! Câmeras realmente pequenas e com qualidade incrível! Vou falar um pouco mais sobre esses equipamentos, espionagem etc. Depois posso falar sobre os Cursos de Operações Especiais… Teremos muito assunto pela frente, pode ter certeza! Abraços.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Com certeza escreverei muito mais sobre o assunto. Já revelo que me surpreendi com muita coisa. Tive a oportunidade de tirar muitas dúvidas, e vi que muita coisa que achava ser real não era, e muita coisa que duvidava da existência realmente existia! Espero poder contribuir com bastante informação sobre estes assuntos. Obrigado pela participação!

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Com certeza Eleovan. As coisas dessa área de inteligência são realmente fascinantes… E parece que nunca existe uma verdade plena, ou uma única versão dos fatos. Obrigado pelo comentário! Abraços

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    É verdade Bruno. Não sei se é seguro afirmar que o Mossad é a melhor agência de inteligência do mundo, mas podemos dizer que é uma das mais atuantes! Obrigado por participar!

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Com certeza Rodrigo! Digo mais, no quesito operações especiais somos um dos melhores do mundo. Porém quando falamos de Operações de Inteligência ainda não estamos no nível do MI6 ou do Mossad, até por sermos “mais novos” nesse tipo de atuação.

    Valeu por lembrar que o Shin Bet é uma força ligada ao exército, diferente do Mossad – que está ligado diretamente ao Primeiro Ministro Israelense. Obrigado pela força. Abraços.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Foi impressionante Rafael. Vou contar um pouco mais sobre essas experiências mais adiante. Obrigado pelo comentário.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Os agentes 00 britânicos também são sensacionais… Vou falar deles em breve. Obrigado por comentar.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Gerson visitamos a academia militar de Israel. Lá vimos que as artes marciais são cultuadas e praticadas ao máximo. O Krav Magá é sem dúvida o forte nessa área de defesa pessoal israelense. A Polícia Militar do Rio de Janeiro já teve várias experiências com essa arte marcial… Inclusive temos cursos de defesa pessoal que são baseados no Krav Magá. Algo interessante é que em Israel o serviço obrigatório inclui mulheres! E sua duração mínima é de três anos.

    Na viagem focamos mais a área de tecnologia. Israel está bem desenvolvida também na área de Veículos Aéreos Não-Tripulados e Robótica.

    Obrigado pelo comentário.

  • Leandro

    Róliúde, como não poderia deixar de ser, tentou glamourizar a atuação do Mossad e da invasão israelense, mas, felizmente, o crítico Cláudio Marques nos brindou com uma crítica de cinema (e com uma análise geopolítica) que me faz aproveitar a ocasião deste oportuno texto e dividí-la com os leitores da revista PdH:

    “Munique”, de Steven Spielberg: Tendencioso e pornograficamente violento

    Em Munique, Spielberg humaniza o Mossad e sua política de extermínio de lideres palestino. Um tema sério e grave, tratado de forma parcial
     
    Por Cláudio Marques
     
    O Mossad, a polícia secreta israelense, tem fama de ser fria, profissional ao extremo, capaz de tudo para atingir seus objetivos. Muito desse reconhecimento vem dos assassinatos seletivos que essa organização passou a realizar contra lideres palestinos desde 1972, após o seqüestro e morte de atletas israelenses durante os Jogos Olímpicos de Munique.
     
    Todo o Oriente Médio paga altíssimo preço desde que Israel resolveu liquidar as melhores cabeças palestinas. De fato, não foram assassinados apenas líderes responsáveis por atos terroristas. Poetas, escritores, políticos moderados e inocentes também foram executados. Bastava ser palestino e ter voz ativa para ser alvo do Mossad.
     
    Hoje, os palestinos estão em grande encruzilhada. Não possuem mais grandes líderes históricos. Têm que optar, de uma forma geral, entre políticos corruptos e grupos cada vez mais extremistas. O diálogo com o poder nuclear de Israel se esvai, num conflito que começou mal e não tem data para acabar.
     
    Não se pode deixar de lembrar que a criação do estado de Israel em terras árabes constitui-se num dos mais graves equívocos políticos modernos. Pensou-se que poucos reclamariam por aquelas terras áridas e que não pertenciam exatamente a nenhuma nação. Desprezaram as tribos palestinas, um povo milenar. Terrível engano!
     
    De toda forma, após o genocídio contra os judeus ocorrido na Segunda Guerra Mundial, a Israel não falta defensores.
     
    Talvez poucos sejam tão capazes e poderosos quanto Steven Spielberg. Cineasta importante de roliúdi, Spielberg possui a credibilidade de um grande “artista”. Isso quer dizer muito para muita gente, que aceita a visão do autor de Indiana Jones como única e verdadeira. E Munique não pode ser visto apenas como um filme de entretenimento inocente. Trata-se de uma película parcial, que opta por nos direcionar dentro do conflito através dos olhos do líder do Mossad. Não é pouco.
     
    Avner (Eric Bana), é o tal líder do esquadrão especial criado pelo Mossad. Ele é jovem, dedicado, patriota, não possui vícios e é boa pinta. Para ele, acima de tudo estão sua mulher e filha. Dentro da estrutura tradicional do filme de ação de roliúdi, ele é o mocinho e o público deverá torcer por ele, mesmo que se trate de um sanguinário. E Spielberg cria condições propícias à empatia entre o “herói” e o público, desde o início da película.
     
    Algumas seqüências são emblemáticas nesse sentido. Numa delas, sabendo que sua mulher estaria para parir, Avner desobedece ordens superiores e retorna a Israel para ver mulher e filho.
     
    Em outro momento, no instante do primeiro assassinato a sangue frio perpetrado pelo “esquadrão”, Avner chega a titubear, instante que parece aflorar nele algo de humanista, mas também de paspalhão. O frio e infalível Mossad encontra sua redenção.
     
    Num terceiro momento, esse o pior entre todos, o esquadrão arma uma bomba no telefone de um líder e poeta palestino. Ao perceber, no entanto, que a jovem filha desse mesmo líder poderá ser morta também, o grupo empreende desesperada corrida a fim de evitar a tragédia. Logo depois, quando a menina está fora do apartamento, a bomba é detonada, levando junto metade do apartamento. O que fica disso tudo na cabeça de quem vê o filme?
     
    Vale lembrar que Israel, dentro de sua política de perseguição e execução, não respeitou qualquer tipo de limite, seja territorial (Roma, Paris, Bruxelas, Beirute) ou moral, executando inocentes sem nenhum pudor.
     
    É verdade que em Munique há momentos de hesitação, onde a violência se torna alvo. “Aonde nos levará tudo isso?”, questiona-se o bom moço Avner. Nessa tentativa de discurso dúbio reside a armadilha do filme.
     
    Por mais que Munique tenha certo ar de crítica à guerra, não se pode negligenciar a escolha do autor em dar voz a apenas um dos lados. Somos levados a entender e a respeitar os atos e métodos dos protagonistas. Assassinos, mas, sobretudo, pais de família.
     
    Quantos aos árabes, permanecem sob a caricatura de homens fanáticos.
     
    Por outro lado, Munique articula-se pelas cenas de extrema violência, que representam os grandes momentos do filme. A bala que se aloja na face de um, a jovem e bela espiã executada nua… Mostra-se de tudo, no limite da violência explícita.
     
    Por fim, há uma outra vertente desse filme que vale a pena ser observada.
     
    Em determinado momento, membros da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) devem dividir um apartamento com o esquadrão do Mossad. Os palestinos desconhecem a origem daquele grupo. Não há diálogo, algo que poderia ser bastante instigante. Um dos jovens palestinos se manifesta como um radical intransigente. Possui o olhar de um homem-bomba, imagem que as TV´s e filmes dos EUA se esforçam para reproduzir a cada dia.
     
    É preciso lembrar que sabemos pouco ou quase nada da vida árabe. No Irã, na Arábia Saudita existem extremistas, mas também pessoas comuns, normais, gente que vive a vida como nós. É preciso que nos afastemos cada vez mais dessa imagem pré-concebida e preconceituosa veiculada pela imprensa mundial.
     
    Voltando ao filme, um dos árabes no apartamento coloca música de sua região no momento de dormir. O israelense não tolera e muda a estação, colocando música judaica. O palestino, por sua vez, levanta-se e coloca novamente na estação árabe. A tensão é crescente, mas o conflito é neutralizado no momento em que uma música dos EUA é colocada. A tensão é afastada.
     
    Os EUA estão longe de representar possibilidade de acordo político entre Israel e Palestina. Não estão em campo neutro, capaz de serem aceitos pelos dois lados, como sugere o filme.
     
    Ainda dentro do espírito norte-americano, o filme finaliza opondo o mocinho ao estado de Israel. É a tradição do pioneiro e do caubói solitário. Talvez, por isso, Munique tenha atraído a ira de determinados setores de Israel.
     
    É inegável que Spielberg conduz todo o filme com muita competência. O diretor parece filmar de forma cada vez mais despojada, simples e funcional. Constrói bem sua trama e engana facilmente o espectador desavisado.
     
    Israel, de fato, tem suas fronteiras muito bem guardadas.

  • Dr Health

    A operação que o Mossad fez para capturar o nazista Adolf Eichmann, que vivia na Argentina, foi ousada ao extremo. Sequestraram o cara, colocaram ele num voo da El Al (Companhia aérea de Israel) e o levaram para lá, onde foi julgado e executado. Isso gerou um puta conflito com o governo de Perón, se não me engano.

    Outros serviços secretos que eram duros na queda eram a Stasi da Alemanha Oriental, e a Securitate, da Romênia.

    • Lenin Cristi

      Esta operação realmente merece um post aqui

  • Dr Health

    Essa operação do aeroporto africano por acaso foi a do avião sequestrado e levado para o aeroporto de Entebbe, em Uganda?? Pq se não me engano a ação foi arquitetada pelo Exército israelense, tanto que o único israelense morto foi justamente Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro ministro Benjamin Netanyahu, que era tenente (ou capitão, sei lá) do Exército. O Mossad estava envolvido??

    Ah, sim, li agora na Wikipedia, o Mossad forneceu a inteligência para as Forças Armadas israelenses.

  • Dr Health

    Aproveitando o tema para uma piadinha:

    Em uma competição para ver qual era o melhor grupo policial/serviço secreto do mundo, foram 4 os finalistas:

    - Scotland Yard
    - FBI
    - Mossad
    - BOPE

    A prova final era capturar um coelho, solto no meio de um matagal, no menor tempo possível.

    Primeiro foi a Scotland Yard. O coelho foi solto, e os agentes se puseram a fazer deduções das pistas, cálculos e análises detalhadas, e por fim, localizaram o coelho em 5 minutos. E sem matar brasileiro no metrô

    Em seguida, o FBI. Lançando mão dos métodos mais modernos possíveis, satélites, câmeras que filmam no escuro, radar de calor, localizaram o coelho em 3 minutos.

    Era a vez do Mossad, que soltou sua tecnologia robótica em busca do coelho. Não foi surpresa a localização deste em apenas 2 minutos.

    Por fim, entrou em ação o BOPE. 30 segundos após soltarem o coelho, os homens do BOPE retornam….

    Com um pato!!!

    Os juízes da prova não entendem nada, mas o oficial do BOPE dá um tapão no pato, que começa a falar:

    - Eu juro que sou o coelho, eu juro que sou o coelho, eu juro que sou o coelho!!!!

  • Diaslaco

    Muito legal esta matéria espero ter a oportunidade de ler mais sobre este assunto muito interessamte. um abraço e parabens!
    Laço

  • http://twitter.com/eumesmo Lucas Maia

    Também me fascinam as histórias de agentes secretos. Entretanto não podemos esquecer o tanto de animalidade em atos que parecem racionais.

    A humanidade atual vive em estados democráticos de direito, onde há normas, leis e regras que devem ser seguidas. Que incluem a autodeterminação dos povos, a presunção de inocência e o direito de defesa. Essas são as regras que nos tornam seres civilizados, e que permite um determinado nível de paz geral.

    Regras essas que são ignoradas quando agentes internacionais adentram em outras nações para promover assassinatos premeditados. E mesmo com seus robôs avançados, aviões supersônicos e toda a tecnologia presente nesse nosso século, acabam ignorando tudo aquilo que nos faz humanos e civilizados e convertem-se em nada além de seres animalescos, estúpidos e vingativos.

    A custo de quê?

  • Anônimo

    Aguardo o posts sobre treinamentos de forças especiais!

  • Rodrigo

    Só uma pequena correção Jairoqueiroz… O Krav Magá, ou Karatê israelense, não é uma arte marcial, mas sim um sistema de auto-defesa, assim como o combato, por exemplo. O conceito de arte marcial vai mais além da auto-defesa, tem haver com filosofia de vida, auto-conhecimento e etc. Não sei se foi o Mossad que criou esse sitema, sempre ouvi falar que foi o exército israelense… Abs!

  • Cleynerton

    o filme é “munique”, trabalhei com agentes de proteção VIP que fizeram treinamentos em são paulo com ex-mossads, são muito eficientes.

  • http://www.facebook.com/people/Thyago-Ferreira/1232143089 Thyago Ferreira

    Estou terminando essa semana um artigo sobre o treinamento dos forças especiais. Aguarde.

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Teve um espião israelense, que conseguiu chegar ao alto escalão do governo Sírio, praticando coisas que incluam seduzir mulheres de políticos.

    Ele foi apanhado quando alguém leu um jornal Israelense com a foto dele!

    O sujeito tem uma história fantástica, mas não lembro o nome dele, se alguém se lembrar ia ajudar muito, essa história deveria ser contada por aqui…

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares
  • Acnicolay

    Vamos criar nosso depto. de inteligência o ‘MACHAD’ e fazer muita intriga falando da vida dos outros.
    Não precisa de aptidão nenhuma, só trazer informação sobre qq coisa: vizinho corno, vizinha vagaba, cunhado viado enrustido, indicação de bons lugares para frequentar, ec.

  • http://www.facebook.com/fabio.moreira.376 Fábio Moreira

    Mahmud al-Mabhu – 2010

    No início de janeiro de 2010 dois Audi A6,
    atravessaram os portões da sede do Mossad, conhecida como “Midrasha”.
    Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, desceu de um dos
    carros e
    foi saudado pelo chefe da agência, Meir Dagan, de 64 anos de idade.
    (Dagan foi
    indicado para o cargo quando Ariel Sharon,
    era primeiro-ministro).

    O primeiro-ministro israelense, Bibi Netaniahu, deu ao chefe
    do Mossad, Meir Dagan, “a luz verde para a OPERAÇÃO DUBAI durante um encontro na
    sede do Mossad, ao norte de Tel Aviv”. De acordo com o “Sunday Times”, Netanyahu
    terá sido informado dos detalhes da operação – que não foi considerada
    “complicada” nem “de risco”.
    Segundo informações Netanyahu
    teria finalizado o encontro dizendo a Dagan e
    aos integrantes do esquadrão da Unidade Kidon: “O povo de Israel conta com vocês. Boa sorte!”

    Dias depois, em 19 de Janeiro, o vôo EK912, da empresa
    Fly Emirates, deixou Damasco
    às 10:05 h em direção a Dubai. A bordo, como havia se informado o Mossad, estava
    Mabhuh, cujo nome de guerra era Abu Al Abd. Um agente do Mossad, no local da
    partida ligou para um celular pré-pago na Áustria para informar que seu alvo
    estava a caminho. Doze horas depois o líder do Hamas estava morto, num quarto de
    hotel, aparentemente devido a causas naturais.

    Eram 15:00h quando, no dia 20 de Janeiro, Mahmoud
    al-Mabhouh chegou ao aeroporto internacional do Dubai vindo de
    Damasco. O comandante militar do Hamas viajava com passaporte falso e
    não estava nos Emirados para fazer turismo. Queria dar poder de fogo à causa
    do Hamas e preparava-se para fechar um negócio de armas.

    Al-Mabhouh já tinha sido alvo de várias tentativas de assassinato mas desta vez,
    os alegados agentes da Mossad, usaram à risca a sua “licença para matar”.
    Os agentes do Mossad chegaram a Dubai em vôos que saíram de Paris, Frankfurt,
    Roma e Zurich usando passaportes (britânicos, alemães, franceses e
    irlandeses) e cartões de crédito, todos forjados.

    Os
    agentes da Mossad tinha treinado cada passo da operação num hotel de Telavive e
    tudo teria sido perfeito, não fosse o Dubai o palco do crime. O sistema de
    câmaras CCTV no emirado árabe permitiu reconstruir o homicídio, assim que as
    primeiras dúvidas foram levantadas. Fotografias dos suspeitos – que se fizeram
    passar por europeus, com perucas e disfarces – foram divulgadas pela polícia do
    Dubai para o mundo inteiro.

    As
    imagens de circuito interno do hotel divulgadas pela polícia do Dubai, mostram
    os agentes do Mossad, dez homens e uma mulher(?),
    bem à vontade andando pelo hotel. Disfarçados de jogadores de tênis,
    com perucas e bigodes falsos, a equipe da Kidon acompanhou sempre o líder do
    Hamas: do aeroporto onde chegou às 15:00, no caminho de táxi, chegando ao requintado hotel Al Butan Rotana
    onde fez o check-in às
    15:25h, até à curta viagem de elevador que pouco depois das
    15:00h horas levou Al-Mabhouh do átrio do hotel ao quarto 230 – e os espiões
    israelenses ao quarto 237,
    a porta em frente.

    Um fato interessante é que No dia 19 de Janeiro,
    dia da execução, a embaixada de Israel em Londres divulgou uma mensagem no
    Twitter que foi removida no dia seguinte. A mensagem era: “os jogadores de tênis
    de Israel atingiram o objetivo no Dubai”. nesse dia, o jogador israelita de
    tênis, Shahar Peer, ganhou a taça de Tênis no Dubai. Mas as imagens do hotel Al
    Bustan Rotana mostram os diferentes suspeitos entrando no hall com raquetes de
    tênis. A mensagem tinha duplo sentido?

    Depois de ter saído do hotel para se encontrar com um contacto, Al-Mabhouh
    regressou às 20:24h, com os operacionais do Mossad já em posição depois de terem
    contornado o sistema de acesso ao quarto. Às 20:46h, a equipe é vista
    abandonando o hotel e em menos de duas horas, o grupo dispersa-se com vôos
    marcados para Paris, Hong Kong e África do Sul. Morto sem ninguém dar por isso,
    Al-Mabhouh só foi encontrado às 13:30h do dia seguinte. Quarto
    e encontraram Mahmoud morto sobre a cama. Um médico decretou que o homem de 50
    anos, pai de 4 filhos, havia sofrido um ataque cardíaco. A polícia de Dubai só
    suspeitou de assassinato alguns dias depois, quando os agentes já estavam longe.
    Os policiais imaginaram que Mahmoud havia sido eletrocutado, envenenado ou
    estrangulado. Só depois descobririam que o assassinato, que envolveu mais de 30
    agentes do Mossad, foi muito mais sofisticado que isso.
    A autópsia revelou que o sangue continha
    traços de
    succinilcolina, um poderoso relaxante muscular muito usado para entubar
    pacientes de UTI, ligeiramente modificado para atuar mais depressa.
    Segundo a policia, os agentes injetaram a droga com seringa na
    coxa de Mahmoud e o sufocaram com um travesseiro. A droga impediu o
    terrorista
    de defender-se. “Esse método simulou uma morte natural, sem sinais de
    resistência da vítima”, afirmou aos jornais o policial Khamis al-Mazeina
    de
    Dubai.

    Para confundir os investigadores, os assassinos
    deixaram um remédio de hipertensão no criado-mudo ao lado da cama. Trancaram a
    porta do quarto e ainda deram o toque que faltava: a plaquinha “Não perturbe” na
    maçaneta.

    Oito passos da operação em Dubai

    Segundo informações a operação envolveu cerca de 30 agentes do
    Mossad. Normalmente não são envolvidos tantos agentes assim, mas algumas fontes
    dizem que essa operação serviu de treinamento, visto que o alvo era muito fácil,
    sem guarda-costas ou outros cuidados com segurança e que, devido à remodelação
    do sistema de informações nos países árabes, a Mossad encarou a missão como um
    exercício. Parte era um exercício, mas era um exercício que envolvia um
    assassinato. Outro ponto a destacar é que o Dubai dispõe de um dos controles de passaportes mais eficazes do mundo, foi
    instalado pelos americanos, e a Mossad queria testar esse sistema.

    Porém outras fontes argumentam que o alvo era uma pessoa
    desconfiada. Em operações como essa os agentes dividem-se em várias equipes. A
    maior delas, de vigilância, acompanha cada passo do alvo desde sua chegada ao
    aeroporto. Seus integrantes deveriam saber quando ele estaria no hotel, o que ia
    fazer lá, com quem se encontraria, que caminho tomaria em cada trajeto.

    Dois agentes da equipe de vigilância, disfarçados de jogadores de
    tênis entraram com Mahmoud no elevador do hotel. Sua missão era descobrir qual
    era seu quarto e hospedaram-se no quarto em frente. Em missões como essas, para
    evitar suspeita, os agentes da Kidon sempre mudam de identidade o tempo todo:
    trocam de roupa, usam bigode, peruca, óculos, maquiagem. Assumem várias feições
    para espreitar o lobby e os corredores do hotel, como também ruas ou interiores
    de lojas e restaurantes,e assim garantir que tudo corra bem.

    Observadoras, as mulheres são fundamentais nessas tarefas. Se o
    alvo está num bar, um casal vai lá e senta-se na mesa ao lado. Ou uma jovem
    atraente o observa no balcão. Parece ficção, mas em Dubai, atuaram pelo menos 6
    mulheres do Mossad. Operações assim também contam com o grupo de comando
    (geralmente um ou dois chefes), o grupo dos assassinos (4, no caso de Dubai) e
    uma equipe de suporte, que cuida do pagamento dos hotéis, aluguel de carros e
    outros detalhes. Sem falar das pessoas que monitoram a operação do exterior. Em
    Dubai os agentes do Mossad fizeram ligações para a Áustria de sete celulares com
    chips austríacos da empresa T-Mobile austríaca, uma filial da T-Mobile alemã.
    Provavelmente na Áustria ficava a base de controle.

    Fotos dos passaportes de 15 dos
    agentes do Mossad que participaram da operação
    em Dubai

    Nenhum líder político de Israel ficou contente com a revelação de
    fotos e vídeos de seus agentes executando um inimigo em outro país. Se a polícia
    de Dubai se contentasse com a morte natural de Mahmoud, Israel teria custos
    políticos menores, suas negociações diplomáticas ocorreriam com menos
    dificuldade e o país evitaria o desejo de vingança dos palestinos. Mas não dá
    para dizer que o escândalo superou os benefícios da operação. Para o governo de
    Israel, a eliminação
    de líderes como Mahmoud é um “assassinato preventivo”, pois debilita a estrutura
    de grupos terroristas e evita atentados em seu território. Mahmoud era o homem-
    chave do Hamas para a aquisição de armas. Vai ser difícil a organização
    encontrar um substituto à altura. Além do mais, Dubai tem um valor simbólico: é
    o elo entre o Hamas e o Irã. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, prega a
    destruição de Israel, apóia extremistas e desenvolve um polêmico programa
    nuclear.
    Com a missão de Dubai, os israelenses mandaram um recado aos aiatolás: “Seguimos
    os passos de seus homens e podemos alcançá-los aonde for”. A polícia de Dubai
    garante que a operação esteve longe da perfeição, pois os agentes deixaram
    pistas demais. Seus rostos estão dando volta nos jornais e no site da Interpol.
    Basta acessar o YouTube para vê-los pelo hotel – tudo registrado por câmeras.
    Como é que um serviço secreto dá tanta bandeira?

    Mas para o Mossad a operação foi um sucesso. Os agentes foram
    filmados e rastreados – com a tecnologia de hoje, seria ilusão pensar que sejam
    invisíveis. Mas o ponto é: eles chegaram até o alvo, eliminaram-no e escaparam.
    As evidências só foram detectadas depois, e são inúteis. “Pegue esses 30 rostos,
    junte-os a centenas de outros e não vai conseguir reconhecê-los”, diz o escritor
    Aaron Klein. “As caras que vemos nas fotos foram maquiadas e disfarçadas com
    bigodes e perucas.”

    Para rastrear uma pessoa, diz o especialista, você precisa de
    impressões digitais ou medidas biométricas, como a foto da íris. E não havia
    nada disso em Dubai.
    Assim, as 40 mil câmeras do emirado não colocaram em risco o modus operandi do
    Mossad. A coisa só deve mudar em 2015, quando a maioria dos aeroportos europeus
    contará com aparelhos de detecção biométrica. Mesmo assim agentes especializados
    em invasões cibernéticas podem alterar os bancos de dados biométricos.

  • drop forged

    isso não é nada, cês tinham que ter visto quando eu conheci a sala da justiça, cara, o batman tem cada equipamento, e a mulher maravilha, que pernas…. o cinto de utilidades tem atá manual, em chinês!!!!

  • Bem ami Salz

    Tenho dúvidas sobre esse encontro com ex ag. do instituto.O instituto não trabalha assim, para isso existe i KIDUN.

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