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Os futuros que contrariam o boletim escolar

Eduardo Amuri

por
em às | Cultura e arte, PdH Shots, Relatos, Trabalho e negócios


Nas aulas de química, cada cálculo estequiométrico era encarado com atenção. O vestibular estava próximo. Esquece a festa, velho. Vamos focar no Machado de Assis. Tem Dom Casmurro para ler. O mapa conceitual de biologia vai ajudar demais. Só assim para entender de que forma podemos descobrir qual combinação vai gerar o bebê albino, nosso querido azinho-azinho.

Descrever com todos os detalhes esse esforço pró-vestibular seria lindo. Mas a verdade é que mal conseguíamos escutar o que a professora de química falava, tamanha a bagunça durante a aula. Para a maioria de nós, nas vésperas da Fuvest, a Capitu era no máximo a Giovanna Antonelli em “Laços de família”, clássico do noveleiro brasileiro. A emocionante descoberta do bebê albino era decorada e adaptada nas horas que antecediam os testes. “Não dá para considerar pelo menos o raciocínio, professora?”. Essa era a frase que ecoava durante as vistas de prova.

Escola: só te ensinando a passar na prova desde... sempre.

Éramos um relaxo. Tínhamos potencial, mas não nos aplicávamos. Era esse o discurso a cada vez que a baderna tomava proporções inaceitáveis dentro do colégio católico tradicional. Algo como arremessar as mochilas dos amigos do último andar do prédio, brincar com o extintor químico no rosto do colega do lado ou esconder todos os apagadores do colégio. Pré-adolescentes típicos.

Passaram-se uns sete ou oito anos desde que a turma de 2004 se formou. Perdi contato frequente com quase todos, mas fiquei impressionado com o rumo que as coisas tomaram desde então. A maioria estudou em faculdades razoáveis, medianas. Nada excepcional. Conto nos dedos os que encararam uns anos de cursinho e conseguiram entrar nas faculdades federais. Eis que, fazendo uma análise fria, até que nos viramos bem demais até aqui.

Os mais aplicados, mais bitolados e menos desenvoltos passaram longe da expectativa colocada sobre eles. Talvez pela pressão, talvez por conta das deficiências que a escola tradicional não mensura, estes ainda não vingaram. Os que impressionam mesmo são aqueles que, de acordo com o boletim, eram os medianos. Aqueles cujas notas se encaixavam, muitas vezes por dádiva dos céus, entre o 5 e o 7. Vários estão hoje ocupando posições promissoras em grandes multinacionais. Outros advogam em renomados escritórios, gerenciam projetos, escrevem para revistas conceituadas, montaram seus consultórios e estão moldando um começo de carreira de dar inveja.

Foda-se geografia, quero mais é tirar a média e voltar para o meu curso online de mecatrônica

Longe de mim criticar o sistema educacional. Seria uma crítica vazia, de quem não sabe como reverter a situação. Me lembro, porém, de uma série de lições que não aconteceram dentro da sala de aula, mas que, analisando hoje, percebo que serviriam para identificar os que despontariam profissionalmente alguns anos depois:

  • Tão (ou mais) importante do que o cálculo estequiométrico foi o esforço para organizar as festas e churrascos de final de semana. Quantas pessoas irão? Quanta bebida precisaremos? Quanta carne será necessária? Quem vai fazer o que? Os recursos eram limitados e a logística era complexa, mas de um jeito ou de outro, a coisa acontecia. Isso é gestão de projetos.
  • A experiência adquirida na negociação com as empresas que queriam nos vender a tão sonhada viagem de formatura também foi extremamente agregadora. Analisar os pacotes que o mercado oferece, conversar com os colégios vizinhos, verificar se eles possuem ofertas melhores que as nossas, conseguir vantagens para os que não conseguem pagar a viagem integralmente, lidar com os conflitos interpessoais que surgem em virtude de um evento tão esperado. Se trocarmos os “alunos” por “funcionários”, teremos um belo cenário corporativo sendo explorado por jovens sem nem idade legal para comprar cerveja.
  • Tínhamos uma bola para utilizar durante os intervalos e totalizávamos mais de 15 moleques agitados, sem professor para organizar a bagunça. Precisávamos dividir o tempo de modo que os requisitos básicos fossem preenchidos: “todos vão jogar” e “precisamos ser rápidos”. O intervalo só durava meia hora. Se fossemos traduzir a situação num jargão da moda corporativa, aquilo seria a semente de uma equipe auto-gerenciável.
  • Nas tradicionais olimpíadas internas, uma das provas envolvia arrecadar alimentos para doação. Enquanto uma das equipe passou de porta em porta, conseguindo 10 ou 15 quilos a cada 50 apartamentos visitados, a equipe concorrente ligou para todos os supermercados da região atrás de doação. Esse segundo time conseguiu quase uma tonelada de alimentos, contra pouco mais de 200kg arrecadados pela primeira. Grandes chances do aluno que sugeriu essa abordagem ser o analista ou gestor que vai propor a solução que ninguém havia enxergado antes. Isso é pensar fora da caixa.

Os que conseguiam levar dois (ou três) namoros simultâneos também poderiam ser citados aqui, na categoria dos “extremamente habilidosos com situações e palavras”, mas achei mais ético focar nos exemplos citados acima.

Coordenadores e diretores de escola, vale dar aquela analisada um pouco mais imparcial nos que passam longe do brilhantismo acadêmico.

Colegas de festas e churrascos, deveríamos ter badernado ainda mais.

Eduardo Amuri

Fascinado por cultura, viagens, pessoas e mudanças. Estuda a relação do homem com o dinheiro e dedica-se a entender de que maneira nosso potencial financeiro pode ser utilizado para transformar nossas vidas. Está para o que vier. | www.amuri.com.br


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  • Rodrigo

    Fui razoavel no ensino médio e continuo seguindo esse caminho até agora (final da graduação). Espero que meu futuro seja melhor do que meu histórico estudantil!

    Isso sem querer puxar o assunto para todas aquelas coisas que você não quer estudar na escola/universidade mas o faz por obrigação.

  • Dado Teles

    Sempre estudei o suficiente apenas para passar. E não tenho a menor vergonha em admitir isso…

  • http://rafaelgerude.wordpress.com Rafael Gerude

    No ensino médio, temos que aprender (pelo menos em tese) um monte de disciplinas que nem sempre temos interesse, habilidade e vontade. Eu, por exemplo, nunca fui bom aluno em História, Geografia, Literatura, mas me garantia em Biologia, Química, Física, Matemática… Não tinha como ser diferente, não seria um bom advogado, nem que quisesse…
    Na faculdade, as coisas mudam muito, pois nos focamos em uma área específica. Mas ainda assim, nos deparamos com matérias com as quais nos identificamos menos.
    A grande sacada é, desde o ensino médio, explorar o dia-a-dia dentro do conteúdo das disciplinas, quando será possível perceber a utilidade daquele conteúdo.
    Quando aprendi trigonometria e todas aquelas fórmulas, não tinha a menor noção pra que serviam… Recentemente me deparei com essas mesmas fórmulas para realizar uma medição de uma duna. Santa trigonometria!!!

  • http://www.facebook.com/people/Luis-Rangel-Amorim/100000266374850 Luis Rangel Amorim

    Muito interessante Eduardo,
    Na minha galera aconteceu quase a mesma coisa hehehe

    Vou mandar uma questão p/ galera refletir: Alcançar o sucesso no mundo corporativo realmente é o que importa? Adianta ser membro da diretoria de uma grande instituição, mas não saber como lidar com o próprio filho?

    Não que seja o seu caso ou da sua galera, claro.

    Abraços

  • http://twitter.com/gibarino Giovanna Barino

    Não deixo de concordar com os cenários expostos e como os mesmos são úteis mais adiante. Também vejo que alguns dos mais aplicados nem sempre tem as capacidades interpessoais necessárias para cargos de gerência e lidenrança, muitas vezes são executores excelentes e fazem tudo com maravilhosa certeza, algo que todo líder precisa na equipe, alguém de confiança, capaz de executar brilhantemente a idéia do líder.

    Agora, não querendo me desfazer do seu exemplo dos medianos, pois não sei qual o grau de riqueza dos seus colegas, mas vejo entre meus ex colegas medianos que somente se destacaram aqueles com o famoso QI (quem indica, ou melhor ainda, papai-e-mamãe-mandou-eu-fazer-isso-daqui-e-me-arrumou-o-emprego).

    Agora dentre os normais, classe média trabalhadora, sem muitos contatos influentes, eu vejo que somente os alunos de destaque conseguiram se destacar e precisaram logicamente aprender muito nos quesitos sociais, mas ainda sim, os medianos, não foram muito longe. Acho que isso não pode deixar de ser levado em conta.

    • Eduardo Amuri

      Sem dúvida. O texto foi muito mais uma reflexão relativa aos critérios que nossos colégios utilizam para classificar os alunos como ruins/medianos/ótimos, do que uma exaltação aos que se contentavam em seguir a massa. 

      Aproveitando o termo que você utilizou, os “normais”, segundo o boletim, muitas vezes não são os “normais”, segundo a avaliação feita em um ambiente corporativo. 

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    Minha vida acadêmica inteira é um grande fracasso. Falhas atrás de falhas, nunca cheguei sequer perto de uma formatura. Reprovei no pré, fiz gambiarra pra avançar, segui arrastando, desisti no meio do ensino médio e terminei supletivado. E na faculdade o padrão se mantém, já troquei de instituição e de curso uma pá de vezes e pretendo quebrar o recorde de reprovações.

    Pela lógica meu nível de vagabundagem ainda vai vingar. Ou não =X

    • Rodrigo Santana de Sá

      Cara, tive um amigo que na escola mandava muito bem, e não fez faculdade. Ele começou a trabalhar em um empresa e foi fazendo cursos de capacitação, aprendendo uma coisa ali outra ali. Talvez esse seja um modelo interessante pra você. Ao invés de ir pra faculdade e fazer um curso enorme, fazer cursos pequenos, que sejam do seu interesse e/ou supra suas necessidades profissionais.

  • http://about.me/roh Rodrigo Santos

    Eu era um excelente aluno na escola. Aplicado, sempre conseguia tirar ótimas notas. Parei de estudar no meio do ensino médio, hoje quero fazer algum curso pra trabalhar na área de TI e ainda não consegui…
    Tenho mais conhecimento na área de suporte a informática que boa parte da marmelada que consegue vaga para trabalhar como técnico de suporte e me vi nesse texto como o “mais aplicado” atropelado pelos medianos e aplicados como eu.

    Os medianos deveriam ser os ótimos por que sempre conseguiram por que fazem o misto entre convivência social e se aplicar somente o necessário (ou não). Até hoje compreendo o porque de eu não estar num nível mais alto. Falta de convivência pessoal + escola.
    Quando me desfiz dos amigos de longa data do ensino fundamental não tinha mais pra quem competir, a escola em que fui as pessoas me apoiavam mas eu não enxergava e não aproveitava pois não era a competição de antes. As coisas mudavam, eu tinha que me enquadrar em outra fase, eu não estava conseguindo nem estudar.

    Quando achei um emprego e pessoas viram meu potencial, a vida mudou. Consegui um emprego na área mesmo sem curso e estava planejando fazer curso até que deu um baita rolo na empresa e fui cortado. Só quando aparecem trabalhos sou chamado. É, vai entender.

  • Fe

    Sempre tive facilidade em aprender e nunca precisei de estudar muito. Estudava na véspera e só passava com 7 ou 8, nunca fiquei de recuperação em nada!

    Mas no VEST não é assim q a banda toca, né..

  • Eduardo Amuri

    Vinicius, estude e aproveite o conteúdo dado até o ponto em que achar que lhe é útil ou conveniente. O ponto aqui não é esse. 

    O lance é que você pode sair do colegial com um boletim entupido de 10 e ser um profissional meia boca. E pode sair do colegial com um boletim “padrão 6″ e se dar bem na vida real. Só isso.

    Existem sim profissionais brilhantes que foram os melhores alunos de suas salas. Assim como existem profissionais brilhantes que foram alunos medianos. 

    Não é generalização, nem conselho de pai. ;)

  • Angelo

    Verdade cara,eu to no ensino médio também e sou um alumo mediano por opção,se eu me motivasse a estudar pra sempre tirar 10 eu conseguiria,mas aí eu perderia muitas coisas boas por causa de conhecimento que vai ser inútil no futuro,prefiro continuar penando nas recuperações finais…

  • http://www.facebook.com/luizahsr Luiza Helena

    eu sempre fui uma boa aluna no primario,aluna q fez algumas provas finais no 2º grau,um curso tecnico meio sem vontade,mais nunca repetiu,sempre fui da galera q mata a aula pra ela não me matarmeus pais ja quase aceitando eu fazer faculdade particular,qqr coisa eles aceitavam até ed fisica (com todo respeito q qm faz/fez)passei pra engenharia na federal e na estadual,90% da galera q matava aula cmg tbm passou pra faculdades publicas :}eu acho q na vida sempre aprendemos coisas,cabe a nos extrair o que nos vai ser util OTIMO texto ;*

  • http://twitter.com/edegar EDEGAR NEUMANN

    Quando li o título, lembrei do Einstein… não era, mas poderia ter sido este o assunto.
    Eu sempre fui muito bem em todas as matérias, salvo raras exceções. Quando comecei a trabalhar, eu era um funcionário promissor, mas, nas empresas em que trabalhei, travei num pequeno detalhe: eu era um ótimo executor, mas um péssimo gerente. Quando fui promovido/contratado para funcões gerenciais, percebi que era inapto para isso; ou não conseguia liderar, ou planejar, ou motivar, ter visão do ‘todo’. Isso não é ensinado na escola…

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    A neura do vestibular foi o pior desserviço já prestado à educação.

    O garoto fica puto na sala de aula porque não vê sentido em aprender, digamos, proporcão áurea ou matrizes porque acha que jamais vai usar aquilo na vida.

    Só que ninguem explica que ninguém sabe o dia de amanhã. Nem o Steve Jobs sabia que caligrafia seria útil algum dia. Talvez ele jamais soubesse, se tivesse cagado pras aulas.

    De fato, não faz sentido algum estudar quando se pensa educação como trampolim pra uma faculdade/carreira/salário. Acaba meio que virando aquela fase chata do jogo que você tem que passar pra chegar na fase de bonus, passada na base do macete.

    Não deixa de ser uma certa preguiça e arrogância o aluno não querer aprender, mas o argumento de que é preciso estudar porque cai no vestibular é tão fraco que até um mané que não sabe nada da vida refuta fácil.

  • André Kaminski

    É o assunto interessante, curioso, mas vejo que muita gente ainda não tem um mínimo de empatia para se colocar sobre os pés daquele sujeito chato que entra na sala e que insiste em aplicar conteúdo que “não me interessa”.

    Eu sou o professor e posto do “outro lado” da carteira escolar.Bem, o assunto é sobre “desempenho escolar não garante um bom profissional”. De fato, isso existe. Mas é bom lembrar que há casos e casos e chegar a uma conclusão baseada nisso é bastante raso. Dizer “os medianos são os melhores profissionais” é bastante irracional, visto que temos contextos e mais contextos diferentes de cada escola. As vezes, mesmo em turmas da mesma escola. Logo, o mais correto é analisar diversos perfis parecidos e traçar os futuros antes de afirmar categoricamente algo. Por enquanto, fica só o exemplo pessoal do autor, que não deixa de ser válido.

    Agora falando sobre essas questões, o que posso dizer é que a educação fracassa por uma união de tantos mas tantos fatores que é impossível falar de todos eles. Mas que fique bem claro: o fracasso escolar está relacionado aos erros de toda a nossa sociedade. Isso inclui professores, equipe pedagógica, núcleos de educação, pais e também de alunos (alunos também pensam, não são sacos vazios aos quais cabem aos pais e educadores preenchê-los com valores, educação e conhecimento como muitos gostam de afirmar). 

    No caso de aulas “chatas”, o que temos muitas vezes, são alunos que não se interessam por aulas “diferenciadas”. Não é incomum encontrar professores que tentam inovar, mas que acabam sendo engolidos pelos mesmos problemas de indisciplina de sempre. E aí, volta-se ao velho ciclo já que o próprio profissional se sente desmotivado a tentar algo diferenciado que foi preparado a muito custo.

    Acredito que o problema mais grave é que a sociedade atual foi organizada de forma a menosprezar todas as atuais figuras que possuem algum valor de “autoridade”. E nesse caso, é o professor, visto como o maligno sujeito que só quer te ferrar, e o policial, ladrão, corrupto, que só quer te foder e te privar da sua liberdade individual. Eu diria que essas são as duas profissões mais injustiçadas da nossa atual sociedade, vistas como inimigos de todos.

    Não é a toa que cada vez menos jovens querem entrar em uma licenciatura. Pelos atuais números, não há renovação no cargo e a profissão pode sofrer um apagão em alguns anos.

    Apesar de diversos problemas, ainda vejo futuro na educação e continuarei tentando inovar e tentando sempre dar o meu melhor de forma a estimular o aprendizado.  

  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    Na verdade a unica função realmente importante no ensino médio e fundamental é ensinar o aluno a estabelecer noções básicas de convívio. Aprendendo a conhecer gente nova e fazer novos amigos, lidar com amigos e pessoas que não gosta. Viver situações em que os pais não podem interferir(não deveriam..), dependendo apenas de sua envoltura social para se adaptar aquela convivência. 

    Nos comentários vemos gente que concorda e gente que não concorda. No fundo isso tudo é uma grande roleta russa. Eu fui um péssimo aluno, mas que hoje tenho habilidades e conhecimento que garantem um bom dinheiro para minha empresa. Nunca precisei usar absolutamente nada que deveria ter aprendido no segundo grau em minha vida prática(Tirando português que fui REALMENTE aprender estudando sozinho anos depois, e noções de matemática simples). Posso dizer inclusive, que de todas as turmas que eu passei, fui o que acabou melhor. O que diria minha professora da 7a série, que queria me reprovar porque me achava muito rebelde.

    Costumo falar mal do modelo atual de ensino no geral. Profissionais pouco valorizados e grade curricular ultrapassada e inútil. Passamos anos da nossa vida aprendendo a passar em uma prova de vestibular, mas saímos da escola sem a mínima noção da vida. Não sabemos organizar nossas tarefas, não sabemos como organizar nosso dinheiro, como desenvolver um pensamento crítico verdadeiro. O conjunto de ferramentas ensinado nas escolas hoje, não agrega em nada na vida do futuro adulto que deve sair de lá.

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Conhecimento é uma coisa só. A gente divide ele em matérias e disciplinas para, EM TESE, facilitar o estudo.

    O problema é que esses saberes foram se cristalizando em unidades que não tem correlação aparente. Aí o sujeito começa a achar que sintaxe é uma coisa que só existe em aulas de português e que lógica é coisa das exatas.

    Mas não é verdade. É tudo uma coisa só. Simplesmente não faz sentido o aluno dizer que gosta de história e detesta matemática. Pior: fica uma noção de que o mundo se resume às disciplinas que dependem da explicação de um professor. Que aquilo tudo explica a vida, o universo e tudo mais, e que é impossível cogitar qualquer outro saber externo àquilo.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Faria/1132579103 Gustavo Faria

    Eu sempre peguei recuperação, dezembro a dentro fazendo provas…começava a estudar em setembro… final do ano era uma correria sempre, o último semestre tinha peso duplo…sempre passei com a média mínima…na faculdade repeti numa porção de cadeiras, mas ainda sim me formei mais rápido que muitos colegas ditos CDFS, ok eles ficaram anos fazendo cursinhos… Mas eu não deixaria de utilizar um serviço profissional de um colega que não estudava muito… até porque isso não define a profissão…”tinha uma história de um professor que encontrou depois de muitos anos um aluno que era bagunceiro, formado médico… o professor disse que não voltaria, em função disso, foi quando uma aluna respondeu: – Pois é, hoje ele é médico e você é professor!…” Hoje sei o valor dos meus bons professores, mas de fato este não foi um deles…Tenho plena certeza que muitos dos meus colegas tidos como problema hoje são excelentes profissionais, de chefes de cozinha a empreendedores de sucesso…A vida profissional é bem mais difícil que a escola…

  • Bruna

    fala isso nãão jovem

  • http://www.facebook.com/pedroygor Pedro Assunção

    Certa vez, assistindo uma aula de um dos melhores professores que tive, eis que surge essa percepção: “A instituição se preocupa em apenas passar o conteúdo regido pela administração. Sou contra as provas e testes, pois isso torna-se limitado o aprendizado além do quadro e/ou da sala de aula. Resumidamente, os alunos se dedicam e sentem a responsabilidade de aprender somente a matéria da prova imposta pelo professor. Como já citado, bloqueando a visão e comparação com o dia-a-dia, com a vida. Assim, ressaltando a velha e costumeira pergunta afirmativa – Quando irei usar isso, ou esse calculo, na vida? -” Wilson, professor de gramática.

  • http://www.facebook.com/dofsmartins Danilo Fernandes Martins

    “Os mais aplicados, mais bitolados e menos desenvoltos passaram longe da expectativa colocada sobre eles. Talvez pela pressão, talvez por conta das deficiências que a escola tradicional não mensura, estes ainda não vingaram. Os que impressionam mesmo são aqueles que, de acordo com o boletim, eram os medianos. Aqueles cujas notas se encaixavam, muitas vezes por dádiva dos céus, entre o 5 e o 7.”

    Foi exatamente isso o que aconteceu com minha turma no final do ensino médio, em 2009. Eu era da turma que tirava 6 ou 7 nas provas, obviamente. :D

  • http://www.facebook.com/ale.ricchie Ale Paris Ricchíe

    Gostei do texto muito bem elaborado.
    Nota: 9,5

  • http://www.facebook.com/ale.ricchie Ale Paris Ricchíe

    Parabéns.

  • Isabel Abreu

    Exclente análise!!!

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