Os duros caminhos de um mestre
Sábado à noite, sem nada pra fazer em casa – uma cirurgia recém-realizada no olho me impedia de buscar passeios noturnos – me deparei com uma partida de futebol na televisão.
Um amistoso internacional. Inglaterra x Trinidad e Tobago.
A primeira coisa que chamou a atenção na partida foi a possibilidade de ver o English Team em ação – coisa que nós, não sei se felizmente ou infelizmente, estaremos impossibilitados de fazer durante a Eurocopa, já que a turma de Beckham pipocou e ficou de fora do certame.
Sabe o que a Inglaterra precisa? Torcedoras melhores.
A segunda coisa a merecer destaque foi a reedição de um confronto ocorrido na Copa de 2006. Na ocasião, os caribenhos fizeram os ingleses suarem suas camisas. A vitória européia só veio com gols aos 38 e 46 do segundo tempo, tentos marcados respectivamente por Crouch e Gerrard.
Mas a principal atração do jogo não foi uma coisa nem outra. Tampouco foi a divertida – porém, cansativa – banda que insistia em soar acordes de música típica nas arquibancadas. Na verdade, a relevância da peleja foi descobrir quem era o técnico da seleção de Trinidad e Tobago: Francisco Maturana.
Não sei se o amigo leitor identificará de cara o nome de Francisco Maturana. Mas, se é um amante do futebol – e do futebol bem jogado – deveria. Maturana comandou a equipe que protagonizou a partida mais encantadora e surpreendente do futebol sul-americano, e até mesmo mundial, na década de 1990.
Foi em setembro de 1993…
Durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano seguinte.
A Colômbia de Maturana foi até Buenos Aires enfrentar a Argentina pela última rodada do Grupo 7 das Eliminatórias Sul-Americanas. Os colombianos lideravam a chave com oito pontos; os argentinos vinham atrás, com sete.
Apenas o líder do grupo garantia vaga direta na Copa – o segundo colocado precisaria passar por um duelo com o campeão da Oceania. Portanto, a seleção argentina precisava da vitória, e os colombianos podiam jogar pelo empate.
O líder Maturana
Mas o que se viu foi uma atuação impressionante dos colombianos. Rincón abriu o marcador aos 41 do primeiro tempo. Aos 4 do segundo, Asprilla ampliou a contagem. Rincón e Asprilla marcaram outras duas vezes, aos 17 e 19, respectivamente; e, aos 41, Valencia fechou a contagem.
Assistam a maior surra dos Hermanos
Argentina 0×5 Colômbia, em pleno Monumental de Nuñez.
A história acabou fazendo com que aquela Colômbia não se mostrasse tão encantadora assim. Na Copa, o time que fora tido como favorito sequer se classificou para a segunda fase – ficou em último lugar numa chave em que enfrentou EUA, Suíça e Romênia.
E mesmo Maturana não viu sua carreira emplacar da mesma forma. Depois do fiasco na Copa, foi para o Atlético de Madrid e lá ficou menos de um ano. Assumiu o Equador, que comandou entre 1995 e 1997, e depois ficou perambulando em clubes menores.
Agora está em Trinidad e Tobago.
Apesar do exotismo dessa seleção, é bom lembrar: ela esteve entre as 32 finalistas da Copa passada, coisa que sua Colômbia não conseguiu. E a Concacaf, onde está o time caribenho, é especialista em emplacar ao menos um “alternativo” a cada Mundial.
Por que não imaginar que Maturana pode voltar a uma Copa do Mundo, e assim reerguer seu nome na história?
Olavo Soares, 27 anos, é jornalista, santista e morador de São Bernardo - com muito orgulho dessas duas últimas qualidades, da primeira nem tanto. É mais um dos integrantes da equipe do Futepoca, o melhor blog de esportes de 2007.
Outros artigos escritos por Olavo SoaresReceba o próximo artigo
- Dr Health
- Bruno Pedrassani
- Scattonevi
- Gustavo Alencastro
- Rodrigo Almeida
- Gustavo Alencastro
- Bruno Pedrassani




