Hoje em dia a palavra “sustentabilidade” já está mais do que desgastada de tanto ser usada, de maneira errônea, pelos diversos meios de comunicação. E não só por eles: as empresas que fazem uma ação ambiental mínima, quase sem importância, enchem os pulmões para falar “A minha empresa é sustentável!”.
Uma atividade só é sustentável se levar em conta os princípios econômicos, sociais e ambientais, concomitantemente. Em termos práticos:
Um condomínio, para ser considerado verde, não basta executar apenas uma meia dúzia de ações que favorecem o meio ambiente. Os verdadeiros condomínios verdes são certificados, ou seja, possuem um selo verde. E os selos verdes são baseados no princípio da sustentabilidade.
O selo verde é como um certificado, um atestado, de que o empreendimento segue um conjunto de normas e ações proposto pela certificadora e definido por um grupo multidisciplinar de profissionais, incluindo pesquisadores de renome, para que o empreendimento realmente seja sustentável, coisa difícil de se alcançar.

Aqua e Leed: selos verdes para construções sustentáveis.
As ações podem variar de acordo com a certificadora e o selo verde que se deseja obter. Por exemplo, o selo Leed, emitido pela Green Building Council do Brasil e o selo Aqua, emitido pela Fundação Vanzolini pautam as ações em critérios como:
Em condomínios, as primeiras iniciativas de obtenção dos selos verdes são de empreendimentos imobiliários luxuosos, como é o caso do Complexo Cidade Jardim, localizado no Morumbi, cidade de São Paulo, que conta com um shopping de alto padrão e nove edifícios residenciais.
No entanto, está se iniciando um movimento de certificação de condomínios mais populares, como está ocorrendo com o condomínio “Reserva Anauá”, com apartamentos de até R$ 80 mil na cidade de Pindamonhangaba.

Complexo Cidade Jardim: economia de água e eletricidade.
Mas vamos ser um pouco críticos. Será que todo mundo virou bonzinho e decidiu proteger o meio ambiente? É por isso que as pessoas estão procurando o selo verde?
A resposta é não.
A certificação de condomínios, além dos benefícios ambientais que já temos uma ideia, tem benefícios principalmente econômicos. Para o empreendedor, os benefícios são relacionados à qualidade do condomínio e aumento na velocidade de venda, além de associar sua imagem à alta qualidade ambiental e melhorar o relacionamento com os órgãos ambientais e comunidades.
Para o comprador, os benefícios são diretos: economia de água e energia, menores custos de taxa de condomínio, menores custos de conservação e manutenção, melhores condições de conforto e estética e, por fim, maior valor patrimonial ao longo do tempo. Portanto, podemos ver que o principal atrativo é econômico, pois o sistema econômico atuante no momento não permite que seja diferente – o que não invalida a iniciativa; muito pelo contrário, mostra que o meio ambiente pode ser cuidado sem prejuízo financeiro.
Só para reforçar: os condomínios verdes são aqueles que possuem o selo verde, certificados. Hoje em dia há muito marketing acerca de condomínios verdes que apenas plantam árvores ou tem alguma outra ação não concreta de preservação do meio ambiente. Não caia nessa cilada, exija o selo verde e desfrute de um novo modelo de desenvolvimento imobiliário, pautado na sustentabilidade.
Engenheiro Florestal, amante da natureza e de ecoturismo. Apesar de ambientalista, não gosta de eco-chato e ainda acredita na capacidade do ser humano em promover um futuro melhor. É @dscorzoni no Twitter.
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