Os condomínios são verdes porque plantam árvores?

Danilo Scorzoni Ré

por
em às | Debates, Mundo


Hoje em dia a palavra “sustentabilidade” já está mais do que desgastada de tanto ser usada, de maneira errônea, pelos diversos meios de comunicação. E não só por eles: as empresas que fazem uma ação ambiental mínima, quase sem importância, enchem os pulmões para falar “A minha empresa é sustentável!”.

Qual o real significado da sustentabilidade?

Uma atividade só é sustentável se levar em conta os princípios econômicos, sociais e ambientais, concomitantemente. Em termos práticos:

  • a atividade deve dar lucro,
  • não prejudicar o meio ambiente (ou fazê-lo da menor forma possível, possibilitando a natureza se recompor sozinha)
  • e não prejudicar o homem como integrante de uma sociedade.

Um condomínio, para ser considerado verde, não basta executar apenas uma meia dúzia de ações que favorecem o meio ambiente. Os verdadeiros condomínios verdes são certificados, ou seja, possuem um selo verde. E os selos verdes são baseados no princípio da sustentabilidade.

O selo verde é como um certificado, um atestado, de que o empreendimento segue um conjunto de normas e ações proposto pela certificadora e definido por um grupo multidisciplinar de profissionais, incluindo pesquisadores de renome, para que o empreendimento realmente seja sustentável, coisa difícil de se alcançar.

Aqua e Leed: selos verdes para construções sustentáveis.

As ações podem variar de acordo com a certificadora e o selo verde que se deseja obter. Por exemplo, o selo Leed, emitido pela Green Building Council do Brasil e o selo Aqua, emitido pela Fundação Vanzolini pautam as ações em critérios como:

  • aproveitamento da energia solar,
  • economia no uso de recursos durante as obras,
  • espaço interior bem planejado,
  • tratamento e reuso de águas residuárias,
  • coleta e destinação adequada do lixo,
  • confortos térmico, visual, acústico, olfativo;
  • canteiro de obras com mínimo impacto ambiental, entre muitos outros aspectos.

Em condomínios, as primeiras iniciativas de obtenção dos selos verdes são de empreendimentos imobiliários luxuosos, como é o caso do Complexo Cidade Jardim, localizado no Morumbi, cidade de São Paulo, que conta com um shopping de alto padrão e nove edifícios residenciais.

No entanto, está se iniciando um movimento de certificação de condomínios mais populares, como está ocorrendo com o condomínio “Reserva Anauá”, com apartamentos de até R$ 80 mil na cidade de Pindamonhangaba.

Complexo Cidade Jardim: economia de água e eletricidade.

Mas vamos ser um pouco críticos. Será que todo mundo virou bonzinho e decidiu proteger o meio ambiente? É por isso que as pessoas estão procurando o selo verde?

A resposta é não.

A certificação de condomínios, além dos benefícios ambientais que já temos uma ideia, tem benefícios principalmente econômicos. Para o empreendedor, os benefícios são relacionados à qualidade do condomínio e aumento na velocidade de venda, além de associar sua imagem à alta qualidade ambiental e melhorar o relacionamento com os órgãos ambientais e comunidades.

Para o comprador, os benefícios são diretos: economia de água e energia, menores custos de taxa de condomínio, menores custos de conservação e manutenção, melhores condições de conforto e estética e, por fim, maior valor patrimonial ao longo do tempo. Portanto, podemos ver que o principal atrativo é econômico, pois o sistema econômico atuante no momento não permite que seja diferente – o que não invalida a iniciativa; muito pelo contrário, mostra que o meio ambiente pode ser cuidado sem prejuízo financeiro.

Só para reforçar: os condomínios verdes são aqueles que possuem o selo verde, certificados. Hoje em dia há muito marketing acerca de condomínios verdes que apenas plantam árvores ou tem alguma outra ação não concreta de preservação do meio ambiente. Não caia nessa cilada, exija o selo verde e desfrute de um novo modelo de desenvolvimento imobiliário, pautado na sustentabilidade.

Danilo Scorzoni Ré

Engenheiro Florestal, amante da natureza e de ecoturismo. Apesar de ambientalista, não gosta de eco-chato e ainda acredita na capacidade do ser humano em promover um futuro melhor. É @dscorzoni no Twitter.


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24 comentários

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  • http://www.facebook.com/people/Giovanny-Noceti/1830156531 Giovanny Noceti

    Bom seria se as pessoas com certo poder aquisitivo se conscientizassem de comprar alimentos e produtos “verdes”. Digo “poder aquisitivo” porque quem tem que rebolar com pouco, compra o que é mais barato, por mais mal que faça à saúde (açúcar, gordura saturada, frituras e etc).

    Aqui essa cultura de consumo ainda não chegou (ou se chegou é bem tímida), mas pelo que vejo na net, nas Oropa a coisa já movimenta uma certa indústria ecologicamente correta.

  • http://www.facebook.com/dansre Danilo Scorzoni Re

    Sim Giovanny, o meio ambiente ecologicamente correto ainda custa muito caro aqui no Brasil, não tem nem o que discutir, mas algumas iniciativas já mostram uma luz no fim do túnel, como o próprio texto diz sobre o condomínio de Pindamonhangaba. Mas mesmo assim, ainda está distante das classes mais pobres.

  • http://www.facebook.com/people/Beto-Tritto/100000170561991 Beto Tritto

    Engraçado, a primeira vez que ouvi o termo sustentabilidade foi numa aula durante a 8ª série, agora todo mundo tem tem atitudes sustentáveis. Concordo com você quando diz que o termo está deturpado.
    Você também chamou a atenção para o seguinte ponto: “Será que todo mundo virou bonzinho e resolveu proteger o meio ambiente?” Eu achei interesante porque sempre pensei nisso. Que empresas e instituições fazem isso, primeiro para ficar “bem na foto” e depois por questões econômicas. E muita gente tem “pensado verde” ulitmamente porque é “cool”. Uma pena, né?!

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Cool, lucrativo…

    mas ainda sim, é um começo.

    A grande ironia é que as empresas estão mais comprometidas e agindo mais do que as próprias pessoas.

    Money talks.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    E nem de longe é ruim que o dinheiro fale, na verdade!

  • Bizareli

    Aqui no Rio está bombando essa onda de “condomínios verdes só porque têm área verde”.
    Mas eles não são nem um pouco populares.
    E seria tão bom vermos iniciativas como essas nos condomínios que o Governo subsidia, como os do programa Minha Casa, Minha Vida. O reúso de água, por exemplo, seria um projeto legal e até mais viável.
    Uma ótima forma de conscientização ambiental atingindo direto a massa. Mas até chegar a este ponto, como diz o Gitti, são #outros500…

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Eu não digo nada. Outros500 é um projeto da Multishow do qual participo, por isso às vezes uso essa tag para as mensagens que eu quero que apareçam no http://outros500.tv ;-)

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Beto, eu acho que seria negativo se por acaso se tornasse uma modinha passageira, no entanto se as pessoas começarem a realmente achar que é “cool” agir de maneira sustentável e esse comportamento se tornasse uma cultura, eu acho que seria bem positivo, não é?

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu acho que outro dia desses, eu estava pensando a respeito dessa questão de como as empresas utilizam essa questão de ecologicamente correto depois de um comercial de uma lã de aço, que eles se diziam ecologicamente corretos só por que o produto deles se deteriorava e virava pó(ferrugem). A primeira pergunta que me veio a cabeça foi e a extração do minério? e a confecção do produto? Isso é feito de uma forma ecologicamente correta?

    E eu fiquei pensando se eu posso dizer se um produto é ecologicamente simplesmente pela impacto de seu descarte final ou se o critério não deveria ser toda a cadeia produtiva até aquela destinação final?

  • http://twitter.com/dscorzoni Danilo Scorzoni Ré

    Leonardo, você está mais do que certo pensando dessa forma.
    O descarte final é apenas um dos problemas… mas é preciso mesmo analisar toda a cadeia produtiva.
    Quando vi esse comercial que você disse achei até “engraçado”, pq o produto se deteriora, vira pó e desaparece… como se a física não agisse mais sobre ela (nada se cria, nada se perde, tudo se transforma…).

  • http://www.facebook.com/people/Giovanny-Noceti/1830156531 Giovanny Noceti

    Essa é a questão: até existem alternativas para habitações, não só populares mas em geral. As universidades do país estão cheias de idéias de materiais e tecnologias simples e baratas, aguardando somente alguma empresa que as empregue.

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  • http://www.facebook.com/people/Beto-Tritto/100000170561991 Beto Tritto

    É Leonardo… desde que se torne um hábito acho que é válido!

  • http://www.facebook.com/people/Beto-Tritto/100000170561991 Beto Tritto

    Pensando bem… mesmo sendo por dinheiro acaba gerando uma concientização, né?!

  • Aline Aguayo

    Eu acho que ainda falta muita para o conceito de sustentabilidade realmente chegar a ser o que deve ser de fato. Muitos universitários estão mesmo cheio de ideias bacanas para projetos de moradia, mas, o balde de água fria, por mais bobo que pareça, já começa na execução dos projetos. Muitos dos professores não aceita materiais como por exmeplo, a garrafa pet para simular vidros de uma casa, entre outras situações. Ainda existem muitas situações que se contradizem. Mas estamos na luta, né?? Já é considerável a quantidade de prédios verdes que o Brasil sim, claro, não se compara com Dubai, nem de longe, mas já é um sinal de evolução no sentido de preservação.

  • Gui

    Eu sou de Pindamonhangaba.. =D
    onde vai ser esse Reserva Anauá que aqui ainda não apareceu nada..

    • Ocimar

      Olá Gui…pelo que sei, será do lado da antiga Alcoa…

    • Ocimar

      Olá Gui…pelo que sei, será do lado da antiga Alcoa…

    • Ocimar

      Olá Gui…pelo que sei, será do lado da antiga Alcoa…

    • Ocimar

      Olá Gui…pelo que sei, será do lado da antiga Alcoa…

  • http://twitter.com/dscorzoni Danilo Scorzoni Ré

    Gui, a construção ainda não começou, está na fase da papelada, mas já está tudo liberado, só faltando mesmo a oficialização do selo. Não encontrei exatamente onde será o condomínio, mas vi que será construído pela Casoi Empreendimentos Imobiliários.
    Abraço!

  • Heliomar

    Saiu na imprensa: No interior, “ minha casa, minha vida “ com sustentabilidade.
    O Estado de São Paulo
    Incorporadora Casoi vai erguer conjunto popular seguindo a cartilha da economia de recursos naturais
    Não são apenas empreendimentos de médio e alto padrões que podem exibir um selo verde. A incorporadora Casoi Empreendimentos Imobiliários aguarda a aprovação da fundação Vanzolini no projeto da Reserva Anauá, que será formado por 208 apartamentos de até R$ 80mil na cidade de Pindamonhangaba.
    O valor dos imóveis desse empreendimento o enquadra no programa Minha Casa, Minha Vida. O condomínio também terá 80 casas no valor de até R$ 200 mil. Hamilton Leite, diretor da Casoi, informa que o condomínio com nome em Tupi ficará pronto em dois anos.
    Condomínio. “ Para o segmento a população do Minha Casa, Minha Vida, o valor do condomínio é muito importante na hora de decidir por um imóvel ou outro. E esse custo tem relação direta com o consumo de água e energia elétrica especialmente. Com sistemas eficientes, pode-se chegar a uma economia de até 30% desses recursos”, argumenta o diretor da Casoi.
    Ele conta que a velocidade de vendas também está sendo bem maior no caso desse empreendimento do que em outros do mesmo segmento.” Eles vão custar 3% do total da obra.Mas não vamos transferir esse custo ao valor das unidades “, garante Leite, que também é diretor de sustentabilidade do Secovi.
    Água quente nos apartamentos e casas por meio de painel de aquecimento solar é um dos recursos que o diretor têm orgulho de citar.” Não é do tipo fotovoltaico, caro e inviável para residências. È um sistema que importamos do exterior e muito mais econômico”, acrescenta.
    Vento. Outra solução será o uso do gerador eólico para fornecimento de energia elétrica nas áreas comuns dos prédios. A tecnologia é inédita no Brasil, mas já é bastante usada em países como Alemanha e Estados Unidos, segundo Leite.
    “ Não é como um gerador que possui hélice com pás, tradicional na Espanha, por exemplo”, Diz. “ É um equipamento menor, de eixo vertical e que gera pouco ruído. Outra vantagem é que não há risco de quebrar uma pá e machucar alguém
    O QUE UM VERDE DEVE TER
    Entre outros pontos
    EFICIÊNCIA
    Alta eficácia energética. Sistemas de ar condicionado podem até ser instalados, desde que coordenem as diferentes temperaturas dentro de um edifício
    REDUÇÃO
    Uso racional de água ( economia e reaproveitamento)

    MATERIAIS NÃO AGRESSIVOS
    Uso de produtos com menos compostos voláteis ( como cola tóxica) e mais naturais ( a exemplo do Bambu ) ou reciclados
    QUALIDADE INTERNA
    Conforto térmico, controle de umidade e iluminação natural.

  • http://www.facebook.com/marceloventuri Marcelo Venturi

    Concordo plenamente com todos teus argumentos. Mais uma vez parabéns. Me incomoda muito quando vejo propagandas de condomínios “sustentáveis”. Um considerado mais sustentável do Brasil é aqui perto de Florianópolis e se chama Condomínio “Pedra Branca”. Gosto de sua proposta, poiis concordo que é um dos melhores que vi de perto até hoje, mas ainda assim acho que falta muito.
    Em minha opinião, para um condomínio ser completamente sustentável ele deve ter, além de tudo o que disseste na matéria:
    - Todos seus RESÍDUOS: águas usadas (esgoto), lixo, gases (através de árvores e algas) = DEVEM ter seu destino iniciado e acabado DENTRO do condomínio.
    - Todos seus RECURSOS: água, luz, energia elétrica, alimentos, mão-de-obra, matéria-prima para construir suas casas, combustíveis para seus veículos = DEVEM SER GERADOS dentro do condomínio.

    Em minha opinião, apenas com isso pode-se pensar em um condomínio verdadeiramente sustentável. Eu questionei isso por e-mail para o pessoal do Condomínio Pedra Branca, e até hoje não recebi resposta. Propus que todo seu lixo fosse compostado e transformado em horta e ainda não me contrataram para executar o projeto (rsrsrs).

    A ideia mais sustentável que tive até hoje é a ilha de Cuba. É uma longa história que te conto em outro momento, mas resumidamente, após a queda do Comunismo em torno de 1990, em questão de 2 meses eles ficaram sem nenhum apoio de quem os mantinha, a URSS. Ficaram completamente sem combustíveis para seus caminhões trazerem alimento do interior da ilha para as cidades. Em dois meses os alimentos acabaram e as pessoas se viram OBRIGADAS a plantar para sobreviver. Mas plantar onde em uma cidade? Tudo virou espaço para plantar. E plantar com o que, sem adubo e sem terra? Criaram o que chamaram de Organopônicos: Todo seu lixo orgânico virou fonte de nutrientes para as plantas e de sementes para plantarem o que desse em seus telhados, varandas…
    Bem, não preciso dizer que graças a essa crise hoje o país é um modelo em muitas coisas, entre elas, nas formas ecológicas de se produzir alimentos.

    Pense nisso e troquemos figurinhas. beijo.

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