A Oktoberfest começou em 1984 na cidade de Blumenau, Santa Catarina, e atualmente dura 17 dias.
Funciona da seguinte forma: há uma espécie de pavilhão de convenções chamado Vila Germânica, onde rola o principal da festa. De Domingo a Terça, fica aberto até a meia-noite. Na quarta, até às 2 da manhã. De quinta a sábado, quando o bicho pega, vai até às 5 da manhã.
O público varia bastante, pois muitas pessoas só vão em determinados períodos, não ficando a festa inteira.
Um dos pontos mais legais é que agora eles contam com o blog oficial Desbravadores da Oktoberfest, com um show de conteúdo.
Particularmente falando, a minha história na Oktoberfest deste ano começa 7 meses antes.
Rua XV, Rainhas e Vovô Chopão
Naquela época, eu fazia aula de bateria há mais de um ano e pretendia arrumar uma banda. Um belo dia, o dono da escola de música me apresenta um aluno de contrabaixo, que estava precisando de um baterista. Negócio fechado.
Finalmente realizava meu sonho. Iria tocar rock e hard rock, ritmos que me apetecem.
Começaram os ensaios, e notei algo estranho. Tocávamos as músicas de rock e hard rock sim. Mas no meio destas encontrei músicas que nunca havia ouvido falar. Que falavam de chopp, festa, Alemanha, Santa Catarina, Blumenau, Oktoberfest. O que era aquilo?
Aos poucos, nas sessões de chopp pós-ensaios, fui sendo doutrinado a respeito. A banda fazia um verdadeiro culto à Oktoberfest. Ao longo dos meses, era uma verdadeira preparação para o mega-evento de outubro. Conheci o som de bandas locais de Blumenau, como a Cavalinho e a Vox 3, e acabei gostando, pois realmente é algo divertidíssimo. Ritmos alemães, culto à manguaça, letras de duplo sentido, não tem como não curtir.
Enfim chegou Outubro, e eu já no extremo da ansiedade. Totalmente no clima da festa, que seria a minha primeira Oktober. O que me aguardava? Rumei para Blumenau com muitas expectativas. E que festa foi!
Atrações
A festa este ano foi oficialmente inaugurada com um desfile ocorrido na Quinta-feira, dia 4/10, na rua XV de Novembro. Durante a festa, rolam vários desfiles, com destaque para as bandas locais, o Vovô Chopão, mascote da festa, os veículos especiais que jogam chopp nas pessoas em volta, como a Choppmotorrad (uma espécie de moto onde as pessoas enchem o copo de chopp) e a Centopéia do Chopp (uma multi-bicicleta onde as pessoas pedalam e bebem), a Rainha e as Princesas da festa, cuja eleição para o próximo ano ocorre durante o evento, na Vila Germânica.
Durante o dia, principalmente de quinta a sábado, ocorre uma grande confraternização (ou mesmo uma tremenda guerra), na rua XV. Regada a muito chopp e música local, mas com clima de micareta. Infelizmente os pitboys bombados que ficam agarrando a mulherada descobriram Blumenau. Nem fiquei muito na rua XV.
1001 Cervejas
À noite, todos rumavam para a Vila Germânica. Minha primeira grande surpresa ao chegar foi com a qualidade das cervejas e chopps servidos no local. Uma das coisas que aprendi com o pessoal da banda foi o gosto por cervejas importadas e chopps artesanais.
Nosso intrépido repórter no clima da festa, com duas alemãs de Blumenau
Foi nessa época que percebi como são ruins essas Brahmas e Skols da vida. Um dos setores do pavilhão vendia cervejas importadas, como as alemãs Spaten, Löwenbräu e Franziskaner, e as belgas Hoegaarden, Leffe e Bellevue. Outro setor vendia os chopps artesanais da região, como a Eisenbahn, Bierland, Dasbier, Zehn bier, Wunderbier e Heimat.
Chopp da Brahma? Não, obrigado. Inclusive posso atestar. A ressaca dessas cervejas e chopps era praticamente inexistente.
Nas horas vagas, fazíamos tours gastronômicos pelas cervejarias nas cidades vizinhas a Blumenau. Impressionante como se faz cerveja artesanal naquela região. A Eisenbahn, Wunderbier e a Bierland ficam em Blumenau, a Zehn bier em Brusque, a Dasbier em Gaspar, a Heimat é de Indaial. Santa Catarina é um paraíso cervejeiro!
Na Eisenbahn, nós batíamos ponto praticamente todo dia. De todos os chopps e cervejas que tomei, destaco os da Eisenbahn com suas 4 variedades (Weizenbier, Pale Ale, Pilsen e Dunkel) e o da Zehn bier. Garantia de porres saudáveis. Para quem gosta de cerveja de qualidade, está dada a dica.
Além dos shows e eventos, o pavilhão tinha outras atrações. Um stand de tiro com espingarda de chumbinho, um parque de diversões com direito a roda gigante e montanha russa, diversas opções de gastronomia, desde restaurantes alemães até barraca de cachorro quente, lojas vendendo souvenirs da festa, enfim, uma infra-estrutura de primeira.
Ele acerta o olho esquerdo de um mosquito a 500 metros. Jagunço profissional.
A animação da festa era total. Mesmo para quem não estava acostumado com música alemã e as bandas locais, não tinha como não entrar no clima. Nós então, que já conhecíamos o som local, estávamos em casa. Uma característica interessante era o uso de trajes típicos alemães, pois quem estivesse usando, não pagava ingresso.
Volta e meia você esbarrava com homens e mulheres “alemães”. Também era comum o uso de chapéus típicos, e cartolas parecendo um copo de chopp. Eu mesmo usei as duas.
“ChucruteGarage” na Globo do Sul
Voltando à banda, outro passatempo nosso em Blumenau era ensaiar. Conseguimos um estúdio local, e conversando com os donos do estúdio, revelamos nosso gosto pelas bandas locais.
Maurício e os vocalistas da Vox 3 e da Cavalinho num momento romântico
Eis que somos surpreendidos ao marcar um ensaio seguinte, pois o dono gostou da história, e tinha contatos na RBS TV (A Globo do Sul), e havia marcado uma entrevista, sob o contexto de “cariocas fazendo uma mistura de rock com música alemã”, som que acabamos batizando de “OktoberMetal” ou “ChucruteGarage”. E que teríamos uma grande surpresa na entrevista.
Enfim, durante nosso ensaio seguinte, apareceu uma equipe da RBS TV e nos entrevistou, exatamente nesse contexto. No finalzinho da entrevista, começamos a tocar algumas músicas alemãs com nosso toque de hard rock, quando somos surpreendidos com a entrada dos vocalistas Michael, da Cavalinho, e França da Vox 3, justamente as bandas locais que fazemos cover. Acabamos levando um som juntos e no final ganhamos CDs deles.
No dia seguinte, no pavilhão, haveria show da Cavalinho, e fomos ficar perto do palco, pois Michael havia prometido nos chamar para cantar com ele. Eu não levei muita fé, mas de repente ele começou a falar:
“Agora vou chamar uma galera especial do Rio de Janeiro, que curte o nosso som.”
Cena seguinte, eu e meus colegas de banda, cantando e dançando com a Cavalinho no palco da Oktoberfest, na frente de milhares de pessoas. Jamais poderia imaginar isso logo na primeira Oktober.
No dia seguinte, a reportagem apareceu na RBS TV. E várias pessoas acabaram nos reconhecendo no pavilhão. Celebridades instantâneas. Pena que ninguém dá bola para isso aqui no Rio, fazer o que, mas me rendeu uma história e tanto, que compartilho com vocês. Em resumo, a Oktoberfest é diversão certa!
Tá, e elas…
Ah, sim, vocês devem estar perguntando, isso aqui é Papo de Homem, e a mulherada? O que posso dizer, o nível é altíssimo, como não poderia deixar de ser em se tratando do Sul do Brasil. Não são tão esnobes como as cariocas, você consegue desenrolar numa boa.
As blumenauenses são simpaticíssimas. Eu tive apenas um probleminha, pois fui roubado. Sim, roubaram meu coração! Pelo que estou sabendo, ele acabou parando numa cidadezinha do interior de Santa Catarina chamada São João Batista.
Mas isso é outra história…
Bônus: mais dois vídeos com a animação da festa
Mauricio Garcia é flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico. Ele é o nosso grande Dr. Health.
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Essa foi minha primeira oktober, e em quesito mulherada não achei tão forte assim. Por ser do sul, talvez já esteja acostumado com o padrão. Os chopps da Eisenbahn merecem realmente destaque, e, caral…, você atira mal em.
Eu, depois de 14 chopps, acertei 4 dos 5 tiros na area preta, e olha que aquela arma girava, girava, girava….
Quanto ao roubo fica frio, se ela ler seu artigo já é meio caminho andado. Recomendo Balneário Camboriú no verão caso retorne a Santa Catarina…
mewww…. eu moro aki em blumenau… nao acredito q fizeram uma
materia akii…. mewww muitu 10… adoreiii…. falandu nisso… amanha vou pa oktobaa okk??? hehehe… vlww abraços pa vcss
Cerveja, mulher e Rock’n'Roll. O paraíso existe!
cerveja, mulher e rock’n roll? uaehueah
Oktober é festa de alemão! só tem musica tipica… e umas muito engraçadas por sinal…
toto sapo pula.. toto sapo pula.. só, o saponete nón.. uahuaehueahueah
Que inveja, cara. Moro no RS, numa região de colonização alemã. Aqui também tem muitas festas nesse estilo, inclusive esse fim-de-semana também tem oktoberfest por aqui, na cidade de Igrejinha. Mas a estrutura não chega aos pés dessa de Blumenau, que é muito famosa por sinal. E o chopp é Nova Schin! Vê se pode!
Rocha, eu fui tenente do Exército Brasileiro.. A tática de guerra não é acertar para matar. Matando, você só tira um de combate. A tática é ferir, porque assim você tira TRÊS de combate, dois precisam parar de combater para socorrer o ferido, minando as forças inimigas. Por isso não acertei o alvo no centro.
Eu fui Asp Of de Mat Bel, a idéia é boa, mas para ferir você precisa acertar onde mira, não adianta mirar no braço e acertar na cabeça.
Mas a tática de ferir não apenas tira os três combatentes como também abala a moral da tropa.
Mas na oktober, o alvo são as mulheres.
Como eu era Oficial de Saúde, minha arma era a 9mm. Pra quem nunca tinha atirado de espingarda, até que fui bem !
Taí um evento no qual ainda vou comparecer. Alemãs calorosas cervejadas, muy bueno.
Só essa camisa do Flamengo ficou feia. tsc tsc tsc
A camisa do Flamengo realmente é dispensável!
Por aqui tem a Oktober de Santa Cruz que também é muito forte!
Maurício, temos que fazer uma intercâmbio musical! Achei muuuuuito bom o som! Viva o culto à manguaça!
E a musiquinha do saponete é a melhor!
Viva o pom pom pom poooooom poooooom poooooooooom!
Eu tava lá também. E tava massa.
Cheguei lá querendo beber uma de cada daquelas cervejas. Mas ai vi que tinham os chopes também!
Ein prosit!
[...] gente vai para a Oktoberfest para fazer uma versão germânica do carnaval (é isso mesmo). Já outros vão exclusivamente para [...]
Puxa! Oktoberfest é legal… mas tenho que te confessar uma coisa… já foi muito melhor…
Eu fui nas 10 primeiras edições… depois acabei meio que enjoando…
Mas com certeza é diversão na certa!
p.s.: foi uma ótima narrativa