*História verídica*
Quando moleque, eu morava no Jd. V. Formosa, bairro residencial de São Paulo. Perto de casa havia uma pracinha utilizada pela molecada que morava ali por perto para atividades variadas, como futebol, bicicleta, namoro, e coisas desse gênero.
Até que surgiu o grande evento: O torneio de saltos acrobáticos com bicicleta.
Coisa de moleque, você tinha que vir correndo com a bicicleta, ingressava na rampa de terra que havia ali, e, no meio do salto, virava o guidão, tirava as mãos, os pés, ou qualquer outra coisa que valesse pontos por coragem, bravura e beleza.
A turminha popular ficava por ali, curtindo
Eu tinha uma bicicleta meio velha. Boa, mas velha. Nunca cuidei muito dos meus bens materiais.
Montei nela, disposto a aparecer e poder me integrar com a “galera legal”, que sempre me excluía, pois eu não tinha os “requisitos básicos” para fazer parte da turma (que normalmente eram beber, fumar, brigar, ser rebelde e falar errado).
O fato é que eu estava montado no meu ingresso para a turma.
Fiz alguns saltos (bem bonitos, diga-se de passagem) e a galera gostou. Começaram a se empolgar com minha habilidade e com a altura dos saltos que eu conseguia sacar daquela bicicleta.
Um belo salto faz maravilhas pela sua fama
Foi quando me lembrei da bicicleta do meu irmão. Uma EXTRA LIGHT. O nome já diz tudo. Era leve, era rápida, era moderna e era o caminho mais rápido e fácil de me colocar no círculo de amizade dos populares do bairro.
Avisei a todos com cara de superioridade que ia buscar a EXTRA LIGHT que tava lá em casa, e que me esperassem. Claro que esperaram. E ansiosos. Extra Light não era pra qualquer um na época. Era coisa chique. Era pra quem podia. Era pra louco.
Montei nela e experimentei umas pedaladas rápidas a caminho da pracinha. Era perfeita. Eu ouvia o vento passando por mim bem mais rápido que o normal e estava fascinado pela velocidade. Meus amigos que tinham me acompanhado até a minha casa para buscar a bicicleta ficaram para trás.
Chegando no evento, estava radiante… cansado, mas sorridente. Certo da vitória. Eu tinha direito a mais um salto. Seria o decisivo. Seria o salto para o patamar acima.
Vendo o salto dos outros, vi que precisaria fazer algo especial para ganhar o torneio. Precisava tirar as mãos do guidão no ar. Já tinha feito isso antes, em treino não-oficial, com a minha bicicleta. Calculei que poderia ficar um pouco mais com as mãos fora do guidão, pois aquela bicicleta iria mais alto que a minha.
Estava tudo certo. Tudo planejado. Não tinha o que dar errado.
Minha vez chegara e eu estava nervoso. Fui para o lugar de partida, todos de olho em mim. Conheciam bem aquela bicicleta, pois meu irmão montava e desmontava constantemente para fazê-la correr mais, sempre mudando uma pecinha aqui e outra ali… era a mais rápida do bairro, a melhor.
Foi nisso que pensei quando comecei a pedalar na direção da rampa. Fui rápido, muito rápido mesmo.
Quando dei impulso para saltar, perdi o nervosismo. Estava em casa, na minha área. Ali era o meu território. Tirei as mãos do guidão e prendi as pernas no selim, para manter a bicicleta em baixo de mim.
Foi então que percebi que meu irmão andara mexendo na bicicleta, que se afastava lentamente, enquanto o banco continuava preso às minhas pernas. Ele retirara os parafusos que prendiam um ao outro. Ainda consegui ver a bicicleta cair no chão com estardalhaço antes de bater as costas no chão e perder o fôlego.
e eu que cheguei tão perto…
Mytho Leal é autor convidado da Papo de Homem e nos cedeu o prazer de republicar oficialmente esse texto, que veio originalmente de seu blog chamado Você não Acreditaria.
Leia também o aclamado conto Comandante Loureiro, também escrito por Mytho.
Além de ter grande talento para a escrita, ele atualmente se encontra perdido na Europa, onde tenta ficar mais rico e atualiza seu blog diariamente.
Além de ter grande talento para a escrita, Mytho atualmente se encontra perdido na Europa, onde tenta ficar mais rico e atualiza seu blog diariamente.
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“e eu que cheguei tão perto…”
A tudo que queremos e não podemos ter… ainda…
Lindo o texto!
[...] está o texto em meu site e aqui está o texto na Papo de [...]
Mytho, como te disse via email, adorei seu texto, cara!
Fiquei curioso sobre a continuação da história… teria você conseguido se integrar com a galera popular? Voltou a andar de bike após o trauma?
hahahahhahaha
Abração
Hehehe Pô Guilherme, pra falar a verdade pra você eu não me integrei com esse pessoal não. Na verdade foi erro meu, porque eles eram da turma da depredação e eu mais tarde acabei por arranjar amigos mais dignos desse nome… como eu mencionei no texto, aquele povo queria era saber de fazer asneira e eu tive a sorte de “pular fora” - nunca essa expressão teve tanto a ver com o contexto. hehehe
Abração!
Rapaz, vi meu irmão fazer algo semelhante… ele passava por debaixo de uma árvore, erguia os braço e se agarrava a ela e deixava a biciclita seguir sozinha até cair…
Um dia, ele fazendo isso em alta velocidade caiu de costas no chão, enquanto a bicicleta foi ladeira abaixo sozinha uns 2 quarteirões… puta cena tosca. Ele caído com falta de ar no chão, e uma bicicleta fantasma andando na vizinhança… uahauhauaha…
Ai que dó que eu fiquei viu? Podia ter dado tudo certo e depois vc ter visto que a turma não tava com nada mesmo!!
De qualquer forma foi bom prá sua cara prá não pegar as coisas do seu irmão sem pedir!! hehehehe!!
Belo texto!!
Beijos!!
Demerval, então seu irmão é dos meus!! hehehehe já temos a faculdade de dublê! Abração!
Poxa poxa J@de, eu só queria ser famoso e ter todas as mulheres do mundo… hahahahah
Foi bem feito pra mim, sim. Aquele grupinho não era a melhor coisa pra mim… =**
O problema é que tem homem que não deixa pra trás essa história de auto-afirmação e continua fazendo essas coisas na vida adulta.
A diferença é que aí já não é mais bicicleta, e sim carro, moto, etc…
Legal o texto, aposto que muita gente vai se identificar.
Hahaha, se deu mal
Belo Texto
Belo Tombo
Se você escrever um livro eu compro
Owned
Só me diz, a galera “legal” riu até chorar ou riram até sentar no chão?
el_poland, é verdade… eu tive a sorte de passar por essa fase na época certa. Há uma hora e um lugar para tudo. Eu sei que alguns integrantes daquele grupinho hoje em dia estão ou estiveram presos. Estou muito melhor no meu cantinho hoje em dia =D
Bender, me ferrei de verde e amarelo hehehe
Poneis, se eu escrever um livro, só vai vender uma cópia… acho que nem a minha mãe compra… hehehehe valeu cara.. abração
Rochester, na hora eu nem reparei, estava mais preocupado tentando fazer o oxigênio entrar nos meus pulmões… a queda foi de costas e de uma altura grandinha, então já viu… fiquei ali um bom tempinho tentando respirar… mas eles devem ter ficado rindo até não aguentar mais… abraços!
sensacional… ri horrores com esse texto…
Otimo texto cara…
Otimo…
Veridiana, muito obrigado. Todos os que lá estavam riram horrores do meu…. horror.. =P
Valeu Vinícius
abraço!
Muito engraçado.
Já passei por situações parecidas. Muito parecidas.
É um horror.
Abraço
Mytho… e o duro é que meu irmão é um palhaço…. hehehe, e é mesmo! É ator hoje em dia, e um baita humorista. Faz teatro empresarial, anima festas infantis, adultas, etc… Ele mora em Curitiba.
Grande abraço aeee Mytho, e tamos aeeee
engraçad…
meus melhores amigos de infancia todos envolveram com drogas e ja tem passagem pela policia….
parei de andar com eles qdo, aos 13 anos +- eles começaram a fumar… pena, saudades daquele tempo
A vida é para ser vivida intenssamente, principalmente na infancia, pré-adolecencia,e poquê não na adolecencia, erros acontecem, o inportante é quê eles sirvam de exemplos, a gente recordar as fases da vida, com boas lembranças, é quê o legal!!!!, e é a base para avida adulta…