Papo de Homem

Assine

Ladies Room

Chão, chão!

Sabe o que uma mulher de verdade sente quando escuta funk?

20.11.2008 | 64 comentários

Dr. Health

Esqueçam a fase aguda da AIDS

Caros leitores da PdH, mais uma orientação. Para variar, sobre a campeã de dúvidas desta coluna, a maldita AIDS.

13.11.2008 | 24 comentários

Fórum

Visite nosso fórum

Discussão aberta sobre qualquer assunto. Aqui a gente toma Caracu com Catuaba. Cadastre-se e participe!

Yahoo Uêba Cabana do Dr. Love Visionando - QG Alex Hunter Portofacil.net - A hospedagem escolhida pela PapodeHomem
WiFi na USP, vote!
Bate-Papo

O Salto Decisivo

Publicado por Mytho Leal em 29.8.2007 às 13:24

*História verídica*

Quando moleque, eu morava no Jd. V. Formosa, bairro residencial de São Paulo. Perto de casa havia uma pracinha utilizada pela molecada que morava ali por perto para atividades variadas, como futebol, bicicleta, namoro, e coisas desse gênero.

Até que surgiu o grande evento: O torneio de saltos acrobáticos com bicicleta.

Coisa de moleque, você tinha que vir correndo com a bicicleta, ingressava na rampa de terra que havia ali, e, no meio do salto, virava o guidão, tirava as mãos, os pés, ou qualquer outra coisa que valesse pontos por coragem, bravura e beleza.

turma-da-bike

A turminha popular ficava por ali, curtindo

Eu tinha uma bicicleta meio velha. Boa, mas velha. Nunca cuidei muito dos meus bens materiais.

Montei nela, disposto a aparecer e poder me integrar com a “galera legal”, que sempre me excluía, pois eu não tinha os “requisitos básicos” para fazer parte da turma (que normalmente eram beber, fumar, brigar, ser rebelde e falar errado).

O fato é que eu estava montado no meu ingresso para a turma.

Fiz alguns saltos (bem bonitos, diga-se de passagem) e a galera gostou. Começaram a se empolgar com minha habilidade e com a altura dos saltos que eu conseguia sacar daquela bicicleta.

o-salto

Um belo salto faz maravilhas pela sua fama

Foi quando me lembrei da bicicleta do meu irmão. Uma EXTRA LIGHT. O nome já diz tudo. Era leve, era rápida, era moderna e era o caminho mais rápido e fácil de me colocar no círculo de amizade dos populares do bairro.

Avisei a todos com cara de superioridade que ia buscar a EXTRA LIGHT que tava lá em casa, e que me esperassem. Claro que esperaram. E ansiosos. Extra Light não era pra qualquer um na época. Era coisa chique. Era pra quem podia. Era pra louco.

Montei nela e experimentei umas pedaladas rápidas a caminho da pracinha. Era perfeita. Eu ouvia o vento passando por mim bem mais rápido que o normal e estava fascinado pela velocidade. Meus amigos que tinham me acompanhado até a minha casa para buscar a bicicleta ficaram para trás.

Chegando no evento, estava radiante… cansado, mas sorridente. Certo da vitória. Eu tinha direito a mais um salto. Seria o decisivo. Seria o salto para o patamar acima.

Vendo o salto dos outros, vi que precisaria fazer algo especial para ganhar o torneio. Precisava tirar as mãos do guidão no ar. Já tinha feito isso antes, em treino não-oficial, com a minha bicicleta. Calculei que poderia ficar um pouco mais com as mãos fora do guidão, pois aquela bicicleta iria mais alto que a minha.

Estava tudo certo. Tudo planejado. Não tinha o que dar errado.

Minha vez chegara e eu estava nervoso. Fui para o lugar de partida, todos de olho em mim. Conheciam bem aquela bicicleta, pois meu irmão montava e desmontava constantemente para fazê-la correr mais, sempre mudando uma pecinha aqui e outra ali… era a mais rápida do bairro, a melhor.

Foi nisso que pensei quando comecei a pedalar na direção da rampa. Fui rápido, muito rápido mesmo.

Quando dei impulso para saltar, perdi o nervosismo. Estava em casa, na minha área. Ali era o meu território. Tirei as mãos do guidão e prendi as pernas no selim, para manter a bicicleta em baixo de mim.

Foi então que percebi que meu irmão andara mexendo na bicicleta, que se afastava lentamente, enquanto o banco continuava preso às minhas pernas. Ele retirara os parafusos que prendiam um ao outro. Ainda consegui ver a bicicleta cair no chão com estardalhaço antes de bater as costas no chão e perder o fôlego.

e eu que cheguei tão perto…

Mytho Leal é autor convidado da Papo de Homem e nos cedeu o prazer de republicar oficialmente esse texto, que veio originalmente de seu blog chamado Você não Acreditaria.

Leia também o aclamado conto Comandante Loureiro, também escrito por Mytho.

Além de ter grande talento para a escrita, ele atualmente se encontra perdido na Europa, onde tenta ficar mais rico e atualiza seu blog diariamente.

Foto do autor

Além de ter grande talento para a escrita, Mytho atualmente se encontra perdido na Europa, onde tenta ficar mais rico e atualiza seu blog diariamente.

Outros artigos escritos por Mytho Leal


Assine nosso feed

Feeds dos artigos da PapodeHomem

Adicionar artigo ao LinkkAdicionar artigo ao Rec6

19 comentários

Assine os feeds dos comentários deste post

  1. Imagem do comentarista
    Stefano Babinski

    “e eu que cheguei tão perto…”
    A tudo que queremos e não podemos ter… ainda…

    Lindo o texto!

  2. Imagem do comentarista

    [...] está o texto em meu site e aqui está o texto na Papo de [...]

  3. Imagem do comentarista
    Guilherme Nascimento Valadares

    Mytho, como te disse via email, adorei seu texto, cara!

    Fiquei curioso sobre a continuação da história… teria você conseguido se integrar com a galera popular? Voltou a andar de bike após o trauma?

    hahahahhahaha

    Abração

  4. Imagem do comentarista

    Hehehe Pô Guilherme, pra falar a verdade pra você eu não me integrei com esse pessoal não. Na verdade foi erro meu, porque eles eram da turma da depredação e eu mais tarde acabei por arranjar amigos mais dignos desse nome… como eu mencionei no texto, aquele povo queria era saber de fazer asneira e eu tive a sorte de “pular fora” - nunca essa expressão teve tanto a ver com o contexto. hehehe

    Abração! ;)

  5. Imagem do comentarista
    DEMERVAL MALAKO

    Rapaz, vi meu irmão fazer algo semelhante… ele passava por debaixo de uma árvore, erguia os braço e se agarrava a ela e deixava a biciclita seguir sozinha até cair…
    Um dia, ele fazendo isso em alta velocidade caiu de costas no chão, enquanto a bicicleta foi ladeira abaixo sozinha uns 2 quarteirões… puta cena tosca. Ele caído com falta de ar no chão, e uma bicicleta fantasma andando na vizinhança… uahauhauaha…

  6. Imagem do comentarista

    Ai que dó que eu fiquei viu? Podia ter dado tudo certo e depois vc ter visto que a turma não tava com nada mesmo!!
    De qualquer forma foi bom prá sua cara prá não pegar as coisas do seu irmão sem pedir!! hehehehe!!
    Belo texto!!
    Beijos!!

  7. Imagem do comentarista

    Demerval, então seu irmão é dos meus!! hehehehe já temos a faculdade de dublê! Abração!

    Poxa poxa J@de, eu só queria ser famoso e ter todas as mulheres do mundo… hahahahah
    Foi bem feito pra mim, sim. Aquele grupinho não era a melhor coisa pra mim… =**

  8. Imagem do comentarista

    O problema é que tem homem que não deixa pra trás essa história de auto-afirmação e continua fazendo essas coisas na vida adulta.
    A diferença é que aí já não é mais bicicleta, e sim carro, moto, etc…

    Legal o texto, aposto que muita gente vai se identificar.

  9. Imagem do comentarista

    Hahaha, se deu mal :D

  10. Imagem do comentarista
    Poneis

    Belo Texto
    Belo Tombo

    Se você escrever um livro eu compro :D

  11. Imagem do comentarista

    Owned

    Só me diz, a galera “legal” riu até chorar ou riram até sentar no chão?

    :D

  12. Imagem do comentarista

    el_poland, é verdade… eu tive a sorte de passar por essa fase na época certa. Há uma hora e um lugar para tudo. Eu sei que alguns integrantes daquele grupinho hoje em dia estão ou estiveram presos. Estou muito melhor no meu cantinho hoje em dia =D

    Bender, me ferrei de verde e amarelo hehehe

    Poneis, se eu escrever um livro, só vai vender uma cópia… acho que nem a minha mãe compra… hehehehe valeu cara.. abração

    Rochester, na hora eu nem reparei, estava mais preocupado tentando fazer o oxigênio entrar nos meus pulmões… a queda foi de costas e de uma altura grandinha, então já viu… fiquei ali um bom tempinho tentando respirar… mas eles devem ter ficado rindo até não aguentar mais… abraços!

  13. Imagem do comentarista

    sensacional… ri horrores com esse texto…

  14. Imagem do comentarista
    Vinícius Magnoni

    Otimo texto cara…

    Otimo…

  15. Imagem do comentarista

    Veridiana, muito obrigado. Todos os que lá estavam riram horrores do meu…. horror.. =P

    Valeu Vinícius ;) abraço!

  16. Imagem do comentarista

    Muito engraçado.

    Já passei por situações parecidas. Muito parecidas.
    É um horror.

    Abraço

  17. Imagem do comentarista
    DEMERVAL MALAKO

    Mytho… e o duro é que meu irmão é um palhaço…. hehehe, e é mesmo! É ator hoje em dia, e um baita humorista. Faz teatro empresarial, anima festas infantis, adultas, etc… Ele mora em Curitiba.
    Grande abraço aeee Mytho, e tamos aeeee

  18. Imagem do comentarista
    yo

    engraçad…
    meus melhores amigos de infancia todos envolveram com drogas e ja tem passagem pela policia….
    parei de andar com eles qdo, aos 13 anos +- eles começaram a fumar… pena, saudades daquele tempo

  19. Imagem do comentarista
    ademir

    A vida é para ser vivida intenssamente, principalmente na infancia, pré-adolecencia,e poquê não na adolecencia, erros acontecem, o inportante é quê eles sirvam de exemplos, a gente recordar as fases da vida, com boas lembranças, é quê o legal!!!!, e é a base para avida adulta…

Deixe um comentário




Para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou.


Quem mais comentou

Papo de Homem - Lifestyle Magazine . Conteúdo publicado sob Licença Creative Commons . Anuncie . Política de Acessibilidade . Wenetus