O que o exoesqueleto do Nicolelis diz sobre ele e nós mesmos

Pedro Burgos

por
em às | Artigos e ensaios, Ciência e tecnologia


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“Um paciente paraplégico, movimentando uma veste robótica controlada pela atividade cerebral (exoesqueleto), irá se levantar de uma cadeira de rodas, caminhar por cerca de 25 metros no campo e dar o primeiro chute da Copa”.

Era assim que, ainda na segunda-feira passada (9/6), o Portal da Copa descrevia o que iria acontecer em algum momento da abertura do mundial, que aconteceu dia 12 de junho.

A promessa era do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, coordenador do projeto Andar de Novo, que descreveu a cena em diversas entrevistas nos últimos anos. O mundo iria testemunhar o que, para ele, seria comparável à chegada do homem à Lua em termos de proeza científica.

Mas tudo que o mundo viu está neste gif:

chute-exoesqueleto-

Decepção, então, é uma palavra adequada para definir o anti-clímax de uma cerimônia bem morna (como é de costume nas Copas, aliás).

Algo deu errado ou, no mínimo, não saiu como o prometido. Chegaremos lá. Antes, observar como as pessoas escolheram o culpado pelo fiasco foi bem instrutivo sobre como pensamos e como nos expressamos nos intertubos.

O primeiro instinto de uma boa parcela dos brasileiros quando acontece qualquer coisa ruim é dizer “foi a Globo!”, e ir para as redes sociais. A segunda, que normalmente vem acompanhada da primeira, é evocar o tal complexo de vira-lata.

Tivemos tudo isso nos minutos que se seguiram à demonstração. Primeiro veio a acusação que foi a Globo que quis esconder o negócio. Não importava que a geração de imagens era da FIFA, que não era possível saber o que viria na câmera seguinte (todos os apresentadores estavam meio perdidos), que estavam previstos não mais que 30 segundos, e que as outras emissoras mostraram rigorosamente o mesmo. Não importava que a Globo até colocou alguns replays com Galvão exaltando o “feito” ou que, antes, realizou seguidas e elogiosas reportagens em seus principais jornais e que depois teve exclusiva com o rapaz que usou o exoesqueleto.

Na dúvida, para esse pessoal que até hoje canta “o povo não é bobo”, a culpa era, foi e sempre será, da Globo.

Em uma visão ligeiramente mais sofisticada, a culpa seria “do Brasil, que não leva a ciência a sério”. Há várias razões para sustentar a ideia, como o nosso modestíssimo investimento em pesquisa de ponta (especialmente no setor privado, importante salientar). Por essa lógica, se a apresentação fosse nos Estados Unidos, o cientista seria visto como herói, a apresentação teria destaque etc.

A simples existência do Andar de Novo (e os R$ 33 milhões destinados ao projeto) seriam um bom argumento contra essa tese, como veremos mais adiante. Mas, para quem está atrás de um bode expiatório, parece sedutora a ideia de reclamar de um “país que prefere mostrar Claudia Leitte a um avanço científico”.

Um post bem escrito, que mistura bem o globoantagonismo com o complexo de vira-lata, ganhou seus 60 e tantos mil likes no calor do momento. Ele fecha a reclamação com o exemplo da abertura das Olimpíadas de 1984, em Los Angeles, em que um homem usou um jetpack para voar pela plateia. A comparação populista é que lá eles voam e aqui a gente não deixa um cara andar.

"Voa, canarinho, voa"

“Voa, canarinho, voa”

É comparar maçãs com navios, mas enfim.

A gente tem a mania de reclamar e apontar culpados antes de saber todos os fatos — isso é notório — e com as redes sociais, que nos obrigam a ter alguma posição sobre as polêmicas do momento, isso é ainda mais evidente. Quando veio a informação (ainda não confirmada) que o problema alegado pela organização da abertura era que o exoesqueleto poderia estragar o gramado, transferimos a culpa para a FIFA. O próprio Nicolelis reclamou publicamente do pouco espaço dado à demonstração, mas que “o que foi prometido” havia sido entregue.

Depois do jogo, quando a discussão sobre o pênalti em Fred já não dominava mais a pauta, começaram finalmente a questionar o exoesqueleto e a pesquisa em si. Por que deu errado? Será que foi um embuste? Será que não foi meio exagero achar que em 17 meses conseguiríamos tal feito?

Antes que pudéssemos analisar melhor os fatos, entrou no jogo o personagem tradicional das redes sociais, aquele que associa aos “PeTtralha$” todas as mazelas do País.

Se o milagre do exoesqueleto não aconteceu, haveria dedo do partido aí. E, como Miguel Nicolelis é cabo eleitoral do PT (logo depois de anunciar o feito, retuitou o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de SP Alexandre Padilha), amigo de Lula e tudo o mais, ficou fácil de atacá-lo.

A partir daí, a discussão degringolou, e o próprio Nicolelis foi ao Twitter para bater boca com antipetistas e xingar os jornais e revistas que lançaram dúvidas sobre seu trabalho de maneira no mínimo deselegante. Por sorte (para ele), como a Copa tem sido sensacional, deixamos o assunto um pouco de lado.

Obviamente a culpa de tudo isso não é do PT, da Globo, da FIFA, ou do Brasil, mas do próprio Nicolelis. E ainda vale discutir isso.

Um gênio

Em abril de 2007, assisti a uma palestra de Miguel Nicolelis em um evento da FAPESP (cobria bastante ciência na época). Ele mostrou — em primeira-mão a não mais que 100 pessoas — o vídeo de um estudo que estava para ser publicado, que, se não me falha a memória, mostrava um macaco controlando pernas mecânicas a milhares de quilômetros de distância, no Japão, com a “força do pensamento”.

Foi assim que funcionou a "força do pensamento". Imagem do G1

Foi assim que funcionou a “força do pensamento” (Imagem: G1)

Estava ali como jornalista, mas a demonstração me encantou de modo a abalar minha pretensa objetividade. Virei fã.

A técnica era realmente pioneira e impressionante. A equipe de Nicolelis na Universidade de Duke inseriu, por meio de cirurgia, centenas de eletrodos diretamente na massa encefálica de macacos, e, com muitas horas de testes e computadores, conseguiu elaborar uma forma de interpretar o que os impulsos diziam. Não sabemos exatamente de que parte do cérebro vêm os comandos para os músculos, mas os milhares de pontos de “escuta” implantados davam pistas da “assinatura digital” de alguns movimentos.

Nicolelis tinha em mente uma aplicação bastante prática para suas pesquisas: com a interface cérebro-máquina devidamente azeitada, pessoas paraplégicas ou tetraplégicas poderiam mandar sinais de movimento para seus membros mesmo que o “canal“ habitual — a medula espinhal — estivesse interrompido. Bastava desenvolver uma maneira de captar e interpretar os sinais de movimento enviados pelo cérebro e ativar algo que movesse, como os membros originais. Talvez os próprios, com impulsos elétricos ou próteses.

Um exoesqueleto, uma armadura envolvendo os membros, parecia uma solução interessante para o problema. Para ir um pouco além na ideia, a equipe de Nicolelis inventou uma forma de que o paciente pudesse sentir o feedback, a pisada no chão, através de sensores no exoesqueleto. Era uma via de mão-dupla, genial.

Continuei acompanhando com empolgação as pesquisas de Nicolelis. Em junho de 2011, ele lançou o seu livro “Muito Além do Nosso Eu” no MASP, aqui em São Paulo. Comprei e fui vê-lo mais uma vez.

O auditório estava lotado. Ótimo orador e sempre bem-humorado com suas analogias futebolísticas (é dos sujeitos mais palmeirenses que existem), ele descreveu a sua pesquisa e contou, no fim, o plano de fazer um paraplégico dar o chute inicial da Copa. Emocionado, com voz embargada, ele disse o quanto seria importante que os brasileiros se orgulhassem de um feito científico, evocando a memória de Santos Dumont.

No fim da fala, Nicolelis, eu e todas as pessoas do meu lado choramos. Aplaudimos de pé. Torcíamos para dar tudo certo.

Os feitos de Nicolelis são reconhecidos internacionalmente, e ele publicou diversas vezes nos principais periódicos de prestígio. Suas pesquisas não se restringem à interface cérebro máquina (BMI). Os estudos sobre tratamentos alternativos aos efeitos do Parkinson são também bastante importantes e podem, no futuro, melhorar a vida de milhões de pessoas.

exoesqueleto-nicolelis

Isso para não falar do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, que ele fundou com três colegas, em 2003, e trouxe muitas pesquisas, especialistas estrangeiros e doações importantes.

Por todas as suas contribuições espalhadas em 30 anos de estudos do cérebro, enfim, Nicolelis merece a nossa deferência e o voto de confiança.

Mas, no fundo, todo esse parêntese serve apenas para explicar porque estou mais desapontado com o pontapé inicial da Copa do que a maioria das pessoas.

Eu não achei outros bodes expiatórios.

Jeitinho sem ginga

Nicolelis sabia que teria muito pouco tempo quando conseguiu o sinal verde para que seu projeto conseguisse uma demonstração decente a tempo da abertura da Copa.

A começar pelo método usado para fazer o link entre o cérebro e o exoesqueleto. Resumidamente, a pesquisa de Nicolelis era tão diferente das demais porque usava os implantes dentro do crânio, que podiam captar bastante detalhe e interpretar de maneira mais precisa o que, no meio de tantos impulsos elétricos, era comando de movimento.

Em entrevista à Wired no ano passado, ele disse que se desenvolvesse uma forma de “escutar” individualmente 20 ou 30 mil neurônios (com os macacos, chegou a 2 mil), conseguiria reproduzir uma fluidez de movimento nunca antes vista. “Eu poderia fazer [os pacientes] chutarem uma bola de futebol ao estilo brasileiro”.

“Não britânico, brasileiro”, sublinhou, para ficar claro que a sua técnica não resultaria em movimentos robóticos.

Mas além do prazo exíguo, implantar eletrodos no cérebro de um voluntário seria arriscado. De acordo com a reportagem da Superinteressante que está nas bancas e disseca o assunto, os macacos-cobaias de Nicolelis morreram algum tempo depois, em parte, por causa dos implantes.

Com o tempo curto para fazer a demonstração, o cientista mudou a forma de captar os sinais cerebrais. Em vez do invasivo (mas revolucionário) implante de sensores, mudou para uma toquinha de registro eletroencefalográfico (EEG).

EEG

EEG

Durante muito tempo, Nicolelis detonou a tecnologia, dizendo que ela era primitiva e não pegava os detalhes finos, o que parece fazer sentido. Uma coisa é “ouvir” um monte de impulsos elétricos do lado de fora do crânio outra é de dentro, do lado da ação.

Uma boa reportagem na Folha explica as diferenças dos métodos, mas vale essa citação de um artigo que o próprio Nicolelis assinou (link fechado para assinantes) com John Chapin, em 2008:

“Os sinais de EEG, no entanto, não podem ser usados diretamente em próteses de membros, pois mostram a atividade elétrica média de populações amplas de neurônios. É difícil extrair desses sinais as pequeníssimas variações necessárias para codificar movimentos precisos dos braços ou das mãos.”

Ou seja: no fim das contas, Nicolelis demonstrou algo profundamente diferente do que prometeu, ficando com um método inferior, só porque “era o que dava”. Em sua defesa, ele diz que o chute da Copa foi só o “início” do projeto, que continuará por alguns anos, com colaborações internacionais, aqui em São Paulo.

Mas então por que a correria e as promessas?

Ciência-espetáculo

A toda hora, Nicolelis lembra o exemplo de Santos Dumont. Ele acha, com razão, que não temos grandes cientistas e grandes feitos científicos para nos inspirar e ele queria provocar algo no público como foi o primeiro vôo do 14 Bis. O exoesqueleto se chamava Santos Dumont. Um lenço que o aviador pioneiro usava foi cedido pela família para a demonstração.

E ele podia lembrar mais o brasileiro-parisiense, de outras formas. Na época que Santos Dumont realizou o primeiro vôo controlado, no início do século passado, havia prêmios para quem conseguisse a façanha de voar um objeto mais pesado que o ar de maneira controlada por alguns metros. Cada um aprendia alguma coisa com a demonstração pública do outro e o processo demorou alguns anos.

O sucesso era inevitável. Tanto que, dias depois, outros repetiram o feito de Santos Dumont.

Pouco depois de ganhar o prêmio com o 14 Bis, o brasileiro criou o Demoiselle, o primeiro avião que podia ser produzido em série. Ele publicou todos os desenhos e especificações do novo modelo e liberou para quem quisesse usar, porque acreditava no potencial da aviação como tecnologia (apesar de ser contra o seu uso em guerras).

o 14 Bis

o 14 Bis

Santos Dumont foi grande e inspirador não pelo “espetáculo” que deu no campo de Bagatelle, na França, em 23 de outubro de 1906. Mas porque usou os avanços dos outros, deu uma enorme contribuição e devolveu para todos prosseguirem o desenvolvimento de uma tecnologia que beneficiaria todo mundo. Ao contrário dos irmãos Wright, dos EUA, ele não parecia querer o título de “pai” da aviação. E isso é ótimo.

Ao fazer questão dos holofotes, Nicolelis poderia ter a melhor das intenções, mas parece ter ignorado não só os ensinamentos de Santos Dumont, mas a maneira que a própria ciência avança.

O desenvolvimento científico é incremental e lento. A maioria das grandes descobertas ou demonstrações de conceitos só são públicas depois do fato, da publicação de um artigo revisado por pares ou com provas inequívocas em vídeo. E muito raramente envolvem o trabalho de um grupo isolado.

E não são chamados observadores externos normalmente para “testemunhar” um experimento porque algo pode dar errado. Sempre dá, faz parte. Para a demonstração da Copa, parece que Nicolelis fez o máximo para “não dar errado”. Ele entregou o mínimo possível que poderia ser feito dentro da proposta. E é difícil dizer que ele contribuiu com a mobilidade humana quando o paciente que testou o exoesqueleto chegou assim ao gramado:

20140615exo-guindaste

Haverá gente dizendo que todo esse estardalhaço foi má-fé, especialmente porque Nicolelis coleciona muitos desafetos na comunidade científica brasileira, que não gostam do seu jeito “autoritário” de comandar laboratórios. Mas pode ter sido um erro de cálculo honesto também.

“Acho que ele promete mais do que pode entregar como uma forma de motivar ele mesmo e a sua equipe”, disse à Wired Krishna Shenoy, que estuda as interfaces cérebro-máquina em Stanford

Mas nos dias que se seguiram à demonstração da Copa, Nicolelis tem sido intolerante. Ele fala como se já tivesse provado tudo a todo mundo e só aceita interagir ou com quem o bajula ou com quem “entende” do seu assunto. Chama a Folha de S. Paulo de “Falha”, o Estadão de “Estadinho”, a Superinteressante de “Super desinteressante” só porque as publicações levantaram dúvidas sobre o seu projeto.

E dúvidas, em ciência, é algo ótimo!

Todos têm dúvidas sobre o negócio e esperar que a gente engula tudo é subestimar a nossa capacidade crítica. Nicolelis não é o único que está fazendo algo para devolver a locomoção “normal” a pessoas com deficiência. Jose Contreras-Vidal, um engenheiro biomédico da Universidade de Houston disse o seguinte à NBC depois da abertura da Copa:

“A demonstração não avançou a tecnologia. Certamente o nosso NeuroRex foi o primeiro e continua sendo o único exoesqueleto controlado pelo cérebro que permite a pacientes com lesões na medula espinhal a andar sobre o chão de maneira não-assistida, e conseguimos fazer isso com cerca de 10% de financiamento que o Dr. Nicolelis recebeu para desenvolver seu Exo.”

No Twitter, alguém apontou um vídeo do NeuroRex para Nicolelis e ele diz que a tecnologia é “diferente”, que o “nosso” exoesqueleto é o primeiro a dar feedback tátil e que vários dos seus modelos são controlados por joysticks. Ele se irrita facilmente com muitas das críticas nas redes sociais.

Há exoesqueletos mais baratos que não se ligam com o cérebro, mas recebem comando de outras formas; há as próteses inteligentes do MIT que se conectam a outras terminações nervosas. Vê-la em ação (fique até o fim do vídeo) me faz crer que esse caminho, sem capacetes ou estruturas gigantes, pode ser tão ou mais promissor para não apenas amputados, mas paraplégicos.


Link TED

E voltar a “andar naturalmente” não é exatamente a prioridade para todas as pessoas com problemas de locomoção. O jornalista Jairo Marques, que escreve um blog para a Folha, perguntou a 10 cadeirantes o que eles achavam do exoesqueleto. Metade acha que é desperdício, talvez porque as imagens que apareceram até agora são meio assustadoras.

Fernando Fernandes, atleta paraolímpico, disse: “sinceramente, para mim, benefício não é ficar de pé, mas, sim, qualidade de vida, ter a certeza que não irei correr risco de ter escaras (úlcera de pressão), não ter a necessidade de tomar remédios, de não sofrer dores”.

Nicolelis queria demonstrar um milagre, como se fosse a solução de todos os problemas. Não conseguiu porque, bem, milagres não existem. Não consigo imaginar quem ele possa ter inspirado com essa história, apesar de ele dizer que, em plena Copa, “200 milhões de pessoas estão debatendo neurociência”.

Não é verdade.

As pessoas estão pegando um assunto que elas não entendem (o exoesqueleto) e o usando para jogar o velho Fla x Flu de nacionalistas x viralatistas, PT x oposição, e por aí vai. A pesquisa parece ter sido o de menos. Quem mandou armar o circo?

Espero, do fundo do coração, que Nicolelis pare de gastar tempo respondendo trolls no Twitter, volte ao laboratório e continue a pesquisa. Mas que tenha a humildade de saber que ela é só um pedaço de algo maior, uma forma de atacar um problema, que talvez ninguém esteja aqui para ver o fruto, a demonstração final.

Talvez o futebol entre paraplégicos com exoesqueleto seja uma modalidade das Paraolimpíadas de 2036. Torço para isso. Mas o jogo inaugural é só um detalhe.

Pedro Burgos

Já escreveu para um monte de revistas, como Superinteressante, Galileu, Exame e VIP, e passou 3 anos como editor-chefe do Gizmodo Brasil. Atualmente, prefere compartilhar artigos conversando ao vivo, mas também seleciona boas leituras para estranhos na Newsletter do Oene. Lançou este ano seu primeiro livro, Conecte-se ao que importa — Um manual para a vida digital saudável.


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  • Anildo Fuhr Jr

    Excelente texto. Não tenho conhecimento aprofundado sobre a tal invenção, mais realmente assusta a primeira vista.

  • Alexandre Abreu

    Eu acompanhei o projeto e também fiquei muito decepcionado com a apresentação. Foi prometido muito e entregue muito pouco, esperava ver uma apresentação que inspirasse os mais jovens a se interessar por ciência, e o que vi foram 3 segundos não comentados pelos locutores. Acho que o problema não foi nem o ego do Nicolelis em si, mas que aquela não era a hora nem o lugar para a demonstração. As emissoras, os torcedores e a própria FIFA estavam pelo evento esportivo, a apresentação dele era secundária e nem estava no agendamento esportivo do evento. Também não culpo muito ele nos debates, creio que agiria parecido.

    • Pedro Burgos

      Eu não sei se você pode culpar os locutores por não terem comentado na hora. Você está lá narrando o que aparece na sua frente, e uma imagem que não dá para entender direito fica 2 segundos na tela. Como você, locutor, reagiria? Eu que tava assistindo, quando vi a cena de relance, falei “tão preparando o cara”. Acho que foi isso que podem ter pensado. Ninguém tinha certeza que aquilo tinha sido a demonstração completa. Ao vivo não é fácil.

      Sobre o ego do Nicolelis, de fato quem pode responder é apenas ele, só conjecturaremos aqui. Podemos achar que ele escolheu a abertura da Copa porque incentivaria mais gente a se interessar por ciência ou, por outro lado, porque seria um lugar com muitos holofotes. De todo modo, concordamos que não foi um lugar adequado.

  • agamemnonas

    O problema do Nicolelis é o ego gigante e a facilidade com que empresta seu bom nome a certa ideologia. Não poderia esperar nada menos que isso ao não entregar o milagre que prometeu. Falou demais, pagou o preço. Agora fica aí, nervosinho, a desqualificar que lhe critica com razão. Torço para que consiga, afinal, como não torcer? No entanto, o que tem de competência como cientista, tem de cretinice quando fala em política e empresta seu nome, ainda que indiretamente, para uso como associação positiva por determinado grupo político, de modo que, com relação à pressão que vem sofrendo, não tenho nenhuma dó – ainda que, repito, espere que dê tudo certo.

    • Bruno Soares Dos Santos

      Aposto que, fosse o seu grupo politico o beneficiado pelo “nome” do Nicolelis, você não estaria fazendo tal comentário. Ele é cientista, mas assim como qualquer cidadão tem o direito de ter sua opinião política e defender seus interesses. E em hipótese alguma isso deve ser usado por revistas contrárias a sua posição política para criticar seu trabalho científico. É baixo e oportunista, tipico de pessoas desesperadas.

      • agamemnonas

        Ora, isso não precisa ser usado para criticar seu trabalho científico, é apenas uma motivação a mais. A melhor crítica a seu trabalho é a evidência de que ele não cumpriu o que prometeu. É possível que ainda cumpra, e espero, com toda a sinceridade, que assim o faça, mas não cumpriu. Que as pessoas sintam-se mais motivadas para criticar e apontar o fracasso de um adversário político é coisa mais natural que chuchu orgânico. Azar o dele – ainda que, como disse, espero que dê tudo certo e que ele consiga, de fato, fazer paraplégicos andarem.

        “É baixo e oportunista, tipico de pessoas desesperadas.”

        Ora, isso não faz nenhum sentido. Qualquer crítica por ocasião de um erro de fulano ou beltrano é sempre, por definição, oportunista, porque aproveita-se da ocasião para criticar, já que a crítica, sem a ocasião do erro, jamais existiria. Papinho de “oportunismo” é sempre de duas, uma: dificuldade com as palavras, de modo que não percebe como a utilização de uma tal palavra é a própria condenação de toda e qualquer crítica, o que não é, evidentemente, razoável, ou hipocrisia, um modo fácil de devolver a crítica que lhe fazem. Guarde esse papinho de oportunismo e tranque-o a chave, para nunca mais usar.

  • Jean_csouz

    Legal ver um jornalista comentando sobre o assunto, porém gostaria muito mais que esse texto fosse escrito por um neurocientista, físico médico ou alguém da biomedicina. Sem querer menosprezá-lo, é claro, mas um jornalista não vai conseguir ver a profundidade, e passar num texto, do que um projeto desses representa.

    O primeiro erro claro em seu texto (entre alguns outros menores) é quando diz: ”Mas além do prazo exíguo, implantar eletrodos no cérebro de um voluntário seria arriscado. De acordo com a reportagem da Superinteressante que está nas bancas e disseca o assunto, os macacos-cobaias de Nicolelis morreram algum tempo depois, em parte, por causa dos implantes”. Pesquisas com chips implantados no cérebro já existem e tem um certo sucesso até aqui: https://www.youtube.com/watch?v=cg5RO8Qv6mc.

    A opção por utilizar EEG passa por outra questão. Apesar das intensas pesquisas sobre técnicas invasivas (a UNICAMP tem colaboração nessa parte), ainda é uma área muito nova e não muito atraente. Obviamente a preferência é por técnicas não-invasivas a invasivas nesse tipo de pesquisa. Chips no cérebro são bem mais utilizados para tentar entender da onde saem os sinais elétricos para diversas funções, devido a qualidade do sinal. Existem alguns humanos que implantaram esse chip no cérebro e ainda estão vivos (se não me engano o primeiro implante ocorreu há uns 12 anos atrás). A expectativa da pesquisa parece ser mostrar que técnicas não-invasivas podem ser utilizadas para recuperar os movimentos do corpo.

    Não jogue o EEG ou MRI no lixo. As pesquisas em torno dessas técnicas são extremamente ricas. O problema delas com relação as técnicas invasivas é a qualidade do sinal, porém o chip perde sua funcionalidade rapidamente – pelo menos isso mostra os resultados iniciais.

    Quanto ao resultado, não há como questionar. Quando você fala de outras pesquisas e alternativas, está cometendo uma gafe tremenda. A pesquisa dele, pelo menos a primeira vista, é diferente dessas. E, outra, mesmo que tivesse semelhanças não desmerece o projeto. A ciência não é sobre quem é o primeiro (embora alguns pensem assim), e sim sobre o crescimento do conhecimento da comunidade em si. Projetos equivalentes (ou não) não tiram o mérito do projeto – pelo menos no conceito científico. Vale ressaltar que o Dr. Miguel Nicolelis ainda não publicou os seus resultados em nenhum periódico.

    Apesar do fiasco na apresentação da copa, o próprio Nicolelis postou nas redes sociais seus pacientes andando e dando o feedback da sensação. Embora ele ainda não tenha publicado seus resultados (o que é muito mais importante do que fazer a apresentação na abertura da copa), sua pesquisa é única e diferente daquelas apontadas pela reportagem.

    O grande problema criado (até mesmo pelo próprio Dr. Nicolelis, e nisso eu concordo) foi o hype de que, logo após a apresentação, o exoesqueleto estaria a venda em todas as lojas por R$ 99,90. A pesquisa não gira em torno disso, mas sim conseguir resultados revolucionários – e isso, sim, foi alcançado para a área. Não importa que o exo seja grande e pesado, mas sim que foi possível coletar os dados através de EEG e, a partir disso, produzir os passos.

    Esse tipo de pesquisa não visa mercado, praticidade, facilidade, produzir em massa. Ela visa conseguir o resultado, dar o passo inicial para que, algum dia, alguém aproveite e consiga avançar ainda mais. Quando o próprio Nicolelis fala que o projeto não morreu, ele está coberto de razão. A apresentação da Copa parece que serviu muito mais para recolher investimentos privados (e justificar os 33 milhões) do que mostrar que tudo estava pronto e poderia ser vendido daqui a 2 dias.

    Saindo da clara mistura política no final do texto (não merece ser comentada e não agrega em nada a leitura), as respostas do Dr. Nicolelis aos colunistas foram grossas e impacientes, porém compreensíveis. Como já disse, jornalistas e colunistas não tem o aprofundamento necessário (seu texto tem um pouco, mas aquela matéria da Veja era inútil) para comentar o assunto e isso gera notícias falsas e opiniões superficiais e raivosas. Quem não ficaria irritado de ver alguém falando besteiras sobre o seu trabalho da carreira?

    • Pedro Burgos

      Eu não me aprofundei em algumas questões mais técnicas da pesquisa mais para resumir um pouco o pedaço da discussão que o texto se propõe, que é justamente observar o caminho que esse tipo de debate faz na internet, os argumentos que as pessoas usam, etc.

      Acho que em vários momentos falamos as mesmas coisas, só deixei mais resumido (dizer que implantar em humanos “seria arriscado” e “dar preferência por não-invasivas” é algo parecido, por exemplo). E você diz que eu escrevi coisas que não escrevi. Eu não joguei o EEG no lixo. Só apontei que a pesquisa do Nicolelis historicamente foi para buscar uma alternativa à EEG, e que ele preferia isso justamente por ter mais detalhes na captação. Enfim, não sei se errei muito aqui com as simplificações. Para uma análise levemente mais técnica (mas que, aparentemente pela sua visão, repete os mesmos erros), recomendo esse outro texto, de uma bióloga com mestrado em neurociência: http://ciencianamidia.wordpress.com/o-blog/

      E quando você diz que ao comparar o trabalho de Nicolelis com outras pesquisas eu cometo “uma gafe tremenda”, eu não entendi. Eu deixo claro que “Nicolelis não é o único que está fazendo algo para devolver a locomoção “normal” a pessoas com deficiência”. Ao longo do texto eu explico onde está o ineditismo do trabalho dele. O que eu argumento é que o FIM propalado (de devolver a mobilidade) é alcançavel por outras técnicas.

      Eu acho que a questão política é digna de discussão, e talvez não agrega à leitura para você porque você está interessado mais na discussão do mérito científico. Mas eu discordo com o “quem não ficaria irritado?”. Acho que todo mundo ficaria irritado, é claro, mas figuras públicas como ele tem que aprender a lidar de maneira mais elegante com as críticas. Imagina se alguns políticos ou mesmo jogadores de futebol fossem responder assim toda hora que alguém fizesse falsas acusações? Especialmente quando o trabalho dele está sob tanto escrutínio (não só de jornalistas que não entendem nada, mas de outros cientistas – http://www.technologyreview.com/news/526336/world-cup-mind-control-demo-faces-deadlines-critics/), ele poderia ser um pouco mais cabeça fria.

      • Jean_csouz

        A diferença é que essas pessoas são mais acostumadas a serem públicas, ao contrário de um cientista. Quem está no meio acadêmico nota a dificuldade que as pessoas da área tem em lidar com comunicação visando os mais leigos. Eu disse que ele pode não ter lidado bem com a situação, porém é compreensível, ainda mais considerando que ele é um cientista acostumado com a comunidade acadêmica.

        Com relação a discussão política, continuo achando irrelevante, pois você está misturando maçãs com laranjas. Existe política na ciência, obviamente, mas esse não deve ser o foco da discussão. Isso apenas atrapalha, tirando o foco de o porquê foi um fiasco.

        Novamente, eu acho que foi uma gafe devido a natureza da pesquisa. O Nicolelis queria mostrar (pelo menos a primeira vista) que é possível, através de EEG, fazer uma pessoa andar e sentir isso. Essa é a natureza, a essência do projeto e está sendo alcançado – falta a publicação dos dados para realmente ver o resultado disso tudo. A comparação, perguntar para um cadeirante, etc, é irrelevante, só fomenta um debate desnecessário. Por isso que eu disse que é uma gafe, pq não é o centro da discussão e, principalmente, não ajuda em nada a responder a pergunta que originou a maioria do texto: a culpa desse fiasco.

        Por fim, vc não falou a mesma coisa com palavras diferentes. Você disse que macacos morreram e deu a entender que isso leva ao risco de utilizar a técnica invasiva. Eu disse que não é por eles morrerem, mas sim a facilidade de utilizar uma técnica não-invasiva. São justificativas totalmente diferentes, em nenhum momento convergentes. Que eu saiba, esses chips são projetados (existem muitas pesquisas) para não trazerem complicações a longo prazo. O EEG e as técnicas invasivas não se excluem, se complementam.

        Um último detalhe. Eu não falei em detalhes técnicos, mas sim em entender a essência, entender o que é a pesquisa e saber passar isso da maneira correta e simples para um leigo. É difícil para um jornalista, pois ele não tem a formação necessária para entender alguns pontos – apesar de ter achado bom o seu texto.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        “Com relação a discussão política, continuo achando irrelevante, pois você está misturando maçãs com laranjas. Existe política na ciência, obviamente, mas esse não deve ser o foco da discussão. Isso apenas atrapalha, tirando o foco de o porquê foi um fiasco.”

        Mas Jean, se você acha que a discussão política se tornar um foco é algo ruim, você está apoiando a tese central do texto do Burgos, a meu ver.

        Ele não está misturando maças com laranjas. Está dizendo que as pessoas estão misturando maças com laranjas, abacates e melancias e que isso é ruim, que devemos primeiro gastar mais energia entendendo e conversando só sobre as maças (tomei a liberdade poética de tratar maças como ciência).

        Está justamente criticando como a maioria das pessoas pouco procurou entender do fato e de sua real natureza, gastando mais tempo defendendo teses políticas de que o culpado é Globo/Fifa/Governo/Oposição/Complexo de vira-lata brasileiro/etc etc etc.

        O artigo me parece então:

        - apontar a nossa falha ao conversar sobre o exoesqueleto

        - sugerir pontos básicos e não absolutos para começar um papo mais produtivo sobre o exoesqueleto e ciência em geral (listei aqui: http://papodehomem.com.br/o-que-o-exoesqueleto-do-nicolelis-diz-sobre-ele-e-nos-mesmos/#comment-1438766153 )

        E, a partir daí, conseguimos ter um chão compartilhado para nos aprofundar em pontos como os que você mencionou em seus comentários.

        * * *

        Por fim, se puder contar um pouco mais de sua experiência com o assunto, seja profissional ou não, seria uma ótima pra entendermos melhor de onde vem sua visão.

        Como vemos apenas um nick sem avatar ou maiores detalhes, rola uma impressão estranha.

        :-)

        Eu sou um leigo interessado apenas.

        abraço!

  • Effi

    Estas duas frases, mencionadas após a demonstração, me chamam atenção:

    1. “Estávamos informados que a pessoa iria levantar, caminhar e dar o chute na bola” – Diretor da Finep
    2. “O que foi prometido foi entregue” – Nicolelis

    Não poderiam ter se entendido antes?

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Textaço, Burgos!

    Conheci o Nicolelis em sua palestra no Fronteiras do Pensamento faz uns anos, em São Paulo. Como você, terminei fã, aplaudindo de pé e comovido.

    Vejo grandes méritos no seu artigo e aqui tomo a liberdade de compartilhar parte do que você mesmo já havia apontado por email como sua intenção:

    1) Explicar às pessoas como que as pesquisas científicas normalmente acontecem, que elas não são “coisas secretas”, e que ceticismo é algo bem bom,

    2) Explicar que os grandes “breakthroughs” da ciência raramente tem um “momento” midiático. É sempre um negócio incremental, colaborativo, etc. Então a expectativa que ele criou foi ruim.

    3) Explicar que o Nicolelis, apesar de um cara brilhante, não é o único a pesquisar isso. E aí eu posso incluir algumas memórias da minha entrevista com ele.

    4) E por último (na verdade essa é a tese central), falar de como o Nicolelis tá sendo “usado” para as pessoas provarem suas teses.

    Quem critica tem complexo de vira-lata, se a “Globo” (que deu mais espaço para o Nicolelis que qualquer emissora) não mostra é porque ela quer alienar o povo, quem sublinha o “feito científico comparável à chegada do homem na Lua” quer se mostrar mais intelectual, etc. As pessoas querem usar a relação com o fato, mas poucos querem entendê-lo em si. Mais ou menos como os rolezinhos, lá atrás.

    * * *

    Acho que esses quatro pontos, por si só, já são excelentes para abrirmos uma longa conversa sobre como melhor interpretar, acompanhar e entender ciência.

    No dia da abertura, aguardava o exoesqueleto dar o pontapé tanto quanto esperava por uma vitória brasileira – os amigos na sala comigo ficaram surpresos com minha fixação nessa história.

    Fiquei sem entender o que diabos aconteceu. Teria sido a FIFA? Maracutaia política? O próprio Nicolelis? Um conjunto desses e outros fatores desconhecidos?

    Teria uma curiosidade imensa de conversar direto com ele e poder entender em mais detalhes o que houve e quais os próximos passos do projeto. Acho incrível essa discussão ter ganho tamanho alcance e continuo admirando pra caralho o trabalho do Nicolelis.

    Me incomoda apenas o quanto o debate se transformou bate-rebate ideológico/político, como apontou, deixando a ciência em segundo plano.

    Como você, fico bem triste ao ver a postura do Nicolelis lidando com críticas e veículos levantando dúvidas saudáveis (achei a matéria de capa da super excelente).

    Entendo ser algo compreensível, mas me frustra ver comentários que reforçam a noção de que é ok sim ser bruto e ofensivo quando você é uma figura pública, conduzindo uma pesquisa com R$33 milhões de apoio governamental e seu projeto sofre críticas. Quase como se o sangue subir à cabeça fosse um mérito, uma prova de coragem e entrega à causa.

    grande abraço

  • Matheus Sousa

    Meus parabéns a vc Pedro Burgos, pela exposição incrível de tantos detalhes a respeito desse fato.Comecei a ler e fiquei surpreso com a riqueza do texto até vc revelar que é mais engajado na parte da ciência.
    Belo post. Um fato que parecia só ser discutido superficialmente explorado mais a fundo.

  • Pingback: Recorte de 17/06/2014

  • Ivan Lima

    Alguem sabe se o Exo tem a ver com esse link mesmo..?

    http://www.bbc.com/future/story/20130311-ten-military-mind-experiments

  • Luci Ried

    Excelente texto…colocações bastante petinentes.

  • Pedro Burgos

    A diferença é gigantesca e mostra justamente porque ciência de ponta, de uso prático, não é algo muito adequado para grandes arenas. A tecnologia de jetpack usada na abertura das Olimpíadas de 1984 já existia desde, pelo menos, 1964. O Bill Suitor, o cara que voou na abertura, já tinha mil vôos com o negócio.

    O exército já havia desistido por não achar aplicações práticas. Ninguém quis apresentar o jetpack como exemplo de avanço da ciência. Era, é, e aparentemente sempre será (a não ser que você esteja no espaço) algo apenas para fins lúdicos. Isso já foi usado até no carnaval.

    A proposta do Nicolelis é muito, muito mais complexa, e não é tão madura em nenhum lugar do mundo. Ainda que o jetpack tenha um efeito visual incrível, não é um exemplo de avanço científico.

  • http://blog-do-lucho.blogspot.com/ Lucho

    Ser criticado por esse gibiliznho divulgador de pseudociência que é a Super(des)interessante é o maior dos elogios.

  • http://blog-do-lucho.blogspot.com/ Lucho

    Esse exoesqueleto? Fazer com que uma pessoal paraplégica possa um dia andar? Dar e trazer esperança a essas pessoas?

    Isso não é nada. Isso é besteira pura, como disse os jeneaus Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi e o jeneau jenealíçemo Roger Moreira (e eu achando que na Mensa só tinha gente inteligente. De que adianta ter QI alto?).

    Da próxima vez, o Nicolelleis deveria projetar um exocérebro para ser usado por esses três aí e por todos os seus lambedores de cu (inclusive alguns deles deixaram seus comentários nesse texto).

    • agamemnonas

      Você age com uma ignorância homérica e tem a pachorra de ironizar a inteligência de um Reinaldo Azevedo, que sabe de política, direito e cultura o triplo que toda essa lista de comentários junta, bastando que se leiam seus textos para que se comprove este fato.

      A crítica ao Nicolelis é porque ele não entregou o que prometeu. A crítica é porque ele buscou tirar dividendos políticos para o grupo que apoia de algo que, no fim, não foi capaz de entregar.

      É possível que ele consiga um dia. Na verdade, eu e todos estes que você citou esperamos que ele consiga – só um psicopata seria contrário à descoberta de uma solução para a paraplegia por questões políticas menores, minúsculas, de ocasião e eleição. No entanto, o fato é que ele não cumpriu o que prometeu, e, por conta de sua atuação política, paga o preço justo do erro. Não atuasse politicamente e não fosse tão grosseiro, certamente teria contado com maior compreensão, mas não é o caso dele. É um preço justo.

  • Cleberson Pertile

    Assim como o 14-BIS, a tecnologia por trás do exoesqueleto (seja o de Nicolelis ou não) é uma coisa promissora que me traz esperança.

    Tecnologia, em si, é algo que me fascina. Eu vejo hoje uma criança cega aprendendo a caminhar com bastão, e imagino que, talvez, quando ela vire um adulto, ela possa ter acesso a uma câmera que se conecte diretamente ao seu nervo óptico e gere as imagens diretamente no seu cérebro (tal tecnologia existe).

    Ou, que um paraplégico tenha acesso a um exoesqueleto impresso em 3D controlado por impulso cerebrais que o faça caminhar normalmente.

    E o que dizer sobre pacientes em coma que se comunicam com os olhos (entendem os arredores, mas não conseguem interagir com o corpo)? E se um implante cerebral pudesse captar toda a atividade mental que não é repassada aos músculos e fosse transmitida para um exoesqueleto e um sintetizador de voz (Stephen Hawking que o diga), não seria bacana?

    Tirando cada vez mais a parte fisíco-humana da brincadeira, entram os amputados. Próteses mecânicas controladas por impulsos nervosos normais e com feedback tátil, que tal?

    Continuando nessa linha e brincando um pouqinho de ficção: e se um dia descobrirmos como armazenar nossa mente/consciência/pensamento de forma digital da mesma forma que armazenamos um documento de texto? Poderíamos virar um pen drive. Quando nosso corpo não responder mais, plugue o pen drive num robô, e aí estamos nós. Máquinas com cérebro de gente. Já que hoje já estamos conseguindo controlar mecanismos robóticos com a mente, o que impede que um dia sejamos apenas isso, controladores de mecanismos robóticos?

    Até porque nosso corpo é apenas uma extensão física da nossa mente. Não são nossos olhos que enxergam: é o cérebro. Não são nossas mãos que sentem o toque, é o cérebro. Nosso corpo é apenas o *transmissor*, tanto que existem brincadeiras nas quais você “engana” seu cérebro pra fazer pensar que uma mão falsa é sua mão verdadeira.

    Eu me sentiria meio bobo em postar um comentário desse 10 anos atrás. Mas, considerando que hoje estamos presenciando tecnologias que antes eram ficção científica, não me acho bobo; apenas um cara com imaginação fértil.

    Em tempo: que época pra se estar vivo.

    • Paulo H. Lopes Aguiar

      Parabéns, Pedro! Muito bom o seu texto… mas novas informações estão obscuras e vão surgindo a todo instante.
      Segundo o discurso do Lula (Hoje), só filmaram 29 segundos (imposição da FIFA). A globo só exibiu 9 segundos (outra imposição de alguém?). Por algum motivo, o chute só foi divulgado aqui no Brasil.

      O texto é bom, disserta bem sobre o tema, cita ótimas
      referências, mas acredito que tem muita coisa por trás disso que ainda
      não sabemos. Nesse ponto, apesar de crítico, o texto ainda deixa sem
      resposta algumas questões para os olhares mais críticos… Mas claro! Se vc
      soubesse de tudo teria colocado no texto, né?! rs Essa pequena ironia é
      só pra levantar a bandeira de que, apesar de bem argumentado o texto,
      tem muita informação que pode mudar completamente as suas opiniões nos próximos dias ou com novos dados. Como já defendido por Vigotsky: a sua opinião não é sua! ela é fruto de tudo que você viveu, presenciou, observou e aprendeu. Então, para ficar mais completo, faltou só uma frase nesse sentido. Isso vai totalmente ao encontro de alguns argumentos que você usa no seu outro texto intitulado: “Por que compartilhamos”? . Novamente, parabéns pelo texto. Mas se é que vale, esse foi os meus dois cents sobre a sua opinião da polêmica…

  • Paulo H. Lopes Aguiar

    Parabéns, Pedro! Muito bom o seu texto… mas novas informações estão obscuras e vão surgindo a todo instante.
    Segundo
    o discurso do Lula (Hoje), só filmaram 29 segundos (imposição da FIFA).
    A globo só exibiu 9 segundos (outra imposição de alguém?). Por algum
    motivo, o chute só foi divulgado aqui no Brasil.

    O texto é bom, disserta bem sobre o tema, cita ótimas
    referências, mas acredito que tem muita coisa por trás disso que ainda
    não sabemos. Nesse ponto, apesar de crítico, o texto ainda deixa sem
    resposta algumas questões para os olhares mais críticos… Mas claro! Se vc
    soubesse de tudo teria colocado no texto, né?! rs Essa pequena ironia é
    só pra levantar a bandeira de que, apesar de bem argumentado o texto,
    tem
    muita informação que pode mudar completamente as suas opiniões nos
    próximos dias ou com novos dados. Como já defendido por Vigotsky: a sua
    opinião não é sua! ela é fruto de tudo que você viveu, presenciou,
    observou e aprendeu. Então, para ficar mais completo, faltou só uma
    frase nesse sentido. Isso vai totalmente ao encontro de alguns
    argumentos que você usa no seu outro texto intitulado: “Por que
    compartilhamos”? . Novamente, parabéns pelo texto. Mas se é que vale,
    esse foi os meus dois cents sobre a sua opinião da polêmica…

  • Pedro Burgos

    De fato o ranço de outros pesquisadores sobre ele têm diversas razões de ser, e não só o estilo “centralizador”. Além da lógica da CAPES (que eu concordo com a crítica dele), ele tem uma teoria interessante sobre concursos públicos para pesquisadores e professores universitários. Ele diz que o Brasil é o último país a fazer isso. E eu concordo. Ele tem ótimas críticas sobre essa nossa máquina engessada de pesquisa.

  • Alcides Renofio Neto

    Vim parar aqui pela quantidade de pessoas interessantes do meu feed no Facebook compartilhando seu texto e realmente, parabéns, deu pra matar um pouco de saudades do jornalismo!

  • Frank Alarcon

    Para alimentar a discussão sobre MICOlelis.

    https://www.youtube.com/watch?v=lQ_ysnHOMqU

  • Pingback: Abertura da Copa | junimba | Experiência de Eventos

  • Pedro Burgos

    Sobre a mídia, eu acho que eles não falaram mais no intervalo literalmente porque não deu tempo. Acho que a cobertura foi bem elogiosa. Veja essa matéria no Fantástico, por exemplo: http://g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/exoesqueleto-que-brasileiro-com-paralisia-vestira-na-abertura-da-copa-chega-a-reta-final/3294006/

    Ou essa do UOL: http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/ciencia/2014/04/30/voluntarios-andam-e-testam-chute-com-exoesqueleto-diz-nicolelis-veja-foto.htm

    E sobre a questão do Nicolelis para a Ciência & Tecnologia, eu faço essa ressalva no texto de que ele é importante, sim. E, veja, eu sou bem simpático a ele e às pesquisas dele, ao instituto de neurociências em Natal, etc. Mas eu acho que, ao contrário do avião, algumas tecnologias deveriam ser projetadas desde o início para o uso não-comercial. Pense, talvez, em máquinas de hemodiálise ou algo assim.

    Eu não vejo tanto a questão da “soberania nacional”. Até porque esse projeto é bastante transnacional, apesar da bandeira brasileira, há gente de vários países e lá fora o Nicolelis é bem mais associado à universidade de Duke, onde ele fez pesquisas a vida inteira, do que ao Brasil.

    Acho que a gente tem que valorizar o projeto dele, e gente assim traz mais emprego importante para o País e tudo. O que eu defendo aqui é que o Nicolelis teria dificuldade em fazer uma demonstração pública do que ele quis fazer em absolutamente qualquer país do mundo. Porque a tecnologia ainda não está madura o suficiente. E acho que isso não tem a ver com o Brasil especificamente, ou com a nossa possível falta de valorização da ciência. O que você acha?

    Abraço,

  • Pingback: Andar ou chutar a bola, eis a questão? | Guia Inclusivo - O guia da pessoa com deficiência

  • Paulo H. Lopes Aguiar

    Parabéns, Pedro! Muito bom o seu texto… mas novas informações estão obscuras e vão surgindo a todo instante.
    Segundo
    o discurso do Lula (Hoje), só filmaram 29 segundos (imposição da FIFA).
    A globo só exibiu 9 segundos (outra imposição de alguém?). Por algum
    motivo, o chute só foi divulgado aqui no Brasil.

    O texto é bom, disserta bem sobre o tema, cita ótimas
    referências, mas acredito que tem muita coisa por trás disso que ainda
    não sabemos. Nesse ponto, apesar de crítico, o texto ainda deixa sem
    resposta algumas questões para os olhares mais críticos… Mas claro! Se vc
    soubesse de tudo teria colocado no texto, né?! rs Essa pequena ironia é
    só pra levantar a bandeira de que, apesar de bem argumentado o texto,
    tem
    muita informação que pode mudar completamente as suas opiniões nos
    próximos dias ou com novos dados. Como já defendido por Vigotsky: a sua
    opinião não é sua! ela é fruto de tudo que você viveu, presenciou,
    observou e aprendeu. Então, para ficar mais completo, faltou só uma
    frase nesse sentido. Isso vai totalmente ao encontro de alguns
    argumentos que você usa no seu outro texto intitulado: “Por que
    compartilhamos”? . Novamente, parabéns pelo texto. Mas se é que vale,
    esse foi os meus dois cents sobre a sua opinião da polêmica…

  • Pingback: Keep walking, Nicolelis | Fifa World Cup

  • Luís Felipe Xavier

    Não entendi como menosprezo. Aliás, parece inclusive que o supostamente “atacado” também não o entendeu desse modo.
    Sim, há coisas erradas e não é preciso ser um cientista de ponta para chegar até essa conclusão, no entanto, é indiscutível que alguém cujo o foco é a pesquisa e desenvolvimento do tema e não a busca de informações sobre o mesmo, possui um conhecimento mais profundo a respeito.
    Eu poderia sugerir um trabalho em equipe! Talvez alguém que desenvolve um trabalho assim, embora profundamente conhecedor, não seja tão capacitado para atingir o público leigo como um jornalista, caso do autor do texto.

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  • Pingback: Quiet Readings #17 | Mutátil | Campinas-SP

  • Show The Exo

    A causa tem muito valor.
    Essa briga PT x Oposição não é mesmo o ponto.

    Veja neste canal algumas perguntas que Nicolelis deixou no ar.
    Algumas você apontou, outras estão aí…
    https://www.youtube.com/channel/UC0lwQnBUOKlkgjuIrv3tf2w

    vídeos novos e detalhados…

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