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O que estamos fazendo? [Julho/2012]

Fabio Bracht

por
em às | O que estamos fazendo, PdH Shots, QG, Relatos


Todas as estradas que percorremos nos levam a algum lugar. Essa é a metáfora perfeita para a vida. Uma série de caminhos e uma série de lugares nos quais a gente chega, toma água, se estica um pouco, mas logo já quer seguir em frente. Eternamente. 

O que frequentemente esquecemos de fazer é uma coisa banal: parar e olhar para baixo. Em que chão estamos? Como viemos parar aqui? E, ok, daqui pra onde?

O texto “O que estamos fazendo?” do mês passado serviu para que todos nós (equipe do PdH + leitores) fizéssemos essa breve reflexão em relação àquele momento. E hoje estamos de novo.

Até mês que vem, onde todos nós estaremos pisando em chãos diferentes.

Fred Fagundes

Há um trecho do filme Garden State que diz: “Talvez uma família seja um grupo de pessoas que sentem falta do mesmo lugar imaginário”. Eu cheguei a um ponto de São Paulo onde o que está a minha volta não é meu lar. O que eu busco é reencontrar esse sentimento de um lugar que nunca existiu. E se nunca existiu, o mais importante: construi-lo.

Estou voltando.

Garden State

Roberto Del Grande

Tenho buscado muito a paz de espírito, lendo mais, desenvolvendo a minha espiritualidade. Depois que descobri, recentemente, uma doença e os problemas relativos a ela, comecei a dar importância para outras coisas na vida. Tenho valorizado ainda mais meu trabalho e voltado para as atividades físicas.

Tenho tentado viajar mais, ver mais minha família, meu filho. Estou praticando mais o silêncio, tenho escutado mais e falado melhor. Além disso, estou aprendendo a ter uma vida conjugal de verdade.

Gustavo Gitti

Estou me distraindo e perdendo tempo.

Jader Pires

Santa Maloca Hostel cresceu, e por isso estou botando a mão na massa.

Aumentamos de tamanho, ficamos com o dobro de espaço… e o dobro de trabalho. Foi um mês interessantemente trabalhoso. Tivemos que abrir um buraco para ligar uma casa a outra, botamos uma escada, pintamos a casa todinha, a escada inteirinha, passamos massa no buraco, lixamos, botamos um box no banheiro, pintamos alguns azulejos pra ficar quadriculado (ficou uma cara meio “ska”, manja?). Acoplamos um espelho grandão, a pedido das menininhas que passaram por aqui nos últimos meses.

A gente colocou mesa na salinha nova, um sofá-cama adornado com umas almofadas quadradas, uns futons estilosos. Ficou gostoso de ler lá, ficou aconchegante de pensar na vida lá.

Por mais primárias que sejam todas as benfeitorias, ficamos muito orgulhosos de tudo ter sido feito com as nossas mãos, um fardo aniquilado por nossos braços. Tá tudo ficando lindo, a casa toda tá gostosa. Tudo culpa nossa.

A gente fez o que tinha que ser feito. Algo para se comemorar e se orgulhar.

Santa Maloca Hostel

 

Fabio Rodrigues

Sigo conduzindo encontros de meditação e estudos no CEBB Joinville aos domingos. Nos últimos meses tenho conseguido também manter uma rotina “solo” minimamente regular de prática e estudos. Estou bem feliz com isso.

Em fevereiro deste ano comecei a treinar Wing Chun com o Dai Si-hing Gil Eanes. E mesmo com uma regularidade nada invejável, isso me tem feito muito bem. Treinei um estilo parecido há uns 14 anos. Eu gostava muito e mesmo assim, não entendo bem porque, nesse tempo todo fiquei sem treinar nada. Até que no final do ano passado, na Cabana PdH, o Alberto Brandão desafiou o Guilherme Valadares a procurar no mesmo dia uma academia de artes marciais e marcar uma aula experimental. Eu tomei o desafio pra mim, encontrei o contato do Gil no google, e pronto. E essa relação tem se desdobrado numa amizade rara e em muitas outras ações paralelas. Uma delas foi o 2º Cabana-Do.

Sigo tocando com a banda Vacine, também numa regularidade nada exemplar. Depois de um ano e meio parados, todos com agenda atrapalhada, estamos conseguindo nos reunir pra ensaiar de vez em quando. Mesmo assim a coisa anda, e logo vai dar pra marcar alguns shows novamente. Aliás, gosto muito de música e tenho vontade de me envolver em algum outro projeto/banda. Toco guitarra e, principalmente, baixo. Aceito convites, inclusive.

Tem acontecido umas mudanças bem grandes e rápidas por aqui no PdH/Cabana, e isso tem aberto espaço pra várias outras iniciativas. Mas outra hora eu conto. ;-)

Luciano Ribeiro

Estou morrendo.

Esta semana me mudei para São Paulo, e isso significa que tive de abandonar todas as atividades que executava em Belém – cidade onde eu morava. Esse processo me fez pensar bastante na sensação que deve ser a morte. Imaginem comigo: ter de largar estudos, projetos pessoais, amigos, banda, família e até mesmo suas coisas. Sem poder levar nada. Se ver lembrando de todos os momentos que teve com essas pessoas naquele território onde se sente seguro, acolhido, onde sabe que vai ter sempre alguém esperando. De repente, nada disso mais ao seu redor. Tudo acabado. Fim.

Imagino que a morte deve ser o momento supremo de apego. Se já foi difícil deixar para trás minhas coisas numa simples mudança de cidade, o quanto será que não estarei fodido diante da morte?

Mas, claro, há também um lado extremamente positivo. Ao ver todas essas coisas acabadas, posso pensar em novas possibilidades, hábitos, lugares, projetos e tudo mais que vier. Então, que venham.

Rodrigo Cambiaghi

Voltei a tocar contra-baixo e ensaiar com a minha antiga banda.

Apesar de ter ouvido inúmeras vezes frases como “eu não consigo escutar o baixo na música” e “baixista é o guitarrista que não aprendeu a tocar direito”, sempre tive um baita tesão pelo instrumento e pretendo tocá-lo até meus últimos dias.

A parte ruim de ser baixista é que pra você realmente se divertir você precisa tocar com a banda, ou no mínimo com um guitarrista.
Tocar contra-baixo sozinho, irrita tanto quem toca quanto quem ouve, mas faz uma falta do caralho para a banda ensaiar sem um baixista.

Os ensaios são uma terapia para todos. As portas do estúdio se fecham, desligam-se os celulares, e o mundo lá fora deixa de existir. Durante as próximas duas horas, a única preocupação são as próximas notas do compasso e a integração.

Quanto ao som, temos tocado Pearl Jam, Steve Ray Vaughan, Foo Fighters e o bom e velho Red Hot Chili Peppers. Afinal, todo baixista precisa do seu momento de glória no palco.

Cambi e os hipsters

Alex Castro

Estou amando. Comecei a namorar em junho e estou feliz e apaixonadinho. O amor dá uma onda e uma disposição tão grande que comecei enfim a tocar uma série de atividades há muito adiadas.

Voltei a malhar na academia. Estou indo quase todo dia, alternando séries de pernas e braços.

Comecei uma oficina de dramaturgia no CAL, para aprender melhores técnicas tanto de escrita teatral (minha paixão) como cinematográfica. Quem sabe isso não se reverte em uns roteiros de curtas aqui para o PapodeHomem?

Vou me juntar a um grupo de caiaque no mar, uma das minhas atividades preferidas. Comprar um caiaque foi a primeira coisa que fiz com o primeiro dinheiro honesto que ganhei. Escrevendo, claro.

Antes disso, devo operar os olhos pra tirar o resto de miopia que voltou depois da minha primeira operação de 1996. Fazer esportes aquáticos de óculos é um saco.

E continuo meditando no templo zen de Copacabana.

Fabio Bracht

Há quase dois anos, acabou um relacionamento muito longo, que eu realmente acreditava que seria eterno — até que ficou óbvio que não seria (até porque nada é). Daquele momento em diante entrei de cabeça na identidade de solteiro. O máximo de festas e o mínimo de compromisso.

Estava massa.

Até que eu conheci ela, há algumas semanas. E o que tenho feito desde então é me dedicar a gostar dela. Fazia tempo que eu não brincava dessa coisa de me dedicar emocionalmente a alguém, com todos as felicidades e aflições envolvidas.

Está mais massa ainda. <3

E você?

Em que chão está pisando?

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal. [Facebook | Twitter]


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  • Fernando Diomar

    Continuando tudo que um dia iniciei, voltei a estudar, a praticar esportes (não com a frequência que gostaria), me dedicando ao nascimento do meu primeiro filho, e quem sabe volte a fazer aulas de violão.

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    fred indo, luciano vindo, eu e bracht amando. ô beleza.

    aliás, fred, voltar pra casa foi a melhor coisa q já fiz na vida. seja feliz, cara.

  • http://www.facebook.com/eduardokolberg Eduardo Jardim

    Fabio, engraçado que a frase inicial do seu texto foi quase exatamente a mesma que me veio na cabeça ontem enquanto caminhava. Estranhas coincidências!

    Enfim, tenho me dedicado a, digamos, “ampliar o chão” aonde piso. Voltei a estudar novamente, penso em frequentar aulas de contra-baixo outra vez no 2º semestre e estou em vias de mudar de cidade (de Curitiba para São Paulo). Mas as vezes me vejo pensando se não estou querendo coisas demais, e desvalorizando o que já tenho.

  • Alberto

    Legal, trabalhando ninguém tá né?

    • Luciana_Marques

      Hahahahahahaha

      tá sim… tá sim…

  • Reysi Pegorini

    Que bonitinho os apaixonados *-* Esse mês tô ESTUDANDO, bem mais do que estudava antes. Desativei facebook, vou as 8 pro laboratório e só saio de lá as 17, até sábados e feriados, estou empenhada,em agosto será minha aula de qualificação, onde defenderei um ano de trabalho já realizado e preciso estar centrada e focada no trabalho. Pra depois ter 20 dias lindos de folga ao lado da minha família no meu Mato Grosso querido =)

  • http://twitter.com/Felipauskas Felipe Villanova

    Me sinto completamente igual ao que o Luciano descreveu. Estou na mesma situação e me mudando para SP no final do mês. Apesar de já ter morado em 5 cidades diferentes, nos últimos 5 anos, agora parece que é diferente. Não sei explicar o por que, mas me identifiquei e muito com o que o Luciano escreveu.

    Parabéns, bro.

  • Alfredo

    To quase na mesma sintonia que o Roberto Del Grande, tirando a questão da “vida conjugal de verdade”, pq isso ainda ta uma verdadeira bagunça pra mim. Mas enfim, mudei de SP, melhor cidade do mundo, pra vir morar no Estado de Goiás, viajando bastante ainda pelo Brasil e é isso.

  • Luciana_Marques

    Ao PdH: muito legal atualizar esse lance de “o que estamos fazendo”! A identidade de cada um que fala pouco importa (apesar de ser legal saber), gostoso mesmo é o dividir experiências.

    Quanto a mim, o chão que pisava eu marretei e destruí… agora estou na fase de identificar como reconstruí-lo…

  • http://tulejur.wordpress.com/ Cassio Cons

    E a clássica estopa amarrada no degrau onde todo mundo se bate, na escada do Santa Maloca.

    Eu me dedico a terminar a minha monografia, a planejar uma viagem de duas semanas entre França e Itália para o mês que vem, quando a minha mãe vem visitar, e a amar, mas este último não é novidade…

  • http://www.facebook.com/people/Ve-Arantes/100000113413898 Ve Arantes

    Wow… Me fez pensar muito!
    Tenho pensado em voltar a estudar, em abandonar o sedentarismo, em trocar de emprego, de cidade, em me dedicar a gostar de um alguém, em cuidar das minhas crises espirituais…
    É tanta chão torto, que tenho medo de pisar!

    …Mas alguém me avisou pra eu pisar nesse chão devagarinho!….

  • Iozzi

    O Gitti não trabalha não? haha

  • Jarbas Rezende

    Não sei o que vocês parecem querer medindo pedaços de vida, tipo colcha de retalhos saca? Mas pelos relatos que posso imaginar da grande maioria hoje por aí, eu que será o mesmo de muitas mesmas coisas de novo, como esta absurdamente escrachado no último relato, achar o amor eterno, dedicação-exclusiva-desilução-desamor-novo amor eterno… Dejavú!? Ou pisar em chão já batido por puro masoquismo! Deixando um qué de vida ciclica sem saída! Argh gosto amargo na boca.

  • http://www.facebook.com/rayane.luiza.92 Rayane Luiza

    O Fred está fazendo exatamente o que eu fiz há 40 dias,
    buscar este sentimento, construí-lo.

    Contraditoriamente, me veio o sentimento que o Luciano Ribeiro descreveu.
    Abandonar raízes em busca de uma nova vida.

    Não titubeio na questão de ter sido a melhor decisão a tomar, eu teria
    “n” opções naquele momento, porém era a decisão que cabia a meu
    profissional, pessoal e espiritual.

    Agora há um sentimento continuo de erupção, meu profissional e pessoal explodindo, me
    exigindo ao máximo e eu mergulho nesta fase de cabeça. Aos poucos consigo conciliar
    com o que o Gitti disse: “Estou me distraindo e perdendo tempo”.

    Abraços, “bão” de mais o post.

  • http://www.facebook.com/renan.santos.777701 Renan Santos

    Conclui o mestrado em Farmacologia recentemente (maio), sou farmacêutico, mas nunca exerci a profissão de fato. A área acadêmica científica fez meus olhos brilharem logo no início da graduação. Tenho um namoro fixo há pouco mais de três anos. Sou de São Paulo, pouco mais de um mês ela mudou-se para Curitiba para se inserir no mercado de trabalho na qual é apaixonada, farmácia hospitalar (somos da mesma turma de graduação). Diante disso, estamos oficialmente em um namoro à distância. No entanto, nos vemos praticamente todo fim de semana, confesso que isso melhorou a relação. Diminuiu a cobrança e quando nos encontramos, parece que a “faísca” está muito mais forte. No mês de agosto darei inicio ao doutorado e também começarei lecionar aulas em um curso técnico. E logicamente, terei que conciliar com as aulas do curso de inglês que faço já faz três anos. Esse semestre que se inicia, terei que conciliar todas essas tarefas com idas e vindas à Curitiba (diga-se de passagem, cidade belíssima). Essa segunda metade de ano tende a ser bastante corrido!

    Abraços de um leitor assíduo do PdH

  • Aleciana

    Cadê o Rodolfo???

  • Tamara

    estou com 24 anos, casada, cursando segundo perido de contábeis, e trabalhando em um escritório…Quero continuar casada( não sei se conseguirei, tem outra no páreo), quero continuar estudando e trabalhando…
    desanimei agora :( a única mudança a vista é eu perder meu marido…

  • Johnny Becker

    Estou me distraindo e perdendo tempo².

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Oh! Que bacana, o amor está no ar.

    Aprendi a preparar o drink à base de absinto, Orange-Lemon Absinthe, se estou feliz com, isso!? Claro!

    Este mês, estou de férias do trabalho, do caos, e do mau humor que o trânsito de Goiânia me provoca.

    Pisando em solos distantes do que costumo pisar. Ta sendo uma experiência, única. Muito gratificante, principalmente para o meu emocional.

    Beijos garotos, sucesso e pouco juízo.

  • Nina

    Que meigo, rapazes estão amando. :)

    Estou nessa onda de solteira convicta há quase 3 anos, mas chegou alguém para estremecer minhas bases, mas ao contrário do Fábio eu tô relutando, vou aguardar os próximos capítulos.

    Estava (re)lendo umas frases do Shuntyu Suzuki e tem uma que parece se encaixar com o momento do Luciano “Quando perdemos o equilíbrio, morremos, mas ao mesmo tempo evoluímos, crescemos”.

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