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O que aprendi ao passar pela maior tragédia natural da história do Brasil

Vítor Barreto

por
em às | Artigos e ensaios, Cabana no PdH, Colunas, PdH Shots, Relatos


Em janeiro de 2011, como muitos devem saber, Teresópolis e outras cidades da região serrana do RJ passaram pela maior tragédia natural da história do Brasil. E isso porque a pilantragem e a política diminuíram ao máximo as dimensões do evento.

O que eu observei de mais interessante foram as reações das pessoas a essa realidade dura e inesperada.

Eu estava lá, no dia

Chamo o evento apenas de “a tragédia”, e ela ocorreu durante a madrugada. Na manhã seguinte, pessoas enlameadas começaram a ser vistas pelas ruas, como zumbis. Elas buscavam alguma coisa. Qualquer coisa. Umas buscavam o hospital, outras buscavam água, outras simplesmente queriam sair de onde estavam, de qualquer forma que pudessem.

Começamos a ouvir rumores que bairros inteiros tinham sido destruídos, que nada havia sobrado. Tudo muito triste.

Ao longo do dia, a visão de dezenas de helicópteros (marinha, polícia de São Paulo, redes de TV etc) e ambulâncias circulando confirmaram a gravidade da situação.

Só se falava nisso. Em todo lugar víamos pessoas chorando. Quase todos tinham amigos perdidos ou que perderam alguém.

Houve boatos de arrastões e assaltos. A Força Nacional veio para a cidade. Gente armada em todos os cantos. Carros correndo com policiais pendurados com metralhadoras em punho. Cena de filme. Filme de terror.

O IML de Teresópolis fica na delegacia. Comporta cerca de seis corpos.

Em frente à delegacia foi preciso ocupar um galpão vazio (onde era uma igreja evangélica) para se colocarem os mortos encontrados nos primeiros dias. A delegacia fica na avenida principal da cidade. Praticamente todo o trânsito de quem chega na cidade passa por ali. E é também meu caminho pra casa.

Em um ou dois dias, o cheiro podia ser sentido à distância. Eram dezenas de mortos. Mais alguns dias e eram centenas. Alugaram caminhões frigoríficos de transporte de pescados para se alojarem os corpos e restos mortais.

Os números oficiais alegam que foram cerca 380 mortos em Teresópolis. Amigos que foram voluntários (dentistas e advogados, por exemplo) que auxiliaram nos trabalhos de identificação e catalogação dos mortos perderam a conta em muito mais do que isso.

Cães farejadores, orgulho e raiva

Há poucos dias, as chuvas castigaram Teresópolis novamente. Foram 5 mortos e quase 1000 desalojados/desabrigados. Desta vez, a chuva atingiu outra parte da cidade (a região onde moro).

Nota-se, com muita facilidade, o desânimo e a tristeza da população. Relembrar aqueles dias de 2011 é horrível.

Em um livro do Chuck Palahniuk (Mais Estranho que a Ficção, uma coletânea de histórias reais) há um texto chamado Bodhisatvas. Nele, uma socorrista relata como os cães de resgate se sentem ao sentir o cheiro de sobreviventes ou o cheiro de morte. Ao sentir o cheiro de sobreviventes, os cães reagiam com euforia. Com o cheiro de morte, por outro lado, eles se abalavam, punham o rabo entre as pernas e ganiam. Na interpretação da socorrista, eles sentiam como se um deles (um membro da matilha) tivesse morrido.

Sinto como se aqui, dadas as devidas proporções de intimidade e contato, ocorresse o mesmo, mesmo que por um período curto de tempo, às vezes alguns instantes.

Tenho tentado perceber de que maneira sentimentos diferentes brotam e como eles se manifestam em situações como essa.
Há uns dez anos li um ótimo livro da Susan Sontag (Diante da dor dos outros) em que ela fala:

“Nós” – esse “nós” é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram – não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos na verdade, imaginar como é isso. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. É isso o que todo soldado, todo jornalista, todo socorrista e todo observador independente que passou algum tempo sob o fogo da guerra e teve a sorte de driblar a morte que abatia outros, à sua volta, sente de forma obstinada. E eles têm razão.

É estranho me imaginar na posição de alguém que observou isso ao mesmo tempo de perto (comparado ao resto do Brasil) e de longe (comparado às vítimas e socorristas).

Percebi, em todo tipo de pessoa que, como eu, viveu de alguma forma aquela tragédia:

1. Um orgulho estranho em saber, em primeira mão, as informações mais importantes ou as confirmações mais trágicas.

– Minha empregada perdeu os pais, os irmãos, os filhos e ainda teve que ir reconhecer a prima, pela metade no IML.
– Pior meu cunhado, que resgatou o corpo de três crianças, abraçadas, nuas e mortas debaixo de um carro…

2. Um sentimento competitivo quando os noticiários informavam o número de mortos.

“Friburgo tem 300 mortos?! Teresópolis já tem mais que isso, gente, que absurdo! Eles estão é escondendo as informações…”

(O pior é que acontece mesmo isso, de informações serem escondidas.)

3. Raiva. O prefeito demorou a se pronunciar. As buscas foram suspensas quando ainda se sabia que havia mais corpos. O dinheiro da ajuda sumiu. Alguns donativos foram desviados. Comerciantes aumentaram o preço de velas, vassouras e água a números absurdos. Jornais inventaram novos dramas onde obviamente não era necessário…

4. A compaixão. Pessoas que nem imaginávamos fazendo isso se enfiaram na lama para ajudar no resgate, outras na identificação de corpos, outras no recolhimento de doações. É difícil não se emocionar. Os jipeiros e trilheiros de moto também vieram no dia seguinte ajudar a levar mantimentos, enfermeiros, médicos, bombeiros a lugares onde ninguém chegava.

5. A culpa. Muita gente parece que fica paralisada e não sabe como agir. Ao ver conhecidos relatando como ajudaram e o que fizeram (alguns com certo orgulho também), sentem-se culpados.

A culpa por seguir com sua vida enquanto assiste ao fim de outras.

(Após o trabalho, fui beber uma cerveja com um colega de trabalho. Passa um caminhão com cerca de 30 caixões com corpos. O cheiro permaneceu por algum tempo ainda. Nós estávamos bebendo cerveja.)

6. A Pena. Ver pessoas brigando pelo reconhecimento de um morto. Assistir o desespero de famílias diferentes que precisam de um ponto final. Elas brigavam pela certeza de que aquela foto ou aquele corpo era de seu ente querido, e não do outro. Assim poderiam ter um novo ponto de partida.

Isso para não falar das dezenas de animais feridos e doentes.

7. A humildade. Um homem perde tudo. Perde a casa, as coisas, a família. Em uma madrugada. É esse homem que, após dias sem socorro, enterra o próprio filho no quintal. E é esse homem que, num lampejo lúcido, diz: agora vou começar de novo.

* * *

O “dano” que eu, particularmente, sofri foi o de ter que subir a minha rua a pé (um buraco gigante tomou a rua inteira, impedindo o trânsito). E a minha empresa ficou sem telefone e internet por alguns dias. Só isso.

Não vivi o terror. Só o vi.

Dá para colocar nossa vida e nossos problemas em perspectiva.

* * *

Para muitos que viram e viveram essa experiência, ouvir qualquer helicóptero, ver qualquer caminhão de pescados, comboio de jipes ou motos de trilha dá arrepios.

Esse arrepio parece ser sinal de que existe uma sensação de coletividade que nos une. Que temos sentimentos em comum. Será que essa sensação só brota, assim forte, em situações de tragédias como essa?

Este post é resultado de nossas práticas, diálogos e treinamentos na Cabana PdH. Quer entrar no Dojo?
Vítor Barreto

Vítor Barreto é empresário, publisher da 2AB Editora, mora em Teresópolis e participa da Cabana PapodeHomem. Tenta ver e fazer as coisas de um jeito diferente, e bate cabeça por aí. No Twitter: @vitbarreto.


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  • Marcos Augusto Nunes

    Penso que esse sentimento de fazer parte de uma comunidade é muito mais essencial do que o orgulho e cultivo de uma individualidade. Afinal, sem os outros um indivíduo não é ninguém. Não existe autossuficiência, nação de um homem só. Justamente em razão desse espírito de comunidade só avultar em momentos trágicos é que desses momentos trágicos tiramos a lição de que temos que, sobretudo, agir e pensar comunitariamente, com espírito de cidadania, alerta e constante. Senão, o engajamento durante a tragédia se perde e ficam apenas os oportunistas de sempre a lucrar com a miséria alheia, desde desviando donativos até as verbas públicas destinadas à reconstrução. Além disso, sem a consciência de cidadania, os recursos públicos, escassos, não são reforçados de acordo com as necessidades, pois cada um tende a cuidar dos próprios problemas ou lucrar com os problemas alheios, nunca se integrando á coisa pública e ao bem comum. 

  • Vítor Moreira Barreto

    Oi Miguel, aqui ocorreu o mesmo. Um boato vira pânico em segundos.

    Um assalto a uma loja “se transformou” em arrastão com direito a guardas de trânsito apavorados e Guarda Nacional se espalhando rapidamente. Esse desespero é assustador e contagiante, no pior sentido da palavra.

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Tenho parentes que moram em Nova Friburgo, primas(os) tios e algumas amigas. Lembro com pavor desta tragédia. Ficamos totalmente sem comunicação com os meu parentes, as únicas noticias eram através dos noticiários. Foi terrível, graças a Deus, não perdi ninguém nesta tragédia. Mas a dor não foi menor, sofri muito pelo sofrimento dos que perderam alguém e pelos que se foram. :(

    • Vítor Moreira Barreto

      É Fernanda, é difícil mesmo. O texto veio mais de um ano após a tragédia, e ainda vemos o sofrimento por todo o lado.

  • Vítor Moreira Barreto

    Ah, quando falei sobre notícias inventadas, me referi especificamente ao caso do cão ao lado da cova (a última foto). 
    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/chuvas-no-rj/noticia/2011/01/e-tudo-mentira-diz-coveiro-sobre-cao-fotografado-ao-lado-de-sepultura.html

  • Franklin röqve

    Cara,sou de Nova friburgo e a cidade parecia que tinha sido bombardeada!!!
    foi sinistro…afetou grande parte da cidade.  um campo de guerra instalado.
    meu bairro foi de boa mas em outros…
    mas o pior foi/é o  descaso das autoridades que não fizeram nada ou quase nada até agora para ajudar os que sofreram mesmo com essa tragédia.

    • Vítor Moreira Barreto

      Imagine o que sentem as pessoas que perderam a casa, a família e não têm mais nada. Como elas entenderão “cidadania” daqui pra frente?

  • Vítor Moreira Barreto

    Oi Alex, resolvi escrever por causa das chuvas que nos atormentaram novamente no mês passado. Nessa ocasião percebi que há uma memória coletiva, um sentimento ruim que sinto quando ouço um helicóptero, por exemplo. Ao sabermos que, novamente, tínhamos sofrido com a chuva, todos lembramos da tragédia.

  • Vítor Moreira Barreto

    Oi Eduardo, obrigado! Realmente seu trabalho como voluntário foi notável. Poucos têm coragem para lidar com as funções e dramas que você lidou. 
    Também acho muito triste esse oportunismo de repórteres, políticos, empresários, cidadãos…

  • Carlosjrmoreira

    Muito bom o texto, Vitor, e a tempo. Um texto assim, que nos faz refletir, olhar para nós mesmos e para o vizinho, é sempre oportuno. Tenho orgulho de ser um pouco teresopolitano, e tenho, portanto, a tristeza guardada pelo que ocorreu. Quanto às pessoas, em qualquer lugar nunca são totalmente más nem totalmente boas. Quando em meio ao perigo o povo faz lembrar uma boiada assustada, um voz determinada, porém ignorante, pode desencadear uma tragédia; por outro lado, o nervoso controlado que tira serenidade do fundo das entranhas pode salvar muitas vidas. Aqui no Brasil é uma questão de sorte haver o segundo em meio às tragédias. Lá no Japão tivemos o exemplo de que tudo pode ser questão de educação.
    Um forte abraço.
    Carlos Rosa Moreira.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000479062089 Fernanda Pamplona

    Moro em Teresópolis também e o dia em si foi realmente muito, muito bizarro. Não tinha ideia do que tinha acontecido, acordei para trabalhar sem luz ou telefone e, como onde moro não aconteceu nada, fui normalmente. Ao sair de casa, vi que tudo estava vazio, destruído, triste… Ao chegar no prédio, fui descobrindo, aos poucos, as tragédias: das pessoas que ainda não tinham aparecido para trabalhar, dos vários parentes e amigos que não conseguíamos contato…De todas as classes sociais. 

    Com o passar do tempo, só se ouvia história pavorosa. De famílias inteiras soterradas encontradas juntas, de pessoas que perderam todo mundo, da necessidade de voluntários no próprio IML improvisado e da falsa contagem de mortos, pois esses 380 não estão nem perto da realidade. Quem já esteve na cidade sabe que a região atingida é muito populosa e, por ter acontecido a noite, foram mais de mil pessoas com facilidade. Fora as que nunca foram encontradas.

    Hoje, ao conversar com as pessoas, chega a ser estranho: são poucos os que não foram atingidos, de alguma forma, pela catástrofe. Ao andar pelas áreas atingidas, pouco foi feito, ainda parece cena de uma guerra da natureza versus homem. Muitas pessoas hoje moram nas ruas, muitos animais ainda estão em abrigos, mas ao mesmo tempo ainda há muita solidariedade.

    Essa última chuva realmente deu um aperto no coração, um desânimo absurdo. A minha rua virou um “varal”, pois o comércio, por ter sido atingido, precisava colocar as coisas para secar – e foi na rua mesmo. Não há estrutura, não existe empenho ou iniciativa de parte alguma, nem da própria população quanto à conscientização do lixo, por exemplo.

  • Vítor Moreira Barreto

    Fizeram o mesmo por aqui com velas, vassouras, água etc. Precisou da polícia para intervir.

  • Raquel Arruda Mattos

    Tenho casa em teresópolis e minha familia é toda daí. Além disso, presenciei a chuva de abril e pude ver o desespero das pessoas, com medo de acontecer tudo de novo. E o sentimento de impotência diante disso tudo é o que mais me comove…

    • Vítor Moreira Barreto

      Pois é Raquel, essa foi minha motivação para fazer o texto: ver como aquele sofrimento marcou a cidade e move nossas emoções ainda hoje, seja com novas chuvas, seja com helicópteros e trovoadas…

  • Marcela Neves

    Sensacional. Parabens

  • http://www.facebook.com/naninha Ariana Mendonca

    Muito triste mesmo. Eu não tenho parentes por lá, mas vi colegas de curso apavorados por não conseguir contato algum com seus pais. 

    Nesses momentos percebemos quanta bondade pode surgir e o contrário também. Das pessoas que se aproveitaram disso, pessoas que comentam: “mas o pessoal sabe que tem risco de desabamento, continuam morando lá porque querem”, em especial sobre as moradias em encostas que desabam, sem entender que mudar-se pode não ser opção pra maioria delas. Das pessoas que se voluntariam, angariam fundos, acolhem, fazem doações… 

    Mas agora está ocorrendo mais planejamentos por parte do governo para evitar mais eventos como esse? 

    • Vítor Moreira Barreto

      Ariana, as pessoas realmente tendem a “simplificar”, reduzindo o problema e buscando sempre um culpado específico. Geralmente isso não é produtivo…

      Sobre medidas, instalaram alguns alto-falantes para anunciar emergências e a defesa civil também parece ter dado instruções nas comunidades. Irei me inteirar melhor ;-)

  • Carolina barreto

    Vítor, texto excelente e comovente, parabéns pela clareza (e também coragem) na descrição dos sentimentos! Eu me sinto estranha porque sou de Teresópolis, mas, talvez por estar há muitos anos fora da cidade, observei e senti as coisas de longe. Fiquei muito chocada com tudo,senti tristeza, medo e raiva, mas não na mesma intensidade que vcs… e isso fez com que eu me sentisse mais culpada e “desnaturada”…

    • Vítor Moreira Barreto

      Esse sentimento de culpa e de se sentir desnaturada também é legítimo e observável aqui na cidade, só que às vezes não os observamos…

  • Mozartmoreira

    Grande descrição!Tive a sensação de estar aí contigo!Na época foi angustiante pra nós que estamos tão distantes e sofri até saber que vocês estavam seguros,mas foi muito triste ver toda aquela destruição e imaginar os momentos terríveis daquelas pessoas!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002178736102 Matheus Vitorino

    Também sou teresopolitano e tenho de elogiar o seu texto Vitor, e dizer que partilhei de todas essas sensações.

    Porém, existe algo que você não comentou (e acredito que propositalmente); que foi todo o problema envolvendo a verba e a corrupção.
    Eu e minha família juntamos o máximo de doações que pudemos, até deixar a loja de meus pais coberta do chão ao teto de doações para os desabrigados. Deixamos tudo que juntamos com os encarregados de direcionar as doações, pra algumas semanas depois descobrirmos que parte das doações haviam sido desviadas.

    Isso se sucedeu com todo o escândalo do desvio da verba e falta de reparos que a nossa cidade necessita.

    Acho sinceramente que precisamos entender melhor este aprendizado para podermos falar: “Nós passamos por aquela tragédia”, porque por em quanto ainda vivenciamos os ecos da mesma. 

  • Pingback: Aquele mês no qual fiquei sem beber | PapodeHomem

  • Carolina Werneck Pimentel

    Por pesquisa vim parar em seu belo texto. Passei por isso tudo (sou moradora de NF) e ainda hoje temos resquícios da tragédia de 2011. O nº de farmácias cresceu espantosamente, de pessoas se auto medicando com tarja preta pra dormir (quando normalmente ocorrem os temporais – sempre à noite – podendo ter mais vítimas), de pessoas com depressão. Somos uma população desacreditada do governo, das ações que deveriam ter sido feitas e até hoje… nada. Não escuto mais um helicóptero ou carro de bombeiros do mesmo jeito. Me pego orando pra que não seja nada muito grave… e nunca fui religiosa. Acho que essa gotícula de fé que sobressaiu pós 2011, surge também esperança de que as coisas melhorem…

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