“O que aprendi com a desescolarização” | Ana Thomaz

Gustavo Gitti

por
em às | Entrevistas e perfis, Mente e atitude, O Lugar no PdH, O que aprendi, PdH Vídeos


“Desescolarização” não é bem o tema desse vídeo. Ana Thomaz nos leva a um percurso incrível de uma hora sobre as possibilidades de aproveitar a educação dos filhos para se desenvolver, se trabalhar, crescer e fazer crescer outra cultura.

Se você é pai ou pretende ser pai, se é mãe ou pretende ser mãe, se também já passou mais de uma década dentro da escola, eu aposto que vai se beneficiar com essa fala sem cortes, envolvida num riquíssimo pano de fundo corporal e intelectual: técnica Alexander, teatro, Humberto Maturana, Espinosa, Deleuze, Nietzsche, Foucault…

O lance é fazer o percurso do vídeo inteiro, mas para facilitar nossa conversa deixo algumas das falas que mais me marcaram, enquanto ouvíamos sentados no chão da casa da Ana, Isabella Ianelli e eu, com a Luiza de Castro alternando entre três câmeras. Aliás, a Luiza demorou demais para editar pois sempre se esquecia do trabalho, imersa em insights.

Teremos um encontro com a Ana Thomaz dia 25 de maio em SP. Te convido de coração. Você pode se inscrever no fim do post.


Link VimeoLink YouTubeMP3 para download | Lá pelos 49 minutos, ela fala sobre pais que mimam (aliás, a melhor história está no fim, mas só faz sentido se você ouvir tudo antes)

“Paradoxalmente, o autoconhecimento não se dá sozinho, fora do encontro. Eu não me fecho para me conhecer, eu entro em relação para me conhecer. Eu me conheço através dos outros, através dos acontecimentos à minha volta.”

“Se eu me sentia travada, com raiva, emocionalmente fixa com aquele situação, o problema era meu. Elas tinham outro problema, mas aquele problema era eu: eu que estava triste, eu que estava frustrada. Elas não estavam me dando aquele problema. Era meu. Só estava vindo à superfície por causa do encontro. O que o encontro me deu foi o conhecimento de mim mesma, de algo que estava ali, guardadinho.”

Elas ouvem o que eu estou sentindo, não o que eu estou falando, qualquer criança faz isso com um adulto.”

“Eu fui entendendo que o que eu poderia fazer era continuar o meu processo de desenvolvimento, só que na frente delas. [...] O que eu comecei a fazer foi a me trabalhar a partir do encontro com elas. Então, por exemplo, uma filha chorava, qualquer motivo que fosse, eu entrava em contato com o que eu sentia com aquele choro, e não com o que eu deveria fazer para resolver o problema dela. [...] Eu percebia que aquele choro era meu, às vezes eu percebia que eu precisaria que ela fosse uma menina que não chorasse para eu me sentir uma mãe melhor.”

“Depois da experiência de um parto nas minhas mãos, eu já não queria ter mais nenhum tipo de necessidade de me apoiar em coisas que me garantissem alguma coisa. Até então eu estava muito na garantia: eu estava olhando se eu podia garantir que o meu filho estava num bom caminho. Ali eu rompi com a garantia. Não se tem garantia na vida.”

“Por que não aproveitar tanto o choro quanto o riso quanto o problema como desenvolvimento? [...] A distração seria resolver problemas. E, não, o problema em si é um encontro.”

“E então eu fui fazendo essa prática: de parar de me atrapalhar.”

“A vida social dá muito problema. Estar ao lado do outro. Muitas brigas internas, muita competição… Puxa, como é que a gente não se preparou para isso? Sou adulta já e não fui preparada para isso. [...] Eu sentia que a escola não me preparava para os objetivos que eu tinha na vida. [...] Eu olhei para trás e vi que poderia ter sido diferente. Poderia ter sido diferente a minha formação escolar. Então eu decidir fazer diferente as minhas aulas e a minha formação dali em diante.”

“Eu me distraía achando que minha meta era ser mãe, minha meta era ser bailarina, minha meta era ser professora. Isso é uma distração e aí a gente começa a trabalhar pra isso. Nossa meta é potencializar nossa potência. Nossa meta é a existência plena. Então eu comecei a ver que ele [meu filho] não estava se distraindo com a técnica (mágica) para a existência plena dele. Tanto que ele poderia abandonar aquilo de uma hora pra outra e começar tudo de novo de uma outra maneira.”

A nossa cultura é anti-vida, é uma cultura de distrações. Você nasce e daqui a pouco você já esquece a meta. Porque é tanta distração: escola, leis, entretenimento, fantasias, consumo… Consumo é pura distração.”

“Eu uso a maternidade como uma ferramenta para refinar meu desenvolvimento. Eu tento não me distrair sendo mãe.”

“Eu me propus a não dar garantia para mim mesma na educação delas, a não usar poder e ameaças e a não escolarizar. Quer dizer, eu estava perdida. O que me segurava realmente foi a experiência. Quando você tem uma experiência desse nível, de um parto, que é um processo de vida, na sua mão, você… confia, você para de achar que você precisa de certas estruturas que até então você até então precisaria.”

“Às vezes só de eu estar com o olhar tranquilo na frente delas, a coisa se resolvia.”

“Elas começaram a ter contato não com uma mãe que é calma e paciente, mas com uma mãe que se trabalha dessa maneira enquanto enfrenta um problema. Sem que eu falasse nada, eu comecei a perceber que elas estavam entendendo que eu faço alguma coisa, que eu estava ensinando, indiretamente, um processo para elas. Porque aí eu começo a ver uma fazendo com a outra. O que me levou a pensar: essas meninas estão se preparando para, seja o que for, conviver socialmente. Porque elas estão entendendo que não se pode culpar o outro, porque elas não estão se sentindo culpadas, que elas não precisam melhorar para que eu fique bem. Ali eu comecei a entender que a gente está entrando em uma matéria essencial no desenvolvimento do ser humano em sociedade: que é cada um assumir a responsabilidade pelo que sente, pela realidade que cria, e em relação.”

Os pais se sentem ameaçados pelos seus pequenos filhos. Esse excesso de mimo que a gente vê nada mais é do que uma resposta a uma ameaça. [...] Ameaça do dia: por meu filho para tomar banho. Ameaça do dia: fazer meu filho almoçar. Ameaça do dia: por uma roupa pra gente sair. Nessa resposta a essas ameaças vem todo esse falso respeito achando que está dando liberdade: “O que você quer comer hoje?”.”

“Em vez de me sentir ameaçada e ameaçar, comecei a me desafiar e a jogar desafios para as crianças.”

“Transformar aquela emoção em força de ação: esse é um desenvolvimento. Uma criança não consegue fazer isso. Quando ela tem uma emoção, ela expressa. Se ela for muito bem treinada, ela vai embutir. [...] O que a gente vê nos adultos hoje em dia: os adultos expressando suas emoções, o que é ridículo. Um adulto de 30 anos não é pra dar chilique. E você vê uma criança dando chilique, e o adulto dando em cima. Então, eu aceito uma criança expressando; e eu não me aceito me expressando. Eu me aceito fazendo com que a emoção que vem se transforme em força de ação. Quando a criança vê isso, ela está tendo uma aula disso. Esse é o lugar, esse é o lugar que a gente precisa conquistar.”

“Esse processo não depende da mudança de fora. Você não precisa que a realidade te apoie. Você não precisa sair dessa sociedade para isso acontecer. É nessa sociedade que você faz o trabalho. [...] Eu não acho a nossa sociedade perdida, irremediável, tem coisas incríveis acontecendo.”

“Cada vez mais eu me incomodo menos — cada vez mais estou criando uma outra cultura dentro de mim, um outro modo de agir e me relacionar — e cada vez menos eu incomodo. [...] Então eu aceito todo o antagonismo, me alimento dele, transmuto para que ele seja fonte de crescimento, e não antagonizo de volta. Quem não ataca para de ser atacado.

Inscrição para o encontro dO LUGAR com Ana Thomaz

anathomaz

Uma tarde com Ana Thomaz para mães, pais, futuros pais e qualquer pessoa que já passou mais de 10 anos na escola e gostaria de transformar sua mente escolarizada

Vamos trabalhar por 4 horas nos seguintes focos:

  • Ensinar e aprender com o corpo inteiro, não apenas de forma abstrata e cerebral
  • Lidar criativamente com os chiliques das crianças
  • Educar por desafios e potência, em vez de por ameaças e poder
  • Desenvolver percursos de formação além da escola
  • Aprender a aprender, educar o educar
  • Educação ativa, desescolarização e a possibilidade de transformar nossa sociedade e nossa mente escolarizada (sem necessariamente sair da escola ou da universidade)
  • Por que nos irritamos e por que mimamos tanto as crianças?
  • Transformar nosso viver sem depender tanto de mudanças institucionais no governo e na escola
  • Educar para o presente, não para o futuro

Ana Thomaz é educadora, ex-bailarina e professora da técnica Alexander (com formação no Alexander Technique Studio, em Londres). Trabalha há mais de 15 anos ajudando pessoas a viver com o corpo inteiro. É mãe de três pessoas e oferece cursos de educação ativa para pais e professores por todo o Brasil.

Quando: 25 de maio de 2013, sábado, das 14h às 18h.

Onde: Espaço Gam Yoga | Rua Fradique Coutinho, 1004 – Vila Madalena – São Paulo/SP.

Valor: R$ 124,00. Desconto de 33% até amanhã, sexta, 17 de maio: R$ 84,00. Essa contribuição apoiará as atividades dO LUGAR e os movimentos de Ana Thomaz.

Limite de participantes: 40 pessoas.

Inscrições encerradas. Tivemos tantos inscritos e interessados em tão pouco tempo que provavelmente faremos outros encontros com a Ana Thomaz. Se quiser participar desse e de outros percursos de transformação, deixe seu email:

"Quero saber mais sobre O LUGAR"

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Este post é resultado de nossas práticas, diálogos e treinamentos na Cabana PdH. Quer entrar no Dojo?
Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com


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O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Conheça a visão e a essência por trás do que fazemos. Queremos uma discussão de alto nível. Antes de comentar, leia nossas boas práticas. Caso deseje enviar um texto e se tornar um autor, venha por aqui.


  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Cunha/100001351703704 Tiago Cunha

    Oi, quero muito assistir esse video, como faz download no vimeo?

    • http://gustavogitti.com/ Gustavo Gitti

      Tiago,

      Desativamos o HD no post. Tenta dar play agora que vai carregar rápido.

      Se precisar fazer download, ativamos essa possibilidade agora.

      Pedimos só que você não suba esse vídeo em nenhum outro site, ok?

      Abração.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Cunha/100001351703704 Tiago Cunha

        Opa, tranquilo, valeu!

  • http://gustavogitti.com/ Gustavo Gitti

    Pessoal,

    Vamos subir o MP3 daqui a pouco também.

    • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

      Podcast do PdH? =D

  • Larissa

    O video terminou abruptamente… não entendi. :T

    • http://gustavogitti.com/ Gustavo Gitti

      Tem o fim dele e tem um easter egg que a Luiza aprontou, colocando uma ceninha a mais, de um papo nosso após a fala dela (que foi numa tacada só, sem nenhuma parada).

      Entendeu, Larissa?

      • Larissa

        Então, consegui ver o video todo no vimeo com o easter egg e tudo, mas aqui no blog ele acabou do nada. Pode ter sido problema do meu navegador. :)

      • http://gustavogitti.com/ Gustavo Gitti

        Ah, sim, pode ser.

        De qualquer modo subimos no YouTube também:

        http://www.youtube.com/watch?v=QveTf5DekIo

      • Larissa

        valeu :)

  • Renato Laurentino

    interessantíssimo! Curioso, mas interessante…

  • Pingback: Meu filho é seu também | PapodeHomem

  • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

    Esse vídeo foi a coisa mais linda e inteligente que eu vi nos ultimos tempos. o.O

  • Guest

    Existe uma frase muito interessante e que eu gosto muito, de Mark Tawan: Jamais admiti que a escola atrapalhasse o meu ensino. Se encaixa bem com esse tema.

  • Neto Pedrosa

    Existe uma frase bastante interessante e da qual eu gosto muito, de Mark Tawain: Jamais admiti que a escola atrapalhasse a minha educação. Se encaixa bem com esse tema.

  • http://www.facebook.com/carollseixas Carol Seixas

    Que vídeo, que lição, quanta sabedoria da Ana. No final, uma esperança de que basta o primeiro passo para transformar.
    Obrigada por dividirem.

    Usarei com minha vida, usarei com minha filha.

  • Rafael

    Video muitissimo interessante.

    Pena que a politica governamental vai num objetivo totalmente diferente,que é de emburrecer,obscurecer e doutrinar as cabeças desde cedo,haja visto o aumento do tempo obrigatório na escola e a falta de incentivo ao homeschooling.Infelizmente é dificil,senão impossivel,ver idéias como essas implementadas em larga escala.

    • http://gustavogitti.com/ Gustavo Gitti

      Rafael,

      Ainda assim, eu ouvi TUDO o que a Ana falou funcionando num contexto também escolar. Por exemplo, ela foi dar um curso lá na Escola Caminho do Meio, em Viamão, que tem uma abordagem diferente, mais democrática.

      Lá é uma escola validade pelo MEC, tudo certo, mas eles estão tentando aplicar tudo isso que ela disse sobre cada professor se trabalhar (aumentar sua familiarização com o mundo interno e tomar responsabilidade pelo que sente e pelo mundo que cria ao convidar com os outros), sobre como lidar com as crianças para empoderá-las desde cedo etc etc.

      Eu não acho que o vídeo seja sobre tirar as crianças da escola. Longe disso.

      Mas eu acho que temos muito a aprender com quem tirou e está nesse baita desafio. Muito.

      É um pouco como escrevi aqui:

      http://papodehomem.com.br/percursos-de-aprendizagem-onde-voce-aprendeu-o-que-sabe/

      “Se a escola quiser sobreviver como instituição, sua “tarefa de casa” é aproveitar e aprender com a educação que já acontece fora da escola, incorporando tais processos na vida escolar, contentando-se em ser apenas mais uma parada nos percursos de aprendizagem dos alunos. Se isso é possível ou se a solução será dinamitar a instituição como um todo (radicalizando as ideias de Ivan Illich), não sei. Cabe a nós experimentar.”

      • Rafael

        Ora essa,e desde quando o objetivo da escola é educar? :)

        É a pergunta que eu sempre faço e nunca obtenho uma resposta:Qual é o objetivo do governo em criar uma população consciente,informada e politizada?

    • carvalho

      Se você sabe que é “difícil, senão impossível” implementar em larga escala o que ela coloca por quê acha que o governo deveria tentar?

      Se o governo não consegue sequer ensinar as crianças brasileiras a ler, escrever e fazer contas vai ser capaz de implementar algo nessa linha?

      Incentivo ao homeschooling? Tipo bolsa-família pra vc educar seu filho em casa? Vão tirar dinheiro de nós via impostos para devolver para que nós fiquemos em casa educando nossos filhos???

      • Rafael

        Ora,é muito óbvio,SE o governo tivesse boa vontade teria todo o aparato pra colocar uma idéia dessa em prática.Diferente de uma pessoa com poucos recursos ou uma ONG,até pq nesse pais as únicas ONG´s que vão pra frente são as que fazem apologia á merdas tais como aborto,gayzismo,feminismo etc.

      • Nathália

        ” apologia á merdas tais como aborto,gayzismo,feminismo etc.”

        Depois dessa frase, eu não sei nem pra quê argumentar contigo.
        Se pra ti, feminismo é merda, então as mulheres nem deveriam estudar, fazer faculdade, votar, trabalhar, ARGUMENTAR. Se não fosse a ”merda do feminismo”, eu não estaria tendo a oportunidade de estar aqui dando a minha opinião.
        Aborto é uma escolha e é um direito que deve ser dado à mulher, na minha opinião. É melhor do que ter um filho e cria-lo de forma ruim, sem dar o apoio e o amor necessários.
        Gayzismo = ?????? tá comparando dar direito à homossexuais com genocídio? ok, camarada.

  • http://www.facebook.com/deysesp Deyse Pereira

    Grata Gitti,

    A história, para mim, começou a ficar interessante a partir do momento em que começou a contar sobre o parto domiciliar em que ela teve as duas filhas. Em seguida alguns momentos pensei “puts, é um desgaste mental esses desafios/jogos e ao mesmo tempo ela transformou num laboratório de desenvolvimento pessoal o processo da maternidade”, porque foi através desse meio ela escolheu se desenvolver.
    Me peguei rapidamente, mapeando meios de levar esse pensamento para outros níveis de relação, sem precisar necessariamente criar um laboratório semelhante, como a maternidade.
    E se for num processo inverso com nossos pais/pessoas em geral, começar a observar essas características culturais na formação deles, sem entrar em confronto?.Certamente menos sofrimento, auto-piedade e mimimi. Entendendo que cada ser estar no lugar que precisa estar e é o melhor lugar para aprender o que precisa ser aprendido. Treinar até a parte de observar, ok! Chegar na etapa do não sofrer, tem sido aprendizado diário.
    Muito importante e válido ver esse vídeo, no momento há uma pressão interna e externa na busca por algo concreto à ser construído para um futuro que nem sei se estarei lá, baseado nas estruturas sócio-culturais empoeiradas no meu baú dos anos 80, utilizando as coisas aprendidas na escola, faculdade, pós graduação, vida, encontros, família, estudos, experimentos sozinha e em grupo, mapa astral, religião, música que toca no boteco; tudo entra num “caldeirão de sinais”, fragmentos e impressões. E serve para acrescentar no aprendizado atual em selecionar/pontuar de onde e o que quero aprender, para quais situações, mas principalmente continuar a praticar o sentir as pessoas, sem interferir e buscar soluções; sem também me deixar abalar, mas aprender formas de interagir em outro nível mais sutil.

    Acredito ser possível começar a pensar diferente, ser um questionador antes de construir algo a partir da minha formação mental cheia de lacunas; sem me colocar na posição de vítima das situações. Lacunas essas que são motivadoras, pela busca em pensar diferente sem querer preenche-las, e ao mesmo tempo parece tão óbvio como ensinar a respirar. Creio que em algum momento esse “start” vai chegar nas pessoas. “Quando o discípulo está pronto, o mestre surge”.
    Lembro que num papo com Fabio, pós o encontro dO Lugar, ele me pontuou a importância em estar atenta as oportunidades de ensinamentos que surgem, mas sem precisar utilizar a energia para forçar acontecer algo. Apenas observar e estar potencialmente preparado para algo é como o aprendizado de uma arte marcial, pode ser utilizado ou não. Compreendo que os encontros, lugar e tempo presente se tornam potencializadores para o desenvolvimento.

    Outros pontos que em que foram estruturados os pensamentos e achei interessante:
    - Meta pessoal; (para potencializar algo, identificar o “algo” é o principal); – Distrações com os papeis (mãe, profissão..); – Responsabilidade pelo que sente da realidade criada; – Ferramentas para transformar as emoções em ações produtivas.

    Dúvidas:
    - Como os filhos entram em contato com outras pessoas e se relacionam de que forma?
    Possivelmente com as pessoas em casa, elas tem um nível de empatia e entendimento, diferente das pessoas fora. E que podem até entende/sintonizar como outras pessoas se sentem, porque “foram treinadas para isso”, mas como é a interação com pessoas que não agem da mesma forma?
    - deixar que eles escolham o que querem aprender 2h por dia, e o resto do tempo livre. Ok, esse combinado entre todas as partes é flexível, parece que sim? E se o filho(a) decidir que não quer mais aquele tempo de estudo sobre música? Naturalmente eles criam outra distração para substituir aquele tempo, como foi com a mágica?

  • Flavia Martins

    Triste por não poder ir! :(

  • http://gustavogitti.com/ Gustavo Gitti

    MP3 da fala inteira para download, pessoal (só clicar com o botão direito e salvar):

    http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2013/05/olugar-anathomaz-oqueaprendi-desescolarizacao.mp3

  • http://www.facebook.com/cecilia.brasil Cecília Brasil

    Égua, por favor, que coisa maravilhosa!!!Como a gente se sente inútil, e pequeno, e preso, e incapaz…

  • Carvalho

    Vejo essa mulher falando, leio os comentários e fico com pena dos pobres do Brasil. Pois a realidade dessa mulher é totalmente descolada da dos brasileiros em geral. Que pai ou mãe genérico do Brasil tem como tirar sua criança da escola e fazer home-schooling ? ( escrevi certo? ) Mesmo em outros lugares do mundo e outras épocas somente a elite abastada podia bancar tutores e ensino em casa.

    Enquanto se discute esse tipo de coisa, metade dos brasileiros é analfabeto funcional, o que significa dizer que não consegue ler jornal e entender o que está escrito. Imagine entào um livro…

    Nosso tempo nessa vida é limitado, se gastamos com esse tipo de iniciativa não temos pra resolver questões mais básicas. Como ficar discutindo potência com pais e mães que se matam de trabalhar pra dar de comer e de vestir a seus filhos? Como dizer a eles que dediquem ainda mais tempo, depois de voltar de ônibus pra casa, pra complementar as falhas da escola?

    A escola tem que ser pública e entregar o que promete. Ensinar a ler, escrever e matemática. Enquanto isso não for feito não há como avançar. Como evoluir se a base não existe, é podre? Como ensinar geografia, história, filosofia a quem não sabe ler direito? Um tablet com animações 3D ????

    Pegar casos específicos como dessa mulher e tentar expandir para tornar isso política pública geraria um desastre enorme. Investir tempo sequer discutindo isso reduz o tempo que deveria ser dedicado a ensinar os brasileiros a LER !!!

    Acho até que o que ela diz é interessante, embora um pouco vago em muitos momentos, o que é muito perigoso quando falamos de crianças. Educação não admite meio-termo, quando você lida com crianças e quer educá-las tem que saber onde quer chegar. Crianças e adolescentes já tem incertezas e inseguranças demais em suas cabeças.

    A escola pública de massas foi um avanço imenso para a humanidade. Antes disso a maior parte da população era analfabeta, sem ela a desigualdade de oportunidades começa cedo e se instala na sociedade por gerações. É isso que acontece no Brasil e não há cota que resolva…

    • And_Terra

      Carvalho, se não conhece, fica a dica :
      http://www.youtube.com/watch?v=AZu9QFufWaw
      .
      Esse episódio é um resumo da série !
      Os canadenses e finlandeses foram os que mais

      me impressionaram ! Educação pública com qualidade é
      possível! Exemplo recente é a Polônia!
      .
      Sds,

    • http://dq-pb.com.br/ Thiago Rodrigues Souza

      em algum momento o circulo fechado da educação de massa para produção em massa para o consumo de massas vai, foi e será rompido. sempre.

      este discurso do poder imposto ao indivíduo que deve engolir uma carga sintética de informação, pra no futuro se transformar em engrenagem passiva de um organismo conduzido pela elite é que me parece assustador.

      interpreto do que a ana relata, uma possibilidade real de ruptura sistêmica efetiva. entendendo por este sistema, o formato pre moldado de sentir, refletir e projetar.

      “A escola pública de massas foi um avanço imenso para a humanidade.” quem falou isso? sob que perspectiva?

      “Educação não admite meio-termo” então estamos falando de indivíduos plenos? em plena consciência de de si e do todo? falácia pura.

      “Investir tempo sequer discutindo isso reduz o tempo que deveria ser dedicado a ensinar os brasileiros a LER !!!” porque no fundo a vida é isso, apertar parafusos e consumir, sumir, com ou sem mas sumir, de si de preferencia.

  • Cláudia Guerra

    Muito obrigada! Estava pensando em pedir (que audácia!) a transcrição do vídeo (gosto de ver/ler os vídeos do TED assim, transcritos,uma solução para quem tem perda auditiva e internet ruím). Baixar o MP3 foi uma boa solução para o segundo caso e para o primeiro também… ainda não fiquei surda totalmente. Os trechos que li aqui me lembraram muito um livro maravilhoso, leve e necessário da Letícia Ferreira Braga – “Coração de Mãe”, práticas budistas para transformar a maternidade. Eu que sou adulta, com mais de 40, já dei chilique e continuo aprendendo. Mais uma vez, obrigada!!!!

  • And_Terra

    Ok, a moça teve uma epifania e descobriu um mundo novo ! Agora, virou sua profissão! O Dalai Lama, Lair Ribeiro, Roberto Shinyashiki, Steve Jobs …. e demais gurus, todos concordariam cm ela !

  • Deliamaris Acunha

    Muito bom! Paulo Freire ia amar isso!

  • ceni

    meu filho com 11 anos na 5 série nao qquer mais ir para a escola quer que eu mude ele de escola o rendimento dele caiu muito e nao sei o que fazer .gostei muito deste video .

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