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O que aprendemos com nossos pais?

Equipe PapodeHomem

por
em às | Relatos


A melhor homenagem no Dia dos Pais não vem de cartões, presentes ou frases de efeito. Mas sim, da valorização de histórias.

Por isso, o PapodeHomem reuniu uma série de relatos de toda a equipe. São fatos e aprendizados que carregamos até hoje. Alguns, que se complementam a cada ano convivido e troca de experiências com o velho. Outro, caminhos abertos que possibilitaram a criação de uma carreira ou responsabilidade para seguir o próprio rumo.

Participe também nos comentários.

O que você aprendeu com o seu pai?

Roberto Del Grande: responsabilidade.

Aprendi com o meu grande pai a ser responsável e a pensar nas consequências dos meus atos. Aprendi com meu pai a ter transparência, de ser uma pessoa digna, para que eu possa me deitar todos os dias e dormir sem peso na consciência. Aprendi com ele os pequenos valores da vida, para que eu possa tornar-me um grande homem. Humildade e raça sempre para vencer na vida.

Fábio Rodrigues: resolver.

Meu pai vive de consertar, inventar e construir coisas. Desde aparelhos eletrônicos, passando por carros, até casas. Então, tudo que aprendi a consertar, arrumar, parafusar, furar, instalar, cortar, emendar, foi com ele. Aprendi também sobre resolver as coisas de forma prática e rápida, a não perder muito tempo ou nem se meter onde não é necessário.

Mas o ensinamento mais valioso, que ele sempre ofereceu silenciosamente, com seu exemplo, eu ainda não aprendi. É a sua paciência e disponibilidade incansáveis, a boa vontade de ajudar as pessoas ao redor com qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer hora.

Espero chegar lá um dia.

Alex Castro: reinventar.

Meu pai é empresário no Brasil desde antes de eu nascer. Ele tem todos os defeitos inerentes à isso (reclama o tempo todo do governo, vota na direita, etc) mas também todas as qualidades: nunca vi ninguém cair tanto nem se levantar tanto. Nunca vi uma pessoa se reinventar tantas e tantas vezes.

Meu pai me ensinou que nenhuma derrota é definitiva, que nenhuma queda é pra sempre. Meu pai me ensinou que sempre dá pra fazer de novo, fazer melhor, fazer diferente. Meu pai me ensinou que sempre se pode mudar de caminho, mudar de tática, mudar de ramo. Meu pai me ensinou que o mundo não é de quem nunca cai, mas de quem nunca fica no chão. Que o mundo não é de quem nunca foi derrotado, mas de quem nunca desistiu.

Serei sempre grato.

Ana Victorazzi: atitude.

Meu pai me ensinou a ser opostos. Como assim? Eu explico. Ele me ensinou que a maioria das vezes ter paciência é fundamental, mas também me mostrou que isso é bem diferente de ser acomodada e viver esperando, que lutar e falar o que acredito é nobre e valioso.

Mostrou que tudo bem amar diferenças, que dar risada de piada ruim não me torna pior (só mais boba), que tudo bem se eu gostar mais de laranja que de rosa e se eu preferir os bastidores a ser âncora de um telejornal tudo bem.

Me ensinou a vibrar a cada nova final do American Idol e não importa que eu não more mais com ele, sempre podemos assistir ao programa juntos por telefone. Me ensinou que minha melhor amiga sou eu mesma, mas que posso contar sempre com ele, seja para arrumar uma prateleira, ir ao shopping ou experimentar uma terrível experiência culinária minha.

Me ensinou que não é só coração de mãe que sempre cabe mais um… no dele e no meu também!

Fred Fagundes: ser gremista.

“Não existe nada mais bonito que um estádio de futebol”.

Meu pai não é intelectual, filosofo, cientista ou antropólogo cultural. Não conhece as pirâmides do Egito ou a visão da Torre Eiffel. Jamais esteve na Tailândia, Holanda, Itália ou na Lua. Mas observe a força dessa afirmação. “Nada é mais bonito que um estádio de futebol”. Isso, até hoje, soa como um dos maiores aprendizados da minha infância. Ouvi na primeira vez que entrei num estádio de futebol – 10 de agosto de 1994, estádio Olímpico, Grêmio x Ceará – . Meu pai, já com os olhos vermelhos e por meio de uma voz rouca que evitava o engasgo, afirmou que aquela era a visão mais bonita do mundo.

Eu acreditei. E, a partir daquela noite, entendi que o futebol era mais importante que qualquer outra coisa. Graças ao gol do Nildo Bigode naquele jogo, a vitoria, o título e o reflexo filosófico do meu pai eu virei um gremista.

Os Fagundes

Luiza Oliveira: levantar.

Meu pai sempre foi aquele cara certinho. Desde que engatinho percebo que ele é bem trabalhador, um pai e marido super presente e que adora passar aquela boa imagem de sucesso e felicidade para os outros. De certa forma, essas atitudes do meu pai me fizeram acreditar muito em transparência nas relações. Justamente por conhecer e amar meu pai sinto que vi nele um “anti-exemplo”. Todos temos defeitos, todos somos humanos e todos sentimos dor. Esconder não adianta e só afasta quem realmente se importa conosco.

Não devemos nada a ninguém a não ser a nós mesmos. Nos devemos um direito de ser quem somos, e isso aprendi com meu pai na porrada. Amo meu pai porque ele erra, tropeça, chora e não porque ele tenta aparentar ser um homem de sucesso com bons filhos, boa casa e boa esposa. Isso é muito pequeno perto de tudo que ele é. Aliás, isso é muito pequeno perto de tudo que somos. Ele ainda persiste nesse esforço, mas já me alivia sentir que aprendi a não fazer o mesmo pois pode me fazer muito mal.

Ainda assim, ele é o Papai Noel de dois metros com suspensório mais fofo que eu conheço. Se tem uma coisa da qual posso sempre me orgulhar é de que sou muito amada pelo meu pai e com certeza aprendi a ser tão amorosa e carinhosa quanto ele.

Marcos Barreta: não.

Meu pai é o cara mais inteligente e culto que eu conheço – e olha que já conheci umas figuras raras por aí. Em contrapartida, ele é o maior cuzão do mundo. Aprendi algumas coisas com ele, mas a mais importante foi a não ser um pai como ele.

Jader Pires: trabalho.

Aprendi com o meu pai a viver bem a vida que se leva, a fazer o que deve ser feito. Meu pai é um molecão e, pra ele, não existe tempo ruim. Trabalho é trabalho e deve ser feito. A vida é a vida e precisa ser vivida. Não se reclama de trabalho e não se reclama da vida. Tudo se aproveita. As contas chegam, o stress aumenta, os problemas aparecem e tudo – eu disse tudo – há de passar e, do mesmo jeito que a vida bate, com a mesma intensidade ela assopra.

Meu pai é um cara durão, não abaixa a cabeça.Se tem que fazer, será feito. Se tem que aproveitar, é com todo o gosto que vai se aproveitar. Isso nunca mais saiu de mim. Trabalho bastante, pra cacete, mas sempre tenho tempo pra um sorriso, pra fazer alguém rir. Reclamar da vida, dos problemas, isso não é com a gente não. Sempre dá pra passar horas conversando na frente da tv sem deixar ninguém ver os programas que estão passando. Sempre dá pra pegar na mão da pequena e levá-la pra passear, nem que seja aqui do lado. A vida tem que ser vivida, molecada. Quando meu pai for velhinho e eu tiver que cuidar dele, não vai haver reclamação da idade, das dores, dos remédios. Disso eu tenho certeza. E assim será comigo, com os meus filhos.

Se eu tenho amor pra dar, é porque meu pai me ensinou bem o que é o amor.

João Marcos: cuidar dos outros.

Meu pai sempre foi um cara muito rígido comigo.

Nunca foi muito de dar longos sermões ou ficar falando muito sobre a vida; dava exemplos. Desde que me lembro, ele sempre atendia os outros de graça, avesso ao glamour da profissão – foi um médico que se dedicou ao próximo. Seja atendendo na rede pública, seja atendendo aos sábados gratuitamente ou, nos últimos anos, cuidando de crianças no orfanato que ele próprio construiu e mantém. Falar de meu pai é falar de alguém absolutamente abnegado e consciente de seu papel no mundo.

Alguns de seus conselhos ainda ecoam pelo meu pensamento. “Nunca magoe uma mulher” e, o mais simples de todos, “seja homem”. Se às vezes me pego pensando que o mundo espera algo mais de mim, é graças ao meu velho…

Julia Ropero: seguir.

Meu pai sempre foi um pai carinhoso, dedicado e super protetor. Nunca deixou faltar nada, principalmente amor.

Hoje devo grande parte de quem sou a ele, que me ensinou que se nos dedicarmos e lutarmos para conquistar o que desejamos. Sem passar por cima de ninguém, sem se aproveitar de outras pessoas.

Vejo ele como um exemplo de superação, garra e dedicação. Dizem que a minha personalidade é muito meu pai, meu jeito amorosa, brincalhona e falante de ser.

Felipe Franco: dom.

Meu pai nunca foi um cara de sentar comigo e me explicar alguma coisa e eu nunca fui paciente de sentar, escutar e aprender. Mas temos muito gostos parecidos. Com isso, eu aprendi mais observando e tirando minhas próprias conclusões. Mas percebi que o maior ensinamento que ele me passou foi a partir de uma brincadeira.

Minha mãe sempre trabalhou em Alphaville e eu sempre morei na Zona Norte de SP, e, para quem conhece, sabe que é longe pra cacete. Quase sempre íamos buscar minha mãe na estação Santana. Como o trânsito de SP é imprevisível, passávamos horas no carro esperando por ela.

Nessa de ficar esperando, meu pai tinha que se virar para entreter  2 crianças hiperativas. Uma das tantas brincadeiras que inventávamos era muito simples, meu pai pegava um pedaço de papel e fazia um rabisco qualquer e a partir deste rabisco eu tinha que fazer um desenho. Como desenho desde sempre, isso era diversão garantida para mim e minutos de tranquilidade para o meu pai. Lógico que no auge dos meus 12 anos eu só via como uma brincadeira divertida.

Hoje, pouca coisa mais maduro, vejo isso diferente. Na verdade essa diversão foi um grande exercício de criatividade, sem querer é claro, mas foi. Tenho muita facilidade em criar e desenhar a partir de pouca informação, o que para quem trabalha neste mercado e recebe briefings pífios toda semana é muito valioso.

De certa forma acabei levando isso como uma filosofia de vida, sem saber. Me tornei um homem muito confiante, não por me achar o fodão, mas sim por saber que consigo me safar de qualquer encrenca só usando minha criatividade, além de sempre estar disposto a qualquer aventura minimamente interessante.

Cheguei a essa conclusão há poucas semanas, depois de fazer um puta trabalho grande em pouquíssimo tempo e com o mínimo de informação, e que foi muito elogiado. Pensei nisso em uma quinta feira às 22hs caminhando do QG para casa, na mesma hora liguei para o meu pai para agradecer e o mais foda foi ouvir a resposta dele:

“Obrigado você filho, tenho muito orgulho de você. Você conseguiu fazer o que eu sempre quis, trabalhar com o que gosta e ser bom e reconhecido por isso. Fico muito feliz em saber que mesmo sem querer te ajudei nisso.”

Cambi: o que fazer.

Meu pai me ensinou que assistir TV atrofia o cérebro e se for de domingo atrofia o dobro. Meu pai é o responsável por eu me sentir culpado quando vou ao shopping num dia ensolarado.

Cambi pequeno hipster

Guilherme: aprendi a ficar sozinho.

Com meu pai aprendi muito, mas duvido que ele realmente saiba o quanto. Tivemos a nossa primeira conversa Antônio-Guilherme faz dois meses, apenas. Antes disso, a relação se construiu muito no plano pai-filho. Algo muito turbulento, permeado por brigas furiosas – até mesmo físicas – ao longo de minha adolescência. Pouco nos relacionamos como os dois homens por trás dessas identidades.

Pois bem, Antônio, hoje tenho mais lados dessa história a compartilhar.

Você me ensinou muito sobre ser generoso. Sobre coração aberto, sobre amor, sobre o prazer em ser anfitrião e ver a alegria estampada no olhar dos outros. Me ensinou sobre raiva, sobre ética, sobre controle, sobre medo, sobre dúvidas, sobre descontrole, sobre realmente entender as pessoas, sobre visão crítica da realidade além das camadas aceitas pelo senso comum.

Por vezes, me ensinou com bons exemplos. Outras, com péssimos exemplos. E quem disse que aprendizado só se dá mostrando o correto? Pais nos colocam no mundo, nos amam e dão o melhor de si. Esse melhor enfrenta todo tipo de obstáculo, travas e traumas que podemos, como filhos, jamais conhecer. Julgar nossos pais como culpados por a ou b é de uma crueldade e egoísmo sem tamanho.

Estamos experimentado o milagre de estar vivos, graças a esses sujeitos. Isso, por si só, merece gratidão. Daí em diante, você e seu pai estão nas trincheiras, meu caro. Cada um lutando para avançar, por uma boa vida.

* * *

Escrevendo agora, me lembro de um certo causo que vale ser contado. Tinha lá meus 14 ou 15 anos. Uma colega se sala engravidou e casou-se com o então namorado. No dia da cerimônia, meu pai me levou até a igreja. Lá chegando, encostou o carro e eu disse:

- Pai, espera um pouco antes que eu desça, não tem ninguém que eu conheço ainda, não vi nenhum amigo meu.

Meu pai ficou possesso, me deu esporro e me obrigou a sair do carro, dizendo:

- Homem que é homem precisa aprender a ficar sozinho em qualquer situação.

Xinguei até a décima sétima geração dos Valadares por colocar tamanho filhodaputa em minha frente, me tratando assim, me obrigando a passar por isso.

E fiquei ali, e esperei, e hora ou outra apareceu um conhecido. E ninguém morreu, não fui humilhado ou passei por nada constrangedor – exceto pelas minhocas da minha cabeça.

Nunca mais esqueci desse dia. Meu velho estava certo, como vim a entender anos depois essa e tantas outras situações nas quais ele me ensinava, a seu modo.

* * *

Pai, te amo. Você é um professor e tanto.

Esse é o Antônio, pai do Guilherme, oferecendo um brinde a todos os pais lendo esse artigo

E você: o que aprendeu de mais valioso com seu velho?

Equipe PapodeHomem

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  • Reysi Pegorini

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  • guilherme costa

    Meu pai, dentre tantas coisas, me ensinou a gostar de música! Hoje sou casado, tenho um trabalho cansativo, contas para pagar, faculdade, resumindo, uma vida estressante. Mas, é só eu pegar um violão ou reunir com os amigos de banda, que todos os problemas desaparecem como mágica! Desde criança eu via meu pai pelos cantos da casa, tocando e cantando feliz e incansavelmente seu violão apesar de todos os problemas. Nunca fomos uma família rica, e o dinheiro sempre foi um problema, e uma falta. E caras, meu pai, acabou de construir a casa dele sozinho! É… com seus próprios braços e uma pequena ajuda minha, que comparada ao que ele fez, não soma nem 1%. E essa persistência, é o que eu tento aplicar hoje na minha vida, e não é nada fácil. E como ele sempre dizia, “vamos trabalhar pra grandeza da barriga”.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Caralho, ele mesmo construiu, tijolo por tijolo?

      Toparia escrever um relato sobre como foi isso, Guilherme?

      Caso sim, nos envie um email pra posts@papodehomem.com.br pra seguirmos.

      ps.: gostei de ler a parte sobre música. comprei um violão e é algo que quero muito aprender.

      • Nélio Oliveira

        Meu pai também construiu a casa onde morei até os 23 anos com as próprias mãos, e com a ajuda dos meus irmãos. Não só a casa em que morávamos como duas outras no mesmo lote, que alugávamos.
        E quando ele comprou uma chácara ele que fez os postes de concreto da cerca. Todo dia, depois que chegava do trabalho (ele era barbeiro, tanto com a navalha quanto na direção de um carro… rs…), ele preparava o cimento e colocava nos moldes. Aí durante a noite e o dia seguinte a massa secava e, quando ele chegava do trabalho, o processo se repetia.

  • Pingback: O que aprendi com meu pai « entrega íntegra

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001683998983 Ana Ribeiro

    é. Aprendi a não ser meu pai.

  • Everton Licoviski

    Meu pai é um cara simples com hábitos mais do que normais como qualquer homem, diferente da grande maioria o meu pai é uma pessoa de poucas palavras para ensinar, este trabalho ele deixou com minha mãe. Contando assim pode parecer que meu pai é um péssimo pai, muito pelo contrário ele me ensinou a ser um homem digno com o seu jeito de ser, ele me ensinou a ser um homem com suas atitudes e não pala
    vras, onde palavras podem ser apenas ditas e não seguidas já atitudes são realizadas. Atitude de ser pai para seus irmãos quando os mesmos precisam, de ser pai educando seus filhos a respeitar todo.
    Ao lado de um grande pai certamente existe uma grande mãe, assim sou feliz em ter duas grandes pessoas ao meu lado. Aprendi com meu pai a melhor profissão do mundo – pescador – pescar pra mim é respeitar o meio ambiente, é respeitar aos outros pescadores, pescar é estar ao lado de sua família e aproveitar o tempo com eles. Pescar é um simples ato de estar próximo a ele.

  • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

    não importa o quão estranha ou difícil seja a reação, calma e um sorriso ajudam! (e um puta merda as vezes também)

  • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

    Meu pai é um cara racista, machista, arrogante, mesquinho e ex-militar dos mais chatos. Até hoje, 3 anos após ir para a reserva/aposentadoria, se apresenta para os outros como “Coronel”. Parece que não tem nome. Precisa da patente. Já dificultou muito a minha vida com a sua forma de criação.
    Faz somente alguns meses que chamei ele pra uma conversinha, daquelas em que eu falo e ele finalmente escuta; até que deu certo, dentro das minhas rasas expectativas. Ele tem sido mais maleável, jantamos juntos sempre que posso (cozinho todos os dias em casa, logo que chego do trabalho, nem sempre dá tempo ou mesmo vontade…), porém…não será o dia dos pais que fará dele um santo. Odeio esse sentimento coletivo de que o progenitor precisa ser endeusado em tal data. É um ser humano cheio de erros e com preocupações camufladas pela indiferença. Alguém que precisa manter a pose ou qualquer outra coisa que eu não consigo desvendar em sua cabeça.
    Hoje dei a ele um abraço, parabéns e assistimos a um jogo. A paixão pelo esporte e por carros é o que nos liga de alguma forma. Ele sabe que é comigo que pode comentar sobre algum resultado ou um lançamento, preços etc. Meu irmão não é dado a essas coisas. Ter uma relação tão restrita não chega a ser algo que me entristece, sinceramente. Legal pra quem tem/teve um pai presente e afetuoso, mas fico no mesmo time do Barreta: o melhor aprendizado foi a não ser como o meu pai.

    • Bruna

      Não acho que deva se escolher um dia e endeusar pai ou mãe, é uma data puramente comercial, mas você pode aproveitar o clima coletivo e pensar como uma pessoa pode ser interessante. lendo os textos e comentário eu descobri que sei e admiro muito mais coisas no meu pai do que eu imaginava. Nenhuma vida é tao desinteressante que não se possa gastar algumas horas afim de conhecê-la melhor.

      • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

        Cada um sabe de si. Bjo

    • marcos

      meu pai também é militar da reserva, e se tem algo na vida que qualquer militar que logrou certa graduação se orgulha é da patente. No mais, que porre de filha deve ser você :)

      • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

        sou detestável :) e curti seu comentário!

  • Nélio Oliveira

    Meu pai morreu do coração quando eu tinha 14 anos. Então, com a licença do autor do post, vou colocar o que eu gostaria que a minha filhota, hoje com dois anos, escrevesse sobre mim no PdH daqui a 20 anos:

    “Com meu pai eu não aprendi muito não. Basicamente as únicas coisas que ele me ensinou foi a não aceitar nada acriticamente, seja uma opinião, uma decisão, uma notícia, um artigo ou mesmo um elogio e a não depender de NINGUÉM pra nada, nem de mamãe. Por isso sou cri-cri e independente desse jeito…

    Pensando bem, ele me ensinou que nem sempre o consenso é desejável, que nem sempre devemos oferecer a outra face e sim o punho direito, e que quase sempre um filho da puta genial chamado Nelson Rodrigues tinha razão quando afirmava que toda unanimidade é burra.

    Cavando um pouco mais, vejo que ele me ensinou que eu não devo guardar dinheiro pra comprar uma bolsa e nem um carro, mas sim pra um dia um pouco mais longe poder comprar uma bolsa por dia e um carro por mês sem me preocupar em como isso vai afetar minha qualidade de vida e minhas reservas. E NÃO fazer isso, porque consumismo em excesso é sinal de pobreza de espírito.

    Ele me ensinou ainda a não puxar o saco de ninguém vivo e a não idolatrar ninguém morto, exceções feitas a um velhinho que mais parece o papai noel chamado Paulo Freire e ao Chico Buarque (aquele gato).

    Aliás, papai me ensinou a JAMAIS ir contra a família e a JAMAIS falar de assuntos da nossa família em público. Ele inclusive me disse, muito sério, que um tal de Fredo e um tal de Sonny, dois irmãos que eu não conheço, morreram por causa disso. E por isso paro por aqui.”

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fala, Nélio.

      Te lanço duas perguntas:

      1. Sobre a noção de não depender de ninguém pra nada. Em que sentido pensa/interpreta isso, exatamente?
      Pois vejo como algo absolutamente utópico, a não ser que o sujeito vá morar isolado em uma caverna no meio do mato. Dependemos dos outros em múltiplas camadas, mais ou menos diretas. E mais, crescemos, nos realizamos e avançamos por meio do convívio – e esse convívio cria relações com várias matizes de interdependência, creio.

      2. Porque jamais falar de assuntos familiares em público?

      Pergunto pois também sou reservado e aprecio tal qualidade. No entanto, não vejo porque nunca considerar possível abrir uma situação familiar para pessoas fora da família.

      Penso que uma das coisas que mais solidifica as neuroses e traumas familiares é justamente o fato deles nunca serem abertos. Ficam guardados em caixas pretas, cultivando todo tipo de minhoca em cima de minhoca.

      grande abraço,

      • Nélio Oliveira

        Eu li suas perguntas hoje de madrugada, e vim pro trabalho pensando nelas. Vou tentar contemplar tudo.
        1. Meu pai me ensinou a ser independente morrendo precocemente. É foda, mas é a verdade. Mas o que me deixou com RAIVA por depender de outra pessoa foi quando eu tinha 11 anos, nós passamos um perrengue danado, tão grande que meu pai e minha mãe foram morar na nossa chácara pra podermos alugar nossa própria casa, e eu fui morar com minha irmã, onde eu era sistematicamente preterido em favor dos meus sobrinhos (ressalto que até aí tudo bem, eu não queria e nem esperava ter o mesmo tratamento que eles tinham, mas me mandar até o mercado comprar alguma coisa só pra, enquanto eu estivesse fora, dar iogurte pra eles e me deixar sem me machucou pra caralho, a ponto de eu começar, a partir de quando descobri, a fazer dinheiro e a poupar esse dinheiro pra tomar quantos iogurtes eu quisesse). Então desde os 17 pra 18 anos que eu não dependo de NINGUÉM pra NADA. Absolutamente TUDO que eu tenho fui eu que construí, com o meu trabalho e com o meu esforço.
        Mas hoje eu dependo vitalmente de uma pessoa, a minha filhota, e é uma dependência diferente, é de alma, é de amor, é uma dependência que literalmente me dá A razão pra viver. Em tempo, quando minha esposa estava grávida, eu não fiz nem chá de fralda nem chá de bebê, sob protestos dela, evidentemente. Eu lá ia depender de outras pessoas pra comprar fraldas, brinquedos e roupas pra minha filha? Nem fodendo.
        2. Porque assuntos pessoais se resolve entre as pessoas envolvidas. Evidentemente que com amigos muito próximos é tolerável conversar sobre intimidades, até porque, pelo menos no meu caso, meu melhor amigo pensa muito diferente de mim e sempre oferece insights que eu não teria por iniciativa própria. Mas ficar divulgando no “feice” as viagens que fez, os presentes que ganhou, os sapatos que comprou, os novos móveis da sala, a briga que teve com a filhota, o novo corte de cabelo etc. é um exibicionismo fútil, que nada traz de bom, e se é que traz alguma coisa é a inveja ou a cobiça alheias.
        Espero ter respondido a contento. Abraços!

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Fala, Nélio.

        De fato, passou por perrengues e situações terríveis quando criança. Passei por minha cota de dificuldades, também. E carreguei isso comigo por bastante tempo, ruminando, deixando o cancro lá dentro, quietinho – como se estivesse resolvido.

        Tava nada.

        Faz pouco tempo – uns anos só – comeceeeei a me abrir pra outras pessoas, de verdade. Esquecendo nóias que vivi no passado.

        E sabe de uma coisa? Estava perdendo. Há pessoas muito diferentes por aí.

        É um privilégio nos abrir, poder pedir ajuda, oferecer ajuda e ter relações mais leves.

        Ou assim tenho experimentado…

        Grande abraço!

        ps.: sobre o ponto 2, estamos na mesma toada. não gosto de super exposição.

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Pessoas do PdH, vocês são maravilhosos. Puta emoção ao ler os relatos de vocês.

    Falar sobre o meu pai e o que aprendi com ele é sempre muito bom.
    Meu pai foi um dos caras mais incríveis que já conheci. Era um caipirão romântico e apaixonado por liberdade. Dos 18 aos 21 anos viajou seis continentes de mochilão. Tinha muita sabedoria sobre a alma humana, mas se relacionava bem com os animais.

    Defini-lo é muito difícil. Tem sentimentos que não se explicam com palavras.

    Umas das coisas que ele mais pregava -não, ele não era religioso, apesar que demostrava ter uma intimidade incrível com Deus- que o respeito é fundamental, independente da crença, raça, opção sexual, trabalho, ou idade das pessoas.

    É, isso: respeito!

    :)

  • Jefferson Franco

    Meu pai me ensinou o alfabeto antes da escola. Meu pai me ensinou a carregar cimento no ombro sem eu precisar ser ajudante de pedreiro. Meu pai me ensinou a psicologia da cinta e chinelo. Meu pai me ensinou a nobreza do trabalho, mas sem esquecer o dom da inteligência. Com meu pai aprendi a reinventar alternativas para sair de buracos que criamos dentro de nós mesmos. Sem meu pai aprendi a apreciar o silêncio, pois por trás disso ele sempre sussurra conselhos e advertências que carrego onde vou. Juntos aprendemos a viver, conviver e interpretar este puzzle chamado vida.

  • Pingback: O que aprendemos com nossos pais? | Mugango

  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    Absolutamente nada.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Nem com os maus exemplos, Brandão?

      Digo, me parece ser absolutamente impossível não dialogar com os referenciais oferecidos por nossos pais. Sejam eles bons ou ruins, afetam nossas crenças, hábitos e ações no mundo – por vezes nos direcionando para validá-los/negá-los.

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Guilherme,

        Posso contar nos dedos as lembranças que tenho dele, das vezes que conversei algo com ele. Nem de exemplos ruins eu pude receber nada, uma vez que não tenho essas referências.

        Admiro quem tem aquele pai foda e reconhece isso. Mas a lembrança que tenho do meu pai é a mesma que tenho do cara da banquinha. Dava bom dia, perguntava como estava e é isso.

        Mas sei onde ele mora, convivo com toda a minha familia por parte dele, mas ele não é alguém que eu me lembre de nada.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Vislumbra mudar a relação com ele de alguma maneira, algum dia?

        Parece algo bem pesado, cara.

      • Nélio Oliveira

        Comece adicionando ele no “feice”…

      • Johnny Becker

        Sempre pensei igual, um completo desconhecido pra mim.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      obs.: não penso que esse comentário do Brandão deveria ter sido negativado. ele é bastante importante pra discutirmos paternidade além dos exemplos de pai-herói, pai-foda.

  • everton maciel

    Meu pai me ensinou que violência resolve muita coisa, sim. Ensinou que as mulheres ficam zangadas quando você está certo. Ensinou a fazer churrasco, mesmo com carne congelada. E ensinou que todo mundo morre.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Gostei do teu velho, Everton.

  • http://www.facebook.com/people/Wellington-Ferreira/521261045 Wellington Ferreira

    Meu pai me ensinou que trabalhar faz bem para alma e ajuda a formar o caráter de um homem.

  • Angelo

    Meu pai é o exemplo perfeito daquele tipo de cara que diz ” faça o que eu digo,mas não faça o que eu faço.”

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      O que não deixa de ser, em si, uma bela lição.

      Observei e lidei com muito disso com meu próprio pai – e comigo mesmo, à medida em que amadureci e me peguei lidando com obstáculos de natureza similar.

  • Thaís

    Aprendi com meu pai aquilo que não quero ser. Desculpaí quebrar o clima de festinha.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      De maneira alguma, Thaís.

      Muito do aprendizado com meu pai passou por maus exemplos, como fiz questão de expor.

      E isso não deveria sequer ser visto como um balde de água fria.

      Imagine a pressão, ao se tornar pai/mãe, de não poder ter sequer uma falha de caráter?

      Porra. Deve ser difícil pra caralho.

      Ser uma pessoa cheia de falhas não deveria fazer do pai um inválido para seus filhos.

      abraços,

      • Thaís

        No meu caso, não são os defeitos que fazem dele um inválido. São as atitudes. Tudo oq foi feito. Como eu sempre digo, se a merda morre em ti, beleza. O problema é quando ela respinga nos outros. =/

      • Artur

        Uma pessoa burra é aquela que insiste no erro esperando que o resultado seja diferente. Uma pessoa normal é aquela que aprende com os próprios erros. Agora, uma pessoa inteligente de verdade é aquela que consegue aprender com os erros dos outros.

  • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

    Vivi com meu pai até os 14 anos. Depois ele se separou da mamãe. Nós ficamos com ela e tocamos a vida. Ele foi viver a dele.

    Ele era cheio de problemas e defeitos. Alcóolatra, autoritário, ignorante, distante, ausente e temperamental. Ele lidava tão mal com os próprios problemas que fazia sobrar para outras pessoas. Um belo de um contra-exemplo perfeito do que todo homem deve ser. E era incrivelmente espírito de porco. Era quase um super poder.

    Mas ele tinha algumas poucas virtudes. Acordava todo dia às 5:30 pra ir trabalhar, e não voltava antes das oito da noite – isso desde que tinha 14 anos. Era um cara simples, sem grandes pretensões nem grandes planos pra vida. Era desses que vivia um dia após o outro, e não ligava para o que os outros pensavam.

    Vi ele fazer muita cagada e aprendi bastante com elas. Com ele eu aprendi que o mundo não é preto no branco. Que o ser humano é bom e mau ao mesmo tempo. Que merda acontece, e que precisamos seguir em frente.

  • Dani

    Meu pai me ensinou que antes de ser pai-herói ele é humano, ele trai e sai de casa, fica bêbado e magoa muito, erra, erra muito.
    Mas nenhuma dessas coisas fazem dele menos pai, pra cada erro dele eu acho mil acertos, um cara que foi Dj nos tempos do vinil, ajudava na cantina do colégio pra ter seus trocos, media terreno pra prefeitura, e conquistou a própria empresa a 18 anos sendo auto didata, puta cara inteligente ele é! da pau em mim com seus 16km de corrida, corre fazendo cálculos matemáticos, assim, só pra se distrair! ensinou que trabalho não mata, e que “mais vale ser do que ter”, se hoje minha banda preferida é pink floyd foram pelas noites na frente da lareira desde os 5 anos ouvindo a coleção de vinil dele e aprendendo sobre tudo! Ele finge que eu não cresci, me chama de filhinha, e quer preparar meu pão da janta quando eu visito ele, acho que poque ele sabe que tanto faz quantos anos eu tenho ou a quantos km eu more dele, ele é meu tatá com aquele colo pra chorar os joelhos ralados nessa vida.

  • Jo

    e com as palavras do meu velho “minha mulher reclama que eu não sou carinhoso, mas eu nunca tive isso eu casa, raramente eu ganhei um abraço em casa, então eu não sei como é isso não to acostumado, mas eu amo ela e eu amo vocês minhas filhas, muito! eu esqueço de abraçar de beijar eu sou prático, se vocês precisam de qualquer coisa, eu me esforço muito pra fazer por vocês vou ajudar a resolver os problemas que eu puder, mas assim carinhoso eu não sou.. to tentando”

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Nascimento/100003313200608 Tiago Nascimento

    Os que não tiveram um pai presente, que desse exemplos que marcam, aprenderam como ser um pai de verdade. Eu sou um desses, eu não tenho nenhum rancor pelo meu pai ter sido tão omisso, na verdade eu amo ele do mesmo jeito, eu decidi ama-lo acima disso tudo. Bate uma inveja dos que têm cumplicidade com seus pais, mas eu não quero nunca exigir que ele passe pra mim aquilo que ele não tem, o meu avô não deve ter sido um exemplo pra ele. Eu, pelo contrário, quero quebrar esse ciclo, eu quero ser para o meu filho, acima de tudo, um amigo.

    • http://www.facebook.com/higor.vasconcelos.98 Higor Vasconcelos

      Muito bom, faço das suas as minhas palavras.

  • Rafael Magalhaes

    Meu pai me ensinou a não andar descalço no chão gelado (isso ainda eu não aprendi), me ensinou que cada coisa em casa tem que ter o seu lugar e me ensinou a encapar livros didáticos

  • http://www.facebook.com/people/Paulo-Azevedo/100001728339618 Paulo Azevedo

    Mau pai me ensinou a nunca desonrar meus comromissos. Que minha palavra vale mais do que qualquer contrato. E que tudo o que eu quiser eu vou ter que correr atras. Nada virá de graça.
    Ele nem sabia o que era isso, mas me ensinou a ser resiliente tambem.

  • Aru

    Meu pai é um Hippie,no sentido mais estereotipado da palavra,faz artesanato com arame e durepox ,anda de chinelo e bata,e viaja de carona pelo brasil.Morei com ele durante pouco tempo,ele não sabe ter raizes,não suporta são paulo,e detesta qualquer tipo de regra externa.
    Ele é cheio de defeitos,de vícios e de concepções absurdamente erradas ,mas é a pessoa mais doce, sensível,sonhadora,entregue e artística que já conheci na vida.
    Sinto que herdei dele o interesse por literatura,a vocação pra sonhadora,o amor a viagens e algumas coisas que me atrapalham,como um certo ar rebeldia.
    Ele sempre ensinou com exemplos a tratar todas as pessoas de forma igual,sem nenhum tipo de pré-conceito,a ser e deixar ser,a valorizar o que é simples,e a empregar na vida as cores que eu quiser.Tô aprendendo ainda…

  • Julio

    Me identifiquei pra caralho com teu relato, Guilherme. Pqp cara, na hora lembrei do meu pai e os incontáveis “se vira” que eu ouvi dele. E essa foi a maior lição que aprendi com ele, que me fez crescer na base quase sempre do mau exemplo. Nunca o julguei ou nutri qualquer ressentimento contra, apesar de ter efetivamente me sacaneado e ao meu irmão. E por uma ironia do destino, na última vez em que estive com ele – no dia do meu casamento – que eu disse pela primeira e última vez “te amo pai”.

  • don luidi

    Senhores, meu pai me ensinou tanta coisa ‘desde que eu me entendo por gente’, mas vamos ao que hoje eu acho importante:

    - sorriso no rosto, o velho podia (pode) enfrentar qualquer situação adversa que nunca o vi sem seu sorriso no rosto.

    - a honra das palavras, me ensinou que fores falar e não cumprir, cala-te.

    - a valorização do trabalho, desde cedo vivia me dizendo com autoridade: o trabalho evita que você ponha ‘caraminholas’ na cabeça.

    - a simplicidade, pessoa avessa ao luxo, aos supérfluos, gosta da vida simples e ‘roçeira’ como diz ele, nunca esqueço seu mantra: ‘quem pensa demais funde os miolos’.

    Apesar de eu ter mais contato com minha mãe devido ao seu trabalho, tenho-o como um herói pra mim, de persistência e força.

  • http://www.facebook.com/anabeatriz.n.soares Ana Beatriz N. Soares

    Meu pai me ensinou sobre generosidade, dedicação, preocupação, a manutenção de seu corpo sempre como um templo sagrado, amor, ambição, sacrifício e como que uma dose de egoísmo e ganância é imprescindível ao ser humano.
    Isso tudo com bons e maus exemplos, em meio a muitos desentendimentos (necessários em toda a relação).

    Texto muito honesto e sincero, parabéns a todos que expuseram seu coração nessa homenagem. (e em seus comentários)

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Coisa linda ler seu comentário por aqui, Aninha!

      Fico feliz demais em ler sobre o que aprendeu com o Luiz.

      ps.: ambição me gusta. ganância, não. tem uma diferença aí.

  • Johnny Becker

    Até concordo com o Guilherme quando diz ” Julgar nossos pais como culpados por a ou b é de uma crueldade e egoísmo sem tamanho”, claro, se de um modo ou outro, certo, errado, ou do modo dele, ele estava la tentando te ajudar. Com meu pai aprendi que não devo pôr uma criança no mundo se eu não pretendo estar presente na vida dela.
    Meus pais se separaram quando eu era muito pequeno ainda, algo em torno de um ano de idade, meu irmão do casamento atual dele tem quase que exatamente um ano a menos que eu, a verdade da história eu não sei, minha mãe nunca me contou e eu também nunca tive coragem de perguntar.
    Quando eu tinha uns doze anos eu pedi que ele pagasse um curso de informática pra mim, na época custava R$ 30,00 por mês, e um curso de inglês, que custava uns R$ 50,00, ele disse que eu deveria fazer um curso e depois o outro, que se fizesse os dois não aproveitaria nenhum, pagou dois meses do curso de informática e depois disse que não podia continuar me ajudando, que não tinha dinheiro. Fui trabalhar de empacotador nos sábados pra continuar o curso. Meu irmão, correu de Kart um tempo…
    Acho que como o Alberto Brandão eu também não tenho nada a lembrar do meu pai, pelo menos nada bom, visto que nunca convivi com ele. Mas agora depois de muito levar na cabeça vejo que mesmo com a ausência dele e de tudo de importante que ele deveria representar e o que deveria ter feito por mim no papel de pai, eu posso tirar algo bom.
    Culpar o pai por algo que ele fez pode até ser errado, mas acho que culpá-lo pelo que ele não fez é no mínimo um direito meu.
    Lendo os comentários pude perceber que a presença dele fez muito mais falta do que eu imaginava. Tive que me virar sozinho em praticamente tudo, não tive ajuda alguma dele, não me ajudou financeiramente, não me ensinou nada, não me deu os conselhos que precisava, não me ensinou o caminho certo a seguir e nem estava presente pra cobrar que me mantivesse no cominho certo, não me ajudou quando eu caí e nem comemorou quando fiz algo bom. Acho que é por isso que eu não quero ter filhos.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Coisa linda ler um comentário como esse, Johnny, de coração aberto.

      Te digo, chega a me emocionar ver como as pessoas sentem confiança para se abrir, mesmo conversando “virtualmente”.

      Que as coisas rodem bem por aí – seja você um futuro pai, ou não. ;)

      • Johnny Becker

        Eu não costumo falar do meu pai, nem ficar reclamando o que ele não fez, o que deveria ter feito, e talvez não seja bom ficar guardando essas mágoas, mas ao ler o post e os comentários me fez repensar toda minha vida, todas as barras que passei, o que aprendi e ainda tenho que aprender sozinho, o rumo que minha vida tomou e como poderia ter acontecido diferente se tivesse alguém me dando a força que precisava. Eu sei que se hoje as coisas não estão bem pra mim é apenas resultado das minhas escolhas, mas penso que se tivesse o apoio, os conselhos, as criticas, os elogios, as cobranças, a parceria e a experiência do meu pai quando estava começando fazer minhas escolhas, com certeza não seria igual, provavelmente os resultados seriam muito melhores.

    • Nélio Oliveira

      Se você me permite a liberdade, TENHA FILHOS, até pra provar pra você mesmo que é possível ser um bom pai. Fora isso, criar um filho é legal PRA CARALHO. É caro e trabalhoso, mas nada se compara, em termos de se aproximar do que se possa qualificar de felicidade, ao abraço e ao sorriso do seu neném.

      • Johnny Becker

        Apesar de gostar muito de crianças, de ficar abobado quando to brincando com meu sobrinho, de poder entender, mesmo nunca tendo vivido, essa mágica que é ser pai, ainda assim não tenho vontade alguma de ter filhos. Quem sabe um dia isso muda, não sei.

  • http://www.facebook.com/pedropaulo.moraesgomes Pedro Paulo Moraes Gomes

    Primeiro, vou ser meio injusto com vocês, até porque eu tive dois pais. Um deles engravidou minha mãe, outro era o irmão dela. Um deles tá vivo o outro não.

    Com o papai eu aprendi o quanto vale um pastel com caldo de cana, e passear pelo centro da minha cidade, que quanto essa caminhada ao lado dele e quanto isso me fez feliz na minha infância mesmo que que a gente nunca tenha assunto ou tenha conversado muito.

    Mas com ele também aprendi o quanto vale uma vida, mesmo que valha nossa convivência ou momentos pai/filho na infãncia, uma partida de futebol e o casamento. Se anular pelo trabalho, esperando e concedendo ao filho tudo que nunca teve, mesmo que isso o signifique ver o mesmo três vezes por ano e falar 2 minutos por semana.

    Com o pai zé, eu aprendi que depois que ele se foi a música nunca mais tocou, como já dizia o Zó ramalho, porque simplesmente foi assim. Algumas pessoas vão rápido porque o mundo simplesmente não os suporta, com seus infinitos defeitos e qualidades que nem dá pra contar. Aprendi oque de fato é amor, mesmo que tenha sido por uma cidade e deixou todo o resto da vida em segundo plano, mesmo que tenha significado tomar bala e entregar a vida por ela.

    Talvez não tenha sido muito, mas eu não sou muito e isso me basta.

  • Gabriel Queiroz

    Eu aprendi que você pode ser um cara honesto, justo, trabalhador, inteligente e ainda assim ter um talento especial para afastar qualquer pessoa, mesmo a família. Meu pai me ensinou que ninguém vai querer te abraçar quando sua pele é cheia de espinhos

  • Renato_Godoi

    Porra, é incrível como a minha opinião sobre meu pai é parecida com a do Marcos Barreta. Meu pai é um homem muito inteligente, culto e estudado, mas só fez merda como pai, sempre sumia quando precisávamos dele e ele sempre aparecia quando precisava de grana. Aprendi com ele a nunca ter filhos e a nunca

  • http://www.facebook.com/alandbraga Alan D. Braga

    O que me chamou atenção pro link foi a foto do Campeão. Porque antes do Dia dos Pais escrevi algo sobre com o mesmo filme… Meu pai sempre foi ausente tb. Não por vontade dele. Ele morreu e eu mal o conheci. Mas, na ausência, ele me ensinou a ser exemplo. A deixar algo além da vida. Porque – apesar de tb conhecer alguns defeitos – o que mais ficou dele nos outros são lembranças positivas. A saudade dos outros sempre foi a presença e o exemplo dele. Isso fica…
    No mais, aprendi também com os pais dos outros. Mesmo os de ficção.

  • http://rodrigonovac.tk/ Rodrigo Novac

    Meu pai não me ensinou nada, diretamente. Estava presente de corpo mas era ausente de voz. Nunca me deu uma surra, sequer levantou a mão, mesmo quando eu estava errado.

    O observando atualmente, com 46 anos, solteirão, trabalhando o dia todo e cursando faculdade de geografia após anos e anos cansado da vida vendedor (ele ainda está) e desistindo de todas as chances que teve de cursar uma faculdade, aprendi uma única moral: que nunca é tarde pra uma vida melhor.

    Hoje, no cume da minha adolescência, vejo que aprendi tanta coisa sozinho. Baixei, por conta própria, filmes clássicos como The Godfather (que foi unanimidade nas conversas com os pais dos meus amigos, inclusive lido e “curtido” aqui no PDH – http://ht.ly/cYw4O), inclusive lendo o PDH, para absorver toda a moral, toda a honra que eu pudesse para fins de me tornar um homem.
    Ver que no seu lar faltou O homem, te ensinando a importância da família, do compromisso, do respeito não me traz uma infância completamente feliz. Estar na fase mais foda da sua vida e ter que ser seu próprio pai, ser autodidata na matéria de aprender a ser um homem, é resumidamente difícil.

  • http://facebook.com/pedravellar Ravell

    Aprendi com meu pai que o que não se sabe inventa, uma história bem contada é mais verdade que a verdade. Aprendi que eu estou estou certo e que todo mundo está errado (ele discorda). Aprendi que megalomania faz parte do negócio.

  • http://www.facebook.com/aninha.demarco Aninha De Marco

    Apesar desse post ser antigo, só li hoje e me emocionei em vários dos diversos depoimentos que vão de grandes admirações, a aprendizados que vieram de decepções, ou a simplesmente nada… me emociono porque o pai, ao meu ver, querendo ou não, presente ou não, tem uma influencia absurda na vida do filho (infelizmente, nem sempre positiva), e o que eu quero relatar aqui, é o pai, no seu conceito mais puro, de exemplo e referência de toda uma sociedade representada em uma só pessoa.
    Um dia ele já foi meu HERÓI, imbatível, que sabia tudo e SEMPRE estaria ali. Hoje, crescida, ele é o SER HUMANO que eu mais admiro no mundo, que tem defeitos bem nítidos, que erra, e que SEMPRE estará ali. Meu pai é aquele, que nunca deixou ninguém que ele ama, nem por um segundo, ter dúvida disso. Admiro ele em todos os pontos, admiro o fato dele beber e fumar (são fraquezas, não confio em quem não bebe e não fuma), seu modo de viver a vida, sempre fazer o que gosta e tratar tão bem, com tanto carinho e cuidado àqueles que ama. Do meu pai aprendi a beleza da liberdade (meu mochileiro inspirador), da independência (quebrei o braço três vezes por seguir o conselho “vai filha, você consegue!” hehehehe não consegui na época, acontece… ) e mais que isso, SEMPRE, sempre buscar o que quer, porque a vida é uma só e a hora de aproveitar e ser feliz é agora. Ele nunca me falou nada disso, eu vi, eu aprendi tudo que eu sei, observando o que ele fez, faz, ouvindo suas histórias. Sou muito feliz em ter uma pessoa na vida como meu pai. Todo mundo busca uma pessoa pra se inspirar, um ídolo, um amigo, um familiar, eu posso dizer, que dentre todas as coisas boas que tenho na vida, a melhor de todas, é poder pegar o telefone a qualquer momento e ligar para este que me inspira.

    E se o Phd me permite, gostaria de colocar aqui, a carta que meu pai me escreveu, de Belo Horizonte, logo após me encontrar em Barcelona, depois de seis meses que eu já estava morando na Europa (E ver se há possibilidade de não amar esse sujeito):

    “Ei filha!

    Depois que cheguei em BH e voltei á vida real, é que percebi o quanto foi bom encontrar voce em Barcelona.

    Até pouco tempo, voce, aquela menininha que deitava comigo e gritava quando eu fazia cócegas; que usava vestidinhos floridos e se perdia no parque das Mangabeiras, que brilhava os olhinhos quando achava os presentinhos após seguir minhas pistas; que quebrava o bracinho quando eu ensinava a andar de patinete; que estava totalmente sob meu comando, sob minhas asas!

    Hoje, uma pessoa que tem suas próprias asas e alça vôos cada vez mais altos; uma pessoa que comanda suas vontades e nem sabe ainda o real potencial de seus sonhos.

    E foi assim que eu te encontrei numa cidade no meio da Europa. Linda, feliz, consciente e sensível. Fiquei emocionado de te encontrar assim…

    Voce é muito importante para todos nós. Imagino a solidão que bateu quando nos separamos, mas também tenho certeza que já superou, pois todos que te amam estão do seu lado o tempo inteiro, onde vc estiver.

    Nunca canso de repetir:TE AMO MUITO, CONTE SEMPRE COMIGO, SEJA FELIZ, TE AMO MUITO…

    UM BEIJO MUITO GRANDE!!!
    FIQUE COM DEUS!!!

    Seu pai…”

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