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Você tem seguro? No mundo de hoje, a maior chance é que você responda sim. Na intenção de se proteger de problemas, muita gente faz seguro. Do carro, da casa, de vida, de morte.
Sim, de morte também.
Descobri recentemente, enquanto lia algo totalmente não relacionado: há pessoas procurando algo bem parecido com um seguro de morte: serviços que garantam a elas um tipo específico de morte, caso for do desejo do cliente.

Quanto mais passa o tempo, maior a probabilidade de termos problemas de saúde. Ficamos velhos, as coisas deixam de ser tão fáceis, e o nosso histórico começa a assustar. Vemos pais, avós e parentes começando a sucumbir. Lembramos, nem sempre com tranquilidade, que em breve seremos nós.
O que resta aos que estão ao redor é oferecer palavras de conforto. A pessoa deixa de viver naturalmente e vive à base de aparelhos e da boa vontade de quem se dispor a cuidar. Cuidados esses que se tornam cada vez mais intensos, acarretando numa preocupação geral de quem está por perto.
Como se sente a pessoa que está ali, doente, consciente ou não, com limitações motoras? Quais seus medos? Qual será o peso de ser um fardo tão grande para aqueles que em outros tempos estiveram aos seus cuidados? Não é impensável que algumas pessoas, em uma situação assim, prefiram partir logo e sossegadamente.
O seguro de morte serve para garantir a execução dessa vontade.
Instituições como a Dignitas, na Suíça, são especializadas nisso: fazer você morrer. Se você quiser.
A mecânica não é complicada: o segurado paga para se inscrever, depois, na hora que quiser acionar o seguro, paga mais uma taxa (em torno de R$ 15.000,00, segundo matéria da revista Época) para que o levem até as instalações. É administrado um composto de barbitúrico, de gosto supostamente amargo — apesar de ser diluído em água. Dentro de alguns minutos a pessoa começa a ter sono. Dorme. E não volta.
Por uma quantia extra, a empresa ainda pode cuidar de todos os processos envolvidos na morte de alguém, para que a família não precise se incomodar nem mesmo com enterro ou cremação.
Para não ter problemas com a justiça, a empresa passa a informação que apenas preparou o coquetel, que foi tomado, por vontade própria, pelo então falecido. O cliente deixa registros escritos ou gravados, no quais deixa completamente claro que, de sã consciência, quer de fato que isso lhe aconteça.
A matéria que li apresenta algumas informações interessantes:
Existem hoje no Brasil algumas formas legais para fazer um atalho para o fim:
Existe um certo fator reconfortante em saber que, para aqueles que sentirem que a sua jornada chegou ao fim, existe essa opção. No entanto, não gosto de me posicionar a favor ou contra.
Qual a sua opinião? Você consegue se enxergar usando esse recurso? E se alguém da sua família fizesse essa escolha, qual seria sua reação?
Menino selvagem, com raízes fortes e ideais inabaláveis. É o cara que tem os contatos que ninguém mais tem e que nem você mesmo sabe que precisa. Pra se contar faça chuva ou faça sol.
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