O parto delas (também) é preocupação nossa

Lucas Pedrucci

por
em às | Artigos e ensaios, Corpo são


Polêmica graúda temos visto em relação à assistência ao parto no Brasil, finalmente – nossa abordagem desse importante momento vinha sendo ridícula, na falta de termo mais específico. Se todos temos uma parcela de culpa ou se ninguém tem culpa alguma, não importa agora. O fato é que alguma informação e um pouco de bom senso têm feito falta nas discussões. Parecemos não conseguir ver além de uma dicotomia pouco lógica entre parto cesário, completamente dependente do médico, e domiciliar, em que o médico não tem nada a fazer.

Algo me faz pensar que podemos iniciar uma conversa razoável por aqui, então tratarei dessas duas posições mais comuns que têm entrado em conflito para depois tentarmos avançar por um caminho central que já existe (quase sempre existe), mas tem sido pouco explorado.

Parto cesáreo

Nenhum leitor em sã consciência apostaria a vida de sua mulher ou filho em um jogo de roleta no cassino. Afinal, não colocaríamos nossos “bens” mais preciosos em jogo, ainda mais dependendo tanto da sorte – apostando em um único número na Roleta Americana, suas chances de ganhar são de 1 para 36. Imagine o que diríamos, então, se, mesmo em caso de vitória, nossos filhos e mulheres continuassem vivos, mas sofressem uma surra da qual demorassem a se recuperar. Eu sei, nunca seríamos tão estúpidos.

Pois pasmem, meus honrados lenhadores e respectivas senhoras: é exatamente isso o que muitos de nós têm feito, sob o pretexto de uma pretensa comodidade ou de uma “logística” facilitada.

O Brasil é campeão em partos por via cesárea – a imensa maioria sem a menor indicação. A incidência supera 80% nos serviços privados, quando a OMS recomenda 15%. Não há dúvidas de que isso é um absurdo.

A descrição e desenvolvimento do parto cesáreo (parto por qualquer via que não a vaginal, envolvendo abertura cirúrgica do útero) trouxeram avanços consideráveis na assistência ao parto, e esse procedimento de fato salva muitas vidas, quando bem indicado. As situações mais comuns em que o parto cesáreo traz benefícios incluem cenários em que:

  • precisamos que o parto seja realizado no menor tempo possível, como em quadros de sofrimento fetal ou risco de vida materno;
  • o parto vaginal é impossível, como quando há desproporção cefalopélvica (a cabeça do bebê é grande demais para a pelve da mãe), apresentações anômalas (bebê “virado”, na horizontal, por exemplo), placenta prévia centro-total (quando a placenta cobre o orifício interno do colo uterino, impedindo a passagem do bebê);
  • o parto vaginal traz riscos maternos ou fetais, como em gestantes com determinadas cirurgias uterinas anteriores, duas ou mais cesáreas prévias, alguns problemas cardíacos;

Excluídas essas e pouquíssimas outras situações, estamos errando ao realizar partos cesáreos. Apesar da aparente facilidade do parto com hora marcada, o risco e o trauma cirúrgico a que expomos mãe e bebê beiram o criminoso.

Muitas mulheres proclamam que fariam cesárea por não querer passar pela dor do parto vaginal, sem saber que a incidência, duração e intensidade das dores no pós-parto cesáreo são muito maiores. Outras alegam que o parto vaginal pode ser longo e trabalhoso, a despeito de que a recuperação do útero e de outras estruturas ao seu estado anterior e natural seja muito mais lenta no parto cesáreo. Há ainda quem ache que a cirurgia parece mais “limpinha”, ignorando que o maior fator de risco para infecções puerperais seja o parto cesáreo – a chance de endometrite é até 30 vezes maior em alguns estudos. Você não leu errado. Não são 30%, são trinta vezes. 2900%.

Lembram da roleta?

Levemos em conta, ainda, os malefícios não mensuráveis, como o prejuízo do contato entre mãe e filho no pós-parto imediato pelo procedimento cirúrgico. Parece que estamos tão acostumados com a ideia que não percebemos o quão agressivo é abrir uma barriga a faca e arrancar o pimpolho lá de dentro. Assombroso acharmos isso vantajoso, auferindo ganhos do tipo “poder planejar as datas da licença e das férias”.

Mais um sintoma da “fast-foodização” afobada da prática médica e da “clientelização” do paciente. A relação de confiança, quase paternal, entre médico e paciente deu lugar a uma relação mercantil entre o consumidor e o simples realizador dos seus desejos. O obstetra ético e competente, que se recuse a realizar cesáreas sem indicação, provavelmente terá um consultório vazio em pouco tempo.

Parto domiciliar

Em oposição à epidemia descabida de partos cesáreos e à “mercantilização” e “artificialização” de um momento importante, belo e natural como o parto, têm-se levantado, em todo o mundo, correntes defensoras de partos “alternativos”. Muitas mulheres têm tido seus filhos em casa, assistidas ou não por médicos, na maioria das vezes apenas com a presença das “obstetrizes”, “parteiras” ou “doulas”, profissões formalizadas recentemente e ainda em processo de regulamentação no Brasil. (Há muito tempo existem enfermeiras especializadas em assistência ao parto e houve considerável altercação sobre a criação dessas novas ocupações, mas a legitimidade ou necessidade dessa categoria profissional não é a discussão que queremos abrir por enquanto).


YouTube | Eu não acho isso tão bonito quanto eles

Acontece que, ao mesmo tempo em que seguir a manada em direção ao óbvio precipício da cesária é inaceitável, muitas vezes simplesmente dar meia volta e criar uma contracorrente cega e impensada também não dá muitos frutos. Alguns raciocínios formulados para defender o parto domiciliar aproximam-se do ideário que advogaria pela aplicação de cataplasmas para o tratamento de abscessos: é mais “natural”, menos “instrumentalizado”, menos “centrado no médico” e pode até dar certo. Mas se der errado a coisa pode ficar feia de um jeito que a maioria das pessoas nem imagina.

As complicações obstétricas são pouco comuns, mas podem ser muito graves. Quando ocorrem, requerem atendimento especializado e rápido, com grande risco de sequelas importantes ou mesmo de morte para mãe e bebê.

O argumento de que o parto domiciliar só se aplica a gestações de baixo risco não melhora as coisas – risco baixo é diferente de ausência de risco. O risco de pegar HIV em uma única relação sexual também é baixo, o que não quer dizer que você deva deixar de usar camisinha quando aquela gata da balada resolver alegrar sua noite, em defesa de um sexo “natural e humanizado”.

Imagino que isso vá surgir nos comentários, mas creio que usar como argumento o fato de que uma das maiores defensoras do parto domiciliar morreu em um parto domiciliar seria covarde e apelativo, então vamos nos ater à discussão fundamentada.

A celeuma sobre o parto é difícil de ser posta sob júdice em estudos estatísticos, pela grande quantidade de vieses culturais e logísticos, além das diferenças entre os modelos de assistência entre as diversas localidades. Ao selecionarmos mulheres para protocolos de pesquisa, é praticamente impossível encontrar uma mulher para a qual “tanto faça” parir em casa ou no hospital – o que torna completamente vazia de significado científico a observação de que mulheres que pariram em casa estão mais satisfeitas com esse modelo (muitos pacientes que fumam também estão satisfeitos com isso, o que não quer dizer que fumar seja bom para eles). Os trabalhos já publicados sobre o assunto são pequenos, com poucos pacientes, ou feitos em contextos muito específicos, resultando em baixa validade externa.

Uma revisão sistemática com meta-análise, publicada em 2010 no American Journal of Obstetrics and Gynecology, tentou em vão resolver a briga.

Pelos dados observados neste estudo, partos domiciliares planejados resultam em:

  • menos infecções, lacerações, hemorragias e retenção placentária;
  • incidência praticamente igual de prolapso de cordão umbilical;
  • menos intervenções médicas, como analgesia epidural, cardiotocografia, episiotomia, partos cesáreos (Só eu achei óbvio?)

Até aí, o parto domiciliar parece uma maravilha. Bem, não tão rápido.

A análise também resultou, nos partos domiciliares em relação aos partos hospitalares:

  • mortalidade perinatal geral duas vezes maior;
  • mortalidade perinatal em fetos não-anômalos três vezes maior;

Os autores chamam a atenção ainda para a homogeneidade nesses resultados entre os estudos analisados e para o fato de que a população submetida ao parto domiciliar apresentava, em geral, menos fatores de risco obstétricos que a população submetida ao parto hospitalar.

A observação de que populações com menor risco sofreram consistentemente uma mortalidade até três vezes maior parece uma evidência razoável para condenarmos veementemente essa prática. De novo: não tão rápido.

Após sua publicação, esse estudo foi apedrejado pelos defensores do parto domiciliar, que questionaram seus modelos de cálculo e critérios para inclusão dos estudos – com razão, uma vez que a revisão realmente tem falhas sérias na seleção e na análise estatística. O periódico chegou a fazer uma reanálise dos dados, que, entretanto, não mostrou diferenças nos resultados.

O ponto é que, mesmo que se refutem essas evidências, a grande maioria dos profissionais de saúde, acostumados a sempre raciocinar em termos de risco-benefício, rejeita a idéia do parto domiciliar. Não falo apenas dos obstetras, que poderiam ter uma opinião enviesada pelo interesse econômico. Em conversas com colegas das mais variadas especialidades, localidades e ambientes, absolutamente 100% da minha casuística não admite outro lugar para o nascimento dos próprios filhos que não o hospital. A soi-disant “naturalidade” de parir no lar nem de longe parece compensar o risco de se ver sem ter como atender a uma complicação grave.

O mito da escolha

Se você contrair uma pneumonia grave, com necessidade de internação, que esquema antimicrobiano prefere receber: levofloxacina isolada ou ceftriaxone e claritromicina?

E se por acaso for acometido por uma fibrilação atrial aguda, prefere a cardioversão química ou elétrica?

Se essas perguntas lhe soaram bizarras, talvez devamos discutir a ideia de que é natural que mulheres grávidas escolham a via de parto, ou, além, o local em que ele acontece.

Eu escolhi parir em casa

"Eu" quem?

“Gravidez e parto não são doenças”, dirão os mais puristas. Conceitualmente podem não ser, mas poucos eventos produzem tantas alterações na fisiologia feminina e expõem a mulher a tantos riscos quanto esse subestimado par de intempéries biológicas. O argumento (verdadeiro) de que a mulher tem direito sobre o seu corpo tem sido usado para embasar um retrocesso na assistência a essa situação importante e delicada.

A autonomia e o direito de escolha do paciente, garantidos pela legislação brasileira e tidos como grandes pilares da prática clínica pelo código de ética médica, pressupõem compreensão completa do diagnóstico, prognóstico, opções terapêuticas, riscos e implicações de cada alternativa.

O conhecimento médico, além de basalmente colossal, cresce e modifica-se a passos largos, e essa pretensa compreensão é quase sempre muito pobre, por mais culturalmente “diferenciado” que seja o paciente. Isso dá espaço a péssimas escolhas – feitas por critérios duvidosos e desconsiderando ou subestimando riscos importantes – e esse viés não é sequer percebido na maioria das vezes. A menina que se submete a um risco cirúrgico razoável para aumentar os peitos, esperando “tratar” um buraco que está bem mais abaixo, é o mais superficial dos exemplos – e existem muitos.

Talvez esse “direito à escolha”, o “poder sobre o próprio corpo” e outros valores demagogicamente proclamados na defesa tanto da cesárea quanto do parto domiciliar representem apenas uma falsa sensação de controle, uma ilusão de que estamos no comando e não precisamos confiar a vida àquele cara de branco, que já perdeu completamente a aura de santo – mas ainda é o mais preparado para assisti-la. Talvez esses referenciais sejam mais um obstáculo ao melhor cuidado da mulher gestante e de muitos outros pacientes.

O caminho do meio

Superar a visão dicotômica que só enxerga as escolhas “parto-cesáreo-mercantil-máquina-de-fazer-salsicha” ou “parto-domiciliar-bicho-grilo-abraça-árvore” parece ser o melhor caminho. Temos outras opções no cardápio, acreditem.

Pessoalmente, não tenho dúvidas de que o ambiente hospitalar é o melhor para a assistência a qualquer parto. A evidência científica, mesmo que metodologicamente imperfeita, suporta essa conduta e mesmo que os estudos tenham dificuldade em demonstrar diferenças estatísticas, não há justificativa para abandonar a segurança de uma estrutura que foi toda pensada para diminuir riscos que são, sim, consideráveis. Deixemos o destemor para outros momentos da nossa vida.

Sala de parto

Aqui há todo o necessário para uma mulher dar à luz -- do jeito que ela quiser

A controversa (e já suspensa pela 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro) decisão do CREMERJ, apesar da truculência, visa nada mais que a segurança dos pacientes – e essa deveria ser nossa maior prioridade. Talvez esse caminho da restrição impositiva não seja o mais bonito, mas enquanto discutimos o assunto me parece sensato manter os pacientes onde estarão mais seguros. Cabe lembrar que a Justiça Federal suspendeu a resolução baseando-se mais em questões logísticas, como a impossibilidade de assistência em locais que não possuem hospitais, que em qualquer vantagem creditada ao parto domiciliar per se.

O que é indiscutivelmente válido – e até urgente – é que se abra espaço para a humanização do parto, dentro do hospital. Iniciativas nesse sentido ainda são incipientes, justamente porque as duas “facções” dialogam pouco e estão pouco abertas aos saberes uma da outra. Mulheres revoltadas protestam na rua sem saber das implicações das suas “escolhas” enquanto muitos doutores engravatados fecham as portas à discussão e preferem a comodidade da produção em série e consultório cheio.

Ao analisarmos o discurso das defensoras do parto domiciliar, percebemos que o principal motivo que as leva a tal decisão é a má assistência frequentemente prestada em ambiente hospitalar: privação de contato com acompanhantes, falta de privacidade, violência física e psicológica. Absurdos que devem ser combatidos, numa revisão imprescindível do formato atual de assistência – mas que não justificam a abdicação completa de estruturas e protocolos científicos desenvolvidos para diminuir riscos.

Só avançaremos de fato quando pararmos de perceber o outro como inimigo ou adversário. Todos queremos o mesmo: a melhor assistência à família que está nascendo. Há médicos dispostos a lutar junto às mulheres por uma assistência digna e humana. Há espaço (ainda pequeno, mas crescente) nos hospitais para partos naturais, fisiológicos, centrados no tão falado “binômio mãe-bebê” – e por que não incluir nessa equação o marmanjo com cara de bobo que não sabe se beija o filho, chora, tira foto, desmaia ou segura a mão da mulher?

Um dos meus grandes sonhos é ser pai. Se tudo der certo, vai ser no hospital, de parto “normal” e com ela brilhando, linda, mais mulher do que nunca. E acho que devemos todos brigar por hospitais onde isso seja possível, porque o problema, colega saco-roxo, nunca foi só delas.

Lucas Pedrucci

Gaúcho expatriado, é pianista aposentado, jogador de rugby em fim de carreira, ex-oficial da FAB, paraquedista das categorias de base e meditante wannabe. Seu principal hobby é a Medicina, que estudou na USP e tem praticado no Hospital das Clínicas.


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  • Thiago

    Esqueceu de comentar apenas um pequeno detalhe: o “parto” que é conseguir um obstetra que se disponha a passar horas ao lado da mãe acompanhando um parto normal. Infelizmente, mercantilizando a medicina, muitos médicos não querem perder tempo num parto normal quando podem fazer 3/4 cesáreas, sendo melhor remunerado por cada um deles.

    • Carlos

      Se for pelo S.U.S. então…

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        É no SUS que se fazem menos cesáreas, Carlos.

      • Sabrina Ferigato

        Li outros textos seus aqui nesse blog Lucas. Apenas de discordar dos seus argumentos em relação a esse texto, acho que vc escreve muito coisa relevante em outros posts.

      • Luciana S. Lima

        Lucas, há uma diferença entre um parto que respeite a mulher e a forma como os partos são conduzidos nos hospitais que atendem pelo SUS. “Somente” fugir de uma cesárea desnecessária não garante que a gestante seja respeitada durante o trabalho de parto. Acho que vc toca neste ponto durante o texto, mas em meu ver falta talvez a experiência de ter vivido violência obstétrica para que veja as nuances. Eu que vivi isso não quero que meu segundo filho chegue ao mundo novamente cercado de tanto desrespeito e violência. E neste momento, no Brasil, a opção é pagar para ser respeitada. As gestantes do presente (inclua aí sua mulher, que segundo entendi será gestante antes que consigamos revolucionar o sistema de atenção ao parto) não podem esperar. Qual a opção para elas? Como podemos lidar com esta situação do presente, garantindo por um lado a segurança e por outro o respeito?
        A dita humanização do parto esbarra na desumanização da atenção à saúde, que vai muito além somente da ineficácia do SUS. Podemos confiar no conhecimento médico hoje em dia? Eu tenho minhas dúvidas… Há muitos interesses econômicos que influenciam na teoria que será mais aceita, já que há financiadores de pesquisas, congressos e publicações (planos de saúde, laboratórios, etc…). E isto é algo que está em toda a ciência, não só na medicina. Eu que sou (im)paciente vejo que o muitas vezes o médico escolhe o “melhor” remédio dentre aquelas amostras grátis (todas do mesmo laboratório) que tem no armário do consultório. Me recuso a tomar este remédio e confiar neste médico! Entendo a complexidade da questão, não é só uma decisão individual e consciente do médico que é ganancioso e quer ganhar dinheiro. A forma como os planos de saúde fazem seus negócios determina em muito a ação do médico (afinal, médico não é uma divindade e precisa de dinheiro pra pagar as contas…). Outro ponto, também importante, é que a cultura da maioria dos pacientes fomenta este tipo de prática.
        Em meu entendimento estas são questões que perpassam os posicionamentos sobre parto e influenciam na “desconfiança” (muitas vezes certeira) quanto à decisão do médico. Como você se posiciona sobre isso?

      • Li

        Oi Luciana, já comentei á no final , mas como vi você dizendo algumas vezes sobre a violência no parto, recomendo que participe da pesquisa de doutorado da Ligia Moreira Sena sobre o tema (se procurar no google, tem um site da pesquisa, ela pede relatos e etc).

      • Letícia

        E no sus que acontecem os partos vaginais mais traumáticos para as mulheres.

    • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

      Um obstetra não precisa estar ao lado da mulher durante todo o trabalho de parto. Ele pode fazer uma verificação a cada hora (ou até mesmo a cada duas horas) e nesse intervalo a mulher deve ter o acompanhamento de uma enfermeira obstetrica ou de uma parteira, eis que o trabalho delas vai ser o de observar.
      O problema é que médicos não conseguem observar sem intervir, e por isso existe a cascata de intervenções que, infelizmente, levam muitas mulheres a uma cesárea desnecessária.

    • David Linchenstein

      Thiago, cada um recebe pelo serviço que paga e merece. Toda maternidade tem vários obstetras de plantão 24h, quem quer ser exclusivo e ter seu jatinho esperando para decolar paga por isso, quem não quer/pode pega o voo comercial. Experimenta contratar um advogado para lhe acompanhar e vai saber quanto custa os honorários dele, ainda mais se for chamar de noite na cadeia. Para criminalistas 100 mil é para começar. O parto cesária não é mais demorado e trabalhoso para o médico e pela tabela dos convênios paga igual. Se há mais cesárias em alguns locais não é pela indicação médica desnecessária mas pela exigência da mãe que mesmo desaconselhada quer ter seu filho no dia 12-12-12 as 12 horas e por ai vai, tanto é que o índice de cesarias no particular é muito maior que no SUS, mesmo o SUS tendo mais indicações por gestações complicadas pelas condições das usuárias. Falando nisso, esse valor da ONU (desacreditada quem conhece a indole os trabalhos dessa entidade paragovernamental) se faz para uma população que teve melhores condições de gestação, incluindo pré-natal adequado, sequer faz sentido impor o valor as gestantes brasileiras que ainda tem 3% de seus filhos com sifilis congenita. Mas cada um recebe o que quer. Alguns acham que é seguro queimar lixo dentro de casa até queimar a si e matar outros. O que não faltam são estudos mostrando pior desfecho para o parto em casa, apesar de se reservar o parto em casa para gestações de baixo risco. Quem defende parto em casa pode usar/camuflar qualquer argumento menos o da saúde, da medicina baseada em evidencias. O problema do parto e envolver outra vida que se não morrer carrega as consequências das complicações ao resto da vida.

  • David Rodrigues

    Excelente Texto Doutor. Eu e minha mulher estamos pensando em engravidar no próximo ano e temos discutido sobre essa questão do parto. Vou mostrar esse texto a ela. Obrigado

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Você pretende engravidar também, além dela?

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Bracht, o David está falando sobre a noção de que a gravidez engloba um percurso *do casal* – mesmo a gestação se dando biologicamente dentro da barriga da mulher.

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        Eu sei, eu sei. É que eu, particularmente, bem particularmente mesmo, sempre acho engraçado caras que falam que vão engravidar. Quem engravida é a mulher, poxa, não o homem. O homem ajuda, ama, dá suporte, espera, anseia, sonha, mas não engravida.

        “Eu e minha mulher estamos pensando em ter um filho”, não é bem melhor?

        Enfim, besteira minha. Keep calm and carry on.

      • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

        Eu adoro o termo “nós vamos engravidar” ou “nós estamos grávidos”. A gestação de um bebê não se dá apenas no útero materno, mas sim também no coração e mente daqueles que vão recebê-los. Um pai que se percebe “grávido” de seu filho tanto tempo antes de recebê-lo está se preparando para ser um grande pai. Adorei, David!!

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Meu marido sempre dizia que “estávamos grávidos”, afinal, a bebê estava na minha barriga, mas nós dois esperávamos por ela, nós dois nos preparamos para a chegada dela e nós dois a fizemos… 50% eu, 50% ele, com a diferença de que ele estava na minha barriga. Sim, eu estava GESTANDO a minha filha, mas nós estávamos grávidos!

      • Nélio Oliveira

        Besteira não. IDIOTICE sua. Keep calm and shut up. ;)

  • toshio

    O parto da minha filha também foi normal e no hospital porque pensava assim. Só acho que os hospitais não respeitam a ‘lei’ de acompanhante que diz que ela pode ter alguém antes, durante e depois do parto. No meu caso não me deixaram ficar com ela antes do parto, me chamaram para a sala de cirurgia no final do parto e tive que ir para casa fora do horário de visita (pois ela estava em enfermaria) – só isso já deixou ela bem abalada psicologicamente. Além de tudo isso a equipe de enfermagem a tratou bem mau…. chegou momento que tive que gritar no corredor para que alguém viesse ajudar.
    Por isso que hoje eu entendo o porquê de muitas mães quererem fugir do hospital, sei que é mais seguro, mas se tivesse condições também fugiria se pudesse. Na sua lista de riscos acredito que os ‘traumas’ que podem causar no hospital deve ser levado em conta. É péssimo para os pais se sentirem maus e não confiantes onde estão.

    • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

      Essa é uma das milhares de razões que faz com que as mulheres fujam dos hospitais. As mulheres não vão mudar os hospitais. Quem manda no hospital é o médico. Quem manda na casa é a mulher. As que querem garantia de respeito ficam em casa em vez de se submeterem nos hospitais a esse tipo de violência institucional. Não há ainda no Brasil um hospital que leve em consideração o direito de escolha das mulheres. Nenhum. Postar um artigo de 4 laudas sobre as maravilhas de um parto hospitalar que não existe na prática é muito fácil!

      Um parto hospitalar na rede privada vai virar cesariana com 95% de certeza. E um parto hospitalar público todo mundo já sabe o que significa. Daí a mulher que opta por um parto em casa “apenas” com obstetrizes e enfermeiras obstetras está sendo “arriscada”?? O raciocínio é fantástico.

      Toshio, lamento pelo trauma de sua esposa e convido vocês a lerem relatos de parto domiciliar. Saudações!!!

      • Luciana

        Concordo. Eu sofri muita violência obstétrica no primeiro parto e no segundo não arrisco a ir pra hospital como forma de “precaução”. Precaução pra mim é ficar é casa ou em uma casa de parto. Não sou experimento nem objeto!

        E perfeito Ana, senti exatamente que quando sai de casa e cheguei no hospital o comando passou de mim para o médico. Note, fiquei 12 horas em trabalho de parto. 11 delas em casa, com uma doula, mãe e marido. Eu dormia entre uma contração e outra, recostada no sofá. Não pude pagar leito em hospital particular, por isso fui para o Victor Ferreira do Amaral em Curitiba só na fase expulsiva… Lá, impediram a entrada e acompanhante e eu com com 8 ou 9 de dilatação (1 médico e 2 residentes me “mediram” umas duas vezes cada discutindo a diferença entre 8 e 9 de dilatação), me mandaram por a calça e ir andando para o centro obstétrico. Depois mandaram deitar, “mas não pode de outro jeito?” “NÃO!”. Mentiu que não estava fazendo episiotomia de rotina. Estourou a bola. Mandou parar de gritar. Segurou o bebe e não me deixou segurar. Trouxeram meu filho de volta só 15 minutos depois, eu ouvia seus gritos de dentro da sala de pediatria. Depois disso ficamos 5 horas em uma maca esperando pra ir pro quarto. Hummm pra que tipo de humano é essa humanização aí?

      • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

        Luciana, tem um médico americano que diz assim: “A primeira intervenção que o ser humano faz no parto é quando dá o primeiro passo para fora de sua casa.”

      • Novato

        Quem “manda” no hospital não é o médico, estamos em uma sociedade com leis e regras. Quem rege os hospitais é um conjunto de leis e regras. Se isso não é constante é pq somos um povo medíocre que não faz valer seus direitos. Por que na França, Inglaterra, Canadá os hospitais públicos não são parecidos com os nossos? Pq nosso povo não é parecido. Nesse relato acima, o marido deveria ter denunciado, mas somos acomodados.
        Concordo com o autor, parir em casa é parir com insegurança. Ótimo exemplo da camisinha, o risco de vc contrair aids de uma relação desprotegida com um HIV positivo é entre 0,5 a 1% em geral, e por isso vc vai deixar de usar camisinha?
        O erro da cesárea indiscriminada em hospitais não deve ser subterfúgio para o parto criminoso sem assistência domiciliar. Se qualquer problema ocorrer não haverá tempo para assistência adequada.
        SEM FALAR NA ASSISTENCIA AO RECÉM-NASCIDO, OU AS PARTEIRAS E OUTROS PROFISSIONAIS SABEM AVALIAR APGAR, MASSAGEAR O RN, INTUBAR E MESMO QUE SOUBESSEM NAO HÁ COMO FAZER NADA DISSO. É UM CRIME PELA MULHER SE ELA FOSSE A ÚNICA ENVOLVIDA TUDO BEM, ELA EXPOE UMA OUTRA VIDA, SEM TER NOÇÃO PLENA DOS RISCOS.

      • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

        Novato, parto domiciliar não é sem assistência, é com assistência. E não tem nada de criminoso, Existem leis que definem o que é criminoso e o que não é criminoso.

        No hospital, quem define tudo o que vai acontecer com a mulher é o médico sim. E as enfermeiras mandadas pelos médicos. Apesar da lei do acompanhante, quem decide se ele entra ou não, é o médico. E se vai fazer uma cesárea sem necessidade, é o médico.

        Até parece que a população tem qualquer direito de escolha dentro do hospital.

        E sim, como “apenas” obstetriz eu tenho cursos de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira e da Americana de Pediatria, e nos partos domiciliares levo oxigênio, ambu, máscara, material de aspiração, e tudo o mais. Dou as notas de Apgar, que você deve saber que é feita por observação

      • Novato

        Como disse, fomos feitos para dar certo. Então a maioria dos partos vai dar certo até sem a obstetriz. Meus avós todos nasceram em casa e estão bem. Sou médico e acho que assistência neo-natal não é uma coisa que médico generalista está apto a fazer muito menos alguém não médico.
        Vc leva o oxigênio e ambu? Ok, vc faz a punção intra-óssea? Vc leva adrenalina? Vc leva oxi-hoot? Vc leva um ventilador para a criança? Vc tem câmara aquecida?
        Como disse, na maioria dos casos vai dar tudo certo! Se alguma coisa acontecer vc só vai assistir, impotente, alguém morrer.

      • Novato

        Se vc levar o centro obstétrico para lá eu advogo o parto domiciliar!

      • http://www.facebook.com/glaucianamonteironunes Glauciana Monteiro Nunes

        Novato, o que eu percebo é que você a todo custo quer se colocar superior. Parece criança que fica dizendo “olha o meu carrinho. ele é maior que o seu. o seu anda pra trás? E faz barulho com o motor?”. É tão ridículo, que quase chego a rir. Só não faço isso, porque lamento que a maior parte dos obstetras que estão aí para trazer nossas crianças ao mundo pensem da forma arrogante e impositiva como você =(

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Jura que em pleno século XXI existe alguém formado em medicina que desconhece como funcionam os sistemas de saúde de outros países? Já estava na hora de saber que em muitos países da Europa o parto é assistido por enfermeiras. O médico só é chamado se há alguma intercorrência.

        Falta de informação, a gente vê por aqui!

        Entre um obstetra de plano de saúde com 90% de cesarianas e agenda planejadíssima, como são quase todos os médicos de convênio, e uma enfermeira obstetra preparada para acompanhar um parto no momento em que meu filho estiver pronto para nascer, estando atenta ao evento e sugerindo remoção para o hospital se julgar necessária… hum… é… eu fico com a segunda opção! Passar bem!

      • Renata

        @facebook-100001165648559:disqus, o @disqus_dASXY9w4j5:disqus quer dizer que tudo tende a dar certo, APESAR de vcs, apenas-obstertrizes. E, segundo o @facebook-100001663603171:disqus, os pobres médicos é que são inustiçados.
        Desculpem-me, mas o discurso de vcs esta impregnado de preconceitos. E falta humildade para reconhecer que outros profissionais estão capacitados para atenção à saúde.

      • Novato

        Bom, muito interessante, vc está tão qualificada então a assistência da mãe como do bebÊ?
        Obstetrícia sao três anos de especialização mesmo após o curso.
        Neonatologia é um ano após dois de pediatria e 6 de medicina.

        Mas vc com seu curso está tão apta quanto eles a dar assistência tanto a MÃE QUANTO AO BEBÊ.
        Isto é retrocesso. Nâo acho que você consiga prestar uma assistência adequada e profunda a nenhum dos dois se o caldo engrossar!
        Simplifica muito quem não tem noção das coisas ou quem não sente pelo o quê seus atos, ou ausência deles, causariam.

      • http://www.facebook.com/gabriela.pascoto Gabriela Dos Santos Pascoto

        Novato, pelo amor de Deus… Questionar a qualificação da Ana Cris é um absurdo! Essa mulher ajudou tantas mulheres q acredito q já tenha perdido a conta de quantos bebês viu nascer… Eu, como uma dessas mulheres q teve o prazer de parir com a assistência dela, sinto vergonha alheia por sua colocação. Ela, q como é colocado acima, é apenas uma “obstetriz”, faz o q muito médico é incapaz: nos dá segurança num momento em q estamos fragilizadas e precisando de apoio. Ela tem qualificação e experiência para detectar problemas durante o trabalho de parto com tempo suficiente p/ remoção. Tive a experiência de parir meu primeiro filho no hospital, depois, meu segundo na sala da minha casa. Te afirmo, em casa é muuuuito melhor. Em todos os sentidos! Tive uma equipe maravilhosa com direito a doula, obstetriz e neonatologista. Não trocaria a sala da minha casa por nenhuma sala de parto em qualquer hospital do mundo! Retrocesso p/ mim é pensar como você!

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        @disqus_dASXY9w4j5:disqus : Dunning-Kruger Effect, está linkado no texto. Elas realmente acham que estão tão capacitadas quanto um obstetra E um neonato.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        @facebook-100001165648559:disqus , pra alguém tão militante da isonomia dos profissionais de saúde, tão hater do “poder” dos médicos malvados, fiquei impressionado de ler “AS ENFERMEIRAS, MANDADAS PELOS MÉDICOS”.

      • Letícia

        Novato, as parteira, obstetrizes e enfermeiras sabem ”
        AVALIAR APGAR, MASSAGEAR O RN” sim. Explique pq não há como fazer nada disso. Sério mesmo, estude um pouco mais, adquira mais experiência, vai aprender com a Dra Melânia e pare fazer terrorismo!

      • Luciana

        Novato, vc não entendeu o ponto. A denúncia não ia garantir que naquele parto/nascimento, que foi único, o direito a acompanhante tivesse sido garantido. Para quem está parindo e nascendo o momento é único e nossa atenção não pode estar voltada a se defender de um ambiente hostil e desrespeitador.
        O protocolo do atendimento à gestante no sistema de saúde público de Curitiba (Programa Mãe Curitibana) me garantia o direito de escolher a posição do parto. Eu sabia disso. Mas na hora, mandaram eu deitar. Questionei mas não teve jeito. Eu já estava na fase expulsiva e sem acompanhante. A enfermeira me pegou pelo braço e me “encaminhou” para a maca. Depois me diz que dentro do hospital não é o médico que manda… Fala sério!

        Denunciar não curou a ferida da violência obstétrica nem mudou a forma como meu filho chegou a esse mundo.

      • Novato

        Luciana, é por isso que as situações se perpetuam. Vc sofreu com isso e não fez nada, não é mesmo!?
        Há muita diferença no pensar do nosso povo…Vc acha que nao deve denunciar pq seu filho já nasceu e já houve o problema. Um pai italiano com o filho portador de adrenoleucodistrofia estudou e descobriu a cura para a doença que porém não pôde ser usada já que os danos haviam acontecido, estou até emocionado neste momento, e serve para a humanidade hj. Se vc não quer ajudar pensando que VC nao se beneficiar disso, somente os outros, pense que amanhã pode ser suafilha a precisar.

      • Luciana S. Lima

        Fiz sim denúncia sobre a situação que vivi, Novato. Talvez isso tenha mudado a conduta dentro do hospital onde pari, pois depois disso só ouvi relatos de partos respeitosos lá dentro. Pode ser coincidência, pode não ser… Enfim…

        A questão é: o que fazemos enquanto os hospitais e a medicina não se humanizam? Enquanto a formação dos obstetras não levar em conta o respeito à mulher? Não quero “arriscar” sofrer violência obstétrica novamente, nem acho que outras gestantes devam passar por isso. Por isso falei que denunciar não curou as feridas. Denunciei sim, mas as feridas permaneceram.

      • Letícia

        Vc fala do Diogo mainardi?
        E o filho dele nasceu na Itália. Num hospital.
        E teve uma péssima assistência médica.
        Foram médicos que cometeram erros e por isso o filho dele padeceu. Dentro de um hospital.

      • Novato

        Nossa minha amiga, como vc é limitada psicologicamente. Ninguém está dizendo que em hospitais não acontecem erros. Faz o seguinte, não pisa nunca mais emum hospital.
        Assim como vc nao deve ter pisado numa faculdade

      • Letícia

        Ui, rasgou!
        Não sou da área da saúde, mas procuro me informar minimamente dos procedimentos realizados no meu corpo e no corpo dos meus filhos.
        Mas concluí 2 cursos universitários. Seja menos infantil.

      • toshio

        no caso eu denunciei depois, mas na hora o que eu poderia fazer chamar a policia? mandar minha mulher fechar as pernas enquanto entrava com mandato de segurança?

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        gente, desculpem a ignorância mas e o parto humanizado? ouvi dizer de hospitais que tem salas com iluminação reduzida, banheira, música para o parto humanizado? existe? é raridade? como acontece?

  • http://www.facebook.com/people/Francisco-De-Assis-Rosa/568548135 Francisco De Assis Rosa

    Excelente texto. Reflete minha opinião sobre o assunto em cada vírgula tratada.
    Conversando com 2 amigas, fiquei assutado, que a maior preocupação de uma delas, era que a “buceta ficasse frouxa”, e isso causasse algum problema no casamento. E não tinha argumento que mudasse isso.

    • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

      Isso mostra o quando essas suas amigas são desinformadas né? Lamentável…

  • Fernando Diomar

    Ótimo texto. Meu filho nasceu a 22 dias, foi parto normal e eu passei todo o tempo ao lado dela, desde o momento da internação, passando pelo parto e durante o período de observação. Aqui em Curitiba, nos SUS tem o projeto Mãe Curitibana em que priorizam o parto normal e só executam a cesárea em casos necessários.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Falei que dava! ;-)

      Obrigado, Fernando.

      • Letícia

        Vamos todas pra Curitiba então!

  • Denise

    Que bom que entraram neste assunto aqui. Muitos homens preferem que suas mulheres façam a cesárea para que não fiquei ‘largas’. Argh!
    Que tal combater este mito por aqui também?

    Só duas considerações sobre seu texto:
    1. cesárea não é parto. É cirurgia
    2. a marcha citada no texto era pela humanização do parto, e não pelo parto em casa (sim houve uma pelo parto em casa, mas essa que você linkou não era). Precisamos diferenciar parto humanizado de parto em casa. Humanização pode ser posta em prática até em uma cesárea.

    Abraço!

    • Guest

      Olha, parto cesário é bom, mas deixa mais larga sim!

      • Pari em casa

        Quem fala isso ou é ignorante ou tem pinto fino. Pronto falei.

  • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

    Curioso como todo o embasamento científico anti-cesárea é válido e bem feito, mas o que justifica o direito à escolha pelo parto domiciliar não. Este último é mal feito, com pequena amostragem e cheio de viéses, incluindo o da Holanda, que compara 600 mil partos. Não dá para discutir com quem já tem a cabeça feita.

    • Spark Espíndola

      que tal apresentar os tais contra-argumentos para os leitores?

    • http://www.facebook.com/people/Marcio-Piovezani-Duarte/1096875548 Marcio Piovezani Duarte

      Só o fato de existir a possibilidade de surgirem complicações que não podem ser atendidas com prontidão por uma estrutura hospitalar, já deveria invalidar completamente qualquer intenção de parto fora do hospital.
      Acredito veementemente no meio termo, um ambiente agradável e aconchegante, menos mecanizado, dentro da sala de parto. Mas infelizmente ainda é uma opção que não está disponível para toda a população, mas nem por isso devemos deixar de lutar por isso.

      • Letícia Penteado

        E o fato de existirem complicações que SÓ OCORREM NO HOSPITAL, Marcio Piovezani Duarte? Não invalida completamente qualquer intenção de parir dentro dele?
        Clique no link que a Ana Cristina e a Mariana colocaram acima, você vai se surpreender. Eu sei. Eu me surpreendi. O senso comum nem sempre está certo. A gente costuma achar que o hospital é o lugar mais seguro do mundo. Só que não é.
        Estude as evidências científicas – os estudos sérios, de verdade, que não misturam alhos e bugalhos. Você vai descobrir que é comprovado cientificamente que o parto domiciliar é tão seguro quanto o hospitalar – ou até mais.
        Um abraço,
        Letícia

      • Renata

        Vamos gestar no hospital tb, é mais seguro!

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Claro que conheço o estudo holandês e sabia que ele iria surgir como “prova”.

      Foi (também) a ele que me referi quando disse “em contextos muito específicos, resultando em baixa validade externa”

      • Renata

        Qual a especificidade que reduz sua validade?

  • http://www.facebook.com/jackligeiro Jacqueline Ligeiro

    Ahhh pára!!! Algum homem ai já sentiu a dor do parto? Sinceramente: ”
    com ela brilhando, linda, mais mulher do que nunca.” ???

  • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

    Querido, sua amostragem está péssima. Mesmo dentro do HC tem médicos favoráveis ao direito à escolha do parto domiciliar, mas que obviamente vão manter suas bocas bem fechadas, na casa de Arnaldo & Zugaib, pois não são idiotas, né?

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Olha, minha amostragem não se restringe ao HC.

      Sou gaúcho e tenho contato com pessoas de lá. Já estagiei em Brescia, na Italia. Servi à Força Aérea Brasileira em Manaus e, além de médico militar, trabalhei no setor privado e na Embrapa. Fui diretor da Bandeira Científica, o maior projeto de extensão da USP, através do qual visitei várias localidades do norte e nordeste e interagi com médicos e estudantes de lugares bem diferentes de São Paulo. Minha visão é menos limitada do que pensa.

      Quanto à influência do Prof. Zugaib, nada mais natural, uma vez que ele é o titular da disciplina e um dos mais respeitados obstetras deste país. Não chegou lá à toa.

  • http://www.facebook.com/jackligeiro Jacqueline Ligeiro

    Ahhh pára!!! Algum homem ai já sentiu a dor do parto? Sinceramente: ”
    com ela brilhando, linda, mais mulher do que nunca.” ??? Pela primeira vez um texto do PdH do qual discordo plenamente. Assistam um parto normal e me digam se dá pra pensar em algo mais relevante que não seja dor, sofrimento. Mas se a ideia é que o Homem divida um pouquinho da dor, tá valendo (falei um pouquinho), duvido que suportariam.

    • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

      Jackqueline, o parto normal não precisa envolve sofrimento, e quando a mulher solicitar analgesia, não precisa envolver dor também.

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        @facebook-100001165648559:disqus, adoraria saber mais sobre isso… Tem alguns links pra me indicar?

    • Letícia

      Eu pari em casa. Com uma enfermeira obstetra.
      Eu senti dor, mas não sofri.
      Ah, nem fiquei “larga”.

    • http://www.facebook.com/people/Marcio-Piovezani-Duarte/1096875548 Marcio Piovezani Duarte

      Essa dor é inerente e conhecida. Se é tão ruim assim de suportar, por uma causa nobre, um filho.
      Não engravida.
      Muito melhor do que colocar uma criança inocente em risco pelo bel-prazer da comodidade.

    • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

      Eu tive um parto normal. E a todo momento eu pensava em algo mais relevante do que a dor das contrações: eram aquelas dores que trariam a minha filha para os meus braços da forma mais segura e natural possível. Eram aquelas dores que me garantiam que o pulmão da minha filha estava 100% maduro. Eram aquelas dores que faziam o meu corpo se abrir para a minha filha passar… E por isso eu curti muito o meu trabalho de parto. Hoje eu digo que só quero mais um filho, mas teria mais 10 partos… Parir em um ambiente respeitoso, tendo as escolhas respeitadas e sendo acolhida foi a experiência mais incrível que eu vivi na minha vida. E depois disso, eu me sinto uma mulher muito mais completa! Eu tive dor, mas não sofri em momento algum!

      • http://www.facebook.com/mayara.marinheiromartinelli Mayara Marinheiro Martinelli

        eu teria 1000 partos, eu brinco que a humanização é perigosa, aumenta as taxas de natalidade!

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        gente, que coisa linda.

        convivo com muitas mulheres, NUNCA ouvi uma falar assim.

        a maioria das grávidas que conheço dizem que vão tentar parto normal… e sempre (SEMPRE) acabam numa cesárea porque “não teve dilatação”.

        acho muito bonito e inspirador. só vou ter filhos daqui a uns boooons anos, mas este seu relato é o que mais me faz sentido quando penso em parir.

    • http://www.facebook.com/mayara.marinheiromartinelli Mayara Marinheiro Martinelli

      TIVE UM PARTO NATURAL MARAVILHOSO! humanizado e digo snti dor, hj com 22 dias do nascimento do meu filho, não vejo a hora de ser mãe novamente pra passar por tudo isso de novo, meu parto foi lindo, não teve sofrimento, sentir dor pode ser bom, a melhor experiencia qd vc tá preparada e amparada!

  • Diego Matias

    Vamos combinar assim: cada um faz do jeito que achar mais adequado pra si. Que tal?

    • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

      Acho MARAVILHOSO! Principalmente que as mulheres possam escolher, pois estamos falando do corpo delas, afinal…

    • Matheus Gomes

      Isso é óbvio.
      O texto é dele e ele só quis mostrar sua opinião. Assim como aqui nos comentários cada um defende seu ponto de vista. Ninguém disse aqui qual seria a verdade suprema e que todos devem concordar.

  • Arildo Dias

    Belo texto Lucas.
    Concordo que o diálogo é o meio são melhor caminho, bem mais do que a dicotomia. Eu percebo que a academia, infelizmente tem priorizado o saber científico, o que na minha opinião impede que mais espaços como hospitais públicos que façam parto normal sejam criados, por exemplo.
    Aproximar lados, fugir da dicotomia, e procurar juntar o melhor que há em visões opostas deveria ser uma prática bem mais estimulada na formação que otemos na universidade, mas isso já seria papo pra outro texto.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      “infelizmente tem priorizado o saber científico”? Como assim Arildo? Priorizar o saber científico é o que se espera da Academia.

      E isso não significa não dar importância às questões humanas.

      Pelo contrário, o parto humanizado passa por oferecermos uma assistência baseada na melhor evidência científica, priorizando a segurança da mãe e do bebê.

      Quanto aos hospitais públicos, é justamente neles que a incidência de partos por via vaginal se aproxima (um pouco) do preconizado. É na rede particular que o número de cesáreas é absurdamente maior.

  • Vinicius Pozzebon da Silva

    Achei bom o texto e algumas das manifestações postadas aqui. Só acho desleal incluir no mesmo balaio de “partos em casa” (e extrair uma estatística disso) situações completamente diversas como um parto totalmente por conta da mãe e outros com a assistência de médico, enfermeira, doula ou qualquer pessoa que saiba com o que está lidando. Outra coisa: acho que a mulher deve sim dar a última palavra sobre o assunto, porque adoto a visão de que a gravidez é, em última análise, sua (mais do que do bebê ou do marido: pensar o contrário, na minha opinião, é machismo). Todas as pessoas que conheço que advogam pelo parto humanizado (seja em casa, casa de parto ou hospital) SABEM do que estão falando. Ao contrário do que o texto sugere, essas pessoas, via-de-regra, estão mais bem informadas do que as que optam pela cesárea sobre os riscos que correm.

    • http://www.facebook.com/glaucianamonteironunes Glauciana Monteiro Nunes

      É isso, Vinícius. Disse tudo. Que booooom que há homens que pensam assim.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      “mais bem informadas” não quer dizer que conheçam TODAS as implicações dessa escolha.

      Ainda mais se a fonte dessa informação for essa panfletagem descarada dos blogs que a galera está linkando.

      • Pari em casa

        O Blog q a galera tá linkando é da Dra Melania Amorim, q gentilmente divide seus conhecimentos com nós “leigas”. Defensora do Parto Domiciliar. Acho q com um Lattes desse peso, ela sabe bem o que tá falando. Quem tiver ouvidos pra ouvir, q ouça.
        http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4701186A6

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Conheço o blog, todo mundo conhece. Li antes e durante a escrita do texto. Respeito a argumentação dela, é coerente e bem embasada.

        O que não respeito é vocês colarem o mesmíssimo link em todos os comentários. Panfletagem cega, descabida e, em muitos comentários, extremamente arrogante – o que é estranho para quem adora “argumentar” (ad hominem) que os médicos são arrogantes. Sério, faz perder a credibilidade. Mesmo.

      • Letícia Penteado

        Mas, Lucas, não estou te entendendo. A gente indica o blog da Melania porque ela é uma médica reconhecida do ramo, que posta com embasamento científico e citando todas as suas fontes, e você, sendo médico, tem, claro, dificuldade de acolher as opiniões leigas. Só por isso. Eu poderia te direcionar para diversos outros blogs, mas nenhum seria tão recheado de dados puramente científicos coletados e apresentados de forma tão didática.
        Quando eu te peço para ler o blog e falar aqui o que achou, estou sendo sinceríssima. Sarcasmo mode off total. Porque assim, eu quero saber se mesmo depois de você ver tudo o que ela escreveu você ainda acha que o parto domiciliar é um erro. Entende? Porque eu realmente quero saber quais são os seus argumentos que desmontam aquelas evidências científicas. Afinal, nenhuma mulher arrisca a vida de seu filho à toa.
        Veja: eu pari no hospital – tive pressão alta, nem poderia parir em casa. Não tenho nada contra hospital.

      • Renata

        Lucas, vc leu os textos da Melania mesmo? Que tal falar sobre outros estudos além do que vc cita?
        Vc nos acusa de espernear contra a conclusão desse estudo, mas ignora outros, que embasam nossa argumentação. Vamos dialogar de verdade?

      • Vinicius Pozzebon da Silva

        “Mais bem informadas” significa que buscaram conhecer o processo pelo qual passarão, ao contrário da maioria das mulheres que cegamente fazem o que a mídia, os médicos, os planos de saúde e a indústria farmacêutica as conduz a fazer. Ainda que não conheçam TODAS as implicações, é melhor do que não conhecer NENHUMA, como a maioria que opta por marcar a cesárea aos 3 meses de gravidez.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Queria muito saber o que as pessoas entendem por esse balaio de gato de “os médicos”. Como se fôssemos todos iguais e muito malvados, nos reunindo em uma sociedade secreta pra planejar maldades contra os pacientes e novos meios de arrancar seu dinheiro. MWAHAHA! ;-)

      • Letícia Penteado

        Lucas, não leve esse tipo de coisa para o lado pessoal. É modo de dizer. Claro que existem médicos muito bons, como eu já disse.
        Pô, eu não me dôo quando as pessoas falam que “advogado é tudo filho da pvta!” Porque eu sei que eu não sou, logo eu sou a exceção… ;)

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Não tem balaio nenhum, @google-b7d4504a6150eb3a2d479c948f8f3553:disqus . Mesmo que haja parteiras, enfermeiras, obstetras e pediatras na casa, continuo considerando menos seguro, na nossa realidade, parir em casa.

      Sobre a parte do machismo, discordo. Apesar do bebê estar no corpo da mãe, realmente vejo a gravidez como “do casal”.

    • http://www.facebook.com/anacarolina.kluber Ana Carolina Klüber

      Concordo total

  • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

    Lucas, eu sou apenas “obstetriz” como diz seu texto. Vamos por partes. Quem assiste parto domiciliar são enfermeiras obstetras ou obstetrizes. Raramente médicos, dada a atual perseguição dos conselhos e as ameaças veladas por parte da S.M, conselheira do CREMESP. Durante o atendimento do parto domiciliar não cabe a realização de cesarianas e de partos cirúrgicos, como você bem deve imaginar. O que um médico pode fazer, uma obstetriz ou uma enfermeira obstetra também pode. Eu não passei quatro anos de obstetrícia na USP para se considerada “apenas” uma obstetriz. Eu posso te garantir que eu já assisti mais partos do que qualquer um dos seus colegas HClínicos, que ostentam uma taxa de 65% de cesarianas, com a justificativa de que essas mulheres são de “alto risco” e portanto precisam todas ir para a mesa de cirurgia. O que as mulheres estão procurando no parto domiciliar é esse olhar. Nenhuma delas está buscando uma garantia de parto natural, mas elas querem ter certezas de estarem assistidas e acompanhadas por quem não as olhe como bombas relógios prestes a explodir. Seu texto é ofensivo, tira qualquer desejo de diálogo, mas não posso deixar você impunemente fazer o seu leitor crer que o parto domiciliar é acompanhado por “apenas” uma obstetriz. E para complementar, algo que você devia estar fanho de saber, doulas não assistem partos em qualquer ambiente que seja. Elas são apenas conforto físico e emocional na assistência ao parto. Quem atende o parto e ausculta BCFs e verfica evolução do parto são as enfermeiras obstetras, apenas-obstetrizes e médicos.

    • Novato

      Eu não acho que ele quis destruir o sonho do parto humanizado. Ele só pensa que isso poderia ser realizado em hospital e não em casa a mercê do destinho. Destino, sim, a maioria esmagadora das vezes tudo ocorrerá bem, mas naqueles que não, a consequência é desastrosa.
      O meu primeiro parto teve uma circular de cordão forte. É mole?
      Concordo com ele!

      • Letícia

        E por um acaso estar num hospital é garantia de que tudo correrá bem? Se não der tudo certo n hospital, a consequência será menos desastrosa? Minha filha nasceu em casa com uma circular de cordão forte. Foi retirada a circular e tudo bem. Como a maioria dos bebês nasce com circular de cordão.
        Novato, vá estudar com a Dra Melânia Amorim, por favor!!!
        estudamelania.blogspot.com !!!!!

      • Novato

        Luciana, tudo bem, este aparato tecnológico que a humanidade criou é fruto da vaidade de alguns. Agradeça pq nada aconteceu.
        É claro que não é garantia nenhuma, mas é garantida uma assistência maior com uma chance de sobrevivência maior tbm.
        Ainda bem que sua filha está bem. Meus avós nasceram em casa, nem por isso vou pô-los como exemplo de que parto em casa é garantia de sucesso.
        Engraçado que as sociedades com mais partos sem assistencia médicas sao as que tem maiores taxas de mortalidade neonatal e materna.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Novato, conte-me sobre as taxas de cesariana da Holanda e da Suécia? E conte-me tb sobre suas taxas de partos domiciliares? E depois, pode me dizer quais são as taxas de mortalidade neonatal e materna nesses países?
        Obrigada!

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Conte-me sobre as similaridades entre as sociedades brasileira e sueca ou holandesa. Compare o nível educacional da população, o acesso a estilo saudável de vida e a estrutura de assistência à saúde, só pra começar.
        Obrigado!

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Lucas, o nível educacional de quem escolhe parir em casa com acompanhamento no Brasil não é baixo. São mulheres com ótima graduação, estilo de vida saudável e gravidez sem nenhuma intercorrência (esse último pré requisito para se pensar em um parto em casa).

        A única diferença é que lá o parto domiciliar é bancado pelo sistema público de saúde, sendo que as mulheres são acompanhadas unicamente por midwifes, Obstetras só servem para reais intercorrências.

      • Letícia

        Lucas, o nível social pode ser diferente, mas o corpo das mulheres é o mesmo!!! O que muda é a busca pela informação e pela fisiologia do parto. E a capacidade descarada que os médicos tem de mentir (indicar cesáreas sem necessidade) e as mulheres aqui aceitam pq não buscam nenhuma informação!

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        E por um acaso morar em um país mais pobre faz o corpo da mulher ser mais defeituoso?

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        E por um acaso morar em um país mais pobre faz o corpo da mulher ser mais defeituoso?

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        E por um acaso morar em um país mais pobre faz o corpo da mulher ser mais defeituoso?

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        E por um acaso morar em um país mais pobre faz o corpo da mulher ser mais defeituoso?

      • Luciana S. Lima

        Parto domiciliar não é sinônimo de parto sem assistência!

      • Valéria

        Escolhi ter minha segunda filha em casa. O parto era considerado de baixo risco, fiz o pré-natal direitinho, tinha uma obstetriz excelente me acompanhando. Quando entrei em trabalho de parto, pra resumir a história inteira, tive um descolamento prematuro de placenta, e a bebê ainda estava muito alta (não estava insinuada). Fui levadas às pressas pro hospital mais próximo, uns 10 minutos de carro, sangrando muito, quase desmaiando. Chegando lá fui submetida a uma cesária de urgência, mas a bebê não conseguiu passar tanto tempo sem oxigênio e já nasceu sem vida. Foi há três anos e até hoje me arrependo de ter sido tão egoísta na minha escolha.

      • Novato

        Valéria, é justamente isso que eu digo. Nesses casos que são a imensa maioria o resultado negativo vai acontecer. É por isso que advogo em relação ao parto humanizado no hospital.

      • Pari em casa

        Relato fake. Eu sei quem vc é, rs. mentir é feio e cresce o nariz, rs.

      • Renata

        Um descolamento prematuro de placenta pode acontecer qdo a mulher ainda não está em tp ativo, não pode? Portanto, quando ela ainda não está no hospital, não é? Problemas graves podem acontecer na gestação e nem por isso passamos 9 meses no hospital.

      • Nana

        “foi retirada a circular e tudo bem”. E se não ficasse tudo bem? Vc morava perto do hospital? Tinha uma ambulancia uti na sua porta? A obstetriz intubaria o Rn? Tinha um cilindro de oxigenio e um oximetro? Qual o tempo de deslocamento até o hospital? Vc sabe qual o impacto da vibraçao do transporte no rn (relacionada a hemorragia intracraniana, alias)? Iria de helicoptero se morasse longe? E a despressurizacao da cabine se fizesse um pneumotorax ou pneumomediastino, comuns em recem nascidos?
        Nao existem maquinas milagrosas, mas existe um suporte vital fundamental nessas horas e irreprodutivel em partos domiiliares.

      • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

        kkkkkkkkkkkkkkk só rindo, desculpa

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Bom argumento, Ana.

      • Nana

        Realmente um show de argumentacao.

      • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

        “Novato”, um terço dos partos que eu assisto em casa têm circulares de cordão nos mais diferentes graus de aperto. Circulares de cordão são naturais na espécie humana e são uma forma de garantir que o cordão não fique solto sob a cabeça do bebê, aí sim representando um grande risco. Uma circular apertada demanda uma manobra chamada “Somersault manouver” ou “Manobra da cambalhota”, pouquíssimo conhecida no Brasil. Já ss circulares frouxas não necessitam de manobra alguma. Tudo isso se faz em casa também. O que as pessoas demoram a entender é que a segurança de um parto não se faz com equipamentos modernos, mas sim com assistência altamente qualificada. Quem salva vidas são pessoas muito bem treinadas, não as máquinas milagrosas. Não existe no hospital uma máquina de tirar circular de cordão apertada.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        O meu parto tinha 3 circulares de cordão!
        E não precisaria estar no hospital pra obstetra resolver isso!!

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      “O que um médico pode fazer, uma obstetriz ou uma enfermeira obstetra também pode.”

      Repito o que comentei acima:
      Se acontecer alguma URGÊNCIA ou EMERGÊNCIA médica, ou mesmo complicações que necessitem do especialista, qual a conduta? A obstetriz sabe intubar? Sabe PALS? Sabe tratar atonia uterina? Sabe corrigir distocias de rotação?

      Ter assistido mais partos que qualquer um que seja não te habilita a tomar condutas médicas. E NÃO HÁ NENHUM DEMÉRITO NISSO, CADA UM NO SEU QUADRADO.

      Começo o texto falando que quero abrir uma conversa razoável. Termino o texto falando que a solução é pararmos de nos ver como inimigos e nos abrirmos ao saber um do outro, afinal todos temos os mesmos objetivos. Como isso seria “ofensivo” ou “tiraria qualquer desejo de diálogo”?

      • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

        @facebook-100001663603171:disqus trabalho com baixo risco, em parto sem intervenções. A taxa de reanimação é de 1% e não 10% como afirma sua colega. Não posso intubar, mas trabalho com neonatologista que pode. Posso reanimar e manter em VPP o tempo necessário para transferência se ela não estiver. Sim, sei PALS, todas as obstetrizes e enfermeiras obstétricas aprendem e as que atendem sozinhas em domicílio fazem o ALSO a cada 2 anos. Sim, sei tratar atonia uterina com técnicas inclusive pouco usadas no Brasil como o balão interno. Sim, sei corrigir as distócias de rotação, as manobras externas e internas, nas apresentações cefálicas e pélvicas. Repito as duas únicas coisas que um médico obstetra pode fazer e eu não é o fórceps (ou o vácuo) e a cesariana. Posso realizar episiotomia (embora eu não faça) e as rafias. Com anestesia local. Você usou os termos “apenas” e em seguida “obstetrizes” assim entre aspas, com um objetivo. Em nenhum momento no seu texto você se refere a “médicos” entre aspas.
        Repito, não passei 4 anos estudando obstetrícia para não saber como desprender um ombro impactado.
        Você e sua colega pediatra nunca conseguirão compreender a diferença de cenário de se trabalhar num hospital de grande porte com o cenário de se trabalhar exclusivamente com baixo risco. Vocês acham que conseguem, mas não conseguem. Nunca fizeram e ficam pensando naqueles bebês asfixiados, prematuros, de termo, tudo misturado, em partos cheios de ocitocina, baldes de ocitocina. E eu desafio os dois a me dizerem onde foi que já estiveram presentes, em que hospitais estiveram presentes em que não se usou ocitocina à vontade, sem bomba de infusão em 100% das mulheres. E antes de responder que ocitocina não faz mal, sugiro que leiam a bula. Efeitos colaterais: anóxia neonatal e óbito fetal. Dai vocês aprendem obstetrícia nesses ambientes altamente medicalizados e pensam que sabem o que é trabalhar com baixo risco. Não sabem. E não interessa saber.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Se você não pode intubar, NÃO, você não fornece o PALS completo.

        Escrevo “obstetriz” entre aspas porque foi um termo criado agora. O que sempre existiu foi o obstetra, o que essas novas profissionais não são. Aliás, sendo a obstetrícia um ramo da medicina, um curso de graduação não deveria chamar “obstetrícia”. É como abrir uma graduação em pneumologia ou urologia.

        Quanto ao seu “desafio”: no Hospital Universitário da USP, lembro de ter visto apenas UM parto com ocitocina (com indicação precisa) em todo o período que estive lá. No HC, não vi nenhum.

        Ocitocina tem efeito adverso, sim, como TODOS os remédios. E, assim como todos os remédios, tem indicações e contra-indicações.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        “as duas únicas coisas que um médico obstetra pode fazer e eu não é o fórceps (ou o vácuo) e a cesariana.”

        Depois os médicos são arrogantes.

      • Letícia

        Então é coisa momentânea, pq conheço pelo menos 10 mulheres que tiveram bebês no HU, e todas sofreram todas as intervenções possíveis. De rotina. Sem necessidade. Assim como no Beneficência Portuguesa, Cachoeirinha (lá é fórceps quase em todas primigestas, um horror!)

    • Nana

      Acho que, falando nos seus termos, tambem nao podemos subjulgar os meus 6 anos de medicina, 2 de pediatria e 2 de neonatologia para atender um recem nascido em sala de parto. Fala-se de circular como se fosse ó meu deus a coisa mais grave do mundo. Cansei de ver recem nascido sem risco nascer deprimido. Cansei de ver periodo expulsivo prolongado e bebe bradicardico. Ja intubei e cateterizei mais rn do que gostaria. Um simples meconio terminal MATA. E nao é no conforto do lar que eu consigo fazer essas manobras. As 9 entre 10 criancas que nao precisam de mim eu deixo no colo da mae, tiro foto com o pai e divido o peso como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. E é. Aquela 1 em 10, é pra ela que eu estudei 10 anos.

      • Letícia

        Então quer dizer que vc é uma das pouquíssimas pediatras ou neonatologistas que não aspiram/esfregam;pesam/limpam/faz credê ocular/separa da mãe/deixa horas no berçário/receita nan e vacinas sem autorização dos pais, tudo isso de rotina em rn que não precisa????
        Deixe seu nome e telefone que, quando alguma amiga quiser ter neonato particular pra garantir que o rn seja minimamente respeitado no nascimento eu passo seu número!!!!
        É lógico que os meus nasceram em casa, não passaram por nada disso!

      • Nana

        Eu trabalho em hospital amigo da criança. Nao precisa nem do meu numero e nem dos meus colegas. Aspiraçao não é mais obrigatoria ha alguns anos, portato so aspiro quando o rn tem desconforto respiratorio. Colocar o bebe junto a mae é um passo da reanimacao neonatal, pode reclamar se nao o fizerem. O crede é obrigatorio por lei em sao paulo, entao é ILEGAL nao o fazer, apesar de podermos descorrer horas sobre o assunto. Bebe que nasce bom fica com a mae no alojamento conjunto. Uti ou berçario, so pra quem precisa. Formula lactea, mais uma vez, so se houver indicaçao formal e mais uma vez posso falar horas sobre as complicacoes imunologicas da introduçao precoce de formulas. Apesar de me dar arrepios, vacinaçao tambem tem o consentimento assinado da mae, num formulario (repito e sou enfatica e irredutivel: acho um crime nao vacinar uma criança). O exame fisico inicial compreende a afericao de peso e medidas, nao so para decisoes MEDICAS, como para o preenchimento do formulario de nascido vivo. Mais uma vez, que bom que seus filhos estavam entre aqueles que nao precisam de manobras de reanimaçao. Caimos aqui de novo na armadilha a que o Lucas ja se referiu. Estamos na briga errada. Devemos lutar sim para que essas praticas sejam feitas de forma ampla em todos os serviços, e nao colocar vidas em risco por elas.

      • Pari em casa

        Desrespeitar a lei do acompanhante pode, mas desrespeitar a lei q manda pingar no olho do recem nascido uma merda q arde mais q pimenta, não, isso não pode!

        Ah tá, deve ser ultra mega power necessário e importante o nitrato de prata, devemos imaginar na nossa ‘leiguice’, né mesmo?

        Pasmem senhoras e senhores, é desnecessário e prejudicial na maioria das vezes. Veja só, só é necessário se a mãe tem gonorréia E se o parto for normal. Mas num hospital particular, 90% nasce de cesaŕea! E com certeza essas mãesinhas fizeram o pré-natal e se sabe q não tem gonorréia. Mesmo assim colocam esse veneno nos olhos de TODOS os bebês, tipo linha de produção, saca?

        Estupidez sem tamanho fazer crede em nascidos de cesariana!
        Esse é apenas um de um bando de erros grotescos praticados no parto hospitalar tradicional. Mas os médicos e hospitais sabem tudo, devemos aceitar tudo q eles mandam. Rá!

      • Novato

        nem sempre a mãe é sintomática, as vezes, ela é portadora da bactéria e poderá passar para a criança… não dá pra conversar com vc. Teríamos que lhe ensinar tudo da prática neonatal, seria interessante se fosse minha paciente mas vc está com esse tom de briga.
        E qual médico está advogando desrespeitar a lei do acompanhante? vc soa estúpida!
        Mas faz o seguinte, não dê o nitrato pro seu filho, não dê vacina, não dê sulfato ferroso caso necessite, não faça a profilaxia para dç hemorrágica do rn, Muda pro mato, cure o umbigo dele com picumã!
        Eu sinto pelo seu filho!

      • Nana

        Quando eu disse que poderiamos descorrer horas sobre o assunto, era sobre isso que eu falava. O colirio era fundamental numa epoca em que a prevalencia de cegueira por doença gonococica era grande, e por isso virou lei. Ha locais que preconizam tambem a aplicacao em genitais. Como nao é algo investigado ou sabido na gestacao, é feito. Nao, nao é um erro, é uma lei. Mudemos a lei entao, baseados em coisas mais profundas do que uma pesquisa na wikipedia, mas ate la, respeitarei, pois vivo numa certa estrutura social que pede isso. Não sei em que momento propus um dialogo ofensivo e rude como o seu, mas se o crede é sua unica contra- argumentacao no momento, ha pouco a ser dito. Alias, onde eu escrevi que sou contra acompanhantes?

      • Letícia

        Agora não estou achando o link, mas uma neonatologista fez ma consulta à Sociedade Brasileira de Pediatria e lembro que o órgão orientava os pais a redigirem uma carta não autorizando a aplicação do crede, ou as vacinas, no caso de parto hospitalar.

        Agora, se a Sra trabalha num hospital amigo da criança, diga o nome do hospital, pq na maioria deles acontece tudo isso e mais um pouco.
        Simples assim. Sabe pq?
        Como o novato disse abaixo, “o que vc é (no caso eu e outras mulheres) para saber tanto assim da prática médica? Alguma recalcada deprimida?”
        Na verdade eu procuro me informar sobre o que vai ser feito comigo, injetado nos meus filhos.

      • Letícia

        Achei o link (é, vou linkar mesmo, não tem outro jeito)
        http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Pareceres&dif=s&ficha=1&id=5653&tipo=PARECER&orgao=Conselho%20Regional%20de%20Medicina%20do%20Estado%20de%20S

        Então os pais podem se recusar a aplicação do crede, das vacinas no hospital, ou da vitamina K injetável.

      • Letícia Penteado

        Pronto. Olha só que legal, Nana! Agora você pode fazer aquilo que é verdadeiramente melhor para a criança, e não só o que a lei manda! Não está mais obrigada a torturar recém-nascidos sem necessidade. Como é bom este diálogo, né? ;)

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Isso, Letícia.

        Acusar a Naná e outros médicos de “torturar criancinhas” favorece mesmo o diálogo.

      • Letícia Penteado

        Lucas, como é que você classificaria uma pessoa te infligir dor desnecessariamente? Sabendo que está fazendo isso? E não me diga que é por protocolo, por dever, porque, como vimos, não é o caso.

      • Nana

        Como eu disse, não é “inflingir dor desnecessariamente”. Há um motivo para que essas coisas sejam feitas. Que se faca entao um estudo que mostre a baixa prevalencia de doenca gonococica na populacao e se mudem os protocolos. Sim, protocolos existem para reduzir a chance de erros e sistematizar situacoes com risco potencial. Nao sou a favor do crede, mas a menos que seja feito um documento formal ele é feito em sala de parto sim, ou EU sou processada, entende como as coisas funcionam?
        Agora vacinaçao? Pelo amor de deus, não consigo nem pensar num argumento minimamente convincente com base minimamente cientifica pra nao ser feito. vitamina k? Pelo amor de deus 3 vezes, só quem viu uma crianca morrer SANGRANDO sabe o que é sofrimento desnecessario. Inclua ai nas suas buscas algo sobre doenca hemorragica do recem nascido, transporte transplacentario de vitamina K e a dosagem de tal vitamina no leite materno. Eu não ganho a mais por nenhum desses procedimentos, inclusive seria um trabalho a menos pra equipe de enfermagem, já sempre tao sobrecarregada.
        Nos nao somos vampiros sugadores de dinheiro. Nao somos sadistas enrustidos que agem às sombras “inflingindo dor desnecessaria”em recem nascidos. Fazemos medicina baseada em evidencias, não achismos, não gostos, não vontades particulares.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        @aed4fbe0eefa4dc56bbc13181dee56a6:disqus , a discussão e todos os envolvidos nela se beneficiarão se você argumentar de forma não agressiva, sem ofensas ou ataques como esse, atendo-se ao que os seus interlocutores lhe dizem.

      • Novato

        ei, o que vc é para saber tanto assim da prática médica? Alguma recalcada deprimida?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        @disqus_dASXY9w4j5:disqus , estendo meu comentário sobre debater de forma não-ofensiva a você. Compartilho de várias opiniões suas, expostas ao longo da discussão, mas ataques pessoais não vão nos levar pra frente.

    • Abobrino

      Na boa, não gosto de ser simplista nem de falar em padrões sociais, mas acho que todo esse papo de parto humanizado é uma frescura bem classe média. Até parece que a mulher que mora numa periferia ou numa favela vai brigar para ter o filho em casa…ela vai querer isso no hospital, bem longe do seu casebre. Até pq pagar por essa assistência e por doulas está bem além do que a mair parte das mulheres podem, então não falem como se essa reivindicação fosse coletiva pq não é, ela é bem específica e tem público-alvo bem direcionado.

      E outra: Se o clínico apoia a cesárea para ganhar grana na cirurgia você acha mesmo que não tem obstetras e doulas apoiando a causa de olho nos negócios?

      Pra fechar, noto que o nome “parto humanizado” é puro marketing. Um procedimento médico qualquer não fica mais humano se for realizada no seu sofá ao invés da maca hospitalar. Só menos seguro.

      • Pari em casa

        Não sabe nada do assunto e fica opinando, tsc, tsc,

        O q faz o parto ser humanizado não é o local onde ele acontece e sim o fato da mulher ser respeitada no seu protagonismo do parto e ser bem tratada. Só q a maioria dos hospitais colocam a mulher numa linha de produção, numa chuva de intervenções desnecessárias (triconomia, lavagem intestinal, sorinho com ocitocina – q aumentar as dores, não deixa a mulher se movimentar, a obriga a parir deitada – posição q doi mais, fazem um corte na vagina – q é uma mutilação, sobem na barriga pra empurrar o bebê, mandam calar a boca, parar de gritar, proibem de se alimentar, não respeitam a lei do acompanhante, praticam todo tipo de violencia obstetrica verbal: “Não hora de fazer vc gostou, pq tá gritando agora?”, “Não chora não q ano q vem vc tá aqui de novo”, “Não te atendo se não parar de gritar”, etc).

        Isso sem falar no modo desumano com que tratam o bebê, q é recebido com luz forte, é esfregado, jogado numa bandeja fria de inox, é furado, tem pingado nos olhos nitrato de prata q arde feito o inferno, enfiam tubos na boca, nariz, anús, é afastado da mãe, dão leite artificial, não estimulam a amamentação, etc,

        E se for cesárea, os males já foram muito bem explicados no texto.

        Sim, o parto humanizado poderia acontecer nos hospitais, mas está longe de acontecer no Brasil. Enquanto nos hospitais for esse açougue desumano, eu prefiro ficar no conforto da minha casa, parir na posição q eu quiser, caminhar, ter o paio do meu marido, da minha doula e de quem mais eu quiser, ter a assistencia de um médico obstetra ou obstetriz, ou enfermeira obstetra, que saiba partejar e só interferir no processo natural do parto quando estritamente necessário.

        No hospital eu sou “maezinha”, na minha casa eu sou rainha!

      • Letícia

        Se é pra pagar, então eu pago pra quem vai me respeitar, me atender com a atenção e o cuidado que mereço, não como um número, não como “mais uma”.

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        hahaha, legal seu comentário.

        É bem provável que a doula ou a obstreta trabalhem por dinheiro. Os médicos que agendam cesáreas também o fazem. A diferença é que a doula, a parteira, irá AGUARDAR o trabalho de parto.

        O que dizemos aqui é que muitos médicos dizem que “não há dilatação”… Daí que a mulher tá começando seu trabalho de parto, confia no seu doutor e se entrega a uma cesárea sem nenhuma necessidade. Mesmo que a mulher queira muito um parto normal, se seu médico chega e diz que não dá (por conveniência, pra acabar com aquilo mais rapidamente) num momento frágil, acatamos. Confiamos.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    TEXTAÇO, Lucas. Obrigado.

    A Isabella é bastante interessada nessa questão e já pesquisou bastante sobre diferentes tipos de parto (relatos de mulheres, procedimentos médicos etc).

    Eu gosto muito da ideia de fazer algo em casa com parteira, bem humano, mas acho que quando for pra valer vamos acabar escolhendo o que você descreveu ao fim do texto: parto natural (se der) no hospital, conduzido do modo mais humano possível.

    • Letícia
      • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

        Letícia,

        A decisão é dela, claro. Me expressei mal ao dizer “nós”.

      • letícia

        Acho que são vocês dois que devem pesquisar, ler, buscar muita informação pra tomar uma decisão consciente e não baseada em histórias de que a “dor é insuportável”, ou que “a mulher vai ficar frouxa”…
        Seja em casa ou no hospital, procurem um médico (ou parteira, obstetriz, enfermeira obstetra) que vai dar condições de ter um parto respeitoso.
        Dor mesmo é a de ser humilhada e desrespeitada num momento que deve ser o mais importante da vida de vocês!
        Lembrando que o bebê também merece um tratamento humanizado, respeitoso e não precisa de sofrer todas as intervenções que os hospitais mantém como protocolo.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Na boa, de que protocolos humilhantes e produtores de sofrimento para o bebê vocês estão falando?

        Porque nos hospitais (públicos) por que passei, os protocolos visavam justamente priorizar o contato entre mãe e bebê. O bebê só não era colocado prontamente junto à mãe se houvesse alguma evidência de má evolução ou de risco aumentado de intercorrências (a saber: pré-termo, mecônio, ausência de choro ou movimentos respiratórios e tônus muscular diminuído).

      • Letícia

        Protocolos de rotina sem avaliar a o indivíduo.
        Ocitocina sintética de rotina, não importa a evolução do trabalho de parto;
        Lavagem intestinal (ainda se faz) e raspagem de pelos (ainda se faz);
        Falar coisas do tipo: “na hora de fazer vc não gritou” (quem disse que não gritou? hahaha), “gritar não diminui a dor (mas ninguém pensou em não colocar no soro ou dar analgesia, né), “ano que vem está aqui de novo”, “olha, tem mais outras 10, vai rápido com isso”, “faça força agora, senão seu bebê vai morrer”;
        episio de rotina;
        kristeller;
        fórceps (pq ninguém lembra que existe o vácuo????);

        e com o bebê:
        aspiração, credê ocular, secar, pesar, lavar, esfregar (é, depois da episio o bebê fica todo ensanguentado, mas não precisava, mas ninguém pensa nisso), vacinas, leite artifical…

      • Novato

        vc cospe informações falsas!

      • Novato

        não compensa discutir com vc, o que vc está falando é uma calúnia! È crime!

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Já que você diz ser médico e não quer que falemos de “coisas que não entendemos”, não se meta a falar de leis que você não entende.

      • Letícia

        E vc devia chamar a sua mãe e chorar pra ela, Novato!
        Crime? Vc sabe a tipificação de calúnia?
        Não precisa responder, percebi que vc não sabe.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Ocitocina de rotina, lavagem, kristeller, humilhação psicológica etc: não duvido que exista, mas NUNCA vi nos hospitais por que passei. Essas coisas estão erradas, realmente. Mas já sabemos que está errado. Não é esse o modelo que eu defendo, já falei.

        Quanto ao FÓRCIPE (já que me corrigiram quanto à questão semântica do “parto cesáreo” também me dou o direito de corrigir), ele tem suas indicações (raras) e condições de aplicabilidade.

        Os protocolos com a crianças a Naná já comentou lá em cima.

        (e desculpe, não vacinar é criminoso.)

      • Letícia

        Mas por quais hospitais vc passou?
        Eu sei que não é o modelo que vc defende, mas tb percebi que vc vive no mundo da fantasia, pq isso é a rotina dos hospitais!
        Obrigada por corrigir, agora sei que é fórcipe!

        E não vacinar não é crime.

    • Cinthia

      Gustavo, aqui tem muita informação de MBE (medicina baseada em evidências) da Drª Melania Amorim, referência em humanização do parto/nascimento, espero que leiam e pesem suas decisões para o que for melhor para vocês…
      http://estudamelania.blogspot.com.br/

    • http://www.facebook.com/glaucianamonteironunes Glauciana Monteiro Nunes

      Gustavo, acompanho há muito tempo o que você escreve e como se posiciona com várias coisas (refletidas nos conteúdos que você publica). Uma pergunta que está me intrigando desde o momento que li esse seu comentário. Você achou mesmo esso um TEXTAÇO? Não me refiro à forma como foi escrito, mas pela visão que o autor-médico nos mostrou. Estranhei bastante isso, pois se você diz que gosta da ideia de fazer um parto em casa, não consigo entender como possa achar um textaço esse que impõe à mulher que o parto dela tem de ser no hospital. Juro que fiquei sem entender… e até um tantinho decepcionada.

      • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

        Glauciana,

        Eu não senti imposição em nenhum trecho do texto. Onde exatamente viu imposição? Pelo contrário, para não existir imposição e cegueiras, ele abriu um papo entre homens e mulheres. Acho isso muito saudável. E para abrir bem o papo, ele ofereceu várias visões, questões, desafios, problemas, pesquisas.

        Conheço o Lucas pessoalmente, ele é um cara bem inteligente. Mesmo se ele tivesse pensamentos controladores em relação às mulheres, duvido que exporia ou valorizaria isso publicamente.

        A liberdade das mulheres é enriquecida, não diminuída, quando os homens começam a pensar junto sobre isso. Caso contrário, se pensar é controlar, o cenário ideal seria ter um médico calado e um homem tapado ao lado de uma mulher incisiva. Será esse o melhor cenário?

  • Letícia

    Cesárea NÃO é parto.
    Cesárea é cirurgia.

    Precisa estudar hein, Dr?
    http://www.estudamelania.blogspot.com

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Olha, o conceito que eu tinha era de que quando o bebê saía da barriga da mãe, isso se chamava “parto”. Não??

      Sobre a cesárea ser um ato cirúrgico, foi exatamente o que falei no texto ;-)

      • Pari em casa

        Vc falou “parto cesáreo”. Isso não existe. Parto é parto. Ponto. Cesárea é cirurgia.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Cara, sério, é difícil debater quando as pessoas acham que esse tipo de discussão semântica pode acrescentar algo.

      • Letícia Penteado

        Lucas, neste caso, a discussão terminológica é, sim, relevante e interessante, porque ilustra a questão do deslocamento do protagonismo do parto da mulher para o médico, entende? Eu sei que pode parecer besteira para você que é homem e médico, mas para mim (e muitas outras) não é.
        EU ‘fiz’ o meu parto. EU pari a minha filha. EU.
        Eu tive pressão alta, precisei de uma intervenção (indução). Mas, no final, quem pariu fui eu. Quem empurrou fui eu, do jeito que eu queria empurrar, quando eu queria empurrar. Entende?
        O parto não é um procedimento como qualquer outro, a gente sai de si, a gente pira, se redescobre, lembra de coisas que tinha esquecido, esquece de coisas que tinha lembrado. É especial, transformador, revelador.
        Não dá para olhar aquilo que acontece numa sala de cirurgia por detrás de um pano e dizer o mesmo. Claro que há a emoção do nascimento do filho, claro que ninguém é menos mãe por não ter experimentado o parto. Mas equiparar as duas coisas é justamente empurrar a gestante ao “tanto faz”, quando não tem tanto faz nada! A cesárea só vale mesmo a pena, só vale a pena abrir mão de tudo isso quando a cirurgia é de fato necessária (ou quando a mulher a quer, sabendo o que ela implica). Entende?

      • Pari em casa

        Chamar cesárea de parto só acontece no Brasil, q por coincidência é campeão de cesarianas.
        Chamar cesárea de parto é infantilizar e banalizar o procedimento cirurgico.
        Num pais onde se marca uma cirurgia sem necessidade como se marca horario no salão de beleza, sim acrescenta muito.
        Sim, é importante q se desfaça esse equivoco, primeiro passo pras mulheres q aceitam cesareas desncessárias abrirem os olhos.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Jesus.

        Quando o produto conceptual deixa o útero, isso se chama “parto”.
        Ele pode ocorrer por via vaginal ou por incisão cirúrgica do útero, chamada cesárea.

        Proclamar cesáreas desnecessárias – da forma que for – é errado e desonesto. Agora, fazer o oposto e proclamar que o parto vaginal é “normal” – e portanto a cesárea é “anormal” – e que o parto por via cirúrgica é um demérito mesmo que tenha indicação é tão desonesto quanto.

        E sobre o “quando a mulher a quer, sabendo o que ela implica”: Não, não, não. Se a cesárea não-indicada é errada e deletéria, continua sendo errada e deletéria em qualquer situação.

      • renata

        a discussão semantica importa sim, especialmente qdo falamos de algo que implica um condicionamento cultural. Pra quem interessa que as coisas fiquem como estão, a discussão semantica não apenas não acrescenta, como ajuda.

  • http://www.facebook.com/people/Maria-Matos/100001875113348 Maria Matos

    Excelente o seu texto! Nem sempre é como queremos, passei a minha gravidez planejando um parto normal e não foi possível, o meu filho nasceu por um parto cesáreo, a recuperação é realmente dolorida.

  • http://www.facebook.com/glaucianamonteironunes Glauciana Monteiro Nunes

    Lucas,

    Seu texto é muito bem escrito e super embasado em estudos e fatos científicos. Meus professores de jornalismo ficariam felizes por tamanha apuração e pesquisa para se falar sobre um assunto médico. Mas, peraí! Assunto médico? Não, não, esse assunto é humano. Talvez o mais animal dos fenômenos humanos, que é gerar e parir uma vida.

    Eu sou blogueira, mãe e pari duas vezes de forma normal no hospital. Por isso, acho que tenho um pouquinho a dizer sobre isso. Acredita que à medida que fui lendo seu texto dois pensamentos me vieram à cabeça: “isso só pode ser um publieditorial pago por um CREMERJ da vida ou por uma super maternidade cesarista” e “que pena que jovens da minha geração ainda tenham esse conceito tão fechado sobre uma das mais naturais situações da vida de uma mulher”? Publieditorial acredito que não tenha sido, porque me recuso a acreditar que o Papo de Homem, um site que julgo ter ética, tenha feito sem avisar seus leitores. Já a segunda impressão, eu mantenho. Pensamentos como o seu, Lucas, com todo o respeito, só prejudicam as mulheres, sabe? Vou te explicar.

    Quando engravidei de meu primeiro filho, Eduardo, tinha apenas 25 anos, estudava minha segunda graduação, namorava o pai dele, morava na efervescente Vila Madalena, em São Paulo, e queria saber de gastar todo o meu ouro viajando. Quando me vi grávida, desesperada e sem saber o que fazer com aquilo, me apeguei muito às pessoas que mais amava e confiava na vida: meu namorado, minha mãe, minha sogra e algumas amigas próximas. Todos com essa sua visão de parto seguro é no hospital. Estamos em um dos momentos mais importantes e também mais inseguros da vida. Tirando a revolução hormonal que está rolando dentro de nós, a gestação faz tudo virar de cabeça pra baixo dentro de nossas próprias cabeças. Insegurança, medo, impotência são apenas uma das sensações terríveis que sentimos. Aí, as pessoas que a gente mais ama vêm falar que temos de parir assim e assado, em determinado local. A gente é doida de não ir na deles?
    Porque não propiciar à mulher segurança para que ela decida, sim, onde vai parir? Porque não dizer que está ao seu lado? Esse papo da roleta não me caiu bem, porque achei a comparação infundada. Gente séria não aposta coisas importantes, como vidas que são amadas, não é mesmo?

    Pois bem. E então eu consegui ouvir a voz que gritava dentro de mim dizendo que eu teria de ter meu filho por onde a natureza disse que ele teria que sair, pela minha vagina. Numa bela madrugada, um mês antes do previsto, sinto um “ploc” lá embaixo, uma água quentinha começa a pingar na calcinha e eu vou para o hospital. Era a madrugada mais fria que tenho notícias em São Paulo. Como meu plano de saúde era dos mais simples, fui parar na triagem de um grande hospital paulistano, onde ficam todas as grávidas esperando dar o horário de suas internações para suas cesárias. Fiquei ali, passando pelas dores fortíssimas do parto durante 6 horas. Em uma maca. Isso, maca, não era cama. Maca. Dura. Em uma sala imensa, com corre corre de enfermeiros, médicos indo ver suas pacientes aguardando pela cesárea. O maior frio do mundo. Umas 20 outras mulheres no mesmo ambiente, nas macas separadas apenas por cortininhas de tecido. Eu não podia ter meu namorado ali comigo. Minha mãe ouvia meus gritos lá de fora. Se doia muito? Sim, até doía, mas o que mais me dilacerava era estar sozinha numa sala imensa, com uma mega iluminação, passando pelo momento mais misterioso da minha vida, cercada de gente desconhecida que comentava “nossa, coitada, levem a moça pra cesárea. Gente, ela está sofrendo muito”. Talvez pior que isso era ver a cara de pena e dó de mim que as enfermeiras e médicos me direcionavam. A cena era digna de dó mesmo. Até hoje me sinto enjoada só por pensar. Ali eu vomitei, defequei e chorei de dor e abandono. Você acha que eu estava brilhando? Linda? Me sentindo mulher ali? Eu me sentia como um bicho acuado. Quando o bebê estava quase passando pela minha pelve, me levaram para uma sala cirúrgica, quando meu obstetra chegou, fiz duas forças e meu bebê nasceu.

    Sim, antes que você pense ao contrário, eu AMEI ter tido Eduardo pela forma mais natural. Não haveria pra mim e ele outra forma de trazê-lo ao mundo. Entretanto, a experiência de tê-lo tido nessas condições, no hospital, foi tenebrosa.
    E aí você nos sugere que lutemos por isso? Como assim, cara pálida? Que condições eu tinha de fazer qualquer coisa ali naquela situação? O que você sugere como “lutar”?

    Se eu estivesse em casa passaria por todo esse perrengue? Poderia ter minha mãe e meu marido ao meu lado? Teria estranhas me olhando com cara de dó? Teria de tentar controlar os gritos com medo do que aquela gente toda estava pensando sobre mim? Estaria passando frio numa maca dura? Teria de vomitar em um banheiro sujo e coletivo?

    Não, meu caro. Na minha casa seria tudo diferente.

    Ah, então eu sou uma hippie-bichogrilo-abraçaárvore? De jeito nenhum! Sou a mais capitalista das mulheres. Ando num carro zero, ouço música enlatada, vou a shoppings, meus filhos estudam em escolas particulares e sou urbana até o último fio do meu cabelo. Claro que estou exagerando aqui, mas é válido para ilustrar o que quero lhe dizer. Parir em casa ou num lugar menos hostil como esse que eu lhe descrevi acima não é coisa de bicho-grilo. Trata-se de dignididade. E, sim, eu acho que nós mulheres temos que escolher isso. Quando você diz que esse assunto também é seu, I’m sorry, mas tenho vontade de rir. É seu? Então você escolher que sua mulher terá seu filho num hospital e fica lá fora enquanto ela passa por tudo isso que passei ali dentro do Hospital Santa Helena.

    Talvez você me diga: “Ah, Glauciana, mas ela não terá no Santa Helena. Teremos no Einsten, no São Luiz ou na Pró-Matre, que são melhores e ela não passará por essas circunstâncias”. Ótimo, Lucas, eu te diria. Mas, onde vivemos mesmo? Qual é a porcentagem da população que têm condições de chegar a esses hospitais?
    Meu segundo parto foi lindo, humanizado, em um hospital com bastante estrutura. Meu marido ficou ao meu lado, escutei música, o quarto tinha a luz reduzida, uma doula me acompanhou, não tive soro nenhum no meu braço, fiquei dentro da banheira o quanto quis e meu filhote, assim que nasceu, veio mamar ainda com o cordão umbilical pulsando e sem ser limpo. Não saiu do quarto e ficou grudado a mim, como tem de ser.

    E aí você dirá: “Tá vendo, Glauciana, tem como se sentir linda, brilhante e mais mulher do que nunca”. Aham, é verdade, eu me senti assim. Mas, dessa vez pude ter mais esclarecimento e clareza, além de planejamento e dinheiro (pra ter um plano de saúde melhor) pra ser em um hospital minimamente preparado pra partos normais ou naturais.

    Se eu vou parir em casa algum dia? Não sei! Mas, eu acho que todas as mulheres devem escolher, sim! É o momento delas. O pai participa, mas o momento é da mulher e de seu bebê, inegavelmente.

    E sobre os riscos de parir em casa, sob a alegação de que não há preparo para emergências, de repente vale pesquisar mais sobre obstetras, obstetrizes e doulas que fazem esse trabalho. Eles têm formação sólida à disposição e levam todo um aparato médico para a casa da mulher que vai parir, no caso de algum emergência. E, além do mais, existem hospitais por toda a parte. Se algo der errado, porque não se dirigir a um hospital? Porque já na saída prever que algo dará errado? É como engessar a perna pra jogar bola, porque vai que quebra a perna, né?
    É isso. Sei que foi um livro, que talvez pareça bem chata, mas essa é a minha praia. Não teria como ficar calada.

    Um abraço! E muito obrigada por propor a discussão.

    • Letícia

      Excelente seu relato e sua visão dos fatos!

    • http://www.facebook.com/people/Francisco-De-Assis-Rosa/568548135 Francisco De Assis Rosa

      Eu entendo sua colocação, Glauciana. Mas acho que sua experiencia reforça uma outra luta que essa sim tem meu total apoio, que é a humanização da saúde. A questão não é ter o Bebê em casa ou no hospital. A questão é o péssimo serviço prestado na saúde deste país, principalmente no que se refere a Saúde pública e planos de saúde. Muita coisa tem que ser mudada, mas lutar pelo parto domiciliar é um erro (minha opinião), pois combate o efeito, não a causa. Até porque esse problema é refletido não só nas grávidas, mas em qualquer um que precise de tal serviço. Tenho um amigo que recebeu a noticia essa semana de que tem cancer na uretra, e precisa operar, atravez de uma parceria com o SUS. Foi tratado como se fosse bicho. Chegou em casa chorando, se perguntando se vale a pena. É uma merda, eu sei. O momento do parto é o momento de vocês, mais de que de ninguem. Discordo do ponto de vista que é só da mulher, Creio que seja dela e da criança, e um pouco menos do pai. Mas o que deve ser feito não é tirar a mãe de um ambiente seguro e controlado para adicionar riscos em função do caos da saúde brasileira. O que deve ser feito é humanizar nossos hospitais, e repensar muita coisa, porque, realmente, como está não dá mais.

      • Luciana

        Ótimo Francisco, concordo plenamente contigo.

        Mas como mulher, me vejo no seguinte dilema: como faço se quero ser mãe, parir, agora. Porque se for esperar muito só na próxima encarnação… Até que se mude a lógica no atendimento à saúde, que é no fundo no fundo uma revolução na medicina e na forma como eles enxergam seu objeto, ops, digo, os humanos que atendem, como fazemos? Só há duas opções para as mulheres grávidas e por engravidar e para as crianças que estão chegando nesse mundo: ou paga caro pra te respeitarem no hospital ou paga também pra ser respeitada em casa. Pelo SUS, querido, não vejo salvação. Obs: meu primeiro parto foi pelo SUS no hospital referência em humanização de Curitiba, que também é referência nacional, o Victor Ferreira do Amaral. Sofri violência obstétrica lá.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        “principalmente no que se refere a Saúde pública ”

        De novo, é na rede particular que se pratica mais cesáreas desnecessárias.

      • Renata

        As cesáreas desnecessáreas são muitas vezes menos traumatizantes que os partos normais que acontecem no SUS, como o relatado pela Glauciana.Partos assim favorecem a cultura do medo de parir, muito forte hoje entre as mulheres. E já ouvi médicos argumentando que a epidemia de cesáreas tb se dá por escolha das mulheres, que tem medo do parto normal. E não é pra ter?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Não sei o que você entende por “traumatizante”, mas precisa fazer muita iatrogenia pra um parto vaginal ser mais deletério que uma cesárea.

      • renata

        o que mais acontece nos partos vaginais são iatrogenias, meu caro. Não preciso ser médica pra saber disso, basta ser informada. Mas meu comentário não se refere às intervenções e seus efeitos iatrogênicos, mas sim a violência obstétrica. Vc já ouviu falar disso? Se já estagiou em obsterícia, já deve ter testemunhado piadinhas ou frases como “na hora de fazer vc não gritou” ou realização de procedimentos e intervenções sem informar as mulheres. E disos, dentre outras coisas, a que me refiro. Agora, se vc acha tudo isso normal, I rest my case.

    • Novato

      Olha, inicialmente, o hospital que você foi atendida da primeira vez era sujo, super lotado, tinha atendimento ruim… Isso não é culpa do parto hospitalar, parto humanizado ou qualquer tipo. Isto é problema social. Não tem a ver com a escolha do parto, isso acontece pq somos um povo acomodado, ignorante, analfabeto funcional. Entendo sua dor, mas não dá para por isto como argumento para parto domiciliar. Se seu marido não entrou é pq lhe faltou ou falta no geral conhecimento de nossos direitos, hoje é LEI a possibilidade de acompanhante. Me formei num hospital SUS e isso era assegurado. Outro problema que nao tem a ver com parto humanizado, cesário ou normal.
      Advogo a possibilidade de parto humanizado em ambiente hospitalar sim. O autor nao defendeu cesariana, inclusive falou de seus malefícios. Ele defendeu o parto normal. Até acho que ele advogue o parto humanizado tbm, só que em local apropriado.
      E não teria comparação mais pertinente do que a que ele fez! Vc sabe qual antibiótico usar numa pneumonia grave? Vc saberia o que fazer em uma distócia de espáduas?
      Se a escolha fosse só da mulher tudo bem, mas ela tem um filho e ele não está escolhendo.
      E elas conseguiriam e teriam todo equipamento para lhe dar suporte? E elas teriam todo equipamento e conhecimento para dar suporte ao bebÊ? Tenho plena certeza que não. E olha, alterações no parto e na criança são emergenciais, demora de poucos minutos podem custar a vida de uma criança e da mãe.

      • Letícia

        terrorismo!
        vai estudar!
        estudamelania.blogspot.com

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Estudo medicina diariamente há 10 anos.

        Minha opinião não se formou com base em blogs e panfletagens como essa.

      • Letícia Penteado

        Se você tivesse entrado no blog em questão, não diria isso. Vai lá. Experimenta. Please. Eu acho que você vai curtir. Mesmo.

      • Abobrino

        Jamais confiaria num médico que me recomenda tratamentos baseado em coisas que ele lê em blogs. A internet, a despeito dos seus incontáveis benefícios (estar discutindo isso aqui é um deles) é uma fábrica de “especialistas de wikipédia”.

        Engraçado é criticarem essa tal visão de superioridade do médico e fazer isso com toda essa arrogância, colocando a si próprio como superior. O cardiologista não está acima nem abaixo da minha pessoa, mas definitivamente entende mais de coração que eu, então se eu não gosto de um prognóstico que ele me dá e ouço uma segunda opinião é melhor que seja de outro cardiologista e não de um blogueiro.

        Obs.: Bizarro ver que o médico escrevendo que “não teve sua opinião formada em blogs e panfletagens” teve sua frase mais negativada que positivada. E pessoa que negativa isso é a mesma que volta aqui e reclama de abusos e erros médicos.

      • Cinthia

        @81f75109d11a254fdfd4afa6c1accbdd:disqus da uma olhada no curriculo da especialista de wikipédia deste blog acima citado:

        Dra. Melania Maria Ramos de Amorim
        MD, PhD
        Melania Amorim possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (1989), residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP (1992), mestrado em Saúde Materno Infantil pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (1995) e doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (1998). Pós-doutorado concluído em 2009, também pela Universidade Estadual de Campinas. Pós-doutorado na Organização Mundial de Saúde (OMS) em Genebra (2010). Tem Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) por concurso (1992). Atualmente é professora adjunta doutora da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e professora da pós-graduação (mestrado e doutorado) do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP – Recife/PE). Ensina Ginecologia e Obstetrícia na graduação, é coordenadora do Internato Médico de Ginecologia e ministra as disciplinas “Elaboração de Projetos de Pesquisa”, “Informática Aplicada à Saúde”, “Epi-Info: Curso Avançado” e “Saúde Baseada em Evidências” na pós-graduação. Atua como consultora técnico-científica em Saúde Materno-Infantil no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA) em Campina Grande – PB, onde coordena a Unidade de Gravidez de Alto-Risco. Também é Coordenadora do Comitê Municipal de Morte Materna de Campina Grande. Coordenadora do Núcleo de Parteria Urbana (NuPar) da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa) no Brasil. Tem 36 orientações de mestrado e oito orientações de doutorado concluídas. Orienta atualmente quatro dissertações de mestrado e 10 de doutorado. Orientou 32 alunos de Iniciação Científica e tem mais quatro orientações em curso. Participou de diversas bancas de mestrado e concursos para professor universitário. Faz parte dos Comitês Especializados da FEBRASGO (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia) de “Medicina Baseada em Evidências” e “Gestação de Alto-Risco”. Também é membro da REHUNA (Rede de Humanização do Nascimento) no Brasil e Presidente de Honra do IPESQ (Instituto Paraibano de Pesquisa Prof. Joaquim Amorim Neto). Atua na área de Saúde Materno-Infantil, com ênfase em suas linhas de pesquisa: Medicina Baseada em Evidências, Humanização do Parto e Nascimento, Hipertensão e Gravidez, Gestação de Alto-Risco, Medicina Fetal, Mortalidade Materna e Cirurgia Ginecológica. Atuou como plantonista e preceptora da Residência Médica do IMIP entre 1992 e 2007, nos últimos cinco anos concentrando-se na área de Terapia Intensiva em Obstetrícia. Participa de três grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, coordenando o “Grupo de Estudos em Saúde da Mulher” (UFCG). Tem 161 publicações completas e 10 artigos aceitos para publicação em periódicos nacionais e internacionais, além de diversos trabalhos apresentados em congressos. É autora de seis livros e 24 capítulos de livros. Faz parte do corpo de revisores da Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) e da FEMINA, além de atuar como parecerista ad hoc de várias revistas internacionais. Desde 2009 é pesquisadora associada do Grupo de Gravidez e Nascimento da Biblioteca Cochrane.
        Lattes
        http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4701186A6
        Comunidade no ORKUT:
        http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1615199
        FaceBook
        http://www.facebook.com/GOBEbyMelania

      • Luciana S Lima

        Meu caro, com lei ou sem lei, entrou no hospital, dançou a dança do médico. Com 8 de dilatação pode ter a lei que for, até a polícia chegar o bebe já nasceu. Até falar que não quer “sorinho” eles já colocaram o acesso e a ocitocina sintética. Até explicar que dói muito mais ficar deitada de costas, eles já gritaram com você e mandaram deitar de uma vez. Hoje no Brasil sem pagar mais caro não tem atenção humanizada ao parto. A não ser que dê sorte de pegar o plantão certo, e etc. Mas aí é aposta.

        O que fazer com o trauma depois disso? Sim, pois violência obstétrica machuca profundamente. Feridas que demoram a cicatrizar e que marcam a relação mãe-bebê e influenciam na amamentação.

        Mudar o sistema de saúde demora. O que fazemos até lá. As crianças vão continuar a nascer e as mulheres a parir.
        Sobre os equipamentos de suporte, as obstetrizes levam equipamentos para os partos domiciliares que permitem prever com antecedência as intercorrências e encaminhar para o hospital, onde deverá haver uma equipe dando suporte (prática que o CREMERJ queria proibir, diga-se de passagem).

      • Cinthia

        É por méRdicos como você
        NOVATO que disseminam essa relação de superioridade do médico inferioridade do paciente que atendimentos mais humanos, empáticos quase nunca ocorrem!
        Tenho pena de seus pacientes…. =/
        (Ui, ele é médico, ui ele sabe tratar pneumonia grave!! eu não sei!!!, estudou tanto né…. é o mínimo que você deveria saber)

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Cara, porque sempre que discutimos assuntos de saúde surgem essas visões recalcadas e pessoas apedrejando a classe médica por um sentimento de superioridade mais projetado do que qualquer coisa?

        Quem falou em relações de superioridade???

        Quem colocou em oposição a assistência médica e “atendimentos mais humanos”???

        Estudei sim. E continuo estudando. Estudei, tento todo dia ajudar pessoas como você (inclusive com textos como esse) e ouço que somos “méRdicos.”.

        Algum médico aqui atacou sua profissão ou qualquer outro aspecto seu? Algum médico aqui te desrespeitou como você agora faz com toda uma classe?

      • Letícia Penteado

        “PROJETADO”?
        Aí não, né, Lucas? Será que eu estava projetando que o meu antigo obstetra me tratava como se eu fosse uma menininha abobada? Será que eu estava projetando os absurdos ultrapassados que lhe caíam da boca (que tricotomia, enema e episiotomia de rotina eram *necessários*, por exemplo) com a propriedade de quem estudava as atualizações todos os dias?
        E as mulheres que passam por cesáreas desnecessárias todos os dias por conta de algum argumento falacioso que vem acompanhado de um “você não quer que o seu filho morra, quer?” Que as faz concordar com tudo, mesmo quando racionalmente teriam todos os argumentos do mundo para discordar?
        Será mesmo que você desconhece o peso do seu jaleco branco? O fator “autoridade” que é conferido a tudo que você diz e faz?
        Concordo que nem todos os médicos são méRdicos (aliás conheço muitos que são excelentes. Mas que há méRdicos demais no mundo, ah, isso não tem como negar.
        E dá uma olhada no blog da Dra. Melania. Você não vai arrepender. E pode até se surpreender (a não ser que seja uma daquelas pessoas que se entrincheiram no erro para não dar o braço a torcer…).
        Um abraço

      • Novato

        tricotomia, enema e episio profilática são contra-indicados hoje! se seu médico errou não há como julgar todos por ele. Engraçado que no início vc comentou a rerspeito de neonato, vc tem qual opinião no fim das contass?

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        aí que está, se são contra indicados, por que tantos G.O continuam a fazê-los? Por que não se baseiam em evidências modernas, ao invés de continuarem atrelados ao que aprenderam na faculdade, quarenta anos atrás?

      • Letícia

        O problema é que não é apenas um médico ou outro que trata mal. O problema é que apenas meia dúzia de médicos sabe respeitar.

        Eu passei por 6 médicos no pré-natal até achar a parteira. Dos 6 médicos 5 indicaram a cesárea, afinal, pra que esperar e arriscar!!! E apenas 1 disse que faria parto normal, mas garantiu TODAS as intervenções desnecessárias, afinal, ele estudou 10 anos pra isso!!!! Quem eu achava que era pra argumentar com ele? Quem eu achava que era pra apresentar um plano de parto e imaginar que ele não faria sequer uma episiotomia e kristeller???? Ora, se eu era apenas uma “mãezinha”, deveria me preocupar em não ganahr muito peso e preparar o quartinho!!!!

        Então, quando a gente chama de mérdico, poucos escapam!!!!!!
        Por isso, entenderam?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Não, não entendi e o número de exclamações nos seus ataques não vai ajudar a fortalecer “argumentos” inconsistentes e desviados do que o seu interlocutor disse.

      • Letícia

        Se eu repetir o texto sem as exclamações, vc entende?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Se você falar algo contextualizado, consistente e inteligente, eu entendo.

      • Letícia Penteado

        Não julguei todos por ele. O que eu disse foi justamente o contrário (releia, se for o caso): que nem todos os médicos são méRdicos, mas estes existem sim, e são muitos. Olha, eu não me dôo assim quando falam que todos os advogados são filhos da pvta… deve ser porque eu sei que eu não sou, né? hehe ;)
        p.s.: que neonato? Do que você está falando?

      • Luciano

        Existem profissionais bons e ruins em qualquer área. Existe o caixa de supermercado que é preguiçoso, que não dá o troco certo quando surge a oportunidade. Existe mecânicos que dizem que seu carro estourou a repimboca da parafuseta e te cobra 1000 reais mais caro sem você saber. Existe o atleta que tenta burlar e usar doping, etc, etc. O problema é que na classe médica, quando existe um profissional ruim, isso repercute em toda a classe, porque o “cliente” está em um momento difícil, no qual este mal atendimento não vai lhe causar prejuízos apenas financeiro, e sim dano físico, psicológico e social. Por conta disto existe de fato essa tendencia a projetar e culpar alguém neste momento em que há uma expectativa muito grande. Obviamente que as péssimas condições do sistema de saúde contribuem negativamente. Infelizmente a classe inteira acaba levando a fama. já dizia o ditado: “toda a generalização é burra”.

      • Letícia Penteado

        Ai, sério? De novo? Meu, volta lá dá um ctrlc ctrlv em onde, exatamente, EU generalizei. Por favor. O que eu disse foi justamente o oposto… acho que mais burro do que generalizar é contra-argumentar sem nem ler. ;)
        vamos lá: se todos os plocs são plics e alguns plics são plofts, então… hahahaha

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        O que o sentimento de superioridade (projetado em todos os médicos) de que falei tem a ver com essas condutas (erradas e desatualizadas) específicas de uma única situação de assistência?

      • Letícia Penteado

        Hein? Tem a ver porque são típicas dos profissionais que não se atualizam e escondem sua inépcia atrás de seus estetoscópios, Lucas. Não é um fato isolado, infelizmente. Vide quantidade de pediatras que recomendam NAN sem necessidade. Vide que episiotomia ainda vem de brinde em todos os partos normais que não são humanizados. Como eu disse, não, não são todos os médicos que são méRdicos. Pero que los hay, los hay (y muchos)…

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Sim, são típicas de maus profissionais.

        Repito, o que isso tem a ver com o resto da classe e, mais, com o suposto sentimento de superioridade?

      • Letícia Penteado

        Hum… grasping at straws much? Ok, vamos lá. Vou desenhar para você.Tem a ver que isso comprova que há, sim, muitos me muitos médicos que são maus profissionais – méRdicos – e têm, sim um sentimento de superioridade (na verdade, creio que não é um sentimento, e sim só uma atitude, que provavelmente demonstra justamente o oposto, uma necessidade de compensação por um sentimento de inferioridade), que se manifesta, por exemplo, através da acomodação em práticas desatualizadas e sua defesa por meio do milenar argumento “eu sou médico e você não é”, ao invés de calçar as sandálias da humildade e se atualizar.
        Aliás, eu tenho uma médica na família (da Pinheiros) e uma estudante de medicina (também da Pinheiros) e se há uma coisa que ambas falam quando se referem a maus médicos é que “fulano já deixou de estudar há muito tempo”. Médico que é médico (e não méRdico) não se apóia só em estudo passado, em diploma e currículo, porque nunca para de estudar.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        WOW, ela usa expressões em ingrêis e “desenha” as coisas pros outros!Pretty impressed here.

        Esta minha interlocutora pode mesmo encher a boca pra falar que os “méRdicos” são arrogantes.
        A argumentação é completamente inconsistente, um non sequitur atrás do outro, mas os fogos de artifício lingüísticos hão de compensar esse detalhe, claro.

      • Nélio Oliveira


        A argumentação é completamente inconsistente, um non sequitur atrás do outro, mas os fogos de artifício lingüísticos hão de compensar esse detalhe, claro.”

        Muito boa, usarei oportunamente.;)

      • Julia

        kkkkkk O bebê tem que ter poder de escoha também, é? Como ele vai participar dessa decisão?

    • Marcos Coelho

      Oi Glauciana. Muito boa mesmo sua participação!!! A questão é que o falocentrismo fala mais alto. O mesmo Lucas recomendou em uma coluna dele que o exame de próstata – toque retal – pode ser pior que o cancer de prótata!!! Vá entender. A verdade é que pimenta no dos outros, ou mellhor, na das outras, é refresco. Td isso porque o corpo é feminino. Uma questão de gênero que não está sendo avaliada,

      • Novato

        Cara, vc está dizendo uma mentira. Ele disse que não existem evidências científicas que justifiquem o exame de próstata ou o PSA como screening pro cancer de próstata. E isso que ele disse é assegurado pelas sociedades internacionais de urologia. Mas a brasileira é forte e mantém esse pensamento.
        E se eu disser que o auto exame das mamas tbm nao mostrou ser efetivo em reduzir a mortalidade por cancer de mama? Eu estou dizendo entao que é bom morrer de cancer de mama, francamente…

      • Marcos Coelho

        Vem cá, Novato. Vc é advogado de defesa do Lucas?
        Será que vc leu o que eu escrevi? Eu disse que segundo ele “PODE SER” pior que o cancer; ou seja há uma possibilidade; que ocorre quando o diagnóstico induz a tratamentos que por fim não prolongam a vida mais do que a que o paciente teria se não fosse diagnosticado o cancer e ainda obriga o paciente a submeter-se a procedimentos constrangedores. Será que vc leu aquela coluna do Lucas?
        Cara, quanto vc tá recebendo para denfender o Lucas?

      • Novato

        Não sou advogado dele não, mas vc distorceu tudo. Olha suas palavras. ”
        O mesmo Lucas recomendou em uma coluna dele que o exame de próstata – toque retal – pode ser pior que o cancer de prótata!!! ” ele disse que o exame por si só poderia gerar uma conduta desnecessária, que é ou a prostatectomia ou a radiação, mas penso que vc não saiba o que isso significa na vida de uma pessoa.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        @google-5826fa640fa83bfc2c0a068732e66233:disqus E o que isso tem a ver com “falocentrismo”? Ou com a discussão atual?

        E qual o sentido desse ad hominem descabido (e hipotético)?

    • Mãe de dois

      Glauciana, no início eu estava amando seu comentário, depois eu pensei “opa, hein?!”

      Se você ler bem direitinho, vai ver, primeiro, que o Lucas não chama as pessoas que decidem ter parto natural de “hippie-bichogrilo-abraçaárvore”. Não. Na verdade, ele está é lançando uma crítica a esses dois extremos. Ele diz, na verdade, que parto natural não deve ser considerado “hippie-bichogrilo-abraçaárvore”, nem o parto cesáreo deve ser considerado “mercantil-máquina-de-fazer-salsicha”. Questão de interpretação de texto, entende?

      Outra coisa: você acha mesmo que um marido, na condição de pai e de companheiro e amante da mãe não deva participar da escolha do parto? Jura que você é assim tão radical? Pois, aqui em casa, meu marido participa de todas as decisões que envolvam a integridade física minha e dos nosso filhos.

      • http://www.facebook.com/glaucianamonteironunes Glauciana Monteiro Nunes

        Mãe de dois, sim, um texto é sempre interpretado, né? E essa foi a minha interpretação, sim!
        E respondendo sua pergunta: eu acho, sim, que a decisão do parto é da mulher! Eu fui casada por 10 anos, o pai de meus dois filhos é extremamente participativo (sempre foi e ainda é), foi a todas as consultas de pré-natal comigo, acompanhou cada pedacinho e instante das duas gestações. E quando falávamos em parto, ele manifestava a sua opinião, mas isso deixou a meu cargo. Afinal, o corpo é meu, a vagina é minha, o útero é meu, certo? O filho é dele, mas até aí sou eu quem o traz ao mundo. Então, eu tenho que decidir como prefiro fazer isso da melhor maneira para, como você disse, manter a minha integridade física e de meu bebê.
        Sobre isso, da mesma forma petulante e arrogante que você fez comigo no início de seu comment, vou lhe convidar a ler direitinho (não serei tão grossa quanto você perguntando se voce sabe ler, porque sei que sabe, já que escreveu tão bem) o que o Lucas escreveu. Ele digitou “Vai ser no hospital, de parto “normal” e com ela brilhando, linda, mais mulher do que nunca”. Ele está afirmando “VAI SER NO HOSPITAL”. Você considera isso uma participação do pai ou uma imposição do autor do texto pra mãe do filho dele? Se seu marido participa de todas as decisões que envolvem a sua integridade física e a dos filhos de vocês, ótimo, de fato acho isso muito legal, importante e acolhedor. Mas, em minha visão, afirmar que o parto vai ser no hospital não é participar, mas sim decidir. E isso eu combato! Não pra mim. Não pra nenhuma mulher. O bebê sai do nosso corpo. Nós é que temos que decidir como trazê-lo ao mundo da melhor forma pra nós e pra ele. Mantenho minha posição até o final.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        “Se tudo der certo [...]” ;-)

      • Abobrino

        O que eu acho estranho é gente que usa (no sentido pleno da palavra usar) o médico ao longo de toda a gravidez, faz todos os exames necessários com ele e tal, e na hora mais importante que é o nascimento vai pra casa pq o parto tem que ser “humanizado”. Mas é claro que se alguma complicação surgir o negócio é correr pro hospital, pois sobreviver é mais importante.

        Nessas horas até a mais ferrenha defensora desumaniza seu parto numa boa.

        E discordando do autor do texto, eu não acho que o usar exemplo da ativista que morreu é errado. As apoiadores do parto em casa se usam como exemplo o tempo todo, pq afinal “se eu não tive complicações ninguém vai ter”.

        Finalizando, nota zero para a constatação lá em cima de que “parto não é assunto médico, é assunto humano”, afinal a questão primordial na medicina sempre foi o ser humano.

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Bom, se eu ‘uso’ o médico a gravidez inteira, quer dizer que tenho que deixá-lo decidir por arrancar meu filho do meu ventre antes do tempo pois, na data provável do parto, ele terá outro compromisso?

        Ninguém está ‘usando’ o médico, ele está sendo pago para prestar aquele atendimento. Quando os brasileiros pararem de ver médicos como ‘deuses’ e passarem a olhá-los como prestadores de serviços, que tem responsabilidades para com os pacientes, talvez a saúde no Brasil mude e humanize-se o atendimento.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Olha, o que temos visto na maioria dos comentários não são pessoas que vêm os médicos como “deuses”, muito pelo contrário.

        A MODA agora é falar mal de médico. Esculachar, mesmo. Esses safados sem alma que só querem violentar as pessoas pra ganhar dinheiro.

        O pior é que são burros, estudam por dez anos pra poder fazer isso.

        Ah, sim, só lembrando que, na maioria das vezes, quem DEMANDA o parto cesáreo é a “cliente”. “Direito de escolha”, sabe, o corpo é dela, e tal. O mesmíssimo argumento usado pra defender o PD – uma visão igualmente torta.

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Lucas, na questão da demanda temos uma controvérsia, já que pesquisas apontam que 70% das mulheres, no início da gestação, tem desejo por um parto normal. No entanto, destas, somente 10% efetivamente conseguiram um parto normal.
        Outra coisa, a maioria das escolhas de cesáreas são por pré-conceitos burros, como o que a mulher fica ‘larga’ depois de um PN, ou quem um bebê não pode passar das 40 semanas. A maioria dos médicos, infelizmente, não explica os riscos de uma cesárea (inclusive, quero parabenizá-lo pela parte da cesárea no texto, és um dos únicos médicos que não mascarou a cesárea como um procedimento “rápido, fácil e seguro”).

        Sobre moda de falar mal de médico, isso é relativo. Assim como a maioria da população uma vez ‘idolatrava’ advogados, e hoje a maioria é chamado de ladrão, está acontecendo com a medicina;
        Alguns profissionais ruins e com práticas desatualizadas acaba por manchar a classe, mesmo que muitos não mereçam.

      • Renata

        Lucas, sinto um desconforto muito grande entre os medicos quando são criticados, ou mesmo questionados. Veja, não é pessoal, criticamos o sistema onde vcs estão inseridos. Se vc realmente se abrir ao dialogo, vai perceber que os leigos que optam pelo parto domiciliar são bem informados e tem condições de compreender, refletir sobre o assunto e decidir com responsabilidade. Tente refletir sobre o assunto sem rechaçar essa ideia.

      • Renata

        Abobrino, enfermeiras obstetras assistem pré-natal.

    • andressa

      concordo com vc que as condições do seu primeiro parto foram horríveis (impossível discordar), e que muito tem a ser melhorado no atendimento medico em geral. mas tem alguns pontos que eu discordo. não sei se vc prestou atenção nessa parte, que estava no texto:”Superar a visão dicotômica que só enxerga as escolhas “parto-cesáreo-mercantil-máquina-de-fazer-salsicha” ou “parto-domiciliar-bicho-grilo-abraça-árvore” parece ser o melhor caminho.”
      ele está justamente querendo tirar esses estigmas que criam essa dicotomia, essa distancia tão grande entre os dois tipos de parto.
      e quanto às emergencias, concordo que algumas menos graves podem ser tratadas pelas obstetrizes, mas para outras não é tão fácil assim. se houver necessidade de uma cirurgia, por exemplo, todo o tempo que se leva de tirar a mulher de casa e levar pro hospital pra conseguir atendimento já é muito grande, e pode resultar em tragédias. eu sei que esses casos de emergências mais graves são incomuns, mas se acontecer pode ter consequencias desastrosas.

      • Letícia Penteado

        E os partos em hospital não podem ter consequências desastrosas? Você sabe quantas mulheres morrem por ano em hospitais por conta de circunstâncias que poderiam ter sido evitadas? Quantas crianças?
        Então porque será que os riscos do parto domiciliar são inadmissíveis, mas os riscos do parto hospitalar (que são cientificamente comprovados como tão grandes quanto ou até maiores) não o são?Por favor, pesquise um pouco mais a questão. Você vai se surpreender. Como eu já disse antes, o senso comum nem sempre está certo. Houve um tempo em que as mulheres morriam de febre puerperal porque ninguém acreditava em germes e muito menos que os magníficos doutores fossem os responsáveis pelas mortes em questão.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Quem disse que os riscos das más práticas relatadas nos hospitais são admissíveis?

        Quem, até agora, defendeu o modelo atual de (má) assistência?

      • Letícia Penteado

        Lucas, não é uma questão de defesa do modelo de má assistência. M*rda dá em todo lugar, entende? Há riscos que são muito específicos de hospitais. Tanto é que, se você se der ao trabalho de ler os estudos realmente sérios a respeito (que não misturam partos desassistidos ou não planejados ou de gestantes de alto risco aos partos planejados de gestantes de baixo risco), você verá que o parto domiciliar é tão seguro quanto o hospitalar ou até mais. Por favor, leia os estudos e nos diga o que acha. Eu realmente não consigo acreditar que você tenha feito isso e ainda afirme que o hospital é mais seguro que a casa da parturiente. Clica lá no blog da Dra. Melania Amorim. Please. Sério mesmo. Vale a pena.
        Um abraço,
        Letícia

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Um dos criterios para que possa haver um parto domiciliar é que exista um hospital a menos de 20 minutos da casa da gestante.
        O tempo que se leva para levar uma gestante com intercorrencia de casa para um hospital é o mesmo tempo que se aguarda por um anestesista. Ou vocês não sabem que a imensa maioria dos hospitais não tem anestesistas disponíveis?! Que é necessário chamar os que estão de sobreaviso para então poder se fazer um procedimento cirurgico?
        Quem planeja um parto domiciliar tem não só um profissional em casa como um@ G.O como backup (isso se o proprio G.O não estiver no domicilio).
        Parto domiciliar não é feito com uma bacia de agua quente e um galho de arruda!

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Tá, mas e quem disse que as urgências e emergências de que estamos falando são distocias com necessidade de cesárea? Aliás, quem disse que depois que o bebê nasceu as coisas estão “garantidas”?

        Em uma parada cardiorrespiratória não devidamente assistida, a probabilidade de sobrevida diminui aproximadamente 10% por minuto.

        Talvez 20 minutos seja muito tempo. Mas depende do ponto de vista, né?

      • Renata

        Lucas, esses 20 minutos não são uma invenção de alguma obstetirz ativista. Pra sua surpresa, acho até que algum já comentou aí em cima, tudo isso ébaseado em evidências. Há protocolos no atendimento ao parto domiciliar, que são seguidos. O “se tudo der certo ;)”querendo vc ou não tb está presente no hospital ;)

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      “Cara pálida”,

      Primeiro:
      Se reler o texto, verá que não, não é por isso que quero que lutemos. É mais ou menos isso que você falou, só que o contrário.
      Falei justamente dos absurdos que são cometidos em muitos hospitais e que o modelo dever ser revisto. E que devemos lutar por essa revisão, que permita uma assistência digna.
      Lutar por uma assistência digna, não abandonar o conceito inteiro da assistência hospitalar porque a maioria dos lugares presta um serviço de merda.
      O fato da assistência hospitalar ESTAR ruim não significa, nem com muita boa vontade, que qualquer assistência domiciliar seja melhor que qualquer assistência hospitalar e que parir em casa seja a nova penicilina.

      Segundo:
      Não chamei ninguém de “hippie-bicho-grilo-abraça-árvore”, se olhar com atenção verá que eu inclusive critico essa percepção.

      Terceiro:
      Uma vez que o filho é filho da mãe e do pai, sim, este é um assunto nosso também. Vou participar de todos os momentos da geração, gestação, parto e criação do meu filho e acho que isso é o mínimo que um homem que se proponha a pôr uma criança no mundo deva fazer. Você mesma falou que queria seu marido do lado. Não posso crer que você acha que o nascimento só diga respeito à mãe.

      Quarto:
      Não falei em nenhum momento a respeito do “nível social” dos hospitais, mas vamos lá. É justamente nas classes mais altas que a incidência de cesáreas desnecessárias é maior. O SUS é onde há maior consciência na indicação desse procedimento (não chegamos no ideal, é óbvio, mas estamos melhor do que no setor privado).

      Quinto:
      Elas podem levar o “aparato médico” que quiserem e continuarão não sendo médicas. Veja bem, NÃO ESTOU FALANDO QUE MÉDICOS SÃO SEREM SUPERIORES E LOUVÁVEIS E QUE SOMOS A ÚLTIMA BOLACHINHA DO PACOTE. (Sempre que esses assuntos entram em discussão a moda é atacar a classe médica por sua suposta soberba. Vamos passar desse ponto.)
      A questão é que, se acontecer alguma URGÊNCIA ou EMERGÊNCIA médica, ou mesmo complicações que necessitem do especialista, qual a conduta? A obstetriz sabe intubar? Sabe PALS? Sabe tratar atonia uterina? Sabe corrigir distocias de rotação?

      • Pari em casa

        Lucas, vc precisa entender, que NINGUEM quer acabar com os hospitais. Pelo contrario, a assistencia hospitalar ao parto PRECISA existir e MELHORAR MUITO. Porque isso? Porque um boa porcentagem das mulheres tem complicações no parto e PRECISAM de hospital. Porque uma boa porcentagem das mulheres não precisam mas ESCOLHEM parir no hospital. Simples.

        Mas há q se contemplar as outras opções de locais de escolha da mulher: casas de parto e o domicilio. O sistema de saúde dos paises desenvolvidos contempla essas três opções. E a gestante (de baixo risco) tem o DIREITO de escolher onde quer ter seu filho. Não sou eu q estou dizendo, é a Organização Mundial da Saúde.

      • http://www.facebook.com/anacarolina.kluber Ana Carolina Klüber

        em primeiro lugar o pai sim deve participar e opinar no nascimento, mas a decisão é unica e exclusivamente da mulher, e não adianta nada você dizer que sua mulher vai ter um parto normal em um hospital se essa escolha não cabe a você,

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        O filho é dos dois, então, se houver decisão, deve ser de ambos.

        Só que, na verdade, nenhum dos dois tem a fundamentação necessária pra de fato escolher com propriedade a via ou o local de parto, então essas decisões são condutas médicas – apesar de todo esse barulho sendo feito.

    • Nélio Oliveira

      Do seu relato cheio de senso-comum a única informação relevante que se pode tirar é que os perrengues que você passou no seu parto não aconteceram porque ele foi num hospital, mas porque o seu plano de saúde é ruim demais. Simples assim.

      • Julia

        “Simples assim”, falou o homem, do alto do seu pedestal de sabedor de porra nenhuma.

    • Julia

      Nem sei se vou ter filhos um dia, mas se um dia me vir grávida vou lembrar desse seu comentário. Obrigada.

  • everton maciel

    Apesar de não chamar quem não tem doutorado de doutor, como alguns colegas dos comentários, gostei muito do texto. Explicativo, lúcido e esclarecedor. Tenho um amigo muito doido que estudou e corajosamente fez o parto da mulher em casa. Maconheiro, ele, claro. Eu me cago todo, se vejo um pouco de sangue de alguém que ainda está vivo. Achei a atitude do cara muito interessante. Acho interessante também a forma como a maioria dos convênios tratam as gestantes. Se der tudo certo, legal. Quartinho privado. Tudo bonitinho. Televisaozinha no quarto. E blá blá. Mas se a porra ficar séria no meio do procedimento o caminho é sempre o mesmo: SUS. Pré-natal é importante sempre. No mais, recomendo as pessoas que não tenham filhos. O mundo já está suficientemente poluído. Mães não são especiais e pais são sempre mais idiotas que a média geral. Mesmo assim, acho bacanas as iniciativas como a do meu amigo. E sou a favor da desregulamentação da profissão de médico e todas as outras. Mas isso é outro problema. Informação irrelevante, mas interessante para ser xingado: nasci com parteira, claro.

  • Bruno

    Realmente é um assunto dificil de se discutir, principalmente por nós homens. Minha filha tem hoje 9 meses, e quando engravidamos, eu e minha esposa optamos por um parto humanizado, que foi executado dentro de um hospital e custeado pelo SUS. fomos muito bem atendidos, e tivemos atenção total durante todo o processo, que demorou quase 12 horas.

    Saimos do hospital com 2 dias, e quando chegamos em casa minha esposa já estava dando banho na minha filha, como se nada tivesse acontecido.

    Porem ela não gostou da experiencia do parto normal, pois ela teve algumas pequenas complicações, e para o segundo filho fica hj a duvida….

    • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

      Bruno, eu posso afirmar com quase 100% de certeza que se a sua esposa não gostou da experiência do parto normal, é porque o atendimento que ela recebeu não foi humanizado. Que dúvida vc tem para o segundo filho? Se a sua mulher deve se submeter a uma cirurgia que mata 4 vezes do que um parto normal e que coloca no mundo crianças com o sistema respiratório mais frágil e, por consequência, correndo o risco de serem crianças mais doentes nos primeiros 7 anos de vida?

      • andressa

        se ela teve algumas complicações no primeiro parto e se há o risco de ter complicações graves no próximo parto então seria indicado a cesárea. não seja tão radical para advogar o parto normal em todos os casos…

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Não é porque vc tem complicações em um parto, que terá no outro. Cada gestação é uma, cada parto é um. Não se pode indicar cirurgia desnecessariamente só pq na outra gravidez ela teve um problema… O parto normal não é para todos os casos. Mas em média 85% das mulheres PODEM parir.

        Meu pai sofreu apendicite… Acho que vou li no cirurgião então pedir pra tirar o meu apêndice só pra não correr o risco…

        Bati o carro na semana passada, então não vou nunca mais dirigir para não correr o risco de ter problemas novamente…

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Por que pode afirmar isso, Mariana?

        Pergunto numa boa. Concordo com o resto da argumentação sobre o parto cesáreo, inclusive ofereci vários outros dados nesse sentido no texto.

        Mas não entendo porque a má experiência seria necessariamente explicada por má assistência? (sei que a média de qualidade da assistência é ruim, que existem absurdos, etc etc etc, está tudo lá no texto). Porém, canso de ver, na minha prática clínica ou na dos colegas, pacientes que foram muito bem atendidos mas que relatam sentimentos ruins em relação à passagem pelo hospital – e creio que podemos pensar em uma série de contribuintes para esses sentimentos além da malvadeza do médico, não?

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Lucas, basta conversar com duas dezenas de mulheres que passaram por partos humanizados… Mulheres que tiveram o direito de estarem acompanhadas por quem escolheram, que tiveram a liberdade de se movimentar durante as contrações (sem ficarem presas a uma cama com acesso na veia), que puderam ter acesso a um chuveiro ou banheira com água quente para o alívio das dores na lombar, que puderam ficar com uma bola de pilates para ajudar nas contrações, que tiveram o acolhimento respeitoso de uma equipe que deixou essa mulher em um ambiente aconchegante, na penumbra (o que tem de pior para uma mulher em TP é uma luz forte no rosto), que não sofreram com ocitocina administrada rotineiramente, com episiotomias desnecessárias, com kriestellers invasivas e violentas, sempre curtem MUITO o trabalho de parto e o parto.
        Não é questão de “malvadeza” do médico. Mas infelzimente vejo médicos recém-formados chegando nos hospitais com um pacote intervencionista pronto, de rotina, a ser aplicado em todas as mulheres; o que já é comprovado que torna o parto um evento sofrido e traumático.

        Mulher que é livre e respeitada, e que recebe apenas intervenções se necessárias ou se solicitadas por ela, não encara o parto como traumático. Simples assim.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Ah, e claro, faz parte do pacote de assistência receber atendimento adequado durante um pré-natal, que ajuda muito para o parto também. Pré-natal não é só pra pesar, medir pressão e auscutar o bebê. Pré-natal é para orientar a mulher, para prepará-la para o parto, falar sobre os medos que essa mulher tem, conversar com ela sobre a fisiologia do parto, se existente, encaminhá-la para um GAPP onde poderá dividir medos, angústias e trocar experiências. Pré-natal não é apenas para procurar problemas, mas também para preparar a mulher para o dia mais importante da sua vida. Muitas acabam sofrendo com as dores pois simplesmente são despreparadas, por não serem bem orientadas pelos médicos e acabarem se deparando com um mergulho dentro de si mesmas que elas não esperavam que fosse acontecer. Porque entrar em trabalho de parto é mergulhar pra dentro de si. É encontrar todo o seu próprio lixo que vc passou a vida toda varrendo para debaixo do tapete. É viver uma explosão de hormônios e dar de cara com todos os seus medos e traumas que começam a explodir em você em cada contração. E quem não é preparada pra isso pelo obstetra durante o pré-natal muitas vezes acaba perdendo a cabeça e se assustando com a experiência do parto.

        E preparar mulheres para esse momento os médicos humanizados sabem fazer com maestria!

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Você não respondeu minha pergunta ;-)

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Não?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Não.

  • Ana Carolina

    Muito legal o blog, e parabéns por propor o debate sobre a importância dos pais participarem das decisões de parto e nascimento dos filhos. Lucas Pedrucci, aproveito para convidar pais que acompanharam o nascimento de seus bebês a participarem de uma pesquisa em andamento na Faculdade de Saúde Pública da USP, Departamento de Saúde Materno-Infantil, da qual participo como mestranda. É uma entrevista (por Skype ou e-mail) sobre a experiência dos pais com o parto e a assistência ao parto.

    O contato é escolhasnoparto@gmail.com

    Grata! Ana Carolina Franzon

  • Marcos Coelho

    Lucas, achei sua reflexão é muito interessante. Talvez vc esteja certo sobre a criação de hospitais mais humanos, onde as mulheres possam dar a luz da forma que elas escolham.

    O que vc deixou de considerar é que a maioria dos médicos tem o péssimo hábito de impor para o paciente aquilo que a medicina – sob a perspectiva deste médico espécifico – tem de melhor. EXplico. Uma pessoas muito próxima sentiu a presença de nódolos nos seios. Tais nódolos estavam causando dor. Ela procurou uma ginecologista, a referida profissional de medicna disse que não era nada, a despeito da dor. Insatisfeita, essa referida pessoa, procurou outra profissional que indicou-a um mastologista. Que por sua vez indicou a retirada do referido nódolo. Ou seja, não dá para confiar no diagnóstico de especialistas, porque cada um tem sua perspectiva sobre determinado problema. Neste sentido, informar o paciente e respeitar a sua decisão contunua sendo fundamental.

    Vc deve ter assistido “Invasões Bárbaras” (Les Invasions Barbares), “A menina de ouro” (Million Dollar Baby), e “Uma prova de Amor” (My Sister’s Keep). Pensando nestes três filmes, chego a conclusão de que a decisão do paciente, por pior que possa parecer, deve ser respeitada. Se vc acha que falando “mediquês” com a paciente ela pode não compreender, acho que dever-se-ia mudar o idioma e falar pacientês, sendo honesto com a paciente (e não manipulando informações específicas para precioná-la a fazer o que o médico acha correto) e respeitando a decisão da mesma.Isso é importante, pois as pessoas não são burras. Se perceberem que estão sendo manipuladas, podem escolher o oposto do indicado pelo médico apenas por não confiar nele, ainda que o profissional estja certo. A escolha sobre o nosso corpo é fundamental sim.

    Eu já li artigo seu, aqui no PdH, onde vc refletia que o exame de toque pode resultar em um malefício pior que o próprio cancer de próstata para o paciente. Pense nisto no que diz respeito a mulher!

    A morte é a dor são parte da vida e se essas variáveis forem explicadas e
    ainda assim a pessoa decidi por elas? O grau de conforto a que estamos
    buscando está nos despreparando para viver a vida em plenitude.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      @google-5826fa640fa83bfc2c0a068732e66233:disqus Pois é, o artigo sobre o câncer prova que estou ciente da necessidade de prevenção quaternária. Aliás, sempre coloco na mesa as falhas do modelo atual de assistência e as merdas que muitos colegas fazem, acho necessário ser honesto.

      Agora, alguns conceitos meio tortos e preconceituosos parecem sempre vir à tona.

      Por exemplo: Quem disse que eu falo mediquês com os pacientes? Quem disse que eu manipulo as informações para pressioná-los a qualquer coisa que seja? Quem disse que eu acho as pessoas burras?

      Sobre manipulação, será que essa panfletagem toda das militantes também não o é? Afinal, cesáreas sem indicação são erradas e é desonesto propagá-las, mas referir-se ao parto vaginal como a opção “normal”, “bonita” e defender que só nessa situação a mulher é protagonista é bem esquisito. O parto por cesárea é “anormal”? A mulher que, tendo indicações precisas, submete-se à cesárea não participou do parto, não foi protagonista da própria maternidade?

      Os interesses econômicos das obstetrizes e companhia não entraram na discussão, mas com certeza existem. Seriam esses interesses menos enviesados que os dos médicos, tão anunciados de forma inquiridora?

      Sobre a morte fazer parte da vida, sou um grande defensor dos Cuidados Paliativos e pretendo escrever sobre isso em breve. ;-)

      • Letícia

        Mas é só nessa opção que a mulher é protagonista!
        Cesáreas, mesmo que necessárias, não tem participação da mulher. São salvadoras sim, mas não tem a mulher como protagonista, não é parto, nada disso.

        Quanto aos interesses das obstetrizes, não estou defendendo ninguém, mas eu prefiro pagar para um profissional honesto me assistir do que pagar a um que vai inventar uma desculpa e me mandar pra cesárea sem necessidade. Falo por mim, mas tenho certeza que muitas das minhas amigas que foram enganadas pensam da mesma forma.

  • Martinha

    Lucas esse é o melhor texto que já li sobre parto, muito bom!
    Quando estava grávida do meu filho, eu pesquisei bastante sobre as duas opções, mas desde sempre quis experimentar o parto normal, fui umas das coisas mais intensas, dolorosa (dor boa) e linda que já pude experienciar e depois que ele nasceu a dor sumiu.
    Muito bom, muito bom!

  • Lira

    “Se você contrair uma pneumonia grave, com necessidade de internação,
    que esquema antimicrobiano prefere receber: levofloxacina isolada ou
    ceftriaxone e claritromicina? E se por acaso for acometido por uma fibrilação atrial aguda, prefere a cardioversão química ou elétrica?”
    É obrigação do profissional explicar para a pessoa que será submetida a qq tratamento ou procedimento quais as opções, os benefícios e os riscos de cada uma delas e compartilhar essa decisão com o paciente. Realmente é com esse mito da escolha que devemos acabar! As pessoas devem sim escolher de fato o que querem para suas vidas. Não queremos médicos ou quem quer que seja achando que sabem o melhor para nós. Queremos entender e decidir o que se passa em nosso corpo. O médico deveria se colocar no lugar dele de consultor desses assuntos.

    • Novato

      ele nao disse o que deveria ser feito, mas sim o que seria melhor e mais efetivo. E se vc nao sabe o médico em casos de urgencia deve agir para assegurar a vida. Ou vc numa fibrilação vai parar para ponderar o que quer? Vc nao sabe o que fibrilação! Vc nao está escolhendo uma bolsa, tempo é vida, tempo é cérebro, talvez o da criança!

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Está tudo lá no texto, Lira.

      O direito de escolha está garantido. Só que cabe ao médico indicar o tratamento com melhor evidência. E cabe ao médico, também, recusar-se a produzir mal ao paciente, ou expô-lo a riscos desproporcionais.

      Quantos pacientes já chegaram no meu consultório dizendo “Doutor, quero fazer o exame X.” (radiografia, endoscopia, tomografia, ressonância). Ou “Quero tomar o remédio Y.” Antes mesmo de dizer o que sentiam. Estavam “escolhendo” submeter-se a riscos que eles não entendiam, ou se expondo a efeitos adversos que desconheciam, procurando um benefício inexistente. Cabe ao médico, sim, desfazer esses enganos. Estudo Medicina há 10 anos para ajudar as pessoas, não pra fazer o que elas “desejam”.

    • Lira

      Rcomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos – OEA

      Assegurar que os profissionais de saúde informem as mulheres sobre sua
      saúde para que elas possam tomar decisões livres, fundamentadas e
      responsáveis em matéria de reprodução. Direito à informação e ao
      consentimento informado (consentimento como princípio ético de respeito a
      autonomia das pessoas que requer que compreendam as diferentes OPÇÕES
      de tratamento entre as quais pode ESCOLHER).

  • http://www.facebook.com/priscilakiselar Priscila Kiselar Mortelaro

    “”eu”quem?”. Lucas, meu caro! Suas palavras estão ecoando na minha mente!

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Não entendi, Priscila.

      * Lembro que as fotos foram escolhidas pelo editor, que também escreveu as legendas.

  • http://www.facebook.com/leonardo.avila.946 Leonardo Cendón Ávila

    Estou boquiaberto com esse artigo. Demonstra conhecimento de causa e um esforço de pesquisa, sem ser um tratado de chatice técnica; e elucida sem ser excessivamente didático. O autor é de um raro bom senso. Impecável!

  • Ana Carolina Balan

    Já que este é um espaço plural, aberto a visões contraditórias, seria muito bacana ver um texto com opinião oposta sobre esse assunto, vindo de um profissional tão (ou mais) qualificado que o médico que escreveu esse artigo.

  • Otilia

    Li o texto com muito interesse. E realmente achei que iria para outro caminho, o de analisar os riscos, vantagens e desvantagens do parto domiciliar e da cesarea (que nao eh PARTO). Mas com o desenrolar da historia, vi que se tratava de mais um texto contra o parto domiciliar, apesar das consideraçoes corretas sobre as cesareas desnecessarias. Faltou o embasamento para discorrer sobre o parto normal hospitalar com suas intervençoes e consequencia. Tambem achei de mal gosto o comentario sobre conhecer uma garota na balada e o risco de se contrair HIV. E sobre isso cabe um comentario. Ninguem questiona que nos casos de alto risco sabido ou presumivel o ambiente hospitalar eh indicado quer seja pra resoluçao de parto vaginal ou mesmo cirurgia. Desta forma acho que o melhor no caso da garota da balada onde pode-se alegar que se desconheçe o pre natal/risco HIV que eh totalmente adequado uso do preservativo e ate mesmo um boa noite sem rala e rola. Mas por que nao comparar o baixo risco da gestaçao com a garota ja conhecida, de quem se tem os antecedentes e com quem voce ja esta saindo a dormindo faz tempo. Que garantias tem de que ela nao vai contrair HIV e te contaminar. Pois eh risco zero nem mesmo casado……
    E pra quem eh paraquedista e gosta de correr riscos eu emendo, que ate para um esporte considerado de alto risco os praticantes se equipam treinam e buscam junto a profissionais experientes formas de minimizar o risco para praticar um esporte que eh para poucos, nao para todos do mesmo modo que no parto domiciliar.

    • Pari em casa

      Então o autor do texto é paraquedista é vem falar q parto em casa é arriscado demais? Piada? rs.

      E perfeita sua colocação. O exemplo do risco de transar com uma
      desconhecida não tem nada a ver com o parto domiciliar. Realmente se
      assemelha mais ao ricos de pegar aids com a esposa, pessoa que vc
      conhece, sabe os antecedentes, mesmo assim ainda pode acontecer, né.
      Mesma coisa, uma mulher pra fazer parto em casa tem que estar com
      pré-natal perfeito, sem pressão alta, sem diabetes gestacional, etc.
      Assim como o bebê tem q estar com o desenvolvimento perfeito. Ou seja,
      se sabe todo o histórico daquela mulher.

      Risco zero não existe em lugar nenhum, nem melhor no melhor hospital do mundo.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Otilia e “Pari em Casa”,

        A gente recomenda o uso de preservativos mesmo para parceiros conhecidos. Pois é. A analogia continua a mesma.

        Quanto ao paraquedismo, eu não fico por aí dizendo que pular de paraquedas é tão seguro (e mais benéfico) que pousar dentro do avião, que é a conduta padrão. Paraquedismo é arriscado pra caralho. Se você não quer correr riscos consideráveis, não pule de paraquedas. Todo mundo sabe disso. Meu instrutor de paraquedas disse isso antes de começar o curso e repetiu várias vezes, antes de cada salto. ;-)

        Pula de paraquedas é um risco que aceito correr, conscientemente.

        Ter um filho em casa tendo outra opção é um risco com o qual não quero ser conivente. Ainda mais quando existe toda essa lavagem cerebral de que é tão seguro quanto e muito melhor (?).

        Aliás, “mais um texto contra o parto domiciliar”??? Só o que vejo é uma panfletagem chata e repetitiva exaltando o parto em casa, opondo-o às cesáreas e à violência praticada em alguns serviços. Nunca vi um texto contra, juro. (desconsiderando o parecer do CREMERJ).

        Temos outras opções no cardápio, como falei.

      • Letícia

        Agora sim: ”
        Se você não quer correr riscos consideráveis, não pule de paraquedas”
        “se vc não quer correr riscos desnecessários, não engravide”

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        ???

  • Uma mãe de dois

    Lucas. É uma pena que um texto tão bem escrito, e com uma discussão tão inteligente tenha sido tão mal interpretado, como vejo em alguns comentários abaixo. Acho que as pessoas não entenderam que sua intenção, penso eu, era a de colocar o máximo de dados possíveis sobre as modalidades de parto que conhece, para que, quando alguém tomar a decisão, que tome com o máximo de embasamento possível. Certo? Louvei muito seu texto, e acho que foi a abordagem mais inteligente que vi até agora. Não o vi como uma tomada de posição. O vi como uma abordagem imparcial, com a melhor das intenções. O problema é que as pessoas insistem em se ater às posições extremas: odeio parto cesárea/odeio parto em casa.

    Tive parto normal no meu primeiro filho – no hospital – e tive parto cesário no meu caçula, hoje com 7 meses, pois eu estava com a pressão altíssima um dia antes do parto – que foi antecipado às pressas, para evitar-se sofrimento de nós dois. Não me senti ofendida em nenhuma vírgula do que você escreveu. Só acho que, como você mesmo disse ao final, os hospitais precisam urgentemente abrirem espaço para uma estrutura que melhor comporte o parto humanizado.

    Meu primeiro parto, no hospital Mater Dei (BH/MG), foi maravilhosamente tranquilo, e a equipe foi muito carinhosa, mas fiquei loooonge de me sentir em um ambiente acolhedor. Por mais que lá tenha uma estrutura quase que de hotel, ainda assim, tinha aquela “pegada” de hospital. O meu segundo parto, na Santa Casa de Montes Claros (MG), apesar de ter sido realizado por duas médicas maravilhosas, acabou sendo perto de um terror, no que se refere à humanização. A equipe de enfermagem era fria e agressiva, fiquei intermináveis minutos sozinha e seminua na sala de parto depois que acabou, abandonada, com várias pessoas passando na porta. Várias enfermeiras chegavam e apertavam o bico do meu seio, para ver se saía leite, mas não me perguntavam nada, não me explicavam nada, e doía para caramba. O quarto do hospital era triste. Enfim, fiquei feliz quando voltei para casa.

    Respeito quem decide onde quer ter o parto, e como quer ter, desde que decida pensando não só em si mesma e nas próprias crenças, mas que pense também no que será melhor para a saúde e integridade física do bebê. E, se for ter em casa, que se arme de todos os cuidados possíveis e imagináveis para que se tenha toda a segurança para ambos, e que tenha um plano de contingência para qualquer eventualidade. Pois não adianta nada o parto ser lindo, SEJA ELE NO HOSPITAL, SEJA EM CASA, se o saldo final for negativo, com morte e/ou sequelas.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Obrigado pelo relato.

      A questão que eu levantei, na verdade, é a de que não vamos acertar nem num extremo nem no outro.

      O problema nesses raciocínios mais comuns que vemos aparecendo é invalidar completamente a assistência hospitalar por causa de determinadas experiência ruins. Se a maioria dos hospitais está fazendo merda (pra ser bem claro), não é negando o próprio conceito do hospital que vamos avançar, mas sim brigando para que sejamos bem tratados lá dentro.

      Isso que você relatou é bizarro. Nada menos que isso. Nem de longe é isso que defendo, óbvio.

      Acho, de verdade, que dá pra fazer partos humanizados no hospital. E tenho certeza de que essa é a melhora opção.

      • Pari em casa

        Todo mundo q defende o parto em casa tb sabe é possivel fazer parto humanizado nos hospitais. Bastaria vontade politica e toda um mudança de mentalidade da classe médica em devolver o prtagonismo do parto pra mulher, só intervindo quando realmente necessário. Isso ainda está muito longe de acontecer. Até lá fazemos o q?
        E mesmo q tivessemos hospitais perfeitos e humanizados, ainda assim algumas mulheres ainda vão preferir pari em casa.
        A OMS reconhece e preconiza q o parto deve acontecer onde a mulher se sinta segura. Seja no hospital, em casa de parto, ou no domicilio. O sistema de saúde deveria contemplar todas essas opções.
        A OMS reconhece q o parto domiciliar é seguro e é uma opção pra gestantes de baixo risco q deve ser respeitada.

  • http://www.facebook.com/luisa.aranha.7 Luisa Aranha

    Primeiro quero parabenizar pela excelente escrita e pelas questões levantadas e expostas com tamanha responsabilidade. Concordo plenamente com tudo que foi escrito sobre as questões que envolvem o parto. Estou grávida de 33 semanas e devido a duas complicações (placenta com calcificação adiantada e taxas de glicose alteradas que podem virar diabetes a qualquer momento) meu obstetra disse que o melhor será induzir o parto ou realizar uma cesária com 38 semanas ao invés de esperar entrar em trabalho de parto. Conversamos muito sobre o assunto, pois já tenho uma filha de parto normal e gostaria que meu bebê tb nascesse dessa forma. Porém é a metáfora que usastes em relação a roleta. Com a indução pode levar muitas horas e trazer sofrimento fetal e no final ainda termos que recorrer a cesária, optamos pela cesária por questões de segurança para nós dois. Acredito que em casos como o meu e como os citados no texto e alguns outros não se deve arriscar. Agora decidir que será cesária no primeiro mês da gravidez por não querer sofrer é ilógico. Acredito que além dessa comercialização do parto, muito disso é culpa das mulheres que não querem sentir dores e não pensam no quão natural é um parto vaginal. Entendo que deveria haver uma lei que permitisse a cesária só em casos de real necessidade e com laudos médicos que fossem comprovados. Também penso que com tantos avanços da medicina o parto domiciliar oferece riscos desnecessários, e embora apelativo, como foi citado é verdade que a mulher que mais defendeu o parto domiciliar morreu nessa circunstância, pois por mais que seja realizado todo o pré natal corretamente sempre podem ocorrer imprevistos e riscos. Hoje a maioria das maternidades estão mais humanizadas, o parto natural em hospitais oferece a segurança de podermos respeitar a natureza e, se necessário, recorrer aos avanços da medicina. Não é um assunto que deve ocorrer radicalizações, como falastes e que deve ser bem pensado pelas mães, pelos pais e por toda a sociedade.

    • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

      Sim, as maternidades estão super humanizadas… O bebê nasce, eles colocam ali perto do seu rosto pra vc ver… aí levam seu filho, limpam, esfregam, enfiam cânulas em todos os orifícios, pingam nitrato de prata nos olhos dele desnecessariamente, dão banho, trazem seu filho cheirosinho para o seu quarto e aí deixam seu filho no alojamento conjunto, ou então, sugerem que vc deixe dar 30ml de leite artificial pra ele para que vc possa dormir… e depois de tudo isso, porque o seu bebê dormiu no seu quarto e porque vc pode decidir se ele ia tomar Nan ou não, vc sai de lá pensando que aquele é um hospital humanizado. Os caras desrespeitam toda a fisiologia do bebê e ainda se vendem como humanizados. Me diga o nome de um hospital em SP (veja bem, em SP, onde há todo tipo de hospital e teoricamente, onde há mais recursos e informação, onde as pessoas são mais “estudadas”) onde o bebê não seja obrigado a ficar por pelo menos 30 minutos no berçario, sozinho largado em um berço quente, ao invés de ficar perto de sua mãe, que é o seu porto seguro e tem o colo perfeito pra lhe aquecer?

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      “deveria haver uma lei que permitisse a cesária só em casos de real necessidade”

      Existe sim. Do Código de Ética Médica:

      “É vedado ao médico:
      Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou
      omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou
      negligência.”

      E também:

      “É vedado ao médico:

      Art. 35. Exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico,complicar a terapêutica ou exceder-se no número devisitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.”

      O problema é que um preceito fundamental já vem sendo ignorado há tempos:

      “IX – A Medicina não pode, em nenhuma circunstânciaou forma, ser exercida como comércio.”
      Já o meu texto baseia-se nisso:
      “É vedado ao médico:
      Art. 32. Deixar de usar todos os meios disponíveis dediagnóstico e tratamento, cientificamente reconhecidos ea seu alcance, em favor do paciente.”

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Lucas, existe, mas os médicos não cumprem. Ou você nunca viu um GO indicar a cesárea por cordão enrolado, DCP e falta de dilatação (antes do trabalho de parto?). Tem GO indicando cesárea por que a mãe é míope! Tem outros dizendo que um bebê de 40 semanas está ‘passando da hora’, quando se sabe que uma gestação pode ir até as 42 semanas!

        Eu realmente quero acreditar que existam médicos que conhecem o codigo de ética e que o seguem, mas está cada vez mais difícil encontrar profissionais baseados em evidencias!

      • Novato

        Não existe nenhum, todos os médicos são monstros que querem te matar. E nessa perseguição, somente as parteiras são boazinhas, não cobram por nada, sabem melhor do que um obstetra conduzir um parto e tem muito mais conhecimento do que neonatologistas. Enquanto no hospital ambos agem em conjunto para maior segurança, a parteira faz o “serviço” melhor que os dois e ao mesmo tempo.
        A maior pena que tenho em relação ao seu filho (não sei se vc tem) não é em relação ao parto, mas em relação a educação mesmo.
        A gestação após 40 semanas é chamada pós-datismo e vai se tornando de alto risco.
        Sua limitação psíquica é tamanha que não consegue entender que sem tem médicos errando, eles são errados, isso não faz a parteira a melhor opção. Nâo consegue ver que a superlotação não é culpa do parto domiciliar, mas do nosso sistema falido, onde os cidadãos não exigem quase nada.
        Somos um país terceiro mundista e vamos continuar a ser.

      • Pari em casa

        “Somos um país terceiro mundista e vamos continuar a ser. ”

        Assino em baixo. Até porque nos paises de primeiro mundo, o parto quem assiste é a parteira (midwife – obstetriz ou enfa obstetra). O médico obstetra só é chamado pra resolver complicações do parto, se estas ocorrerem. Parto fisiologico (80%) é com a parteira.

        O modelo obstetrico brasileiro, centrado no médico, na patologia, é falido. É só olhar como é o sistema obstétrico dos paises de primeiro mundo, que contemplam o parto hospitalar e o parto domiciliar.

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        @disqus_dASXY9w4j5:disqus logicamente existem médicos humanizados, caso contrário não haveriam partos humanizados em hospitais.
        Mas eles ainda são poucos e, quando se posicionam dessa maneira, o Conselho Regional de Medicina vai lá e lança uma resolução inconstitucional para tolher a prática.
        Em nenhum momento do meu comentário eu disse que a parteira é a melhor opção ou que a superlotação tem relação com o parto domiciliar.
        Eu defendo a escolha da mulher, seja ela por uma cesárea, um parto normal hospitalar ou um parto domiciliar.
        O que não pode ocorrer, em momento nenhum, é o médico mentir para a mulher para induzi-la a um procedimento desnecessário e sem embasamento cientifico (ou existe na literatura médica indicação de cesárea por miopia?)

        E por fim, não tenha pena em relação a minha filha, pois a base da educação dela é saber aceitar as diferenças e opiniões contrárias a dela.

      • Novato

        Amanda, primeiro, obrigado por ser educada e clara nos argumentos.
        Inicialmente, o crm não é contra o parto humanizado em hospital, isso é inclusive incentivado pelo governo. Sabemos das precariedades, mas isso não é culpa do “médico” e isso não torna o parto domiciliar melhor. Concorda?
        Amanda, a gnt não se conhece pessoalmente, mas vc se espantaria o tanto que essa questão de escolha livre e esclarecida é importante pra mim. Realmente acho que cada um deve escolher o que quer, eu era até meio atecado na faculdade por isso.
        O problema da escolha no parto domiciliar reside em alguns pontos que vou tentar explicar. Pra início de conversa, se fosse uma coisa que a mulher somente se expusse, tudo bem, eu nao falaria nada, seria uma decisão dela, um risco para ela, sem implicações a terceiros. Esse é o que quero deixar claro. Adiante, pela falta de capacidade que eu penso, que parteiras tem, em realizar um parto e dar assistencia ao recémnascido, eu sou contra LEGITIMAR essa profissão entende? Vc acha que é correto eu chegar e construir um prédio? Não sou engenheiro e não tive formação para isso. Aí vc podeira dizer, mas e o direito de escolha? Eu poderia escolher construir um prédio e as pessoas poderiam escolher morar num prédio consturído por mim. Nesse ponto, cria-se um emblema ético e a legislação proíbe isso (não entremos no mérito da questão ética e moral). Mas é por aí, entendeu esse ponto? Seria como legitimar o mestre de obras a fazer o projeto de um prédio! Não que ele seja menos ou mais, apenas não é capacitado. E o pior é que isso é feito em um local onde não haverá assistência caso necessário. O segundo ponto de embate é o seguinte. No meio desta briga entre mãe, obstetra e parteira está o bebê. A mãe pode tomar qualquer decisão, mas ela tem de responder por isso, afinal já existe uma outra vida ali. Se vc vê uma mãe que não cria o filho direito, não dá o suporte adequado, vc não concorda que ela teria de ser afastada do seu filho? Isso acontece, existe o conselho tutelar. Não podemos legitimar a escolha de uma pessoa que implica em riscos desnecessários ao bebê, entendeu?
        Se essa mãe quiser depois do parto pular de um prédio, bem, isso é uma decisão apenas dela. Agora pular com o bebê, não mudaria completamente a situação?

        O argumento de alguns: credê (isso está emdebate, mas é para evitar infecção da criança), vacina (eu nao acredito mesmo que alguém é contra) não tem motivo de ir contra.
        E o argumento: médico mente, bem qualquer profissional mentindo é errado.
        Hoje é consenso a se deixar a criança junto com a mãe, aleitamenteo maternoexlucsivo, parto normal é a preferência, por incrível que parecça defendemos tratar bem os pacientes, com dignidade, não advogamos a enteróclise, a tricotomia, a episio profilática, esses argumentos só atrasam a conversa. Advogamos que a mãe teha oparto com o bostetra que lhe assistiu no pré-natal.
        Mas no hospital é cheio, tem barulho, são muitos os profissionais diferentes, temos que esperar… Isso aí são problemas sociais independentes.

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Eu entendo seu ponto de vista sobre a escolha, mas uma coisa que a maioria das pessoas que não é ligada a movimentos de humanização não percebe é que a escolha por um parto domiciliar passa também pela vontade de não ter procedimentos desnecessários com o RN. Como você mesmo disse, a MBE já luta contra a maioria das intervenções em Rn’s, mas a maioria delas continua sendo feita!
        Eu pari minha filha em um hospital ‘amigo da criança’. Amamentação foi incentivada na primeira hora, alojamento conjunto… Mas mesmo assim eu não escapei da ocitocina, do rompimento artificial da bolsa, de uma episiotomia, três procedimento desnecessários, eis que meu trabalho de parto estava evoluindo perfeitamente, sem nenhuma alteração no BCF do bebê que justificasse estas alterações. Minha filha não foi aspirada, mas recebeu o colírio (desnecessário, já que eu estava com meu exame negativo para dst em mãos).

        Meu ponto é que, mesmo em hospitais humanizados, com bons profissionais, certas rotinas são aplicadas porque são exatamente isto, rotinas. Outra, não se pode falar em bom atendimento a um RN quando ele é extraido através de uma cesárea e passa por todos os procedimentos já descritos, sendo ainda levado para ‘observação’ por no minimo 30 minutos no berçário. E isto acontece nas melhores maternidades do país!

        Eu entendo que, para quem é médico e vê problemas ocorrerem sempre, fique a dúvida do “e se”. Mas quem se prepara para um PD se prepara para eventualidades, não é simplesmente acordar em um dia e decidir que vai ter um parto domiciliar. Isso envolve profissionais (mesmo que você não concorde que Enfermeiras Obstetra possam acompanhar partos, esta é a função delas), e em muitos casos a o acompanhamento de um obstetra e de um neonato.

        Sobre a escolha da mãe ‘abranger’ o RN, não há como ser diferente. Mas se começarmos a discussão pro esse viés, cairemos fatalmente na cruzada contra o aborto. O corpo é da mulher, mas e o feto? Entendes onde quero chegar? A mãe é responsável por aquele bebê? Sim, e por isso cabe a ela decidir o que é melhor, mesmo que esse melhor signifique levá-lo para longe de uma chegada completamente desrespeitosa.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Por que considera que a ocitocina e a amniotomia foram desnecessárias?

        Elas não são feitas pra todo mundo, têm indicações claras em algumas distocias funcionais. E essas indicações não têm a ver com o BCF, que parece ser o único parâmetro citado pelas obstetrizes para observação da evolução do TP.

        Será que você não teve indicação desses procedimentos? Pergunto numa boa.

      • Letícia

        Insisto: em qual hospital nada disso é feito de rotina? Diga o nome, pq tem mulher sofrendo intervenções só por estar no lugar errado (posso citar, são luiz, sta catarina, pro matre, sta joana, cachoeirinha, hu, hc, beneficência, cruz azul, sta marina…)
        Eu participo de fóruns de mães, grávidas e, além das pessoas que conheço pessoalmente, todos os relatos que leio incluem ocitocina, amniotonia, episio, kristeller.
        Será que todas precisam mesmo?

      • Novato

        Olha, não há como eu julgar se a conduta do médico foi acertada ou não. Se vc acha que não foi bem assistida, solicite seu prontuário e busque seus direitos. O parto é acompanhado pelo partograma e todas as ações e exames têm de ser registrados nele ou no prontuário. Não estou dizendo que é o seu caso, mas acontece que algumas defensoras do parto domiciliar conversam com obstetrizes que lhes passam uma ideia errada e aí criam-se estes dogmas, baseados em nada. Por ex., grande parte delas, e vc pode ver aí, ataca o uso de fórcipe. Em alguns casos, ele simplesmente salva a vida da mãe e do bebê.
        Você sabia que ter exames de DST’s negativos em mãos não invalida o uso do colírio? A maioria esmagadora das mulheres infectadas pela bactéria são assintomáticas. E eu duvido muito, que vc tenha feito ou PCR ou cultura para o gonococo (melhores exames) em seu pré-natal, são exames caros, raros, e praticamente nenhum médico pede para este fim. Enfim, muito provavelmente vc não tem a doença, seus exames estavam negativos e você assintomática. Mas não havia como ter certeza que seu filho não iria desenvolver uma infecção oftalmológica, para que correr este risco?
        Ademais, não é o BCF que define tudo em um parto. Em relação ao rompimento artificial da bolsa, está sendo cada vez menos feito, mas em algumas situações (placenta prévia, descolamento prematuro de placenta) ela é mandatória e salvadora, em uma diminui o sangramento, em outra o risco de CIVD. Pode melhorar as contrações, também!
        As rotinas nos hospitais são frutos de estudos e concordo que muitas não são as mais certas. Mas nenhuma “rotina” séria aparece do nada, ela é amparada por dados científicos. Estes dados estão mudando constantemente, prova é a lei do acompanhamente, a negativa de práticas como tricotomia, Kristeller, enteróclise, como algumas insistem em colocar como práticas defendidas pelos médicos.
        Concordo com você em relação ao aborto, é uma situação muito complicada.

        O parto em hospitais muitas vezes é desrespeitoso, concordo com você, mas vivi a realidade do SUS e vejo isso mudar. Temos que lutar para que isso não aconteça, para que o hospital público seja bom e olah do fundo do coração, na minha cidade, se precisar de um hospital prefiro ir pro hospital da minha faculdade. Já no parto domiciliar, vejo um “desrespeito” ao bebê, ele é privado de uma assistência que poderia ser melhor.
        Volto a repetir, a natureza, Deus, Seleção Natural ou como vc preferir, nos “projetou” para dar certo. A conformação física da mulher tem tudo para parir por via vaginal, então na maioria esmagadora das vezes, com ou sem médico ou obstetriz o bebê vai nascer e sobreviver. O estudo da medicina existe, a meu ver, para diminuir ainda mais este risco. E privar alguém, incapaz de decidir por si desta assistência, é errado (minha opinião) (não estou nem entrando no mérito que, novamente, miha opinião, as parteiras não tenham condição de prestar assistnecia adequada).
        Fomos feitos para nascer!!! Olha que história maluca! Meus quatro avós nasceram na fazenda, sem assistência médica! Meu pai também nasceu na fazenda sem assistência médica. Já história da minha mãe foi bem capiciosa. Meus avós maternos moravam na fazenda e já próximo dos 9 meses, meu avô foi na cidade alugar uma casa para dar assistência para minha avó. Neste meio tempo, minha avó entra em trabalho de parto, na fazenda, deu tempo só de chamar minha bisavô na fazenda do lado e por meu tio (criança) para fora do quarto.
        Como você pode ver, todos os meus antepassados diretos nasceram em casa sem assistência médica. NO entanto, não posso usar exemplos pessoais e pontuais para assegurar essa prática. E nem quero usar o exemplo da defensora do parto domiciliar que morreu no parto para invalidá-lo. Temos que formular trabalhos sérios, com boa metodologia, grande amostra etc, para montarmos nossa conclusão.
        No fim de tudo, não quero que meu futuro filho tenha que TER a mesma sorte dos meus antepassados, acho que isso é uma conquista da “evolução” da humanidade.

      • Letícia

        Como vc é infantil!
        Educação? Aquela que a sua mãe deve ter dado, mas que vc faz questão de ignorar?

      • Letícia

        Existe sim, ou vc nunca viu nenhum GO indicando “desnecesárea” por “placenta com calcificação adiantada e taxas de glicose alteradas que podem virar diabetes a qualquer momento”?
        Tá vendo do que nós estamos falando?
        O mérdico levou ela até as 38 semanas com o discurso de que “fará o que é melhor” e agora vem com essa desculpinha. E ela caiu!
        Mas o mérdico da Luisa Aranha não está infringindo nenhum dos artigos citados, nem o do comércio, imagina!!!!
        Agora, vai ver as taxas de cesárea dele, e o quanto ele cobra pra enganar as “mãezinhas”.

      • Pari em casa

        Na teoria é lindo, né! Mas na prática a podridão impera. Só quem é usuária do sistema (falido) obstetrico brasileiro sabe.

  • http://www.facebook.com/ana.passos.58 Ana Passos

    Me fez lembrar do parto do meu segundo filho,o primeiro nasceu duas semanas antes,então eu não sabia que uma gestação poderia ir até 42 semanas.Faltavam 3 dias pra completar 40 semanas e nada de sinal pra parir,o médico disse que não podia passar um diazinho depois de completar 40 semanas pois o bebê entraria em sofrimento.Lendo,relendo,me informando vi que a gestação pode ir até 42 semanas,resolvi esperar. Ele nasceu 3 dias depois de parto normal.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Seu médico errou.
      Existem médicos ruins, é lamentável, eu sei.

      Mas isso não invalida a medicina inteira.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        basta ver a taxa de cesarianas do setor privado para entender que praticamento 90% dos médicos não são confiáveis.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        “90% dos médicos não são confiáveis.”?

        de onde saiu isso?

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Pra mim sai do índice de 90% de cesáreas dos médicos registrados em planos de saúde. Explicando melhor: Acredito que 90% das cesáreas feitas por médicos não foram bem indicadas, portanto, essas pessoas não foram atendidas por pessoas confiáveis.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Não foram atendidas por pessoas confiáveis ou DEMANDARAM a cesárea?

        Sim, pq todos os obstetras que conheço falam que é MUITO difícil demover uma mãe que “decide” pela cesárea. E que essas são a maioria na rede privada. E elas usam os mesmíssimos argumentos das militantes do parto domiciliar: o corpo é delas, o parto é delas etc etc etc.

        E aí, você acha que as mulheres deveriam ter o direito de “escolher” fazer uma cesárea e contratar um médico-serviçal para fazê-la?

      • Letícia Penteado

        A-HÁÁÁÁÁ!!! Finalmente caiu a máscara. Estava demorando. A culpa, claro é da mulher. Não é dos médicos tão bonzinhos, que só fazem atender o que as mulheres pedem. Não é da violência obstétrica durante o parto normal que cria um trauma tão absurdo que a mulher passa a achar que a cesárea é a saída para não sofrer. Não é do méRdico que está com a passagem comprada para o final de semana e por isso induz o parto da gestante já na quinta, ou que induz no meio do dia porque não quer ter que sair de casa depois das cinco?
        Engraçado porque as mulheres dizem “eu queria normal, mas no final TEVE QUE SER cesárea” de um lado, e os médicos dizem “no final, ela OPTOU pela cesárea” do outro. Quem está mentindo?
        O médico sugere a cesárea, na maior parte das vezes sabendo que a sua sugestão tem um peso de ordem. E, também na maior parte das vezes, sem explicar todas as implicações envolvidas. E a mulher acata, sem saber que está “aceitando uma sugestão”. Porque, na cabeça dela, o médico não sugeriria a cesárea se ela não fosse necessária, né?
        Desculpa, Lucas, mas essa do médico-serviçal-vítima da história é muito dura de engolir. Feio mesmo.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        “Máscara”? “MéRdico”? “A-HÁÁÁÁ”???

        Feio é não saber argumentar e ficar com esse discursinho conspiratório e essa postura de menininha brava com a mão na cintura, acusando uma classe inteira de anti-ética, mercenária e violenta, numa discussão que era pra ser inteligente e ponderada aberta por um membro dessa mesma classe.

      • Letícia Penteado

        Na verdade a minha mãozinha na cintura é mock total, querido Lucas. E você sabe bem que eu não acuso UMA CLASSE INTEIRA de anti-ética, mercenária e violenta. Me diga em que momento, exatamente eu disse que TODOS os médicos são maus, muito maus, maus demais mesmo. Eu nunca disse e nem diria isso. Você é que está aí todo defensivo “eu não sou malvado! Nem todo médico é malvado! Suas chatas!”
        Se a sua discussão era para ser inteligente e ponderada, você poderia levar-se bem menos a sério, fazer-se bem menos de vítima.
        O que, só você pode ser irônico? Só você pode brincar? Você pode tirar os outros, mas ninguém pode tirar você? É assim que brinca o dono da bola?
        Agora é sério o que eu disse: não cola transformar o médico cesarista em vítima. Não cola. Por quê? Porque ele está adstrito a uma ética profissional que o obriga (ou deveria obrigar) a não aceitar fazer a cirurgia desnecessária. Logo, é só não ceder à pressão e encaminhar a paciente a outro médico se ela continuar insistindo.
        E mais, inverter a hipossuficiência da relação médico-paciente, transformando o médico no pólo mais fraco dessa equação é forçar demais a barra.

      • Letícia Penteado

        Na verdade a minha mãozinha na cintura é mock total, querido Lucas. E você sabe bem que eu não acuso UMA CLASSE INTEIRA de anti-ética, mercenária e violenta. Me diga em que momento, exatamente eu disse que TODOS os médicos são maus, muito maus, maus demais mesmo. Eu nunca disse e nem diria isso. Você é que está aí todo defensivo “eu não sou malvado! Nem todo médico é malvado! Suas chatas!”
        Se a sua discussão era para ser inteligente e ponderada, você poderia levar-se bem menos a sério, fazer-se bem menos de vítima.
        O que, só você pode ser irônico? Só você pode brincar? Você pode tirar os outros, mas ninguém pode tirar você? É assim que brinca o dono da bola?
        Agora é sério o que eu disse: não cola transformar o médico cesarista em vítima. Não cola. Por quê? Porque ele está adstrito a uma ética profissional que o obriga (ou deveria obrigar) a não aceitar fazer a cirurgia desnecessária. Logo, é só não ceder à pressão e encaminhar a paciente a outro médico se ela continuar insistindo.
        E mais, inverter a hipossuficiência da relação médico-paciente, transformando o médico no pólo mais fraco dessa equação é forçar demais a barra.

      • Letícia Penteado

        Só que a minha mãozinha na cintura é mock total, querido Lucas. E você sabe bem que eu não acuso UMA CLASSE INTEIRA de anti-ética, mercenária e violenta. Me diga em que momento, exatamente eu disse que TODOS os médicos são maus, muito maus, maus demais mesmo. Eu nunca disse e nem diria isso. Você é que está aí todo defensivo “eu não sou malvado! Nem todo médico é malvado! Suas chatas!” Se a sua discussão era para ser inteligente e ponderada, você poderia levar-se bem menos a sério, fazer-se bem menos de vítima. O que, só você pode ser irônico? Só você pode brincar? Você pode tirar os outros, mas ninguém pode tirar você? É assim que brinca o dono da bola? Agora é sério o que eu disse: não cola transformar o médico cesarista em vítima. Não cola. Por quê? Porque ele está adstrito a uma ética profissional que o obriga (ou deveria obrigar) a não aceitar fazer a cirurgia desnecessária. Logo, é só não ceder à pressão e encaminhar a paciente a outro médico se ela continuar insistindo. E mais, inverter a hipossuficiência da relação médico-paciente, transformando o médico no pólo mais fraco dessa equação é forçar demais a barra.

      • Letícia Penteado

        Só que a minha mãozinha na cintura é mock total, querido Lucas. E você sabe bem que eu não acuso UMA CLASSE INTEIRA de anti-ética, mercenária e violenta. Me diga em que momento, exatamente eu disse que TODOS os médicos são maus, muito maus, maus demais mesmo. Eu nunca disse e nem diria isso. Você é que está aí todo defensivo “eu não sou malvado! Nem todo médico é malvado! Suas chatas!” Se a sua discussão era para ser inteligente e ponderada, você poderia levar-se bem menos a sério, fazer-se bem menos de vítima. O que, só você pode ser irônico? Só você pode brincar? Você pode tirar os outros, mas ninguém pode tirar você? É assim que brinca o dono da bola? Agora é sério o que eu disse: não cola transformar o médico cesarista em vítima. Não cola. Por quê? Porque ele está adstrito a uma ética profissional que o obriga (ou deveria obrigar) a não aceitar fazer a cirurgia desnecessária. Logo, é só não ceder à pressão e encaminhar a paciente a outro médico se ela continuar insistindo. E mais, inverter a hipossuficiência da relação médico-paciente, transformando o médico no pólo mais fraco dessa equação é forçar demais a barra.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Deve ser difícil mesmo fazer uma mãe decidida pela cesárea mudar de idéia. Entretanto, no ano passado, no meu grupo de amigas, éramos em 12 grávidas. Apenas uma queria cesárea. Eu tinha equipe humanizada. As outras queriam “tentar normal” e juravam de pés juntos que os médicos respeitavam e que elas iriam ter o parto delas. Bom.. A que queria cesárea, teve cesárea. Eu, tive o meu parto pois estava com uma médica com menos de 15% de cesáreas. Das outras 10, uma entrou em TP, não tinha doula, foi pro hospital, o plantonista constatou 4cm de dilatação e já estava pedindo a internação pra ela tomar um “sorinho”. Ela pulou da maca e disse que voltava depois e passou quatro horas caminhando no shopping prõximo ao hospital. Chegou parindo e teve o seu parto. As outras 9, que não iam parir com plantonista e juravam que o médico ia acompanhar o PN… bom… vc sabe né? TODAS foram para cesárea eletiva. Uma com 38 semanas. As outras todas com 39 semanas. Algumas com o lindo discurso de que era muito arriscado chegar em 40 semanas. Outras tinham cordão enrolado e uma tinha cordão curto… Apenas uma demandou a cesárea. Das 12, dez tiveram seus filhos extraídos de suas barrigas antes do trabalho de parto. E você quer que as pessoas acreditem que 90% das usuárias dos planos de saúde solicitam uma cirurgia de extração de feto?

      • Letícia

        Lucas, de todas as minhas amigas e conhecidas, umas poucas (próximas mesmo umas 5) tiveram parto vaginal (nada humanizado, nada respeitoso).
        Todas as outras tiveram cesáreas eletivas. Por motivos tão estúpidos que dá até vergonha de ouvir! Todas com médicos diferentes.
        A maioria não é confiável A maioria mente em benefício próprio.

      • Pari em casa

        Continha simples. Se temos no setor privado 90% a 95% de cesáreas e a OMS recomenda somente 15%, temos aí algo em torno de 75% a 80% de mulheres mal atendidas. OU por pura incompetêcias desses médicos de lidar com parto natural (só sabem fazer cesárea) OU por má fé mesmo. Aquele papinho enganoso e terrorista q indica cesarea pq o cordão está enrolado no pescoço, pq a mulher engordou demais, pq a mulher é pequena demais, pq o bebê é grande demais, pq não pode passar de 40 semanas (a gravidez vai até 42), pq ainda não encaixou, etc, etc. A lista de motivos esdruxulos usados pra fazer a mulher “optar” por cesárea é imensa. E claro q o “dotô” estudou mil anos, ele sabe tudo, e a mãezinha diz amém e baixa a cabeça.

        Pra fechar a conta, acho q nem precisa mais falar da violencia obstetrica q sofrem as outras 10% q ousam ter parto normal, né.

      • Novato

        Nem sempre a decisão de cesárea é só dos médicos. Concordo que estão errados, os que fazem cesária indiscriminadamente. Mas esse erra não justifica o crime com parteiras.
        Mas ótimo, me mostra um estudo duplo-cego, randomizado que mostra a superioridade do parto domiciliar sobre gestantes em mesma condição no hospital.
        Não vá mais a um posto de saúde, a uma clínica, a um hospital. Faça um favor de morrer num parto, tal qual a outra militante dessa causa sem idiota, tomara que como no caso dela o filho sobreviva.

      • Letícia

        Crime com parteiras????
        Olha que eu trabalho com direito penal e não conheço nenhum tipo penal envolvendo parteiras!!!!!

        Esse é um mérdico falando: não tem a menor estabilidade emocional!

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Novato, me diga, quantas mulheres morreram em partos domiciliares do Brasil em 2011? E quantas mulheres morreram no hospital? Pode me dar esses números em porcentagens?

      • Renata

        Talvez do mesmo lugar de onde saiu que 90% das mulheres que parem na rede privada no RJ e em SP não tem passagem ou dilatação ou bebê com circular de cordão ;-)

      • http://www.facebook.com/ana.passos.58 Ana Passos

        Ele me assustou ao dizer que não podia passar de 40 semanas só pra me convencer a fazer cesárea. Inclusive tem médicos aqui que só acompanham a gestação da paciente que já agendar a cesárea.

  • http://www.facebook.com/sabrina.hosokawa Sá Brina

    Primeiro… É sempre interessante ver um homem se preocupando com o parto, pena que seja da mesma forma que vemos a séculos: colocando o corpo da mulher como falho, inapropriado.
    Segundo… Por que você cita APENAS a metanalise de Wax, mesmo sabendo que fora criticada (detalhe: pela COMUNIDADE CIENTIFICA EM GERAL e não somente pelos defensores do parto domiciliar, como dito) e que os autores não se disponibilizaram em reiterar sua analise? (ver http://guiadobebe.uol.com.br/parto-domiciliar-refletindo-sobre-paradigmas/). Ah! Seria a técnica de implantação de pulgas atrás da orelha?!?!
    Terceiro… parto domiciliar não é um retrocesso e negação da tecnologia. Muito pelo contrário, ele é assistido por PROFISSIONAIS COMPETENTES (sabe, tipo aquele que estão assistindo a mulher no hospital? ) para identificar distócias no percurso. Não existe nenhuma situação de emergência súbita (tanto em casa quanto no hospital) que necessite dos materiais exclusivamente hospitalares para o atendimento imediato. Assim, enfermeiros obstetras, obstetrizes levam balão de oxigenio, ocitocina sintética injetável e suas tecnicas para situações críticas, tais como a distocia de ombro, que será tratada da MESMA FORMA em casa ou no hospital, afinal NÃO DÁ PARA EMPURRAR o bebê para dentro e operar.
    Quarto e último… imediatamente temos que repensar, quanto sociedade, o modelo RISCO ZERO que nos é vendido. Não existe isso! Viver é se pôr a disposição das leis da natureza… A vida anda junto com a morte. Não somos deuses capazes de controlar o universo.
    Por tudo isso e mais um pouco (esse mais um pouco diz respeito ao modelo assistencial que temos no Brasil que “enfia goela abaixo” a cesarea ou violenta a mulher com intervenções e humilhações constantes durante um parto normal) é que digo: Parto domiciliar no Brasil é sim um ATO POLÍTICO!

    • andressa


      Não existe nenhuma situação de emergência súbita (tanto em casa quanto no hospital) que necessite dos materiais exclusivamente hospitalares para o atendimento imediato. ”
      ???
      que eu saiba, existe sim.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Quais emergências súbitas?

        Você sabia que se vc está no hospital em trabalho de parto e precisa de uma cesárea, leva em média 30 minutos para prepararem a sala e chamarem o anestesista? E sabia que se vc estiver em casa, com um plano B bem definido e estudado, em 30 minutos vc chega ao hospital para o qual o seu obstetra de back up para caso de remoção já vai ter ligado solicitando toda a preparação?

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Pera ai: você diz que não existe nenhuma situação de emergência súbita necessitaria de materiais exclusivamente hospitalares. Mas logo em seguida me diz que seu plano b é correr para o hospital?

        Chega ser engraçado, de tão irônico.

      • Pari em casa

        Qual é a graça? Hospital é pra quem tá doente, parto é fisiologico. Enquanto o parto (de uma gestante de baixo risco) não dá sinais de complicação, não precisa de hospital. Quando o parto deixa de ser fisiologico é hora de ir por hospital.
        Todo parto domiciliar planejado precisa ter o plano B, mesmo q esse plano B não seja necessário na imensa maioria dos casos. O plano B é um hospital de referência q deve ficar no máximo a 20 min da casa da parturiente. É assim q funciona nos paises desenvolvidos.
        A colega está explicando q a mairia dos hospitais não tem anestesista de plantão, somente de sobre aviso e em média chegam no hospital em 40 min. Ou seja, Se um parto complicar no hospital, ainda vai demorar no minino MEIA HORA até aquela mulher fazer cesarea. É assim q acontece. Aquele seriado americano E.R, onde o paciente chega e em 1 minuto está na mesa de cirurgia, correria e tal, sabe? Isso não existe na maioria das maternidades brasileiras. A cesarea de emergencia demora no minimo meia hora, ou seja, a mulher do parto em casa q complicou (raridade) chega primeiro no hospital do q o anestesista.

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Você sabe que seu argumento é logicamente inconsistente né? Não vou nem me dar ao trabalho de argumenta. A propósito, seu argumento não tem nada a ver com o que escrevi para ela.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        explique, por favor….

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        ou vc realmente acha q um parto em casa acontece sem planejamento e sem se estudar o que fazer e como agir em caso de necessidade de ir ao hospital? falta muita informação ai na sua cachola…

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Mariana, talvez você não saiba ler direito. Ou tenha alguma dificuldade de organizar as ideias antes de escrever.

        Só questionei um posicionamento seu, feito de forma totalmente equivocada. Você disse que em NENHUMA emergência súbita, é necessário equipamento hospitalar. Mas que o plano B é ligar para médica e ir para o hospital.

        Para entender melhor:

        Nenhuma, não existe alternativa, possibilidade ou chance. Anula qualquer exceção.

        Súbito, é inesperado, não planejado. Algo que nem o planejamento prévio conseguiu identificar.

        Ou seja, você anulou todas as hipóteses que poderia precisar de um hospital. Mas que se der algo errado, vai correr para pra lá.

        Não questionei nada, absolutamente nada além desse posicionamento. Colocado de uma forma extrema e radical para criar maior impacto no texto, sendo que ele era, nele mesmo, incoerente.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Onde você leu a palavra NENHUMA no meu comentário?

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Ai filha ta complicado, hein?

        Tudo começou no texto da Sá Brina, que aponta isso diretamente no texto. Com as mesmas palavras que eu falei. A Andressa, sabiamente, apontou isso, e você, talvez em um ataque de ansiedade para responder tudo o que era postado aqui, firmar seu ponto, postou apoiando o comentário inicial (da Sá Brina), e também mudando o foco da discussão. Usando o argumento falacioso, adicionando um conteúdo que parece responder o que foi questionado, mas que não tem relação direta com o ponto atacado.

      • Novato

        que isso meu povo? vc não sabe o que está falando!

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        @Mariana Whitehead Guimarães , O que tem a ver indicações de cesárea com as emergências súbitas? É óbvio que não estamos falando de distocias com necessidade de cesárea – para essas condições, realmente PODE dar tempo de chegar no hospital.

        Estamos falando de depressão respiratória, PCR, atonia uterina com choque hemorrágico etc.

        Você acha mesmo que meia hora não faz diferença nessas condições?

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        quais andressa? Se você coloca “que eu saiba”, por favor, compartilhe o que você sabe.

    • Novato

      só para te deixar mais bem informada existe sim a manobra de empurrar o bebê para a barriga da mãe (obviamente se ele não saiu completamene) para fazer a cesária chama-se manobra de zavanelli é por isso que um médico é quem é melhor preparado para o parto. Dando informações como se fossem coisas óbvias sem nenhum conhecimento de causa.

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        e quando uma mulher, sem qualquer intercorrência, está no hospital parindo, já na fase expulsiva, e o médico ‘empurra’ o bebê de volta e faz a cesárea, sem qualquer justificativa? E quando o pai pergunta o por que daquela atitude, o médico diz que foi ele quem estudo ‘não sei quantos anos’ e sabe o que está fazendo?
        Dá pra ter uma noção da violência obstétrica que as mulheres estão sofrendo?

      • Novato

        com vc não dá para conversar, estaria errado!

        Entao tá bom, vamos conversar no seu nível. Pq as obstetrizes puxam o rn pela cabeça para machucar?

      • Letícia

        Eu só vejo médico fazendo isso!
        Em partos assistidos por “parteiras” isso não acontece!

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Em um parto humanizado não se ‘puxa o rn pela cabeça’ em momento nenhum. Não existem puxos dirigidos, o período expulsivo é guiado pelas contrações naturais do corpo da mulher, o que faz com que diminua-se exponencialmente a incidência de lacerações.

        E se você quer conversar no meu nível, escreva melhor.

      • Novato

        Ok, senhora professora de português. Primeiro, só para lhe corrigir. O certo é “que se diminua”, nestes casos a próclise é obrigatória.

        Quanto ao assunto principal, escrevi um argumento descabido para vocês se sentirem como nós nos sentimos quando vocês dizem que o médico faz episio em todo mundo, que faz tricotomia em todo mundo, que empurra o bebê para fazer cesárea. Ou quando vc põe que é prática corriqueira os médicos dizerem para os pacientes que eles que estudaram 6 anos.
        É exatamente isso, entendeu? O argumento de grande parte das mulheres a favor do parto domiciliar é nesse tom, afirmando que os médicos fazem estas práticas, há muito, abandonadas. Ou seja, são argumentos mentirosos que não trazem uma discussão inteligente. Agora me diz, quanto tempo vc já ficou dentro de um hospital!?

      • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

        Tricotomia e lavagem intestinal não são critérios dos médicos, e sim do hospital, então se você vai parir em um hospital que não aboliu a prática, você fatalmente passará por isso.
        Episiotomia é feita pela maioria dos médicos, e sabe qual o argumento? É “mais fácil do que suturar uma laceração”. E quem disse que a mulher vai lacerar? Quem se prepara para um PN faz, inclusive, exércicios para o assoalho pélvico, para aumentar a elasticidade.

        Não só passei um tempo observando dentro de um hospital como assisti aulas de obstetricia em que o professor ensinava que TODO parto precisava de intervenções. Que SEMPRE era necessária a ocitocina, a episio, kristeller. Que a muler não conseguiria parir sem isso. Essa aula foi em 2010. Você acha realmente que essas práticas foram abandonadas?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Em que faculdade?

      • Letícia

        Novato e Lucas, em que mundo vcs vivem? Sério, pq as poucas amigas e conhecidas que tiveram partos vaginais e não sofreram episiotomia, chegaram parindo! Sério mesmo!!!!
        Em SP é protocolo para primigestas, e tb pras que já tiveram episio anterior.
        Não estou sendo irônica, infelizmente isso é verdade!

      • Novato

        Em que hospital você viu isto?

      • Letícia Penteado

        Hein? Obstetriz puxando RN pela cabeça? Oi? Onde foi que você viu isso? Quem fez isso? Que eu saiba, quem faz isso é méRdico. (E não, não são todos, antes que você se doa, estou falando de quem faz isso. Se você é médico e não faz isso, o termo – pelo menos neste caso – não se aplica a você.)

      • Novato

        É assim mesmo, os médicos são despreparados. Mas parteiras, TODAS SEM EXCEÇÃO SÃO ÓTIMAS, não tem defeito.

  • Débora R Lopes

    para quem ainda acha que um parto hospitalar esta mais seguro que num parto domiciliar assistido. uma colega sua de profissão tb fez esse questionamento, e seguem as respostas. quem ainda tiver duvidas…
    http://www.mamiimari.com/2012/07/replica.html

  • Isadora Dias

    Um médico, como tantos outros, defendendo a manutenção do poder médico. Um médico do corpo, como tantos outros, defendendo que RISCO FÍSICO é esmagadoramente superior a qualquer outro risco, como o RISCO PSICOLÓGICO. A vida inclui riscos, em casa ou no hospital. Há maneiras de cada um fazer escolhas, se arriscar.
    Sua opinião, Doutor, é válida. Concorda com uma certa maneira de viver e olhar a vida. Acho interessante a diversidade.
    Creio que o parto em casa priva a mulher de algumas coisas, especialmente de equipamentos específicos. Porém, a mesma ganha em qualidade de relação, com a enfermeira/parteira, com o companheiro, com o bebê. Ganha também em intensidade de experiência, coisa que apenas o natural e a natureza podem oferecer.
    O hospital e, especialmente, a cesárea parecem trazer uma boa dosagem de previsibilidade, isso é uma grande vantagem para algumas pessoas.
    É como escolher vacinar-se (e a seus filhos) ou não… Escolher fazer uso de antibióticos ou não…

    Particularmente eu não quero entregar o controle do meu corpo à classe médica, nem às políticas públicas. Isso implica numa mudança de cultura, cultura essa que muito poucos médicos acessam, por serem tão convictos do que aprenderam na faculdade e na sua experiência clínica e hospitalar. Aprendi (com um médico integrante dessas exceções!) que da minha saúde entendo eu.

    Grata pela promoção da discussão.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Primeiro, NÃO ESTOU DEFENDENDO A CESÁREA. Achei que isso estava óbvio no texto.

      Segundo, não tem NADA a ver com “poder da classe médica”. Porque a discussão sempre descamba pro apedrejamento dos médicos-malvados que se acham?

      O parto em casa só ganha em “qualidade de relação” porque a assistência hospitalar está, na média, uma grande merda. Ser melhor que uma grande merda não é lá muito difícil. A questão é que devíamos lutar pra que a grande merda se torne uma assistência digna, em vez de abandonar completamente a estrutura hospitalar porque os médicos malvados só conseguem violentar as pacientes. Você não “entrega o controle do seu corpo à classe médica”, você segue as orientações de um profissional que estudou o assunto a fundo.

      Tem médico horrível (muitos), mas tem médico bom, também, galera.

      • Sabrina Ferigato

        concordo com vc que tem muito médico bom! mas sem dúvida esse debate está repleto de questões relativas às relações de poder… ou como diria Foucault, de biopoder

      • Letícia

        Tem médicos bons, sim!
        Obstetras humanizados, em São Paulo, dá pra contar nos dedos!!!
        Agora, obstetra que indica, que tenta persuadir, que mente descaradamente pra indicar cesárea fora de trabalho de parto, bom, aí, é só dar a lista do CRM e tirar uns 6 ou 7 nomes.
        Obstetra que desrespeita, que trata mal, que não se atualiza, tá cheio, não é mesmo?
        Com a Marcha do Parto em Casa, Marcha do Parto Humanizado, não queremos apenas o direito de decidir onde parir, mas queremos ter um atendimento respeitoso e a garantia de acesso às reais opções.
        Das minhas 150 amigas, conhecidas, esposas de amigos e conhecidos que tiveram filhos, sabem quantas tiveram cesáreas desnecessárias?
        140.
        As 10 que não tiveram cesáreas tiveram partos hospitalares horríveis, com ocitocina, puxos dirigidos, episio, kristeller, algumas tiveram fórceps.
        Se alguma delas não sofreu violência foi porque não deu tempo de por soro, ou de fazer episio. 2 tiveram episio sem serem consultadas, e sem anestesia. Isso é correto?
        O correto era uma assistência humanizada, respeitosa. E isso não é tão difícil!
        Mas veja só, alguns poucos médicos que proporcionam esse tipo de atendimento na rede privada, cobram caro (mas eu sei que se cobra pra fazer cesárea eletiva, o mesmo que um parto humanizado), e os poucos que tentam fazer algum projeto em hospitais do SUS enfrentam uma resistência tremenda da própria classe médica.

        Todas as mulheres deveriam ter direito às informações necessárias para poderem escolher conscientemente se querem parir em casa ou em um hospital. E no hospital, o atendimento deveria ser individualizado e respeitoso, seja pra moradora de rua (essa vai pro amparo maternal e pari no corredor), ou pra mulher que tem um plano de saúde caro (normalmente ela cai na cesárea sem indicação que o médico inventou).

  • http://www.facebook.com/mayara.marinheiromartinelli Mayara Marinheiro Martinelli

    Lucas, vai estudar a Melania

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Já li os textos dela.

      Só que, além de ler os textos dela, li MUITAS outras coisas durante esses anos de medicina

      Diferente de muitas militantes, que SÓ leram os textos dela. ;-)

      • Letícia Penteado

        Não, querido. Eu li também vários textos e sites CONTRÁRIOS ao parto humanizado e domiciliar. Você conhece a “Dr. Amy”? Coloca aí no google. hehehe
        Até chegar aqui, foi uma verdadeira caminhada. E lembre-se, Lucas, o establishment é cesarista e hospitalar. Nós já vivemos inseridas nele, em seus argumentos vazios, em seus dados distorcidos. As pessoas que rompem com o status quo são, justamente por isso, necessariamente as que estudaram ambos os lados da questão, ou pelo menos estudaram mais de ambos os lados do que as que permanecem no mesmo rumo de sempre por pura inércia.Aliás, o blog da Melania foi criado há um mês e pouco. Eu pari há mais de um ano. Nós todas comemoramos o blog da Melania porque finalmente temos uma referência médica com todos os embasamentos científicos para indicar para as pessoas mais técnicas.
        Se você leu os textos dela… o que você tem a dizer? Com que argumentos TÉCNICOS você refuta a segurança do parto domiciliar em relação ao hospitalar? Por favor, nos ilumine.

      • Pari em casa

        Perfeito Leticia.
        Eu pari em casa há mais de 3 anos, muito antes do excelente blog da Dra Melania existir.
        Todas nós nos informamos por todo tipo de fonte, contrarias e a favor. Afinal todo mundo está inicialmente dentro da Matrix obstetrica. É dificil sair dela, admitir q tudo aquilo q se acreditava é mentira, admitir q estava errado não é fácil. Mas a pilula vermelha é libertadora.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Com os argumentos que estão no texto.

      • Letícia Penteado

        Insuficientes, me desculpe. Quando os estudos mostram que, estatisticamente o parto domiciliar é tão seguro quanto ou até mais que o parto hospitalar, não basta o seu “eu não acho” para desqualificar as pesquisas sérias a respeito, principalmente quando a sua única evidência vem de um outro estudo que você bem sabe que incluiu em seu espaço amostral coisas muito diferentes do que está sendo discutido aqui.

  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    Nasci com uma deficiência seríssima, precisei ficar encubado por semanas. Se tivesse feito em casa, a deus dará, provavelmente nem estaria aqui. A presença de um médico é importantíssima para avaliar corretamente o estado de saúde do recém nascido. Acho muito comovente essa visão romantizada do parto em casa, mas acho que o meio termo, como explorado pelo Dr. Lucas, é a melhor opção.

    A maioria esmagadora das pessoas que comentaram, que provavelmente fazem parte de algum grupinho que defende a causa, todas colando mesmo link com discursos copiados e colados, devem tomar muito cuidado com qualquer extremismo relacionado ao assunto.

    Não sou dos mais simpáticos com médicos, raramente recorro para alguma coisa, mas eles tem um importantíssimo papel e, como todos sabemos, na hora da merda a gente vai correndo para eles.

    • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

      Meu bem, problemas como o seu podem ser diagnosticados antes… qualquer equipe séria não deixaria vc nascer em casa…

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Nem sempre filha, nem sempre. Você está se baseando num mundo colorido onde tudo dá certo. Cuidado.

      • Médico_Mg

        Vc nem sabe o que é, como está dizendo que daria pra diagnosticar antes!

    • Pari em casa

      Pq vc não explica melhor seu caso? Qual a deficiencia q vc nasceu? Como foi o parto da sua mãe?

  • http://www.facebook.com/talita.guerra.50 Talita Guerra

    Discussão interessantíssima. É por esse tipo de conteúdo que admiro esta publicação. Agora, Lucas e demais profissionais da área, de onde parte a humanização da saúde? Quando diz que todos devemos brigar por hospitais mais humanizados, o que eu, leiga, da área de exatas, solteira e sem previsão de ter filhos posso fazer para quando chegar a minha hora de parir, eu e meu bebê possamos ser atendidos em um ambiente acolhedor, onde todos os envolvidos nos tratem com respeito e dignidade independentemente da modalidade de parto escolhido? O que posso fazer agora pelos meus chegados que estão passando pela experiência de trazer um ser ao mundo?
    Pergunta sincera.

    • Médico_Mg

      Talita, ótima pergunta. Infelizmente tenho que lhe dizer que muitas das nossas lutas atuais, mesmo vencidas, serão recompensadas somente depois e os beneficiados serão as gerações futuras.
      Exemplo disso: Vc sabia que antigamente, mas não muito antigamente no século XX mesmo só era atendido no Sistema Público o trabalhador formal, o informal era tido como indigente e era tratado nas santas casas (filantropia) ou “no particular”? Sabe como isto mudou? Por uma série de movimentos na década de 80 que culminaram com a Reforma Sanitária Brasileira e famosa VIII Conferência de Saúde e a criação do Sus. A luta deles não os beneficiou, pelo menos não naquele momento. Talvez isso aconteça conosco. Chega de blá, blá, blá e vamos ao que eu penso que poderia mudar isso.
      1º: Somos cidadãos e responsáveis por cobranças e votos. Uma boa saída seria escolher com mais consciência, escolher pessoas engajadas no tema. Cobranças também deveriam ser feitas.
      2º: Vc sabia que existem Conferências e Conselhos de Saúde, municipal, estadual e nacional, onde vc, isso mesmo, vc tem direito de participar. 50% destes orgãos são formados por usuários (pacientes). As pessoas têm grande força nesses conselhos. Determinariam aí políticas de saúde no nível específico e cobrariam, fiscalizariam as açoes propostas.
      3º: Muito já existe previsto em lei: Tratamento digno, boa assistência médica, lei do acompanhante etc. Primeiro vc teria de se informar sobre isso e se não fosse oferecido isso a vc, vc teria de denunciar, talvez o erro que lhe feriu não será reparado, mas se todos fizéssemos isso, as coisas melhorariam.
      4º: Lutar pelo fim de formação indiscriminada de médicos e de abertura de escolas médicas sem estrutura alguma.
      5º: Lutar por uma matéria no ensino médio que eu chamaria de “Nocões de Direito”, onde seria ensinado aos estudantes, noções básicas de direito, formas de assegurar seu direito, em áreas como saúde, direito do trabalho, penal etc.
      6º: Apoiar os vários programas do governo neste sentido como “Aleitamento na primeira hora, proteção sem demora”, HumanizaSUS, Hospital Amigo da Criança, dentre outros. Ao contrário do que muita gente falou mesmo na “medicina de direita” defendemos o parto normal, o contato estatâneo de mãe-bebe, a amamentação exclusiva, só que isso é feito de forma criteriosa, segura, o que acontece na maior parte dos casos.

      Estas foram algumas saídas que pensei neste momento, são difíceis, demoradas… Mas para mudar nosso país é assim… Tenho certeza que poderíamos pensar em várias.
      Espero que façamos mais pelo nosso país. A começar não deixando de reivindicar o que é nosso de direito!

  • Roger Moreira

    Não tenho a menor dúvida que ter um bebê no hospital é mais seguro que ter em casa. Se eu fosse mulher pode apostar que minha opção seria o hospital.
    Só que em questões de direito individual, a liberdade tem que estar acima da segurança. Simplesmente porque é a segurança de terceiro que está sendo discutida, não a minha ou a sua. Ou seja, melhor ou pior, certa ou errada, ignorante ou esclarecida, a opção de escolha só cabe a mulher. Esse mito da supremacia da “saúde pública” sobre o direito individual de escolha não pode prevalecer. O corpo é do indivíduo, não da sociedade.
    Nem se pode dizer que a sociedade tem direito de impor algo “pelo bem da criança”. Afinal, estamos falando de um parto, e sejam maiores ou menores os riscos do parto em casa, pessoas vem nascendo assim a milhares de anos, a opção da mãe não configura nenhum absurdo.
    A questão é filosófica em primeiro lugar, para depois virar uma questão de direito (legal). Se é que queremos um estado democrático e uma sociedade que preserve os direitos e garantias individuais e a liberdade, temos que começar a respeitar a liberdade de escolha. O contrário disso é o estado autoritário.
    Tem aquela frase de que para alguém com um martelo, tudo são pregos. Convivo com peritos médicos e sei que eles tendem a ver as coisas só pelo lado científico e médico (muitas vezes apenas por interesses corporativistas). Mas não é assim que o mundo funciona. A ciência está a serviço do homem e de suas escolhas, não o contrário.

  • Ricardo Faraco

    Vejo o parto em casa, inclusive o assistido por médico, quando existe a alternativa de uma estrutura hospitalar capaz de prover conforto e segurança, como um contra senso. Por mais de baixo risco que seja uma gestação, um centro cirúrgico e uma UTI neonatal “logo ali” podem ser a diferença entre a vida e a morte das duas pessoas fisicamente envolvidas. Muitas maternidades são seguras, mas ainda não são humanizadas. É pela humanização dessas maternidades que devemos lutar. Olha que isso não é um problema brasileiro apenas não. Uma prima minha teve sua filha em Londres, sem qualquer analgesia, nem mesmo uma raqui nos 40 do segundo tempo, embora estivesse sentindo muita dor. O parto hospitalar evoluiu para um procedimento multidisciplinar, o que é ótimo, e segue evoluindo, o que é melhor ainda.

  • Médico_Mg

    Lucas, parabéns, pouquissímas vezes encontro um texto tão bem escrito, com argumentos fortes, de uma forma clara, sem ser tendencioso.
    Vc expôs tudo muito bem, até o que seriam os contra-argumentos que vc poderia ter escondido vc trouxe para discussão e os comentou. Sublime. Muito bom.
    Infelizmente, vemos por aqui as pessoas confundindo as coisas. Hospitais super-lotados, precariedade no atendimento, erros de outros médicos (se forem, mesmo) isso não é argumento para parto domiciliar. Seria repetitivo se tentasse responder. Nada há de novo nos comentários e nos contra-argumentos que vc poderia dar, está tudo no texto.
    Somente uma questão de ética: Quando nos deparamos com uma situação de maus tratos ou má assistência a vulneráveis, como crianças, é nosso dever denunciar isso às autoridades ou ao conselho tutelar. Não seria o caso também da obrigatoriedade da denúncia caso venhamos a atender um binômio mãe-filho assim? Como em um relato de uma mãe, aqui nos comentários, que escolheu o parto domiciliar e devido a uma emergência (descolamento prematuro de placenta) perdeu o filho?

    Só para marcar minha opinião, acho parto domiciliar criminoso! Como dito, as mulheres tem a capacidade de parir e nada mais natural que na maioria esmagadora das vezes o parto vai ocorrer tranquilamente, sem, com ou apesar do médico ou parteira. Mas nos casos de complicações, no domícilio, essa criança perde a oportunidade de viver!

    • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

      e qual seria a conduta de uma mãe levada a uma cirurgia desnecessária? A quem podemos denunciar o médico que, por conta de uma viagem, antecipa o nascimento dos bebês de todas suas pacientes que tenham entre 38 e 40 semanas, indiscriminadamente?
      Apesar de você achar o parto domiciliar criminoso, não há nenhum dispositivo legal aplicável.

  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    Ainda bem que o cara da propaganda da nextel tava no hospital, né?

    http://www.youtube.com/watch?v=GQixp-sZZXQ&list=PL2A1358C78CCADD63&index=4&feature=plcp

  • Sabrina Ferigato

    Lucas:

    Eu sou a Sabrina, mãe do parto domiciliar que vc postou com
    a legenda “eu não acho isso tão bonito quanto eles”. Esse parto que não te
    agradou muito foi o dia mais feliz da minha vida. O dia do nascimento do meu
    filho – Lucas, seu xará.

    Concordo com vc em alguns pontos, por exemplo sobre a
    infrutífera dicotomia criada em torno de radicalismos argumentativos em torno
    do parto, sobre a importância de humanizarmos a assistência nos hospitais
    públicos e privado brasileiros, sobre o mal uso das cesáreas no Brasil, sobre a
    necessidade de criação de campos de diálogos entre grupos com visões diferentes
    sobre o nascimento, etc…

    No entanto, discordamos de modo geral sobre os demais
    argumentos. Como vc me parece ser um cara disposto ao diálogo, tento expor nos
    pontos a baixo aquilo que me afetou no seu texto, como mãe e profissional da
    saúde.

    - Primeiro minha escolha pelo parto domiciliar não foi por
    ser contrária ao parto hospitalar, nem para me opor à epidemia de cesáreas. Foi
    uma afirmação do meu desejo e da minha escolha, baseada em muito estudo e
    preparo para isso. Dou doutoranda do Departamento de Saúde Coletiva da Unicamp,
    e pude entrar em contato com um número razoável de pesquisas de literatura
    nacional e internacional confiáveis do ponto de vista metodológico
    (diferentemente da pesquisa citada por vc) que validavam cientificamente esse
    modo de condução do parto. (Caso seja do seu interesse, posso enviar diversos
    links)

    - Embora parte dos seus argumentos sejam muito cuidados,
    muitos deles são carregadas de inúmeros preconceitos. Não me considero um
    bicho-grilo, e minha escolha não tem nada a ver com as árvores. Em média 2% das
    mulheres brasileiras optam pelos parto domiciliares e muitos profissionais
    (obstetras, enfermeiros, doulas, obstetrizes…) defendem essa causa não pq
    fazem parte de uma “corrente cega e impensada”. Caso vc tiver disponibilidade
    para ouvir a argumentação dessas pessoas, vc fará que há muito pensamento
    crítico, uma visão diferente da sua (e não por isso cega) e validação
    científica, com respaldo da OMS e de difersos sistemas de saúde em países
    desenvolvidos.

    - Ser contra o Parto domiciliar por ter a pretensão de que
    no hospital há ausência de risco, é no mínimo estranho. Sabemos que o hospital
    oferece riscos que o domicílio não oferece e que parto sem risco ou com risco
    zero não existe.

    - Comparar o PD com sexo sem camisinha é uma comparação
    incompatível, por que não se compara um ato fisiológico da mulher humana, com
    um dispositivo artificialmente produzido para prevenir uma doença.

    - Achei nobre de sua parte dizer que é covardia usar o
    argumento da morte de uma militante da causa para argumentar contra o PD. No
    entanto, o texto traz esse argumento com grifo, link e destaque. Ou seja, vc
    usou o argumento. Certamente vc sabe que mulheres morrem em partos hospitalares
    também e que o risco de morte materna numa cesárea é ainda maior.

    - Seu posicionamento fica mais claro, quando no fim do
    artigo vc defende o CREMERJ, que teve sua atitude rechaçada até por entidades
    conservadoras dentro da própria medicina.

    - por fim, me entristecem seus argumentos finais e que
    trazem a cena a relação de poder inerente na cena do parto. O que faz vc pensar
    que as mulheres que saem nas ruas são mulheres que “não sabem as implicações
    das suas escolhas”? Vc Lucas, que não tem útero, que não terá no seu corpo o
    desenvolvimento de uma gestação, vc que está numa posição de cuidador de
    algumas dessas mulheres: Não passa pela sua cabeça que essas mulheres,apesar de
    não ter um CRM sabem as implicações de suas escolhas e estão injustamente tendo
    que lutar pata minimamente ter suas escolhas respeitadas? Chamar de demagógico
    o discurso das mulheres que querem mudar a relação de poder que se impõe sobre
    seu corpo é no mínimo desrespeitoso. Isso é demagogia para vc Lucas: homem,
    jogador de rugby, pianista, branco, bonito e médico. Talvez, para vc, rever essas
    relações de poder não seja tão urgente. Espero que eu esteja errada.

    Abraço

    Sabrina

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Sabrina,

      Sim estou aberto ao diálogo, por isso abri a discussão. Agradeço o tom educado e ponderado do seu comentário.

      Primeiramente, a escolha das figuras e do vídeo não foi minha, mas sim do editor – o que não me exime de qualquer responsabilidade, sei disso. Se a publicação do seu vídeo neste contexto a ofendeu de alguma forma, por favor nos comunique e retiramos essa referência. Consideramos que não haveria problema pelo vídeo estar aberto no youtube, mas respeitamos seu direito (falo por mim, não conversei com ninguém do time do PdH sobre isso especificamente, mas tenho certeza de que compartilharão dessa postura).

      Sobre os pontos que levantou:

      - Sobre os estudos, como disse no texto, é difícil estender suas conclusões para realidades sociais, educacionais e de atenção à saúde diferentes dos contextos onde foram conduzidos. Além disso, mesmo que os estudos não mostrem diferença estatística, imagine que o seu tão precioso filho tivesse qualquer intercorrência grave durante o parto. Mesmo os poucos minutos que a separavam do serviço de saúde de referência poderiam fazer diferença. Não falo de situações como distocias requerendo cesárea, mas de complicações neonatais, por exemplo, depressão respiratória etc. Pode não fazer diferença estatística no mar de partos do mundo, mas para a sua família seria 100%, não?

      - Sobre os preconceitos, acho que você talvez tenha entendido de forma meio torta. Não considero ninguém “bicho-grilo”, na verdade estou criticando esta percepção, a visão distorcida que cada uma das “facções” tem da outra. Entrei bastante em contato com as visões das defensoras do parto domiciliar. Todos os links que o pessoal está postando nos comentários eu já tinha lido. Conheço estudantes de obstetrícia. Li os textos da Dra Melania – muito bem escritos e embasados. Questionei realmente minhas convicções antes e durante a escrita, de verdade.

      - Não disse que no hospital há ausência de risco. Estou ciente da medicalização excessiva e da necessidade da Prevenção Quaternária, inclusive escrevi um texto sobre isso pro PdH, criticando o screening para câncer de próstata. O que defendo é que, no caso de complicações graves, às quais nunca estamos isentos, o atendimento rápido em ambiente hospitalar faz muita diferença.

      - A comparação com o sexo desprotegido foi só para ilustrar e questionar um argumento.

      - Quanto ao “argumento” da morte da militante, o link é para contextualizar a história, nem todos ouviram falar desse ocorrido. Quando linkamos, o texto aparece grifado, é inerente à formatação do site. Realmente estou ciente de que os riscos da cesárea são maiores, inclusive começo o texto por aí.

      - Não defendo o CREMERJ (inclusive chamo a ação de “truculenta” e falo que esse caminho não é o mais bonito). Defendo o raciocínio por trás dele – priorizar a segurança do paciente enquanto discutimos se outras opções são viáveis ou não. E meu posicionamento não ficou claro só aí, creio que me expresso claramente ao longo de todo o texto.

      - O que me faz pensar que elas não sabem as implicações de suas escolhas é o fato da maioria não ter formação na área e ter “comprado” a panfletagem da militância – que não necessariamente está certa só por ser uma “minoria”. Não tenho útero mas tenho formação no assunto. Como falei no texto, acompanhar a evolução do conhecimento é realmente difícil mesmo para quem está na área. Só a barreira da linguagem já é um forte fator a dificultar o entendimento das várias nuances de decisões clínicas por um leigo. (Cabe salientar, de novo: nenhum demérito em ser leigo. NÃO me considero superior por ser médico. Só estou mais habilitado a falar do assunto que um leigo, convivamos com isso.)

      E mesmo não tendo útero, tenho mãe, tenho mulher e terei filhos. Esse assunto diz respeito a mim também, sim. Pelo que vi no vídeo, seu marido participou bastante do processo, o que creio ter sido importante.

      Quanto à demagogia do discurso: ela vem justamente dessa noção de que haja uma “relação de poder” tão violenta. Existe, sim, uma assimetria de conhecimento – e é justamente por isso que as pessoas consultam médicos (do mesmo jeito que consultam advogados, ou que “se submetem ao poder” do engenheiro que projetou a casa onde moram). As mulheres podem, sim, escolher parir em casa – sabendo dos riscos. O que elas não podem é obrigar o sistema de saúde a corroborar uma escolha que pode prejudicá-las. Do mesmo jeito que as pessoas podem fumar, mas não podem obrigar o sistema de saúde a assisti-las nesse hábito. (não, não estou comparando o tabagismo ao PD, só estou fazendo uma analogia quanto ao direito de escolha).

      E sendo ou não homem, jogador etc etc etc, minhas opiniões não deveriam ser menos consideradas que as das mulheres. Não falo “de fora”. Como falei no final, terei filhos e quero o melhor para eles e para minha mulher.

      Seguimos.

      Abs

      • Sabrina Ferigato

        Lucas,
        Sobre a questão da segurança do parto e os possíveis riscos inerentes a esse processo, como vc leu nos textos da Melânia e outros, pr que aspessoas contrárias ao PD simplesmente ignoram essas evidencias? Dido isso, pq de acordo com esses estudos, estatisticamente o PD não é nem mais, nem menos seguro que o parto hospitalar. Me refiro aos PD assistidos, para gestantes de baixo ricos, com equipe preparada técnica e tecnologicamente para assistência a urgências e transferência ao hospital) . Pq vc acha que países como a Holanda, Alemanha, Reino Unido, Canadá, etc… corroboram com essa possibilidade?
        Não acho que as escolhas médicas devam ser conduzidas apenas pelas evidencias científicas, mas tb por suas vivencias e escolhas pessoais, por isso, respeito os obstetras que optam por não fazer PD, não tenho nenhum problemas com eles, mas nem sempre a recíproca é verdadeira.
        - Aos fumantes, que optam por uma prática considerada “não segura” não é negada assistência médica e existem muitos programas destinados a essa população na atenção básica principalmente, como vc sabe. Sua analogia com o tabagismo parte do princípio contrário às evidencias científicas de que o PD tb não é seguro.
        - Sua opinião sem dúvidas merece ser respeitada, ninguém defende que obstetras contrários ao PD devam realiza-los, apenas queremos que nossa escolha por parir em casa e a escolha de profissionais que se baseiem nas evidencias científicas e sintam-se seguros em fazer um PD também sejam não só consideradas, mas deixem de ser perguidas com ações truculentas como a do CREMERJ, como vc disse.
        - De maneira alguma acredito que por ser homem vc não tenha liberdade de expressar sua posição como pai ou como profissional ou como cidadão, mas sempre tendo em mente que nesse caso, é uma opinião, posição ética, profissional sobre a ação no corpo de outrem. Independentemente do lugar que vc fale, suas opiniões sobre isso sempre incidirão no corpo e na subjetividade de uma mulher-gestante-parturiente. E por isso, considerar o que essas mulheres escolhem para si é um exercício ético de liberdade. Não importa em que contexto, em que cenário, em que equipe, se em um hospital ou domicílio, se se com parteira ou obstetra, com ou sem acompanhante. O corpo da mulher e do bebe são os corpos imprescindíveis na cena do parto, que não escapam da ação do outro. Poder ter diferentes modelos assistenciais assim, é saudável, para que essa mulher possa optar.
        - Em nenhum momento do seu texto entendi que vc faz abuso do poder médico, nem quis ser pejorativa quando frizei sua posição de homem, branco, médico, pianista, jogador… apenas salientei que vc (assim como muitos não médicos) ocupam posições de poder “confortáveis” do ponto de vista da nossa cultura racista, machista, com sistema de saúde médico-centrado e desigual do ponto de vista socio-econômico. Nesse caso, colocar as relações de poder em segundo plano é menos danoso para pessoas assim. Não quero dizer que vc faça mal uso dessa relação de poder, mas inegavelmente vc sofre menos as consequências dessa relação do que uma mulher parturiente negra, socio-economicamente desfavorecida. Isso é um fato, não uma crítica.

        - Não me senti ofendida com o uso do video, pelo contrário, acho que afetos, perceptos e imagens falam mais que mil palavras e que qualquer evidencia científica.
        abraços
        Sabrina

      • Pari em casa

        ” O que elas não podem é obrigar o sistema de saúde a corroborar uma escolha que pode prejudicá-las.” Você disse.

        Então como o sistema corrobora com 90% de cesáreas na rede particular e 50% na rede publica?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Pois é, também não pode corroborar com isso.

        Falei que isso está errado no texto e falei que temos que brigar pra esse modelo ser revisto. ;-)

  • Guest

    Lucas:
    Eu sou a Sabrina, mãe do parto domiciliar que vc postou com a legenda “eu não acho isso tão bonito quanto eles”. Esse parto que não te agradou muito foi o dia mais feliz da minha vida. O dia do nascimento do meu filho – Lucas, seu xará.
    Concordo com vc em alguns pontos, por exemplo sobre a infrutífera dicotomia criada em torno de radicalismos argumentativos em torno do parto, sobre a importância de humanizarmos a assistência nos hospitais públicos e privado brasileiros, sobre o mal uso das cesáreas no Brasil, sobre a necessidade de criação de campos de diálogos entre grupos com visões diferentes sobre o nascimento, etc…
    No entanto, discordamos de modo geral sobre os demais argumentos. Como vc me parece ser um cara disposto ao diálogo, tento expor nos pontos a baixo aquilo que me afetou no seu texto, como mãe e profissional da saúde.
    - Primeiro minha escolha pelo parto domiciliar não foi por ser contrária ao parto hospitalar, nem para me opor à epidemia de cesáreas. Foi uma afirmação do meu desejo e da minha escolha, baseada em muito estudo e preparo para isso. Dou doutoranda do Departamento de Saúde Coletiva da Unicamp, e pude entrar em contato com um número razoável de pesquisas de literatura nacional e internacional confiáveis do ponto de vista metodológico (diferentemente da pesquisa citada por vc) que validavam cientificamente esse modo de condução do parto. (Caso seja do seu interesse, posso enviar diversos links)
    - Embora parte dos seus argumentos sejam muito cuidados, muitos deles são carregadas de inúmeros preconceitos. Não me considero um bicho-grilo, e minha escolha não tem nada a ver com as árvores. Em média 2% das mulheres brasileiras optam pelos parto domiciliares e muitos profissionais (obstetras, enfermeiros, doulas, obstetrizes…) defendem essa causa não pq fazem parte de uma “corrente cega e impensada”. Caso vc tiver disponibilidade para ouvir a argumentação dessas pessoas, vc fará que há muito pensamento crítico, uma visão diferente da sua (e não por isso cega) e validação científica, com respaldo da OMS e de difersos sistemas de saúde em países desenvolvidos.
    - Ser contra o Parto domiciliar por ter a pretensão de que no hospital há ausência de risco, é no mínimo estranho. Sabemos que o hospital oferece riscos que o domicílio não oferece e que parto sem risco ou com risco zero não existe.
    - Comparar o PD com sexo sem camisinha é uma comparação incompatível, por que não se compara um ato fisiológico da mulher humana, com um dispositivo artificialmente produzido para prevenir uma doença.
    - Achei nobre de sua parte dizer que é covardia usar o argumento da morte de uma militante da causa para argumentar contra o PD. No entanto, o texto traz esse argumento com grifo, link e destaque. Ou seja, vc usou o argumento. Certamente vc sabe que mulheres morrem em partos hospitalares também e que o risco de morte materna numa cesárea é ainda maior.
    - Seu posicionamento fica mais claro, quando no fim do artigo vc defende o CREMERJ, que teve sua atitude rechaçada até por entidades conservadoras dentro da própria medicina.
    - por fim, me entristecem seus argumentos finais e que trazem a cena a relação de poder inerente na cena do parto. O que faz vc pensar que as mulheres que saem nas ruas são mulheres que “não sabem as implicações das suas escolhas”? Vc Lucas, que não tem útero, que não terá no seu corpo o desenvolvimento de uma gestação, vc que está numa posição de cuidador de algumas dessas mulheres: Não passa pela sua cabeça que essas mulheres,apesar de não ter um CRM sabem as implicações de suas escolhas e estão injustamente tendo que lutar pata minimamente ter suas escolhas respeitadas? Chamar de demagógico o discurso das mulheres que querem mudar a relação de poder que se impõe sobre seu corpo é no mínimo desrespeitoso. Isso é demagogia para vc Lucas: homem, jogador de rugby, pianista, branco, bonito e médico. Talvez, para vc, rever essas relações de poder não seja tão urgente. Espero que eu esteja errada.
    Abraço
    Sabrina

  • http://www.facebook.com/juliana.mesquita.100 Juliana Mesquita

    Lindo seu parto
    Sabrina Ferigato, imagino que a sua experiência foi transformadora! =)

    Lucas,

    Se eu fosse uma
    engenheira (roubando um exemplo de post pelos blogs) e você me
    trouxesse o projeto (rascunho de sua casa) para eu analisar, uma casa
    próximo da sua família (TROQUE esse exemplo por outro caso não
    sinta plenitude em morar próximo da família), com o tamanho ideal
    para você e suas necessidades. Analisando projeto eu o refiz e lhe
    apresentei. Modifiquei o local inicial por outro 30 minutos mais
    próximo de um hospital, 20 minutos mais próximo de um posto
    policial próximo, resolvi que o projeto seria um apartamento dentro
    de um condomínio fechado por oferecer maior conforto e comodidade,
    seria 2 vezes menor pela praticidade ao limpar, modifiquei o
    posicionamento dos quartos, banheiro, cozinha, janelas para
    “humanizar” sua estadia tornando-a mais agradável segundo o
    melhor em conforto e comodidade, segurança que tenho a oferecer. O
    que você acharia disso? Até poderia ser perfeito para você… ou
    não, seguindo a minha lógica de raciocínio.

    Aceitar a opinião de
    um profissional especialista em determinada área é ótimo, mas ser
    submetido cegamente as suas decisões é incabível.

    O respeito à autonomia
    é um dos princípios fundamentais da Bioética. Por isso creio que
    tomar decisões baseadas no seu conhecimento de riscos vs. Benefícios
    é valido. Os resultados da revisão sistemática da Cochrane e
    todos os grandes estudos observacionais publicados (que eu já li e
    tenho humilde conhecimento), fora o estudo enviesado de Wax,
    “reforçam as vantagens do parto
    domiciliar em termos de desfechos maternos, resultando em menor taxa
    de intervenções como episiotomia, analgesia, uso de ocitocina,
    operação cesariana e parto instrumental (fórceps e
    vácuo-extrator), sem aumento do risco de complicações para mães e
    bebês e com elevado grau de satisfação das usuárias que passaram
    por essa experiência (13–15)”

    Uma postagem como a sua
    é importante pois leva a discussão. Entendo a sua posição Lucas,
    sua explanação foi perfeita ao que se refere a
    necessidade da redução dos índices de cesarianas, melhoria e
    humanização da assistência prestada no contexto hospitalar (isso
    também deve acontecer pois nem toda mulher sentiria-se confortável
    num parto domiciliar).

    Entretanto, ao que se
    refere ao ponto crítico do post (parto domiciliar), faltou coerência
    na apresentação de dados reais, você escreveu lindamente sobre
    outros aspectos, porém, sobre o PD só apresentou 1 estudo enviesado
    e ainda assumiu isso. Como funciona a lógica de sua fundamentação
    nesse caso? Seu texto induz a uma conclusão que pode/é discutível.

    A opinião de um especialista, desprovida de senso crítico, não
    vale nada (acho que você sabe disso) e a imposição dessa é um
    tanto prepotente (mesmo que você as questione, a relação de poder
    está presentes no seu discurso “Se essas perguntas lhe soaram
    bizarras, talvez devamos discutir a ideia de que é natural que
    mulheres grávidas escolham a via de parto, ou, além, o local em que
    ele acontece….”). Cabe TAMBÉM aos profissionais subsidiar as decisões,
    contextualizando, o que exatamente lhe parece bizarro? A escolha pela
    terapia aplicada?

    Sua “escolha”, em relação ao modelo de nascimento, é o de parto normal
    hospitalar, com toda certeza essa também será
    a escolha de muitas mulheres que, se tiverem acesso ao parto que
    idealizado por você, conseguirão plenitude na hora do nascimento de
    seus filhos…. outras, não. Com dados comprovando a equivalência
    nos desfechos, por que não subsidiar a plenitude de muitas outras
    mulheres que não se encaixam nesse modelo? Como você mesmo gosta de
    falar em “extremos”, o parto natural desassistido, domiciliar,
    sem pré natal e sem classificação de risco está de um lado e o
    parto normal hospitalar, com intervenções desnecessárias e
    violência obstétrica está no outro…..

    • Li

      Não li seu texto todo, mas na condição de engenheira, seguindo a sua analogia:

      Opção 1 – Sua casa linda e acolhedora no morro (com todas as precauções que o engenheiro disse ter feito contra erosão)Opção 2 – Sua casa linda, quase tão acolhedora, construída numa rua plana.

      eu vejo que o Lucas defende o seguinte: parto humanizado no hospital.

      • http://www.facebook.com/juliana.mesquita.100 Juliana Mesquita

        Uns escolheriam a “rua plana” outros escolheriam a “casa no morro”, eu defendo a liberdade de escolha… =P

      • Novato

        Juliana, lindo a liberdade de escolha…. Mas e quando a sua escolha poe outro em risco… Está aí o x da questão.

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Mas e qdo as evidências e as pesquisas mostram que a casa na rua plana ou no morro oferecem o mesmo risco para os moradores?

      • Novato

        o mariana, me poupe! dá um tempo! Que pesquisa? Me dá o link da pesquisa indexada, com um estudo duplo cego randomizado!? “as pesquisas mostram…” para de falar como se vc tivesse mil fontes confiáveis que o parto em casa é mais seguro e começa a mostrar isso. até mesmo pq nenhum comitê de ética aprovaria um estudo desse.

      • Novato

        não vale por um link de um blog!

      • http://www.facebook.com/juliana.mesquita.100 Juliana Mesquita

        http://www.cochrane.org/ (Tem uma revisão sistemática com números positivos para o PD)

        http://www.homebirth.org.uk/ (Tem 42 artigos sobre o PD, com respectivos links e notas na metodologia usada em cada pesquisa. Segundo o próprio idealizador do site, defensores do PD não precisam se amparar em pesquisas precárias)

      • Letícia Penteado

        AÊÊÊÊ! Lição de casa para o Novato! ;)
        Brincadeiras à parte, querido, peço que você reflita sobre o seguinte: e quando a mulher grávida fuma? Bebe álcool? Come sal? Ou açúcar? Ou se estressa? Ou convive com gente besta e estressante? Essas decisões também afetam a saúde do feto. Aliás, muito mais (no sentido de com muito maior frequência) do que a via de parto. Interessante, né? O que você propõe? Vamos induzir o coma nas gestantes e colocá-las em lugares seguros pelos nove meses da gestação?
        Entende o que eu quero dizer, Novato? É mais complicado que isso.

      • Novato

        e o que vc quer que eu faça?
        Se ela não tiver condições de criar, eu faço uma notificação judicial. Mas eu passo a bola, os filhos de mães fumanes, etilistas, se nascerem de parto domiciliar serão mais saudáveis? É tão idiota o que eu disse, mas foi o que vc falou, só que invertido!

      • Letícia Penteado

        É sério? Essa é a inversão do que eu falei? Sério mesmo? É bom que ninguém precisa te zoar, você se zoa sozinho. Eu estou aqui propondo com seriedade uma reflexão interessante e você aí se fechando com as suas rabugens… tchau mesmo.

      • Novato

        vc pos o link cochrane e pronto? Tá ok, enra no uptodate! que ridículo!?
        Olha o que eu achei nestes textos:

        ‘Australian home births carried a high death rate ”

        Perinatal Deaths associated with planned home birth in Australia
        Até lá, no site dos defensores do pd, tem um artigo falando que na Austrália a taxa de morte em pd é maior que no geral. Mas pra vc é mais importante por um link do que ler.

        olha o que o outro estudo daí memso diz:
        Perinatal mortality was slightly higher overall in the home birth group

      • http://www.facebook.com/juliana.mesquita.100 Juliana Mesquita

        Na verdade é mais
        importante (na minha concepção) ler e avaliar TODOS os estudos com
        suas possíveis causas, metodologias e efeitos em determinada população. Não apenas aqueles que são convenientes… Se você entendeu o que eu escrevi, disse que os números são POSITIVOS, ou seja, existem mais estudos com bons resultados do que com resultados ruins. Não estou aqui para para enganar ninguém. Nem sou xiita do parto
        domiciliar, só estou dando exemplo de como é possível discutir
        (com base científica) sobre a realização ou não do PD. Quer
        provar que o PD é arriscado? Faça um estudo de coorte sobre o
        assunto (sua hipótese pode ser comprovada, ou não) ou tente abrir sua mente para os estudos que já existem.

        ;)

      • http://www.facebook.com/juliana.mesquita.100 Juliana Mesquita

        Conclusão do estudo de coorte com quase 600 mil australianas..:
        (Que você mesmo postou, parece que não fui eu que não li os estudos né?) u.u’
        “Perinatal Deaths associated with planned home birth in Australia”

        Conclusões

        Este estudo mostra que
        o planejamento de um parto em casa não aumenta os riscos de
        mortalidade perinatal e agravamentos perinatais, morbidade entre
        mulheres de baixo risco, desde que a assistência na maternidade seja
        facilitada bem como a disponibilidade de parteiras treinadas.

        “Australian home births carried a high death rate”

        Sobre esse estudo, deve ter lido apenas a conclusão… Mas leu a metodologia? Eles incluíram partos de alto risco na amostra, a maior taxa de morte perinatal em partos domiciliares australianos foi devido à inclusão de previsivelmente nascimentos de alto risco e asfixia durante o parto prolongado (quando um PD sai dos padrões da normalidade, hora de ir para o hospital meu caro). Enquanto parto em casa para mulheres de BAIXO risco pode comparar favoravelmente com o parto hospitalar, parto em casa de alto risco é desaconselhável e experimental.

        Um especialista em Saúde Materna e Infantil da OMS, o Dr. Marsden Wagner também criticou a metodologia tendenciosa desse estudo.

        “Perinatal mortality was slightly higher overall in the home birth group”

        Nesse estudo a conclusão maior é que partos domiciliares planejado, na Austrália Ocidental, parecem ser associados com menor morbidade materna e neonatal e menos intervenção do que nascimentos hospital.

        Como isso pode ser possível se o título diz que a mortalidade foi maior em partos domiciliares? A mortalidade NEONATAL foi significativamente maior em partos hospitalares do que em partos domiciliares. O autor ao escrever o artigo pegou apenas a amostra que lhe foi conveniente, mortalidade PERINATAL que, apesar de maior em PD, não foi estatisticamente significativa.

        ….

        Não basta ler a conclusão novato, você precisa fazer uma analise crítica sobre a leitura dos dados. Sim, eu li boa parte dos artigos, faço iniciação científica…. é minha obrigação como pesquisadora ler titulo, resumo, metodologia, conclusão e fazer uma analise sobre a leitura dos dados.

  • Luiz_Andrade

    Sugestão para o próximo “shot” do Papo de Homem: interpretação de texto!

    • Novato

      perfeito!

      • Letícia Penteado

        Isso! Alguém faça um post urgente sobre interpretação de texto que o Novato está precisando muito de umas dicas! hihihihi

  • http://www.facebook.com/fravs1910 Flávia Mesquita

    Fugimos do hospital pq não queremos ser tratadas como pedaços de carne, não queremos que nossos bebês sejam tratados como apenas mais um.. não podemos deixar com que aquele show de horror aconteça, tanta coisa desnecessária que já foi provada e que mesmo assim continuam fazendo de rotina, é crueldade.. não consigo ver de outra forma, bebês longe de suas mães, sozinhos.. grrrr, me dá arrepios de pensar que isso acontece todos os dias, toda hora.. e SIM, é isso que acontece na maioria dos hospitais, tipo linha de produção!! Isso não está certo e não deveria ser assim, pq é o nosso momento, saca? não dá pra deixar ser ” tanto faz ” queremos o melhor, dentro das nossas condições…
    Eu não pari em casa, mas pari em uma casa de parto que é pelo SUS.. e tb não tem médico :) são as parteiras que acompanham…Não tive uma assistência humanizada da forma que eu queria, mas era o que estava dentro de minhas condições no momento..( o que eu queria mesmo era estar em casa, no aconchego do meu lar ) eu podia comer, beber, andar, escutar música, ficar na banheira, no chuveiro, com o meu marido, minha doula e com quem mais eu quisesse..Minha filha nasceu perfeita COM TRÊS CIRCULARES e mamou na primeira hora de vida fora do útero.. Acho que é difícil pra quem não passou pela experiência entender.. mas aquele foi o momento mais importante da minha vida, mãe e bebê juntos.. é assim que tem que ser.
    Não sofri laceração, tive períneo íntegro.. Sabe o que a GO fofinha do pré-natal falava? ” Faço episiotomia de rotina pq vc vai ter uma laceração horrível ” Se ela fosse ganhar a vida sendo vidente, ia morrer de fome !! Minha vontade é entrar naquele consultório e abrir as pernas ” olha aqui a minha laceração monstruosa ” haahahhaa Enfim, só quero frisar aqui que nós fugimos do hospital por isso… Queremos respeito e liberdade, queremos parir e iremos parir..

    na rua, na chuva,na fazenda .. ou numa casinha de sapê. :)

    ( olha, que louca, quer parir na rua AHAHAHAHHAA )

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Sim, foi o que eu disse no texto, as mulheres estão querendo parir em casa por conta da má assistência muitas vezes prestada em ambiente hospitalar.

      O erro está em, em vez de lutar por assistência hospitalar digna, lutar por poder fugir da assistência hospitalar. ;-)

      • Letícia Penteado

        Mas é isso que estamos tentando te mostrar, Lucas. Não é um erro. Não tem aumento de risco. Na verdade, alguns estudos mostram inclusive diminuição – como você bem sabe, já que já os leu. Lutar por uma assistência hospitalar digna é também lutar por poder fugir da assistência hospitalar. Por quê? Porque o hospital nunca será o seu lar.
        Ao deixar de ser uma imposição, o hospital tem que lutar para se tornar atraente para as parturientes. Não pode mais se apoiar no conforto de única opção. E assim, fica o hospital para quem precisa – ou quer – o hospital e o direito de escolha da mulher é respeitado. E o que é mais, cria-se a cultura de respeito, de não se tratar a pessoa como um pedaço de carne. De se lembrar que, antes de tudo, está-se diante de um ser humano. Uma coisa leva à outra.
        Um abraço,
        Letícia

      • Pari em casa

        A luta é pelas duas coisas: Melhorar e humanizar o atendimento hospitalar ao parto e manutenção do direito (desde que o mundo é mundo) de parir em casa.
        Repetindo ninguém quer abolir hospitais, eles tem q existir SEMPRE. E as outras opções também. Direito de escolha da mulher.

  • Renato

    Como já postaram aqui nos comentários, Parto domiciliar não significa Parto desassistido. Assim, temos as obstetrizes, pra lá de capacitadas para atendimento de emergência e encaminhamento para hospital, se for detectada a necessidade para tal. A maior parte das causas (que são pouquíssimas) que justificam cesárea são detectáveis antes do momento do parto.
    Assim, o médico só é acionado para o caso em que a cirurgia é realmente necessária. Fora isso, a cesariana realmente aumenta a mortalidade de mães e bebes. Está comprovado.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      “pra lá de capacitadas para atendimento de emergência”

      Nope. Not at all. Desculpe, mas não mesmo.

      Seriam os neonatologistas burros, por levar dez anos para atingir proficiência em reanimação neonatal, quando as obstetrizes conseguem se tornar “pra lá de capacitadas” em uma graduação de 4 anos? Uh, acho que não é por aí.

      • Letícia Penteado

        E quem disse que parto domiciliar não tem neonatologista? Só não tem se a mulher não quiser (ou o CRM não deixar).

      • Renata

        Lucas, uma grande amiga minha teve um descolamento prematuro de placenta, não estava ainda em tp ativo, estava em casa não pelo fato de desejar um parto domiciliar, mas porque ainda não tinha chegado o ponto de ir para o hospital, se fosse essa a escolha dela. Por telefone, a enfermeira obstétrica a orientou a ir imediatamente para o hospital, embora o obstetra que a ouviu não a tivesse orientado nesse sentido. Ela foi e sua vida foi salva porque ali a fronteira entre a vida e a morte dela e de sua bebê era apenas uma questão de minutos.
        Estudar medicina por 8 anos versus estudar obstetrícia por 4 não é tudo, nesse caso que relato, aliás, não era nada. Sinto que vcs médicos precisam ter mais humildade para reconhecer isso.
        Como em toda profissão há profissionais bons e maus. Te convido, mais uma vez, a tentar olhar essa questão com novos olhos, despido de qualquer preconceito. Sei que é difícil, pra todo mundo é, mas só assim é possível se abrir de fato a um diálogo.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Há profissionais bons e maus, sim.

        E cada profissional tem determinadas habilidades e premissas. Não estou invalidando ou desautorizando o trabalho dos profissionais não-médicos. Só estou dizendo que o atendimento a algumas situações é prerrogativa do especialista.

      • Renata

        por isso as evidências vem mostrando que uma equipe multidisciplinar para assistência ao parto, é a melhor alternativa!
        o médico entra se e quando necessário, pois o parto sem intercorrência é em geral melhor conduzido por uma enfermeira com capacitação para tanto. E como há bons e maus médicos, tb pode haver boas e más enfermeiras, mas aí entramos noutra discussão.

      • Pari em casa

        Não sei se você percebeu, mas no parto domiciliar da Sabrina (video q está no seu texto) tinha uma médica neonatologista, Ana Paula Caldas de Campinas. E como costume, ela não fez nada além de olhar o bebê nos braços da mãe. Ela conta que a única coisa que ela faz nos partos domiciliares é lavar louça e ajudar a arrumar a bagunça da casa depois do parto. ;-)

        É preciso ter em mente um parto humanizado e fisiologico é muito diferente de um parto medicalizado cheio de intervenções. Quanto mais intervenção desncessárias mais o bebê vai nascer precisando de cuidados neonatais. Eu imagino q vcs médicos sempre pensam no monte de desgraças que já viram nos hospitais, bebês nascendo muito mal, precisando ser reanimados, intubados, etc, mas não viram ou não perceberam como esse parto foi conduzido (geralmente como todo o pacote de intervenções rotineiras e prejudiciais).

        Ana Paula escreveu uma vez q um dos “clicks” q teve pra apoiar o parto em casa foi esse. Foi perceber nos hospitais q os bebês q nasciam melhor eram, ironicamente, os bebẽs das mulheres largadas nos corredores por falta de vaga. Como não passaram pelo rolo compressor de intervenções o bebê nascia ali no corredor super bem.

  • http://www.facebook.com/adriana.fayadcampos Adriana Fayad Campos

    Não sou médica nem enfermeira, mas acredito nesse caminho do meio que o Lucas menciona. Não desconsidero a qualificação das obstetrizes ou de quem quer que seja que acompanhe a mãe em casa, imagino que devem ser experientes e bem preparadas na maior parte das vezes. Mas a casa da gente não tem condições de oferecer o socorro urgente que pode ser necessário de uma hora pra outra, nem as enfermeiras são médicos para atender a todo tipo de situação que possa ocorrer. Simplesmente acho que é um momento importante demais pra dar mole pro azar.
    O corpo da mulher é dela e ela tem sim todo o direito de decidir sobre ele qdo é só a vida dela que tá em jogo, mas qdo tem outra pessoinha envolvida, a decisão não pode ser baseada só na vontade dela.
    Estar no hospital nunca garantiu bons resultados mesmo, mas na casa das pessoas menos ainda, sem os recursos de emergência. Acho que o melhor caminho é esse mesmo, parto natural, mas no hospital, com médicos e enfermeiras a postos pro que der e vier. Porque esse é um momento em que cada segundo conta e vc pode se arrepender pro resto da vida de uma decisão equivocada.
    Temos que lembrar que o que mais importa é o bem-estar do bebê e não a auto-estima dos profissionais ou disputas de mercado de trabalho ou ainda convicções telúricas da mãe. Porque se vc tá trazendo uma vida nova pra esse mundo, vc tem a obrigação de oferecer a ele o que há de melhor em termos de segurança e saúde que vc puder.
    Depois vc leva ele pra passear no parque e abraçar árvores ou o que vc gostar, pois é seu filho e vc cria como quiser, mas em momentos críticos como esse, temos que ser mais objetivos.
    Afinal de contas, se tem uma área onde o conhecimento avançou consideravelmente é na Medicina, então pque desprezar isso numa hora tão importante, pra bancar a mãe índia? Francamente acho até incoerência. Mães que dirigem seus carros, falam em seus celulares ultra-modernos, viajam de avião pra cima e pra baixo, na hora de parir, querem voltar ao tempo das carroças…. desculpem, mas pra mim isso não faz nenhum sentido.

    • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

      O que não faz nenhum sentido é dizer que mães, pelo simples fato de viverem no mundo moderno, não possam escolher o local para parir.
      Pela sua lógica não deveriamos mais fazer sexo para engravidar, e sim partirmos diretamente pra FIV, já que estamos no ~mundo moderno~

    • Pari em casa

      Sempre esses mesmos argumentos idiotas, tsc, tsc. Pq ando de caro, de avião e uso celular não posso preferir parir em casa, é isso mesmo?

      Então por favor, vc q tb é uma mulher moderna, não transe mais pra engravidar. Faça Inseminação artificial ou FIV. Não defeque mais pelo ânus, use uma bolsa de colostomia.

      Afinal todos os avanços da medicina devem ser usados mesmo quando não estamos precisando deles, némês?

    • Letícia

      Mas se vc engravidar, mesmo que tenha acesso a um excelente hospital, tem 90% de chances de sofrer uma cesárea sem necessidade, e se não tiver a sorte de ter um parto “quiabo” (daqueles bem rápidos), passará por intervenções desnecessárias. Sua vontade, ainda que possível, não será respeitada. Por isso a Marcha do Parto Humanizado.

  • Carol Braz

    Achei o texto fantástico. Ótima reflexão, parcial, como tudo na vida, mas cheia de “aberturas” para reflexão e escolha.

    Compartilho da opinião e a MINHA escolha é, também, pelo parto hospitalar, de maneira mais humanizada possível, respeitando-se, dentro dos limites seguros e visando ao bem comum, a vontade da gestante.

  • Li

    Oi Lucas, tem um estudo de doutorado sendo feito aqui na UFSC sobre a “violência no parto” (se procurar isso no google você acha o site). Acho que diz respeito fortemente a questão que você colocou por último, de incentivar o “parto humanizado” no hospital.

    Acho que o fato de ser engenheira, me tornou objetiva na questão da análise de riscos e na valorização do profissional e ambiente preparado para uma eventual “cagada”.

  • http://www.facebook.com/aretha.guimaraes Aretha Guimarães

    Lucas, eu vou tentar fazer a seguinte analogia, pra ver se você entende. Você já fez cocô num hospital? Se não fez, deveria tentar. A situação do parto no ambiente hospitalar é mais ou menos essa: você está lá, fazendo o cocô, que é uma coisa fisiológica. De repente, entra alguém no banheiro pra observar como está a sua progressão, e enfia o dedo no seu ânus pra verificar se você tem dilatação. Daqui há uma hora, entra uma pessoa diferente e realiza o mesmo exame, e isso se repete a cada hora: um enfermeiro diferente entra no banheiro pra verificar a sua dilatação. Lá pelas tantas, chega o médico e decide que seu ânus não está aberto o suficiente para que o cocô passe, e por isso ele precisará realizar um corte pra você ter passagem, além de te colocar deitado pra realizar melhor o procedimento e te dar um laxante pra acelerar o processo, porque há essa hora já está perigoso esse cocô entalado aí dentro de você por todo esse tempo, para que o cocô não fique entalado. Você sabe que, se estivesse em casa, no seu banheiro, a coisa teria fluído muito melhor, você não precisaria desse corte e poderia escolher a posição que quizesse pra fazer o seu cocô, além de não ter que ouvir insultos da equipe de enfermagem o tipo: “na hora de comer, não gritou”, “te vejo de novo daqui há 1 ano, mãezinha” e sofrer toda sorte intervenções.
    e aí, você escolheria fazer cocô no hospital ou em casa? mesmo sabendo que a chance de você ter problemas pra fazer o cocô é menor do que 15% e que, em caso de necessidade, a equipe que te atende em casa consegue te transferir pro hospital em tempo menor do que eles levam pra preparar uma sala de cirurgia?

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Cara, até ia começar a responder, mas não. Você viajou, desculpa. Eu até poderia descrever uma série de motivos pelos quais “cagar” é diferente de “parir”, mas acho que não precisa, né?

    • Nélio Oliveira

      Nossa, de todos os quatrocentos e tantos comentários, esse foi, sem dúvida, o pior.

  • http://www.facebook.com/aretha.guimaraes Aretha Guimarães

    pq meu comentário foi apagado?

  • Denìlson Lacerda

    Este texto é uma preciosidade. Deveria ser publicado em mais
    jornais e revistas, e todo homem e mulher que pretende ter filhos poderia ler,
    tiraria uma tapa dos olhos sobre uma questão muito importante que é o parto.

    Minha filha de 1 ano e meio nasceu de parto natural, dentro
    de um hospital, pude ampará-la assim que chegou ao mundo. Coisa linda!

    O texto toca nos pontos centrais de forma clara, de uma
    história que é bem velada, dá trabalho pesquisar, e muitos pais e mães passam
    batido. Para nós foi um “outro parto” não ceder aos estímulos do pessoal mais
    radical de ambos os lados e entender nosso caminho.

    Nosso primeiro médico fez a maior propaganda que nos
    ajudaria ao máximo a conseguir o parto natural. Um dia batendo papo com a
    secretária do consultório, na espera (convênio) perguntei despretensiosamente: “de
    cada 10 bebês que nascem com ele quantos são de cesaria?, e ela: “ah! Uns 9”. Pasmei! Depois perguntei se
    ele tinha muita criança nascendo no carnaval, época que estava previsto minha
    filha, e de novo: “Não, não, ele marca tudo antes”.

    Rapamos fora…

    Depois em um grupo muito bom gestantes, defensor do parto
    natural, com discussões, vídeos, leituras, conseguimos entender mais a questão,
    aprofundar a importância do parto natural para mãe e para o bebê, e também perceber
    o outro extremo (parto em casa), e enfim fazer nossa opção.

    Sem dúvidas existem outras discussões que o texto abre, como
    as que vi rapidamente nos comentários (a segurança que cada profissional pode
    oferecer, a questão da liberdade de escolhas X conhecimento para poder
    escolher, legislação, etc), mas o central foi informar sobre o absurdo que
    ocorre no Brasil, a importância do parto natural, e as opções e os riscos
    dentro de cada opção e sub-opção. Tarefa em que foi preciso.

    E fico feliz que o autor se posicione, porque não acredito
    em texto imparcial, nem consigo ler coisas mornas.

    Obrigado ao PDH por jogar luz nessa questão.

  • http://www.facebook.com/ariane.michelini Ariane Michelini

    Lucas, no meu primeiro parto eu fui totalmente enganada pela médica. Ela se dizia a favor do parto norma como eu queria, eu acreditei, depositei minha confiança nela como a maioria de nós fazemos com vcs que se consideram detentores do conhecimento. No dia do parto fui induzida com ocitocina sintética com apenas 1.5 cm sendo que nem dor eu tinha. Fiquei deitada numa cama presa a uma bomba de infusão, ninguém para em orientar, ninguém para me acalmar, ninguém para me motivar….Sofri uma episio desnecessária, tiraram meus óculos(não vi minha filha direito),queria ter amamentado na sala de parto, enfim, tanta coisa desnecessária que eu espero que vc tenha conhecimento disso. Como estava anestesiada não sentia direito a contração, me mandavam força de coco, ainda ouvi piadinhas e risinhos pq não estava fazendo direito(o que te deixa com a moral lá embaixo), ou seja, toda a equipe, como vc disse, ‘cada um no seu quadrado’, e ninguém para lançar um olhar sobre essa mulher que está tentando trazer uma criança ao mundo….sozinha!
    Justificar que para fazer a episio era pq a minha filha era cabeçuda, sendo que ela estava dentro dos padrões, é demais não?!
    Justificar que para dar ocitocina sintética logo de cara é para que eu não passe a noite em TP, é demais não?! A opção era de quem? Minha ou da médica? Quem não queria ser chamada de madrugada? Após isso, consultei 3 obstetras que confirmaram minha suspeita!!!!
    A cascata de reações não param por aí, com toda a frustração, tristeza e outros sentimentos por ter sido enganada, é claro que influenciou na amamentação, como vc acha que eu me senti com tudo isso?
    E agora faça uma simples troca comigo, se coloque no meu lugar, como vc sentiria se fosse tratado assim? Vc confia numa pessoa qualificada e ela faz tudo isso! E agora, como resgatar tudo isso? São poucos médicos que tratam seus pacientes com respeito, não colocando seus interesses e conveniências acima do Ser que eles estão atendendo, dá para usar uma pinça para selecionar esses bons profissionais.
    Isso precisa ser revisto para fazer jus ao juramento que vcs fizeram.
    De verdade, torço para que as coisas mudem.
    Um abraço,
    Ariane

    • Temístocles d’Anunciação

      Não tiro sua razão, mas existe diferença entre qualidade do processo e o tipo de processo – O texto dele e baseado já na pré-suposição que o médico em questão não é filho-da-mãe feito o que lhe deu essa assistência capenga. Claro que ao passar por isso a mãe pode ficar com trauma (não necessariamente no sentido mais puro da palavra) e preferir manter certas escolhas a ela, mas ainda sim seria uma ilusão. Um obstetra mal capacitado e mau-caráter vai oferecer um tratamento ruim na cesárea tb.

      Resumindo, tens razão no que disseste, mas não foi isso que ele abordou no texto =P

  • Carolina Bastos

    LOUVÁVEL a postura do doutor Lucas em propor uma assistência respeitosa ao PARTO no hospital. O fato infeliz é que geralmente o serviço hospitalar não inclui com sensibilidade as exigências de um bom trabalho de parto: respeitar a vontade da mãe, apoiá-la com atenção, tempo, afetividade, paciência, etc. Se muitas parturientes fossem realmente ACOLHIDAS no hospital, com quem amam, não voltariam a desejar ter os filhos em casa ou em casas de parto especializadas. Como D. Corina que em 1953 ficou tão INDIGNADA com a negligência e a frieza dos profissionais no parto da primeira filha que resolveu ter as outras três em casa, com parteira. E olhem que nessa época a cesariana não era pau pra toda obra. A BANALIZAÇÃO DA CESARIANA, além do comercialmente rentável para os médicos pelo tempo demandado (seria uma razão suficiente, até então, ou seja: o movimento do parto humanizado tem mesmo sua razão de ser) é muito importante ver que, como já o apontaram algumas mulheres comentaristas, que o modelo indolor, rapidinho e limpinho é FALSO. Propaganda enganosa. Marca-se uma hora para o trabalho do médico e do anestesista, mas embora funcione melhor assim na logística dos médicos, a recuperação da mulher nem sempre é rápida, o risco de infecção é grande, sem contar que a travessia do bebê ao mundo vem por um (a)talho. Uma etapa chamada nascimento foi minimizada, enquanto o tempo da assistência média foi isoladamente otimizado. Acredito que preparar e trazer alguém ao mundo é força e glória: MERECE respeito, coragem e pensamento positivo. Mas é também espera, respiração, contração, dor, prazer e alegria. Não há vida sem DOR. Poucos sabem acolher uma mulher em trabalho de parto, mas podem APRENDER. Isso é real. Quando os hospitais tiverem médicos preparados para APOIAR o trabalho da mãe em parir e se certificar que tudo sairá bem e intervirem em caso de risco de vida, aí sim não haverá mais sentido em visões diametralmente opostas. RESTA SABER SE OS MÉDICOS VÃO PRIORIZAR ISSO. Um ELO de confiança entre o profissional de saúde e (a família d)o paciente é sempre desejável, mas subordinar isso a um sistema mesquinho de só nessa hora, sem ESCOLHAS VERDADEIRAS, não dá mais. Todos nós ganhamos com mães mais FELIZES.

  • Ricardo

    O cara propõe uma discussão a respeito de um assunto que conhece (muito bem, por sinal) e tudo o que eu vejo são pessoas desrespeitando-o, com comentários arrogantes e sarcásticos. Invariavelmente, é o que eu vejo quando são levantadas questões de cunho feminista, em qualquer lugar.

    • http://twitter.com/Amanda_Lima Amanda Lima

      tendo em vista que não há parto sem a mulher, não há como não ser feminista nesse assunto, você não acha?

      • Ricardo

        Mais uma resposta irônica. E obviamente, você não entendeu o que eu quis dizer.

      • Ricardo

        Amanda, eu deixei bem claro que essa é SIM uma questão de cunho feminista. Eu critiquei a arrogância e a falta de educação por parte de pessoas que deveriam ser totalmente abertas à discussão clara e honesta.

    • http://www.facebook.com/ariane.michelini Ariane Michelini

      Vc acha que eu fui arrogante? Me desculpe se vc sentiu isso. Se vc sentiu atacado, olhe para dentro de vc, e descubra porque sentiu isso, vai descobrir coisas interessantes ao seu respeito.
      E o que eu fiz um depoimento sincero para alguém que abriu espaço disposto ao diálogo.

      • Ricardo

        Ariane, totalmente desnecessário o seu ad hominen. Mas naturalmente o meu comentário não foi pra você., uma vez que não há sarcasmo, nem arrogância no seu relato. .

    • Letícia Penteado

      É, pois é, quem somos nós para pedirmos que o outro lado da discussão seja levado a sério, não é? Para pedir que os estudos SÉRIOS que indicam a segurança do parto domiciliar como igual ou maior que a do hospitalar sejam citados e rebatidos EMBASADAMENTE aqui, ao invés de se ficar batendo na tecla do achismo de que “é perigoso porque eu, que sou médico, estou falando que é”?
      E outra: desde quando sarcasmo é crime? Desde quando é desrespeito, puro e simples? E desde quando o próprio Lucas não se utiliza dele? Tadinho, né? Se não for você para ajudá-lo… hehe

      • Ricardo

        Mas acontece que também existe gente MUITO séria (inclusive o Lucas) que é contra o PD. É muita arrogância a pessoa ler o blog da melania com seus 40 artigos e achar que isso é tudo que existe sobre o assunto.
        Eu não disse que sarcasmo é crime. Só atentei para o fato de que é contraproducente polarizar a discussão, com ataques gratuitos e argumentos ad hominem como se a intenção aqui fosse uma mudança radical para um dos extremos e não um consenso geral entre duas partes com interesses em comum, como estava na pauta do texto escrito pelo Lucas.

        hehe.

  • http://www.facebook.com/elba.oliveira.7 Elba Oliveira

    Fui obrigada a uma cesariana sem a menor indicação (tenho exames que comprovam que eu não precisava ser operada – ultrassom e cardiotocografia). Não estava em trabalho de parto quando completei 40 semanas e a obstetra me chatageou e disse que não se responsabilizaria pela vida do meu filho caso eu não aceitasse a cirurgia para o dia seguinte. Eu e meu bebê corremos risco de vida já que passei por uma cirurgia completamente desnecessaria. Só vi meu filho DOZE horas depois do “parto”. Um ano e meio após a cirurgia, sofri um aborto espontaneo e a médica não me deu assistencia nenhuma e agora, tres ano depois e tentando engravidar há um ano e meio, descubro que estou com endometriose em consequencia da cesariana. Não confio em médicos mais e só entro em hospital se estiver à beira da morte…isso se não resolver que é melhor procurar um curandeiro…Deus me livre de médico!

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Sua argumentação é tão inconsistente e infundada que é até difícil começar a contra-argumentar. É igual falar que foi mal atendida em um restaurante específico e agora só come em casa. Só que com conseqüências bem piores. Mas fique à vontade para cavar o buraco que quiser para a própria vida.

    • Novato

      Olha, se vc procurar um profissional sério verá que endometriose não é causada por cesárea!!!
      O resto, procure seus direitos!

      • Letícia

        Tem uma doença que é frequentemente diagnosticada como endometriose, mas não é, tem um nome parecido e tem como causa a cesárea. Lucas e Novato, qual o nome, vcs lembram?
        (pois é, não sou médica, mas li um relato de uma mulher muito jovem que, após uma cesárea desnecessária não poderá mais ter filhos, e 3 médicos diagnosticaram como sendo endometriose, mas por fim ela descobriu que não era)

      • http://www.facebook.com/mariana.whiteheadguimaraes Mariana Whitehead Guimarães

        Adenomiose?

      • Letícia

        Acho que é essa mesma, @facebook-100000487040454:disqus !

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Lucas, obrigada pelo texto. Lindo demais! Queria ler os comentários, mas me perdi entre os mais cotados aqui… São muitos, todo mundo muito feroz.

    Acho lindo que esta questão seja levantada aqui pra esse bando de homem. Me sinto representada no seu texto.

    Estou na fase de conviver com muuuitas novas mamães. E a maioria me diz que vai tentar parto normal… E na hora acaba tendo por cesárea. A explicação é sempre a mesma: “Não tive dilatação”. E eu pensava que diabos de dilatação é essa que não acontece, mas que há oitenta anos acontecia sempre, já que quase ninguém nascia em hospital…

    Daí um conhecido, que estudou bastante com a mulher sobre parto normal antes de terem os filhos, me contou que há muitas mulheres que chegam ao hospital pensando que tentarão parto normal mas a cesárea já foi agendada pelo médico. Fiquei com medo desta indústria desenfreada.

    Quando acontecer aqui pra mim, vou querer um médico de confiança, uma doula e um parto normal. E não acredito que abrirei mão do hospital. Acho que nem o baixo risco vale este risco… Veremos.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Isabella,

      Fico muito feliz de ver mulheres se beneficiando do texto e da discussão e sentindo-se representadas, em meio a tanta ferocidade e mulheres ofendidas com a “intromissão”.

      Bem esquisito isso de “não teve dilatação” com tanta freqüência, mesmo. E o pior é que isso gera um certo desconforto na mulher, um sentimento de culpa, um “não consegui”.

      Tem muitos possíveis diagnósticos aí que podem ter sido descritos dessa forma (“não teve dilatação”):

      - desproporção cefalo-pélvica (que realmente indica cesárea mas não é tão comum e pode, NA MAIORIA DAS VEZES, ser prevista no pré-natal),
      - fase latente prolongada (contrações irregulares sem dilatação)
      - fase ativa protraída (velocidade de dilatação diminuída)
      - parada de dilatação cervical (sem mudança por 2h)
      - outras distocias (“anormalidades”) funcionais (parada de descida, expulsivo prolongado, distocia de rotação)

      Portanto, muitas condutas cabíveis antes da cesárea, na maioria dos casos.

      Desconheço, de verdade, essa de marcar a cesárea e enganar a mulher com a maior cara de pau. Mas não duvido, tem maluco pra tudo.

      Boa sorte no seu percurso, espero que seja assistida por bons profissionais e em um lugar acolhedor e seguro!

      • Pari em casa

        “- desproporção cefalo-pélvica (que realmente indica cesárea mas não é
        tão comum e pode, NA MAIORIA DAS VEZES, ser prevista no pré-natal), ”

        É śerio isso ou houve um erro de digitação? Vc quis dizer q NÃO pode ser prevista no pré-natal, né?

        Se o que vc escreveu é isso mesmo, preciso discordar. Mas como sou “leiga”, vou colar um a opinião da Dra Melania sobre o assunto:

        “Desproporção céfalo-pélvica (DCP) é diagnóstico que só pode ser
        estabelecido DURANTE o trabalho de parto – e freqüentemente é
        diagnosticado de forma equivocada (o uso do partograma nos partos
        hospitalares ajuda a diminuir os falsos diagnósticos).

        Já dizia,
        na década de 30, um antigo obstetra, Barbour, que “o melhor pelvímetro é
        a cabeça fetal”. Todas as tentativas de “avaliar a pelve materna” por
        métodos clínicos ou de imagem têm baixíssima acurácia, e a pelvimetria
        foi abandonada com esta finalidade.

        A famosa “falta de passagem” é um rótulo inadmissível, que estigmatiza a mulher.

        Lembro
        de uma participante de nosso projeto em Campina Grande. Disseram-lhe
        que a primeira cesárea tinha sido porque ela não tinha “capacidade de
        parir”. Ai, a patologia da palavra… A moça passou todo o trabalho de
        parto insegura e sem confiança em si mesma, até que teve um lindo VBAC
        rápido e sem lacerações. Dez para a auto-estima, zero para o diagnóstico
        terrorista anterior.

        Como eu costumo dizer, salvo situações
        extremas, como uma anã raquítica grávida de um feto com hidrocefalia
        volumosa, os casos de DCP são habitualmente relativos… Muito mais uma
        questão do posicionamento fetal em relação à pelve materna do que de
        tamanho do bebê ou dimensões da bacia.”

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        O DIAGNÓSTICO de DCP é feito intra-parto, é óbvio.

        Mas o pré-natal ajuda, entre outras coisas, a “sugerir” a possibilidade, sim.

      • Pari em casa

        Por isso precisa estar muito bem informada pra conseguir parir no Brasil. Se um médico no meu pré-natal me “sugere” que eu poderia não conseguir parir pq posso ser diagnosticada com DCP, eu FUJO do consultório dele e nunca mais volto.
        Se só pode ser diagnosticado no trabalho de parto, qual a intenção de” sugerir” isso? Incutir o medo na gestante? Minar a confiança dela no proprio corpo? Preparar o terreno pra na hora do parto sacar do bolso a “desculpa perfeita” pra cesárea “salvadora” q vai colar com aquela maezinha?
        Dificil demais ter um parto normal do Brasil…

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        E eu fico imaginando isso e prevendo que pode ser sim o que meu obstetra me dirá… Meu gineco foi obstetra da minha mãe, que queria parto normal, que acabou numa cesárea… E, apesar de ser um médico de extrema confiança e de quem eu gosto muito… Como saber se na hora da dor ali ele não vai me convencer que não há dilatação? Tenho maior medo disso, quando for pra acontecer vou jogar a real com ele e ver se ele, então, me sugere outra pessoa…

      • Letícia

        Isabella, acho que vc já sabe que ele vai te induzir a uma cesárea sem necessidade! Se vc já tem dúvida sem estar grávida, então quando for a hora, procure uma equipe de médicos humanizados na sua cidade. Os grupos de apoio da Parto do Princípio.

    • Letícia

      Isabella, se vc é de SP, e quiser mesmo um parto normal quando ficar grávida, mas um parto decente, vai cair na mão de um dos 6 ou 7 médicos que fazem isso em SP. Senão, terá que torcer pra sorte. O Lucas não acredita, mas vc já percebeu que tem algum coisa errada, não com as mulheres (que nunca tem dilatação, que não entram em trabalho de parto, que tem circular de cordão…), mas provavelmente com a proximidade de algum feriado (ah, essa é fatal!), essa é a maior causa de cesáreas desnecessárias…

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Cara, sério, você leu minha resposta pra Isabela?

        Estou aqui tentando estabelecer um diálogo e vocês não perdem NENHUMA oportunidade de me atacar e/ou atacar a classe médica.

        O objetivo de vida de vocês é lutar contras os médicos, os causadores dos males do mundo?

      • Letícia

        Eu li sim.
        Eu já escrevi em outros comentários, mas eu não sei em que hospitais trabalhou, pq isso que falei pra ela é basicamente o que acontece na vida cotidiana de 80% das grávidas que querem parto normal. Ainda tirei 10%, que seria uma margem das que escolhem a cesárea eletiva.
        Eu não luto contra os médicos, qualquer ativista tem um “sonho”, de que um dia o parto respeitoso, o atendimento individualizado ao nascimento sejam as regras, e que nenhuma mulher seja enganada e caia na faca por conveniência do médico. Ou tenham partos traumáticos desrespeitosos, pq qdo conseguem, é assim.
        Já escrevi e repito, faça uma pesquisa entre suas amigas, conhecidas… pergunte quantas queriam parto normal, e quantas conseguiram. E pras que conseguiram, quantas tiveram um parto sem intervenções desnecessárias.

        As taxas de cesáreas estão aí pra comprovar que a maioria dos trabalha mal mesmo, mente mesmo, pq como explica alguns poucos médicos terem taxas de 10 a 15% de cesáreas, e a maioria ter 80 a 90%?
        O que nós falamos aqui não é invenção, conspiração, nada disso.
        Pense um pouco, pesquise e comprove que nós não estamos imaginando nada disso. Infelizmente é o que acontece.

        E eu não sou contra parto hospitalar.
        Eu sou a favor da liberdade de escolha (se domiciliar ou hospitalar) e do atendimento correto.

        Ah, meu marido, qdo eu fiquei grávida e me deparei com esse quadro, inicialmente ele ficou achando que era coisa da minha cabeça, natureba doida. Então falei pra ele perguntar pros amigos. E ele começou a perceber que eu não estava imaginando. Quando foi às consultas médicas comigo ele tirou suas próprias conclusões.

    • Pari em casa

      Isabella,a a mulher só não dilatação se seu útero for cortado antes disso. Fato. Rarissimos são os casos de mulher q verdadeiramente não dilata. Se não dilatou, foi pq o médico não esperou o tempo o tempo da natureza. Mas é verdade, parece que as brasileiras foram feitas com alguma mutação, diferente das outras mulheres do mundo, pq a falta de dilatação é um epidemia.

      Se queres um parto normal, nunca é cedo pra se informar e começar a ler artigos, pesquisas. Se vc estiver bem informada quando engravidar, vai poder encontrar mais rapidamente um médico humanizado e poderá curtir a gravidez sem o estresse dessa busca implacável. Tem que estar muito bem informada pra não ser engolida pelo sistema.

      E sim, é a industria da cesarea q impera. Essa semana agora, por exemplo vai ser de maternidades particulares LOTADAS por conta do feriadão de 7 de setembro. Os médicos todos antecipando os “partos”. Quando chega o feriadão as maternidades ficam as moscas. É só ir visitar nas vesperas de um feriadão e depois durante pra ver a diferença enorme. E claro, mais de 90% de cesareas.

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        Uau, obrigada!

  • http://www.facebook.com/thomazbc Thomaz Bittencourt Couto

    Lucas
    Primeiramente gostaria de elogiar a qualidade do seu texto. Como sempre com bom humor e um apurado levantamento de dados, apresentou de forma palatável um assunto indigesto.
    Acho que estou sensibilizado em relação ao assunto, uma vez que minha esposa está grávida. Parei para ler o estudo que você citou (que é metodologicamente falho, como bem comentou) e também o estudo da Holanda (que é retrospectivo, perde parte da sua casuística e que não é nem um pouco aplicável a realidade brasileira, mas que tem um n fabuloso).
    Já tive oportunidade de trabalhar com midwifes européias, e fiquei bastante impressionado com sua capacidade técnica e formação. Sei também o quão rápido e eficaz é o transporte de feridos na europa (o Samu Francês é modelo para o mundo). Acho mesmo que, na Holanda, é tão seguro parto domiciliar quanto hospitalar. Isso porque é um país que se estruturou para isso, com prenatal adequado, equipe multidisciplinar envolvida, sistema de referencia e contra-referencia, transporte rápido, boa estratificação de risco, etc. E uma população no país menor que a grande São Paulo. Lá, é provado que é tão seguro nascer em casa como no hospital (não há nenhuma evidência que é mais seguro).
    Transpor esses dados para o Brasil são outros 500. E se o parto domiciliar, que não escolhe hora, for na hora do rush? E se,no caso de complicação, eu não tiver uma equipe pronta na retaguarda? E se o bebê nascer mal, supondo bom treinamento da obstetriz ou presença de pediatra, como será esse transporte do bebe instável pelas ruas dessa cidade?
    Fico pensando sempre no pior cenário possível. Mesmo assumindo que seja o mesmo risco, super baixo. Digamos que ocorra uma fatalidade. Quantas pessoas estão preparadas para não só encarar a morte de um bebê, como a culpa por poder ser em parte responsável?
    Enfim, acho mesmo que o risco de tentar um parto domiciliar no Brasil, mesmo assistido por doulas e obstetrizes e obstetras é maior que o de ter um parto hospitalar. É lógico que o risco é super baixo para gestante de baixo risco, mas, não devemos nos iludir, é mais alto que o hospitalar (comparando cuidados ideias nas duas vias). O Brasil não é Holanda, São Paulo não é Amsterdam, Campinas não é Roterdam.

    Enfim, desejo um parto sem trauma para todos (e todas), mas não recomendaria um parto domiciliar no Brasil. Aos interessado em viver na Holanda, boas notícias; medicina estatizada, maconha liberada, bicicleta com flores na cestinha, tamanco de madeira e parto em casa.
    Concordo que o crede é uma prática que deveria ser susbtituída (por um colírio com menos efeito colateral que prevenisse também contra clamídia), agora, não dar vacina e vitamina K, não dá…isso não tem cabimento, nem argumento científico nem aqui, nem na Holanda, nem na China.
    Abraço

    Thomaz

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Fala Thomaz!

      Pois é, foi ao estudo holandês que me referi ao dizer “em contextos muito específicos”. Aqui, pelo menos por enquanto, também acho completamente inviável.

      Acho que o que mais atrapalha a discussão é essa resposta exacerbada ao mito de que os médicos são mercenários sem escrúpulos e que todas as suas intervenções são “invasões”, ou que todas as nossas condutas fazem parte de um mecanismo conspiratório das farmacêuticas etc

      A moda agora é negar o valor das recomendações médicas, em busca de um falso “naturalismo” – aí as pessoas vêm com essa de não vacinar, não dar vitamina K. E o pior, arrotando que essa condutas são completamente injustificadas pela evidência. Não sei qual evidência, enfim.

      Valeu pela contribuição!

      Abraço

  • http://www.facebook.com/brabul Jazz La Vie

    Sou médica pediatra e participante do Ishtar, espaço para gentantes e coordenadora de marketing do I Workshop de Humanização do Parto e Nascimento.

    Fugimos da violência obstétrica incontestável da qual eu e todas as minhas colegas de residência fomos testemunha. Respeito ao parto em ambiente hospitalar? A tal HUMANIZAÇÃO pela qual nós lutamos, simplesmente NÃO EXISTE em alguns hospitais.

    Estamos ainda começando. Nosso Hospital de Clínicas já tem um ambiente apropriado, Há apenas UM obstetra (ainda) que “deixa” as grávidas parirem na banqueta (posição sentada, fisiológica).

    Apenas UM hospital QUASE preparado para um parto humanizado. Eu mesma, se não pudesse parir no HC, optaria SIM por ter o meu bebê na tranquilidade do meu lar e cercada por respeito e amor. Enquanto não tivermos OBSTETRAS HUMANOS e equipe humanizada PREPARADA para uma situação importante como essa.

    A cesariana, completo, não deveria ser uma escolha; é sim, uma INDICAÇÃO MÉDICA. Só deve ser realizada quando os benefícios serão maiores que o risco. Porém, ela é estimulada por “ter hora para acabar” , dar menos trabalho para o médico, esquecendo do valor que é, estar BEM após o parto, para cuidar do bebê, e não ter que esperar a enxaqueca pós-anestesia passar para poder amamentar seu filho.

    Não sou contra o parto hospitalar, desde que a equipe seja capaz de RESPEITAR o paciente, acima de tudo. Mas até a re-estruturação de todo o sistema, não tenho NADA contra o parto domiciliar. Desde que bem assistido.

    • Nélio Oliveira

      Gostei do seu comentário. Apesar de discordar em muitas coisas do texto do autor, você soube expor sem panfletagem barata o que você acha. Pode-se até discordar do que você escreveu, mas não há como não reverenciar a qualidade do seu argumento.

  • Melissa Biehl

    Porque nao ha o video de uma cesaria na integra aqui no blog por favor, da mesma forma que vc pos o parto humanizado?

  • http://www.facebook.com/people/Ana-Cristina-Duarte/100001165648559 Ana Cristina Duarte

    Eu tive a pachorra de fazer uma contagem (automática, claro).

    580 palavras contra as cesarianas desnecessárias.
    1150 palavras contra o parto domiciliar

    O problema de saúde pública no Brasil é a cesariana. Temos 52% no Brasil, e 90% nos serviços privados. É uma epidemia de mulheres internadas em UTIs e bebês em oxigênio em UTIs neonatais por cesarianas desnecessárias.

    O parto domiciliar PLANEJADO (não acidental – que é o combatido pelo autor) atinge menos de 0,1% da população brasileira.

    Não é fantástico que a categoria médica se preocupe tanto com 0,1% de partos de baixo risco em mulheres de nível superior completo, que faze essa opção conscientemente?

    Eu acho incrível!! De toda forma se esse debate de altíssimo nível serviu para o autor perceber que não está lidando com um bando de mulherzinha sem noção que cai na primeira conversa mole de circular de cordão, eu já fico satisfeita.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Olha, na verdade muitos dos comentários foi do nível “mulherzinha sem noção” mesmo. Faltou muito bom senso de boa parte dos interlocutores.

      E o texto não é da “categoria médica”, é meu. E eu estou preocupado com o PD não pela sua incidência, mas pelo barulho que está sendo feito sem critério, sem espaço para discussão de nível.

      E o parto domiciliar acidental não tem como ser “combatido” por mim, já que é acidental. ;-) Sou contra o planejado mesmo.

      E o número de palavras em cada seção do texto foi o pior argumento que eu vi nessa discussão – o que é um feito considerável.

      • Letícia Penteado

        Lucas, não perca a cabeça.
        Você quer uma discussão de nível mas se nega a discutir os dados científicos levantados nos estudos que demonstram a segurança do parto domiciliar. Fica parecendo que, para você, “nível” é só o que concorda com o seu ponto de vista, que você não sente a necessidade de defender com qualquer embasamento científico. E a falta de bom-senso é nossa?
        Eu já te pedi, volto a pedir. Se você leu os artigos da Melania, e os estudos que ela cita, quais são os seus argumentos para refutar as conclusões ali encontradas? Nos esclareça. Objetivamente, cientificamente, embasadamente. Por favor. Não fique só no “sou contra” ou no “não é seguro” ou no “não é a saída”. Nos diga o porquê, já que, como sabemos, a segurança é a mesma (ou até maior) que a do hospital.

      • Ricardo

        O cara propõe uma discussão de forma que ambos os lados se encaminhem para uma solução em comum e vocês o recebem com toda essa hostilidade, toda essa ignorância, toda essa arrogância? Em primeiro lugar, entendam: não é porque há inúmeros artigos publicados a favor do parto domiciliar que o mesmo deve ser encarado como algo irrefutável. Ciência só é ciência quando há meios de contestá-la (não sou eu quem tô dizendo, mas sim uma corrente filosófica chamada epistemiologia). Leituras críticas devem ser feitas em QUALQUER situação.

        Então abram espaços para discussão e parem, pelo amor de Deus! de achar que tudo que ele tá falando é porque ele é homem, porque ele não sente na pele, porque a sociedade é machista e que a relação de poder com o corpo da mulher deve ser alterada. Como ele disse ele é um profissional da área de saúde preocupado com o barulho sendo feito, sem critério. Não, nem as mulheres defensoras do PD, nem os médicos, nem ninguém sabe tudo.

        O parto domiciliar também é uma preocupação dos homens e NÓS também queremos discutir isso da melhor forma possível, SEM arrogância, SEM desconfiança, SEM sarcasmo. Mas, na boa? Vocês não deixam. Querem nos colocar de fora de todas as lutas de vocês, afinal, nós somos os vilões da história né?

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        ” A segurança é a mesma” em um estudo HOLANDÊS e RETROSPECTIVO.

        Pronto. Isso e os argumentos do texto, que não são poucos.

      • Letícia

        Pq quando mulher comenta contra é td “mulherzinha sem noção”!
        Controle emocional zero, Lucas!

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Quando eu disse isso?
        Leitura zero, Leticia!

  • http://www.facebook.com/thomazbc Thomaz Bittencourt Couto

    Ana

    Você tem razão. Esqueci de falar que sim, é um absurdo a quantidade de cesariana no Brasil, uma coisa descabida. É revoltante para mim a mulher escolher fazer uma cesariana para que o filho chegue no dia 12/12/12 porque os números são bonitos.
    Acho mesmo que mais pessoas da comunidade médica deveriam se preocupar com isso.
    Porém, esse não é o cerne da discussão. Ninguém falou aqui que parto cesariano é melhor ou mais seguro que o normal. E se falou disse errado.
    A questão é; É seguro parto domiciliar no Brasil? A resposta mais honesta é; não há comprovação científica dessa segurança no nosso contexto (porque de fato não há). A evidência mais forte é que, na Holanda, é tão seguro quanto nascer em casa e no hospital o caso de parto em baixo risco.
    A gente pode passar a vida discutindo com você me dando exemplos de coisas horríveis que acontecem no hospital e eu por outro lado contando histórias assustadoras de crianças que nasceram em casa e foram mal.
    Infelizmente esse argumento é infrutífero. Você escolhe acreditar na sua experiência embasada por argumentos que isso provavelmente é seguro, e extrapolar evidência holandesa para cá. Eu baseado na minha acredito que não tem como provar isso hoje e que, por isso, não me sinto seguro como médico para recomendar esse procedimento.
    Em tempo, não sou obstetra, não sou neonatologista, não tenho nenhum ganho pessoal com essa recomendação. Parei para ler e estudar o assunto por uma questão pessoal, e também pois fui consultado por a mãe de um paciente. Sou cauteloso, pois entendo que algumas pessoas se deixam a levar por informações incompletas, do tipo “cesariana é ótima” ou “parto domiciliar é de menor risco”.
    Acho que a escolha da via e local de parto deveria necessariamente ser a melhor via, com a maior segurança para mãe e criança. Isso hoje, mesmo para baixo risco, seria parto hospitalar, de preferência normal, com a possibilidade de converter rapidamente caso haja risco para mãe ou bebê.

    Porém, concordo com você, isso não é um problema de saúde pública, é um problema de uma pequena parcela da população.

    • Letícia

      Conte então histórias horríveis de partos domiciliares planejados, por favor, pq eu não conheço! (Sem ironia, não conheço mesmo)
      Agora de parto hospitalar, conheço muitos.

      • Pari em casa

        Tb gostaria de escutar alguns. Planejados! Pq sinceramente, se aconteceu algo horrivel num parto domiciliar no Brasil, como não foi parar nas primeiras paginas dos jornais e revistas? Como o CRM não comeu o figado do médico desse parto?

      • http://www.facebook.com/thomazbc Thomaz Bittencourt Couto

        Para quem lê em inglês segue link, como sugerido:

        http://stillstandingmag.com/2012/05/homebirth-stillbirth/#comments

        Repito que histórias, sejam positivas ou negativas, não mudam em nada o que escrevi anteriormente.
        Não dá para extrapolar os dados da Holanda, não por diferenças entre mulheres holandesas e brasileiras, mas pela diferença entre sistemas de saúde, acessibilidade e mesmo de trânsito entre os países. Já expliquei isso anteriormente.
        Reforço meu ponto; sou contra cesarianas desnecessárias, risco para mãe e o bebê. Não posso recomendar parto domiciliar, pois sua segurança não está comprovada.
        Acho que já dediquei bastante tempo para colocar meu ponto nessa discussão, pois me preocupou o tom de absoluta certeza com a qual certas pessoas defendem uma posição ou outra. Não vou ficar redebatento cada comentário que fiz. Boa discussão para todos.

  • Maria Maria

    Pra quem quer entender um pouco sobre como é o tratamento no hospital a parturiente e ao recem nascido, por favor assistem esse video. Vejam os depoimentos de um pai (ator Marcio Garcia) e uma mãe (a esposa dele), ao passarem por um bom hospital e as decisões tomadas depois dessa experiência. O video é curto, vale a pena.

    http://www.youtube.com/watch?v=3B33_hNha_8

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      meu deuuuus! demais! obrigada!

  • Felipe

    Desculpem, mas gostaria de fazer algumas considerações:
    1. Li um texto muito interassante, que buscava o caminho do meio, entre dois extremos, através da proposta de aproximar esses extremos pelo diálogo.
    2. Li ofensas, infantilidades, generalizações, radicalizações e total falta de vontade de entendimento dos argumentos contrários de ambos os lados.
    3. Vi um autor maduro, que escreve com habilidade, colocar extremamente bem seus pontos de vista.
    4. Vi o mesmo autor ser extremamente infantil e até agressivo em vários comentários, respondendo a vários comentários infantise por vezes agressivos.

    Eu, que tenho interesse pessoal neste assunto, fico me perguntando onde está a lógica de tudo isso. Por que tanta inflexibilidade? Bem que minha esposa me avisou, os dois lados nunca vão conseguir conversar. Triste!

    Mas eu tenho dúvidas reais e gostaria que me ajudassem a refletir. Não vejo o parto domiciliar como um absurdo e não entendo as colocações daqueles que são contrários nos seguintes pontos:

    - Se as evidências mostram que o PD é tão seguro quanto o parto hospitalar, por que os que são contra o PD nunca discutem esses números? Se são contra essas evidências, por que não apresentam novos números? Se não os tem, por que são contra?

    - Se problemas podem acontecer tanto nos hospitais quanto em casa e se o risco de problemas é o mesmo, por que eu preciso ir para um hospital?

    - Se estar em casa me trás o risco de uma emergência sem tempo hábil para atendimento hospitalar e estar em um hospital me trás riscos ao processo fisiológico do parto e se ambas as questões me trazem risco para a vida da mãe e/ou do bebê, por que eu devo estar em um hospital?

    Gostaria, muito sinceramente de ouvir as respostas a essas questões para poder me auxiliar na formação da minha opinião a respeito. Como disse acima, não vejo nenhim absurdo no PD, pois só tenho visto estudos sérios, evidências científicas e estatísticas confiáveis vindos deste lado da discussão.

    Abraços.

    • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

      Felipe,

      Realmente tenho dificuldade de lidar com a ferocidade e argumentação falaciosa de muitos comentários e às vezes acabo “entrando na onda”. Peço desculpas.

      Sobre as evidências, o grande “trunfo” do PD é um estudo retrospectivo (o que o faz perder força estatística, apesar do grande número de pacientes) e holandês, ou seja, conduzido em uma realidade social e de atenção à saúde completamente diferentes da nossa, com pacientes completamente diferentes das nossas. Algumas vezes isso não faz tanta diferença – por exemplo testar um novo remédio. É provável que, se um remédio funciona em uma população holandesa, funcione na nossa também. Mas em algo tão complexo e intrincado, com tantas variáveis e tão dependente de fatores culturais como o parto, faz muita diferença. Assim como faz muita diferença a estrutura de apoio que se tem por lá (e não por aqui) e mesmo a logística que suporte essa estrutura. Leia o comentário do @facebook-1517195876:disqus lá em cima.

      A assistência em hospital não precisa, necessariamente, “trazer riscos ao processo fisiológico”. Do jeito que está agora, pode até trazer. Mas, como já disse, não é esse o modelo que defendo.

      Se conseguirmos estabelecer uma assistência hospitalar verdadeiramente digna e humana, que não traga esses riscos que citou, não vejo porque abrir mão da diminuição de riscos que ganharíamos.

      Que acha?

      Abraço

      • Pari em casa

        “… com pacientes completamente diferentes das nossas.”

        Vc pode explicar por favor em que as mulheres holandesas são diferentes das brasileiras? Pq o corpo delas consegue parir e aqui a mulherada não consegue?

        E desculpa mas tenho q “corrigir”. Que tal chamar mulher grávidas/em trabalho de parto de parturientes? Paciente é quem está doente. Ah, é só um nome, vc poderia dizer, mas faz toda a diferença no processo de humanização do parto.

        Confesso, q concordo com a Ana Cris, vc não sabe como tratar as mulheres do baixo risco, não sabe nem se referir elas, não sabe que a humanização do parto passa pela devolução do protagonismo do parto a mulher. Vc demonstra um ego tão grande, q jamais deixaria a mulher fazer o seu parto e ser mero coadjuvante e auxiliador no processo.

        Vc não sabe o que é um parto humanizado de verdade e nem quer saber. Nunca vai entender pq mulheres inteligentes e bem informadas preferem parir em casa.

      • http://www.facebook.com/people/Lucas-Pedrucci/100001663603171 Lucas Pedrucci

        Leia meus outros comentários sobre esse artigo, ou os comentários do Thomaz Bittencourt, já respondi(emos) essa questão.

        Sobre “parturiente”/”paciente”: essa discussão é mais velha que nós dois. Debate-se há décadas o melhor jeito de chamar aquele ser humano que consulta o médico. “Paciente”, “cliente”, “usuário” (do sistema de saúde), Todos os termos têm seus vieses e cargas de pressupostos, nenhum é completamente isento.Fato é que “paciente” é o termo mais corrente e é BEM diferente de “doente” – não sei de onde você tirou isso.

        Agora, absolutamente inacreditável você, sem sequer ter me visto pessoalmente, falar que eu “não sei como tratar as mulheres de baixo risco” e todo o caminhão de delírios que você despeja em seguida.

        Que tipo de clarividência você acha que tem pra falar do meu ego sem me conhecer?

        Que espécie de grande sapiência você se considera pra falar que eu “não sei” ou “nunca vou entender” qualquer coisa?

        E você fala que EU tenho um ego grande? Sério? Você se considera capaz de traçar todo meu perfil psicológico e profissional com base em uma discussão na internet e EU tenho um ego grande?

      • Pari em casa

        Vc não entendeu nada. Não falei “daquele ser humano q consulta médico”. Isso é outro assunto. Falei exclusivamente da mulher gravida! Se vc não vê diferença, sorry, só reafirmo q vc não entende o que é parto humanizado na essência. É isso q seu discurso demonstra.

      • Felipe

        Ok Lucas, obrigado por me responder colocando o seu ponto de vista. Está mais clara essa questão para mim agora, o que vai me ajudar a formar a minha opinião. Agradeço também ao usuário ‘parir em casa’ pela colocação das dúvidas à sua resposta. Na verdade, pelo que pude constatar, enquanto não tivermos evidências para a realidade brasileira, os dois lados vão continuar se matando e ninguém terá razão. Mas que dá uma certa inveja dos holandeses, isso dá! Abs.

    • Letícia

      Felipe, a grande diferença entre as holandesas, inglesas e brasileiras, é que elas tem a opção, se querem parir em casa, podem; e se quiserem parir no hospital também podem!
      Como vc mesmo disse, os estudos comprovam que o risco em casa não é maior que num hospital, MAS na situação de assistência ao parto que existe hoje, não se tem parto humanizado em qualquer hospital (mesmo nos preparados para isso), pois depende do médico que te acompanha. E como vc pode perceber, podemos contar nos dedos os que fazem!
      Se vc não acreditar nos estudos que a Dra Melânia cita, e se parece que todas nós que estamos comentando estamos inventando uma conspiração dos médicos contra as mulheres, então eu te convido a fazer uma pesquisa entre seus próprios amigos, parentes, conhecidos: de todos qe tem filhos, quantas mulheres queriam parto normal? e quantas conseguiram?
      Das que conseguiram, como foi o atendimento que receberam, se sofreram algum tipo de intervenção, como foi o parto?
      Infelizmente a maioria dirá que “queria normal mas não deu”, e as justificativas serão sempre as mesmas. Mas
      Se vc for mais a fundo, pesquise os que tiveram as cesáreas adiantadas pras vésperas de feriados.
      O Lucas vai falar que eu estou imaginando coisas, mas depois que a gente fica grávida começa a ouvir as histórias… e é sempre a mesma coisa “eu queria normal mas não tive dilatação” ou o cordão estava enrolado no pescoço, ou passou do tempo (sem passar de 40 semanas), ou pq não entrou em trabalho de parto (mas estava com 39 semanas ainda).
      E as histórias sobre parto normal… aí é fogo! Cada um com uma história horrível de parto traumático, cheio de violência, mas é td invenção minha!!!!
      Por isso que quando eu falo que pari em casa, as pessoas se espantam e falam, entre outras coisas “ah, vc sofreu muito!”, e eu sempre digo que senti dor, sim, mas não sofri!
      Enfim, mesmo que o atendimento hospitalar seja ideal, as mulheres devem ter o direito de decidir onde vão parir!!!!!

  • Maria Maria

    Confira a entrevista.

    IHU On-Line – A partir da sua experiência, o que significa um parto, um nascimento natural e humanizado?

    Melania Amorim – Parto humanizado é essencialmente
    aquele parto centrado na mulher, com respeito à autonomia e ao
    protagonismo feminino. Parto natural é o parto que acontece sem
    intervenções, como ocitocina , analgesia, fórceps . É possível se ter um
    parto humanizado não inteiramente natural, porque algumas intervenções
    podem ser necessárias. Por isso o fundamental é essa retomada do
    protagonismo feminino no parto.

    IHU On-Line – Como o tema do parto humanizado aparece no ensino universitário de Medicina?

    Melania Amorim – Infelizmente, na maioria das
    faculdades o parto ainda é ensinado somente do ponto de vista de seu
    mecanismo e estudo clínico, com pouca ênfase na fisiologia e, sobretudo,
    na assistência humanizada a esse evento que jamais pode ser
    concebido/interpretado somente sob a luz da biologia. Há múltiplas
    dimensões, biopsicossociais e espirituais, que precisam ser
    contempladas.

    IHU On-Line – Podemos identificar um preconceito em relação
    ao parto natural por parte dos médicos em geral? Por que apenas uma
    pequena parcela de obstetras defende o parto natural/humanizado?

    Melania Amorim – Há um preconceito, sim, que vem
    desde a formação médica, centrada no patológico, até questões práticas
    do atendimento de rotina, uma vez que a assistência ao parto
    natural/humanizado demanda várias horas, e muitos obstetras, atrelados a
    convênios ou planos de saúde que pagam valores muito baixos pela
    assistência ao parto, acabam preferindo realizar cesarianas eletivas sob
    pretextos pouco ou nada científicos, como as famigeradas circulares de
    cordão. Além do mais, nos programas de Residência Médica, em sua grande
    parte, os residentes não são treinados para atender ao fisiológico, a
    partos naturais, e acabam tendo uma formação mais cirúrgica, sem
    familiaridade com o parto humanizado. Realmente é muito mais fácil e
    conveniente programar cesarianas eletivas em data e hora agendadas para
    não interferir com outros compromissos do médico, livrando-os de atender
    partos na madrugada, em feriados e finais de semana. Mas essa é uma
    característica do nosso modelo de atenção ao parto, excessivamente
    medicalocêntrico e hospitalocêntrico. Em países em que há a participação
    de outros profissionais como enfermeiras-obstetras e obstetrizes, isso
    não ocorre, porque os partos de baixo risco ficam sob a responsabilidade
    desses profissionais, reservando-se a intervenção médica para os casos
    de alto risco.

    IHU On-Line – Como médica e como mulher, qual sua opinião sobre o parto domiciliar?

    Melania Amorim – Como mulher, acho extremamente
    atraente a ideia de um parto no conforto e na privacidade do domicílio,
    sabendo que em seu lar a mulher é a dona e ela toma, verdadeiramente, as
    rédeas do processo. Como médica, eu estudo e interpreto as evidências
    científicas que reforçam os benefícios e a segurança do parto
    domiciliar. Há diversos estudos demonstrando que partos domiciliares têm
    importantes vantagens maternas, reduzindo o risco de intervenções como
    uso de ocitocina, episiotomia, analgesia, cesariana, se associam com
    menor chance de infecção e com elevado grau de satisfação materna. Por
    outro lado, não se documenta aumento do risco materno e perinatal. No
    último grande estudo holandês envolvendo quase 680.000 partos (van der
    Kooy, 2011 ) se demonstrou mortalidade perinatal semelhante entre partos
    domiciliares planejados e hospitalares, respectivamente 0,15% e 0,18%.

    IHU On-Line – Como a senhora caracteriza a tendência da
    “medicina baseada em evidências científicas” e como isso se aplica ao
    parto humanizado?

    Melania Amorim – Medicina Baseada em Evidências é um
    paradigma que vem se consolidando nos últimos 20 anos, e consiste na
    integração das melhores evidências científicas correntemente disponíveis
    com a experiência clínica individual e com as características e
    expectativas dos pacientes. Em termos de assistência humanizada ao
    parto, nós dispomos, há algum tempo, de dezenas de recomendações
    baseadas em evidências corroborando os benefícios de práticas diversas,
    como dieta livre durante o trabalho de parto, possibilidade de
    deambulação e liberdade de posição, suporte contínuo intraparto com
    ênfase no papel das doulas, uso de métodos não farmacológicos para
    alívio da dor do parto, incentivo às posições não supina (ou seja,
    verticais/laterais/de quatro apoios) durante o período expulsivo, não
    realização de episiotomia (corte no períneo) de rotina, evitar puxos
    dirigidos (ou seja, não ficar orientando a mulher sobre quando e como
    fazer força) e não realizar manobra de Kristeller (pressão no fundo do
    útero). Existem claras evidências de que essas práticas se traduzem por
    melhores desfechos maternos e perinatais. Também em relação ao
    nascimento, as evidências reforçam pontos importantes, como a ligadura
    tardia do cordão, o contato precoce pele a pele de mãe e bebê e a
    amamentação na sala de parto. Mais ainda, as evidências demonstram que o
    parto de baixo risco pode e deve ser assistido por profissionais não
    médicos, como enfermeiras-obstetras e obstetrizes, treinadas para
    atender e respeitar a fisiologia, e que um modelo de atenção obstétrica
    promovido por obstetrizes se associa com melhores resultados do que um
    modelo centrado no médico.

    IHU On-Line – Como entender a transformação da cultura do
    parto atualmente, se percebermos um retorno ao incentivo ao parto
    normal? O que isso representa do ponto de vista de um novo olhar da
    sociedade sobre a mulher e sobre a medicina?

    Melania Amorim – O retorno do incentivo ao parto
    normal se traduz dentro de uma perspectiva ecológica e sustentável como a
    única via possível para o futuro da atenção obstétrica. O modelo atual
    está falido. Aqui no Brasil mesmo nos deparamos com o chamado “paradoxo
    perinatal brasileiro”, ou seja, excesso de intervenções e taxas
    excessivamente elevadas de cesarianas a par de elevada mortalidade
    materna e perinatal. O resgate do parto como evento fisiológico e a
    construção de um novo paradigma de assistência centrado na mulher irá
    proporcionar certamente a solução para esse paradoxo.

    IHU On-Line – Como você define a experiência do nascimento de
    um bebê? Que diferenças citaria aqui entre o nascimento por cesárea ou
    parto normal/natural/humanizado?

    Melania Amorim – Uma cesariana pode ser necessária
    durante a assistência ao parto, e em algumas ocasiões ela é salvadora. O
    que nós nos posicionamos contra é a cesariana eletiva sem indicação
    médica definida, retirando-se um bebê que ainda não “sinalizou” estar
    pronto para nascer. Diversos são os benefícios do parto normal para o
    bebê, a começar pelo “coquetel hormonal” que ele recebe, de hormônios
    produzidos pelo organismo materno, como ocitocina e endorfinas. Bebês
    nascidos de parto normal também têm menor chance de apresentar
    desconforto respiratório, uma vez que a passagem pelo canal de parto
    elimina o excesso de líquido nos pulmões, e têm maior chance de ficar em
    contato precoce pele a pele e ter a oportunidade de mamar logo depois
    do nascimento. Além disso, a cesariana eletiva pode ocasionalmente levar
    ao nascimento prematuro sem uma justificativa, por erro de datação da
    idade gestacional, e é por isso que em muitos hospitais uma proporção
    relativamente elevada desses bebês ficam internados em UTI para
    tratamento do desconforto respiratório. O nascimento por parto normal
    representa uma oportunidade única e intraduzível para o estabelecimento
    imediato do vínculo mãe/bebê, com maior segurança do ponto de vista dos
    desfechos neonatais.

    IHU On-Line – Gostaria de acrescentar mais algum comentário?

    Melania Amorim – O debate em torno do parto
    domiciliar não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, tem se tornado
    extremamente polarizado e politizado, de forma que nós não esperamos
    resolver tão cedo essa polêmica. Nossa intenção é promover ampla
    discussão com toda a sociedade, tentando estabelecer um consenso,
    visando a garantir o respeito a um direito reprodutivo básico, qual
    seja, a escolha do local de parto, mas também a implementar estratégias
    para aumentar a segurança e a satisfação das usuárias em todos os
    partos. Isso inclui tanto melhorar e humanizar a atenção hospitalar, no
    sentido de que os partos assistidos em maternidades ou centros de parto
    normal possam representar uma experiência gratificante para as mulheres,
    como estabelecer diretrizes para a seleção adequada das candidatas ao
    parto domiciliar e um atendimento obstétrico seguro e de qualidade em
    domicílio.

  • Nélio Oliveira

    Nossa, PARABÉNS pelo texto! Ainda não li os mais de 400 comentários, mas vou postar logo as minhas impressões.

    Antes de mais nada, nessa verdadeira várzea de textos autoplagiados ou completamente retardados que se tornou o PdH neste mês de agosto é um alívio ler algo escrito que tem de fato relevância prática nas nossas vidas, e foi escrito com o cuidado de ser profundo sendo ao mesmo tempo didático.

    Gostei muito da abordagem honesta, sem negligenciar os problemas dos partos em hospitais e sem demonizar os “bichos-grilo-abraça-árvores” que defendem o parto domiciliar (embora eu, PESSOALMENTE, nada tenha contra tal demonização).

    O parto da minha filhota foi cesária, infelizmente. Minha esposa passou cinco horas em trabalho de parto, e ainda assim atingiu só 6cm de dilatação. O ginecologista/obstetra dela, que a acompanhava, disse que o bebê estava sofrendo, e por isso teria que fazer o parto cirúrgico. Jamais saberei se essa informação procedia.

    Eu e minha esposa queríamos o parto normal, por uma série de razões, já por demais conhecidas por quem se dispõe a ler um pouco sobre o assunto.

    O problema que quem quer ter filhos via parto normal é muito mais financeiro do que qualquer outro. O próprio médico da minha esposa, já impaciente, disse que iria parar de fazer partos normais, porque os planos pagavam só R$ 900,00 nessa hipótese, em que se gastam muito mais horas acompanhando a parturiente, e pelos partos cirúrgicos o valor chegava a R$ 4.000,00, com menos horas trabalhadas.

    Longe de querer dizer o quanto deve o médico valorizar suas horas de trabalho, eu me limitei a ouvir e, bem, dizer pra mim mesmo que meu próximo bebê, se houver, não terá a assistência dele pra nascer.

    Vou ler os comentários agora, e eventualmente volto pra acrescentar alguma coisa. Novamente, PARABÉNS e obrigado pelo texto!

    • Pari em casa

      Sou capaz de apostar a unha do dedo mindinho com seu médico enganou vc quando falou q o bebê estava sofrendo. Sei que eu não estava lá, não sei nem o nome do seu médico, mas estatisticamente as chances de vcs terem sidos enganados são grandes. Isso acontece o tempo todo… Lemos/ouvimos relatos como esses constantemente nos grupos de apoio ao parto, nas redes sociais, no dia a dia… Provavelmente ele olhou na bola de cristal dele pra dizer q o bebê estava sofrendo. Na verdade quem estava sofrendo era ele com a demora, com o tempo perdido (na visão dele). Ele mesmo confessou q iria deixar de atender partos, era a ‘deixa’ pra vcs fugirem do consultório dele. É daquele tipo q só deixa a mulher parir se ela chegar no hospital com o bebê coroando, senão arruma uma desculpa pra se livrar o mais rápido possível do problema.

      Poxa, 6 cms em 5 horas de trabalho de parto? Sua esposa estava indo MUITO BEM! Melhor q a média, já q numa primeiro parto a média é atingir os 10 cm em 12 horas. Faltava pouco pra vcs. Uma pena. Lamentável…

  • Carla

    Li o artigo e os comentários e tenho restrições a maneira como os dois “lados” se colocam. O caminho do meio é, sem duvida, o desejável mas, embora o autor tente ser imparcial, ele é claramente contra um dos “lados”. “Lado” esse que acaba tendo que se defender de acusações parciais.
    Eu não sou médica, não sou parteira, não sou doula, não sou enfermeira… Eu sou uma mulher que deu a luz à sua primeira filha há 2 meses. Eu não sabia muito sobre nenhum procedimento e comecei a me informar sobre os tipos de parto e possíveis riscos e intervenções quando engravidei. E é isso que deveria se esperar de qualquer mãe responsável: a busca por informação. A taxa de cesarianas no Brasil é alta assim porque a maioria das mães não se informam o suficiente. Chega a ser irônico ouvir uma mãe que faz uma cesariana eletiva falar de como ela ‘mataria’ para proteger seu rebento. Ah! Se elas soubessem…
    Mas essas mães nem sempre podem ser culpadas por isso. O médico possui uma obrigação (que vai muito além da moral) de fornecer a essa mãe as ferramentas necessárias para que elas possam tomar decisões informadas. Infelizmente, sabemos que isso não acontece. E bem o contrario disso. Médicos obstetras abusam da confiança depositada neles e enganam essas mulheres já em estado emocional delicado em favor de si próprio. Pratica condenada pela medicina real mas muito utilizada na medicina moderna.
    Quando engravidei, meu desejo era de dar a luz naturalmente a um bebê saudável. Minha busca por informação foi sempre permeada por este pensamento. E ao fim da minha gravidez, eu sabia exatamente o que queria que acontecesse. Mas a natureza não é como a gente escolhe. Ela é o que é, e por isso me informei para estar preparada para decidir o que era melhor para minha filha caso eu me encontrasse numa posição de ter de decidir entre um procedimento ou outro.
    Felizmente, não precisei brigar pelo meu direito de humanizar o meu parto.Embora minha escolha primária fosse parto domiciliar, Alice nasceu dia 30/06/12, dentro do hospital e de parto normal. Eu considero a minha experiência como sendo o tão falado ‘caminho do meio’. Meu parto aconteceu em Londres, e meu atendimento foi feito pelo NHS que é o sistema nacional de saúde do Reino Unido. Não me custou um centavo e foi feito por profissionais de primeira qualidade.
    Todo o meu atendimento pré natal foi feito por parteiras e obstetrizes. Minha gravidez era considerada de baixo risco e em nenhum momento tive contato com um obstetra. O parto é um processo tão natural e instintivo, que o acompanhamento ‘médico’ é quase desnecessário e acaba sendo efetivado somente quando o ‘risco’ se torna uma realidade. Pelo mesmo motivo, nunca me foi dada a opção de fazer uma cesariana. A cesária é aplicada somente quando há uma real necessidade, não é um capricho que mães ou médicos preguiçosos possam escolher fazer.

    Durante a gravidez (e ainda agora), recebi dos profissionais de saúde que cuidaram de mim, panfletos informativos sobre tipos de parto, possibilidades de controle de dor, vacinas recomendadas aos recém nascidos, etc…
    Por fim, me foi dada a opção de parir no local que me fosse mais conveniente, sem detrimento dos meus direitos como paciente e igual acesso aos serviços de saúde. Optei por parto domiciliar, mas acabei tendo que ir pro hospital e utilizei a ‘casa de parto’ do hospital. Fui tratada com muito respeito e em nenhum momento tive as minhas escolhas questionadas.

    Enfim, desde o momento em que acionei o sistema de saúde em função da minha gravidez, até agora com um bebê de 2 meses pra cuidar, e seguramente no futuro, os profissionais que me assistiram sempre mostraram ter como interesse primário e maior, a saúde da criança que estava por nascer.
    Claro que o atendimento poderia ter sido ainda melhor. Sempre pode melhorar. Mas não é nem de longe, a indecência que é o tratamento recebido pelas mulheres no Brasil. Não esquecendo que no Brasil a gente paga caro pra ser enganada e maltratada.
    Eu acredito que o tão desejado ‘caminho do meio’ só será atingido depois de uma reforma moral nos dirigentes do país. Quando o governo começar a defender seu povo e fazer leis que o protejam ao invés de favorecer os donos do dinheiro e das máquinas corporativistas (os laboratórios, hospitais e provedores de planos de saúde), aí sim, teremos uma chance mínima de uma saúde (pública ou privada) decente.

  • Kaemy

    Sou a favor da opção de escolha da mulher, é ela que vai parir, ela que decide.

  • rot

    Não sou mãe, não tenho planos para engravidar tão cedo, mas gostaria de expor um caso que não foi comentado no texto sobre o parto normal, que sei que minha mãe passou.

    Minha mãe teve duas filhas (eu e minha irmã) por parto normal. Escolha dela, e sofrimento dela, já que minha irmã nasceu realmente grande. Mas alguns traumas físicos ficaram, como a bexiga “caída”. No caso dela não causava grandes constrangimentos, porque a uretra acabou ficando “dobrada” e com isso, a urina não saia sem controle, mas em muitas mulheres isso ocorre, um pouco da perda da capacidade do controle da urina. Em alguns casos, espirros, risadas acabam fazendo com que a mulher urine um pouco. Embora ela não passasse por isso, ela sempre tinha de ir muitas vezes ao banheiro, e tinha um risco maior de infecção urinária por sua uretra estar dobrada.

    Dois anos atrás, ela então passou por uma cirurgia para “levantar” a bexiga, colocando algo como uma rede em baixo desta, que servia de apoio. A tal cirurgia de períneo. Minha mãe disse que se soubesse que o parto normal causaria isso, não o teria feito.
    http://www.perineo.net/conteudo/cirurgia-de-perineo.php

    (Médicos, perdão se falei algo de errado, o que sei é apenas o que me foi passado, e a situação dela)

    • Pari em casa

      Isso é mais um mito. Não é o tipo de parto q pode causar “bexiga baixa” ou “incontinência urinaria”. E sim a propria gravidez, o peso do bebê sobre o assoalho pelvico, é q pode causar esses problemas. Conheço várias mulheres q só tiveram cesareas e tem esse problema.

      O tratamento cirúrgico deve ser o ultimo caso, já q existem exercícios que fortalecem a musculatura do períneo, que podem prevenir e tratar essas problemas. Procure no google sobre: exercicios de Kegel.

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        já ouvi esse mito também, bom ter esclarecido…

        dia desses uma colega me explicou que perguntou à ginecologista se parto normal muda a vagina, se a deixa frouxa. assim, nestas palavras.

        a gineco dela respondeu que não é que deixa frouxa a vagina, deixa frouxo o canal, é diferente. daí esta colega optou pela cesárea.

        e eu, que não tenho filhos nem planos, fiquei ali com cara de: claaaaro, faz todo sentido…

      • Letícia

        Se tem dúvidas a respeito, procure um médico confiável (que seja militante do PN, cesarista não vai adinatar), ou um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico.
        Existem exercícios próprios para fazer durante a gravidez, e no pós parto.
        O canal vaginal, o assoalho pélvico são formados por músculos, então dá pra fortalecer essa musculatura toda e impedir a flacidez!
        São exercícios de kegel. Tem umas bolinhas, cones, que podem ajudar.
        Tem um site, acho que é fiqueamigadela.com.br que tem umas explicações.
        Agora, falar que é o parto que deixa tudo flácido, é muita ignorância (não sua, mas a gente escuta cada uma!).
        A gravidez “força” o assoalho pélvico.

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        eu sou professora de educação infantil, convivo SÓ com mulheres, muitas, no trabalho. não há uma que não conteste a bexiga caída, o canal frouxo, a mudança na relação sexual, o sofrimento do parto normal e etc infinito a respeito. é uma desinformação gritante. uma, inclusive (teve duas cesárias), me garantiu que não temos condições de ter parto normal, que teríamos que “deslocar a pelve” pra isso. até meu ginecologista riu dessa. o engraçado é que foi depois que essa tentou me desiludir que passei a ler TUDO a respeito…

  • http://www.facebook.com/adriana.fayadcampos Adriana Fayad Campos

    Bom, não achei mais meu comentário, então estou respondendo por aqui mesmo…
    Amanda Lima… vc disse “Pela sua lógica não deveriamos mais fazer sexo para engravidar, e sim partirmos diretamente pra FIV, já que estamos no ~mundo moderno”…. pela minha lógica, fazer sexo não mata ninguém (a não ser que faça sem camisinha), não há risco algum de vida (ou morte) em transar, uma vez que se tome as precauções de praxe.

    Pari em Casa… mesma coisa, e defecar nunca matou ninguém, portanto sua resposta ” Não defeque mais pelo ânus, use uma bolsa de colostomia.” é completamente ilógica e meio apelativa. Mas seu principal engano, na minha opinião, é qdo diz “Afinal todos os avanços da medicina devem ser usados mesmo quando não estamos precisando deles, némês?” …. pois é justamente por causa disso que toda essa discussão acontece, pque vc nunca sabe se vai precisar. Pque quem geralmente opta pelo parto em casa está confiando que tudo vai dar certo, mas ninguém tem certeza absoluta disso, muita coisa pode desandar de um minuto pro outro e os minutos preciosos que vc vai perder indo pro hospital poderiam ser melhor aproveitados se vc já estivesse lá. Claro que seria bom poder encarar o parto como um processo tão tranquilo qto outros processos fisiológicos e que dispensam assistência médica completa, mas partos podem dar errado e uma vida (no mínimo) ser perdida ou prejudicada por isso.
    Qto à sua afirmação “Sempre esses mesmos argumentos idiotas, tsc, tsc. Pq ando de caro, de avião e uso celular não posso preferir parir em casa, é isso mesmo?” Well, já diz o dito popular que boa educação e canja de galinha não faz mal a ninguém… só vou te dizer que se é idiota o que eu disse, qual seria o grau de inteligência de um argumento que diz que se coisas correm mal em hospitais (e correm mesmo, qualquer coisa pode dar errado em qualquer lugar) então devemos trazer nossos filhos ao mundo num lugar menos bem equipado pra qualquer eventualidade? Mesma coisa então dizer que se os bancos cobram taxas absurdas vamos guardar nosso dinheiro todo no colchão ou no cofrinho. Se o sistema escolar brasileiro tá ruim, vamos estudar com nossos filhos em casa. Claro que hospitais têm problemas e muita coisa dá errado lá, mas ainda é o lugar pra se estar num momento crítico como esse de trazer uma vida a este mundo. E no caso do banco ou da escola que citei, vc até pode optar por levar uma vida de Amish que tudo bem, vc tem o direito e se gostar, ótimo pra vc. Mas no caso do parto, prefiro seguir a filosofia do “espere o melhor, mas esteja preparado para o pior”.

    Leticia…. como falei antes, sei tbém de histórias negras em hospitais, mas generalizar pelo que deu errado não acho correto. Eu dei à luz por duas vezes em hospital e fui muito bem tratada e respeitada. Coisas boas tbém acontecem lá.

    Sinceramente não entendo a razão de tanta polêmica…. pra mim o que o autor do texto quis dizer foi que seria muito bom que pudéssemos ter o parto humanizado, sem cesáreas desnecessárias num ambiente acolhedor e calmo, dentro do hospital mesmo, e que os hospitais se preparem para oferecer isso. Ou entendi errado?

  • claudia de souza

    Sr. Lucas, parabens por debater o assunto, e principalmente pela coragem por criticar as cesárias eletivas (isto é uma raridade na comunidade médica)!! Mas infelizmente algumas questões foram abordadas com um certo vies. Eu gostaria de saber porque todos os críticos do parto domiciliar simplismente ignoram uma pesquisa que avaliou mais de 600.000 mil partos (http://journals.lww.com/greenjournal/Abstract/2011/11000/Planned_Home_Compared_With_Planned_Hospital_Births.11.aspx)? Porque todos que criticam o parto domiciliar utilizam como fundamento uma pesquisa que já foi duramente questionada pela comunidade científica (revisão sistemática publicada por Wax e colaboradores em 2010)?? Porque os criticos do parto domiciliar não comparam as duas pesquisas?? Porque esta pesquisa com mais de 600.000 não tem validade??

  • Maria Maria

    Sugestão de leitura:

    Memorias do Homem de Vidro.
    Reminiscências de um
    Obstetra Humanista

    Autor Ricardo Herbert Jones, obstetra.

    Editora: Ideias a Granel

    Alguns trechos:

    “Tantos anos estudando e atendendo grávidas e nascimentos e só agora
    havia me apercebido do que era um parto de verdade. Finalmente eu havia
    entendido como poderia ser um nascimento inserido na natureza e na
    cultura, respeitando a família, o convívio, a alegria e a esperança.
    Tamanha foi a intoxicação que eu recebera na minha formação obstétrica
    através da medicalização do nascimento que ficara cego ao que um
    nascimento realmente poderia ser quando conduzido em outro modelo.”

    “O nascimento humano conjuga em um só momento os eventos mais
    temidos das sociedades em todos os tempos: nascimento, sexualidade e
    morte. Quanto mais temidos eles são, maior a necessidade de
    ritualizá-los. Os rituais que aplicamos ao nascimento nos levam a criar a
    impressão ilusória de que este está sob nosso controle.” (p: 78)

    “O parto deixou de ser um evento das mulheres, sendo sequestrado
    pela biomedicina e encenado através dos rituais hospitalares
    contemporâneos, mantendo e transmitindo nosso sistema profundo de
    valores.” (p: 79)

    “Perdemos o status de organismos, assumindo a condição
    maquinal, cujos técnicos habilitados são os médicos, que com seu saber
    científico farão com que estas máquinas funcionem de forma “azeitada”,
    através da incorporação de tecnologia. Este é o modelo materialista,
    exógeno, cartesiano e positivista de nossa formação, mas o mais triste é
    que sequer entendemos isso como um modelo ou paradigma entre outros.
    Encaramos esta forma de proceder como “a correta”, estabelecendo com
    este saber uma postura claramente mística e religiosa. Meras opiniões
    recebem status de dogma; suposições sem nenhum embasamento são vistas
    pelos estudantes como regras fundamentais para a atenção aos doentes.” (pp: 68-69)

    “A medicina positivista contemporânea se comporta como a sucedânea
    da religião no imaginário social, sendo os médicos seus clérigos
    prepostos e controladores. Ela não perdoa aqueles que se afastam de sua
    linha ideológica, principalmente aqueles que criticam o modelo
    tecnocrático de compreensão da realidade.” (p: 80)

    “No que tange à obstetrícia e ao nascimento humano, hoje em dia o
    sistema mitológico, etiocêntrico, iatrocêntrico e hospitalocêntrico da
    medicina ocidental nos pede que acreditemos que as mulheres são
    incompetentes para gerar e parir seus filhos, mesmo que elas nos
    demonstrem diuturnamente sua capacidade e talento.” (p: 112)

    “No sistema patriarcal não há lugar para mulheres poderosas e
    livres. Elas devem acreditar – como os habitantes da Matrix – que o
    lugar onde estão – o sistema de valores que as considera como
    sub-cidadãs – é o melhor para elas. (…) Uma sociedade baseada na
    igualdade nos amedronta.” (p: 112)

    “Toda a construção da obstetrícia contemporânea se assenta sobre a
    crença básica na defectividade essencial das mulheres porque, baseada
    nesse modelo, a medicina obstétrica poderia construir as ferramentas e
    tecnologias adequadas para consertar essa “máquina”, agora entendida
    como equivocada e defeituosa, como bem nos revelou Robbie Davis-Floyd.
    Mas essa visão sobre o parto não se estabelece num vácuo conceitual.
    Outros acontecimentos exclusivamente femininos como a menstruação –
    chamada por alguns de “sangria inútil” – e a menopausa são exemplos
    claros de eventos fisiológicos tratados pela ciência médica como
    patologias.” (pp: 112-113)

    “Humanização do nascimento (…) é a devolução do protagonismo à mulher. O resto é apenas sofisticação de tutela”. (p:177)

    “Sem a devolução de protagonismo, não existe humanização do
    nascimento. Sem que as pacientes possam livremente escolher a posição
    para parir, seu acompanhante, o local, suas roupas, suas tradições e
    suas inúmeras vontades, apenas estaremos reproduzindo uma história de
    abusos e interferências desnecessárias, que não tem mais cabimento num
    mundo que se propõe democrático e igualitário.” (p: 179)

    “O hospital (…) cria um cenário de temor e
    apreensão, que facilmente coloca a gestante no temido, mas pouco
    compreendido, círculo vicioso de medo-tensão-dor. Manter a paciente em casa tem grande vantagem: conservá-la em um lugar de sua confiança e, portanto, segurança.” (p: 182)

    “Com o tempo aprendi a perceber o quanto esses
    momentos [trabalho de parto, parto e pós-parto] são marcantes na vida de
    uma mulher. Como a medicina e a obstetrícia contemporâneas são
    determinadas por pressupostos filosóficos essencialmente masculinos,
    esses fenômenos afetivos, emocionais, espirituais e claramente
    femininos facilmente fogem à percepção daqueles que controlam o
    nascimento humano.” (p: 145)

    “Criamos o desequilíbrio ecológico por uma concepção diminutiva
    da mulher. Depois disso colhemos os resultados negativos e, ao invés de
    questionar nossa interferência no processo natural, criamos novas
    intervenções para corrigir a primeira, e assim sucessivamente.” (p: 213)

    “É preferível o temor consciente à uma falsa segurança aparente.” (p: 198)

    “a dor é uma emoção” (p: 215)

    “já afirmavam os Terapeutas de Alexandria, “a única dor insuportável é a que não é interpretada”.” (p: 241)

    “a doença é o estado alterado do bem-estar” (p: 252)

    “É impossível mudar as mulheres sem que os homens sejam afetados.” (p: 222)

    • Letícia

      Ah, o Ric Jones é um profissional como poucos! E um ser humano excelente!

  • http://www.facebook.com/people/Pedro-Henrique-Ribeiro/100002223961275 Pedro Henrique Ribeiro

    Bom texto, bastante elucidativo, pra quem sabe interpretar texto…

    Quanto aos comentários e a discução toda sobre a ditadura médico/tecno/mecanocrata e a resistência humanística só tenho uma coisa a falar: TL; DR. Muita baboseira e argumentos de manifesta desonestidade. Sinceramente, acho que não estão dando o devido valor à iniciativa do Lucas Pedrucci de aproximar a noções médicas de risco com o conforto tão desejado das parturientes. Ainda mais um médico que se dispôs a botar a cara à tapa por todos os procedimentos abusivos da medicina brasileira e situações humilhantes que os relatos escritos aqui descreveram.

    Acho que a solução mais adequada, do ponto de vista de um completo leigo, é investir em casas de parto. Quando duas vertentes são conflitantes dessa forma como vemos, o caminho do meio é sempre o mais correto, não esquecendo JAMAIS o direito de escolha da mãe e também a necessidade de haver pessoal e equipamento para emergências decorrentes de complicações no parto.

    O que falta também para se concretizar o “topo do muro” é só a mobilização conjunta dos profissionais da área para este fim. Deve-se flexibilizar essa ortodoxia também, “só o médico sabe o que é melhor para a paciente” é uma máxima que tornou um tanto quanto mentirosa, em qualquer ramo da medicina.

    Comentário à discussão propriamente dita! – eu acho que o pessoal mais exaltado aqui gosta mesmo de uma boa briga, nem que seja pra não dar o braço a torcer para o açou.. *cof* *cof* *cof* … digo, médico.

  • Mario

    Alberto Brandão: Como médico tenho que dizer: Tu é chato pra caralho… Difícil encontrar alguém que tenha mais razão que você. Na seu ideal de razão.

  • Hello

    Lucas, só hoje eu cheguei no blog e eu gostei muito do seu texto. No entanto, eu queria fazer algumas considerações. Tentei ler alguns dos comentários, mas não dei conta de ler todos. Então, espero que eu não esteja repetindo algo que já foi dito anteriormente.
    Eu tenho estudado muito nos últimos anos a respeito de parto e nascimento e os estudos sérios, bem desenhados metodologicamente e tals. trazem basicamente os mesmos resultados: quando se trata de uma população que planejou o parto domiciliar (PD), que teve o acompanhamento de uma equipe experiente na condução do trabalho de parto e parto, o que inclui, inclusive, médico e hospital de retaguarda, os desfechos entre PD e parto hospitalar (PH), são estatisticamente iguais, tanto para para mãe, como para o bebê, com a diferença de que o PD é melhor avaliado pelas mulheres e utiliza menos intervenções e melhores desfechos para mães (como os que vc citou em seu texto) e para o bebê (apgar alto, primeiro contato e amamentação precoce, menos intervenções, dentre outros).
    Além disso, se a gente for buscar informações, vamos ver que em alguns países incluem o PD como uma alternativa para assistência ao parto (Inglaterra e Holanda, p. ex.). Esses países possuem taxas muito melhores do que a maioria com relação a morbi-mortalidade materna e perinatal. Então, eu acho que vale a pena dar uma lida nesses estudos e eu fico a disposição para enviá-los, se assim desejar.
    Com relação à participação do pai, eu acho justa e digníssima! Aliás, fundamental. No entanto, eu acho que quando há que se tomar uma decisão a respeito de onde ocorrerá o parto ou com qual equipe, por total impossibilidade de se entrar num acordo, no limite, a decisão é da mulher, pelo simples fato de que tudo ocorrerá em seu corpo. E, ao decidir, ela certamente deve estar preparada para arcar com as consequências de sua decisão. E, para isso, ela tem que estar informada. E , aí, é papo para uma próxima conversa!

  • Helena

    @facebook-1557505839:disqus vi seu comentário depois de ter comentado.
    Eu tenho 23 anos, sou lésbica e pretendo ter uma vida com a minha namorada e isso inclui filhos.
    Pela minha total inexperiência eu gostaria de ter mais informações sobre o parto. Minha sensação é que aterrorizam a gente contra o parto normal (e se ele se chama parto normal, porque só corresponde a 20% dos partos?), e se você quer um bebê saudável TEM que optar pela cesárea, mas eu não gosto da cesárea. Eu ODEIO sentir dor, mas sei que meu corpo é capaz de aguentar. Se o parto normal fosse tão perigoso a população de animais estaria pela metade. Porque nós somos mamíferos e nosso corpo é feito para aguentar o parto e se recuperar depois.
    Eu, hoje, escolheria (tremendo de medo, infelizmente) um parto normal no hospital, porque o medo de complicações me impediria de parir em casa. Mas só com a minha mulher comigo. E minha mãe, eu ia querer minha mãe com certeza. A mim parece isolar a grávida de todos os conhecidos uma violência. A partir da sua experiência você diria que é seguro ter um parto acompanhado em casa? É falácia do CREMERJ ou o parto em casa é tão arriscado? Desculpe se parecer idiota, mas eu realmente quero aprender.

    E antes que alguém diga que eu condeno a cesárea, eu não condeno. Eu acho que a mulher tem o direito por optar pelo parto que a fizer sentir mais segura, e se for a cesárea, que seja.

  • Marla

    Lucas:
    Fundamental esta discussão. Creio que as mulheres estão querendo, no fundo, o que sempre queremos: respeito. Brotam na internet estudos sobre o quanto as mulheres são aviltadas durante o parto hospitalar em geral – ouvindo coisas do tipo “na hora de fazer não gritou, né?!”…
    Respeito e informação. É o que queremos…

  • http://www.facebook.com/fernandabortolom Fernanda Bortolom

    Concordo 100%
    Hoje em dia só se fala em parto cesária, priorizando o “conforto” para a mãe e a flexibilidade de datas. Quando é discutido o parto natural, já saltam doulas incentivando o parto domiciliar, que pode ser muito bom sucedido, como pode vir a causar a morte da mãe e do bebê por falta de estrutura para um atendimento emergencial.
    O fato é que o parto natural é NATURAL. Não existe nada mais normal e lindo do que isso, mas deve ser realizado com toda a segurança que só um ambiente hospitalar oferece.
    Acredito que será possível adequar a maternidade as necessidades de um parto natural, mas para isso será necessário uma mudança na mente das próprias mulheres, que atualmente sentem-se mais confortáveis em terem seus filhos arrancados do útero, do que deixa-los sair quando estiverem prontos.

  • samuel

    ela comeu a placenta?

  • Gabriela

    Por você, eu aceito ter um bebê via parto normal rs.

  • Karina

    Seguinte, tive meu primeiro filho por uma cesaria totalmente desnecessária por causa do cordão assassino,na hora achei que o médico salvou meu filho, depois que descobri que fui enganada mme informei e tive minha segunda filha de parto normal no hospital, não foi super lindo, tiveram algumas intervenções que não gostei mas no momento do consenti, por isso se tiver outro filho terei domiciliar pois hoje é o ambiente onde me sinto mais segura pra parir

  • RayanaAsth

    http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/bbc/2013/06/14/estudo-holandes-diz-que-parto-caseiro-e-mais-seguro-que-o-de-hospital.htm

    Essa pesquisa holandesa publicada no British Medical Journal mostra que o parto caseiro é mais seguro que o parto hospitalar.

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