Se você passou mais de 10 anos na escola e agora pretende ser ou já é pai/mãe, esse vídeo e esse encontro é para você →
​​​​​

O Mickey já foi como nós

Luciano Ribeiro

por
em às | Cultura e arte, PdH Shots


Houve uma época em que as coisas eram diferentes. Nossos personagens favoritos eram jovens, estavam prontos para arriscar, eram sedentos por vida, tão inexperientes e ousados como nós mesmos.

Vejam o Mickey, por exemplo. Nascido em 1928. Ainda estava longe do seu casamento morno com a Minnie, domesticado pela rotina de ser uma estrela do mundo Walt Disney. Não, ele ainda não era só um anfitrião, dono de um clube frequentado pela alta sociedade dos desenhos animados. Ele estava longe de ser esse administrador tão preocupado com sua auto-imagem.

Malandro o ratinho? Imagina...

Fico me perguntando, o que terá acontecido com esse Mickey que foi para a cadeia, rodou o Mississipi num barco à vapor, caçou fantasmas e exumou cadáveres? O que terá acontecido com esse Mickey que não tinha pena de maltratar um gato para tirar um som maneiro? Aquele que tinha pulso para puxar sua fêmea pela calcinha, somente para tê-la perto de si? Não sei.

Acreditem, o Mickey já foi gente como a gente. Já foi buscar sua mina em casa para dar uma volta, já enfrentou o trânsito, já foi artista e teve de tocar para seus fantasmas na solidão da noite. É, neste tempo ele não tinha cerimônias e encarava qualquer desafio, sempre encontrando soluções para os problemas do cotidiano. Como ele, quem nunca teve que pisotear um porco para provar sua virilidade à namorada enquanto enche um pneu?

Mas nem tudo eram flores, ele já passou por momentos difíceis. Nosso amigo também já foi miseravelmente rejeitado e teve de provar seu valor, mesmo depois de tantas proezas. Sim, a Minnie já trocou-o por outro e, mesmo ele, já chorou por amor.

Por pura saudade, resolvi compartilhar alguns episódios do Mickey de raiz, do tempo em que ele dançava e cuspia preto. Do tempo em que não via problemas em tomar uma cerveja e fumar um cigarro.

Sim, Mickey, tenho saudades de quando você era broder.

Luciano Ribeiro

Editor do PapodeHomem, designer de produtos, apaixonado por ilustração, fotografia e música. Ex-vocalista da banda Tranze (rock’n roll). Escreve, canta, compõe e twitta pelo @lucianoandolini.


Outros artigos escritos por

Somos entusiastas do embate saudável

O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias. Conheça nossa visão e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.


EXPLODA SEU EMAIL

Enviamos um único email por dia, com nossos textos. Cuidado, ele é radioativo.


TEXTOS RELACIONADOS

Queremos uma discussão de alto nível, sem frescuras e bem humorada. Portanto, leia nossa porra de Política de Comentários.


  • http://www.facebook.com/people/Thiago-Oliveira/100002315665745 Thiago Oliveira

    Ótimo texto, e muito bom conhecer essa fase do Mickey que eu, do alto dos meus 18 anos, não conhecia.

    • http://twitter.com/lucianoandolini Luciano Andolini

      Não conhecia, cara? Então explore as obras do Walt Disney, até a década de 40.

      Pérolas, cara. Muitas pérolas.

      • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

        O Disney era genial!!!

  • Joe

    Menção honrosa para o tio Patinhas e o pato Donald de Carl Barks. Ele não criou o Donald, mas sua personalidade explosiva. Não é à tôa que muitos se identificavam com ele. Era muito humano pelo fato de se estressar se o carro não pegava, como qualquer um.
    E hoje essa preocupação com a imagem imaculada. Saudades desses personagens que não eram santos no altar.

    • http://www.facebook.com/gicrila Gisele Cristina Laranjeira

      Concordo muito!!! O Donald tinha essa coisa de mostrar um lado menos cute dos desenhos, ele não era fofo, ele era chato, ranzinza, e a gente curtia exatamente por isso.
      Do mesmo jeito, aqueles desenhos do Pateta “mais humano”, indo pro trabalho, no trânsito, fazendo exercício… hoje acho que era uma forma bem escrachada de dizer que nosso modo de vida é, enfim, pateta!

  • http://twitter.com/Lon3Tim3Lord Seu Bill Favorito

    Excelente texto, curti demais reassistir Steamboat Willie, mesmo após tantos anos foi como assistir pela primeira vez.

  • http://twitter.com/luterzi Luísa Terzi

    Sdds Mickey broder!

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Cara, o meu comentário vai parecer completamente fora de contexto.Eu li o seu texto enquanto estava ouvindo essa música
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=bCECdSSqV-I . Não sei se foi o texto, se foi a música ou se foi os dois: mas deu uma tristeza desgraçada essa estranha combinação. Como se de fato eu estivesse triste pelo mickey que acabo de saber que mudou.Ou vai ver foi só o pano de fundo da minha mente, que quer me dizer alguma coisa. Não, eu não uso drogas.

    • http://twitter.com/lucianoandolini Luciano Andolini

      Boa combinação, Eduardo.

      Gostei da trilha.

    • Luciana_Marques

      kkkkkkkkkk

      A frase final foi fundamental!!!

  • Bizareli

    Cara, esse teu texto tá show!
    Lembrei na hora do episódio do Mississipi; e como esse broder mudou, hein?
    Grande abraço, Luciano!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001864864946 Vitor Augusto Rodrigues Fávero
  • David Pontes

    O Mickey era inconsequente e irresponsável. Meio babaca. Como a maioria dos adolescente. Ele amadureceu, criou metas (ser um ícone infantil), com isso, conseguiu o que a maioria dos adolescentes quer: ser rico, muito.

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      Parece a história de uma certa apresentadora infantil…

      • David Pontes

        Boaaaa hahaha

    • Gabriel Moreno

      Ou seja, deixou morrer sua alma….

    • Diogo

      Na decada de 30 ele foi ganhando popularidade e o Walt Disney teve que deixá-lo politicamente correto

    • Wanderson

      É por isso que ele também é um ícone capitalista.

  • Alguém preocupado com o futuro

    As crianças de 1930 eram mais felizes. Os desenhistas daquela época pouco se importavam se suas crianções passavam a mensagem errada para os fedelhos. Videm o vídeo “Gallopin Gaucho”. Quem poderia imaginar que o rato mais famoso do mundo um dia fumou, bebeu cerveja, pegou as mulheres pelo braço para dançar e ainda não tinha medo de abrir a pança do bom e velho Pete com um florete? Se existisse um desenho assim hoje, milhares de mães e pais furiosos entrariam com processos multimilionários contra a Disney. E o que temos hoje? O alienado Bob Esponja? O garoto birrento e mimado Ben 10? Ah, façam-me o favor… ainda bem que eu nasci nos anos 80, e ainda puder ver, apesar de pouco, os cavaleiros do zodíaco, e puder ver um personagem de desenho animado morrendo e outros levando dedada nos olhos.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Desenhos animados não eram feitos para crianças exatamente. Era no começo uma forma de entretenimento também. Com o tempo, a mentalidade é de que desenhos animados eram coisas de criança e por isso hoje de personagens loucos e quase politicamente incorretos, só temos o Bob Esponja…

    Pica Pau no começo era louco demais. Pernalonga nasceu como um personagem ultra politicamente incorreto, um verdadeiro “troll” usando os termos atuais. As situações de muitos desenhos animados pré anos oitenta eram bem loucas, non-sense, absurdas, fora dos códigos morais atuais.

    Não estudo história da arte ou algo similar, mas acho que alguém que estuda poderia falar isso melhor. Dos anos 80 em diante, nota-se que animação virou “algo para crianças”. Tudo muda. Animações não ficam com tanta violência exacerbada como Tom & Jerry. Isso falando deste tipo de animação mais caricata. Pois sim, existem desenhos para adultos e jovens. Existem desenhos violentos ainda. Muitas vezes com enredos pesados, dramas, etc.

    E a cada década ou ano que passa, as animações ficam mais definidas e “exugadas”. Desenhos para criança é desenho para criança. Sem violência, sem abusos morais, sem loucuras…

  • fred

    E o que vocês me dizem do pica-pau, aquele psicopata?

    • Ps.

      kkkkkkk, verdade

    • http://www.facebook.com/people/Marcos-Barretta/100001988029859 Marcos Barretta

      Meu herói!

  • Pingback: LINKS QUE SÃO FANTÁSTICOS « TheCows

  • Rodrigo Camatta

    Muito bom o texto. É interessante observar como os personagens mudam, assim como as pessoas. Para pior ou melhor, não sei, mas mudam. O Mickey daquela época não precisava se preocupar tanto em ser politicamente correto, acho que era bem mais real.

  • http://www.facebook.com/people/Marcos-Barretta/100001988029859 Marcos Barretta

    Boa!

  • Victor Mantovani

    Esses episodios antigos me lembraram daquele viral do Suicide Mouse.

  • http://www.facebook.com/gicrila Gisele Cristina Laranjeira

    um momento de absurda sincronicidade! ontem, meu ‘Mickey de pelúcia’ tava lá, jogado num canto, do nada peguei, levei pro sofá da sala, fiquei filosofando com ele sobre net, vida, trabalho, tempo.
    acho válido nossos ‘heróis’ mudarem também, talvez isso nos deixe menos desolados com a nossa própria mudança. se até o Mickey mudou, bom, não era natural que a a hora da gente crescer tivesse chegado também?

    momento tiete, adorei o texto! :)

  • Livio

    ooooooo…saudade.

  • http://www.facebook.com/people/Bruno-Gouvea/100000306561706 Bruno Gouvea

    Adorei o artigo e rí alto com os desenhos. Até baixei eles no meu computador para ver mais vezes. Muito bom!!!

  • http://www.facebook.com/people/William-Donadia/100000409875354 William Donadia

    porra massa mano.. uahuah

  • Pingback: Quem é seu autor preferido no PapodeHomem? | PapodeHomem

Papo de homem recomenda

Assine o Papo de homem

Curta o PdH no Facebook
  • 4335 artigos
  • 585959 comentários
  • leitores online

Lifestyle Magazine