O meu inferno de Dante e a primavera de Botticelli | Na estrada #12

Marcos Rodrigues

por
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Durante o verão boreal, o deserto do Saara se posiciona à frente do Sol e se deixa aquecer por horas a fio. A enorme área africana de nove milhões de quilômetros quadrados, tão grande quanto a própria Europa, formada por extensas dunas secas, montanhas rochosas e planícies áridas, esquenta.

O ar tórrido gerado na superfície da areia nua sobe para atmosfera e gera correntes de convecções gigantescas que invadem o Mediterrâneo com um vento quente e seco, aqui na Itália chamado de scirocco. Este ano, o scirocco foi nomeado “Caronte”, devido à sua duração e intensidade. Começou em meados de Julho e continua firme e forte até estes últimos dias de agosto, deixando a península itálica e suas ilhas adjacentes a vagar pelo próprio inferno sob temperaturas que alcançam os quarenta e cinco graus.

É um calor insuportável.

Buscando Botticelli (Imagem: A Musa de Vênus)

Buscando Botticelli (Imagem: A Musa de Vênus)

Nesses dias, tudo que se deseja é estar dentro da água do mar. Assim decidimos ir a Funtanazza, uma pequena baía a vinte e quatro quilômetros de Arbus, aldeia de cerca de dez mil habitantes no sudoeste da ilha da Sardenha, onde está a casa de Luisa, minha esposa. Ali tenho passado os últimos verões austrais. Funtanazza é acessível por uma estrada estreita e tortuosa em meio a montanhas com nomes estranhos.

No caminho, do alto de uma dessas colinas, tem-se a visão da planície lá embaixo, que cobre quase metade da ilha. É o campidano, onde os romanos mantinham sua produção de trigo. Hoje observo pequenas propriedades agrícolas pontuadas por enormes torres de energia eólica.

Estavam todas paradas.

Caronte é assim, traz o ar quente do Saara e o deixa parado nesta ilha no meio do Mediterrâneo.

Caronte é, segundo o poeta latino Virgílio, o barqueiro que conduz as almas dos recém-mortos pelo rio Aqueronte, de águas ferventes, que delimita o inferno. Dante, em sua Comedia, pede a Virgílio que o guie até o inferno. Porém, Dante estava vivo e não podia entrar na barca de Caronte e é mandado para outras portas do inferno. Assim, Dante Alighieri, o pai da língua italiana, descreve os vários caminhos para se entrar no inferno.

“Deixai toda esperança, ó vós que entrais!”

Hoje tenho certeza que Dante escreveu seu capítulo mais conhecido sob a brisa de um desses infindáveis tempos de scirocco. Ano passado estivemos em Florença durante o verão, exatamente nos dias em que scirocco mostrava sua face. A cidade em si nunca foi minha preferida, apesar de ser a mais visitada por turistas, estudantes de arte, de línguas e intelectuais. É certo que era a cidade que eu mais gostaria de ter conhecido, mas o meu objetivo era unicamente realizar um sonho de infância: estar de frente a dois Botticelli, Primavera e Nascimento de Vênus. O museu Uffizi é a galeria que os abriga, bem como outras tantas obras renascentistas.

Quando pisei pela primeira vez na terra de Dante, há muitos anos, fui direto para a residência dos pais de Giuseppe, então noivo de Paola, irmã de Luisa. Teresa e seu marido, pais de Giuseppe, viviam num apartamento dentro do Palazzo Pitti, ex-residência dos todo-poderosos Medici.

Como não podia tirar foto de dentro da Galeria Uffizzi, acabei tirando uma de dentro prá fora

Como não podia tirar foto de dentro da Galeria Uffizzi, acabei tirando uma de dentro prá fora

O palácio data de 1458 e pertencia a um grande banqueiro chamado Luca Pitti e fora vendido à família Medici em 1549. Teresa era órfã de guerra, perdera toda a família durante aquele insano acontecimento dos anos 40. A guerra, mais uma vez onipresente. Assim, fora amparada pelo Estado, recém-criado após a derrocada da era fascista. Recebeu educação, emprego e um local para viver. Este local era um dos vários apartamentos deste grande palácio histórico, que fora transformado em museu. Pode parecer estranho, mas muitos outros órfãos preferiram morar em outros locais e o que sobrara eram estes antigos apartamentos incrustados neste majestoso palácio. Como é um prédio histórico, não pode ser modificado; Teresa e a família viveram décadas em condições não modernas.

Reclamavam dos sessenta e dois degraus que tinham que descer e subir todo dia, ou da calefação que não existia, das quase inexistentes tomadas para se instalar até a mais simples lâmpada. Para mim, uma viagem a um mundo completamente diferente, quase transcendental, ao passado.

Passei apenas duas noites no Palazzo. Entrávamos por um portão dos fundos, que dava direto ao Giardino di Boboli, que circunda o Palazzo. Construído no século XVI, o Giardino é ornamentado por um anfiteatro com um verdadeiro obelisco egípcio ao centro e um lago com uma fonte central protegida por uma estátua de Netuno e outros faunos. Labirintos verdes, caramanchões de trepadeiras exóticas, veredas de pinheiros toscanos e um sem número de esculturas espalhadas pelas trilhas que levavam a um cume que nos mostrava uma das mais esplêndidas vistas da cidade.

Depois de passarmos pelo Giardino encantado, entrávamos por uma galeria de pedras, pé direito altíssimo, escura, de corredores estreitos e galpões com obras de arte à espera de serem mostradas, até atingirmos o sopé de uma grande escadaria. Sessenta e dois degraus e um grande apartamento de salas amplas, quartos e uma cozinha com a velha lareira.

Lá tive uma das melhores refeições da minha vida. Teresa era da Puglia, terra conhecida por sua culinária, e nos servia inúmeros pratos. O primeiro deles foi o tradicional spaghetti com o simples molho dos tomates, tão doces quanto leves; depois Teresa serviu língua num molho de vinho tinto, aspargos frescos rapidamente cozidos, e alcachofras inteiras onde somente a base das pétalas era sugada junto a azeite extra-virgem.

Também me recordo de uns bolinhos fritos e o odor do verdadeiro orégano, selvagem na Puglia, do qual um belo pacote nos foi presenteado. Teresa era também funcionária da Galleria Uffizi e, assim, comprou nossas entradas com antecedência e não tivemos que enfrentar a longínqua fila. Finalmente, Primavera e Nascimento de Vênus. Descubro que ambos os quadros haviam sido encomendados para ornar a residência dos Medici, o Palazzo Pitti. Um ciclo se completa aleatoriamente, pois eu não sabia que ficaria um dia hospedado ali.

Tomates doces, aspargos frescos e pétalas de alcachofras numa barraquinha próxima a casa de Dante Alighieri

Tomates doces, aspargos frescos e pétalas de alcachofras numa barraquinha próxima a casa de Dante Alighieri

Depois fomos visitar a casa de Dante, numa pequena ruela próxima à catedral, aqui chamada de Duomo. No verão passado, o Duomo nos salvou a vida. A igreja é gigantesca, com pé direito altíssimo, escura e com uma temperatura amena e refrescante de caverna. Enquanto lá fora scirocco batia à porta, dentro se sentia o frescor de Primavera.

Um bosque de laranjeiras não muito altas de frutos maduros e troncos retos; oito figuras humanas levitam sobre um extenso gramado revestido por flores de todos os tipos e cores: não-me-esqueças violetas, lírios púrpuras, escovinhas ametistas, ranúnculos amarelos, papoulas vermelhas, margaridas brancas, violetas e amores-perfeitos magentas, jasmins malvas, gerânios carmins, junquilhos dourados, crisântemos prateados.

Um fauno seminu coberto por uma bata vermelha e sandálias de couro, com os braços levantados, cutuca a folhagem com um ramo seco; vestidos translúcidos e folgados realçam os corpos esculturais de três graças, sensualmente descalças, brincando de roda e sendo miradas por um cupido que voa sobre uma jovem grávida, altiva, ao centro da sombra das mesmas laranjeiras, que nos encara com suas feições doces; outra linda jovem caminha e esparrama pelo chão escuro as flores que brotam de sua túnica; uma última moça rechonchuda, de vestes transparentes coladas ao corpo nu, cabelos longos e desajeitados, olha com espanto um ser masculino alado, de roupas escuras e feições bufas que a abraça e lhe assopra a cabeleira por detrás das árvores, deixando-a pousar ao solo.

Primavera, de Botticelli

Primavera, de Botticelli

Enquanto viajávamos num carro sem ar-condicionado pela tortuosa estradinha rumo a Funtanazza, acompanhados por Caronte, a única coisa que nos salvava era o visual das montanhas. Bosques de carvalhos de folhas verdes numa matriz de pastagens ocres pontuadas por ovelhas brancas, afloramentos rochosos cinzas e pratas no cume dos picos formando desenhos de rostos humanos.

Chegando à praia, sem qualquer infraestrutura, sem barraquinhas, sem vendedores e sem sombra, tudo que nos restava era entrar na água, no mar. É por isso que aqui se diz “vou ao mar” e não “vou à praia”. A baia de Funtanazza tem águas rasas turquesa pálido, estáticas e translúcidas.

As águas azul turquesa das baías da Sardenha

As águas azul turquesa das baías da Sardenha

Dentro da água fresca, o paraíso, a Primavera de Botticelli. Em terra, o inferno de Dante.

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Casa de Dante Alighieri

Casa de Dante Alighieri

A catedral de Florença, o Duomo

A catedral de Florença, o Duomo

Minha releitura de “primavera”: lápis de cor sobre contorno do original em papel A4

Minha releitura de “primavera”: lápis de cor sobre contorno do original em papel A4

Marcos Rodrigues

Fez doutorado (PhD) em zoologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e é professor na Universidade Federal de Minas Gerais, tento publicado aproximadamente 60 artigos científicos.


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  • Diego

    “Este ano, o scirocco foi nomeado “Caronte”, devido à sua duração e intensidade. Começou em meados de Julho e continua firme e forte até estes últimos dias de agosto…”

    Pelo visto o calorão tá causando delírios, perda da noção do tempo e espaço, ou então meus cálculos de fuso horário estão realmente muito errados…

    • MarcosRodrigues

      Ótima Diego. É uma crônica que escrevi ano passado. Mas este ano a coisa tá pegando fogo de novo. Valeu.

    • André

      Quanta sensibilidade…

  • Fernando C. Straube

    Como espécie endêmica do Brasil, eu jamais havia imaginado os detalhes mostrados pelo Marcos Rodrigues, que ultimamente tem despontado como cronista de valor em vários textos que assiduamente tenho lido. Para os mais distraídos soaria absurdo uma autoridade mundial em pássaros, como é de fato o autor, escrever sobre esses temas nada ornitológicos, notavelmente o que aqui comento, deleitado (embora ainda não saciado) com o conteúdo… Mas a mim parece que tudo encaixa. As pessoas que não somente olham mas – especialmente vêem – as aves, percebem coisas de outro mundo, que vão da obra do incomparável Dante ao bater de cauda de um tamnofilídeo em uma floresta úmida. E é isso que se percebe aqui. Eu consigo, por exemplo sentir os calores, aromas e sabores descritos, tal como se estivesse lá! Esse tipo de visão fortalece nossas sensações mas também a enriquecem a maneira como vemos as coisas que passam por nós em cotidianos nem sempre usuais… Marcos prova que não é apenas um viajante que gastou milhares de horas em suas busca pelas aves. Ele aprendeu mesmo o significado do voo, transformando-o em algo muito maior do que simples “bateres” de asas.

    • MarcosRodrigues

      Caramba Fernando! Nunca tinha pensado nisso. Obrigado pelo comentário.

  • André Nemésio

    Penso que um texto desses toca a cada um de uma maneira diferente, de acordo com suas próprias percepções. A mim, impressiona a quantidade de história contida nessas imagens e no relato em si! Muito bom!

    • MarcosRodrigues

      Obrigado André. As fotos e figuras das obras ajudam muito, e por isso gosto muito de seção do PdH.

  • Marilena Galetti Rodrigues

    Marcos ,todas as crônicas que voce escreve,me impresona como voce guarda tantos detalhes.A forma que voce descreve a alimentação ,a maneira que foram feitas deixa a vontade de estar lá………

  • luciana

    Delícia de crônica, Marcos. Adorei as referências e as impressões: imagens, sabores, aromas, calor… Um passeio pela Itália e por todos os sentidos.

    Luciana Rathsam

    • MarcosRodrigues

      Valeu. Gostei do modo como as imagens foram colocadas também. As fotos e o desenho final são meus, rs, rs, rs.

  • Uschi wischhoff

    Perdi os últimos 11 “na estrada” ou eles não foram publicados? Gostaria de lê-los!
    Você realmente tem o dom de descrever vividamente. Fiquei com água na boca!

    • MarcosRodrigues

      Navegue pelo site e encontrará todos eles. Obrigado pelo vividamente.

  • Tulaci Bhakti

    Belo texto (ou textos) Marcos, em dias de tantos acontecimentos encontrar em palavras um local para deixar-se imaginar é fabuloso! E ainda mais que irei a Itália neste ano, vou me preparando! Parabéns!

    • MarcosRodrigues

      Não deixe de ir a Florença.

  • Marco Aurélio Pizo

    Mais uma ótima crônica deste que vem se mostrando um cronista perspicaz. Parabéns Marcos!

  • Vanessa Gomes

    Muito bom! Dá para degustar um pouco da Itália enquanto se lê. Fiquei com ainda mais vontade de conhecer o país!

  • Chirley Bazilli

    Seus textos são envolventes, convidam o leitor a experimentar por meio da imaginação aquilo que você experimentou com os seus órgãos dos sentidos… perfeito!

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Chirley. Gostei dos ‘órgãos dos sentidos’.

  • Simone

    Desta vez eu li antes de vc me avisar. Vi um post no FB. Quero lhe dar os parabéns por se aventurar nessa seara nova, por se dedicar a uma atividade que é muito legal: a escrita, a crônica, a transmissão de conhecimento, ainda mais em sites, que possibilitam a troca de ideias. Fico realmente muito feliz por vc e acho que deve continuar nesse caminho.
    Tenho gostado dos seus textos e uma coisa que gosto muito é dos detalhes que vc traz, que, como alguém comentou no PdH, é o que nos leva a acompanhar o autor (vc) em sua viagem (ou voo, como outra pessoa disse lá). Porém, às vezes eu acho que eles dificultam um pouco a volta para o que vc estava dizendo. Enxergo também um excesso de zelo em relação aos termos corretos, os nomes científicos que, por um lado (bom) funcionam como um ótimo meio de divulgar ciência, de ensinar, mas por outro lado, tiram um pouco a fluidez do texto. Como o do andorinhão, que eu gostei, pensando que ele ficava entre a literatura e a divulgação científica (ou seja, um ótimo meio de divulgar, a partir de leituras mais
    interessantes que as de um paper, ou uma aula formal).
    Acho que vc poderia se soltar mais. Deixar o PhD em ornitologia de lado e ser o
    Marcos Rodrigues, o Marquinhos. Vc tem que aproveitar essa veia e se entregar, ser o seu outro lado, sua egotrip, sua outra faceta, mas deixe ser outra mesmo. Acho que se vc separar as coisas, vai escrever com mais liberdade, mais coração e menos razão.
    Desculpe se estou sendo chata, mas sou chata mesmo, rsrs.
    Última coisa sobre o texto, deve ter sido realmente muito mágico conhecer aquele jardim e o palácio. Fiquei babando.
    Beijão e sucesso. Acho que vc está no caminho.

  • Mauro Luís Triques

    Gostei muito, Marcos. Você mostra um retrato pesado da Itália, tanto em termos de clima quanto em termos históricos, e inclusive contemporâneos. Abraços

    • MarcosRodrigues

      Acho que você colocou uma palavra precisa: pesado. E eu colocaria outra: fascinante. Poderíamos aprender mais com experiências passadas, mas parece que não é isso o que acontece. Por isso considero o estudo da História até mais importante do que o da Matemática.

  • Sergio de Mendonça

    A primeira vez que li uma crônica sua foi a do retorna da viagem de barco pelo Amazonas e a odisseia em Santarém. Faz tempo, mas já estavam lá, embrionarias, as sementes que vejo agora despertando de seu longo sono de amadurecimento. Naqueles dias, por razões que desconhecia, me lembro que sua vontade na leitura já era grande, e mostrava um tropismo pela literatura relacionada às viagens. A característica que mais se destaca em seus textos é a contextualização de um momento único, que pode ser em qualquer lugar, desde que a percepção aguçada esteja preparada para capturar todas as nuances e melodias que, apresentadas nos detalhes estimulantes de nossos sentidos, despertam as profundas emoções que deixamos perceber em cada momento de nossas vidas. Se Beethoven tem seu Ode a Alegria, você a cada crônica constrói mais um ato de sua sinfonia à vida. Parabéns!

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Sérgio. As crônicas do Rio Madeira ainda estão engavetadas, e não sei como você se lembrou disso. Muito bom, talvez um dia eu possa fazer uma revisão e tentar publicá-las. Você pegou pesado com o Beethoven, rs, rs, rs, obrigado.

  • Lílian Praes

    Lindo texto, Marcos! Essas suas crônicas ambientadas na Itália sempre me deixam com cada vez mais vontade de conhecer esse país!

  • Renata Figueira

    Ótimo texto Marcos. Sua forma de descrever é realmente impressionante, consigo construir uma fotografia com a leitura de suas palavras!

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Renata.

  • Marcelo Rodrigues

    Com constante detalhes, os textos do Marcos remetem-me, leitor, a imaginar junto com o autor lugares que ainda que os tenha visitado, melhor observados, levando-me, a desejar um retorno a estes locais, simplesmente para degusta-los melhor. Com relação no texto ao efeito da onda de calor, ainda que existam nomes para os efeitos naturais, cabe sempre a um bom escritor relacionar estes nomes aos fatos ou textos, fazendo, neste caso, sentir em própria pele o calor sufocante provocado pela onda de ventos Saarianos, lembrando que este mesmo calor e clima seco são responsáveis diretos pelos excelentes vinhos, tomates e outros que têm sabor especial nesta região.

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Marcelo. Realmente, é a associação do clima seco e quente do verão com a incrível fertilidade do solo que faz o gosto especial dos grãos, legumes, frutos e até a carne produzida em todo mediterrâneo.

  • Alexandre Aleixo

    Releitura de Boticcelli!!!!! Q audácia! Mas me pergunto: quem nāo faz uma releitura própria destes ícones da arte ocidental cada vez q passa por eles, mesmo q seja uma, duas, três ou mais vezes?? Talvez a “boa arte” seja exatamente isso: offer food for thought. Ou é o mediterraneo q nos coloca no nosso proprio lugar?

    • MarcosRodrigues

      Se todos fazemos uma releitura, somos todos audaciosos, logo, não foi tatnta audácia assim. Mas confesso que ficar em frente a uma obra destas é uma experiência difícil e extasiante ao mesmo tempo. Difícil porque a gente até se sente pequeno. Extasiante porque a gente agradece o artista por te-la pintado.

  • Claudio JJunior

    Se Bill Gates, Katherine Esau, Maarlies Sazima e Harri Lorenzi tivessem se unido frente à Primavera de Botticelli, não montariam uma paleta de cores florais com tanta magnitude. Depois do teu texto, Dante revisaria il Primo Canto e escolheria outro roteiro turístico: “Nel mezzo del cammin di nostra vita, mi ritrovai – non per una selva oscura, – ma per un bosco colorato!” – Marcos Rodrigues, gracie per tuo bello stile che m’ha fatto onore (Dante a Virgilio, Il Inferno, Canto I)

    • MarcosRodrigues

      Excelente Claudio. Talvez as primaveras da idade média de Dante não eram tão coloridas assim.

  • ZDNS

    Nada como um calor de” rachar mamona”, para produzir visões, deliríos e literatura. Parabéns Marcos, espero que no inverno você possa celebrar novas observações. até chegar nele, continue abusando das velhas-novas impressões! Forte abraço. Zédú Neves

    • MarcosRodrigues

      Zédú, gostei do rachar mamona. Essa expressão está em extinção porque as mamonas são cada vez mais raras no nosso cotidiano. Já percebeu?

  • Cristiano Azevedo

    Gostei demais de seu texto Marcos. Realmente nos faz viajar com você para a Itália. Realmente vou lendo e imaginando os locais, as vistas, as sensações. Parabéns! Agora escreva uma sobre o inverno!

    • MarcosRodrigues

      Cristiano, obrigado. Tenho várias sobre o inverno. Espero um dia publicá-las.

  • Marina Cavalcanti

    Parabéns, Marcos! Foi uma delícia ler a crônica. Você escreve tão bem sobre arte e paisagem quanto sobre aves. Chego a imaginá-lo com um caderninho de campo, anotando detalhadamente suas impressões de viagem. Isso deve formar um belo diário de bordo, devia publicá-lo…

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Marina, mas confesso que esse caderninho é uma bagunça…tem muita memória no meio disso tudo…

  • Breno Pinheiro

    Boa, Marcos! A forma como você descreve os detalhes e os sentidos me fez sentir lá. Parabéns, abraços.

  • Carina Denny

    Marcos, foi um presente ler essa deliciosa crônica que me fez viajar por lugares, odores e sabores os quais nunca provei. Gostei muito da sua releitura de “primavera”! Acho que agora entendo quando já muitas vezes observei seus momentos silenciosos que não eram tristes, mas inspiradores!

  • Julliane Joviano

    Parabéns professor!! Você realmente tem o dom! Quem me dera poder ir para a Itália…

  • João Carlos

    Muito bom Marcos! Vou ter que ir à Sardenha pela forma que você descreve em suas crônicas! Dicas sobre a Itália pegarei com você!

  • Chagas

    Excelente texto!!!!

    • MarcosRodrigues

      Obrigado!

  • Flavia

    Inspirador Marcos.

    Com meu sangue italiano e vontade de crianca de conhecer a Italia e seus paraisos, ferventes ou gelados, voce me deu ainda mais vontade de ir a este belo lugar, origem de tantos feitos culturais, mais deslumbrantes impossivel.

    Com certeza, em minha estada la farei uma visita as belissimas bacias da Sardenha e aos monumentos de Florenca.

    Continue a nos inspirar em suas aventuras.

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Flávia.

  • Paulo Borba

    Excelente texto, dá vontade de visitar os lugares e aprender mais!

  • Vinicius Cerqueira

    Parabéns, Marcos, pelo ótimo texto. Já tinha ouvido falar da fama deste calor que vem do deserto… mas não imaginava que ele podia ter tantas cores. Obrigado por nos brindar com estas impressões!

  • Bruna Pinheiro

    Você até pode ter falado que não ..mas tudo que eu li é arte!! imagino o vento forte , a sensação de vastidão do mar sob os pés..a preguiça do calor

  • Danusa Guedes

    A riqueza de detalhes me fez “estar” na Itália durante um pequeno tempo e experimentar as sensações do escaldante calor mesclado com os sentimentos da admiração pela arte, cultura e belezas naturais.
    Parabéns Marcos, seus textos são sempre sensacionais!

  • Verônica de Carvalho Magalhaes

    Marcos, Te parabenizo mais uma vez pelo belo trabalho , como já comentei, vc se supera a cada artigo , a cada escrita,
    sua linguagem poética e bucólica nos remete a uma viagem incrível, onde podemos
    vislumbrar os encantamentos da época renascentista! Tive muitas sensações ao
    ler sua cronica, , tive fome de conhecimento e vontade de conhecer a Itália,
    Parabéns novamente! bjs

  • JB

    Excelente texto, preciso,lindo e transportador! Concordo com a Simone (hehe), sobre a fluidez,que pode ser ainda melhor!Parabéns também pela jnçã de texto eimagens,que ficou ótima!!!

  • André

    Tive o imenso prazer de ler esse texto antes mesmo de sua publicação. E outros tantos, que jorram da mesma fonte. Sim, porque a alma do Marcos é essa fonte da qual vertem fotografias ímpares, desenhos a lápis, artigos científicos e de divulgação, bem como esses presentes narrativos de suas andanças pelo mundo. Os muitos anos de trabalho, feitos de horas e dias incontáveis de silêncio, paciência e espera, a observar animais e plantas e paisagens e pessoas e lugares, tudo constituiu o repouso da água nessa fonte.Tempo necessário para essa água extrair, de dentro da alma, o sabor que lhe é único. Para mim, que reencontro -ainda que à distância- esse velho amigo de décadas, é uma sorte ter a sede saciada a cada vez que o Marcos decide abrir seu baú de preciosidades e trazer a tona seus escritos. Leio e releio “Meu Inferno…” e não me canso de viajar por uma Sardenha e uma Florença repletas de luzes, calor e aromas. Obrigado, querido, por dividir conosco aquilo que lhe é tão caro.

  • suzana

    muito bom, Marcos!! pra mim foi um momento inusitado, me sinto como se tivesse em Firenze novamente. adorei a estrutura, a narrativa leve, a suavidade dos detalhes somada à beleza das imagens teve um resultado muito agradável! parabéns!!

  • Marina

    Delícia ler este texto 5 dias antes de ir pra Itália! hahaha, deu mais vontade ainda de conhecer Florença. Quando vamos ler seu primeiro livro de crônicas? Eu já te disse pessoalmente que esses textos têm impacto muito maior na sociedade do que artigos científicos, né? Parabéns pelo trabalho.

  • Caio Graco Machado

    Dez!

  • Naíla

    Bravo, Marcos! Seus textos só aumentam minha vontade de conhecer a Itália, que, sinceramente, sempre foi meu país predileto da Europa ocidental. Só não sei se arriscaria a ir no verão…

  • Fernando

    Muito bom o texto. Acho que vc devia juntar seus escritos sobre as viagens á europa e escrever um livro. A leitura é muito descritiva e ao mesmo tempo leve, uma sobreposição quase impossível e que exige enorme habilidade literária e poética. Senti um mosaico de sensações ao ler o texto:

    1) Vontande de voltar na itália com um olhar geográfico, ecológico, cultural e histórico que não tive quando fui lá, pois tinha apenas 13 anos quando percorri estas terras.

    2) Uma fome incrível e a vontade de experimentar as tais alcachofras blablabla com o típico espagueti italiano. Ao degustar, queria ter o prazer de juntar os dedos e movimentar a mão para frente e para trás em um típico gesto italiano e dizer: EXPETACULARI! DELICCI!

    3) Felicidade incrível de viver no Brasil e saber que nas nossas praias o Bafo de Dante é mais húmido e podemos sempre contar com os ambulantes para tomarmos aquela cerva gelada! Viva o bafo de Maíra, o deus sol para algumas tribos tupiniquins! Vivia o trópico!

    Parabéns!

    Espero a próxima crônica

    abs

    Fernando

  • Alexandre Martorano

    Embora eu não tenha vivido o scirocco italiano, seus textos me são bastante familiares. Eles remetem a lugares e momentos da minha memória, de sorrisos fáceis e sensações agudas. O Giardino de Boboli, inclusive, foi um dos locais mais lindos que visitei na Europa. Tenho uma fascinação por lugares abertos, pois me remetem a uma sensação de ‘me sentir infinito’ (aqui, cito a fala do livro/filme “As vantagens de ser invisível”). Se você também é vítima desse encanto, recomendo visitar Delfos, situado no monte Parnaso na Grécia. Lá, onde vivia o oráculo de Apolo nos tempos da mitologia, eu senti uma ligação com o divino maior que em qualquer outro lugar. Mas vale lembrar que há vários lugares na Itália que ainda não visitei… Já você poderia dar um relato mais acurado.
    Parabéns pelas crônicas!

    • MarcosRodrigues

      Obrigado Alexandre, também sinto o mesmo em relação aos lugares abertos.

  • Afiwa

    Muito bom o texto Marcos, muito poético! Me da vontade de ir na Italia e visitar Florença. Obrigada para compartir sua experiência!

  • Marina Scarpelli

    Muito bom! Como sempre, nos deixa morrendo de vontade de ir conhecer todos esses lugares descritos com tanta riqueza de detalhes! Parabéns, Marcos!

  • Fernando Santos

    Me parece cinco tipos de tomates! todos perfeitos, como que de cera!

    Olha, deu vontade de visitar a terra mesmo que tórrida de Dante. No momento, só o frio encharcado que nos castiga aqui em Curitiba…

  • Marina Carvalho

    Meu Deus, a descrição da comida deu água na boca!! A Italia realmente é um lugar sem igual… E passar dois dias no Palazzo Pitti, é pra poucos. Quando fui a Italia com 16 anos mal tinha ideia do que eu estava vendo no Uffizi… Que desperdício… hahaha Voltarei!

  • Sasha

    Marcos como sempre seus textos são uma descrição tão detalhada que consigo visualizar as imagens, sentir os cheiros e quando empolgo na leitura até o gosto eu sinto! Cada vez fico com mais vontade de conhecer a Itália! Apesar do calor comparado ao Inferno me assustar um pouco, os pontos positivos sobre os lugares, comidas e cultura me instigam a curiosidade! Durante a sua descrição do quadro me parei imaginando e remontando em minha mente, quando vi a figura fiquei um tempo pensando como na minha imaginação tudo era mais vívido e interessante! Nunca pensei que uma descrição de uma obra me fizesse viajar tanto, agradeço o aprendizado e o capital cultural acrescentado! Refleti muito com a leitura o quanto estou precisando de mais arte, música, culinária e cultura na minha vida!

  • Maria Angelica Poeta Roenick

    Marcos, parabéns pelo artigo.. Delicioso de ler.. Para mim, que conheço esses lugares, foi como viajar novamente para lá. Um grande abraço.

  • Letícia Eras Garcia

    “Assim, fora amparada pelo Estado, recém-criado após a derrocada da era fascista. Recebeu educação, emprego e um local para viver. Este local era um dos vários apartamentos deste grande palácio histórico, que fora transformado em museu”. Quem me dera se no Brasil os imóveis e terrenos improdutivos, vazios, abandonados, fossem utilizados de forma inteligente e socialmente justa.
    Nosso Palácio da “Liberdade” está lá, fechado, mofando. Serve para cerimônias solenes de transferencia de mandato (???) e teoricamente abre aos domingos de 9h às 12h30.
    Quanta liberdade a população tem para ao menos visitá-lo eim?! Imagina se fosse preciso ceder um quartinho… nem imaginar tem como.

  • Ana Fridman

    Lendo esse segundo texto do Marcos (li na ordem inversa), esse de verão, o outro de inverno, vejo como ele usa as cores, os temperos e as temperaturas em seus lugares. Aqui não estive, então fiquei com vontade de ver esse mar e conversar com o autor sobre tudo isso que o faz escrever. Espero mais textos!

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