O Discurso de Obama no Cairo

Dia 04 de junho foi um dos dias mais aguardados pelo mundo. Tivemos o tão sonhado discurso de Obama, no Cairo, Egito. Um discurso histórico e cheio de balela. Quase uma hora. Você pode assistir o vídeo na íntegra no youtube.
Em suma, Obama propôs uma nova relação entre os EUA e o mundo islâmico. Eu não vou destrinchar cada pedaço do texto lido por Obama, apenas algumas partes que eu achei mais importante.
Depois da introdução meio besta, e uma forçada no idioma Árabe, Obama diz (tradução livre):
“(…) A América e o Islã não são exclusivos. Pelo contrário, eles se sobrepõe, e compartilham princípios comuns – princípio de justiça e progresso, tolerância e dignidade de todos os seres humanos.”
O grifo é meu. A indignação também.
Vejam bem, desde quando os EUA (ou a cultura ocidental em geral) partilham dos mesmos princípios do mundo islâmico? Sobre qual justiça Obama se referia? A de matar opositores? Ou a de apedrejar mulheres em praça pública? E tolerância com quem? Com a imprensa?
Não me levem a mal. Eu sou a favor da livre escolha de religião. Mas, ao contrário do cristianismo, budismo, judaísmo e etc, o Islã é uma religião que não se reforma. Não muda sua maneira de pensar. O simples direito de escolher com quem quer casar não é aceito no mundo islâmico. Se uma mulher paquistanesa resolve casar com um homem não-paquistanês, ela perde a nacionalidade. Isso se não perder a vida antes. Esse é apenas um das centenas de exemplos.
E Obama quer mostrar que todo o ódio que os países islâmicos têm pelo Ocidente é culpa deste último! O Ocidente, com sua cultura liberal e a globalização, destrói a moral e corrompe as civilizações. Aham.

A tolerância iraniana.
“(…) O Islã tem demonstrado, através de palavras e atos, as possibilidades da tolerância religiosa e da igualdade racial.”
Demonstrado como? O cristianismo é ilegal em vários países islâmicos.
Um pouco mais de balela, e ele começa a falar sobre a questão Israel-Palestina. Vamos lá:
“[a resolução] para as ambas as partes será através da criação de dois Estados, onde israelenses e palestinos possam viver em paz e segurança. Este é o interesse de Israel, interesse da Palestina, interesse da América e o interesse do mundo.”
Isso tudo é realmente muito lindo. Eu quase chorei.
O problema aqui é que o Hamas (que “manda” na Palestina) é um grupo terrorista e não abre mão da violência por nada! É ridículo que Obama peça para o Hamas reconhecer Israel. Ele provavelmente não leu o “Estatuto do Hamas”, que logo no início diz:
“Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele.”
Pouco tempo depois, é hora de falar sobre as armas nucleares.
“É por isso que estou reafirmado o compromisso da América para buscar um mundo no qual as nações não detêm armas nucleares.”
E qual é a tática? Se desarmar. Enquanto os EUA desativam seus mísseis, a Coreia do Norte testa os dela. O Irã está quase completando os seus. Japão, com receio do maluco Kim Jong II, pensa em se armar, e assim vai.
“(…) E qualquer nação – incluindo o Irã – devem ter o direito de acesso à energia nuclear pacífica.”
Sem dúvida! Nem passou pela cabeça de Ahmadinejad construir bombas atômicas. Ele quer urânio porque a pedra brilha no escuro. Só isso.
Depois ele continua, com sentenças abstratas e gerais, sobre os direitos das mulheres, liberdade de religião, democracia, etc.
“O Islã tem uma orgulhosa tradição de tolerância”.
Nem Bin Laden engoliu essa.
Inclusive, o discurso foi amplamente criticado pelos radicais islâmicos. Claro, como disse Reinaldo Azevedo, “são espertos: no dia em que não estiverem mais no lugar das vítimas, acusando o Ocidente, terão perdido poder. É preciso atacar os Baracks Obamas da vida para que possam ser mimados por eles.”
Resumindo, a culpa de tudo é nossa e Obama é o único que quer diálogo. Mesmo se tudo já deu errado.
Em Relações Internacionais, discurso é uma coisa, prática é outra. Só Obama que ainda não se tocou.
Enrique Villalobos é formado em Relações Internacionais e escreve sobre política mundial no Mondo Post.
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