O caminho para o lado negro

Luciano Ribeiro

por
em às | Artigos e ensaios, Atitude


Diálogo entre Yoda e Anakin Skywalker, em Star Wars Episódio III – A vingança dos Sith:

– Essas visões que você tem…
– São visões de dor… sofrimento… morte.
– De você falando está, ou de alguém que conhece?
– De alguém.
– Próximo a você?
– Sim.
– Cuidadoso deve ser quando sente o futuro, Anakin. O medo da perda é um caminho para o Lado Negro.
– Não deixarei que essas visões se tornem realidade.
– Morte é uma parte natural da vida. Alegre-se por aqueles que ao seu redor na Força se transformam. Lamentar, jamais. Sentir falta, jamais. Laços emocionais levam ao ciúme. Na sombra da cobiça se transformam.
– O que devo fazer, Mestre Yoda?
Treine a si próprio para deixar ir tudo o que você tem medo de perder.

Yoda e sua moderna espada de prajna (sabedoria cortante).

Os caminhos para o Lado Negro muitos são, diria Yoda. Aqui falo de um dos mais perigosos, que nos leva ao sofrimento repetidas vezes durante nossos caminhos como guerreiros Jedi: o medo.

Inicialmente, ele surge desta maneira. Sem forma definida, sem matéria, sem corpo, sem rosto. É apenas um espaço, vácuo, possibilidade, energia potencial. Existe, mas ainda não é. Está latente.

Este medo, pai do sofrimento e filho de uma felicidade condicionada, tem seu nascimento quando obtemos aquilo que desejamos. A carreira, os olhares, o reconhecimento, o apartamento, o carro, o amor de uma rainha. Não importa exatamente o objeto de desejo, mas a energia que se move dentro de nós ao tê-lo. Esta energia é a raiz da motivação que nos leva a tentar manter as coisas exatamente como estão.

– Sentir raiva é humano.
– Eu sou um Jedi. Sei que sou melhor do que isso.
(Padmé e Anakin, em Star Wars Episódio II – Ataque dos Clones)

Aprendemos a gostar de observar a paisagem do jardim que construímos ao nosso redor. Abrimos a janela e lá está, tudo do jeito que sempre sonhamos. Todos os dias. Tudo no exato local em que deixamos da última vez que as luzes se apagaram e fomos dormir.

É assim que, ao menor indício de uma contrariedade, nos desestabilizamos de nossos propósitos. Colocamos nossas bases em fatores externos, totalmente alheios à nossa sensação de controle. E, de repente, acordamos de manhã, olhamos rapidamente e notamos que alguém veio, pisou em nossa grama, esmagou nossas flores e destruiu nosso sonho.

Porém, algum tempo antes, conseguimos ver o que estava por vir. Temos o pressentimento, como uma voz sibilante e repetitiva, anunciando o futuro. Este é o abrir dos olhos do medo.

Exatamente no instante que tomamos consciência da perfeição do momento, projetamos a dor da perda. Construímos uma muralha que inicia uma guerra. O mundo contra o que você deseja. À partir daí fazemos tudo o que for preciso para manter esta condição. Caímos em falsas promessas, cedemos facilmente à ambição, as pessoas nos olham e sabem exatamente que botões apertar para nos levar a fazer o que querem.

“Ajude-me a salvar a vida de Padmé. Não consigo viver sem ela.”
–Anakin, cedendo ao lado negro.

Os pesadelos surgem, como a voz do desespero. As coisas não podem sair do lugar em que estão. Você não pode perder tudo o que construiu. Não pode sair de onde está, não pode viver sem aquilo que o preenche. Não pode se ver sem a beleza que estava lá fora há um instante. E agora, como vai lidar com isso?

Com base nestes questionamentos, nos movemos, cegos. Tateando, tentando descobrir o que terá dado errado. Pressionamos, com todas as forças, para manter tudo exatamente como era antes. Abraçamos nossa realidade com mais força, sem perceber que esta ação baseada em medo e aflição é exatamente o que nos conduz para cada vez mais perto da perda.

Nosso medo vai se transformando em raiva à medida que tudo escapa por entre nossos dedos. Quanto mais raiva temos, mais distantes da realidade ficamos. Quanto mais ela se instala, menos livres nos tornamos e mais somos movidos por um outro. Daí até ouvirmos o “Não estou te reconhecendo” não demora quanto gostaríamos.

“O medo leva à raiva; a raiva leva ao ódio; o ódio leva ao sofrimento.”
–Yoda.

Nossa reação é falar, numa tentativa de justificar, dizer que ainda estamos ali, que somos os mesmos. Não somos. Cada palavra dita confirma ainda mais a conclusão dela. A mudança já aconteceu.

A raiva transforma-se em ódio. O ódio grita que nada daquilo, no final, era realmente importante ou tinha algum significado. Desmerecemos, cuspimos na cara daquilo que nos trazia felicidade, indignados. O ódio rasga nossa garganta enquanto a voz sai rouca, sem potência suficiente pra expressar o que, de fato, queima dentro e fora de nós.

E é odiando o perder que acabamos odiando nosso antigo foco de afeto. Por meio desta emoção, encontramos nossa companhia mais fiel: o sofrimento.

“O jovem Skywalker que você conhece não existe mais, fora consumido pelo lado negro.”

O fim da história nos mostra que, de fato, nada termina. Após uma identidade desaparecer, somos imediatamente consumidos por outra, até que esta mesma desapareça. Lado Negro e Lado da Luz se alternam constantemente, mostrando que não há em nós uma só centelha de bondade ou de maldade.

Seguimos até, pouco antes de morrer, retirarmos finalmente a máscara que nos mantém vivos para ter por alguns instantes a visão clara diante de nossos olhos. Nenhum medo faz sentido, nenhuma raiva, nenhum sofrimento. Nosso império e nossas construções inevitavelmente cairão.

A pergunta que fica é: será necessário estar diante da morte para, enfim, perceber que medo algum faz sentido frente à certeza de que nada é permanente?

Luciano Ribeiro

Designer, estudante de Design de Produtos, apaixonado por ilustração, fotografia e música. Vocalista da banda Tranze (rock’n roll). Escreve, canta, compõe e twitta pelo @lucianoandolini.


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79 comentários

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  • Rafael Rendeiro

    Luciano, esse texto foi foda! Nada como um texto assim para nos fazer refletir.

  • http://www.justwrappedupinbooks.wordpress.com/ João Luis Baldi Jr.

    Quando um cara consegue fazer um texto bem escrito, relevante e envolvendo Yoda e sabres de luz tudo que eu posso dizer é: parabéns. Poucas coisas realmente cegam e confundem tanto quanto o medo.

  • Gustavo Nadaline

    Muito bom texto Adriano, parabéns!
    Acho que a redenção acaba sempre vindo no final de tudo, porque no meio do caminho, não nos cansa cair e levantar, tentar desesperadamente essa falsa felicidade incompleta.
    Talvez seja errado não ter isso como objetivo principal, mas sempre carrego um plano B, caso alguma questão não se realize. O triste de tudo isso, é o que plano B para mim, parece sempre mais interessante do que tudo. Consequentemente e subconscientemente. acabo que boicotando os principais. Funcional! A perda acaba se transformando eu ganho…

    • http://twitter.com/luciano_ribeiro Luciano Ribeiro

      Valeu pelo elogio, mas meu nome é Luciano. ;)

      abraços!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1397852480 Joao Pedro Ferraz

    Parabéns pelo post e respondendo a pergunta….Pra maioria das só a morte é capaz de abrir-lhes os olhos…e o único meio disso não acontecer é aceitando que tudo passa, que nada é permanente….e por que só a morte abre os olhos de muitos? Peço simples fato de ser a unica certeza da vida…o resto é caos.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1397852480 Joao Pedro Ferraz

    Parabéns pelo post e respondendo a pergunta….Pra maioria das só a morte é capaz de abrir-lhes os olhos…e o único meio disso não acontecer é aceitando que tudo passa, que nada é permanente….e por que só a morte abre os olhos de muitos? Peço simples fato de ser a unica certeza da vida…o resto é caos.

  • http://twitter.com/jmaxmuller Jason Maxmuller

    Não é que as coisas não sejam permanentes. O importante é ter a ciência de que você próprio não é.

    O medo surge frente ao temor da morte – não falo aqui da morte como fim da carne, fim da vida. Falo da morte como transformação. Acredito que por temer essa desconstrução de si que construímos uma muralha e rezamos para que se mantenha. Um dia a muralha cai e nos debatemos de raiva por nosso esforço ter sido derrubado.

    • http://twitter.com/luciano_ribeiro Luciano Ribeiro

      O Anakin é um personagem muito verdadeiro, pois traz diversos traços que carregamos na nossa personalidade. Vejo várias cenas dos dois filmes (II e III) e me enxergo ali, nos meus momentos de conflito. A diferença entre o que somos e aquilo que gostariamos de ser e a maneira como acabamos sendo levados a fazer coisas das quais nos arrependemos depois. A raiva e o medo são muito bem exemplificados ali. Desejos de vingança, acessos de fúria… dá pra ir muito longe. ;)

    • Rafael

      Ótimo ponto! O medo vem da transformação, mas acredito que da consequencia dela seria mais preciso. Não é toda transformação que traz dor, então é da dor que temos medo, acredito eu.
      Dor da perda, dor do que fez feliz e não faz mais, sofrimento… E não há como evitar, o esforço para não sofrer é desperdiçado.
      Mas então o esforço deve ir para onde? Essa é a questão que me intriga.

  • http://twitter.com/jmaxmuller Jason Maxmuller

    Não é que as coisas não sejam permanentes. O importante é ter a ciência de que você próprio não é.

    O medo surge frente ao temor da morte – não falo aqui da morte como fim da carne, fim da vida. Falo da morte como transformação. Acredito que por temer essa desconstrução de si que construímos uma muralha e rezamos para que se mantenha. Um dia a muralha cai e nos debatemos de raiva por nosso esforço ter sido derrubado.

  • http://www.facebook.com/people/Daniel-Horai/100000863881850 Daniel Horai

    Texto foda.

    A questão é prática não é, treinar nossa visão estável independente dos objetos que estão a frente dos nossos olhos. A sacada é que o caminho não é fácil, porque estamos nos esforçando para olhar as coisas de uma maneira totalmente diferente a qual fomos acostumados a vida inteira, mas o ponto é persistir, pq não tem como ignorarmos que de fato somos guiados cotidianamente por apegos, sofremos com a impermanência e não conseguimos pensar q de fato um dia vamos todos morrer…… Enfim, bom papo para uma mesa de bar…. ;). Abraços!

  • http://www.facebook.com/people/Daniel-Horai/100000863881850 Daniel Horai

    Texto foda.

    A questão é prática não é, treinar nossa visão estável independente dos objetos que estão a frente dos nossos olhos. A sacada é que o caminho não é fácil, porque estamos nos esforçando para olhar as coisas de uma maneira totalmente diferente a qual fomos acostumados a vida inteira, mas o ponto é persistir, pq não tem como ignorarmos que de fato somos guiados cotidianamente por apegos, sofremos com a impermanência e não conseguimos pensar q de fato um dia vamos todos morrer…… Enfim, bom papo para uma mesa de bar…. ;). Abraços!

  • Anônimo

    What is thy bidding, master?

    Muito bom o texto. Star Wars está cheio de metáforas para a vida prática, que muitas vezes passam despercebidas entre choques de sabres de luz e tiros de pistola laser.

  • Anônimo

    What is thy bidding, master?

    Muito bom o texto. Star Wars está cheio de metáforas para a vida prática, que muitas vezes passam despercebidas entre choques de sabres de luz e tiros de pistola laser.

  • David.

    Luciano, puta final foda para um texto que começou perfeito. Nada a acrescentar. Parabéns.

  • David.

    Luciano, puta final foda para um texto que começou perfeito. Nada a acrescentar. Parabéns.

  • Dr Health

    “A pergunta que fica é: será necessário estar diante da morte para, enfim, perceber que medo algum faz sentido frente à certeza de que nada é permanente?”

    Não sei se foge um pouco da temática do texto, mas o que eu já observei é o efeito transformador do “estar diante da morte” em algumas pessoas. Aliás, todas as pessoas que conheço, que tiveram experiências do tipo, mudaram completamente. Invariavelmente passaram a aproveitar melhor a vida.

    Interessante. Mas espero descobrir isso de forma atraumática, hehehehe

    • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

      O enredo do filme “jogos mortais” tem como base isso ai. O Jig Saw descobriu que tinha câncer, desesperado, tentou suicídio jogando o carro num precipício, mas o infeliz sobreviveu, ai ele descobriu a “nova vida”.

    • Anônimo

      vddd viu voi pergunta… mas não foge tanto assim não no mais texto excelente

  • Dr Health

    “A pergunta que fica é: será necessário estar diante da morte para, enfim, perceber que medo algum faz sentido frente à certeza de que nada é permanente?”

    Não sei se foge um pouco da temática do texto, mas o que eu já observei é o efeito transformador do “estar diante da morte” em algumas pessoas. Aliás, todas as pessoas que conheço, que tiveram experiências do tipo, mudaram completamente. Invariavelmente passaram a aproveitar melhor a vida.

    Interessante. Mas espero descobrir isso de forma atraumática, hehehehe

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Se eu dissesse que o medo realmente não me domina muitas vezes eu estaria mentindo. Eu acho que essa luta é constante e é o tipo de coisa que basta se distrair um pouquinho para cair nesse ciclo.

  • Wiltord_flu

    A questão do medo é algo bem complexo por que ele aparece justamente em certos momentos para te proteger de coisas que podem te causar danos irreparáveis. Viver sem um pingo de medo seria sensacional, mas se levarmos em consideração coisas importantes como sua “autonomia”, “seu nome”, quem você é “princípios” isso me faz parar e refletir em não abrir mão de um pouco de medo como sinal de alerta. Medo como um sentimento extremo é algo impensável, Mas um pingo é necessário pelo menos nas questões pessoais. A quem não ligue para dignidade eu não sou santo vira e mexe cometo erros grosseiros, porém alguns códigos ou paradigmas ainda permanecem nas minhas raízes coisas difíceis de serem mudadas. Quero tentar chega num estado total de desapego creio ser bem difícil, no entanto eu confesso que seria a solução para alguns dos meus problemas.

  • Wiltord_flu

    A questão do medo é algo bem complexo por que ele aparece justamente em certos momentos para te proteger de coisas que podem te causar danos irreparáveis. Viver sem um pingo de medo seria sensacional, mas se levarmos em consideração coisas importantes como sua “autonomia”, “seu nome”, quem você é “princípios” isso me faz parar e refletir em não abrir mão de um pouco de medo como sinal de alerta. Medo como um sentimento extremo é algo impensável, Mas um pingo é necessário pelo menos nas questões pessoais. A quem não ligue para dignidade eu não sou santo vira e mexe cometo erros grosseiros, porém alguns códigos ou paradigmas ainda permanecem nas minhas raízes coisas difíceis de serem mudadas. Quero tentar chega num estado total de desapego creio ser bem difícil, no entanto eu confesso que seria a solução para alguns dos meus problemas.

  • William

    perfeito!

    *aplaudindo de pé*

  • Cadu Fernandes

    bom texto, pensar no ensinamentos do yoda com certeza fazem um melhor começo de semana.

  • http://www.cafecomamigos.com.br Cristiano Vieira

    E ao fim posso sentir medo de ler o que li.
    Tapa na cara? Reflexão?

    Talvez o melhor é esquecer por medo de ter que mudar…

  • 1bertorc

    O medo é bom… ele é responsável por ‘quebrar’ muitas barreiras de nossa estrutura biológica e nos deixar prontos para a ação. O perigo é deixar a parte mais primitiva do nosso cérebro nos dominar… Em suma: é importante ouvir o réptil que há dentro de nós, mas quem tem q fazer as escolhas é o grande macaco.

  • Gustavo

    Véi…vc estava inspirado quando escreveu esse texto.
    Parabéns…sem comentários.
    CLAPCLAPCLAPCLAPCLAPCLAPCLAP

  • Scr1pt

    ótimo texto… Vale lembrar também o tipo de mudança de uma pessoa depois de uma grande perda

  • http://profiles.yahoo.com/u/GWS2HQUCYYXDJZNAYPXRRUKBJM brunofsk

    bom texto cara, realmente ninguem da valor a série Star Wars, mas cada vez mais ela tem um paralelo com nosso mundo real, anakin é a prova de que não devemos ceder ao desespero.

    visite o blog do bruno fsk
    bfskblog.blogspot.com

  • http://twitter.com/johnnyschulte João Vitor Schulte

    Sem palavras!!! Nada como uma mensagem foda dessas pra começar bem uma segunda feira!
    Parabéns Luciano ! as colocações, metáforas ficaram realmente perfeitas! Lições para vida com o Mestre Yoda, nunca pensei nisso… Seus textos com base em filmes realmente fazem a gente parar pra refletir! Parabéns mais uma vez cara à você e toda equipe do PdH que consegue postar um texto mais interessante e melhor a cada dia que passa, e sempre passando mensagens importantes para a vida!
    Abração!

    • http://twitter.com/luciano_ribeiro Luciano Ribeiro

      Valeu, João!

      Star Wars vem carregado de uma grande dose de sabedoria. Quando você acaba passando por uma situação de conflito é difícil não se imaginar indo para o lado negro. Ainda mais quando isso envolve uma grande dose de emoções negativas. ahaha

      Obrigado pelos elogios, cara.

  • Nicolaslobato

    muito bom o texto luciano…
    Star Wars nos traz grandes ensinamentos e poucas vezes vi alguém discorrer tão bem sobre esta temática abordada no filme
    meus parabéns
    abraços!

  • Rafael

    Se o medo não fizesse sentido ou não tivesse utilidade, ele não existiria. O medo é um instrumento. E como qualquer instrumento, pode não criar o efeito desejado se não usado corretamente. Será mesmo que vivemos melhor sem medo? Será que encarar o medo como algo ruim, desnecessário ou sem sentido fará alguém ter uma vida mais plena?

    Enfim, parabéns pelo texto, ficou ótimo para ler, refletir e admirar.
    Star Wars’ fans, rejoice!

  • Anderson Castro

    Quatro letras: FODA

  • Zombie

    pqp, que texto foda!

    Confesso que somente fui ver a série star wars mais recentemente… porém, vi os 6 filmes de uma vez… rs

    Vi nas palavras do yoda… Palavras simples que mudam nossa vida grandemente se forem refletidas e praticadas, simples assim.

    Mas, a questão é: poucos, de fato, prestam atenção!
    Assim como tudo na vida, se prestassem atenção, seria tão mais fácil. rs

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    “é odiando o perder que acabamos odiando nosso antigo foco de afeto.”

    Frase que resume todo o processo, na minha visão.

    Como nós achamos que locais, pessoas e situações tem características próprias, são isso ou aquilo, “lá fora”, nelas mesmas, pensamos que elas são a causa de nos sentirmos bem ou mal. Quando elas nos fazem bem, dizemos que elas são boas. Quando elas nos fazem mal, dizemos algo assim: “Elas sempre foram ruins, eu é que não vi”.

    Raramente nos relacionamos com o outro. Na maioria das vezes ficamos dentro de nossas cabeças, apenas com as sensações, pensamentos e emoções que o outro causa em nós.

    É por isso que quando sentimos ciúmes ou frustração ou abandono, achamos que a causa é o outro e assim sentimos ódio ou aversão ou mil outras coisas.

    Não é fácil perceber que a aflição vem da própria estrutura do ciúme, do medo, da carência, vem da posição que assumimos, da identidade que incorporamos naquele mundo particular. Ela nunca vem de fora, do outro, de um local ou de uma situação.

    Valeu, Luciano.

    Abraço.

  • http://twitter.com/gabrielvinicius Gabriel Alves

    Fantástico. Anakin Skywalker representa muito bem nossas emoções, demonstrando também como nossas emoções podem nos levar para os piores caminhos principalmente nos acessos de fúria que ele têm nos episódios II e III dessa maravilhosa trilogia.

    Luciano parabéns mais uma vez pelos ótimos texto envolvendo filmes.

    Abraços

  • Humberto

    “O medo leva à raiva; a raiva leva ao ódio; o ódio leva ao sofrimento.”
    Eu adicionaria um quinto estágio a esse processo: indiferença.
    Após ser dominado pelo sofrimento, o que ocorre é que o antigo objeto de desejo deixa de ser algo insubstituível em nossas vidas… enfim, passamos a ignorar sua existência.

    • http://twitter.com/luciano_ribeiro Luciano Ribeiro

      Mais uma prova, a meu ver, de que essas estruturas são ilusórias. O mesmo objeto está lá, do mesmo jeito, mas a sua percepção sobre ele mudou e simplesmente cessa o efeito.

  • Cazzobrasilia

    tem uns aforismos do Guimarães Rosa sobre o medo que são fodásticos.. engraçado que ele escreve como se foose irmão do Mestre Yoda.. sempre invertendo a ordem do texto.. fica bonito pra caramba… eu gosto dessas aqui por exemplo:

    “O correr da vida embrulha tudo.
    A vida é assim: esquenta e esfria,
    aperta e daí afrouxa,
    sossega e depois desinquieta.
    O que ela quer da gente é coragem”

    “O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo.”

    “Deus nos dá pessoas e coisas,
    para aprendermos a alegria…
    Depois, retoma coisas e pessoas
    para ver se já somos capazes da alegria
    sozinhos…
    Essa… a alegria que ele quer”

    “Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o
    sentir da gente. ”

    “Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.”

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Mestre Guimarães Rosa. Mestre.

    • http://twitter.com/luciano_ribeiro Luciano Ribeiro

      “Deus nos dá pessoas e coisas,
      para aprendermos a alegria…
      Depois, retoma coisas e pessoas
      para ver se já somos capazes da alegria
      sozinhos…
      Essa… a alegria que ele quer”

      Lindo! Sem palavras…

  • Anônimo

    “Lado Negro” não cara, tá loco?! É Lado AFRO DESCENDENTE

  • Túlio

    Gostei muito da maneira como vc conduziu o texto sobre as partes do filme. Inspirador, Luciano. Valeu!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=505038458 Leonardo Camargo

    Luciano, acho que não posso nem deveria postar links aqui, mas essa é pra você =p http://www.facebook.com/pages/Come-to-the-dark-sideWe-have-cookies/327376821192

  • http://twitter.com/Erikalk Erika Almeida

    Uma palavra: ADOREI!

  • Luisfabions

    Perfeito!

    Alegro-me que o PDH anda trazendo de volta texto desse gabarito!

    Concordo com o autor, medo gera insegurança, paranóia, preconceito, ódio, dor e estagnação. Mas é tão humano que despir-se dele torna-se uma tarefa complicada.

    Trabalhemos nossos medos, transformando-o numa força motriz para nossas conquistas. E não nos deixemos cair em tentação pela soberba! Busquemos sempre a humildade e o desprendimento.

    Que a força esteja com vocês!

  • http://twitter.com/bcruzc Bruno Cruz Carvalho

    para quem gostou do texto, recomendo a leitura de “a 50ª lei” do robert greene e 50 cent. isso msm… 50 cent.
    parabéns ao autor !!

  • Luana_sbezerra

    “Não importa exatamente o objeto de desejo, mas a energia que se move dentro de nós ao tê-lo. Esta energia é a raiz da motivação que nos leva a tentar manter as coisas exatamente como estão.”
    Muito bom!!!
    Com facilidade as pessoas pausam suas vidas, para “tentar” manter o jardim exatamente como está, mas o que perdemos é justamente a felicidade de descobrirmos coisas novas e totalmente diferente do que já estamos acostumados.

    Vou continuar tentando modificar a vista do meu jardim…

  • Luana_sbezerra

    “Não importa exatamente o objeto de desejo, mas a energia que se move dentro de nós ao tê-lo. Esta energia é a raiz da motivação que nos leva a tentar manter as coisas exatamente como estão.”
    Muito bom!!!
    Com facilidade as pessoas pausam suas vidas, para “tentar” manter o jardim exatamente como está, mas o que perdemos é justamente a felicidade de descobrirmos coisas novas e totalmente diferente do que já estamos acostumados.

    Vou continuar tentando modificar a vista do meu jardim…

  • http://www.facebook.com/people/Ivam-Melo/100001375642576 Ivam Melo

    Buda: A causa da dor é o apego.

  • http://twitter.com/MuraA Murillo B.

    Somos seres extremamente volúveis. Teremos de percorrer muitos caminhos até entendermos que o melhor é o desapego.
    Excelente texto!

  • Anônimo

    “é odiando o perder que acabamos odiando nosso antigo foco de afeto.”

    O ter sem saber ter pode se transformar no diamante amaldiçoado, que só atrai a cobiça de maus sentimentos.

    Texto fantástico!
    Congrats!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=505038458 Leonardo Camargo

    “I never wanted to have anything in my life that I couldn’t stand losing. But it’s too late for that.” – Henry, The Time Traveler’s Wife.

  • Vinicius

    Como diria Saint-Exupéry: “o essencial é invisível aos olhos”. Talvez nós simplesmente não percebamos o que de fato é importante… viver o momento.

  • Vinicius

    Como diria Saint-Exupéry: “o essencial é invisível aos olhos”. Talvez nós simplesmente não percebamos o que de fato é importante… viver o momento.

  • Vinicius

    Como diria Saint-Exupéry: “o essencial é invisível aos olhos”. Talvez nós simplesmente não percebamos o que de fato é importante… viver o momento.

  • Robinson Bizzi

    Cara, há alguns conversava com uma pessoa sobre perda, esperança e medo, e ao ler esse texto fiquei chapado, o autor foi direto no ponto, foda! Valeu!

  • Marcus

    A questão mais importante não é o medo, mas o apego a coisas externas a você. É este apego é que provoca o medo: medo de perder o que te completa, o que faz você ser o que é. Como disse um colega de comentários, isto está no budismo, no qual a saga Star Wars muito se inspirou.

    Parabéns por colocar esta questão de forma tão clara

  • thatsaesir

    ta mto sentimental viu? sorte que os textos tao excelentes, by the way! XD

  • Ítalo Figueirôa

    Muito bom mesmo…
    É disso que é feito o papodehomem.
    Ótimo texto, ponto de vista impecável.
    Star Wars é um bombardeio filosófico pra quem assistir com atenção.
    Parabéns Luciano, grande abraço!

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Scholl-Matter/1041526741 Lucas Scholl Matter

    A frase de Tao-Tsé, um dos principais pensadores do taoismo, que é: “A libertação do desejo conduz à paz interior.” Pode ser um caminho para evitar este “lado negro”, mas como se libetar deste desejo, se nossa natureza racional age assim? Em minha concepção, nossa natureza racional é tão primitiva que apenas possui o benefício próprio como meta, algo óbveo,entretanto a dificuldade reside em livrar-se da simples e pura “natureza racional”, como? através da reflexão: Deveriamos tomar a consciência que somos apenas uma mera (e bota mínimo nisso) parte do momento presente, diminuir nosso ego e começar a ver a vida de uma forma diferente…
    Gostei do artigo Luciano!
    Abraço!

  • Henrique Guimarães

    Rapaz, simplesmente fantástico. A forma de análise e perspectiva que você expõe baseadas nas obras-primas de G. Lucas, no mínimo foi uma tacada de mestre! Estava eu, a passar por alguns conflitos internos, exatamente desta natureza, o medo. O medo de perder alguém… Entretanto, ao ler este post, putz grilos!!!
    Fico lisonjeado por saber que um texto de tamanha qualidade e ótimo conteúdo foi escrito por um conterrâneo!

    Excelente artigo!

  • http://www.facebook.com/people/Rosennyldo-Nobrega/1651029258 Rosennyldo Nóbrega

    Muito bom o artigo.
    “Por meio desta emoção, encontramos nossa companhia mais fiel: o sofrimento.”
    Cara, se tem uma companhia que não quer saber de divórcio, é o medo que traz esse sofrimento..
    Sensacional colocação.
    Parabéns.

  • http://twitter.com/abneralmeida Abner Almeida

    Incrível!! Absurdamente útil pra mim, justamente hoje. Um tiro no pé! Você foi muito feliz mesmo com esse texto.

  • Thiago

    O texto seria bom, se não terminasse com o argumento (ou questionamento) de que o medo é inútil quando comparado à nossa finda existência.
    Aí você toca um outro assunto completamente diferente e indeterminado que é o fato do que é real (ou verdade – ou “que existe”) e o que não é.
    Não dá pra falar da importância, ou relevância de algo sem conhecer. E não vou tocar nesse assunto porque não cabe nesse escopo.
    Acho que o texto ficaria melhor sem essa parte sobre a relevância do medo perante uma vida ou existência passageira.
    No que toca o tema “medo como uma barreira para uma vida melhor” o texto ficou bom. Não ótimo. Bom.

  • Lucas

    Puta texto! Star Wars é lição de vida!

  • http://twitter.com/natimax Natimax

    Ótimo texto!!

    Mesmo em casos de morte não iminente, mas de possibilidade mais palpável (diagnóstico de câncer ‘maligno’) as pessoas mudam a forma de viver, de ver a vida de lidar com as pessoas.

    E são movidas pelo medo também. Medo de não ter tempo de fazer aquilo, de não ter outra oportunidade de ver as pessoas, medo de perder aquilo definitivamente, faz com que cedam a certos orgulhos e vejam as coisas com outros olhos.

    O medo age e neste sentido ele não é tão ruim.
    O apego sim, pode fazer a pessoa se desesperar e na ansia de não perder aquilo, não conseguir aproveitar o que tem.

  • http://twitter.com/nessinhaff83 Vanessa Fernandes

    Genial.

  • http://www.facebook.com/people/Leo-Neves/100001822037510 Léo Neves

    É interessante como alguns de nós lidamos com a impermanência, até mesmo quando temos conhecimento sobre ela. Como as religiões que “criam”, ou simplismente existe(não vou discutir isso), conceitos permanentes para lidar com a impermanência. Sugerindo uma fuga.

    Pessoalmente eu acho o Anakin um personagem fantástico!
    Muito bom o texto! Parabéns!

  • http://twitter.com/eleonardoneves Leonardo Neves

    É interessante como alguns de nós lidamos com a impermanência, até mesmo quando temos conhecimento sobre ela. Como as religiões que “criam”, ou simplismente existe(não vou discutir isso), conceitos permanentes para lidar com a impermanência. Sugerindo uma fuga.

    Pessoalmente eu acho o Anakin um personagem fantástico!
    Muito bom o texto! Parabéns!

  • http://www.facebook.com/people/Flavio-Del-Monaco/100001098649217 Flávio Del Mônaco

    Medo e insegurança andam de mãos dadas!

    Como diria Carlos Drummond de Andrade, “a dor é inevitável, o sofrimento opcional.”

    Saber controlar é o segredo!

    Que a força esteja com vcs!

  • http://twitter.com/tiagohardco Tiago Matias Escobar

    Grande texto. Eu o havia lido há uns bons meses, mas é atemporal. Ontem cedi ao Lado Negro e fiz merda. Exatamente do jeito que está escrito “raiva leva ao medo, medo leva ao ódio e ódio leva ao sofrimento.” e “Laços emocionais levam ao ciúme. Na sombra da cobiça se transformam.”
    Eu que sempre fui um cara centrado, caí tal qual Anakin Skywalker. Bom pra mim que tudo deu certo ao final (Obi-Wan estava atento) e tudo serviu como lição para o futuro. Nos momentos de raiva e ciúmes, fazer como Qui Gon: sentar e esperar serenamente.
    Parabéns pelo texto!

  • http://twitter.com/devoidhere R

    Veja bem, se nada é permanete… o que permanece é a mudança. Logo, existe permanência sim. Ao contrário do que todos acreditam, as coisas não mudam. Apenas se revelam.

  • http://www.facebook.com/tiagoalen Tiago Alencar

    Isso é tudo baseado na filosofia budista.

  • Luciano

    Já usaram este termo, mas eu vou repetir: Luciano, meu chará, teu texto é FODA!!! Fodástico!!

    Repassei algumas situações na minha vida, e percebi bem claramente como é que “é odiando o perder que acabamos odiando nosso antigo foco de afeto.”…

    Genial meu caro!

  • davi

    absurdamente fantástico. melhor texto que já li nesse site. parabéns.

  • davi

    absurdamente fantástico. melhor texto que já li nesse site. parabéns.

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